segunda-feira, janeiro 16

Ainda o papo de gordo

Leiam lá os dois últimos posts da Pacamanca ( link aí do lado ).

Nossas conversas ( da Paca e eu, via e-mail ) tem um nível fantástico: ela citou a Debora Secco e eu agora vou citar Adriane Galisteu.

Pouco depois de fazer 30 anos, perguntaram para a Adriane o que era ter entrado na década dos 30, e ela respondeu: é comer metade do que eu costumava comer, malhar o dobro, e ainda ter dificuldade para manter o peso e entrar na minha ( infamous ) calça jeans dos 16 anos.

Adriane está quase entrando na década dos 40, teve um filho e hoje mostra 10 quilos extras na silueta. Sei lá se ela fez as pazes com a balança, se ela odeia o próprio corpo mas levanta a cabeça e segue em frente, mas acho que até ela acabou tendo que avaliar o que era o sonho maravilhoso e o que era realizável com um nível aceitável de sacrifícios.

Quando eu li no post da Paca “todo mundo quer ser magro”, logo relacionei com essa situação da Galisteu: o MAGRO para o organismo da Galisteu são os 54 quilos que ela tinha na Playboy de 1995, o “normal” com sacrifício razoável é o corpo de 64 quilos da Playboy de 2011.

Eu não quero o MAGRO. Eu quero o normal. E normal, para mim, não é o normal que alguém me disse, não é o normal do tal BMI,  não é o normal para entrar na calça 30 da Levis, não é o normal da Galisteu de ter mais de 10 quilos a menos da altura. Meu normal é algo entre o peso que eu tinha quando me casei e 5 quilos depois. Assim como Adriane faz o sacrifício dela pra estar no “normal” dela, eu terei que fazer certo ( imenso ) sacrifício para chegar ao meu.

Mas a “normalidade” que eu mais busco e invejo, não é o corpo em si da pessoa “normal”, é o padrão de comportamento do sujeito normal. Vejam só o meu irmão, para não irmos tão longe. Ele é aquele cara que toma café-almoça-janta, não belisca, sobremesa só se for de vez em quando e só se for sorvete, detesta tudo que for muito cheio de molho e muito cremoso, é capaz de comer UM bis e não pedir bis. Ele não vive pra comer, come pra viver ( maldito jargão ). E vai com toda a alegria do mundo nadar 2X por semana antes do trabalho. Dividimos a mesma genetic pool e no entanto sou eu a já acordar pensando no bolo de nozes, no sanduíche de queijo derretido, na macarronada do jantar, em como eu quero aquele pavê de Bis. Sou eu que detesta fazer qualquer exercício físico e até um passeiozinho de bicicleta, só me apetece raramente e se não está esse frio dos infernos. Eu passo os dias me perguntando, essa minha comilança é comportamental, é genético, é mandinga? Se resolve com terapia, transplante de células tronco ( do irmão, claro ), desencapetamento total da Igreja Universal?

Eu só queria ser como ele, só queria ser normal.

É pedir muito?

sexta-feira, janeiro 13

Será que adianta pedir perdão a Deus?

Que fique aqui entre nós, mas gente, como eu ODEIO o OldFart. Eu realmente não gosto da palavra “odiar”, acho feio alguém ter um sentimento negativo tão forte, mas não consigo achar uma palavra que descreva meu sentimento por essa larva de ser humano.

Tudo que acontece de errado é sempre culpa do outro, ele é master de tirar o fiofó da reta. E não se compromete com o grupo, tem sempre a agendinha particular dele. Larva!

Em dezembro tinha uma reunião pra ir num fornecedor em Paris, nosso diretor mandou ele pegar um update por telefone porque ele tinha outras coisas mais importantes pra fazer. Ontem perguntei se ele checou os números da planilha que enviaram como resumo da tal reunião: não, não chequei e não tô dando importância pro assunto, não me deixaram ir pra Paris… Mas OldFart, antes de autorizar o pagamento de 200 mil euros você checou os números, certo? Não… Adriana calcula e pagamos 30 mil a mais, que nunca reaveremos. Old Fart: é, se tivessem me deixado ir pessoalmente à reunião, eu teria pego o erro. Cuma OldFart? Qualquer um em 5 minutos com essa planilha na mão vê que pagamos a mais!!!!

Hoje ele tinha que escrever dois “bullet points” com um resuminho de duas reuniões pro diretor senior member of the board, 5 minutos antes do deadline eu pedi o bullet pra dar uma revisada do inglês e checar o conteúdo, e ele: eu não vou fazer, no meu julgamento o assunto é bobo demais e não é matéria pra um bullet. Cuma OldFart? E desde quando você é que decide o que é informado ao Diretorzão ou não?

ODEIO esse homem.

Sempre aprendi que as dificuldades aparecem pra gente aprender algo muito importante na vida da gente. Ó, a coisa que eu tenho que aprender é como despachar exus profissionais com discrição e eficiência. Saravá meu Pai!

Bom fim-de-semana pra gente, porque temos ainda 50 segundas pra encarar esse ano.

quinta-feira, janeiro 12

Como procurar um emprego na Holanda

Ando muito, muito apertada de costura, tá difícil postar, mas duas leitoras me escreveram entre dezembro e a semana passada perguntando sobre o mercado de trabalho, como conseguir emprego aqui na Holanda, então deixa eu matar dois coelhos com uma cajadada só.

A difículdade em conseguir um emprego aqui na Holanda depende de vários fatores: quão especializada é sua área ( ou se você só quer um emprego simples pra ajudar no orçamento ), onde você vai morar ( empregos são mais abundantes na Randstad – joga no google ), e principalmente, como está a economia do país. Desnecessário dizer que sem falar inglês bem, as chances são pequenas.

Eu fiquei 2 anos procurando emprego: morava em Eindhoven, não aceitei as ofertas para emprego mais simples que apareceram, e o país estava em crise.

Nós, os imigrantes, via de regra já começamos com a desvantagem de sermos o "de fora", de na maioria das vezes não falamosr holandês fluente, de termos um CV com universidades e empregos anteriores que eles nunca ouviram falar. A barreira cultural a se transpor é grande, por isso na maioria das vezes, se no fim de um processo de seleção está entre um holandês e a gente, empatadinho, a vantagem vai pro holandês.

Não há solução então? Sempre há. O negócio é virar o jogo a seu favor, procurar empregos onde seu idioma natal ajuda, ou empresas que estão diversificando procurando empregar mais estrangeiros, ou então empresas – e agora são bastante delas – que estão investindo no Brasil.

Não vou mentir, estamos vindo de um ano bom para quem estava procurando, aliás, nesses meus 9 anos de Holanda 2011 foi o melhor pro mercado de trabalho, e estamos entrando novamente num ano de crise. Quem está procurando agora vai ser difícil. E muito provavelmente os empregos que aparecerem agora serão sem contrato fixo.

*** Pausa para explicação: aqui você pode ganhar contrato temporário de alguns meses, um contrato de um ano, ou contrato sem data de término, esse último é o tal contrato fixo. O que te dá mais segurança é o contrato fixo, existem vários impecilhos para a empresa demitir esse funcionário, e se você estiver pensando em comprar uma casa, é difícil aceitarem sua renda se você não tiver um contrato fixo.  É comum oferecerem um contrato de um ano com possibilidades de renovação, e se a empresa for idônea e seu desempenho for bom, vão te oferecer o contrato fixo quando o primeiro ano acabar. ***

E como começar a procurar emprego? Se você quiser só um emprego simples, o mais fácil é entrar para empresa que terceiriza mão de obra, a palavra em holandês é detachering. Algumas das mais famosas: tempoteam, ranstad, addeco, undutchables, yatch, manpower ( mão de obra de nível mais alto ).

E os outro empregos? Estarão na monsterboard.nl, intermediair.nl, nationale vacature bank ( googa aí ), e nos sites das empresas. A maioria vai estar nos três primeiros sites acima, mas procurar as empresas maiores da região e deixar um CV no site pode render bons resultados – foi assim que eu consegui meu primeiro emprego.

Capriche no CV, pode ser em inglês mesmo, holandeses não são tão rígidos com formatos de CV como brasileiros. Hoje em dia o povo sempre coloca uma foto para abrir o CV e holandeses sempre mencionam os hobbies ou atividades extras no fim ( eu acho essa prática bizarra, mas aqui é de praxe, tipo personal interests: mountain biking, tennis champion, fishing ). Saiba que o entrevistador não pode perguntar sua idade ( e você não precisa mencionar no CV ), não pode perguntar se você é casado, e muito menos se você quer engravidar. Se você for para uma entrevista e te perguntarem isso tudo, cai fora que é empresa chave de cadeia.

E Adriana, eu vou ficar rica trabalhando na Europa? Na Holanda, difícil. O salário mínimo gira em torno de Euro 1000, um pouco mais alto ou baixo dependendo da sua idade. Os impostos são pesados e escalonados, assim um baita salarião vira facilmente um salarico marromenos. Os salários são negociados com base anual, um mês extra de férias é pago em maio, décimo terceiro não é obrigatório mas muitas empresas oferecem. O empregado tem ao menos 25 dias úteis de férias por ano, podendo chegar a 40-42 juntando com ADV ( outro dia eu explico o que é ADV ). Eu sou muito sortuda e tenho 40 dias úteis de férias por ano. Algumas empresas oferecem participação nos lucros, que gira em torno de 5% do seu salário bruto anual.

Muito cuidado ao se empolgar com um salário anual, não tenha vergonha em pedir para calcularem o valor líquido mensal para você. Um salário de €50 mil por ano não vai render mais que €2300 - € 2500 líquido no seu bolso por mês. Pergunte se a empresa paga seu Pension Fonds, pergunte se dão passe de trem / ônibus ( caso você precise ), se tem vantagens no seguro-saúde. Entenda bem o pacote de benefícios.

Vá sempre a sua entrevista bem vestida, JAMAIS apareça de jeans ( a não ser que você se candidate a peão de linha – o que paga bem aliás ), ache o equilíbrio entre falar que nem uma maritaca e ficar parada lá sem dizer nada, não se atrase ( eu ía para alguma lanchonete perto do lugar com pelo menos 1 hora de antecedência só para evitar tragédias ).

E para fechar, uma ressalva. Tudo isso aqui vale pra quem tem visto de trabalho ou é cidadão europeu. Não faço a menor idéia de como conseguir empregos ilegais e ouço que praticamente não há empregos ilegais na Holanda. E para quem está no Brasil e quer vir pra cá, é um pouco mais difícil mas é possível. Normalmente o recrutamento é feito aí no Brasil mesmo, mas procurar daí nos mesmos sites que eu indiquei acima também funciona. Mas vou ser sincera, não é fácil, pois a empresa tem que provar que não encontrou na Holanda o profissional que está trazendo de outro país.

Bom, se alguém quiser deixar alguma dica ou pergunta nos comentários, vou tentar responder por aqui mesmo, e-mails só vou encontrar um tempinho no findi.

Em tempo, pra comadre Holandesa, que está passando por mais uma reestruturação na empresa, muita força na peruca. Depois de ler seu post ontem, sinceramente, eu faria o possível pra ficar na empresa pelo menos esse ano, afinal estamos entrando em crise, mas depois disso dava um belo pé na bunda dessa meleca de Philipona. Caramba, que meleca é essa de fazer os funcionários passarem por esse estresse todo a cada 12, 15 meses? Ninguém merece e devia ser contra a lei.

sexta-feira, janeiro 6

Assento não é acento!

Recentemente, pelo menos 3 pessoas me mandaram e-mails pedindo dicas dos melhores vôos da Holanda pro Brasil. Deixa-me então falar um pouco sobre a minha experiência.

Ninguém gosta de esbanjar dinheiro desnecessariamente, e depois de anos pesquisando alternativas, cheguei à conclusão que para quem vai à SP, o melhor vôo é mesmo o KLM saindo de Amsterdam. Todas as alternativas íam me poupar pouco dinheiro causando vários transtornos. Tenho horror a conexão, principalmente na volta, e o único vôo direto é o da KLM. Amigas indo à outros destinos no Brasil, preferem ir de TAP, já que essa empresa faz a conexão ainda em Lisboa e voa direto para outras capitais brasileiras. Se há um defeito nesse vôo direto da KLM é que ele chega, em teoria, às 7 da noite em SP, e também em teoria dá pra você pegar o ultimo vôo para a maior parte das capitais, mas se der tchutcho, como a tempestade do ano passado que atrasou o vôo em 3 horas, você fica preso em GRU, sem reserva de hotel. E eu gosto também das pequenas, mas valiosas vantagens que a KLM oferece: televisão individual com mais de 40 filmes disponíveis ( o vôo de ida é diurno e eu e o marido assistimos normalmente 4 filmes, amamos! ), possibilidade de pagar um pouco a mais para ter mais espaço para as pernas, comida bem decente com snacks / drinks disponiveis na galeria o tempo todo ( não temos que ficar levando bolachinha na bolsa ). A única vantagem que vejo na TAP para quem vai a SP é que se pode levar o dobro de bagagem, mas como nunca levou ou trago mais de 23 kg, pouco me importa.

Você vai viajar com bebês, crianças? Segundo a comissária de bordo com quem conversei, depois dos bebuns, os pais são os passageiros que causam mais problemas num vôo ( não as crianças! ). Por lei, crianças até 24 meses não pagam, mas também não tem direito a um assento. Essa comissária me disse que há anos estão tentando mudar esse limite para 12 ou no máximo 15 meses. Os pais de crianças entre 12 e 24 meses podem comprar passagem para seus filhos garantindo um assento, mas raramente o fazem, preferem contar com a sorte e tentar conseguir um assento de graça. Claro que se sobrar cadeiras a comissária vai acomodar a criança, não pela criança ou pelos pais, mas pelo infeliz do passageiro que vai do lado dessa mãe / pai que viaja com uma criança de 15 quilos no colo dando cotovelada e pezada em quem está do lado, passageiro aliás que não teve desconto na passagem pra aguentar esse transtorno. Eu não entendo quem não compra a passagem adicional pro filho, viagens longas são um inferno de desconforto para qualquer um, quem dirá pra uma criança pequena que não entende patavinas; então porque submeter o pequeno a esse desconforto por 10 / 12 horas? Mesmo que o adulto ceda o assento à criança durante o vôo, vai fazer o que, ficar em pé na frente do banheiro por 7 horas? O adulto vai ficar também irritadésimo e vai ser uma merda de viagem pra todo mundo. Não tem 800 euros pra pagar na passagem do seu filho? Fica em casa, viaja em alguns meses depois de juntar o dinheiro… Mas, se você mesmo assim quer arriscar, tente pelo menos alguns truquezinhos que podem te dar mais conforto. Pesquise uma empresa aérea que não esteja sempre cheia, a KLM por exemplo, normalmente tem alguns lugares sobrando, mas empresas como a TAP, que além de mais baratas juntam vôos de todas as partes da Europa parando e Lisboa e indo para destinos alternatinos no Brasil, vai ser sempre cheiaça. Veja se a empresa escolhida oferece a opção de pagar um pouco a mais pelos assentos logo atrás da galeria ( lembrando que crianças não podem viajar nas saídas de emergência ), pois embora seja meio favelão, quando o aviso de apertar o cinto estiver apagado, você pode colocar a criança no chão a sua frente todo mundo faz, a comissária não reclama e se for um casal viajando dá pra criança até se deitar e dormir. Escolha uma companhia aérea que permita reserva de assentos ( a KLM permite com 60 dias de antecedência ), assim você faz sua reserva 00:01 do primeiro dia e escolhe um lugar menos ruim. Se por cagada das cagadas nada disso estiver disponível e você ainda não tiver se convencido a ficar em casa, vá com mais de 3 horas de antecedência pro check-in e escolha bons ( menos ruins ) lugares.

Deixa eu contar agora minha tese em progresso sobre upgrades ( válida só pra KLM visto que eu só vôo por essa empresa ). Segundo nossa agência de viagens aqui na empresa, de AMS pra GRU é dificílimo arruma upgrade, eles tem um sistema aqui que conta milhas, pontos elite, quantas vezes você já teve upgrade, ou seja, meleca total. Mas de GRU para AMS, há possibilidades, já que lá eles não tem esse sistema. E para mim, o principal é upgrade de GRU para AMS, já que é vôo noturno. Para tentar um upgrade de graça, vá fazer o check-in de 4 a 5 horas antes, vá bem vestido, se não te derem de cara, pergunte sobre a possibilidade. Ano passado conseguimos de graça assim. Esse ano, não consegui chegar 4 horas antes, os poucos gratuitos já tinham ido, mas quando eu perguntei me deram a chance de comprar um upgrade. Achei que fosse ser a maior facada, mas foi Euro 199 por pessoa, sinceramente, uma pechincha pelo que oferece. Pudemos usar o VIP lounge ( quem é reclassado de graça não pode usar ) e lá tivemos lanchinhos, bebidas, saladinha, bolos, internet de graça, banheiros tinindo de limpos, acesso preferencial ao duty free. Tivemos guichê especial para despachar as malas ( sem fila ), limite maior de bagagem ( infelizmente não precisamos usar ;o) ), não pegamos fila pra entrar no avião. Esperamos o embarque sentadinhos na poltrona com champagne na mão. Mas o mais maravilhoso foi dormir a noite inteira naquela poltrona fantástica que praticamente vira uma cama. Momento Credicard total. O jantar e café da manhã são deliciosos, os fones de ouvido tem noise cancelation ( fantástico ), e de quebra você ganha casinhas de porcelana Delft de presente. Disseram que dá até pra fazer upgrade por esse preço ( se disponível, claro ) pela internet um dia antes. Como meu irmão tava sem tinta na impressora, nem tentamos, mas daqui pra frente, Deus nos ajude a voltar todos os anos de business!

Postão enorme, nem deu tempo de falar que para quem vai à Natal ou Fortaleza tem vôo charter da arke ( joga no google arke fly ), já usamos e é bem razoável. Agora falei ;o)

Agora me vou, que logo é findi. Aproveitem povo, que tem só mais 51 findis esse ano pra gente ( e mais de 250 dias de trabalho, blé ).

quinta-feira, janeiro 5

Quem ama como eu amo?

Eu pergunto aos leitores que moram na Holanda: o povo aqui sente menos, demonstra menos, ou nós brasileiros é que somos “personagens de novela” demais?

Eu já contei aqui o ( para mim ) dramalhão da loira que com 3 meses de casada trocou o marido por um colega de trabalho. Na época me surpreendeu a forma fria como ela falou que primeiro “testou a química da relação” com o amante pra depois pedir o divórcio. Talvez eu seja meio babaca mesmo, mas eu acho que o simples fato de você ter ido jantar 3 vezes com um outro cara, beijado na boca, já é indício suficiente que seu casamento foi pro brejo, e sua única escolha é ir morar sozinha ou ir morar com o outro sujeito, ou seja, necessidade zero de xifrar o coitado do marido. Engraçado é que todos os meus colegas que ouviram a explicação dela acharam lógico ela “experimentar” o novo antes de abrir mão do velho. Muito bizarra essa história, e tem mais bizarrice, conto outro dia.

Ontem eu fui almoçar com um dos rapazes que foi promovido a gerente mais ou menos na mesma época que eu, mas para um grupo de compras diferente. Ele está sendo promovido a diretor do novo escritório na India, e no almoço ele me contou que a namorada de 4 anos não ía com ele. Na verdade, romperam o relacionamento após uma viagem recente à Malasia. Segundo ele, logo na primeira semana dessa viagem constataram que ambos queriam diferentes coisas, então decidiram que ao voltar seguiriam caminhos diferentes. Eu não entendi direito e perguntei se eles continuaram a viagem separados, e ele respondeu que não, pois todas as reservas haviam sido feitas junto, que seria caro demais pagar 3 semanas separadas de hotel. Agora imaginem, você decide terminar uma relação de quatro anos ( ou leva o pé na bunda ) e segue viagem dividindo o quarto com seu ex.

Nessas histórias me surpreendem o conteúdo e a forma como falam dos “acontecimentos”, e me questiono se é eles que sentem de menos ( caramba, se eu levo ou dou um pé na bunda, por mais amistoso que seja, ou estouro o cartão de crédito pra pagar os tais hotéis ou volto pra casa, mas ver a cara do sujeito, dormir no mesmo quarto, NEM MORTA! ), ou se rolou barracão, dramalhão da parte chutada tentar reconquistar a parte chutante ( ó a novela brasileira ) e o cara simplesmente me contou de forma editada e desprovido de emoções ( porque então contar, porque não dizer apenas: terminamos – sem mencionar as condições? ).

Eu já disse aqui que não curto música holandesa, e quando eu ouço as românticas, com raras exceções, fico me perguntando se foi escrito por um programa aleatório tipo “google lyrics”, porque cadê o amor enlouquecedor, a paixão ensandecida? Amor de música tem que ser que em Luíza, em Outra vez, nem que seja que nem o “fio de cabelo”!!!

Bom, pra fechar esse post ilustrando, deixo a tradução de uma das poucas músicas românticas em Holandês que eu gosto, tradução em ingles:

Over ( Voorbij )

I feel you
Around me
You're the only one I think of
I hear your voice

I see you
Everywhere
I always take you with me
Wherever I am

So touchable
And so close
You hold
on to me

Wherever I am
Thats where you are
You actually never have been away
Like a shadow you follow me
In my house, in my head
I should be free, but I'm not
Its over, but it hasnt passed yet

I dont know
What it is
But I miss you so much
Whatever I do

Invisible
But yet so close
You hold on to me

Wherever I am
Thats where you are
You actually never have been away
Like a shadow you follow me
In my house, in my head
I should be free, but I'm not
Its over, but it hasnt passed yet

Are your days
Without me
Better than our life together?

I miss you
Day and night
So unexpectedly

Wherever I am
Thats where you are
You actually never have been away
Like a shadow you follow me
In my house, in my head
I should be free, but I'm not
Its over, but it hasnt passed yet

terça-feira, janeiro 3

O bonzinho só se ferra

A Márcia, que mora em Portugal, uma vez disse que andando na rua achou uma TV boazinha, funcionando, “jogada” em frente a uma casa. Aparentemente, em Portugal quem tem coisas aproveitáveis, ao invés de jogar fora, coloca na rua e quem estiver interessado leva.

Aqui não é assim. Ai de você se você colocar uma LCD novinha na rua, leva multa! Aliás, me admira a organização maníaca desse povo, acreditam que tem coleta especial de árvore de Natal natural?

Eis que o móvel Ikea que me prometeram que durava só 5 anos ( quando muito ), está com 9 e está inteirão. Damn it! Vai embora porque além de eu não poder mais ver a cor dele, a nova TV tela plana não cabe no buraco onde fica a TV tubão. Então estamos lá, com aquele móvel ainda bom, uma TV que ainda funciona, até controle remoto tem, e o DVD player. Tivemos dó de jogar fora.

Aqui tem o tal marktplaats, uma versão holandesa do Ebay. Holandês que é holandês raramente doa as coisas, eu vejo gente vendendo livro velho, roupa de bebê, até planta de jardim. Acho o cúmulo da sovinisse. Já me disseram para doar no marktplaats, mas sinceramente, gente estranha entrando na minha casa, arranhando minhas paredes, com as botinas sujas de barro entrando sala a fora pra buscar o tal móvel, nã nã ni nã não. Foi então que me falaram do tal Het Goed.

Esse Het Goed é uma empresa que pega móveis doados ainda em condição de uso, coloca numa loja e vende por preços módicos, que em teoria só cobrem os gastos e não dão lucros, para os menos favorecidos. Achei uma boa idéia.

Contactei a empresa e que gente xexelenta, jesuis cristinho. O móvel tem que estar no andar térreo, não pode estar desmontado, tem que estar limpo. A TV tem que estar com controle remoto ( oi?, quem comprar a TV pode muito bem comprar um remoto de 10 contos ), limpa. E é claro que só retiram seu móvel em horário comercial e o pior, sem agendamento de horário. Ou seja, para doar um móvel com TV e DVD, eu tenho que tirar o dia livre na empresa. Vai-tomate-cru. Só vou doar porque acertei com o motorista do caminhão que ele vai me ligar meia hora antes e eu corro até em casa. Mas juro, nunca mais, da próxima vez vai pro lixão, o stort.

E ontem mais outra maluquice. Já contei aqui que tenho ódio mortal de carteiro holandês, né? É incrível o que eles fazem pra se livrar de um pacote de entrega. Quero morrer com a mania de entregar sua encomenda no vizinho caso você não esteja em casa. Sempre que o site de vendas permite, eu clico o “não entregar no vizinho”, mas duas vezes o carteiro já disse na minha cara que eu sou “asociaal” ( anti-social, um xingamento terrível pra holandês ). Já tive que caçar pacote em vizinho da rua de trás, vizinho 5 casas pra frente, e pasmem, até no supermercado perto de casa.

Dessa vez, quase infartei, o carteiro veio entregar um presente de fornecedor ( 3 garrafas de vinho carésimas ) e como nem eu e nem vizinho nenhum estávamos, deixou a caixa debaixo do nosso carro estacionado na frente da garagem, praticamente na rua. E deixou bilhetinho avisando do fato, o maledeto. O vizinho viu, deduziu que o pacote era meu, guardou-o. Eu fiquei possessa e liguei pro correio pra reclamar. Pra começo de conversa, a ligação pro serviço de atendimento ao consumidor do correio é cobrado, ou seja, eu tive que pagar pra reclamar. Aí eu dou o numero da entrega e a anta responde que foi entregue, caso encerrado, quando eu expliquei a situação ela se limitou a dizer que ía fazer uma advertência ao carteiro. Eu fiquei muito puta, paguei a ligação pra ouvir a mocinha apática dizer que vai advertir o meliante que largou meu pacote na rua. O marido diz que eu sou louca e o que é que eu esperava, ela jurar que vai decepar um dedo do cara e mandar numa caixinha pra mim? Ho ho ho, é isso mesmo, marido.

Olha que início de ano legal! 

segunda-feira, janeiro 2

Promessas de ano novo

Eu estava tomando sol na piscina do Iberostar quando veio um casal muito simpático caminhando pela calçadinha que separa a piscina do mar.

Era um casal que beirava os 70. A senhora me chamou a atenção. Devia ter a minha altura, cabelos castanhos claros presos num coque banana, maiô tomara que caia azul cobalto e verde berilo marmorizado, uma canga média também verde berilo presa na cintura, e uma rasteirinha nude. Ela não usava jóias, acho que só um brinquinho pequeno, e usava um batom meio puxado pro rosa. Achei a estatura ideal pra uma senhora, tipo um manequim 42 generoso, sabe aquele que nem é esquelético ( acho feio senhoras muito esqueléticas ) e nem fofo demais? Na minha malemoleza de paulista sofrendo com o sol da Bahia, agravada pela caipiroska de caju que eu adoro, pensava: putz, olha que legal essa senhora, bonitona, aparentemente saudável, caminhando com o marido sob os coqueiros da Bahia, bem vestida… Será que eu consigo chegar nessa idade bem assim? Pôxa Adriana, como, se você não se exercita, não se mexe? Pra envelhecer bem assim você tem que começar a se cuidar agora!

Nesse momento meus pensamentos filosóficos foram interrompidos pela mocinha recém casada da cadeira ao lado:

-       Juuuuu ( Junior, Juvenal, Jumento? Nunca saberei… ), se eu ficar velha, gorda e feia que nem aquela mulher ali, você ainda vai me querer?

Olhei em que direção ela apontava, e pasmei ao ver que era para a elegante senhora. E a esposa do Juuuu completou:

-       Bom, pelo menos gosto melhor eu vou ter, usar canga, credo!

Eu, canga na cintura, caipiroska na mão, fui filosofar noutro canto. E daí certas resoluções de ano-novo

Eu posso ser uma merda de ser humano, mas sou melhor que moooita gente, taí a mulher do Juuuu pra provar. Então, serei mais bondosa comigo mesmo.

Vou ser uma velhinha legal, enxuta, portanto começarei a mexer um pouquinho mais, só por hoje. Zumba, Wii, bike, caminhada, alguma coisa nem que seja só 2 vezes por semana.

E não trabalharei 50 horas por semana.

E tenho dito ( e não tenho o Dito, que Dito eu não tenho ).

Best Wishes

Então, acabaram-se as férias.

Buahhhh.

O Iberostar Praia do Forte é ótimo, tivemos dias maravilhosos por lá, mas concluimos que chegou ao fim nossas longas estadas em resorts do tipo “sem fazer nada”. Antes, com a deficiência de ferro, eu não sentia muita energia para fazer muita coisa, mas esse ano, com o problema resolvido, em uma semana estávamos com tédio.

Uma semana antes do Natal, rebecemos a notícia de que o Bono, o Labrador da família, engasgou-se com uma bolinha de tênis e morreu. Fica aqui o alerta de que é sempre mais seguro comprar brinquedos próprios para animais num petshop de boa qualidade. O clima na casa do meu irmão estava meio pesado, triste, todo mundo muito choroso, eu inclusive. Minha sobrinha teve febre todas as noites, acabamos no hospital com ela. Jack, o collie que era o fiel seguidor do Bono, parou de comer, e tivemos que convidar o cachorrinho da vizinha pra ele brincar um pouco, e aí sim ele deu uma melhorada.

Buscamos os meninos na pensãozinha com o coração na mão, mas estavam ambos ótimos. Tyty está totalmente recuperado e o Plato ganhou os graminhas que tinha perdido no regime ( e mais alguns ).

Aqui no trabalho está tudo marromenos calmo, muita gente tem a semana livre. O chato é esse fluxo de povo vindo na sua mesa beijar e dar “beste wensen, eita dia improdutivo. Jetlag comendo solto, também.

Aos poucos, durante a semana, vou postando alguns causos e observações durante as férias brasileiras, e quem sabe rola até algumas foteeenhas.

E que venha 2012!

quinta-feira, dezembro 1

Cabeça de vento

Alguém, pelo amor de Deus, me diga o que fazer quando sua memória está zerada, acabada, escangalhada, órfã de pai-e-mãe!

Decidido: assim que voltar de viagem acharei uma nova médica de família e discutirei com ela essa minha memória, que isso não é normal!

Vou pegar alguma coisa na geladeira, abro-a e... o que é mesmo que eu queria pegar?

Estou dirigindo e no meio do percurso me pergunto... pra onde é mesmo que eu ía?

Há duas semanas descobri que eu achei - jurava de pé junto - que tinha feito a reserva do vôo de GRU a Salvador pela Gol, mas cadê? Não fiz. Acho que olhei os horários, decidi que era aquele mesmo que eu queria, mas sei lá, fui pegar um copo de água e não efetuei a reserva. Tive que fazer reserva com a TAM, que foi bem ruinzinha no ano passado, pagando não tão barato, as 7:30 da matina, mas era o que tinha tão sem antecedência.

Hoje fui imprimir a reserva do hotel em Schiphol e cadê? Gente, isso não é normal! Eu discuti com o Bart se iríamos no CitizenM ou no Sheraton, decidimos pelo Sheraton, mas cadê que eu fiz a reserva? PQP!

Eu sei que o problema com ferro afetou minha memória, mas caracas, já estou com ferro acima de 9 há 6 meses!!!!

Agora estou com muito, muito medo de ter comido outras bolas nessa viagem. Esqueci de mais alguma reserva, tô levando os documentos, tenho calcinhas na mala????

Meleca!

terça-feira, novembro 29

O capiroto tá de oio n'eu

Passei os últimos dois dias enfurnada num centro de treinamento. Muito bom o curso, só não gostei de terem colocado o chefe do chefe na mesma turma, como ir lá, de cara lavada, falar de seus pontos a melhorar, fazer filminho pra analisar linguagem corporal, discutir meu baixo nível de controle emocional numa negociação, tudo na frente do chefe do chefe?

Ando com várias preocupações ultimamente, coisas com a minha mãe; o clima bem tenso na empresa por conta da recessão, já tive meu primeiro caso de falência nessa nova crise, comunicado sexta-passada, ou seja, uma semana antes das minhas férias. Viajo na sexta, nem lavei algumas das roupas que quero levar, a mala ainda está no zolder.

Tem época que a cabeça da gente tá embananada, devagar, e aí vos pergunto: não deixar a peteca cair ou recuar um pouco, descansar a mente, dar-se um pouco de mimo? Óquei, já sei, só yoga salva!

Hoje no curso tivemos que fazer uma lista com nossos pontos positivos e negativos, tudo relativo aos nossos poderes de negociação ( esse era o tema do curso ), e em um segundo minha mente digressou a todos os meus pecados, imperfeições, pés na jaca e urucas afins. Estou convencida de que o Capiroto já tem a lista e está reservando lugar de honra no seu reino para essa que vos escreve.

LISTA DE MOTIVOS PELOS QUAIS A ADRIANA É DE INTERESSE DO CAPIROTO

- Adriana não deu atenção suficiente à encomenda da Kipling da (sua única) sobrinha e encomendou o rosa errado

- Adriana não resistiu ao péssimo hábito de comprar pacotinhos de calcinhas HEMA novinhas para a viagem, só porque elas já vem dobradinhas e ocupam mínimo lugar. As 12 recém compradas juntar-se-ão as outras 42 que ela já possui ( não estou brincando na conta )

- Adriana já trabalha há 15 anos em compras ( olha como eu sei usar o "há") e ainda tem traços de "conscious competence" nos seus métodos de negociação ( googuem aí ), o que quer dizer que ela é praticamente uma burra, e toda a burrice será castigada

- Adriana tem 100 vezes mais vontade de ter um cachorrinho Yorkshire do que parir um bebezinho fofinho (dessa nem o Tim Tones salva)

- Adriana mora a 1500 mt do trabalho, percurso 100% coberto por ciclovia, e mesmo assim vai trabalhar de carro todos os dias, apesar da bunda tamanho 46

- Adriana sissibila, por vezes parece estar falando em "parseltongue"

- Adriana, mesmo que num passado muito ( muuuuuito ) distante, votou no Malufão

- Adriana comeu 8 guiozas na segunda ( Dr. Agatston, me perdoe )

Este caros amigos, é o momento de ficar quieta no meu canto porque tudo está me chateando, tudo está me deixando down. Em 3 dias estarei indo pro sol da Bahia, vou tomar caipirinha de caju e comer acarajé. Depois disso tem colo de mãe ( gagá, mas mãe all the same ), tem família linda, com sobrinhos humanos e caninos, e Natal com pernil assado.

Há que se ter fé e passar uma rasteira no capiroto.

quinta-feira, novembro 24

OldFart véio babão se ferrou

Estávamos agorinha falando do diretor Belga baixinho que passou a exposição brasileira inteirinha babando nas modeletes. Nós, as “moças” dizíamos que era simples, caras atraentes não ficam babando, são babados, e que é realmente “disgusting” esses véios bestas babando as gatinhas, o que é que eles tão pensando, como se a modelete cheia de gatinhos babando nela, vai dar bola pro véio babão.

O OldFart, que é um cu, e é mal educado, e não tem simancol, já tinha me irritado essa semana, ele me disse que eu “preciso deixar minhas unhas crescerem porque é mais atraente”, eu só respondi que o mesmo vale pros cabelos dele ( ele é calvo ). Dessa vez, ele olha bem pra Loirinha Peituda, aquela que 3 meses depois de se casar se separou pra ficar com um cara do departamento 16 anos mais velho que ela ( nota da blogueira: o cara com quem ela agora está morando tem 42 anos mas é muito bonitão, sexy pra caramba ), e manda: ué, o R. ( o novo namorado ) babou a gatinha e levou, é por isso que a gente baba descaradamente, às vezes dá certo!!! ( apontando pra ela, que estava na rodinha )

Todo mundo gelou. Eu achei que ela fosse dizer que o namorado pelo menos já estava divorciado, ou que não era da conta dele ( do Old Fart ), mas ela simplesmente olhou pra ele de cima em baixo, e muito calma perguntou: OldFart, você tem espelho em casa?

Amey!

Nada muda

A nova colega slovaca é filha de uma médica pediatra. Ela está aqui do meu lado horrorizada com o que estão falando pra ela da tal Consultatie Bureau. Long story short, aqui não tem médico pediatra, seu filho tem que periódicamente ir a um centro médico onde ele vai ser pesado, medido, observado e vacinado. Lá tem uma tabela estatística ( não falo aqui que todo médico holandês começa a facultade estudando matemática? ) e se o que é observado no seu filho tá dentro da média, beleza, se não, ele é encaminhado pra um especialista. Parece que é efetivo, apesar de ser uma fabriquinha de mini-holandesinhos, mas quem sou eu, "desfilhada" pra julgar? Meu médico pediatra, o Dr. Cervantes, foi também o médico pediatra escolhido pelo meu irmão pros filhos dele, eu tinha 26 anos quando o Dr. Cervantes pediu pra eu ir no próximo check-up com o Bruno, estava com saudades e queria me ver. Tem preço isso?

E os sobrinhos, que não são mais crianças, me mandaram links pros presentinhos. O sobrinho foi direto num site de informática, tô levando coisa que eu nem sei o que faz. A sobrinha me pediu uma bolsa Kipling e uma calça Diesel. A calça que ela quer está na Bijenkorf por €82, no Brasil custa R$715. Meu irmão, que dever ter sido turco na outra encarnação, já me perguntou se eu não quero levar muambra pra revender pra "amygues" da sobrinha. Salvei a adolescência dela dizendo um sonoro não, pai sacoleiro ninguém merece.

E claro que eu deixei tudo pra última hora, claro que tô desesperada, claro que não vai dar tempo de nada. Claro que já estou macambúzea com a depressão de inverno estamos há uma semana nos afogando na neblina. Zilhões de coisas pra fazer no trabalho, zilhões de coisas pra acertar fora, e essa maledeta cidade onde tudo fecha as 6 da tarde. Hoje vou pra Roermond no outlet, tenho que sair daqui as 4 da tarde.

Tudo vai dar certo, esse ano estou enfrentando o inverno com o meu Little Poney ( nome do meu carrito ), e há esperanças de dias melhores.

Amém.

segunda-feira, novembro 21

Dá pra fazer mesmo em 30 minutos?

Eu adoro as 30 minute meals do Jamie Oliver, mas nunca botei muita fé que daria pra fazer tudo aquilo, sem ter a experiência de chef, em 30 minutos. Decidida a comer uma boa pasta que coubesse na fase 3 da minha South Beach ( integral ), escolhi essa 30 minute meal do Jamie Oliver:



Desde o começo decidi que o pão ficaria de fora, porque não dava pra encaixá-lo na tal fase 3. O fennel ( erva doce? ) da salada também ía ficar de fora porque eu odeio. Então comecei assim:

Coloquei água pra ferver, dei uma limpadinha na área, peguei minhas panelas, frigideira pro molho, uma tigela pra salada. A salada foi a primeira, eu já tinha comprado meus rabanetes sem a folhagem e limpinhos, só fatiei em cima de uma cama de baby folhas. Espremi um limão num potinho pra nós usarmos pra temperar a salada, deixei na mesa ao lado do azeite.

Coloquei a água do macarrão pra ferver, e como o Jamie, coloquei o chocolate da ganache ali no "bafo" e fiquei ali jurando que aquilo não ía dar ponto. O truque da pitadinha de sal no chocolate é tudo, são esses segredinhos que a gente não sabe e outros chefs não ensinam.

Enquanto isso comecei meu molho, meu atum vinha em azeite e não em óleo comum, usei um chili pequenito só ( ele disse 1 ou 2, a gosto ), o alho - me embananei no alho porque não tenho o super esmagador que ele tem e tive que pelar antes, as alcaparras, as azeitonas e as anchovas. Fiquei me pelando de medo das anchovas porque não sou muito fã de anchovas, mas botei minha fé no Jamie. Salsinha aromatizando o óleo ( podia ter colocado mais ), atum, e minha mão se recusou a jogar canela naquela mistura que estava cheirando ultra-bem. Mais uma vez fui com fé nas indicações do Jamie e taquei a canela ( mas fui mais conservadora que ele ). Coloquei a passata, deixei engrossar um pouco. Nesse meio tempo a tal ganache, por um milagre, deu ponto. Servi com morangos e com uns biscoitinhos Atkins ( que ninguém comeu ). Joguei então meu macarrão no molho ( salvei uma metade antes, porque minha porção era só pra 2 pessoas ), arrematei como ele com água do cozimento, tremi na hora mas coloquei o limão, finalizei com mais salsinha e um fio de azeite.

Deu em menos de 30 minutos? Não, deu 32 e eu não fiz o pão. Qual a explicação? Bom, eu perdi tempo ao pelar o alho e demorei pacas pra desencaroçar as azeitonas. A destreza dele na faca não se compara, então minhas salsinhas demoraram o dobro. Mas o que mais "roubou" tempo foi não ter tudo à mão ( tive que procurar o alho, não conseguia abrir as alcaparras...) e principalmente, as limpadinhas. Veja que o Jamie vez por outra dá uma esfregadinha de mãos no pano de prato, mas com a mão cheia de salsinha ele se mete a fazer a ganache, e eu ali só pensando que eu morreria se caísse salsinha na minha linda e sedosa ganache. E eu lavei as mãos depois de abrir o atum, as anchovas, e se caiu salsinha no chão eu limpei pra não pisotear. Então no fim, deu 32 minutos, o que eu achei bem ótimo. Passei no mercado do lado de casa pra comprar os ingredientes e demorei 20 minutos, cozinhei em 32 minutos, foi uma hora entre a porta do escritório e a cadeira da mesa de jantar.

E a comida? Nunca comi pasta melhor, Jesus. É muito, muito, muito bom. A ganache também ficou de chorar. A salada tava simples demais, vou procurar alguma outra pra completar a refeição.

Então, vale a pena? Demais!

California* Dreaming

PQP, que frio.

Já tirei os casacões mais ões do armário, dois deles já estão no hall. Estrangeiro sofre, além de ter que aprender, normalmente na base do erro-acerto, a complicada ciência casaquística, ainda tem que aprender a ciência “penduradora de casacos”. No Brasil nunca tivemos um pendurador de casacos, aqui estou no meu terceiro, e acreditem, foi difícil escolher, tem que ter um número X de ganchinhos, tem que ter um móvel perto pras luvas e cachecóis, um baldinho pros guardachuvas molhados.

E daí, porque eu sou meio anta mesmo, todo ano tem aquele dia do “me ferrei”, aquele dia que você percebe que já deveria ter começado a usar suas roupas de invernão. Esse ano foi um par de sapatos com meia fio 40, vim com um lindo scarpin e meia fio 40 e congelei a manhã toda, até que fui pra casa na hora de almoço pra calçar botas e meia grossa. Aliás, junte aí botas ao menu “essencial” junto com os casacos. No Brasil botas são bonitas e legaizinhas, aqui, especialmente pra quem tem pés ultra frios como eu, é usar ou morrer. ( olha o drama )

Doutora Alice fala da touquinha, e eu vos digo: muita calma nessa hora. Eu não chapinho o cabelo, mas seco e deixo ele bonitinho todos os dias, vou amassar meu penteado com um touquinha inapropriada? Vou deixar minha orelhas desprotegidas e pegar uma infecção de ouvido? Não!!! Há um meio termo, tem várias touquinhas ou chapéus que não escangalham sua cabeleira, eu gosto daquelas touquinhas frouxas, que você fixa perto das orelhas e ela fica meio solta em cima, sem amassar o cabelo.

Meio que mudando o rumo dessa conversa, mas não muito, vamos a sessão confissões, conselhos.

Eu sempre vou viajar no começo de dezembro. Já planejo a roupa do avião: pra aguentar 12 horas tem que ser ultra confortável, normalmente acabo com um jeans, tenis, uma camiseta de manga curta ( pra não morrer ao chegar no meu destino tropical ), uma blusa, casaco. Aí estou eu lá confortável quando chegam aquelas mulheres super bem vestidas, botas de saltos, vestes charmosas, e eu, confortável ou não, fico me sentindo uma marmota. O pior é que eu acho que roupa influencia sim nos upgrades, ano passado eu fui pro aeroporto em SP Com um lindo vestido e sandálias de salto, cabelo esvoaçante e maquiagem, recebemos um upgrade, o cara foi na fila puxar gente pra receber o upgrade, então ele viu bem a “facha” dos upgradados. Coitado, mal sabia ele que eu estava prestes a ir pro banheiro colocar meu jeans e all-star que estava na mala de mão. Agora estou aqui esquentando a cabeça, vou de bota de salto baixo quentinha, nada elegante, jeans, e o que mais povo? Esse ano ninguém vai me buscar no aeroporto de SP, botas e casacão serão carregados pra Salvador e de volta! Já estou me sentindo mulambenta desde já! Sacola! Digam aí, sou só eu que sofro desse mal, o de não saber dosar conforto X aparência?

*Praia do Forte

quinta-feira, novembro 17

Breaking Dawn*

Hoje eu ando me perguntando muito se o que eu acho que eu quero é mesmo o que eu quero.

Uma vez uma leitora escreveu que trabalhava só mesmo para ganhar um dinheirinho porque precisava ajudar em casa, mas que não tinha ambição nenhuma de fazer carreira, de mudar de cargo, de crescer na empresa. Esse comentário deixado num post há anos ainda “haunts” me ( me persegue? ).

Eu trabalho numa empresa que eu gosto, eu fui promovida a um cargo de gerência há pouco mais de um ano, e confesso que nunca esperei que como estrangeira, mulher, fosse chegar a isso, tenho colegas de quem gosto, levo 6 minutos da porta de casa a porta do departamento, ganho bem. Mas, então porque será que hoje estou tão incomodada com meu trabalho? A carga horária que continua pesadaça, o trabalho que muitas vezes não é reconhecido, as mil vezes que eu tenho que sorrir e engolir um sapaço “OldFartiano”, o colega que está indo pra um curso mirabolante em Seattle e eu não, as reuniões que continuam se multiplicando como um virus… Vou falar pra vocês, middle-management é uma bosta. B.O.S.T.A.

O pior é ver que a crise está vindo. A produção já está cortada em um terço e cortar-se-á mais. Hoje abrimos um site de aço e todas as graduações estão mais baratas, sabem o que isso quer dizer? Que tá todo mundo consumindo menos, que tá todo mundo reduzindo suas produções. Na fábrica, os funcionários já estão tensos: será que teremos 2009 novamente? Demissões, sindicato na porta, redução de jornada de trabalho, todos os gastos cortados…

Por isso vos digo, colegas de blog, essa não é a hora de procurar emprego novo, aqui nas Zuropas ou melhor, na Holanda, tem a tal lei-espelho: dividem todo mundo em faixas etárias e o ultimo a entrar é o primeiro a sair. Não é hora de gastar din-din – quem sabe onde o facão vai atacar ( ai meus sais, será que minha viagenzinha pra Kokomo vai pro beleléu? ).

De resto… tudo como dantes no quartel de abrantes. “Vamos” trocar o carro da minha mãe, meu zolder ainda não foi feito, ainda tô gorda, ainda estou estudando holandês, ainda não achei como desligar o corretor de texto ( que virgule era aquela, Anderson? ), mas faltam só 17 dias pra eu jogar tudo pro alto, mandar tudo às favas, e ir molhar a bunda no mar baiano.

Sabem mais o que eu tenho que fazer? Aprender a crasear. Sou péssima em crases e a Paca ( blog pacamanca ali do lado ) voltou a blogar, dessa vez com comentários abertos. Sugestão de post pra Paca: o mistério das crases.

Tcheu ir lá cuidar da vida, que a morte é certa.

*Inspirada pelo filme que vi ontem e adorei, vos digo, tive um momento Breaking Dawn no staff meeting de hoje, o que causou o momento macambúzio no qual me encontro.