quarta-feira, janeiro 7

Dia do Fico

Vocês repararam como a Adriana é uma chatonilda no inverno? Valha-me Deus! ( óquei, vocês aí que pensaram que ela é uma chatonilda o ano inteiro fiquem quietinhas - silence... I kill you )

Vocês estão vendo como eu ando deprimida depois da volta do Brasil, mas hoje, lendo uma coluna no site BnH onde a colunista falava da bolsa roubada e recuperada aqui na Holanda, pensei com um suspiro bem grande: e é por isso que eu ainda estou aqui. E daí, me veio um certo aliviozinho, um certo apreço pela minha vidinha aqui, apesar desse frio decomunal que está lá fora.

Já falei pra vocês que tenho medo mortal de assalto, sequestro-relâmpago, e outras maladias típicamente brasileiras?

Mas então, depois de ler o tal post, fiquei pensando nas coisas que eu gosto daqui, e sabem, até que não são poucas.

Gosto do ambiente profissional aqui, mesmo em crise, é melhor e mais ético que no Brasil.

Gosto do sistema social, apesar de ficar p da vida de vez em quando. Acho que a gente paga muito mais imposto do que no Brasil mas temos também muito mais benefícios, e penso que se há também roubalheira, deve ser numa escala mini comparada a nossa terra.

Adoro a inexistência dos parcelamentos, prestações e crediários, fruto de uma cultura menos consumista.

Assim como Caetano, narcisista que sou, no início também achei feio o que não fosse espelho, e estranhei demais o modo de se vestir das holandesas. Mas agora amo a liberdade de estilo delas, ou a falta de estilo ( como queiram ), e o fato de ninguém seguir modinha se esta não lhes agradar. Amo não ouvir mais "você viu a roupa da fulana da contabilidade?", amo as calças de lã no joelho pra mostrar as botas, adoro as bijuteriazonas, cachecóis, lenços e outros balangandãs que elas jogam por cima dos modelitos, e acima de tudo amo os 44, 46 daqui. Adoro ver na rua gente vestido de todos os jeitos, e não aquela uniformidade brasileira. Esse ano no Brasil foram as calças skinny com plataformas estapafúrdeas o que mais vi. Ah, mentira, o que mais vi foi um medonho modelo de macacão que é uma calça pijama com elástico na cintura e depois uma parte de cima tomara que caia e bufante. Vou ver se acho uma foto. Fora de série, no resort contei 4 mulheres no mesmo restaurante com um desses.

Amo, de joelhos, os queijos que a gente encontra no supermercado, principalmente os holandeses. Beemester oud, Old Amsterdam, Milner Gerijpd, Volmer pittig. Deliro ao ver uma boa fatia de Parmiggiano Reggiano com selinho original. Detono minhas saladas regadas com fetta original esfarelado. E indo além dos queijos, amo os pães, os vegetais, as tortas de chantilly não gordurentos, a alface roxa...

Turismo por aqui é mais barato e mais fácil. Existem milhões de sites de agência de turismo, os hotéis todos listam preços, em janeiro já se encontram pacotes para dezembro. Isso sem falar nas promoções das low cost, nos last-minute deals, e nas cidades maravilhosas onde podemos ir de carro ou com promoções de passagens de trem.

Amo IKEA!!!! No Brasil, ou você vende a casa pra comprar móveis ou acaba na Marabrás ( e olha que eu sou de São Bernardo, a capital brasileira do móvel ), mas aqui temos IKEAAAAAAA. Pode me chamar de pobre de gosto, mas eu olho pras minhas paredes vazias e já vejo uma Bonde, no cantinho uma Billy. AMO AMO AMO.

E eu gosto de gente meio doida, cês sabem né? E a holandesada tem lá as esquisitices, os programas de índio deles, o que acaba sendo levemente "entertaining". Aqui no escritório estão todos monitorando a previsão do tempo e a espessura do gelo em Friesland na expectativa de terem esse ano a tal 11 Steden Tocht, que há 12 anos não acontece. É uma corrida de patinação no gelo que passa por 11 cidades em Friesland, dura cerca de 10 horas. Na frente vai o pelotão profissional, que compete, e atrás os amadores, certa de 9 mil. E quem não vai patinar, vai pra ver. Agora vejam que passeiaço: temperatura negativa, você dirige daqui a Friesland, se enfia numa aglomeração numa cidadezinha qualquer, paga 5 euros num café que vai esfriar em 37 segundos, e fica esperando 9000 pessoas andando de skate no gelo passar por você. Weeeee... que alegria...

Aliás, tenho uma sugestão para comunidade brasileira que insiste em fazer a festa junina em junho, sob um calor de 30 graus ( menos adriana, menos... ). Porque não fazer uma festa "joanina" ( quero morrer sempre que leio festa "julina" - a festa junina em julho, como se junina se referisse ao mês e não ao santo ) em janeiro? Pô, agora que tá bom fazer fogueira, tomar vinho quente e comer pinhão.

Bom, como dizem, o que não tem remédio, remediado está. E diga ao povo que fico!

PS.: Cinco da tarde, breu total e -3 lá fora. Ainda bem que estou de carona com o marido, porque moteeenha esse ano não tá rolando não.

segunda-feira, janeiro 5

"Béstewense"

Nevou a noite inteira, acordei e medi: na minha porta da frente tínhamos 22 cm de neve! Ainda tentei ir de moteeenha pro trabalho, mas a coitada não saía do lugar, só patinava. Vim pro trabalho com FH, de carro. Todos andando a 10 km por hora, povo empurrando bicicleta porque pedalar era impossível, na empresa, estacionamento vazio: todo mundo preso em congestionamentos. Feliz 2009.

Chegando no meu prédio, ninguém sabe se foi esquecimento ou mau planejamento, mas esqueceram de ligar o sistema de aquecimento do prédio com antecedência, justo nessa noite tão fria, e dizem que os que chegaram primeiro pegaram o prédio a 10 graus. Agora, ao meio-dia, está 16. É dificílimo digitar e meu nariz está escorrendo, todo mundo reclamando. Feliz 2009.

Aliás, todo mundo vem desejar feliz 2009, béstewense pra você também.

Pelas próximas 28 semanas posso me despreocupar com o meu empreguinho dos sonhos, ou quase. Apoiada pelo sindicato, a empresa entrou com o pedido de redução de jornada para o ministério do trabalho e o pedido foi aprovado. Durante 28 semanas ninguém pode ser mandado embora, e pelas primeiras 24 os funcionários da produção trabalharão apenas 4 dias por semana e receberão complemento de salário do governo. O que parece um “negócio da China” deixa, para os que se dão ao trabalho de ler o acordo, um gosto bem amargo na boca. É bem óbvio que depois dessas 28 semanas o pau vai comer. E feio. O acordo prevê que nessas 24 semanas a empresa subsidie, junto com o governo, a atualização profissional e treinamento dos funcionários. Ou seja, estão preparando torneiro mecânico pra ir trabalhar de padeiro, e pra bom entendedor um parágrafo basta.

Durante esse tempo, a empresa deve preparar um plano social para “o caso de” precisar reduzir o quadro de funcionários indiretos ( vulgo “nós” dos escritórios ). Mais um parágrafo para o bom entendedor.

Nessa hora, diz o bom senso que o melhor é pular do barco antes dele afundar, e muitos dos meus colegas estão, na calada da noite, procurando emprego. Um deles acabou de anunciar que está deixando a empresa. E é nessa que nós, imigrantes, nos ferramos ( se o Lula pode usar “sifu”, eu posso usar nos ferrar, certo? ). Com a economia a todo vapor, tem emprego pra todo mundo, mas com a economia a nenhum vapor, cabeção só quer contratar lourão batavo, imigrante que se lasque. Portanto, procurar outro emprego, pelo menos para mim, está fora de questão. E aí fica aquela coisa triste da gente torcer para os colegas de trabalho lourões se darem muito bem e arrumarem empregos fantásticos, assim você vai ficando. É péssimo “ficar” porque sobrei, se é que vocês me entendem. Mas pensando bem, é melhor ficar porque sobrei do que não ficar, certo?

Aí você pensa, poxa a Adriana não se garante. Não é isso meu povo, mas convenhamos, eu sou a que entrou por último, eu não falo holandês, eu sou a estranha no ninho. O negócio é esquecer orgulhinho besta e dane-se se eu fiquei porque sobrei ou porque sou um gênio.

E o clima continua ainda pesado, redução de custos de todos os lados, projetos devagar quase parando, produção "still" por 1 mês. Em paralelo, a empresa anuncia distribuição extra de dividendos para os shareholders. Acho lindo segurarem o valor das ações da empresa, mas será que não dava pra re-investir esse valor na empresa ou aumentar as reservas de caixa? Vai ver que eu é que não entendo nada mesmo.

Enquanto isso, comenta-se a boca bem miúda que uma automotiva francesa vai parar a produção nas principais fábricas européias por 5 meses. Gente, vocês não fazem uma idéia da tragédia que isso representa, serão 5 meses de fornecedores sem receber, muitos vão quebrar, tenho certeza. Para confirmar o boato, um colega foi ao dealer dessa marca e tentou encomendar um carro, e estão aceitando pedidos personalisados só para o mês de outubro. Mêda, muita mêda.

Mas... depois das minhas férias relaxantes, estou me convencendo a não arrancar-me mais os cabelos. Até o meio do ano o ganha pão está garantido, e se o pior acontecer depois disso, parece que recebemos 70% do último salário como ajuda-desemprego, preciso pesquisar pra ver se é isso mesmo. E daí tenho esse ano pra procurar um outro emprego, o que não é legal mas também não mata.

domingo, janeiro 4

E o ano começa...

Amanhã volto a trabalhar, depois de exatos 30 dias de férias.

Meu guarda-roupas estava a zero de roupas de inverno, fui então às compras para aproveitar a liquidação. Liquidação aqui é sério, não são aquelas liquidações tabajaras do Brasil. Comprei muitas blusinhas legais por dinheiro de pinga. Há que se garimpar muito, mas voltei com algumas golas altas 100% malha por 5 euros da Miss Etam, calças de veludo ( que eu amo por serem quentinhas ) por 6 euros, e até uma sapatilha baixa de couro verdadeiro por 20 euros. Me deu até uma animadinha.

Aqui em Eindhoven temos 2 shoppings, minúsculos, mas shoppings. O Heuvel Galerie é apertado, tem corredores estreitos, teto baixo, mas pelo menos é quentinho e tem estacionamento. O Piazza é num vão geladésimo e tem uma merreca de roupas, não vale a pena. O resto é camelar pela rua mesmo, entrando de loja em loja. Com esse frio horrendo dá desânimo, por isso eu ter ido apenas a 2 lojas e um magazine.

Estou pensando em comprar aquela lâmpada de luz ultra violeta, ou fazer bronzeamento artificial leve. Xô deprê.

E agora me vou, pensando já nos pepinos que me esperam. Minha empresa entrou no plano de ajuda do governo, e os funcionários de produção estarão trabalhando apenas 4 dias por semana, o dia sem trabalhar é pago pelo governo. Esse esquema durará no máximo 24 semanas, depois disso só Deus sabe. Para nós, dos escritórios, não sei qual será o impacto, estou curiosa e um pouco apreensiva.

sábado, janeiro 3

Senta com um café na mão, que o post é longo

Às vezes a vida é assim, a gente quer congelar um momento no tempo, fazer tudo parar e ter somente sorrisos, dias ensolarados na piscina, abraços, piadas, sorvete de milho verde... Tem uma música italiana que diz que "essa dorzinha, ódio ou amor, passará". Então, nada dura para sempre.

Talvez daqui a algum tempo eu possa dizer que sou grata por encontrar a felicidade em dois lugares: no Brasil e na Holanda. Mas por enquanto é justamente o oposto: não sou inteiramente feliz nem aqui nem lá. Falta a família aqui, falta a segurança lá.

Aos poucos vou melhorando a depressão. Hoje fui bater papo com uma das comadres, ajudou muito. Semana que vem volto ao trabalho, que adoro, e apesar dos tempos bicudos, estarei mais felizinha.

As coisas foram muito bem no Brasil. Tive a impressão que os pobres estão menos pobres, muito carro bom na rua, e carrinhos "pocotó" menos "pocotós. O povo está se vestindo melhorzinho, apesar de ainda existir aquela maldita mania de alguém ditar a moda e todos terem que seguir. A nova são as calças skinny. Já viram gordo de calça skinny? Parece coxinha com a parte redonda pra cima: aquela banha toda pra cima e as pernetas amassadas no jeans. Mas é a moda, né - quem ousa não seguí-la? Sem falar que mesmo que você não queira seguí-la não há outra opção. Minha pobre mãe, uma senhora de 61 anos, não merece ter que se enfiar numa tristeza daquelas a essa altura do campeonato. Levei uma GAP straight boot pra ela. Fiz uma mãe feliz e dei emprego pra alguma criança na Índia.

Como eu já disse, os brasileiros estão ignorando a crise mundial. Como resultado, o resort estava razoavelmente vazio de gringos, todos guardando seus eurinhos ( e dolarezinhos e librinhas ), e bastante cheios de brasileiros. Famílias inteiras se encontrando e passando o Natal juntos no calor da Bahia. Nunca vi tanta babá na vida, e a 3600 reais por cabeça em baixa temporada, tem que ter muita bala na agulha pra levar até a babá pro resort all-inclusive. Sei lá se gosto dessa idéia de levar babá pra férias, por um lado, se eu trabalhasse e tivesse filhos, ía querer passar as férias grudadas neles, e não deixá-los aos cuidados de uma babá, por outro lado, num resort maravilhoso daqueles, ter uma babá pra dar banho, levar pra dormir, ficar com eles à noite é uma mão na roda, não sei mesmo o que pensar.

O hotel é muito bom, melhor do que esperávamos. Tem lá seus poréns, como não ter elevador em nenhum dos 3 blocos ( todos tinham 3 andares ) obrigando todos os pais com crianças em carrinho a ficar no térreo, bem como quem tem problema de locomoção. O café da manhã podia ser melhor: fila pra pegar tapioca num resort 5 estrelas é inaceitável. Mas os drinks eram ótimos, a comida bem aceitável, água de côco abundante, cadeiras de sol sempre disponíveis, quarto grande e bem de frentinha para o mar ( pagamos um pouco mais ), limpeza supimpa. Valeu. Praia do Forte não tem tantas atrações como Porto de Galinhas ou Natal, mas para quem queria relaxar como nós, foi o lugar ideal.

Gostamos muito de Salvador, e vamos voltar. Lindo ver tudo, toda a orla, centro histórico, mas se fosse morar lá moraria onde ficamos: na Pituba. Mais uma vez, o Brasil é melhor para aqueles que tem dinheiro. Mas é assim em qualquer lugar, não é?

Voltando à SP, fomos direto para Holambra, e tudo lá estava ótimo: calor, piscina, casa bonita, sobrinhos lindos e legais, churrasco, caipirinha, shopping center. O Natal foi ótimo também, como eu gosto de Pernil!!!

Às coisas no Brasil estão caras mas não tanto quanto eu pensava. Vi vestidos bonitos no shopping a 125 reais, longos, decotadões, do jeito que eu gosto. Arezzo, que era uma marca boazinha, está carésima, pra lá de 250 reais uma sandália. Nem parei na Cori, que era minha preferida, para não chorar. Nas revistas contigo da vida, os famosos só de Chanel, Prada, LV. Acho um despropósito, justo eles que tem exposição, não promover os designers nacionais. Anyway...

Passando assim férias, é impossível não desejar voltar a ter aquela vida boa, no calorzinho, mas meia hora de "Retrospectiva 2008" na Globo me lembraram da violência, da falta de segurança, da impunidade, de todos os motivos que colaboraram com a decisão de vir morar aqui. No fim, o xis da questão não é o lugar, porque até o pior dos climas se contorna, mas a falta da família. Se eles por um milagre estivessem aqui comigo, eu estaria feliz, com frio, ralhando com essa garoa, pés congelados, mas feliz de tê-los por perto.

E para acabar: a pergunta que não quer calar. Os holandeses sentem as coisas como a gente e não sabem expressar, ou simplesmente não sentem? Meu vôo era antes das 9 da noite, assim que começamos a taxiar, o piloto informou: como estávamos com as portas fechadas, o avião era considerado solo holandês, e portanto, faltava 1 minuto pra meia-noite ( era dia 31 de dezembro ). Passado o tal minuto, ninguém falou nada, marido não abraçou esposa, nem os filhos, nem ninguém. As atendentes passaram com um copinho de champagne pra cada e pronto. Três horas mais tarde, deu meia-noite no horário brasileiro: metade do avião se abraçou, se desejou felicidades, pros conhecidos e pros desconhecidos, deve ter até holandês entrado na dança. E aí a pergunta: será que é só pra gente que um ano novo vem com promessas de felicidade, de novas conquistas, de tempos melhores, de novos horizontes? Será que lá no fundinho, bem no fundinho, eles não acham também que o dia 1 do ano é mais do que só um dia como outro qualquer? Me responda quem puder!

sexta-feira, janeiro 2

De Eindhoven

Cheguei.

Nem vou escrever muito porque dessa vez a volta está sendo terrível. Parece que a qualquer momento minha sobrinha vai entrar na sala tagarelando, ou que se eu for ali no computador vou achar o Bru jogando qualquer coisa sangrenta. Comecei a chorar no aeroporto de Guarulhos e ainda não parei.

Eu andei analisando meus quase 6 anos aqui, e vejo que cada ano eu me sobrecarreguei com batalhas hercúleas. Achar emprego, sobreviver num emprego tão longe, mudar de emprego, achar uma casa, comprar a casa, vender a casa antiga, mudar de emprego de novo, tudo isso adicionado as pelejas normais do dia-a-dia. Saí da boa vida total no Brasil para cair nessa maratona aqui. Isso tem que mudar. O pior é que esse ano vai ser difícil, todo mundo na TV está com previsões macabras. Nesse ponto acho que prefiro o Brasil, estão todos ignorando a crise, sonhando que não vai chegar lá, e vão tomar um tombão, mas pelo menos não sofrem por antecipação. Do que adianta ficar falando again and again na TV que a coisa tá ruim e vai ficar pior? Tem muito o que possamos fazer para melhorar ou para ajudar a melhorar?

Então... Eu vivo repetindo para mim mesma que eu me basto, que eu não vou depender de ninguém, que quando eu quiser uma coisa, me arrebento mas faço sozinha. A verdade é que o gás acabou e eu não me basto mais, ou talvez nunca tenha me bastado. Não sei se as férias me deram gás e fizeram acabar o pouco que tinha, porque mais uma vez eu vi uma vida que não posso mais ter, vivi duas semanas recheadas de risos e conversas e abraços e passeios com a minha família, e voltar para essa solidão dói mais e mais.

Mais uma vez, não tenho muito tempo para chorar e lamber as feridas. E não sou de ficar acuada num canto reclamando da vida, não acho mesmo que vá me ajudar. Continuarei minha análise do quê pode fazer minha vida aqui mais tolerável, e o jeito é correr atrás.

Post triste de início de ano, mas olhando pelo lado bom, daqui só tende a melhorar. Acho eu.

Feliz 2009.

domingo, dezembro 28

De Holambra

Minhas férias estão chegando ao fim. Vontade zero de voltar. Brasil está meio que flutuando no castelo de nuvens de que a crise não vai chegar aqui, o ambiente está leve e todos estão felizes. E comprando muito. Talvez a crise não chegue mesmo.

Estamos relaxando muito, comida boa, piscina, shopping gigantesco ( Parque D. Pedro em Campinas ). O Natal foi ótimo, apenas a família mais imediata.

Hoje vou ao mercado fazer as comprinhas para a mala: feijão, trigo, remédios, e havaianinhas, dessa vez com jóias de strass nas alças. Ai ai.

Na volta tenho muito que contar, mas por hora vou parando.

Fui!

quinta-feira, dezembro 18

De Salvador

Estou em Salvador, já é de noitinha e fizemos uma verdadeira maratona. Desta vez, estou conhecendo o lugar com uma soteropolitana "da gema" e não sei se é isso, ou se é a cidade que é legal mesmo, mas já decretei que moraria aqui numa boa. Mesmo. E tem mais, agora entendo a amiga que tanto sente falta da terra dela, afinal, se eu sinto falta de SBC ( que é feia pacas ), imagina se eu viesse de uma terra ensolarada com mar verdinho? Quando voltar dividirei umas caraminholas da minha cabeça com vocês, mas a pergunta que não quer calar é: como aguentarei outros 28 anos de Holanda ( até minha aposentadoria ), vendo lugares tão legais para se morar?

Enquanto isso, nossa estadia no Iberostar se aproxima do final. Sinceramente, pra nós, ratões de praia, 7 dias teriam sido pouco, os 14 serão na medida, mas é mesmo para quem quer descansar, aproveitar o resort. Fomos fazer um passeio de quadriciclo pela Reserva de Sapiranga, que foi ótimo. Fizemos também mergulho de snorkel na vila da Praia do Forte, próximo ao Projeto Tamar, e foi o melhor mergulho que fizemos no Brasil, a variedade marinha é bem grande. Mas fora isso, muita piscina, praia, e comida-comida-comida. Acarajé, moqueca, tapioca, água de côco, caipirinha de caju, pudim de tapioca, e até queijo parmesão italiano original pra saciar meu vício. A pança nem balança mais, ela ginga, suinga, lambadeia. Adivinha meu pedido na hora da fitinha do Nosso senhor do Bonfim?

Estou indo de volta pra SP ansiosa para ver meu irmão, sobrinhos e o resto da família, mas também triste de deixar uma terra tão legal, sem saber quando volto.

Estamos eu e o Bart curtindo essa nossa noite em Salvador, em companhia fantástica, que foi com certeza a razão principal de gostarmos tanto daqui. A todos aqueles que tiveram uma impressão diferente de Salvador, helaas... faltou-lhes uma anfitriã como a minha. Um dia, quem sabe venho no carnaval? Ho ho ho, é bom eu começar a ir treinando desde agora. Já me deram a dica do hotel favorito de muita gente, especialmente no carnaval: pousada Marcos. Vou até ver se consta no tripadvisor. He he he.

Bom, agora, só mesmo de Holambra.

Fui!

sexta-feira, dezembro 12

Da Praia do Forte

Estamos aqui, na Bahia!

O vôo da KLM foi melhor do que eu esperava. O novo avião tem cadeiras com mais espaço para as pernas, a comida agora é Conimex, e as toalhinhas umidecidas e o sabonete líquido são da Ritual, que eu amo. A poltrona do meu lado foi vazia, e uma menina esquisitíssima foi na janela. No geral, bom vôo, vale a pena os tostões a mais.

Chegando em SP, que bom ver minha amiga Fê, minha mãe, a Thali... No shopping tudo mais caro do que da última vez, mas menos do que eu esperava. Me assustaram tanto que eu já fui preparada para um assalto à mão armada. Compramos camisetas da Scene por 36 reais, havaianinhas por 23 reais, short para o Bart da Mizuno por 49 reais. Se converter em euros nem é tão terrível.

Chegamos na Bahia acabadésimos, nos arrastando. O hotel é ótimo, nos deram um quarto muito, muito bom. Estamos de frente para o mar, com um coqueiral na frente, o barulho das ondas, mais o barulho das folhas dos coqueiros à noite é super relaxante. Essa noite dormimos de janelão aberto, está fresquinho. O sol apareceu forte hoje, estava meio nublado, e com protetor 50, debaixo da sombra, eu me tostei, assustador! Chegamos na segunda e saímos do hotel só hoje, para vir à vilinha da Praia do Forte, que é lindinha.

Vocês sabem que eu não entendo o povo que não gosta de praia, mas confesso que dessa vez acertamos em cheio na escolha da praia. Estamos adorando! O hotel só não supera o luxuosérrimo da Praia del Carmen, mas é melhor do que todos os outros que ficamos. As instalações são ótimas, a comida muito boa, a praia bonita. Todo mundo merece uma vez na vida se dar um presente desses. Sou uma pessoa de sorte.

Agora devo voltar só lá de Holambra, não vim pra esse paraíso pra ficar mofando na internet, né?

Claudinha: tô adorando sua terra! Ah, e vou ver sua mãe antes de você!

sexta-feira, dezembro 5

Fui!

Sexta de manhã, malas quase prontas, checkada no vôo, boarding pass impresso, amanhã às 10 tô decolando.

Em casa, o banheiro ficou pronto, com vidro e móvel, e é lindo de chorar. Lindo!

Malas explodindo, alguns presentes faltando, mas essa é a vida.

Feliz Sinter Klas pros que ficam, da terrinha mando notícias.

terça-feira, dezembro 2

Skipping Christmas

Teoria Adrianal de Logística Holandesa: a incompetência logística desse povo é incomparável. Ou não?

Holandeses comemoram o Sinter Klas, dia 5 de Dezembro, como nós comemoramos o Natal. O país está ( como todos os anos ) em polvorosa comprando presentes. Perguntas que não querem calar e que provam como o povo daqui é logisticamente anta:

- Letras de Chocolate: todos os anos sobram M, R, e T; sempre faltam F, B e A. Quando é que alguma empresa um pouco mais esperta vai contratar um estagiário estrangeiro pra fazer a estatística anual e bolar um programinha que produz as letras na proporção correta? Hein?

- Roupas: as araras estão lotadas de 34, 36 e 38 que ninguém quer, não se acha nada nos tamanhos maiores, e um 46 é milagre de Nossa Senhora. Quando é que vão contratar um estagiário estrangeiro pra bolar um programinha que produza roupas nos tamanhos proporcionais à demanda? Hein?

- Sapatos: me irrita o sistema dos vendedores brasileiros, que se você pede a sapatinha da ivete preta 39 e não tem, chegam com 20 caixas de produtos semelhantes, de outra cor, de outro número, de outro modelo, de outra marca. Mas aqui, você pede o tênis preto de vírgula fúcsia da Nike tamanho 43, o carinha vai láááááá no estoque e volta de mãos vazias: não tem. Aí você pergunta: não tem algo parecido? Ele responde: claro que tem! E te aponta a parede enorme com 348 modelos diferentes e 235 clientes se estapeando em frente aos displays. Quando é que vão contratar um estagiário estrangeiro pra treinar esse povo e ensinar a velha técnica do "empurra o que tem?". Hein?

- Presentinhos básicos: quando a grana e criatividade tá curta, Zé Mané vai no Boticário, pede uma caixa lindinha vazia e "enche" com os produtos que gosta e pode pagar. Aqui eles fazem umas caixas "pre-montadas" com um monte de bombom de alixe. Aí Hans Maneh quer uma caixa com gel de banho, hidratante corporal e brilho labial, mas só tem com gel, shampoo, hidratante. Aí Hans Maneh quer adicionar o condicionador mas não cabe. Quando é que vão contratar um estagiário estrangeiro para apresentar o conceito para as "Kruidvat" da vida? Hein?

- Pacoteeenhos: muito mais prático levar os presentes já embaladinhos pra casa. No Brasil, lojista esperto já faz mil embalagens pré-prontas, sacos de papel, caixas, ou então colocam um serviço de empacotamento tabajara lááááá no fundo da loja. Aqui, porque somos todos cornos, é o caixa que embala! E aí você quer só pagar seu remédio para hemorróidas e ir pra casa, mas tem aquela fila enoooooorme de tias-véias esperando cada um dos pacotinhos de bala de € 1.99 serem embalados. Quando é que vão contratar um estagiário brasileiro para fazer planejamento de embalagens eficientes nessa terra? Hein?

Isso sem falar em assuntos não logísticos que também irritam essa que vos fala. Quem foi que disse que TODA embalagem de presente tem que ter aquele Papai Noel falsificado e esquálido, cheio de negrinhos trabalhando pra ele ( olha a mensagem politicamente incorreta aí )? Pô, pelo menos uma embalagenzinha neutra pros não-praticantes, all right? Você precisa ir, nessa época, às compras com seus 8 filhos, 3 carrinhos ( ões ) Bugaboos Intergaláticos, o cachorro na coleira, e sua Maxi-bolsa LV falsificada? A creonça não tem pai, tio, vizinho, e em último caso, Dormonid pra ficar em casa e não encher o saco dos demais? Minha mãe NUNCA me levou fazer compras de Natal, eu SEMPRE ficava em casa com a minha avó, so WTF? Você tem que falar no celular, óquei, o marido ficou em casa pra cuidar da creonça ( muito bem! ) e tem que te dar a aprovação pro presente mais caro do Zézinho, mas precisa berrar tão alto ao celular?

Passar pela loucura pré-natalina duas vezes ao ano ninguém merece. Uma antes do 5 de Dezembro aqui na Holanda, outra antes do 25 de Dezembro no Brasil. Só comendo muito Chocottone pra aguentar mesmo...

segunda-feira, dezembro 1

Os macaquinhos

"Numa floresta africana apareceu um caçador procurando macaquinhos, e ofereceu para os nativos de uma pequena tribo 5 dólares por cada macaquinho que eles trouxessem.

A tribo toda saiu catando os macaquinhos e logo o caçador tinha uma enorme jaula com 50 macaquinhos e a tribo tinha 250 dolares para trocar pelo que quer que fosse.

Um mês depois, volta o caçador, dessa vez pagando 10 dólares por macaco, e a tribo novamente se coloca em polvorosa para catar macaquinhos. E lá se vai o caçador embora com mais 50 macacos, deixando 500 doletas na tribo.

E a operação se repete até que os macaquinhos estajam praticamente sumidos, e seu preço tenha atingido a casa dos 50 doletas por macaco. Uma loucura. E aí vocês sabem, falta de macaco na praça, os que aparecem atingem logo o preço de 100 doletas. Isso mesmo, o caçador agora paga 100 doletas por macaco, 100% de inflação macacal. E ocupado que é, o caçador deixa o auxiliar dele para negociar a próxima safra.

O auxiliar, espertíssimo, logo propõe para o chefe da tribo: vendo os macacos pra você por 75 doletas, você vende do volta pro caçador por 100, assim você embolsa 25 sem esforço, e eu outros 25. Negocião da China. O cacique mais que rápido aceita.

Macacos comprados pela tribo, jaula pra tudo que é lado, barulho insuportável, nem um dólar nas bolsas e empréstimo contraído com a tribo do lado, o cacique espera ansiosamente pelo auxiliar no dia seguinte. O auxiliar nunca mais é visto."

Então, é isso que estamos vivendo. Pra mim, o auxiliar e o caçador são os ricaços ár@bes, que já estão se preparando para cair de boca nas empresas que estão pedindo arrocho. E diziam que o Mandarin vai ser a língua desse século, escrevam aí: vai ser o ár@be. O povo aqui diz que eu tenho mania de conspirações malucas, mas não tenho não, só me pergunto, que nem a Gal Costa: onde está o dinheiro, o gato comeu, o gato comeu, e ninguém viu!

Minha empresa acaba de anunciar que fecha a produção não por duas, mas por 4 semanas diretas. Já imaginaram? Uma empresa desse porte 1 mês inteiro sem produzir.

Enquanto isso, no Brasil, o povo diz que a crise ainda não chegou tão feia. Não sei se não chegou mesmo ou se brasileiro tá tão acostumado com crise que nem nota que essa tem tudo pra ser a crise do século. E como tudo tem seu lado bom ( menos o LP do Frans Bauer e do Guilherme Arantes ), eurecas na casa dos 3 contos. Nem sei mais se isso é bom ou mau.

Senhor nos ilumine.

sexta-feira, novembro 28

A vida é bela!

Então, depois de tantas idéias legais, resolvi que vamos numa pizzaria. Estou entre a Brás ( que é famosa ), a Bendita Hora ( que parece legal, mas bonita mesmo é a filial do Alphaville, que infelizmente é longe pacas ), e a minha querida Margherita.

Antes da Pizzaria eu queria dar uma parada no Hooters pra tirar o sarro do Bart. No México e nos EUA eu ameacei entrar com ele, e ele quase morreu de vergonha. No Brasil, com outras 4 mulheres, vai ser engraçado.

Sabem, SP tem tanto lugar legal, eu queria ir num lugar diferentão. Tipo, descer até Santos e comer num restaurante de frente pro mar ( tinha um na Ilha Porchat, mas era super barango, apesar da vista linda ), ou na beira da Guarapiranga, ou num ambiente diferente, tipo o doidão Vico do Scunizzo, ou o Lazzarella que dá até tarantela pro povo tocar... Mas como não achei nada, vai uma bouuuua pizzaria mesmo.

Enquanto isso o clima aqui na empresa cada vez mais sombrio. Hoje saiu matéria sobre a crise da Companhia no jornal da cidade. O pessoal da produção está se descabelando, porque dizem que vai ter trabalho só pra 30% deles. Se isso for verdade, nós aqui nos escritórios seremos dizimados mais rápido que matar barata com detefon. E conversando com uma das comadres, a crise já está se alastrando. Philipslândia acabou entrando na dança também. Olha, se o governo não der uma mão, um arroxo, sei não... Cidades como Amsterdam, Rotterdam, ainda se ajeitam porque têm uma razoável quantidade de empresas de serviços, mas cidades industriais, como Eindhoven, parece SBC em 1981. Sombrio... Imaginem que nosso concorrente direto estava produzindo 280 caminhões por dia, semana que vem a produção cai pra 40. Gente, tá difícil pacas!

E nessa, a primeira coisa que acaba entrando na dança são os dias de férias. Ano que vem haverão várias semanas compulsórias de férias. Eles sempre fazem isso para coincidir com as férias escolares, assim o povo em geral não chia muito, mas nós que não temos filhos só nos ferramos. Nessa época qualquer hotelzinho chuleiro nas Marbellas da vida custa 3 vezes o preço normal. Se bem que se eu for esperta ( e eu sou ), eu fico em casa quietinha, no máximo dou uns bordejos por Amsterdam e Maastricht. Ano que vem será um ano magro. Macérrimo!

E eu confesso que o gás está no finzinho, eita ano cabeludo esse. Emprego novo, venda de casa, mudança pra casa nova, crise... Estou no último das minhas forças. Me arrastando...

Essa noite o Plato me azucrinou até as 3 da manhã. Gente, eu reclamo do meu pestinha, mas eita gato inteligente! Bart estava roncando que nem o carro velho do namorado da Ivete Sangalo, acabei indo lá pra meia-noite dormir no outro quarto. Acabei de deitar, cochilei, Plato começou a arranhar-bater na porta. E eu quentinha lá debaixo dos meus edredons, ignorei o gato. E esse coitado, arranhou, miou, bufou, tanto que eu fui ver o que ocorria. Eu sabia que ele tinha comida e água, o que seria? O Bart foi dormir e fechou a porta da sala/cozinha, onde a comida e a água ficam. Lá dentro estava o Ty arranhando a porta porque queria ir ao banheirinho ( no Zolder ) e cá encima estava o Plato, que queria ir beber água. O que me surpreendeu é que ele viu que naquele dia eu não dormi no meu quarto habitual, e foi bater onde eu estava! Depois de beber meia tigelinha de água o coitado dormiu como uma pedra.

Bom povo, reta final agora. Escrevi um livro porque não sei quando e se escrevo antes das férias. Devo dar um alôzinho. Não conectaram minha internet e eu vou ter que ir numa LANhouse fazer o check-in da KLM. Estou com um frio imenso na minha barriga. Ontem eu estava um cocô de deprimida, até receber o e-mail da minha amiga Fernanda, que está me esperando e vai me buscar no aeroporto. Ai que emoção. E vamos pro apê da minha mãe, onde a menos de 100 metros abriu um Habib's. Eu AMO o Habib's. Vou poder botar o Bart pra dormir e fofocar até o fiofó desatarrachar com a pessoa que mais me conhece nesse mundo.

A vida é bela!

quinta-feira, novembro 27

Não conheço mais minha própria terra!

Povo, ajudinha necessária daqueles que moram em São Paulo!

Vou estar em SP só uma noite. Uminha. E nessa noite quero ir com duas primas, uma amiga, e o Bart em algum restaurante legal. E pagarei a conta.

Eu não queria ir a falência, mas não faço mais idéia de preços no Brasil, e claro que nenhum site mostra. Não entendo isso no Brasil, viu. Se você entra no site do Outback nos EUA, vê todos os preços, no Brasil não! O Outback tá caro? Quando custa um prato individual em média?

Um lugar que gosto pelo ambiente, mas que a comida é muito mais ou menos é o Vico D'Scunizzo, então não sei se sacrifico a comida pelo ambiente, sabendo que também é bem carinho.

Caro por caro, se o negócio são massas, meu estômago diz pra esquecer o Vico e ir no Famiglia Manccini, na Cê que Sabe, ou no Lellis. Mas o Famiglia é sempre super lotado, e você acaba sempre esprimido num canto. A cê que sabe só dá velho. E o Lellis além das filas tem também bastante coroa, mas é de todos o que tem a comida mais gostosa.

Até pensei numa churrascaria, mas o Bart passou super mal depois de termos ido na Novilho de Prata, que costumava ser fantástica, mas pelo jeito tá decaindo. Aí pergunto: quanto morre no Jardineira Grill, alguém sabe?

Outra opção mais doida, mas ainda opção, é o Kan'el Kalili ( é assim que se escreve? ). Casa de chá egípcia com show de dança do ventre, comida boa e ambiente legal. Tá 53 por pessoa, acho. É o único restaurante que tem preço no site. Devia ir lá só por isso, para apoiar a iniciativa.

E faz tempo que estou prometendo ( ou ameaçando ) pro Bart que vou levá-lo ao Hooters. Vocês viram que em São Paulo abriu um? Ele diz que não vai que morre de vergonha, mas duvido. Aí no Brasil será que as garçonetes são "turbinadas" que nem nos EUA?

Pedir pra paulista escolher um, unzinho só, restaurante "favorito" em SP é que nem pedir pra gordo dizer qual comida ele não pode viver sem: missão impossível.

E aí, qual sua indicação? Vou à falência?

segunda-feira, novembro 24

Adriana Papa-Léguas

Não tenho tempo pra nada, post terá que ser pra lá de rápido, só mesmo pra dizer que não morri ( ainda ).

Semana passada o facão começou aqui. Por enquanto, só os terceirizados, mas ninguém tem a ilusão de que vai parar por aí. Esse facão holandês me ensinou uma lição importantíssima para a adaptação nessas terras. Muitas vezes a gente acha que o povo daqui é frio, que não se preocupa como a gente, que o mundo está desabando e eles não estão nem aí. Essa semana vi que eles sentem como a gente, é só a reação que é outra. Acho que desde pequenos são ensinados a demonstrar menos as emoções, acabam adotando isso por hábito. Acho que um povo que passou por duas guerras mundiais, acaba criando "calo", daí o eterno "vai adiantar eu arrancar os cabelos?" que é tão diferente do nosso ( latino ) comportamento.

Um dia antes do ocorrido tive um gerente chorando na minha mesa, quem mora aqui sabe o que é pra um holandês chorar em público. E no dia da guilhotina, ao sair de uma reunião lá pelas 18:30, ouvi do lider do projeto: "É, há dois dias isso aqui estava cheio a essa hora, hoje não tem viva alma".

Foi barra e continuará sendo. Por bastante tempo.

Em casa sem novidades, ainda sem internet, sem cozinha, meio-banheiro. Neva, neva muito e minha vontade de botar o nariz pra fora e ir atrás de cortinas, lustres, etc e tal é zero. Aliás, abaixo de zero.

E o negócio é já ir preparando a mala e sonhando com o solzinho da Bahia e o feijão da minha mãe. Ahhhhhh feijão da minha mãe!!!!!

terça-feira, novembro 18

Problemas Técnicos

Estou cheia deles, problemas técnicos.

Estou sem internet em casa e o explorer da empresa bloqueia gmail, portanto se alguém me escreveu, tenha paciência. A KPN conectou o telefone e a TV ( menos mau ), mas a internet necas e está sem previsão.

Meu banheiro ainda não tem pia nem box de chuveiro, mas é de todos os problemas técnicos o menos relevante.

Minha cozinha ainda está toda sem instalação, e estou comendo as maledetas comidas a vapor a mais de 1 mês. Não aguento mais, acho que estou até perdendo peso, juro. A coifa da Bosch ainda não chegou, nem o tampo de pedra.

Estamos totalmente sem cortinas, e todo mundo vê tudo que fazemos. Colocamos umas velhas no quarto de dormir, e só. Fomos ver os preços da Luxaflex, e ficaria 2 mil euros para o andar térreo apenas. Não tive coragem, pelo menos não agora com o zolder ainda por fazer, o jardim uma lástima, e essa crise que não dará tréguas por algum tempo. Vamos de qualquer coisa barata que pudermos comprar na Ikea ou outra loja qualquer.

Aqui na empresa o clima está tenso, muito tenso. Eu estou também tensa. Ninguém está livre de entrar num facão, mas ía ser muita ironia do destino se eu, que escapei de tantos no Brasil, entrasse num aqui, onde raramente há facões. Putz, o emprego dos meus sonhos, bem pago, ao lado da minha casa. Deus que me ajude.

E os EUA discutindo bailout pra indústria automobilística. Por mais que eu entenda a preocupação das famílias que dependem dessa indústria, e sabendo que só a GM deixaria mais de 2 milhões de pessoas sem trabalho ( funcionários diretos e fornecedores ), ainda penso que se ajudar um tem que ajudar todos, se ajudar a automobilística logo terão que ajudar a de bens de consumo, e a indústria farmacêutica e por aí vai. Só tem uma indústria que não vai sofrer com essa crise: fábrica de pão. Alguém aqui deixa de comprar pão ou se põe a fazer pão quando o cinto aperta? Não, né? Taí, lembram do emprego da minha ex-empregada, que empacotava pão noite afora? Imaginam ficar 8 horas em pé direto, em plena madrugada? Afemaria...

E agora é ir contando os dias para as ferias. Já até me vejo deitadinha na minha cadeira de praia, com uma batidinha na mão, um livro interessante, o calorzinho me envolvendo, aquela leseira famosa dos baianos se apoderando de mim.

Não sei se é o inverno e os dias feios, se é o cansaço mental, se é a persistente dor nas costas, essa crise ameaçando meu dream-job, ou a combinação de tudo isso, mas tá difícil sorrir e pensar que no fim tudo acaba bem. Dificílimo.

sexta-feira, novembro 14

Minha família tem gente cretina sim

Li hoje num blog uma declaração do George Clooney dizendo que ainda nessa geração veremos o casamento gay ser aceito normalmente, e as pessoas que se opuseram a ele se sentirão tão ridículas quanto é hoje George Wallace tentando impedir o primeiro negro a entrar numa universidade americana no Alabama.

Será que isso virá ainda nessa geração?

Na minha família, especialmente do lado materno, tenho parentes gays. Homens e mulheres. Tenho um tio, o irmão mais novo da minha mãe, que já deve estar beirando os 45/50 e ainda "está no armário". Não por escolha própria, mas porque vive com a minha avó e ela não aceita. Começo dizendo que meu tio tem sim a parte de culpa dele, não pelo homossexualismo, mas por estar com 45 anos nas costas e ainda morando com a mãe. Morar com a mãe aos 45 é uma vergonha, não ser gay. Mas anyway... eu ía dizendo... Eu dizia que minha avó não aceita, mas a verdade é que ninguém da família aceita, e ficam se "escorando" na não aprovação da minha avó. "Ah, é bom mesmo ele não trazer o "amigo" aqui porque a vó não aceita". Uma ova, eles estão é aliviados de não serem confrontados com algo que eles não aprovam. Fiquei indignada quando ouvi que os dois foram a um aniversário perto da casa da minha avó e acabaram perdendo o ônibus, voltaram pra casa e tiveram que ficar na garagem sentados naquelas cadeiras de praia das 2 às 6 da manhã, porque meu tio não podia trazer "o amigo" pra casa. Que ódio gente, que vontade de sopapear a cara desse povo até cairem na real.

Eu poderia escrever um livro aqui sobre a reação da família quando nossa parenta lésbica "saiu do armário". Até FEBEM rolou, ela era menor e os pais simplesmente levaram para a FEBEM, "ó seu delegado, fica aí com ela porque ela gosta de mulher e na minha casa não!". Gente, sopapo, sopapo, muito sopapo na cara dessa gente cretina.

Essa parenta lésbica está namorando, e eu disse pra ela que quero conhecer a namorada, vira e mexe converso com a namorada no MSN e quero conhecê-la pessoalmente. Minha mãe, quando soube, disse: "que vergonha, o que é que o Bart vai pensar?". Como assim jacaré, o que é que ele vai pensar? Se ele fosse babaca de pensar qualquer coisa negativa, eu não teria casado com ele. Ué. E sopapo procê.

Fico aqui torcendo pra geração que vem atrás da nossa ser um pouco mais mente aberta. Até mesmo gente da minha geração, amigos meus, esclarecidos, tiveram reações do tipo "que feio", "precisa conhecer um cara legal pra consertar ( !?!?!? )", e coisas do gênero. Tenho que confessar que no começo é um choque. Principalmente se você é mais íntimo, porque você sabe como aquela pessoa vai enfrentar preconceito, como vai sofrer, e você vai sofrer junto. Eu sofri junto, muito. Hoje ela está feliz e eu estou feliz.

Me irrita quando ouço dizerem que a fulana ( a lésbica ) podia ser mais como a ciclana ( hetero e prima da mesma idade ). Primeiro que cada um é o que é, e segundo, que a ciclana não é nenhum modelo de comportamento. Namora um cara com quem vive brigando aos berros pela rua, a ponto do vizinho chamar a polícia ao ouvir a gritaria; viiiive endividada e cheia de papagaios - quer coisa mais humilhante do que ter dona de brechó de vila cobrando dívida na porta de casa? Não pára em um emprego, é 6 meses de trabalho e 6 meses de auxílio desemprego, diz que chefe nenhum gosta dela porque ela fala o que pensa ( posso até imaginar o que ela pensa ). Cheguei a ouvir que não sendo criminoso e drogado, qualquer coisa é melhor que ser gay. Muito, muito, muito sopapo nessa gente.

Mas sabe o que mais me irrita? São os eufemismos, se bem que sei lá se podemos chamar de eufemismo. A família toda não fala "fulana é lésbica", fala "ela é cê sabe". Ou "a fulana diz que é isso aí". E quando dizem: ah, você sabe do problema da fulana. Problema, wtf???? Ah, teu tio tem aquele amigo dele, cê sabe né?

Outro dia ouvi: até que o lado paterno da família é "melhor", não tem tanto "disso". Cumé? Não tem gay, mas tem um monte de alcoólatra, uns pares de puladores de cerca, filhos que ficam anos sem falar com os pais, até parente grávida se suicidando nos anos 50 teve.

Espero que nossa geração ensine os filhos que uma pessoa não se define pelo que ela faz dentro de um quarto com o parceiro. Vou ao Brasil e logo na primeira noite vou sair com a minha parenta e a namorada dela, não farei segredo pra família, e espero que eles vejam quão ridículos estão sendo. E se alguém falar alguma coisa, vou ter que me segurar pra não dar sopapo, muito sopapo.

Tanta coisa pra se preocupar no mundo e neguinho esquentando a cachola com pequenisse dessas.

Somos primatas meu povo, acabamos de sair do uga-buga.

terça-feira, novembro 11

Pepinos

Sempre ouvi falar que à medida que envelhecem, os pais viram os filhos. Pensei que fosse demorar mais, mas minha mãe já está me dando preocupações que um filho me daria.

Eu sempre achei, e falei, que investir na bolsa, para nós pobres mortais, se faz com dinheiro da qual você não depende. Minha mãe depende do dinheirinho dela, ele fica no banco, rende, e com parte do rendimento ela vive. Aí ela fica ouvindo esse povo que se gaba de ter ganhado 10, 20, 30 tostões na bolsa, e acaba aplicando também. Só que esse povo não vive "de renda", e ela sim. Só sei que com a queda da bolsa ela tomou um baita prejuízo, e agora tá lá, chorando as pitangas, tem que deixar o dinheiro investido pra tentar recuperar alguma coisa. O gerente do banco falou que vai demorar "um pouco", ela tá lá crente que em 3 meses tem os tutus de volta, e eu SEI que em menos de 1 ano ela não vai ver tostão. Sendo otimista 2 anos.

E daí vem o segundo ponto. Ela ter parado de pagar o convênio, e agora diz que não vai nem pensar em voltar a pagar porque a renda dela está reduzida. Isso me preocupa muito, muito mesmo. Ela operou da coluna, a operação não foi bem sucedida, ela está novamente com dores e tomando corticóides. O médico está agora falando em fazer uma segunda cirurgia, complicadésima, que ela não sabe me explicar, só me diz que é para "desligar todos os nervos". Aí, ela acha que o médico vai fazer a cirurgia de graça, já que a primeira "não funcionou" e foi ele quem fez. Mesmo que o médico não cobre os honorários dele, tem o hospital, o anestesista, exames... O meu irmão, enquanto ela não vier pedir dinheiro, tá pouco se lixando, eu daqui posso fazer o quê, se ela toma todas essas decisões sem me consultar?

A mãe de uma amiga teve câncer de mama, e em 10 meses de tratamento, a conta paga pelo convênio chegou aos 170 mil reais. Minha mãe morreria, porque tanto eu quanto meu irmão não temos essa grana. Agora me pergunta se ela pensa nisso... Mas eu estou sendo repetitiva, estou aqui falando o que já falei há alguns meses.

Mas sabem o que é? Embora seja bom ir de férias para o Brasil, onde todo mundo fala a sua língua e onde sua família está, é também mergulhar nesse mar de problemas que você desconhece quando está aqui. Eu sei que eu sempre reclamo de saudade da família, mas por outro lado, estou aqui na minha "concha", protegida das mazelas familiares. Pelo menos, no lado materno da família os problemas são geralmente financeiros, o que de uma forma ou outra se ajeitam, já do lado paterno, que com exceção de 1 prima ( e a mãe dela, marido e filho ), eu estou pouco me lixando, os problemas são mais graves, muitas doenças e brigas medonhas, filho-com-pai, primo-com-prima. Esse lado da família prova que dinheiro não traz mesmo felicidade, e no caso deles, nem manda buscar.

Nesse meio tempo, passagens para a Bahia compradas, mas usando o cartão do meu irmão. Pagar com cartão internacional não deu mesmo, e como a minha mãe está em Holambra sem poder dirigir, pedi ajuda pro meu irmão.

sexta-feira, novembro 7

Estou viva!

E tenho que começar meu post falando da vitória do Obama. Se ele, mulato e filho de imigrantes conseguiu chegar ao cargo de maior importância na politica mundial, nossos filhos ( se eu os tiver ), poderão tudo!

E não se ofendam, mas há um recado que eu quero dar para os negros, mulatos, crioulos, escuros, café-com-leite: oh pu-líz, vam-pará com essa auto-piedade, com essa mania de perseguição, e vamolá arregaçar a manga e botar pra quebrar. Obama não sentou às margens do rio Piedra e chorou, ele foi a luta.

Anyway. Mudamos. Foi ótimo ter contratado aquela empresa de mudança, deu até pra descansar naquele dia. Estamos ainda vivendo em meio a caixas, muitas caixas, mas os móveis estão montadinhos e no lugar. Minha cozinha ainda está inoperante, falta instalar tudo, só a geladeira funciona, com os puxadores do lado errado. Ainda não acertei a mão com limpeza de Inox, tá horrível.

A casa é incrivelmente mais prática do a anterior, há espaço pra tudo. Temos que mudar alguns hábitos e mudar coisas de lugar, mas está tudo melhor. Espero esse findi acelerar o desempacotamento, é mesmo muuuuito necessário.

Os piolhinhos deram um certo trabalho no primeiro dia. Ty chorou, chorou muito. Revoltado em não estar na casa DELE, se enfiou de volta na caixa de transporte e esperou até que o levássemos para a casa antiga, o que não aconteceu, claro. Eles também estão procurando os cantinhos novos deles...

E eu comecei a vir trabalhar de bike. Minhas costas ainda não estão recuperadas, então deram uma piorada, mas eu estou insistindo mesmo assim. Minha bunda dói incrivelmente e as pernas queimam, mas a cada dia fica um pouco mais fácil vir de casa pra cá.

No Brasil, uma agência amiga está cuidando da minha passagem pra Bahia, acho que vai dar certo. Ao invés de 1200 euros, 1300 reais! Desisti de tentar entender o turismo no nosso país.

No trabalho, uma loucura total. Várias mudanças no meu projeto, muito mais trabalho pra mim. E as medidas de contenção de despesas cada vez mais fortes e já falam em "plano social", que nada mais é do que um plano de demissão melhorada. Dizem que vão usar só caso seja muito necessário. Mas tenho que confessar duas coisas: primeiro, que me preocupa, mesmo meus colegas não estando nem aí. Segundo, que me chateia profundamente o pessimismo e às vezes a falta de coleguismo do meu marido.

Cheguei chateada em casa ontem, por ter ouvido do plano social. Contei pra ele, ele disse na lata: os últimos a chegarem são os primeiros a saírem, você vai perder seu emprego. Puta merda, assim na lata. Não podia ter guardado o comentário pra ele? Fiquei tão chateada que fui dormir antes das 9 da noite. Pra ele, é só a grana, pra mim é o meu dream-job, porque esse é o meu dream-job!

Aí cheguei ainda chateada no trabalho, e comentei que estava ligeiramente receosa com o meu mentor. Ele deu risada, disse pra eu não me preocupar, que precisava piorar muito pra chegarem à essas medidas drásticas, e que normalmente começavam pelos que já estão para se aposentar, o que aqui é um batalhão. Que caso a crise se aprofundasse ainda mais, o que é pouco provável, que demissões adicionais seriam feitas baseados em desempenho, e não num critério tão arbitrário quanto o tempo de casa.

Olha, sei lá se eu estou muito mais tranquila, mas que é muito melhor e mais produtivo ouvir algo positivo nessa hora, ah isso é.

Sinceramente, não entendo a atitude do Bart e me chateou muito. Às vezes acho que ele, mesmo sem me falar, ressente meu emprego dos sonhos, meu salário igual ao dele, minha felicidade ao chegar do trabalho todos os dias, minha empolgação com a minha empresa. Sei lá... Freud explicaria...

segunda-feira, novembro 3

No meio da madrugada

É minha última noite aqui nessa casa, e tudo que eu queria era deitar e dormir. No entanto, desde às 3 da madrugada estou aqui na sala, assistindo TV. Não, não é por causa de nenhum motivo emocional, oh oh oh, minha última noite aqui, bla bla bla.

Estou acordada por causa da minha dor nas costas, aquela da qual eu já falei aqui há alguns dias. Ontem, com o resto do empacotamento, o que estava "marromenos" detonou-se de vez. Estou cansada dessa dor me incomodando, e essa noite a dor estava simplesmente insuportável. Eu sou daquelas que acredita que uma compressa de água quente faz milagres, então desci para fazer uma, mas a dor só é controlável com Voltaren e hoje, no desespero, mandei um Advil junto.

Queria muito poder deitar e ficar 1 ou 2 dias só deitada, me recuperando, mas acho que isso só vai acontecer quando eu estiver no Brasil, se bem que do jeito que tá eu não aguento até lá.

Remédios caseiros, não caseiros, simpatias, ginastiquinhas ( Ioga, Alice! ) qualquer sugestão é bem vinda.

Pior é que com dor, eu fico uma pamonha, estou assistindo o Animal Channel e choraaaando...

Oh boy

domingo, novembro 2

Arrependida...

Estou arrependida, muito arrependida dessa viagem de férias pra o Brasil.

Meu saco está na Luaaaaa...

Hotel, tive que reservar daqui porque era a metade do preço, agora entro no site da TAM, escolho minha passagem, preencho mil campos, aliás, que vergonha - precisa mesmo CPF, Identidade, tudo isso pra pagar com Cartão de Crédito? Se a administradora autoriza a transação, número de mil documentos pra que? Então, preencho os mil campos e não me deixa pagar com cc internacional.

Vou lá em cima e clico na opção "Espanha", porque Holanda não tem, o do Reino Unido é em Pounds, vou de Espanha mesmo. A passagem que era 259 passou para 267, mas peraê, os 259 eram reais e os 267 são euros, como pode? Que bandalheira é essa?

Agora me restará apelar para uma agência amiga, ou então mandar dinheiro pra minha mãe.

Estou arrependida, mil vezes arrependida, e tão cedo não volto!

sábado, novembro 1

Verdade seja dita...

Olho ao meu redor e não entendo de onde saiu tantas coisas. Lembro que nossa mudança do apê pra cá foi feita com 10 caixas da Praxis e uns outros 10 sacos pretos, que no desespero tivemos que usar.

Dessa vez contratamos uma empresa de mudança. A melhor decisão do ano! Eles vieram e trouxeram 100 caixas, isso mesmo 100! Eu disse pro cara levar a metade de volta, ele disse que se sobrasse eles transportariam, mas que eles tinham estimado nosso volume em 100 caixas.

Estamos praticamente empacotados. Falta o armário do banheiro, umas coisas mínimas na sala, e a casinha do jardim. Estou achando que vai faltar caixa! Juro gente! De onde saiu tanta coisa? Como podemos acumular tanta tranqueira? É árvore de natal gigantesca usada só uma vez com uma caixa enorme de enfeites, o sobe-sobe dos gatos todo esfiapadinho, que já devia ter ido pro lixão, e tanta, tanta coisa... Uma caixa imensa de roupas que eu trouxe do Brasil e não me cabem mais! Agora mesmo que um milagre acontecesse e coubessem já estão fora de moda!

E nessa bagunça toda, tenho que confessar uma coisa. Bart está ralando muito muito muito, tá empacotando muito mais do que eu. Estávamos até hoje num estresse só, praticamente sem nos falar, que era cruzar o olhar e saía briga. Na sexta recebemos os eletrodomésticos, são lindos de morrer, mas que estresse desgraçado. Brigamos, claro. Voltei ao trabalho, ele resolveu tirar o dia livre. De tarde, antes de voltar pra casa resolvi passar na casa nova: ele colocou uma pilha gigantesca de embalagens todas num canto pra serem levadas pelos homens da mudança, colocou os eletrodomésticos nos lugares certos, passou aspirador de pó na casa inteira... Cheguei lá esperando a mesma zona que deixei e encontrei tudo limpinho, certinho.

Fiquei até com remorsos...

sexta-feira, outubro 31

Promessas de ano novo em outubro

Eu queria muito, muito, muito, achar um psicólogo milagroso que me explicasse porque eu sou tão tinhosa quando quero muito uma coisa, mas tão preguiçosa quando "preciso" de uma coisa. Vocês sabem que querer é muito diferente de precisar, né? Eu queria muito um emprego aqui, por isso aguentei 18 meses daquela maratona de trem, eu preciso me exercitar mais, mas estou dizendo isso a 6 ( ou 35 ) anos, sem tomar nenhuma medida concreta.

Eu tenho mil "doenças" decorrentes da falta de exercício. Digo doença entre aspas porque não é DOEEENÇA é aquelas coisinhas que te incomodam. Minha coluna é feita de palha, que nem a casa de um dos três porquinhos, e qualquer coisinha tá me incomodando. O final de semana passado foi power, com tanto empacotamento da casa. Essa semana fui parar no huisarts, mal podia andar, se eu me abaixasse saíam até lágrimas dos olhos. A dor melhorou, mas continua aquela coisa me incomodando, 24/7, a cada mexida uma fisgada, é de enlouquecer. Estou ultra ranzinza, ultra mesmo, e estou vendo minhas coisas aqui no trabalho acumulando e acumulando e eu sem conseguir me concentrar. Isso sem falar que o remédio que me deram me dá sono, muito muito sono. Quero ir pra casa!

Tempos ultra bicudos se aproximando de todos nós. Na minha empresa, estão cortando todos os gastos possíveis e imagináveis. Meu curso de holandês foi cortado. As plantas do escritório que eram alugadas serão devolvidas amanhã. Os temporários estão indo pra casa. Férias mandatórias no fim do ano. Todas as viagens de trabalho tem que ser aprovada pelo diretorzão, e ele veta quase todas. Vagas abertas canceladas. Aliás, ontem veio um fornecedor de serviços de engenharia aqui, há 2 semanas ele tinha 1 time de engenheiros disponível, agora tem 4, todos dispensados por empresas automotivas. E dizem que o pior da crise ainda não chegou.

Mêda, muita mêda...

E vocês povo, estão notando esse tipo de coisa na empresa de vocês? O que a empresa produz? Em que país?

Essa é a hora para nos segurarmos nas nossas cadeiras, de engolir sapo, de ser só sorrisos para o chefe... E trabalhar moooito, claro.

Nunca vi facão holandês, e espero morrer sem ver. Bate na madeira três vezes!

quarta-feira, outubro 29

Hum mil cruzeiros

Oi povo! Boa a discussão do post anterior, mas vamos arranjando contas no google ( duvido que exista ainda quem não tenha ) porque semana que vem, os comentários só serão permitidos para quem tiver cadastrado. A opção de "anônimo" estava aberta para facilitar a vida de quem não quer ficar logando toda vez que quer comentar, e não pra facilitar a baderna. No post de ontem, não sei que anônimo é quem.

Anyway...

Estou com preguiça de dar minha opinião e sinceramente o assunto deu o que tinha que dar, só digo que gosto muito da Ana, que é inteligentíssima, e cujas idéias normalmente eu compartilho, mas dessa vez faço das palavras da Pacamanca minhas palavras. E só.

"Cunversinha" de corredor: cêis viram o bafão da Luana Piovani? Então o Dado tentou dar uns safanões nela e acabou quebrando os braços da camareira? Geeente! É por isso que eu sempre quis passar longe de fulano com cara de bad boy, normalmente o cara é badboy mesmo!!! Mas como ela mesma diz no blog dela, se livrou de boa! Ninguém, nem a insuportável da Piovani, merece levar safanões de namorado / noivo / tico-tico-no-fubá safado. Mas eu tenho que perguntar: pô Luana, Dado Dollabela???? Seriously??? Nem que fosse o melhor sexo do universo. Seriously!!!!

Aliás, falando em brasileiros e Brasil, Denise do SdE está por lá e anda dando preços de roupinhas, minhanossasenhora, SP tá assim também? 105 tutus brasileiros por um vestidinho de C&A? Seriously???? E Havaianinhas, tá essa facada também, hein? Bart sempre que vai ao Brasil quer comprar sapatos na Samello, ele ama. Há dois anos, o par custou R$ 375, quanto estará esse ano? Mil tutus? Ah, e brasileiros ainda escrevem hum mil reais em cheque? Eu adorava quando via meu pai escrever hum mil cruzeiros quando eu era pequena, achava que ele não sabia que um era um. :o)

segunda-feira, outubro 27

Viraodisco

Sábado vi uma matéria na CNN sobre o cinema brasileiro. Eles mostraram vários filmes recentes, inclusive o 174 alguma coisa, que está concorrendo ao Oscar de filme estrangeiro. TODOS os filmes mostrados se passam no RJ, todos nas favelas ( apesar do 174 ser dentro de um ônibus ). Falam das favelas controladas pelos traficantes, da polícia corrupta, dos tiroteios, de como até os cineastas tiveram que fazer acordo com os traficantes, sinceramente, um horror.

A única parte que não fala da violência, fala dos bailes funk, e mostram os Mc's da vida e suas mulheres fruta, e o segmento só vem a reforçar a impressão de que no Brasil somos todos pobres, super-sexuados, incultos.

Aí eu pergunto: essa imagem que o cinema brasileiro mostra no estrangeiro ajuda a quem? Só mesmo aos cineastas que enchem os burros de grana com esses filmes que vendem no exterior. Ou então a sei lá que ministro da cultura que enche a boca pra falar que nunca se produziu tanto no cinema nacional. Porque de resto, só prejudica e muito, muito muito mesmo, a imagem do Brasil e dos brasileiros.

Nos negócios, fica todo investidor com medo. Não irei longe, tenho um colega que está começando negócios com uma empresa de Joinville - SC, ele viu Cidade de Deus e ficou apavorado, veio me perguntar se o Brasil era todo daquele jeito, se era seguro investir milhões numa empresa que tem que operar num esquema daqueles, e que ele não iria fazer viagens de negócios ao Brasil. Tive que explicar, com muita dificuldade, que focinho de porco não é tomada.

É prejudicial ao turismo, afinal quem quer ser sequestrado dentro de ônibus? A Thompson, maior agência de turismo inglesa, confirmou esse mês que cancelou a Bahia da lista de destinos oferecidos, e está reconsiderando outros roteiros, devido à baixa procura. Destinos como Fortaleza e Natal, paraíso da gringaiada caçando "namorada" também estão ameaçados. Preciso dizer mais? Sem operadora que organize pacote turistico completo, o turismo internacional no Brasil vai cair muito, gringo gosta de pacote turístico, não de turismo independente.

É terrível para os brasileiros vivendo no exterior, só prejudica a imagem profissional de todos nós, sem falar que nós mulheres temos que viver com o preconceito de que somos todas "mulheres melancias" ou sei lá que fruta é a mulher da hora.

Revoltante, revoltante, revoltante. Central do Brasil mostrou a pobreza, mas pelo menos de uma forma mais poética, e mostra o brasileiro humilde porém "quase honesto". Quando é que esses cineastas vão parar de ser oportunistas e vão mostrar que também conseguem fazer cinema sem apelar para o batido tema "em uma favela do Rio"? Viraodisco aê, meu.

E pegando carona na bronca acima...

Vocês já notaram que eu tenho o dom de conhecer solteiros carentes, e que vêm meio que "choramingar" sua solidão pra mim. Estou começando a achar que é meio que uma indireta para eu apresentar uma eventual amiga brasileira. Whatever...

No sábado eu fui na loja pegar o "banheirista" pra medir meu box, já que minha casa fica numa rua que ainda não existe em mapa nenhum. Nosso "banheirista" é sócio da loja. Ele estava me contando que há 7 anos ele se separou ( ele deve ter uns 40 anos ), e que ele estava bem chateado, deprimido, e um amigo o convidou para ir passar uma semana em Fortaleza. Porque será, hein? Então... Segundo ele, o amigo vai sempre para Fortaleza e disse que lá se curam todas as dores de amor. Segundo o banheirista, sem detalhar as razões, aquela foi a melhor semana da vida dele. Porque será, hein? (2)

E para completar...

Hoje estive numa reunião com um fornecedor que acabou de chegar do Brasil. Ele disse que gostou muito da viagem, que fez muitas compras, mas me perguntou uma coisa muito interessante:

- Adriaaaana, o que me incomodou é que eu vi tanta gente pobre e crianças pedindo comida no semáforo, enquanto tantos outros comem até passar mal no rodízio. Como é que vocês brasileiros conseguem conviver com essa situação, não dá indigestão no rodízio?

É, gringo, boa pergunta...

domingo, outubro 26

Quero Mooooito!



www.crocs.com = US$ 59

www.crocs.nl = € 79

Grllllll...

sexta-feira, outubro 24

Insônia

Que agonia, é uma da madrugada e eu acordada...

É tanta preocupação na cabeça, o empacotamento da casa, os eletrodomésticos que ainda não chegaram, os preparativos na casa nova.

Gostaria de estar curtindo a casa melhor, mas entre um emprego pegando fogo, o tal cansaço descomunal e um marido que reclama de absolutamente tudo, acabo ficando dias sem ir até lá.

Hoje terminaram de instalar a cozinha. Está ficando muito legal, mas ao mesmo tempo, há que se ter paciência. Comprar casa zero é assim, encontrar não sei de onde um saco de paciência. Se você for do tipo de pessoa que exige que tudo fique do exato jeito que você planejou, casa "nieuwbouw" ( recém construída ) não é para você.

Nós escolhemos os móveis brancos bem neutrozinhos, o que dá o toque especial no nosso projeto são os eletrodomésticos, todos de inox e o fogão SMEG design. Entretanto, os eletrodomésticos ainda não chegaram, logo o "tchan factor" não está lá. Tem também a pedra dos tampos, granito preto pra realçar, ainda não chegou e a empresa de montagem coloca um madeirite do mais vagabundo e horroroso, o que também não colabora para o tchan factor.

E a paciência... Eu queria armários que fossem até o teto. A Ikea vende os móveis compridões e um tipo de rodapé no teto, para tapar eventuais vãos. Acontece que nossa casa é inteirinha 15 cm mais alta que o padrão, então o tal rodapé de teto não fecha o vão, e se a gente colocar outro rodapé mais largo vai ficar estranho, aquela faixona lá em cima. Ainda assim, ficou bem bonito, e foi por isso que decidimos deixar como está, mas está diferente do planejado.

E claro que tem tomadas fora do lugar, buracos para exaustor de ar que não existem, a parede sem azulejos, mil coisas pra ir atrás e decidir.

Mudar com a casa prontinha? Nem em sonho.

E olha, é isso que me cansa nessa terra, é isso que me deixa desmotivada e me faz pensar que ainda vivemos na era medieval. Nada aqui é simples ou fácil. Me digam se consigo achar um instalador de eletrodomésticos para fazer a instalação do gás do fogão? Ou alguém pra fazer o tal buraco na parede? Vejam o cúmulo da falta de serviço: minha moteeenha teve um pneu furado, ligo pra assistência pra buscarem-na e só faziam isso das 11 às 12, ou seja, eu teria que sair do trabalho pra consertar um pneu. Aí comprei um spray que incha o pneu e a idéia era ir até a loja, mas a loja abre as 9 e fecha às 5, ou seja, acabei tendo que sair mais cedo pra ir consertar pneu. O fim da picada! E pensam que a história acabou? Só posso retirar a moteeenha das 5 as 9, ou seja, vai ficar lá até sábado.

Vou dormir porque a ranzinzisse chegou, mas gente, sério mesmo, viver nessa terra do contra vai encurtar minha vida, sem falar em todas as rugas e pés-de-galinha.

quarta-feira, outubro 22

Yes, nós te(re)mos bananas...

Meu povo, desempaquei as férias! Aleluia, aleluia, aleluia! O negócio agora é correr para a agência porque o go ahead do Bart eu já tenho!

Prestem atenção, prestem muito bem muita atenção, essa que vos fala vai ficar 14 - QUARTORZE - dias lagarteando sob o sol da Bahia, no Iberostar Bahia em Praia do Forte. Eu sei que 14 dias é uma overdose de Praia do Forte, mas quero aproveitar muito o hotel, então sairemos um dia, descansaremos um dia.

Aqueles que não gostam de praia devem estar fazendo o sinal da cruz nesse momento, mas lembrem-se de que para mim, férias tem que ser praia, e que cada dia de férias fora da praia é um dia praticamente perdido para mim. E graças a Deus, Bart também adora.

Já temos uma listinha de coisas pra fazer, ir à Salvador ver dona Banana ( o resto é secundário ), fazer snorkeling nas piscinas naturais perto do hotel, ver tartaruga marinha, baleia Jubarte, passear de buggy nas praias da região, e loucura: ir até Mangue Seco em Sergipe, um passeio que começa num ônibus, depois pegamos um buggy, atravessamos um rio de balsinha-nordestina ( umas tábuas pregadas empurradas por um tiozinho ), percorremos as dunas onde Tieta foi filmado (a), paramos para comer e nadar na praia, e fazemos tudo isso de volta. Aliás, quem já foi e tem sugestões, mande ver!

Agora quero a opinião de vocês pra uma coisa: vocês acham que gringo é mais bem tratado do que brasileiros em hotéis no Brasil? Eu estou comprando o pacote pela TUI alemã, porque é o único que vende as suítes com vista para o mar, o preço é 15 euros a mais por dia, mas o quarto é maior e tem vista para o mar. Liguei para a CVC no Brasil para ver o preço por lá, já que o euro está em alta, mas eles não estão autorizados à vender essas suítes com vista. Aí eu escarafunchei a internet, e vi que só os operadores alemães vendem esse tipo de quarto. No orkut, várias pessoas dizem que em resorts brasileiros, a preferência pela gringaiada é tamanha, que até a toalha deles é mais felpuda, o que eu acho um absurdo de exagero, mas será que é verdade? Nas vezes anteriores que eu fui ao Brasil, apesar de chegar com o voucher holandês, eu já fui falando português, será que me deram um quarto inferior por causa disso? Os alemães são conhecidos por serem exigentes com hotéis, mas não gosto do fato de um hotel brasileiro vender as melhores suítes só para eles. Bart perguntou: vamos ficar rodeados de krautz?

Gente, como eu amo preparar viagem para a praia! Separar minhas saidinhas de praia, cangas, biquinis / maiôs. Adriana usa maiô, que brega! Claro que uso! Só fica bem de biquini que está super em forma, ou no máximo com umas pouquíssimas gordurinhas a mais, que são desfarçáveis com o modelo certo de biquini. Quem está fora de forma fica SEMPRE feia de biquini. Aí entra o seu "tô nem aí", então se você "não tá nem aí" e que se ferre o que os outros acham das suas banhas expostas, ninguém paga suas contas mesmo, então coloque o seu e viva o sol e a caipirinha. Entretanto, o meu "não tô nem aí" é relativo. Sou gorda, paciência. Não vou ficar me torturando, me sentindo o cocô da pulga do cavalo do bandido e deixar de aproveitar minhas férias. Eu sou gorda, Dita é nariguda, Cida tem as pernas tortas, Nena é orelhuda, e o mundo segue adiante, nem todo mundo é Gisele Bunchen. E sendo gorda, e como todos os gordos, SEMPRE fico melhor de maiô. Não compro modelos da vovó, como sou grande na bunda e não no peito, sempre compro maiôs com decotes bonitos ou tomara-que-caia, aqui na Europa, onde é comum usar "tankini" ( calcinha de biquini maiorzinha com camisetinha curta ) eu aproveito para usá-los, mas biquini, deixo pras magrinhas.

Mas então, os preparativos… Protetor solar daqui, porque são mais baratos e tem mais variedade. Esse ano vou comprar alguns em spray. Cangas, e preciso renovar meu estoque. Me disseram que uma canga está custando 35 reais, sou do tempo que se custasse mais de 10, a gente não comprava. Empacotarei uma havaianinha só, quero comprar mais duas lá. Ai ai ai. Sol, praia, português… que felicidade!

segunda-feira, outubro 20

As malemolengas, agora com mais tempo!

Vocês sabem que eu sou totalmente contra "faça-você-mesmo", né? Demora milênios, é aquela lambança, e nem sempre, dependendo da complexidade da tarefa, fica bom.

A colocação do meu laminado na casa atual foi aquele drama, vocês lembram. Por isso, nessa casa, decidimos pagar para fazerem o serviço. O laminado dos quartos ficou show de bola, o cara que colocou é realmente bom. O cara do piso do térreo entretanto…

A gente comprou um piso "rústico", porque queríamos bem cara de madeira. O piso rústico, mesmo que você compre seleção A, como fizemos, vem com alguns "nós" na madeira. Já esperávamos isso. Entretanto, havia um pacote de tábuas "ruim", com 3 tábuas problemáticas: uma tem 3 nós, o que não é normal na seleção A, uma com uns veios escuro, e para completar tem uma com uma lascadinha na ponta. Eu, que não sou profissional colocadora de piso, nem tenho QI pra entrar na Mensa, teria colocado essas tábuas em algum canto, onde provavelmente o dono da casa vai colocar móveis, mas não esse fulano, ele colocou na frente da porta de entrada da sala. Está feio? Não, mas teria ficado ainda melhor se ele tivesse prestado atenção. E como eu sou crica crica crica, aquele lascadinho está me incomodando psicológicamente. O pior é que eu nem mostrei pro Bart, ele vai ficar um um bico daqui na China, e provavelmente vai querer fazer o zolder ele mesmo, só pra não ter esse povo em casa.

E é esse o "senão" desse povo que vem trabalhar na sua casa. Nem todos são cuidadosos. Para você, aquela é sua casinha querida e tão esperada, aquela que vai comer uma parte do seu salário por 28 anos, a menina dos seus olhos, uma florzinha frágil que tem que ser tratada com uma flor. Óquei, estou exagerando. Mas eu e Bart estamos andando pela casa de meias, só pra não detonar o piso, e o que o colocador-de-piso-porcão fez, além da lambança das tábuas? Ele deixou cola pela casa inteira: no radiador do hall, no piso do toilet - meu toilet novinho! Deixou uma gota de alguma coisa cair no piso ( ou é cola ou é um pingão do óleo-cera ). As paredes branquinhas já tem uns bons riscos, que eu espero conseguir limpar, e no canto onde ele serrou as tábuas, a parede estava inteira amarela, tive que aspirar as paredes! Ainda bem que fui fazer tudo isso sem o Bart, ele teria ficado super puto da vida.

Pelo preço que pagamos pelo serviço, eu esperava além de uma qualidade melhor, que eles limpassem e removessem os restos de madeira, contrapiso, rodapés, caixas, plásticos, mas aqui na Holanda é assim, eles não tem o mínimo interesse em impressionar o cliente entregando uma casa bonita, limpinha, pronta pro uso; você pagou para eles colocaram o piso no chão e é isso que ele vão fazer, quando eu pedi para o cara dar uma limpadinha com o aspirador industrial que ele tinha, ele me olhou com a cara mais feia do mundo, e disse que ía dar uma "leve aspirada", que ele era colocador de piso, e não faxineiro! E deixaram restos de madeira pelo quintal dianteiro todo, os baldes de cola todos endurecidos e com os pincéis grudados, um rolo de pintura cheio de óleo dentro do meu container de lixo verde que chegou naquele dia, e para piorar, fumaram no meu toilet novinho. No sábado passamos o dia lotando o carro com caixas, plásticos, madeiras e dirigindo pro lixão, fizemos isso 3 vezes, quando o cara, com a caminhonete que tinha, teria feito numa levada só.

Apesar de toda a ladainha, hoje, segunda-feira, a casa está com todo o piso dos dois primeiros andares colocados, estão bonitos, a casa está limpa, quase todos os restos foram para o lixão, tudo pronto para receber a cozinha amanhã. E amanhã começará outra novela. Temos que organizar o recebimento dos móveis, a montagem, a medição e pedido dos tampos, a medição e pedido da contra-parede, o recebimento e instalação dos eletrodomésticos.

Pensando agora, eu acho que eu fui muito, muito inocente. Eu achei que pagando, iria simplesmente chegar um dia e ter o piso lindo e tinindo, mas por essas bandas não há dessas conveniências. E pelo jeito, a cozinha vai ser a mesma coisa, com o diferencial de ter umas 10 coisas a mais pra dar errado.

Deus que me ajude!

domingo, outubro 19

Amélia é que era mulher de verdade...

Alguém aí pode me dizer quando é que eu vou poder parar de limpar, limpar, limpar?

Pegamos a casa nova dia 9, limpei a poeira do concreto, uma lambança total. Além do chão, todas as janelas, radiadores, escada, parapeitos. Aí vieram os colocadores de piso, nunca vi tanto pó de madeira na minha vida. Aspirei a casa toda novamente, novamente limpei janelas, radiadores, parapeitos. Amanhã chega a cozinha, vão montar os móveis, vai ter serra-serra, adivinha o que a Adriana vai passar o final-de-semana que vem fazendo? Limpando!

Bart está no último do stress, estou até evitando chegar perto. São mil contratos chegando, tendo que ser lidos, assinados, corrigidos, é água, luz e gás, telefone-internet-TV, registro na prefeitura, mudança no correio, assinatura de venda, assinatura de compra, um caos.

A empresa de mudança deixou 100 caixas para eu começar o encaixotamento, me perguntem se tem 1 pronta? Tá me dando o maior medo, vai ser a maior correria se eu não começar logo!

E continuo sem ânimo pra nada! Pra nada!

A essa altura, ainda sem ter fechado o pacote no Iberostar Bahia, me pego pensando que delícia que seria, estar agora sentadinha numa cadeira à beira da piscina, com uma batidinha de maracujá do lado, o sol me esquentando e dando aquela moleza... Gente, que acontece comigo, estou querendo que o mundo acabe em barranco para morrer encostada, e o pior ainda nem chegou! Antes de sair de férias irei comer o pão que o diabo amassou com a bunda suja.

Mêda, muita mêda...

sexta-feira, outubro 17

Post de ontem, hoje

Hoje comecei mal meu dia. A esfriada repentina me trouxe um princípio de sinusite, e acordei com a cabeça latejando. Antes de sair de casa, tomei meu comprimido de Centrum ( que é enorme ), e ao chegar na empresa, com a dor de cabeça ainda pior, tomei duas aspirinas. Tudo difícil de digerir, no meu estomaguinho costurado, tentei comer um pedaço de pão por cima, ferrou, entalei. Nunca tinha entalado tão horrivelmente quanto dessa vez, nem água descia. Poupar-vos-ei dos detalhes tristes dessa história até o desentale, mas só agora, quase 3 da tarde, morrendo de sede e faminta, consegui tomar um copinho de chá com uns biscoitinhos de criança.

Claro que minha mente doidona já pensou num novo regime, o regime do entale. Um centrum, duas aspirinas, meia fatia de pão com margarina light, e a próxima refeição só no jantar, se você tiver desentalado até lá. Sou mesmo louca!

Daí eu lembrei da história. Assim que eu comecei a trabalhar aqui, uma senhora de algum departamento aqui por perto se suicidou. Me arrepia toda essas histórias de suicídio. Dizem meus colegas que ela sofreu um acidente de carro onde o marido morreu e ela teve traumatismo craniano. Em decorrência do acidente, ela perdeu o olfato e o paladar. Já imaginaram gente, não sentir cheiro de nada, nem gosto de nada? E o perigo? Não sentir o cheiro do gás escapando, ou de alguma coisa queimando no fogão, não conseguir sentir o gosto de algum alimento estragado… Mas o pior é mesmo viver para sempre sem sentir seus sabores favoritos, ou sentir o cheiro da sua flor predileta. É cruel demais.

Sei que a falta de olfato e paladar é melhor que a morte, mas pelo que dizem, ela já tinha certa tendência à depressão, e com essa barra toda, morte do marido, adaptação à vida sem cheiro e sem gosto, que ela não aguentou.

Se há doença que eu acho tinhosa de se diagnosticar é a depressão. Como separar a depressão física, ou a depressão profunda, essa que pode levar o sujeito à uma loucura dessas, das simples tristezas e mazelas do dia-a-dia?

Aos 18 anos o término de um namoro me levou a um PS pedindo "alguma coisa que me faça parar de pensar". Eu estava tão arrasada, tão triste, tão deprimida, tão sem saber o que fazer, e a cabeça maquinando o tempo todo, que eu precisava de um tempo de sossego pro negócio acalmar na cachola. Minha mãe me levou ao PS e tudo que eu disse foi isso: por favor, me faça parar de pensar no ocorrido, senão eu vou enlouquecer. A terapia indicada no momento foi um leve antidepressivo e remédio para dormir. Eu dormi 20 horas por dia por uma semana. Uma hora acordei, toda desmazelada, respirei fundo, e disse "óquei, a idéia assentou, entrou na cachola, cansei de morrer em vida, bola pra frente, que ande a fila!". Até hoje agradeço a esse médico que não pensou: "bobeira de adolescente, logo passa" e me receitou um paracetamol - no Brasil é Doril, né?

Minha mãe me conta que enquanto eu estava lá falando com o médico, ela conversou com a enfermeira de plantão, explicou meu "causo", e a enfermeira disse que a melhor coisa que ela fez foi me trazer ao PS, e que na semana anterior uma moça havia pulado do último andar do prédio em frente do hospital exatamente pelo mesmo motivo, que deu tempo ainda de socorrê-la, mas que ela morreu na mão daquele médico que estava me tratando. Será que foi por isso que ele foi tão legal comigo? Sei lá, se foi, abençoada moça, abençoado médico

segunda-feira, outubro 13

Sonho meu... sonho meu...

Sabem o que eu queria mesmo mesmo mesmo fazer chegando no Brasil? Um check-up geral. Mas não vai rolar, primeiro porque ( acho que ) vamos pra Bahia e não vou ter muito tempo em SP. Segundo porque Bart fica resmungando que é desperdício de dinheiro, já que a gente tem seguro aqui, e o hospital de Eindhoven é um dos melhores do país. Terceiro porque não tenho mais referência de bons médicos, tem tanta gente nova lá no Garrido ( instituto onde fiz a gastroplastia ) que eu nem sei mais se os médicos de pós-op são bons.

Mas gente, o cansaço todo que eu sinto não é normal, não é normal mesmo! Reclamo para a minha médica daqui, ela faz um examezinho de sangue ( ferro ) e me diz que está dentro do esperado, mais nada. Mas eu vivo me arrastando! Até as coisas que eu gosto eu não faço mais. Faz séculos que não vou ao cinema, décadas que não dou uma voltinha de bike, milênios que não dou uma boa batida de pernas pela cidade. Se vou fazer compras, não importa do quê, desisto antes de escolher qualquer coisa, estou apática pra compras. Chego em casa e corro pro sofá, não tenho energia pra fazer nada, nem pra pesquisar minha coisinhas pra casa nova na internet. As férias estão empacadas sem decidir, as cortinas, o pedreiro... Guardamos dinheiro na conta porque eu não tenho ânimo de gastar nada! Gente, fui ao 3D da Bijenkorf, afe saí de lá em 10 minutos, comprei um batom de 3 reais e uma bolsa dobrável da Oilily de 9, e pelo catálogo vi que tinha tantas coisas legais!

Já pesquisei a internet de fio-a-pavio, listando doenças cujo principal sintoma seja o cansaço e a apatia, mas quer saber? Detesto gente que fica se auto-diagnosticando via internet, e não serei uma. Tenho uma médica, ela não é ruim, mas vive nesse "lugar comum" da mente holandesa que toda mulher que trabalha fora e tem um emprego de maior responsabilidade acaba trabalhando demais e daí o cansaço. Adoro meu trabalho! É cansativo? É! Mas saio da empresa mil vezes mais leve e contentinha do que eu saía da Bosch, não sei nem explicar como minha vida melhorou.

Mas então povo, é isso aí. Não quero gastar meus dias de férias entrando e saindo de hospital e laboratório, mas que tô de saco cheio de viver me arrastando, ah isso tô.

Alguém aí tem um vidro de Biotônico Fontoura?

domingo, outubro 12

Eu odeio a musiquinha do Fantástico!

Aqui não tem Fantástico, mas aquela sensação que dá quando a gente ouve a musiquinha é a mesma... As próximas semanas serão barra, estou tremendo nas bases desde já.

Acho que nunca vi Bart mais feliz, essa casa é realmente a realização do sonho dele. Eu estou a ponto de beijar o dedo mindinho do pé dele, porque ontem eu estava morrendo de dor nas costas e esse homem carregou, sozinho, 25 caixas de piso laminado escada acima. Sorrindo.

As coisas não estão fáceis pra ele, ele está com a maior carga de responsabilidade nas costas, já que para muitas coisas o meu holandês macarrônico e a minha falta de conhecimento das complicações holandesas atrapalham, ou impossibilitam que eu ajude mais.

É muita coisa pra ajeitar, fazer, lembrar. Mil contratos pra renovar, mil datas para calcular, mil contas pra pagar.

Aliás, as contas...

Olha, hoje agradeço cada minuto por não ter gasto grana em restaurantes, roupas de marca, carro caro, porque mudar para casa zero quilômetros requer bolsos fundos, muito mais do que a gente antecipava.

Pensávamos em deixar certas coisas para o ano que vem, mas vamos ter que antecipar bem. O zolder vai ter que sair a toque de caixa, a casa nova tem um sistema do além que filtra o ar da casa e recircula, assim a temperatura é aproveitada e se usa menos energia. Pelo jeito é eficiente, já que a empresa de energia estimou nosso gasto, e em decorrência nossa conta, a níveis bem mais baixos que na casa atual, e a casa nova é bem maior. Mas... o sistema monstro zumbe, um zumbido constante que EXIGE que a gente construa paredes em volta dele. Ka-tchin, lá vai dindin.

E as cercas do jardim terão que ser providenciadas com os vizinhos ASAP, a vizinha do lado tem uma labrador preta que eu adorei, chama-se Zoe e é bem treinadinha, mas... bobeou acaba com meus meninos numa dentada. Vai ter que rolar uma booooa cerca, com algo mais pra distanciar os gatos da casa da vizinha, pra não ficar aquele mia de cá, late de lá. Ó céus.

Agora me vou...

É fantástico - tchan!

sábado, outubro 11

E o pulso ainda pulsa!

Não, não fui dessa para melhor não. Ainda!

Pegamos as chaves! Mil coisas pra contar, mas tempo zero.

Quando compramos o piso, após o negócio feito é que o cara da loja disse que o entregador deixava o piso "na porta", a gente que tinha que colocar pra dentro, para então os colocadores de piso poderem trabalhar. Eu achava que pagando para os caras colocarem, a loja cuidava de tudo, tolinha eu.

Drama, drama, drama. Entrega de manhã, tchu-tchu com pagamento. Outra entrega de tarde, piso errado. O entregador deixou as caixas de piso no meio da rua, e detalhe: a rua do lado, porque a minha ainda não estava "calçada". Demoramos 3 horas para colocar todo o piso pra dentro.

No dia seguinte volta outro entregador para pegar aquele piso e nos dar o certo, e queria que nós trouxéssemos o piso de dentro pra fora e o novo do caminhão pra dentro. Batemos o pé e ele fez. No total, entre piso de madeira e laminado pro primeiro andar foram mais de 50 caixas, os pisos de madeira pesando quase 20 quilos cada.

Estamos mortos. Minhas costas latejam tanto que nem remédio mais faz efeito.

E hoje alugamos um aspirador de pó industrial para limpara o chão. Mais quebra-costas. Haja Voltaren, muito Voltaren.

E agradecendo cada minuto que apesar desse lambança, no final de semana que vem a gente já vai ter piso colocadinho.

Me vou povo, dormir não sem antes tomar uma derradeira dose de alguma coisa que amenize a dor. Estou descadeirada!

terça-feira, outubro 7

The winner takes it allllllllll...

Estou querendo muito, muito mesmo ir para a Grécia no ano que vem, ou melhor, Ilhas Gregas. Holandesa acabou de chegar de Rhodes e eu babei nas fotos, porque somos ratões de praia, já nos vi morrendo de fazer snorkel e de dar nadadinhas naquele marzão azul. Sem contar que tem acrópolis, tem ruininhas, e muita, muita comida grega, claro.

E eu digo Ilhas Gregas porque além de ir à Rhodes eu gostaria também de ir a Santorini. Assisti o filme "The sisterhood of the travelling pants" ( bem legal, levinho, com paisagens lindas da Grécia ) e fiquei de queixo caído com as paisagens de Santorini. Preciso muito ir lá.

E de quebra estou tentando baixar Mama Mia, que se passa na Grécia. Toda vez que me falam de ABBA eu lembro do "The winnter takes it allllll" ou da Perla cantando "Chiquitita dime porqué"... Eu sou brega minha gente, muito brega.

Aliás, deixa eu mudar totalmente o rumo dessa prosa.

Essa semana falei com a minha mãe no Brasil. Sabem, tem horas que é até bom estar longe. Vocês sabem que a família da minha mãe é bem humilde, né? É praticamente impossível em um determinado momento TODOS estarem bem. Um está com as parcelas do carro atrasado, outro perdeu o emprego, uma está com dor-de-cotovelo porque o ex está namorando... E minha mãe se preocupa com todos, de perder o sono. Juro que estou pensando em, dessa vez que vou ao Brasil, puxar minha tia de lado e pedir pra ela conversar com as minhas outras tias e dizer pra elas pararem de contar as mazelas pra minha mãe. Minha mãe vai se sentir excluída, mas pelo menos não vai perder noites de sono. Ela não se controla e não aprende que a família SEMPRE fez o que quis, sempre viveu como quis, nunca ouviu conselho de ninguém, e que não é agora que vão mudar de atitude ou que a situação no geral vai mudar.

A vida inteira minha mãe falou para fazerem uma poupancinha, sempre disseram que pobre mal tem dinheiro para comer, quem dirá para poupar. Mas quando estiveram melhorzinhos, jamais abriram uma poupança, mas correram para as casas Bahias comprar sofá, DVD player, aparelho de som. Até aí tudo bem, afinal cada um vive sua vida como quer e gasta seu dinheiro como lhe agrada, mas quando a maré vira, é lá no ombro da minha mãe que vão chorar as pitangas e pedir empréstimo. E sempre pagam de volta, nunca deram calote, mas minha mãe fica em pandarecos, pensando em como eles vão sair daquela, que mal há dinheiro para comida, que tem as contas da casa pra pagar, e ainda por cima um empréstimo.

E minha mãe, coitada, agora tem lá um dinheirinho do divórcio que ela investe e de onde ela sobrevive, não pode ficar arriscando. Mas para a família, o que ela tem é uma fortuna! Quando saiu o divórcio, o gerente do banco sentou com ela, explicou como ele ía investir o dinheiro dela, mostrou o quanto ela podia gastar por mês para que o montante continuasse crescendo, foi tudo planejadinho. Mas para a família ela era uma boba: um achava que ela deveria investir numas duas casas e alugá-las, outro que ela deveria comprar terrenos e esperar que valorizassem, outro que ela deveria começar um negócio próprio. Ninguém pensou: ela já está com certa idade, não tem uma saúde de ferro, está divorciada, o melhor é deixar o dinheiro no banco rendendo mesmo.

E daí tem a minha avó. Minha avó sempre achou que filho é investimento. Minha mãe e minhas tias sempre trabalharam desde pequenas, uma delas com 8 anos já foi levada pra uma casa onde ela era empregada doméstica. Ah, lindo falar do trabalho infantil lá longe, né, mas nós, macacos brasileiros estamos sentando nos nossos próprios rabos. Anyway. Minha avó. Então, minhas tias trabalhavam e mesmo adultas, metade dos salários tinham que ir para a minha avó. Minha avó nunca usou esse dinheiro para nada que não fosse comida ou manutenção da casa, mas mesmo assim. Agora, ela acha que os netos tem que ajudar, no que eu concordo, já que os pais estão passando por uma situação difícil mesmo, mas para ela ajudar é deixar metade do salário ou mais com os pais, e isso, é claro, eles não fazem. Aí fica aquele inferno, porque para piorar, pobre mora sempre perto ou junto. Minha prima, que é compradora compulsiva, a casa blusinha de brechó que compra ouve uma ladainha da avó. A outra, sempre que sai arrumadinha, ouve que vai gastar 'a toa, com bebida". Ó céus.

Não consigo fazer minha mãe entender que cada um faz suas escolhas e cada um toma seus tombos, que não vai adiantar nada eu ficar daqui ( ou ela de lá ) me preocupando com as cagadas e mazelas alheias. Se a situação ficar insuportável e vierem me pedir ajuda, eu ajudo se puder, passo se não puder. Eu não vou sofrer em antecipação. E tem mais, minhas tias todas tem filhos, eles que se preocupem, eles que ajudem. São desmiolados e estão criando filhos desmiolados. Os pais vivem uma vida de carnê em carnê, a filha assim que consegue o primeiro emprego se enfia em uma dúzia de financiamentos. Ninguém se admira se a fulana diz: abri uma caderneta de poupança, mas todo mundo acha o máximo ela comprar o fusquinha pra pagar em 2 anos. Aí ela perde o emprego, o pai, ao invés de deixar tomarem o carro de volta para ela aprender, vai lá e paga as prestações pra ela, enquanto em casa falta comida e os parentes tem que comprar até arroz. Depois choraminga que os filhos não tem responsabilidade. Quero ver neguinho ver carro, ipod, o escambau sendo repossuído, e não aprender a fugir de crediário que nem o diabo foge da cruz.

É com um arrepio na espinha que eu vejo o MediaMarkt chegar em Eindhoven com seus parcelamentos. Uma das poucas coisas boas que tinha aqui, a cultura de só comprar quando se tem dinheiro, está indo para as cucuias. Cada vez mais vemos propaganda de empresas de empréstimo na TV, todas mostrando um casal sorridente com seu carro novo, seu banheiro renovado, saindo de férias... beiram o absurdo essas propagandas. Dizem que vai ser proibido, que nem propaganda de cigarros. Faço votos.

segunda-feira, outubro 6

Correndo mais que o coelho da Alice

Sem tempo pra nada, na empresa uma loucura, em casa mais ainda, já que quinta pegamos as chaves e aí é correr contra o relógio.

Se eu dissesse pra vocês de onde eu estou postando vocês íam cair na gargalhada. Ou não.

Mas não tem problema, se a gente fizer cagada e não souber como consertar, ou ficar sem resposta pra alguma coisa, ou simplesmente ignorar a resposta, a gente dá uma piscada "a la Palin" e tudo se resolve, né mesmo?

Ah, gatos de regime até que estão se dando bem, só o Plato que acorda 5 da manhã e se o pratinho está vazio ele vai me acordar. Pestinha!

quinta-feira, outubro 2

A ex-grávida e os gatos em pandarecos

Quando minha colega da empresa anterior voltou de licença maternidade e, mesmo trabalhando um dia a menos por semana, foi promovida, eu comentei aqui e comemorei o fato de a maternidade não ter prejudicado a carreira dela. Pelo jeito comemorei cedo.

Aparentemente, o novo diretor acha que se a pessoa não está disponível 5 dias por semana e não tem disponibilidade total para viajar, deve então ser colocada em projetos menores, deve ter um cargo mais operacional. A verdade é que havia um gerente de engenharia que sempre reclamava quando ele procurava a ex-grávida às sextas e ela não estava, e o nosso antigo diretor sempre falava pra ele se programar de forma efetiva, e se adaptar à situação, e esse diretor de engenharia não reclamava porque era antiético, proibido por lei, sem falar que era injusto, pois ela voltou da licença maternidade com gaz total e estava trabalhando super bem. Mas o novo diretor de certa forma concorda com o descontentamento desse gerente de engenharia, e acaba não dando apoio algum à minha ex-colega.

Quem vier falar que a maternidade não prejudica a carreira da mulher, mentira! Tudo vai depender do superior que você tiver, da forma como ele vê a situação. E vai depender também de que tipo de trabalho você tem, quanto mais operacional for, mais fácil é programar as atividades do seu dia de outra forma ou passar para outra pessoa. Eu também acho que se a mulher quer muito ter seu bebezinho, dane-se chefe, carreira, whatever, você vai ter seu filho e pronto. Mas entrar numa empreitada dessas achando que vai ser moleza é burrice.

Ah, mas eu ía esquecendo de contar. Estou falando disso porque a ex-grávida também está deixando a ex-empresa. Ninguém gosta de ser colocada de escanteio, ser promovida a gerente num mês e três meses depois ser colocada em projetos secundários, só porque o cacique é outro e pensa diferente. Não estou mais lá para ver o que está acontecendo, mas a situação deve estar insuportável, pois sei que há meses ela estava super contente com a promoção e trabalhando muitíssimo bem em vários projetos legais, naquela época nem pensava em sair da empresa.

Trazendo isso para a minha realidade, ter a carreira desacelerada me incomodaria tanto? Hoje penso que não. Cheguei onde queria, não me importaria de estacionar por aqui um bom tempo. Saí das "trincheiras", não fico mais comprando pecinhas, o que depois de 10 anos em compras cansa, mas apesar de ser "manager" no meu cargo, não sou chefe de ninguém. Detestaria ser chefe de alguém. Eu não nasci para manter neguinho motivado, para dar reprimenda sem ferir os brios do cidadão, pra aguentar neguinho que vem com crise de identidade porque se olhou no espelho de manhã. Estou feliz onde estou. Mas porque então não arrumo uma creonça? Porque ainda não sei o que fazer com ela. Ainda não sei como criar "menino", como dizem fora de SP, sem ajuda de mãe, cunhada, tias, etc. Ainda me dá arrepios pensar que naquele dia que eu chego em casa estourada, teria ainda que ir cuidar de um bebê, além de cozinhar, dar atenção pro marido, limpar o banheirinho dos gatos.

E, on top of that, acho que seria uma péssima mãe, não teria pulso. Ontem levei Plato e Ty para o check-up anual e vacinação. Levei uma enorme bronca, enorme! Ty não engordou tanto, passou de 8,3 para 8,6 quilos, mas ele já estava acima do peso, e ao invés de emagrecer, engordou. Plato está oficialmente GORDO, passou de 7,6 para 8,4, um ganho enorme em um ano. A barriguinha ( ona ) dele foi medida e está bem maior do que deveria, e a médica me fez apalpar as costelas dele, que óbvio não se acha. A veterinária olhou bem para mim e me disse: você acha que está fazendo o melhor para eles, mas nesse ritmo, eles vão estar sériamente obesos em 2 anos, e gatos obesos vivem menos, e a qualidade de vida é pior. E ela está certa, certíssima. Tenho que acordar mais cedo, dar comida pra os dois em cômodos separados, ir tomar banho, guardar a comida, e dar a segunda refeição só quando eu voltar do trabalho. Hoje deixo lá à disposição deles e eles abusam! Mas me corta o coração ver como o Ty fica em pandarecos quando está com fome, e o Plato fica uma peste, mia até! E sinceramente, que outras alegrias tem um gato na vida senão dormir, brincar com o dono, e comer? Tem que entrar no regime? Cruel! Eu olho pro Plato e acho que ele está ótimo, um espetáculo, principalmente nessa época do ano que o pêlo está cheio, comprido e macio, parece um bicho de pelúcia! Como negar comida praquele anjinho com carinha de piduncho?

quarta-feira, outubro 1

Falando sozinha... ou não?

Broodje Gezond, ou "sanduíche saudável", tem margarina, queijo amarelo, presunto, muito ovo cozido ( !!! ) e umas folhinhas de alface. Se você tiver problema de colesterol vai morrer com um lanche saudável desse. É o meu almoço hoje.

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Quero uma máquina de lavar roupas que também seque. Assim economizo a operação de tirar de uma pra colocar na outra e de quebra ocupo um espaço só na casa, já que a lavanderia vai ser meio apertada. Comecei me horrorizando com o preço de uma, Euro 1100, e continuei me horrorizando com o gasto de água: no módulo econômico, 50 litros por ciclo. Povo, 50 litros de água é muita água, né não? Ou tô viajando? Se alguém souber se essas máquinas são boas, me avise.

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Olha, vou dizer, tem horas que dá vontade de parar de assistir Grey's Anatomy, viu! Ainda bem que a vontade passa. Então. Vamos supor que estamos falando da vida real. Não importa quão insegura, burra você seja, ou o quanto você tenha medo de compromissos, se você encontra um cara fantástico como o Derek, namora vai-e-volta 4 anos ( afinal estamos no 5 ano da série ), compram um terreno e planejam uma casa, perguntar pra sua melhor amiguinha se ela acha que você deve ir morar com o cara antes é inaceitável. Inaceitável também são todas as demais dúvidas, afinal você não tem mais 18 anos. Detesto quando o mundo irreal da TV fica tão irreal que perde a graça. Tá ali ó, na beirinha de perder a graça.

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Para quem sempre pergunta em que canal holandês passa minhas séries: em nenhum! Quando passa, passa com pelo menos um ano de atraso. TV tá ficando demodê. A solução é discretamente, muito discretamente, dar uma olhadinha no site mininova.org. Hint hint hint.

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Vocês sabem que eu acho que grama foi criada pelo Demo, né? Pois bem, Bart olha para o vizinho de trás da casa nova, já com um gramadão plantado e manda ver: acho que teremos que fazer isso. Eu queria matá-lo. Já falei, eu não podo, não adubo, não verticuteio. E tem mais, Ty come grama e vomita, e sou eu que tenho que sair atrás dele limpando, então não limparei mais vômito de gato. A casa nova tem que ser mais prática, principalmente porque estou orfã de empregada doméstica, e não mais trabalhosa do que essa. Homens, bah!

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Nem sei porque estou assistindo 90210. Adriana véia. Véia véia muito véia. Achei que hoje em dia, praticamente 20 anos depois da primeira versão, discussãozinha de transar ou não transar com o namorado fosse coisa ultrapassada, mas pelo jeito não é. Na primeira versão, quando a Brenda suspeita que está grávida foi um escândalo, todo mundo falando que "não deviam abordar isso na série, como se fosse comum uma menina de 16 anos ser sexualmente ativa" ( e era comum, mas não era falado e não era discutido ). Nessa edição, no primeiro capítulo aparece no novo galãzinho ganhando um BJ no carro. Ohhhhhhhhh. Adriana véia véia, muito véia!

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Falei com a Holandesa que está na Grécia. Judia de mim, judia! Ela estava caminhando na praia, dava pra ouvir as ondas fazendo chuá, me deu vontade de chorar. Chuá de ondinhas de lá, chuá de chuva daqui. Mas dezembro tá logo aí, e eu irei para a praia, se Deus quiser. De quebra, descobri que a empresa nova tem um jeito esdrúxulo de contar horas e eu terei não 16 dias úteis de férias até o fim do ano, mas 21. Alegria alegria alegria.