quarta-feira, janeiro 19

Eu sou Raquel e não Rutinha


Eu "se" divirto com a desgraça alheia.

No projeto brasileiro, o francês é responsável por preparar o roteiro que os executivos americanos vão seguir. Eles decidem quais fornecedores vão ser visitados, o Francês coloca num mapa e com os seus grandes conhecimentos de Brasil ( cof cof cof ) elabora a sequência de visitas, tentando geograficamente encaixar dois fornecedores por dia na agenda do americano.

Eis que liga o americano desesperado e vem o Francês me pedir ajuda. Fornecedor X fica na Avenida Pompéia, Pompéia - SP, o Francês jogou no google maps, apareceu uma cidade perto de Marília, ele mandou o americano pra lá.

Já viram pra onde essa história tá indo?

O americano chega na Avenida Pompéia da cidade de Pompéia, perto de Marília e tem um posto de gasolina no lugar. Ele liga desesperado pro Francês e o Francês tá aqui em pé na minha mesa desesperado, eu nem sabia que tinha Pompéia perto de Marília, eu só falei: Avenina Pompéia… deve ser perto do SESC… e o Francês: como assim? Eu: ué, em Perdizes. E o Francês: como assim? Eu: ué, cê quer ir pra Avenida Pompéia, na Pompéia, o SESC é na mesma avenida, em São Paulo. O Francês: capital? Eu: ué, claro! O Francês: mas o google mostra uma cidade no interior… Eu: você checou se o prefixo do telefone é 011? O Francês: Merde, nem pensei nisso! - olha o telefone do fornecedor - merde merde merde, é 011!

Ha ha ha. Sim, é pobreza de espírito minha, estar com tamanha dor de cotovelo que me divirto com a cagada do Francês, mas tô pouco me lixando… foi engraçado pacas…

Agora tá lá, CEO de uma empresona grande na Pompéia, em Perdizes, na Capital, esperando um americano e o americano quase na divisa com o Paraná, na Avenida Pompéia da cidade de Pompéia, perto de Marília.

Ha hah ha ha haaah aha ha

Cadê o Tonho da Lua pra dizer que eu sou Raquel e não Rutinha?


terça-feira, janeiro 18

Mimimim...mimimi...mimimi


Dr. Alice, no seu pitacolog ( o 1 ou 2 palavrinhas, primeirão na listinha dos links ali do lado ) fez um lindo post falando do tio velhinho.

Eu não escrevo tão bem quanto a Alice, mas tcheu contar mais um dos "causos" da minha família.

Eu só tenho uma avó viva, a por parte materna. Não é porque é minha avó, ou porque é velha, que eu tenho que achá-la legal e bondosa: ela sempre foi ruim que é o cão.

Dizem que as dificuldades endurecem a pessoa, mas sinceramente eu acho é que é o caráter mesmo, afinal, minha avó paterna, já morta ( e que também não era uma santa ), foi a mais feia de 4 irmãs, casou só porque disseram que ela era feia e estava ficando velha, ficou viúva com um filho de 12 e outro de 5 pra criar, casou novamente, em poucos anos ficou viúva de novo, lavou roupa pra fora até depois dos 60, sem máquina de lavar! Mas minha avó paterna sempre tinha uma piada na ponta da lingua, estava sempre pronta pra ajudar os filhos, e não sabia o que fazer pra agradar os netos.

Minha avó materna, a bicho-ruim, só se alegrava por um motivo na vida: dinheiro. As filhas foram trabalhar em casa de família aos 7, 8 anos. Adultas, as filhas  tinham que dar metade do salário pra mãe, e minha tia S. foi a "endemoniada" que se recusou a fazê-lo. Essa tia "endemoniada" conta das surras que levavam, coisa dos vizinhos entrarem no meio pra defender as crianças.

Eu a vejo e só enxergo uma mulher que não dava tapinha pra educar, mas despejava nos filhos as insatisfações da vida dela. Não vejo uma mulher que batalhou pra criar os filhos, mas sim uma mulher que assim que pode botou as filhas pequenas, a custo dos estudos que foram muito mal, pra ganhar uma graninha pra ela viver um pouco melhor. Não vejo uma mulher que se alegrava de ver os netos bem, mas se ressentia de nós termos uma vida mais confortável que ela própria.

Isso entretanto, é coisa que não me importa muito, porque minha avó materna sempre foi uma pessoa muito distante, quase inexistente, e agora mais e mais. Só evito o assunto com a minha mãe, já que além da avó ser  mãe dela, minha mãe fala como se a velhice tenha apagado o passado ruim, a tenha tornado uma bondosa velhinha…

Anyway… Assim como o tio da Alice, minha avó está ficando esclerosada, meio demente. Ela também esquece coisas. Ela mora numa casa com meus dois tios, e no quintal ficam as casas das minhas duas tias, ou seja, ela está sempre rodeada de gente. Só que ela quer fazer as compras da casa ela mesma, porque ela está sempre desconfiada que se alguém o fizer, vai comprar as coisas no lugar mais caro, ou vai ficar com o troco… e cês sabem né, a véia é louca por dinheiro… Eis que ela vai fazer as comprinhas dela, pão, carne, e dá as notas de 50 achando que são de 5. No bairro pobre que vive, alguns são honestos e corrigem o erro, outros se aproveitam e embolsam a grana. Às vezes, ela chega em casa, vai contar o dinheiro dela e percebe o que fez, ou então ela vem reclamar pros meus tios que o dinheiro acabou, e os tios explicam então que ela está fazendo besteira com o dinheiro. Já falei pra trocarem todas as notas de 50 por notas de 5, mas meus tios são também uns cabeçudos. E a véia chóóóóóra. Vai no cantinho e mimimi…mimimi…mimimi… Chora porque tá sem dinheiro, chora porque tá dando dinheiro fácil pra larápio, chora porque cadê o "my precious" dinheirinho dela??? E minha mãe acha que devem levar a véia pro psiquiatra pra tomar antidepressivo, porque a véia só chóóóóóóra.

Agora vejam. Ela não chorou quando a filha teve um aborto. Não chorou quando a outra teve um bebezinho que morreu aos 4 dias de vida. Não chorou quando as irmãs foram morrendo uma a uma. Caramba, não chorou quando o marido morreu! Mas ela chora porque sacanearam no troco da padaria.

Me chamem de ruim, vai ver que é genético, mas eu não deixo de achar interessante a justiça poética da situação.

Ela mimimi…mimimi…mimimi… de lá, e eu ririri…ririri…ririri de cá.

:o)

segunda-feira, janeiro 17

Lesgueláu


Lesgueláu = let's get loud ( música da J-lo, cantada loucamente por uma animadora de piscina dominicana que não falava inglês ). Pra ela, lesgueláu era "vamo se mexer, povo!"

Lesgueláu, então.

É viagem pra Alemanha, 6 horas de volante no meio daqueles loucos autobahnzeiros.

É test-drive de carro novo.

É zolder que precisa ser feito.

Tem que rolar muito Lesgueláu.

Sem falar das férias de maio, que se eu não reservar agora vão pro babau ( babau combina com Lesgueláu ).

A empresa, olha o sinal de que a economia está melhorando, vai dar bônus por lucratividade esse ano. Não o bônus integral, a metade, mas já é alguma coisa, certo? E sabe o que eu quero fazer com o meu bônus? Substituir a grama do jardim por grama artificial. O "cerumano" tem que se lesgueláuzar muito pra manter grama de verdade bonitinha e verdinha, pra nós, até agora, ela só trouxe briga. Tem que cortar, tem que ventilar, tem que adubar, tem que tirar a erva daninha, tem que rezar e fazer dancinha da chuva ( no nosso caso, do sol ). Não, não vale a pena. Aliás, aqui a grama artificial se chama kunstgras, sendo que kunst é também a palavra para "arte" no sentido de obra artística, então pergunto eu: seria uma grama artificial ou uma grama artística? Só sei de uma coisa: grama natural não é criação de Deus. Ponto final. E eu vou de grama artística :o)

Apesar de eu admirar a prudência da holandesada, que poupa, que planeja, que pesquisa preços, eu não deixo me entristecer um pouco quando vejo algum colega dizer que vai guardar o dinheiro do bonus. Sei lá, em alguns casos o cara já guardou o dinheiro das férias e ficou em casa, guardou o décimo terceiro, vai guardar o bonus. Acho legal quem faz isso com um plano bem concreto a curto prazo, como a assistente do departamento que está guardando e economizando para uma super viagem de 6 semanas pela Austrália, mas ficar guardando só pra ver a conta da poupança engordando, sei lá. Ah, é tão legal se dar um presente bobeira de vez em quando… quer coisa mais bobeira do que grama artística?

Eu acho os holandeses ultra conservadores com dinheiro, acho que poupam bastante, e admiro muito isso. Vindo da cultura "Casas Bahia", acho bom mesmo o povo que guarda e compra o que precisa à vista. Diz o meu funcionário Senhor que cada vez mais a holandesada está se deixando levar pelas propagandas de TV e está se enfiando em financiamento. Acho isso perigosíssimo, ainda mais em tempos de crise. Aliás, vi um programa tragi-comédia americano chamado Repo. Repo é quem vem pegar o bem que não foi pago de volta. Nesse caso era o carro de uma dondoquinha inadimplente, um BMW conversível. E saiu palavrão, xingamento, até chave de pescoço e tapão rolou! Muito deprimente que até disso tenham feito em realityshow.

Bom povo, tcheu lesgueláu daqui, você lesgueláu daí e vâmo cuidar da vida que a morte é certa.

Lesgueláu nessa segunda!

domingo, janeiro 16

Idiota tem em qualquer quanto

Não é porque a criatura tem blog, facebook e twitter que ela é inteligente.

Não é porque o blog tem trocentas visitas por dia, o facebook vai daqui à Lua, e no twitter a pessoa tem 4000 seguidores, que a pessoa é inteligente.

Dentre nós, blogueiros, tem muita gente imbecil ( quiçá encaixa-se aqui a autora desse humilde blog ), gente que parece cool, viajada, gerentão, mas que fala cada asneira de deixar até o pobre asno de boca aberta.



A foto acima é uma sugestão de viagem pra certas pessoas, já que só essa foto valeria o passeio.

quinta-feira, janeiro 13

Desesperançosa...


Eu tinha feito um post enorme, dizendo como nunca nada muda no Brasil, todo ano as mesmas enchentes, e o povo reclama dos políticos, e a media mostra os rios, encostas e bueiros todos entupidos por lixo que a população joga, e iata iata iata.

Mas ó, dá raiva de ver tanta gente legal reciclando, ver a molecada no shopping jogando o hamburguer num cesto e a caixa do hamburguer no outro, uma parcela da população tentando fazer a parte deles, e aquela pobraiada do caramba jogando lixo em tudo que é terreno baldio, aliás, em tudo quanto é lugar.

É vergonhoso andar por lindas praias e achar tantas daquelas malditas sacolinhas de supermercado, tanta garrafinha vazia de água, tanta tampa de garrafa e bituca de cigarro na areia.

Às vezes olho pro meu próprio país e penso: não, não tem jeito.

Quer apostar que em 2021 vamos ter as mesmas enchentes, as mesmas reportagens do lixão flutuando na enchente, do mesmo povo sendo soterrado nos morros do RJ?

É por essas e outras que quando me perguntam se eu quero ir como expatriada pro Brasil eu respondo: de férias sim, pra morar, nem morta!




quarta-feira, janeiro 12

Não querendo ser crica...

Mas o que é que você espera de um Bed and Breakfast que anuncia que tem piscina e quando você abre a foto tem uma foto de uma fulana numa piscina Regan? Acham que eu estou brincando? Claaaaaaaro que só podia ser na Itália:

http://www.holiday-rentals.co.uk/p630689


Estou pesquisando a região da Toscana, eu queria alugar um apartamentozinho, como fizemos em Bellagio e em Amalfi, mas não tô encontrando...

segunda-feira, janeiro 10

Uia!

Uia! Devo estar à beira da morte, um médico holandês me deu antibiótico!

A médica escutou minha saga, auscultou-me, olhou bem minha moribunda face, e me deu um tal de doxycycline, antibiótico. Pensei: devo estar nas últimas.

E vendo que eu estava à beira de um ataque de nervos ( e provavelmente já ciente da minha ameaça de me abarrancar na sala de espera naquela manhã ), deu-me ainda comprimidos de codeína. Achei que codeína nem fosse permitida na Holanda...

Ela me disse que a codeína vai me ajudar bastante a dormir, então essa noite promete.

Se eu morrer, pelo menos presenciei um milagre em vida: alguém sair do consultório médico holandês sem uma receitinha de paracetamol.

Vamos todos juntar as mãos e cantar a musiquinha do Tim Tones.

SUS

Finalmente amanheceu o dia. Foi ( mais ) uma noite terrível, era só deitar e eu não conseguia respirar, a tosse que não me deixa um segundo, peito - ombros - abdomen doem como se eu tivesse corrido a maratona de NY.

Mas... com o raiar do dia vem o bendito horário comercial, no qual eu posso ligar para a minha médica huisarts. Após 15 minutos de espera telefônica, ouço da assistente que só tem horário pra amanhã, isso depois de ter rezado toda a ladainha do "estou passando mal, acabei de chegar da américa do sul, o huisartsen post me mandou esperar e ligar pra vocês hoje". Depois de muito suplicar, pedir, implorar e ouvir não não e não, comuniquei que iria ao consultório, sentaria na sala de espera ( com todos os meus viruses sul-americanos ) e esperaria um dos médicos ter uma "brecha".

Como aqui isso não se faz, a mulher - não duvidando que eu, imigrante louca, realmente passaria o dia espalhando minha doença pelo consultório de gente já doente - arrumou um horário as 2 da tarde, já me informando que terei 10 minutos e pra não chegar atrasada.

Qualquer semelhança com o pronto socorro central de SBC é mera coincidência. Pelo menos no Brasil o SUS é de graça.

Engraçado é que parece que tudo quanto é médico resolveu me sacanear. Conversei com a Alice ontem pelo MSN, e ela me indicou como medida terapêutica uma série de exercícios de yoga, e considerando meu estado debilitado ( mal consigo subir os 13 degraus da escada de casa ) me mandou fazer "só" a tal da bridge: você fica de quatro, mas só que de barriga pra cima ( isso só já seria o desafio do ano ), joga a cabeça pra trás, levanta a perna direita formando um ângulo de 45graus ( ficando então não de quatro de barriga pra cima, mas de três ) e manter a pose por 2 minutos.

Quando eu digo que médico acha que gente é robô, ceis acham que eu tô sendo é uma véia ranzinza.

Blé.

domingo, janeiro 9

Por um mundo um pouquinho mais humano

Quem mora aqui fora tá sempre comparando "aqui é assim, lá é assado". Quando a gente vai ao Brasil, sempre perguntam: como se faz isso lá?

Li uma matéria francesa sobre o governo do Lula e os desafios do governo Dilma e eles diziam que no Brasil a questão da saúde são duas realidades em paralelo: a de quem pode pagar e a de quem não pode.

Enquanto eu vivi no Brasil tive o que era na época, o melhor convênio médico do país. E agora, vejo a minha mãe, que está no extremo oposto, ou melhor, só não está no extremo oposto porque de uma forma ou outra ela ou nós, os filhos, bancamos o tratamento particular.

Nessa última ida ao Brasil eu pensei que talvez a medicina-robozinho da Holanda é que esteja certa. Essa medicina, toda cheia de estatísticas, e de regras, e de prazos, iria garantir a minha mãe o direito de ir a um médico razoável, fazer seus exames numa policlínica boa e de fácil acesso ( lá em SP cada hora minha mãe tem que ir pra um lugar mais difícil que o outro pra fazer exames, e ficar indo de um lado pra outro com dor não é fácil ), iria sair do consultório médico com seus remédiozinhos na bolsa sem custo ou com custo mínimo e ao precisar de cirurgia iria utilizar um lindo e aparentemente muito eficiente hospital ( o Hospital aqui de Eindhoven é ótimo, dizem ).

Ninguém iria perguntar pra ela se ela está se sentindo bem depois do exame de sangue e oferecer um suquinho de laranja, ela não teria direito a um acompanhante quando fizesse cirurgia, e claro que estariam acompanhando o desenvolvimento da velhice dela em um chart estatístico de algum bureau qualquer. Mas bem, como diz sei lá que político holandês, outro país, outros costumes.

Desde segunda feira passada estou com o que parece ser a garganta inflamada, febre e tosse. Esperei uma gripe pior vir, mas ficou assim mesmo. Não precisei ir a médico algum, eu me auto-paracetamolizei. Faz quase uma semana, e nada melhora, só piora. Continuo tendo essa febre que vai e volta, a tosse está pior, a garganta também parece bem irritada, mas já não era pra ter melhorado? Sem conseguir respirar direito, e com a capacidade pulmonar de uma abelha ( até subir as escadas está difícil ), já cansada com essa dor no peito de tanto tossir, decidi marcar uma consulta essa manhã no posto médico, que é um posto que abre para atender casos mais ou menos de emergência, visto que os médicos de família só atendem em horário comercial.

Minha preocupação era apenas em que o médico visse minha garganta e me dissesse se é isso mesmo que está causando os sintomas, porque tá demorando demais pra curar! E eu fico pensando, estou voltando do Brasil, e se for alguma doença tropical? Ou então, e se eu penso que essa febre é da tal dor de garganta, fico mascarando sintomas com paracetamol, mas é alguma outra coisa?

Pôxa, eu não só só um amontoado de ossos, carnes e sangue, um robozinho orgânico, tem uma pessoa aqui dentro, que de vez enquando precisa ter sua mão segurada e seus nervos apaziguados, e precisa que outro ser-humano, que foi TREINADO para dar assistência médica a outro ser humano, olhe sua bendita garganta e diga: nossa, tá vermelha mesmo, tome paracetamol e um xarope também que logo vai passar, não se preocupe que mais que isso não é. Ou então que olhe a bendita garganta e diga: tá feia mas tá sem inflamação, a febre deve ser de outra coisa, vamos ver o que pode ser, mas não se preocupe que encontraremos a razão.

Mas não, claro que eu liguei e me disseram pra consultar minha médica amanhã. Claro que a menos que os sistemas do robozinho estejam obviamente dando pau, e que não haja esperanças de dar um boot e tudo voltar ao normal, que o robozinho tem mais é que ficar aqui quieta sem encher saco deles. Aliás a falha foi minha, que OUSEI ocupar o tempo deles com algo tão banal quanto uma dor de garganta que não passa.

O que aquele povo tá treinado pra fazer é uma borracharia de auto estrada: você vai lá com seu pneu furado, o carro sem poder andar, e eles remendam o pneu até você poder comprar outro. Não ouse aparecer com o pneu meio murchinho, espere ele furar de vez ou vá encher na bomba do posto, mas não encha o saco porque essa borracharia é muito, muito cheia, ocupada e importante.

Tenho certeza que se fizerem um campeonato mundial de bed-side-manner, holandeses ficam na rabiola. Seriam assim uns doutores House MD, sem a genialidade do mesmo, claro.

E assim fico eu, tossindo my lungs out, até a abertura do horário comercial.

E ó, pago 200 euro-paus pro mês de assistência médica, viu!

Aprendendo de cá, entendendo de lá

Nessa minha última visita ao Brasil, algumas "adaptações involuntárias" ficaram super claras, teve muita coisa do hábito holandês que eu senti falta no Brasil. Da mesma forma, durante o ano, encarei diferenças culturais que eu tenho certeza que não importe quantos anos passe eu não conseguirei entender, apesar de ter que aprender a respeitar.

Depois das duas semanas de resort all inclusive, com fartos buffets, mal amanheceu o dia em SP e fomos praticar o esporte favorito do paulista: shopping-center-maratona.

Eis que após comprinhas básicas, no dirigimos para a área de alimentação do shopping, Bart, minha mãe e eu, com a intenção de comer algo nutritivo mas leve, visto que naquela noite iríamos ao tradicional São Judas Demarchi.

Minha mãe queria camarões, e acabou escolhendo um prato da Cia dos Camarões, e acreditem, nenhum deles tem salada! O tradicional holandês carne-batata-salada, no Brasil é carne, arroz, batata, como se batata fosse um vegetal ( o que é ) ao invés de um coisa ali, cheia de carboidratos. Você pode escolher vários tipos de camarões, até o tamanho dos camarões, e eles sempre virão acompanhados de arroz e um tipo de batata a escolha. Achei estranhíssimo e uma bomba "carboidradística".

O marido queria de qualquer forma algo que tivesse bastante salada, e rodamos, rodamos, e necas! A opção seria os restaurantes por quilo, com filas homéricas e preços assustadores, ou então o Subway, que está se popularizando muito no Brasil. Na fila do Subway, duas pessoas perguntaram para o atendente se podiam substituir as saladas do sanduba ( que é a marca registrada do Subway ) por mais carne ou queijo, e diante da negativa pediram só umas folhinhas de alface, deixando de fora todos os outros vegetaizinhos suculentos.

Isso sem falar no número de pessoas que comem uma tranqueira qualquer e se consideram "almoçados". No Carrefour de SBC, há mais de 10 anos o próprio mercado colocou um standzinho de sanduíches feitos na hora: usavam assim os frios que estariam para vencer naquele dia e que iriam para o lixo. O tal stand foi proibido pela vigilância sanitária, o principal motivo era vender frios com a data de validade próxima crus. No lugar desse stand, o Carrefour abriu um quiosque de pastéis. São enormes, bem recheados, e custam 2 reais. Minha mãe conta orgulhosa que pelo menos 2 vezes por semana passa lá, compra um iogurte pra tomar com o pastel, e por menos de 3 reais "tá almoçada". Eu fico pasma. Cadê as fibras, as vitaminas, e o colesterol, e a dor no estômago?

Comprei em Holambra uns peitos de frango caipira, e entrei na internet, sites brasileiros, para ver alguma receita saborosa para fazer com os bonitões. Gente, vocês notaram como em tudo brasileiro coloca catupiry, requeijão e creme de leite? Quando eu era mais nova, creme de leite era ingrediente nobre, usado muito de vez em quando, só tinha mesmo o da Nestlé, agora virou banana, em tudo quanto é canto tem! Agora imaginem se alguém ía sentir o sabor do meu frango caipira com latas e mais latas de creme de leite e requeijão na mesma receita?

E a dulcilidade dos doces brasileiros? Putz, é tanto leite condensado, mas tanto, que dá até arrepio! Ana Maria fazia na TV um tal mousse de pão de mel, que além do pão de mal picado, levava creme de leite, leite condensado e mel ( ughhhh ). E pra rechear, uma ganache de chocolate ao leite com creme de leite. Engordou só de ouvir?

E ó, não dá pra entender, pois saindo da Grande São Paulo, qualquer um com jardinzinho chulé planta verdurinhas, frutas, até meu pai que é um jardineiro muito lambão tem tudo quanto é fruta na casa dele, então porque essa mania de colocar coisa de latinha, açucares mil, cremes mirabolantes no que puro ou puxadinho de leve num fio de azeite fica dos Deuses?

No fim, o brasileiro acha que o Brasil é a terra da comida farta e maravilhosa, se gaba dos churrascos ( cuja carne, aos 50 reais o quilo, tá chegando no preço da carne aqui na Holanda ), mas pô, tão comendo mal pacas!

sábado, janeiro 8

Caros Leitores

Caros leitores,

Vão desculpando aí o sumiço, mas é que eu tô bem macambúzea.

Desde quarta estou com uma febre doida que chega aos 39 ( nem é tão alta ) e só baixa com o fatídico Paracetamol. Atribuí a uma recaída da gripe que tive na Bahia, agravada pelo ar-condicionado do departamento ( ou falta de aquecimento apropriado ) que é muito forte às segundas ( o aquecimento não é ligado durante o findi ).

Acontece que a gripe em si, de espirrar e ficar com o olhão e nariz congestionados, não veio. A garganta só tem agora uma tosse seca, mas a febre persiste. Dormir é um calvário, me dá o frio do Alaska, eu tomo Paracetamol, me dá o calor do Senegal. Ninguém merece.

Modos que, além de não fazer nada esses dois dias, o que justifica a ausência de posts mesmo tendo tanta coisa pra contar, estou bastante decidida a amanhã entregar os pontos e ir ao posto de saúde. Estou achando que, como eu não estou à beira da morte, eles vão é me mandar tomar paracetamol por telefone mesmo ( você tem que ligar antes de ir ), mas acho que vou tentar.

Putz que post chato.

E o pulso ainda pulsa.

quarta-feira, janeiro 5

E o que eu achei do Brasil?


Bom, mais tarde eu vou contar a saga dos resorts em Imbassaí e Porto de Galinhas, mas me perguntaram o que eu achei do Brasil depois de dois anos…

Tem coisa boa. Os pobres estão menos pobres, as favelas ainda estão lá, mas pelo menos em SP é raro ver um barraco ainda de madeira, o povo tá usando a graninha a mais pra realizar o sonho de ter "casa de tijolo", o que é sempre melhor do que aqueles barracos que por qualquer coisa pegam fogo. Outros, deslumbrados com o recém conquistado poder de compra, esquecem da prudência e caem no consumismo desenfreado. Um exemplo é a Janilda, nossa antiga empregada ( e ainda faxineira da minha mãe ). Ela tá ganhando pensão do pai da filha, tá ganhando o tal salário-família, e faz uma boa graninha como faxineira, já que em SP cobra-se de 80 a 100 reais numa faxina. Imagine que até um tal de vale-gás agora tem ( eu viva patrocinando os bujões de gás dela ). Janilda continuou no seu barraco de madeira mas comprou TV nova, DVD player pra filha, e sofá nas casas Bahia, aí com as chuvas de novembro passado o barraco dela desabou e ela está na rua da amargura. Well, milagre também o Lula não faz, né?

Os antigos semi-pobres compraram seus carrinhos, e lugares com SBC, que tinha muito semi-pobre, tem congestionamento em todos os lugares, em todos os horários. Aliás, infra-estrutura continua precária sem muitas expectativas de melhorar, achei que por ser ano eleitoral eu veria milhões de obras, mas necas de catipiribas. Aliás, SBC virou uma selva de prédios em construção, e todos de alto-padrão. Vai faltar chão pra essa gente toda, que nem Copacabana.

A criançada deve estar estudando e sendo criança, porque não vi uma nos faróis, até o fatídico da Bandeirantes com a Jurupis estava desprovido de malabaristas-mirins. Muito bom.

São Paulo está ultra bem sinalizada, e os buracos da Marginal Pinheiros não existem mais. Ano eleitoral, ou mudança mesmo?

A classe média tá mais reclamona do que nunca. Reclamam das empregadas que não trabalham mais pra ganhar 200 contos, reclamam que o filé-mignon chegou aos 50 mangos o quilo, que uma blusinha no shopping não sai por menos de 70 paus, que o PT não investiu em escolas ( como se eles fossem tirar seus filhos do Grade, Bandeirantes e Porto Seguros ), é um iata-iata sem fim. No entanto, compram compram e compram. Não fazem outra coisa, aliás fazem, reclamar. E só falam do que já compraram ou do que vão comprar. As polos Lacoste de 140 reais tamanho infantil já estão breguinhas, o negócio agora é Tommy Hilfiger. E os bichinhos vão todos pro coifure serem banhados e penteados, dar banho em cachorro com mangueira no quintal, só mesmo na casa do meu irmão e no Bono, porque o collie Jack também vai pro salão. E ó, doce-de-leite Itambé só pros pobres, classe média só compra Havanna ( nem sei com quantos n's é ). E falam das viagens a Buenos Aires como se falassem do bate-e-volta pra Praia Grande. Logo a Dilma anexa a cidade argentina ao território nacional. E se o Obama bobear, a Dilma compra Orlando também, duvido que tenha sobrado espaço pros americanos pras bandas de lá. Aliás, um pivete de uns 7 anos me corrigiu: é pra Kissimmee que a gente foi, não Orlando. Moleque atrevido!

E tudo o que é importado custa o dobro ou mais do que custa aqui. A intenção do governo é proteger a indústria brasileira, mas tolinhos que são não contam com a sanha consumista do seu povo. Ipad dos xulé ( 16 giga sem 3G ) por € 1.400 na FNAC, e na fila do caixa tinha 4 pessoas com a caixinha na mão. A camiseta da Nike que o marido comprou na V&D por 20 eurecas custa 89 reais da Decathlon. Não mais reclamarei da muambação dos brasileiros em terras européias, comprem mesmo que aqui precisa-se das divisas.

Passei maus bocados em aeroportos brasileiros, e olha que seguindo o conselho de tantos, comprei passagens da TAM ( as mais caras ). Essa história também conto outro dia, mas só um milagre mesmo pra nos deixar meio-prontos pra sediar a copa.

Mas, all-in-all, achei o povo mais feliz, mais esperançoso, e isso é o que importa. O povo trabalhando, a criançada estudando, e a passinhos tímidos, o país tá indo pra frente. O rei Roberto, dizem, está namorando uma ninfeta, a Ivete ou tá grávida de novo ou enfiou o pé na jaca ( amiga da Alice ) depois do show em NY, a Claudia insuportável Leitte continua insuportável, e a novela ti-ti-ti tá um barato. Vão reprisar O Clone, o Faustão tá magro e aquele garoto do video show tá gordésimo, a Cleo Pires e o tal Fiuk são a cara do pai - e pelo menos a tal Cleo é uma atriz menos canastrona. Putz, a Marília entrevistou o Giane e eu perdi. E enquanto eu estava no Brasil, morreu o Quércia.

Ó povo, podia estar pior, então tenhamos fé.

terça-feira, janeiro 4

Pegando no tranco

Será que sou só eu que ao voltar de férias me sinto tão desconectada, parece que não entendo mais nada, e que pra funcionar só se jogar ladeira a baixo em primeira e fazer pegar no tranco?

Nesse meu segundo dia de trabalho já estou me perguntando se quero mesmo me estressar e viver como uma tresloucada para cima e para baixo ou se já começo a delegar, selecionar os assuntos nos quais quero ( e devo ) me envolver ou não.

Eu nunca fui de ficar fazendo balanços anuais ou promessas de ano novo, não entendo essa necessidade de alguns de marcar data pra analisar as cagadas ou bolas dentro de um determinado período, pra mim 1 de janeiro é só mais um dia, aquele depois do 31 de dezembro. O que é importante pra mim é esse periodo de pausa, de férias, de você se distanciar da sua vida profissional e se perguntar: como andam as coisas, estou feliz, o que preciso melhorar, onde minha carreira está indo, o que eu fiz certo?

Minha reflexão está sendo agora, nessa volta ao trabalho. Preciso deixar certas coisas do meu "antigo" trabalho, mesmo que eu goste dessas coisas, pra trás e me dedicar à nova função, embora muitas partes, por ainda desconhecer, eu não goste. Eu preciso deixar de ser control freak, e confiar que não sou só eu que tenho meio cérebro e sei fazer as coisas direito.

Hoje o francês que está no projeto brasileiro veio mexer na minha linha de produtos, da qual ele não entende nada. Essa é uma ferida que ainda dói e eu tenho que meditar muito, pensar muito em como vou lidar com essa situação.

Queridos leitores, essa vida de imigrante proletária na Holanda não é fácil. Estou sofrendo, tadinha d'eu.

segunda-feira, janeiro 3

Férias é que é bom!


Coisas irritantes que tornam a volta ao trabalho depois de 30 dias de férias um saco:

1) Esse povo todo vindo te desejar Feliz Ano Novo. Ninguém faz nada o dia todo, fica só apertando a mão e beijando os outros. Beste Wensen my ass!

2) Você "empresta" seu lugar para um funcionário novo até ajeitarem o dele, e quando chega o cara ainda está no seu lugar, embora o dele já esteja pronto ( o meu é melhor localizado e minha mesa maior ). Como se não bastasse, o cara ainda mudou seu monitor e docking station de lugar, deixou seu DECT fora da base e a bateria morreu.

3) 463 e-mails, essa é a punição pra quem OUSAR sair de férias.

Mas eu jurei que esse ano não serei o Ranzinza da Branca de Neve. Apertemos as mãos ( mas beijo tô fora, cada véio caquético! ), arrumemos a mesa de volta ao normal, e os e-mails, bem… esses a gente metade lê e metade deleta, ou coloca naquele folder láááááá escondido pra alguma eventualidade.

E o ano será dos bãos, porque quem vier me encher o saco vai ouvir: rebolation-tion, rebolation-tion…

sábado, janeiro 1

E começamos mais um ano aqui na terra gelada da Holanda

Todos os anos passamos o mês de dezembro praticamente todo de férias, e sempre em algum paraíso tropical. A cada 2 anos, vamos ao Brasil rever a família e conhecer mais do país.

Sempre tiramos 2 semanas para viajar sozinhos pelo Brasil, e todas as vezes fomos para as praias do nordeste. É lá que despejamos os maus fluídos acumulados pelo excesso de trabalho, pelas preocupações com a casa, carreira, e todas aquelas coisas chatas do dia-a-dia. Essas 2 semanas são fundamentais para manter a sanidade da gente e do nosso casamento.

Esse ano, apesar de problemas com os dois hotéis que escolhemos ( contarei numa outra oportunidade ), aproveitamos bem nossas duas semanas.

Passamos então 2 dias em São Paulo, o suficiente para eu rever alguns amigos e parentes, e fomos pra Holambra.

Em Holambra, estão meu irmão, cunhada e sobrinhos ( humanos e caninos ). Meus sobrinhos estão uns moços! Não sei se meu irmão soube criar, ou se deu sorte, mas são super legais esses meus sobrinhos. Bons alunos, inteligentes, engraçados, super família, umas graças.

Meu irmão chega do trabalho e vejam só, vai tomar cerveja na piscina. Onde, nos meus mais loucos sonhos, eu achei que um dia eu ía chegar do trabalho e ir tomar cerveja na piscina?

Mas sabe, no dia de virmos embora desatamos no choro não por todo o conforto material que estávamos deixando atrás, mas sim porque sabíamos que íamos sentir falta de jogar PS3 com o Bruno, de ficar falando bobeiras com a Fernanda, de jogar bolinha com o Bono, de zanzar com o irmão pra cima e pra baixo...

Chegamos ao aeroporto uns trapos emocionalmente, e ao fazer o check in ganhamos um upgrade para a classe executiva. Aquele atendente que nos deu o upgrade ( o avião deu overbooking e escolheram as pessoas que pagaram a mais pelo comfort class para dar o upgrade ) não sabe como ele salvou o nosso fim de ano, porque sempre foi o sonho do Bart viajar de executiva.

Pode parecer bobeira, mas estávamos pra baixo mesmo e a perspectiva de um vôo especial levantou bem nossa moral. O vôo foi tudo de fantástico. Poltronas um absurdo de grandes e confortáveis, é até imoral pensar no desconforto do resto do avião. O jantar você pode escolher de um menu, assim como o café da manhã, e bebidinhas são servidas o tempo todo em tacinhas. Mas o mais importante é o conforto mesmo. Eu jantei e nem consegui chegar na sobremesa, reclinei a cadeira ( reclina a 170 graus ) e dormi. Acordei faltavam 80 minutos pro fim do vôo, nem acreditei.

Chorei já de saudades, e de pensar na falta que todos eles me farão, já no avião mesmo. E no trem, e chegando em casa. E vira e mexe me pego com lágrimas nos olhos de novo.

Essa foi a primeira vez que questionei minha decisão de vir morar na Europa.

Será que sou só eu que passa por depressão pós-retorno? E se alguém aí tiver o mesmo, quanto tempo a gente leva pra engrenar na rotina de novo, hein?

Estava ( e estou ) tão deprê que nem fiquei acordada pra ver os fogos. Acordei com a barulhada, tentei ver alguma coisa mas a neblina não deixou, voltei pra debaixo do edredom.

Quero minha mãe, irmão, cunhada, sobrinhos e cachorreeeenhos. Buahhhhhh.

sexta-feira, dezembro 10

Sorria, voce estah na Bahia

Dizem que o ser humano jamais se sente tao feliz em algum outro lugar que nao o lugar onde foi criado. Eh verdade, porque apesar de gostar muito da minha Eindhoven, tudo se encaixa, toda a preocupacao se alivia quando chego em Sao Paulo.

E nessa segunda passagem pela Bahia, eh aqui que me sinto deslumbrada, que olho pra todo lado e me sinto sem palavras pra descrever a beleza do lugar. Dirigindo pela linha verde, vendo os coqueiros a distancia, que lugar! O vilarejozinho de Praia do Forte me faz sentir em casa, quando cruzo o portal nao consigo interromper o sorrisao do rosto.

Estou num hotel rodeada de pobres e ricos, ou melhor, classe media. A cada vez me sinto mais um ET. A moca do bar, que deve ser parente proxima da Claudinha, me contava que vai mandar um CV pro hotel Iberostar porque aqui ganha 590 reais e lah ganharia 700, e que com a diferença poderia colocar portas na casa que estah construindo. De outro lado, a moça de classe media me conta que tem uma amiga que esta vivendo de fazer compras na Europa e revender no Brasil, e que ela traz camisas da Tommy pro filho dela por soh 80 reais. O filho dela tem 4 anos. Eu fiquei pensando, compre camisas de 30 reais pro filho e coloque a diferenca numa conta de poupanca e quando ele fizer 18 anos dê um apartamento pra ele.

Nunca tinha percebido como a classe media brasileira superficial, mas estou cada vez mais chocada. Não entendo o porque dessa mania com produtos importados, essa necessidade de mostrar etiquetas. E já que se quer mostrar etiquetas, que se mostre etiquetas nacionais. Gente, vi tanta coisa legalzinha aqui, tanta roupinha legal de artesães locais, os chinelos e rasteirinhas, as saidinhas de praia, dá vontade de comprar tudo! E neguinho aqui indo pra piscina com vestidinho Burberry. Não entendo!

Eu acho que talvez eu fosse ser assim tambem. Sou classe media paulista, a pior que há. A Yolanda ( como diria a Alice ) me curou!

Agora vou cuidar da vida. Está chovendo cântaros aqui, e demos graças a Deus porque estamos os dois gripados, nariz escorrendo e olhão vermelho.

domingo, dezembro 5

Breve parada em SP

Saimos de Schiphol ontem com 3 horas de atraso. Nao entendo porque eh que deixam a gente esperar dentro do voo ao inves do saguao. Foram 15 horas naquela poltrona e eu agradeco aos deuses os cm a mais da comfort class. Quase morri de fome, porque jah entrei no aviao com fome esperando a primeira refeicao, e a comida disponivel ao inves de durar 12 hrs teve que durar quase 16.

Chegamos em SP e minha mae, tia e primo estavam aqui esperando pra pegar uma mala de presentes, e logico pra nos ver.

Dormimos no hotel Caesar Business, e apesar do preco salgado eu recomendo. Tem todo o espaco que o Citzen M ( que ficamos em AMsterdam ) nao tem.

Agora estamos indo pro cafe da manha e as 10 vamos pro aeroporto pegar o voo pra salvador. Dai sim comecam as ferias.

Em salvador recarrego meu telefoneco e coloco as primeiras foteeeenhas.

Povo, ja ate esqueci o que eh neve!

sexta-feira, dezembro 3

Dear all

Então, é hoje! Vou pro aeroporto, durmo lá, e vou-me pra Pasárgada ( apesar de não ser amiga do rei ).

Resolveram a pendenga do hotel? Marromenos. Estarei indo pro Grand Palladium Imbassaí, que estava na minha listinha de candidatos mas foi descartado porque está em soft opening. A única compensação que me deram foi alugarem um carro, já que o hotel é bem mais distante da vilinha de Praia do Forte. Até a diferença de preço do hotéis tive que brigar pra ter de volta. Na agência, tudo estava sendo cuidado bem enquanto nossa agente estava lá, ontem ela tinha o dia livre e a substituta era péssima.

Estou louca pra chegar em SP, comer uma coxinha com guaraná e relaxar vendo novela. Mais nada. Cansadésima disso tudo aqui. Essa semana inteira estou me sentindo um urso polar no deserto do Saara.

Deixa eu contar. Abriu um "rodízio" em Nuenem. Achei barato, € 23.50 por cabeça, então sugeri que fizéssemos nosso jantar de Sinterklaas lá. Gente, que coisa bizarra! No começo vem a mocinha explicar o "evento", e ensina que se começa com sopas. Cuma? Sopas? Bom, vamos lá, sopinha cai bem nesse frio… Aí vai-se, coordenadamente e em ordem, pro buffet de saladas, aliás, mini-buffet de saladas. Nenhuma folhinha cruazinha e crocante, nenhum vinagrete, nenhuma farofa. Palmito nunca foi visto pelo dono, claro. Mas ok, ninguém foi lá pra comer salada. Aí começaram as carnes, a maioria bem boa. Até camarõezinhos serviram. Já quase no final, picanha, disse pra todo mundo experimentar, os colegas pegaram uma fatiazinha, ok-ok, nada de especial ( e olha que a picanha estava super boa ). Aí começa a passar uma carne pedaçuda, parecia Cupim, e todo mundo LEKKER, LEKKER ( delícia ), ouvi até um FANTASTIIIIIISCH ( fantástico ), e claro fui experimentar. Era um bolão de carne moída com tempero ultra apimentado. E foi aí que eu entendi, que depois de décadas comendo carne moída meio-a-meio temperada pela mãe e depois pela esposa com qualquer pó cheio de salitre, o tamancudo não vai mesmo achar gosto numa picanha de primeira, churrasqueada no ponto certo só com uma pitada de sal grosso.

Aí lembrei do churrasco de despedida do casal consular. Fui comprar as carnes com a Holandesa. Pegamos uma peçona de Contra-filé brasileiro liiiindo, pegamos picanha, aí ela vai nos hamburgueres e pega uma caixona. Eu na hora falei: cê tá louca, quem vai comer hamburguer com tanta carne de primeira? E ela respondeu: ah, eu conheço a holandesada, eles a-do-ram hamburgueres. Durante o churrasco, eu perguntei pro churrasqueiro se os hamburgueres tiveram saída: ah, eu coloquei uns 3 na chapa, mas do jeito que foram pra mesa voltaram, mas também, quem vai comer hamburguer se tem filé? ( o churrasqueiro era pai do dono da casa, brasileiríssimo ).

Daí eu concluo que nós, brasileiros, "infectamos" nossos parceiros holandeses com nosso paladar de fino trato. Portanto, há esperança.

E fui-me povo, o próximo post vai ser on the road.

Pros amiguinhos do Twitter, foteeeenhas seguirão do Smartphone, keep watching ; )

quinta-feira, dezembro 2

Arrancando os cabelos


Ainda não sabemos qual será a solução pro nosso problema. Liguei pro Iberostar na Bahia, e explicaram que haverá um evento no hotel, ou seja, quem já tinha reserva, foi simplesmente chutado na bunda.

A agência, a Tui Alemanha, quer sair dessa sem gastar um puto tostão.

Nos ofereceram um quarto standard no Tivoli Eco Resort, com pensão completa e 150 euros pra drinks. Não aceitamos por dois motivos: os quartos standard são velhos caindo aos pedaços, e eu havia pagado por uma Suite Junior com vista pro mar, e ficamos fazendo as contas do que gastaríamos com bebidas, e pensem bem, 4 reais cada refri, 16 reais uma caipirinha, 6 reais uma garrafa de água mineral. Adianta você estar num hotel mais luxuoso mas ficar preocupado com cada copo de água que você bebe?

Propusemos ficar no Grand Palladium Imbassai, num quarto com vista para o mar, receber a diferença de volta ( €600 euros ) e que eles nos paguem o aluguel de um carro, porque esse hotel é no middle of nowhere. É um puuuuuta negócio pra TUI mas eles ainda não responderam, ainda estão fazendo fiofó doce.

Eu vou ficando mais nervosa a cada hora que passa.

Imaginem que a nossa agente na ARKE não trabalha às quintas, então eu liguei de manhã e me atendeu outra dona. Aí ela me disse que a TUI ía dar a resposta só à tarde, aí imaginem que se é algo que eu não quero aceitar, terei tempo de arrumar outra coisa? Virei um bicho. Falei que estou saindo da minha casa em 24 horas e não sei onde vou dormir ao chegar no Brasil, tudo isso com voz de bruxa do 71.

Olha, é terrível como a gente se sente desamparada da lei numa situação dessas. Eu não quero um hotel melhor, eu não quero carro gratis, eu não quero nada especial, quero só ficar no hotel que eu reservei, paguei, recebi confirmação, peguei os vouchers na agência. Coloquei muito tempo e esforço na escolha desse hotel, e agora estou tendo que, na correria, aceitar o que estiver disponível só porque eles fizeram besteira. Não sei pra quem reclamar, não sei pra que lado correr e tenho a impressão de que se eu não aceitar alguma coisa loguinho, vou acabar sem hotel, sem escolha.

Ó, eu sei que eu sou uma chata, mas nem eu mereço um stress desses um dia antes de ir de férias.

Blé, isso tudo é muito blé.


quarta-feira, dezembro 1

Pânico total


Fomos contactados pela ARKE hoje na hora de almoço com informação de que deu overbooking no Iberostar Praia do Forte, que nossas reservas foram canceladas. A agência está negociando com a TUI porque o principal problema é que a única opção é o Tivoli Eco Resort, que não é all-inclusive e cujos únicos quartos que tem resenha favorável são aqueles renovados, super caros.

Esse Tivoli Eco Resort é bem mais caro que o Iberostar, mais bem localizado, mas nós queríamos mesmo ir pra um all-inclusive, sem falar que um simples guaraná no Tivoli custa 4 reais, uma caipirinha 16 reais, como bancar essa fortuna, pra quem já pagou super caro no hotel, achando que estava reservando um all-inclusive e que não iria gastar mais um tostão?

Olha, é muito olho gordo nessa viagem, não é possível. Justo hoje, que peguei o netbook que vou levar pra minha sobrinha na loja, era o último presente a ser providenciado, achei que finalmente estava pronta pra ir de férias, só faltava lidar com o drama que está aqui no trabalho.

É mole ou quer mais?