Ultimamente eu tenho pensado muito que o ser humano é só um bicho, que nossa tão celebrada racionalidade é só uma invenção de algum cientista maluco.
Quando fui promovida outros 2 colegas do grupo de compras vizinho também foram, e juntos formamos um "clubje" como se diz aqui, ou uma panelinha, no Brasil. Sempre gostei muito dos dois. Um deles ficou viúvo há 6 anos, a mulher morreu de câncer deixando-o com duas crianças pra criar, e eu sempre achei que o cara dever ser bem centrado e forte pra lidar com uma situação dessas sem quebrar em mil pedaços. Vai ver que eu sou romântica e nem sei, porque 90% da minha opinião sobre o cara é baseando numa fantasia da minha cabeça, né? Há uns 3 meses fiquei sabendo que enquanto a mulher estava passando por quimio, cirurgias e tal ele conheceu outra, chifrou a mulher doente sem muita preocupação em ser discreto, e ao invés de esperar "o fim derradeiro", se é que vocês me entendem, largou a mulher pra viver com a nova namorada, mesmo já sabendo que o tratamento não havia funcionado e que a esposa tinha alguns meses de vida. Eu fico pensando, será que a pessoa não pode ter um pouco de compaixão, adiar seus planos por 6, 12 meses, dar à companheira de anos um pouco de suporte - enquanto ela espera a morte… Já imaginaram como foi o fim da vida dessa coitada?
Ontem fiquei sabendo que a colega que casou em Dezembro deixou o marido 5 meses depois do casamento e está morando com outro colega de trabalho, já fazem 6 meses e eu nunca percebi, os dois sentam a 10 metros de mim. Eles vem trabalhar juntos, eles vão a todos os happy-hours junto, até foram viajar de férias junto, e eu nunca percebi nada. O que me chocou na história? Não foi só ela ter se separado 5 meses após o casamento cuja festa de arromba ela planejou por 1 ano, mas foi ELE ter se separado da esposa que eu cheguei a conhecer, muito bonita, duas filhinhas pequenas, ele sempre cobriu-a de elogios… Ela tem 26 anos, ele tem 40 ( crise do lobo??? ), ela me disse que durante um happy-hour da empresa num barzinho, estavam com fome e decidiram comer no Mc, que nunca tinha rolado nenhuma vibe antes disso, que conversaram ali por 2 horas, que ela não conseguiu tirá-lo da cabeça o fim de semana inteiro, na segunda feira ele confessou que também não tinha tirado ela da cabeça, naquela semana eles tiraram 2 dias "off" para se conhecer melhor e disseram pros cônjuges que viajaram a trabalho, foram para Estocolmo ( cortesia das passagens de 5 euros da Ryanair ), furunfaram, voltaram decididos a se divorciar, um mês depois estavam morando junto. Na empresa ninguém sabe - só o staff, eu acho que alguns menos lerdinhos do que eu desconfiam… Hoje eu fui tomar um café com ela e ela me disse que o chifre é inevitável nessa situação, porque você não vai largar seu cônjuge sem ter certeza que a química com o "novo" pretendente rola. Oi? Oi mesmo? Oi de novo? Se você se sente envolvida o suficiente pra contemplar chifrar e largar seu marido, não é sinal que a vaca JÁ foi pro brejo? Eu fico me dando auto-tapas na cara, porque só agora ando ligando os pontinhos. O cara é simpático, é até bonito, e anda num bom humor já há meses, e eu até perguntei pra ele brincando outro dia se ele tinha sido premiado na loteria, e ele só ria… só pode, lobão papando a loirinha 14 anos mais nova… E ela, como viver - e o que é pior - começar uma vida junto com outra pessoa, sabendo que foi às custas de separar uma família? Eu sei que muitos vão falar, ah mas se ele saiu atrás dela é porque algo já ía mal, mas será? Sabem… é isso mesmo… ninguém que tá casado tem garantia nenhuma que no mês que vem continuará casado, e é ilusão pensar o contrário. E sabem porque?
Porque somos todos bichos. Uns mais que outros, mas mesmo assim, todos bichos. Au Au, óinc óinc, mu mu, miau miau…






