segunda-feira, novembro 8

Desabafando


Duas coisas importantes aconteceram na semana passada: o coaching de novos funcionários no meu grupo foi 100% transferido para mim, e tivemos o budget review anual do OF ( OldFart ).

Vamos lá pro "causo" e uma lição pra todos nós.

OF é um comprador senior, é esperado dele que ele esteja com as rédeas na mão das commodities dele. Fornecedor nenhum vai vir aqui bater na porta dele dando descontinhos de mão beijada, tó OF - 2% de desconto só porque eu gosto do seu óculos tosco. A gente tem que correr atrás, a gente tem que suar a camisa, dar chicotada no fornecedor. Quando eu digo aqui que Gerente ( ou profissionais ) de Vendas é tudo malandro, eu não tô brincando.

Estou fazendo o tal coaching do OF e uma das piores falhas dele, que eu odeio em qualquer profissional, é a mania de jogar as responsabilidades dele pra cima de outro. Quem não está a fim de ter responsabilidades, metas a atingir, prazos a cumprir, que arrume então um emprego mais simples. Não é vergonha nenhuma dizer: quero apenas vir pra empresa, fazer meu trabalhinho, ir embora no horário e receber meu cheque no fim do mês, DESDE QUE, você se candidate para um emprego operacional que não exija muito mais que isso.

O budget review dele foi tão ruim, mas tão ruim, que o diretorzão interrompeu antes do fim e mandou ele ( e todos nós, eu, nosso diretor junior ) voltar em duas semanas. Ele já está sendo treinado a quase 3 meses, full time, um luxo que poucos tem, ele é senior, está numa faixa salarial alta ( logo esperam bastante dele ), e ele começa a apresentação pro diretorzão assim:

- Eu sou o OF, ainda sou novo na commodity, não sei muito ainda, por isso eu vou só ler os slides e meu colega Fulano ( o antigo comprador ) vai explicar.

Já ficou todo mundo pensando "WTF, o cara tá aí a 3 meses e ainda não tem controle da commodity dele"? E seguiu-se um rosário de desculpas esfarrapadas, mas o fornecedor não me mandou tal lista, o fornecedor "não quiz" me dar tal redução de preço... juro gente, uma vergonha.

E quando o diretorzão começou a dizer que tava tudo incompleto, patati patatá, a gente baixou a cabeça, ficou vermelho e calou, menos o OF, que bateu boca com o diretorzão!!! Eu tava vendo a hora que o diretorzão ía mandar o OF calar a boca…

O pior é que isso reflete também em mim. Dessa vez eu ainda não fui massacrada porque o coaching não era meu, mas em duas semanas temos que voltar, e juro que se o OF não entrar na linha eu vou estrangular o cara…

Eu juro que não tô podendo, meu povo. Eu ando uma pilha de nervos, tenho que tomar muito cuidado para não "overreact", mas tá difícil.


domingo, novembro 7

TAM e GOL

Lembram-se dos meus posts inconformada em não poder pagar os vôos TAM e GOL aqui de fora com cartão internacional? Gente, tem que elogiar quando há motivo: tá funcionando gente, o site internacional de ambas as empresas!!!!

Nosso primeiro vôo será GRU-SSA, e será TAM porque tinha um horário muito bom, que a GOL não tinha. Sem falar que a GOL só é barata se você reservar moooooito antes, né? Sábado de manhã eu olhei um vôo na GOL e tava 229 reais, mas era um pouco tarde, e o da TAM tava 249, mas era exatamente no horário que eu queria. Hoje quando fui reservar, o da GOL já tava 479, e o da TAM se manteve, então vamos de TAM.

O SSA-REC tava 84 reais ontem de manhã, hoje já paguei 169, que ódio. Mas na TAM tava ainda mais caro.

E REC-CGH vai ser novamente de TAM.

O sistema de compra de passagem da TAM é mil vezes mais rápido e mais fácil, mas em compensação não confirmam a reserva na hora, só quando a administradora do cartão aprovar a transação ( ré-lou? ). Mas em 30 minutos recebi um e-mail confirmando. Já a da GOL tem um monte de campos pra preencher, é um saco, mas usa o secure ID da MasterCard, e a transação é emitida na hora.

Estou impressionada que com as duas empresas eu pude já agora reservar meus assentos, o que me deixa bem mais tranquila. Não sei se vai rolar um check-in online, mas já estou tranquilinha sabendo que nossas cadeirinhas estão marcadas.

Agora falta apenas: o hotel em GRU, aliás, o tripadvisor indica o Mercure em Guarulhos, mas tá muito barato, tem alguma "pegadinha" nessa história? Faltam ainda os transfers em SSA e REC. E o hotel dos gatos.

E toda a presentaiada.

Jesus me proteja!

sábado, novembro 6

Drag Piovani Queen

No estadão.com tem uma matéria na TV Estadão com a Luana Piovani. Começou com a musiquinha Lua trilili trololó do Caetano, e a Adriana do lado de cá pensando: mas caramba, a Luana Piovani não se desentendeu, brigou, rodou a baiana com o Caetano porque ele disse que a música era pra ela, depois desmentiu, ela cobrou a "musisse" que pertenceria a ela... começar a matéria justamente com aquela música foi um fora da reporter, meo.

Aí eu tenho algumas considerações:

- Paulista tentando falar carioquês é deprimente. O R do carioca é o R do carioca e de ninguém mais, e pronto. Pior que R falsificado é manter o S de paulissssta ( e não de paulishta ) e fica aquela mistureba. Feio, muito feio.

- A moça tá naquele grau marombado parecendo traveco. Eu sei que ela maromba pacas o braço e quer mostrar o bíceps, mas a gente não quer ver, Luana, então uma manguinha nessa blusa djá.

- Eu gosto do Dráuzio Varela, mas comparar o Dráuzio Varela com a Madre Tereza de Calcutá é meio que demais...

- Eu já vi gente que esticou as rugas e ficou medonho, já vi gente que esticou as rugas e ficou bem, Luana TEM que esticar as rugas e pelancas dos olhos. Bem, estou sendo leviana aqui, afinal é lindo assumir os anos que Deus nos deu, mas, como é moda agora, tá mega-feio aquela pelanca nos olhos.

Agora vou voltar pra sessão mindfulness: não julgue...

Tô quase feliz!

Desencalacramos o mais complicado das férias: os hotéis no Brasil.

E para onde vamos? Tum tum tum tum... ( suspense com a musiquinha de Jaws )

Bart queria ir para Porto de Galinhas de novo, passamos nossa lua de mel lá e ele ainda fala de como as praias eram lindas, o snorkeling fantástico, etc e tals.

Eu queria ir pra Bahia, Praia do Forte com certeza e talvez Morro de SP.

Queriamos os dois ir a all-inclusives

**** Pausa para explicação ****

Fomos pra Amalfi num hotelzinho super legal e de preço razoável, principalmente considerando-se que aquela cidade é uma das mais caras da Itália: pagamos 100 euros na diária. Aí, como não somos de passar pela frente de ótimos restaurantes e ir sentar na pizzaria baratinha noite-após-noite pra economizar, acabamos gastando ao redor de 80 euros por dia entre jantar, almoço e sorvetinhos/refrigerantes. Achamos que gastamos muito pro que fizemos, hotelzinho "razoável", almoço foi lanche ou pizza, jantar bom, bebidas meio limitadas ( tomamos muita água que carregávamos com a gente, claro ).

**** Expliquei ****

Então acabamos por fechar o Iberostar Praia do Forte por 7 noites e de lá seguiremos para Porto de Galinhas onde ficaremos no Enotel por outras 8 noites. Agora começa a novela de reservar ( e pagar ) as passagens.

Mas estou animadinha da vida.

Aproveitei para encomendar umas roupitchas de verão na liquidação da Wehkamp, e embora eu esperasse que só metade ficasse legal, tudo ficou show. Ô vida boa de gordo por essas bandas. Serei "A" gorda elegante quando chegar ao Brasil.

quinta-feira, novembro 4

O mundo é gordo e gordo acorda cedo


Hoje começou os 4 dias de liquidação da WEHKAMP.NL

Lombrigas consumistas bateram palminhas.

Ontem eu já preparei minha "lista de desejos" no próprio site, assim no minuto que a liquidação fosse colocada no ar eu só daria um click e minhas roupitchas tão garantidas.

A liquidação começou as 8 da matina, eu consegui chegar ao computador às 8:10, nesses 10 minutos 2 das 3 blusinhas que escolhi já tinham acabado. Ah, o L tinha acabado, porque o S e o XS tinha lá de sobra.

O que tiro dessa experiência:

- Gordo só se ferra mesmo
- O mundo é gordo, afinal, as peças pequenas sempre sobram
- E puta merda, mas a gordaiada acorda cedo, hein!

quarta-feira, novembro 3

Tiritas pa'ese corazón partio ( ou Bandaid pro meu coração despedaçado )

Minha empresa vai abrir uma planta que produzirá lindos e reluzentes caminhões no Brasil. Na terrinha, onde nasci, cresci, estudei e trabalhei até ser uma senhora casada e trintona.

Na semana que vem começarão às visitas a fornecedores locais, o primeiro será a Usiminas. Eu não fui a escolhida para integrar a delegação que vai visitar esse fornecedor.

Fiquei com o coração aos pedaços, queria desaparecer da face da terra. Não soube pelo meu chefe nem por nenhum diretor, soube pelo meu colega francês que morou no Brasil meros 2 anos e que foi o escolhido. Ele está todo feliz, e eu também estou feliz por ele, ele é um cara legal, mas estou de coração ( e ego ) partido, então a cada novidade que ele divide comigo, sinto uma enfiadinha de punhal afiado no peito.

Estou me preparando para ir falar com meu diretor, e tenho que ter essa conversa de forma profissional, centrada, decidida. Sei que eu mal estou conseguindo fazer 50% do meu trabalho, acabei de receber mais um funcionário, em Dezembro será mais um, sem falar no OldFart, todos para serem treinados, vou de férias, mas pô, um projetão legalzão, e eu me sinto um lixo por estar, por hora, de fora.

Vou pra casa, vamos buscar nossa TV hoje, mas estou mas pra baixo que ânimo de pe-eme-de-bista. Queria ter a banheira da Claudinha, que aquela pelo jeito é milagrosa, vou ter que me contentar com a minha, tomando mimosas e lendo Nora Roberts.

Na próxima encadernação, com diz a Doutora Alice, eu nasço rikah sem necessidade de trabalhar pra pagar contas.

Tenham, por favor, muito dó de mim.

terça-feira, novembro 2

Não julgues...


A Fulana não devia ter dado aquela motinha pro filho adolescente; o Ciclano só vive de politicagem pra cima e pra baixo na empresa; a Beltrana sabe muito bem onde quer chegar com aquele decotão no escritório; o filho da Locha é uma peste, ela não sabe educar aquele menino; diga-me com quem andas e eu te direi quem és…

Dizem que todo mundo julga. Eu concordo. Pode até ser que uns sejam mais bondosos que outros ao julgar, mas julgam.

Ultimamente eu venho pensando que julgar não só é característica de personalidade como é também hábito. E hábito a gente muda, né? Venho repetindo o mantra: não julgue, não julgue, mas é bem difícil viu…

Ontem eu estava pensando, quem julga ( como eu o fiz alguns posts pra baixo ) normalmente só vê um lado da história, ou então se esquece de tentar se colocar nos sapatos do outro pra ver quanto o calo aperta. Estou apontando o dedo pra mim mesma.

Ontem eu almocei com a lourinha que se separou do marido 4 meses depois de casar ( desça uns posts ). Passado o choque, acostumada com a idéia eu fico pensando… será que eu teria feito diferente? É fácil agora dizer que não, mas será mesmo???

Eu sei que o casamento de blogueiras é maravilhoso e coisa de novela, afinal é só isso que a gente lê, maridos maravilhosos e namorados ultra-românticos, verdadeiros Richard Gere's com bouquet de rosas no teto solar da limusine… mas o meu casamento, o da Adriana, tem lá seus baixos, aquele dia em que você tá "p" da vida com o marido, ou a se-ma-na que você está "p" da vida com o marido... A Marina, que morava na Suécia, quando se separou do namorado começou um post dizendo: todo relacionamento é como uma montanha russa, hoje o carrinho da minha montanha russa não encontrou forças para subir os trilhos e o Fulano me disse que não me ama mais. Me marcou muito essa frase.

A colega loira, J., usou ontem uma expressão semelhante, a montanha russa vai tendo cada vez mais baixos, e mais baixos, e mais constantes baixos, e você fica pensando que se emagrecer e ficar mais bonita ele vai te dar mais atenção, que se você for promovida e ganhar mais vai ser mais valorizada e ter mais atenção, se você casar e passar de namorada a esposa vai ganhar mais atenção, e você acaba, mesmo vendo que as coisas vão mal, embarcando em mais uma tentativa pra ter o que falta na sua relação. Eu julguei, eu pensei ( e falei e escrevi ), como pode você ver que vai tudo mal e mesmo assim planejar um casamento um ano, e casar? Mas a verdade é que se eu tivesse 27 anos, numa relação de 11, com meu primeiro namorado que eu conheci aos 16, não sei se eu teria feito as coisas diferentes… Colocando-me - generosamente - no lugar dela, eu penso que deve ter sido muito difícil, e que pelo menos ela parou antes de entrar no joguinho de ter filho pra salvar relação, que é a coisa mais comum e o capítulo mais manjado do livreto ( ó eu julgando de novo ).

E como ela fala, no fim, estar infeliz no casamento, e ficar remoendo o aniversário de namoro esquecido, a lingerie não apreciada, o corte de cabelo não notado, cria - numa garota de 27 anos que só teve um namorado na vida - a predisposição ideal pra se encantar com um colega de trabalho mais maduro, bonitão, que elogia, aprecia, valoriza.

Eu entendo. Entendo e torço para que não seja tudo ilusão da cabeça dela, e crise do lobo ( não julgue, Adriana ) dele, e que daqui há vários anos eu os veja ainda juntos, felizes, levando a vida que sofreram ( e fizeram sofrer ) pra ter.

Estou agora repetindo o mantra para ser mais bondosa com ELE. Confesso que ainda penso na coitada da esposa que nesse momento teve que sair da casa onde moravam há 11 anos porque num milagre venderam rapidinho, que está vivendo com uma pensão de 980 euros ( que ele acha muito, 30% do salário líquido dele ), com duas filhas para cuidar, procurando emprego depois de 7 anos sem trabalhar, já na casa dos 40 sem grandes experiências profissionais ou carreira propriamente em si. Eu sempre digo que quem fica em casa pra cuidar de filho está ultra sujeita à uma meleca dessas, mas quando a gente vê acontecer, ainda é de revoltar. Eu penso que já que havia um acordo que ela cuidaria das crianças e da casa, que agora ela deveria levar 50% do salário dele, não foi esse o trato, formar uma família e dividir o trabalho meio-a-meio, você fora de casa e eu lavando, limpando, cozinhando, parindo? Meus colegas ( assim como meu irmão há 8 anos ), acham que se a relação acabou ambos tem o direito de tentar reconstruir a vida, e que é um absurdo o homem ter que bancar a esposa com 50% do salário até quando sabe-se lá… e que claro, vai sobrar pouco dinheiro pra gastar com a loira novinha ( sorry people… Adriana, não julgue ).

Como vocês podem ver, tenho que praticar o Não Julgue muito ainda…

sábado, outubro 30

Se eu fosse vocês...

Se eu fosse vocês eu ía correndo ler o blog da Dr. Alice, o 1 ou 2 palavrinhas ( link ali do lado, primeirão porque é order "analfabética"). Ela escreve super bem, e se vier neguinho me cobrar de ter o português tão bonitinho vai levar cascudo.

Empurrando com a barriga

Tem épocas que eu tô mais devagar que tartaruga. Essa é uma delas, ando empurrando tudo com a barriga. Estão empacados as rolluiken, toda a viagem dentro do Brasil ( os tickets internacionais eu comprei ), o carro novo, até a TV encomendada, que chegou hoje na loja de funcionários da Philips não foi buscada, já que só de pensar em carregar aquela monstruosidade na chuva me deu uma preguiça... E eu queria comprar uma botinha Hamilton da ECCO pra trabalhar, e precisava dar uma procurada em CENTRUM que não tem na Kruidvat, Etos ou AH. Precisava começar a procurar os presentes da família, e não vai poder ser volumoso porque agora a KLM diminuiu o limite de bagagem pra 1 mala de 23 kg ( cornos ).

Eu estava tãO devagar hoje quando fui às compras que comprei um daqueles REDBULLs concentrados ( shots ) e mandei ver. O negócio é a coisa mais horrenda que eu já tomei, quase botei pra fora, mas funciona - deu um gás bem dos bão.

Agora eu vou lá pra sala ler e juro que não vou tirar um cochilo.

ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzz

quinta-feira, outubro 28

A Holanda para os holandeses

Eu mudei pra Holanda no ano que o Theo van Gogh* for assassinado ( resumão: um cineasta controverso, que fez filmes "expondo" os abusos dos mulçumanos, vivia recebendo ameaças de morte e tinha um policial-guardacostas, escapou pra fumar na rua, foi esfaqueado e morreu ). De lá pra cá só vejo o preconceito contra os imigrantes crescer.

Ontem o novo primeiro ministro, em quem eu votei aliás, se envolveu numa controvérsia, novamente, sobre a lei da dupla cidadania. Discute-se agora leis mais firmes para admitir a entrada de novos imigrantes no país, e fala-se até em mandar quem já tem duas cidadanias escolher uma.

A discussão sempre vai praquele manjado problema: ninguém se incomoda com a Sueca ou o Inglês ( há uma sueca ligada ao CDA e um Inglês na Segunda Câmara ), o que incomoda mesmo são ou turcos e marroquinos, e admitir isso é discriminar.

Eu acho o seguinte ( e quem quer saber do meu pitaco? ). A Holanda devia ter um programa de imigração de profissionais como o Canadá e a Austrália tem. Eles publicam uma lista dos profissionais desejados naquele ano, e você ganha pontos por experiência, formação acadêmica, e baseado nisso te dão o visto ou não. E deveriam endurecer aquele teste para receber o visto antes de imigrar, porque dizem que um dos maiores problemas é que os turcos e marroquinos daqui vão aos seus países escolher seus cônjuges e trazem mais turcos e marroquinos ( eu sinceramente acho isso pataquada, já vi muito turco com holandesa, marroquina com holandês e tem tanto turco e marroquino por aqui que eles podem facilmente encontrar seus parceiros dentre a própria comunidade ).

Mas Adriana, você mesmo é imigrante, então porque você acha que deveriam endurecer os testes, as leis? Eu acho que se a imigração é mesmo um problema ( e não só preconceito ), que se no meio da crise que o país enfrentou ( e ainda enfrenta ) ajudar exilados e investir na adaptação de imigrantes não é prioridade, há que se endurecer a lei e deixar os critérios bem claros. Uma única vez eu participei duma discussão sobre a imigração na Holanda, e eu simplesmente disse: sou imigrante legal, o país ditou uma lei e eu obedeci, ninguém pode me culpar ou cobrar de nada. O que eu acho errado é permitir a imigração de um número maior que o país comporta e jogar esse povo aqui sem suporte, sem emprego, sem verba pra dar um cursinho de holandês pra eles. A crise da qual estamos saindo foi comparada à crise de 1930, uma das piores da história.

Ah, Adriana, mas essa é uma discussão antiga, anterior à crise. Isso é verdade, e eu acho difícil tomar partido.  E acho que deve haver o mesmo preconceito contra uma determinada nacionalidade em cada país ( menos no Brasil, repararam? ).

Eu, que não me considero a imigrante mais adaptada do universo, estarei voltando em janeiro para a escola. Farei ( mais um ) curso de holandês, metade do programa é holandês para executivos e outra metade holandês técnico. Em breve saberei explicar o funcionamento da rebimboca da parafuseta em holandês. Yay (not)!

E na tentativa de treinar a língua e entender um pouco mais a cabecinha do povo daqui, assisti ontem Hello Goodbye, indicado por uma das comadres. É um programa baratésimo, bem B mesmo, onde um cara com uma câmera fica no aeroporto batendo papo com quem vai e vem. Não sei se foi o episódio de ontem, mas acabei o programa tão deprimida, mas tão deprimida… É só gente chorando, cada história triste do caramba. Ontem teve um hómi lá com um filho excepcional ( na verdade ele tinha distrofia muscular e andava todo torto ), um senhor que imigrou pra Nova Zelândia e estava lá todo chororô voltando praquele país depois de visitar a família aqui, e pra fechar com chave de ouro, uma fulana lá cujo pai, quando ela era mais nova, chegou na lata e disse que estava se separando da mãe porque ele estava apaixonado por outra.

Esse programa, o céu cinza e chuvarento, minha vontade descontrolada de comer pão de queijo, me deram uma depressão que cheguei no trabalho me arrastando.

Vou ter que ir me curar no japa batendo papo com a comadre. Muito sushi, yakitori e teppaniaki. E programa holandês vai voltar a ser o 3 op reis ( programa de viagem ) e olha lá.



* Correção, como lembrado pela Holandesa: Theo van Gogh, Pim morreu 6 meses antes de eu vir pra cá, também assassinado.

quarta-feira, outubro 27

Quem marcou as eleições pro meio do feriado?


Nunca vi uma eleição que joga-se tanto a meleca no ventilador como essa. Brigam os candidatos, briga a imprensa, brigam os eleitores.

Os dois candidatos vão à TV em horário nobre e ao invés de apresentar seu plano de governo, ficam é se estapeando. E é tanta sujeira de ambos os lados, que a gente se pergunta mesmo se não teria sido melhor votar na Marina, que a essa altura deve estar é bem aliviada de ter escapado dessa. Ou no Tiririca, né, que aliás é um mentiroso, dizia que pior que tava não ficava, e ó, a tirar pelo debate dessa semana, ficou.

Mas como dá pra reclamar da qualidade do candidato se a qualidade do eleitor é ainda pior?

Já ouvi:

( Da minha mãe ): vou votar no Serra porque é por causa de um programa dele que eu pego meu remédio de graça no SUS… E eu pergunto pra ela: não seria melhor quem se comprometesse a aumentar sua aposentadoria ou a diminuir os impostos dos remédios, assim você pode pagá-los numa boa?

( De outro parente ): fulano não consegue emprego, sempre é reprovado na última entrevista, ainda bem que ele passou num concurso publico, porque emprego em empresa privada ele não ía conseguir nunca… Oi? Se alguém não tem competência pra conseguir um emprego normal, é essa pessoa que a gente quer num cargo público? Oi2? Porque é que cargo público é cabide? Deveriam ter análise de performance como qualquer funcionário de empresa privata tem, e se não trabalhou bem, rua!

( De fornecedor ): vou votar na Dilma, pra ela continuar o que o Lula fez. Se o dolar continuar baixo assim, ano que vem eu consigo ir pra Orlando… ( !!!!!!!!!!!!!! )

( Do primo que tem moto, carro e roupinha de marca ): o PT inventou o tal bolsa-educação, mas com tantos filhos nunca recebi nada… E usar o salário educação pra comprar calça da Forum?

( De um conhecido da família ): qual deles defende o direito ao aborto? Porque aborteiro tudo mundo conhece um, pelo menos se fosse no SUS era de graça, né? ( !!!!! ????? !!!!!! #@%$@ feladapóta )

E pra terminar o pior, de uma senhora de 80 anos, parte da família: Votar na Dilma? Eu hein, de jeito nenhum, ela é anarquista e sapatona.


terça-feira, outubro 26

Parece que vai dar Dilma

Dilma está 11 pontos percentuais na frente do Serra. Até uns dias atrás não era só uns 5 ou 6?

Acho que eu sei o motivo. Vai ver descobriram que o Serra é na verdade o ET de Corguinho. Ele podia ter disfarçado melhor, mas aquele cabeção e os zóião de farolete… Tá na cara que é ele!

segunda-feira, outubro 25

Salve minhas férias!


Aqui na Holanda tem um programa aos domingos que me deixa pulando e xingando do sofá: salve minhas férias!

Todas as semanas são mostrados vários casos de holandeses que compram suas férias em hotéis, campings, apartamentos alugados, e embora na hora de comprar vejam brochuras ou websites com fotos maravilhosas, ao chegar no destino o lugar é um muquifo.

Sacanear turista, para mim, deveria ser crime inafiançável. A não ser que você seja rico e tenha muita grana a sua disposição, você irá, como eu, guardar seu suado dinheirinho pra férias, sem falar na miséria de dias que a gente tem ( aqui na Holanda "só" 40 ) pra aproveitar. Aí você chega no hotel e é tudo um esporcatcho, em alguns casos você nem fala a língua do lugar, ou você não sabe como contactar a agência de turismo pra reclamar…

Eu tenho a oportunidade de viajar várias vezes por ano. Eu ando de carro pocotó, eu compro móveis baratos, eu quase não vou à restaurantes, eu não compro roupas de marca, mas eu viajo bastante, e bem. Hoje eu já sou macaca véia, mas pra chegar aqui eu passei por alguns apuros que me fizeram aprender.

Primeiro mandamento do turista: se a esmola for demais, assim como o santo, desconfie. Se você pesquisa vários hotéis numa região e todos custam 100 dinheiros a diária, se aparecer um que promete o mesmo que os outros mas custa 50 dinheiros, desconfie, não se ache o espertinho que achou uma puuuuuta babada.

Outro primeiro mandamento ( empatado com o primeiro acima ): não faça nenhuma reserva ou compre pacote sem antes pesquisar os hotéis no TRIPADVISOR. Não pense que só porque é uma agência que está oferecendo um pacote a qualidade da acomodação é garantida. No tripadvisor há resenhas de viajantes, com fotos que eles fizeram ( e não só as oficiais do website do hotel ), tem até uma seção que mostra fotos de website e a "realidade", e acreditem-me é chocante! Tem gente muito cara de pau nesse ramo!

Faça uma listinha de "quesitos" necessários para você e sua família num hotel. Por exemplo, eu não tenho filhos, logo, em uma das minhas primeiras viagens de praia fiquei num hotel que não tinha clubinho pras creonças, e eu nem liguei, chegando lá vi o tamanho do meu erro: a criançada alucinada, correndo de cima pra baixo, azucrinando na piscina O TEMPO TODO. Depois disso passamos a visitar hotéis que não aceitam crianças ou que tenham clubinho, porque aí pelo menos metade da creonçada fica nas atividades com os monitores, e a gente tem paz pra aproveitar o hotel que NÃO É MAIS BARATO PARA QUEM NÃO TEM FILHOS.

Estude bem a localização, se você for de carro, principalmente na Europa, se tem estacionamento gratuito, se for num andar mais alto, veja se tem elevador ( ficar no terceiro andar com criança pequena sem elevador é pedir pra sofrer ), se café da manhã está incluido ( preste atenção que nos EUA muitas vezes eles falam "café continental" que é um par de donuts ou bagels e café-chafé de máquina ).

Se você reservou pela internet, leve toda a documentação impressa. Se reservou por site de reserva ( booking.com, hotels.com ) além da papelada impressa leve também o telefone do serviço de emergência, o truque mais antigo do livro é o gerente do hotel dizer que a central de reserva não repassou o dinheiro e você tem que pagar de novo. Se você está indo de pacote, além do hotline da agência, peça de antemão o telefone do receptivo, sem falar que os vouchers devem sempre estar com você.

Se você chegar no hotel e ele for uma pitomba, antes de ligar para a agência e rodar a baiana, diz a lei que você tem que dar ao hotel a oportunidade de retificar o erro, ou seja, te dar um quarto melhor. Só se o hotel não resolver seu problema é que você deve ligar pro receptivo ( em caso de pacote ). Se você for "por conta", no caso do hotel ser uma droga fica mais complicado, porque você vai reclamar pra quem? Então tire fotos para provar que o quarto era uma droga, pra tentar recuperar parte do dinheiro mais tarde. Se você nunca tiver ido naquele hotel, não compre os pacotes pré-pagos do booking.com e afins, vai ser um parto conseguir sua grana de volta. Se um hotel for ruim ao ponto de você não suportar ficar nele, você vai ter que ir procurar outro, então tenha um Lonely Planet ou qualquer outro guia sempre à mão, e a diária daquele dia vai pro beleléu, isso se o hotel permitir cancelamento um dia antes.

E muito importante também é escolher uma boa agência de turismo. Aqui na Holanda eu usei uma vez a D-Reizen, que se diz a mais barata do país. Comprei um pacote para o Egito 3 meses antes da viagem, escolhi o hotel a dedo, li muito tripadvisor, pesquisei localização, alimentação, tudinho; e estava felicíssima com a minha escolha. Uma semana antes da viagem a D-Reizen me ligou dizendo que o hotel fez overbooking, que eu tinha que escolher outro. Hoje eu sei que é responsabilidade da agência administrar overbooking de hotel, principalmente porque eu tinha o boleto do pagamento onde constava que o hotel e a passagem estavam confirmados. A prática normal nesses casos, fosse uma agência boa, eles te ligariam e te dariam um upgrade. Mas não com a D-Reizen. Eles me mandaram escolher outro hotel, 7 dias antes da viagem, e tudo estava lotado. Quando já estávamos desesperados, eles ofereceram um hotel "novo", eu não achei nenhuma resenha no Tripadvisor, mas juraram que era também 5 estrelas, que era na praia, que era all-in. Chegando lá, o hotel não era na praia, tinha um trenzinho pra levar a cada 30 minutos, o all-in não incluía nenhuma bebida alcoólica, e as 5 estrelas viraram 4 estrelas 3 semanas depois que voltamos. Então o que digo é, shit happens? Claro que sim, mas a forma como a D-Reizen agiu para solucionar o problema foi inaceitável, e eu não sabia na época quais eram os meus direitos. D-Reizen nunca mais, uso há anos a ARKE sem problema algum.

E é isso puevo, outro dia falo dos vôos, que tô ficando expert nisso também...


sexta-feira, outubro 22

Oi macacada!

Ultimamente eu tenho pensado muito que o ser humano é só um bicho, que nossa tão celebrada racionalidade é só uma invenção de algum cientista maluco.

Quando fui promovida outros 2 colegas do grupo de compras vizinho também foram, e juntos formamos um "clubje" como se diz aqui, ou uma panelinha, no Brasil. Sempre gostei muito dos dois. Um deles ficou viúvo há 6 anos, a mulher morreu de câncer deixando-o com duas crianças pra criar, e eu sempre achei que o cara dever ser bem centrado e forte pra lidar com uma situação dessas sem quebrar em mil pedaços. Vai ver que eu sou romântica e nem sei, porque 90% da minha opinião sobre o cara é baseando numa fantasia da minha cabeça, né? Há uns 3 meses fiquei sabendo que enquanto a mulher estava passando por quimio, cirurgias e tal ele conheceu outra, chifrou a mulher doente sem muita preocupação em ser discreto, e ao invés de esperar "o fim derradeiro", se é que vocês me entendem, largou a mulher pra viver com a nova namorada, mesmo já sabendo que o tratamento não havia funcionado e que a esposa tinha alguns meses de vida. Eu fico pensando, será que a pessoa não pode ter um pouco de compaixão, adiar seus planos por 6, 12 meses, dar à companheira de anos um pouco de suporte - enquanto ela espera a morte… Já imaginaram como foi o fim da vida dessa coitada?

Ontem fiquei sabendo que a colega que casou em Dezembro deixou o marido 5 meses depois do casamento e está morando com outro colega de trabalho, já fazem 6 meses e eu nunca percebi, os dois sentam a 10 metros de mim. Eles vem trabalhar juntos, eles vão a todos os happy-hours junto, até foram viajar de férias junto, e eu nunca percebi nada. O que me chocou na história? Não foi só ela ter se separado 5 meses após o casamento cuja festa de arromba ela planejou por 1 ano, mas foi ELE ter se separado da esposa que eu cheguei a conhecer, muito bonita, duas filhinhas pequenas, ele sempre cobriu-a de elogios… Ela tem 26 anos, ele tem 40 ( crise do lobo??? ), ela me disse que durante um happy-hour da empresa num barzinho, estavam com fome e decidiram comer no Mc, que nunca tinha rolado nenhuma vibe antes disso, que conversaram ali por 2 horas, que ela não conseguiu tirá-lo da cabeça o fim de semana inteiro, na segunda feira ele confessou que também não tinha tirado ela da cabeça, naquela semana eles tiraram 2 dias "off" para se conhecer melhor e disseram pros cônjuges que viajaram a trabalho, foram para Estocolmo ( cortesia das passagens de 5 euros da Ryanair ), furunfaram, voltaram decididos a se divorciar, um mês depois estavam morando junto. Na empresa ninguém sabe - só o staff, eu acho que alguns menos lerdinhos do que eu desconfiam… Hoje eu fui tomar um café com ela e ela me disse que o chifre é inevitável nessa situação, porque você não vai largar seu cônjuge sem ter certeza que a química com o "novo" pretendente rola. Oi? Oi mesmo? Oi de novo? Se você se sente envolvida o suficiente pra contemplar chifrar e largar seu marido, não é sinal que a vaca JÁ foi pro brejo? Eu fico me dando auto-tapas na cara, porque só agora ando ligando os pontinhos. O cara é simpático, é até bonito, e anda num bom humor já há meses, e eu até perguntei pra ele brincando outro dia se ele tinha sido premiado na loteria, e ele só ria… só pode, lobão papando a loirinha 14 anos mais nova… E ela, como viver - e o que é pior - começar uma vida junto com outra pessoa, sabendo que foi às custas de separar uma família? Eu sei que muitos vão falar, ah mas se ele saiu atrás dela é porque algo já ía mal, mas será? Sabem… é isso mesmo… ninguém que tá casado tem garantia nenhuma que no mês que vem continuará casado, e é ilusão pensar o contrário. E sabem porque?

Porque somos todos bichos. Uns mais que outros, mas mesmo assim, todos bichos. Au Au, óinc óinc, mu mu, miau miau…


quinta-feira, outubro 21

Estou perdidinha!


Ontem compramos nossas passagens para o Brasil. Custaram muito mais do que eu esperava, além de já estarem caras porque eu deixei para muito tarde, outros dois fatores pesaram. A KLM opera agora com a Air France, e a Air France tem dois vôos diários para São Paulo, que eles precisam encher. Por isso, a passagem via Paris está pelo menos €200 euros mais barata se nós fizéssemos conexão em Paris, mas só de pensar em passar a noite em claro no avião ( volta ), depois de 11 horas de vôo ainda ter que descer naquele aeroporto odioso que é o CDG, esperar sua conexão, voar outra horinha, pra só então chegar no Schiphol… e ter ainda que pegar trem pra Eindhoven… não rola, não rola e não rola.

O segundo fator é a tal comfort class. Eu queria muito para a volta, afinal quando seu corpitcho está esmigalhado e quer dormir, 12 cm a mais de cadeira e inclinaçãozinha a mais são um presente do divino, mas Bart quis também na ida. Ele ODEIA viagens longas, e apesar de não ser tão alto ( 1.80 mt ), ele fica apertado nos assentos normais, então se dá pra ele ficar um pouco mais confortável, e sentir menos a viagem, que seja.

Tudo isso pra dizer que gastamos muito mais do que esperávamos por cada passagem. Muito. E por isso eu queria maneirar um pouquinho quando estivermos lá, mas tá difícil e é aí que eu estou perdidinha. E é aí que vocês podem me ajudar.

Pode parecer loucura, mas eu acho que a forma mais fácil de economizar é ir pra um resort all in. Vejam só, o plano inicial era irmos pra Morro de São Paulo, mas vai ser um furo enorme no bolso. A diária da pousada é R$ 390,00 só com café, teremos que ir de teco-teco porque o marido quase morre de enjôo em barcos ( no total serão R$ 1000,00 só de passagem de teco-teco ), mais almoços e jantares, e passeios. Não sei se esse ano vai caber no nosso budget.

Uma semaninha no Iberostar Praia do Forte tá €650 por cabeça, mas toda a alimentação está incluida, e não teríamos que desembolsar a grana do teco-teco.

Olhando no site Viaje na Viagem, dá vontade de ir em tantos resorts!

A Costa do Sauípe está totalmente renovada, dizem que está ótima, alguém já foi, sabe se é legal???

Tem um novo chamado Palladium Imbassaí, que fica perto da Praia do Forte e a 5 km de Imbassaí ( e do fim do ponto do ônibus ) que é caindo de chique, e está super barato, mas ele não é na areia da praia, fica numa reserva ambiental e tem uma jardineira pra te levar pra praia.

O Enotel em Porto de Galinhas parece que está sendo vendido de novo, estou meio com medo.

Tem tantos, mas tantos….

Povo, quero conselhos, por favor! Preciso decidir djá pra onde ir…

quarta-feira, outubro 20

QI depende de nacionalidade?

A KLM oferece a opção de vôo na Economy comfort class. Na ida eu não acho necessário porque é vôo diurno, vamos sentar e ver filmes, mas na volta é vôo noturno, então queremos mais conforto para, quem sabe, tirar uma soneca. A disponibilidade desses assentos não pode ser vista no momento da compra, os assentos são liberados 90 dias antes da viagem, quem já tiver a passagem comprada, logar primeiro e pagar o adicional, leva. Como já faltam menos de 90 dias pra minha volta, queria saber se ainda tem assentos Comfort disponíveis, e se não tiver no dia que eu quero voltar, mas um dia antes ou um depois, eu posso até mudar minha volta.

Adriana liga pra KLM, desk-service holandês:

( Adriana em holandês ): Minha senhora, estou a ponto de fazer a compra da minha passagem AMS-GRU-AMS mas gostaria de saber se ainda existem tickets Comfort disponíveis na data que eu escolhi.

Een moment mevrouw: tec tec tec tic tic tic, não dá!
Eu: O que não dá?
Mulé: Pra ver as reservas... só 90 dias antes do vôo.
Eu: Faltam 60.
Mulé: Effe Wachten ( peraê )… tec tec tec… não dá…
Eu: O que não dá?
Mulé: Pra ver as reservas…
Eu: Mas essa é a reservation line, onde dá então…
Mulé: Eu só faço reservas…
Eu: Mas se eu tivesse um e-ticket você poderia entrar na tela e ver?
Mulé: Effe Wachten… tec tec tec… Como assim?
Eu: Você precisa de um numero de reserva pra abrir a tela?
Mulé: Effe Wachten… tec tic toc… não, eu posso ver a tela de qualquer forma...
Eu: ( pensando ) meu holandês tá ruim e a mulé não tá me entendendo… Explico VAGAROSAMENTE a situação novamente, porque não é possível que uma central de reservas não possa ver as reservas! Meu colega de trabalho sussura que meu holandês tá jóinha, até ele entendeu… mas a mevráu entra em pânico e me passa pra uma inglesa

Eu: bla di bla ( explicando a situação )
Girl: Qual é o vôo e que dia?
Eu: KL792 dia 31/dez
Girl: ( em 3 segundos ) Tem 24 lugares disponíveis
Eu: Tem corredor?
Girl: Vários
Eu: Obrigadíssima
Girl: Você tem programa de milhagen?
Eu: Tenho
Girl: Olha lá que tem upgrade em promoção
Eu: Obrigadíssima de novo

God Save the Queen!

Rapadura é doce mas não é mole não!


Viajar é bom. Viajar é ótimo. Já até me vejo sentadinha numa daquelas cadeiras de praia na Bahia, tomando uma caipirinha de caju, o vento emaranhando os cabelos, 30 graus esquentando a pele…

Mas até chegar lá, vou ter que atravessar o inferno andando descalça sobre pedras fumegantes, vestindo calça brega da gang e ouvindo bonde do tigrão, ou seja, o máximo da punição infernal.

Vejam o que tenho que resolver:

- comprar passagens AMS-GRU-AMS - queremos vôo direto KLM e tá €1155, um roubo!
- hotel pra pernoitar no Schiphol que permita estacionar-se o carro por 28 dias - a maioria permite só 14, quando muito 21 dias

- hotel para pernoitar em Guarulhos, silencioso e com shuttle para o aeroporto
- alguém da família que venha pegar a mala de presentes no GRU, que no teco-teco pra Morro eu só posso levar 15 kg
- vôo de GRU para a Bahia, que bata com o horário do teco-teco para Morro de SP
- teco-teco para Morro de SP
- pousada em Morro de SP - a que me indicaram pediu "depósito", vou ter que achar um outro jeito
- teco-teco de volta pra Salvador
- segunda semana de férias, de preferência num resort all-in: Praia do Forte, Imbassaí ( esses dois pertinho e super prático ), Itacaré ou Porto de Galinhas ( RIU Enotel ) - reserva via agência alemã

- aluguel de carro na Bahia ou Porto de Galinhas -  se for GOL tem desconto na Unidas, mas compensa?
- no caso de irmos pra Porto de Galinhas, vôo para Recife
- vôo do Nordeste para SP, de preferência Congonhas
- alguém que nos pegue em Congonhas
- hotelzinho pros gatuchos

E o pior: os presentes! Minha sobrinha quer Kipling, mas os modelos "it" no Brasil são de 3 coleções passadas na Europa, achar onde? O sobrinho provavelmente vai querer algum eletrônico ou jogo que eu posso comprar via BOL ( a tita te ama, Bru ). Minha mãe tem que ser uns 2 presentes, ela faz aniversário em novembro. Pro meu irmão e cunhada uma roupa qualquer. Pra Thali um All-Star de pelinhos por dentro. Pra minha amiga Fê uma garrafa de Lagavulin. Pras tias vou ver se pesco alguma coisinha tipo cachecolzinho, ou biju, em liquidação. Pra minha avó dizem que ela gosta de bicho de pelúcia, então vou comprar um bem maciozinho.

Tudo isso tenho que resolver sozinha, porque o marido mais atrapalha que ajuda.

terça-feira, outubro 19

Amor sem fronteiras


Na tv holandesa há um programa chamado grenzeloos verliefd, ou algo como amor sem limites. O programa mostra uma holandesa ( nunca vi nenhum programa com um homem holandês, é sempre uma mulher ) que se apaixona por um estrangeiro e imigra para algum país para ficar com ele. Até alguns programas atrás, era sempre um imigrante pobrezinho, elas sempre se mudavam para algum fim de mundo num casebre, ou então o namorado/marido era mulçumano e mostrava o incrível choque de culturas, o programa era sempre muito, muito radical. Teve um que mostrou uma holandesa que foi morar no Brasil numa daquelas casas de palafita, uma pobreza que até eu que nasci e vivi até os 30 no Brasil, nunca vi.

Nunca consegui terminar de ver um capítulo, sempre me aborreço com o radicalismo do programa, e querendo treinar meu holandês ou não, mudo de canal. Mas a secretária aqui do departamento é fã número um, daquelas que se perde um programa, corre assistir na internet assim que chega em casa.

Há algumas semanas, houve um programa de uma holandesa que mudou para o Egito. Acho que foi um dos mais radicais que eu já vi, não pela pobreza, eles nem estavam tão mal instalados assim, mas porque a holandesa largou tudo e mudou pro Egito sem nunca ter tido relações íntimas com o namorado, e casou sem antes ter relações íntimas. O programa mostrou o conflito do casal antes do casamento, ela - vinda duma sociedade onde adolescente ela já transava como namorado, ele - virgem aos 28 anos. Eles casaram, ela engravidou, e o mais chocante foi ela admitir na TV que pela lei egípcia ela não tem direito algum ao bebê, ele "pertence" ao pai.

Me lembrou daquele filme: Never without my daughter, de uma mulher que passa por situação semelhante ao visitar o Iran com o marido Iraniano.

Eu conheço muito pouco da religião mulçumana, e fico me perguntando se é lei religiosa ou civil que dá a "posse" do filho para o pai. Alguém sabe? Interessante é que em muitos países a cidadania de um bebê é determinado pela "lei do livre ventre", que parte do princípio que o filho deve ter a cidadania da mãe porque pai, até que se prove o contrário, pode ser qualquer um.

Ainda nessa linha do "me encafifa mas eu não sei o que diz o Corão", eu digo que, apesar muita gente ter criticado o filme Sex in the City 2 ( que aliás eu achei perfeitamente bobinho mas divertido ) eu também acho humilhante as mulheres que usam burka. Aqui em Eindhoven e até no Egito eu já tinha visto algumas, e sempre me perguntei como fariam para comer em público, e no filme eu vi. Em tempos de discussão sobre a proibição da burka em países Europeus, eu acho que pouquíssimas mulheres vestem burka por opção, a maioria deve ser por pressão do marido, de familiares.

Eu acho que a burka deveria ser proibida sim, pelo simples fato de que a pessoa por baixo é inidentificável, pode cometer qualquer crime sem ser identificada. Pior ainda, é que existem casos de homens-bombas que se esconderam debaixo de burkas e ninguém percebeu.

Dito isso, sou totalmente contra a proibição do lencinho na cabeça. Só aceitaria tal proibição se fosse também proibido usar cruxifixo na correntinha, ou aquelas estrelas de Davi ou qualquer manifestação de fé religiosa. Aliás, a família do meu pai é Lituana, e eu lembro que as mulheres mais velhas sempre usavam um lencinho muito parecido com o das mulçumanas ( só que davam um nó debaixo do queixo ), não por nenhuma questão religiosa, mas simplesmente porque na Lituania eram camponesas e parece que era costume fazer isso antes de irem trabalhar na roça. Seria esse lenço proibido também? E lenço em cima dos bobs? Minha tia Sônia fez tanta "touca" e por cima punha um lenço, seria proibido também?

E como sempre, comecei falando lá e terminei com crá.

O programa Amor sem Fronteiras aliás, suavisou e ficou meio chato. Até acharem o meio termo, que mostre a cultura do novo país sem os exageros do "meu amor numa cabana - literalmente", mas que não caiam na "agüice com açúcar" de ficar mostrando a vida de um casalzinho classe média em Seattle ( bóóóóring ), eu ficarem sem assistir o programa. Vou agora treinar meu holandês com um tal de Hello, Goodbye. Sou fanática por TV, mas tô pra ver algum país com programas mais chatonildos que esse aqui. Até Band é melhor.

 

segunda-feira, outubro 18

ET Phoned home


Quando você imigra, sendo uma pessoa espertinha ( que eu sou ), você já se prepara pra ter que se adaptar a certos costumes locais, se prepara para aprender a operar numa nova cultura, mesmo que você não concorde 100% com ela.

Aqui na Holanda, uma das coisas mais difíceis de se acostumar é com a forma direta do povo, especialmente no trabalho. Quem é sensível quebra, juro. No começo é chocante, com o passar do tempo você se acostuma, e passa até a apreciar ( eu pelo menos aprecio muito ), apesar de achar que certas coisas podiam ser "suavizadas ( com s? ) " ou simplesmente omitidas. Você chega de manhã com um corte e cor diferentes no cabelo, se o neguinho achou feio ele vai dizer: do outro jeito tava melhor. Aí eu penso, já cortei e não vou usar peruca, já pintei e não vou usar peruca ( e nem pintar de novo ), e aliás, quem perguntou?

Aí você muda também ou vai ser sempre o pateta, dando voltas no assunto pra chegar ao ponto, ou sempre usando eufemismos… não, não rola. E daí você é objetivos 335 dias por ano, e nos 30 dias que você liga pro Brasil pra falar com os familiares, você tem que respirar fundo e baixar a bola, e munir-se de todo aquele repertório de desculpinhas esfarrapadas, de eufemismos, de enrolações. Pelo menos eu tenho que fazer isso, porque lá no Brasil meu pai já decretou que depois que eu mudei pra cá eu virei a pessoa mais "rude" que ele conhece.

Aí Adriana liga pro Brasil primeiro pra cunhada, que me dá o report de como minha mãe está. Aí minha cunhada pensa, "adianta eu falar dos problemas se ela tá lá longe e pouco pode fazer?", então ela fala que tá tudo bem, que minha mãe tá bem, que tudo está sobre controle. E eu noto que o diálogo está meio superficial, mas de nada adianta, eu não consigo tirar muito dela.

Aí eu ligo pra minha mãe e tudo está muito diferente do que minha cunhada disse, mas minha mãe fica rodeando também, de forma que eu não faço a mínima idéia de como resolver as pendengas de lá.

Aí o inteligente pensa: se o povo não se dá ao trabalho de explicar a situação, deixa pra lá que eles se viram. Mas aí é que tá, não se viram, porque no fim a bomba estoura e estoura também pro meu lado, mas chega de um jeito que eu não tenho mais o que fazer.

Exemplos?

Minha mãe nunca me consultou sobre parar de pagar o plano de saúde, eu só fiquei sabendo que ela me contou que tinha que fazer uma cirurgia de 10 mil reais pagos por ela. Uma decisão totalmente errada, só porque um médico que ela consulta não atende pelo plano que ela tinha - agora ela tem que pagar todos os exames, consultas, internações, cirurgias, ao invés de pagar o plano e o médico uma vez a cada dois meses. Burrice, né…

Minha mãe vive de rendimentos, todo o pézinho de meia dela estava aplicado em Fundo de Renda Fixa, aí ela viu um monte de gente ganhando grana com ações e colocou metade da grana em ações. Ela nunca me falou nada, eu teria falado pra ela jamais fazer isso, dinheiro do qual a gente depende não se coloca em ações, só fiquei sabendo quando as ações desabaram e ela entrou em desespero. Aí, se ela tivesse me consultado, eu teria dito pra deixar as ações lá que podia demorar anos mas íam se recuperar, mas ela se apavorou e vendeu as ações, perdeu um dinheirão e agora, 1 ano depois, as ações já estão bem recuperadas.

E meu irmão? Ele não entende que minha mãe viveu DECADAS sem se preocupar com um tostão, nunca teve que fazer planejamento financeiro, que ela não entende nada de nada de finanças, que ele tem que ficar em cima e tomar as decisões por ela. Ele vê meu pai cuidar das finanças dele e acha que minha mãe está ( ou deveria ) estar fazendo o mesmo, mas não passa na cabeça dele que minha mãe simplesmente não sabe como.

Ai ai…

Povo, desculpa aí o desabafo, nem era pra eu estar falando dessas coisas aqui, mas é que fica isso martelando na minha cachola, eu fico remoendo o que eu tenho que fazer pra resolver essa situação, e nada me vem à mente…

Como eu disse no post anterior, preciso do tal mindfulness, porque ficar queimando neurônio não vai me ajudar muito não...

Mind-ful(fool)-ness

“Mindfulness practice is simple and completely feasible. Just by sitting and doing nothing, we are doing a tremendous amount.”

Uma das comadres está praticando a tal mindfulness. Confesso que nunca tinha ouvido falar, e tive que ir pesquisar um pouco depois do jantar onde ela contou sobre o curso que está fazendo e as meditações.

Na sexta-feira eu não via razões para a prática, mas nada que um par de dias e um telefonema não faça.

Não vou ficar entrando em detalhes aqui porque nem sei por onde começar. Liguei pra minha mãe e as coisas não estão lá muito bem. Nada de grave, mas sei lá, é duro você ver a pessoa entrando no buraco, falar: ei, peraê, volta, mas ser simplesmente ignorado.

Sabe, com o divórcio e a aposentadoria, meu pai comprou lá um terreninho no interior, fez uma chacarazinha, adotou uma cadela de rua, plantou umas árvores, e de engenheiro virou chacareiro. Minha mãe diz que não entende, até faz certa piadinha, e apesar de como ela, não entender, afinal ele sempre odiou mato, barro, terra, eu até admiro ele ter encontrado uma forma de fazer os dias dele terem propósito, nem que esse propósito seja tirar umas ervas daninhas do caminho ou plantar uns pés de alface.

Minha mãe por sua vez, fica só em casa remoendo, lamentando o que não foi, acordando e indo dormir sem ter uma coisa pra fazer, uma meta pra atingir. O canteiro de ervazinhas que ocupa meu pai ( minha mãe diz: por 1 real eu compro um mação de cheiro-verde na feira, perder meu tempo plantando pra quê? ), no caso da minha mãe é uma doença que embora possa ser controlada facilmente com fisio e remédio, vira a distração e o centro da vida dela, ela faz auto-testes mudando a dose dos remédios, ela não vai à fisio nem faz os exercícios caseiros, e só fala de doença, 24/7.

Eu não sei mais o que aconselhar. Fico quieta. A novidade é que ela está pensando em ir morar com o meu irmão. Eu fiquei chocada, mas depois de pensar bastante, achei bom. Achei bom porque vai ter gente, cachorro, planta, um monte de coisas pra ocupar o dia dela. Vou ter uma conversa séria com o meu irmão, por 8 anos eu fiz o que pude, tá na hora dele tomar o leme desse barco.

Pra mim, ficará a dor de cabeça enorme de colocar o apartamento à venda, lidar com imobiliária, e quando ( e se ) vender o imóvel, ficar naquele dilema de o que fazer com o dinheiro, porque transferir pra cá é evasão de divisa e custa 33% em impostos. Deixar lá aplicado até quando?

Só me resta perguntar: como era mesmo a meditação? Não julgue... Já aconteceu...