quinta-feira, janeiro 20

Tenho que


Eu tenho que acordar cedo pra vir trabalhar. Tenho que ralar muito o dia inteiro. Tenho que dar uma maneirada na hora do almoço e não atacar os donuts que vendem na cantina da empresa por míseros 70 centavos. Tenho que sair num horário razoável porque eu tenho que fazer o jantar. Tenho que dar uma arrumadinha na cozinha, tenho que dar comida pros piolhinhos e tenho que limpar o banheirinho deles ( odeio ). Tenho que ir dormir num horário razoável pra acordar cedo no dia seguinte.

Nesse meu dia de "tenho que" há pouquíssimo espaço pra fazer o que eu quero, o não o que eu tenho que, e uma das coisas que eu faço puramente porque eu GOSTO, porque eu QUERO, é ir pra cama uma horinha mais cedo, com meu tchutchuco e ler antes de dormir. Naquela horinha eu desligo do Fornecedor Bocarra, eu desligo do fogão que precisa ser limpo, eu desligo do Véio Chato que está doente me deixando com buracos pra tapar…

Desde os 14 anos eu leio em inglês. Comecei porque naquela idade eu gostava de Danielle Steel e houve uma liquidação na Siciliano de Pocket Books e eu comprei uns 10 por mixaria. Danielle Steel escreve pras donas de casa semi-analfabetas americanas, por isso, mesmo aos 14 anos, eu já conseguia ler. E depois disso, continuei lendo em inglês, visto que os livros eram mais baratos que os brasileiros. Eu adoro ler em inglês, adoro o som das palavras na minha cabeça, adoro os nomes, adoro os nomes dos lugares ( amo "Chesterfield", e que tal "Lake Tahoe"? ), ler em inglês dobra o prazer da leitura pra mim!

Jantando com as comadres, uma delas fala: mas você devia ler em holandês pra praticar. E taí, a última coisa que eu ainda fazia por prazer no dia, virou obrigação, eu TENHO QUE ler em holandês pra praticar. Na hora já disse "não, muito obrigada", mas estou limpando um armário, jogando fora os últimos livros de papel, e esbarrei num Danielle Steel em holandês, ainda embalado. Com o coração aberto pensei: vamos tentar de novo.

Gente, que castigo. Não tem a ver com a habilidade de ler em holandês, porque praquele livro meu nível de holandês é mais que suficiente. O vocabulário é muito fácil, as sentenças curtas, o assunto bobinho, mas gente do céu, que língua horrorosa.

Começa já no nome do livro. Em inglês, The Gift, olha que sonoro, de guífiti. Em holandês: het geschenk - êt res-rrenk. E a horrorozice do idioma só piora. Uma das piores coisas é que os nomes são mantidos em inglês, o que só evidencia mais a diferença entre o idioma sonoro e o idioma "estou com catarro na garganta". A mãe da criança se chama Lisbeth, eu acho lindo esse nome, mas no meio daquela sopa de palavras feias, dá vontade de chorar.

É que nem a dor de ver a coitada da CNN tentando falar do incêndio em Moerdijk. Lê-se Mur-dáiqui, ela disse mo-er-di-dji-qui. Mas não é culpa dessa coitada, como pode Moerdijk se dizer murdáiqui? É que nem o imbecil da minha rua, que teve um bebê na semana passada e o nome é Sjoerd. Agora me diga, se eu não te disser como se pronuncia essa merda, você vai ler como? Ssss-jo-er-d? Eu iria dizer assim: Sss-jo-er-d. Mas não, o correto é algo como Churd, ou um Chi-urd com um i bem fraquinho.

Pensei em baixar então um livro holandês da gema, uma das comadres lê muito Saskia Noort, mas quem diz que tem essa bosta no iso-hunt? E pagar pra ler essa porcaria feia do caramba, ni muerta!

Eis que assim sigo eu, continuo lendo o "et res-rrenk" ( het geschenk ) porque eu mereço sofrer e tenho sérias tendências sadô, e porque tenho miolo mole e gosto das historinhas bestas da Danielle Steel e estou com preguiça de procurar o arquivo em inglês na internet.

E só pra constar. No site da Band tem um programa em 5 partes sobre Amsterdam, contando com a participação de brasileiros que moram aqui na Holanda. Eu só vi 3 partes até agora, mas ó, neguinho ali tá na Holanda a muito mais tempo que eu e fala um holandês 100 vezes inferior, e na TV!!!! E eu fico aqui, me esfolando de estudar holandês pra melhorar meu sotaque medonho ( fui falar "ik heb de huur betald" - eu paguei o aluguel- e saiu "ik heb de hoer betald" - eu paguei a puta ) e a mulé pergunta o que é aquela guerra, ao invés de perguntar o que é aquele relógio, na TV, pra todo mundo ver!!!!

Preciso é polir a cara de pau que Deus me deu e dane-se o povo que rir do meu sotaque.

Toch?

Agora me digam aí, cês mandam ver na língua no país onde moram mesmo que imperfeito, vocês se escangalham pra aperfeiçoar, um misto dos dois, ou desistiram de vez? Sou só eu que quero falar a língua do país novo "bonitinho"? Tô sendo crica demais?

quarta-feira, janeiro 19

Eu sou Raquel e não Rutinha


Eu "se" divirto com a desgraça alheia.

No projeto brasileiro, o francês é responsável por preparar o roteiro que os executivos americanos vão seguir. Eles decidem quais fornecedores vão ser visitados, o Francês coloca num mapa e com os seus grandes conhecimentos de Brasil ( cof cof cof ) elabora a sequência de visitas, tentando geograficamente encaixar dois fornecedores por dia na agenda do americano.

Eis que liga o americano desesperado e vem o Francês me pedir ajuda. Fornecedor X fica na Avenida Pompéia, Pompéia - SP, o Francês jogou no google maps, apareceu uma cidade perto de Marília, ele mandou o americano pra lá.

Já viram pra onde essa história tá indo?

O americano chega na Avenida Pompéia da cidade de Pompéia, perto de Marília e tem um posto de gasolina no lugar. Ele liga desesperado pro Francês e o Francês tá aqui em pé na minha mesa desesperado, eu nem sabia que tinha Pompéia perto de Marília, eu só falei: Avenina Pompéia… deve ser perto do SESC… e o Francês: como assim? Eu: ué, em Perdizes. E o Francês: como assim? Eu: ué, cê quer ir pra Avenida Pompéia, na Pompéia, o SESC é na mesma avenida, em São Paulo. O Francês: capital? Eu: ué, claro! O Francês: mas o google mostra uma cidade no interior… Eu: você checou se o prefixo do telefone é 011? O Francês: Merde, nem pensei nisso! - olha o telefone do fornecedor - merde merde merde, é 011!

Ha ha ha. Sim, é pobreza de espírito minha, estar com tamanha dor de cotovelo que me divirto com a cagada do Francês, mas tô pouco me lixando… foi engraçado pacas…

Agora tá lá, CEO de uma empresona grande na Pompéia, em Perdizes, na Capital, esperando um americano e o americano quase na divisa com o Paraná, na Avenida Pompéia da cidade de Pompéia, perto de Marília.

Ha hah ha ha haaah aha ha

Cadê o Tonho da Lua pra dizer que eu sou Raquel e não Rutinha?


terça-feira, janeiro 18

Mimimim...mimimi...mimimi


Dr. Alice, no seu pitacolog ( o 1 ou 2 palavrinhas, primeirão na listinha dos links ali do lado ) fez um lindo post falando do tio velhinho.

Eu não escrevo tão bem quanto a Alice, mas tcheu contar mais um dos "causos" da minha família.

Eu só tenho uma avó viva, a por parte materna. Não é porque é minha avó, ou porque é velha, que eu tenho que achá-la legal e bondosa: ela sempre foi ruim que é o cão.

Dizem que as dificuldades endurecem a pessoa, mas sinceramente eu acho é que é o caráter mesmo, afinal, minha avó paterna, já morta ( e que também não era uma santa ), foi a mais feia de 4 irmãs, casou só porque disseram que ela era feia e estava ficando velha, ficou viúva com um filho de 12 e outro de 5 pra criar, casou novamente, em poucos anos ficou viúva de novo, lavou roupa pra fora até depois dos 60, sem máquina de lavar! Mas minha avó paterna sempre tinha uma piada na ponta da lingua, estava sempre pronta pra ajudar os filhos, e não sabia o que fazer pra agradar os netos.

Minha avó materna, a bicho-ruim, só se alegrava por um motivo na vida: dinheiro. As filhas foram trabalhar em casa de família aos 7, 8 anos. Adultas, as filhas  tinham que dar metade do salário pra mãe, e minha tia S. foi a "endemoniada" que se recusou a fazê-lo. Essa tia "endemoniada" conta das surras que levavam, coisa dos vizinhos entrarem no meio pra defender as crianças.

Eu a vejo e só enxergo uma mulher que não dava tapinha pra educar, mas despejava nos filhos as insatisfações da vida dela. Não vejo uma mulher que batalhou pra criar os filhos, mas sim uma mulher que assim que pode botou as filhas pequenas, a custo dos estudos que foram muito mal, pra ganhar uma graninha pra ela viver um pouco melhor. Não vejo uma mulher que se alegrava de ver os netos bem, mas se ressentia de nós termos uma vida mais confortável que ela própria.

Isso entretanto, é coisa que não me importa muito, porque minha avó materna sempre foi uma pessoa muito distante, quase inexistente, e agora mais e mais. Só evito o assunto com a minha mãe, já que além da avó ser  mãe dela, minha mãe fala como se a velhice tenha apagado o passado ruim, a tenha tornado uma bondosa velhinha…

Anyway… Assim como o tio da Alice, minha avó está ficando esclerosada, meio demente. Ela também esquece coisas. Ela mora numa casa com meus dois tios, e no quintal ficam as casas das minhas duas tias, ou seja, ela está sempre rodeada de gente. Só que ela quer fazer as compras da casa ela mesma, porque ela está sempre desconfiada que se alguém o fizer, vai comprar as coisas no lugar mais caro, ou vai ficar com o troco… e cês sabem né, a véia é louca por dinheiro… Eis que ela vai fazer as comprinhas dela, pão, carne, e dá as notas de 50 achando que são de 5. No bairro pobre que vive, alguns são honestos e corrigem o erro, outros se aproveitam e embolsam a grana. Às vezes, ela chega em casa, vai contar o dinheiro dela e percebe o que fez, ou então ela vem reclamar pros meus tios que o dinheiro acabou, e os tios explicam então que ela está fazendo besteira com o dinheiro. Já falei pra trocarem todas as notas de 50 por notas de 5, mas meus tios são também uns cabeçudos. E a véia chóóóóóra. Vai no cantinho e mimimi…mimimi…mimimi… Chora porque tá sem dinheiro, chora porque tá dando dinheiro fácil pra larápio, chora porque cadê o "my precious" dinheirinho dela??? E minha mãe acha que devem levar a véia pro psiquiatra pra tomar antidepressivo, porque a véia só chóóóóóóra.

Agora vejam. Ela não chorou quando a filha teve um aborto. Não chorou quando a outra teve um bebezinho que morreu aos 4 dias de vida. Não chorou quando as irmãs foram morrendo uma a uma. Caramba, não chorou quando o marido morreu! Mas ela chora porque sacanearam no troco da padaria.

Me chamem de ruim, vai ver que é genético, mas eu não deixo de achar interessante a justiça poética da situação.

Ela mimimi…mimimi…mimimi… de lá, e eu ririri…ririri…ririri de cá.

:o)

segunda-feira, janeiro 17

Lesgueláu


Lesgueláu = let's get loud ( música da J-lo, cantada loucamente por uma animadora de piscina dominicana que não falava inglês ). Pra ela, lesgueláu era "vamo se mexer, povo!"

Lesgueláu, então.

É viagem pra Alemanha, 6 horas de volante no meio daqueles loucos autobahnzeiros.

É test-drive de carro novo.

É zolder que precisa ser feito.

Tem que rolar muito Lesgueláu.

Sem falar das férias de maio, que se eu não reservar agora vão pro babau ( babau combina com Lesgueláu ).

A empresa, olha o sinal de que a economia está melhorando, vai dar bônus por lucratividade esse ano. Não o bônus integral, a metade, mas já é alguma coisa, certo? E sabe o que eu quero fazer com o meu bônus? Substituir a grama do jardim por grama artificial. O "cerumano" tem que se lesgueláuzar muito pra manter grama de verdade bonitinha e verdinha, pra nós, até agora, ela só trouxe briga. Tem que cortar, tem que ventilar, tem que adubar, tem que tirar a erva daninha, tem que rezar e fazer dancinha da chuva ( no nosso caso, do sol ). Não, não vale a pena. Aliás, aqui a grama artificial se chama kunstgras, sendo que kunst é também a palavra para "arte" no sentido de obra artística, então pergunto eu: seria uma grama artificial ou uma grama artística? Só sei de uma coisa: grama natural não é criação de Deus. Ponto final. E eu vou de grama artística :o)

Apesar de eu admirar a prudência da holandesada, que poupa, que planeja, que pesquisa preços, eu não deixo me entristecer um pouco quando vejo algum colega dizer que vai guardar o dinheiro do bonus. Sei lá, em alguns casos o cara já guardou o dinheiro das férias e ficou em casa, guardou o décimo terceiro, vai guardar o bonus. Acho legal quem faz isso com um plano bem concreto a curto prazo, como a assistente do departamento que está guardando e economizando para uma super viagem de 6 semanas pela Austrália, mas ficar guardando só pra ver a conta da poupança engordando, sei lá. Ah, é tão legal se dar um presente bobeira de vez em quando… quer coisa mais bobeira do que grama artística?

Eu acho os holandeses ultra conservadores com dinheiro, acho que poupam bastante, e admiro muito isso. Vindo da cultura "Casas Bahia", acho bom mesmo o povo que guarda e compra o que precisa à vista. Diz o meu funcionário Senhor que cada vez mais a holandesada está se deixando levar pelas propagandas de TV e está se enfiando em financiamento. Acho isso perigosíssimo, ainda mais em tempos de crise. Aliás, vi um programa tragi-comédia americano chamado Repo. Repo é quem vem pegar o bem que não foi pago de volta. Nesse caso era o carro de uma dondoquinha inadimplente, um BMW conversível. E saiu palavrão, xingamento, até chave de pescoço e tapão rolou! Muito deprimente que até disso tenham feito em realityshow.

Bom povo, tcheu lesgueláu daqui, você lesgueláu daí e vâmo cuidar da vida que a morte é certa.

Lesgueláu nessa segunda!

domingo, janeiro 16

Idiota tem em qualquer quanto

Não é porque a criatura tem blog, facebook e twitter que ela é inteligente.

Não é porque o blog tem trocentas visitas por dia, o facebook vai daqui à Lua, e no twitter a pessoa tem 4000 seguidores, que a pessoa é inteligente.

Dentre nós, blogueiros, tem muita gente imbecil ( quiçá encaixa-se aqui a autora desse humilde blog ), gente que parece cool, viajada, gerentão, mas que fala cada asneira de deixar até o pobre asno de boca aberta.



A foto acima é uma sugestão de viagem pra certas pessoas, já que só essa foto valeria o passeio.

quinta-feira, janeiro 13

Desesperançosa...


Eu tinha feito um post enorme, dizendo como nunca nada muda no Brasil, todo ano as mesmas enchentes, e o povo reclama dos políticos, e a media mostra os rios, encostas e bueiros todos entupidos por lixo que a população joga, e iata iata iata.

Mas ó, dá raiva de ver tanta gente legal reciclando, ver a molecada no shopping jogando o hamburguer num cesto e a caixa do hamburguer no outro, uma parcela da população tentando fazer a parte deles, e aquela pobraiada do caramba jogando lixo em tudo que é terreno baldio, aliás, em tudo quanto é lugar.

É vergonhoso andar por lindas praias e achar tantas daquelas malditas sacolinhas de supermercado, tanta garrafinha vazia de água, tanta tampa de garrafa e bituca de cigarro na areia.

Às vezes olho pro meu próprio país e penso: não, não tem jeito.

Quer apostar que em 2021 vamos ter as mesmas enchentes, as mesmas reportagens do lixão flutuando na enchente, do mesmo povo sendo soterrado nos morros do RJ?

É por essas e outras que quando me perguntam se eu quero ir como expatriada pro Brasil eu respondo: de férias sim, pra morar, nem morta!




quarta-feira, janeiro 12

Não querendo ser crica...

Mas o que é que você espera de um Bed and Breakfast que anuncia que tem piscina e quando você abre a foto tem uma foto de uma fulana numa piscina Regan? Acham que eu estou brincando? Claaaaaaaro que só podia ser na Itália:

http://www.holiday-rentals.co.uk/p630689


Estou pesquisando a região da Toscana, eu queria alugar um apartamentozinho, como fizemos em Bellagio e em Amalfi, mas não tô encontrando...

segunda-feira, janeiro 10

Uia!

Uia! Devo estar à beira da morte, um médico holandês me deu antibiótico!

A médica escutou minha saga, auscultou-me, olhou bem minha moribunda face, e me deu um tal de doxycycline, antibiótico. Pensei: devo estar nas últimas.

E vendo que eu estava à beira de um ataque de nervos ( e provavelmente já ciente da minha ameaça de me abarrancar na sala de espera naquela manhã ), deu-me ainda comprimidos de codeína. Achei que codeína nem fosse permitida na Holanda...

Ela me disse que a codeína vai me ajudar bastante a dormir, então essa noite promete.

Se eu morrer, pelo menos presenciei um milagre em vida: alguém sair do consultório médico holandês sem uma receitinha de paracetamol.

Vamos todos juntar as mãos e cantar a musiquinha do Tim Tones.

SUS

Finalmente amanheceu o dia. Foi ( mais ) uma noite terrível, era só deitar e eu não conseguia respirar, a tosse que não me deixa um segundo, peito - ombros - abdomen doem como se eu tivesse corrido a maratona de NY.

Mas... com o raiar do dia vem o bendito horário comercial, no qual eu posso ligar para a minha médica huisarts. Após 15 minutos de espera telefônica, ouço da assistente que só tem horário pra amanhã, isso depois de ter rezado toda a ladainha do "estou passando mal, acabei de chegar da américa do sul, o huisartsen post me mandou esperar e ligar pra vocês hoje". Depois de muito suplicar, pedir, implorar e ouvir não não e não, comuniquei que iria ao consultório, sentaria na sala de espera ( com todos os meus viruses sul-americanos ) e esperaria um dos médicos ter uma "brecha".

Como aqui isso não se faz, a mulher - não duvidando que eu, imigrante louca, realmente passaria o dia espalhando minha doença pelo consultório de gente já doente - arrumou um horário as 2 da tarde, já me informando que terei 10 minutos e pra não chegar atrasada.

Qualquer semelhança com o pronto socorro central de SBC é mera coincidência. Pelo menos no Brasil o SUS é de graça.

Engraçado é que parece que tudo quanto é médico resolveu me sacanear. Conversei com a Alice ontem pelo MSN, e ela me indicou como medida terapêutica uma série de exercícios de yoga, e considerando meu estado debilitado ( mal consigo subir os 13 degraus da escada de casa ) me mandou fazer "só" a tal da bridge: você fica de quatro, mas só que de barriga pra cima ( isso só já seria o desafio do ano ), joga a cabeça pra trás, levanta a perna direita formando um ângulo de 45graus ( ficando então não de quatro de barriga pra cima, mas de três ) e manter a pose por 2 minutos.

Quando eu digo que médico acha que gente é robô, ceis acham que eu tô sendo é uma véia ranzinza.

Blé.

domingo, janeiro 9

Por um mundo um pouquinho mais humano

Quem mora aqui fora tá sempre comparando "aqui é assim, lá é assado". Quando a gente vai ao Brasil, sempre perguntam: como se faz isso lá?

Li uma matéria francesa sobre o governo do Lula e os desafios do governo Dilma e eles diziam que no Brasil a questão da saúde são duas realidades em paralelo: a de quem pode pagar e a de quem não pode.

Enquanto eu vivi no Brasil tive o que era na época, o melhor convênio médico do país. E agora, vejo a minha mãe, que está no extremo oposto, ou melhor, só não está no extremo oposto porque de uma forma ou outra ela ou nós, os filhos, bancamos o tratamento particular.

Nessa última ida ao Brasil eu pensei que talvez a medicina-robozinho da Holanda é que esteja certa. Essa medicina, toda cheia de estatísticas, e de regras, e de prazos, iria garantir a minha mãe o direito de ir a um médico razoável, fazer seus exames numa policlínica boa e de fácil acesso ( lá em SP cada hora minha mãe tem que ir pra um lugar mais difícil que o outro pra fazer exames, e ficar indo de um lado pra outro com dor não é fácil ), iria sair do consultório médico com seus remédiozinhos na bolsa sem custo ou com custo mínimo e ao precisar de cirurgia iria utilizar um lindo e aparentemente muito eficiente hospital ( o Hospital aqui de Eindhoven é ótimo, dizem ).

Ninguém iria perguntar pra ela se ela está se sentindo bem depois do exame de sangue e oferecer um suquinho de laranja, ela não teria direito a um acompanhante quando fizesse cirurgia, e claro que estariam acompanhando o desenvolvimento da velhice dela em um chart estatístico de algum bureau qualquer. Mas bem, como diz sei lá que político holandês, outro país, outros costumes.

Desde segunda feira passada estou com o que parece ser a garganta inflamada, febre e tosse. Esperei uma gripe pior vir, mas ficou assim mesmo. Não precisei ir a médico algum, eu me auto-paracetamolizei. Faz quase uma semana, e nada melhora, só piora. Continuo tendo essa febre que vai e volta, a tosse está pior, a garganta também parece bem irritada, mas já não era pra ter melhorado? Sem conseguir respirar direito, e com a capacidade pulmonar de uma abelha ( até subir as escadas está difícil ), já cansada com essa dor no peito de tanto tossir, decidi marcar uma consulta essa manhã no posto médico, que é um posto que abre para atender casos mais ou menos de emergência, visto que os médicos de família só atendem em horário comercial.

Minha preocupação era apenas em que o médico visse minha garganta e me dissesse se é isso mesmo que está causando os sintomas, porque tá demorando demais pra curar! E eu fico pensando, estou voltando do Brasil, e se for alguma doença tropical? Ou então, e se eu penso que essa febre é da tal dor de garganta, fico mascarando sintomas com paracetamol, mas é alguma outra coisa?

Pôxa, eu não só só um amontoado de ossos, carnes e sangue, um robozinho orgânico, tem uma pessoa aqui dentro, que de vez enquando precisa ter sua mão segurada e seus nervos apaziguados, e precisa que outro ser-humano, que foi TREINADO para dar assistência médica a outro ser humano, olhe sua bendita garganta e diga: nossa, tá vermelha mesmo, tome paracetamol e um xarope também que logo vai passar, não se preocupe que mais que isso não é. Ou então que olhe a bendita garganta e diga: tá feia mas tá sem inflamação, a febre deve ser de outra coisa, vamos ver o que pode ser, mas não se preocupe que encontraremos a razão.

Mas não, claro que eu liguei e me disseram pra consultar minha médica amanhã. Claro que a menos que os sistemas do robozinho estejam obviamente dando pau, e que não haja esperanças de dar um boot e tudo voltar ao normal, que o robozinho tem mais é que ficar aqui quieta sem encher saco deles. Aliás a falha foi minha, que OUSEI ocupar o tempo deles com algo tão banal quanto uma dor de garganta que não passa.

O que aquele povo tá treinado pra fazer é uma borracharia de auto estrada: você vai lá com seu pneu furado, o carro sem poder andar, e eles remendam o pneu até você poder comprar outro. Não ouse aparecer com o pneu meio murchinho, espere ele furar de vez ou vá encher na bomba do posto, mas não encha o saco porque essa borracharia é muito, muito cheia, ocupada e importante.

Tenho certeza que se fizerem um campeonato mundial de bed-side-manner, holandeses ficam na rabiola. Seriam assim uns doutores House MD, sem a genialidade do mesmo, claro.

E assim fico eu, tossindo my lungs out, até a abertura do horário comercial.

E ó, pago 200 euro-paus pro mês de assistência médica, viu!

Aprendendo de cá, entendendo de lá

Nessa minha última visita ao Brasil, algumas "adaptações involuntárias" ficaram super claras, teve muita coisa do hábito holandês que eu senti falta no Brasil. Da mesma forma, durante o ano, encarei diferenças culturais que eu tenho certeza que não importe quantos anos passe eu não conseguirei entender, apesar de ter que aprender a respeitar.

Depois das duas semanas de resort all inclusive, com fartos buffets, mal amanheceu o dia em SP e fomos praticar o esporte favorito do paulista: shopping-center-maratona.

Eis que após comprinhas básicas, no dirigimos para a área de alimentação do shopping, Bart, minha mãe e eu, com a intenção de comer algo nutritivo mas leve, visto que naquela noite iríamos ao tradicional São Judas Demarchi.

Minha mãe queria camarões, e acabou escolhendo um prato da Cia dos Camarões, e acreditem, nenhum deles tem salada! O tradicional holandês carne-batata-salada, no Brasil é carne, arroz, batata, como se batata fosse um vegetal ( o que é ) ao invés de um coisa ali, cheia de carboidratos. Você pode escolher vários tipos de camarões, até o tamanho dos camarões, e eles sempre virão acompanhados de arroz e um tipo de batata a escolha. Achei estranhíssimo e uma bomba "carboidradística".

O marido queria de qualquer forma algo que tivesse bastante salada, e rodamos, rodamos, e necas! A opção seria os restaurantes por quilo, com filas homéricas e preços assustadores, ou então o Subway, que está se popularizando muito no Brasil. Na fila do Subway, duas pessoas perguntaram para o atendente se podiam substituir as saladas do sanduba ( que é a marca registrada do Subway ) por mais carne ou queijo, e diante da negativa pediram só umas folhinhas de alface, deixando de fora todos os outros vegetaizinhos suculentos.

Isso sem falar no número de pessoas que comem uma tranqueira qualquer e se consideram "almoçados". No Carrefour de SBC, há mais de 10 anos o próprio mercado colocou um standzinho de sanduíches feitos na hora: usavam assim os frios que estariam para vencer naquele dia e que iriam para o lixo. O tal stand foi proibido pela vigilância sanitária, o principal motivo era vender frios com a data de validade próxima crus. No lugar desse stand, o Carrefour abriu um quiosque de pastéis. São enormes, bem recheados, e custam 2 reais. Minha mãe conta orgulhosa que pelo menos 2 vezes por semana passa lá, compra um iogurte pra tomar com o pastel, e por menos de 3 reais "tá almoçada". Eu fico pasma. Cadê as fibras, as vitaminas, e o colesterol, e a dor no estômago?

Comprei em Holambra uns peitos de frango caipira, e entrei na internet, sites brasileiros, para ver alguma receita saborosa para fazer com os bonitões. Gente, vocês notaram como em tudo brasileiro coloca catupiry, requeijão e creme de leite? Quando eu era mais nova, creme de leite era ingrediente nobre, usado muito de vez em quando, só tinha mesmo o da Nestlé, agora virou banana, em tudo quanto é canto tem! Agora imaginem se alguém ía sentir o sabor do meu frango caipira com latas e mais latas de creme de leite e requeijão na mesma receita?

E a dulcilidade dos doces brasileiros? Putz, é tanto leite condensado, mas tanto, que dá até arrepio! Ana Maria fazia na TV um tal mousse de pão de mel, que além do pão de mal picado, levava creme de leite, leite condensado e mel ( ughhhh ). E pra rechear, uma ganache de chocolate ao leite com creme de leite. Engordou só de ouvir?

E ó, não dá pra entender, pois saindo da Grande São Paulo, qualquer um com jardinzinho chulé planta verdurinhas, frutas, até meu pai que é um jardineiro muito lambão tem tudo quanto é fruta na casa dele, então porque essa mania de colocar coisa de latinha, açucares mil, cremes mirabolantes no que puro ou puxadinho de leve num fio de azeite fica dos Deuses?

No fim, o brasileiro acha que o Brasil é a terra da comida farta e maravilhosa, se gaba dos churrascos ( cuja carne, aos 50 reais o quilo, tá chegando no preço da carne aqui na Holanda ), mas pô, tão comendo mal pacas!

sábado, janeiro 8

Caros Leitores

Caros leitores,

Vão desculpando aí o sumiço, mas é que eu tô bem macambúzea.

Desde quarta estou com uma febre doida que chega aos 39 ( nem é tão alta ) e só baixa com o fatídico Paracetamol. Atribuí a uma recaída da gripe que tive na Bahia, agravada pelo ar-condicionado do departamento ( ou falta de aquecimento apropriado ) que é muito forte às segundas ( o aquecimento não é ligado durante o findi ).

Acontece que a gripe em si, de espirrar e ficar com o olhão e nariz congestionados, não veio. A garganta só tem agora uma tosse seca, mas a febre persiste. Dormir é um calvário, me dá o frio do Alaska, eu tomo Paracetamol, me dá o calor do Senegal. Ninguém merece.

Modos que, além de não fazer nada esses dois dias, o que justifica a ausência de posts mesmo tendo tanta coisa pra contar, estou bastante decidida a amanhã entregar os pontos e ir ao posto de saúde. Estou achando que, como eu não estou à beira da morte, eles vão é me mandar tomar paracetamol por telefone mesmo ( você tem que ligar antes de ir ), mas acho que vou tentar.

Putz que post chato.

E o pulso ainda pulsa.

quarta-feira, janeiro 5

E o que eu achei do Brasil?


Bom, mais tarde eu vou contar a saga dos resorts em Imbassaí e Porto de Galinhas, mas me perguntaram o que eu achei do Brasil depois de dois anos…

Tem coisa boa. Os pobres estão menos pobres, as favelas ainda estão lá, mas pelo menos em SP é raro ver um barraco ainda de madeira, o povo tá usando a graninha a mais pra realizar o sonho de ter "casa de tijolo", o que é sempre melhor do que aqueles barracos que por qualquer coisa pegam fogo. Outros, deslumbrados com o recém conquistado poder de compra, esquecem da prudência e caem no consumismo desenfreado. Um exemplo é a Janilda, nossa antiga empregada ( e ainda faxineira da minha mãe ). Ela tá ganhando pensão do pai da filha, tá ganhando o tal salário-família, e faz uma boa graninha como faxineira, já que em SP cobra-se de 80 a 100 reais numa faxina. Imagine que até um tal de vale-gás agora tem ( eu viva patrocinando os bujões de gás dela ). Janilda continuou no seu barraco de madeira mas comprou TV nova, DVD player pra filha, e sofá nas casas Bahia, aí com as chuvas de novembro passado o barraco dela desabou e ela está na rua da amargura. Well, milagre também o Lula não faz, né?

Os antigos semi-pobres compraram seus carrinhos, e lugares com SBC, que tinha muito semi-pobre, tem congestionamento em todos os lugares, em todos os horários. Aliás, infra-estrutura continua precária sem muitas expectativas de melhorar, achei que por ser ano eleitoral eu veria milhões de obras, mas necas de catipiribas. Aliás, SBC virou uma selva de prédios em construção, e todos de alto-padrão. Vai faltar chão pra essa gente toda, que nem Copacabana.

A criançada deve estar estudando e sendo criança, porque não vi uma nos faróis, até o fatídico da Bandeirantes com a Jurupis estava desprovido de malabaristas-mirins. Muito bom.

São Paulo está ultra bem sinalizada, e os buracos da Marginal Pinheiros não existem mais. Ano eleitoral, ou mudança mesmo?

A classe média tá mais reclamona do que nunca. Reclamam das empregadas que não trabalham mais pra ganhar 200 contos, reclamam que o filé-mignon chegou aos 50 mangos o quilo, que uma blusinha no shopping não sai por menos de 70 paus, que o PT não investiu em escolas ( como se eles fossem tirar seus filhos do Grade, Bandeirantes e Porto Seguros ), é um iata-iata sem fim. No entanto, compram compram e compram. Não fazem outra coisa, aliás fazem, reclamar. E só falam do que já compraram ou do que vão comprar. As polos Lacoste de 140 reais tamanho infantil já estão breguinhas, o negócio agora é Tommy Hilfiger. E os bichinhos vão todos pro coifure serem banhados e penteados, dar banho em cachorro com mangueira no quintal, só mesmo na casa do meu irmão e no Bono, porque o collie Jack também vai pro salão. E ó, doce-de-leite Itambé só pros pobres, classe média só compra Havanna ( nem sei com quantos n's é ). E falam das viagens a Buenos Aires como se falassem do bate-e-volta pra Praia Grande. Logo a Dilma anexa a cidade argentina ao território nacional. E se o Obama bobear, a Dilma compra Orlando também, duvido que tenha sobrado espaço pros americanos pras bandas de lá. Aliás, um pivete de uns 7 anos me corrigiu: é pra Kissimmee que a gente foi, não Orlando. Moleque atrevido!

E tudo o que é importado custa o dobro ou mais do que custa aqui. A intenção do governo é proteger a indústria brasileira, mas tolinhos que são não contam com a sanha consumista do seu povo. Ipad dos xulé ( 16 giga sem 3G ) por € 1.400 na FNAC, e na fila do caixa tinha 4 pessoas com a caixinha na mão. A camiseta da Nike que o marido comprou na V&D por 20 eurecas custa 89 reais da Decathlon. Não mais reclamarei da muambação dos brasileiros em terras européias, comprem mesmo que aqui precisa-se das divisas.

Passei maus bocados em aeroportos brasileiros, e olha que seguindo o conselho de tantos, comprei passagens da TAM ( as mais caras ). Essa história também conto outro dia, mas só um milagre mesmo pra nos deixar meio-prontos pra sediar a copa.

Mas, all-in-all, achei o povo mais feliz, mais esperançoso, e isso é o que importa. O povo trabalhando, a criançada estudando, e a passinhos tímidos, o país tá indo pra frente. O rei Roberto, dizem, está namorando uma ninfeta, a Ivete ou tá grávida de novo ou enfiou o pé na jaca ( amiga da Alice ) depois do show em NY, a Claudia insuportável Leitte continua insuportável, e a novela ti-ti-ti tá um barato. Vão reprisar O Clone, o Faustão tá magro e aquele garoto do video show tá gordésimo, a Cleo Pires e o tal Fiuk são a cara do pai - e pelo menos a tal Cleo é uma atriz menos canastrona. Putz, a Marília entrevistou o Giane e eu perdi. E enquanto eu estava no Brasil, morreu o Quércia.

Ó povo, podia estar pior, então tenhamos fé.

terça-feira, janeiro 4

Pegando no tranco

Será que sou só eu que ao voltar de férias me sinto tão desconectada, parece que não entendo mais nada, e que pra funcionar só se jogar ladeira a baixo em primeira e fazer pegar no tranco?

Nesse meu segundo dia de trabalho já estou me perguntando se quero mesmo me estressar e viver como uma tresloucada para cima e para baixo ou se já começo a delegar, selecionar os assuntos nos quais quero ( e devo ) me envolver ou não.

Eu nunca fui de ficar fazendo balanços anuais ou promessas de ano novo, não entendo essa necessidade de alguns de marcar data pra analisar as cagadas ou bolas dentro de um determinado período, pra mim 1 de janeiro é só mais um dia, aquele depois do 31 de dezembro. O que é importante pra mim é esse periodo de pausa, de férias, de você se distanciar da sua vida profissional e se perguntar: como andam as coisas, estou feliz, o que preciso melhorar, onde minha carreira está indo, o que eu fiz certo?

Minha reflexão está sendo agora, nessa volta ao trabalho. Preciso deixar certas coisas do meu "antigo" trabalho, mesmo que eu goste dessas coisas, pra trás e me dedicar à nova função, embora muitas partes, por ainda desconhecer, eu não goste. Eu preciso deixar de ser control freak, e confiar que não sou só eu que tenho meio cérebro e sei fazer as coisas direito.

Hoje o francês que está no projeto brasileiro veio mexer na minha linha de produtos, da qual ele não entende nada. Essa é uma ferida que ainda dói e eu tenho que meditar muito, pensar muito em como vou lidar com essa situação.

Queridos leitores, essa vida de imigrante proletária na Holanda não é fácil. Estou sofrendo, tadinha d'eu.

segunda-feira, janeiro 3

Férias é que é bom!


Coisas irritantes que tornam a volta ao trabalho depois de 30 dias de férias um saco:

1) Esse povo todo vindo te desejar Feliz Ano Novo. Ninguém faz nada o dia todo, fica só apertando a mão e beijando os outros. Beste Wensen my ass!

2) Você "empresta" seu lugar para um funcionário novo até ajeitarem o dele, e quando chega o cara ainda está no seu lugar, embora o dele já esteja pronto ( o meu é melhor localizado e minha mesa maior ). Como se não bastasse, o cara ainda mudou seu monitor e docking station de lugar, deixou seu DECT fora da base e a bateria morreu.

3) 463 e-mails, essa é a punição pra quem OUSAR sair de férias.

Mas eu jurei que esse ano não serei o Ranzinza da Branca de Neve. Apertemos as mãos ( mas beijo tô fora, cada véio caquético! ), arrumemos a mesa de volta ao normal, e os e-mails, bem… esses a gente metade lê e metade deleta, ou coloca naquele folder láááááá escondido pra alguma eventualidade.

E o ano será dos bãos, porque quem vier me encher o saco vai ouvir: rebolation-tion, rebolation-tion…

sábado, janeiro 1

E começamos mais um ano aqui na terra gelada da Holanda

Todos os anos passamos o mês de dezembro praticamente todo de férias, e sempre em algum paraíso tropical. A cada 2 anos, vamos ao Brasil rever a família e conhecer mais do país.

Sempre tiramos 2 semanas para viajar sozinhos pelo Brasil, e todas as vezes fomos para as praias do nordeste. É lá que despejamos os maus fluídos acumulados pelo excesso de trabalho, pelas preocupações com a casa, carreira, e todas aquelas coisas chatas do dia-a-dia. Essas 2 semanas são fundamentais para manter a sanidade da gente e do nosso casamento.

Esse ano, apesar de problemas com os dois hotéis que escolhemos ( contarei numa outra oportunidade ), aproveitamos bem nossas duas semanas.

Passamos então 2 dias em São Paulo, o suficiente para eu rever alguns amigos e parentes, e fomos pra Holambra.

Em Holambra, estão meu irmão, cunhada e sobrinhos ( humanos e caninos ). Meus sobrinhos estão uns moços! Não sei se meu irmão soube criar, ou se deu sorte, mas são super legais esses meus sobrinhos. Bons alunos, inteligentes, engraçados, super família, umas graças.

Meu irmão chega do trabalho e vejam só, vai tomar cerveja na piscina. Onde, nos meus mais loucos sonhos, eu achei que um dia eu ía chegar do trabalho e ir tomar cerveja na piscina?

Mas sabe, no dia de virmos embora desatamos no choro não por todo o conforto material que estávamos deixando atrás, mas sim porque sabíamos que íamos sentir falta de jogar PS3 com o Bruno, de ficar falando bobeiras com a Fernanda, de jogar bolinha com o Bono, de zanzar com o irmão pra cima e pra baixo...

Chegamos ao aeroporto uns trapos emocionalmente, e ao fazer o check in ganhamos um upgrade para a classe executiva. Aquele atendente que nos deu o upgrade ( o avião deu overbooking e escolheram as pessoas que pagaram a mais pelo comfort class para dar o upgrade ) não sabe como ele salvou o nosso fim de ano, porque sempre foi o sonho do Bart viajar de executiva.

Pode parecer bobeira, mas estávamos pra baixo mesmo e a perspectiva de um vôo especial levantou bem nossa moral. O vôo foi tudo de fantástico. Poltronas um absurdo de grandes e confortáveis, é até imoral pensar no desconforto do resto do avião. O jantar você pode escolher de um menu, assim como o café da manhã, e bebidinhas são servidas o tempo todo em tacinhas. Mas o mais importante é o conforto mesmo. Eu jantei e nem consegui chegar na sobremesa, reclinei a cadeira ( reclina a 170 graus ) e dormi. Acordei faltavam 80 minutos pro fim do vôo, nem acreditei.

Chorei já de saudades, e de pensar na falta que todos eles me farão, já no avião mesmo. E no trem, e chegando em casa. E vira e mexe me pego com lágrimas nos olhos de novo.

Essa foi a primeira vez que questionei minha decisão de vir morar na Europa.

Será que sou só eu que passa por depressão pós-retorno? E se alguém aí tiver o mesmo, quanto tempo a gente leva pra engrenar na rotina de novo, hein?

Estava ( e estou ) tão deprê que nem fiquei acordada pra ver os fogos. Acordei com a barulhada, tentei ver alguma coisa mas a neblina não deixou, voltei pra debaixo do edredom.

Quero minha mãe, irmão, cunhada, sobrinhos e cachorreeeenhos. Buahhhhhh.

sexta-feira, dezembro 10

Sorria, voce estah na Bahia

Dizem que o ser humano jamais se sente tao feliz em algum outro lugar que nao o lugar onde foi criado. Eh verdade, porque apesar de gostar muito da minha Eindhoven, tudo se encaixa, toda a preocupacao se alivia quando chego em Sao Paulo.

E nessa segunda passagem pela Bahia, eh aqui que me sinto deslumbrada, que olho pra todo lado e me sinto sem palavras pra descrever a beleza do lugar. Dirigindo pela linha verde, vendo os coqueiros a distancia, que lugar! O vilarejozinho de Praia do Forte me faz sentir em casa, quando cruzo o portal nao consigo interromper o sorrisao do rosto.

Estou num hotel rodeada de pobres e ricos, ou melhor, classe media. A cada vez me sinto mais um ET. A moca do bar, que deve ser parente proxima da Claudinha, me contava que vai mandar um CV pro hotel Iberostar porque aqui ganha 590 reais e lah ganharia 700, e que com a diferença poderia colocar portas na casa que estah construindo. De outro lado, a moça de classe media me conta que tem uma amiga que esta vivendo de fazer compras na Europa e revender no Brasil, e que ela traz camisas da Tommy pro filho dela por soh 80 reais. O filho dela tem 4 anos. Eu fiquei pensando, compre camisas de 30 reais pro filho e coloque a diferenca numa conta de poupanca e quando ele fizer 18 anos dê um apartamento pra ele.

Nunca tinha percebido como a classe media brasileira superficial, mas estou cada vez mais chocada. Não entendo o porque dessa mania com produtos importados, essa necessidade de mostrar etiquetas. E já que se quer mostrar etiquetas, que se mostre etiquetas nacionais. Gente, vi tanta coisa legalzinha aqui, tanta roupinha legal de artesães locais, os chinelos e rasteirinhas, as saidinhas de praia, dá vontade de comprar tudo! E neguinho aqui indo pra piscina com vestidinho Burberry. Não entendo!

Eu acho que talvez eu fosse ser assim tambem. Sou classe media paulista, a pior que há. A Yolanda ( como diria a Alice ) me curou!

Agora vou cuidar da vida. Está chovendo cântaros aqui, e demos graças a Deus porque estamos os dois gripados, nariz escorrendo e olhão vermelho.

domingo, dezembro 5

Breve parada em SP

Saimos de Schiphol ontem com 3 horas de atraso. Nao entendo porque eh que deixam a gente esperar dentro do voo ao inves do saguao. Foram 15 horas naquela poltrona e eu agradeco aos deuses os cm a mais da comfort class. Quase morri de fome, porque jah entrei no aviao com fome esperando a primeira refeicao, e a comida disponivel ao inves de durar 12 hrs teve que durar quase 16.

Chegamos em SP e minha mae, tia e primo estavam aqui esperando pra pegar uma mala de presentes, e logico pra nos ver.

Dormimos no hotel Caesar Business, e apesar do preco salgado eu recomendo. Tem todo o espaco que o Citzen M ( que ficamos em AMsterdam ) nao tem.

Agora estamos indo pro cafe da manha e as 10 vamos pro aeroporto pegar o voo pra salvador. Dai sim comecam as ferias.

Em salvador recarrego meu telefoneco e coloco as primeiras foteeeenhas.

Povo, ja ate esqueci o que eh neve!

sexta-feira, dezembro 3

Dear all

Então, é hoje! Vou pro aeroporto, durmo lá, e vou-me pra Pasárgada ( apesar de não ser amiga do rei ).

Resolveram a pendenga do hotel? Marromenos. Estarei indo pro Grand Palladium Imbassaí, que estava na minha listinha de candidatos mas foi descartado porque está em soft opening. A única compensação que me deram foi alugarem um carro, já que o hotel é bem mais distante da vilinha de Praia do Forte. Até a diferença de preço do hotéis tive que brigar pra ter de volta. Na agência, tudo estava sendo cuidado bem enquanto nossa agente estava lá, ontem ela tinha o dia livre e a substituta era péssima.

Estou louca pra chegar em SP, comer uma coxinha com guaraná e relaxar vendo novela. Mais nada. Cansadésima disso tudo aqui. Essa semana inteira estou me sentindo um urso polar no deserto do Saara.

Deixa eu contar. Abriu um "rodízio" em Nuenem. Achei barato, € 23.50 por cabeça, então sugeri que fizéssemos nosso jantar de Sinterklaas lá. Gente, que coisa bizarra! No começo vem a mocinha explicar o "evento", e ensina que se começa com sopas. Cuma? Sopas? Bom, vamos lá, sopinha cai bem nesse frio… Aí vai-se, coordenadamente e em ordem, pro buffet de saladas, aliás, mini-buffet de saladas. Nenhuma folhinha cruazinha e crocante, nenhum vinagrete, nenhuma farofa. Palmito nunca foi visto pelo dono, claro. Mas ok, ninguém foi lá pra comer salada. Aí começaram as carnes, a maioria bem boa. Até camarõezinhos serviram. Já quase no final, picanha, disse pra todo mundo experimentar, os colegas pegaram uma fatiazinha, ok-ok, nada de especial ( e olha que a picanha estava super boa ). Aí começa a passar uma carne pedaçuda, parecia Cupim, e todo mundo LEKKER, LEKKER ( delícia ), ouvi até um FANTASTIIIIIISCH ( fantástico ), e claro fui experimentar. Era um bolão de carne moída com tempero ultra apimentado. E foi aí que eu entendi, que depois de décadas comendo carne moída meio-a-meio temperada pela mãe e depois pela esposa com qualquer pó cheio de salitre, o tamancudo não vai mesmo achar gosto numa picanha de primeira, churrasqueada no ponto certo só com uma pitada de sal grosso.

Aí lembrei do churrasco de despedida do casal consular. Fui comprar as carnes com a Holandesa. Pegamos uma peçona de Contra-filé brasileiro liiiindo, pegamos picanha, aí ela vai nos hamburgueres e pega uma caixona. Eu na hora falei: cê tá louca, quem vai comer hamburguer com tanta carne de primeira? E ela respondeu: ah, eu conheço a holandesada, eles a-do-ram hamburgueres. Durante o churrasco, eu perguntei pro churrasqueiro se os hamburgueres tiveram saída: ah, eu coloquei uns 3 na chapa, mas do jeito que foram pra mesa voltaram, mas também, quem vai comer hamburguer se tem filé? ( o churrasqueiro era pai do dono da casa, brasileiríssimo ).

Daí eu concluo que nós, brasileiros, "infectamos" nossos parceiros holandeses com nosso paladar de fino trato. Portanto, há esperança.

E fui-me povo, o próximo post vai ser on the road.

Pros amiguinhos do Twitter, foteeeenhas seguirão do Smartphone, keep watching ; )

quinta-feira, dezembro 2

Arrancando os cabelos


Ainda não sabemos qual será a solução pro nosso problema. Liguei pro Iberostar na Bahia, e explicaram que haverá um evento no hotel, ou seja, quem já tinha reserva, foi simplesmente chutado na bunda.

A agência, a Tui Alemanha, quer sair dessa sem gastar um puto tostão.

Nos ofereceram um quarto standard no Tivoli Eco Resort, com pensão completa e 150 euros pra drinks. Não aceitamos por dois motivos: os quartos standard são velhos caindo aos pedaços, e eu havia pagado por uma Suite Junior com vista pro mar, e ficamos fazendo as contas do que gastaríamos com bebidas, e pensem bem, 4 reais cada refri, 16 reais uma caipirinha, 6 reais uma garrafa de água mineral. Adianta você estar num hotel mais luxuoso mas ficar preocupado com cada copo de água que você bebe?

Propusemos ficar no Grand Palladium Imbassai, num quarto com vista para o mar, receber a diferença de volta ( €600 euros ) e que eles nos paguem o aluguel de um carro, porque esse hotel é no middle of nowhere. É um puuuuuta negócio pra TUI mas eles ainda não responderam, ainda estão fazendo fiofó doce.

Eu vou ficando mais nervosa a cada hora que passa.

Imaginem que a nossa agente na ARKE não trabalha às quintas, então eu liguei de manhã e me atendeu outra dona. Aí ela me disse que a TUI ía dar a resposta só à tarde, aí imaginem que se é algo que eu não quero aceitar, terei tempo de arrumar outra coisa? Virei um bicho. Falei que estou saindo da minha casa em 24 horas e não sei onde vou dormir ao chegar no Brasil, tudo isso com voz de bruxa do 71.

Olha, é terrível como a gente se sente desamparada da lei numa situação dessas. Eu não quero um hotel melhor, eu não quero carro gratis, eu não quero nada especial, quero só ficar no hotel que eu reservei, paguei, recebi confirmação, peguei os vouchers na agência. Coloquei muito tempo e esforço na escolha desse hotel, e agora estou tendo que, na correria, aceitar o que estiver disponível só porque eles fizeram besteira. Não sei pra quem reclamar, não sei pra que lado correr e tenho a impressão de que se eu não aceitar alguma coisa loguinho, vou acabar sem hotel, sem escolha.

Ó, eu sei que eu sou uma chata, mas nem eu mereço um stress desses um dia antes de ir de férias.

Blé, isso tudo é muito blé.


quarta-feira, dezembro 1

Pânico total


Fomos contactados pela ARKE hoje na hora de almoço com informação de que deu overbooking no Iberostar Praia do Forte, que nossas reservas foram canceladas. A agência está negociando com a TUI porque o principal problema é que a única opção é o Tivoli Eco Resort, que não é all-inclusive e cujos únicos quartos que tem resenha favorável são aqueles renovados, super caros.

Esse Tivoli Eco Resort é bem mais caro que o Iberostar, mais bem localizado, mas nós queríamos mesmo ir pra um all-inclusive, sem falar que um simples guaraná no Tivoli custa 4 reais, uma caipirinha 16 reais, como bancar essa fortuna, pra quem já pagou super caro no hotel, achando que estava reservando um all-inclusive e que não iria gastar mais um tostão?

Olha, é muito olho gordo nessa viagem, não é possível. Justo hoje, que peguei o netbook que vou levar pra minha sobrinha na loja, era o último presente a ser providenciado, achei que finalmente estava pronta pra ir de férias, só faltava lidar com o drama que está aqui no trabalho.

É mole ou quer mais?

segunda-feira, novembro 29

Neve no fiofó dos outros é refresco

O dia começou com o que poderia ser uma sessão de tortura: o dentista. Desde os 4 anos, quando caí e assassinei os dentinhos de leite, tenho fobia de dentista. Até que achei o Dr. Peter, que é arubano e trabalha no consultório do Dr. Kho, que é chinês, todos nascidos em Breda, mas que tem essa clínica muito chique em Eindhoven. O cara é porreta, aliás, a mão dele é uma porreta na arcada dentária: o cara dá uma anestesia digna de ser televisada por toda a Europa. Amo-lho, anestesiador de primeira!

Indo para o trabalho de moteeenha, começou a nevar sal grosso. Flocão de neve é bonito de ver, é maciozinho, mas essa neve sal-grosso acaba com a cara ( e a maquiagem ) da gente. Eu tava perto da empresa e fui bravamente em frente e cheguei.

O dia se sucedeu em reuniões infames, onde não se resolve nada, e amanhã será outro repeteco. Manja quando você tem a impressão que não produziu nada?

Aí eu trabalhei até as 8 da noite, quando tentei sair tinha 20cm de neve fofinha. Lindo, mas... um sebo. Tentei ir de moteeenha, mas depois de 50 metros escorregamos, eu pulei, a moteeenha se estatelou, eu estacionei a bicha no cobertinho e liguei pro marido.

Fiquei na guarita 45 minutos, porque o marido estava ainda no trabalho e fica longe, e eu ali morgando, pelo menos tava quentinho.

Chegando em casa, já pronta pra cair no choro de desgosto, vejo meus gatuchos fofos os dois esperando a gente na janela, o entregador da Nike me deixou o papelucho de entrega da UPS, que é onde a bolsa da Kipling já está, ou seja, será uma só viagem, e eu tinha molho de tomates congelado pra fazer um macarrãozinho caseiro depois de semanas na comida congelada.

A vida até que não é tão má.

Agora vou ler noveletas debaixo do cobertor.

E pra você que acha linda as foteeenhas nevadas, digo-lhes: neve no fiofó dos outros é refresco! ( literalmente )

domingo, novembro 28

Dois posts em um

Serão dois post em um porque eu sei lá quando vou poder postar de novo, a agenda pra semana que começa está de chorar.

Compras online

Então, eis que eu decido fazer as compras esse ano online. Comprar é fácil, e a maioria dos sites está dando a entrega gratuitamente, mas essa entrega... Claro que só entregam no horário de trabalho e não entregam aos sábados, salvo a Wehkamp.

Comprei uma bolsa pra minha sobrinha e depois do entregado tentar entregar duas vezes, entrei no site da UPS e consegui avisá-los pra trazer o pacote para a central UPS mais próxima que eu irei buscar. Graças a Deus moro em Eindhoven em aqui tem central de todas as entregadoras, mas fico pensando quem mora em dorpje, o saco que deve ser.

Comprei também um tênis da Nike e estou tentando achar a entregadora, mas necas de catipiroba, terei que esperá-los vir aqui, ver qual é a empresa, pra só assim pedir para levar o pacote para a central.

E meu irmão quer ainda um netbook, e só vou colocar o pedido se eu conseguir confirmar no site que eu posso ir direto na central pegar, senão não dá tempo.

E o que me dá mais raiva é que você quer pegar o telefone e resolver a parada mas a maioria desses sites ( Kipling, Nike, Esprit ) não tem atendimento telefônico, só por e-mail.

Então, frustrada com o serviço das online, arregacei as mangas ( mentira, tá -2 graus e só louco arregaça as mangas ), e fui à luta.

Comprei tudo o que precisava? Acho que sim, e mais do que precisava, mas foram 3 dias de intenso labutar, e eu estou me arrastando. Não descansei nada! Fora que aqui não tem shopping como em SP, então é tudo no frio! Imaginem que hoje estava zero graus quando eu fui pro centro, e eu precisava dos presentes "pequenos", aqueles ao redor dos 10 euros, que estão, infalivelmente, nas lojas mais lotadas, porque holandês só dá presente nesse range.

Com isso, minha criatividade "presentística" caiu ao zero: comprei a mesma calça jeans para mim, para a minha mãe e para a minha cunhada, comprei a mesma blusinha de malha para uma tia e duas primas, comprei um colarzinho e brinco combinando para outras duas tias e uma prima. Para o meu afilhado, todos os anos acabo comprando um boné, nesse ano será o mesmo, porque a energia para ir até a Bijenkorf acabou na metade do caminho.

Só quero ver achar lugar pra colocar tudo isso!

O PERRENGUE NO TRABALHO

Sexta-feira tivemos um curso de Staff, só os gerentes e diretores. A proposta era: em 2015 minha empresa será assim... Discutimos e descrevemos como seria a empresa "dos nossos sonhos" em 2015 e as ações para chegar lá.

Na parte de tarde fomos divididos em grupos, e eu caí no grupo do diretorzão. Nosso grupo pegou o assunto "people" no sorteio.

Estávamos lá na sala do diretorzão fazendo nosso assignment e uma das perguntas era: qual o split ideal entre mulheres e homens no departamento em 2015? A empresa estará contratando mais mulheres? ( é notório o ínfimo número de mulheres trabalhando na empresa toda ).

Ele olhou para mim e perguntou: Adriana, vc é a única mulher do grupo, o que você acha?

E eu fui sincera. Disse que o xis da questão não parece ser nem a gravidez e licença maternidade, mas sim o fato de praticamente 100% da população feminina holandesa achar que se ela não ficar em casa pelo menos um dia por semana, que o filho vai ter sérios problemas no futuro. Disse que eu realmente não vejo como o nosso trabalho possa ser feito em 4 dias por semana, mesmo porque qualquer emergência que ameace parar a linha de produção acaba na mão do comprador, então o risco que a empresa corre se aquela pessoa não estiver disponível é bastante grande. Disse que eu deixaria bem claro para candidatas de sexo feminino que o cargo não tem possibilidades de meio período / um dia a menos; e esperaria que elas fizessem sua escolha. Na verdade, a impossibilidade de trabalhar um dia a menos vale para ambos os sexos, mas embora o número de homens trabalhando um dia a menos esteja crescendo, comparado com o número de mulheres, ainda é ínfimo.

Ele me chamou num canto e me pediu para que eu explicasse esse ponto, porque ele é de mesma opinião mas não pode se manifestar. Eu fiquei confusa, mas ele me pediu... Temos duas mulheres diretoras, e elas não gostaram nada do que eu falei, e acho que alguns outros diretores também não, mas é minha opinião como indivíduo, fazer o que?

Não houve tempo para debates, réplicas ou tréplicas, mas depois vieram me falar que é ilegal dizer para um candidato que o emprego não permite part-time, e que se um funcionário requerer o part-time, é ilegal negar. Será? Eu já ouvi de tanta gente que quis negociar com a empresa ao ter filhos e não conseguir. Só sei que eu precido URGENTEMENTE de um treinamento sobre o que se pode falar ou não numa entrevista na Holanda, porque já comecei a entrevistar candidatos para o meu grupo e fico sempre na ultra-dúvida.

Mas eu acho sim que ambas as partes, empresa e funcionário, se beneficiariam de um pouco de honestidade. A empresa em não esconder as possibilidades do candidato ( isso envolve também não prometer celulares, viagens, laptops de última geração se você não pode depois dar ), o candidato em não esconder seu planos pessoais ( a mulher que quer ter filhos, o rapaz que quer tirar um sabatical para ser voluntário na Africa, o OldFart que gosta de viajar a trabalho e odeia sentar a bunda na cadeira do escritório ).

Aí a empresa fica achando o funcionário um "folgado" porque ele quer o celular prometido ou as mil viagens a negócios; e o funcionário fica "p" quando o part-time é negado ou o sabátical. E o governo inventar leis para fazer a empresa cumprir um papel social que cabe a ele é burrice, porque a empresa tem mil estratégias para manipular o funcionário, vide a colega que queria trabalhar só 3 dias por semana e depois de ser colocada num dos piores departamentos da empresa pediu as contas.

Agora me vou, tentar descansar um pouco nesse resto de findi, e começar a arrumar a mala.

quarta-feira, novembro 24

Whadda "beep"?


Quem odeia fazer as compras de lembrancinhas quando vai pro Brasil põe o dedo aqui!

Engraçado é que o povo tem vergonha de dizer: já que você vai me trazer um presente mesmo, me traga X. Meu irmão fica inventando desculpinhas, e eu deixo, porque eu me divirto vendo as grandes elaborações dele. Mas ó, que prático o povo te falar o que quer. Minha sobrinha queria uma bolsa Kipling, já comprei online, devo receber logo. O resto vou ver se compro online. Tá um frio do cão e ficar zanzando pra cima e pra baixo não traz futuro.

Mas então, tcheu contar procês do OldFart. Ontem foi o último dia do funcionário que o OldFart está substituindo. O costume aqui é o que está saindo comprar uma gebak ( torta ), a gente senta na sala do diretor e o diretor faz um discurso e dá o presente com cartão do time. Esse discurso é coisa de holandês, roteiro mais ensaiado do que a festa de aniversário onde todo mundo senta em rodinha e bebe café com gebak, o diretor fala como o funcionário começou, qual foi a primeira impressão dele na entrevista ( sempre sendo bonzinho ), fala de alguns projetos e momentos difíceis - sempre enfatizando como o funcionário em questão se deu bem, tenta engajar uma ou duas piadinhas pro povo rir, e termina agradecendo e dando o presente. Aí o funcionário "saideiro" faz o discurso final, e todo mundo sai feliz. Ontem, quando o diretor acabou, o OldFart levantou, antes do "saideiro" ter a oportunidade de agradecer, e disse que queria fazer um agradecimento especial ao rapaz, que foi o mentor dele nesses 3 meses.

Esse Old-Friggin-Fart levanta e começa: trabalho em time é importante… eu fiz parte de um time de iatismo, competi profissionalmente, ganhei 6 títulos holandeses, 2 europeus, vice mundial, velejei com o príncipe Willem Alexander, e eu fiz isso e aquilo e ganhei louvores e iata iata iata … 5 minutos depois … iata iata iata, e apesar do mundo ser um lugar melhor porque eu existo, eu tenho muito a agredecer ao meu "coach", que assim como o "Saideiro", me guiou para o meu triunfo. E deu um pacotinho pro rapaz com uma camisa do time que ele participou, detalhe: usada!

Ficou todo mundo com cara de bunda, até que um colega soltou: ei, Saideiro, você disse que ía pintar sua casa nesse fim-de-semana, ó aí, já ganhou a camisa!

Gente, me diga, como será minha avaliação anual em 2011 se eu vou ser avaliada por treinar esse trem desgovernado?

segunda-feira, novembro 22

Ah, Bebé, mamar na vaca cê num qué!


Será que fui só eu? Lá em casa eu nunca pude escolher se ía pra Universidade ou não, TINHA que ir, podia ser pra qualquer coisa que me apetecesse, não não ter curso superior não era opção.

E desde pequena fui doutrinada: você tem que ser a melhor, tem que sempre querer mais, e conforme eu fui ficando mais velha, tem que fazer um excelente estágio, tem que conseguir um emprego invejável, tem que ser bem sucedida.

Eu nem sei qual seria a reação dos meus pais se eu tivesse dito: mas eu quero só o suficiente pra comprar um carrinho, alugar um apartamentozinho, ir pra Porto Seguro com parcelamento em 10X pela CVC, e fazer minha festa de casamento no quintal de casa com lanchinho de carne-louca.

Eu acho que a possibilidade de querer menos na vida nem passava pela minha cabeça, porque eu sempre ouvi que eles faziam por nós ( eu e meu irmão ) mais do que os pais deles fizeram, portanto nós deveríamos também chegar mais longe do que eles chegaram. Querer menos nunca existiu.

Eu até preciso perguntar pro meu irmão como ele educa os filhos dele, porque se for da mesma forma que nós fomos educados, coitados dessas crianças, afinal, modéstica bem a parte, eu e meu irmão não nos demos mal na vida.

Só sei que hoje eu estava aqui na minha mesa, quase chorando de desespero, 4 da tarde e já sabendo que o dia não termina antes das 8 da noite, pensando que vou ter que comer comida congelada de novo, quando eu vi a assistente do departamento fechar a mesinha dela, desligar o computador, passar batom, e dar tchau felizinha porque hoje ela vai assistir HP com uma amiga e jantar fora. E eu brinquei: que inveja! Ela só respondeu: Adriana, é justo você ter inveja de mim, porque eu também tenho inveja de você. Você inveja eu sair todos os dias as 4, e o tempo que eu tenho pra ir ao mercado com calma, de ir pra aula de Pilates, de sair com uma amiga em qualquer dia da semana, de eu nem lembrar do meu trabalho depois que eu saio da empresa, e eu invejo você porque você não precisa economizar 2 anos, se privar de comprar roupas novas, vigiar as compras do mercado, tudo pra poder juntar dinheiro pra fazer uma viagem legal ( ela está indo pra Austrália em fevereiro ).

E eu fico pensando… Será que não tem meio-termo? Mas ué, a Holanda já é um meio termo, afinal essa colega ganha pouco mais de um salário mínimo e mora sozinha, tem seu carrinho e vai pra Austrália, quando isso será possível pra quem ganha salário mínimo no Brasil?

A verdade é que eu sou doida e o que eu quero é trabalhar 8 horas por dia, até umas 9 ainda vai, fechar minha mesa, ir fazer curso de Mindfulness porque eu tô mais que precisando, e ainda ganhar o que eu ganho.

Agora respondam aí: dá pé?

sábado, novembro 20

Cinto de inutilidades

Exite alguém que se interesse por uma abominação dessas?

Clique aqui para ver a inutilidade do século

No vídeo os cabos pra tudo que é lado


Tem quem compre?

Cadê o avião?

Todo mundo sabe da minha depressão de inverno. Acho que a cada ano que passa fica mais braba. Hoje fez um solzinho mequetrefe eu aproveitei pra ir andar no centro da cidade, ir resolver uns pepinos ( tipo tirar a carteira internacional de habilitação, que de internacional não tem nada, é toda em holandês, povo burro! ). Como o mau humor, a dor no ombro, a depressão haviam tomado conta desse ser, fui a um salão de bronzeamento artificial e fiz uma sessão de 20 minutos, que ajuda bem. Farei mais.

Estou olhando alguns sites no Brasil e ó, que vontade de mandar tudo pra pqp e sair de férias agora, viu! Comecei vendo site de sandálias, gente tantas e tão lindas! E eu quero bem no estilo 30 real: havaianas, ipanemas, azaleias e ramarins. Quero também uma mais chiquezinha pra jantarzinhos especiais, já que a gente só vai pra praia mesmo.

Daí resolvi pesquisar se tem loja de sandália em Praia do Forte, eu lembro que adoramos o comércio em Praia, mas não lembrava de ter visto sandálias. Claro que tem, e de quebra vi as foteeenhas da vilinha, que é linda de morrer. Ai, que diliça voltar pra Praia do Forte.

Cadê o avião que eu vou-me embora já, que eu não nasci pra esse frio.

Ah, antes que Alice diga que eu reclamo muito, não estou reclamando - só contando um fato.

sexta-feira, novembro 19

Harry Potter 7

Ontem assisti ao Harry Potter 7. O filme ía ser 3D, daí eu ter escolhido o Imax, mas parece que os produtores não conseguiram terminar os "efeitos" a tempo, mas como algumas das cenas foram óbviamente filmadas para dar um sustão no 3D, não duvido nada que o DVD seja lançado em Blue Ray 3D.

Outra novidade é que o filme vem com censura 12 anos, enquanto os anteriores eram censura livre. Eu não acho que uma criança de 10 anos vá se assustar com o filme, mas uma de 6 certamente vai. Fui na sessão das 18:15 ( eu estava planejando ir na das 20:30 pra evitar crianças, bebês, cabras e aliens ) e havia bastante avisos "atenção, censura 12 anos, cenas de violência e suspense", e vi que aqueles que teimaram em levar crianças menores foram avisados de que o filme é escuro e pode ser assustador. Claro que meia-duzia de espírito de porcos foram mesmo assim. Vi dois adultos saindo com crianças no meio do filme.

Quem leu o livro sabe que a primeira metade da história é tensa, só coisas ruins acontecem, que eles brigam muito por causa do horcrux no pescoço, que ficam perdidos fugindo do Voldemort pra cima e pra baixo, e tudo isso está no filme, claro, e daí o filme ser sombrio, pesado mesmo em comparação aos outros. As crianças não vão mais se identificar, porque não tem mais criança no filme, tá todo mundo adulto.

Eu gostei do filme, mas é um filme pros fãs, porque é um pedaço de uma história. Pra quem não é fã, eu diria pra esperar o próximo, assistir esse em DVD nas vésperas, e assim fica-se sabendo do fim da saga.

Para os fãs, e respondendo à pergunta que não quer calar, onde acaba esse filme? Dobbey morre, Harry está enterrando ele quando ao mesmo tempo Voldemort está violando o túmulo do Dumbledore pra pegar a Elder Wand ( como traduziram isso? ). Ele levanta a varinha, emite um raio, e tcharam, o filme acaba.

O próximo filme será gigantesco, porque o filme não acabou na metade do livro, acabou antes.

Agora é esperar Julho de 2011.

Ó céus.

quinta-feira, novembro 18

Cataploft!


Ontem um carro me cacetou dentro da ciclovia. Eu certíssima, ele erradíssimo ( dentro da ciclovia! ), fui ao chão, não me machuquei feio, a moteeenha tá inteira, mas eu tô toda dolorida, devia ter ficado em casa na banheira, mas não posso me dar a esse luxo. Cá estou eu, me arrastando.

Indo pro trabalho hoje, na mesma ciclovia, um turco que andava pela ciclovia levando o filho pra escola me xingou. Eu, novamente, certíssima na ciclovia, ele pedestre andando pela ciclovia. Estava com os pacovás na lua, lembrei que tinha um carro de polícia escolar a 10 mrts dali, dei queixa! Foram lá no senhor, que ainda estava na ciclovia, fizeram ele preencher uma ficha, perguntaram se eu queria dar queixa, eu dei! Disseram que eu vou receber o "resultado" pelo correio em casa. Ah, e o turcão vai receber uma multa!!! Ha ha ha, bem feito!

E faz um frio, um frio, um friiiiio… Estou dolorida, deprimida, atolada de trabalho, mas preciso ir ao cinema, porque ontem começou o Harry Potter 7. Estou pensando em ir na sessão das 20:30, assim a chance de ter criança, bebês, cabras e aliens no cinema é menor. Tô querendo ir no IMAX, apesar de já ter jurado minha fidelidade ao Zien ( cinema com mesinhas e garçon ).

Tomei Voltaren, paracetamol fortão, passei pomada no joelho, colei emplastro sabiá nas costas, mas ainda assim tô um caco. Só o sol da Bahia, bobó do Yemanjá e caipirinha de caju salvam.

Claudinha, sem querer te matar de inveja, mas em 16 dias eu estarei aportando na sua terra, estarei no Resortão boiando na piscina e vou dormir ouvindo os coqueiros chacoalhando em frente ao nosso quarto com vista pro mar. Na na ni náááá.

terça-feira, novembro 16

The Sky is not so blue today...


De todas as coisas boas que meus pais fizeram por mim e pelo meu irmão, permitir que tivéssemos animais de estimação foi uma das melhores e mais importantes.

Tivemos gatos, um cachorro, passarinhos… Cachorro foi só um, o Ship, que "veio" com a nossa casa, a dona estava indo morar num apartamento que não permitia animais, e ela ficou exultante vendo a nossa alegria, minha e do meu irmão, ao saber que poderíamos ficar com o Ship. Ele era um cachorro especial, mas todos os cachorros são especiais, não são? Inteligentíssimo, fazia vários truques, era o nosso orgulho. Ship era, segundo 100% das pessoas que o conheciam, o cachorro mais feio do mundo. Um cruzamento de pequinês com qualquer vira-lata, ele era feinho mesmo, mas simpatissíssimo, em alguns minutos conquistava qualquer um. Ship viveu uma longa vida, e acho que uma vida bem feliz. Quando ficou velhinho foi perdendo os dentes, teve um derrame, a gente foi se preparando para o fim que chegava. Minha mãe diz que um dia antes de morrer ela percebeu que ele não aguentava mais, e conversou com ele, disse que ela ía sentir muito a falta dele mas que ele podia ir. E ele foi.

A Ali, nossa última gatinha, eu comprei num petshop muito do ruim. Eles colocaram aquela caixa ali na vitrine, com esses siameses, todos entuchados num espaço minúsculo. A petshop ficava num shopping, e numa manhã eu vi aquela ninhada ali, tão pequeninhos, me apaixonei. Tínhamos acabado de perder nossa gatinha, envenenada, minha mãe não queria mais gatos, mas ao fim da tarde, quando voltei àquele shopping, me cortou o coração, havia sobrado apenas um gatinho, que sozinho, chorava. Entrei na loja pra perguntar o preço, a vendedora disse: é fêmea, ninguém quer, ela é muito pequeninha. Eu quiz. Levei a Ali pra pra casa. Na época o francezinho Jordi cantava Allison, e daí saiu o nome dela. Ali era a companheira da minha mãe, morria de ciúmes dela. Quando o Bruno nasceu, a gata imediatamente se pegou de amores por ele, ele fazia gato e sapato dela, e era engraçadíssimo ver minha mãe levando o Bru pra passear de carrinho de bebê pela vizinhança e a gata seguindo que nem cachorro na coleira. Ali foi a companheira de divórcio da minha mãe, quando mudei pra Holanda cogitei trazê-la, mas naquele momento pior do que a saudade que eu teria dela, seria minha mãe, que havia perdido o marido, vendido a casa onde moramos 25 anos, se despedido da filha que foi pra outro continente, perder também a gatinha que tanto fazia companhia pra ela. Ali foi pro apartamento com a minha mãe e sempre ía pra Holambra com ela, e numa das férias minha mãe olhou pra ela lá estendida ao sol, no jardim, e teve dó de trazê-la pro apartamento. E assim Ali ganhou casa nova. A família foi aumentando, e os três cachorros imensos do meu irmão tinham apenas um medo na vida: medo da Ali, a chefona. Ali já estava com 17 anos, firme e forte, briguentinha que só ela, e num dia começou a mancar, o veterinário deu remédios, em uma semana ela se foi. Velhinha, morreu rápido, na sala com meu irmão e minha cunhada, no cobertorzinho dela.

Hoje, com os meus meninos, rezo para que eles morram como o Ship ou a Ali, velhinhos, perto de nós. Que nós tenhamos tempo de nos preparar para a partida deles.

Nossas duas Mimi's e o Chaninho não tiveram a mesma sorte. Os três morreram envenenados por um vizinho que colecionava passarinhos. O vizinho aprendeu a lição dele mais tarde de forma terrível ( contarei o "causo" abaixo ), mas levou embora três dos nossos bichinhos, e acreditem-me encontrar seu bichinho morto no telhado é de acabar com qualquer um. Fui eu que achei a Mimi 2.

Tem quem não entenda que a morte de um bichinho de estimação seja para o dono tão triste quanto a morte de um parente querido. Meu irmão mesmo diz que "bicho é bicho". Mas eu encontrei muita gente nesse mundo que não valia um décimo do que valiam meus bichinhos, do que valem meus meninotos. O animalzinho não se importa se você é feio de doer, se suas roupas são do Carrefour, se seu carro é um poisé. Pra ele importa que, além de cuidar dele dando comida, água e uma caminha, você seja aquela mão amiga pra jogar a bolinha pra ele pegar, pra fazer um afago na barriga, pra desgrudar aquele durex que colou na pata dele. Com um bichinho você não tem que TER, você tem que SER.

Ontem recebi uma ligação ultra triste da Holandesa, o Sky gorducho foi pro andar de cima. Não há o que se dizer nessa hora, porque na cabeça só passa "putz, que merda". Ela postou uma foto hoje no blog dela ( vejam o link ali do lado ), que me levou às lágrimas, o Sky era um gato ultra bonachão, gorducho, que eu apertei bem. Continuo sem ter o que dizer a ela, porque nada consola, nada alivia a tristeza, nada ajuda. Só posso dizer: força.

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*** O causo: o vizinho colecionava passarinhos, trocava e levava à exibições. Quando mudamos praquela casa, além de herdar o Ship, levamos a Mimi, que logo se tornou a melhor amiga do Ship. O vizinho veio nos pedir pra "nos livrarmos" da Mimi porque ela "estressava" os passarinhos e eles perdiam penas e ele pegava menos dinheiro quando trocava os passarinhos. Claro que a gente disse que era impossível. Mimi ficou grávida, teve um gatinho só, o Chaninho. Chaninho morreu envenenado aos 6 meses, a Mimi foi procurá-lo no dia seguinte e foi envenenada também. Em 3 dias perdemos os 2. Meses depois, alguém que sabia que a gente gostava de gatos, deixou uma filhotinha na nossa porta, a segunda Mimi. Mimi morreu envenenada aos 2 anos de idade. E como a Ali sobreviveu pro tanto tempo? Sorte. Sorte negra, mas sorte. O véio colocava veneno dentro de uma bolinha de carne e jogava no telhado. Numa noite ele fez o manjado truque, mas a bolinha deslizou de volta para o quintal dele. Aconselhados pelo veterinário, estávamos criando a Ali só com ração, e gato que come ração raramente se interessa por carne, então ela ignorou a bolinha de carne ( ou nem viu, vai saber ). No dia seguinte a filha do véio veio na casa dele com o filhinho de 2 anos e brincando no quintal o meninho achou a bolinha e comeu, teve convulsão, veio ambulância, o menino ficou semanas no hospital, sobreviveu mas com sequelas. O véio mudou pra um sítio, onde eu espero que ele tenha aprendido a lição. Aliás, nós nunca reclamamos dos mais de 20 canários que ele criava, embora muitas vezes a barulheira fosse irritante e o cheiro das gaiolas bem forte. ***

segunda-feira, novembro 15

O projeto brasileiro

Sexta-feira eu decidi que não iria passar o final de semana remoendo sobre o projeto brasileiro com o gerente francês, e aproveitei uma reunião com o diretorzão para "colher" mais informações.

Ele explicou que nessa fase, estão fazendo o trabalho "de base", e que a matriz em Seattle pediu para selecionarem um funcionário que tivesse conhecimento do caminhão europeu e algum conhecimento do mercado brasileiro, que tivesse tempo disponível para viagens exporádicas nos próximos 18 meses e que tivesse interesse em ser expatriado no Brasil em 2 anos, pelo período de 5 anos.

Eu preencheria quase todos os requisitos, o "quase" fica por conta de que eu não quero voltar a morar no Brasil. Mas Adriana, voltar ao Brasil patrocinada, por tempo limitado, porque não?

Explico. Não se sabe ainda onde será a planta. Pode ser em algum lugar legal ou pode ser em Coxipó da Ponte do Sul. Como vou me comprometer agora sem saber pra onde eu iria? E daí vem o Bart, onde ele trabalharia? Novamente, em SP seria fácil achar algo na área dele, já na Vila dos Remédios… Sem falar que se tivéssemos que ficar em SP ou RJ, eu viveria preocupada com a segurança dele, que se percebe que é gringo a quilômetros de distância. Os termos do contrato de expatriado daqui também não são os melhores, eu teria que alugar minha linda casinha nova aqui na Holanda, e no Brasil, só eu teria direito a um carro ( se bem que o Bart tem paúra de dirigir no Brasil ). Mas o que mais pesa é que se o Bart ficasse esse tempo todo fora, sem trabalhar, ele voltaria naquela idade difícil de se mudar de emprego, teria passado a fase do "mid-career". E tem mais, será que eu me adaptaria? O barulho, o tráfego, a poluição, a politicagem empresarial, o povo falando uma coisa na frente e outra pelas costas, os eufemismos…

Mas e o francês, quer voltar ao Brasil? Não! Mas ele não disse nada ao diretor. Quando conversamos ele disse que vai aproveitar a oportunidade enquanto puder, que o diretorzão perguntou a ele se ele moraria no Brasil e ele disse que com um contrato favorável ele iria, mas o que ele diz é que contrato favorável para ele é apartamento pago, dois carros, escola internacional pros dois filhos, emprego para a esposa ( ela é uma executiva na área de marketing duma empresa de alimentos famosa ), e compensação salarial. Ele sabe que vão negar, e sabe que ele corre um sério risco de "se queimar" profissionalmente, mas ele acha que os benefícios imediatos compensam.

E é isso. Cá estou eu. Cheguei a pensar: será que eu deveria ter feito o mesmo e mentido? Mas a verdade é que eu gosto muito do meu emprego para arriscá-lo assim. Eu sei que eu vou me remoer muito, porque eu fui criada para não aceitar nada abaixo do top do top do top, e eu tenho certeza que eu vou vê-lo deslanchar na carreira nesses 2 primeiros anos e vou pensar que poderia ter sido eu. Estou sim me culpando por tomar o que é agora o caminho mais fácil, mas vou para já.

Está na hora de eu parar de me culpar por tudo. Imigrar aos 30 anos de idade não é bolinho. E não vou "desimigrar" aos 40 para reimigrar aos 45. Mereço agora relaxar e colher os frutos do que eu ralei nas pedras pra conseguir aqui na Holanda.

Combinamos que quando chegar a hora de tropicalizar os produtos do meu grupo eu serei envolvida e voilá, assim será o meu involvimento com o projeto. Enquanto isso eu terei meu coração partido várias vezes, porque uma decisão racional raramente corresponde a sua decisão emocional, e a emocional já me vê de terninho no Brasil, perto dos meus familiares, assistindo novela da Globo.

Porque é que eu sou tão complicada, respondam!

sexta-feira, novembro 12

Impressionante

Venta muito há 2 dias. Muito mesmo, como só aqui nos Países muito Baixos.

Ontem a secretária me disse que ía correr ver a instalação de arte GLOW em Eindhoven porque acaba esse sábado mas iria chover cântaros. Eu subestimei a previsão do tempo e deixei pra amanhã.

Chove de uma forma impressionante, a casa inteira está sendo estapeada pela chuva e vento. Queria muito ter uma filmadora pra colocar filmezinho no iutubi pra vocês. É uma chuva estranha, e olha que sendo paulista eu entendo de chuvas!

Hoje o marido e eu íamos antecipar nossa visita à tal Glow e comer um japinha, mas sinceramente não dava pra colocar o nariz pra fora da porta, acabamos jantando sopa em latinha e goulash ortodoxo com tudo que eu encontrei na geladeira.

Plato vai de janela à janela inconformado com o barulho, e olha pra gente e mia.

Se eu sumir, foi um furacão que me levou.

quinta-feira, novembro 11

Dónde están las tiritas?


Colega Francês que está trabalhando no projeto brasileiro: Estavam falando que talvez nossa empresa escolha  abrir uma planta em Minas Gerais…

Adriana: Bom, agora eu entendo você ir visitar a Usiminas.

Francês: Como assim?

Adriana: Se a empresa vai comprar todo o aço que se usa pra fazer um caminhão na Usiminas, há benefícios em estar perto dela.

Francês: Ah, você  já trabalhou com a Usiminas?

Adriana: Não, nunca.

Francês: Mas como você sabe que a Usiminas é em Minas Gerais?

Adriana: :oO  :oO  :oO

Francês: Você googou?

Adriana: UsiMINAS - MINAS Gerais

Francês: :oI  Ahn?

Adriana: O nome da empresa é Usiminas porque ela está em Minas Gerais.

Francês: Ahhhh… Eu não tchinha entendidou.

E o meu coração colegas, ainda sangra. Hoje, num dia especialmente deprimente, mais esse lembrete de que meu coração está despedaçado. Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido.


segunda-feira, novembro 8

Desabafando


Duas coisas importantes aconteceram na semana passada: o coaching de novos funcionários no meu grupo foi 100% transferido para mim, e tivemos o budget review anual do OF ( OldFart ).

Vamos lá pro "causo" e uma lição pra todos nós.

OF é um comprador senior, é esperado dele que ele esteja com as rédeas na mão das commodities dele. Fornecedor nenhum vai vir aqui bater na porta dele dando descontinhos de mão beijada, tó OF - 2% de desconto só porque eu gosto do seu óculos tosco. A gente tem que correr atrás, a gente tem que suar a camisa, dar chicotada no fornecedor. Quando eu digo aqui que Gerente ( ou profissionais ) de Vendas é tudo malandro, eu não tô brincando.

Estou fazendo o tal coaching do OF e uma das piores falhas dele, que eu odeio em qualquer profissional, é a mania de jogar as responsabilidades dele pra cima de outro. Quem não está a fim de ter responsabilidades, metas a atingir, prazos a cumprir, que arrume então um emprego mais simples. Não é vergonha nenhuma dizer: quero apenas vir pra empresa, fazer meu trabalhinho, ir embora no horário e receber meu cheque no fim do mês, DESDE QUE, você se candidate para um emprego operacional que não exija muito mais que isso.

O budget review dele foi tão ruim, mas tão ruim, que o diretorzão interrompeu antes do fim e mandou ele ( e todos nós, eu, nosso diretor junior ) voltar em duas semanas. Ele já está sendo treinado a quase 3 meses, full time, um luxo que poucos tem, ele é senior, está numa faixa salarial alta ( logo esperam bastante dele ), e ele começa a apresentação pro diretorzão assim:

- Eu sou o OF, ainda sou novo na commodity, não sei muito ainda, por isso eu vou só ler os slides e meu colega Fulano ( o antigo comprador ) vai explicar.

Já ficou todo mundo pensando "WTF, o cara tá aí a 3 meses e ainda não tem controle da commodity dele"? E seguiu-se um rosário de desculpas esfarrapadas, mas o fornecedor não me mandou tal lista, o fornecedor "não quiz" me dar tal redução de preço... juro gente, uma vergonha.

E quando o diretorzão começou a dizer que tava tudo incompleto, patati patatá, a gente baixou a cabeça, ficou vermelho e calou, menos o OF, que bateu boca com o diretorzão!!! Eu tava vendo a hora que o diretorzão ía mandar o OF calar a boca…

O pior é que isso reflete também em mim. Dessa vez eu ainda não fui massacrada porque o coaching não era meu, mas em duas semanas temos que voltar, e juro que se o OF não entrar na linha eu vou estrangular o cara…

Eu juro que não tô podendo, meu povo. Eu ando uma pilha de nervos, tenho que tomar muito cuidado para não "overreact", mas tá difícil.


domingo, novembro 7

TAM e GOL

Lembram-se dos meus posts inconformada em não poder pagar os vôos TAM e GOL aqui de fora com cartão internacional? Gente, tem que elogiar quando há motivo: tá funcionando gente, o site internacional de ambas as empresas!!!!

Nosso primeiro vôo será GRU-SSA, e será TAM porque tinha um horário muito bom, que a GOL não tinha. Sem falar que a GOL só é barata se você reservar moooooito antes, né? Sábado de manhã eu olhei um vôo na GOL e tava 229 reais, mas era um pouco tarde, e o da TAM tava 249, mas era exatamente no horário que eu queria. Hoje quando fui reservar, o da GOL já tava 479, e o da TAM se manteve, então vamos de TAM.

O SSA-REC tava 84 reais ontem de manhã, hoje já paguei 169, que ódio. Mas na TAM tava ainda mais caro.

E REC-CGH vai ser novamente de TAM.

O sistema de compra de passagem da TAM é mil vezes mais rápido e mais fácil, mas em compensação não confirmam a reserva na hora, só quando a administradora do cartão aprovar a transação ( ré-lou? ). Mas em 30 minutos recebi um e-mail confirmando. Já a da GOL tem um monte de campos pra preencher, é um saco, mas usa o secure ID da MasterCard, e a transação é emitida na hora.

Estou impressionada que com as duas empresas eu pude já agora reservar meus assentos, o que me deixa bem mais tranquila. Não sei se vai rolar um check-in online, mas já estou tranquilinha sabendo que nossas cadeirinhas estão marcadas.

Agora falta apenas: o hotel em GRU, aliás, o tripadvisor indica o Mercure em Guarulhos, mas tá muito barato, tem alguma "pegadinha" nessa história? Faltam ainda os transfers em SSA e REC. E o hotel dos gatos.

E toda a presentaiada.

Jesus me proteja!

sábado, novembro 6

Drag Piovani Queen

No estadão.com tem uma matéria na TV Estadão com a Luana Piovani. Começou com a musiquinha Lua trilili trololó do Caetano, e a Adriana do lado de cá pensando: mas caramba, a Luana Piovani não se desentendeu, brigou, rodou a baiana com o Caetano porque ele disse que a música era pra ela, depois desmentiu, ela cobrou a "musisse" que pertenceria a ela... começar a matéria justamente com aquela música foi um fora da reporter, meo.

Aí eu tenho algumas considerações:

- Paulista tentando falar carioquês é deprimente. O R do carioca é o R do carioca e de ninguém mais, e pronto. Pior que R falsificado é manter o S de paulissssta ( e não de paulishta ) e fica aquela mistureba. Feio, muito feio.

- A moça tá naquele grau marombado parecendo traveco. Eu sei que ela maromba pacas o braço e quer mostrar o bíceps, mas a gente não quer ver, Luana, então uma manguinha nessa blusa djá.

- Eu gosto do Dráuzio Varela, mas comparar o Dráuzio Varela com a Madre Tereza de Calcutá é meio que demais...

- Eu já vi gente que esticou as rugas e ficou medonho, já vi gente que esticou as rugas e ficou bem, Luana TEM que esticar as rugas e pelancas dos olhos. Bem, estou sendo leviana aqui, afinal é lindo assumir os anos que Deus nos deu, mas, como é moda agora, tá mega-feio aquela pelanca nos olhos.

Agora vou voltar pra sessão mindfulness: não julgue...

Tô quase feliz!

Desencalacramos o mais complicado das férias: os hotéis no Brasil.

E para onde vamos? Tum tum tum tum... ( suspense com a musiquinha de Jaws )

Bart queria ir para Porto de Galinhas de novo, passamos nossa lua de mel lá e ele ainda fala de como as praias eram lindas, o snorkeling fantástico, etc e tals.

Eu queria ir pra Bahia, Praia do Forte com certeza e talvez Morro de SP.

Queriamos os dois ir a all-inclusives

**** Pausa para explicação ****

Fomos pra Amalfi num hotelzinho super legal e de preço razoável, principalmente considerando-se que aquela cidade é uma das mais caras da Itália: pagamos 100 euros na diária. Aí, como não somos de passar pela frente de ótimos restaurantes e ir sentar na pizzaria baratinha noite-após-noite pra economizar, acabamos gastando ao redor de 80 euros por dia entre jantar, almoço e sorvetinhos/refrigerantes. Achamos que gastamos muito pro que fizemos, hotelzinho "razoável", almoço foi lanche ou pizza, jantar bom, bebidas meio limitadas ( tomamos muita água que carregávamos com a gente, claro ).

**** Expliquei ****

Então acabamos por fechar o Iberostar Praia do Forte por 7 noites e de lá seguiremos para Porto de Galinhas onde ficaremos no Enotel por outras 8 noites. Agora começa a novela de reservar ( e pagar ) as passagens.

Mas estou animadinha da vida.

Aproveitei para encomendar umas roupitchas de verão na liquidação da Wehkamp, e embora eu esperasse que só metade ficasse legal, tudo ficou show. Ô vida boa de gordo por essas bandas. Serei "A" gorda elegante quando chegar ao Brasil.

quinta-feira, novembro 4

O mundo é gordo e gordo acorda cedo


Hoje começou os 4 dias de liquidação da WEHKAMP.NL

Lombrigas consumistas bateram palminhas.

Ontem eu já preparei minha "lista de desejos" no próprio site, assim no minuto que a liquidação fosse colocada no ar eu só daria um click e minhas roupitchas tão garantidas.

A liquidação começou as 8 da matina, eu consegui chegar ao computador às 8:10, nesses 10 minutos 2 das 3 blusinhas que escolhi já tinham acabado. Ah, o L tinha acabado, porque o S e o XS tinha lá de sobra.

O que tiro dessa experiência:

- Gordo só se ferra mesmo
- O mundo é gordo, afinal, as peças pequenas sempre sobram
- E puta merda, mas a gordaiada acorda cedo, hein!

quarta-feira, novembro 3

Tiritas pa'ese corazón partio ( ou Bandaid pro meu coração despedaçado )

Minha empresa vai abrir uma planta que produzirá lindos e reluzentes caminhões no Brasil. Na terrinha, onde nasci, cresci, estudei e trabalhei até ser uma senhora casada e trintona.

Na semana que vem começarão às visitas a fornecedores locais, o primeiro será a Usiminas. Eu não fui a escolhida para integrar a delegação que vai visitar esse fornecedor.

Fiquei com o coração aos pedaços, queria desaparecer da face da terra. Não soube pelo meu chefe nem por nenhum diretor, soube pelo meu colega francês que morou no Brasil meros 2 anos e que foi o escolhido. Ele está todo feliz, e eu também estou feliz por ele, ele é um cara legal, mas estou de coração ( e ego ) partido, então a cada novidade que ele divide comigo, sinto uma enfiadinha de punhal afiado no peito.

Estou me preparando para ir falar com meu diretor, e tenho que ter essa conversa de forma profissional, centrada, decidida. Sei que eu mal estou conseguindo fazer 50% do meu trabalho, acabei de receber mais um funcionário, em Dezembro será mais um, sem falar no OldFart, todos para serem treinados, vou de férias, mas pô, um projetão legalzão, e eu me sinto um lixo por estar, por hora, de fora.

Vou pra casa, vamos buscar nossa TV hoje, mas estou mas pra baixo que ânimo de pe-eme-de-bista. Queria ter a banheira da Claudinha, que aquela pelo jeito é milagrosa, vou ter que me contentar com a minha, tomando mimosas e lendo Nora Roberts.

Na próxima encadernação, com diz a Doutora Alice, eu nasço rikah sem necessidade de trabalhar pra pagar contas.

Tenham, por favor, muito dó de mim.

terça-feira, novembro 2

Não julgues...


A Fulana não devia ter dado aquela motinha pro filho adolescente; o Ciclano só vive de politicagem pra cima e pra baixo na empresa; a Beltrana sabe muito bem onde quer chegar com aquele decotão no escritório; o filho da Locha é uma peste, ela não sabe educar aquele menino; diga-me com quem andas e eu te direi quem és…

Dizem que todo mundo julga. Eu concordo. Pode até ser que uns sejam mais bondosos que outros ao julgar, mas julgam.

Ultimamente eu venho pensando que julgar não só é característica de personalidade como é também hábito. E hábito a gente muda, né? Venho repetindo o mantra: não julgue, não julgue, mas é bem difícil viu…

Ontem eu estava pensando, quem julga ( como eu o fiz alguns posts pra baixo ) normalmente só vê um lado da história, ou então se esquece de tentar se colocar nos sapatos do outro pra ver quanto o calo aperta. Estou apontando o dedo pra mim mesma.

Ontem eu almocei com a lourinha que se separou do marido 4 meses depois de casar ( desça uns posts ). Passado o choque, acostumada com a idéia eu fico pensando… será que eu teria feito diferente? É fácil agora dizer que não, mas será mesmo???

Eu sei que o casamento de blogueiras é maravilhoso e coisa de novela, afinal é só isso que a gente lê, maridos maravilhosos e namorados ultra-românticos, verdadeiros Richard Gere's com bouquet de rosas no teto solar da limusine… mas o meu casamento, o da Adriana, tem lá seus baixos, aquele dia em que você tá "p" da vida com o marido, ou a se-ma-na que você está "p" da vida com o marido... A Marina, que morava na Suécia, quando se separou do namorado começou um post dizendo: todo relacionamento é como uma montanha russa, hoje o carrinho da minha montanha russa não encontrou forças para subir os trilhos e o Fulano me disse que não me ama mais. Me marcou muito essa frase.

A colega loira, J., usou ontem uma expressão semelhante, a montanha russa vai tendo cada vez mais baixos, e mais baixos, e mais constantes baixos, e você fica pensando que se emagrecer e ficar mais bonita ele vai te dar mais atenção, que se você for promovida e ganhar mais vai ser mais valorizada e ter mais atenção, se você casar e passar de namorada a esposa vai ganhar mais atenção, e você acaba, mesmo vendo que as coisas vão mal, embarcando em mais uma tentativa pra ter o que falta na sua relação. Eu julguei, eu pensei ( e falei e escrevi ), como pode você ver que vai tudo mal e mesmo assim planejar um casamento um ano, e casar? Mas a verdade é que se eu tivesse 27 anos, numa relação de 11, com meu primeiro namorado que eu conheci aos 16, não sei se eu teria feito as coisas diferentes… Colocando-me - generosamente - no lugar dela, eu penso que deve ter sido muito difícil, e que pelo menos ela parou antes de entrar no joguinho de ter filho pra salvar relação, que é a coisa mais comum e o capítulo mais manjado do livreto ( ó eu julgando de novo ).

E como ela fala, no fim, estar infeliz no casamento, e ficar remoendo o aniversário de namoro esquecido, a lingerie não apreciada, o corte de cabelo não notado, cria - numa garota de 27 anos que só teve um namorado na vida - a predisposição ideal pra se encantar com um colega de trabalho mais maduro, bonitão, que elogia, aprecia, valoriza.

Eu entendo. Entendo e torço para que não seja tudo ilusão da cabeça dela, e crise do lobo ( não julgue, Adriana ) dele, e que daqui há vários anos eu os veja ainda juntos, felizes, levando a vida que sofreram ( e fizeram sofrer ) pra ter.

Estou agora repetindo o mantra para ser mais bondosa com ELE. Confesso que ainda penso na coitada da esposa que nesse momento teve que sair da casa onde moravam há 11 anos porque num milagre venderam rapidinho, que está vivendo com uma pensão de 980 euros ( que ele acha muito, 30% do salário líquido dele ), com duas filhas para cuidar, procurando emprego depois de 7 anos sem trabalhar, já na casa dos 40 sem grandes experiências profissionais ou carreira propriamente em si. Eu sempre digo que quem fica em casa pra cuidar de filho está ultra sujeita à uma meleca dessas, mas quando a gente vê acontecer, ainda é de revoltar. Eu penso que já que havia um acordo que ela cuidaria das crianças e da casa, que agora ela deveria levar 50% do salário dele, não foi esse o trato, formar uma família e dividir o trabalho meio-a-meio, você fora de casa e eu lavando, limpando, cozinhando, parindo? Meus colegas ( assim como meu irmão há 8 anos ), acham que se a relação acabou ambos tem o direito de tentar reconstruir a vida, e que é um absurdo o homem ter que bancar a esposa com 50% do salário até quando sabe-se lá… e que claro, vai sobrar pouco dinheiro pra gastar com a loira novinha ( sorry people… Adriana, não julgue ).

Como vocês podem ver, tenho que praticar o Não Julgue muito ainda…