quinta-feira, fevereiro 9

Elfstedentocht

Ontem a Holanda inteira ainda esperava, mesmo que sem muito otimismo, a confirmação ou não da Elfstedentocht ( Corrida das Sete Cidades – em invernos muito frios, na província de Friesland, no norte do país, canais congelam, ligando 11 cidades por uma imensa pista de patinação de gelo com mais de 200 km, e skatistas profissionais ou não participam de uma corrida por esses canais congelados a última foi em 1997, porque a espessura do gelo tem que atingir 14cm e isso é super raro ).

Chegando no trabalho, na filinha da máquina do café, um desconhecido comentou ao notar que eu sou estrangeira: você vai ver nossa euforia se a corrirda for confirmada, a Elfstedentocht é o nosso superbowl.

E aí fiquei pensando… O superbowl é mesmo representativo da cultura americana, pelo que dizem, e sei lá, é aquela extravagância exagerada toda, os jogadores são milionários, com esposas modelos milionárias, e gente famosa e milionária na platéia, e dona Madonna, que não precisa na idade e nível profissional dela se enfiar numa mini-saia e ir competir o rebolado com duas no-ones ( eu fiquei tensa a apresentação inteira, vendo a hora que a madonna ía se estabacar no chão, que rolou alí, salto muito alto, palco escorregadio, Madonnão com a coluna travada? ).

Enquanto isso, numa terra do velho mundo, coberta de gelo ( pero no mucho ), um país inteiro espera a natureza tomar seu curso e congelar o laguinho e o canalzinho ( onde vão parar os patos, minha gente? ), pra irem pra uma das tais 11 cidades, congelar ao ar livre, tomando sopinha (Unox) ou chocolate quente (Chocomel), enquanto esperam os participantes da corrida passar. E ía ter muita roupa, plumas e perucas laranja, e alguém ía desenterrar umas vuvuzelas, e ía ser lindo. O prêmio? Nada! Ter seu nome registrado na história do país como o ganhador da ElfStedentocht ano XXXX. E claro que no fim alguém ía dar um copinho de sopa de ervilhas pro cara J. Ha ha ha, tenho certeza que se estivéssemos nos EUA, já teriam inventado uma máquina de congelar os canais na marra, o prêmio seria de 5 milhões de dolares, o ganhador seria capa da Times, e cobrariam ingresso – sei lá como, mas cobrariam.

Tenho que admirar esse povo holandês. Tenho que agradecer ter vindo parar aqui e não nos EUA. A Holanda está me ensinando o que eu preciso aprender, afinal, eu lá no nosso Brasil tupiniquim, também já fui viciada em roupas de marcas, em carros mais caros do que eu podia pagar, em baladinhas que arrombavam meu orçamento, se tivesse ido morar nos EUA, estaria com 5 cartões de crédito estourados.

Estou feliz de estar aqui, sabem?! Estou menos ranzinza, estou mais tolerante com as coisas que aqui eu não posso ter ( só vou sentir falta eternamente da empregada ), com o que ficou pra trás. Não me sinto mais em casa no Brasil, a diferença é que estou me sentindo cada vez mais em casa aqui. Já era tempo. Quem sabe agora não fica até fácil dominar essa linguinha linda e sonora? Tô até mais boazinha, baixei umas músicas do Guus Meuus.

Nossa, que lindo, vou soltar uma lagriminha de emoção, a tia Madonna quase se estabacando no palco ao lado de duas pafúncias me fez ver o quanto eu aprecio a Holanda.

Brigadinha Madonnão!

P.S.: e foi confirmado hoje que para a tristeza geral da nação, não teremos a Elfstedentocht esse ano. Oh, dó.

quarta-feira, fevereiro 8

It's a small world after all

Uma coisa que aprendi aqui e lá no Brasil me horrorizo: como o povo por lá deixa pra programar suas férias na ultimíssima hora! Amo o jeitão dos holandeses, chegam de uma e já reservam as próximas. Desde dezembro fechamos um pacote para a Jamaica em maio, pegamos uma ofertona num hotel fantástico "no kids" e ainda por cima tivemos um desconto "vroegbook korting" ( desconto por compra adiantada ) que nos permitiu pagar o upgrade pra "star class" ( um pouco melhor que a economy plus, um pouco pior que a business, já que a Arkefly eliminou a antiga business ) e ainda economizar €590. A Arke ( nossa agência já há muitos anos ) ainda inventou uma nova vantagem: se você reservar com bastante antecedência e mudar de idéia até 10 semanas antes da viagem, pode mudar o destino, o hotel, o que quiser!

Com as férias de maio já resolvidas, me perguntaram aqui na empresa se eu ía esse ano pro Brasil, porque assim poderia emendar uma viagem a trabalho. E sinceramente? Não quero ir. O Brasil está caro demais. Fora a barbada que pegamos nos hotéis Iberostar reservando daqui, em outros lugares está tudo caro demais. Pousadas no Alagoas com preços começando nos R$ 500 a diária com café da manhã, em Trancoso começando nos R$800… E eu e o marido curtimos hotéis legais, não somos do tipo "vamos pro quarto só pra dormir". A gente senta na varanda pra ler, a gente assiste TV antes de ir jantar, a gente valoriza messsssmo um quarto de hotel com todas as comodidades.

Eis que comecei a pensar em ir pra Asia, a primeira coisa que me veio na cabeça foi Bali, mas depois de ler o relato de viagem da Adriana ( Drieverywhere ) eu desisti, muito longe pra ter praia ruim. Aí comecei a pensar em Tailândia e Malásia. Os únicos templos budistas que eu já visitei foram os de Taipei, e são lindos, é muito emocionante estar em um; mas pra gente, férias tem também que ter praia, e todo mundo fala muito bem das praias da Tailândia. Alguém aqui já foi praquelas bandas? Estou tentando achar sites e foruns, se vocês puderem indicar alguns, please – vou adorar. Li os relatos do Drieverywhere, mas embora as dicas de atividades sejam boas, viajamos em esquema diferente, eu não encararia os hotéis que ela encara, e gastaria um dinheirinho a mais com certas comodidades ( como táxis, guias ). Help, pípol?

E a viagem sonhada pra Orlando? Mais uma vez adiada, dessa vez o sobrinho estará prestando vestibular, e o plano era a família se reunir pelas bandas de lá.

terça-feira, fevereiro 7

Bolada!

A Holanda tem uma só empresa automotiva de carro de passageiros, chama-se Nedcar, fica em Limburg ( sul da Holanda ) e anunciou ontem que vai fechar as portas. Já há quase dois anos, temos alguns funcionários dessa empresa trabalhando aqui com a gente. Acho interessante como esse negócio de benefício social, salário desemprego e pacote de demissão funciona, então deixa eu contar pra vocês me darem sua opinião se funcionaria no Brasil.

Em 2009, no auge da crise, minha empresa e várias outras da região pediram auxílio ao governo. A lógica é simples, ou o governo ajuda a empresa, ou a empresa demite, e aí perde todo mundo, a empresa, que tem que pagar os pacotes de demissão, o governo, que tem que pagar salário desemprego pra esse bando de gente por sabe-se lá quanto tempo, e principalmente o funcionário, que vai receber o salário desemprego, não vai morrer de fome, mas vai ter que batalhar em meio a uma crise pra encontrar um emprego novo ( pros mais jovens é menos problemático, mas imagine o cara de 50 / 55 anos, que ainda tem que trabalhar pelo menos uns 10 mas é menos “desejável” no mercado de trabalho). O governo cedeu o benefício a várias empresas ( o funcionário ficava um dia da semana em casa e o salário desse dia era pago pelo governo ) mas a condição é que quando as coisas começassem a melhorar com uma empresa, ao invés dela ir contratar mão de obra no mercado ( todos os temporários foram dispensados no início da crise ), teria que usar a mão de obra das outras empresas que ainda não melhoraram, num tipo de terceirizacão. E daí termos contratado o pessoal da Nedcar. Eles tem um contrato Nedcar, são alocados na minha empresa, trabalham super bem porque são super experientes na área, e de quebra, são ótimas pessoas – eu tenho dois senhores, um de 51 e 58 que tem performance 10.

Agora a Nedcar tem que mandar essas pessoas embora. No minuto que anunciaram, o sindicato já estava fazendo piquete na porta da empresa pra negociar o plano social. A Holandesa ( link ali do lado ), já falou sobre isso e até ensinou a fazer as continhas. A grosso modo, esses funcionários tem que receber 1 salário mensal bruto por ano que trabalharam na empresa antes dos 35 anos, e 1,5 salário bruto por ano que trabalharam depois dos 35. Meus dois funcionários tem 28 e 33 anos de casa, imaginem a bolada que eles tem que receber. Um deles, que lá é gerente, comentou que a bolada dele ficaria em 380 mil euros, tudo bem que o leão fica com 52% da grana, mas imaginem só!!!!

As negociações seguem, sindicato involvidíssimo, meus “rapazes” estão nesse momento lá na porta da fábrica, lutando pelo “potje geld” deles ( potinho de dindin ).

Aqueles que foram demitidos, além do potinho de dindin, entram pro salário desemprego. A grosso modo, você tem direito a um salário quase integral por ano trabalhado, ou seja, o colega que tem 32 anos ganharia um salarião por 32 meses, eu, ganharia só 8. Pra isso, você tem que provar que está procurando emprego, o que você faz mandando CV pra vagas, eles te mandam uma cartinha “recebemos seu CV”, e se você não for selecionado recebe uma cartinha “lamentamos, mas escolhemos outra pessoa”, e essas cartinhas você manda pro órgão especializado UWV. Esse órgão pode te mandar pra entrevistas em vagas que eles tem abertas, pode te chamar pra uma “conversinha”.

E é daí que eu fico pensando. O sistema tem mil motivos pra não funcionar, porque depende da honestidade das pessoas. Funciona porque, apesar de ter gente folgada e que ludibria o sistema, esses são ainda a minoria. A teoria de que o ser humano prefere um emprego à caridade aqui parece funcionar melhor que no Brasil. Então, o sistema daqui funcionaria no Brasil? Nem a pau, Juvenal, penso eu.

No Brasil, uma pessoa próxima comentou que conseguiu um emprego, mas que ía trabalhar os primeiros 4 meses “sem registro” porque assim poderia também receber o salário desemprego, apesar de estar trabalhando. Essa parece ser uma prática normal. No Estadão, uma matéria sobre procurar empregos diz que “se você não receber um retorno uma semana após mandar um CV, é porque ficou fora do processo”, como assim Bial, nem mandam um e-mail de duas linhas informando do fato? E como então provar que você está procurando emprego? No fundo, o que eu estou querendo dizer, e me desculpem os mais sensíveis, é que o holandês é sim senhor mais honesto que o Brasileiro.

O negócio no Brasil é tão exdrúxulo, que até eu, quando saí da GM, acabei caindo no poço sem fundo das estranhisses brasileiras.  Saí da GM num pacote de demissão voluntária, ou seja, saí porque quis. Aqui na Holanda, quem sai porque quis não tem direito a salário desemprego. Eu saí com uma ótima bolada, na época, livre, tirei quase 20 salários, e olha que o salário da GM não era dos ruins. Aí a mulher do sindicato que pega suas assinaturas no fim do processo, já te dá um recibo, ela mesmo já entra com o pedido de salário desemprego pra você. Aí eu, que fui voluntária, que estava com uma bolada no banco, que não estava procurando emprego porque ía me mandar do país, recebi uma cartinha “pode vir pegar seus 300 contos de salário desemprego”. Era tudo muito surreal, primeiro que o valor, que na época era menos que 10% do meu salário na empresa, caso eu estivesse desempregada mesmo, com família pra sustentar, não ía pagar nem o miojo das crianças. Segundo que ninguém nem pergunta: você precisa? O negócio é tão bizarro que eu vim pra Holanda 2 meses antes do benefício acabar, e dois anos depois, quando voltei de férias, o dinheiro estava lá me esperando, com correção monetária!

Alguns anos depois, nas férias de 2008, outra cartinha me esperava: eu tinha direito a sacar 900 reais referentes ao PIS dos anos X a Y. De novo, ninguém avalia se você precisa, e honestamente, eu nem sei o que é o PIS e porque eu tinha direito a restituição. Ah, Adriana, você reclama mas aposto que não devolveu o dinheiro. Não, não devolvi, e mesmo que quisesse, pra quem? Mas pelo menos uma coisa boa eu fiz: torrei a grana ali no Brasil mesmo, criei uns empreguinhos a mais e dei uns impostinhos extras. Adriana ajudando a economia nacional!

Postão, né? Sorry, mas é que depois de tantos anos aqui, poucas são as novas experiências, e quando eu passo por alguma novidade, quero contar! Ficarei aqui torcendo pros meus “senhores nota 10” receberem suas boladas, e no meio tempo, já tenho o papelucho que me autoriza a contratá-los assinado pelo diretorzão.

terça-feira, janeiro 31

Zalando ou Shoe Stock?

Como vocês sabem, motivada pelos conflitos com o OldFart, procurei na empresa um programa de Mentorship. Meu mentor é um touro, e não tem papas na língua pra falar o que quer e o que não quer pra você. Ele dá um “opdracht” ( um assignment ) e trabalhamos nele em etapas. Estamos trabalhando o tema “motivação”, e esse opdrach consistia em uma análise da pirâmide de Maslow ( googuem aí porque não importa qual a sua “carreira” – mesmo que for prendas do lar – você vai entender muita coisa e se inspirar na teoria ).

Passei muito tempo estudando a teoria, estourei o prazo, mas a verdade é que uma palavrinha ali me incomodou a um ponto que eu travei, fiquei sinceramente com medo de ter que discutir a teoria com o mentor ( que é um Touro ) e acabar revelando que eu mesmo estou me questionando de uma forma que não deveria estar a essa altura da vida.

Eu vivo, há 2 anos, desde que fui promovida, em constante pânico, constante medo de fazer alguma asneira, encafifada com o desempenho dos meus colegas ( estão se dando melhor que eu, pior? ), insegura do trabalho que antes era pra mim puro contentamento, afinal eu era boa pacas no que eu estava fazendo. E o diagnóstico é fácil: auto-estima, eu tenho sérios problemas de auto-estima.

Passei essas duas semanas revendo episódios da minha vida que geraram essa falta de auto-estima, e confesso-lhes colegas, que essa é uma “inner trip” devastadora. Reviver fatos que me magoaram tanto há 20, 30 anos é uma experiência tão ruim quanto viver o fato pela primeira vez, porque hoje eu vejo as coisas de forma diferente e fico me condenando por não ter feito isso ou aquilo.

Eu não quero ser aquele tipo de gente que fica remoendo os problemas por séculos ( ou literalmente décadas ), portanto eu preciso achar um “tratamento infalível”. Não sei se é o tal de mindfulness, afinal – het is al gebeurt ( já aconteceu ) eu se vou pra um psicólogo pra botar as coisas pra fora, culpar minha mãe como todo mundo que vai a psicólogo faz ( terrível esse meu comentário sobre quem vai a psicólogo mas de qualquer forma, certas culpas são mesmo da minha mãe, que eu sei tinha todas as boas intenções do mundo, e fez o melhor que ela pode, mas de qualquer forma me magoou da mesma forma ), ou se me converto a uma dessas religiões que coloca toda sua esperança cega em Deus e culpa igualmente cega no Diabo ( ao invés de seguir no espiritismo, que sempre aponta você como causa e também a solução para todos os problemas que te afligem ).

Já googuei: tratamento para melhorar a auto-estima, e caí num site que vende sapatos. Ha ha ha. Vai ver que essa é a solução pro meu dilema, comprar aquele Louboutin cinza que eu adorei.

quinta-feira, janeiro 26

Quem paga a conta?

Uma das coisas mais difíceis pra entender, pra essa pobre brasileira expatriada, é o governo socialista daqui. Acho o princípio da coisa muito válido, os colegas de trabalho me perguntam como é que o brasileiro consegue viver numa casa de luxo e passar todos os dias na frente de uma favela, perguntam se não seria melhor morar numa casa um pouco menos luxuosa, dividir a renda com quem mora na favela, assim a favela deixa de existir ( não porque achem que o favelado tem que ter melhores condições de vida, mas porque não querem olhar pra favela ). Eu respondo que se ele perguntasse pra um brasileiro favelado esse iria dizer que seria melhor sim, se ele perguntasse pra um dos meus ex-colegas de trabalho a classe média em geral – eles íam dizer que já pagam impostos demais, que já são achatados demais, que já pagam escola pros filhos, plano de saúde particular, aulinha de inglês, vigilante noturno, e tantas outras coisas que suprem as deficiências dos serviços públicos. E o pior é que ambos tem razão. E os super-ricos… ah, esses não tão nem aí, bobeou metade deles já está morando parcialmente naqueles condos na Florida, que tanto aparecem nas revistas brasileiras.

Hoje recebemos um comunicado que as contribuições sociais aqui na Holanda estão mudando. O negócio é interessantíssimo, e apesar de ser uma bombaça no meu orçamento, há que se admirar a forma como fazem. É o mais absoluto governo Robin Hood. Além de pagarmos plano de saúde "particular", todo mundo paga um tal de ZVW que é a contribuição para o subsídio governamental à saúde pública. Hoje pagamos 7.75% do salário, limitado a um teto de € 33 mil. O percentual vai abaixar para 7.1%, mas o teto vai subir pra € 50 mil, ou seja, quem ganha menos de €33 mil tá feliz da vida e quem ganha mais viu a contribuição quase dobrar.

Para o fundo de aposentadoria é a mesma coisa, o valor isento aumentou ( incide sobre a primeira parte do seu salário, mais ou menos € 16 mil ), o percentual diminuiu, mas o teto aumento. Mais uma vez, quem ganha mais, paga mais.

Eu acho justo que quem ganhe mais pague mais, mas o negócio tá descarado demais! O governo alega que o povo está vivendo mais, portanto o governo tem que pagar aposentadorias por mais tempo, gastar mais com hospitais. O detalhe é que aumentaram a idade de aposentadoria de 65 pra 67. Caramba, trabalhar até os 67!!! O povo reclama das mixarias pagas à aposentados no Brasil, mas com essa lei de se aposentar por tempo de serviço, meu pai se aposentou aos 49 anos.

Ontem eu falei da tal casa social, que neguinho entra no benefício e não sai jamais, taí. Somos nós pagando por programas sociais ineficientes. Eu sinto falta do governo revisar esse benefícios mal-usados, ao invés de simplesmente mexer na taxa tributária. Sempre que o calo aperta eles vão lá e mexem na restituição pra creche, por exemplo. Caramba – enquanto tem mulheres que gostariam de trabalhar mas o salário mal dá pra pagar a creche, tem gente morando em casa social e saindo de férias todos os anos.

Tudo bem que não temos o Tiririca no governo aqui, mas tem muita coisa pra melhorar Ah, e os salários que eu menciono aqui são anuais.

quarta-feira, janeiro 25

Xororô

Não entendo em SP esse xororô todo pelo fim da sacolinhas plásticas do mercado.

O que mais vi nas duas visitas ao país que fiz no ano passado, foi gente de carrão zero, de roupinha de marca, indo viajar pro exterior ( o resort na Bahia esse ano estava às moscas ), e aí neguinho fica miguelando sacolinha de plástico? É tão simples, é só comprar umas sacolas apropriadas pra lixo e deixar de usar a sacolinha para esse fim ( que coisa mais brega essa mania ), e comprar umas boas sacolas reutilizáveis pro dia-a-dia. Ah, e quando esquecer? Faça como nós aqui, compre a tal da sacola compostável ou pegue uma caixa, que sempre tá sobrando no mercado. Gente, quando visitamos Natal, ficamos horrorizados com as praias e dunas CHEIAS desses saquinhos malditos que voam do lixão com os ventos fortes daquela cidade.

E as redes de supermercado estão sendo bem safadas mesmo, o dinheiro das sacolas já está embutido no produto, alguém tirou? Necas, então vai tudo pro faturamento do mercado.

E mudando um pouco de assunto… Mas não muito, hoje eu e meu colega gerente passamos por uma situação estranha. Temos dois funcionários assistentes administrativos, um do grupo dele e um do meu. O contrato deles está vencendo e conseguimos aprovar um contrato fixo pra ambos. Chamamos o meu funcionário primeiro, ele ficou todo contente, contrato fixo, aumentinho, tapinha nas costas, foi embora feliz. O outro, recusou o aumento. Como?

Ele explicou que ele e a esposa moram há vários anos numa "casa social" muito boa, que pagam só €280 de aluguel, e que não querem perder o benefício, e se ele tiver esse aumento, passará da renda mínima máxima.

Eu, que só convivo com holandeses no trabalho, todos com um salário razoável, certo nível sócio-cultural, esqueço que aqui também tem gente menos abastada, e em alguns casos, também trambiqueiros. Acho esse negócio da tal casa social um ciclo vicioso, o neguinho recebe a ajuda e nunca sai dela. Acho que deveria haver um limite de tempo, 5 anos, 8 anos, pelo menos se o beneficiário não for senior. Por um lado, tem gente que começa a receber o benefício, se acomoda e nunca sai dele. Por outro, tem gente que realmente necessita, mas fica na fila anos e anos. O negócio tá muito mal feito. Um casal novo, que receba o benefício por, digamos, 8 anos, já não é uma puuuuuta ajuda? Mas é como esse rapaz aqui, casou, conseguiram a tal casa social, foram ficando. Ele conseguiu um emprego melhor, a mulher parou de trabalhar para ter filho. E pretendem ir ficando.

 Mal feita essa lei que regula esse benefício, é minha opinião.

segunda-feira, janeiro 23

Veneno e remédio

Para o gordo, o seu veneno é também seu maior remédio.

Estava na primeira semana da South Beach, e desta vez segui tin-tin por tin-tin a dieta, sem adicionar as frutas que adicionei da primeira vez. Passei a semana inteira com dores de cabeça insuportáveis, cheguei a consumir 10 paracetamóis por dia.

Sábado praticamente não consegui levantar da cama, foi só com duas Neosaldinas que juntei forças e fui ao mercado comprar mais proteínas pro regime. Domingo, na maior cara de pau, liguei pro Posto Médico ( huisartsen post ) pra pedir um remédio pra dor de cabeça mais forte. O médico, depois de extenso interrogatório ( quase que policial ) pelo telefone, me mandou ir comer ( e parar de encher o saco dele ) e ainda me cobrou a “consulta telefônica”.

Meu ponto é, se eu comer, melhora pra piorar novamente daqui a 3 dias. O negócio é resistir bravamente.

No auge da dor comi 1 banana e meia barra de cereais do Atkins, itens apropriados pra fase 2. A dor melhorou consideravelmente.

Decidi então ir mais devagar, seguir antecipadamente pra fase 2 – essa permite frutas e aqui e acolá um agradinho a mais, mesmo que isso signifique perder peso mais devagar.

Hoje de manhã, ao subir na balança, essa que eu me forço a usar só nas segundas, o susto: nunca perdi tanto peso em tão pouco tempo. Desde 2005 não pesava o que pesei hoje. Finalmente venci o plateau no qual me encontrava a 4 meses, e ainda nem comecei os exercícios. Subi na balança de novo, pra confirmar o resultado e firmar na mente os numerozinhos ali.

Soltei então um suspiro aliviado e uma lagriminha de alegria: perder peso é possível. Requer muito esforço, muita dor, muito paracetamol, mas é possível.

Agora uma perguntinha para os leitores que já me conhecem: vocês acham que eu estou seguindo a fase 2, como havia decidido, ou estou permanecendo na fase 1?

Só dou essa dica: as banhas – ganhadas ou perdidas – são o veneno e também o remédio para todo o gordo.

segunda-feira, janeiro 16

Ainda o papo de gordo

Leiam lá os dois últimos posts da Pacamanca ( link aí do lado ).

Nossas conversas ( da Paca e eu, via e-mail ) tem um nível fantástico: ela citou a Debora Secco e eu agora vou citar Adriane Galisteu.

Pouco depois de fazer 30 anos, perguntaram para a Adriane o que era ter entrado na década dos 30, e ela respondeu: é comer metade do que eu costumava comer, malhar o dobro, e ainda ter dificuldade para manter o peso e entrar na minha ( infamous ) calça jeans dos 16 anos.

Adriane está quase entrando na década dos 40, teve um filho e hoje mostra 10 quilos extras na silueta. Sei lá se ela fez as pazes com a balança, se ela odeia o próprio corpo mas levanta a cabeça e segue em frente, mas acho que até ela acabou tendo que avaliar o que era o sonho maravilhoso e o que era realizável com um nível aceitável de sacrifícios.

Quando eu li no post da Paca “todo mundo quer ser magro”, logo relacionei com essa situação da Galisteu: o MAGRO para o organismo da Galisteu são os 54 quilos que ela tinha na Playboy de 1995, o “normal” com sacrifício razoável é o corpo de 64 quilos da Playboy de 2011.

Eu não quero o MAGRO. Eu quero o normal. E normal, para mim, não é o normal que alguém me disse, não é o normal do tal BMI,  não é o normal para entrar na calça 30 da Levis, não é o normal da Galisteu de ter mais de 10 quilos a menos da altura. Meu normal é algo entre o peso que eu tinha quando me casei e 5 quilos depois. Assim como Adriane faz o sacrifício dela pra estar no “normal” dela, eu terei que fazer certo ( imenso ) sacrifício para chegar ao meu.

Mas a “normalidade” que eu mais busco e invejo, não é o corpo em si da pessoa “normal”, é o padrão de comportamento do sujeito normal. Vejam só o meu irmão, para não irmos tão longe. Ele é aquele cara que toma café-almoça-janta, não belisca, sobremesa só se for de vez em quando e só se for sorvete, detesta tudo que for muito cheio de molho e muito cremoso, é capaz de comer UM bis e não pedir bis. Ele não vive pra comer, come pra viver ( maldito jargão ). E vai com toda a alegria do mundo nadar 2X por semana antes do trabalho. Dividimos a mesma genetic pool e no entanto sou eu a já acordar pensando no bolo de nozes, no sanduíche de queijo derretido, na macarronada do jantar, em como eu quero aquele pavê de Bis. Sou eu que detesta fazer qualquer exercício físico e até um passeiozinho de bicicleta, só me apetece raramente e se não está esse frio dos infernos. Eu passo os dias me perguntando, essa minha comilança é comportamental, é genético, é mandinga? Se resolve com terapia, transplante de células tronco ( do irmão, claro ), desencapetamento total da Igreja Universal?

Eu só queria ser como ele, só queria ser normal.

É pedir muito?

sexta-feira, janeiro 13

Será que adianta pedir perdão a Deus?

Que fique aqui entre nós, mas gente, como eu ODEIO o OldFart. Eu realmente não gosto da palavra “odiar”, acho feio alguém ter um sentimento negativo tão forte, mas não consigo achar uma palavra que descreva meu sentimento por essa larva de ser humano.

Tudo que acontece de errado é sempre culpa do outro, ele é master de tirar o fiofó da reta. E não se compromete com o grupo, tem sempre a agendinha particular dele. Larva!

Em dezembro tinha uma reunião pra ir num fornecedor em Paris, nosso diretor mandou ele pegar um update por telefone porque ele tinha outras coisas mais importantes pra fazer. Ontem perguntei se ele checou os números da planilha que enviaram como resumo da tal reunião: não, não chequei e não tô dando importância pro assunto, não me deixaram ir pra Paris… Mas OldFart, antes de autorizar o pagamento de 200 mil euros você checou os números, certo? Não… Adriana calcula e pagamos 30 mil a mais, que nunca reaveremos. Old Fart: é, se tivessem me deixado ir pessoalmente à reunião, eu teria pego o erro. Cuma OldFart? Qualquer um em 5 minutos com essa planilha na mão vê que pagamos a mais!!!!

Hoje ele tinha que escrever dois “bullet points” com um resuminho de duas reuniões pro diretor senior member of the board, 5 minutos antes do deadline eu pedi o bullet pra dar uma revisada do inglês e checar o conteúdo, e ele: eu não vou fazer, no meu julgamento o assunto é bobo demais e não é matéria pra um bullet. Cuma OldFart? E desde quando você é que decide o que é informado ao Diretorzão ou não?

ODEIO esse homem.

Sempre aprendi que as dificuldades aparecem pra gente aprender algo muito importante na vida da gente. Ó, a coisa que eu tenho que aprender é como despachar exus profissionais com discrição e eficiência. Saravá meu Pai!

Bom fim-de-semana pra gente, porque temos ainda 50 segundas pra encarar esse ano.

quinta-feira, janeiro 12

Como procurar um emprego na Holanda

Ando muito, muito apertada de costura, tá difícil postar, mas duas leitoras me escreveram entre dezembro e a semana passada perguntando sobre o mercado de trabalho, como conseguir emprego aqui na Holanda, então deixa eu matar dois coelhos com uma cajadada só.

A difículdade em conseguir um emprego aqui na Holanda depende de vários fatores: quão especializada é sua área ( ou se você só quer um emprego simples pra ajudar no orçamento ), onde você vai morar ( empregos são mais abundantes na Randstad – joga no google ), e principalmente, como está a economia do país. Desnecessário dizer que sem falar inglês bem, as chances são pequenas.

Eu fiquei 2 anos procurando emprego: morava em Eindhoven, não aceitei as ofertas para emprego mais simples que apareceram, e o país estava em crise.

Nós, os imigrantes, via de regra já começamos com a desvantagem de sermos o "de fora", de na maioria das vezes não falamosr holandês fluente, de termos um CV com universidades e empregos anteriores que eles nunca ouviram falar. A barreira cultural a se transpor é grande, por isso na maioria das vezes, se no fim de um processo de seleção está entre um holandês e a gente, empatadinho, a vantagem vai pro holandês.

Não há solução então? Sempre há. O negócio é virar o jogo a seu favor, procurar empregos onde seu idioma natal ajuda, ou empresas que estão diversificando procurando empregar mais estrangeiros, ou então empresas – e agora são bastante delas – que estão investindo no Brasil.

Não vou mentir, estamos vindo de um ano bom para quem estava procurando, aliás, nesses meus 9 anos de Holanda 2011 foi o melhor pro mercado de trabalho, e estamos entrando novamente num ano de crise. Quem está procurando agora vai ser difícil. E muito provavelmente os empregos que aparecerem agora serão sem contrato fixo.

*** Pausa para explicação: aqui você pode ganhar contrato temporário de alguns meses, um contrato de um ano, ou contrato sem data de término, esse último é o tal contrato fixo. O que te dá mais segurança é o contrato fixo, existem vários impecilhos para a empresa demitir esse funcionário, e se você estiver pensando em comprar uma casa, é difícil aceitarem sua renda se você não tiver um contrato fixo.  É comum oferecerem um contrato de um ano com possibilidades de renovação, e se a empresa for idônea e seu desempenho for bom, vão te oferecer o contrato fixo quando o primeiro ano acabar. ***

E como começar a procurar emprego? Se você quiser só um emprego simples, o mais fácil é entrar para empresa que terceiriza mão de obra, a palavra em holandês é detachering. Algumas das mais famosas: tempoteam, ranstad, addeco, undutchables, yatch, manpower ( mão de obra de nível mais alto ).

E os outro empregos? Estarão na monsterboard.nl, intermediair.nl, nationale vacature bank ( googa aí ), e nos sites das empresas. A maioria vai estar nos três primeiros sites acima, mas procurar as empresas maiores da região e deixar um CV no site pode render bons resultados – foi assim que eu consegui meu primeiro emprego.

Capriche no CV, pode ser em inglês mesmo, holandeses não são tão rígidos com formatos de CV como brasileiros. Hoje em dia o povo sempre coloca uma foto para abrir o CV e holandeses sempre mencionam os hobbies ou atividades extras no fim ( eu acho essa prática bizarra, mas aqui é de praxe, tipo personal interests: mountain biking, tennis champion, fishing ). Saiba que o entrevistador não pode perguntar sua idade ( e você não precisa mencionar no CV ), não pode perguntar se você é casado, e muito menos se você quer engravidar. Se você for para uma entrevista e te perguntarem isso tudo, cai fora que é empresa chave de cadeia.

E Adriana, eu vou ficar rica trabalhando na Europa? Na Holanda, difícil. O salário mínimo gira em torno de Euro 1000, um pouco mais alto ou baixo dependendo da sua idade. Os impostos são pesados e escalonados, assim um baita salarião vira facilmente um salarico marromenos. Os salários são negociados com base anual, um mês extra de férias é pago em maio, décimo terceiro não é obrigatório mas muitas empresas oferecem. O empregado tem ao menos 25 dias úteis de férias por ano, podendo chegar a 40-42 juntando com ADV ( outro dia eu explico o que é ADV ). Eu sou muito sortuda e tenho 40 dias úteis de férias por ano. Algumas empresas oferecem participação nos lucros, que gira em torno de 5% do seu salário bruto anual.

Muito cuidado ao se empolgar com um salário anual, não tenha vergonha em pedir para calcularem o valor líquido mensal para você. Um salário de €50 mil por ano não vai render mais que €2300 - € 2500 líquido no seu bolso por mês. Pergunte se a empresa paga seu Pension Fonds, pergunte se dão passe de trem / ônibus ( caso você precise ), se tem vantagens no seguro-saúde. Entenda bem o pacote de benefícios.

Vá sempre a sua entrevista bem vestida, JAMAIS apareça de jeans ( a não ser que você se candidate a peão de linha – o que paga bem aliás ), ache o equilíbrio entre falar que nem uma maritaca e ficar parada lá sem dizer nada, não se atrase ( eu ía para alguma lanchonete perto do lugar com pelo menos 1 hora de antecedência só para evitar tragédias ).

E para fechar, uma ressalva. Tudo isso aqui vale pra quem tem visto de trabalho ou é cidadão europeu. Não faço a menor idéia de como conseguir empregos ilegais e ouço que praticamente não há empregos ilegais na Holanda. E para quem está no Brasil e quer vir pra cá, é um pouco mais difícil mas é possível. Normalmente o recrutamento é feito aí no Brasil mesmo, mas procurar daí nos mesmos sites que eu indiquei acima também funciona. Mas vou ser sincera, não é fácil, pois a empresa tem que provar que não encontrou na Holanda o profissional que está trazendo de outro país.

Bom, se alguém quiser deixar alguma dica ou pergunta nos comentários, vou tentar responder por aqui mesmo, e-mails só vou encontrar um tempinho no findi.

Em tempo, pra comadre Holandesa, que está passando por mais uma reestruturação na empresa, muita força na peruca. Depois de ler seu post ontem, sinceramente, eu faria o possível pra ficar na empresa pelo menos esse ano, afinal estamos entrando em crise, mas depois disso dava um belo pé na bunda dessa meleca de Philipona. Caramba, que meleca é essa de fazer os funcionários passarem por esse estresse todo a cada 12, 15 meses? Ninguém merece e devia ser contra a lei.

sexta-feira, janeiro 6

Assento não é acento!

Recentemente, pelo menos 3 pessoas me mandaram e-mails pedindo dicas dos melhores vôos da Holanda pro Brasil. Deixa-me então falar um pouco sobre a minha experiência.

Ninguém gosta de esbanjar dinheiro desnecessariamente, e depois de anos pesquisando alternativas, cheguei à conclusão que para quem vai à SP, o melhor vôo é mesmo o KLM saindo de Amsterdam. Todas as alternativas íam me poupar pouco dinheiro causando vários transtornos. Tenho horror a conexão, principalmente na volta, e o único vôo direto é o da KLM. Amigas indo à outros destinos no Brasil, preferem ir de TAP, já que essa empresa faz a conexão ainda em Lisboa e voa direto para outras capitais brasileiras. Se há um defeito nesse vôo direto da KLM é que ele chega, em teoria, às 7 da noite em SP, e também em teoria dá pra você pegar o ultimo vôo para a maior parte das capitais, mas se der tchutcho, como a tempestade do ano passado que atrasou o vôo em 3 horas, você fica preso em GRU, sem reserva de hotel. E eu gosto também das pequenas, mas valiosas vantagens que a KLM oferece: televisão individual com mais de 40 filmes disponíveis ( o vôo de ida é diurno e eu e o marido assistimos normalmente 4 filmes, amamos! ), possibilidade de pagar um pouco a mais para ter mais espaço para as pernas, comida bem decente com snacks / drinks disponiveis na galeria o tempo todo ( não temos que ficar levando bolachinha na bolsa ). A única vantagem que vejo na TAP para quem vai a SP é que se pode levar o dobro de bagagem, mas como nunca levou ou trago mais de 23 kg, pouco me importa.

Você vai viajar com bebês, crianças? Segundo a comissária de bordo com quem conversei, depois dos bebuns, os pais são os passageiros que causam mais problemas num vôo ( não as crianças! ). Por lei, crianças até 24 meses não pagam, mas também não tem direito a um assento. Essa comissária me disse que há anos estão tentando mudar esse limite para 12 ou no máximo 15 meses. Os pais de crianças entre 12 e 24 meses podem comprar passagem para seus filhos garantindo um assento, mas raramente o fazem, preferem contar com a sorte e tentar conseguir um assento de graça. Claro que se sobrar cadeiras a comissária vai acomodar a criança, não pela criança ou pelos pais, mas pelo infeliz do passageiro que vai do lado dessa mãe / pai que viaja com uma criança de 15 quilos no colo dando cotovelada e pezada em quem está do lado, passageiro aliás que não teve desconto na passagem pra aguentar esse transtorno. Eu não entendo quem não compra a passagem adicional pro filho, viagens longas são um inferno de desconforto para qualquer um, quem dirá pra uma criança pequena que não entende patavinas; então porque submeter o pequeno a esse desconforto por 10 / 12 horas? Mesmo que o adulto ceda o assento à criança durante o vôo, vai fazer o que, ficar em pé na frente do banheiro por 7 horas? O adulto vai ficar também irritadésimo e vai ser uma merda de viagem pra todo mundo. Não tem 800 euros pra pagar na passagem do seu filho? Fica em casa, viaja em alguns meses depois de juntar o dinheiro… Mas, se você mesmo assim quer arriscar, tente pelo menos alguns truquezinhos que podem te dar mais conforto. Pesquise uma empresa aérea que não esteja sempre cheia, a KLM por exemplo, normalmente tem alguns lugares sobrando, mas empresas como a TAP, que além de mais baratas juntam vôos de todas as partes da Europa parando e Lisboa e indo para destinos alternatinos no Brasil, vai ser sempre cheiaça. Veja se a empresa escolhida oferece a opção de pagar um pouco a mais pelos assentos logo atrás da galeria ( lembrando que crianças não podem viajar nas saídas de emergência ), pois embora seja meio favelão, quando o aviso de apertar o cinto estiver apagado, você pode colocar a criança no chão a sua frente todo mundo faz, a comissária não reclama e se for um casal viajando dá pra criança até se deitar e dormir. Escolha uma companhia aérea que permita reserva de assentos ( a KLM permite com 60 dias de antecedência ), assim você faz sua reserva 00:01 do primeiro dia e escolhe um lugar menos ruim. Se por cagada das cagadas nada disso estiver disponível e você ainda não tiver se convencido a ficar em casa, vá com mais de 3 horas de antecedência pro check-in e escolha bons ( menos ruins ) lugares.

Deixa eu contar agora minha tese em progresso sobre upgrades ( válida só pra KLM visto que eu só vôo por essa empresa ). Segundo nossa agência de viagens aqui na empresa, de AMS pra GRU é dificílimo arruma upgrade, eles tem um sistema aqui que conta milhas, pontos elite, quantas vezes você já teve upgrade, ou seja, meleca total. Mas de GRU para AMS, há possibilidades, já que lá eles não tem esse sistema. E para mim, o principal é upgrade de GRU para AMS, já que é vôo noturno. Para tentar um upgrade de graça, vá fazer o check-in de 4 a 5 horas antes, vá bem vestido, se não te derem de cara, pergunte sobre a possibilidade. Ano passado conseguimos de graça assim. Esse ano, não consegui chegar 4 horas antes, os poucos gratuitos já tinham ido, mas quando eu perguntei me deram a chance de comprar um upgrade. Achei que fosse ser a maior facada, mas foi Euro 199 por pessoa, sinceramente, uma pechincha pelo que oferece. Pudemos usar o VIP lounge ( quem é reclassado de graça não pode usar ) e lá tivemos lanchinhos, bebidas, saladinha, bolos, internet de graça, banheiros tinindo de limpos, acesso preferencial ao duty free. Tivemos guichê especial para despachar as malas ( sem fila ), limite maior de bagagem ( infelizmente não precisamos usar ;o) ), não pegamos fila pra entrar no avião. Esperamos o embarque sentadinhos na poltrona com champagne na mão. Mas o mais maravilhoso foi dormir a noite inteira naquela poltrona fantástica que praticamente vira uma cama. Momento Credicard total. O jantar e café da manhã são deliciosos, os fones de ouvido tem noise cancelation ( fantástico ), e de quebra você ganha casinhas de porcelana Delft de presente. Disseram que dá até pra fazer upgrade por esse preço ( se disponível, claro ) pela internet um dia antes. Como meu irmão tava sem tinta na impressora, nem tentamos, mas daqui pra frente, Deus nos ajude a voltar todos os anos de business!

Postão enorme, nem deu tempo de falar que para quem vai à Natal ou Fortaleza tem vôo charter da arke ( joga no google arke fly ), já usamos e é bem razoável. Agora falei ;o)

Agora me vou, que logo é findi. Aproveitem povo, que tem só mais 51 findis esse ano pra gente ( e mais de 250 dias de trabalho, blé ).