sexta-feira, outubro 22

Oi macacada!

Ultimamente eu tenho pensado muito que o ser humano é só um bicho, que nossa tão celebrada racionalidade é só uma invenção de algum cientista maluco.

Quando fui promovida outros 2 colegas do grupo de compras vizinho também foram, e juntos formamos um "clubje" como se diz aqui, ou uma panelinha, no Brasil. Sempre gostei muito dos dois. Um deles ficou viúvo há 6 anos, a mulher morreu de câncer deixando-o com duas crianças pra criar, e eu sempre achei que o cara dever ser bem centrado e forte pra lidar com uma situação dessas sem quebrar em mil pedaços. Vai ver que eu sou romântica e nem sei, porque 90% da minha opinião sobre o cara é baseando numa fantasia da minha cabeça, né? Há uns 3 meses fiquei sabendo que enquanto a mulher estava passando por quimio, cirurgias e tal ele conheceu outra, chifrou a mulher doente sem muita preocupação em ser discreto, e ao invés de esperar "o fim derradeiro", se é que vocês me entendem, largou a mulher pra viver com a nova namorada, mesmo já sabendo que o tratamento não havia funcionado e que a esposa tinha alguns meses de vida. Eu fico pensando, será que a pessoa não pode ter um pouco de compaixão, adiar seus planos por 6, 12 meses, dar à companheira de anos um pouco de suporte - enquanto ela espera a morte… Já imaginaram como foi o fim da vida dessa coitada?

Ontem fiquei sabendo que a colega que casou em Dezembro deixou o marido 5 meses depois do casamento e está morando com outro colega de trabalho, já fazem 6 meses e eu nunca percebi, os dois sentam a 10 metros de mim. Eles vem trabalhar juntos, eles vão a todos os happy-hours junto, até foram viajar de férias junto, e eu nunca percebi nada. O que me chocou na história? Não foi só ela ter se separado 5 meses após o casamento cuja festa de arromba ela planejou por 1 ano, mas foi ELE ter se separado da esposa que eu cheguei a conhecer, muito bonita, duas filhinhas pequenas, ele sempre cobriu-a de elogios… Ela tem 26 anos, ele tem 40 ( crise do lobo??? ), ela me disse que durante um happy-hour da empresa num barzinho, estavam com fome e decidiram comer no Mc, que nunca tinha rolado nenhuma vibe antes disso, que conversaram ali por 2 horas, que ela não conseguiu tirá-lo da cabeça o fim de semana inteiro, na segunda feira ele confessou que também não tinha tirado ela da cabeça, naquela semana eles tiraram 2 dias "off" para se conhecer melhor e disseram pros cônjuges que viajaram a trabalho, foram para Estocolmo ( cortesia das passagens de 5 euros da Ryanair ), furunfaram, voltaram decididos a se divorciar, um mês depois estavam morando junto. Na empresa ninguém sabe - só o staff, eu acho que alguns menos lerdinhos do que eu desconfiam… Hoje eu fui tomar um café com ela e ela me disse que o chifre é inevitável nessa situação, porque você não vai largar seu cônjuge sem ter certeza que a química com o "novo" pretendente rola. Oi? Oi mesmo? Oi de novo? Se você se sente envolvida o suficiente pra contemplar chifrar e largar seu marido, não é sinal que a vaca JÁ foi pro brejo? Eu fico me dando auto-tapas na cara, porque só agora ando ligando os pontinhos. O cara é simpático, é até bonito, e anda num bom humor já há meses, e eu até perguntei pra ele brincando outro dia se ele tinha sido premiado na loteria, e ele só ria… só pode, lobão papando a loirinha 14 anos mais nova… E ela, como viver - e o que é pior - começar uma vida junto com outra pessoa, sabendo que foi às custas de separar uma família? Eu sei que muitos vão falar, ah mas se ele saiu atrás dela é porque algo já ía mal, mas será? Sabem… é isso mesmo… ninguém que tá casado tem garantia nenhuma que no mês que vem continuará casado, e é ilusão pensar o contrário. E sabem porque?

Porque somos todos bichos. Uns mais que outros, mas mesmo assim, todos bichos. Au Au, óinc óinc, mu mu, miau miau…


quinta-feira, outubro 21

Estou perdidinha!


Ontem compramos nossas passagens para o Brasil. Custaram muito mais do que eu esperava, além de já estarem caras porque eu deixei para muito tarde, outros dois fatores pesaram. A KLM opera agora com a Air France, e a Air France tem dois vôos diários para São Paulo, que eles precisam encher. Por isso, a passagem via Paris está pelo menos €200 euros mais barata se nós fizéssemos conexão em Paris, mas só de pensar em passar a noite em claro no avião ( volta ), depois de 11 horas de vôo ainda ter que descer naquele aeroporto odioso que é o CDG, esperar sua conexão, voar outra horinha, pra só então chegar no Schiphol… e ter ainda que pegar trem pra Eindhoven… não rola, não rola e não rola.

O segundo fator é a tal comfort class. Eu queria muito para a volta, afinal quando seu corpitcho está esmigalhado e quer dormir, 12 cm a mais de cadeira e inclinaçãozinha a mais são um presente do divino, mas Bart quis também na ida. Ele ODEIA viagens longas, e apesar de não ser tão alto ( 1.80 mt ), ele fica apertado nos assentos normais, então se dá pra ele ficar um pouco mais confortável, e sentir menos a viagem, que seja.

Tudo isso pra dizer que gastamos muito mais do que esperávamos por cada passagem. Muito. E por isso eu queria maneirar um pouquinho quando estivermos lá, mas tá difícil e é aí que eu estou perdidinha. E é aí que vocês podem me ajudar.

Pode parecer loucura, mas eu acho que a forma mais fácil de economizar é ir pra um resort all in. Vejam só, o plano inicial era irmos pra Morro de São Paulo, mas vai ser um furo enorme no bolso. A diária da pousada é R$ 390,00 só com café, teremos que ir de teco-teco porque o marido quase morre de enjôo em barcos ( no total serão R$ 1000,00 só de passagem de teco-teco ), mais almoços e jantares, e passeios. Não sei se esse ano vai caber no nosso budget.

Uma semaninha no Iberostar Praia do Forte tá €650 por cabeça, mas toda a alimentação está incluida, e não teríamos que desembolsar a grana do teco-teco.

Olhando no site Viaje na Viagem, dá vontade de ir em tantos resorts!

A Costa do Sauípe está totalmente renovada, dizem que está ótima, alguém já foi, sabe se é legal???

Tem um novo chamado Palladium Imbassaí, que fica perto da Praia do Forte e a 5 km de Imbassaí ( e do fim do ponto do ônibus ) que é caindo de chique, e está super barato, mas ele não é na areia da praia, fica numa reserva ambiental e tem uma jardineira pra te levar pra praia.

O Enotel em Porto de Galinhas parece que está sendo vendido de novo, estou meio com medo.

Tem tantos, mas tantos….

Povo, quero conselhos, por favor! Preciso decidir djá pra onde ir…

quarta-feira, outubro 20

QI depende de nacionalidade?

A KLM oferece a opção de vôo na Economy comfort class. Na ida eu não acho necessário porque é vôo diurno, vamos sentar e ver filmes, mas na volta é vôo noturno, então queremos mais conforto para, quem sabe, tirar uma soneca. A disponibilidade desses assentos não pode ser vista no momento da compra, os assentos são liberados 90 dias antes da viagem, quem já tiver a passagem comprada, logar primeiro e pagar o adicional, leva. Como já faltam menos de 90 dias pra minha volta, queria saber se ainda tem assentos Comfort disponíveis, e se não tiver no dia que eu quero voltar, mas um dia antes ou um depois, eu posso até mudar minha volta.

Adriana liga pra KLM, desk-service holandês:

( Adriana em holandês ): Minha senhora, estou a ponto de fazer a compra da minha passagem AMS-GRU-AMS mas gostaria de saber se ainda existem tickets Comfort disponíveis na data que eu escolhi.

Een moment mevrouw: tec tec tec tic tic tic, não dá!
Eu: O que não dá?
Mulé: Pra ver as reservas... só 90 dias antes do vôo.
Eu: Faltam 60.
Mulé: Effe Wachten ( peraê )… tec tec tec… não dá…
Eu: O que não dá?
Mulé: Pra ver as reservas…
Eu: Mas essa é a reservation line, onde dá então…
Mulé: Eu só faço reservas…
Eu: Mas se eu tivesse um e-ticket você poderia entrar na tela e ver?
Mulé: Effe Wachten… tec tec tec… Como assim?
Eu: Você precisa de um numero de reserva pra abrir a tela?
Mulé: Effe Wachten… tec tic toc… não, eu posso ver a tela de qualquer forma...
Eu: ( pensando ) meu holandês tá ruim e a mulé não tá me entendendo… Explico VAGAROSAMENTE a situação novamente, porque não é possível que uma central de reservas não possa ver as reservas! Meu colega de trabalho sussura que meu holandês tá jóinha, até ele entendeu… mas a mevráu entra em pânico e me passa pra uma inglesa

Eu: bla di bla ( explicando a situação )
Girl: Qual é o vôo e que dia?
Eu: KL792 dia 31/dez
Girl: ( em 3 segundos ) Tem 24 lugares disponíveis
Eu: Tem corredor?
Girl: Vários
Eu: Obrigadíssima
Girl: Você tem programa de milhagen?
Eu: Tenho
Girl: Olha lá que tem upgrade em promoção
Eu: Obrigadíssima de novo

God Save the Queen!

Rapadura é doce mas não é mole não!


Viajar é bom. Viajar é ótimo. Já até me vejo sentadinha numa daquelas cadeiras de praia na Bahia, tomando uma caipirinha de caju, o vento emaranhando os cabelos, 30 graus esquentando a pele…

Mas até chegar lá, vou ter que atravessar o inferno andando descalça sobre pedras fumegantes, vestindo calça brega da gang e ouvindo bonde do tigrão, ou seja, o máximo da punição infernal.

Vejam o que tenho que resolver:

- comprar passagens AMS-GRU-AMS - queremos vôo direto KLM e tá €1155, um roubo!
- hotel pra pernoitar no Schiphol que permita estacionar-se o carro por 28 dias - a maioria permite só 14, quando muito 21 dias

- hotel para pernoitar em Guarulhos, silencioso e com shuttle para o aeroporto
- alguém da família que venha pegar a mala de presentes no GRU, que no teco-teco pra Morro eu só posso levar 15 kg
- vôo de GRU para a Bahia, que bata com o horário do teco-teco para Morro de SP
- teco-teco para Morro de SP
- pousada em Morro de SP - a que me indicaram pediu "depósito", vou ter que achar um outro jeito
- teco-teco de volta pra Salvador
- segunda semana de férias, de preferência num resort all-in: Praia do Forte, Imbassaí ( esses dois pertinho e super prático ), Itacaré ou Porto de Galinhas ( RIU Enotel ) - reserva via agência alemã

- aluguel de carro na Bahia ou Porto de Galinhas -  se for GOL tem desconto na Unidas, mas compensa?
- no caso de irmos pra Porto de Galinhas, vôo para Recife
- vôo do Nordeste para SP, de preferência Congonhas
- alguém que nos pegue em Congonhas
- hotelzinho pros gatuchos

E o pior: os presentes! Minha sobrinha quer Kipling, mas os modelos "it" no Brasil são de 3 coleções passadas na Europa, achar onde? O sobrinho provavelmente vai querer algum eletrônico ou jogo que eu posso comprar via BOL ( a tita te ama, Bru ). Minha mãe tem que ser uns 2 presentes, ela faz aniversário em novembro. Pro meu irmão e cunhada uma roupa qualquer. Pra Thali um All-Star de pelinhos por dentro. Pra minha amiga Fê uma garrafa de Lagavulin. Pras tias vou ver se pesco alguma coisinha tipo cachecolzinho, ou biju, em liquidação. Pra minha avó dizem que ela gosta de bicho de pelúcia, então vou comprar um bem maciozinho.

Tudo isso tenho que resolver sozinha, porque o marido mais atrapalha que ajuda.

terça-feira, outubro 19

Amor sem fronteiras


Na tv holandesa há um programa chamado grenzeloos verliefd, ou algo como amor sem limites. O programa mostra uma holandesa ( nunca vi nenhum programa com um homem holandês, é sempre uma mulher ) que se apaixona por um estrangeiro e imigra para algum país para ficar com ele. Até alguns programas atrás, era sempre um imigrante pobrezinho, elas sempre se mudavam para algum fim de mundo num casebre, ou então o namorado/marido era mulçumano e mostrava o incrível choque de culturas, o programa era sempre muito, muito radical. Teve um que mostrou uma holandesa que foi morar no Brasil numa daquelas casas de palafita, uma pobreza que até eu que nasci e vivi até os 30 no Brasil, nunca vi.

Nunca consegui terminar de ver um capítulo, sempre me aborreço com o radicalismo do programa, e querendo treinar meu holandês ou não, mudo de canal. Mas a secretária aqui do departamento é fã número um, daquelas que se perde um programa, corre assistir na internet assim que chega em casa.

Há algumas semanas, houve um programa de uma holandesa que mudou para o Egito. Acho que foi um dos mais radicais que eu já vi, não pela pobreza, eles nem estavam tão mal instalados assim, mas porque a holandesa largou tudo e mudou pro Egito sem nunca ter tido relações íntimas com o namorado, e casou sem antes ter relações íntimas. O programa mostrou o conflito do casal antes do casamento, ela - vinda duma sociedade onde adolescente ela já transava como namorado, ele - virgem aos 28 anos. Eles casaram, ela engravidou, e o mais chocante foi ela admitir na TV que pela lei egípcia ela não tem direito algum ao bebê, ele "pertence" ao pai.

Me lembrou daquele filme: Never without my daughter, de uma mulher que passa por situação semelhante ao visitar o Iran com o marido Iraniano.

Eu conheço muito pouco da religião mulçumana, e fico me perguntando se é lei religiosa ou civil que dá a "posse" do filho para o pai. Alguém sabe? Interessante é que em muitos países a cidadania de um bebê é determinado pela "lei do livre ventre", que parte do princípio que o filho deve ter a cidadania da mãe porque pai, até que se prove o contrário, pode ser qualquer um.

Ainda nessa linha do "me encafifa mas eu não sei o que diz o Corão", eu digo que, apesar muita gente ter criticado o filme Sex in the City 2 ( que aliás eu achei perfeitamente bobinho mas divertido ) eu também acho humilhante as mulheres que usam burka. Aqui em Eindhoven e até no Egito eu já tinha visto algumas, e sempre me perguntei como fariam para comer em público, e no filme eu vi. Em tempos de discussão sobre a proibição da burka em países Europeus, eu acho que pouquíssimas mulheres vestem burka por opção, a maioria deve ser por pressão do marido, de familiares.

Eu acho que a burka deveria ser proibida sim, pelo simples fato de que a pessoa por baixo é inidentificável, pode cometer qualquer crime sem ser identificada. Pior ainda, é que existem casos de homens-bombas que se esconderam debaixo de burkas e ninguém percebeu.

Dito isso, sou totalmente contra a proibição do lencinho na cabeça. Só aceitaria tal proibição se fosse também proibido usar cruxifixo na correntinha, ou aquelas estrelas de Davi ou qualquer manifestação de fé religiosa. Aliás, a família do meu pai é Lituana, e eu lembro que as mulheres mais velhas sempre usavam um lencinho muito parecido com o das mulçumanas ( só que davam um nó debaixo do queixo ), não por nenhuma questão religiosa, mas simplesmente porque na Lituania eram camponesas e parece que era costume fazer isso antes de irem trabalhar na roça. Seria esse lenço proibido também? E lenço em cima dos bobs? Minha tia Sônia fez tanta "touca" e por cima punha um lenço, seria proibido também?

E como sempre, comecei falando lá e terminei com crá.

O programa Amor sem Fronteiras aliás, suavisou e ficou meio chato. Até acharem o meio termo, que mostre a cultura do novo país sem os exageros do "meu amor numa cabana - literalmente", mas que não caiam na "agüice com açúcar" de ficar mostrando a vida de um casalzinho classe média em Seattle ( bóóóóring ), eu ficarem sem assistir o programa. Vou agora treinar meu holandês com um tal de Hello, Goodbye. Sou fanática por TV, mas tô pra ver algum país com programas mais chatonildos que esse aqui. Até Band é melhor.

 

segunda-feira, outubro 18

ET Phoned home


Quando você imigra, sendo uma pessoa espertinha ( que eu sou ), você já se prepara pra ter que se adaptar a certos costumes locais, se prepara para aprender a operar numa nova cultura, mesmo que você não concorde 100% com ela.

Aqui na Holanda, uma das coisas mais difíceis de se acostumar é com a forma direta do povo, especialmente no trabalho. Quem é sensível quebra, juro. No começo é chocante, com o passar do tempo você se acostuma, e passa até a apreciar ( eu pelo menos aprecio muito ), apesar de achar que certas coisas podiam ser "suavizadas ( com s? ) " ou simplesmente omitidas. Você chega de manhã com um corte e cor diferentes no cabelo, se o neguinho achou feio ele vai dizer: do outro jeito tava melhor. Aí eu penso, já cortei e não vou usar peruca, já pintei e não vou usar peruca ( e nem pintar de novo ), e aliás, quem perguntou?

Aí você muda também ou vai ser sempre o pateta, dando voltas no assunto pra chegar ao ponto, ou sempre usando eufemismos… não, não rola. E daí você é objetivos 335 dias por ano, e nos 30 dias que você liga pro Brasil pra falar com os familiares, você tem que respirar fundo e baixar a bola, e munir-se de todo aquele repertório de desculpinhas esfarrapadas, de eufemismos, de enrolações. Pelo menos eu tenho que fazer isso, porque lá no Brasil meu pai já decretou que depois que eu mudei pra cá eu virei a pessoa mais "rude" que ele conhece.

Aí Adriana liga pro Brasil primeiro pra cunhada, que me dá o report de como minha mãe está. Aí minha cunhada pensa, "adianta eu falar dos problemas se ela tá lá longe e pouco pode fazer?", então ela fala que tá tudo bem, que minha mãe tá bem, que tudo está sobre controle. E eu noto que o diálogo está meio superficial, mas de nada adianta, eu não consigo tirar muito dela.

Aí eu ligo pra minha mãe e tudo está muito diferente do que minha cunhada disse, mas minha mãe fica rodeando também, de forma que eu não faço a mínima idéia de como resolver as pendengas de lá.

Aí o inteligente pensa: se o povo não se dá ao trabalho de explicar a situação, deixa pra lá que eles se viram. Mas aí é que tá, não se viram, porque no fim a bomba estoura e estoura também pro meu lado, mas chega de um jeito que eu não tenho mais o que fazer.

Exemplos?

Minha mãe nunca me consultou sobre parar de pagar o plano de saúde, eu só fiquei sabendo que ela me contou que tinha que fazer uma cirurgia de 10 mil reais pagos por ela. Uma decisão totalmente errada, só porque um médico que ela consulta não atende pelo plano que ela tinha - agora ela tem que pagar todos os exames, consultas, internações, cirurgias, ao invés de pagar o plano e o médico uma vez a cada dois meses. Burrice, né…

Minha mãe vive de rendimentos, todo o pézinho de meia dela estava aplicado em Fundo de Renda Fixa, aí ela viu um monte de gente ganhando grana com ações e colocou metade da grana em ações. Ela nunca me falou nada, eu teria falado pra ela jamais fazer isso, dinheiro do qual a gente depende não se coloca em ações, só fiquei sabendo quando as ações desabaram e ela entrou em desespero. Aí, se ela tivesse me consultado, eu teria dito pra deixar as ações lá que podia demorar anos mas íam se recuperar, mas ela se apavorou e vendeu as ações, perdeu um dinheirão e agora, 1 ano depois, as ações já estão bem recuperadas.

E meu irmão? Ele não entende que minha mãe viveu DECADAS sem se preocupar com um tostão, nunca teve que fazer planejamento financeiro, que ela não entende nada de nada de finanças, que ele tem que ficar em cima e tomar as decisões por ela. Ele vê meu pai cuidar das finanças dele e acha que minha mãe está ( ou deveria ) estar fazendo o mesmo, mas não passa na cabeça dele que minha mãe simplesmente não sabe como.

Ai ai…

Povo, desculpa aí o desabafo, nem era pra eu estar falando dessas coisas aqui, mas é que fica isso martelando na minha cachola, eu fico remoendo o que eu tenho que fazer pra resolver essa situação, e nada me vem à mente…

Como eu disse no post anterior, preciso do tal mindfulness, porque ficar queimando neurônio não vai me ajudar muito não...

Mind-ful(fool)-ness

“Mindfulness practice is simple and completely feasible. Just by sitting and doing nothing, we are doing a tremendous amount.”

Uma das comadres está praticando a tal mindfulness. Confesso que nunca tinha ouvido falar, e tive que ir pesquisar um pouco depois do jantar onde ela contou sobre o curso que está fazendo e as meditações.

Na sexta-feira eu não via razões para a prática, mas nada que um par de dias e um telefonema não faça.

Não vou ficar entrando em detalhes aqui porque nem sei por onde começar. Liguei pra minha mãe e as coisas não estão lá muito bem. Nada de grave, mas sei lá, é duro você ver a pessoa entrando no buraco, falar: ei, peraê, volta, mas ser simplesmente ignorado.

Sabe, com o divórcio e a aposentadoria, meu pai comprou lá um terreninho no interior, fez uma chacarazinha, adotou uma cadela de rua, plantou umas árvores, e de engenheiro virou chacareiro. Minha mãe diz que não entende, até faz certa piadinha, e apesar de como ela, não entender, afinal ele sempre odiou mato, barro, terra, eu até admiro ele ter encontrado uma forma de fazer os dias dele terem propósito, nem que esse propósito seja tirar umas ervas daninhas do caminho ou plantar uns pés de alface.

Minha mãe por sua vez, fica só em casa remoendo, lamentando o que não foi, acordando e indo dormir sem ter uma coisa pra fazer, uma meta pra atingir. O canteiro de ervazinhas que ocupa meu pai ( minha mãe diz: por 1 real eu compro um mação de cheiro-verde na feira, perder meu tempo plantando pra quê? ), no caso da minha mãe é uma doença que embora possa ser controlada facilmente com fisio e remédio, vira a distração e o centro da vida dela, ela faz auto-testes mudando a dose dos remédios, ela não vai à fisio nem faz os exercícios caseiros, e só fala de doença, 24/7.

Eu não sei mais o que aconselhar. Fico quieta. A novidade é que ela está pensando em ir morar com o meu irmão. Eu fiquei chocada, mas depois de pensar bastante, achei bom. Achei bom porque vai ter gente, cachorro, planta, um monte de coisas pra ocupar o dia dela. Vou ter uma conversa séria com o meu irmão, por 8 anos eu fiz o que pude, tá na hora dele tomar o leme desse barco.

Pra mim, ficará a dor de cabeça enorme de colocar o apartamento à venda, lidar com imobiliária, e quando ( e se ) vender o imóvel, ficar naquele dilema de o que fazer com o dinheiro, porque transferir pra cá é evasão de divisa e custa 33% em impostos. Deixar lá aplicado até quando?

Só me resta perguntar: como era mesmo a meditação? Não julgue... Já aconteceu...

sexta-feira, outubro 15

Nessas horas eu sou holandesa!


Ainda devo o post das férias em Amalfi, mas eu quero adicionar umas foteeenhas, e aí leva tempo, né? E eu tô bem apertada de costura, povo!

De hoje em diante, vivarei a casaca e, no Brasil, usarei da minha cidadania holandesa para não morrer de vergonha. E quando vierem reclamar que a situação tá preta, vou dizer: mas vocês tem o Tiririca, então pior que tá não fica!

Eu acho certas coisas nessa campanha política preocupantes. Primeiro é como o negócio desandou nesse segundo turno, como a baixaria tá descendo a níveis alarmantes. O que mais me choca é que a mídia, que antes tentava pelo menos disfarçar a preferência por um candidato, agora nem se preocupa mais em ser discreta, tá na cara quem apóia quem.

E esse negócio de ficar trazendo religião pra campanha política. A Dilma é atéia? Bom pra ela! Eu não quero um político que pode ter um religião diferente da minha tomando decisões baseado na fé dele. Cortar os anticoncepcionais do posto de saúde, já que Deus manda não se evitar filho; ou distribuir camisinha só pra quem é casado, afinal não se deve fazer sexo antes do casamento; ou fechar o comércio aos domingos ( ou sábado se for judeu ), etc etc etc. O Estado é LAICO, então porque é que o horário político mais parece uma discussão teológica?

E tem mais. Praticamente todos os brasileiros morando no exterior com quem eu conversei, bloguei, twittei, Marinou. Putz, Gisele Bunchen Marinou! E quem é cool Marinou, tipo o Caetano ( Caetano é cool? ). Pô, uma das comadres Marinou total! Aí, comparando a plataforma política da Marina com a dos outros candidatos, e o histórico político dela, você pensa que os quase 20% que votou nela vai Dilmar, mas não! Os Marineiros fumaram um backzinho ( todo natureba e orgânico, enrolado em papel reciclável ) e agora resolveram Serrar, o Mr. Burns brasileiro, que vai transformar São Paulo no Estado mais maravilhoso do mundo ( tomara que o preço do meu apartamento triplique ) e vai dar lá umas migalhas pro resto do país, incluindo a Bahia dos Marineiros!

Sabem, no Brasil o povo perdeu a noção de como o país cresceu no governo do PT. Sim, começou com o governo FHC, mas gente, o país de 8 anos atrás é uma pândega comparado com o de agora, o país das possibilidades! A impressão que eu tenho é que o brasileiro só quer ouvir que alguém vai criar alguma bolsa-sei-lá-o-que pra dar uns tostões pra ele. Tenho um primo que twitta que vota Serra e que ele, com 4 filhos, nunca viu o tal bolsa-educação ( ou sei lá como chama ). Gente, a primeira mulher dele, que ficou com os filhos no divórcio, é filha de uma das maiores fortunas do nordeste, o pai é dono de construtora, aqueles filhos dele NADAM na mordomia. Fico feliz em saber que a verba pública não vai pra quem não precisa. E ele mesmo, que tem um filho do segundo casamento, não é pobrezinho, tem carro, tem moto, roupinhas da moda, não precisa de tostões do governo não.

Quando eu estou no Brasil me perguntam das escolas aqui, dos hospitais, de aposentadoria, de seguro desemprego, e a Holanda parece o Wallaha. Mas aí, quando eu digo o preço de tudo isso, ficam escandalizados. A começar que a gente nem deveria comprar a complexidade de se governar esse paiseco com o mundaréu de terra e gente que é o Brasil, né? Mas quando eu digo que meu irmão paga 27,5% de imposto enquanto eu pago 52%, neguinho se escandaliza. Então, será que a escola pública holandesa é mesmo pública? É nada, eu, você, o vizinho, nós somos donos daquela escola, ué. O hospital público é público? É nada, além dos meus impostinhos, eu pago mais 100 euro-mangos por mês ( 1200 euro-mangos por ano! ). E a aposentadoria? Ela só virá quando eu tiver 67 anos ( meu pai se aposentou oficialmente aos 51 no Brasil ), e eu já estou pagando uma mensalidade para complementar o valor pago pelo governo ( Bart paga desde os 24 anos de idade! ). Neguinho quer ter os benefícios holandeses pagando imposto brasileiro!

Mas então. Comecei falando do Dunha e terminei falando do Locha.

Bom findi procês povo. E lembrem-se: pior que tá "num" fica!

terça-feira, outubro 12

Ughhhh...

Voltando ao trabalho já me vejo atolada até as orelhas, saindo de novo às 7 todas as noites. Não sei o que me incomoda mais, é o fato de voltar às horas extras ou o de não me surpreender que isso tenha acontecido.

Nada de novo, e as novidades são más novidades, ou coisas que só me fazem ficar mais desanimada. Ah o OldFart... tá lá o OldFart. Ele se péla de medo de mim, me evita até. Agora vejam a OldFartisse do OldFart. Ele foi pra tal feira com o J, um dos meninos do meu grupo, que eu mandei no meu lugar já que o budget já havia sido aprovado. J é todo mauricinho, bonitinho ( ele não é muito alto ), mora com a B. já a quase 4 anos e é apaixonadíssimo pela namorada.

Eis que ao voltar da feira, o OldFart senta na mesa do almoço, onde ele nunca é lá muito bem vindo, e diz em tom jocoso que teve que sair a caça do J na feira porque ele fez um baita sucesso com as moças dos stands, e que ele aproveitou, se é que vocês entendem. Puta comentário infeliz, né? Afinal, se fosse verdade o cara deveria é ser mais camarada e calar o bico pras (supostas) indiscrições do colega. Acontece que a gente sabe que isso é um absurdo, porque a gente já conhece o J há bastante tempo e sabe do absurdo que é esse comentário.

Eis que, por uma pessoa de outro departamento, que foi na mesma feira, fiquei sabendo que quem chafurdou nos decotezões foi o OldFart, que ele sumiu com câmera do departamento e chave do carro por 2 horas, e foi encontrado no stand da Mercedes ensinando modelete a falar "I love you" em holandês. Agora me digam, cês conseguem imaginar a "pateticidade" da situação? Imaginem aí um profissional sério, uma pessoa normal, vocês conseguem imaginar esse profissional sério tentando ensinar 4 modeletes fajutas a falar "I love you" em holandês? Então... sintam o drama.

E vejam, a empresa alugou um Astra zerinho, dos novos. Ele pediu pro J se ele podia ir dirigindo, estavam em 3 no carro, um rapaz de outro departamento também foi. Tiveram que pedir duas vezes pra ele parar porque o cara tava dirigindo que nem louco e na segunda vez um deles assumiu o volante.

É com um dos rapazes disse: o OldFart é um adolescente de 50 anos, e isso é triste, muito triste. Ele é arrogante com todo mundo, como só um adolescente é. Ele vai atrás das menininhas "out of his league", ignorando o espelho que reflete um véio baixinho, gordo e careca; ele dirige que como se fosse o bonzão, sem pensar que ele tem 3 crianças em casa dependendo dele e que é burrice se arriscar numa dessas autobahns alemãs.

Poucas coisas me dão mais asco do que véio-tigrão. Pouquíssimas.

sexta-feira, outubro 8

Ah, mas o povo...

Todas as vezes que eu venho pra Italia minha reacao eh a mesma, como essa terra seria melhor sem certo tipo de gente... alias eh o mesmo tipinho de gente que nao faria falta nenhuma no Brasil. Gente, como os dois paises sao parecidos!

Fizemos a reserva de transfer aqui no hotel, via internet. O senhor estava no aeroporto nos esperando com um carro otimo, dirigiu super bem sem fazer loucuras, e no final nos disse que o transfer de volta seria as 9:30 da manha. Eu nao lembrava o horario do voo de volta, por isso nem dei muita importancia. Ontem fui checar e nosso voo eh as 4 da tarde, como entao ele vem nos pegar as 9:30 se o percurso ao aeroporto se faz em 1 hora? Fui falar com a recepcao e eles concordaram comigo. Como o senhor estava pra chegar para pegar outro casal, deixaram pra conversar com ele aqui. E agora o motorista diz o seguinte (eles nao sabem que eu sou brasileira, que estudei italiano, e pelo menos entender o basico eu entendo): que ele tem que preencher a agenda dele, e que se ele marcar de nos pegar 11:30 fica dificil encaixar outro cliente. A recepcionista diz que a agenda dele nao eh problema do hospede, e ele diz que tem que pagar o leasing do carro (!!!) e tem que encher o maximo a agenda, que o hospede nao vai fazer nada de manha no hotel mesmo ( oi? fazer a mala? ) entao que fique sem fazer nada no aeroporto por 5 horas!!! Tudo isso se dah agora na recepcao a altas vozes, pra nao dizer berros. Ainda nao sei como vai terminar.

Ontem fomos a uma pizzaria indicada pelo hotel e pelo Tripadvisor. Eu e o Bart pedimos a mesma pizza. A dele veio ligeiramente tostadinha nas bordas, a minha um tiçao, mas como nao ia comer a borda mesmo... soh que o fundo da pizza tava queimadesimo, o que amargou demais a pizza toda, entao eu chamei a garconete, expliquei que a pizza estava queimada, que eu queria outra menos queimada. Ela levou a pizza e voltou em 2 minutos: o chef diz que o forno eh a lenha e que eh assim mesmo, eu mostrei a pizza do bart e disse que aquela estava ok, que eu queria daquele jeito, e que se dava pra fazer uma daquele jeito, dava pra fazer outra. Ela foi e voltou, ainda com a pizza queimada na mao: o chefe disse que a pizza tah boa e que se voce quiser comer, tem que ser essa. E soh. Eu nao comi a pizza, nao comi nada mais, esperei o bart acabar a pizza dele, e saimos dali voando. Como pode?

E param esses malditos carros onde querem, nao adianta colocar sinal de proibido, esse povo nao tem bom senso! A Costa Amalfitana que jah eh conhecida por ter um transito terrivel, fica mil vezes pior por causa deles, os italianos. Ontem estavamos esperando nosso onibus na frente duma farmacia, veio um cara num carrinho pequeno, parou no ponto, onde o onibus estava para chegar. Nos e outros turista apontamos a vaga da farmacia para estacionar, a uns 10 metros dali, ele largou o carro ali mesmo e entrou na farmacia, e eh claro que o onibus chegou, e buzinou, e ele saiu xingando, e outros carros pararam atras... tudo porque o imbecil nao podia estacionar a 10 mts dali.

Holandesa falou do lixo no Brasil, mas aqui... gente! Casas e apartamentos custam os tubos, qualquer quartinho que tenha uma misera varandinha dobra de precos, e daqui do quarto olhamos pras varandas dos vizinhos e gente, eh tanto lixo! Nao eh cacareco util nao ( cadeira de praia, vaso, essas coisas que a gente usa e nao sabe onde por ), eh pneu velho, louca quebrada, lixao mesmo. E nas ruas idem... Eh o povo gemeo do Brasil.

Estamos agora indo pra praia... ultimo dia por aqui. Estou com saudades de casa, dos meus gorduchos, da minha Eindhoven limpinha e organizada ao ponto da monotonia. E a cada vez mais aprendo que nao devo reclamar da Holanda... nao devo reclamar da Holanda... guardem ai gente, da proxima vez que eu reclamar voces me chamam a atencao.

Fui tostar as banhas!

terça-feira, outubro 5

De Amalfi

Direto de Amalfi sem acentos.

Estamos adorando! Acreditem se quiser, apesar do calor, ainda nem fomos para a praia. Eh tanto pra ver, eh tanta coisa bonita pra visitar, e andar, e lojinhas... Estamos bem no centro historico, amo essas cidades italianas com ruelinhas estreitinhas, medievais, com transversais, becos, escadarias... Minhas pernas eh que reclamam!

O hotel tem wifi mas nao me animo a sentar lah na saletinha para twittar ou colocar foteeenhas no facebook. A conexao 3G nao esta funcionando porque meu telefone nao eh desbloqueado e eu nao pude comprar um SIM aqui, e nao vou ficar gastando os tubos em 3G. Tecnicalidades a parte, tenho a impressao que todo americano que eu vi esta com um Ipad, e a maioria reclamando... mas tao lah, tomando cafe da manha babando no bicho que tem que ficar espalmado na mesa pra se digitar. Coisas da modernidade...

Hoje fomos a Ravello, gente, que cidade linda. A algumas semanas o casal de True blood veio passar a lua de mel aqui, e oh, eh o lugar perfeito viu. Pena que o tempo fechou e choveu, amanha voltaremos com mais calma.

Quando e voltar postarei foteeenhas. Tenho um milhao de fotos de comidas, estamos comendo como reis, peixes, saladas de fazer os olhos virarem, pizzas, pasta, e muito, muito sorvete e outras sobremesas. Deus eh pai e vai proteger minhas banhas da expansao acelerada.

Fui ( pro risotto ).

sábado, outubro 2

Se fué...

Estou indo pra Itália, Amalfi.

De lá, tentarei achar uma super wifi de graça e postar umas foteeenhas. Do twitter certamente rolará algumas, já que é facílimo, uma teclinha "share".

E lá vamos nós!

quinta-feira, setembro 30

Entre tapas e beijos

Entre tapas e beijos aqui na Holanda é casalzinho que vai jantar em restaurante espanhol :o)

As meninas do escritório decidiram ir a um tapas bar, marcamos já a algum tempo e confesso, hoje caiu como uma luva. Meu dia estava bem xexelento, e sair com as luluzinhas foi ótimo.

Tapas e sushi são meus restaurantes favoritos, porçõezinhas pequenas, vem algumas e dá-se um tempo, mais algumas e dá-se um tempo, meu estomaguinho passa super bem. E dessa vez o jantar foi regado à sangria, que é uma das minhas bebidas favoritas.

Amanhã dia agitadíssimo, que o Senhor me ilumine, trabalhar feio Isaura, dirigir 30 km ida e volta pra levar os gatuchos pro hotelzinho, fazer a mala, e ir dormir cedo, porque o taxi nos pega 8:30.

Mas sábado já estarei jantando pizza com vinho diliça numa charmosa piazza italiana. E acordarei com o sol batendo na janela e a promessa de um dia de praia.

Amanhã repetirei muitas vezes o mantra: sol e praia e pasta e vino... sol e praia e pasta e vino...

quarta-feira, setembro 29

Paracetamol ou obra espírita?


Uma das coisas que os Kardecistas aprendem desde cedo é que nossa filosofia não permite que sejamos o "fiel ou crente pedinte".

O Kardecista estuda a vida e obra dos santos, como exemplo e inspiração que são, mas somos desencorajados e ensinados a não ficar pedindo nada pro santo isso ou aquilo. Não, não somos proibidos de ter imagens de santos, ou de ter nosso altarzinho onde dedicamos florezinhas, muito pelo contrário, é sempre beneficial ao espírito ser gentil e a preciar os esforços alheios ( nesse caso, o do santo ).

E o Kardecista não pede? Claro que pedimos. Claro que nos desesperamos e buscamos conforto na religião, só que de forma diferente. Aprendemos que todo e qualquer pedido deve ser razoável e direcionado diretamente a Deus. Quem estuda obras espíritas, no livro Nosso Lar por exemplo, equipes espíritas de socorro ( espiritos que estão do lado de lá ) recebem os pedidos e o campeão é "Deus, não deixe ( ou deixe ) chover amanhã". Isso é o não-razoável. No centro espírita que eu frequentava você podia escrever num papelzinho seu "pedido", podia pedir orientação para a equipe de médiuns, podia tomar um passe ( que nada mais é que transmissão de energias positivas ). Bom, não vou ficar aqui falando muito porque eu teria que ter tempo de explicar, e hoje não tenho.

Estou falando tudo isso para dizer que hoje me vi na situação de ir no cantinho do banheiro, fazer minha oração e pedir um favorzito a Deus. Eu tenho uma apresentação importantíssima hoje às 3 da tarde. Ontem trabalhei sentada tensa na cadeira (ruim) do escritório por 12 horas seguidas, dormi mal ( preocupada ) e hoje acordei com o estômago embrulhado ( nervoso ) e uma gigantesca dor nas costas. Decidi só tomar remédio pro estômago, e tentar conviver com a dor nas costas. Ela piorou, a um ponto que às 11:30, material da tal apresentação importantíssima já pronto e enviado para os participantes, eu não conseguia sentar, ou me concentrar em nada na minha mesa. Fui então ao banheiro, rezei: Deus, por favor, se for possível alguém vir aqui me dar um passe médico, eu não estou aguentando. E fiz minha parte, tomei um paracetamol, e fui fazer uma caminhadinha até a outra cantina do outro prédio.

Não sei se foi o remédio que atuou em tempo record, se foi o poder da mente, ou se recebi o passe que pedi, mas cheguei na outra cantina em 5 minutos sem dor. E continuo sem dor. Acredito de qualquer forma que no fim, tudo é ação do plano maior: a força que inspira o cientista a inventar o remédio, a força que me inspira a dar uma andadinha ao invés de continuar sentada na cadeira ruim no clima estressante do escritório, o eventual passe espírita que me tirou a dor.

Mistééééério… mas e você, o que acha?

terça-feira, setembro 28

Cantando vitória antes da hora


Eu acho de extremo mau gosto, sem dizer um verdadeiro tiro no pé, gente que canta vitória antes do tempo.

Teve neguinho que já até publicou cartoon de tucano no microondas, e olha só, parece que vai dar segundo turno. E foi pro segundo turno… tudo pode acontecer, né não?

Ó, pode dizer que eu sou preconceituosa ( você não vai ser o primeiro ), mas eu não consigo, por nada desse mundo, imaginar a Marina falando duro com a politicaiada de carreira. Anyway…

Putz, fizeram uma pergunta interessante na folha: quem vai exercer as funções da primeira dama, se, pelo que entendi, não há "primeiro cavalheiro"?

segunda-feira, setembro 27

Sigamos na esperança de dias melhores

Preparação. Muita preparação pra viajar pro Brasil. Passagem intercontinental, noite no hotel do aeroporto ( Mercure? ), vôo Gol ou Tam pra Salvador, teco-teco Addey pra Morro, Hotel em Morro ( tem que fazer depósito, dá pra fazer isso daqui? ), teco-teco de volta, diárias no All-Inclusive perto de Salvador ( Iberostar Praia do Forte, o novo Palladium, ou o Breezes Costa do Sauípe? ), carro, vôo Gol de SSA pra Congonhas ( só Gol voa pra Congonhas ) e alguém pra pegar a gente no aeroporto. Todos os horários tem que combinar, os hotéis tem que ser tudibão, não posso ir a falência. Cansou? Eu nem comecei e já cansei.

E... o Plato está gordésimo, assim diz o veterinário. Foi vacinar e fazer o check-up hoje, ele saltou de 8,2 kg pra 9,1 kg. O vet mandou dar comida contada, e quem aguenta a miação dessa criatura? Decidi que vou deixar comida disponível durante a noite e tirar durante o dia todo, pelo menos durante o dia eu não estou aqui pra ouvir a sinfonia. O Plato acha que é gente e que fala, português de Curitiba aliás.

E para completar, estou chateadíssima de não poder usar minha Uggs falsiê 24/7, aquilo é o paraíso. Fui ao veterinário com ela hoje, eu estava tão cansada, tão gelada ( tinha pegado chuva ), as pernas doíam tanto da correria pra conseguir chegar no horário... mas aquela boteeenha alí confortando meus pés, aquecendo, deixando cada pedacinho do meu pé livre pra ser feliz, nada me apertando... Sou feliz porque sou dona de uma Uggs falsiê.

E agora vou dormir. Vou ter indigestão, com certeza. Já falei que eu não consigo me controlar quando compro Nectarinas doces? Comi 3 depois do jantar, não consegui parar. E 3 nectarinas doces pra um estomaguinho costurado é muita nectarina. Amanhã TENHO que ir comprar mais.

Melatonina pra gente e vamos fazer soninho.

domingo, setembro 26

A gente nunca tá contente

Quando eu morava no Brasil, nada me tirava mais do sério ( mentira, muita coisa me tirava mais do sério ) do que ir comprar sapato, pedir o modelo, número e cor desejado e o cara vinha equilibrando 12 caixas, menos a do sapato que você pediu. Senhora, não tenho o preto mas tenho o marrom, tenho o preto da mesma marca mas outro modelo parecido, não quer experimentar outro número(!!!) a "fôrma" desse é grande, um número menor deve servir... Gente, quanto ódio eu passei, quanto sapato menor, de cor diferente do que a que eu queria, de modelo marromenos eu comprei! Tudo porque as vezes você tá cansada, ou frustrada porque aquela já era sua quarta loja, ou porque está absolutamente sem sapatos para ir àquela festa amanhã. Não sei nem se dava raiva ou dó daquele coitado ali tentando te empurrar o que tinha, afinal a gente sabe que nas lojas mais simples o vendedor ganha salário de fome e sobrevive de comissão.

Aqui na Holanda é ouuuuutra coisa... é pior! Ontem entrei na Sneakers querendo um All Star bege ou marrom. A vendedora está na porta olhando o movimento ( tinha um festival no shopping ), eu entro, a loja não é self-service e ela nem tchuns. Fui lá: você trabalha aqui? Ela: sim. Eu, apontando pro All Star preto da vitrine: tem bege ou marrom? Ela: não,desculpe - e volta a olhar pro movimento. Adriana: mas... que cores tem? Ela: preto-branco...você quer que eu vá ver as outras cores? Eu: sim, por favor. Ela volta: tem essa, aquela e aquela outra, mas por 49 euros só branco e verde. Eu: posso ver o cinza? Ela vai vagarosamente para a salinha misteriosa da loja, volta com a caixa e me dá um pé do tênis, eu peço o outro também, ela volta pra porta pra olhar o movimento. Eu dou uns rolês pela loja e decido que amo a "fôrma" européia, meu número aqui é bem folgadinho e o tênis fica uma delícia no pé. Vou até a porta chamar a menina: vou levar. Ela vai pro caixa e me cobra, coloca o sapato numa sacolinha e volta pra porta pra ver o movimento. Ela ganha salário fixo, tanto faz se eu levar o sapato ou não, aliás, como foi que eu tive a pachorra de ir impedir o people watching dela?

E aproveitando que eu estou falando de sapatos. Há anos eu tenho coceiras de comprar um par de Uggs. Sim, eu também acho que o nome é Uggs porque você olha e pensa Ugh, que feio... Mas... gente, que peludinho!!! Eu vivo com meus pés gelados, sem falar que o formato pastel-pantufa parece deixar o pé bem molinho e folgadinho lá dentro, né? Na semana passada eu vi o folder do Prizen Circus e ía estar vendendo a de cano médio, sem botão ( eu queria com botão ) por 130 euros ( original 170 euros ). Fui lá ontem comprar e a Uggs não entregou. Dando meus bordejos pelas lojas, fui à Perry Sport ver uma Crocs pro Bart e dou de cara com botinhas estilo Uggs da marca Spex, que é uma marca de skatistas holandeses. Olhei, virei, mexi, ela me parecia bem boa, e por 49 euros... Comprei! Uma café, cano médio com botão. No começo é difícil andar com ela, é como o homem da lua, a sola não dobra. Mas aí o solado vai ficando melhorzinho e é só alegria. É ultra quentinho, mais do que eu esperava, e é maravilhosamente confortável, teu pé fica soltinho lá dentro. Mas é inevitável andar meio que nem pato, e daí eu acho que não valeria os 170 europaus da Uggs, mas por 50inha, tô rindo de orelha a orelha.

Sábado vamos pra Italia, e quem deu palpite acertou: vamos pra Amalfi! Estou contando os minutos, apesar de ser uma semaninha só.

sexta-feira, setembro 24

The Wonderland


Ontem eu tive a visita de um fornecedor brasileiro na sua primeira viagem à Holanda.

Eles chegaram pela manhã em Schiphol, passaram o dia em Amsterdam, vieram deslumbradíssimos para Eindhoven e nossa reunião foi no dia seguinte.

Já na reunião não paravam de dizer como tudo aqui é limpo e organizado. Se maravilharam com os trens nos horários certos, os pontos de ônibus que mostram quando o ônibus vai chegar, o passeio de barco pelos canais que não cheiram mal mesmo no calor ( estava bem quente naquele dia ). Em Eindhoven ficaram maravilhados com o verde todo da cidade, com o ar puro, com o centrinho bonitinho, com a Bijenkorf.

Depois da nossa reunião, quiseram me levar para jantar. Fomos ao centro da cidade, primeiro num barzinho e depois a um restaurante. Eu cheguei atrasada, claro, e esbaforida corri para me encontrar com eles no ponto marcado, mas claro que brasileiros que são, estavam ainda mais atrasados do que eu estava. Fazia uma tarde linda, em pleno setembro ( Adriana, como é que você reclama tanto do frio? ). Sentamos no barzinho e eles pediram se tinha como experimentar o famoso queijo Oud Amsterdam, mas o barzinho não oferecia porções do tal queijo. Pouco depois de eu ter perguntado pro garçom, que tinha me respondido bem secamente à moda holandesa, veio um outro garçom com um pratinho com uns 10 pedacinhos de queijo cortesia da casa, ele tinha ouvido os turistas brasileiros pedindo o queijo e quis ajudar. Em 8 anos aqui, isso nunca aconteceu comigo, mas aquela noite estava decidida a impressionar a brasileirada.

No restaurante, comemos super bem, batemos papo, rimos, foi ótimo, e quando estávamos pagando, o casal de seniores ao lado, todo educadinhos perguntaram de onde éramos e ficaram encantados de sermos brasileiros. Batemos um bom papo de 10 minutos, eles foram muito simpáticos, a brasileirada ficou encantada dizendo que os holandeses são muuuuito mais abertos do que a alemãozada, que são super sociais, que povo legal!

Andando do restaurante ao hotel deles, passei por onde eu havia deixado a moteeenha estacionada e apontei: essa é minha scooter, mas cadê ela? Com um pêso no estômago olhei ao redor e vi que ela estava estacionada há alguns metros, bem na frente de um barzinho, fui até lá e notei que o volante estava destravado. Tudo muito estranho! Foi quando um holandês todo simpático perguntou: você esqueceu alguma coisa? E na mão dele, ele chacoalhava o meu molho de chaves com chave de casa, do carro, da scooter, da bicicleta… Eu havia esquecido, toda esbaforida que estava, as chaves no contato, ele então estacionou a scooter na porta do barzinho onde trabalhava pra me ver voltar e devolver minha chaves, que ele tirou do contato para ninguém roubar.

A brasileirada não podia acreditar, até uma foto com o cara do barzinho eles me fizeram tirar.

E assim meus novos amigos brasileiros, porque depois de uma tarde de negócio juntos, drinks num barzinho e jantar já somos amigos de longa data, seguiram viagem pra Alemanha contando dessa terra maravilhosa, a Wonderland, onde todo mundo é simpático, tudo é limpo e não há criminalidade alguma, que é a Holanda.

E não adiantava eu dizer que era uma exceção, porque não é possível tanta exceção junta, né?

Então estamos assim, a Holanda é a Wonderland, e eu devo ser a Alice. Ou o coelho.


quarta-feira, setembro 22

Papo Lulu total

Ontem, desesperada com o estado das minhas calças em geral, fui às compras. Vejam bem, fui às 5 sabendo que todas as lojas fecham às 6. Isso, queridos colegas, é a Europa, que a gente acha tãããão mais mudérna, avant garde e chique que o Brasil. Às 6 da tarde, tudo fecha, nem farmácia de emergência fica aberta. Aliás, nas maternidades nem anestesista tem, o que é outra conversa, mas eu tenho que deixar aqui registrado, afinal, se você resolver dar à luz às 8 da noite a culpa é sua por querer parir fora do working hour, e se seu filho estiver entalado, virado, sentado, shame on you por precisar de ajuda médica. Porque aqui senhores, assim como os vendedores de calças, os médicos também precisam passar tempo com a família, e precisam estar em casa às 6:30 para mais um emocionante programa Lingo. Lá no interior do Zaire tem anestesista na maternidade as 8 da noite, mas aqui nas Zuropa o cara tem que ir comer stamppot com a família.

Mas então, as calças.

Fui direto na Promiss, minha loja preferida de roupas para trabalhar. Gente, que desespero. Calças mulher-pera, que é o tipo físico mais comum por aqui, cintura larga e pernitas finas. Para mim, a calça parece legging nas pernas e um saco de batatas na cintura, e o pior é que a largura das pernas do numero 40 e do numero 46 é a mesma, eles só aumentam a cintura, então a calça 46 é uma super-mulher-coxinha. Não rolou.

Aí fui na loja das véias, indicada por uma das comadres, chama-se Gerry Webber. Bem, o preço meio que assusta, eu já achava meio salgadinha a calça de 60 contos da Promiss, aqui elas COMEÇAM nos 90 euros, mas sério, se me servirem bem, bom caimento, pago 200 sem reclamar. Mas… não rolou. Eu estava procurando calças mais grossinhas, pra inverno, lãzinha seria meu sonho, mas só achei aqueles blends de polyamida, que além de sintético é super fina.

Já desesperada, fui à Miss Etam, onde eu compro calça jeans porque eles tem um modelo pra cada tipo de corpo, incluindo as bundudas, mas calças sociais nunca foram o forte da Miss Etam. Eis que achei duas calças ainda de tecido muito finos pro meu gosto, mas alem de cair legalzinho, tem a opção 1 com boca mais fina e opção 2 com boca mais aberta, o que deixa as bundudas mais bonitinhas. Nem era beeem o que eu queria, mas pelo esforço da loja, e também porque por hora quebrará meu galho, comprei a cinza e a preta, boca larga.

E depois disso, em 5 minutos, comprei blusinhas, suéteres, e uma veste longa que deixa qualquer um com corpão de sereia. E não tive coragem de continuar comprando porque a conta tava salgada, mas tinha mais mil coisas que eu queria.

No Brasil, gordo só falta andar pelado na rua, ou se expremendo em roupas 2 tamanhos menores com as banhas escapando por tudo quanto é canto, aqui na Holanda o gordo pode até ser exigente ( como eu ) que ele vai achar roupa bonita, e tantas, mas tantas, que o drama é o inverso do Brasil, escolher dentre tantas opções, as melhores - já que levar tudo quebra qualquer orçamento.

Esse eu comprei! A cor fica estranha na foto mas é um cinza médio, que dá pra usar com várias roupas do meu armário ( meu armário é básicamente cinza-preto-marrom )



Esse eu queria muito, fica lindo no corpo, não é tão caro ( 89 euro-contos ), mas pega um pêlo danado, já imaginou com a gataria lá em casa, de pelinhos cinza-claro,
como esse casaco ía ficar?



Quem não seria feliz mesmo que debaixo de chuva com este trench coat?

terça-feira, setembro 21

Love, Eat and Pray - selling as many books as possible

Há uns dois anos assisti a entrevista da escritora desse livro na Oprah, e detestei a mulé, e por isso nunca li o livro. Agora saiu o filme, e eu gosto da Julia Roberts, e estou me perguntando, vou ao cinema, ou espero um piratão? Aliás, será que vale os 90 minutos do meu tempo?

O que me irritou na tal entrevista foi a forma como a autora tenta vender como "o pulo do gato" a solução pra um coração partido: ir para o Tibete, para a Italia e pra Asia ( acho que foi a Thailandia ). Eu não sei vocês, mas eu, quando terminei meu noivado de 4 anos, chateada, deprimida, com raiva, tive que continuar trabalhando, as contas continuaram chegando, o mundo continuou andando. Nada e ninguém esperou por mim.

Na época eu já vinha pensando em ir de férias pela Europa, e o rompimento foi o empurrão que eu precisava, afinal, a idéia de "mudar de ares" é meio que intuitiva nessas horas ( e não "um achado" da tal escritora ). É difícil dar a volta por cima passando todos os dias na frente daquele barzinho onde vocês íam, encontrando familiares dele no shopping, e com todo mundo ao seu redor perguntando ( com cara de piedade ) como é que você está.

Mas… como meu dinheiro já naquela época não nascia em árvore, tive que juntar feriadão, com férias vencidas, enforcar um dia, pra poder ficar pelo menos 40 dias na Europa, depois de fazer cara de coitada pro chefe. E como até rezar no Tibete custa grana, fui de mochilão mesmo - se bem que foi um mochilão de rodinhas, com um orçamento mais folgado que o de muitos, mas mesmo assim não rolava hotel todas as noites e sim albergues da juventude, taxis só em emergência, restaurantes bons apenas em 1/3 dos dias ( de resto era sanduíche ou restaurantes bem populares ), e lembrancinha pros parentes foram bem comedidas.

Talvez eu amasse menos ou fosse mais esperta que a autora desse livro, mas os 40 dias foram exatamente na medida pra eu esquecer, lembrar, esquecer de novo e seguir em frente. E mesmo que não fosse, era o que o meu bolso permitia.

Nenhuma relação acaba do dia pra noite, e pelo menos no meu caso, ao invés de começar já a vislumbrar um futuro sem aquela pessoa, eu gastava energia tentando descobrir como salvar a relação, e minha vida toda ficava empatada, dependendo do momento divino em que os nossos problemas fossem acabar. Voltei da Europa não só conformada com o fim da relação, mas o mais importante foi que a viagem me mostrou que a vida sem aquela pessoa não só era possível como era melhor!

Quem me conhecia não acreditou na reviravolta que foi minha vida depois que voltei. Em 2 meses comprei meu apartamento, em 4 operei do estômago, em 8 eu fui promovida, em 12 eu estava 40 quilos mais magra, em 16 eu estava de volta à Europa para conhecer meu marido e em menos de 20 meses eu estava casada e mudando pra Holanda.

O interessante é que nem tudo foi fácil, principalmente a operação, o pós operatório, continuar trabalhando no mesmo ritmo quando você está consumindo 500 calorias por dia, mas sinceramente, tudo isso era mais fácil que o drama dos 2 últimos anos com o dito-cujo-ex, mas eu só percebi depois que estava livre do trambolho.

Acho que por tudo isso não consigo me identificar com a história do livro ( e agora do filme ). Nem tanto por achar que a idéia proposta é financeiramente viável a 3% da população mundial, mas por não achar que a solução seja se distanciar do mundo por tanto tempo, esquecer do mundo pra esquecer um sujeito. Não li o livro, mas fico imaginando o que é voltar depois de mais de um ano fora e ter que procurar uma casa nova ou desempacotar a que se deixou fechada por um ano, procurar emprego, tentar contactar amigos, encarar a família… Vai ver que foi essa dificuldade toda é que a levou a se fechar num quarto e escrever um livro.

Bom, pelo menos ela ficou rica e eu estou aqui tendo que aguentar o OldFart. Vai ver que mais uma vez sou eu a errada da história, but who cares?


segunda-feira, setembro 20

A volta dos que não foram


Depois de 3 dias doente em casa eu voltei hoje ao batente. Nesse momento estou com vontade de chorar, é tanta coisa estourando de tudo que é lado…

Não irei à feira de caminhões em Hannover na semana que vem, simplesmente não vai dar, é muito trabalho no escritório, eu estou com os pulmões baleados e não consigo me ver andando 8 horas por dia subindo e descendo de boléia de caminhão ( é terrível subir na boléia de um caminhão de 50 tons ). Isso resolve também meu problema de não querer viajar com o OldFart.

Aliás, cheguei aqui e o primeiro pepino que tive que resolver foi reclamação sobre o OldFart. Depois da conversa que eu tive com o chefão percebo que o recado foi dado, ele está mantendo a distância dele, mas sabem, ali o negócio é mesmo berço. O cara é xulé, ele se acha superior a meio mundo, e por se achar superior ele acha que ele é isento de seguir procedimentos, que não precisa dizer por favor ( ou você poderia, ou seria possível ),e que ele pode interromper qualquer conversa porque se ele tem uma opinião a dar, todos tem a obrigação de ouvir.

Ele quer ir visitar um fornecedor na Espanha ( na Alemanha ou Polônia ele não quer, né? ), a secretária veio me pedir pra falar com ele: ele deveria mandar o formulário 10 dias antes da viagem, mandou 3; no formulário você tem que explicar o motivo da viagem ( no caso dele é "treinamento" ) mas ele disse que não precisa se explicar; a gente pede pra secretária verificar os vôos disponíveis e preços - o procedimento diz que devemos viajar na tarifa mais baixa possível, e que o valor tem que ser incluido no formulário para aprovação - ele não quis que a secretária pesquisasse, disse que vai voar KLM, e mandou o formulário sem dado nenhum. Eu juro que não intendo um sujeito desses. Até um idiota sabe que arrumar encrenca com as secretárias ( do departamento, do diretor ) é dificultar sua própria vida desnecessariamente, o que é que ele ganha com isso?

Bom, deixa eu voltar pro Pelô que o Sinhozinho logo vem me pedir o relatório de tool transfer.

sábado, setembro 18

Quem adivinha que lugar é esse?





Eu visitei essa pequena cidade em 2000, no meu mochilão pela Europa. Eu ía ficar apenas 2 dias, acabei ficando 4 quase 5, e jurei que voltaria. A cidadezinha é tudo de bom, um vilarejozinho encrustado nas montanhas ( mas haja perna pra tanta escada ), praia de águas límpidas, a comida de outro mundo e tanta, mas tanta coisa pra se fazer e visitar ao redor!

Há algumas semanas Bart veio me intimar: peloamordedeus, vamos passar uma semaninha em algum lugar, eu preciso tirar a cabeça do trabalho. Para mim, é o pior momento possível, eu nem reservei as passagens do Brasil ainda, no trabalho tá essa loucura, eu não tenho tempo nem de me coçar, quem dirá pesquisar, decidir e reservar uma viagem para qualquer lugar que seja. Mas ele voltou a pedir, e com olhos de cachorrinho, então lá vai a Adriana se desdobrar...

Sairemos de Amsterdam, e iremos por uma semaninha apenas, de sábado a sábado. Hoje, enquanto faz 16 graus em Eindhoven, fez 29 graus nessa cidadezinha simpática. Lá ficaremos num B&B, como fizemos em uma viagem anterior ao Lago di Como e à Cinque Terre. Isso já está arranjado. Falta ainda o transporte do aeroporto pra cidadezinha e vice-versa, o hotelzinho dos gatos, um guia de viagem, e uma bolsa de praia que a minha se espatifou.

Ó, sinceramente, é uma graninha razoável pra se gastar numa mísera semana, mas essa cidade é tudo de bom, é chique, é gostosa, é exatamente o que minha garganta ardendo e o meu nariz entupido estão precisando nesse momento.

Você, leitor viajandão amigo, arrisca dizer para onde vou? ( e as comadres que já sabem não vale dar palpite, hein! )

quinta-feira, setembro 16

Alguém vai falar pra ela...



Alguém vai lá falar pra ela que chega, né?

Primeiro era diferentinho, depois irreverente, agora é só puro mal gosto mesmo.

Tá, as musiquinhas são legaizinhas pra fazer uma ginástiquinha, e eu acho que só, porque não imagino muita gente colocando um CD da moça no player só pra ouvir porque é legal, porque ó, pra mim uma música é igual à outra.

Todo mundo a compara com a Madonna, mas a Madonna só é o que é porque a cada par de anos ela mudava totalmente de imagem, duvido que ela seria o que é hoje se tivesse estacionado na imagem garota promíscua com saia de tule e cinto boytoy. Aliás, foi o que aconteceu com a Cindy Lauper que começou na mesma época, né? Estacionou naquela imagem de garota revoltada e ali morreu.

Mas bem, esses são só meus dois tostões. Eu fiquei é com dó de quem teve que sentar perto dessa louca sem-loção sentindo o cheiro da fedentina, porque dizem que era carne de boi de verdade, fresca e "au naturel". Eca muito grande. A moça tá pra lá de Gagá.

Atchim!

Não fui trabalhar, a gripe não deixou. Noite passada foi dormida como se eu fosse um defunto, as dores no corpo, mais os analgésicos, tudo colaborou para uma das noites mais bem dormidas da minha vida.

Já hoje, a gripe piorou e os espirros não me deixam dormir, a garganta está sequésima e eu tusso a cada minuto, as dores no corpo triplicaram mas eu não encontro conforto para dormir.

Acho que vou pra sala colocar um DVD e ver se a TV me embala.

Post mais desnecessário esse, mas vai desculpando aí, tô doente!

Atchoooo!

terça-feira, setembro 14

Bugger

Eu não estava na audiência quando ela deu um carro pra cada um.

E dessa vez, na premiere da última temporada ( farewell season ), eu também não estava, e olha o presentinho da Oprah:



Eu não tenho sorte mesmo... Agora, voar com o Travolta de piloto ía me dar um medo danado, ainda bem que a gente sabe que é só faixada, né?

segunda-feira, setembro 13

Eita desespero consumista

Fui correndo hoje na loja pra achar o vestidinho e... já era... nem cheiro... saí de lá chateada com esse planejamento holandês, que faz um lote pequeníssimo das roupas, a mulher da loja me disse que não ía chegar mais, na wehkamp até tiraram do site.

Eis que vou dar uma zappeada na wehkamp de novo e... o pretinho tá lá! Não é o taupe que eu queria, mas eu já tô feliz com o pretinho... já tô colocando o pedido. Vejam se não é uma gracinha:



Agora só tenho que trocar o pedido da legging de marrom pra preto e tô bunita :o)

domingo, setembro 12

Eu sou uma burralda!



Chegou aquela época maledeta do ano: roupas levinhas e esvoaçantes pro fundo da gaveta e as golas rolês, lãs, veludos e meias, muitas meias, bem à mão.

Todos os anos acontece o mesmo: eu olho pras minhas roupas do ano passado e quero morrer, é que eu sempre compro aquele número limitado de roupas ( detesto o inverno e tudo que se relaciona a ele, cês sabem ) e uso até, literalmente, enjoar. Olhei pro meu guarda-roupa ontem e senti vontade de chorar. Hora de ir à caça.

Graças à Deus, a Holanda é o paraíso do gordinho, do altinho, do baixinho, tem roupas de linhas especiais pra todo esse povo. Engraçado é que a colega J. de 25 anos e manequim 38 compra nas duas lojas que eu adoro ( Miss Etam e Promiss ), a colega T. de 42 anos e manequim 50 também, então damos risada quando vamos com a mesma roupa, já chegou a acontecer das 3 irem com a mesma blusa cinza!

Antes de sair de casa pesquisei a coleção das duas lojas pela Wehkamp, e concluí que na Miss Etam só ía rolar roupa de fim-de-semana, então como o desespero rolava por conta de roupas de trabalho, lá fui eu pra Promiss.

Uma das comadres me diz que gordo, quando vê roupa que gosta, que cabe, que pode pagar, tem que pegar na hora. Eu peguei duas blusas que ficaram lindas. Aí cometi a burrice. O vestidinho kaki.

*** Pausa pra explicação pertinente ***

Eu sou ultra friorenta, por isso apesar de amar vestidos, não uso nenhum no inverno. Só de pensar naquela brisa entrando e o dia inteiro sem o quentinho das calças, não dá. Só que li a respeito das leggings de lã Merino, e apesar de caras, são ultra quentinhas. Estou então caçando uns vestidinhos de inverno pra usar com a legging de lã merino e botinha de cano baixo

*** Fim da explicação pertinente ***

Decidi que eu ía vontar para casa e pesquisar se vende a tal legging de lã merino na Holanda, porque senão o vestidinho ía encalhar, e se eu achasse a legging, encomendaria o vestidinho pela internet. Achei a legging, fui encomendar o vestidinho, e cadê? Esgotou!!! Agora tô com a legging encomendada, fixada no tal vestidinho, e ele foi-se.

Me resta amanhã sair às 5, o que não tenho conseguido há semanas, e ir tentar resgatar um ainda na loja.

Ódio. Pior do que ser gordo é ser gordo vacilão.

quinta-feira, setembro 9

O fantasma holandês


Ultimamente eu ando sempre trabalhando até mais tarde. Normalmente saio lá pelas 18:30 mas nas duas últimas semanas frequentemente tenho saído depois das 20:00.

Às 20:00 3 guardas lááááá do portão principal começam a vir de prédio em prédio vendo se tem alguém ainda trabalhando e desligando as luzes. Quando tem gente trabalhando ( eu ) ele me avisa se sou a última no prédio ( muitas vezes sim ) e deixa a luz com sensor ligada, quer dizer que tudo fica escuro e só meu departamento fica com luzes acesas até eu ir embora.

Na semana passada eu trabalhei uns 20 minutos nesse "escuro parcial", e apesar de ainda vir luz pelas janelas, é meio estranho e dá uma super má impressão. Eu estava indo embora e passei na frente do departamento que faz cópias e impressos ( REPRO ), o único departamento que por conter muitos papéis e equipamentos caros fica trancado, e pela porta que tem uma faixa de vidro, eu vi um vulto passando. Gente, me gelou a alma. Aquela escuridão, o crepúsculo ( ui! ) pela janela, e aquele vulto… Saí esbaforida.

Dias depois o mesmo aconteceu, vi um vulto menor, parecia uma perna ou um braço, mas vi 2 vezes, e embora ainda tivesse me gelado a alma, fui pra casa encasquetada. Acreditar em fantasma eu acredito, mas peralá, um fantasma holandês na sala de xerox trancada da empresa?

No dia seguinte contei do "fantasma" pros meus colegas, e todos eles me tiraram o maior sarro, é o fantasma do Senna, é o fantasma do Pelé ( Pêle ) - mas peraí o Pelé ainda tá vivo - é vudu, e foi o dia todo de piadas.

Naquele dia, fortalecida pelas piadas do colega, aproveitei que minha colega Húngara também estava trabalhando até mais tarde e fomos lá conferir. Esperamos uns 5 minutos escondidas atrás de um armário, mas não deu outra, o "fantasma" apareceu. Certa de que eu não estava doida, fomos à guarita informar a segurança que tinha um fantasma no prédio, na sala da REPRO, e claro picamos a mula.

Hoje a notícia se alastrou mais rápido e com mais "quem conta um conto aumenta um ponto" do que no Brasil: um casal foi pego em momentos íntimos na sala da REPRO. A-há! Não era um fantasma, mas dois. Aí começam as histórias: eram dois homens, ou um casal hetero mas ele é casado, ou ela é casada, ou os dois são casados, sem roupa, com roupa, só faltaram falar que um trazia um chicotinho na mão.

Só estou aliviada que não era fantasma. Sei que ninguém mais vem puxar meu pé quando eu estiver dormindo, só não sei se é tão seguro assim ficar trabalhando até mais tarde.

Booooo...


quarta-feira, setembro 8

Situação delicada


Hoje eu cheguei no trabalho toda feliz, apesar da chuva, pra encontrar o Véio me esperando pra dizer que nosso diretor indicou que ele iria comigo à feira de Hannover. Cinco horas de carro na ida e cinco na volta, sozinho com o cara, e ele falando grudado da sua cara… Não, não dá.

Suspirei, respirei, meditei, tomei um chá, e fui falar com o diretor. Expus meu desconforto em viajar sozinha com aquele senhor, que eu não me sentia confortável com ele, e que as outras mulheres do departamento compartilhavam da mesma opinião. Disse que não teria problema algum se mais alguém se juntasse ao grupo, meu problema é mesmo estar sozinha com o tal senhor.

Saí da sala aliviada por um lado, mas por outro fica esse meu lado meio religioso me questionando se eu fiz a coisa certa, se eu tô prejudicando o cara, se eu estou ME prejudicando ao agir dessa forma. Será que eu deveria ter engolido e aturado as tantas horas de viagem, mais o cara me seguindo lá na feira?

Sabem, estou numa época de um stress monstro na empresa, acima do normal. Ando indo pra casa preocupada, sem conseguir tirar os problemas da cabeça. Hoje acordei já com dor de cabeça e tomei uma Aspirina, e não sei se meu estômago já estava sensível ou se Aspirina é mesmo tão forte ( é um ácido, né? ) mas fiquei aqui me contorcendo de dores. Tomei água, chá, fui andar um pouquinho ( mas tive que voltar porque começou a chover ) e estou me sentindo um pouco melhor. Vou agora terminar esse post com meu cházinho e sequilhos, rezando pra Deus me ajudar a terminar todos meus pendengues nos prazos.


terça-feira, setembro 7

Nem só de vampiros vive uma couch potato

Se te disserem que é coisa de adolescente, é mesmo, mas... whatever, a gente tem a velhice inteira pra ser véia coroca, né não?

Essa primeira levanta o ânimo até de defunto. E ó, semaninha defuntística essa, tô precisando rever a first season inteira.



E essa aqui é muito bem feita, me deu até frio na barriga

O OldFart


O OldFart está aos poucos baixando a bola. Ele ainda resmunga muito, e acho que está caindo na real, e embora ele ainda seja uma pessoa totalmente sem "loção", e embora não haja a mínima chance dele se tornar um colega minimamente suportável, está menos pior que na semana passada.

Ele tem essa maldita mania de te interromper pra mostrar como ele sabe tudo. Estou eu falando que tal produto vem protegido por um plástico X da marca Zé do Plástico e ele me interrompe: você deveria tentar o João do Plástico ou o Mané do Plástico, que podem ser mais baratos. Custa muito esperar eu terminar meu assunto com quem quer que seja e só então me dizer: desculpe-me, ouvi sua conversa, eu tive boas experiências com o João do Plástico e com o Mané do Plástico, você já trabalhou com essas empresas? Ou então eu digo: o fulano da empresa X alemã ligou, e ele começa a falar alemão só pra mostrar que ele fala alemão ( todo mundo na Holanda fala alemão, e bem ). Mala sem alça e sem rodinha!

Todas as empresas automobilísticas são mais conservadoras, e se você trabalha numa localidade onde tem também planta de produção, mais ainda. É que a empresa não quer deixar tão aparente as diferenças entre o pessoal de escritório e os blue-collars, e também pra manter as coisas num certo controle. Temos no prédio o Flexsystem. É uma versão melhorada de um relógio de ponto. Você coloca seu crachá ali de manhã, ele dá entrada, você trabalha suas 8 horas, e passa no mesmo equipamento pra dar saída. O relógio diz: entrou ou saiu. Nesse relógio você entra também suas ausências, por exemplo, se eu vou de férias amanhã, ou tiro o dia livre, eu informo início de ausência e quando eu volto ele encerra a ausência. Isso evita ter que ficar mandando folhinhas assinadas pro RH e o relatório semanal é também seu comprovante das horas trabalhadas. Mas então. O OldFart vê que todo mundo sai, taca o crachá na maquininha, ela não emite um piu, ele coloca o crachá dele a máquina morre de apitar, então ele vai falar com a secretária ou o mentor dele, certo? Errado! Ele continua com o crachá apitando a semana inteira, até a secretária emitir o relatório semanal e ver que todos os dias ele saiu mais cedo do que devia ( daí a máquina ter apitado ). Aí eu explico que temos o flex time, temos que estar aqui das 9 as 15 mas podemos entrar a hora que quisermos e sair a hora que quisermos, mas que as horas extras não são cumulativas. Ele bufa, ele revira os olhos, ah na outra empresa contanto que eu trabalhasse as 40 horas por semana ninguém ligava pra uns minutinhos por dia. E tem com dar um jeitinho com a secretária? Digam lá, esse cara é brasileiro de repartição pública ou não? Mofio, a secretária te detesta…

E o diretor sugeriu que, caso ele obtenha autorização pra ir à feira de caminhões de Hannover, ele vá comigo. Eu esperarei pacientemente a tal aprovação, e se ela acontecer, eu irei dizerao diretor, educadamente, que não me sinto confortável em viajar sozinha com essa pessoa, que se alguém mais for eu não tenho problemas, mas que o cara tem um comportamento estranho e eu não me sinto confortável e pronto. Mas odeio ser colocada nessa posição.

Minha esperança do cara se tocar e puxar o carrinho dele é zero, terei mais uns 12 anos de calvário pra aguentar. Minha cruz será pesada…



segunda-feira, setembro 6

Pedalando, pedalando, pedalando com a Caloi, pedalando, pedalando, a poupança nunca dói!

Tcheu comentar uma coisa aqui com vocês porque na semana passada, com diferença de dias, eu vi dois acidentes terríveis e estou até agora super impressionada.

Uma das coisas mais elogiadas da Holanda é o sistema de ciclovias e como grande parte da população usa a bicicleta não só para o lazer, mas para ir ao trabalho, levar os filhos na escola, ir pra cima e pra baixo no dia-a-dia. Mas o que não falam é como o ciclista, apesar das ciclovias e das leis de trânsito que protegem o ciclista, está vulnerável disputando espaço com carros que cada vez me parecem maiores.

Eu não conheço pior motorista que o holandês. Eles sabem virar pra direita, pra esquerda, acelerar, isso até macaco aprende, mas não é a mecânica em si, é o estilo de dirigirem.

Quando eu entrei na auto-escola, antes de ligar o carro o instrutor ensinou: você tem que dirigir por você e pelos outros, porque você nunca sabe quando um motorista meio embriagado vai cruzar seu caminho, ou uma senhora que está prestando atenção no bebê no banco de trás, ou um velhinho que enxerga mal, ou um boyzinho que acabou de tirar a carteira ( ou é até menor de idade ) se achando um piloto profissional. E pouco importa quem tem razão, nunca vi defunto voltar do caixão pra receber o dinheiro do seguro.

Aqui na Holanda é totalmente diferente, eles te dão um livro goooordo pra estudar, e dizem: siga a lei e se todo mundo seguir a lei, não há acidente. E aí, dirigem todos como retardados. Vou dar um exemplo: no Brasil, quem vai reto sempre tem a preferência, se você está numa ruela e quer entrar na via principal, você espera até não vir carros e entra. Aqui, se você está numa via principal, a menos que tenha um losango amarelo dizendo que essa via é preferencial ( e aqui em Eindhoven são poucas ) todo mundo que vem duma ruela a sua direita tem a preferencial. E esse povo que vem da ruela, não dá nem uma reduzidinha pra ver primeiro se vem um carro à toda ou não. Eu dou uma boa reduzidinha, afinal quem tem c* tem medo, e se Bart está comigo ele me enche o saco, diz que eu crio confusão no trânsito. Estão mudando todas as ruas da minha vizinhança para comportar o novo bairro que está se formando, e uma dessas vias que não era preferencial agora é. No primeiro mês, vimos vários acidentes por semana, o neguinho que vinha da ruela esquecia que agora a avenida é preferencial e virava com tudo, e o cara que está na via principal mandava ver nos 50km/hr ali permitido sem pensar que seria mais prudente no horário do rush maneirar no acelerador.

Tanto meu marido quando meus colegas dizem o mesmo, que se acontecer alguma coisa, o outro é que é o culpado. E quem está se lixando quem é o culpado? Porque essa preocupação em não ser o culpado? Já falei pro Bart que se essa forma de pensar um dia o deixar entrevado numa cama, que eu não vou ficar cuidando e dando banho de esponjinha, ele vai pra casa de repouso!

Mas então. Quarta feira eu estava indo do trabalho para o supermercado, parei no semaforo pra esperar abrir e atrás de mim tinha uma outra scooter com duas meninas. O semáforo abriu, eu cruzei a avenida e ouvi um puuuta som de metal colidindo, um cara numa van bateu nas meninas. Ele quis aproveitar o ultimo segundinho do semáforo amarelo, então acelerou pra ver se conseguia, e ele não notou que naquele ponto a ciclovia tinha duas mãos ( ciclovia de duas mãos é sempre ultra perigosa ), olhou pra direita e não viu ninguém e mandou ver, sem olhar pra esquerda e ver a minha scooter e a das meninas. A scooter caiu em cima de uma das meninas que quebrou a perna, impressionante ver o ângulo da perna dela. Ela gritava como eu nunca vi. A menina da garupa foi lançada ao chão e ficou ali de barriga pra baixo, braços e pernas estendidas, impressionante. Todo mundo correu acudir, a menina só disse que não sentia as pernas e braços e perdeu a consciência. A ambulância chegou super rápido, a menina recuperou a consciência mas não conseguiu mover um dedo. Não consigo parar de pensar que você está lá bonitinha, indo pegar um cineminha com a amiga, ou voltando da escola, e um cara que está apressado sei lá porque pode colocar fim a sua vida ou te deixar paralítica numa cama pro resto da vida. Gostaria muito de saber que a paralisia foi momentânea pelo choque e que a essa altura a menina está em casa jogando Wii, mas nunca saberei.

E nesse sábado, estávamos no centro quando vimos outro, dessa vez com uma bicicleta. Naquele trecho a ciclovia acaba, justo num S da avenida, e as bicicletas se juntam ao tráfego, separados só por uma linha no chão ( odeio quando é assim, tem muuuitos motoristas que não respeitam a risca no chão ). Um cara novinho se assustou quando a bicicleta apareceu no campo de visão dele, e pra falar a verdade o ciclista podia ter reduzido um pouco - mas tem também muito ciclista imprudente - só sei que o rapaz quis brecar, mas acelerou, e o carro avançou na bicicleta, foi muito impressionante. A garupa da bicicleta foi arrancada e arremessada longe, o pneu traseiro dobrou ao meio, o ciclista foi lançado longe, eu vi o cara no ar, caindo, rolando, gente parece que está tudo em câmera lenta, é impressionante demais. Por sorte o cara levantou meio mancando e foi lá resolver a situação, mas é horrível de se ver.

Quando estamos de carro, temos toda a carroceria nos protegendo, mas na ciclovia, de bicicleta ou scooter, você está ao léu, e acidentezinhos que de carro seriam "um encontrão", quando você está na bike podem te levar pro hospital ou pior.

E eu sei gente, eu sei que VOCÊ é um motorista super zeloso, que VOCÊ nunca faz cagada no trânsito, não fala no celular, nem olha pro seu filho esgoelando no bebê-conforto, não passa no sinal amarelo, nunca se distrai, mas tem gente que dirige mal pacas, e aqui o povo se acha ás no volante, mas é mesmo asno volante.


sexta-feira, setembro 3

Tá começando a ficar bão


Hoje eu cheguei e tava o povo todo rindo perto da minha mesa. Nós, peões que somos, chegamos, pegamos nosso café, até damos uma abridinha no jornal online de preferência do peão, passamos aquele olho por cima e bola pra frente. Eu cheguei 8:30 e e o OldFart, aproveitando que o povo ainda tava chegando, com sono, etc e tals, tava esplonchado na mesa dele lendo jornal de papel!!! Gente, parecia aquelas repartições públicas brasileiras exageradas na novela das 7, manja? O careca lá, com uma xicrona de café e jornal surrado na mão?

Aí, não demorou pra alguém mais importante ver e não gostar. O pior, é que aqui nosso diretor médio ( o chefe do meu diretor ) tem HORROR a qualquer papelzinho fora do lugar, e o OldFart, achando que tava fazendo um favor coletivo, deixou o tal jornal surrado em cima de um armário ultra público "pra quem quisesse ler". Aí esse diretor médio me chama ( meu diretor direto estava num funeral ) e me diz pra ir falar pro cara tirar o jornal de lá e que não pega bem ele passar meia hora lendo jornal de manhã. Ha ha ha, faz me rir. Eu disse que iria sim explicar que não deixamos papéis jogados, mas que eu não me sentia responsável por ensinar a um senhor de 50 anos que não se lê jornal no periodo em que a empresa te paga pra trabalhar. Mas ó, que cara burro hein, todo mundo usa internet, todo mundo lê jornal na internet, ninguém dá pelota contanto que você faça bem seu trabalho, e contanto que haja uma certa discrição senão vira casa da mãe Joana. Pode parecer hipocrisia, já que tanto faz se você está lendo explonchadão um pedaço de papel, ou lendo bonitinho e concentrado de uma tela, mas a verdade é que ninguém deveria abrir a internet que não fosse para o uso no trabalho ( ou ler jornal, for that matter ), mas a empresa faz umas vistazinhas grossas para não ser tão inflexível. Agora digam aí, você faria isso no seu terceiro dia de trabalho numa nova empresa?

Aí, no horário do almoço de ontem, uma das colegas estava sentada numa mesa no restaurante com os fornecedores dela, o que a gente chama de business lunch ( você continua discutindo o assunto principal ), aí o cara não vendo nenhuma outra pessoa conhecida vai lá e senta na mesa dela, ela educadamente informou que se tratava de um business lunch, o cara não só continuou lá, como puxou papo com o fornecedor que ficou todo sem graça, sem saber se cortava o assunto e voltava pra business meeting ou respondia ao cara.

Hoje eu estou sentada aqui na minha mesa na hora do almoço ( googando hotéis brasileiros ) e aos poucos chega uma colega, depois a outra, depois um colega, todos encurtaram seus almoços porque o OldFart estava na mesa e é insuportável, só ele sabe, só ele fala, e só fala dele mesmo.

Isso ainda vai dar tanto samba… mas eu continuo na minha, o diretor disse não ao celular dele, disse que em algum tempo notarem a necessidade eles avaliarão a possibilidade e que ele iria ganhar um laptop junto com o resto da turma ( em 14 meses ).

Anyway, é sexta-feira, eu tô indo pra casa pra ser feliz e comer comida mexicana fantástica com receitinha que o colega holandês deu. De chorar de bom.

E cumadre Holandesa, boa viagem, aproveite a terrinha, coma muito pão de queijo com catupiry e se esbalde nas pizzas paulistas.

Fui!


quinta-feira, setembro 2

Praise the Lord


Ó Deus, eu tenho algumas perguntinhas pra Você.

Foi Você ou o CoisaRuim que inventou as comidas congeladas?

Essa semana terei que trabalhar mais tarde, e eu já anunciei lá em casa que a cozinha está fechada. Como não aguentamos mais o cheiro das refeições à vapor, nem de pizzas, decidi apelar pro freezer do supermercado. Lá eu peguei peixe Iglo com crostinha, peito de frango Iglo crocante, e costeletas de carneiro marinadas. O filé de peixe é quadrado, e como eu nunca vi peixe quadrado, logo assumo que deve ser ultra manipulado. O frango, cuja embalagem anuncia ser feito com 100% carne de peito da ave, não é um filé de peito à milanesa, mas sim 54% de filé de peito processado e misturado com farinhas e temperos e sabeselámaisoque. As costeletas de carneiro são costeletas mesmo, mas vem marinadas numa meleca que obviamente contém gorduras, que eu não sei se são trans ou não-trans ( qual é o contrário de trans? ).

Veja bem Divino, lendo o parágrafo acima, você pensa que foi mesmo o CoisaRuim que inventou essas comidas, mas olha, é só colocar no forno, o cheirinho que se desprende é Divino, a gente coloca num prato com umas batatas assadas ( também com temperos suspeitos e gorduras trans ), uma saladinha de pacote, e parece um prato de haute-cuisine. E pra completar, o gosto é óteeeemo. Então parece que foi coisa Sua, meu Pai, criar algo tão prático, gostoso e barato.

Ontem eu estava cansadíssima quando cheguei em casa, taquei frangos e batatas no forno, fui tomar um banho, quando saí o jantar estava pronto, eu só faltei beijar a porta do forno de tanta alegria. O marido não cansava de falar como o jantar estava delicioso, e ó, até eu saboreei muito.

Só pode ser coisa do Capiroto mesmo.

E daí, outra também do CoisaRuim é não dormir de noite preocupada com o trabalho e com o OldFart ( o novo colega ). Minhas oheiras estão no queixo, parece que tem areia nos meus olhos, e eu estou me sentindo tão mal que não sei como vou chegar ao fim do dia.

#failtotal

quarta-feira, setembro 1

Eu preciso de muita reza de vocês


Na semana que eu estive na Inglaterra, apareceu na empresa um candidato para uma das vagas abertas no meu grupo, eu dei uma olhada no CV ( lá da Inglaterra ) o CV me parecia bom, ele fez entrevistas com 3 diretores assim, uma atrás da outra, o que é raro, e em uma semana decidiram contratar o cara. Quando eu cheguei, recebi a "boa notícia".

Hoje o cara começou. Minha gente, estou querendo sumir da face da Terra. Manja o expertinho brasileiro que quer levar vantagem em tudo? Estou espumando de ódio do cara.

A empresa opera com um pool de celulares, pois nosso trabalho não requer que viajemos tanto ( e para mim, esse foi um dos principais atrativos do emprego, pois eu estava cansada de tantas viagens e tempo longe de casa ) então a gente está sempre no escritório, logo não há necessidade de cada um ter um celular. Então quando a gente precisa vai lá na secretária e pega qualquer um que estiver disponível, e sempre tem vários disponíveis. Então chega esse cara, olha pra mim e pergunta onde ele pode encomendar o celular dele, eu respondi que ninguém aqui tem celular, que a gente usa o pool, ele começo a ficar nervosinho, falou que tem que estar "reachable" a qualquer hora, e eu expliquei que a política da empresa é respeitar o horário privado do empregado, e que ninguém vai ligar pra ele fora do expediente, logo ele não precisa estar sempre "comunicavel"e que quando ele viajar ele vai ter o telefone do pool. Ele ficou ainda mais nervoso e disse que ele nem possui um celular, que o que ele tem ainda é da empresa antiga (!!!) e que ele está tão acostumado a usar o celular pra tudo que a conta dele é de 500 euros por mês!!!! A empresa não se comprometeu a dar um celular pra ele, disseram que era "negociável", e ele achou que era um sim, mas foi o jeito delicado ( e uma tremenda burrice ) do RH dizer não.

Outra coisa, e essa sim um problemão da empresa, é que assim que eu entrei, eu ganhei um laptop, porque havia um plano de, em 1 ano, trocar todos os desktops por laptops. Mas com a crise, a troca foi congelada, e nem para o ano que vem vai ser aprovada. Meus colegas estão muito p da vida com isso, é um pé no saco hoje em dia chegar numa reunião com pastona de papéis e documentos, mas já tentaram de tudo, e parece que vai ter mesmo que esperar. Chega o cara e pergunta: quando instalam meu laptop? Eu disse que ele ía ter que esperar na fila, que várias pessoas também queriam, e que até pra se conseguir uma conexão VPN aqui havia que se pedir permissão dos EUA. O hómi ficou branco, como é que pode uma empresa famosa como essa não ter laptop com VPN, que ele não vai a reuniões sem um laptop. Aí eu expliquei que para que isso não aconteça, há um laptop do grupo que quem precisa pra alguma reunião, apresentação ou para viagens, o usa. Ele foi abrindo o armário e dizendo que ele ía então pegar aquele laptop pra ele. Eu falei pra ele ir discutir com nosso diretor os termos do contrato dele, porque eu não estava a par desses detalhes, e coloquei o laptop novamente no armário.

E tudo o que eu mostrei no sistema, ele ignorou, disse que não é uma "desk person".

Mas o fim da picada estava por vir. O grupo ( somos 12 ) tem uma assistente, e ela é super prestativa, super mão na massa, ótima mesmo, todos a adoram, e apesar de assistente, ela é tratada até melhor que o diretor, porque ela realmente nos ajuda muito com tarefas que nem sempre fazem parte do trabalho dela. Eis que eu chego pra confirmar com ela uma reserva de hotel e ela está vermelha que nem um pimentão, eu perguntei se ela estava se sentindo mal. Ela falou que o cara veio todo "bossy" falando pra ela providenciar isso e aquilo pra ele, ela explicou que aqui cada um providencia isso e aquilo pra si mesmo, ele retrucou: "mas e você faz o que então, se é uma assistente mas não assiste?"

Gente, eu estou com ódio mortal do cara. O pior é que eu não posso demonstrar, tenho que deixar o cara se enforcar por si só. E ele nem chegou e já quer ir para a Espanha visitar esse e aquele, e quer ir pra uma exposição na Alemanha - e eu estou me borrando de medo de enfiarem o cara pra ir comigo já que eu estarei indo sozinha dois dias depois do grupo porque tenho que cobrir pro meu diretor.

Gente, o cara é um jerk.

Sem falar que ele coloca perfilzinho em Linked In com uma foto onde ele está 15 anos mais novo e tinha ainda cabelo!

Tô espumando e preciso de muitas rezas de vocês.

Amém.