segunda-feira, outubro 26
Adriana está no tronco
Super interessante a discussão o post anterior. Os comentários fazem a gente pensar, não é? E é como dizem: cada um é cada um, vejam só a Marina e a Eliecy, com experiências tão opostas.
Mas esse era o meu ponto, que quem passe por aqui ( e o post ficará ali no arquivo ) se informe mais, que veja os dois lados da moeda. É como uma vez me disse uma brasileira morando aqui, a gente até lê as experiências mais negativas, mas a gente sempre acha que conosco será diferente. Bom, o que eu digo é: tem que ter otimismo, senão não se aguenta o tranco, mas um otimismo inteligente, né meu povo, sabendo das dificuldades e do caminho à frente.
Outro ponto interessante foi o deixado pela leitora Renata, que diz estar melhor aqui. Acho interessante que normalmente quem tinha dificuldades financeiras no Brasil aqui se adapte mais fácil, não pense em voltar, e já aqueles que tinham uma situação financeira mais estável fiquem mais com o pé atrás. Eu já tinha 9 anos de experiência numa multinacional no Brasil, tinha passado já daquela fase de incertezas de começo de carreira, e vejam bem, entrar e me manter na GM não foi fácil, pelo contrário, mas eu desfrutava lá de uma situação muito muito boa. Sempre que eu volto ao Brasil e vejo meu irmão com uma casa fantástica dentro de um condomínio lindo, com carrão zerinho na porta, penso que eu podia estar na mesma situação. Mas o ponto chave não é só estar na situação financeira confortável, é além de todo o conforto material, ter toda a família por perto. Os amigos. É ter sempre a casa cheia, a família e todos nossos amigos de infância praquele churrasquinho na idícula, pra farra na piscina. A amiga de Rotterdam quer voltar pra Salvador, vê os amigos se dando super bem, ela se daria ainda melhor, não conheço ninguém mais inteligente e capaz que ela. E olha, se eu fosse soteropolitana e viesse parar na feiosa Rotterdam eu ía sonhar com a volta todos os dias, principalmente com uma família animadésima como a dela.
E já outras horas penso que aqui não tenho o "glam" mas também jamais passarei necessidade. Outro dia eu estava ouvindo minha mãe falar, ela tem artrite reumatóide e o tratamento é carésimo, mais de mil reais por mês. Mesmo tendo uma condição razoável, seria difícil pra ela bancar esse rombo no orçamento até o fim da vida. Como minha cunhada é assistente social e conhece os "trâmites burocráticos" do SUS, ajudou minha mãe com a papelada e ela está recebendo 80% dos remédios pelo SUS, mas gente, é uma via sacra inenarrável, que uma pessoa doente, sem ajuda da família, não consegue chegar ao fim. A cada 3 meses ela tem que preencher a papelada de novo, pegar laudo médico, pegar fila lá nos cafundós... Aqui na Holanda, fui à médica com uma alergia na pele, saí do consultório já com a receita encomendada na farmácia ao lado, chegando na farmácia o remédio estava esperando por mim, assinei o papel que vai pro convênio, não desembolsei 1 euro-tostão. Não tenho preocupações com a minha velhice, e isso, ao lado do fator segurança, é o que me segura aqui.
Já fui muito revoltada com essa terra, mas fiz minhas pazes com ela. Estou bem aqui, melhor que muitos, melhor até que muitos holandeses. Sofro a falta da família, peno no inverno com a depressão, acho o idioma a coisa mais horripilante que existe nessa galáxia. Mas... tenho minha casinha legal, ando na rua sem olhar pros lados, estaciono meu carro em qualquer lugar, sempre sobra grana pra viajar muito e bem, tenho segurança no emprego - e um emprego que eu gosto muito... Não vou mais me queixar não. Ou melhor, vou sim, mas passa...
Só que eu jamais vou esquecer como o começo foi difícil, eu jamais vou esquecer como eu me senti um cocô a cada não que eu levei na cara, jamais vou esquecer de quantas vezes eu me perguntei "será que um dia voltarei a exercer a profissão que eu tanto amo?". Deixo aqui claro que eu não sei como foi que eu aguentei. Eu gostaria de contar pra vocês clichezões do tipo "encontrei uma força que nem eu sabia que tinha", "sou um ser humano melhor agora", ou então o fatídico "sou uma vencedora". Mas a verdade é que voltar pra trás não era uma opção. Teria sido mais difícil do que enfrentar tudo o que eu enfrentei aqui. Sou uma vencedora? Eu me acho é uma sobrevivente. E já tá bom demais.
E bom demais também é essa época das tortas de maçã, uma melhor que a outra. Nem a Chanele da Paca dá conta de derreter as banhas que se acumularão se eu não me controlar.
segunda-feira, outubro 19
O tico-tico cá, o tico-tico lá, o tico-tico, tico-tico no fubá...
Brasileiro também é um povo bem esquisito, viu. A coisa mais comum é ver o brasileiro se gabando da nossa comida ( picanha, ahhhh ), das nossas praias, da nossa música, da beleza das mulheres, and the list goes on and on. No entanto, pra quem tem todas essas maravilhas, pra quem se gaba tanto de tudo isso, como sonhamos ( e insistimos ) em morar e trabalhar no exterior, mesmo tendo um dos mercados mais promissores do mundo!
Notem que incluo-me no "somos" acima, porque antes de casar eu mesmo estava pesquisando o processo de imigração pro Canadá e já estava atrás de toda a documentação para pedir minha dupla cidadania italiana.
Ultimamente tenho recebido mais e-mail de gente querendo imigrar do que recebia antes, e não entendo, porque na última vez que estive no Brasil achei tudo tão melhor, e sinceramente, enquanto estamos comendo o pão que o diabo amassou com a bunda aqui na Europa com essa crise, o Brasil pôde se dar ao luxo de praticamente ignorá-la.
Eu sei que o brasileiro está cansado da violência, e isso não tem como negar, aqui temos infinitamente menos, mas é só por isso que o brasileiro quer imigrar?
Sabem, eu tenho a impressão que o brasileiro ainda mantém aquele sonho dourado de que vai "fazer a América", ou "fazer a Europa", como tínhamos antigamente. Acho que teve até uma novela com a Debora Secco, que mudou pra Miami, não foi? E acho que nós blogueiros contribuimos muito para essa idéia de que aqui estamos nadando em dinheiro, afinal estamos sempre mostrando nossas viagens, nossos carros, nossos eletrônicos, nossas casas, e raramente o blogueiro diz: não tenho dinheiro pra isso, ou não posso comprar aquilo, e nem é por mal, afinal que post chato seria "vi um I-Pod mas não tenho dinheiro pra comprá-lo".
A verdade é que o brasileiro que muda pra cá tem que repensar as suas prioridades. Sempre recebo e-mails dizendo, "tenho uma vida estável no Brasil, moro num apartamento bom, tenho um carro zero, viajo uma vez por ano, posso ir prum restaurante legal no fim de semana - quanto precisaria ganhar de salário pra bancar tudo isso na Holanda?" e eu sempre penso em responder: é impossível, mas não é impossível, é só (muito) pouco provável.
Sempre digo, e vou repetir aqui e deixar um link lá do lado, eu e meu marido trabalhamos, ganhamos relativamente bem, não temos filhos, e para podermos bancar nossas viagens e nossa casa legal, temos um carro bem cacareco, nunca vamos à restaurantes, minha TV ainda é aqueles trambolhões, não tenho I-Pod, Wii, Stereo Surround; meus móveis são Ikea. Certos "luxos" da classe média paulista passaram a ser sonho de consumo distânte pra mim. Faxineira? Não. Salão de beleza? 3 vezes por ano. Mani-pedicure? Nunca. Roupa de Marca? Só se eu achar em mega-liquidações. E eu tenho certeza que qualquer leitor que mora no exterior pode deixar mais uma meia dúzia de itens nos comentários que passaram a figurar só na memória de quem imigrou. Simplesmente não dá pra bancar.
Não vou nem dizer que é o brasileiro que quer tudo, afinal querer ainda é de graça ( e não é poder ), mas no Brasil, assim como nos EUA, tem-se crédito pra tudo, mas aqui não é bem assim. Aliás, não é nada assim. O brasileiro tá acostumado a financiar o carro "a perder de vista", aqui financia-se em 2, no máximo 3 anos, o que torna as parcelas caras, e há de se somar os impostos, vistoria, manutenção, e combustível ( € 1.35 o litro! ). O brasileiro paga a viagem de férias em 10X no cartão, aqui é na raça, quando muito deixam você dar uma entrada, e te dão alguns dias pra pagar o resto, mas no geral, 6-8 semanas antes da viagem ela tem que estar totalmente paga. Aliás, cartão de crédito aqui não parcela. Nunca. Aliás, cartão de crédito raramente é aceito. Eletrodoméstico pode, em algumas lojas, ser financiado, mas aqui em Eindhoven por exemplo, tem uma loja só que financia ( MediaMarkt ), e nem sempre tem os melhores preços e quase nunca tem os modelos mais atuais.
Isso sem falar que em muitos casos ( acho que a maioria ), a gente imigrou pra morar com o namorado, casou, juntou, e no começo foi "bancado" pelo parceiro. Pode parecer pouco, mas pra quem vem sozinho, gastos como aluguel, comida, seguro médico, transporte, pesam pra caramba no orçamento. Quem vier sem emprego garantido tem que ter um boooom pé de meia, quem vem com emprego garantido TEM que se adaptar aos recursos limitados. Sinceramente, quem pensa que vai vir pra cá e ter o mesmo nível de vida material que tem no Brasil, vai se frustrar.
Compensa? Ah, isso é muito pessoal. Ter mais segurança é muito bom. Ter um plano de aposentadoria melhor é ótimo. Poder viajar pra capitais européias que antes eram só um sonho é bom, mas em contrapartida, os finaizinhos de semana na praia já eram. Ter leis trabalhistas que protegem melhor seu emprego é bom, assim como o auxílio-desemprego decente, mas você tem que trabalhar 5 anos antes de ter direito a esses benefícios. E pelo menos minha cidadezinha é mais verdinha, pra quem gosta tem zilhões de rotinhas de bicicleta ( lazer saudável e gratuito ), a vida é muito mais calma que a vida em SP.
Mas há também as coisas péssimas, que vão te irritando e te cansando a um ponto que tem épocas que todo mundo se pergunta "o que é que eu tô fazendo aqui, meu deus?". Abri mão de ter meu próprio carro, e apesar de ter que percorrer menos de 2km até o trabalho na minha scooter, no inverno eu vou e volto xingando, e quando chove eu quero matar um. Ir ao médico morrendo de dor, achando que você está na fase terminal de alguma doença, e jamais ser mandado fazer um exame pra acalmar sua consciência, e receber uma cartelinha de paracetamol ( Doril ), é terrível. Chegar em casa louca pra colocar o aquecedor no 25C e ouvir que 21C tá mais que bom é ultra irritante ( coloca mais roupa querida - mesmo que eu já esteja praticamente vestida pra ir esquiar ). A pilha de roupas que nunca se auto-dobra ou auto-passa, quem nem acontecia no Brasil ( Janildaaaa! ). Essa língua horrível hora-após-hora-após-hora, essa raspação maledeta de garganta. Esse céu cinza, você vai conhecer 100 tons diferentes de cinza, se voltar ao Brasil vai trabalhar na Faber Castell na divisão de lápis de cor cinza.
Quem vier me pedir a opinião eu digo: se você é jovem, solteiro, sempre sonhou em ir pro exterior, venha, arrisque, no mínimo vai ser uma experiência interessante. Quem tem família, seja mais cuidadoso, pense bem, pondere. Sair de uma classe média brasileira pra ser o pobrinho imigrante aqui é difícil, especialmente se você tem filhos.
Mas povo, vamos tirar da cabeça essa idéia do Brasil subdesenvolvido de antes. O Brasil nos próximos anos vai explodir de oportunidades de trabalho legais, tem empresa do mundo inteiro com os olhos aí.
Ó, só de pensar que aí eu poderia pagar a Janilda… me dá uma vontade de fazer as malas!
domingo, outubro 18
O copo está meio cheio: o inverno...
As golas rulê, que ficam elegantes debaixo do blazer ou de qualquer blusa, e me poupam de ficar passando camisa, já que minha máquina de secar tem mode anti-wrinkle

Sopa no pão, que no Brasil vende em qualquer canto ( eu amo a do Frans Café ), mas aqui tem que ser feita em casa. Não entendem de frio esses holandeses...

Mantas Parahyba, que também não existem aqui. Quem é que não teve? A minha era azul...

Fondue de queijo... No need to explain...

Gorrinho e cachecol bem Penélope Charmosa

Capuccino Quentinho à toda hora

Pantufeeeenhas

E já que sonhar ainda é de graça, a lareira que um dia eu hei de ter

E quando nada disso ajuda, a solução é:

Esqueci de alguma coisa?
sábado, outubro 17
Ximbication
Gente, nós os brasileiros TEMOS que ser o povo mais criativo do mundo. TEMOS.
Não consigo parar de rir, e o rítmo até que é legal!
sexta-feira, outubro 16
Cai cai balão cai cai balão, aqui na minha mão...
Muito obrigada meu Deus, por hoje ser sexta-feira!
Stress stress stress, trabalhando até tarde todo dia, mil apresentações mirabolantes, estômago em pandarecos, unhas roídas até os ladinhos sangrarem, cara de uma mulher de 75 anos. Bosta.
Depois me perguntam como é que eu tenho coragem de gastar 5 mil paus numa viagem de férias, e é fácil caros colegas: eu MEREÇO. Cada eurinho que cai na minha conta representa uma célula da minha bunda ralada nas pedras.
Ontem juntou TPM, estômago ruim, costas esbudegadas por um par de botas de salto alto ( TODA mulher que usa salto alto tem uns miolos a menos ), e voilá, Adriana chega em casa tão imprestável que não consegue nem plantar sua safrinha do dia no Farmville.
Mas que tem coisa que a gente ainda ri, ah isso tem. E o garoto do balão? A CNN com o Richard Quest lá todo solene "narrando" a trajetória do balão e falando como se o menino já tivesse virado bacon, e o menino na garagem da casa dele… mas putamerda, quando eu falo que tem pais que merecem o título de parideiros o povo fica bravo, vai construir um balão cintilante, no jardim de casa, com um menino de 6 anos brincando ao lado, e não colocar uma trava 100%? Gente, e como o balão ía rápido!
Povo, vou-me. Estou ainda semi-comatosa, concentração zero, mas não posso esmorecer na labuta diária. Com o frio que tá, minhas costas ainda latejando, tô doida pra chegar em casa e tomar um banhão de banheira.
Bom findi, fuy!
quinta-feira, outubro 15
Falando de um assunto vencido
Tô quase chorando de tanto trabalho, todo mundo quer tudo pra hoje, eu com resistência zero para trabalhar as 12 hrs por dia que tô precisando… Paciência zero.
E porque a paciência tá a zero, tcheu dizer uma coisa procêis: tá na hora da gente cagar e andar pros "politicamente corretos".
Fulano pensa horrores da pessoa, mas se chama o cara de "afro-americano" ( brasileiro, holandês, reino-encantado-da-xuxa ), tá tudo beleza. Mas se você que tem ótimos amigos negões, que não tem nada contra os negões, que trata os negões como trata qualquer um, desliza e chama o negão de "negro" ( ou, valha-me Deus, de negão ), você é a escória da humanidade. Hoje em dia, importante é a palavra, não o conteúdo que ela representa.
Não é politicamente correto chamar portuga de burro ( nem de portuga ). Pontequepartiu, e é correto chamar brasileiro de safado e desonesto? Porque é disso que nos chamam e pior, se no Brasil chamamos portuga de burro mas os recebemos com tapetes vermelhos, em Portugal nos chamam de safados e desonesto e nos tratam como safados e desonestos.
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Mais uma história da Adriana:
Fiz um backpacking pela Europa em 2000, e reservei meu hostel em Lisboa pelo site da Hostelling International. Na época esse site só pedia seu nome, hostelling number e você pagava online com cartão de crédito. Reservei minha "vaga" num quarto de 4 pessoas, cama de baixo, a reserva foi confirmada. Chegando no albergue, quando viram que eu sou brasileira, disseram eu não podia ficar no quarto de 4 pessoas, mas no quarto "jumbo", que adivinhem só, só tinha brasileiros! Esse quarto tinha uma câmera apontada pra porta, e o banheiro coletivo tinha aquele sistema odioso no chuveiro que tem uma mola na torneira que vai regulando o suprimento de água e interrompe a cada 20 segundos.
Claro que eu não aceitei, chamei o gerente, depois de mais de 1 hora de discussão, e mil ameaças, me deram a tal vaga que eu tinha reservado no quarto de 4 pessoas. No segundo dia fiz amizade um uma tiazinha que limpava os quartos ( brasileira, claro ) e ela me disse que era assim porque o albergue achava que brasileiros traziam gente ( não pagantes ) pra dormir nos quartos ( !!! ) e que brasileiro desperdiça muita água no chuveiro.
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Eu não saberia opinar sobre a "inteligência" dos portugueses, e assim como eles certamente teriam razões pra nos chamar de esquisitos, como fez a Maitê, eu baseada nas minhas experiências, também tenho.
A esquisitice que eu notei, é essa necessidade de esnobar os brasileiros, mas com os outros ser um capachão. No departamento de compras da empresa antiga no Porto, o povo tinha medo de ir tomar café, tinham horário certo pra levantar, ir lá e pagar uma xícara, conversar 5 minutos e voltar a trabalhar, morriam de medo do gerente. A sala do gerente então, tinha uma parede de vidro, e ele ficava ali olhando a "escravaria" trabalhando, ultra opressivo o ambiente. E em reuniões, se o holandês falasse pro português pular, o português perguntava a que altura. Os compradores não podiam ir a almoços ou jantares com fornecedores, o convite tinha que ser feito ao gerente, e ele ía sozinho, sem o comprador. A holandesada falava que os portugueses em reuniões concordavam com as coisas, mas faziam tudo diferente depois, e os holandeses mesmo os achavam meio "intelectually challenged", mas na verdade não era isso, aliás eu não posso dizer que presenciei nenhuma burrada dos portugueses, a planta era exemplar, o problema é que eles não tinham coragem de dizer pra um holandês de cargo superior ao deles, que tal idéia na prática não ía funcionar, ou que tal processo não podia ser implementado. Concordavam com o holandês, mas faziam do jeito deles.
Só sei de uma coisa, é por essas e outras que eu até tenho vontade de voltar à Lisboa e ao Algarve, de levar o Bart, mas vou deixando pra lá. Eu não tenho dó de gastar meus ricos eurinhos em viagem de férias, mas já que o dindin é meu, vou pagar onde eu SEI que vou ser bem tratada, ou então vou viajar incógnita, como holandesa, e aí quero só é ver o que eles vão falar da gente sem saber que eu estou entendendo tudo… Ra ra ra, gostei da idéia...
terça-feira, outubro 13
segunda-feira, outubro 12
O video famigerado
Achei o video infeliz sim, antes que o povo caia matando. Ela não precisava disso, a emissora não precisava disso, o clima entre os dois países já não é dos melhores. Mas isso dito, deixe-me aqui dar uma opinião sincera.
O povo no Brasil faz piadinha de português? Faz. E isso não é legal. Só que no dia-a-dia, nunca vi um português ser mal-tratado no Brasil, ao contrário. Em Natal e Pipa tinha muitos portugueses, e eram sempre ultra paparicados pelos hotéis, pelo carinha pilotando o barquinho, nos passeios estavam sempre perguntando se o povo estava gostando. Em São Paulo, a minha vida toda, vi as piadinhas sim, que os portugueses prontamente retrucavam, mas nunca vi nada ofensivo.
Já em Portugal, onde fui 3 vezes apenas, vi brasileiros sendo discriminados nas 3 vezes. Eu já fui discriminada no ambiente de trabalho, lembram?
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Trabalhei para a Bosch na Holanda, que tinha uma planta no Porto. Um português expatriado na Alemanha foi indicado à trabalhar num projeto comigo. Um dia, à pedido de um diretor da minha unidade, fiz um update do projeto para outros diretores, e coloquei o Português no cc. O Português achou que eu estava querendo "roubar o show" e me mandou POR ESCRITO o seguinte e-mail ( ou melhor, troca de e-mails ):
Port: Adriana, qual a diferença entre um Português e uma Brasileira?
Adri: Além do fato dele ser homem e ela ser mulher?
Port: A Brasileira vai para Portugal fazer um show enquanto o Português trabalha duro, aí o show acaba e a Brasileira volta para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás, como chegou, enquanto o Português continua no seu trabalho...
Traduzi o e-mail, levei ao meu diretor, dei queixa por discriminação por sexo e nacionalidade, ele levou advertência, mas da mesma forma que ficou o registro no histórico dele, ficou também no meu.
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Depois do "ocorrido" fica difícil não criar uma imagem ruim dos portugueses. Fiz bastante amizade com 2 colegas de trabalho portuguesas, com uma delas ainda mantenho contato, mas pelos outros sempre fui tratada com ares de superioridade.
O ponto é, eu não saio por aí generalizando, principalmente porque conheci portugueses legais, mas todas as vezes que penso em ir à Portugal de férias me vem aquela angústia de "pagar pra ser discriminada, e na frente do meu marido!". E preciso sim ficar me lembrando que nem todos os portugueses detestam brasileiros, mas vocês sabem né, gato escaldado tem medo de água fria.
Putz, comecei na Maitê e terminei em mim, mas no fim o que eu queria dizer é que Maitê deve ter tomado uns cornos do tal namorado português e acabou perdendo agora uma ótima oportunidade pra ficar calada.
Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...
Sábado fomos à Ikea. Não vou reclamar do povaréu que vai com criança, carrinhos de bebê intergaláticos, velhinhos com problemas de mobilidade, etc e tal. A errada era eu, que podia muito bem ter ido durante a semana, já que a loja abre até as 21, mas decidi, porque sou maluca, ir no sábado e ainda por cima para almoçar lá.
Precisávamos de um "kapstok", um pendurador de casacos, que me disseram chamar chapeleira em português. Eu nem sei que modelo de kapstok meu excelentíssimo marido tinha na cabeça, mas por meses andamos em todas as lojas de Eindhoven e nada estava bom. Sábado tive um chilique: pelamordedeus, relativise (z?) homem de Deus, é um pendurador de casacos, não uma TV de 5 mil euros, compre qualquer coisa pra quebrar um galho e quando você achar o tal kapstok do seus sonhos você troca. E assim foi, compramos com a idéia ( ou possibilidade ) de trocar no futuro. Eu SEI que se você for me visitar no dia da minha aposentadoria o kapstok vai estar lá, mas tchapralá. E de quebra compramos também um mini aparador que ficou perfeito no cantinho que tinhamos, agora minhas chaves tem lugar e aquele monte de luvas, cachecois e guarda-chuvas idem.
E daí, depois de muito ver móvel de sala ( rack de TV e buffet ), Bart decreta que quer "móvel de verdade", e não Ikea. E tem mais, quer daquela madeira quase preta. Ceis não acham que a moda da madeira quase preta já deu o que tinha que dar? É por isso que eu amo a Ikea, por 800 paus a gente compraria o que querers e daqui a 3 anos quando outra moda aparecer, bota-se tudo na lareira ( que eu espero ter até então ), mas se a gente gastar uma nota preta em "móveis de verdade", vou mofar com esses móveis até o dia que você for me visitar na minha aposentadoria pra ver se meu kapstok ainda está lá. Outra coisa que me desanima profundamente é ter que esperar 4 meses por um rack e um buffet.
E ainda faltam lustres, quadros, paredes, jardim, falta tanta coisa que quando a gente acabar, chegou nossa aposentadoria e como eu sempre digo aqui, tá na hora de vender a casa e mudar pra Espanha, onde o sol brilha e tudo é mais barato ( or not? ).
domingo, outubro 11
Nós os gordos
Primeiro vamos esclarecer uma coisa: se você quer emputecer um gordo, chamá-lo de gordo é uma forma bem burra de fazê-lo. O gordo que já passou dos 20 já sofreu tanto na mão da criançada e da meninada no colegial, que por mais cruel que você seja, provavelmente não vai chegar aos pés do que ele já passou. Pro gordo, é algo do tipo: is that all you got? Bring it on, bi-a-tch!
Decidir fazer regime é uma decisão que só cabe ao gordo, e não importa o que você diga, de que forma que você diga, ele só vai tomar essa decisão na hora que a idéia estiver madura na cabeça dele. No dia que o negócio realmente o incomodar, ele mesmo, por si só, vai atrás do que fazer pra emagrecer, e daí colega, se ele achar que você pode ajudar, sem dúvida nenhuma vai te procurar. Você já ouviu falar do gordo que só de ouvir uma crítica se motivou a ponto de abdicar das suas comidas favoritas imediatamente, só porque alguém falou que ele devia, ou que a pança estava balançando ou que a bunda mais parecia a traseira do Ford Mondeo? I don't think so. Então pára de ser o amigo ( irmão, cônjuge, colega, vizinho, ... ) chato e páre de fazer isso porque você está só extravazando sua frustração, maquiando na velha desculpinha "eu só queria ajudar".
Por favor, não seja um "sem loção total", seu amigo gordo sabe o que engorda, seu amigo gordo tem espelho em casa. Comentários do tipo "ah, cê tá comendo bolo, nooossa, isso engooooorda" são totalmente sem classe. Na minha humilde ( apenas 29 anos ) experiência, vem sempre de uma pessoa ela mesmo gorda, porque o magro normalmente não sabe calorias de cor e nem tem sempre o assunto ativo na cachola. Normalmente vem de gente que está preocupado com a circunferência da cintura ou está já de dieta, mas lembre-se colega: você decidiu quando começar sua dieta, então deixe seu amigo decidir o momento de começar a dele.
E além disso, vamos combinar, cada um é do jeito que é, gordo, magro, narigudo, dentuço, papudo, e o no dia que a gente aprender que nem só a Gisele é linda, todos sofreremos bem menos.
sábado, outubro 10
Estou em êxtase 2
Sabádo era o único dia que eu tinha tempo suficiente para fazer compras como eu gosto, olhando tudo, comparando os vegetais da época, bolando pratos novos, vendo os produtos novos, mas é também o dia infernal dos supermercados, porque fica lotado de criança correndo, berrando, chorando, apostando corrida de carrinhos; isso sem falar nas velhinhas de rolator, que podiam ir durante a semana mas vão aos sábados para aborrecer o maior número de pessoas ao mesmo tempo; e os adolescentes, que vão comprar "breja" e outras bebidas afins.
Vamos rezar pra domingo pelo menos as crianças e velhinhos ficarem em casa, e eu serei uma pessoa feliz, bem feliz.
sexta-feira, outubro 9
Eu estou alucinada por um Kindle!!!!!
Kindle na Holanda
Adeus às taxas de entrega da bol.com, adeus às estantes Billy lotadas de livros de papel, adeus às visitas à biblioteca pra desovar ( doar ) livros lidos, adeus mala de viagem apertadésima com os 6 livros que eu sempre levo, adeus espera de 5 a 7 dias úteis por um exemplar em inglês, adeus edições esgotadas.
Estou em êxtase.
Tem também o lado ruim, ou melhor, menos bom: emprestar livros só pra quem também tiver Kindle. Passar o livro depois de ler pro marido só se ele também tiver Kindle. Medo, paúra, horror de chegar perto da praia ou piscina com seu precioso Kindle e ele acabar molhando ou entrando areia ( será que se colocar num pocket de plástico ele super-aquece? ). Durante pousos e decolagens a "aeromoça" vai vir te encher o saco pra desligá-lo.
Mas aqui vem o pior: um dia ele vai quebrar. Um dia, e loguinho, vão inventar uma versão melhor. Um dia você vai querer guardar o 1501 livro, e ele vai te dizer que só tem espaço pra 1500.
Mas voltando ao meu êxtase alucinado. Eu quero, eu preciso, eu mereço.
E você, o que acha de mais essa inovação tecnológica? Vai aderir? Acha que a moda pega?
quinta-feira, outubro 8
Da série coisas que detestamos: reaproveitamento irracional de comida
Acho fantásticos os truques domésticos para aproveitar restos de comida. Minha mãe tinha vários e eu mesma tenho alguns. A batata cozida na manteiga de hoje vira uma fritata amanhã, os restos de arroz viram bolinhos ( amo! ), minha mãe sempre fazia escondidinho com linguiça de churrasco… Sabendo usar bem a criatividade, dá pra reaproveitar tudo!
Mas aqui na empresa dá até raiva. Temos um restaurante da SODEXHO, praga que existe em qualquer canto do mundo. Aqui é evidente a palhaçada que eles fazem pra reaproveitar cada resto, mesmo que o resultado final seja péssimo. Isso acaba resultando num buffet onde metade é gororoba.
Eles são obrigados à oferecer 6 saladas. Na segunda sempre tem salada de folhas sem tempero ( minha favorita, pois posso adicionar meu tempero sem coisas ácidas, mas infelizmente é a mais cara para a empresa e a menos oferecida ), e uma salada de tomates e pepinos. As folhas que sobram vão pro sanduíche no dia seguinte, o que não é tão horrível, mas os tomates e pepinos ganham um banho de vinagre pra não criarem nenhuma bactéria, e aparecem como uma salada de cubinhos com azeitona super ácida no dia seguinte.
Semana passada comprei um "folheado de tomate seco e mozzarella", não dá pra errar em algo tão simples, né? Acontece que o tomate seco era o usado no dia anterior na salada de macarrão tubete, então o recheio do folheado tinha macarrão! Eca!
Ontem tivemos hot-dogs, hoje achei cubinhos de salsicha no meio da minha salada de macarrão e legumes, que estava sendo vendida como vegetariana. Fui reclamar indignada, eles simplesmente pediram desculpa, devolveram o dinheiro e riscaram o vegetariana do cardápio.
A sopa é subsidiada pela empresas e é da marca Unox, uma das melhores da Holanda. Só que tem dias que eles servem o que nós chamamos de "white goe". Eles pegam uma sopa cremosa como base e adicionam os vegetais do dia anterior. A sopa mexicana é a meleca branca com pimentões e milho, a sopa de camarões holandeses ( um camarãozinho minúsculo e sem gosto ) é a meleca branca com uns garnalen ( camarão holandês ) boiando, tudo assim, sem cozinhar junto, só esquentam a coisa branca e jogam o que for lá dentro.
Os sanduíches são normalmente ruins. Muitos são recheados com sobras misturadas em maionese, e sempre ultra ácidos, pois as sobras são sempre guardadas com vinagre. A salvação pra quem quer driblar as calorias da fatídica maionese, é o sanduíche "saudável" ( brodje gezond ), e estou sendo ultra sarcástica. O sanduíche saudável é o passaporte certo pro hospital se você tem colesterol alto, o de hoje era: presunto, queijo belegen ( gordo ), 2 ovos cozidos em fatias, uma folha de salada, e halvarina.
É por essas e outras que todo mundo traz seu sandubinha de casa, e no dia que a gente não tem tempo ou não tem nada em casa, o jeito é comer gororoba.
quarta-feira, outubro 7
Olha o desespero da criatura viciada
Se vocês procurarem meu e-mail lá no facebook ( avandenbroek@gmail.com ) vão me achar e aí é fácil virar meu vizinho. Eu sou boazinha e mando sempre ótimos presentes, viu!
segunda-feira, outubro 5
Drie Dwaze Dagen
A Holanda é um país socialista, e pelo menos os holandeses que eu conheço são muito orgulhosos disso. Pra grande maioria, uma das piores pragas do universo é a sociedade americana, que segundo eles, só pensa em dinheiro e em comprar e em ter. Eu ouço tudo muito aborrecida, porque eu adoro os EUA, e admiro muito os americanos com quem trabalhei, são pessoas dedicadas ao seu trabalho, inteligentes, práticas, anyway…
Eu moro no sul da Holanda, e o país inteiro tem essa região como uma região, digamos, acaipirada. Por aqui, em nenhuma das cidades o comércio abre aos domingos, e há uma imensa resistência a isso, até mesmo supermercados que tentam pedir autorização pra abrir acabam tendo o pedido recusado. Eu não entendo o porquê, mas eles dizem que o domingo é dia de ficar em casa, de ir à igreja, de ficar com a família, e que o comércio abrindo, muitas pessoas teriam que trabalhar. Eu acho uma besteira, já que pelo menos em Eindhoven há milhares de estudantes universitários que ficariam bem felizinhos com uma graninha extra por trabalhar 5 horinhas no domingo.
Tão tradicional quanto não abrir aos domingos, é abrir um único domingo por mês, é o koopzondag, domingo de compras, o primeiro domingo do mês. É aí que eu não entendo a holandesada, eles reclamam que não querem o comércio aberto aos domingos, mas quando o comércio abre, a cidade fica intransitável. Ir pra missa, ficar em casa com a família? Blé, holandesada vai mesmo é pra rua, comprar, tomar vinho nos barzinhos com mesinhas na rua, e fumar, fumar muito, fumar feito chaminé.
Ontem foi koopzondag, e foi também a liquidação dos dois maiores magazines da cidade: Bijernkorf e V&D. Nunca, nunca, nunca e nunca vi tanta gente na rua. A Bijenkorf fica a 10 mt da estação de trem. Da porta da Bijenkorf você olha numa linha reta, pela rua de comércio mais popular da cidade, e a uns 200 mt vê a V&D. Domingo, essa "reta" estava igualzinha à General Carneiro no centro velho de SP, gente gente e mais gente. A Bijenkorf colocou um guarda na porta e um aviso: carrinho de bebê não entrava, por medidas de segurança. Quem seria louco o suficiente pra trazer bebê em carrinho no "restanten" do Drie Dwaze Dagen ( no dia do restanten tudo que já estava em liquidação e sobrou pro domingo ganha 25% adicionais de desconto ) eu não sei, mas tinha, pois na porta havia um "ajuntado" de pais com os carrinhos esperando.
Na V&D, a coisa estava tão ruim quanto. Os elevadores com filas gigantescas, afinal por elevador cabem apenas 2 carrinhos, já que os carrinhos de hoje em dia de inhos não tem nada. Tinha uma mulher com a perna quebrada, na cadeira de rodas ( !!! ), várias velhinhas com rolators, e até no banheiro a fila dava voltas.
Não me lembro de ter visto Eindhoven assim ever. Eu precisava mesmo comprar umas blusinhas de manga comprida, e queria muito encontrar umas de gola rolê, e como estou há semanas trabalhando até tarde, nunca me sobra tempo, então achei que o domingo seria uma mão na roda. Mas me ferrei.
No fim, é aquela pechincha ma-ra-vi-lho-sa que acaba salvando seu humor, e ano após ano você começa o tal domingo da loucura jurando que nunca mais vai, mas ano que vem você está lá de novo. Esse ano comprei uma bolsa pra laptop da Oilily, de €105 por €31. Miguxas que gostam de maquiagem íam pirar, comprei batons e esmaltes Clarins por € 4.50 euros cada. Comprei uma pashmina linda por € 7. Bart comprou 4 suéteres. Não tive forças para procurar minhas blusinhas, tava tudo cheio demais. E pelo menos na Bijenkorf o povo é ultra agressivo, acabei machucando a mão com um puxão que uma dona deu na bolsa que estava já pendurada no meu ombro. Uma outra lá me ensinava a tática: você vai pegando e carregando tudo o que gosta, no final das "compras", avalia o que você mais quer, e deixa o resto. Só que é claro que ninguém fica devolvendo as coisas nos lugares certos, então lá pelas 4 da tarde, um pouco antes de fechar a loja está aquela lindeza.
Mas então, assim foi meu Dwaze daag. Super Dwaze. Minha bolsa é linda, meu batons óteeeemos, e o esmalte ainda vou experimentar. Tinha maquiagem Kanebo por menos de €10, Keune por €7, e baciadas e mais baciadas de perfume. Mas a paciência ( e o din-din ) acabou antes.
E você, vai nessas mega liquidações?
sábado, outubro 3
Cartilha caminho suave: interpretação de texto
E como eu disse no texto, não sei mesmo no que pensar. Claro que eu fiquei emocionadíssima com o video oficial Rio 2016, claro que eu já falei toda cheia de direito lá no trabalho que as olimpíadas de 2016 são no MEU país e que ganhamos até de lobbyzinho Obama-Obama-Oprah, claro que eu torço para que as olimpíadas tragam ao Rio as melhorias que, por exemplo, a copa de Barcelona trouxe àquela cidade. Entretanto, achar que a cidade está bem como está e que dá pra encarar um evento desses sem sérios investimentos, não é muito inteligente. E daí eu dizer que não sei o que pensar, porque o âmago da questão é: de onde virão os recursos? Eu não sei se a organizações internacionais fianciarão as melhorias, se há algum órgão especial que organiza as olimpíadas e cuida da captação de investimentos, ou se seria os impostos públicos mesmo. É um investimento grande, acho eu que com retorno certo, mas não dá pra construir estádio às penas de cortar o orçamento de escolas públicas, né não?
Mas se houver vontade, dá pra chegar lá? Claro que dá! Brasileiro quando se propõe a fazer alguma coisa, sai de baixo. E à essa altura não tem muito o que ficar se perguntando, 2016 tá aí, é mãos à obra.
E eu acho que as olimpíadas deveriam ser em SP? Só alguém muito trilili da cachola pra tirar uma asneira dessas daquelas cinco linhas. Eu citaria aqui pelo menos 20 motivos pra EU achar São Paulo uma cidade melhor de se MORAR que o Rio, mas pra quem vai ao Brasil fazer turismo, o Rio é imbatível. Como diz a Paca, o Rio é sim um desbunde. O Rio para o turista é gratificação imediata, é subir no Cristo, no Pão de Açúcar e na hora suspirar "ah, a viagem já valeu à pena".
Agora rumbora curtir o resto do fim-de-semana, que o meu tá sendo xuxu beleza. Aliás, acabei de marcar minha viagem de dezembro, tudo pago, acertado, sacramentado. E detalhe, depois de 2 horas na cadeirinha da agente turística, consegui o pacote que eu queria, num vôo saindo de Bruxelas e de Jetair, por 1000 euros a menos do que eu ía pagar inicialmente indo de KLM.
Ah, a vida é bela! Tcheu ir colher minhas abóboras no Farmville...
Rio 2016 - copo meio vazio ou meio cheio?
Rio 2016
terça-feira, setembro 29
Molhar a bunda
Depois de muita negociação na empresa, incluindo a compra de dias de férias, consegui ser liberada do dia 5 de dezembro em diante, e vou molhar minha bunda na praia, minha gente!
Tem muita gente que não se conforma de eu só ir pra praia, mas não consigo de forma alguma imaginar jeito melhor de passar o dia. Ah se eu ganhasse na sena…
Hoje falando com a Holandesa, concluí que as pessoas são mesmo muito diferentes no que tange à viagens. Eu vi as fotos dela e é tudo lindo, lindo, lindo, uma viagem que um dia eu vou fazer, mas como eu amo ir pra praia, fico pensando ( e foi o que eu perguntei pra Holandesa hoje ): você vai lá vê o castelo, e fica admirando por meia hora, e daí, faz o que? Na última vez que fomos pra Paris fomos à Versalhes, e achei chatésimo. Bonito, lógico, mas os jardins são meio boring, a tour é loooonga, pra mim foi aquele passeio pra riscar o negócio da sua lista de coisas a fazer um dia e só.
No colegial, fizeram um teste e concluiram que eu tenho memória sinestésica. Eu acho que daí eu gostar mais de praia. Normalmente quem gosta desse tipo de passeio bucólico ( castelo, cidadezinha, riachinho, arvorezinha ) tem memória visual. O sinestésico é mais sensível a temperaturas, cheiros, impressões, e é bem verdade, uma das minhas memórias de férias mais preciosas é o cheiro quando você abre a porta de um daqueles 7/11 nos EUA. Não me perguntem porque, o cheiro de plástico, misturado com Krispy Cream, misturado com café… sei lá, eu amo!
Quando estou de férias na praia, normalmente acordo super cedo, deixo o Bart dormindo e vou pra praia. Adoro poder colocar um maiô/biquini, jogar qualquer coisa por cima, e sair com as minhas havaianas. Que delícia sentir esse primeiro sol da manhã na pele, e a cor do céu, as luzes do sol recém nascido, a passarada fazendo barulho… É o melhor horário pra andar pela praia, ainda vazia, ainda mais se você está num resortão onde a maioria do povo acorda tarde… Eu ando, eu sento e medito, já até rezei. Normalmente vou pro restaurante do hotel, tomo um café com uma torrada e vou acordar o Bart. Essa é a hora do momento Sundown ( ou melhor, Ambre Solaire ), Bart não sai do quarto sem protetor 50, graças a deus porque ele é a criatura mais branca e imbronzeável que eu conheço. Amo o cheirinho do Ambre Solaire! Tomamos café juntos, o cheirinho dos omeletes fritando, dos waffles… Vamos pra praia, que delicia deitar na cadeira de praia e sentir o calorzinho batendo na pele, a brisa, o barulho do mar… os coquetéis ( all inclusive rulezzzz ). Que fantástico que é andar descalça na areia, sentindo a água bater nas canelas, e quando a gente está toda quente e suada dar aquele mergulhão num mar de águas transparentes, e ficar ali boiando… boiando… dar umas boas braçadas, fazer snorkel, sentir os músculos trabalhando, ver os peixinhos… Almoçar ainda de biquinão, tomar um drink delicioso e tirar uma soneca debaixo do guarda sol… Nadar mais, ir à passeios de barco, ou de quadriciclos pelas floresta… quando chega de tardinha, ir pro quarto e tomar aqueeeeeele banho, muito sabonetinho e gelzinho especial, creminhos, roupinha leve… Andar pela praia de noite, ver a lua ( nunca vi nada mais bonito que a lua na Praia do Forte, pois naquela área todos os hotéis tem luzes baixas pra não confundir as tartarugas marinhas ).
Nossa, tô quase chorando, e minhas férias só em 2 meses…
segunda-feira, setembro 28
Baby Top
Domingo ( ontem ) o Makro abria, e vendo uma óóóótema promoção de contra-filé argentino ( 13 eurecas por quilo ) fui decidida a transformar a noite daquele domingo num jantarzão dos Pampas. Cheguei no Makro e contarei a estorinha depois, mas fui correndo que nem o Ligeirinho pro departamento de carnes, só pra achar espaço vazio. O filé mignon neozelandês já era e o contra-filé dos pampas idem. Sobrou-me a opção de "baby tops" brasileiro. A carne parecia bem bonita, dois pedaços pequenos, de uns 700 gr cada, mas aí a pergunta: o que seria baby top? Comprei a carne, pensando que se fosse alguma carne ruim virava carne de panela, e depois de esfolar meus dedos no google, acho que é coxão mole. Agora o desafio pras amigas: receitinhas pra coxão mole? Minha mãe fazia bife à milanesa com essa carne, mas eu não faço frituras…
No mundo inteiro crianças não podem entrar no Makro, por motivo de segurança. No mercadinho da esquina, se cai uma latinha de leite moça no pé da sua creonça, vai render uma unha preta, muito choro, e só. No Makro, se cai uma latinha de leite moça no pé do seu filho, decepa. As latas são de 1 kg pra cima, as embalagens são no atacado, é tudo grande, pesado, um desastre até em ambiente só com adultos. Não interessa se o estabelecimento deixa crianças entrarem ou não, zelar pelo bem estar da creonça é dever dos pais, e quem tem ao menos um neurônio funcionante não leva creonça no Makro. Sei lá se foi só ontem, ou se criança aqui na Holanda pode entrar, mas o fato é que tava cheio de creonças e eu vi uma garrafona de Silam ( amaciante ) cair numa creoncinha, creoncinha foi lançada com tudo ao chão, creoncinha abriu um corte sangrento na nuca, creoncinha berrou, mãe berrou, corre-corre, sangue pra todo o lado. Agora me responde, num domingo ensolarado, 21 graus, o que esses pais faziam com uma creonça no Makro???
De resto, solzinho no findi, Deus está sendo generoso esse ano, vamos esperar que o inverno não seja tão rigoroso quanto o do ano passado. Ontem tive que desengavetar camiseta de manga curta, hoje estreei casacão novo. Ah, como é linda a vida na Holanda!
E aí cumadres, já pensaram nas minhas receitinhas com coxão mole?
domingo, setembro 27
Novela das 7
Como aqui não tem novela, sigo seriados, muitos seriados. Chego em casa, pego um copão de Coca Ligt, um petisco qualquer, e vou pro laptop assistir meu seriado do dia, que deixo baixando enquanto vou trabalhar. Normalmente acompanho:
- Grey's Anatomy
- Smallville
- Private Practice
- House
- Gossip Girl
- Desperate Housewives
- True Blood
- 90210 ( não vou acompanhar a 2a. temporada )
- Lost ( eu e Bart assistimos, mas volta só em janeiro )
Esse ano, várias séries novas foram lançadas:
- Vampire Diaries - está no terceiro episódio e ainda não empolgou, vou assistir mais 3 capítulos, se não melhorar, deixo de ver
- Eastwick - só teve um capítulo e é bem legalzinho
- Melrose ( remake ) - Ruim, assisti 3 episódios e já larguei
- Flashforward - Muito interessante, vamos ver se os episódios seguintes serão tão bons quanto o primeiro
Na TV normal, eu e Bart assistimos 2 and a half man, rolamos de rir e é uma das nossas séries favoritas, mas infelizmente está no repeteco normal da TV holandesa, sem episódios novos. Assistimos também NCIS quando calha de estar passando.
Eu amo seriados, se fosse rica e não trabalhasse ía assistir vários por dia. Mas me emponho o limite de acompanhar 7, uma para cada dia, e pode chegar à 9, nos findis eu assistiria 2 capítulos. Esses 40 minutos de coca-cola na frente do micro assistindo minhas séries são para mim melhor que uma massagem à luz de velas e musiquinha da Enya, puro relax.
E com tanto homem bonito, fica difícil escolher o "todo bom" mais todo bom, e eu estou numa fase totalmente vampiro Eric ( influenciada pelo livro, claro ), mas todas as vezes que eu o vejo na tela, principalmente agora que o personagem dele só veste preto, eu juro que ele é o homem mais bonito desse ( e quem sabe de outros ) planeta:

quinta-feira, setembro 24
A culpa é nossa
Eu queria hoje falar dum assunto sério, e pedir pra vocês pensarem um pouco.
A vida não tá fácil pra ninguém, ainda mais agora, em época de crise. Agora, mais do que nunca, as pessoas estão atrás de produtos mais baratos, barganhas, descontos. Eu também estou. Mas você já se perguntou se você está fazendo a coisa certa?
Um dos maiores gastos do orçamento de cada um são os gastos com comida. Aqui na Holanda, cada vez mais gente vai a supermercados baratos como o Aldi e Lidl, e as pessoas que, como eu, gostam dos supermercados maiores, como o Albert Heijn, procuram nesses mercados as marcas mais baratas, no caso do AH, a Euroshopper, que tem praticamente tudo o que se encontra num Lidl. A qualidade desses produtos não é ruim, o que leva a maioria a pensar que comprando os outros produtos, paga-se mesmo é pela embalagem e pelo nome. Mas eu pergunto: alguma vez você leu as letrinhas miúdas da embalagem do Euroshopper, ou dos produtos do Lidl pra ver de onde aquele produto vem?
Essa semana produtores de leite holandeses jogaram milhares de litros de leite no rio, em protesto ao preço do litro do leite pago ao produtor, € 0,20. Eu lembrei que paguei € 0,29 num litro de leite Euroshopper, e como pode, 9 centavos pagar transporte, pasteurização, engarrafamento ( é um leite em garrafa plástica ), etiqueta, caixas de papelão e distribuição no supermercado? Aí fui olhar as letrinhas e tava lá: produzido na Polônia. Explicado, o produtor polonês provavelmente recebe 10 centavos pelo litro, e não vinte. E daí a pergunta, porque é que o polonês (sobre)vive com 10 centavos e o holandês precisa de 20? E a resposta é óbvia: impostos, níveis salariais, energia elétrica, tudo é mais caro aqui.
Um dos maiores problemas são os altos salários do norte europeu comparados com outras regiões. E é aí que eu acho que nós, que moramos na Holanda, Alemanha, UK, Suécia, Dinamarca, etc etc etc cometemos um gigantesco erro. Nós queremos os benefícios trabalhistas que outros países não dão ( férias de até 40 dias, seguro desemprego que paga 70% do salário, licença maternidade de 4 a 6 meses ), queremos os benefícios sociais que outros países não dão ( subsídio para pagamento de casa própria, subsidio para plano de saúde, escolas gratuitas, auxílio-escola, etc etc etc ), mas não queremos pagar o preço dos produtos locais, que refletem os custos dos benefícios acima. Na hora que a dona de casa tem que colocar a mão no bolso, ela vai pro Lidl, onde os produtos todos vem do Leste Europeu, Turquia ou Alemanha, e manda os eurinhos dela pros cofres daqueles países.
Na época daquele escândalo da GAP ( a empresa usou mão de obra infantil na India para bordar blusinhas ), uma jornalista britânica perguntou: mas e a consumidora que viu uma tunicazinha de bom tecido, bordada à mão, à venda numa loja da Highstreet, não achou que havia algo de suspeito com o preço de 16 libras? E se você for pensar, é verdade, se a gente for fazer uns cálculos, umas 4 libras de tecido, 1 libra de pedrinhas, uns 50 pence de linha, etiquetas, cordinhas; mão de obra pra costurar, mão de obra pra bordar, transporte, à preços normais europeus, não paga nem o custo mesmo! Mas daí, a gente sempre se esconde no argumento de que quem paga caro paga marca, e eu até concordo quando estamos falando duma calça de 200 euros da Diesel, ou numa camiseta de 90 euros da Hugo Boss, mas quando falamos de marcas mais acessíveis, não se paga marca não. E o que acontece é que, para sobreviver e poder competir, essas empresas acabam comprando tudo da Asia, India, até do Afeganistão eu já vi roupas. Nessa mesma matéria, a tal jornalista fez uma pesquisa na rua e mostrava uma camiseta e falava: a loja oferece essa camiseta produzida na Índia por 15 libras e a mesma camiseta produzida na Inglaterra por 20 libras, qual você compraria? E nínguém, nem uma viva almazinha respondeu que compraria a produzida na Inglaterra.
Nos EUA e UK, já começou um movimento pela compra de produtos locais. É muito difícil evitar os importados de "low cost country" quando vamos comprar roupas, brinquedos, coisas pra casa, porque muitas vezes não achamos roupas que nos agrade, que sirva, e que seja produzido localmente. Mas para produtos alimentícios é totalmente possível. Eu não compro mais as marcas mais caras, mas também evito ir ao Lidl, e só compros os Euroshopper produzidos aqui. A solução pra mim tem sido comprar produtos "marca da casa", sempre de olho no lugar onde são produzidos. O leite euroshopper foi substituido pelo leite AH, e tantas outras coisas. Minha conta no mercado aumentou um pouco, mas não é de assustar ou passar fome. Tenho certeza que estou fazendo a coisa certa, só gostaria de ver mais gente fazendo o mesmo.
Agora deixa-me ir tomar minha Coca Zero ( infelizmente produzida na Bélgica, mas é difícil evitar alimentos da Benelux aqui ) e comer meu pão Goede Begin com queijo Beemster.
quarta-feira, setembro 23
Coisa de gente atrasada
A Holandesa já fez um post sobre a tal bebé glotón, agora a discussão tá no blog da Denise. Quem quiser youtubar o nome tá aí. Se trata de uma boneca que mama num sutianzinho que acompanha o brinquedo.
A discussão toda vem da reação principalmente dos americanos, contra o brinquedo. Eu acho as reações engraçadíssimas. Tem quem ache de mal gosto. Tem quem ache lindo ensinar a menininha de 4 anos a importância da amamentação. Tem quem ache ótimo que o sutianzinho tenha uma flor ao invés de seios. E tem quem, como eu, ache tudo isso ridículo.
Eu não entendo como é que AINDA compremos bonecas pras meninas. Tanta coisa pra ensinar a menina a fazer, vamos ensinar a limpar a bunda do bebê Cocolito, a aguentar a chatisse da Sarampinho, a passar horas com o Manequinho no seu penico. E não contentes com nosso sadismo, complementamos comprado mini-aspirador de pó, mini-ferro de passar roupa, mini-vassouras. Enquanto isso o Joãozinho, só porque nasceu com um pipi, brinca com um lindo e reluzente carrão, ou é um policial fantástico que salva a humanidade de terroristas malvados, ou é um rico dono de um posto de gasolina, ou um fantástico jogador de futebol.
Há quem diga que é a menina que naturalmente se indentifica com a mãe e imita as atividades dela. Triste isso, que a menina só veja a mãe lavando, passando e cozinhando. Triste também que o menino não veja o pai JAMAIS lavando, passando e cozinhando, porque vocês já viram um mini-ferro de passar com tábua para meninos? Acho tudo isso de "imitar os pais" uma baboseira, no fim a menina pede bonecas porque vê na TV esse mundo de propaganda de bonecas, e também porque a mãe, que brincou de bonecas, no minuto que vê no ultrasson que é uma menina já corre comprar bonecas pra filha.
Isso sem falar que se o filho macho um dia pedir uma boneca, o pai se suicida. Exageros à parte, até uma amiga ultra inteligente e liberal comentou que o filho teve uma fase de querer uma Barbie, e quando ele, além da Barbie escolheu também o carro da Barbie, ela pensou "ele ainda tem jeito". Porque brincar de bonecas é coisa de meninas e gays. Porque vocês sabem, né, a mulher faz filho sozinha, só ela é que tem que aprender a segurar um bebê, a dar papinha, limpar cocô. A gente já meio que cria a menina conformada com o futuro dela: limpar bunda de filho enquanto o marido se diverte no futebol com os amigos.
Suspirando fundo eu pergunto, porque é que nós mulheres nos boicotamos desde cedo? Porque não incentivamos outros tipos de brinquedos? Respondam sinceramente, quem tem filha menina, quantas bonecas vocês compraram até hoje e quantos brinquedos que não tem nada a ver com tarefas domésticas?
E o mais importante: será que eu chegarei a ver a geração que vai mudar isso?
segunda-feira, setembro 21
Banhas
Gordo tem que ser inteligente. Gordo burro não sobrevive nesse mundo cruel!
Tenho dois gatos, Plato e Tyrus. Plato tem ossos largos, Ty tem ossos menos largos. Óquei, podem falar, Plato é gordo e o Ty é normal. Magro nenhum dos dois é.
Plato, o gorducho, é o inteligente da dupla. Ty é… digamos… menos favorecido intelectuamente.
Plato, gato que é, morre de curiosidade em percorrer as ruas do bairro, e eu não deixo, claro. Nesse findi, Plato, que é gordo mas é inteligente, descobriu que já que pular a cerca é uma tarefa hercúlea e praticamente impossível, o negócio era mais embaixo. Literalmente. Ele aprendeu a CAVAR debaixo da cerca e fugir. Fugiu sábado e domingo. Sábado ele voltou antes mesmo da falta dele ter sido notada ( Bart estava sozinho em casa ), e domingo eu percebi logo e o peguei na esquininha. Peste!
E agora deixando as banhas dos gatos de lado e falando das minhas. Já tenho dieta legal pra seguir ( a dos Vigilantes ), já tô planejando novas férias praianas em Dezembro ( biquini de novo ), mas cadê a motivação pra passar fome?
Gente, 21 pontos dos Vigilantes é praticamente nada! Vou ter que subir nas paredes de fome por meeeeses a fio. Um mísero sanduichinho de 2 fatias de pão e uma de queijo, mesmo usando pão integral, queijo menos gordo e margarina ultra light, custam de 4 a 5 pontos. O jeito é comer pão com cottage, que pode até não ser horrível-medonho, mas é meio que comer isopor. O Philadelfia até que dá pra encarar, com umas ruculinhas, mas todo dia? E eu olho a lista das comidas "de graça" ( zero pontos ) e me dá meio depressão, as banhas ( o cérebro )gritam que não querem maçã, alface, pepino, as banhas ( o cérebro ) já sentiram o frio chegando e já entraram no mode inverno: fondue de queijo, chocolate quente, pizza-baguete, cookies de nozes, aghhhhhh...
Preciso daquela ultra motivação relâmpago, estava pensando num daqueles livros do Dr. Phil, será que ajuda? ( perguntinha: será que eu vi direito, o Dr. Phil estava substituindo o Larry King na CNN? ). Toda vez que vou ver a miséria de comida que os tais pontos do Vigilantes me dá me desânimo, mas sério mesmo, TENHO que fazer alguma coisa!
Tudo o que eu queria era estar no Brasil, tomar umas bolinhas, dar umas dançadas e umas nadadas, encomendar as refeições do vigilantes prontinhas e cheirosas, e minha vida seria uma beleza. Mas como diz uma amiga: não reclama, tu tais na Zuropa e Paris é logo ali.
Blé.
domingo, setembro 20
The lost symbol
O livro ainda não conseguiu me capturar como foi o caso de Angels and Demons e The Da Vinci Code. Acho que é porque se passa em Washington, lugar que eu não conheço e não morro de vontade de visitar. Aliás, de Washington conheço o Dulles, provavelmente o aeroporto internacional mais odioso do mundo, ou pelo menos o pior que eu conheço.
Eu deixei o livro reservado desde a semana passada. Fui pegar ontem e era o último exemplar da loja. Um senhora, desesperada para dar um presente especial, me ofereceu 10 euros a mais pelo livro, mas eu não vendi. Não vendi porque não tinha nada programado para o findi, e imaginei que se o livro fosse tão fácil de ler como os outros dois da série, eu o leria compulsivamente e teria um grande final de semana. Mas meio que empaquei. Devia ter aceitado os 10 euros da holandesa.
Aliás, o livro me fez lembrar muito do meu ex-noivo, que era maçon ( ou maçom? ). A mãe dele, católica ferrenha, esconjurou mil vezes o Da Vinci code, agora chegou a vez dele de esconjurar esse, já que ele conta vários segredos da ordem.
Agora deixa eu voltar pras páginas, quem sabe o livro tá pra deslanchar?
sexta-feira, setembro 18
Oh dó
Hoje, sexta-feira, é o último dos poucos dias que, ao contrário dos meus colegas que tiveram pelo menos 13, eu pude ficar em casa. Sexta passada eu fui ao Efteling, coisa que eu pretendia repetir hoje já que ainda me sobra um ingresso, mas... a montanha de roupa suja, limpa pra passar, enxuxada nos armários, é tamanha, que tive que ficar em casa e dar uma de doméstica.
Estou na terceira, vejam bem, TERCEIRA maquinada e só agora cheguei na metade. Pelo menos um alento, as roupas pra passar já estão na gaveta.
Daí eu querer muitos oh dóóóóó's de vocês, porque passar um dia ensolarado, que pode muito bem ser o último do ano, lavando e passando, é o trufo-do-mufurufo.
Agora vou lá, dar uma falecidinha básica no sofá enquanto espero a secadora terminar o trabalho dela.
Pode até dar copy/paste: oh dó da Adriana!
quinta-feira, setembro 17
Antes ele do que eu
Lembram-se do fornecedor Bocarra? Fornecedor Bocarra é o Business Manager de um fornecedor grandão, e ele é o Manager da conta da minha empresa. Tudo tem que passar por ele, cotações, novos projetos, desenvolvimento de peças atuais…
Depois dele errar muito, de pisar muito na bola, dos erros atrapalharem prazos, auditorias, preços, me foi pedido que eu preparasse um documento com todos os erros que ele cometeu, incluindo "prova", e meu diretor vai apresentar para o diretor dele junto com um pedido de decapitação, digo, de substituição de Business Manager.
Demorei 3 dias pra fazer o tal documento, e foram 3 dias de um iô-iô emocional tremendo. Eu já comecei a preparar o documento puta da vida, por causa dele eu tive que adiar 2 projetos, e quanto mais eu "levantava" os fatos, mais puta ía ficando. Em meio a tudo isso, tem ainda um lado que tem dó do cara, porque em tempos mais normais, talvez ele fosse simplesmente realocado numa outra conta, mas na pindaíba presente corre um sério risco de ele ser demitido. E ele lembra muito meu pai. Muito. É besteira, eu sei.
Fiquei emocionalmente tão abalada que me deu dor de estômago, ontem nem consegui jantar, dor muscular terrível no pescoço e ombros, e tive vontade até de tomar um pileque pra poder dormir: minha cabeça não desligava um minuto.
Hoje pela manhã, com o documento pronto, entreguei ao meu diretor e está fora das minhas mãos o destino do Bocarra. Fico me repetindo que é ele ou eu, porque os erros dele estão ME fazendo perder prazos, e eu não perco prazos. Eu sou mais eu, eu sou mais eu, eu sou mais eu… Não sentirei um fio de culpa, não sentirei um fio de culpa, não sentirei um fio de culpa… Ohmmmmmmm…
E mudando o assunto pra distrair. Eu gosto de gatos, mas gosto de cachorros também. Se pudesse também teria um cãozinho simpático, pequeno, pra levar pra todo o canto que nem madame… Mas tem dono de cachorro que eu vou te contar, merecia ser apedrejado em praça pública. Aqui na Holanda, em 6 anos, eu NUNCA vi um dono de cachorro colher o cocô do cachorro pra jogar fora. NUNCA. Eles acham que é responsabilidade pública limpar a rua. Acontece que eles também não gostam de conviver com os montes nas calçadas, então eles levam os bichinhos pros campinhos, pracinhas, canteiros. E as mães de crianças pequenas ficam pissarocas, porque vira e mexe as crianças aparecem "encocozadas". Semana passada vi uma menina passar na frente de casa com o bocão aberto e a mão toda "encocozada". Ontem, o vizinho do Lhasa Apso e do Doberman foi mais uma vez dar seu passeio diário com os cachorros, sem coleira! Doberman na rua cheia de crianças, sem coleira! Aí o cão sem coleira vê o Plato que está tomando um arzinho no jardim, é aquela latição de sempre, mas ontem o Doberman estava tão furioso que ele avançava na cerca, a cerca balançava toda! O cretino do dono, a 100 mts de distância chamava o cachorro, que estava hipnotizado no Plato, e o Plato paralizado, fazendo aqueles barulhos de gato ( hissing ) que gatos da raça dele não fazem muito bem e ficam semanas rouco. Mas eu já tracei meu plano malévolo. Vou colocar o irrigador de grama numa posição fixa virado para o lado de fora da cerca. Quando o cachorro vier, ligo a água. O cachorro não vai estar nem aí, mas o dono vai ter que se molhar pra pegar o cachorro. E eu vou rir meu riso diabólico. HAAAA HAAAA HAAAA.
terça-feira, setembro 15
Adriana pensativa
Desde criança eu fui ensinada que eu tinha que exceder. Na pré-escola eu era a que aprendia as musiquinhas mais rápido, fazia os desenhos mais bonitos, e aparecia sempre num lugar de destaque nas dancinhas e pecinhas do dia das mães.
Não pensem que eu sou super gênio e nem que fazer algo bem vinha naturalmente, eu treinava muito. Treinava porque era sempre, apesar dos 5 anos de diferença, comparada ao meu irmão. E ele sim era um gênio. E o meu irmão, alé de gênio, era adorável, aquela criança quieta, obediente, introspectiva, que dava trabalho zero para quem quer que fosse. E loirinho, imagine só! Eu era uma peste, então tinha que, ao menos, ser uma peste inteligente.
E não pensem que eu era comparada ao meu irmão quando ele estava na mesma série que eu estava, na na ni… Minha mãe pegava meus ditados e dizia: tá vendo, você errou esse acento, teu irmão já faz um ditado de página inteira sem erro nenhum. O detalhe é que eu estava na segunda série e ele na sexta. Mas minha mãe não fazia por mal, "she didn't know better". Não a culpo ( muito ).
Já adulta, a meta era ser gerente, diretora, presidente ( ! ) da empresa. Aliás, apesar de eu concordar que meu caso era um caso à parte, acho que no Brasil todos nós somos educados a ter essa ambição de subir na carreira, não importa qual seja nossa profissão. Acho que vem da falta de estabilidade econômica, e a falsa idéia de que no caso de uma pindaíba, vão-se os peões e ficam os caciques. Nos quase 10 anos que eu trabalhei na GM, nunca ouvi ninguém falar "quero ficar aqui bonitinha no meu carguinho, fazer meu trabalho e ir-me embora". Todo mundo sempre queria ser promovido, escalar a escada corporativa ( ó que termo brega ). Até porque ser promovido aumenta o salário, e din-din nunca é demais ( não é isso que ouvimos à torto e direita no Brasil? ).
Chegando aqui, claro que minha busca ao emprego dourado se restringia a posições que fossem me dar a chance de crescer. Isso triplicou a dificuldade de achar um emprego. Se vocês forem ao blog antigo e lerem os comentários daquela época, vão ver o quanto me aconselharam a procurar um emprego mais simples, "começar de baixo", etc etc etc. Mas sinceramente, naquela época, um emprego mais simples iria me fazer tão infeliz quanto o desemprego. É difícil mudar comportamentos depois dos 30 anos. Eu tinha ainda muito o que pensar e repensar, aliás imigrar é uma viagem doida ao auto-conhecimento, e quem não mudar, vai sofrer.
Aqui na Holanda, é muito comum as pessoas, especialmente mulheres, terem um emprego pra ajudar no orçamento doméstico, sem a menor ambição de ganhar mais, de subir na carreira. Eu trabalhei com uma menina na primeira empresa que, apesar das inúmeras ofertas de começar a ser treinada em compras, preferiu ficar numa função básica de digitadora. Ela dizia que iria trabalhar até que o seu namorado ( hoje marido ), subisse na carreira o suficiente pra poder dispensar o salário dela, e ela iria então "cuidar da casa". Eu juro pra vocês, que apesar de gostar muito dela, me incomodava imensamente que em pleno século 21 ainda tivesse mulheres que pensassem assim, como se estivessem no século retrasado.
Eu tenho mil idéias a esse respeito, e esse post enorme ficaria homérico, mas basta dizer que depois de pensar e repensar muito, cheguei à conclusão que o mundo é como é. E pronto. Eu sou prova de que chegar aqui, mesmo com grau universitário e um CV lindo-e-maravilhoso, não garante emprego fácil pra ninguém, e tem gente que simplesmente não está a fim de encarar a ralação de fiofó nas pedras, ou não tem estrutura, ou não acha que o pote de ouro no final do arco-iris compensa o sacrifício.
E como eu disse, o mundo é como é. Tem gente que vem mesmo pra se encostar no gringo, ficar em casa, ter filhos, cozinhar batatas e lavar cueca suja, e apesar de eu não ser fã da idéia, se tá bem pra pessoa, se tá bem pro gringo, quem sou eu pra criticar.
**** pausa pra contar histórinha ****
Conheci um gringo casado com uma brasileira na empresa anterior, feio feio feio de dar dó e de cortar o coração. Ele dizia que a esposa brasileira foi um gigante upgrade pra ele. A primeira esposa, holandesa, não trabalhava, cozinhava mal, cuidava "do jeito holandês" da casa, entenda-se que a única faxina decente que a casa via era aquela no começo da primavera, e assim que teve filho tosou o cabelo e "perdeu a vaidade". Se separaram, ele casou com a brasileira, teve 3 filhos, ela manteve o cabelão, era bonitinha - toda mignon, nas vezes que eu a vi estava razoavelmente maquiadinha e bem vestidinha, segundo ele a casa brilhava. Brasileira feliz, gringo feliz, quem sou eu pra falar algo. E sinceramente, feio do jeito que era, jamé de lá vie que ele ía encontrar uma holandesa marromenos bonitinha.
**** fim da histórinha ****
E tem quem venha com outras prioridades, mas ainda precisa ajudar no orçamento, então embarca num emprego mais simples, menos dias por semana, pra ter seu salariozinho e ainda ter tempo de se dedicar à família. E tem quem venha com a ambição, como eu, de retomar suas carreiras, de crescer na profissão que escolheram.
E dentro desse contexto, ontem tive a minha avaliação annual aqui no trabalho. O diretor começou perguntando qual era o meu plano para o futuro: ficar onde estou, felizinha com meu emprego e me mantendo assim, trabalha alguns anos e sair da empresa ( pra alguma outra ou para ter filhos ), ou fazer carreira aqui. Eu jamais havia pensado que íam me perguntar isso um dia, e fui pega totalmente de surpresa. Naquele instante, com o diretor olhando ali a minha reação, tive vários flashes, e me perguntei se, já que eu estou tão feliz com a minha carreira, não seria hora de parar, aproveitar, talvez ter um bacurim, ou adotar mais um gato, ou aprender a tocar oboé… Mas a verdade é que eu seria absolutamente infeliz, ver todo mundo evoluindo, crescendo, e eu estacada ali, pro resto da vida. Talvez se eu tivesse o bacurim eu mudasse, mas e se não mudasse? E se eu continuasse frustrada por não poder crescer aqui ( o que involve trabalhar até mais tarde, viajar a trabalho, e trabalhar 5 dias por semana ). Devolver o bacurim não tem como. No fim, acabei dizendo que quero ser a CEO da empresa, eu já tinha ido à um almoço de high-potentials e fui oficialmente adicionada ao "grupo", já fui inscrita nuns cursos, vou ter que treinar um comprador junior, e participar de uns projetos doidos, e o que era difícil vai ficar ainda mais.
E a vida segue, porque o mundo é como é, e eu sou como sou.
domingo, setembro 13
Chitchat
What have I been up to? O que eu andei aprontando?
Fui ao Efteling.


Para quem não mora nessas bandas, o Efteling é um parque de diversões holandês. Todas as vezes que vou fico de boca aberta com a beleza do parque. O Efteling não tem as atrações carésimas e super novas cheias de avanços tecnológicos da Disneyland Paris, ela não tem o Mickey e sua turma, mas vou te dizer uma coisa, especialmente para quem tem crianças pequenas, o Efteling é melhor que a Disneyland. Começa que o parque é no meio de um bosque, e aproveitando a vegetação, foi feita uma floresta encantada com castelos, casas, riachos, onde se vê a Cinderela, a Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel... A atenção aos detalhes é impressionante, desde o muro das casinhas, as estradinhas, os telhados irregulares... Os jardins são provavelmente os mais lindos que já vi, bate de longe Versalhes, Tuilleries. O parque é imenso, anda-se bastante, encarar com criança pequena só levando aqueles carrinhos de bebê ou alugando um carrinho de puxar. E para os adultos, há montanhas-russas, 3-D, e outras atrações interessantes. Quem vier à Holanda, gosta desse tipo de parques, e tem tempo, deve visitar!
E que mais? Comecei a batalha "férias de dezembro na praia sem ir à falência". Novamente tentei o Brasil, Arraial d'ajuda ou Trancoso, e novamente desisti depois de momentos de fúria. Nenhum site tem preço, o povo querendo ludibriar na cara larga ( esperando ver a demanda pra sugar até o seu último tostão ), as empresas aéreas que ainda não aceitam cartão de crédito internacional, ou se aceitam cobram em euros ou dolares, o dobro ou quase o triplo dos preços brasileiros. Uma bandalheira, uma desonestidade, uma cara de pau, me dá nojo. Vão ficar sem meus ricos eurinhos, esses vão para o Dominicanos, que não são larápios.
Ainda não sei qual será o período de férias, mas estou investigando República Dominicana, Jamaica, e até o Hawaii já olhei. Mas como não estou podendo ir à falência, acho que vai Republica Dominica.
Fora isso... Ah, comi Tompouce pela primeira vez, um doce típico holandês, e achei que não tem gosto de nada.

Fui comprar um livro na livraria, porque gosto mais do que pela internet. Comprei o primeiro da trilogia do tal Larsson. Dormi na primeira página, mas eu estava podrésima de cansada. E de quebra, deixei meu nome na lista de espera para o novo do Dan Brown. Gostei dos outros 2, vou gostar desse, mas está todo um esquema Harry Potter, listinha de espera, caixa lacrada na livraria, em Amsterdam e Rotterdam livrarias que vão abrir até 1 da manhã pra vender o livro. Vamos ver onde a história nos levará dessa vez, o primeiro foi à Roma, o segundo à Paris e Londres, vamos ver dessa vez...
Comprei uma calça jeans folgada e deliciosa, comprei um casaco de inverno, escovei o Plato até tirar a maioria dos nós e agora ele está um espetáculo de gato, fiz bife de filé mignon brasileiro do Makro, conversei com a minha sobrinha no chat, e só.
Nessa semana tenho outra sexta feira livre. Vou começar a fazer planos...
quarta-feira, setembro 9
Jeitinho Holandês
Eu sempre achei o povo aqui na Holanda bem honesto. Claro que tem um ou outro caso de roubo de bicicleta, batedores de carteiras em lugares turísticos, vira e mexe você ouve falar de uma casa que foi roubada enquanto os donos viajavam, mas não é muito comum.
No trabalho, as pessoas também são mais honestas. Aqui dizem que "afspraak is afspraak", algo como "combinado é combinado", se alguém te diz uma coisa e não coloca no papel, você pode confiar que ele vai manter a palavra. Diferente do Brasil, onde cada vírgula que um fornecedor falava eu tinha que colocar em minuta de reunião e fazer o dito assinar.
Entretanto, com essa redução de jornada de trabalho, estou vendo um lado dos holandeses que eu ainda não tinha visto. Pensam que é só no Brasil que se dá jeitinho pra tudo?
Por essa lei da redução de jornada de trabalho, os funcionários devem deixar de trabalhar no mínimo 20%. Em teoria, no meu departamento, deram 10 dias "em casa" nas férias de verão, e outros 3 dias são usados em treinamentos meio furrecas. Acontece que a empresa solicitou que a redução de jornada seja extendida ao quarto trimestre, e no meu departamento estamos todos muito p da vida, porque estamos trabalhando que nem camelos. Eis que o diretor sugere: ué, vocês reclamam da sobrecarga, mas nada impede que vocês levem o trabalho pra casa na sexta-feira e façam em casa… Ficamos todos de boca aberta, e um dos rapazes disse que era ilegal, e o diretor só balançou a cabeça e disse: ilegal, ilegal, quem vai saber o que você faz em casa?
Eis que ontem acontece algo ainda mais desconcertante. Um fornecedor estava fazendo uma exposição aqui, mas os produtos dele não tinham nada a ver com os meus, nem com o da maioria do meu grupo. O diretor veio aqui na hora do almoço, pediu pra gente ir lá "mostrar a cara" e assinar a lista de participantes. Eu nem dei muita importância, olhei os produtos, peguei os panfletos, assinei a lista, e em 15 minutos eu estava na minha mesa de novo. Alguns dos meus colegas também fizeram o mesmo. Eis que hoje vem a secretária pedindo pra gente assinar a folha do RH confirmando que ficamos 4 horas na "visita" e que concordamos que essas 4 horas vão contar como redução de jornada. Ficamos todos novamente chocados, e ninguém assinou. Mandamos e-mails, participamos de reuniões, atendemos telefones nessas 4 horas, e se tivesse um auditor pro aqui, estaríamos comentendo fraude.
Hoje vamos ouvir se a redução de jornada continua o acaba dia 25 de setembro, e só com essa decisão saberemos como será nossas férias de inverno. Tá todo mundo pissaroca da vida.
Pensam que é só brasileiro que dá jeitinho?
segunda-feira, setembro 7
Dando o nome aos bois
Antes de colocar nome nos filhos, devia ser obrigatório dar aos pais uma aula de bom senso, com direito a provinha e certificado no fim do curso.
Pais deviam lembrar que o filho não é um gato, e que um ser humano irá carregar a escolha deles pelo resto da vida. Será que o casal, antes de escolher um nome estapafúrdeo não visualiza o filho sendo chamado na escola, ou um cartão de visitas com aquele nome?
Com a globalização, eu acho que ao menos, o nome deve deixar claro se a criatura é homem ou mulher. Várias vezes eu tenho que perguntar aqui se o fulano do e-mail é homem ou mulher. Meus vizinhos tiveram bebê e o nome é Luuk, me disseram que é o apóstolo, que deve ser o Lucas. A filha de uma colega da primeira empresa é Kateau ( fala-se Katô ). Isso sem falar que aqui, com essa mania de homenagear os avós, tem um monte de homem com nome de mulher e vice-versa, meu colega Joop ( diz-se Iôp ) chama-se Jozef Wilhelmina "da Silva", e o Wilhelmina aparece no passaporte dele.
Eu fico me perguntando, hoje em dia, será que os pais não googam o nome que pretendem dar aos filhos? Será que não rola uma curiosidade pra ver se teve gente famosa com aquele nome, ou se em outros países aquele nome corresponde a um gênero diferente, ou se quer dizer alguma coisa feia? Tipo, aqui vi um bebê chamado Marciano. Quero ver esse coitado ir de férias pro Algarve ou pra Espanha.
Mas trouxe esse assunto à baila porque hoje acho que vi o pior do pior do pior dos nomes. Esse coitado, se é que é menino, vai mudar o nome dele na primeira aula de inglês. Os pais devem ser muito, muito, muito ignorantes. O nome do bebê é Boner.
Como pode? Boner. Coitado (a).
PS.: Povo, dando continuidade ao post abaixo, quem tiver nome de séries de livros, trilogias, quadrilogias, etc, agradecemos a indicação!
domingo, setembro 6
Vazio
Terminei o nono livro da série Sookie Stackhouse, na qual o seriado True Blood é inspirado. Foram mais de 2000 páginas em uma semana.
Adoro séries, quer seja na TV ou em livros. Me envolvo, me apego, e quando acaba, fico chateadésima. Harry Potter foi assim, Twilight, The Mist of Avalon, e agora, o Sookie Stackhouse.
**** Spoiler ****
No seriado de TV, o vampiro Bill, protagonizado pelo moreno Stephen Moyer, que na vida real está noivo da atriz Anna Paquin, que protagoniza a Sookie, é o herói e personagem principal. Muito do mérito da série está na performance e carisma desse ator. Entretanto, já no quarto livro, Sookie não está mais com ele e se envolve com o Eric, e a primeira noite dos dois é, nesses meus 29 anos de leitura, a passagem mais sensual e bem escrita que eu já li. No livro 9 eles estão noivos / casados, pela lei dos vampiros pelo menos.
Agora fico me perguntando: será que o seriado de TV vai arriscar terminar o relacionamento da Sookie e do Bill, que está dando tanta audiência, e seguir o livro?
A performance e beleza do Sueco Alexander Skargard está impressionando bem, e se conseguirem passar pra tela 10% da tensão do relacionamento do dois, o seriado será imperdível
**** Fim do Spoiler ****
A segunda temporada terminará domingo que vem, não sei quando começa a terceira. O décimo livro, se sair, sai em maio. Em outra série vampiresca, a franchise Twilight, o próximo filme, New Moon, chega ao cinema em novembro.
Estou absolutamente arrasada.
Se alguém tiver alguma série de livros boa pra indicar, será a salvação da lavoura. Eu adoro Sci-fi e romances.
Enquanto isso, tenho que tomar partido aqui: sou totalmente TEAM ERIC. Vampiro Bill que me perdoe, mas à um viking lourão de 1,95 de altura, corpo perfeito, cara de malvado, é difícil de resistir.
sexta-feira, setembro 4
Na fase vampiresca

Vampiro Bill

Vampiro Edward

Na minha fase vampiresca eu vos pergunto: como é que Deus pode criar tanto homem bonito?????
E para quem anda procurando uma série interessante para seguir, fica aqui minha dica: True Blood. Mas não assistam com crianças, porque é meio, digamos, "picante". Estou lendo agora os livros ( Sookie Stackhouse 1 to 8 ) e u-la-lá, tem cada passagem...
Pra mim, os três vampirões acima estão no empate técnico. Adoro cara de nenê, adoro loiros altos, adoro olhos verdes num rosto misterioso.
E você, entregava a alma pra quem?
terça-feira, setembro 1
Um grande sonho...
Sinceramente não penso em benefícios para a saúde, na verdade nem me convenço muito sobre esses benefícios, pois sempre que leio à respeito me parece que no fim os prós meio que empatam com os contras. Preciso me informar mais, quem sabe existam mais prós, e eu me convença ainda mais.
O que me impulsiona é realmente o dó dos bichinhos. Cada vez que vejo um desses animais criados para o abate, com suas orelhinhas perfuradas por etiquetas de controle mil, me parte o coração.
Tem gente que acha isso besteira, e principalmente os ultra-carnívoros vêm com argumentos do tipo: mas você usa sapatos de couro, e o leite do queijo que você come vem de vacas confinadas, e os ovos de galinhas que mal podem se mexer no criadouro...
Eu ando pesquisando bastante sobre o assunto das condições das granjas e dos criadores de gado leiteiro. Sobre o gado ainda não achei muitos dados, mas sobre os ovos, achei sites sobre as condições de vida das galinhas de cada tipo de ovo.
Não sei se aonde vocês moram tem também tanto tipo de ovos como aqui. Aqui temos os ovos normais, claro, são os mais baratos. Aí temos ovos "grãos-integrais", ovos "milho", ovos com mais ômega 3, ovos com duas gemas, ovos orgânicos, e o meu favorito: ovos vrijlopende, que são ovos de galinhas que são criadas soltas, ou em inglês free-range. Aqui na Holanda, as granjas não podem fazer como no Brasil, onde as galinhas mal podem se mexer, aqui cada galinha tem um número mínimo de metros quadrados disponível, e no vrijlopende essa metragem é a maior. Posso estar sendo inocente, e imagino sim a penosa lá num campo verdinho, andando livre e faceira, e embora o cenário possa não ser assim tão idílico, acredito que estou fazendo o melhor que posso.
Mas voltando à dieta vegetariana. Desde o princípio do ano me dispus a ter pelo menos 2 dias vegetarianos na minha semana, e sem esforço já estou nos 3 dias. Nesses dias como massas, risotos, até pizza, tudo sem carne nenhuma. Esses dias já viraram um prazer pra mim, e não aquele "porcaria, hoje não POSSO comer carne".
Com o estômago reduzido como o meu, sinto mais aquela carne atravancada fazendo digestão por horas e horas e horas, e quando deixo de comê-la me sinto super disposta, ágil, não me dá aquela caída de energia depois da refeição.
Sei que no caminho terei duas grandes pedras: deixar de lado o frango, e o Natal no Brasil. Do resto eu não sentirei tanta falta.
No dia-a-dia, outra coisa que dificulta é o marido carnívoro. Ele não é ultra-mega-uga-buga-homem-das-cavernas viciado em carne, mas segue o princípio 30% carne, 40% batata-pasta-arroz, 30% vegetais na refeição principal ( jantar ) pregados por aqui.
Vou chegar lá. Não tenho pressa. Me sinto super bem com o fato de eu ser responsável pelo abate da metade dos bichinhos que eu consumia antes. E que venham os risotos de abobrinhas, as paellas de frutos do mar, as pizzas de champignon, os soufles de queijo, as pastas pomodori-basilico.



