sexta-feira, maio 8

Desembanhando

Amiga Alice está fazendo Weight Watchers e está emagrecendo bem, o que me animou a mais uma vez encarar o programa.

Ontem eu estava online procurando cardápios e livrinhos e todas as informações possíveis, e Alice ficou brava, disse que ao tentar evitar as reuniões eu estava me boicotando.

Fiquei brava também, e expliquei que na verdade eu estava é evitando meu auto-boicote.

Explico.

Antes de operar o estômago, eu tentei absolutamente todos esses programas weight-watchers-alike. Meta Real, Peso Ideal, CCA. Além dos Vigilantes, claro. Acontece que tudo, absolutamente TUDO nessas reuniões me desistimula e me irrita.

Começa que você chega e vai se pesar. Tem sempre uma fila.

Gorda da Frente: - E aí, como foi a semana?
Adriana: - Ótima
Gorda da Frente: - A minha foi péssima, enfiei o pé na jaca.
Adriana: - Hmmm
G da F: - Tive um casamento no buffet mais chique da cidade, até Lagosta Termidor teve. Ai ai... que estrago...
Gorda de Trás: - Ai menina, antes comer em festa do que como eu: minha mãe está com câncer, fiquei deprimidíssima, e quando estou deprimida sempre ataco os chocolates... Vou com ela todos os dias na quimio, e enquanto espero, devoro uma barra de Milka.
G da F: - Ó querida, não se martirize, no seu caso é compreensivel.
G de Trás: - Mas você ía dizendo que sua semana foi ótima, você conseguiu ficar na dieta a semana toda? ( olhando pra mim )
Adriana: - Ah não, pelo contrário. Tive um fornecedor Alemão que ama feijoada, e me levou almoçar no Bolinha! Feijoada do Bolinha de graça!!!! Me deliciei com as pururucas, me acabei na feijoada em si, tomei caipirinha bem docinha... Realmente, uma ótima semana, sorrio até agora ao lembrar do banquete!

O simples fato daquelas adultas sentirem que devem se justificar por terem cedido à tentação, ou ficarem arrumando desculpas para terem saido da dieta me deprime imensamente. Imensamente.

Nós, gordos, comemos porque gostamos de comer. Pronto. Existem vários fatores que podem nos levar a comer exageradamente, ou a quebrar uma dieta, mas no fundo, no fundo, comemos porque gostamos. Tem gente que ao se deparar com uma situação difícil, vai pra academia malhar. Vai porque gosta de malhar, as endorfinas ou se lá o que da malhação os acalmam. Outros bebem. Alguns compram. Fumam. Eu, e TODOS os gordos, comemos.

Aí fica o gordo lá se enganando, procurando o culpado pela comilança dele, culpam suas mães ( como eu fiz muitos anos )...

*****
Momento filosófico:

Minha mãe odeia gordos, sempre odiou, e infernizou minha vida por 30 anos, 12 dias e 4 horas por eu ser gorda. Claro que eu acabei no psicólogo tentado descobrir o porque da comilança. E é claro que o motivo acabou sendo minha mãe. Isso que é frustrante. Você aí colega, grávida, ou com seu bebezinho, ou com seus pestinhas já maiorzinhos, não importa o quanto você se esforce, o quanto você leia livrinhos de como criar bacurins, passe noites acordadas, conforte, dê remédinho pra cólica, embale pra dormir, leve pro ballet, natação, berimbau, aula de empinação de pipa... quando seu filho for adulto, e por algum motivo for parar num psicólogo, a culpa vai ser sua. Sua. Você que não apoiou, ou pressionou, ou traumatizou, ou sei lá mais o que. A culpa será sempre SUA.

Isso dito, minha mãe não foi fácil, mas sei que ela só queria me ajudar, e sei que ela achava que estava fazendo o melhor pra mim. E dizem que o que conta é a intenção, certo? Mas levei 34 anos pra chegar a essa constatação. 34.

****

Então, os Vigilantes.

O simples prospecto de passar 2 horas no meio de um bando de gordas holandesas caipiras ( porque isso aqui não é Rotterdam ou Amsterdam, é Noord Brabant, e aqui tem mooooito caipira ), a essa altura do campeonato, maio, todas laranjas de cama de bronzear, ouvindo as mesmas desculpinhas furadas, só que dessa vez nessa língua maldita, me arrepia. Minha força de vontade não vai tão longe.

Tanto o site do Vigilantes no Brasil quanto o daqui oferecem o auto-curso: você segue todo o programa normalmente, pode até ver palestras pelo computador, sem ter que ir às reuniões. Achei a idéia ótima. Até de férias em Tumbuktu você pode logar, pegar seu cardápio, e tentar seguí-lo

Resolvi então, pra evitar cair numa furadésima como o livro da Sonia Bakker, xeretar a internet pra ter uma idéia de como o método funciona. Comecei pelos livrinhos brasileiros, que achei no torrent. O programa é muito bom, você conta pontos, tem até uma cota de pontos "comfort" ( pra furar a dieta, sem enfiar o pé na jaca ), e o material de apoio é ótimo. Tem cardápios semanais, mas você pode fazer seu próprio cardápio, pois tem um livro com os pontos de praticamente tudo que se encontra no supermercado. Fora isso tem listas de compras semanais, diários de emagrecimento. Achei o sistema bom mesmo. Só que da forma como os cardápios brasileiros são elaborados, o programa é inviável aqui. Pelo menos aqui na empresa eu não tenho como comer uma refeição quente no almoço. No Brasil é fácil, num quilo qualquer, comer um pouco de arroz, uma carne, legumes, verduras, uma frutinha no final, mas aqui isso não existe. Por isso estou agora procurando uns cardápios holandeses, pra ver o que eles propõem para o almoço. E se for legal, vou comprar o pacote de iniciantes. Ele vem com livro de receitas, livro de pontos dos produtos locais, 4 cardápios semanais, livro de exercícios, dicas de como comer em restaurantes sem furar a dieta, e claro, um livro básico explicando como tudo funciona.

O que me anima, é que dessa vez não inicío um programa desses no mais absoluto desespero. Não estou arrasada porque tenho que emagrecer 45 quilos. Quero emagrecer 13 quilos, e quando a metade tiver ido, sei que já estarei com todas as roupas folgadinhas, o biquini menos feio, e os ânimos bem elevados pra continuar na dieta. Dessa vez quero emagrecer pra ficar mais bonita e saudável, e não pra deixar de ser um bofe, como eu me sentia antes da gastroplastia.

Eu acho que a estrada para resolver qualquer problema está em mim, e não em fatores externos. Não vou culpar ninguém pelas minhas pisadas na bola. Eu sou capaz, logo, quando falho, sou responsável também. A busca do "porquê" ( porque como tanto, porque engordo fácil, porque não resisto a tal comida ) pode levar décadas, e o "esclarecimento milagroso" pode ( e provavelmente vai ) nunca vir. Prefiro encarar o problema de forma mais proativa, sou ( gorda comilona ) assim e pronto. Tenho que aprender a comer melhor, a me controlar melhor, encontrar algum exercício físico que me pareça menos horripilante. Quando eu tiro a responsabilidade dos outros: da minha mãe, das anfetaminas, dos meus gens, das circunstâncias, essa responsabilidade recai sobre mim. E o que depende apenas de mim, e não dos outros, é mais fácil de controlar. E assim será.

quinta-feira, maio 7

Farofando

Esse ano está sendo terrível planejar férias. A empresa está enfiando goela abaixo dos empregados semanas de férias compulsórias. Aqui temos 25 dias de férias, garantidas por lei, e 13 dias de "ADV" que a gente vai juntando porque trabalha 40 minutos a mais por dia. Esse ano, essa construção de ADV foi parada, só poderemos juntar 5 dias. Dos 30 dias, uns 10 eu tive que sair compulsóriamente, ainda bem que durante essa semana, eu bati o pé, provei que precisava ficar e fiquei. Agora o sindicato interveio, e a empresa não pode descontar mais dias de férias, mas apenas ADV, e o saldo de ADV pode ser negativo, o que deixa meus 20 dias de férias ainda intactos. Mas de qualquer forma, terei que sair de férias esse ano de 25 de Julho a 9 de agosto, a semana mais cara, lotada e quente dos balneáreos europeus.

Eu queria muito ir à Rhodes, nós já visitamos Creta e gostamos, e Rhodes parece muito mais bonito. Então pensei em alugar uma casa com piscina, ía sair praticamente o preço de um hotel, mas tinha 2 problemas: Bart é canguinha e com uma cozinha ía ficar me enchendo o saco pra eu cozinhar, o que acaba com metade da graça das férias; e o segundo problema é que por fotinho da internet toda casa parece um palacete, só que "ao vivo", como saber? Só sei que enquanto eu me degladiava com a dúvida, TODAS, e eu digo TODAS, as casas de veraneio foram alugadas. Nos restaram os hotéis. Já escolhi um muito lindo, que está classificado como o hotel numero 1 dessa praia de Rhodes no Tripadvisor. Esse hotel abriu agora um outro pegado que é bem mais luxuoso e é couples only ( hotéis sem criança são sempre mais luxuosos - adoraaaamos hotéis sem crianças! ), mas está "impagável", 4 mil euros por pessoa por duas semanas meia pensão.

Sábado vou ao agente de viagens fechar o negócio, pra garantir. Daí fica só faltando alugar o carro, que pegamos no aeroporto ao chegarmos e devolvemos no aeroporto de novo no dia de voltar. Em alguns lugares compensa alugar um carro, e Rhodes parece ser um deles. Pagaremos no total 380 euros pelas duas semanas, dá menos de 30 euros por dia, e só pra ir e voltar do hotel à cidade com taxi fica 12 euros. Fora que eu e o Bart sempre fazemos assim: um dia lagartixando na praia, outro dia batendo perna. Como estaremos em meia-pensão, o carro também serve para comprar refrizinhos e outros snacks. Podem me chamar de canguinha também, mas eu me contorço de raiva se tiver que pagar 3 euros numa latinha de Coca que no mercadinho da esquina custa 50 centavos. No Egito, ficamos no Marriott, e eu estoquei o frigo de refris, e todos os dias eu levava uma bolsinha térmica bem discreta com 4 latinhas e 1 mini-garrafa-térmica de suco de laranja com vodka, um drink que adoramos, pra praia. Eu estava com tanto receio de fazer isso, mas durante as duas semanas que ficamos no hotel, várias pessoas e casais vieram falar com a gente, perguntar se tínhamos comprado aquela bolsa no Egito, e alguns compraram isoporzinhos, menos discretos que minha bolsinha.

Ah, adoro fazer planos de férias...

Agora rola um boato de que a semana de 1 de junho vai ser compulsória também. Se for, eu não escaparei, só espero que o sindicato novamente intervenha e descontem ADV. E daí eu juro que vou pra algum lugar, e se Bart vier com chorumelas, ameaço largá-lo pra trás. Aí pergunto procêis: diquinhas de cidades européias legais? Melhor se for ao alcance dos vôos da Ryan Air e Transavia de Eindhoven. Já conheço: Londres, Paris, Carcassone, Brugge, Munich, Interlaken, Lugano, Veneza, Firenze, Pisa, Cinque Terre, Roma, Napoli, Capri, Amalfi, Taormina, Sevilla, Barcelona, Faro, Lagos, Lisboa, Fuerteventura, Mallorca, Creta... Fui a outras cidades, mas algumas a trabalho, não sei se voltaria. Mas então... dicas são bem vindas.

terça-feira, maio 5

XOXO

Olá povo. Sumi, eu sei. Não foi falta de tempo, foi falta de assunto mesmo. Ficar em casa emburrece!

Aliás, foram 5 dias "sort of" perdidos. Eu deveria ter me enfiado num vôo qualquer da Ryan Air, ficado em qualquer hotelzinho marromenos, mas ter me divertido, no fim, os planos de ir à Amsterdam ver o museu, ou ir ao Efteling, ou dar uma voltinha em Antuérpia acabaram não se realizando, e eu morguei, criei bunda e pança, choquei ovo os 5 dias. Não fui à Amsterdam porque depois do dia da rainha a cidade fica sujíssima, me disseram. Não fui ao Efteling porque parece que fica lotadésimo, então não me arrisquei. Não fui à Antuérpia porque choveu e fez frio. Anyway...

E ficamos entocados com os gatos os 5 dias dentro de casa, eles estão de castigo. Falei pra vocês que os pestinhas agora são oficialmente conhecidos como o Gordo e o Magro? Ty teve uma gripe forte seguida de uma zique-zira no estômago, emagreceu bem, e tá bem normalzinho pra um Ragdoll ( 7,1 kg ). Plato ficou trancado o inverno todo em casa, mandando ver na comida seca e na molhada, tem tendência à engordar, tá um monstrinho, até pra um Ragdoll ( 8.9 Kg ). Começaram a ir pro jardim, e numa manhã que esquecemos os dois umas 2 horas no sol, Ty de alguma forma foi parar no telhado da sala, e miou debaixo da janela do escritório do Bart. Quase infartamos. E ao tentar resgatar o Ty, vimos o Plato do lado de fora da cerca. Ele cavou ( ele é gordo mas não é burro ) um buraco para o quintal da vizinha e outro pra rua. Quase infartamos de novo. Agora estão de castigo em casa, miam insistentemente de manhã que querem sair, mas se conformam e dormem. Plato vai ficar ainda mais "forte", se é que vocês me entendem...

E fora isso, necas. O ponto alto do meu finalzão de semana foi ter recebido meus DvDs do The Sims 2 ( daí eu ter me isolado em casa ), e ter comprado 1 kg de aspargos. Triste isso, estar felizinha porque comprou um quilo de aspargos que vai deixar nosso xixi cheirando mal por dias. Credo, que assunto.

E ontem, estarrecida, vi na CNN a notícia de que a Fiat está interessada em comprar a GM Europe. Que tristeza! A GM Europe, pelo menos no departamento de compras, dá um banho na Fiat. No período em que a joint-venture das duas empresas funcionou ( eu ainda trabalhava lá ), só vimos bagunça na Fiat. Ninguém falava inglês, compravam só de empresas da região, uma empresa que parou no século retrasado. E me digam, de onde sai tanto dinheiro? Máfia? Berlusconi-papa-Lolita?

E por falar em Berlusconi-papa-Lolita, só rindo mesmo. Esses chefes-de-estado europeus... Quem ficou chocado com a Carla do Sarcozy vai estrebuchar no chão com a Lolita do Berlusca. Cadê a Pacamanca pra dar o insight dela sobre os bafões italianos? Já tô imaginando o Berluca pós divórcio: spray tan laranjão, camisa aberta no peito, corrente de ouro que dá três voltas, e Ferrari vermelha reluzente. Se eu fosse miguxinha Ky FaLah aCim eu terminaria esse post com LOL. LOL não dá pra engolir. Serioulsy.

Então, como eu sou chiquérrima ( cof cof cofffffeeee ), termino com... XOXO

Não é xôxo, gente ( murcho, sem graça ) é éks-oh-éks-oh, que nem no seriado Gossip Girl.

Juro que não tô bebada, tô sem loção mesmo hoje.

Fuy!

terça-feira, abril 28

Assunto inédito: a crise

Bom, faz tempo que eu não falo da crise, então hoje pode!

Semana que vem a produção pára, apagam a luz e fecham a porta. Por milagre conseguimos ( eu e uns outros ) aprovação para ficarmos trabalhando. Meus dias de férias já estão minguados, perder mais 5, sem planejamento nenhum? Graças a Deus ficarei.

E graças a Deus o feriado do dia da Rainha está aí, dia 30 de Abril, feriadão prolongado. Eu PRECISO dormir umas 15 horas por dia, estou em média dormindo 6 por noite. Ando trabalhando num projeto super legal mas muito exaustivo, fico na empresa até as 7 ou 8 todas as noites, daí chego em casa elétrica, não consigo pegar no sono. Cortei totalmente cafeína, mas necas de catipirobas que ajuda na hora do sono, a única coisa que me faz é me deixar meio lerda de manhã no trabalho, a hora que eu mais sinto falta do meu neguinho possante ( o mini-balde de café matutino ). Engraçado que americanos não dão café pra crianças e no Brasil, pelo menos na minha família, desde criança tomamos café-com-leite de manhã.

Bem povo, sei lá quando terei tempo de blogar de novo. Meus DVD do Sims 2 do amazon.co.uk chegaram. Paguei 40 euros em 3 DVD's, na Holanda tá 29 cada, e o último o "apartments" tá 39. Porque é que o amazon.co.uk é tão mais barato que o amazon.de, hein?

Tô podrérrima de sono, e pela primeira vez essa semana vou capotar antes da meia-noite. Não sou Bella mas tô virando vampira! ( cadê meu Edward? )

Ah, antes de ir. Já repararam que todo mundo nega até a morte que já tenha lido Julia, Sabrina, Bianca? Só não sei é como essas revistinhas tem uma tiragem tão alta se ninguém lê ( ho ho ho ). Eu já li todas essas, e tinha uma amiga que descia pra praia levando sempre um carregamento de Momentos Íntimos. Morríamos de rir, cada expressão! Gabriel tinha os ombros escandalosamente másculos. Hahahahah e o triângulo aveludado? Hahahahaha. Só rindo. E os desenhos das capas? Gente, é mais ícone brasileiro do que o fuscão preto!

Fui!

sábado, abril 25

Tô véia!

Obrigado pelos e-mails, SMS, ligações, scraps... Aos poucos vou agradecendo ao povo um por um, mas por enquanto um obrigada coletivo terá que bastar.

Ganhei de presente vários pacotes de expansão do The Sims 2 que eu não tinha, pra compensar a besteira que eu fiz que me obrigou a desinstalar o jogo de 4 anos. Sei que o The Sims3 está pra sair, mas vai ficar super lento no meu lap, então não vou "upgradar".

E além dos jogos ( que ainda não chegaram, foram comprados no Amazon.co.uk ), ganhei o que eu mais estava precisando naquele dia: um jantar fora, numa cidadezinha pacata, no meio do nada. Bart tava de bom humor, eu idem, foi uma noite ótima. Tenho trabalhado há duas semanas num projeto novo, e não saio do escritório antes das 8 todos os dias. Estou ultra-cansada. Ontem fui dormir 10 da noite, acordei 11 da manhã hoje!

Fomos hoje ver móveis, e claro que discutimos. Tudo, absolutamente tudo que um gosta, o outro não. Hoje decidi que não me importo mais, que ele faça o que quiser, eu não vou mais me desgastar. E daqui pra frente, "a casa" é assunto pra ser esquecido. Um dia, ela fica pronta.

quarta-feira, abril 22

Aumentando a família

Eu queria tanto, tanto tanto tanto aumentar a família...



Dessa vez eu queria uma menininha, quem sabe meus Hooligans não seriam docinhos com ela, ao invés de viver na pancada?

segunda-feira, abril 20

Brazuca versus Lourão

Bom povo, vamos voltar um pouco ao "Adriana business talk - panic under control".

Estou tendo que fazer negócios ( ou tentar ) com o Brasil. Fazia tempo que eu não lidava com fornecedores brasileiros, e sinceramente, espero não ter que fazê-lo tão cedo. Não pelo lado do contato pessoal, muito pelo contrário, gerentes de vendas brasileiros são infinitamente menos insuportáveis que os europeus, mas business is business, e é muito mais complicado fazer business com brasileiros. Começa que poucos falam inglês, e quando falam é macarrônico, eu tenho que ficar traduzindo conversa de engenheiro, o que adiciona um processo ( e uma complicação ) ao bom andamento do negócio. Depois, vem o fator "matéria prima". O Brasil ainda produz muito pouco na área dos plásticos, a maioria do substrato vem da Europa, e aí os custos dobram ou triplicam até chegar no estoque do fabricante da peça em si. E tem mais, as gigantes B@SF e B@YER acabam usando o Brasil como outlet de material de segunda, o que acaba criando mais scrap ( material rejeitado ), que acaba sendo incluído do preço. E, para acabar, graças ao salário mínimo quase decente do nosso Lula a mão de obra não é mais tão barata.

( Insight )

Eu acho ótimo a merendeira escolar receber 400 paus de salário ao invés de 200. Acho fantástico o novo plano do Lula de aumentar o salário da merendeira pra 560 paus. However... isso tira o Brasil da lista dos "Low Cost Country", o que não é uma tragédia, desde que haja um plano econômico para se substituir produção para exportação por produção para o mercado interno. Ou seja, o Brasil tem que importar menos já que vai exportar menos, se quiser ( e tem que querer ) manter a balança comercial. Ou tem que exportar mais produção agrícola. E o mercado interno tem que crescer para consumir os produtos industrializados que antes eram destinados à exportação.

(End of Insight)

Mas voltando aos negócios com os brasileiros... E ao fim da nossa última conferece call, quando os engenheiros já tinham saído da sala, o gerente de vendas brasileiro pergunta: Adriana, esse target price seu, quão perto eu preciso estar pra pegar o negócio? E esse é o ponto, europeus, quando passam um target, passam uma figura super confiável, transparente, calculada até nos centavos. E brasileiros blefam, mais que jogador de poker meio bêbado no Tropicana sexta à noite. Aí o brasuca olha pro target do lourão e pensa: o cara tem 10% de blefe nesse target. E o lourão, que passou semanas calculando o target pensa: esse brasileiro é careiro, tá 10% acima do target. E o negócio nunca rola. Esse com o brasileiro agora não vai rolar, já avisei aqui. Sem falar que na segunda conference call o gerente de vendas já tava me chamando de "Dri". Meus colegas que me vêem todos os dias há um ano não me chamam de Dri, o cara lá nunca me viu e já "Drizou" meu nome. Tjá.

Aqui na Europa, to whom it may concern, a quebradeira continua. Agora temos o "gerente especial de falências", que coisa! É um cara que fica só gerenciando os projetos que visam substituir o fornecedor quebrado, vai à reuniões com o administrador de falências. Por enquanto são "só" 9 empresas falidas. Mas a boa notícia é que pelo menos o segmento de carros de passageiros está começando, levemente, a reagir. Essa reação vem dos incentivos que o governo alemão está dando, principalmente para os carros barateeenhos. Já tem até uma modesta filazinha de espera para se comprar um Fiesta, e a Volkswagen também está aumentando a produção dos pequenos. Enquanto isso, no Brasil-sil-sil, tem fila de um mês pra se comprar um Toyota. O índice de vendas de março de 2009 é o mesmo, senão levemente superior ( WTF??? ) à 2008. Brasileiros têm mesmo o incrível dom de sublimar a crise, qualquer crise. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas a porra-louquisse-financeira do brasileiro vai acabar salvando o país da recessão que assola o resto do mundo. O poder do cheque pré, do cartão de crédito e do limite do cheque especial jamais será subestimado novamente. E quem por ventura perder seu emprego para a crise(zinha), é só procurar uma "nova colocação" no SPC, eles devem estar cheio de vagas abertas.

domingo, abril 19

Cafeína

Eu estava morrendo de dor de cabeça, e esbarrei numa Neosaldina dando sopa, nem pensei duas vezes e mandei pro bucho. A dor de cabeça passou, claro, mas agora tô morrendo de insônia...

Gente, que saudades da Drogasil. Aqui na Holanda o povo toma muito paracetamol, como cês tão cansados de saber, mas como paracetamol em teoria dá sono, eles colocam sempre cafeína junto. Acha-se sim sem cafeína, mas são comprimidos que não dissolvem na água ( o Finimal, um dos remédios a base de paracetamol e cafeína mais populares daqui dissolve na água ), e meu estômago fica em pandarecos quando eu tomo o não solúvel. No Brasil tinha aqueles que dá soninho, outros com cafeína também, em gotas, em cápsula revestida. Conversa de hipocondríaco, eu sei.

Ontem fiquei assistindo TV até umas 2 da manhã, hoje o Bart me acorda as 8 pra ir fazer café pra ele. É muita cara-de-pau. Hoje se neguinho me acordar vai se arrepender!

E o plano é ir na matinê do "He is just not that into you". Uma das vantagens daqui é que não traduzem título nem dublam filmes, só mesmo os infantis, mas sempre passa uma sessão com o original também. Como ficou o He is just not that into you no Brasil? Ele não está assim tão a fim de você? Marcita, e em Portugal, como ficou?

E agora vou tentar dormir. O mantra é sempre o mesmo, eu fico pensando o que eu faria se eu ganhasse 20 milhões de euros na loteria... Ho ho ho... Começo na internação numa fat-farm no Hawaii ( onde a Oprah sempre vai ) de onde eu saio linda, leve ( muito leve ) e solta, sigo para as viagens, a casa que comprarei, com sorte durmo antes de começar a ajudar a família no Brasil.

Ai ai ai... Boa noite!

quinta-feira, abril 16

Alívio

Hoje tive a apresentação semestral de estratégias para o Board of Directors. Todos os meus colegas, e eu naturalmente, estressadíssimos, uma loucura. Foram 20 slides, tínhamos que nos manter dentro dos 30 minutos alocados a cada um, não tínhamos a mínima idéia das perguntas que viriam.

Minha apresentação foi bem, na minha neurose eu me super-preparei, mas foi melhor assim. A única frustração foi não saber se foi bem porque eu apresentei bem, ou se porque eu fui a primeira e os diretores estavam "entrando no clima", ou se o material que eu apresentei estava mais completo... Queria saber o que ( e se ) eu fiz certo para repetir daqui a 6 meses, mas ninguém até agora me deu um feedback.

Eu não sei vocês, mas eu quando estou estressada fico um caco fisicamente. E eu estava absurdamente estressada. Ficava tensa o dia todo, fixada na tela azul do template da apresentação, sem me mexer até ir embora, sempre tarde. Tudo o que eu comi na semana passada me fez mal, e na páscoa tive um vírus estomacal. Dormi péssimamente todos esses dias. Tive vários pesadelos horríveis, e justo o dessa noite foi que eu estava tendo um caso secreto com o diretorzão, e embora durante minha apresentação eu tivesse muito nervosa pra lembrar do sonho, durante o resto da apresentação eu tive que ficar afastando as cenas medonhas da minha mente. Vocês nem queiram saber.

Agora estou num alívio inenarrável. Esse post é isso, puro alívio, amanhã eu volto a pensar em assuntos mais interessantes, como a escova de toalete. Cheguei em casa hoje, tomei uma taça de vinho borbulhante e apaguei por 3 horas, dormi como uma defunta. Estou felizinha que nem pinto no lixo.

Ai ai ai...

segunda-feira, abril 13

Uma das manias nacionais

Nunca tinha visto, nem no Brasil, nem nos países que visitei, um povo com tamanha fixação pelo "toilet borstel", ou escova de toalete.

Aqui, em todas as casas que você visitar, e frequentemente também em estabelecimentos comerciais, vai ter uma escova lá no banheiro, pra limpar o vaso.



Existem as mais simplezinhas, de plástico mesmo, as "design", com a da marca Vipp que custa quase 200 euros, as de pregar na parede... Tem pra todos os gostos.

Neste fim de semana meu marido decretou: temos que comprar o borstel de pregar na parede dos banheiros novos. Mil coisas mais importantes pra fazer na casa, mas pra ele a prioridade era o limpa-bosta.

Fomos hoje, em pleno feriado holandês ( segunda páscoa ) à Praxis ( mercado de material de construção ), pois aparentemente é tradição esse tipo de loja e lojas de móveis abrirem nesse dia com promoções, para escolher o indispensável acessório. Demoramos umas 2 horas, vimos mais de 10 opções, deliberamos deveras, comparamos tamanhos e pesos, preços - claro, e fizemos nossa compra: 2 escovas de toalete ( de linhas diferentes ), porta-rolo de papel, ganchinhos pra toalhas. E lá se foram 230 euros, em escova de bosta. De novo.

Digo de novo, porque os leitores antigos irão se lembrar que eu fiz essa mesma reclamação quando reformamos o banheiro da casa anterior.

Aliás, holandeses tem fixação com cocô e seus sub-produtos. Nunca vi tanta propaganda de desodorizador de banheiro como aqui, tem os tradicionais sprays da Glayde, tem um outro que você cola na parede e você dá um espirrãozinho depois que "faz o serviço", tem até uns com sensor que espirram quando você abre a porta do toilete. E tem aqueles sabonetes de deixar pendurando no vaso de tudo quanto é tamanho, cor, cheiro e funcionamento. Aqueles "pato purifique" idem. E tem também um pó branqueador que você joga no vaso e ele, em teoria, branqueia o que por ventura não esteja tinindo de branco.

Qualquer dia desses vão inventar uma pílula pra gente fazer numero 2 cheiroso.

Credo, que papo, eu hein!

quinta-feira, abril 9

Eu odeio a Cinderella

Vou começar o post explicando que o filme Twilight não tem absolutamente nada a ver com a história do Harry Potter. Twilight é um história de amor. Adolescente, com vampiros, imaginem só, mas ainda sim uma história de amor, e uma história linda por sinal.

Chega de ficar bombardeando meninas com histórias de Cinderelas, Belas-Adormecidas, Rapunzéis, Brancas-de-Neve! Chega de colocar no subconsciente de nós, mulheres, desde crianças, que só a linda-perfeita é uma princesa merecedora de toda a felicidade do mundo ( vocês já viram algum desses contos dizer que a heroína era bonitinha, ou simpática, ou arrumadinha, ou "average"? Não, né? Todas as princesas são liiiiiindas. E brancas. ). Ah, e o prêmio por ser tão liiiinda, tão boazinha, qual é? Um príncipe. Um bofe todo bom. A princesa bem sucedida é antes de mais nada a mulher de um bofe-princesístico-todo-bom, afinal, qual é o mérito em ser uma médica que salva vidas, ou uma cientista que descobre como desintegrar lixo tóxico, ou uma escritora, ou alfabetizadora? Nah, ser mulher de príncipe é que é cool.

E é aí que eu acho, ou espero, que as histórias mais modernas estajam mudando um pouco o que enfiamos na cabeça das nossas crianças, adolescentes, jovenzinhas, e até de uma marmanja como eu. A Bella, heroína do Twilight, que acaba namorando um gostosão fantástico, é average. Ela não é a mais bonita da classe, nem a mais popular, é atrapalhada, mas acaba fisgando o cara bonito e rico. Tudo bem que o prêmio ainda é um bofe-bom, mas a gente chega lá. Eu posso estar errada, mas acho que há muito mais mulher "normal" ou "average" no mundo do que as Giseles-Bunchen da vida, e pra nós, average, a mensagem é: o cara mais bonito da classe, o gostosão de carrão prateado brilhando, pode sim se interessar por você.

Esse lance de achar que homem é prêmio me lembra uma amiga da minha mãe que dizia: ser divorciada, ser largada, ser traída, tudo é melhor do que ser solteirona, porque a divorciada pelo menos teve quem a quis um dia ( !!!!! ). How sad is that? Mas isso já é papo pra outro post.

terça-feira, abril 7

No time at all

Tenho uma apresentação monstruosa para fazer para a diretoria toda na semana que vem, estou me arrancando os cabelos, pois é minha primeira vez nesse novo portfolio. Meus colegas demoraram 1 tarde pra fazer a deles, eu já estou trabalhando na minha há 3 dias. Hoje eu estava tão desesperada de manhã, que sinceramente pensei que com um trabalho mais simplezinho a grana seria mais curta mas a encheção de saco seria menor. Estou muito, muito, muito estressada.

Não tenho entrado na internet porque estou obcecada com os livros da quadrilogia Twilight. ( SPOILER ) Já tinham me dito que a heroína virava vampira só no quarto ( e último ) livro, então eu estou lendo compulsivamente desde a noite de sexta. Estou terminando e quarto livro e senhor, que ansiedade. Agora imaginem vocês, eu passei o domingo inteiro lendo sobre vampiros e lobisomens, fui dormir 1 da manhã, só o pó. Aí, meu querido marido tem uma cãimbra na batata da perna no meio da noite e ao invés de sofrer calado, desatou a gritar feito um louco, eu juro pra vocês que não sei como ainda estou viva, tamanho o susto. Fiquei tão puta da vida que fui dormir no favelinha.

E só pra deixar vocês com inveja, sábado fui ver o nenê da Holandesa, e ele é uma gracinha. Não sei porque, mas me passou uma vibe de que ele vai ser um menino de ótimo humor. Fiquei pouco lá mas deu pra sentir o trabalho que dá. Se eu ganhar na loteria estadual eu até tento!

quinta-feira, abril 2

Décimo primeiro mandamento: não comprarás aos domingos

Quando eu digo que essa terra é lugar de gente estranha vocês não acreditam em mim...

Como vocês podem ler aí do lado, eu moro em Eindhoven, no sul da Holanda. Dizem que essa é a parte católica do país, mas em 6 anos eu não conheci uma pessoa religiosa, os colegas de trabalho do meu marido, meu marido, meus colegas de trabalho passados e presentes, todos se dizem ateus.

Eis que o supermercado AH de Heeze, uma cidade a uns 25 km daqui consegue uma permissão para abrir aos domingos, o povo todo em polvorosa, saiu até no jornal.

Na maior parte da Holanda, supermercados não abrem aos domingos, só mesmo no koopzondag, o domingo de compras. Há uma lei que permite que alguns supermercados abram em cidades turísticas, mas o resto não pode abrir. Esse supermercado de Heeze consegui uma licença para abrir aos domingos das 16 às 20 horas ( !!! ) e seria cômico, se não fosse trágico, ver a reação do povo.

A primeira opinião no jornal é de um padre, que claro, esconjurou a medida. Domingo deve ser dedicado à família e à prece, no recolhimento do santo lar. Ele só esqueceu de comentar que TODOS os botecos da cidade tem permissão pra abrir, e que saindo da missa, TODO mundo vai pro terrasje tomar vinho e cerveja. E fumar, feito uns condenados.

O jornal online abre espaço para comentários, e eu fiquei chocada ao ver que a grande maioria não entende o porquê de alguém querer fazer compras aos domingos. Teve uma santa alma que escreveu que desde o dia que ele começou a trabalhar não pode mais fazer as compras em paz. Isso porque no fim da tarde, os supermercados estão cheios com o povo que como ele trabalha. Aos sábados, o supermercado é pior que um purgatório, o tanto de dona de casa com a filharada e carrinhos de bebê intergalático é estarrecedor. Esse leitor ainda sugere que se o mercado não pode abrir aos domingos, que se crie um horário, tipo entre 17 e 19 horas, em que seja proibida a entrada de menores de 10 anos e maiores de 65, porque crianças e velhinhos ficam atravancando os corredores e atrapalhando a vida de quem não tem opção, a não ser comprar sua jantinha após o horário de trabalho.

Eu li esse artigo durante o almoço e eu ria tanto que meus colegas vieram ver o que eu estava lendo. O colega Fofow, lendo o artigo, disse que se tirassem os potes de apelmousse e wittebonen in tomatensap das prateleiras nesse horário, pelo menos a veiarada sumiria. Foi só gargalhada.

Eu nem sei o que dizer. Não passa na cabeça desse povo como é bom ter a opção, mesmo que você use pouco, mas saber que o mercado tá ali aberto praquele ovo do bolo que você esqueceu de comprar, ou praquele pacote de fraldas que acabou antes do tempo. Não passa na cabeça deles que pode ter um estudante que gostaria de trabalhar umas horinhas aos domingos pra ganhar uns troquinhos, ou um imigrante desempregado, pra eles, trabalhar aos domingos é impensável e se obrigatório, trabalho insalubre.

Ai ai ai... só me resta ficar aqui rezando pra "novidade" chegar logo à Eindhoven.

quarta-feira, abril 1

Bono de chocolate, enquanto uns gostam do biscoito, outros preferem o recheio!

Eu tenho uma listinha de coisas que quero mudar em mim, uma delas é ser menos crítica, julgar menos ( ou não julgar ) as pessoas. Vivo me policiando, afinal, velhos hábitos são difíceis de mudar.

Já há algum tempo leio o blog de uma menina que praticamente todas as semanas reclama do trabalho dela. Dá até um certo mal-estar a forma como ela fala que no dia seguinte tem que trabalhar. Essa mesma pessoa ainda reclama bastante da falta de grana, e não é para fazer extravagâncias não, é pra uma mexidinha na casa, uma viagenzinha extra, coisa corriqueira. Ao ler seus posts, sempre penso: caramba, manda CV, procura no jornal, se mexe, arruma outro emprego que você goste, que te pague melhorzinho... a vida é muito curta pra passar 1/3 dela num trabalho que não te dá prazer, não te realiza, e que por cima ainda paga mal. É legal, e não é pecado, ter uma graninha disponível pra alguns supérfluos.

E continuando a ler, pensava: pôxa, a menina arruma tempo e vontade pra malhar todo santo dia, arruma grana pra pagar academia, porque não equilibrar as coisas e ir 3 dias na ginástica e 2 num bom, e eu digo boooom, curso de inglês? E se a grana é curta, é melhor pagar um curso de inglês a pagar academia, afinal num lugar com clima tão ameno, perto da praia, não dá pra correr, andar, passear de bike, tudo de graça? Mantem-se a saúde e o corpo em dia, melhora-se o CV, com um pouquinho de boa vontade um emprego interessante, que te deixa alegre e te faz sentir valorizada aparece...

E nessa semana, ela evidentemente me deu uma indireta, dizendo pra leitora não ficar parada vendo Grey's Anatomy e reclamando do tempo frio e cinza e eu logo pensei: tome-cega Adriana, você julgou e acabou sendo julgada! Essa foi pra me lembrar que eu estou empenhada em não julgar mais, como dou essa bola fora?

Tão vendo, eu preciso me controlar melhor. Tá certo que eu pensei mas não falei ( nem escrevi ), mas tenho que parar de pensar, não é? Afinal, cada um sabe onde o calo lhe aperta, onde residem seus prazeres. Eu não conseguiria viver sem falar ou entender inglês, e do discurso histórico do Obama, por exemplo, entender só o "Yes, we can", nem com um emprego que eu não gosto e me faz viver com o dindin contadinho. Em contrapartida, aposto que a blogueira prefere a morte à viver com uma bunda do tamanho da minha ou com as minhas celulites.

Como diria a sábia Janilda, a empregada lá de casa: cada um é cada um, e coo bonito é só o da gente!

terça-feira, março 31

Chorei 10 litros

Cheguei do Marlei and Me, gente não há quem não chore. Até aqui, onde o povo não é a coisa mais emotiva do mundo, meio cinema fungava. E o meu irmão tem um labrador, o Bono, igualzinho ao Marley, e também foi uma peste quando filhote, agora tá mais comportadinho, então eu só pensava no Bono. Mentira, eu pensava nos meus meninos, pensava que quando chegar a hora eu vou me acabar de depressão. Espero que a vida ensine e prepare.

Esse é meu sobrinho-cão, Bono:




Sobre o Twilight, eu li o primeiro livro em inglês, e pretendo continuar os outros 3. Aqui se acha facilmente os livros com capa dura, e são caros, cerca de 20 euros cada. Eu prefiro comprar os pocket version, com capa mole e papel reciclado, pois o conteúdo é o mesmo e o livro custa a a metade. Sobre o filme, eu gostei. Não é super fiel ao livro, mas os atores são ótimos, a fotografia ótima ( a Forks do filme é mesmo suuuuper verde e meio claustrofóbica como descrito no livro ), a trilha sonora muito boa. O filme conseguiu passar aquela tensão, ele vai transformá-la em vampira ou não, eles vão se beijar ou não? Infelizmente alguém em contou o fim do quarto livro, mas os outros eu não sei. Encomendei o segundo e quando eu pegar na livraria, encomendo os outros dois. Quero pegar só no sábado proque eu sei que não vou parar de ler um segundo, e vai atrapalhar meu resto de semana.

Estou aliviadíssima ao saber, pela Marina, que há uma possibilidade da Lizzie e do George ficarem no Grey's Anatomy. Sei de onde começou o boato, e foi o tal Perez Hilton. Aliás, vou tirar o link dele daqui, o cara é um cyber-bully. Acho os comentários sobre a roupa do fulano, as banhas da ciclana razoavelmente inocentes, afinal ele pode dizer que o cabelo da Atriz X é horrivel e eu posso discordar. Mas ele inicia boatos que devem ser muito prejudiciais para a carreira desse atores, e isso é grave, muito grave. Ele tem ódio mortal da Miley Cyrus, escreve horrores dela, e a menina é menor de idade! Ridículo um marmanjo de sei lá quantos anos azucrinando uma menina porque ela tem um namoradinho gostosão 3 anos mais velho. E quando ele gosta da pessoa, como a Lady Gaga ou a Kate Perry, a pessoa pode plantar bananeira de vestido sem calcinha em pleno Hollywood Boulevard que ele acha lindo. Anyway... o link se vai...

E acho que minha fase diarinho chegou ao fim, amanhã volto ao batente.

Ai ai, foi bom enquanto durou.

Piuí abacaxi

Eu ía pra Amsterdam hoje, o dia tá lindo! Mas só de pensar em entrar no trem... Vontade zero de andar de trem. Então vou ficar por aqui e ir ao cinema, comprar comida pro gato, andar pelo centro da cidade.

Esse fim de semana os dias livres foram produtivos no campo "filmes assistidos". Fui assistir Confessions of a Shopaholic, e é legalzinho, dá pra dar umas risadas. Em casa, assisti Twilight, que é razoavelmete diferente do livro ( o livro é muito melhor, claro, e impossível de parar de ler ), mas que é muito bom, obscuro na medida certa, com um soundtrack fantástico, e quem diria que o Cedric, amiguinho do Harry Potter ía virar um vampiro gostosão? Assistimos ( Bart e eu ) 007 Quantum of Solace e achamos, de longe, o pior 007 movie ever, eu dormi e ele até aprendeu a rezar, só pra pedir pro filme acabar logo. Daí assistimos o Boy in a stripped pijamas, que filme triste, Deus do Céu! Pra mim, chega de filmes sobre a segunda guerra mundial.

Com esse dia bonito não vou ficar em casa, está ainda fresco pra andar de moteeenha, mas com um bom casaco é ótimo, o sol batendo na cara, o vento nos cabelos... Então vou comprar a comida dos meninos, e vou pro centro olhar vitrine, o que me faz andar bastante e consumir moooitas calorias. Cada um faz o exercício que gosta, certo? E vou assistir War Brides e se der tempo Marley and I.

Meu Twilight 2, New Moon está encomendado e eu estou contando os minutos pra chegar. Engraçado que nesses 6 dias em casa eu desliguei completamente dos meus problemas do trabalho. Ficando em casa dá pra entender como quem não trabalha não percebe a gravidade da crise. Crise, nesses 6 dias foi só um assunto pra debate na CNN, fácil de passar batido. Tá certo que nas entrelinhas, dá pra perceber o leve desespero também do comércio varejista: alguém aqui na Holanda já viu "opruiming" ( liquidação ) em Março? A V&D foi de Pijzen Circus mesmo, o nome que usa pras liquidações de Junho e Dezembro todos os anos. Já a Bijenkorf, magazine de marcas famosinhas, inventou uma tal de "Maffe", que eu não faço a menor idéia do que quer dizer. Só sei que vi o livretinho e me interessei por maquiagem Max Factor a 2,50 euros "a piece" e os palitinhos cheirosos da Rituals por 14 euros. Só.

E agora me vou. Banhinho, perfuminho e rua. Meu último dia de férias compulsórias. E amanhã é voltar pro batente. Graças a Deus que tenho ainda "batente".

domingo, março 29

Shopping Spree? Até parece...

Adriana foi à compras. Liquidação da V&D. Dois sapatos da Esprit, umas meias e só. Aqui liquidação vale a pena, não é essas liquidações pra inglês ver do Brasil.

Fondue. Twilight, que adorei, adorei, adorei. Recebo cartinha da Disneyworld Orlando: promoção pague 4 noites e fique 7, hotel e ingressos incluídos. Babei. Mas não rola, pena.

E esse ano não vou fazer meu tradicional banquete matutino de Páscoa adiantada, estamos um buchos, temos que fazer é jejum. Mas é difícil resistir. Queria muito, muito e muito, um ovo de Páscoa Ouro Braco, apesar dos daqui serem ótimos, amava o ovo meio preto, meio branco, com meu bombom favorido.

Ai ai ai...

sexta-feira, março 27

Balas de leite Kids, a melhor bala que há, bala de leite kids, quando o baleiro parar...

Hi hi hi, a Dona na Daslu foi presa e condenada à 94,5 anos de xilindró, prisão perpétua, né não? Achei bem feito, a ganância dessa criatura e do irmão são imensuráveis, however, eu tenho uma pergunta: como é que por crime de colarinho branco ela pega prisão perpétua, e o Guilherme de Pádua, que matou a Daniela Perez com sei lá quantas facadas, em 10, 15 anos tá livre leve e solto?

*

Vou falar baixinho: parou de chover... E Bart tirou o dia livre. Vamos pro centro procurar suéteres pra ele, comer em algum café, e quem sabe rola um cineminha?

*

Ty é o alfa-male aqui da gataria, só que o Plato é muito, muito melhor nas táticas de luta, e Jesus, como eles lutam. Hoje vi a mais nova tática do Plato: ele espera escondido e pula com tudo em cima do Ty. Super elegante, dois gatos de 9 quilos de batendo pelo chão. No fim, é pêlo pra todo lugar e adivinha quem tem que limpar?

*

Ontem assistimos o último episódio de LOST. Gente, está fantástico, pena que parece que vai ser mesmo a última temporada. Vou sentir muita falta!

*

E para os fãs de Grey's Anatomy, rola nos sites de fofoca a novidade que a Lizzie sairá do seriado, e agora falam que o George também. ( SPOILER ) Na história, Lizzie acaba de descobrir que está com Melanoma que metastisou, as chances de sobreviver são de 5%. De alguma forma fico aqui torcendo para ela sair dessa, pois adoro a personagem dela, e acho terrível que tirem da trama uma das atrizes principais.

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E que fim levou a história do Dado Dollafeia? Continua no xilindró?

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Povo que mora na Alemanha: um fornecedor em falou que com o tal incentivo de 2.500 euros na troca do carro usado por um novo, que tem gente comprando carro zero por 5 mil euros, é verdade? Ele me disse que a cunhada comprou um Dacia, negociou de 8.500 euros por 7.000 euros, deu o carro velho dela, pagou pra emplacar, e saiu de carro zero por 5 mil euros. Tô passada de inveja.

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Pra quem tá na Holanda: liquidação! Vai ter prijzen circus na V&D a partir de amanhã, e a partir de 1 de abril, liquidação na Bijenkorf. Na Bijenkorf tem aqueles palitos de cheiro da Rituals por 14 tutus. Confiram online. Eu vou de sapatinho da Esprit na V&D, de palitos e maquiagem Max Factor ( Euro 2,5 ) na Bijenkorf. E mais nada, porque a hora é de passar a pão e água.

*

E é sexta, vamos aproveitar o findi, e começar a próxima semana com pé direito. Segunda quero ver se vou pra Amsterdam. Vou ver Starry Night. Mas já disse isso, né não?

quinta-feira, março 26

Zipadi Zapidi Zum

Acordei às 8 e fiquei uma meia hora debaixo do chuveiro tentando decidir o que fazer. Arrumar a casa, que está uma zona? Lavar roupas, incluindo as roupas de cama, principalmente as de solteiro pra cama do favelinha, que estão encaixotadas há 2 anos? Temperar umas carnes e deixar tudo pronto para ir pra panela, e assim ter menos trabalho nos próximos dias? Ir ao cinema? Ir ao supermercado?

Só sei que decidi não estressar, e ir fazendo as coisas da casa devagar. Tenho que ir à um coquetel de aposentadoria de um dos gerentes, e apesar da vontade zero, não posso faltar.

Já arrumei lá embaixo, a cozinha estava um desastre! Montei a cama do favelinha de novo, porque estava faltando umas traves e ela estava toda bamba. Catei as roupas que tenho que lavar e já deixei separadas, prontinhas pra máquina ( a máquina tá com roupa do Bart ).

Só sei que aos poucos vou fazendo boa parte do que me propus, e dá uma sensação maravilhosa de não ter coçado o dia inteiro. E amanhã farei mais um pouco, antes de ir pro cinema.

Às vezes, nos meus momentos de stress penso que eu critico tanto, mas bem que seria fantástico ter um marido ricaço ( ou ser ricaça de berço ) e não fazer nada, mas gente, tô morrendo de tédio! A pessoa tem que ter estrutura até pra usufruir o ócio, porque no esquema que eu tô não dá! O ócio tem que ser um ócio motorizado, tem que ser um ócio com TV a cabo, tem que ser um ócio com muitos DVD's ou filmes piratões... Porque senão a pessoa fica louca, babando, sem falar que emburrece!

Agora deixa eu ir lá dar mais uma ajeitadinha na minha sala com mesinha de vidro suja... Adriana é que era mulher de verdade, e não a Amélia!

terça-feira, março 24

Geen Paniek!

Paniek, paniek, paniek! Quem não estava preocupado, ficou. A empresa fez mais uma "sessão de descarrego", digo, "sessão de informações". Mostrou os números dos nossos concorrentes, do mercado, falou do ( praticamente inexistente ) suporte do governo, e fechou com a mensagem: estamos negociando com o sindicato a "adequação do quadro funcional aos números do mercado". Resumindo: mais facão à vista!

O presidente da empresa ainda informou que no segundo trimestre foram programados 12 dias sem produção, e no ar mais blazé pediu pro povo tirar "férias" quinta e sexta agora. Nós, de compras, voltamos pro departamento absolutamente perdidos, já que a carga de trabalho aumentou consideravelmente, e parar dois dias nos parece inviável. O diretor avisou: não se aplica a vocês, nós temos que continuar com todo o gás, e não deixar a peteca cair. * Adriana esbugalha os olhos e reza para que o facão também não se aplique a nós. *

UPDATE: Acabamos de ser chamados na salinha para ouvir que dia 26, 27, 30, 31 o prédio estará fechado, sem aquecimento ou energia elétrica, que temos cancelar TODOS os nossos compromissos e tirar esses dias de férias. Paniek paniek paniek!

Minha estratégia continuará sendo trabalhar bem e ser otimista. Vários coleguinhas estão já fazendo entrevistas em outras empresas. Eu ficarei aqui torcendo por eles, pois quantos mais sairem, mas chances de eu ficar.

domingo, março 22

Dizer o quê?

Tem horas que eu sinto falta de ser uma kardecista mais praticante, de ter um centro pra frequentar, ter com quem conversar sobre a doutrina. A verdade é que ando me sentindo sozinha ultimamente, e ando pensando que ter alguém para segurar minha mão e dizer que tudo vai se ajeitar, me acalmaria bem.

Hoje lembrei que em breve farei 36 anos, e sinceramente acho que é o meio da minha vida. Tenho cá pra mim que não chegarei a ficar velhinha.

Ao pensar "na metade da vida", me deu um desespero, uma vontade de sair correndo... porque sei o que não quero, mas não sei o que quero. E o que eu acho que quero eu não tenho coragem e nem forças para ir atrás.

Ando num cansaço fenomenal. Não tenho feito nada, nada, nada. Chego na empresa na segunda e sempre ouço: o que você fez no fim-de-semana? É mania de holandês... E dicidi que amanhã vou mentir e dizer qualquer besteira. Digo isso porque eu sempre falo ao rapaz que não fiz nada de interessante, e ele já deve estar pensando que eu estou é sendo "anto-social" e não quero me abrir com ele. Mas a verdade é essa: mais um final de semana se passou e eu não fiz nada.

"ma quel piccolo dolore
che sia odio, o che sia amore,
passerà..."

sexta-feira, março 20

Ah, o Brasil...

Olha, eu não gosto da Luóóóna, mas amei ela ter dado queixa do Dado Safadão, e amei mais ainda ele ter ido parar no xilindró. Talvez, se ele tivesse ido ao tal camarote de carnaval na dele ( pergunta: como é que ele ainda consegue convite pro super-disputado camarote da Brahma, ou não é mais super-disputado? ), tivesse mantido certa distância da Luóóóna, acho que ela ía ser coerentezinha e deixar o rapaz na dele, mas ele tinha que ir fazer piadinha, com a trena na mão... Olha, eu no lugar dela teria feito o mesmo, teria mandado prender o meliante. Como li no Katylene, Luóóóna deve estar bem linda, bem tudo, no sofá "riko" dela, assistindo o Dado dividir cela na cadeia com outros 15 presos. Se pelo menos 1% das mulheres agredidas no Brasil seguirem o exemplo da moça, já justificou a gente aguentar a malíssima que ela é.

E como disse Marcita, Clô morreu - vai chover purpurina. Faz séculos que não sei nada do Clô, não sei se foi bom político depois de eleito, não sei nada. Morreu novo. Ah, that's life.

Estou terminando de ver o seriado Amazônia, da Gloria Perez. Farei aqui minha humilde crítica. Dizem que o seriado não deu muito Ibope, e é pra mim fácil de entender. Não houve um bom balanço entre a parte "histórica" e a parte novelinha romântica. Não adianta, o povo assiste mesmo mais pelo romancezinho do que pela politicaiada toda, e tem capitulos que 75% é política e combate, um porre.

O seriado tem duas fases, e foi uma burrice da Glória Perez ter deixado alguns dos personagens principais sumirem da segunda fase. A gente começa a segunda fase, e vendo que é tudo novo, pensa: putz, começar tudo de novo? Além de que, só vi um monte de atores novos, a maioria ruim. Muitos atores antigos, alguns bons. Agora, digam uma coisa, o que é aquele Jackson Antunes, ou algo que o valha? O cara só faz papel de capiau, sempre a mesma cara de boitatá!

E agora me vou que é sexta, tá solzinho e eu vou sair mais cedo!

quinta-feira, março 19

Na crise, enquanto um chora o outro vende lenço

Com essa credit crisis eu fico pensando... será que a causa não foi esse modismo desenfreado de todo mundo querer ganhar um dinheirinho fácil? Será que o mundo tem dinheiro o suficiente para todos nós, ou a estrutura pobre-remediado-rico é indispensável pra manter a economia sob controle?

Quando eu trabalhava na Arvin Meritor, meu primeiro emprego aqui, conheci o dono de uma pequena empresa na França, que sempre que a gente falava pra ele expandir, colocar uma filial na India ou pelo menos no Leste Europeu, nos dizia que ele gostava do negócio dele pequeno e controlável, que ele aprender do pai, e o pai do avô, a nunca emprestar dinheiro para expandir, e nunca usar lucros só para benefício próprio sem expandir. Ou seja: não páre, mas não dê o passo maior que a perna. Todo mundo achava que o cara era comodista e não tinha visão.

Nesse meu portfolio novo, quem é meu fornecedor? O francês. Ele veio me visitar, e me disse: lembra do que eu falei? Tá difícil pra todo mundo, mas pra quem como eu, não tem empréstimos e tem um bom capital, fica mais fácil sobreviver à crise. E ele tá certo, muitos concorrentes dele já quebraram ou estão à beira de.

Agora que a crise atacou, tá todo mundo preocupado em sobreviver, mas antes disso, repararam como tava todo mundo querendo fazer um lucrozinho fácil?

Segundo a família no Brasil, investir na bolsa tinha virado febre por lá. Temos até um amigo da família ( padrinho da minha sobrinha ) que deixou o emprego para "administrar os investimentos", porque tinha tanto investido que ganhava mais investindo bem do que trabalhando. Meu sobrinho de 13 anos investiu a poupança "presente" dele na bolsa ( desde os 7 anos ele não quer mais presentes, prefere dinheiro para colocar no banco ), e até minha mãe, uma senhora aposentada, investiu ( e perdeu ) bastante dinheiro na bolsa.

Minha opinião pessoal sobre investir na bolsa: é o mesmo que ir a um cassino, e vicia igual. Acho que é vício porque muitas pessoas perdem a cabeça, vide a Marta Stewart, que foi pra cadeia por causa de 25 mil dolares, quando o patrimônio estimado dela é de quase 1 bilhão. E checam seus investimentos 3, 5, 10 vezes por dia, viram escravos!

E me espanta ver a ganância do povo que acha que vai fazer grana fácil. Quando o Icesave quebrou, mostrou no jornal o desespero e a indignação de um cara que vendeu a casa dele com 150 mil de lucro, pagou a hipoteca e como ainda não tinha achado uma nova pra comprar, colocou o lucro de 150 mil no banco. Ao ver o tal Icesave pagar quase o dobro dos juros dos bancos normais, colocou TODO o lucro nesse banco. O banco quebrou, e ele estava chorando, desesperado na TV dizendo que agora não consegue comprar uma casa novamente porque pelas leis daqui, se você teve lucro com a venda de uma casa você tem que aplicar aquele lucro na próxima, logo aquele valor não é financiável, mas cadê o lucro do cara? Agora me digam: quem é que, sabendo que depende daquela grana pra comprar uma casa, coloca todinho o capital num banco estrangeiro, via internet? É muita ganância!

No ano passado, quando eu coloquei a casa para vender, um cara de outro departamento me ouviu falar, checou minha casa no funda.nl e veio aqui me dizer que minha casa estava muito barata, que se todo mundo fizesse igual, ninguém tinha lucro. Minha casa estava sendo vendida pelo preço que o agente imobiliário indicou, e eu ía ter um bom lucrozinho. Olhei a casa dele e achei a casa dele exorbitantemente cara, e a julgar pelo tempo que estava à venda ( 5 meses ), não fui a única. Só sei que vendi minha casa em um mês, assinei o contrato exatamente quando a crise atacou, até hoje dou graças ao bom Deus por ter vendido a bendita e não ter agora que me preocupar com dois financiamentos. O cara? AINDA não vendeu a casa dele, mês que vem faz 1 ano que está à venda. Ah, e não abaixou o preço! Encontrei o sujeito no corredor e ele veio: nossa, que azar a gente deu, né, colocar a casa a venda bem na crise... eu olhe pra ele e disse: eu dei é sorte, vendi minha casa em um mês, pra um casal que me comprou até as cortinas, tive um bom lucrozinho e estou na minha casa nova livre de hipoteca dupla. Só ouvi: nossa, sorte mesmo... Agora eu pergunto: sorte ou fui menos gananciosa?

Sei lá, pode parecer falta de visão minha, mas eu acho que o que vem fácil, vai fácil, e para mim, a dor de cabeça não compensa.

quarta-feira, março 18

Enough is enough

Ontem, uma tarde linda, hoje um frio e uma neblina que não se enxerga a ponta do sapato. Claro que ao ver tudo horripilante assim, já veio aquele momento deprê, lembrei da blogueira que mora no sul da Espanha e já desengavetou o biquini. Mas... I kicked my own butt, picked myself up, dusted myself off... Chega de ficar de chororô por causa do frio, Jesus! Afinal, eu sou paulista paulistana, ou um rato? É lá que a gente encara a garoa, o frio, a poluição, os congestionamentos monstro, tudo porque ganhamos melhor, temos mais possibilidades de carreira que em outras cidades do país. E no fim, sou mesmo uma prostituta, me vendo por grana, gosto do calorzinho e do solzinho, mas gosto ainda mais do meu salário gordinho. Estaria ainda mais infeliz trabalhando o tanto que eu trabalho pra ganhar 1000 eurocontos no fim do mês, mesmo que o sol rachasse mamona lá fora. Logo, eu mereço e tenho que aguentar calada. Tô certa, ou tô certa?

Deixa eu contar um dos truquezinhos para driblar a Depressão de Inverno. Eu não tomo sol no rosto nunca, nunca mesmo. Sempre compro o protetor mais potente, e o faço porque minha avó já teve suspeita de câncer de pele, então não vou facilitar. Então estou sempre pálida, e no inverno fico ainda mais. Experimentei aquelas loções ligeiramente auto-bronzeadoras, mas não gostei do cheiro. Mas encontrei a solução: maquiagem! Eu nunca usei nada além de corretivo nas olheiras ( tenho muitas ) com um pózinho translucido em cima pra ficar sem brilho, um rímel, e às vezes uma sombra em lápis. Agora eu substitui o pózinho por um pó mineral, desses que agora estão na moda. O efeito "craquelê" que atacava lá pelas 3 da tarde foi totalmente sanado, e olha que meu pó mineral é simplezinho, da Maybelline. Aí, o pulo do gato, achei uma marca alemã baratésima que tem também blush mineral. Comprei uma corzinha "saudável" e aplico de leve, me dá outra aparência! O pessoal que vivia dizendo que eu parecia cansada não só parou, como agora até elogia "minha aparência saudável", a secretária me perguntou se eu estava tomando vitaminas. Hahahah, vou confessar que é maquiagem? Necas! Disse que estou tomando guaraná em pó, planta brasileira funciona mesmo!!!! Mas o simples fato de não ter mais cara de doente ajuda!

Eu sempre achei que a "qualidade" do nosso envelhecimento dependesse de quanto nos tratássemos, creminhos, comidinha saudável, sombrinha fresca na praia... E apesar de ainda achar que isso tudo tem uma grande influência, acho que o principal é mesmo ter um bom DNA. Vejam a Vera Fisher. Estou assistindo ao seriado Amazônia, gente, a mulher tá linda! E olha que ela tem histórico de fumo, de alcool, drogas. Ela fez mil plásticas? Deve ter feito, mas a Cristiane Torloni, que está no mesmo seriado, também fez e mesmo assim já tá meio maracujá de gaveta. Minha família, de ambos os lados, envelhece sem graciosidade nenhuma. No fim do ano vi meu pai e me assustei, ele parece bem mais velho que os anos dele. Tenho que me cuidar mooooito.

terça-feira, março 17

Coisas Bizarras na Vida de um Imigrante

Então, ontem foi a reunião dos "vizinhos".

Eu esperava que a reunião fosse mais "pá-pum", mas não, todo mundo chegou e foi tomando chazinho, aguinha, batendo papinho, musiquinha no stereo, luzinha ambiente. E eu lá, cansadésima, querendo só resolver o assunto da cerca e ir colocar o pijama. Mas a bem da verdade, os vizinhos são legais dentro dos limites ( não viraremos bff, mas podia ser pior ), e a dona da casa tem um gatinho "Sheba" filhote, que foi para mim, a melhor parte da noite.

Mas chazinho vai, vinhozinho vem, demorou umas 2 horas pra entrarem no assunto da tal cerca, e é claro quem o fez foi a N., a vizinha que quer a cerca viva. E, achando que ali ninguém está acostumado com discursozinho manipulador, começou: eu sei que vocês responderam que querem tudo fechado imediatamente ( ironizando o fechado imediatamente fazendo vozinha de gralha ), eu gostaria que todos considerassem a opção da cerca viva, que deixaria tudo uniforme, sem falar que dá uma sensação de amplitude, e blá blá blá. Acostumada com o jeitão direto dos holandeses, que muitas vezes nós imigrantes achamos até rudes, fiquei esperando algum dos meus vizinhos dizerem que não gostaram da opção, uma vez que por conversas anteriores ( individuais ) eu sabia que era esse o caso. Mas para minha surpresa, ficou todo mundo ali calado, desviando os olhos para o chão, esfregando o pézinho no piso... Passou-se quase um minuto de silêncio constrangedor, e quando eu percebi que a N. ía já iniciar o discurso vencedor, eu não aguentei e me manifestei: olha, para mim cerca viva não é opção, o T. ( vizinho do lado ) tem um labrador, eu dois gatos, o cão vai ver os gatos, vai latir, os gatos se estressarão, isso não é vida. E N. disse: mas a planta cresce. E eu: demora dois anos, dá trabalho, junta bicho, os gatos podem subir por ela, não, não é opção pra mim. E o T. balançou a cabeça dizendo que concordava e que além do cachorro era preferência dele fechar tudo. A vizinha "transversal" C., que parece um quati mudo ( não ouvi uma palavra dela a noite toda ), também balançou a cabeça positivamente, e assim ficou decidido que seria tudo fechado. Entretanto, encurtando a história, pra deixar a N. menos infeliz, porque ela estava com uma cara de que tinha morrido alguém, o povo deixou ela escolher o "pal", e ao invés de concreto antracite, ela escolheu madeira "nobre". Agora vejam só, eu vou pagar mais ( a tal madeira é carésima ) pra ter uma coisa que não é minha preferência. Mas se ninguém quis se manifestar, decidi que não serei eu a chata. No fim, NINGUÉM saiu de lá 100% feliz com a escolha, já que a N. queria cerca viva e os outros 3 concreto com madeira, mas não houve indisposição entre os vizinhos.

O que mais me surpreendeu, é que parece que o povo tem medo do vizinho. Fiquei surpresa e desapontada com o medo de conflito deles. Sinceramente, eu espero que sejamos agradáveis uns com os outros, mas não busco amizade de jantarzinho e bate-papo com eles. Espero mesmo que a história da cerca seja a separação final, e que eu possa viver minha vidinha e decidir o que colocar na minha casa com meu marido e só.

segunda-feira, março 16

O Noé que era feliz, não tinha vizinhos II

Então, pra quem se lembra da pindaíba da cerca do jardim...

Como não se chegou a uma decisão unânime, vamos nos reunir na casa da vizinha que quer a cerca viva pra decidir a parada. Nenhum conflito "aberto", todo mundo querendo ser amiguinho, mas eu SEI que vai rolar uma tentativa de convencer o grupo que aquela idéia estapafúrdea é a melhor. Saco pra tal reunião: zero.

E acabei de chegar, já nesse humor, vem um Hans Mané me pedir para assinar uma "petição". Lembram-se que eu escrevi aqui o meu desgosto com o número de carros na nossa rua, que mais parece que eu vivo no meio de um estacionamento de shopping do que numa vizinhança "cara", e que graças a Deus íam plantar umas arvorezinhas? Então, plantaram as árvores, lindas, grandes, ainda peladas, mas vai ficar um espetáculo. Cada árvore é tão grande que ocupa o espaço de uma vaga de carro, o que é ótimo. Aí vem o Hans Mané querendo registrar queixa na prefeitura CONTRA as árvores, pedindo que sejam retiradas e que voltem a ser lugares para estacionar, que isso aumentaria o wooncomfort ( algo como "conforto da moradia" ). Gente, eu fiquei bege.

Peguei a lista e cruzei o NIET AKKORD e no campo de observação, escrevi: lugar de carro é na garagem. O cara ficou possesso. Me disse que é esse justamente o argumento da "comissão de embelezamento" da cidade, que um bairro onde todas as casas tem 1 garagem e 60% tem adicionalmente também um "oprit" ( um tipo de garagem descoberta ), não há necessidade para tantas vagas públicas. E o argumento do vizinho e dos que concordam é que a garagem é propriedade privada e cada um faz o que quiser com a sua. E ele continuou dizendo que já que as casas não tem uma casinha de jardim, o jeito é colocar os artefatos de jardim na garagem, por isso vivem lotadas. Eu abri a minha garagem pro homem: duas bicicletas, uma moteeenha, dois containeres de lixo, prateleiras com cortador de grama elétrico, podadeira elétricas, tesouras, facões, pás, cadeiras de praia, cadeiras da mesa do jardim, estofadinho da tal cadeira, vassourona, mangueira, churrasqueira. Tudo organizado, e há espaço ainda folgado para o carro. O homem não gostou. Eu terminei: senhor, eu não posso colocar uma linda árvore na minha garagem. Lugar de carro é na garagem, não no jardim público. Jardim é lugar de árvore.

Estou de saco absolutamente cheio do povo metido desse bairro. Povo que não deixa o filho ir à escola tinindo de nova do bairro porque tem turcos. Povo que deixa seus carros na rua e a criançada tem que ir brincar no barro da construção ao lado. Povo que prefere asfalto a árvore e florzinhas. Isso aqui é gente muito, muito, muito estranha.

domingo, março 15

When the sun comes up, everything is comforting...

















Piolhão-Mor (que se recusa a sair em fotos), piolhinhos peraltas e peludos, patê de atum igualzinho ao da minha mãe, seriado brasileiro com petisquinhos, brownie preto que nem pixe, plantinhas que nunca morrem...

Comforting or what?

sábado, março 14

Respostinhas

Fe: eu acho sim que criança precisa de estabilidade, como eu cito, ter amiguinhos constantes, não mudar muito de escola. Rafa tem 3 anos, mudanças de casa ainda não a afetam, mas eu tenho certeza que quando ela tiver 7, numa boa escola, com amigos legais, com aquela vidinha social de criança, que você vai tão facilmente mudar de um lado para outro.

Márcia: eu não entendo muito to sociale woning aqui, só sei que minha antiga empregada se inscreveu em Roermond ( sul da Holanda, menos concorrido ) e já estava há 5 anos esperando. Eu moro ao lado dum bairro 100% sociale woning, e o nível do povo é bem baixo, não querendo ser esnobe mas já sendo. O governo está agora reformando todas as ruas e fachadas desse bairro, porque a cidade toda reclama. Não seria algo pra nós.

Holandesa: acho que você não entendeu meu post. É óbvio que qualquer controle social de natalidade é hediondo, como a política de 1 filho chinesa. O meu ponto é que as pessoas deveriam ter mais bom-senso na hora de ter filhos e não fazê-lo quando vivem com recursos financeiros muito limitados. Emprego fixo perde-se? Claro. Depois que TODOS os temporários perderam, vide a situação na sua empresa e na minha, e em qualquer outra, quem foram os primeiros a ganhar a rua? Casa perde-se? Clááááro, mas você mesmo me disse que tem um seguro para o caso de perder o emprego. Isso é possível numa casa de aluguel? O meu ponto é que todos nós, que não somos ricos, vamos passar por altos e baixos financeiramente, mas os pais deveriam proteger os filhos de passar pelo stress com eles. Em casa, quando eu era criança, várias vezes tivemos que apertar o cinto, mas o que eu e meu irmão notávamos é que o Restaurante Demarchi sagrado dos domingos era abolido, que minha mãe comprava menos roupas pra gente e quando fazia eram mais simples, que no supermercado podíamos escolher um tipo de "Danone" e um tipo de salgadinho...

E será que os exemplos da minha família são exceção ou regra? É só na minha família que neguinho perde emprego sem ter um puto na poupança e vem pedir dinheiro emprestado para coisas básicas como pagar a conta da luz? É só na minha família que a tia vem pedir ajuda pra comprar material escolar? É só na minha família que faz-se a "casa dos fundos" porque não tem mais nem como arrumar fiador pra conseguir alugar uma casa? Me desculpe, mas eu vejo sim gente simples que rala, paga aluguel, tem 3 empregos, e acaba criando razoavelmente bem seus filhos, mas vejo no Brasil muito mais gente com nome no SPC, com contas atrasadas, vendendo vale-transporte pra comprar a janta, e os filhos que deveriam estar curtinho a infância, estão preocupados se vão ter ovos de novo no jantar.

sexta-feira, março 13

Inho inho inho

Eu tenho uma teoria, que muitos não gostam, aliás.

Quando a gente imigra pra cá, tem uma série de "quesitos" que o responsável holandês tem que preencher. Ter um endereço, emprego com contrato fixo, ganhar 20% acima do salário mínimo. Eu acho que lei semelhante deveria ser criada para quem quer ter filhos. Sei lá qual seria a forma de controle ou punição, mas que deveria haver um sistema, isso devia.

Eu acho que o casal só deveria ter filhos quando tivesse uma casa própria. Eu acho que o casal só deveria ter filhos se tivesse um montante X na poupança. E que o casal deveria ter uma renda mínima X.

Uma das minhas tias viveu 22 anos de aluguel. Quando meus primos eram pequenos, começavam a se adaptar a uma escola, fazer amiguinhos, já tinham que mudar porque o dono pediu a casa, ou porque não concordaram com o aumento do aluguel. Eu e meu irmão, que sempre moramos na mesma casa, temos até hoje os amigos de infância, as famílias até se tornaram amigas, um é padrinho da minha sobrinha. Mas meus primos não tem nada disso, os coleguinhas foram ficando pelo caminho antes de virarem "amigos pra vida toda". Triste isso.

Outro tio nunca teve emprego fixo, queria ser "chefe dele mesmo". E sem renda fixa, não havia planejamento. Um dia, chegávamos lá e as crianças estavam chorando porque tinham comido arroz com ovos a semana toda, noutro dia minha tia estava fritando 1 kg. de bifes para 4 pessoas: ah, estamos morrendo de vontade de comer carne, fazem 2 semanas que não vemos carne. E minha mãe aconselhava: coma um bife cada e guarde o resto, ou com a grana compre frango, carne moída, para não passarem o resto do mês a base de ovos. Mas a resposta era sempre a mesma: ah, agora a oficinazinha "tá dando". Duas semanas depois as crianças estavam chorando de novo...

E quem quer ter filho, tem que ter uma reservazinha de dinheiro. Crianças adoecem, um carro quebra, uma geladeira pifa, emprego perde-se, e quem sempre paga o pago são as crianças. Meu pai sempre socorria um parente "precisado". Pagavam sempre, em suaves prestações, mas se não pudessem contar com a ajuda de alguém da família, íam ter uma vida bem difícil. Eu já tive que sair de casa beirando a madrugada pra ir dar cheque caução pra internar minha prima num hospital infantil. Os pais fazem cag*** e as crianças é que pagam o pato.

No fundo no fundo, o povo deveria é ter bom senso. Só isso.

E no Brasil, a gente pensa, ou pelo menos na minha família pensamos, que a gente deveria dar aos filhos o mesmo que tivemos ou mais. Meu irmão às vezes se queixa que ele se esfalfa tanto pra dar o que "a gente não teve" e que a piscina, por exemplo, fica dias e dias sem ser usada.

Aqui na Holanda, meu conceito sobre os meios financeiros necessários pra criar um filho mudaram muito. Continuo achando que casa-emprego-poupancinha são fundamentais, mas alguns dos meus colegas tem contado as infâncias deles, e estou revendo meus conceitos.

M., de 24 anos, conta que o pai era padeiro e a mãe dona de casa. No Brasil, padeiro ganha salário de fome, mas aqui é uma profissão normal, remunerada como qualquer outra. Ele diz que teve uma infância sem muito dinheiro, mas perfeita, em todos os sentidos. Sempre moraram na mesma casa e os 3 meninos dividiam um quarto. Esperavam ansiosos abril e maio chegar para colher aspargos e morangos na chácara do vizinho e ganhar um dinheirinho ( hoje muita gente torceria o nariz para o "trabalho infantil"). Uma vez por mês íam ao cinema, e os 3 tinham bicicletas pra ir pra escola, claro. Hoje os 3 são engenheiros, vivem felizes. Aqui, isso é possível, no Brasil, será?

Às vezes penso que aqui na Holanda a pobreza pode até ser "romântica", no Brasil, geralmente tende à tragédia. Mas isso sou eu, tem gente que acha que no Brasil tudo é possível, ainda que casos de gente que saiu de uma família pobrezinha e se deu super bem sejam gigante minoria ( eu conheço uns pares e olha lá ).

Aqui, uma criança não depende dos meios financeiros do pai pra ter acesso a certas coisas, tipo uma escola de inglês, um curso de piano / balé, ir à um museu. Normalmente tem tudo à disponibilidade na escola, ou não vivem assim tão apertados que não possam pagar uma escola de dança. Já no Brasil, na minha família mesmo vê-se que por termos tido acesso à melhores escolas e cursos complementares, eu e meu irmão tivemos também oportunidades melhores na vida. Acredito que um dos filhos da Janilda vá ser médico? Jamais diga jamais, mas muito provavelmente jamais.

E todo esse post foi só mesmo pra contar a história do M. que é tão bonitinha e me foi contada de uma forma tão encantadora, que me deu até um pouco mais de fé na raça humana.

E tá solzinho ( inho inho inho ).

quinta-feira, março 12

And so it is...

Numa empresa qualquer do Sul da Holanda, K., 33 anos, vem andando pelo corredor com um bouquet de flores nas mãos.

Dri: - Olá K., que lindo bouquet, é seu aniversário?

K: - Não, ganhei porque foi confirmado hoje que estou grávida

Dri: - Oh, parabéns, então a L. ( filhinha de 9 meses ), vai ganhar uma amiguinha ou amiguinho pra brincar!

K: - É, e as idades vão ser mais próximas do que eu esperava. Minha idéia era esperar mais um ano, mas com essa crise, esse é o melhor momento. Até puderem me mandar embora ( em 13 meses ) a crise já passou!

Dri: - :oO

E isso mostra bem quão feia a crise está, e como as pessoas estão preocupadas. OT, o colega que senta na frente dela, estava pissaroca da vida, pois apesar de ser um fato corriqueiro da vida, o grupo deles ainda não se recuperou da gravidez anterior. É um grupo pequeno, quando ela saiu de licença maternidade contrataram um temporário que saiu da empresa dia 1 de março agora, pois achou um emprego fixo, ou seja, ele não pode voltar. E ela passou a trabalhar só 3 dias por semana, e como todos os budgets estão cortados, o budget para a outra meia pessoa foi cortado também.

E vou dizer o que me irritou no tal comentário de dois posts atrás. E vejam, eu sei que talvez o tal anônimo não tenha feito por mal, mas é isso mesmo o que me irrita, o machismo inconsciente de muitos. Se eu fosse um homem, mostrando aqui a preocupação em perder "meu ganha pão", o sustento da minha família, ninguém ía dizer pra eu relaxar e ir curtir a vida, todo mundo teria empatia pela minha preocupação. Eu não trabalho só porque gosto, trabalho porque preciso. Eu e o Bart ganhamos exatamente o mesmo, em casa não tem essa de "renda principal" e o outro complementa, a responsabilidade é 50-50, com o agravante de eu ser imigrante, ter direito a menos ajuda do governo, e ter muito mais dificuldade de arrumar um emprego novo.

Ah, Adriana, tenho certeza que você tem um plano B! Tenho? Qual seria? Aproveitar que não tenho emprego pra engravidar e ficar em casa brincando de casinha com a criança enquanto meu marido se esfalfa pra pagar a hipoteca da nossa linda casa? Ou vender nossa casa a troco de banana pra comprar outra mais barata? O plano B, C e D é colocar o terninho, pastinha com CV debaixo do braço, e ir de porta em porta fazendo entrevistas com gerentes que claramente preferem um lourão formado na TU/Eindhoven ( Delft, Enschede, name it ) a você, mulher, imigrante cucaracha, com diploma duma faculdade da qual eles nunca ouviram falar.

Preciso aqui descrever tudo o que passei para chegar onde estou aqui na Holanda? Foi uma luta Hercúlea, para a qual eu não estava minimamente preparada, da qual tenho calafrios só de pensar, e a qual não tenho forças para repetir. Como já disse antes, o gás acabou. Totalmente. Não resta mais nem um vaporzinho. Então digo, meu povo, meu plano B é ir para o Juquery holandês voluntariamente, pedir para me colocarem uma camisa de força macia e branquinha e me colocarem na igualmente macia e branquinha sala de isolamento, aquelas todas estofadas. E eu vou ficar lá, resmungando baixinho e babando compulsivamente.

quarta-feira, março 11

Hoje

Hoje cheguei, liguei para o colega, expliquei que a vaga está aberta, e me ofereci para marcar uma conversa informal entre ele e o meu diretor direto. Acho que esse é o meio-termo, uma ajuda light e educada.

Deixem eu explicar uma coisa. Para a maioria das pessoas, meu marido inclusive, a tal crise é uma coisa que acontece lá na televisão, quiçá seja uma fabricação maligna da CNN. Ali, ouve-se todos os dias que A, B e C estão demitindo, que a DOW está X pontos negativos, que as ações de tal empresona cairam X por cento.

Para alguns, a crise parece estar tão longe, mas tãããão longe, que a pessoa fica até felizinha dos juros variáveis da hipoteca estarem baixos, das ofertas do supermercado terem diminuido as contas do mês, assim sobre dindin praquela Plasma, ou pra uma viagem supimpa prum resort na praia.

A minha crise entretanto, começa no minuto que eu piso na minha empresa, e não me larga até tarde da noite, quando eu vejo as mesmas notícias que vocês na CNN.

Faliu o fornecedor de tetos, pânico pra achar outro fornecedor, trabalho dobrado, as coisas entrando nos eixos. Para mim situação mais ou menos sobre controle, mas para os 300 funcionários ingleses que acordaram um dia sem emprego e sem benefícios de "pacote de demissão", as dificuldades estão apenas começando. E eu os vi, na frente da empresa, tentando saber do curador, quando verão seu dinheiro em conta.

Na semana retrasada foi um fornecedorzão grandão do colega ao lado. De novo pânico, corre atrás de fornecedor novo, acha fornecedor novo, que é do meu portfolio aliás. A empresa está em "receivership", o administrador fica lá na porta da empresa que nem um guardião de história de Tolkien, nem uma fotinha dos nossos equipamentos nos deixa tirar. Enquanto isso, 850 empregados trabalham até a empresa ser executada em junho, e estarão também na rua. Gente que trabalha na linha de produção da empresa há 30 anos, gente que não sabe fazer outra coisa senão vulcanizar tapete.

Essa semana é o fornecedor ultra famoso e poderoso de plásticos. Às 9 da manhã, a planta na Suécia entra com pedido de falência. Às 11, a da Alemanha. Às 13 a da Bélgica. Eu fico nervosa seguindo o Google Alert, esperando a planta de onde compro, na Itália, entrar na dança. Até agora nada, mas virá, e eu já estou feito uma louca procurando substitutos.

Nessa história toda, duas coisas me afetam demais: começa com os empregados mais antigos, de produção, que estão perdendo seus empregos. Essas pessoas normalmente dependem pesadamente do salário, são única renda da família, tem que colocar comida na mesa, pagar prestação da casa... E a maioria nunca fez outra coisa na vida, nunca entrou numa internet pra colocar CV online, procurar emprego é ir em porta de fábrica, ou quando muito numa agência de empregos.

Outra são aqueles donos de empresas pequenas e médias, cujas empresas passam de geração pra geração. Normalmente, os donos dessas empresas são tão orgulhosos de seus bisavós, avós, que construiram a empresa do nada, sobreviveram 1 ou 2 guerras mundiais. E eles, vendo o boom da automobilistica na década de 90 investiram pesadamente pra conseguir certificações ISO/TS, em designers e técnicos, em Unigraphics e Catia, e no que mais a indústria automobilistica exigiu. Agora, a automobilística está quebrando, é um salve-se quem puder, esses coitados estão vendo empresas que sobreviveram guerras indo pro buraco em meses de crise.

Nós, compradores, monitoramos bi-semanalmente a situação econômica dos nossos fornecedores e potenciais fornecedores, e é triste ver empresas ótimas, perdendo crédito, perdendo crédito, até beirar a insolvência.

E isso me afeta sim, muito. Vai ver que, como o anônimo disse ali no post anterior, sou infantil. Porque gente madura e inteligente chega em casa, pega uma taça de Barolo, senta em frente à TV e fica criticando aquele bando de gente pessimista e louca que fala na CNN que ainda não vimos o pior. Ah, e claro, vão "carpe diem", porque "carpe diem" é bem cool. Maldito infeliz que teve a idéia de incluir a expressão, fora de contexto, nos filmecos de Roliúdi, e agora todo mundo acha que o legal é "carpe diem", sejá lá qual for o conceito torto que eles tem da expressão.

Agora deixem-me ir, carpeniar o meu diem, que infelizmente vai ser cheio de reuniões "crisis related".

terça-feira, março 10

Estou no último fio da minha paciência...

Não aguento mais essa crise. Fisicamente a preocupação tem acabado comigo, estou com os cabelos em frangalhos, olheiras que chegam nas bochechas e um estômago que eu acho que nem existe mais, consumiu-se nos seus próprios sucos...

Vou tentar explicar o último acontecimento, por favor, tenham paciência de dêem sua opinião, porque o negócio tá brabo.

Como tá todo mundo careca de me ouvir falando, vai ter corte na empresa. Meu departamento escapou do primeiro, que vai ser em junho, e se nada mudar, vai escapar do segundo, que acontecerá em meados de setembro se a economia não der sinais de melhora. Mas "you never know"...

Daí pra frente, ninguém descarta totalmente a possibilidade de ainda mais cortes, e poderemos ser incluídos, já que é difícil uma empresa que demite de tantos departamentos poupar totalmente o departamento de compras.

Se nesse terceiro corte fomos incluídos, o corte terá que seguir as leis holandesas: todo mundo tem que ser dividido em faixas etárias e o mais novo de casa ganha a rua. Minha faixa etária é a que menos tem funcionários, logo estaríamos mais seguros, mas se for alguém, vou eu, que sou a última. O que tem acalmado um pouco meus "nelvos" é que além da chance de chegarmos a um terceiro round de demissões se menor, há ainda uma vaga aberta, que poderia ser cortada caso fosse necessário.

Nosso departamento, como é grande, tem um grupo de representantes. Eles perguntaram na última reunião com o chefão se essas vagas estão abertas e publicadas na intranet só pra "inglês ver", ou se há realmente a idéia de preenchê-las. O chefão disse que ele prefere preencher a vaga e caso o pior aconteça, mandar gente embora, do que ficar com a vaga um ano aberta e nunca haver a necessidade de cortar ninguém. Ele disse porém, que só vai preencher a vaga se aparecer um candidato "apropriado" para a vaga. Considerando que ele é super exigente, e que pra minha vaga 8 candidatos passaram em todas as entrevistas e foram barrados por ele, as chances são pequenas, o mais provável é que a vaga fique lá aberta.

Nós, os funcionários, claro que preferimos as vagas abertas, nos dá uma sensação pequenina de segurança.

Agora o dilema: um colega do departamento de custos, com quem trabalhei no projeto que foi cancelado, que começou a trabalhar na empresa 3 meses antes de mim e é o mais novo contratado do departamento dele, veio falar comigo. Se houverem cortes no departamento dele, ele será o cortado e vendo a vaga do meu departamento aberta na intranet, ele me pediu se, junto à recomendação do chefe dele, eu poderia falar com meu diretor direto e "indicá-lo".

E é aí que eu não sei o que fazer. Se eu indicar e colocar todos os meus esforços ao elogiá-lo para o chefe, aumento as chances dele, mas por outro lado, aumento também as chances de eu ser mandada embora, pois ele é mais velho de casa do que eu. Eu posso também levar o CV dele pro diretor e dizer que o cara me pediu esse favor, e se perguntada, dizer que meu contato foi superficial, e que eu não saberia dizer se o cara seria bom ou não pro departamento, o que não deixa de ser verdade.

Quando eu falei pra um colega do departamento sobre esse outro do departamento de custos, ele me disse na lata: você não deveria indicá-lo, pois se a coisa ficar realmente feia, ele fica e você vai. Tremi. Mas por outro lado, se nada acontecer, eu estarei prejudicando as chances dele, e o cara tem família e filhos.

A história é bem confusa, mas deu mais ou menos pra entender?

O que vocês fariam, indicam o cara, ou ficam quietos torcendo pra vaga ficar lá aberta?

Eu te amo, eu te odeio



Enquanto eu venho aqui professar meu apreço pelas loempias, com suas casquinhas crocantes, seus recheios misteriosamente suculentos, sua anatomia de fácil manuseio...

Vem meu estômago e professa seu ódio mortal por todo aquele óleo velho e mil vezes fervido da fritura, o desgosto por aquele recheio cheio de pimenta, e sua repugnancia pelo líquido misto de sucos "recheísticos" e gordura da casca que escorrem pela mão...

Tudo isso pra dizer que eu já estava com o estômago ruim, não resisti e mandei ver uma loempia, que adoro, e agora estou aqui, me contorcendo de dor, que é tão forte que até as costas doem.

Minha antisse merece castigo, eu sei...

domingo, março 8

Gente doida...

Acho que lojista na Holanda é tudo doido. Pronto Faley!

Bart queria / precisava comprar calças. Digo precisava porque ele odeia comprar roupas e só vai quando tá fazendo um rombo nos fundilhos. Ele gosta muito das calças da Dockers, e praticamente só tem essa marca. Antes vendiam na V&D, na Bijenkorf e na Levi's, essa última é a detentora da marca.

Eis que a V&D parou de vender. A Levi's idem. Sobrou a Bijenkorf, então lá fomos nós.

Em pleno sábado às 11 da manhã, a loja estava vazia, vazia, vazia, como eu nunca vi. Acho que é a crise, que outra explicação? E daí vem minha estranheza com esse povo. Óquei que o verão tá chegando, mas ainda tá frio, aliás tava 5 graus sábado, então porque a loja tem apenas roupa de verão? E essa é minha reclamação, se você vai numa Macy's nos EUA, você tem roupas da coleção nova, da estação que vai entrar, mas ainda acha da coleção atual. Agora me digam, eu acabei de dizer que a loja estava vazia, mas quem tem ânimo de comprar vestidinho de linho quando tá 5 graus??? Ainda mais homem, que geralmente compra exatamente o que ele precisa naquele momento. Bart experimentou uma Dockers de verão e disse que ía congelar. Claro que eu falei pra ele levar a calça porque em 2 meses vai estar calor, ele disse que em 2 meses volta à loja, o que é burrice, mas eu não tava a fim de brigar. Daí que eu fucei, fucei, fucei, e achei uma gondolazinha com calças em promoção, e depois de meia hora procurando achei uma calça meia-estação, marrom escura ( ele queria bege ), daquelas com pregas, que não é o modelo preferido dele, mas ficou bem e era da Dockers, ele trouxe. Marquem minhas palavras: em dois meses estarei aqui contando que ele queria calças de verão e não achou porque só tinha de outono. Essa é a Holanda.

É sempre a minha eterna reclamação: a logística deles é péssima, acho que não sabem contar!

Nas promoções esse ano, só sobrou roupa número 36, como todos os anos. Pra quê então fabricar e estocar tanto 36? Quem usa 36? Ou quem é genéticamente favorecido, ou menininha de 14 anos. Menininha de 14 anos compra roupa nas Cool Kat's ( uma loja de adolescentes que me lembra muito o Torra-Torra no ABC ) da vida, e não na Bijenkorf, Mexx, Didi, que foram as lojas que, fora a Miss Etam e Promiss onde eu sempre compro, eu fui fuçar esse ano. Seriously, quantos adultos de terninho 36 você viu na sua vida? Eu acho que até agora 1 ou 2. Blé.

Aliás, eu comprei Mexx e uma camisa sem marca conhecida pela Wehkamp, loja online holandesa. Aquele tankini do post anterior era um Esprit da Wehkamp. Adorei o serviço e adorei a forma de comprar, você pesquisa pela peça, o tamanho, a marca e voilá, aparecem várias foteeenhas, você escolhe o que quer.

Nesse frio dos infernos, online shopping rulezzzz!

sexta-feira, março 6

Eu queria tanto ter...

Eu queria tanto ter...



Este tankini...

O corpitcho que recheia este tankini...

Um lugar pra usar esse tankini...

quarta-feira, março 4

Vários blés

Cinza. Cláááááro que está tudo cinza. Hoje os olhos não quiseram abrir de manhã. Foi duro, muito duro, acordar. Aí olhei lá fora e tava tudo horrivelmente cinza. Nessas manhãs eu tenho que me cutucar e dizer: ei, há 4 anos você acordava as 5 da manhã todos os dias e sonhava com o dia em que você pudesse dormir até as 7. Acorda preguiçosa, são 7:15!

Acordar cedo é Blé.

Os feriados estão chegando. Páscoa. Dia da Rainha. Ascenção. Pinksterdag ( não faço a mínima idéia do equivalente em português ). Em épocas normais, eu já estaria de malas praticamente prontas pra emendar o de Ascenção no Pinkster, e molhar a bunda em alguma praia européia. Esse ano, necas. Necas de catipiroba. Talvez, e esse talvez é uma possibilidade muito remota, eu consiga convencer Bart a passar uns dias em algum lugar, isso só se eu achar um vôo muito, muito, muuuuuito em conta com a Ryanair, que vai agora começar a cobrar 1 libra pra usar o banheiro ( que xixizinho caro! ).

Passar feriadão sem fazer nada em casa é muito Blé.

Pensei em ir uns diazinhos pra Disneyland Paris ( porque nóis é chique e nóis não fala EuroDisney ), mas tá tão caro, tão caro, que se não fosse tão longe, saía o mesmo preço ir para Orlando. Em Orlando, o hotel Pop Century Disney Resort, dentro da Disney, tá 49 doletas por noite, o que dá 38 euros. Aqui, um hotel comparável, também dentro da Disney, tá 153 euros. Um prato de Porkribs no TGI fridays de Orlando tá 16 doletas, o mesmo prato na Stakehouse da Disneyland tá 28 euros. Se neguinho conseguir um desses vôos baratos para Orlando / Miami, dá mais jogo que essa Disneyland Paris esfoladora de pobres assalariados. Isso dito, será que alguém aqui conhece algum hotelzinho barato perto da Disneyland Paris?

Ser esfolado vivo para ver o Mickey é Blé também.

O correio holandês tem a irritante mania: se chegar um pacote pra você e você não estiver em casa, deixam em algum vizinho e te deixam um bilhete avisando. Eu DETESTO ter que ir no vizinho, às vezes 4 casas adiante, procurar a lingerie sexy que eu encomendei no www.i-am-sexy.nl. Óquei, eu não encomendei lingerie sexy online, mas podia ser, e eles deixariam na casa dos meu vizinhos. Não importa o que seja, eu não quero que vá parar na casa do vizinho e não tem como avisar o correio que se eu não estiver em casa é pra ficar com a encomenda e eu vou buscar.

Correio Holandês é muito muito muito Blé.

Conhecida que trabalha numa empresa que faz Caravans diz que há 3 meses não vendem 1 só veículo. Não sei se é bom ou ruim. A princípio podia ser bom, menos Cavaravans nas ruas européias nas férias. Masssss... como eu conheço a holandesada, o que vai acontecer é que ao invés de comprar uma caravan nova, vão com suas caravans pocotó caindo aos pedaços pra Espanha e Sul da França, o que é pior que Caravans tinindo de nova. Aliás, pensem bem, uma caravam boa custa 40 mil euros. Uma viagem anual pra um hotel simples na Espanha ou França para uma família de 4 pessoas custa 2 mil euros. Ou seja, a caravan custa 20 anos de viagens, fora os impostos, manutenção, garagem pra deixar aquela mostruosidade... Sou mais o Jeremy Clarkson, que no TopGear já chegou a detonar 12 Caravans num só programa.

Congestionamento de Caravans no verão é Bléééééé.

Tem gente que é tão, tão, mas tãããão incoerente em blog, que não dá pra deixar de pensar: putz grila, que mentirada! E convenhamos, blog já não é a leitura mais instrutiva do universo, mas blog cheio de mentirada e meias-histórias é o fim-do-fim-do-fim-da-picada. Ainda bem que esse em questão, no ritmo que vai, terá 4, 5 posts por ano. Idéia: a pessoa podia colocar o aviso "essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos reais terá sido mera coincidência". Dessa forma, a gente lê preparado. Ou nem lê, o que é uma ótima idéia.

Blog requenguela também é bem Blé.

E agora, blézices à parte, eu vou tomar sopinha. Sopinha até faz o maravilhoso clima holandes mais suportável. E povo, sério mesmo, se vocês souberem de hotéizinhos perto da Disneyland, boas camas, limpos, baratos, vão ajudar beeem.

Ah, antes que alguma "inimiguxa" deixe nos comentários: Blog da Dri na Holanda pode também ser bem blé também.