segunda-feira, novembro 23

Meu ursinho blau-blau


Faltam menos de 2 semanas pras minhas férias. De julho até agora eu trabalhei feito uma camela em 5 projetos para um veículo novo, enquanto o normal é cada comprador ter 1 ou no máximo 2. Na semana passada fiz a apresentação final do último, e minha vida mudou.

Mudou porque o que me estressa gigantemente não é o trabalho em si, mas duas coisas terríveis:

- Ficar empurrando o time com mão de ferro pra mantermos o prazo. É um pesadelo porque holandês é braço curto: se fulano tinha que entregar uma informação pra ele e não entregou, ele cruza os braços e coça o saco, ele não liga pra cobrar, ele não tenta conseguir a informação de outra forma, no fim, ele só diz que não fez o bolo porque o Hans não trouxe os ovos, e pronto.

- Apresentação pro Diretorzão membro do Board of Diretors: é 80% do meu stress. O cara é um gênio e ninguém acompanha o raciocínio dele, eu muito menos. O que me resta é me preparar até o último milímetro do meu ser pra responder até a mais ínfima pergunta dele. Por enquanto tem dado certo, eu estou na listinha colorida dele, rezando pra nunca entrar na negra, porque o povo na listinha negra sofre, mas gente, na semana antes da apresentação pra ele eu fico em pandarecos, e no dia anterior eu sempre trabalho até as 10 da noite, revisando e revendo e decorando cada vírgula da apresentação.

Então, minha vida mudou porque seriam só mais duas semanas fazendo os contratos pra sacramentar os negócios apresentados pro diretorzão, mas em teoria, eu nem o veria mais esse ano.

Já notaram os verbos no passado né?

Pois então, chego hoje e me deparo com um e-mail do meu diretor me mandando organizar um projeto gigantesco, junto com a matriz nos EUA ( que fica em Seattle e com o fuso horário de 9 horas, nos deixa 2 horas úteis pra trabalhar juntos ), a duas semanas das minhas férias!!! E vou ter não só que fazer 3 apresentações pro diretorzão em 2 semanas, mas a terceira inclui o chefezão americanão do diretorzão, olha o stress!

Sabem, eu SEI que eu estou remando contra a maré. Mulheres ganham 30% a menos que homens no mesmo cargo na Holanda, dizem as estatísticas. Certas empresas ( como a minha, no meu departamento ) evitam contratar mulheres. Imigrantes são preteridos aos locais, principalmente em época de crise e mão de obra abundante disponível no mercado. E eu me recuso, ME RECUSO, M-E---R-E-C-U-S-O, a sentar, pensar "que injustiça, mas fazer o que?" e seguir com a corrente do rio, ganhando menos, sendo assistente de alguma coisa, e perpetuar a injustiça, que se você for ver, deixa de ser injustiça, já que você passa a se comportar exatamente como as corporações acham que toda mulher ( e imigrante ) se comporta.

Mas nessas, acabo trabalhando muito mais que meus colegas, pra provar o que não devia precisar se provado, e vou me cansando, e tô cansadésima de nadar. Estou CANSADA. Estou o pó da rabiola, com vontade de mandar todo mundo às favas. Meu lado racional grita pra eu engolir o sapo por só mais duas semanas, mas é sempre a mesma história, né povo, volto de férias toda renovada e caio de novo na mesma lambança habitual.

Só vou dizer uma coisa: felizes os possuidores de um bilau.

sexta-feira, novembro 20

Twilight Saga: New Moon

Acabei de chegar do cinema!

Team Edward Total!



É impressionante o que a adição de uns milhõezinhos ( ões ) de dólares faz na produção de um filme. Depois do orçamento restrito que resultou numa modesta produção de Twilight Parte I, resolveram investir pesado no segundo filme.

Vou começar pela única coisa que não me agradou: a trilha sonora. Se a trilha sonora do primeiro filme foi um desbunde, a desse passa desapercebida total.

Mas então, o filme em si. O tratamento cosmético dos vampiros transformou o filme. Nada de lentezinhas de contato vagabundas pra dar o tom ambar descrito nos livros, foi lente boa e muito efeito especial. Os vampiros estão também mais naturais, antes dava pra ver que era maquiagem, agora é um misto de maquiagem, efeitos gráficos e uma ótima iluminação.

A introdução do "Werewolf Pack" foi ultra bem feita, as cenas de transformação em werewolf são perfeitas! O Taylor Lautner como Jacob está muito bem, o garoto é mesmo lindo ( apesar de não fazer meu tipo ), e comadre marmanja já passada dos trinta e com filho suspirou pelo Jacob o filme todo.

Achei que as cenas onde aparece a imagem do Edward ao invés da voz ( como no livro ) fosse ficar brega, mas foi tudo muito bem feito. E até a Kristen está bonitinha, e conseguiram tirar aquele tique-gagueira-piscadeiro que ela tinha no primeiro filme.

O filme não é 100% fiel ao livro, mas conta bem a história. Pra falar a verdade é o meu livro menos favorito, mas o filme é bom.

Nota para quem mora nas redondezas: eu falei tanto do cinema Zien, e domingo assisti ao 2012 na sala 1 e foi ótimo. Hoje assisti o filme na sala 4 e sinceramente, um pulgueiro. O som estava péssimo e a tela é de 1974. Quando eu voltar de férias assito de novo no Pathézão, que sem gentarada continua sendo o melhor da região, pelo menos TODAS as salas são de razoáveis pra boas.

La cucaracha la cucaracha... Ya no puede caminaaaaar!


O dolar super-baixo no Brasil, a brasileirada está se esbaldando de viajar pro exterior. Meu irmão estava babando de vontade de levar as crianças pra Disney, mas os descontos nos carros foram mais interessantes e ele acabou comprando um carrão cheio dos trique-triques. Um fornecedor brasileiro me contou ontem que foi procurar um pacote pro Iberostar Praia do Forte, na Bahia, na agência CVC, e ficava mais em conta ( e muito mais em conta ) ir pro Iberostar Quetzal em Playa del Carmen, perto de Cancun. Eu já comentei aqui que nesses resorts grandes, gringo paga menos que brasileiro, justamente porque se o preço aqui fora for o mesmo preço que cobram no Brasil, gringo vai pro México, pra Jamaica, pra Republica Dominicana, pra Cuba. Pra eles Brasil não é melhor nem pior que nenhum desses destinos tropicais.

Aí o fornecedor me perguntou o que fazer. E sendo honesta, honestíssima, eu adorei a Praia do Forte, mas Playa del Carmen é mil vezes mais cheia de atrações do que Praia do Forte, sem falar que a praia em si é mais bonita no México. Em Playa, você está perto das pirâmides Maias, e gente, é moooito legal. Você tem Cozumel pertinho pra mergulhar, pode fazer snorkel na maioria das praias, tem mil mergulhos em cianotes pra fazer, é coisa que não acaba mais. Praia do Forte é menos interessante, se bem que o passeio a Salvador é muito legal.

Acho também que como primeira experiência internacional, o México é muito legal. A língua não é tão assustadora, o clima é bem parecido, o esquemão praia-cidade é bem parecido com o Brasil, e tem toda aquela experiência de passar pelo Duty Free ( brasileiro é o povo mais fã de duty free que eu conheço ), do vôo longo, de chegar num país todo diferente, com língua diferente, de se sentir desbravando novos horizontes.

Uma vergonha pro turismo brasileiro uma viagem pro caribe ser mais cara que uma viagem pra Bahia, mas quem sabe se o êxodo continuar, o preço do turismo nacional abaixe um pouco?

Dia 4 próximo os van den Broek dormirão no aeroporto de Bruxelas, naquele Sheraton que eu já estou rezando pra ter boa isolação acústica, e partimos em direção ao Caribe às 7 da matina do dia 5. Vamos ficar 3 semanitas num resortão all-inclusive. Cêis tão carecas de saber que eu aaaaamo praia e resortão all-in, né? Quando eu chegar lá digo onde estou ( ho ho ho, adriana misterióóóósa ). Mas a viagem é o que está me segurando em pé, porque tô mesmo é com vontade de sair pulando e gritando.

Ontem trabalhei até as 21:30 na empresa, às 21:00 as luzes apagaram e eu fiquei sozinha no escuro. Eu tenho medo do escuro. Quase entrei em pânico, fiquei com a luz do monitor, umas lâmpadas de emergência acenderam, tive que ligar pra recepção, que fica a quase 1 km do meu prédio, e eles vieram me resgatar. Hoje estou um bagaço, mas já avisei que às 3 eu pico a mula. Hoje tem Twilight Saga New Moon no cinema. U-hu.

Bom findi pra nós!

quarta-feira, novembro 18

Uia! (2)

Podem dizer que eu morri e esqueceram de enterrar, mas foi só hoje que eu vi que o Brasil sediará a copa de 2014.

Juro.

Eu não sou Ugly Betty!

Vocês sabem que eu já tive uns 35 quilos a mais. Costurei o estômago, emagreci, mudei pra Holanda, nesses quase 7 anos ganhei uns 12 quilos, que aliás, eu nem acho muito, considerando que já era esperado que depois de alguns anos de gastroplastizada eu engordasse, considerando que eu estou ficando mais velha e pra manter o peso eu teria que me exercitar mais, o que eu não faço, e não esquecendo que adaptar-se num novo país na maioria dos casos traz também uns quilinhos a mais. All in all, not too bad.

Claro que eu gostaria de emagrecer, claro que seria melhor também pra saúde, mas querem saber da verdade: eu olho no espelho e não me desgosto. Essa aceitação da imagem, aceitar que eu não tenho uma bunda tamanho 42, que eu não tenho corpo de biquininho asa delta veio mesmo só aqui na Holanda.

No Brasil, mesmo com os 12 quilos a menos, eu me sentia inapropriada. Eu me escangalhava de passar fome pra entrar numa calça jeans da minha marca favorita ( Forum ), que raramente tinha o 46, e mesmo assim, quando tinha, era um 46zinho. Pra minha bunda entrar num 44 brasileiro eu tenho que passar muita fome, e da cintura pra cima eu fico com cara de passarinho, meu rosto fica chupado, os peitos pequenos, não fica lá muito legal não, ou eu pelo menos não gosto muito. Mas eu TINHA que passar fome, porque senão acabava tendo que ir comprar na Palank modas, e colegas, roupa de gordo no Brasil, pelo menos há 7 anos, ninguém merece.

Aqui na Holanda, as gordinhas não se escondem debaixo do poncho na Betty a Feia não. Primeiro que a maioria das lojas tem até o 46 e é um BOM 46. Minha bunda cabe naquele 46 na boa. Existem muitas opções pra quem usa do 46 pra cima, e tem muita roupa legal. As gordinhas abusam dos decotões, usam muita roupa sobreposta, até vestidinho e mini saia tem. Aqui, quem veste 44 holandês ( 46 brasileiro ) é normal, no Brasil, mesmo vestindo 44 brasileiro eu ainda era chamada de gordinha.

O mais importante é que meu guarda-roupas vive recheado, eu tenho tanta escolha nas lojas! E olha, preço de roupa de gordo no Brasil é um roubo ( o gordinho até emagrece porque não sobra grana pra janta ), mas aqui é o mesmo preço.

Viver num lugar onde não sou considerada a escória da humanidade porque não tenho 60 de cintura é uma maravilha. Acho que até compensa o friiiiio.

terça-feira, novembro 17

BRLLL...


Enquanto eu faço a contagem regressiva pras férias no Caribe, a moçada que trabalha comigo está em polvorosa: semana que vem abre oficialmente a temporada de ski na Áustria.

Segundo meus colegas de trabalho, "the place to be" é Ischgl, fronteira da Áustria com a Suíça, eles dizem que é a Ibiza do ski. Bom, eu fico quieta, porque acho Ibiza uma tosqueira só, pelo menos aqui no verão tem canais de transmissão direta das festas de praia e noturnas, e tem muita gente tosca em Ibiza. Aqui na Holanda mesmo, vende-se muito pacote de ônibus ( e ferry ), pra meninada ir se aboletar naqueles apartamentos meia-boca, e "aproveitar" o verão. Putz, tô escrevendo e na cabeça rola a musiquinha do Locomia, lembram?

Então, voltando à Ischgl. A temporada sempre é aberta e encerrada com um show de um artista famoso, esse ano será aberta pela Kate Perry, que eu aliás gosto.

Acho que é só imigrante mesmo que foge do frio ( e nem todos ), a holandesada o espera ansiosamente, curtem o inverno de verdade, e os mais chegados sempre me aconselham: Adriáááána, embrace it. Blé.

Holandês sempre vai pra estação de esqui de carro, e normalmente prum chalé ( a versão "invernal" do appartamenten do verão ). Eles não alugam o equipamento, eles tem mesmo esquis e skiboards, e juram que compram as roupas, luvas, óculos, touquinha e etc em casas de esporte, mas por baixo dos panos deve rolar muito Aldi, porque nessa época o Aldi tá cheio de venda especial de roupa de ski. Sei que o povo vai me achar esnobe, mas sou friorenta, e a simples idéia de deixar meu aquecimento nas mãos duma roupa do Aldi me é horripilante. Normalmente vão em grupos ( quando solteiros ) ou com a família toda ( quando casados ). Criancinha aqui esquia, e dizem que criança normalmente esquia bem. Pra eles, esquiar são as férias "caras", afinal de contas, além de ter que pagar os tais skipass ( passe pra poder usar as pistas ), normalmente se esquia em países como Suíça, Áustria, França, que não são conhecidos pelos preços mais camaradas da Europa. Não sei muita coisa de esquiar, mas sei que o brega do brega é ir no tal Val Torens, que sinceramente, me parece bem prático e good enough. Você pode agora comprar umas férias all inclusive pra esse Val Torens, o pacote inclui transporte, estadia, skipass, aluguel de equipamento e refeições.

Até penso em um dia tentar aprender esquiar, deve ser legal descer os slopes na maior libertade, vento nos cabelos, mas e o frio? E O FRIIIIIIO? E a grana pra investir em roupa, bota, luvas, equipamento? Já perguntei E O FRIOOOO? Então, é frio.

Tem também uns pacotes "aventura" na Noruega, normalmente de uma semana, beeeem lá no norte, 3 dias você acorda, pega um snowmobile e vai visitar a região com o grupo ( tem fazenda de renas ( !!! ), fábrica de velas, floresta ) e um ou dois dias você vai naqueles trenós puxados por cachorros ( eu tenho dó ) visitar onde procriam e treinam os cachorros, e outros passeios pela região. Me parece interessante, só que já avisam que é escuro o tempo todo e a temperatura média é -20C. Já imaginaram, Adriana aos -20C? Nem a pau Juvenal.

Sabem, acho que quem tem filhos acaba se adaptando melhor e mais rápido aqui sim, afinal você tem que ensinar a criança os costumes daqui, e acaba entrando na dança. Acho que se eu tivesse filhos eu ía levá-los esquiar que nem os amiguinhos, porque senão eles seriam eternamente os estranhos da classe, que só vão pra praia.

É que nem a história do Sinter Klaas. Eu particularmente acho uma besteira sem tamanho, mas o velhinho chegou de barco sábado. Em todas as cidades, diga-se de passagem. Eu, que não tenho filhos, digo que JAMAIS tiraria meu filho de casa no frio e garoa que estava no sábado, pra ir na beira de um canal ( é mais frio ainda ), com um boné de penachos, em plena epidemia de gripe suína, esperar um velho bispo ( eu não sou nem católica ) chegar montado num cavalo branco dentro dum barco, cheio de pretinhos em volta ( o bispo é branco e os serviçais pretos, mó preconceito ). Mas se eu tivesse um filho, ía acabar pensando que ele seria a única criança da classe a não ver o Sinter Klas chegando, que ía crescer traumatizado, e no fim iria de mau humor pra beira do canal mas levaria a creonça, e no fim, me adaptaria mais.

Putz, comecei na estação de esqui e terminei no Sinter Klaas ( aliás, me parece o Papai Noel desnutrido ). Sem falar que em metade do post escrevo ski e na outra esqui.

Foi mal aê, povo!


segunda-feira, novembro 16

Mão-de-vaca


Sim, holandeses são muito muito muito mão de vacas, mas tem hora que tem que ser.

Vejam só. Ontem decidi que queria ir ver o filme 2012, porque adoro filmes de desastres naturais. Normalmente eu vou com a minha scooter ( estacionamento grátis ) pro Pathé, lá uso meu cartão de vantagens pra comprar o ingresso ( sai 6 euros ao invés de 8,50 ) e compro uma garrafinha de meio litro de Coca light e um pacotinho de pipocas doces no supermercado ao lado, gastando normalmente uns 2 euros. Quando estou com vontade de pipoca salgada compro no cinema mesmo, e a  caixinha média sai 2,40 euros. No geral, gasto menos de 10 euros pra assistir um filmezinho legal, com refri e pipoca. Ontem estava ameaçando chover, resolvi ir de carro. E como estou evitando o Pathé depois do episódio do bebê no cinema, fui ao Zien, onde não há cartão de vantagens. E como não tem o supermercado do lado, tive que comprar pipoca e refri no cinema mesmo, a conta: ingresso 9 euros ( era sessão com cadeiras marcadas, cobram 50 cents a mais ), estacionamento por 3 horas 8 euros, refri e pipoca média 7 euros, total da brincadeira: 24 euros!

O filme é legal, cheio de efeitos especiais, apesar de eu achar aquele ator insuportável. O Zien ainda é muito melhor que o Pathé, apesar de terem deixado um casal levar uma menina de uns 4 anos ( prisão perpétua para casais que levam crianças de qualquer idade no cinema num filme adulto, em língua estrangeira, legendado ), o estacionamento é bem pertinho e é quentinho e ultra prático, e a pipoca estava muito salgada pro meu gosto e aqui eles não estouram na hora, então tava um pouco passada. Foi uma tarde legal, mas seriously, 24 euros????

Adriana mão de vaca total pra essas coisas. Não me diverti mais ontem do que me divirto normalmente gastando meus 10 continhos. Pode soar meio canguinha demais compra a garrafinha de refri no supermercado e os snacks também, mas é a mesma coca, a mesma pipoca, por uma fração do preço. Me sinto meio idiota por ter gastado 14 paus a mais.



PS: O cartão de vantagens não é tipo carteirinha de estudantes. Você compra um cartão magnético pré-pago que custa 36 euros e te dá direito à 6 ingressos no periodo de 12 meses.

domingo, novembro 15

Assopra aí, mevrouw!

Ontem fui à noite das comadres em Den Bosch. Éramos 4, comemos ultra-hiper-mega-bem num restaurante chamado Picasso. Den Bosch é uma cidadezinha lindinha, vale dar um pulinho pros que moram aqui.

Na volta, pela primeira vez desde que mudei pra cá, vi uma blitz do teste do bafômetro. Quando voltávamos do restaurante, Alice fez o teste, passou. Peguei o carro e vim pra casa, e na mesma rotatória, fui parada. Tive que soprar 3 vezes, achei que cara fosse achar que eu tava sabotando o teste, mas na terceira vez deu certo. Eu não tinha bebido nem um gole de álcool, então tava tranquila.

Mas vi 2 carros sendo encostados porque o teste deu positivo. Deviam fazer mais blizes como essa.

E para as comadres, foi muuuito legal, temos que sair loguinho de novo.

E vamo lá ouvir a musiquinha do fantástico que é domingo de noite. Que tristeza. Plato já está aqui nos meus pés, com cara de quem já tá de pijama.

quarta-feira, novembro 11

O lado de cá e o lado de lá

Ontem eu li o blog da Fernanda do Batata Belga ( link aí do lado ) sobre os problemas dela com a empresa, e sobre a discussão de se a mãe ( ou pai ) que fica em casa pra cuidar de filhos doentes pode tirar esses dias livres ou não. Eu sinceramente não sei o que diz a lei belga ou holandesa, mas na minha empresa anda acontecendo umas coisas que eu gostaria de comentar.

Eu não tenho muito contato com casais com filhos, logo eu não tenho muito como dizer se normalmente é o pai ou a mãe que fica com a criança caso ela adoeça. Entretando, essa semana eu estava conversando com meu diretor sobre isso, e vendo umas estatísticas.

Meu departamente está contratando. São várias vagas, e mais de 20 candidatos já foram entrevistados. Nenhuma mulher. Nada é oficial e nada é declarado, mas o fato é: nenhuma mulher foi convidada para entrevistas.

Vocês sabem aqui do caso da grávida. A funcionária engravidou e negociou com o diretor trabalhar 1 dia a menos por semana. Ele não gostou mas concordou. Ao voltar da licença maternidade, ela decidiu que não podia ficar 4 dias da semana longe da filha, e usou de uma lei holandesa para trabalhar apenas 3 dias por semana. Quando esse benefício estava para expirar, ela engravidou novamente, e para piorar, deu um mau-jeito no pescoço e saiu de licença maternidade 5 meses antes do parto.

Essa semana meu diretor me mostrou uma estatística do seguro-saúde. O maior índice de absenteísmo é de mulheres com filhos. É dado concreto.

Eu entendo o lado da mãe que se vê sem saída quando o filho está adoentado e a creche o manda de volta pra casa. Eu entendo o lado do gerente que tem que lidar com a ausência do funcionário.

Sinceramente eu acho que as mulheres tem que bater o pé e demandar do parceiro que revezem nessa circunstância. Não importa quem ganha mais, qual carreira seja mais promissora, uma coisa é duas vezes pro ano você ter que faltar porque o filho está doente, outra é você ter que faltar 4. Putz, se já é chato ligar quando a gente tá doente ( eu pelo menos detesto ), imagine ficar ligando toda vez que o filho fica doente adicionado às nossas próprias doenças.

Uma outra saída para quem não quer dar explicação é tirar uns dias de férias. Alegar um imprevisto pode ajudar quem não quer ser visto como "aquela que a qualquer espirro do filho tira o dia pra cuidar dele". Eu sei que a pessoa não devia ter que usar suas férias pra isso, e que se existe lei que garanta esses dias pagos pela empresa que não deveria haver discussão / cara feia, mas se formos honestos é o que acaba acontecendo, o chefe pensa isso, os colegas pensam isso...

Mas o que devia existir mesmo é um serviço na creche de babá-doença. Podem até cobrar mais, e por hora, mas deveria haver um serviço de um profissional que vá à sua casa ficar com seu filho doente caso você não tenha com quem deixar. Taí, vou começar um negócio novo e ficar rica.

Que dificuldade é tudo isso viu. Fico furiosa da vida com essa ausência de mulheres no processo seletivo, mas cada um convida pra entrevista e aprova os candidatos que quiser. E não culpo os diretores que estão escolhendo os candidatos, só no meu grupo temos 3 vagas de 12 abertas, e agora temos um colega ( homem ) doente. Tá todo mundo com trabalho até as orelhas. Uma pena que em épocas brabas dessas vagas boas sejam reservadas só a homens.

terça-feira, novembro 10

Será?


Sobre o caso da estudante da Uniban, a do vestido curto que foi quase linchada, saiu da universidade escoltada, e por fim foi expulsa. Aliás, estão dizendo que o reitor revogou a expulsão, mas eu não tive ainda tempo de pesquisar o assunto.

Mas minha pergunta é: será que morar aqui no exterior nos "liberta" de alguns falsos moralismos? Porque o que notei é que os expatriados todos ficaram boquiabertos com o episódio, especialmente a expulsão da garota. Já quando converso com brasileiros lá no Brasil, a visão deles é bem diferente, muitos atribuem culpa à garota. Vejam alguns comentários:

Um primo meu, estudante da tal faculdade, injuriado com o caso: "a gente não tava gritando por causa do vestido curto, a gente tava gritando porque além do vestido curto, a menina tava sem calciiiiinha! ( pra mim, acho que foi história inventada na hora e que "pegou" ). Se fosse só o vestido curto, não ía gerar tanta confusão. Agora diga aí, a menina precisa ir pra faculdade naqueles trajes?".

Um fornecedor brasileiros: olha, foi um absurdo mesmo a reação do povo todo, mas a menina também "forçou" indo pra faculdade vestida daquele jeito.

Senhora da minha família: a menina era gorda pra usar aquela roupa, se fosse uma magrinha seria menos "escandaloso".

Um amigo via "Skype": vocês vão aí pro exterior e ficam todos "pra frentex" e se aí é comum cada um sair com a roupa que quer, aqui o povo ainda tem padrões mais familiares( !!! ). Tudo bem que o negócio degringolou, mas pelo menos uma advertência ou suspensão ela merecia.

O que eu acho um absurdo é na terra da Mulher Melancia e do Mc Créu o povo ter uma reação dessas! Essas mulheres frutas são beeeem cheínhas, tem umas coxas imensas, não tem rostos lá muito atraentes, eu achei que finalmente o Brasil tava mudando, que estava sendo mais democrático com o padrão de magreza, que o padrão Globeleza tinha caído em desuso, mas pelo jeito me enganei. Pelo jeito a classe mais humilde gosta das frutas coxudas do Mc Créu, mas a classe média e alta, que tem acesso à faculdade, gosta é mesmo de aspirantes à modelo da Ford Models.

Ou tô errada?




sábado, novembro 7

Que vergonha!

Gente, tô besta...

A aluna do vestido curto foi expulsa da faculdade!

Como diz um comentário deixado na matéria do Estadão: é Uniban ou Unitaliban?

sexta-feira, novembro 6

Uia!


Hoje fui gentilmente informada pela amiga Holandesa que o Zaire não existe desde 1997! Uia!

Pior é que a frase "aqui no interior do Zaire", de autoria da Pacamanca e que eu adoro usar, não fica tão sonora e agradável quanto "aqui no interior do Congo".

Ah, não disse né, o Zaire virou Congo.

Putz, pior é que todos os indícios dessa importante mudança estavam na minha cara, no novo jogo da Carmen Sandiego você não encontra mais uma máscara antiga do Zaire, é máscara antiga do Congo! E até Hollywood soube antes de mim, o George of the Jungle tá no Congo, não no Zaire!

Pô povo, 400 visitas por dia, eu falando Zaire há anos, e ninguém aqui pra me puxar a orelha?

Quem é que já sabia ( bota o dedo aqui )?

quarta-feira, novembro 4

Comprei meu tchutchuco

Esqueci de contar, mas na sexta passada comprei meu ereader da Sony.



Estou amando, meus arquivos "generosamente doados por internautas mais financeiramente afortunados" estão funcionando fantásticamente. Tenho nesse momento mais de 50 e-books esperando para serem lidos. Achei séries inteiras que eu queria ler ou que já li e quero reler. Achei a Outlander inteira, o Brotherhood of the Black Dagger, o Sookie Stackhouse ( já li, mas quero reler ), o Vampire Diaries, outros mais pop como o Time traveller's wife, o Lost Symbol ( que eu empaquei na metade ) e alguns outros de Saramago, como o Blindness.

Estou agora baixando os clássicos em inglês e domínio público em português. Como ainda tá tudo muito no começo, achar os livros "free" ( se é que vocês me entendem ) ainda requer um pouco de fuçação internética, mas a gente acaba achando. Dentro em pouco tenho certeza que vai ser que nem MP3.

Vou acabar comprando alguns títulos que quero mas não acho "doado", como é o caso do Brave New World. Mas tenho tanto livro bom esperando pra ler que dá um pouco daquele pânico da televisãozinha do avião, sabe quando você vê vários filmes legais no cardápio mas só tem 9 horas pra assistir? Então, começo um livro, fico ansiosa, pulo pro outro... Agora aquietei o faixo e estou lendo um só bonitinha, mas nas férias meu tchutchuco vai ferver.

Ele é super "readable", a tela parece uma folha de papel reciclado, é leve, vira a página fácil, dá pra tomar notas, pra marcar partes do texto, e tem um dicionário embutido que é só você dar um tapinha na palavra e ele já mostra a definição. No dia que inventarem o dicionário em holandês minha leitura em holandês vai ficar mais fácil.

Mas então, ultra recomendado, principalmente pra quem gosta de ler bastante. Tem os que irão dizer que curtem mais papel ( tem gente que nunca pegou um e-book na mão e diz que prefere o livro ), os que gostam de olhar pro livro na prateleira, os que gostam de emprestar o livro ( é só mandar o arquivo pro amigo via e-mail ), mas poder levar 50 ou 350 livros com você nas suas férias, é fantástico.

segunda-feira, novembro 2

Tafú


A empresa, em parceria com o governo Holandês e o Belga está oferecendo e-learning, a ser seguido no tal dia em que (quase) todos não trabalhamos. Eu estou seguindo o curso "holandês para estrangeiros".

Ontem segui uma lição interessantíssima, sobre o termo "asociaal". Eu já tinha ouvido o termo "anti-social" antes, em português e em inglês, empregado na situação de uma pessoa que não gosta de contato social. Asociaal aqui na Holanda tem um significado diferente, é a pessoa que age sem considerar a sociedade. É o cara que joga lixo na rua, que fala alto no celular quando está no trem, que fura fila, etc etc e etc.

Uma das coisas interessantes da reportagem é que quando "flagrado" o "asociaal" na maioria das vezes diz que "faz porque todo mundo faz", ou que o outro faz pior, ou coloca a culpa de alguma forma na "instituição" ( governo, diretoria da empresa, donos de estabelecimentos ). Muitas das opiniões são bem interessantes, e no fim da lição temos que dar nossa opinião por escrito ( meu holandês escrito é péssimo ).

Começou com o dono do cachorro. O flagra dele foi deixar o cachorro fazer o cocô e não recolher. Abordado pela reportagem ele diz: e os donos de gato? Meu jardim cheira a cocô e xixi de gato, se eu quiser mantê-los distantes tenho que comprar um produto caríssimo e o dono não vai pagar, vai? Nem pagar, nem ir lá desenterrar o cocô pro meu jardim não feder.

Eu não acho que usar esse argumento pra deixar o cocô do cachorro na rua seja válido, mas o pensamento está certo. Eu não acho certo criar gato "solto". A maioria das pessoas acha que gato tem que ser criado na rua, que é impossível mantê-lo em casa, mas posso dizer de cadeira que isso é comodismo, afinal é mais fácil e barato deixar o seu gato ir cocozar o jardim do vizinho. Gatos nunca fazem cocô no seu próprio território. E vão dizer que eu digo isso porque meus gatos são de raça, são grandões, e são quietos, por isso que não pulam o muro, mas no meu quarteirão somos 4 casas, 3 tem gatos. Uma tem dois viralatinhas ( holandês pêlo curto pros politicamente corretos ) que no máximo brincam no quintal. Outra tem um British short hair ( o gato da Sheba ) que também só fica no quintal. Nenhum pula muro. É trabalhoso no começo ensinar, e vira e mexe um mais fujão escapa ( o meu fujão é o Plato ), isso sem falar na grana que vai em areia sanitária, e ter que limpar a areia sanitária todos os dias; mas meus gatos ( e os dos vizinhos ) são animais felizes e saudáveis, sem incomodar a vizinhança. E antes de dizer: vai adiantar eu prender meus gatos se o vizinho não prende o dele?, pense que VOCÊ é responsável por fazer sua parte, sem desculpinha furada.

E a reportagem conversa com vários outros "asociaal", um fulaninho tocando música com celular no trem ( que ódio! ), um outro que estacionava o carro pequeno, tipo mini, num lugar proibido ( a desculpa: cabe! ), ditinho que joga bituca de cigarro no chão ( o cinzeiro tá longe - 10 mtrs ), vários exemplos, mas o campeão de reclamação é mesmo vizinho barulhento.

Olha, nesse sentido eu sou sortudésima. Na casa antiga os vizinhos eram praticamente uma sombra. Agora, minha casa é "vrijstanding", ou seja, não é geminada, e não dividir parede já é uma grande vantagem, mas nunca ouço ou vejo meus vizinhos ( o da frente, que tinha 4 carros, se mudou e a casa está vazia ).

Eu queria adicionar uns itens nessa pesquisa, e pelo menos dois involvem pais. Pais que levam carrinhos intergaláticos ( adoro a invenção da Paca! ) pro supermercado no fim de semana, quando o supermercado disponibiliza 3 tipos diferentes de acomodação pra creonça ( carrinho com bebê conforto, carrinho que tem um mini-fusquinha acoplado pra creonça ir dentro e a tradicional cadeirinha do carrinho ). E, vide meu post passado, pais que levam criança "brincar" no mercado.

Podem me chamar de chata ( a véia do 53 do Chaves? ), mas num país lotado com esse aqui, 2 ou 3 "asociaal" ao seu redor e você tafú.


domingo, novembro 1

Cenas de um domingo bucólico no sul da Holanda



Creonça: Mama, me leva passear?

Mama: Tá chovendo menino, vai brincar.

Creonça: Já brinquei, tô entediado, quero passear.

Mama: Vá pedir pro seu pai inventar qualquer coisa com você.

Creonça: Já pedi, ele falou que tá cansando, que amanhã tem que trabalhar, que é pra você brincar comigo.

Mama: Vai jogar seu Play Station 2.

Creonça: Odeio o Play Station 2, todo mundo já tem o 3 ou o Wii. Me compra o PS3?

Mama: É caro.

Creonça: Me leva no Efteling.

Mama: Tá chovendo, é ao ar livre, e é caro.

Creonça: Me leva no Madurodam?

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Me leva no zoo?

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Vamos naquele zoo de macacos!

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Vamos dar esmolas pros pedintes da estação!

Mama: É ao ar livre, tem um pedinte só ( o Hans Toilet Papier, ele tem sempre um rolo de papel higiênico pendurado no cinto ) e é caro.

Creonça: Mama, se aqui só faz sol 3 meses por ano, porque é que tudo é ao ar livre?

Mama: Porque somos burros e construir teto é caro.

Creonça: Assim não dá, eu sou criança, quero gastar minha energia, quero correr, quero pular, quero mexer nas coisas, quero gritar e falar alto, quero tirar o sarro das velhinhas de rolator. Pode ir pensando num lugar pra me levar senão eu vou fazer do seu domingo um inferno!

Mama: Acabei de ter uma idéia. É coberto, tem ar condicionado, e você vai poder fazer tudo isso que você quer.

Creonça: Onde mama, onde?

Mama: No Albert Heijn! O supermercado agora abre de domingo, você pode se divertir, fazer toda a zona que quer, sem pagar um tostão!!!!

E uma coitada duma imigrante sul americana, achando que ía encontrar o mercado vazio, foi de listinha e cardápio em punho, achando que ía ter paz e sossego pra fazer as compras da semana e não precisar voltar todos os dias pra comprar isso e aquilo. Ela acabou comprando a comida substituta do gato, uma caixinha de morangos pra uma caipirinha ( depois dessa ela mais que merece, ela precisa! ), um pacote de chá mate sul americano com ananás ( abacaxi ) e um tetrapack de suco de cajá ( sim, aqui vende suco de laranja com cajá! ).

No caixa, a fila que sempre tem 2 ou 3 pessoas tinha 12.

E chovia.

sábado, outubro 31

Dotoso

Ele participou de uma temporada do Lost, e agora é o vampiro malvado Damon da série The Vampire Diaries.

É lindo, lindo e lindo. Lembra bem o Tom Welling ( Clark Kent de Smallville ).

Olhar pode, né não?

sexta-feira, outubro 30

Sétima-feira

Foi uma semana tão estressante, estou tão cansada, e essa sexta-feira que não chegava!

Eu estou numa irritação tão profunda, que até pepininhos pequetitos me tiram do sério. É uma luta inglória ficar se controlando, porque o racional te diz que é uma fase e que você está "overreacting", mas o irracional quer mais é estrangular um. Meu estresse tem um nome: fornecedor bocarra. Ainda não me livrei dele.

Mas hoje chegarei em casa e baixarei meu Grey's Anatomy, o Private Practice, o Flashforward e serei feliz, bem feliz. O episódio passado do Grey's foi péssimo, o primeiro ruim de 6 anos de série.

Nesse findi estou também programando alguns cyber-suicídios: facebook e minha fazendinha que cansou; o Twitter - que é pra quem se acha; e possivelmente o Orkut, que eu mantenho só pra saber o aniversário das amigas ( melhor colocar na agenda digital, certo? ). Queria matar também o LinkedIn, mas holandês tem mania daquilo, profissionalmente é ostracismo demais não tê-lo.

E vamo que vamo, findi tá aí ( deus é mais ), vou fazer comida indiana que aprendi com o Apoo, amigo do Bart, e vou dormir mooooito, que tá frio e eu não tô pra ficar pela rua congelando as porpança.

E se meu estômago permitir, farei glu-wine ( não sei como se escreve, é aquele quentão alemão ), que sobrou do ano passado. Ou fondue. Olha a banha que balança!

terça-feira, outubro 27

Sou pirata da perna de pau, do olho de vidro e da cara de mau!

Há alguns dias escrevi aqui sobre o Kindle, o novo e-reader da Amazon.com. Como eu vivo perto do Zaire, onde mora certa blogueira ilustre, o Kindle aqui não rola: custa caro encomendar, não tem assistência, comprar livro só do site americano e pagando extra, o ó. Mas nem tudo está perdido, pois há outras opções de marcas, e eu estou pesquisando a qualidade, e custo/benefício.

Eis que entra em jogo a questão polêmica: piratear ou não piratear?

A idéia de comprar um e-reader veio da incompetência da Selexyz ( livraria ) de Eindhoven. No estoque deles dizia que tinha um exemplar do Sookie Stackhouse 1, mas ao vivo, alguém gateou o livro e ele existia só na contabilidade da loja. Sábado chuvoso, marido gripado, tédio total, eu TINHA que ter aquele livro. Vim pra casa depois de passar por outras várias livrarias ( Eindhoven é meio pobre em livrarias ) de mãos abanando. Eis que fuçando na net achei o torrent do livro. Ao baixá-lo vi que veio não só o primeiro livro, mas a coleção inteira! Ler no lap foi um saco, mas de graça, rapidinho, necas de estoque esgotado...

Daí meu interesse pelo "aparato" leitor de livros. Pesquisando por outros títulos online, me deparo sempre com a americanada metendo o pau em quem baixa o livro "free", dizendo que quem o faz está roubando do autor. Acho engraçado, e quem baixa MP3 não está roubando do cantor? E quem baixa seriado, filme, não está roubando do ator/diretor? É tudo roubo, e me digam aí, quem é que NUNCA baixou um MP3?

Há a falsa moralidade de que quem pirateia livros está lesando o autor porque autor não recebe tanto quanto um cantor. Está aí a J.K. Rowling com seus 800 milhões de dólares na conta bancária que não nos deixa mentir.

Mas vou dizer o que me irrita profundamente, um arquivo eletrônico, no caso o livro, custar 10 euros, muitas vezes o mesmo preço do livro em papel. Você não usa papel, tinta, processo de manufatura algum, não paga transporte, e cobra o mesmo! Isso sem falar nos impostos. Imposto sobre livro nos EUA é 6%, imposto sobre livro eletrônico é 17%, como pode?

Vou confessar, quando eu gosto muito de uma música, eu baixo. Não sou grande fã de música, não consigo fazer nada, nem conversar direito, com música de fundo. Tenho cerca de umas 100 MP3, quando muito. Eu baixo minhas séries, porque aqui nos arredores do Zaire não televisionam 10% delas, e quando o fazem chega a ter anos de diferença. E vou baixar livros, se comprar o e-reader, claro.

Agora sendo sincera, fora os motivos acima, vai o principal: baixo porque está disponível, fácil e de graça. Pronto.

E você, dá uma de capitão gancho ou compra tudo bonitinho?

PS.: Ah, e assunto nada a ver, mas acabei de ler no Te dou um dado? e não consigo parar de rir. Vou já pra cama roncar com os anjos, rindo.

"E o campeão absoluto:

Maitê? filha? és tu? será que és a minha filha? há uns anos fui ao cu a um papagaio e fiquei com merda na ponta da pila, limpei a merda e deitei na sanita e nunca mais a vi, … até agora que te vi novamente, voltei a ver o pedaço de merda há muito perdido. volta minha filha. Agora mais a sério, nem me vou dignar a comentar o que vi desta insignificante. Falta de respeito, falta de cultura de uma mente fraca que não merece o ar que respira. volta cá mais vezes para venderes livros.

Falta só descobrir o que é sanita. O Google diz que é vaso sanitário, mas se os portugueses deitam na sanita eles tem problemas maiores que Maitê Proença."

Deitar na sanita... ha ha ha...

segunda-feira, outubro 26

Adriana está no tronco

Laiá laiá... Já sabem, né? Ando sem tempo nem pra almoçar, mas faltam 5 semanas pras minhas férias de verão no inverno...

Super interessante a discussão o post anterior. Os comentários fazem a gente pensar, não é? E é como dizem: cada um é cada um, vejam só a Marina e a Eliecy, com experiências tão opostas.

Mas esse era o meu ponto, que quem passe por aqui ( e o post ficará ali no arquivo ) se informe mais, que veja os dois lados da moeda. É como uma vez me disse uma brasileira morando aqui, a gente até lê as experiências mais negativas, mas a gente sempre acha que conosco será diferente. Bom, o que eu digo é: tem que ter otimismo, senão não se aguenta o tranco, mas um otimismo inteligente, né meu povo, sabendo das dificuldades e do caminho à frente.

Outro ponto interessante foi o deixado pela leitora Renata, que diz estar melhor aqui. Acho interessante que normalmente quem tinha dificuldades financeiras no Brasil aqui se adapte mais fácil, não pense em voltar, e já aqueles que tinham uma situação financeira mais estável fiquem mais com o pé atrás. Eu já tinha 9 anos de experiência numa multinacional no Brasil, tinha passado já daquela fase de incertezas de começo de carreira, e vejam bem, entrar e me manter na GM não foi fácil, pelo contrário, mas eu desfrutava lá de uma situação muito muito boa. Sempre que eu volto ao Brasil e vejo meu irmão com uma casa fantástica dentro de um condomínio lindo, com carrão zerinho na porta, penso que eu podia estar na mesma situação. Mas o ponto chave não é só estar na situação financeira confortável, é além de todo o conforto material, ter toda a família por perto. Os amigos. É ter sempre a casa cheia, a família e todos nossos amigos de infância praquele churrasquinho na idícula, pra farra na piscina. A amiga de Rotterdam quer voltar pra Salvador, vê os amigos se dando super bem, ela se daria ainda melhor, não conheço ninguém mais inteligente e capaz que ela. E olha, se eu fosse soteropolitana e viesse parar na feiosa Rotterdam eu ía sonhar com a volta todos os dias, principalmente com uma família animadésima como a dela.

E já outras horas penso que aqui não tenho o "glam" mas também jamais passarei necessidade. Outro dia eu estava ouvindo minha mãe falar, ela tem artrite reumatóide e o tratamento é carésimo, mais de mil reais por mês. Mesmo tendo uma condição razoável, seria difícil pra ela bancar esse rombo no orçamento até o fim da vida. Como minha cunhada é assistente social e conhece os "trâmites burocráticos" do SUS, ajudou minha mãe com a papelada e ela está recebendo 80% dos remédios pelo SUS, mas gente, é uma via sacra inenarrável, que uma pessoa doente, sem ajuda da família, não consegue chegar ao fim. A cada 3 meses ela tem que preencher a papelada de novo, pegar laudo médico, pegar fila lá nos cafundós... Aqui na Holanda, fui à médica com uma alergia na pele, saí do consultório já com a receita encomendada na farmácia ao lado, chegando na farmácia o remédio estava esperando por mim, assinei o papel que vai pro convênio, não desembolsei 1 euro-tostão. Não tenho preocupações com a minha velhice, e isso, ao lado do fator segurança, é o que me segura aqui.

Já fui muito revoltada com essa terra, mas fiz minhas pazes com ela. Estou bem aqui, melhor que muitos, melhor até que muitos holandeses. Sofro a falta da família, peno no inverno com a depressão, acho o idioma a coisa mais horripilante que existe nessa galáxia. Mas... tenho minha casinha legal, ando na rua sem olhar pros lados, estaciono meu carro em qualquer lugar, sempre sobra grana pra viajar muito e bem, tenho segurança no emprego - e um emprego que eu gosto muito... Não vou mais me queixar não. Ou melhor, vou sim, mas passa...

Só que eu jamais vou esquecer como o começo foi difícil, eu jamais vou esquecer como eu me senti um cocô a cada não que eu levei na cara, jamais vou esquecer de quantas vezes eu me perguntei "será que um dia voltarei a exercer a profissão que eu tanto amo?". Deixo aqui claro que eu não sei como foi que eu aguentei. Eu gostaria de contar pra vocês clichezões do tipo "encontrei uma força que nem eu sabia que tinha", "sou um ser humano melhor agora", ou então o fatídico "sou uma vencedora". Mas a verdade é que voltar pra trás não era uma opção. Teria sido mais difícil do que enfrentar tudo o que eu enfrentei aqui. Sou uma vencedora? Eu me acho é uma sobrevivente. E já tá bom demais.

E bom demais também é essa época das tortas de maçã, uma melhor que a outra. Nem a Chanele da Paca dá conta de derreter as banhas que se acumularão se eu não me controlar.

segunda-feira, outubro 19

O tico-tico cá, o tico-tico lá, o tico-tico, tico-tico no fubá...

Brasileiro também é um povo bem esquisito, viu. A coisa mais comum é ver o brasileiro se gabando da nossa comida ( picanha, ahhhh ), das nossas praias, da nossa música, da beleza das mulheres, and the list goes on and on. No entanto, pra quem tem todas essas maravilhas, pra quem se gaba tanto de tudo isso, como sonhamos ( e insistimos ) em morar e trabalhar no exterior, mesmo tendo um dos mercados mais promissores do mundo!

Notem que incluo-me no "somos" acima, porque antes de casar eu mesmo estava pesquisando o processo de imigração pro Canadá e já estava atrás de toda a documentação para pedir minha dupla cidadania italiana.

Ultimamente tenho recebido mais e-mail de gente querendo imigrar do que recebia antes, e não entendo, porque na última vez que estive no Brasil achei tudo tão melhor, e sinceramente, enquanto estamos comendo o pão que o diabo amassou com a bunda aqui na Europa com essa crise, o Brasil pôde se dar ao luxo de praticamente ignorá-la.

Eu sei que o brasileiro está cansado da violência, e isso não tem como negar, aqui temos infinitamente menos, mas é só por isso que o brasileiro quer imigrar?

Sabem, eu tenho a impressão que o brasileiro ainda mantém aquele sonho dourado de que vai "fazer a América", ou "fazer a Europa", como tínhamos antigamente. Acho que teve até uma novela com a Debora Secco, que mudou pra Miami, não foi? E acho que nós blogueiros contribuimos muito para essa idéia de que aqui estamos nadando em dinheiro, afinal estamos sempre mostrando nossas viagens, nossos carros, nossos eletrônicos, nossas casas, e raramente o blogueiro diz: não tenho dinheiro pra isso, ou não posso comprar aquilo, e nem é por mal, afinal que post chato seria "vi um I-Pod mas não tenho dinheiro pra comprá-lo".

A verdade é que o brasileiro que muda pra cá tem que repensar as suas prioridades. Sempre recebo e-mails dizendo, "tenho uma vida estável no Brasil, moro num apartamento bom, tenho um carro zero, viajo uma vez por ano, posso ir prum restaurante legal no fim de semana - quanto precisaria ganhar de salário pra bancar tudo isso na Holanda?" e eu sempre penso em responder: é impossível, mas não é impossível, é só (muito) pouco provável.

Sempre digo, e vou repetir aqui e deixar um link lá do lado, eu e meu marido trabalhamos, ganhamos relativamente bem, não temos filhos, e para podermos bancar nossas viagens e nossa casa legal, temos um carro bem cacareco, nunca vamos à restaurantes, minha TV ainda é aqueles trambolhões, não tenho I-Pod, Wii, Stereo Surround; meus móveis são Ikea. Certos "luxos" da classe média paulista passaram a ser sonho de consumo distânte pra mim. Faxineira? Não. Salão de beleza? 3 vezes por ano. Mani-pedicure? Nunca. Roupa de Marca? Só se eu achar em mega-liquidações. E eu tenho certeza que qualquer leitor que mora no exterior pode deixar mais uma meia dúzia de itens nos comentários que passaram a figurar só na memória de quem imigrou. Simplesmente não dá pra bancar.

Não vou nem dizer que é o brasileiro que quer tudo, afinal querer ainda é de graça ( e não é poder ), mas no Brasil, assim como nos EUA, tem-se crédito pra tudo, mas aqui não é bem assim. Aliás, não é nada assim. O brasileiro tá acostumado a financiar o carro "a perder de vista", aqui financia-se em 2, no máximo 3 anos, o que torna as parcelas caras, e há de se somar os impostos, vistoria, manutenção, e combustível ( € 1.35 o litro! ). O brasileiro paga a viagem de férias em 10X no cartão, aqui é na raça, quando muito deixam você dar uma entrada, e te dão alguns dias pra pagar o resto, mas no geral, 6-8 semanas antes da viagem ela tem que estar totalmente paga. Aliás, cartão de crédito aqui não parcela. Nunca. Aliás, cartão de crédito raramente é aceito. Eletrodoméstico pode, em algumas lojas, ser financiado, mas aqui em Eindhoven por exemplo, tem uma loja só que financia ( MediaMarkt ), e nem sempre tem os melhores preços e quase nunca tem os modelos mais atuais. 

Isso sem falar que em muitos casos ( acho que a maioria ), a gente imigrou pra morar com o namorado, casou, juntou, e no começo foi "bancado" pelo parceiro. Pode parecer pouco, mas pra quem vem sozinho, gastos como aluguel, comida, seguro médico, transporte, pesam pra caramba no orçamento. Quem vier sem emprego garantido tem que ter um boooom pé de meia, quem vem com emprego garantido TEM que se adaptar aos recursos limitados. Sinceramente, quem pensa que vai vir pra cá e ter o mesmo nível de vida material que tem no Brasil, vai se frustrar.

Compensa? Ah, isso é muito pessoal. Ter mais segurança é muito bom. Ter um plano de aposentadoria melhor é ótimo. Poder viajar pra capitais européias que antes eram só um sonho é bom, mas em contrapartida, os finaizinhos de semana na praia já eram. Ter leis trabalhistas que protegem melhor seu emprego é bom, assim como o auxílio-desemprego decente, mas você tem que trabalhar 5 anos antes de ter direito a esses benefícios. E pelo menos minha cidadezinha é mais verdinha, pra quem gosta tem zilhões de rotinhas de bicicleta ( lazer saudável e gratuito ), a vida é muito mais calma que a vida em SP.

Mas há também as coisas péssimas, que vão te irritando e te cansando a um ponto que tem épocas que todo mundo se pergunta "o que é que eu tô fazendo aqui, meu deus?". Abri mão de ter meu próprio carro, e apesar de ter que percorrer menos de 2km até o trabalho na minha scooter, no inverno eu vou e volto xingando, e quando chove eu quero matar um. Ir ao médico morrendo de dor, achando que você está na fase terminal de alguma doença, e jamais ser mandado fazer um exame pra acalmar sua consciência, e receber uma cartelinha de paracetamol ( Doril ), é terrível. Chegar em casa louca pra colocar o aquecedor no 25C e ouvir que 21C tá mais que bom é ultra irritante ( coloca mais roupa querida - mesmo que eu já esteja praticamente vestida pra ir esquiar ). A pilha de roupas que nunca se auto-dobra ou auto-passa, quem nem acontecia no Brasil ( Janildaaaa! ). Essa língua horrível hora-após-hora-após-hora, essa raspação maledeta de garganta. Esse céu cinza, você vai conhecer 100 tons diferentes de cinza, se voltar ao Brasil vai trabalhar na Faber Castell na divisão de lápis de cor cinza.

Quem vier me pedir a opinião eu digo: se você é jovem, solteiro, sempre sonhou em ir pro exterior, venha, arrisque, no mínimo vai ser uma experiência interessante. Quem tem família, seja mais cuidadoso, pense bem, pondere. Sair de uma classe média brasileira pra ser o pobrinho imigrante aqui é difícil, especialmente se você tem filhos.

Mas povo, vamos tirar da cabeça essa idéia do Brasil subdesenvolvido de antes. O Brasil nos próximos anos vai explodir de oportunidades de trabalho legais, tem empresa do mundo inteiro com os olhos aí.

Ó, só de pensar que aí eu poderia pagar a Janilda… me dá uma vontade de fazer as malas!


domingo, outubro 18

O copo está meio cheio: o inverno...

O jeito é concentrar nas coisas boas do inverno, já que ele é inevitável e vai passar. Repitam comigo: o inverno vai passar... v-a-i-p-a-s-s-a-r...

As golas rulê, que ficam elegantes debaixo do blazer ou de qualquer blusa, e me poupam de ficar passando camisa, já que minha máquina de secar tem mode anti-wrinkle



Sopa no pão, que no Brasil vende em qualquer canto ( eu amo a do Frans Café ), mas aqui tem que ser feita em casa. Não entendem de frio esses holandeses...



Mantas Parahyba, que também não existem aqui. Quem é que não teve? A minha era azul...



Fondue de queijo... No need to explain...



Gorrinho e cachecol bem Penélope Charmosa



Capuccino Quentinho à toda hora



Pantufeeeenhas



E já que sonhar ainda é de graça, a lareira que um dia eu hei de ter



E quando nada disso ajuda, a solução é:



Esqueci de alguma coisa?

sábado, outubro 17

Ximbication

Vi na Katylene e tive que mostrar procêis.

Gente, nós os brasileiros TEMOS que ser o povo mais criativo do mundo. TEMOS.

Não consigo parar de rir, e o rítmo até que é legal!

sexta-feira, outubro 16

Prece


Deus ilumine o inventor do diclofenaco de cálcio.

Amém

Cai cai balão cai cai balão, aqui na minha mão...


Muito obrigada meu Deus, por hoje ser sexta-feira!

Stress stress stress, trabalhando até tarde todo dia, mil apresentações mirabolantes, estômago em pandarecos, unhas roídas até os ladinhos sangrarem, cara de uma mulher de 75 anos. Bosta.

Depois me perguntam como é que eu tenho coragem de gastar 5 mil paus numa viagem de férias, e é fácil caros colegas: eu MEREÇO. Cada eurinho que cai na minha conta representa uma célula da minha bunda ralada nas pedras.

Ontem juntou TPM, estômago ruim, costas esbudegadas por um par de botas de salto alto ( TODA mulher que usa salto alto tem uns miolos a menos ), e voilá, Adriana chega em casa tão imprestável que não consegue nem plantar sua safrinha do dia no Farmville.

Mas que tem coisa que a gente ainda ri, ah isso tem. E o garoto do balão? A CNN com o Richard Quest lá todo solene "narrando" a trajetória do balão e falando como se o menino já tivesse virado bacon, e o menino na garagem da casa dele… mas putamerda, quando eu falo que tem pais que merecem o título de parideiros o povo fica bravo, vai construir um balão cintilante, no jardim de casa, com um menino de 6 anos brincando ao lado, e não colocar uma trava 100%? Gente, e como o balão ía rápido!

Povo, vou-me. Estou ainda semi-comatosa, concentração zero, mas não posso esmorecer na labuta diária. Com o frio que tá, minhas costas ainda latejando, tô doida pra chegar em casa e tomar um banhão de banheira.

Bom findi, fuy!


quinta-feira, outubro 15

Hoje, eu mereceria... Da amor aos pedaços!

Falando de um assunto vencido

Tô quase chorando de tanto trabalho, todo mundo quer tudo pra hoje, eu com resistência zero para trabalhar as 12 hrs por dia que tô precisando… Paciência zero.

E porque a paciência tá a zero, tcheu dizer uma coisa procêis: tá na hora da gente cagar e andar pros "politicamente corretos".

Fulano pensa horrores da pessoa, mas se chama o cara de "afro-americano" ( brasileiro, holandês, reino-encantado-da-xuxa ), tá tudo beleza. Mas se você que tem ótimos amigos negões, que não tem nada contra os negões, que trata os negões como trata qualquer um, desliza e chama o negão de "negro" ( ou, valha-me Deus, de negão ), você é a escória da humanidade. Hoje em dia, importante é a palavra, não o conteúdo que ela representa.

Não é politicamente correto chamar portuga de burro ( nem de portuga ). Pontequepartiu, e é correto chamar brasileiro de safado e desonesto? Porque é disso que nos chamam e pior, se no Brasil chamamos portuga de burro mas os recebemos com tapetes vermelhos, em Portugal nos chamam de safados e desonesto e nos tratam como safados e desonestos.

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Mais uma história da Adriana:

Fiz um backpacking pela Europa em 2000, e reservei meu hostel em Lisboa pelo site da Hostelling International. Na época esse site só pedia seu nome, hostelling number e você pagava online com cartão de crédito. Reservei minha "vaga" num quarto de 4 pessoas, cama de baixo, a reserva foi confirmada. Chegando no albergue, quando viram que eu sou brasileira, disseram eu não podia ficar no quarto de 4 pessoas, mas no quarto "jumbo", que adivinhem só, só tinha brasileiros! Esse quarto tinha uma câmera apontada pra porta, e o banheiro coletivo tinha aquele sistema odioso no chuveiro que tem uma mola na torneira que vai regulando o suprimento de água e interrompe a cada 20 segundos.

Claro que eu não aceitei, chamei o gerente, depois de mais de 1 hora de discussão, e mil ameaças, me deram a tal vaga que eu tinha reservado no quarto de 4 pessoas. No segundo dia fiz amizade um uma tiazinha que limpava os quartos ( brasileira, claro ) e ela me disse que era assim porque o albergue achava que brasileiros traziam gente ( não pagantes ) pra dormir nos quartos ( !!! ) e que brasileiro desperdiça muita água no chuveiro.

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Eu não saberia opinar sobre a "inteligência" dos portugueses, e assim como eles certamente teriam razões pra nos chamar de esquisitos, como fez a Maitê, eu baseada nas minhas experiências, também tenho.

A esquisitice que eu notei, é essa necessidade de esnobar os brasileiros, mas com os outros ser um capachão. No departamento de compras da empresa antiga no Porto, o povo tinha medo de ir tomar café, tinham horário certo pra levantar, ir lá e pagar uma xícara, conversar 5 minutos e voltar a trabalhar, morriam de medo do gerente. A sala do gerente então, tinha uma parede de vidro, e ele ficava ali olhando a "escravaria" trabalhando, ultra opressivo o ambiente. E em reuniões, se o holandês falasse pro português pular, o português perguntava a que altura. Os compradores não podiam ir a almoços ou jantares com fornecedores, o convite tinha que ser feito ao gerente, e ele ía sozinho, sem o comprador. A holandesada falava que os portugueses em reuniões concordavam com as coisas, mas faziam tudo diferente depois, e os holandeses mesmo os achavam meio "intelectually challenged", mas na verdade não era isso, aliás eu não posso dizer que presenciei nenhuma burrada dos portugueses, a planta era exemplar, o problema é que eles não tinham coragem de dizer pra um holandês de cargo superior ao deles, que tal idéia na prática não ía funcionar, ou que tal processo não podia ser implementado. Concordavam com o holandês, mas faziam do jeito deles.

Só sei de uma coisa, é por essas e outras que eu até tenho vontade de voltar à Lisboa e ao Algarve, de levar o Bart, mas vou deixando pra lá. Eu não tenho dó de gastar meus ricos eurinhos em viagem de férias, mas já que o dindin é meu, vou pagar onde eu SEI que vou ser bem tratada, ou então vou viajar incógnita, como holandesa, e aí quero só é ver o que eles vão falar da gente sem saber que eu estou entendendo tudo… Ra ra ra, gostei da idéia... 

terça-feira, outubro 13

O link

Link do video da Maite

segunda-feira, outubro 12

O video famigerado

O video famigerado da Maitê a respeito dos portugueses... Acho que a Maitê 1) queria mesmo causar bafafá, afinal dá ibope 2) teve alguma péssima experiência com algum português.

Achei o video infeliz sim, antes que o povo caia matando. Ela não precisava disso, a emissora não precisava disso, o clima entre os dois países já não é dos melhores. Mas isso dito, deixe-me aqui dar uma opinião sincera.

O povo no Brasil faz piadinha de português? Faz. E isso não é legal. Só que no dia-a-dia, nunca vi um português ser mal-tratado no Brasil, ao contrário. Em Natal e Pipa tinha muitos portugueses, e eram sempre ultra paparicados pelos hotéis, pelo carinha pilotando o barquinho, nos passeios estavam sempre perguntando se o povo estava gostando. Em São Paulo, a minha vida toda, vi as piadinhas sim, que os portugueses prontamente retrucavam, mas nunca vi nada ofensivo.

Já em Portugal, onde fui 3 vezes apenas, vi brasileiros sendo discriminados nas 3 vezes. Eu já fui discriminada no ambiente de trabalho, lembram?

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Trabalhei para a Bosch na Holanda, que tinha uma planta no Porto. Um português expatriado na Alemanha foi indicado à trabalhar num projeto comigo. Um dia, à pedido de um diretor da minha unidade, fiz um update do projeto para outros diretores, e coloquei o Português no cc. O Português achou que eu estava querendo "roubar o show" e me mandou POR ESCRITO o seguinte e-mail ( ou melhor, troca de e-mails ):

Port: Adriana, qual a diferença entre um Português e uma Brasileira?
Adri: Além do fato dele ser homem e ela ser mulher?
Port: A Brasileira vai para Portugal fazer um show enquanto o Português trabalha duro, aí o show acaba e a Brasileira volta para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás, como chegou, enquanto o Português continua no seu trabalho...

Traduzi o e-mail, levei ao meu diretor, dei queixa por discriminação por sexo e nacionalidade, ele levou advertência, mas da mesma forma que ficou o registro no histórico dele, ficou também no meu.

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Depois do "ocorrido" fica difícil não criar uma imagem ruim dos portugueses. Fiz bastante amizade com 2 colegas de trabalho portuguesas, com uma delas ainda mantenho contato, mas pelos outros sempre fui tratada com ares de superioridade.

O ponto é, eu não saio por aí generalizando, principalmente porque conheci portugueses legais, mas todas as vezes que penso em ir à Portugal de férias me vem aquela angústia de "pagar pra ser discriminada, e na frente do meu marido!". E preciso sim ficar me lembrando que nem todos os portugueses detestam brasileiros, mas vocês sabem né, gato escaldado tem medo de água fria.

Putz, comecei na Maitê e terminei em mim, mas no fim o que eu queria dizer é que Maitê deve ter tomado uns cornos do tal namorado português e acabou perdendo agora uma ótima oportunidade pra ficar calada.

Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...

Sábado fomos à Ikea. Não vou reclamar do povaréu que vai com criança, carrinhos de bebê intergaláticos, velhinhos com problemas de mobilidade, etc e tal. A errada era eu, que podia muito bem ter ido durante a semana, já que a loja abre até as 21, mas decidi, porque sou maluca, ir no sábado e ainda por cima para almoçar lá.

Precisávamos de um "kapstok", um pendurador de casacos, que me disseram chamar chapeleira em português. Eu nem sei que modelo de kapstok meu excelentíssimo marido tinha na cabeça, mas por meses andamos em todas as lojas de Eindhoven e nada estava bom. Sábado tive um chilique: pelamordedeus, relativise (z?) homem de Deus, é um pendurador de casacos, não uma TV de 5 mil euros, compre qualquer coisa pra quebrar um galho e quando você achar o tal kapstok do seus sonhos você troca. E assim foi, compramos com a idéia ( ou possibilidade ) de trocar no futuro. Eu SEI que se você for me visitar no dia da minha aposentadoria o kapstok vai estar lá, mas tchapralá. E de quebra compramos também um mini aparador que ficou perfeito no cantinho que tinhamos, agora minhas chaves tem lugar e aquele monte de luvas, cachecois e guarda-chuvas idem.

E daí, depois de muito ver móvel de sala ( rack de TV e buffet ), Bart decreta que quer "móvel de verdade", e não Ikea. E tem mais, quer daquela madeira quase preta. Ceis não acham que a moda da madeira quase preta já deu o que tinha que dar? É por isso que eu amo a Ikea, por 800 paus a gente compraria o que querers e daqui a 3 anos quando outra moda aparecer, bota-se tudo na lareira ( que eu espero ter até então ), mas se a gente gastar uma nota preta em "móveis de verdade", vou mofar com esses móveis até o dia que você for me visitar na minha aposentadoria pra ver se meu kapstok ainda está lá. Outra coisa que me desanima profundamente é ter que esperar 4 meses por um rack e um buffet.

E ainda faltam lustres, quadros, paredes, jardim, falta tanta coisa que quando a gente acabar, chegou nossa aposentadoria e como eu sempre digo aqui, tá na hora de vender a casa e mudar pra Espanha, onde o sol brilha e tudo é mais barato ( or not? ).

domingo, outubro 11

Nós os gordos

Colega, se você tem um amigo gordo ( a ) umas diquinhas, quase um apelo, já que eu mesmo sou gorda e gostaria de ver maior sensibilidade nas pessoas.

Primeiro vamos esclarecer uma coisa: se você quer emputecer um gordo, chamá-lo de gordo é uma forma bem burra de fazê-lo. O gordo que já passou dos 20 já sofreu tanto na mão da criançada e da meninada no colegial, que por mais cruel que você seja, provavelmente não vai chegar aos pés do que ele já passou. Pro gordo, é algo do tipo: is that all you got? Bring it on, bi-a-tch!

Decidir fazer regime é uma decisão que só cabe ao gordo, e não importa o que você diga, de que forma que você diga, ele só vai tomar essa decisão na hora que a idéia estiver madura na cabeça dele. No dia que o negócio realmente o incomodar, ele mesmo, por si só, vai atrás do que fazer pra emagrecer, e daí colega, se ele achar que você pode ajudar, sem dúvida nenhuma vai te procurar. Você já ouviu falar do gordo que só de ouvir uma crítica se motivou a ponto de abdicar das suas comidas favoritas imediatamente, só porque alguém falou que ele devia, ou que a pança estava balançando ou que a bunda mais parecia a traseira do Ford Mondeo? I don't think so. Então pára de ser o amigo ( irmão, cônjuge, colega, vizinho, ... ) chato e páre de fazer isso porque você está só extravazando sua frustração, maquiando na velha desculpinha "eu só queria ajudar".

Por favor, não seja um "sem loção total", seu amigo gordo sabe o que engorda, seu amigo gordo tem espelho em casa. Comentários do tipo "ah, cê tá comendo bolo, nooossa, isso engooooorda" são totalmente sem classe. Na minha humilde ( apenas 29 anos ) experiência, vem sempre de uma pessoa ela mesmo gorda, porque o magro normalmente não sabe calorias de cor e nem tem sempre o assunto ativo na cachola. Normalmente vem de gente que está preocupado com a circunferência da cintura ou está já de dieta, mas lembre-se colega: você decidiu quando começar sua dieta, então deixe seu amigo decidir o momento de começar a dele.

E além disso, vamos combinar, cada um é do jeito que é, gordo, magro, narigudo, dentuço, papudo, e o no dia que a gente aprender que nem só a Gisele é linda, todos sofreremos bem menos.

sábado, outubro 10

Alguém quer me dar um presente?

Eu quero muito...

Estou em êxtase 2

Nem acredito, mas a maioria dos supermercados AH de Eindhoven passarão a abrir aos domingos!!! Num horário ultra esdrúxulo ( das 16 às 20, o XL até às 22 ), mas abrirá.

Sabádo era o único dia que eu tinha tempo suficiente para fazer compras como eu gosto, olhando tudo, comparando os vegetais da época, bolando pratos novos, vendo os produtos novos, mas é também o dia infernal dos supermercados, porque fica lotado de criança correndo, berrando, chorando, apostando corrida de carrinhos; isso sem falar nas velhinhas de rolator, que podiam ir durante a semana mas vão aos sábados para aborrecer o maior número de pessoas ao mesmo tempo; e os adolescentes, que vão comprar "breja" e outras bebidas afins.

Vamos rezar pra domingo pelo menos as crianças e velhinhos ficarem em casa, e eu serei uma pessoa feliz, bem feliz.

sexta-feira, outubro 9

Eu estou alucinada por um Kindle!!!!!

Meu povo, nem acredito, mas quando o Amazon resolveu expandir o Kindle para o mundo, e milagrosamente essa terra esquecida pela humanidade onde eu moro FOI LEMBRADA, e vejam só que alegria:

Kindle na Holanda

Adeus às taxas de entrega da bol.com, adeus às estantes Billy lotadas de livros de papel, adeus às visitas à biblioteca pra desovar ( doar ) livros lidos, adeus mala de viagem apertadésima com os 6 livros que eu sempre levo, adeus espera de 5 a 7 dias úteis por um exemplar em inglês, adeus edições esgotadas.

Estou em êxtase.

Tem também o lado ruim, ou melhor, menos bom: emprestar livros só pra quem também tiver Kindle. Passar o livro depois de ler pro marido só se ele também tiver Kindle. Medo, paúra, horror de chegar perto da praia ou piscina com seu precioso Kindle e ele acabar molhando ou entrando areia ( será que se colocar num pocket de plástico ele super-aquece? ). Durante pousos e decolagens a "aeromoça" vai vir te encher o saco pra desligá-lo.

Mas aqui vem o pior: um dia ele vai quebrar. Um dia, e loguinho, vão inventar uma versão melhor. Um dia você vai querer guardar o 1501 livro, e ele vai te dizer que só tem espaço pra 1500.

Mas voltando ao meu êxtase alucinado. Eu quero, eu preciso, eu mereço.

E você, o que acha de mais essa inovação tecnológica? Vai aderir? Acha que a moda pega?

quinta-feira, outubro 8

Da série coisas que detestamos: reaproveitamento irracional de comida

Acho fantásticos os truques domésticos para aproveitar restos de comida. Minha mãe tinha vários e eu mesma tenho alguns. A batata cozida na manteiga de hoje vira uma fritata amanhã, os restos de arroz viram bolinhos ( amo! ), minha mãe sempre fazia escondidinho com linguiça de churrasco… Sabendo usar bem a criatividade, dá pra reaproveitar tudo!

Mas aqui na empresa dá até raiva. Temos um restaurante da SODEXHO, praga que existe em qualquer canto do mundo. Aqui é evidente a palhaçada que eles fazem pra reaproveitar cada resto, mesmo que o resultado final seja péssimo. Isso acaba resultando num buffet onde metade é gororoba.

Eles são obrigados à oferecer 6 saladas. Na segunda sempre tem salada de folhas sem tempero ( minha favorita, pois posso adicionar meu tempero sem coisas ácidas, mas infelizmente é a mais cara para a empresa e a menos oferecida ), e uma salada de tomates e pepinos. As folhas que sobram vão pro sanduíche no dia seguinte, o que não é tão horrível, mas os tomates e pepinos ganham um banho de vinagre pra não criarem nenhuma bactéria, e aparecem como uma salada de cubinhos com azeitona super ácida no dia seguinte.

Semana passada comprei um "folheado de tomate seco e mozzarella", não dá pra errar em algo tão simples, né? Acontece que o tomate seco era o usado no dia anterior na salada de macarrão tubete, então o recheio do folheado tinha macarrão! Eca!

Ontem tivemos hot-dogs, hoje achei cubinhos de salsicha no meio da minha salada de macarrão e legumes, que estava sendo vendida como vegetariana. Fui reclamar indignada, eles simplesmente pediram desculpa, devolveram o dinheiro e riscaram o vegetariana do cardápio.

A sopa é subsidiada pela empresas e é da marca Unox, uma das melhores da Holanda. Só que tem dias que eles servem o que nós chamamos de "white goe". Eles pegam uma sopa cremosa como base e adicionam os vegetais do dia anterior. A sopa mexicana é a meleca branca com pimentões e milho, a sopa de camarões holandeses ( um camarãozinho minúsculo e sem gosto ) é a meleca branca com uns garnalen ( camarão holandês ) boiando, tudo assim, sem cozinhar junto, só esquentam a coisa branca e jogam o que for lá dentro.

Os sanduíches são normalmente ruins. Muitos são recheados com sobras misturadas em maionese, e sempre ultra ácidos, pois as sobras são sempre guardadas com vinagre. A salvação pra quem quer driblar as calorias da fatídica maionese, é o sanduíche "saudável" ( brodje gezond ), e estou sendo ultra sarcástica. O sanduíche saudável é o passaporte certo pro hospital se você tem colesterol alto, o de hoje era: presunto, queijo belegen ( gordo ), 2 ovos cozidos em fatias, uma folha de salada, e halvarina.

É por essas e outras que todo mundo traz seu sandubinha de casa, e no dia que a gente não tem tempo ou não tem nada em casa, o jeito é comer gororoba.

quarta-feira, outubro 7

Olha o desespero da criatura viciada

Povos, estou precisando de vizinhos no Farmville, pra poder ampliar minhas terras e trocar presentes. Please, alguém aí tá no mesmo barco?

Se vocês procurarem meu e-mail lá no facebook ( avandenbroek@gmail.com ) vão me achar e aí é fácil virar meu vizinho. Eu sou boazinha e mando sempre ótimos presentes, viu!

segunda-feira, outubro 5

Drie Dwaze Dagen

A Holanda é um país socialista, e pelo menos os holandeses que eu conheço são muito orgulhosos disso. Pra grande maioria, uma das piores pragas do universo é a sociedade americana, que segundo eles, só pensa em dinheiro e em comprar e em ter. Eu ouço tudo muito aborrecida, porque eu adoro os EUA, e admiro muito os americanos com quem trabalhei, são pessoas dedicadas ao seu trabalho, inteligentes, práticas, anyway…

Eu moro no sul da Holanda, e o país inteiro tem essa região como uma região, digamos, acaipirada. Por aqui, em nenhuma das cidades o comércio abre aos domingos, e há uma imensa resistência a isso, até mesmo supermercados que tentam pedir autorização pra abrir acabam tendo o pedido recusado. Eu não entendo o porquê, mas eles dizem que o domingo é dia de ficar em casa, de ir à igreja, de ficar com a família, e que o comércio abrindo, muitas pessoas teriam que trabalhar. Eu acho uma besteira, já que pelo menos em Eindhoven há milhares de estudantes universitários que ficariam bem felizinhos com uma graninha extra por trabalhar 5 horinhas no domingo.

Tão tradicional quanto não abrir aos domingos, é abrir um único domingo por mês, é o koopzondag, domingo de compras, o primeiro domingo do mês. É aí que eu não entendo a holandesada, eles reclamam que não querem o comércio aberto aos domingos, mas quando o comércio abre, a cidade fica intransitável. Ir pra missa, ficar em casa com a família? Blé, holandesada vai mesmo é pra rua, comprar, tomar vinho nos barzinhos com mesinhas na rua, e fumar, fumar muito, fumar feito chaminé.

Ontem foi koopzondag, e foi também a liquidação dos dois maiores magazines da cidade: Bijernkorf e V&D. Nunca, nunca, nunca e nunca vi tanta gente na rua. A Bijenkorf fica a 10 mt da estação de trem. Da porta da Bijenkorf você olha numa linha reta, pela rua de comércio mais popular da cidade, e a uns 200 mt vê a V&D. Domingo, essa "reta" estava igualzinha à General Carneiro no centro velho de SP, gente gente e mais gente. A Bijenkorf colocou um guarda na porta e um aviso: carrinho de bebê não entrava, por medidas de segurança. Quem seria louco o suficiente pra trazer bebê em carrinho no "restanten" do Drie Dwaze Dagen ( no dia do restanten tudo que já estava em liquidação e sobrou pro domingo ganha 25% adicionais de desconto ) eu não sei, mas tinha, pois na porta havia um "ajuntado" de pais com os carrinhos esperando.

Na V&D, a coisa estava tão ruim quanto. Os elevadores com filas gigantescas, afinal por elevador cabem apenas 2 carrinhos, já que os carrinhos de hoje em dia de inhos não tem nada. Tinha uma mulher com a perna quebrada, na cadeira de rodas ( !!! ), várias velhinhas com rolators, e até no banheiro a fila dava voltas.

Não me lembro de ter visto Eindhoven assim ever. Eu precisava mesmo comprar umas blusinhas de manga comprida, e queria muito encontrar umas de gola rolê, e como estou há semanas trabalhando até tarde, nunca me sobra tempo, então achei que o domingo seria uma mão na roda. Mas me ferrei.

No fim, é aquela pechincha ma-ra-vi-lho-sa que acaba salvando seu humor, e ano após ano você começa o tal domingo da loucura jurando que nunca mais vai, mas ano que vem você está lá de novo. Esse ano comprei uma bolsa pra laptop da Oilily, de €105 por €31. Miguxas que gostam de maquiagem íam pirar, comprei batons e esmaltes Clarins por € 4.50 euros cada. Comprei uma pashmina linda por € 7. Bart comprou 4 suéteres. Não tive forças para procurar minhas blusinhas, tava tudo cheio demais. E pelo menos na Bijenkorf o povo é ultra agressivo, acabei machucando a mão com um puxão que uma dona deu na bolsa que estava já pendurada no meu ombro. Uma outra lá me ensinava a tática: você vai pegando e carregando tudo o que gosta, no final das "compras", avalia o que você mais quer, e deixa o resto. Só que é claro que ninguém fica devolvendo as coisas nos lugares certos, então lá pelas 4 da tarde, um pouco antes de fechar a loja está aquela lindeza.

Mas então, assim foi meu Dwaze daag. Super Dwaze. Minha bolsa é linda, meu batons óteeeemos, e o esmalte ainda vou experimentar. Tinha maquiagem Kanebo por menos de €10, Keune por €7, e baciadas e mais baciadas de perfume. Mas a paciência ( e o din-din ) acabou antes.

E você, vai nessas mega liquidações?

sábado, outubro 3

Cartilha caminho suave: interpretação de texto

Minha gente, que é isso? Lara Amorim, fugistes das aulas de interpretação de texto da escola básica? Como pode alguém falar tanta merda baseada num texto de 5 linhas onde eu simplesmente comento que estão aparecendo vários videos no youtube com cenas chocantes do Rio? Querida, volta pra escola, páre com os "tóchicos", sei lá, desaparece tribufu.

E como eu disse no texto, não sei mesmo no que pensar. Claro que eu fiquei emocionadíssima com o video oficial Rio 2016, claro que eu já falei toda cheia de direito lá no trabalho que as olimpíadas de 2016 são no MEU país e que ganhamos até de lobbyzinho Obama-Obama-Oprah, claro que eu torço para que as olimpíadas tragam ao Rio as melhorias que, por exemplo, a copa de Barcelona trouxe àquela cidade. Entretanto, achar que a cidade está bem como está e que dá pra encarar um evento desses sem sérios investimentos, não é muito inteligente. E daí eu dizer que não sei o que pensar, porque o âmago da questão é: de onde virão os recursos? Eu não sei se a organizações internacionais fianciarão as melhorias, se há algum órgão especial que organiza as olimpíadas e cuida da captação de investimentos, ou se seria os impostos públicos mesmo. É um investimento grande, acho eu que com retorno certo, mas não dá pra construir estádio às penas de cortar o orçamento de escolas públicas, né não?

Mas se houver vontade, dá pra chegar lá? Claro que dá! Brasileiro quando se propõe a fazer alguma coisa, sai de baixo. E à essa altura não tem muito o que ficar se perguntando, 2016 tá aí, é mãos à obra.

E eu acho que as olimpíadas deveriam ser em SP? Só alguém muito trilili da cachola pra tirar uma asneira dessas daquelas cinco linhas. Eu citaria aqui pelo menos 20 motivos pra EU achar São Paulo uma cidade melhor de se MORAR que o Rio, mas pra quem vai ao Brasil fazer turismo, o Rio é imbatível. Como diz a Paca, o Rio é sim um desbunde. O Rio para o turista é gratificação imediata, é subir no Cristo, no Pão de Açúcar e na hora suspirar "ah, a viagem já valeu à pena".

Agora rumbora curtir o resto do fim-de-semana, que o meu tá sendo xuxu beleza. Aliás, acabei de marcar minha viagem de dezembro, tudo pago, acertado, sacramentado. E detalhe, depois de 2 horas na cadeirinha da agente turística, consegui o pacote que eu queria, num vôo saindo de Bruxelas e de Jetair, por 1000 euros a menos do que eu ía pagar inicialmente indo de KLM.

Ah, a vida é bela! Tcheu ir colher minhas abóboras no Farmville...

Rio 2016 - copo meio vazio ou meio cheio?

No youtube já pipocam os videos do pessoal contra as olimpíadas no Rio. Eu não sei o que pensar, mas confesso que as imagens do video abaixo são pra deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha... e tem outros tantos mais "pesados" no youtube...

Rio 2016

terça-feira, setembro 29

Molhar a bunda

Depois de muita negociação na empresa, incluindo a compra de dias de férias, consegui ser liberada do dia 5 de dezembro em diante, e vou molhar minha bunda na praia, minha gente!

Tem muita gente que não se conforma de eu só ir pra praia, mas não consigo de forma alguma imaginar jeito melhor de passar o dia. Ah se eu ganhasse na sena…

Hoje falando com a Holandesa, concluí que as pessoas são mesmo muito diferentes no que tange à viagens. Eu vi as fotos dela e é tudo lindo, lindo, lindo, uma viagem que um dia eu vou fazer, mas como eu amo ir pra praia, fico pensando ( e foi o que eu perguntei pra Holandesa hoje ): você vai lá vê o castelo, e fica admirando por meia hora, e daí, faz o que? Na última vez que fomos pra Paris fomos à Versalhes, e achei chatésimo. Bonito, lógico, mas os jardins são meio boring, a tour é loooonga, pra mim foi aquele passeio pra riscar o negócio da sua lista de coisas a fazer um dia e só.

No colegial, fizeram um teste e concluiram que eu tenho memória sinestésica. Eu acho que daí eu gostar mais de praia. Normalmente quem gosta desse tipo de passeio bucólico ( castelo, cidadezinha, riachinho, arvorezinha ) tem memória visual. O sinestésico é mais sensível a temperaturas, cheiros, impressões, e é bem verdade, uma das minhas memórias de férias mais preciosas é o cheiro quando você abre a porta de um daqueles 7/11 nos EUA. Não me perguntem porque, o cheiro de plástico, misturado com Krispy Cream, misturado com café… sei lá, eu amo!

Quando estou de férias na praia, normalmente acordo super cedo, deixo o Bart dormindo e vou pra praia. Adoro poder colocar um maiô/biquini, jogar qualquer coisa por cima, e sair com as minhas havaianas. Que delícia sentir esse primeiro sol da manhã na pele, e a cor do céu, as luzes do sol recém nascido, a passarada fazendo barulho… É o melhor horário pra andar pela praia, ainda vazia, ainda mais se você está num resortão onde a maioria do povo acorda tarde… Eu ando, eu sento e medito, já até rezei. Normalmente vou pro restaurante do hotel, tomo um café com uma torrada e vou acordar o Bart. Essa é a hora do momento Sundown ( ou melhor, Ambre Solaire ), Bart não sai do quarto sem protetor 50, graças a deus porque ele é a criatura mais branca e imbronzeável que eu conheço. Amo o cheirinho do Ambre Solaire! Tomamos café juntos, o cheirinho dos omeletes fritando, dos waffles… Vamos pra praia, que delicia deitar na cadeira de praia e sentir o calorzinho batendo na pele, a brisa, o barulho do mar… os coquetéis ( all inclusive rulezzzz ). Que fantástico que é andar descalça na areia, sentindo a água bater nas canelas, e quando a gente está toda quente e suada dar aquele mergulhão num mar de águas transparentes, e ficar ali boiando… boiando… dar umas boas braçadas, fazer snorkel, sentir os músculos trabalhando, ver os peixinhos… Almoçar ainda de biquinão, tomar um drink delicioso e tirar uma soneca debaixo do guarda sol… Nadar mais, ir à passeios de barco, ou de quadriciclos pelas floresta… quando chega de tardinha, ir pro quarto e tomar aqueeeeeele banho, muito sabonetinho e gelzinho especial, creminhos, roupinha leve… Andar pela praia de noite, ver a lua ( nunca vi nada mais bonito que a lua na Praia do Forte, pois naquela área todos os hotéis tem luzes baixas pra não confundir as tartarugas marinhas ).

Nossa, tô quase chorando, e minhas férias só em 2 meses…

segunda-feira, setembro 28

Baby Top

Domingo ( ontem ) o Makro abria, e vendo uma óóóótema promoção de contra-filé argentino ( 13 eurecas por quilo ) fui decidida a transformar a noite daquele domingo num jantarzão dos Pampas. Cheguei no Makro e contarei a estorinha depois, mas fui correndo que nem o Ligeirinho pro departamento de carnes, só pra achar espaço vazio. O filé mignon neozelandês já era e o contra-filé dos pampas idem. Sobrou-me a opção de "baby tops" brasileiro. A carne parecia bem bonita, dois pedaços pequenos, de uns 700 gr cada, mas aí a pergunta: o que seria baby top? Comprei a carne, pensando que se fosse alguma carne ruim virava carne de panela, e depois de esfolar meus dedos no google, acho que é coxão mole. Agora o desafio pras amigas: receitinhas pra coxão mole? Minha mãe fazia bife à milanesa com essa carne, mas eu não faço frituras…

No mundo inteiro crianças não podem entrar no Makro, por motivo de segurança. No mercadinho da esquina, se cai uma latinha de leite moça no pé da sua creonça, vai render uma unha preta, muito choro, e só. No Makro, se cai uma latinha de leite moça no pé do seu filho, decepa. As latas são de 1 kg pra cima, as embalagens são no atacado, é tudo grande, pesado, um desastre até em ambiente só com adultos. Não interessa se o estabelecimento deixa crianças entrarem ou não, zelar pelo bem estar da creonça é dever dos pais, e quem tem ao menos um neurônio funcionante não leva creonça no Makro. Sei lá se foi só ontem, ou se criança aqui na Holanda pode entrar, mas o fato é que tava cheio de creonças e eu vi uma garrafona de Silam ( amaciante ) cair numa creoncinha, creoncinha foi lançada com tudo ao chão, creoncinha abriu um corte sangrento na nuca, creoncinha berrou, mãe berrou, corre-corre, sangue pra todo o lado. Agora me responde, num domingo ensolarado, 21 graus, o que esses pais faziam com uma creonça no Makro???

De resto, solzinho no findi, Deus está sendo generoso esse ano, vamos esperar que o inverno não seja tão rigoroso quanto o do ano passado. Ontem tive que desengavetar camiseta de manga curta, hoje estreei casacão novo. Ah, como é linda a vida na Holanda!

E aí cumadres, já pensaram nas minhas receitinhas com coxão mole?

domingo, setembro 27

Novela das 7

Li que a Globo vai começar a lançar versões encurtadas das novelas mais populares em DVD. Será que vão lançar as novelas antigonas também? Eu adoraria ver Dancing Days, Água Viva, Brilhante novamente.

Como aqui não tem novela, sigo seriados, muitos seriados. Chego em casa, pego um copão de Coca Ligt, um petisco qualquer, e vou pro laptop assistir meu seriado do dia, que deixo baixando enquanto vou trabalhar. Normalmente acompanho:

- Grey's Anatomy
- Smallville
- Private Practice
- House
- Gossip Girl
- Desperate Housewives
- True Blood
- 90210 ( não vou acompanhar a 2a. temporada )
- Lost ( eu e Bart assistimos, mas volta só em janeiro )

Esse ano, várias séries novas foram lançadas:

- Vampire Diaries - está no terceiro episódio e ainda não empolgou, vou assistir mais 3 capítulos, se não melhorar, deixo de ver

- Eastwick - só teve um capítulo e é bem legalzinho

- Melrose ( remake ) - Ruim, assisti 3 episódios e já larguei

- Flashforward - Muito interessante, vamos ver se os episódios seguintes serão tão bons quanto o primeiro

Na TV normal, eu e Bart assistimos 2 and a half man, rolamos de rir e é uma das nossas séries favoritas, mas infelizmente está no repeteco normal da TV holandesa, sem episódios novos. Assistimos também NCIS quando calha de estar passando.

Eu amo seriados, se fosse rica e não trabalhasse ía assistir vários por dia. Mas me emponho o limite de acompanhar 7, uma para cada dia, e pode chegar à 9, nos findis eu assistiria 2 capítulos. Esses 40 minutos de coca-cola na frente do micro assistindo minhas séries são para mim melhor que uma massagem à luz de velas e musiquinha da Enya, puro relax.

E com tanto homem bonito, fica difícil escolher o "todo bom" mais todo bom, e eu estou numa fase totalmente vampiro Eric ( influenciada pelo livro, claro ), mas todas as vezes que eu o vejo na tela, principalmente agora que o personagem dele só veste preto, eu juro que ele é o homem mais bonito desse ( e quem sabe de outros ) planeta: