terça-feira, novembro 17

BRLLL...


Enquanto eu faço a contagem regressiva pras férias no Caribe, a moçada que trabalha comigo está em polvorosa: semana que vem abre oficialmente a temporada de ski na Áustria.

Segundo meus colegas de trabalho, "the place to be" é Ischgl, fronteira da Áustria com a Suíça, eles dizem que é a Ibiza do ski. Bom, eu fico quieta, porque acho Ibiza uma tosqueira só, pelo menos aqui no verão tem canais de transmissão direta das festas de praia e noturnas, e tem muita gente tosca em Ibiza. Aqui na Holanda mesmo, vende-se muito pacote de ônibus ( e ferry ), pra meninada ir se aboletar naqueles apartamentos meia-boca, e "aproveitar" o verão. Putz, tô escrevendo e na cabeça rola a musiquinha do Locomia, lembram?

Então, voltando à Ischgl. A temporada sempre é aberta e encerrada com um show de um artista famoso, esse ano será aberta pela Kate Perry, que eu aliás gosto.

Acho que é só imigrante mesmo que foge do frio ( e nem todos ), a holandesada o espera ansiosamente, curtem o inverno de verdade, e os mais chegados sempre me aconselham: Adriáááána, embrace it. Blé.

Holandês sempre vai pra estação de esqui de carro, e normalmente prum chalé ( a versão "invernal" do appartamenten do verão ). Eles não alugam o equipamento, eles tem mesmo esquis e skiboards, e juram que compram as roupas, luvas, óculos, touquinha e etc em casas de esporte, mas por baixo dos panos deve rolar muito Aldi, porque nessa época o Aldi tá cheio de venda especial de roupa de ski. Sei que o povo vai me achar esnobe, mas sou friorenta, e a simples idéia de deixar meu aquecimento nas mãos duma roupa do Aldi me é horripilante. Normalmente vão em grupos ( quando solteiros ) ou com a família toda ( quando casados ). Criancinha aqui esquia, e dizem que criança normalmente esquia bem. Pra eles, esquiar são as férias "caras", afinal de contas, além de ter que pagar os tais skipass ( passe pra poder usar as pistas ), normalmente se esquia em países como Suíça, Áustria, França, que não são conhecidos pelos preços mais camaradas da Europa. Não sei muita coisa de esquiar, mas sei que o brega do brega é ir no tal Val Torens, que sinceramente, me parece bem prático e good enough. Você pode agora comprar umas férias all inclusive pra esse Val Torens, o pacote inclui transporte, estadia, skipass, aluguel de equipamento e refeições.

Até penso em um dia tentar aprender esquiar, deve ser legal descer os slopes na maior libertade, vento nos cabelos, mas e o frio? E O FRIIIIIIO? E a grana pra investir em roupa, bota, luvas, equipamento? Já perguntei E O FRIOOOO? Então, é frio.

Tem também uns pacotes "aventura" na Noruega, normalmente de uma semana, beeeem lá no norte, 3 dias você acorda, pega um snowmobile e vai visitar a região com o grupo ( tem fazenda de renas ( !!! ), fábrica de velas, floresta ) e um ou dois dias você vai naqueles trenós puxados por cachorros ( eu tenho dó ) visitar onde procriam e treinam os cachorros, e outros passeios pela região. Me parece interessante, só que já avisam que é escuro o tempo todo e a temperatura média é -20C. Já imaginaram, Adriana aos -20C? Nem a pau Juvenal.

Sabem, acho que quem tem filhos acaba se adaptando melhor e mais rápido aqui sim, afinal você tem que ensinar a criança os costumes daqui, e acaba entrando na dança. Acho que se eu tivesse filhos eu ía levá-los esquiar que nem os amiguinhos, porque senão eles seriam eternamente os estranhos da classe, que só vão pra praia.

É que nem a história do Sinter Klaas. Eu particularmente acho uma besteira sem tamanho, mas o velhinho chegou de barco sábado. Em todas as cidades, diga-se de passagem. Eu, que não tenho filhos, digo que JAMAIS tiraria meu filho de casa no frio e garoa que estava no sábado, pra ir na beira de um canal ( é mais frio ainda ), com um boné de penachos, em plena epidemia de gripe suína, esperar um velho bispo ( eu não sou nem católica ) chegar montado num cavalo branco dentro dum barco, cheio de pretinhos em volta ( o bispo é branco e os serviçais pretos, mó preconceito ). Mas se eu tivesse um filho, ía acabar pensando que ele seria a única criança da classe a não ver o Sinter Klas chegando, que ía crescer traumatizado, e no fim iria de mau humor pra beira do canal mas levaria a creonça, e no fim, me adaptaria mais.

Putz, comecei na estação de esqui e terminei no Sinter Klaas ( aliás, me parece o Papai Noel desnutrido ). Sem falar que em metade do post escrevo ski e na outra esqui.

Foi mal aê, povo!


segunda-feira, novembro 16

Mão-de-vaca


Sim, holandeses são muito muito muito mão de vacas, mas tem hora que tem que ser.

Vejam só. Ontem decidi que queria ir ver o filme 2012, porque adoro filmes de desastres naturais. Normalmente eu vou com a minha scooter ( estacionamento grátis ) pro Pathé, lá uso meu cartão de vantagens pra comprar o ingresso ( sai 6 euros ao invés de 8,50 ) e compro uma garrafinha de meio litro de Coca light e um pacotinho de pipocas doces no supermercado ao lado, gastando normalmente uns 2 euros. Quando estou com vontade de pipoca salgada compro no cinema mesmo, e a  caixinha média sai 2,40 euros. No geral, gasto menos de 10 euros pra assistir um filmezinho legal, com refri e pipoca. Ontem estava ameaçando chover, resolvi ir de carro. E como estou evitando o Pathé depois do episódio do bebê no cinema, fui ao Zien, onde não há cartão de vantagens. E como não tem o supermercado do lado, tive que comprar pipoca e refri no cinema mesmo, a conta: ingresso 9 euros ( era sessão com cadeiras marcadas, cobram 50 cents a mais ), estacionamento por 3 horas 8 euros, refri e pipoca média 7 euros, total da brincadeira: 24 euros!

O filme é legal, cheio de efeitos especiais, apesar de eu achar aquele ator insuportável. O Zien ainda é muito melhor que o Pathé, apesar de terem deixado um casal levar uma menina de uns 4 anos ( prisão perpétua para casais que levam crianças de qualquer idade no cinema num filme adulto, em língua estrangeira, legendado ), o estacionamento é bem pertinho e é quentinho e ultra prático, e a pipoca estava muito salgada pro meu gosto e aqui eles não estouram na hora, então tava um pouco passada. Foi uma tarde legal, mas seriously, 24 euros????

Adriana mão de vaca total pra essas coisas. Não me diverti mais ontem do que me divirto normalmente gastando meus 10 continhos. Pode soar meio canguinha demais compra a garrafinha de refri no supermercado e os snacks também, mas é a mesma coca, a mesma pipoca, por uma fração do preço. Me sinto meio idiota por ter gastado 14 paus a mais.



PS: O cartão de vantagens não é tipo carteirinha de estudantes. Você compra um cartão magnético pré-pago que custa 36 euros e te dá direito à 6 ingressos no periodo de 12 meses.

domingo, novembro 15

Assopra aí, mevrouw!

Ontem fui à noite das comadres em Den Bosch. Éramos 4, comemos ultra-hiper-mega-bem num restaurante chamado Picasso. Den Bosch é uma cidadezinha lindinha, vale dar um pulinho pros que moram aqui.

Na volta, pela primeira vez desde que mudei pra cá, vi uma blitz do teste do bafômetro. Quando voltávamos do restaurante, Alice fez o teste, passou. Peguei o carro e vim pra casa, e na mesma rotatória, fui parada. Tive que soprar 3 vezes, achei que cara fosse achar que eu tava sabotando o teste, mas na terceira vez deu certo. Eu não tinha bebido nem um gole de álcool, então tava tranquila.

Mas vi 2 carros sendo encostados porque o teste deu positivo. Deviam fazer mais blizes como essa.

E para as comadres, foi muuuito legal, temos que sair loguinho de novo.

E vamo lá ouvir a musiquinha do fantástico que é domingo de noite. Que tristeza. Plato já está aqui nos meus pés, com cara de quem já tá de pijama.

quarta-feira, novembro 11

O lado de cá e o lado de lá

Ontem eu li o blog da Fernanda do Batata Belga ( link aí do lado ) sobre os problemas dela com a empresa, e sobre a discussão de se a mãe ( ou pai ) que fica em casa pra cuidar de filhos doentes pode tirar esses dias livres ou não. Eu sinceramente não sei o que diz a lei belga ou holandesa, mas na minha empresa anda acontecendo umas coisas que eu gostaria de comentar.

Eu não tenho muito contato com casais com filhos, logo eu não tenho muito como dizer se normalmente é o pai ou a mãe que fica com a criança caso ela adoeça. Entretando, essa semana eu estava conversando com meu diretor sobre isso, e vendo umas estatísticas.

Meu departamente está contratando. São várias vagas, e mais de 20 candidatos já foram entrevistados. Nenhuma mulher. Nada é oficial e nada é declarado, mas o fato é: nenhuma mulher foi convidada para entrevistas.

Vocês sabem aqui do caso da grávida. A funcionária engravidou e negociou com o diretor trabalhar 1 dia a menos por semana. Ele não gostou mas concordou. Ao voltar da licença maternidade, ela decidiu que não podia ficar 4 dias da semana longe da filha, e usou de uma lei holandesa para trabalhar apenas 3 dias por semana. Quando esse benefício estava para expirar, ela engravidou novamente, e para piorar, deu um mau-jeito no pescoço e saiu de licença maternidade 5 meses antes do parto.

Essa semana meu diretor me mostrou uma estatística do seguro-saúde. O maior índice de absenteísmo é de mulheres com filhos. É dado concreto.

Eu entendo o lado da mãe que se vê sem saída quando o filho está adoentado e a creche o manda de volta pra casa. Eu entendo o lado do gerente que tem que lidar com a ausência do funcionário.

Sinceramente eu acho que as mulheres tem que bater o pé e demandar do parceiro que revezem nessa circunstância. Não importa quem ganha mais, qual carreira seja mais promissora, uma coisa é duas vezes pro ano você ter que faltar porque o filho está doente, outra é você ter que faltar 4. Putz, se já é chato ligar quando a gente tá doente ( eu pelo menos detesto ), imagine ficar ligando toda vez que o filho fica doente adicionado às nossas próprias doenças.

Uma outra saída para quem não quer dar explicação é tirar uns dias de férias. Alegar um imprevisto pode ajudar quem não quer ser visto como "aquela que a qualquer espirro do filho tira o dia pra cuidar dele". Eu sei que a pessoa não devia ter que usar suas férias pra isso, e que se existe lei que garanta esses dias pagos pela empresa que não deveria haver discussão / cara feia, mas se formos honestos é o que acaba acontecendo, o chefe pensa isso, os colegas pensam isso...

Mas o que devia existir mesmo é um serviço na creche de babá-doença. Podem até cobrar mais, e por hora, mas deveria haver um serviço de um profissional que vá à sua casa ficar com seu filho doente caso você não tenha com quem deixar. Taí, vou começar um negócio novo e ficar rica.

Que dificuldade é tudo isso viu. Fico furiosa da vida com essa ausência de mulheres no processo seletivo, mas cada um convida pra entrevista e aprova os candidatos que quiser. E não culpo os diretores que estão escolhendo os candidatos, só no meu grupo temos 3 vagas de 12 abertas, e agora temos um colega ( homem ) doente. Tá todo mundo com trabalho até as orelhas. Uma pena que em épocas brabas dessas vagas boas sejam reservadas só a homens.

terça-feira, novembro 10

Será?


Sobre o caso da estudante da Uniban, a do vestido curto que foi quase linchada, saiu da universidade escoltada, e por fim foi expulsa. Aliás, estão dizendo que o reitor revogou a expulsão, mas eu não tive ainda tempo de pesquisar o assunto.

Mas minha pergunta é: será que morar aqui no exterior nos "liberta" de alguns falsos moralismos? Porque o que notei é que os expatriados todos ficaram boquiabertos com o episódio, especialmente a expulsão da garota. Já quando converso com brasileiros lá no Brasil, a visão deles é bem diferente, muitos atribuem culpa à garota. Vejam alguns comentários:

Um primo meu, estudante da tal faculdade, injuriado com o caso: "a gente não tava gritando por causa do vestido curto, a gente tava gritando porque além do vestido curto, a menina tava sem calciiiiinha! ( pra mim, acho que foi história inventada na hora e que "pegou" ). Se fosse só o vestido curto, não ía gerar tanta confusão. Agora diga aí, a menina precisa ir pra faculdade naqueles trajes?".

Um fornecedor brasileiros: olha, foi um absurdo mesmo a reação do povo todo, mas a menina também "forçou" indo pra faculdade vestida daquele jeito.

Senhora da minha família: a menina era gorda pra usar aquela roupa, se fosse uma magrinha seria menos "escandaloso".

Um amigo via "Skype": vocês vão aí pro exterior e ficam todos "pra frentex" e se aí é comum cada um sair com a roupa que quer, aqui o povo ainda tem padrões mais familiares( !!! ). Tudo bem que o negócio degringolou, mas pelo menos uma advertência ou suspensão ela merecia.

O que eu acho um absurdo é na terra da Mulher Melancia e do Mc Créu o povo ter uma reação dessas! Essas mulheres frutas são beeeem cheínhas, tem umas coxas imensas, não tem rostos lá muito atraentes, eu achei que finalmente o Brasil tava mudando, que estava sendo mais democrático com o padrão de magreza, que o padrão Globeleza tinha caído em desuso, mas pelo jeito me enganei. Pelo jeito a classe mais humilde gosta das frutas coxudas do Mc Créu, mas a classe média e alta, que tem acesso à faculdade, gosta é mesmo de aspirantes à modelo da Ford Models.

Ou tô errada?




sábado, novembro 7

Que vergonha!

Gente, tô besta...

A aluna do vestido curto foi expulsa da faculdade!

Como diz um comentário deixado na matéria do Estadão: é Uniban ou Unitaliban?

sexta-feira, novembro 6

Uia!


Hoje fui gentilmente informada pela amiga Holandesa que o Zaire não existe desde 1997! Uia!

Pior é que a frase "aqui no interior do Zaire", de autoria da Pacamanca e que eu adoro usar, não fica tão sonora e agradável quanto "aqui no interior do Congo".

Ah, não disse né, o Zaire virou Congo.

Putz, pior é que todos os indícios dessa importante mudança estavam na minha cara, no novo jogo da Carmen Sandiego você não encontra mais uma máscara antiga do Zaire, é máscara antiga do Congo! E até Hollywood soube antes de mim, o George of the Jungle tá no Congo, não no Zaire!

Pô povo, 400 visitas por dia, eu falando Zaire há anos, e ninguém aqui pra me puxar a orelha?

Quem é que já sabia ( bota o dedo aqui )?

quarta-feira, novembro 4

Comprei meu tchutchuco

Esqueci de contar, mas na sexta passada comprei meu ereader da Sony.



Estou amando, meus arquivos "generosamente doados por internautas mais financeiramente afortunados" estão funcionando fantásticamente. Tenho nesse momento mais de 50 e-books esperando para serem lidos. Achei séries inteiras que eu queria ler ou que já li e quero reler. Achei a Outlander inteira, o Brotherhood of the Black Dagger, o Sookie Stackhouse ( já li, mas quero reler ), o Vampire Diaries, outros mais pop como o Time traveller's wife, o Lost Symbol ( que eu empaquei na metade ) e alguns outros de Saramago, como o Blindness.

Estou agora baixando os clássicos em inglês e domínio público em português. Como ainda tá tudo muito no começo, achar os livros "free" ( se é que vocês me entendem ) ainda requer um pouco de fuçação internética, mas a gente acaba achando. Dentro em pouco tenho certeza que vai ser que nem MP3.

Vou acabar comprando alguns títulos que quero mas não acho "doado", como é o caso do Brave New World. Mas tenho tanto livro bom esperando pra ler que dá um pouco daquele pânico da televisãozinha do avião, sabe quando você vê vários filmes legais no cardápio mas só tem 9 horas pra assistir? Então, começo um livro, fico ansiosa, pulo pro outro... Agora aquietei o faixo e estou lendo um só bonitinha, mas nas férias meu tchutchuco vai ferver.

Ele é super "readable", a tela parece uma folha de papel reciclado, é leve, vira a página fácil, dá pra tomar notas, pra marcar partes do texto, e tem um dicionário embutido que é só você dar um tapinha na palavra e ele já mostra a definição. No dia que inventarem o dicionário em holandês minha leitura em holandês vai ficar mais fácil.

Mas então, ultra recomendado, principalmente pra quem gosta de ler bastante. Tem os que irão dizer que curtem mais papel ( tem gente que nunca pegou um e-book na mão e diz que prefere o livro ), os que gostam de olhar pro livro na prateleira, os que gostam de emprestar o livro ( é só mandar o arquivo pro amigo via e-mail ), mas poder levar 50 ou 350 livros com você nas suas férias, é fantástico.

segunda-feira, novembro 2

Tafú


A empresa, em parceria com o governo Holandês e o Belga está oferecendo e-learning, a ser seguido no tal dia em que (quase) todos não trabalhamos. Eu estou seguindo o curso "holandês para estrangeiros".

Ontem segui uma lição interessantíssima, sobre o termo "asociaal". Eu já tinha ouvido o termo "anti-social" antes, em português e em inglês, empregado na situação de uma pessoa que não gosta de contato social. Asociaal aqui na Holanda tem um significado diferente, é a pessoa que age sem considerar a sociedade. É o cara que joga lixo na rua, que fala alto no celular quando está no trem, que fura fila, etc etc e etc.

Uma das coisas interessantes da reportagem é que quando "flagrado" o "asociaal" na maioria das vezes diz que "faz porque todo mundo faz", ou que o outro faz pior, ou coloca a culpa de alguma forma na "instituição" ( governo, diretoria da empresa, donos de estabelecimentos ). Muitas das opiniões são bem interessantes, e no fim da lição temos que dar nossa opinião por escrito ( meu holandês escrito é péssimo ).

Começou com o dono do cachorro. O flagra dele foi deixar o cachorro fazer o cocô e não recolher. Abordado pela reportagem ele diz: e os donos de gato? Meu jardim cheira a cocô e xixi de gato, se eu quiser mantê-los distantes tenho que comprar um produto caríssimo e o dono não vai pagar, vai? Nem pagar, nem ir lá desenterrar o cocô pro meu jardim não feder.

Eu não acho que usar esse argumento pra deixar o cocô do cachorro na rua seja válido, mas o pensamento está certo. Eu não acho certo criar gato "solto". A maioria das pessoas acha que gato tem que ser criado na rua, que é impossível mantê-lo em casa, mas posso dizer de cadeira que isso é comodismo, afinal é mais fácil e barato deixar o seu gato ir cocozar o jardim do vizinho. Gatos nunca fazem cocô no seu próprio território. E vão dizer que eu digo isso porque meus gatos são de raça, são grandões, e são quietos, por isso que não pulam o muro, mas no meu quarteirão somos 4 casas, 3 tem gatos. Uma tem dois viralatinhas ( holandês pêlo curto pros politicamente corretos ) que no máximo brincam no quintal. Outra tem um British short hair ( o gato da Sheba ) que também só fica no quintal. Nenhum pula muro. É trabalhoso no começo ensinar, e vira e mexe um mais fujão escapa ( o meu fujão é o Plato ), isso sem falar na grana que vai em areia sanitária, e ter que limpar a areia sanitária todos os dias; mas meus gatos ( e os dos vizinhos ) são animais felizes e saudáveis, sem incomodar a vizinhança. E antes de dizer: vai adiantar eu prender meus gatos se o vizinho não prende o dele?, pense que VOCÊ é responsável por fazer sua parte, sem desculpinha furada.

E a reportagem conversa com vários outros "asociaal", um fulaninho tocando música com celular no trem ( que ódio! ), um outro que estacionava o carro pequeno, tipo mini, num lugar proibido ( a desculpa: cabe! ), ditinho que joga bituca de cigarro no chão ( o cinzeiro tá longe - 10 mtrs ), vários exemplos, mas o campeão de reclamação é mesmo vizinho barulhento.

Olha, nesse sentido eu sou sortudésima. Na casa antiga os vizinhos eram praticamente uma sombra. Agora, minha casa é "vrijstanding", ou seja, não é geminada, e não dividir parede já é uma grande vantagem, mas nunca ouço ou vejo meus vizinhos ( o da frente, que tinha 4 carros, se mudou e a casa está vazia ).

Eu queria adicionar uns itens nessa pesquisa, e pelo menos dois involvem pais. Pais que levam carrinhos intergaláticos ( adoro a invenção da Paca! ) pro supermercado no fim de semana, quando o supermercado disponibiliza 3 tipos diferentes de acomodação pra creonça ( carrinho com bebê conforto, carrinho que tem um mini-fusquinha acoplado pra creonça ir dentro e a tradicional cadeirinha do carrinho ). E, vide meu post passado, pais que levam criança "brincar" no mercado.

Podem me chamar de chata ( a véia do 53 do Chaves? ), mas num país lotado com esse aqui, 2 ou 3 "asociaal" ao seu redor e você tafú.


domingo, novembro 1

Cenas de um domingo bucólico no sul da Holanda



Creonça: Mama, me leva passear?

Mama: Tá chovendo menino, vai brincar.

Creonça: Já brinquei, tô entediado, quero passear.

Mama: Vá pedir pro seu pai inventar qualquer coisa com você.

Creonça: Já pedi, ele falou que tá cansando, que amanhã tem que trabalhar, que é pra você brincar comigo.

Mama: Vai jogar seu Play Station 2.

Creonça: Odeio o Play Station 2, todo mundo já tem o 3 ou o Wii. Me compra o PS3?

Mama: É caro.

Creonça: Me leva no Efteling.

Mama: Tá chovendo, é ao ar livre, e é caro.

Creonça: Me leva no Madurodam?

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Me leva no zoo?

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Vamos naquele zoo de macacos!

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Vamos dar esmolas pros pedintes da estação!

Mama: É ao ar livre, tem um pedinte só ( o Hans Toilet Papier, ele tem sempre um rolo de papel higiênico pendurado no cinto ) e é caro.

Creonça: Mama, se aqui só faz sol 3 meses por ano, porque é que tudo é ao ar livre?

Mama: Porque somos burros e construir teto é caro.

Creonça: Assim não dá, eu sou criança, quero gastar minha energia, quero correr, quero pular, quero mexer nas coisas, quero gritar e falar alto, quero tirar o sarro das velhinhas de rolator. Pode ir pensando num lugar pra me levar senão eu vou fazer do seu domingo um inferno!

Mama: Acabei de ter uma idéia. É coberto, tem ar condicionado, e você vai poder fazer tudo isso que você quer.

Creonça: Onde mama, onde?

Mama: No Albert Heijn! O supermercado agora abre de domingo, você pode se divertir, fazer toda a zona que quer, sem pagar um tostão!!!!

E uma coitada duma imigrante sul americana, achando que ía encontrar o mercado vazio, foi de listinha e cardápio em punho, achando que ía ter paz e sossego pra fazer as compras da semana e não precisar voltar todos os dias pra comprar isso e aquilo. Ela acabou comprando a comida substituta do gato, uma caixinha de morangos pra uma caipirinha ( depois dessa ela mais que merece, ela precisa! ), um pacote de chá mate sul americano com ananás ( abacaxi ) e um tetrapack de suco de cajá ( sim, aqui vende suco de laranja com cajá! ).

No caixa, a fila que sempre tem 2 ou 3 pessoas tinha 12.

E chovia.

sábado, outubro 31

Dotoso

Ele participou de uma temporada do Lost, e agora é o vampiro malvado Damon da série The Vampire Diaries.

É lindo, lindo e lindo. Lembra bem o Tom Welling ( Clark Kent de Smallville ).

Olhar pode, né não?

sexta-feira, outubro 30

Sétima-feira

Foi uma semana tão estressante, estou tão cansada, e essa sexta-feira que não chegava!

Eu estou numa irritação tão profunda, que até pepininhos pequetitos me tiram do sério. É uma luta inglória ficar se controlando, porque o racional te diz que é uma fase e que você está "overreacting", mas o irracional quer mais é estrangular um. Meu estresse tem um nome: fornecedor bocarra. Ainda não me livrei dele.

Mas hoje chegarei em casa e baixarei meu Grey's Anatomy, o Private Practice, o Flashforward e serei feliz, bem feliz. O episódio passado do Grey's foi péssimo, o primeiro ruim de 6 anos de série.

Nesse findi estou também programando alguns cyber-suicídios: facebook e minha fazendinha que cansou; o Twitter - que é pra quem se acha; e possivelmente o Orkut, que eu mantenho só pra saber o aniversário das amigas ( melhor colocar na agenda digital, certo? ). Queria matar também o LinkedIn, mas holandês tem mania daquilo, profissionalmente é ostracismo demais não tê-lo.

E vamo que vamo, findi tá aí ( deus é mais ), vou fazer comida indiana que aprendi com o Apoo, amigo do Bart, e vou dormir mooooito, que tá frio e eu não tô pra ficar pela rua congelando as porpança.

E se meu estômago permitir, farei glu-wine ( não sei como se escreve, é aquele quentão alemão ), que sobrou do ano passado. Ou fondue. Olha a banha que balança!

terça-feira, outubro 27

Sou pirata da perna de pau, do olho de vidro e da cara de mau!

Há alguns dias escrevi aqui sobre o Kindle, o novo e-reader da Amazon.com. Como eu vivo perto do Zaire, onde mora certa blogueira ilustre, o Kindle aqui não rola: custa caro encomendar, não tem assistência, comprar livro só do site americano e pagando extra, o ó. Mas nem tudo está perdido, pois há outras opções de marcas, e eu estou pesquisando a qualidade, e custo/benefício.

Eis que entra em jogo a questão polêmica: piratear ou não piratear?

A idéia de comprar um e-reader veio da incompetência da Selexyz ( livraria ) de Eindhoven. No estoque deles dizia que tinha um exemplar do Sookie Stackhouse 1, mas ao vivo, alguém gateou o livro e ele existia só na contabilidade da loja. Sábado chuvoso, marido gripado, tédio total, eu TINHA que ter aquele livro. Vim pra casa depois de passar por outras várias livrarias ( Eindhoven é meio pobre em livrarias ) de mãos abanando. Eis que fuçando na net achei o torrent do livro. Ao baixá-lo vi que veio não só o primeiro livro, mas a coleção inteira! Ler no lap foi um saco, mas de graça, rapidinho, necas de estoque esgotado...

Daí meu interesse pelo "aparato" leitor de livros. Pesquisando por outros títulos online, me deparo sempre com a americanada metendo o pau em quem baixa o livro "free", dizendo que quem o faz está roubando do autor. Acho engraçado, e quem baixa MP3 não está roubando do cantor? E quem baixa seriado, filme, não está roubando do ator/diretor? É tudo roubo, e me digam aí, quem é que NUNCA baixou um MP3?

Há a falsa moralidade de que quem pirateia livros está lesando o autor porque autor não recebe tanto quanto um cantor. Está aí a J.K. Rowling com seus 800 milhões de dólares na conta bancária que não nos deixa mentir.

Mas vou dizer o que me irrita profundamente, um arquivo eletrônico, no caso o livro, custar 10 euros, muitas vezes o mesmo preço do livro em papel. Você não usa papel, tinta, processo de manufatura algum, não paga transporte, e cobra o mesmo! Isso sem falar nos impostos. Imposto sobre livro nos EUA é 6%, imposto sobre livro eletrônico é 17%, como pode?

Vou confessar, quando eu gosto muito de uma música, eu baixo. Não sou grande fã de música, não consigo fazer nada, nem conversar direito, com música de fundo. Tenho cerca de umas 100 MP3, quando muito. Eu baixo minhas séries, porque aqui nos arredores do Zaire não televisionam 10% delas, e quando o fazem chega a ter anos de diferença. E vou baixar livros, se comprar o e-reader, claro.

Agora sendo sincera, fora os motivos acima, vai o principal: baixo porque está disponível, fácil e de graça. Pronto.

E você, dá uma de capitão gancho ou compra tudo bonitinho?

PS.: Ah, e assunto nada a ver, mas acabei de ler no Te dou um dado? e não consigo parar de rir. Vou já pra cama roncar com os anjos, rindo.

"E o campeão absoluto:

Maitê? filha? és tu? será que és a minha filha? há uns anos fui ao cu a um papagaio e fiquei com merda na ponta da pila, limpei a merda e deitei na sanita e nunca mais a vi, … até agora que te vi novamente, voltei a ver o pedaço de merda há muito perdido. volta minha filha. Agora mais a sério, nem me vou dignar a comentar o que vi desta insignificante. Falta de respeito, falta de cultura de uma mente fraca que não merece o ar que respira. volta cá mais vezes para venderes livros.

Falta só descobrir o que é sanita. O Google diz que é vaso sanitário, mas se os portugueses deitam na sanita eles tem problemas maiores que Maitê Proença."

Deitar na sanita... ha ha ha...

segunda-feira, outubro 26

Adriana está no tronco

Laiá laiá... Já sabem, né? Ando sem tempo nem pra almoçar, mas faltam 5 semanas pras minhas férias de verão no inverno...

Super interessante a discussão o post anterior. Os comentários fazem a gente pensar, não é? E é como dizem: cada um é cada um, vejam só a Marina e a Eliecy, com experiências tão opostas.

Mas esse era o meu ponto, que quem passe por aqui ( e o post ficará ali no arquivo ) se informe mais, que veja os dois lados da moeda. É como uma vez me disse uma brasileira morando aqui, a gente até lê as experiências mais negativas, mas a gente sempre acha que conosco será diferente. Bom, o que eu digo é: tem que ter otimismo, senão não se aguenta o tranco, mas um otimismo inteligente, né meu povo, sabendo das dificuldades e do caminho à frente.

Outro ponto interessante foi o deixado pela leitora Renata, que diz estar melhor aqui. Acho interessante que normalmente quem tinha dificuldades financeiras no Brasil aqui se adapte mais fácil, não pense em voltar, e já aqueles que tinham uma situação financeira mais estável fiquem mais com o pé atrás. Eu já tinha 9 anos de experiência numa multinacional no Brasil, tinha passado já daquela fase de incertezas de começo de carreira, e vejam bem, entrar e me manter na GM não foi fácil, pelo contrário, mas eu desfrutava lá de uma situação muito muito boa. Sempre que eu volto ao Brasil e vejo meu irmão com uma casa fantástica dentro de um condomínio lindo, com carrão zerinho na porta, penso que eu podia estar na mesma situação. Mas o ponto chave não é só estar na situação financeira confortável, é além de todo o conforto material, ter toda a família por perto. Os amigos. É ter sempre a casa cheia, a família e todos nossos amigos de infância praquele churrasquinho na idícula, pra farra na piscina. A amiga de Rotterdam quer voltar pra Salvador, vê os amigos se dando super bem, ela se daria ainda melhor, não conheço ninguém mais inteligente e capaz que ela. E olha, se eu fosse soteropolitana e viesse parar na feiosa Rotterdam eu ía sonhar com a volta todos os dias, principalmente com uma família animadésima como a dela.

E já outras horas penso que aqui não tenho o "glam" mas também jamais passarei necessidade. Outro dia eu estava ouvindo minha mãe falar, ela tem artrite reumatóide e o tratamento é carésimo, mais de mil reais por mês. Mesmo tendo uma condição razoável, seria difícil pra ela bancar esse rombo no orçamento até o fim da vida. Como minha cunhada é assistente social e conhece os "trâmites burocráticos" do SUS, ajudou minha mãe com a papelada e ela está recebendo 80% dos remédios pelo SUS, mas gente, é uma via sacra inenarrável, que uma pessoa doente, sem ajuda da família, não consegue chegar ao fim. A cada 3 meses ela tem que preencher a papelada de novo, pegar laudo médico, pegar fila lá nos cafundós... Aqui na Holanda, fui à médica com uma alergia na pele, saí do consultório já com a receita encomendada na farmácia ao lado, chegando na farmácia o remédio estava esperando por mim, assinei o papel que vai pro convênio, não desembolsei 1 euro-tostão. Não tenho preocupações com a minha velhice, e isso, ao lado do fator segurança, é o que me segura aqui.

Já fui muito revoltada com essa terra, mas fiz minhas pazes com ela. Estou bem aqui, melhor que muitos, melhor até que muitos holandeses. Sofro a falta da família, peno no inverno com a depressão, acho o idioma a coisa mais horripilante que existe nessa galáxia. Mas... tenho minha casinha legal, ando na rua sem olhar pros lados, estaciono meu carro em qualquer lugar, sempre sobra grana pra viajar muito e bem, tenho segurança no emprego - e um emprego que eu gosto muito... Não vou mais me queixar não. Ou melhor, vou sim, mas passa...

Só que eu jamais vou esquecer como o começo foi difícil, eu jamais vou esquecer como eu me senti um cocô a cada não que eu levei na cara, jamais vou esquecer de quantas vezes eu me perguntei "será que um dia voltarei a exercer a profissão que eu tanto amo?". Deixo aqui claro que eu não sei como foi que eu aguentei. Eu gostaria de contar pra vocês clichezões do tipo "encontrei uma força que nem eu sabia que tinha", "sou um ser humano melhor agora", ou então o fatídico "sou uma vencedora". Mas a verdade é que voltar pra trás não era uma opção. Teria sido mais difícil do que enfrentar tudo o que eu enfrentei aqui. Sou uma vencedora? Eu me acho é uma sobrevivente. E já tá bom demais.

E bom demais também é essa época das tortas de maçã, uma melhor que a outra. Nem a Chanele da Paca dá conta de derreter as banhas que se acumularão se eu não me controlar.

segunda-feira, outubro 19

O tico-tico cá, o tico-tico lá, o tico-tico, tico-tico no fubá...

Brasileiro também é um povo bem esquisito, viu. A coisa mais comum é ver o brasileiro se gabando da nossa comida ( picanha, ahhhh ), das nossas praias, da nossa música, da beleza das mulheres, and the list goes on and on. No entanto, pra quem tem todas essas maravilhas, pra quem se gaba tanto de tudo isso, como sonhamos ( e insistimos ) em morar e trabalhar no exterior, mesmo tendo um dos mercados mais promissores do mundo!

Notem que incluo-me no "somos" acima, porque antes de casar eu mesmo estava pesquisando o processo de imigração pro Canadá e já estava atrás de toda a documentação para pedir minha dupla cidadania italiana.

Ultimamente tenho recebido mais e-mail de gente querendo imigrar do que recebia antes, e não entendo, porque na última vez que estive no Brasil achei tudo tão melhor, e sinceramente, enquanto estamos comendo o pão que o diabo amassou com a bunda aqui na Europa com essa crise, o Brasil pôde se dar ao luxo de praticamente ignorá-la.

Eu sei que o brasileiro está cansado da violência, e isso não tem como negar, aqui temos infinitamente menos, mas é só por isso que o brasileiro quer imigrar?

Sabem, eu tenho a impressão que o brasileiro ainda mantém aquele sonho dourado de que vai "fazer a América", ou "fazer a Europa", como tínhamos antigamente. Acho que teve até uma novela com a Debora Secco, que mudou pra Miami, não foi? E acho que nós blogueiros contribuimos muito para essa idéia de que aqui estamos nadando em dinheiro, afinal estamos sempre mostrando nossas viagens, nossos carros, nossos eletrônicos, nossas casas, e raramente o blogueiro diz: não tenho dinheiro pra isso, ou não posso comprar aquilo, e nem é por mal, afinal que post chato seria "vi um I-Pod mas não tenho dinheiro pra comprá-lo".

A verdade é que o brasileiro que muda pra cá tem que repensar as suas prioridades. Sempre recebo e-mails dizendo, "tenho uma vida estável no Brasil, moro num apartamento bom, tenho um carro zero, viajo uma vez por ano, posso ir prum restaurante legal no fim de semana - quanto precisaria ganhar de salário pra bancar tudo isso na Holanda?" e eu sempre penso em responder: é impossível, mas não é impossível, é só (muito) pouco provável.

Sempre digo, e vou repetir aqui e deixar um link lá do lado, eu e meu marido trabalhamos, ganhamos relativamente bem, não temos filhos, e para podermos bancar nossas viagens e nossa casa legal, temos um carro bem cacareco, nunca vamos à restaurantes, minha TV ainda é aqueles trambolhões, não tenho I-Pod, Wii, Stereo Surround; meus móveis são Ikea. Certos "luxos" da classe média paulista passaram a ser sonho de consumo distânte pra mim. Faxineira? Não. Salão de beleza? 3 vezes por ano. Mani-pedicure? Nunca. Roupa de Marca? Só se eu achar em mega-liquidações. E eu tenho certeza que qualquer leitor que mora no exterior pode deixar mais uma meia dúzia de itens nos comentários que passaram a figurar só na memória de quem imigrou. Simplesmente não dá pra bancar.

Não vou nem dizer que é o brasileiro que quer tudo, afinal querer ainda é de graça ( e não é poder ), mas no Brasil, assim como nos EUA, tem-se crédito pra tudo, mas aqui não é bem assim. Aliás, não é nada assim. O brasileiro tá acostumado a financiar o carro "a perder de vista", aqui financia-se em 2, no máximo 3 anos, o que torna as parcelas caras, e há de se somar os impostos, vistoria, manutenção, e combustível ( € 1.35 o litro! ). O brasileiro paga a viagem de férias em 10X no cartão, aqui é na raça, quando muito deixam você dar uma entrada, e te dão alguns dias pra pagar o resto, mas no geral, 6-8 semanas antes da viagem ela tem que estar totalmente paga. Aliás, cartão de crédito aqui não parcela. Nunca. Aliás, cartão de crédito raramente é aceito. Eletrodoméstico pode, em algumas lojas, ser financiado, mas aqui em Eindhoven por exemplo, tem uma loja só que financia ( MediaMarkt ), e nem sempre tem os melhores preços e quase nunca tem os modelos mais atuais. 

Isso sem falar que em muitos casos ( acho que a maioria ), a gente imigrou pra morar com o namorado, casou, juntou, e no começo foi "bancado" pelo parceiro. Pode parecer pouco, mas pra quem vem sozinho, gastos como aluguel, comida, seguro médico, transporte, pesam pra caramba no orçamento. Quem vier sem emprego garantido tem que ter um boooom pé de meia, quem vem com emprego garantido TEM que se adaptar aos recursos limitados. Sinceramente, quem pensa que vai vir pra cá e ter o mesmo nível de vida material que tem no Brasil, vai se frustrar.

Compensa? Ah, isso é muito pessoal. Ter mais segurança é muito bom. Ter um plano de aposentadoria melhor é ótimo. Poder viajar pra capitais européias que antes eram só um sonho é bom, mas em contrapartida, os finaizinhos de semana na praia já eram. Ter leis trabalhistas que protegem melhor seu emprego é bom, assim como o auxílio-desemprego decente, mas você tem que trabalhar 5 anos antes de ter direito a esses benefícios. E pelo menos minha cidadezinha é mais verdinha, pra quem gosta tem zilhões de rotinhas de bicicleta ( lazer saudável e gratuito ), a vida é muito mais calma que a vida em SP.

Mas há também as coisas péssimas, que vão te irritando e te cansando a um ponto que tem épocas que todo mundo se pergunta "o que é que eu tô fazendo aqui, meu deus?". Abri mão de ter meu próprio carro, e apesar de ter que percorrer menos de 2km até o trabalho na minha scooter, no inverno eu vou e volto xingando, e quando chove eu quero matar um. Ir ao médico morrendo de dor, achando que você está na fase terminal de alguma doença, e jamais ser mandado fazer um exame pra acalmar sua consciência, e receber uma cartelinha de paracetamol ( Doril ), é terrível. Chegar em casa louca pra colocar o aquecedor no 25C e ouvir que 21C tá mais que bom é ultra irritante ( coloca mais roupa querida - mesmo que eu já esteja praticamente vestida pra ir esquiar ). A pilha de roupas que nunca se auto-dobra ou auto-passa, quem nem acontecia no Brasil ( Janildaaaa! ). Essa língua horrível hora-após-hora-após-hora, essa raspação maledeta de garganta. Esse céu cinza, você vai conhecer 100 tons diferentes de cinza, se voltar ao Brasil vai trabalhar na Faber Castell na divisão de lápis de cor cinza.

Quem vier me pedir a opinião eu digo: se você é jovem, solteiro, sempre sonhou em ir pro exterior, venha, arrisque, no mínimo vai ser uma experiência interessante. Quem tem família, seja mais cuidadoso, pense bem, pondere. Sair de uma classe média brasileira pra ser o pobrinho imigrante aqui é difícil, especialmente se você tem filhos.

Mas povo, vamos tirar da cabeça essa idéia do Brasil subdesenvolvido de antes. O Brasil nos próximos anos vai explodir de oportunidades de trabalho legais, tem empresa do mundo inteiro com os olhos aí.

Ó, só de pensar que aí eu poderia pagar a Janilda… me dá uma vontade de fazer as malas!


domingo, outubro 18

O copo está meio cheio: o inverno...

O jeito é concentrar nas coisas boas do inverno, já que ele é inevitável e vai passar. Repitam comigo: o inverno vai passar... v-a-i-p-a-s-s-a-r...

As golas rulê, que ficam elegantes debaixo do blazer ou de qualquer blusa, e me poupam de ficar passando camisa, já que minha máquina de secar tem mode anti-wrinkle



Sopa no pão, que no Brasil vende em qualquer canto ( eu amo a do Frans Café ), mas aqui tem que ser feita em casa. Não entendem de frio esses holandeses...



Mantas Parahyba, que também não existem aqui. Quem é que não teve? A minha era azul...



Fondue de queijo... No need to explain...



Gorrinho e cachecol bem Penélope Charmosa



Capuccino Quentinho à toda hora



Pantufeeeenhas



E já que sonhar ainda é de graça, a lareira que um dia eu hei de ter



E quando nada disso ajuda, a solução é:



Esqueci de alguma coisa?

sábado, outubro 17

Ximbication

Vi na Katylene e tive que mostrar procêis.

Gente, nós os brasileiros TEMOS que ser o povo mais criativo do mundo. TEMOS.

Não consigo parar de rir, e o rítmo até que é legal!

sexta-feira, outubro 16

Prece


Deus ilumine o inventor do diclofenaco de cálcio.

Amém

Cai cai balão cai cai balão, aqui na minha mão...


Muito obrigada meu Deus, por hoje ser sexta-feira!

Stress stress stress, trabalhando até tarde todo dia, mil apresentações mirabolantes, estômago em pandarecos, unhas roídas até os ladinhos sangrarem, cara de uma mulher de 75 anos. Bosta.

Depois me perguntam como é que eu tenho coragem de gastar 5 mil paus numa viagem de férias, e é fácil caros colegas: eu MEREÇO. Cada eurinho que cai na minha conta representa uma célula da minha bunda ralada nas pedras.

Ontem juntou TPM, estômago ruim, costas esbudegadas por um par de botas de salto alto ( TODA mulher que usa salto alto tem uns miolos a menos ), e voilá, Adriana chega em casa tão imprestável que não consegue nem plantar sua safrinha do dia no Farmville.

Mas que tem coisa que a gente ainda ri, ah isso tem. E o garoto do balão? A CNN com o Richard Quest lá todo solene "narrando" a trajetória do balão e falando como se o menino já tivesse virado bacon, e o menino na garagem da casa dele… mas putamerda, quando eu falo que tem pais que merecem o título de parideiros o povo fica bravo, vai construir um balão cintilante, no jardim de casa, com um menino de 6 anos brincando ao lado, e não colocar uma trava 100%? Gente, e como o balão ía rápido!

Povo, vou-me. Estou ainda semi-comatosa, concentração zero, mas não posso esmorecer na labuta diária. Com o frio que tá, minhas costas ainda latejando, tô doida pra chegar em casa e tomar um banhão de banheira.

Bom findi, fuy!


quinta-feira, outubro 15

Hoje, eu mereceria... Da amor aos pedaços!