terça-feira, agosto 17

Procura-se pais como antigamente


Voltando ao post da criança voando em primeira classe. Eu não sei bem se eu entendi a analogia da Eliecy, mas se eu compreendi bem e ela comparou a intolerância nazista à intolerância com crianças mal-educadas, eu me senti bem incomodada.

Lendo nas entrelinhas da reportagem linkada no post, e lendo os comentários dos leitores, entende-se logo que nós, que ( ainda ) não temos filhos, não estamos de saco cheio das crianças em si, porque não somos loucos ou idiotas, e sabemos que crianças são crianças, nós estamos é com os pacovás na lua desses pais que não são pais! O que mais tem hoje em dia são casais que tem filhos mas não são pais.

Alguém aqui, leitores ou blogueira, reclamou daquela criança que cai e chora? Ou daquela que dá aqueles pontapézinhos na sua poltrona no avião e só para quando o pai lhe chama a atenção? Ou daquele bebê que por qualquer motivo dá aquela chorada e tem que ser consolado? Não, ninguém reclama dessas coisas corriquerias da vida, porque sabemos sim que crianças serão crianças, e principalmente quando vamos ficar confinados num avião por tantas horas, já saímos de casa preparados pra uma certa dose extra de "coisas de criança".

O que não estamos preparados é pra esses pais que cada vez menos querem educar seus filhos. Quando eu fazia peraltices, bastava um olhar do meu pai e eu virava estátua. Nessa última viagem ao Chipre, eu pedi pros pais darem um fone de ouvido ou pedir pra criança tirar o som do Nintendo que ela jogava atrás de mim e lá estava o olhar durão do meu pai, mas da criança pros pais! E os pais calaram, com medo da criança, se limitaram a, acuados, dizer: Anneke, rustig ( quieta, Aninha ). A comissária de bordo teve que intervir.

E os pais que permitem que os filhos "pilotem" os carrinhos do aeroporto? Haja canelas! E os pais que deixam as crianças correndo soltas pelo avião? Vimos um pequeno pegar um copo de vinho de outro passageiro, e quando o passageiro pegou o copo de volta, a criança abriu o berreiro, e pensam que os pais vieram acudir? Imagina, eles estavam saboreando o vinhozinho deles 10 fileiras à frente e falavam mole: volte aqui fulano, venha comer seu frango! Novamente, foi a comissária a pegar a criança e levar pros pais. Juro, se sou eu, deixo a criança mandar o vinho pra goela, o filho não é meu! E o bebê chora sem os pais acudirem, e a menina fala alto sem os pais chamarem a atenção, e o garoto escuta música altíssima no Ipod sem os pais falarem para ele abaixar o volume…

Ninguém aqui tá reclamando dos 12 minutos que o bebê chora porque tá com cólica, e aquele coitado daquele pai bota de barriguinha pra baixo, faz massagem, e nada parece aliviar a agonia do filho. A gente reclama dos infelizes que deixam a criança chorar no bercinho negligenciado 12 horas seguidas.

Então a mensagem é essa, criança serão crianças, mas a gente espera que os pais ainda sejam pais.

E quando surgem idéias extremas como confinar todas as crianças numa parte do avião, é porque o desrespeito desses pais também já está chegando ao extremo, então o equilibrio das coisas está todo equivocado.

Algumas companhias aéreas estão estudando, à exemplo dos hotéis "no kids", vôos para maiores de 16 anos apenas e eu acho que vai ter bastante procura por esses vôos, o Nirvana aéreo.

Agora me respondam, pedir que pais eduquem seus filhos, ensinem a se comportar em sociedade, é pedir demais?

segunda-feira, agosto 16

O Brasil e as malditas sacolinhas de plástico


Eu estava felizinha que o Brasil estava, finalmente, tentando fazer alguma coisa pra acabar com esse absurdo que é a distribuição das malditas e odiosas sacolinhas plásticas, mas vejam a reportagem do Estadão:

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,rio-vai-multar-comercio-que-nao-cumpre-proibicao-a-sacolas-plasticas,593036,0.htm?S

Li os comentários espumando de ódio.

Eu me pergunto, esse povo que resiste tanto é por ignorância, comodismo, burrice, ou uma combinação de tudo isso?

E digo isso porque minha mãe é usuária número um dessas malditas sacolinhas, e não importa o quanto eu fale pra ela parar, chego no apartamento dela e lá está, um odioso "trabalho artesanal" que é um pato de feltro com uma sacola em forma de tubo com uma abertura embaixo, aí você vai colocando os sacos por cima no tal tubo, meio que dobradinhos, e vai puxando por baixo. Minha mãe tem TONELADAS de sacolinhas nesse maldito pato. Ela diz que pra quem mora sozinho e em apartamento, é o tamanho ideal para recolher o lixo do dia e jogar na lixeira do prédio. É também que a indústria toda se adaptou a esses malditos sacos, até a lixeira  já se vende do tamanho certinho pra acomodar o bendito do saco.

Tem gente que vem com essa argumentação barata de que gasta-se mais pra produzir o saco de papel ou os sacos plásticos mais robustos. Eu me pergunto, será que esse povo nunca foi à uma praia do nordeste brasileiro, onde a paisagem é inteirinha tomada por esses sacos? Em Natal, fiquei pasma, é tanto saco nas praias, preso nos arbustos, nas cercas, nos fios… o bugueiro disse que havia um lixão próximo e os sacos eram muito leves e voavam. E é isso mesmo. E além de poluir, acabam enganchando em pássaros, em outros animais… Um horror!

Na Praia do Forte, todos os hotéis exibem no sistema interno de video um apelo para os turistas não usarem as tais sacolas, pois as tartarugas marinhas que adoram comer águas vivas confundem a sacola plástica com as águas vivas e acabam morrendo asfixiadas. E tudo isso porque a dona de casa do caramba se recusa a levar suas sacolas pro mercado.

Minhã mãe diz que o povo fica olhando pra quem leva sacola reutilizável no mercado, que é coisa de Hippie, mas será? Por essas bandas daqui é tão moda que até a LV lançou sua groceries bag! Aqui é o contrário, até tem umas sacolinhas dessas disponíveis no caixa, mas pouca gente usa, e é só pra quem tem um itenzinho ou outro, se a dona de casa for pegar dezenas como se faz no Brasil, aí que todo mundo faz cara feia! E na Bélgica eles cobram 5 centavos por cada saquinho. Certíssimo.

E fica a brasileirada, e até o governo de SP, questionando se a medida é efetiva ou não, como assim? Porque é que a medida é efetiva na Europa e não o seria no Brasil? Devem é estar levando bola do produtor de saquinhos, que isso sim é uma máfia.

Sacos robustos de plástico pra se jogar o lixo são caros? Só porque aí no Brasil o povo é ladrão, aqui por menos de 1 euro compra-se um rolo de 20 sacos de 60 litros, e quantos sacos uma família usa por mês? Saí entramos no mérito, no Brasil usa-se tantos sacos porque produz-se tanto lixo, porque não se recicla nada.

E aí povo, é preguiça de reciclar, ou não se tem os meios?

É mão de vaquisse desmedida agarrar-se  nos saquinhos do mercado ao invés de comprar sacos grossos de lixo, ou é falta de informação?

É ignorância achar que os saquinhos do Carrefour são dados de graça quando na verdade são parte dos custos operacionais do mercado e estão incluidos no preço, ou é "sei mas não tô nem aí"?

Tentem me explicar povo, porque eu não entendo!


domingo, agosto 15

Domingo de Bate Papo: crianças na primeira classe?

Li a matéria da CNN ( clique aqui para ler ) e gostaria de saber, o que você acha?

Porque eu, Adriana, ficaria muito puta se eu pagasse um upgrade tão caro e viajasse com uma criança me incomodando, mas... também não acho justo que os pais não possam pagar um assento a mais pra criança, e até onde eu saiba, para menores de 2 anos as empresas NUNCA reservam ou vendem assentos. E se eu PRECISASSE viajar com um bebê, e pudesse pagar pelo menos uma business pra ter um pouco mais de conforto, eu o faria.

E você, dê sua opinião!

Domingos são tão parados pelas bandas bloguísticas, então vamo bater um papinho.

sexta-feira, agosto 13

Já vou avisando, vou mudar 10 vezes de assunto nesse post!

Um amigo indiano do marido vai ao Brasil e veio em casa pedir dicas. Como já haviamos jantado na casa dele, nós o convidamos para um churrasco. Ele nos trouxe uma cachaça Sagatiba, que é muito boa, e que eu usei para preparar uma enorme caipirada de 1/2 litro de pinga, que ele bebeu praticamente só e me pediu pra repetir. Nunca vi ninguém beber como aquele indiano, e sinceramente, acho meio abuso esperar que sua anfitriã vá ficar a noite toda preparando drinks elaborados pra você.

O roteiro dele no Brasil é uma coisa de louco. Ele vai uma semana à trabalho e vai emendar 3 semanas de viagem, onde ele espera ver "o Brasil de verdade", e aí é que a Adriana se irritou. Ele vai ao RJ e não gostou quando eu disse que ele TEM que ir ao Cristo, ao Pão-de-Açucar. Ele acha que é passeio turístico demais, agora eu pergunto: você paulista, mineiro ou catarinense, que vai pela primeira vez ao RJ, você não vai ao Cristo e ao Pão-de-Açúcar?

E à cada destino que ele mencionava ele queria que eu falasse duma coisa absolutamente extraordiária e exótica pra ele ver, fazer ou comer. Quando eu trouxe à mesa do churrasco um pote de farofa e expliquei como passar a carne em tirinhas na farofa, o indiano dava pulinhos de alegria na cadeira: "see Adriana, these are the things I want to experience in Brazil".

Detesto isso, gringo nos tratar como se fôssemos macacos de circo ou saguis numa jaula a serem observados e admirados pela sua "exoticidade" ( tenho certeza que essa palavra não existe ). Ao fim da visita, já meio irritada e com uma caipirinha de Sagatiba na cabeça, falei pro cara, educadamente, claro: ó, quer ver uma coisa bem bem bem típica? Alugue um carro e vá para a 23 de maio em SP, às 17:00 hrs, de preferência num dia de chuva, nada mais paulista que isso, se tiver os meninos vendendo biju e mentex no farol, melhor ainda.

E nesse dia que o indiano veio, eu decidi que a sobremesa do churrasco, que até com picanha contou, seria creme de papaya com cassis. Mas quem mora aqui já viu o problemão: onde achar o papaya? Essa frutinha sem vergonha, que aí no Brasil a gente deixa estragar na fruteira, aqui é aute-cuisine. Não achei nosso papayazinho, mas achei um mamão médio, meio esverdolento, e paguei, sentem-se por favor, € 7,50 no mamão ( no Makro ). E juro, o cara já tava tão manguaçado que eu podia ter feito um creme de batata com cassis que ele nem teria percebido. Mas então.

E foi essa a primeira loucura que eu fiz pra achar aquela comidinha brasileira, ou quase brasileira, que no Brasil eu nem dava muita bola, e que aqui é manjar dos deuses? Imagina, nesses 7 anos acumulo várias histórias. E ó, você que mora no exterior, grude-se nos amigos mais experientes de expatriação, eles serão sua salvação.

A primeira providência é achar um TOKO amigo. O Toko é a casa de produtos asiáticos, que tem em toda cidade. Eindhoven tem um enorme na Kruisstraat, que é onde, seguindo dica da comadre Holandesa, achei mandioca já pelada e congelada, que aqui se chama Cassava. Você acha a Cassava "in natura" no AH, parafinada, mas essa limpinha e pronta pra cozinhar é uma enorme mão na roda! No Toko também você vai achar o Palm Olie, que é nosso Dendê, pra fazer aquela Moqueca, e essa dica peguei da Márcia do site BnH. E cansada de comer pão de queijo de saquinho, que é vendido aliás no finalmentebrasil.nl ou no caboverdiano de Rotterdam, usei a dica da outra Márcia ( de Rotterdam-Berlin-SP ) e comprei tapioca meel, nosso polvilho, que uso pra fazer pãezinhos de queijo fresquinhos e sem milhões de conservantes e salitres.

Andando uma vez numa casa de produtos naturais, dou gritinhos de alegria: feijão preto, bom e de preço honesto. E bem pertinho do natureba de Eindhoven achei o segundo salvador da pátria: o turcão. Lá achei requeijão praticamente brasileiro ( o Vache que rit quebra um galho mas é enjoativo ), um queijo que parece bem queijo branco, creme-de-leite da Nestlé. Lá tem um negócio chamado Burgur que parece trigo para quibe. Eu sinto a diferença e não gosto ( parece que o quibe tem nozes ), mas tem gente que jura que é a mesma coisa, então vale a pena testar seu paladar ( o burgur é cozido antes do grão ser quebrado, o trigo para quibe é quebrado cru ).

No Makro, além da carne brasileira, com etiqueta em português pra você saber qual é o corte e BEM mais barata que a carne holandesa, eu também compro carambola, e embora no AH já tenha maracujá ( keniano, que é doce e tem a casca cor de beringela ), no Makro tem o ano todo e não só no verão. Sem falar no mamão de milhonário.

Antes de eu começar a trabalhar eu me abalei até Amsterdam num mercadinho português pra comprar calabresa e paio, e de quebra ainda achei farinha láctea, que eu adorava comer com leite gelado. Aliás, lingüiças em geral permanecem um problema, porque eu me recuso a ir a Amsterdam comprá-las e nenhum site envia porque precisa de refrigeração ( dã ), e paulista sabe que feijão carioquinha com uma linguicinha é im-pa-gá-vel.

E guaraná antarctica? Lambei garrafonas de 1,5 lt de Amsterdam até em casa! Já ouvi gente dizer que trouxe zilhões de latinhas na mala do Brasil, e embora a pessoa não diga nada, provavelmente metade estourou, então nem é pra se reclamar muito das garrafas de Antarctica portugas trazidas de Amsterdam. Tem também no tal caboverdiano.

E hoje olhei pra um pacotinho de Fubá que vencerá no mês que vem e pensei, bolo de fubá com pedacinhos de goiabada, mas cadê a goiabada? Pra fazer um bolozinho, terei que entrar na net, encomendar, esperar, receber, e vai me sair uns 5 euros a brincadeira, por uma lata de goiabada que vinha na cesta básica da empregada.

O leite condensado graças a Deus tem a marca holandesa, que é ótima, e cozinhando na pressão ( eu trouxe uma Clockinha do Brasil mas aqui tem umas enormes, lindas, mas que eu nunca usei ) a gente consegue nosso querido doce de leite, que em cima do queijo do turcão, fica diliça ( do morango também ).

O que eu acho interessantíssimo é que metade dessas coisas eu praticamente nunca comia, ou comia se tivesse ali na mesa, quase pulando pra dentro da minha boca, mas agora, eu rodo quilômetros, carrego coisa no trem, pago carga no correio, pago os tubos aliás, pra fazer uma iguaria brasileira qualquer e comer suspirando, como eu nunca suspirei pela mesma iguaria preparada mil vezes melhor do que a que eu faço aqui ( meu bolo de fubá é meio ressequido, eu não tenho a mão da minha mãe! ).

Enquanto isso, quem tá lá no Brasil pergunta: Adriana, e o favo holandês, é mesmo tão delicioso na Holanda? ( ele é Belga! ). Adriana, e a torta holandesa original, é boa? ( ninguém aqui nunca viu nossa torta holandesa, e aquele biscoito com camada de chocolate nem existe ).

Post de gordo baleia saco de areia. Mas é melhor do que falar da alegria de ter achado uma pomada pra frieira nas prateleiras da Kruidvat sem receita ( Canesten ), né?

quinta-feira, agosto 12

A Marina


Eu, Adriana, enquanto eleitora, sou totalmente povão. Eu sou o perfeito exemplo do eleitor que se impressiona com imagem, que tem preconceito contra o partido, que gosta ou odeia pelo jeito do candidato falar, a única coisa que nem todo o povão faz é ler as propostas do programa de governo de cada candidato e dar uma googada pra ver o que o cara aprontou no passado. Mas então, Adriana é povão.

E se Marina quer ganhar o voto do povão, ela tem que contratar uma acessoria de campanha mais decente e o mais importante, ela tem que ser flexível e aceitar as mudanças.

Primeiro, o visual. Ela é crente? Qual a razão daquele cabelo num coque de tia véia? Olha pra Michele Obama, olha pra Condi, com aquela cara de professora de Geografia brava ela não está ajudando "a causa". E please, na TV não se usa branco, vamos deixar o terninho branco pra campanha de rua.

Paciência, diplomacia. Até com um chatonildo como o Bonner há que se usar dum certo tato, o eleitor assistindo o JN nacional tava ali nervoso só vendo a hora que os dois íam sair no tapa: cala a boca Bonner, responde aí o que eu perguntei e não escorrega, Marina. Uma vergonha. Eu não sei se ela se saiu melhor no debate, preciso pesquisar, mas o JN foi tenso.

Foco, foco e foco. Eu ainda não sei se ela simplesmente se empolga e perde o foco, ou se, o que é mais provável, ela simplesmente se alonga em assuntos nos quais ela se sente mais confortável na esperança de evitar os mais polêmicos. Independente da tática, ela deu ao Bonner a chance de insinuar que ela estava fugindo da pergunta. Não pegou bem.

Usar melhor o tempo na TV. Ela tinha 12 minutos, era pra ficar tagarelando? Não, era pra ser objetiva. Em certos momentos ela foi prolixa como o Maluf.

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Nessa altura do campeonato, não ter uma aliançazinha sequer e querer fazer colar a idéia de que ela não tem o rabo preso com ninguém é ser inocente demais. Os outros partidos governariam COM ela ou CONTRA ela? Não se sabe né? Gosto do que o PT está fazendo, no fim, já que os Collors e Sarneys dessa vida tem mesmo poder político, melhor sambar no meu batuque do que ir cantar RAP no quintal de outro e falando contra mim.

PV. Pô, é PV meo. Cabeira fumando um back de alpargatas. Se eu perguntar pra Janilda o que é meio ambiente ela vai dizer que é marca de ar-condicionado ou remédio pra pressão alta. E tem muitas Janildas no Brasil. Metado do país não sabe o que é meio ambiente, da metade que sabe, metade tá pouco se lixando. É Brasil, meu povo, neguinho quer ouvir que vai ter mais ônibus na rua, ou que o metrô vai chegar na Freguesia do Ó, não que o partido vai exigir que os ônibus tenham suas emissões de CO2 controladas por órgão federal. Achei legalzinha a forma como ela tenta aproximar o tema ambientalista da população, ao falar de enchente, deslizamento e afins, mas "tipo", o eleitor tá pensando "se eu conseguir escola pro meu filho ser alfabetizado antes dos 16 anos, se eu conseguir sobreviver ao SUS, se eu achar um emprego e conseguir chegar nele à 8 de busão, aí eu vou pensar na poluição do rio Tietê ou nos afluentes do Amazonas".

E pra terminar. Bonner dá a ela 30 segundos, MEIO MINUTO pra fechar o programa, e ela começa: primeiramente quero agradecer a Deus… Pô, Marina, quando você estava na quarta série, aos 20 anos, não te ensinaram que o Estado é laico? Você pode ser crente, católica, umbandista no que me toca, e não vejo problema entre dizer que se é uma dessas coisas, mas você estará governando cristãos, mulçumanos, budistas, judeus e ateus/agnósticos, então agradeça a Deus no recôndido do seu lar, ou na igreja, ou onde for, fechar o JN agradecendo a Deus é demagogia barata.

E como diria uma tia minha, apesar de tudo, ela não é má pessoa… Mas presidenta do Brasil, sei não...


quarta-feira, agosto 11

Praia, caatinga, montanha... mas Serra não!

Saí do Brasil em 2003, já no governo Lula. Volto ao Brasil a cada 2 anos, e a cada volta me surpreendo mais com o que vejo.

Claro que ainda ouço muitas reclamações vindas da minha família. Acho que a classe média está achatada, acho que ainda falta muita escola, muito hospital, muito emprego, mas a cada retorno vejo o que talvez muitos brasileiros não percebam.

Minha família tem um lado muito, muito humilde. Minha mãe SEMPRE falou que meus primos deveriam fazer alguma escola técnica porque seus pais jamais poderiam pagar uma faculdade pra eles, mas hoje o mais velho já está formado na mesma universidade onde eu estudei, e os outros 3 estão também cursando faculdades, umas melhores que as outras, mas ainda assim, ensino superior. Contam com o auxílio de bolsas do governo, ou de crédito educativo, estudam de noite pra poder trabalhar de dia, mas estão conseguindo levar. Não, não é a mesma coisa que o filhinho-de-papai que sempre estudou no Bandeirantes e agora está se formando no ITA e indo fazer pós no MIT, mas já é muito melhor do que não ter nenhuma formação profissional.

Minhas 3 tias tem suas casas próprias, humildes, mas próprias. E duas delas tem um carrinho pra chamar de seu. E tá dando pra pagar as prestações da TV nova na Casas Bahia. Imagina que até a Janilda, nossa empregada desmiolada, conseguiu comprar o barraco que ela alugava, e diz que já está juntando um dinheirinho pra fazer paredes "de alvenaria".

São Bernardo está com tantas obras, apartamentos, casas, ruas e viadutos novos. Os galpões de antigas empresas que escolheram ir para o interior ou pra região de Curitiba por causa da CUT estão se enchendo de novo, ou porque as mesmas empresas estão voltando pra região ou porque outras empresas estão abrindo ali seus negócios.

Minha mãe precisou fazer exames de sangue e ao invés de pagar particular resolveu tentar no SUS e diz que apesar de ter demorado um pouco, que ela foi bem atendida.

Eu sei que não tá tudo uma maravilha, que a violência está insuportável, que até comida que era barato está caro, eu sei que ainda há muito chão pela frente, mas gente, eu acho sim que um certo chãozinho o Brasil já andou. O mais importante, é que eu vejo esses meus primos jovens cheios de planos, com garra pra conseguir as coisinhas deles, um apartamentozinho pra casar, um carrinho pra não ter que ir pra faculdade de busão, e antes de eu vir pra cá, eu achava todo mundo tão desanimado, tão desacorçoado com o que o futuro parecia trazer.

O Lula não fez isso sozinho, nem sei qual a participação dele nisso tudo, mas praticamente todas as empresas grandes que vem aqui me visitar estão investindo no Brasil, e ele tem MUITO a ver com isso. Ele é admirado aqui fora, ele passa segurança.

Eu não transferi meu título, mas vou ver se ainda dá tempo. Não porque eu queira muito votar em um dos candidatos, mas porque eu quero muito votar contra um: o Serra.

O Serra me envergonha. O simples fato dessa criatura, em rede nacional, criticar a Xuxa por ter tido a filha fora do casamento já mostra o que vai pela cabeça desse senhor. E tudo que eu leio ou escuto saindo da boca dele é tão machista, e tão quadrado, que dá desânimo.

Vou dar uma estudadinha na Dilma. Achei que ela se deu bem no Jornal Nacional, tem um video no YouTube.

Meu medo é que o povo que elegeu o Clodovil, Frank Aguiar e cia limitada, acredite no bla bla bla do Mr. Burns Brasileiro ( pô, o Serra não é a CARA do Mr. Burns? )


Vote em mim, e mandaremos todas as mães solteiras pro Paraguai!

terça-feira, agosto 10

Be-a-bá e sente-se porque o post é enorme


Hoje eu estava escrevendo um e-mail pra uma brasileira que acabou de mudar pra Holanda com o marido expatriado brasileiro com algumas dicas, e eu pensava em como deve ser difícil mudar pra cá sem o cônjuge holandês pra explicar coisas básicas.

O lixo. Eu nunca tinha visto uma kliko na vida, e se não fosse o marido explicar o afval kalendar ( agenda com os dias de coleta do lixo ), eu ía penar muito pra sacar o lance. E a coitada já percebeu nosso principal problema no verão, a coleta do lixo normal é feita a cada 2 semanas, ela tem as fraldas do bebê lá fermentando no calor, eu sou a areia com as necessidades dos gatos todo santo dia. Confesso que a única solução que eu achei, e nem sei se é "asociaal" ou não, foi pegar a sacolinha e à caminho do trabalho jogar no cesto de lixo público da pracinha perto de casa, senão não dá pra aguentar a fedentina.

Eu tive ainda que dar a triste notícia de que aqui, até o cachorro paga imposto. Eu não sabia que era tão caro, aqui em Eindhoven são €64 pro primeiro cachorro e €128 pro segundo, no total quase 200 euro-paus!!! Por ano, todo ano!!!

Eu não achava cottonete, aqui a haste não é azul ( é branca ) e vem numas caixas quadradas de plástico. Agora já é mais fácil encontrar nos supermercados, mas naquela época achava-se mesmo só na Kruidvat, Etos e afins.

Outra boa pergunta, considerando que só o AH Extra large tem uns baldinhos e umas vassouras, onde comprar esses apetrechos estranhos mas necessários? Blokker, que é uma loja que não tem igual no Brasil, é como se fosse o departamento de louças, potes plásticos, "pirex", sacos de lixo, vassouras e cia limitada do Carrefour. E tem umas coisas parecidas na Hema, que por sua vez é uma edição limitada das Americanas, acho eu. Minha primeira vez na Blokker foi pra comprar uma tábua de passar roupa, levada pelo marido, claro.

E no supermercado? Que bonitinho os peitos de frango embalados individualmente um por bandejinha de isopor, plastiquinho e tals. E a beringela, uma a uma no plástico à vácuo, à €1.99 por beringela? Cebolas, tem pacotões, e agora o AH tabela: pequenas, médias e grandes, mas na época tinha o sacão genérico e umas cebolas liiindas embaladas duas a duas ( zoete uien ), quando no Brasil a gente compra 2 cebolas? E aprender as carnes em holandês? Tem alcatra, contra-file, file mignon, coxão mole, patinho? NECAS! Tem Ossenhaas que é nosso mignon, custa mais de 30 paus o quilo e vende uns bifinhos de 150 gr., tem o entrecote que é parecido com nosso contra-filé, também custa os tubos, e tem o biefstuk, que é uma carne qualquer coisa, tipo um coxão mole, mas pra falar a verdade, se eu não tenho carne do Makro, só compro os cortes maturados embalados à vácuo do AH, e mesmo assim, tem que comer mal passado senão vira sola de sapato ( biefstuk=bife+estuque).

E o mistério das carnes moídas? Gehakt. A Half-half é pálida que dá até desgosto, barata que só ela, e só deus sabe o que tem ali. Diz o pacote que é meio porco e meio boi, mas pelo cheiro quando frita, desconfia-se de que parte do porco ou do boi vem aquilo. A de boi é a 100% rundvlees, e tem a magra ( magere ), e tem a tartar no AH, que é carne de primeira ( as outras são de segunda ). Eu já disse que eu compro carne no Makro e môo ou compro a orgânica, que é bem passável.

E comprar batatas? Aquelas prateleiras enooooormes, com tudo que é tipo, cremosa ( kruimig ), meio cremosa, durinha ( vaste kokende ), safrinha ( nieuw oost ), 5 kg, 3 kg, pondje, e tão baratas? Mas brasileiro que é bom come mesmo arroz, né? Cadê nosso agulhinha? Não tem! Depois de experimentar vários, me ajeitei com o basmati, o resto fica papa ou é muito quebradinho. Mas o preço… e o tamanho da embalagem? Começa em 400 gr e a maior é a de 2 kg ( no Makro tem sacos de 5 kg ).

Queijos são um capítulo à parte, você escolhe o teor de gordura ( +48, +30 ), a maturação ( jovem, normal, maturado ), e o tipo ( milner, maaslander, beemster, marca da casa, oud amsteram ), e esses queijos não derretem nem no forno, eles suam e ficam molengas, mas derreter mesmo… tem que comprar o pasta kaas ou pizza kaas ralado.

Quando chega o primeiro inverno, claro que a gente se deslumbra com a primeira nevasca, mas… que puta frio, senhor! Aquecedor nas alturas! O que você não sabe é que sua conta de luz / gás é anual, eles estimam seu gasto mensal, te mandam a conta sempre igual, no fim do ano mandam o "ajuste" pra mais ou menos, e como você se tostou dentro de casa com seu aquecedor, você recebe a continha dos 900 euro-paus pra pagar a mais de lambada, sem dó nem piedade. Aí você entende porque o holandês fala: tá com frio, usa roupa quente!

Pô, mas tem uma boa notícia: o 30% ruling. O estrangeiro que vem pra cá trazido por uma empresa ( e não uma mané que nem eu que casou com um holandês ) tem 30% do salário isento de imposto por 5 anos. É uma boooa grana e nem sempre o RH da empresa avisa.

Só sei que eu estou aqui a mais de 7 anos, com marido holandês e tem coisa que eu ainda não sei ou não entendo. Outro dia o chefe me perguntou se eu imigraria de novo pra uma das plantas da empresa, e sinceramente? Teriam que triplicar meu salário e eu ainda ia pensar no assunto.

segunda-feira, agosto 9

Ah, a vida era tão bela!

Acho que dessa só os paulistas vão lembrar. Dá vontade de chorar ao ler que ela foi desativada... Tão destruindo minha infância! TRAUMA!

Lendo o Estadão

Vamos ler o jornal e reclamar um pouco da vida?

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100809/not_imp592382,0.php

Eu não me conformo com a cara-de-pau, a pilantrice de certos funcionários públicos. O cara ganha R$24.000, o que é fora da realidade brasileira, e não duvido que tenha ainda mil outros "incentivos" pra engordar o salário dos caras, não é o cúmulo da canalhice abusar dos veículos públicos? O que fazer quando o juiz é literamente ladrão? Who watches the watchers?

É isso que faz a gente pensar que não há jeito pro Brasil, não há limite pra lei de Gerson, não basta o cara conseguir um emprego pra ganhar essa dinheirama, ele tem que dar uma roubadinha a mais.


http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,com-licenca-medica--joaquim-barbosa-vai-a-festa-de-amigos-e-a-bar-em-brasilia,591930,0.htm

E esse então? Pô, o cara é ministro! Dá um pézão na bunda do cara aí, Lula! Pilantra, tomando um mézinho com os colegas… Pô, 127 dias de licença médica, um ano produtivo em impresa privada é calculada como 220 dias, fora as férias que são direito do funcionário, o cara menos trabalhou do que ficou em casa.


http://blogs.estadao.com.br/bate-pronto/lula-chama-tenis-de-esporte-de-burgues/

Brasileiro gosta de tapar o sol com a peneira, gosta de esconder certas verdades. Alguém aqui que estudou em escola pública, teve aulas de tênis como parte de curriculum normal? Não, né? Eu estudei em escola pública até os 10 anos, lá só aprendi futebol, basquetebol, voleibol. E muito mal aprendido, diga-se de passagem.

Quanto custa uma raquete de tênis em comparação com uma bola "de capotão"?

E só pra não falar bobagem, googuei uma escola de tênis pra ver o preço da mensalidade:

http://www.litotenis.com.br/horarios.php

Duas aulas por semana, 1 hora por aula, o que eu acho que é o mínimo pra se aprender um esporte, mensalidade: R$ 640!!! É pra burguês ou não? O proletário classe-média, que já paga escola particular ( que também não dá aulta de tênis incluida no curriculum ), paga escola particular de inglês, pode pagar as aulas de tênis sem pensar duas vezes?

O tal Meligeni, que nem brasileiro é, não deve ter contato com a realidade. A família brasileira que tem uma renda de, digamos R$ 2.000 por mês, pode pagar aula, raquete, roupas apropriadas, taxa de aluguel de quadra ou associação de tênis? Em qualquer lugar tem campinho de futebol ou quadra pública, quantas quadras de tênis públicas você já viu na vida? E escola, quem aqui estudou numa escola que tenha quadra de tênis?

O Tião pede pra mãe o presente de aniversário de 10 anos: mãe, quero um ingresso pra ir ver o Mengão jogar no Maraca. Quero ver o Tião ir pra mãe e dizer: mãe, quero um ingresso pra arquibancada de Wimbledon ou se a grana tiver curta, pelo menos o US Open.

É pra chorar!

domingo, agosto 8

Falar muito sem dizer nada...

Achei que o twitter fosse ser o início do fim da prolixidade na internet. Acho meio cretino a pessoa entrar na internet, ir à um site, só pra dizer "meu cabelo tá um cu hoje". Who the frigging cares?

Mas não critico, porque eu mesma faço isso e faço isso via blog também, parece que depois de colocar a palavra em público parte do sentimento se vai, entende?

Mas tem gente que abusa do direito de ser chato, mais ainda do que eu, o que é beeeem difícil.

Então você vai lá no blog da dona sem lembrar porque parou de lê-lo há vários anos, começa a ler um post ( o tal post prolixo ), a escritora se esmera nos verbos, nas concordâncias, na acentuação e pontuação, sem falar no vocabulário riquíssimo, de quem óbviamente estudou muito e em boas escolas. E no fim do longo post, tudo o que a fulana disse, pra bom entendedor, foi "meu cabelo tá um cu".

E eu fico cá pensando, o que é pior - escrever fantásticamente bem, digno de um selo pacamanca de qualidade e não dizer nada, ou pecar nos porquês e haviam, mas dar o recado em 10 linhas?

E daí a gente até perdoa o Twitter, antes ler "meu cabelo tá um cu" em cinco palavrinhas curtas até, do que passar 10 minutos lendo um post achando que o fim vai ser apoteótico e de um insight "felomenal", pra tirar de tudo isso que a dona precisa urgentemente comprar um vidrinho de Kerastase.

Tô chata hoje, eu sei. Por isso vou poupar-los de ler minha opinião sobre quem escreve "néam" e suas variações de né. Ou então dessa mania ( pergunta: é só na internet ou ao vivo o povo tá falando assim também? ) de botar super entre o sujeito e o verbo: "eu super preciso comprar um Iphone", "eu super odeio os congestionamentos da marginal".

Ah, eu vou super tomar um banho de banheira porque eu mereço, néahn?

sexta-feira, agosto 6

Alguém conseguiu marcar um gol na GOL?

Povo, alguém morando aqui fora conseguiu pagar recentemente seus tickets com cartão de crédito internacional?

Estou planejando a viagem ao Brasil, e vai ter que rolar muita passagem da GOL. Estou querendo sair de SP pra Salvador pela GOL, do aeroporto pegar o teco-teco da Addey pra Morro de SP ( o marido enjoa até na banheira, quem conhece diz que a travessia de ferry pra Morro é feroz ), ficar lá uma semaninha na pousada na segunda praia que a comadre indicou. Tenho que apoiar essa pousada porque eles COLOCAM TARIFÁRIO COMPLETO NO SITE!!!! A diária com café ficará em R$ 340, o que aparentemente é razoável para a região, considerando-se que a pousada é muito charmosa, bem localizada e o quarto é de frente pro mar.

Pego o teco-teco de volta pra Salvador, e de lá pego um avião direto pra Campo Grande no MS. Direto é modo de falar, porque tem mil paradas ( mentira, tem 2 ou 3 ), tudo via GOL. Mas Adriana, que é que cê vai fazer em Campo Grande? Vou passear bonito em Bonito, meo. A Trip tem um vôo de Campo Grande pra Bonito, mas só às quintas e domingos, o que não me ajuda, então vou ter que alugar um carro ou achar alguma empresa que faça transfer. Pensei em comprar logo um pacote CVC pra essa viagem à Bonito, mas nenhuma empresa trabalha com o Hotel Fazenda Santa Esmeralda, onde eu quero ficar porque faz parte do Roteiros de Charme e fica na beira de um rio. Também a título de informação, a diária com café e jantar ficará em R$ 410, o que me disseram que é razoável pro lugar, considerando-se que parece que Bonito virou modinha.

De Bonito, estrada pra Campo Grande de novo e de lá, GOL pra Campinas, onde meu irmão me pega.

O porém é que se a GOL continuar com aquela palhaçada de só poder comprar online com cartão nacional, vai furar todos os meus esquemas. E isso não pode, porque eu já estou até me vendo nadando no riozinho cheio de peixinho.

Aliás, ri muito com o meu fornecedor brasileiro. Ele me disse que acabou de voltar da estação de esqui de Brasiloche, e eu corrigi: você quer dizer Bariloche, né? Não Adriana, é Brasiloche, porque com o dolar a preço de banana, não tem mais um argentino naquela cidade, só se ouve português, só se vê brasileiro, a gente devia logo anexar ao território nacional.

Aliás 2, que loucura é essa no Brasil, hein meu povo! Eu vi promoção, "Disney a 1200 dolares no feriado da Independência", e considerando-se que uma passagem tá ao redor dos 1000 doletas, fiquei encafifada. É uma viagem de 5 dias e 4 noites! Como pode, alguém se abalar à América do Norte pra ficar 4 dias? E o pacote de compras pra NY então? Também 4 noites, sai do aeroporto DIRETO pra Woodbury Common, o vôo chega às 7 da matina em Newark, você vai esperar o Woodbury abrir, fica lá até as 5 da tarde, pra só então pegar o busão pro hotel em Manhattan, fica no famigerando Pennsylvania, passa sexta e sábado "conhecendo NY", e domingo depois do almoço vai pro aerporto. Aí você chega em SP às 6 da matina e vai direto pro trabalho!!!! WTfriggin'F????

O mesmo fornecedor: meo Adriana, meu irmão comprou Nike por 40 doletas, dá menos de 70 paus, até o Conguinha da minha filha custa mais! Hahahaha, putz ri do deslumbre e ri do Conguinha, porque só quem é velho como eu e estudou em pré-escola pública sabe o que é e já usou Conguinha, com aquele narigão. E os perfumes, Adriana, Boticário vai virar perfume de rico, pobre vai mesmo é usar Eternity da CK que custa "só" 38 doletas o vidro e rende mais porque só uma esguichadinha já fixa o cheiro.

Eu já imagino como devem ficar os Duty Free's - "Free Shopping" pros paulistas - brasileiros são fanáticos por duty free! Já contei que indo pros EUA uma dona me viu comprando um chocolatinho e pediu se eu podia passar um creminho dela na minha cota? Quando eu olho, a dona com uma piiiilha de cremes de beleza era a Monique Evans! Ha ha ha, eu muambei pra Monique Evans! Meo, era 1998 e ela estava LINDA. Não sei onde ela fazia luzes, mas eu nunca vi nada mais bonito do que o cabelo dela, e ela parece aquele mulherão, mas juro, o quadril dela deve ter 70 cms, ela é miúda de ossatura!

Mas então, comecei falando lá e terminei dizendo crá.

É o efeito da sexta-feira.

Quando a quermesse virou kermis


Não faço a menor idéia se em todos os estados brasileiros é assim, mas em SP, as festas juninas são comemoradas nas quermesses. Quermesses acontecem nas igrejas, barraca de quentão e vinho quente ( acho que em outros estados não tem quermesse, porque minha comadre baiana não conhecia vinho quente ), pipoca, pinhão e doces caseiros, churrasquinho na brasa ( claro! A especialidade da quermesse do Caminho do Mar em SBC era o sanduíche de calabresa, ohhhhhh água na boca! ). Tem também barracas com aqueles joguinhos de parquinho antigo ( atirar a bola numa pilha de latas, pescar um peixe de plástico numa piscininha, e claro, Bingo! ). Pra moçadinha tinha correio elegante e cadeia. Ah, como eu gostava de quermesse.

Há 7 anos a quermesse virou kermis. Tá louca Adriana? Eu não sei se a origem do nome é a mesma, mas aqui pela região ( de novo, não sei se tem Kermis em toda a Holanda - as colegas expatriadas podem confirmar ) entre Julho e Agosto, a Kermis come solta!

A Kermis mais famosa do país é a de Tilburg, aqui pertinho de Eindhoven. Eu ainda não fui ( vergonha total ) mas é famosérrima. E tem um dia em que gays, lésbicas, travestis, transformistas, simpatizantes, se vestem de pink, de fantasias loucas, e saem andando pela Kermis ( a de Tilburg ), e eu juro que ano que vem eu vou, bobeou compro até uma peruca rosa.

Mas o que é essa tal de Kermis? Bom, o princípio é parecido com aqueles parquinhos itinerantes ou o parquinho da minha infância na Praia Grande. Tem uns "brinquedos" - roda gigante, carrinho de bate-bate, casa do terror, mini e média montanha russa, e sempre tem uns brinquedos mais radicais. As "barracas" com aqueles joguinhos que dão prêmios e coisas semelhantes a bingo são enormes, e tem também uns caça níqueis, aquela máquina com uma garra que "pesca" o bichinho de pelúcia… A Kermis de Eindhoven sempre foi bem direcionada a crianças menores, tem muitas atrações pra criançada dos seus 5 anos, mas pros adolescentes deixava à desejar. Agora, além de ter mais brinquedos radicais, tem uma tenda "disco" com um DJ convidado por noite. Me disseram que está lotando ( eita cidade do interiorrrr ). E fora essas atrações tem um "terras", uma área com mesinhas e uns trailers de comida ( fritas com maionese, hamburgueres, saté, frinkandel e seus primos gordurentos ), o trailer famoso das olie ballen e amiguinhos adocicados, e sempre tem aquelas lojinhas de balas, pirulitos e afins. Mas o que eu gosto mesmo é o biergarten. A Kermis de Eindhoven se chama Park Hilaria, e vem da Alemanha, então eles tem o biergarten com cerveja alemã e aqueles cachorro-quentes com repolho alemães. Gente, eu amo!

Então meu povo, se você mora por aqui e nunca foi, vá! E se você passar por aqui de férias no verão, pesquise se tem uma kermis no seu caminho, e dê uma chegadinha. É uma das poucas chances de ver os holandeses de bom humor.

Aqui o link da kermis de Eindhoven, esse findi é o último: http://www.park-hilaria.nl/


quinta-feira, agosto 5

Pergunta ( nojenta ) que não quer calar...


Gisele Bundchen usa o tal método "elimination communication" e coloca o filho desde os 6 meses no "troninho", como ela diz. O bebê mama, X tempo depois ela sabe que ele faz cocô, coloca o menino no penico e pronto.

Agora pergunta da Adriana: putz, e quem limpa o penico? Porque vamocombiná, cocô de bebê não é mole? Não será pior que lidar com a fralda?

Ugh...

Deveras preocupada

Como todos sabem, nossa casa foi comprada em construção. As casas novas são hoje produzidas com uma enorme preocupação com a insulação térmica, ganham até uma "nota" de acordo com o que gastarão ( energy label ). Segundo a construtora, nossa casa foi projetada com um balanço calculado entre boa insulação pra não gastar muito gás no aquecedor ( o principal inimigo da boa insulação são as janelas ), e um bom número de janelas que ajudam a aproveitar a luz natural, sem necessidade de muita iluminação artificial, pra economizar energia elétrica. Eu acho tudo conversa pra boi dormir, nossa casa tem muitas janelas e pronto. O lance é que holandês gosta muito de janela, as casas com bastante janelas são ultra valorizadas.

Eis que ao comprar a casa, calculamos os gastos adicionais com aquelas coisas tipo box de banheiro, móvel da pia, cozinha, e cortinas, visto que como não temos persianas nas janelas, e a primeira coisa a se fazer é colocar qualquer coisa nas janelas pro povo não ficar olhando lá dentro da sua casa, e nos quartos pra poder escurecer na hora de dormir.

E é esse nosso problema agora, as janelas, as cortinas, as rolluikens e agora as screens. Gente, tudo isso está me tirando o sono!

Esse foi o nosso segundo verão na casa, e com tantas janelas, nos dias mais quentes a casa vira uma estufa. TEMOS que colocar as tais rolluiken, principalmente nas janelas da frente da casa onde o sol bate de tarde. Esse ano, nosso quarto chegou a 35 graus!!!

Link pra quem quer saber o que é rolluiken: http://www.dhoni.be/rolluiken_boflex.html

No andar de baixo, como temos uma janela de esquina ( graças ao arquiteto que se formou por correspondência ), não podemos colocar rolluiken, tem que ser uma "screen".

Link pra quem quer saber o que é screen: http://www.sunblockers.nl/site/index2.php?pagina=producten&categorie=36

Essas rolluikens e screens não só seguram o sol, mas no inverno seguram também o vento e funcionam como uma camada a mais de proteção nas janelas, então vai ajudar também a casa a se manter mais quentinha sem usar tanto gás. E qual o problema?

A grana, minha gente, a grana… É uma sangria desatada de dinheiro, e a gente não tinha planejado gastar essa grana com janelas, e sinceramente eu acho um desperdício, apesar de concordar que não dá pra ficar sem. E vejam bem, isso tudo vai no lado de fora da janela, e a gente ainda tem que comprar as cortinas do lado de dentro!

Ontem o tiozinho veio fazer o orçamento: duas rolluiken no quarto de cima, uma screen de esquina, uma screen de 2mt no "meio" ( tussenstuk ) e uma screen na sala de frente pra TV ( tá impossível assistir TV ), ficou em mais de €2.000!!!!

Mas o pior ainda está por vir. A parede que separa a sala de estar do jardim é INTEIRA de vidro. São 6.60mt de vidro pra cobrir, e é isso que está me tirando o sono. Nós colocamos uma cortina-painel barata da Ikea pra quebrar o galho, mas essa cortina é um pesadelo. É de correr e o mecanismo não é macio, então cada movimento além de difícil faz aquele barulho "scrééééék", os gatos passam por ela pra olhar o quintal e o peso na barra arranha a pintura da porta, o único tecido "marromenos" ok disponível era um brancão, e é muito transparente e é impossível ver TV. Por mais que eu pense em algo bonito e que resolva os demais problemas, só chego na cortina plissé com tecido dupli, que vai custar - se a gente pegar uma ótima promoção - uns 3 mil euros.

É mais caro que a TV que queremos comprar, e é isso que tem me tirado o sono. É dinheiro, dinheiro e mais dinheiro, saindo por todos os lados, parece que nunca acaba, e nesse caso é pra algo que embora necessário, não é nada que vá me trazer felicidade sublime.

Já esquentei muito a moleira, as cortinas mais baratas são as tradicionais de pano, mas como temos o "radiator" em frente da janela, não dá pra colocar, sem falar que enche de pêlo de gato. Persianas verticais poderiam ser uma solução, mas as simples o Bart acha feio e as mais bonitas também custam uma fortuna. As de rolo ficam feias, não dá pra gente controlar a entrada de luz. O que fazer meu povo?

quarta-feira, agosto 4

Ik ben geen Amélia!


Minha mãe sempre foi fanática pro limpeza de casa. E eu sempre fui a maior frustração dela. Eu me recusava categoricamente a gastar tutano aprendendo a lavar-passar-cozinhar, eu ía é estudar, ter um bom emprego e pagar uma empregada!

Mas sabíamos como nós duas estávamos erradas. Posso pagar empregada mas não acho uma, e metade do que ela me ensinou caiu em desuso ou não se aplica ( a outra metade eu nem ouvi ).

"Adriana, antes de colocar a roupa na máquina vê se tem alguma mancha. Se tiver, coloque um pouco de Omo e deixe ali no tanque um poquinho. Antes de jogar na máquina dê uma esfregadinha na mancha, e pronto." - eu chego na Holanda e cadê o tanque? Aqui o negócio é Vanish Spray na mancha e direto pra máquina, porque não tem tanque! Tem gente que nem passa o spray na mancha, joga logo uma pá de Vanish em pó em todas as roupas e pronto.

"Adriana, antes da máquina fazer o enxágue, abra a tampa, coloque comfort e deixe de molho um tempo, de preferência mais de 1 hora". - Adriana compra amaciante Lenor mas como abrir a máquina e deixar de molho se a máquina é daquelas de tampa vertical? O jeito é tacar no compartimento da máquina e torcer pra dar certo.

"Adriana, uma vez por semana tem que lavar o banheiro com Cândida". - cadê a Cândida? Adriana compra um bleach e vai pra casa feliz, mas cadê o ralo do banheiro? Adriana só percebe tarde de mais que não tem ralo no banheiro e tem que "chupar" a água toda com um pano de chão, mas cadê o pano de chão? O marido só tem um tal de Mop ( esfregão de tiras de pano ) que a Adriana nunca viu e não sabe como usar. Adriana googa num site holandês como limpar o chão do banheiro, o site ensina: passar aspirador de pó ( atenção, o banheiro deve estar seco ) para tirar os detritos ( !!! ) e finalizar com o tal Mop ( em holandês dweil ) embebido em produto de limpeza. E limpa? Quebra um galho. Na casa anterior e nessa, fizemos o banheiro com ralo e periodicamente eu lavo o chão, mas a "Cândida" foi eliminada e uso um CIF de maçã.

"Adriana, pra louça ficar bonita tem que ensaboar, enxaguar bem, colocar no escorredor, secar, guardar. O valor da mulher se mede pelo brilho das panelas dela, então muito bombril nesse fundo". - A primeira vez que o marido me viu lavando louça, decretou: vamos ter que deixar de comer pra pagar a conta d'água. Aqui a holandesada fecha o ralo da pia, enche a pia d'água, coloca a louça sem comida dentro, se estiver muito suja usam uma escovinha, e tirando da pia secam. Me dá ânsia de vômito só de pensar. Os mais limpinhos, tendo uma segunda pia, dão um segundo banho. Viva a lavalouças! E o marido odeia o secador, e bombril não tem ( mas descobri uma esponja de aço parecida ).

"Adriana, pra limpar a janela tem que ter cuidado, abre, limpa de um lado, do outro, cuidado pra não cair". - Adriana vai abrir a janela… e ela não abre! Adriana entende então porque é que tem sempre um tiozinho passando aqui e oferecendo o serviço de lavar janelas ( com fatura e imposto declarado ), afinal como é que você lava a janela do segundo ou terceiro andar quando ela não abre ou abre uma fresta? E o tiozinho de lavar janela sempre some quando você precisa. Minha casa tem até lodo nas janelas, a casa parece que tem neblina, mas cadê o tiozinho?

"Adriana, tem que saber o nome das plantas e como cuidar das plantas pra saber se o tiozinho jardineiro tá fazendo tudo certo. Ele vai passar na rua a cada duas semanas e você tem que escolher um bom". - Cadê o tiozinho jardineiro? Minha mãe me mostrou o que era a erva-daninha que queima? Não, eu quase morri com os braços todos queimados quando tentei arrancar uma do jardim da frente! Ela me explicou como acabar com os champignons que nascem na grama? Necas!

E eu aprendi que a secadora tem a operação anti-rugas e que se a malhar for boa não precisa passar, é só esticar e dobrar. Já disse que eu não tenho varal? Mesmo no verãozão a gente seca na secadora, primeiro porque eu não tenho varal, segundo porque varal cheio é a coisa mais feia do universo e lembra o Vico do Scugnizzo, terceiro porque a roupa não fica tão maciazinha e cheirosa como quando eu seco na secadora, quarto que ficar estendendo roupa molhada, recolhendo roupa seca, é coisa de corno, e quinta é que roupa seca "ao léu" tem que ser passada, pra ficar bonita e pra higienizar.

Aprendi que vassoura é atraso de vida, o negócio é aspirar com os aspiradores super power que todo holandês tem, é mania nacional. E pra dar um brilho, passar um paninho com um dos 239 produtos adequados para o seu piso.

Aprendi que lencinhos umidecidos com produto de limpeza são a salvação, principalmente no banheiro ( e com o treino apropriado do marido - errou a mira? Lencinho ). E lencinho umidecido com produto pra tirar o pó. E lencinho umidecido com limpador de vidro. A era dos paninhos acabou! Até pra limpar o chão, tem o dweil ( esse parece um rodo ) onde você coloca um paninho descartável, usa e joga fora.

E quando eu vou pra casa dela, eu não acredito no tanto que ela limpa, limpa e limpa. Hoje acho que brasileiros limpam demais. Ou será que é ela que limpa demais?

E ela vem aqui e fica inconformada que eu não tenho vassoura ( tive que comprar uma pra ela ), que eu não tenho pano de chão, que pra secar uma blusinha eu taco na secadora ( tive que comprar um pequeno rack de secar ), que eu não lavo o banheiro "todosantodia", que eu vou colocando toda a louça na lavalouça "quetrabalhodálavarumcopo?".

Morei 30 anos na mesma casa com ela, mas hoje, em alguns aspectos, vivemos em diferentes galáxias.




terça-feira, agosto 3

Cenas de uma vidinha na Holanda

Vamos ver foteeenhas?

Quando eu mudei pra Holanda, uma das coisas que eu achei muito estranho foram as cozinhas abertonas, integradas com a casa. Aos poucos, comecei a ver as vantagens: quem cozinha não fica lá isoladão, é mais "convidativa" pros amigos virem se chegando e bater papo enquanto você cozinha ( e o marido também ), uma cozinha bonita "enfeita" a casa… E a principal desvantagem é que tem que estar sempre limpinha, senão fica feia demais. Nessa casa nova, optamos por não instalar a parede opcional pra fechar a cozinha, decidimos que se a gente mudar de idéia mais tarde é mais fácil mandar colocar do que colocar agora e depois mandar tirar.





Vejam que optamos também por não ter uma ilha, o que está na última moda já há algum tempo. Eu acho ilha na cozinha linda, fizemos esse design com uma ilha apoiada na parede da esquerda do monitor, e ficou linda na simulação, mas… depois de "testar" a ilha lindadivinamaravilhosa da comadre vi que não é pra mim, eu fico sempre com a sensação de que tem alguma coisa ali pra me atrapalhar, no meio do caminho. Mas a beleza do móvel Ikea é essa, permitir que você mude de idéia sem ir à falência… se em alguns anos a gente mudar de idéia, a gente coloca a tal ilha. A Ikea está com ilhas lindas, modernésimas!

Ainda faltam os acessórios, quero colocar umas prateleiras na parede da esquerda, queremos escurecer a parede da pia, isso sem falar num lustre! Mas deixa eu mostrar algumas soluções que me fazem amar de paixão minha cozinha:

Meus cantos são aproveitados 100%



Esse é o superior, as prateleiras são giratórias e nesse cantinho que na outra casa era perdido eu tenho todos meus rolos de papel alumínio e cia., todos os cafés da Senseo, chá, açúcar, e na prateleira de cima os containeres ovais com farinhas, arroz, macarrão, milho de pipoca, tudo arrumadinho.



No canto de baixo estão duas prateleiras giratórias e que podem ser puxadas totalmente pra frente, e nelas eu coloco as panelas e os "tapuéres", também arrumadinhos e super acessíveis. Vejam que as prateleiras são super práticas, mas não são lindas de babar. Acontece que essas prateleiras giratórias custaram no total 300 euros, e na loja bacanérrima de cozinhas teriam custado 2.700 euros. A função é a mesma, mas a da loja bacanérrima era totalmente aramada ( a da Ikea tem fundo de madeira embaixo e vidro em cima ), e assim que você puxa uma luzinha acende ( e eu preciso de luzinha? ). Eu acho o custo-benefício da Ikea fantástico!

Agora deixa eu mostrar a parte mais ultra-prática da cozinha:




O "apotheek-kast" ( armário do apotecário?! ). Embaixo ficam meus óleos e sais ( 3 tipos de azeite, óleo de milho, óleo oriental pra wok, extrato de baunilha caribenha, extrato de baunilha feito em casa, mel, vinagres, flores de sal, sal grosso, sal marinho ), no meio meus temperos, em cima minhas colheres de cozinhar. As colheres podiam estar penduradas, mas eu acho que na gaveta fica mais limpinho e o visual mais clean.



Preciso comentar em particular a gavetinha dos temperos. A moda é comprar umas divisórias pra colocar os temperos em vidrinhos padronizados bem bonitinhos, mas quer saber? Isso é coisa de quem não cozinha! Quem cozinha, e como eu, adoooora, sabe que a gente compra temperos de marcas diferentes, em tipos de embalagens diferentes, trás de outros países, compra nas feiras, dá pra ficar transferindo da embalagem original pro potinho padronizado a anotando datinha de validade? Isso sem falar que cada vez mais se vende temperos com moedor, que não podem ser transferidos pro tal potinho padronizado e a embalagem original não cabe na divisória. Eu até tentei, mas depois de tentar várias formas, até cortar as divisórias, eu as joguei fora. Agora tenho meus temperos, rubs, caldos, fermentos, essências tudo ali à mão. Alguns eu tive que escrever o nome em cima pra ver melhor, o AH percebeu a dificuldade da dona-de-casa e implementou as etiquetas em cima ( vejam os potinhos da esquerda-acima ), os temperos com moedor que são altinhos ficam deitados, o amaciante de carnes idem ( depois que descobri a carne orgânica raramente uso ), e eu amo minha gavetinha bagunçada de paixão!



Agora me digam, porque é que a máquina de lavar louça ainda é tão pouco usada no Brasil? Ah, o cheirinho da porta abrindo, o vapor saindo, aquele cheirinho de limão-limpeza... Aqui na Holanda praticamente todas as casas tem lavalouças, até minha antiga, que era mais simples, já veio com uma, e na hora de vender, era uma das primeiras coisas que todo mundo olhava. Sem brincadeira, eu uso 2 vidros de detergente líquido POR ANO, toda minha louça, panelas e tudo ( como vocês podem ver na foto ) vai pra lavalouças.



E a maravilha da segunda casa é que você já vai implementando as soluções que você percebeu na primeira casa. Pra mim, ter os "tampos" de granito era mandatório, não negociável. Na casa anterior o tampo era de madeira, vivia riscando, o marido enchia o saco ( tome mais cuidado! ), era um tal de toalhinha pra cortar pão, tapetinho pra colocar panela, um tormento! Pagamos mais nos tampos de granito que nos armários em si, mas que maravilha! Não risca, quando suja é só limpar com a esponja e passar rodinho, qualquer produtinho de limpeza deixa o bixinho parecendo espelho, foi a melhor coisa que eu fiz!



Detalhezinho. Marido odeia a garrafinha de detergente líquido na pia, diz que é feio e de pobre. Imagine que até detergente da Rituals eu comecei a comprar ( ma-ra-vi-lho-so ) e ele ainda assim ranhetava ( sim sim inimiguxas, meu marido é chato e cricri ). Resolvido: compramos esse "soap dispenser" eletrônico com sensor, é uma maravilha. Você coloca a esponja debaixo e ele "cospe" o tanto que você programa. Ótemo e bonito. E nem foi caro, acho que foi 39 euros em promoção, mas come pilha adoidado!



E temos o cantinho dos gatuchos. Vocês nem imaginam que lindinho que é quando eles estão assim, lado a lado comendo. Aliás, notaram a tosa do Plato? Agora já tá crescendo, mas carequinha ele mais parecia o ET de Varginha ( Holandesa viu ).



E montamos as antigas Poangs pra ver se "cabe", a idéia é comprar duas poltroninhas mais modernas. Caber cabe, mas já vimos que as poltroninhas tem que ser de couro pra não juntar pêlo, e a gente vai passar produto pra espantar os gatos. Mas que é uma graça ver dos dois dormindo assim, isso é.



E o alívio de abrir a cortina e ver o jardim assim arrumadinho? Dá vontade de chorar de alegria. Aliás, o mais novo "trend" das casas holandesas é ter a cozinha na frente e a sala atrás pra "integrar" a sala ao jardim. Com o vidro fechado nos dias mais frios fica bonito olhar o jardim e no verão, com as portonas abertas fica um ambiente só. E se Deus quiser no ano que vem colocamos o tetinho de jardim com umas poltroninhas, e aí fica mesmo uma extensão da sala.



E nossos móveis de jardim, apesar de velhos e feios ( principalmente a mesa ) arrumadinhos assim até ficam simpáticos, aliás, o trucão foi essa toalha de mesa! Viram só meu convidado especial já sentadinho esperando o churrascão?

E agora, algumas palavras dos donos da casa:





"Nossos humanos de estimação até que estão arrumando direitinho a casa do jeito que a gente quer!" Plato e Tyrus



"Só que nessa velocidade me dá um sono..."

domingo, agosto 1

Que saudade de São Paulo, que saudade do Brasil...

Tô doente, e doente eu fico nostálgica

sexta-feira, julho 30

Desacelera

Desde ontem estou com o estômago do avesso. Dormi mal, tive febre. Mas tinha que ir trabalhar. Pensei mil vezes em todos meus colegas que acordam com uma unha encravada e "call in sick", mas eu tinha que terminar uma planilha e eu sabia que sem a ajuda de um colega do outro departamento, eu ía empacar na semana que vem.

Tomei um iogurte de manhã e mais nada. Os colegas que me viram disseram que eu era besta de ir trabalhar, mas eu fiz o que tinha que fazer e às 3 da tarde vim pra casa. Comi um potinho de comida de bebê, botei o biquini e fui pro sol, no jardim. Estava uma delícia, desacelerei total, tirei até um cochilo. Me senti muito melhor, arrisquei um copo de Coca não diet com bastante gelo, nossa me senti em férias num hotel 5 estrelas. Voltei pro sol.

Entrei agora as 7 da noite e tomei meu banhinho cheiroso e estou me sentindo uma rainha.

Esse ano não posso reclamar do verão holandês, mas por outro lado já temo pelo inverno que já está batendo às portas, está bem mais geladinho.

Eu sou outra pessoa quando o sol brilha!

quinta-feira, julho 29

A ocasião faz o ladrão

Apesar do título, eu vou aqui falar de livros! Comadre Holandesa fez um post sobre os livros que ela anda lendo, o que me lembrou da minha nova descoberta.

Quando eu comprei meu e-reader, há 11 meses, praticamente todos os livros que eu quis ler eu achei em torrent. A maioria dos arquivos "emprestados" na net são versões scanneadas e depois convertidas pelo Adobe. Dependendo da paciência do "capitão gancho" a qualidade do arquivo vai de muito boa a sofrível.

Os livros comprados legalmente online vem com uma proteção chamada DMR. Essa proteção é uma coidelouco, você pode por exemplo emprestar o livro pra um amigo por 30 dias, mas nesse periodo o DMR vai bloquear o livro pra você, e como num livro "físico", não dá pra emprestar pra mais de uma pessoa. Até então, ninguém tinha investido em programinha nenhum pra desabilitar o DMR, até que…

A Amazon colocou o Kindle no mercado, abaixou o preço drasticamente  ( tem Kindle novinho da silva por 180 dolares ), abaixou o preço dos livros digitais, e o que era uma raridade ( ter um e-reader ) virou coisa comum nos EUA. E aí valeu a pena um hacker investir num programinha pra desabilitar o DMR.

O resultado é que se encontra hoje em dia livrarias enormes de arquivos ePub impecáveis, e eu, que já amava meus pdf's, estou deslumbrada com os ePubs. Deixa só eu registrar que nesses 11 meses eu NUNCA comprei um livro, não sei nem como se faz, mas graças aos meus amigos "doadores de livros", eu tenho um livraria gigantesca esperando para ser lida.

Já li, desde que comprei o e-reader, de gracinha, todos os livros da série True Blood ( Sookie Stackhouse, uns 8 livros ), todos da série Brotherhood of the Black Dagger, reli os Twilight, a série Vampire Diaries, a série Vampire Academy - putz, quanto livro de vampiro - bestsellers como "The time traveller's wife", The lost symbol, The Hunger Games e a continuação Catching Fire, velhinhos como 1984, Wuthering Hights, sem falar nos águas com açúcar total do Sidney Sheldon, Stephen King, Nora Roberts, só faltou a Danielle Steel, mas acho que esses meu e-reader ía se recusar ;o)

Tenho na fila alguns do Saramago, o novo do Stephen King ( Under the Dome, mas as 2103 páginas me desencorajaram ), Admirável Mundo Novo ( meu favorito da adolescência ), os Percy Jackson, sem falar nos arquivos que ainda estão no computador esperando ser transferidos pro e-reader.

Estou agora lendo a série Ender's Game. O livro me foi indicado há uns 2 anos pela Pacamanca. Eu comprei em papel, mas no avião o marido me roubou o dito, já que eu tinha também um romance na bolsa, e eu esqueci. No site de scifi que eu faço parte, o Ender's Game foi eleito como o sci-fi do século, e eu resolvi que eu tinha que ler. Baixei os arquivos e lá estou eu, devorando o livro, que é bem doido e totalmente do jeito que eu gosto, sci-fizão total total total.

Mas Adriana, você não tem dó do escritor que não recebe os direitos autorais dos livros que você baixa? Tenho! Claro que tenho. E se pudesse entrar no site deles e enviar por paypal o 1 dolar por livro que lhes é devido eu o faria. Agora eu pergunto, e você colega, não tem dó do artista que não recebe os direitos autorais pelo MP3 que você baixa? Ou pelos downloads de Grey's Anatomy e House que você já fez?

Agora me digam, para fins de pesquisa, se há alguém aqui que NUNCA baixou um MP3, um seriadinho, um livro, um software "capitão gancho" da net, por favor deixe um oi no comentário, não precisa nem dizer mais nada...

quarta-feira, julho 28

Que ódio não poder fazer nada!


Ontem em matéria do Estadão, falava-se que desde 1947 nunca os brasileiros viajaram tanto para o exterior, e que como o fluxo de turistas extrangeiros não é correspondente, a balança comercial está se desequilibrando e que vai chegar a 1 bilhão de dólares de "desequilíbrio".

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100727/not_imp586445,0.php

Agora eu pergunto: não é pra morrer de raiva?

Quantos de nós morando aqui no exterior já não passou calvários para organizar uma viagenzinha pra terra-pátria? A matemática é óbvia, com tudo mais fácil e preços melhores no exterior, é fácil o brasileiro organizar e pagar uma viagem pros EUA ou Europa, agora, se o americano ou europeu quer ir ao Brasil, é tudo complicadíssimo, o sujeito acaba desistindo e pegando um dos zilhares de pacotes all inclusive pro México, Jamaica, até Punta Cana, que nem um padaria-farmácia-boteco numa rua tem, oferece mais de 30 resorts de tudo quanto é tipo.

Isso sem falar nos desmandos dos preços dos hotéis no Brasil. A resposta dos profissionais de turismo é sempre a mesma: tem mais demanda que oferta, então quem quer ir pra determinado lugar, paga o que cobram. Que ódio! Me dizem que eu deveria entender uma pousadinha em Fernando de Noronha cobrar 800 reais por noite, mas eu não entendo o absurdo de uma ilhota no Brasil cobrar a mesma coisa que um resort numa ilhota da Polinésia Francesa. Mas no fim, acabam dizendo que o custo operacional lá é altíssimo ( mais alto que numa ilhota na Polinésia Francesa? ) e como eu não sei mais detalhes, fico quieta ( not! ), mas… qual é a desculpa pra uma pousadinha em Trancoso, terra firme, a poucos quilômetros da acessível Porto Seguro, cobrar os mesmos 800 contos numa diária? Ou em Itacaré?

Na verdade, é a falta de planejamento dos orgãos de turismo brasileiros, aliados à lei de Gerson dos donos de hotel ( quanto mais puderam sangrar seu bolso em proveito próprio, sangrarão ) que produzem essa vergonha que é o turismo nacional. Em países como o México por exemplo, estima-se que uma família de 4 pessoas vai deixar, fora o que pagou no hotel-pacote, 1000 dolares por semana no país. São gastos com restaurantes, aluguel de carros, atrações turísticas, compras… há um movimento de toda a indústria da região. Quantos empregos são gerados!

Atualmente, a oferta de pacotes prontos nas agências, que é de longe a preferência do europeu que vai viajar com família, é minúscula. No Reino Unido, agências importantes como a Thomson simplesmente cortaram destinos como a Bahia do catálogo deles. Aqui na Holanda nem oferecem, vi pacotes para a Bahia na Alemanha. E mesmo esses pacotes começam a ficar caros em comparação com Cancun/PDCarmen, Cuba, Jamaica, República Dominicana. Uma diária de casal num all inclusive da rede Iberostar em Cancun pode sair por até 90 euros, no equivalente Iberostar Bahia já está 132 euros, o que é uma diferença considerável. E embora eu tenha adorado a Praia do Forte, Playa del Carmen é mais bonito e tem mais o que fazer, então porque é que o europeu vai escolher o Brasil?

E para o viajante independente é ainda pior. Quem acha tarifários nos sites de hotéis e pousadas? São raros! E daí você tem que ficar mandando e-mail e esperando resposta, sem falar na desconfiança que dá. E comprar vôos internos? Parece que a Gol organizou o site internacional deles, mas até 2008, a última vez que estive no Brasil, tive que pedir pra minha família pagar minhas passagens, imagine que até CPF pedem, e pra quê hein?  E aluguel de carro? Alugamos carro em todos os países que visitamos praticamente, e só no Brasil não basta ter o cartão de crédito para garantir eventuais despesas, você tem que deixar um depósito! Onde já se viu isso, depósito! A gringaiada toda olhando de soslaio pra vendedora da locadora, e metade simplesmente desiste, porque é muito louco, deixar 500 reais de depósito no cartão de crédito com a promessa "de boca" que vai ser extornado no fim do aluguel.

E reclamam dos brasileiros que vão para o exterior, mas pudera, até mesmo os resorts brasileiros parte das redes européias querem esfolar os brasileiros vivos. Lá em cima eu falei que a diária do Iberostar Bahia está 132 euros o casal ( em 2008 eu paguei 112 ), mas o brasileiro que for passar uma semana no mesmo hotel, reservando via agência brasileira ( eu pesquisei a CVC e Submarino Viagens ), vai pagar ao redor de 220 euros por casal! O mesmo está acontecendo no Enotel Porto de Galinhas, que agora é da rede RIU. Um pacote para o Enotel por 1 semana está 2900 reais saindo de SP em saída promocional. Uns 500 reais é de passagem, e 2400 reais por uma semana de hotel ( por pessoa ). Isso dá mais de 130 euros por pessoa por noite, ou 260 euros por casal, o dobro! Mas o RIU em Playa está 46 euros por pessoa por noite, ou 92 euros por casal! Dá pra pagar a passagem e ainda sobra troco!

E pra quem a gente reclama? Pro espelho, porque político brasileiro não tá nem aí! Tem algum orgão, tem algum ombudsman?

terça-feira, julho 27

Lobinho e Lobãããão

Não é a toa que cada vez mais Twilight perde fãs para True Blood.

Enquanto os fãs de Twilight tem que se contentar com esse lobo aqui:



Os fãs de True Blood se deliciam com esse lobo aqui:



Eu não sei quem faz o casting de True Blood, mas a seleção dos atores é perfeita! Após ler o livro, era essa mesma a imagem que eu tinha do Alcides!

Esnobando o Ikea?

Ontem fomos ao Ikea para comprar 4 frentes de gaveta que faltavam no nosso novo rack de TV. Segunda-feira depois do trabalho é um dia ótimo para ir ao Ikea, está tudo vazio, mas ontem… parecia que estavam dando móveis de graça, de tanta gente, e em plenas férias escolares mais parecia uma tarde no Playcenter.

Compramos o que tínhamos que comprar, comemos as bolinhas de carne suecas, e viemos pra casa.

Hoje aqui no trabalho eu comentei que eu amo móveis do Ikea e um dos colegas torceu o nariz e disse que eram móveis de baixa qualidade para gente de baixa renda. Eu perguntei pra ele se ele tinha móveis Ikea que quebraram logo, e ele respondeu que nunca comprou nada no Ikea.

Aí, caros amigos, eu pergunto: como é que o cara critica a durabilidade do móvel sem nunca ter comprado uma mesinha de canto sequer? Acho isso tão ridículo!

Quando eu ainda namorava com o Bart e vim pra Holanda, mais de 8 anos atrás, ajudei-o a escolher móveis que temos até hoje, depois de 3 mudanças de casa. E estão lá, firmes e fortes, se eu não me desfizer, durariam mais uns tantos anos. Não vejo a tal "baixa qualidade" que certas pessoas falam. O design é moderno como eu gosto ( tem também os mais clássicos, mas esses eu nem olho porque realmente não me agradam ), você pode ir configurando a maioria dos móveis até ficar do tamanho que você quer, o bixo é resistente - meus móveis véios tão lá sem um risco, e o preço é ótimo. O preço é tão bom que agora, depois de 8 anos, mesmo os móveis estando bons ainda, podemos nos dar ao luxo de nos livrar de TUDO e comprar novos.

Há alguns meses olhamos uns móveis da Goossens, muito famosa aqui na região. O rack de TV que gostamos era meio pequeno pro espaço que temos em mente, mas ficaria simpático, e custava 1690 euros. Fomos ao IKEA, desenhamos um rack de TV da linha BESTA ( olha que nome mais besta ), quatro móveis baixos totalizando 2,40 metros, ambos com uma gaveta e um espaço pra eletrônicos, pés de aço inox, e pagamos no total 270 euros. Esse móvel "barato" é EXATAMENTE como queríamos, do tamanho certo, da cor certa, tem os espaços certos.

Mas apesar disso tudo, o que mais tem é gente "esnobando" o Ikea. Adóóóóram falar que preferem móveis mais robustos, ou que gostam de móveis mais exclusivos, ou que tem um gosto "diferente" da Ikea, e o campeão: "todo mundo olha seu móvel e sabe que é Ikea". Eu dou risada. E aí esse povo vai na Goossens, que também é comercializada com vários outros nomes ( um deles é a betermeubel ), encomenda o móvel que demora 4 meses porque vem da China e é feito em super-escala-industrial, paga os tubos, e acha que tá levando pra casa um produto de qualidade muito superior e muito mais exclusivo que o Ikea. Faz me rir.

Como eu já disse, estamos trocando nossos móveis por Ikea, já compramos a mesa de jantar de madeira quase preta, o rack, estamos agora montando uma estante lateral, e faltarão umas mesas de apoio. Gastaremos no total menos de 1000 euros ( fora as cadeiras ). Daqui a uns anos, quando enjoarmos, não tenho dúvida de que os móveis estarão ainda fortões, como os atuais estão, mas eu não terei escrúpulos em jogá-los fora. Enquanto isso, tem muita gente que comprou móveis "fortões" e tão lá, naquela casa antiquada da virada do milênio,  só porque o móvel foi caro e "tem que render".



segunda-feira, julho 26

Desire!


Puevo, brigadinha pelas dicas, e depois de muita pequisa, encomendei o HTC Desire, que não é lindo de morrer mas é super bem avaliado. Nem acredito que entrarei no mundo do smartphone!

Estou quase contente com meus acessórios eletrônicos. Em casa tenho meu laptop amado sem o qual eu não vivo. E na bolsa meu ereader tchutchuco do qual não me separo. E agora terei meu lindo telefonezinho com internet e GPS pra eu poder usar o Google Navigation quando eu for no Makro!

Mas Adriana, porque não juntar tudo isso num aparelho só? E qual, filhos? Eu tenho mais de 150 gigas de séries e filmes na memória, o Ipad mais caro de 900 pilas tem míseros 64 gigas de memória. Ipad não tem GPS e o inexplicável: não tem porta de USB!!! Não dá pra escutar música e ler uma revista no Ipad, ele não é multitask. O pior é que todo mundo reclama da conectividade dele ( ele não pega as redes normais de WiFi ), aí você vai no site da Apple pra pesquisar a solução achando que tem algum patch ou software, mas não, tá lá o conselho: aproxime-se do router. Juro que eu achei que fosse piada quando eu li, mas é verdade, tá lá no site da Apple. Mas é bonito o bicho. Como diria minha mãe: bonitinho mas ordinário.

E um netbook? Marido está comprando um pras nossas viagens. Queremos mesmo é que seja pequeno e que seja bem "fortão" na conectividade pois o objetivo principal é aproveitar as WIFI gratuitas de hotéis, Starbucks, Mcdonalds e outros, onde não dá pra "sentar mais perto do router". Nas últimas férias pra Cyprus gastamos 45 euros de internet no hotel! Mas o netbook não é legal pra ler livros, o que o meu ereader tchutchuco e um Ipad fazem. E normalmente o processador é mais lentinho, a não ser que a gente compre um suuuuuper netbook.

E o telefone? Bom, mesmo o meu novo, que é grandinho, não é confortável pra ler livros. E você pode expandir a memória só até 32 gigas. Dá pra usar bem como Ipod também, só não sei quanto vai durar a bateria.

No fim, sabe qual é o aparelho dos meus sonhos? Ele seria do tamanho do Ipad. Teria GPS, USB port e uma memória gigante pra caber todos meus filmes. Você apertaria um botão e do lado sairia um pequeno "fone" bluetooth pra você usar como celular, e ele teria uma câmera imbutida não só pra video-chamada, mas também pra tirar uma ou outra foto numa necessidade. Da lateral, sairia um teclado tipo plastic-touch ( uma folhinha com circuitos internos ) pra eu não ter que ficar digitando com uma mão ( desvantagem do Ipad e do celular, mas presente no netbook ). E o melhor: o aparelho todo teria um preço bem razoável.

Preço é ultra importante, não só porque ninguém quer ficar gastando os tubos, mas porque tem coisa que tira o sossego da gente. Por exemplo, meu tchutchuco custou 250 euro-pilas, eu viajo sempre pra praia, ele tem a capinha dele, eu coloco dentro duma bolsinha plástica protetora e disfarçadora e carrego o bixinho pra praia na boa, deixo na bolsa quando vou nadar ou andar, deixo na mesa quando vou pegar comida no buffet, mas confesso que no começo eu ficava com a pulga ultra atrás da orelha, com medo de roubarem meu tchuquinho. Agora imaginam um Ipad de 700 pilas? Primeiro que eu não ía ter coragem de levar o bicho pro meio da areia. Segundo que eu não ía largar o bendito na bolsa de praia nem a pau juvenal. Então o negócio ía me dar um trabalhão, ter que voltar pro quarto pra deixar o bicho cada vez que eu for dar um mergulho… não, não dá.

E por último. Quando eu comprei meu tchutchuco, que já não é barato, o jornalista do site engaget já avisou: convença-se de que seu ereader vai quebrar. Mais dia menos dia ele vai quebrar. Vai ser um encontrão na sua bolsa, alguém vai sentar em cima, vai quebrar. E vai riscar, e vai lascar. Imagina se eu pago o dinheirão de um Ipad e o bicho cai no chão e quebra? Chorarei lágrimas de sangue e desespero por semanas…

No fim, é melhor assim, em casa o lap, na bolsa o smartphone e eventualmente o ereader, e sigamos felizes. E pensar que quando eu era adolescente a gente ainda ligava pra mãe vir buscar no shopping do orelhão… maus tempos aqueles...

Ordem no caos


A Holandesa ( link ao lado ) escreveu sobre o turista que foi convidado a se retirar do vagão silencioso do trem porque estava com um bebê, e embora ela tenha achado rabugentisse de quem pediu, eu tenho aqui que registrar minha humilde opinião, porque eu sou versada no assunto, depois de dois anos pegando trem todos os dias, passando mais de 3 horas por dia neles…

O intercity de Eindhoven a Schiphol, como a maioria dos intercities, é bem grande, dizem que tem 15 vagões ( nunca contei ). Desses 15 vagões, o terceiro do fim pro começo tem MEIO vagão silencioso. Metada do vagão é primeira classe, e separada por uma porta de vidro fica área silenciosa do trem. Na porta externa do trem tem uma carinha fazendo pssst com o dedo e nos vidros as palavras stilte / silence. E para ter certeza que quem tá lá dentro entendeu, nas paredes tem o sinal proibindo celular, conversa e crianças. Aquele MEIO vagãozinho foi minha salvação nesses dois anos de viagem Eindhoven-Hoofdorp.

O holandês faz de um tudo dentro do trem. Ele lê, ele estuda, ele encontra o amigo e vai batendo papo até o destino, ele joga gameboy, ele escuta seu Ipod no último, ele come, brinca com os filhos, usa ( muuuuito ) o celular… A cacofonia em um vagão cheio é impressionante. Praquele viajante ocasional, que de vez enquando usa o trem, é suportável, mas coloque-se no lugar de quem senta ali por horas TODOS OS DIAS…

Naquele vagão silencioso, eu consegui dormir uns minutinhos a mais todas as manhãs ( lembrem-se que eu acordava todos os dias 5:30 ), na volta eu conseguia ler, às vezes trabalhar mais um pouco, tinha dias que eu estava com uma dor de cabeça insuportável ( porque tinha dormido pouco ) e o silêncio era muito bem vindo, eu estudava… Agora imagine se todos os dias, por um motivo ou outro entrasse um barulhento no vagão? E é aquilo, se deixou uma pessoa com um bebê, tem que deixar a adolescente com seu celular, o infeliz com o Ipod no último ( tsss tum tsss tum ), onde passa boi passa boiada.

Mas daí eu vou mais além. Se existem regras pro bom convívio em sociedade, não é meio óbvio que desrespeitar essas regras vai fazer a vida de todo mundo um caos, uma meleca?

A primeira vez que o Bart esteve no Brasil, quase morreu atropelado. Aqui na Holanda, no minuto que você coloca seu pé na faixa de pedestres, o trânsito pára pra você passar, 100% das vezes, a holandesada nem olha. O Bart viu aquela faixazinha meio apagada em SBC e nem olhou duas vezes, vuuummm… fui eu que puxei o coitado pra calçada e perguntei se ele tava louco. Agora morando aqui, eu entendo… E em Roma foi igual. E a mania de brasileiros de parar em qualquer lugar e ligar o pisca alerta? Você ali no meio da avenida, o trânsito pára e é o infeliz pegando pizza na padaria, emergência? Pra ele é! E o estacionamento do supermercado cheio de carrinhos? Você vai estacionar e antes tem que sair do carro, "limpar" a área, pra só então estacionar. Custa levar o carrinho de volta? E bituca de cigarro? Bituca de cigarro é universal, você, fumante, porque é que você tem que jogar aquela bituca no chão e pisar, não dá pra jogar no lixo? Você sabia que há mais de 15 anos TODOS os lixos publicos são feitos de plástico que não propaga fogo ( fire retardant pra ser mais exato )? E o sujeito que leva o cachorro fazer cocô debaixo da sua janela, na frente da sua porta, no meu bairro até tiraram foto da "obra canina" e postaram no site da vizinhança. Ninguém gosta, não é? E é tudo a mesma coisa, é o desrespeito com o coletivo, tanto o cara que senta no vagão com um bebê quanto o que não limpa o cocô do cachorro.

Então, se quiserem me chamar de rabugenta, join the club. Antes rabugenta do que egoísta e "asociaal".

sexta-feira, julho 23

Tem dias...


Tem dias que seu dia sucks já as 9 da manhã.

E você tá toda picada de mosquito.

E acabou o pão.

E você veste sua última camisa limpa.

E parece que o mundo está contra, que não é possível que todas as roupas que você lavou, dobrou e guardou outro dia mesmo já estejam sujas no cesto, que o "rancho" que você fez sábado já foi consumido e a geladeira está oca, que o gato tenha feito cocô fora do banheirinho de novo, que a lavalouça já esteja cheia de novo, que o lixo tenha que ser colocado pra fora, que a grama precise ser cortada, que a moteeenha já esteja sem gasolina. Às vezes eu sinto que minha vida é um grande "Groundhog Day" ( Dia da Marmota - o filme ), cheia dessas tarefas bestas e vazias que você faz e dalí a dias repete, num tédio sem fim.

Hoje, pra afogar as mágoas eu queria ir comprar um smartphone, porque eu estou "super-precisando" ( é só paulista que tá com mania de dizer super-isso, super aquilo? ), mas é tanta opção de modelo de telefone, de operadora, de pacotes de serviço, que é inevitável eu ser passada pra trás por algum vendedor do mal ( e todo vendedor é do mal ) e hoje "ik heb er geen zin in" - não tô a fim.

Mas pra compensar, vou chafurdar no sushi, no tempura de camarão, no tepaniaki. Já consigo até sentir o crocantinho do meu sushi favorito derretendo na boca.

É por isso que eu sou gorda. Só comida salva! ( vou fundar uma nova religião )