quinta-feira, junho 16

Nem da grossa nem da fina


Hoje eu estou uma bitch.

Estou com o pavio curtíssimo.

Aqui no trabalho certas coisas não vão bem.

Primeiro que na semana que vem fui convidada para uma conversa com o diretorzão mas já fui "avisada" que o conteúdo é: vaga no projeto brasileiro, só no Brasil por pelo menos 2 anos. E hoje li no jornal brasileiro que a empresa escolheu Ponta Grossa. Aqui na empresa é assim, sabemos as notícias pelo jornal, não pela gerência.

Ponta Grossa! Com tanto lugar legal, vão escolher aquele fim de mundo dos carambas, um frio de cortar a alma, uma cidadezinha dos escafúncios com meia dúzia de rochas e um laguinho barrento. Eu, morar ali? Ni muerta, Soraya Montenegro!

Um dos diretores envolvidos no projeto veio perguntar: e aí Adriana, o que você achou? Caro mio, ótimo pra empresa que vai ter 8 anos de isenção de ICMS, isenção de taxa de importação,  mas coitados de vocês que a cada business trip terão que voar 11 horas até SP, dormir no hotel do aeroporto, pegar vôo para Curitiba de manhã, alugar um carro e dirigir 90 minutos até Ponta Grossa.

Fiz um curso de "gerenciamento". Nesse curso nos dizem que o principal papel do gerente é manter seu "povo" motivado. Pra mim é tudo novidade, eu acho tudo lindo, eu acho tudo fantástico e tenho mil idéias, mas muitas delas, quando vou implementar, esbarro em um ou outro que não dá a mínima pro bem estar ou motivação do funcionário. E isso é muito desmotivante. E meu diretor deve ter faltado no curso, porque ele não mantém o povo motivado, eu certamente não estou.

Eu me matei tanto pra chegar ao cargo de gerência e agora que estou aqui estou profundamente decepcionada. Talvez ser gerente seja bom, mas em outra empresa.


terça-feira, junho 14

Pay forward

Acabei de ter uma conversa bizarríssima, e tinha que dividir com vocês.

Vocês lembram da história da colega de 27 anos que após alguns meses de casada se separou e "juntou" com um colega do departamento, né? Um ano se passou e hoje, conversando, ela me contou que não foi ele o safado que largou a esposa e filhos pra ficar com ela, loirinha peituda 14 anos mais nova, mas o contrário, a mulher conheceu um cara e largou o marido, em pleno Natal, pra se mudar levando os filhos pra casa do novo parceiro. E pasmem, em 3 meses estava casada de papel passado!

Aí, ela estava me falando que eles "descobriram que tinham sentimentos um pelo outro" em abril" do ano passado, mas que eu soubesse a separação foi em julho, mas e o que aconteceu nesses 3 meses entre um fato e outro? Os dois "experimentaram pra ver se funcionava". Cuma? Eu tentei, educadamente, esclarecer: mas… vocês começaram a se relacionar ( leia-se nas entrelinhas: furunfar ) enquanto você ainda estava casada, mas seu marido não percebeu nada, você não se sentia confusa ( leia-se nas entrelinhas: furunfar com um segunda e quinta, com o outro terça, sexta e domingo )? E ela: Adriana, ninguém desmancha um casamento sem antes "testar" o novo relacionamento pra saber se é aquilo mesmo que a pessoa quer. A ex-esposa dele também fez o mesmo…

Ou seja, o "pay forward" nesse caso é o chifre! A esposa do cara o chifrou, então ele vai passar o par de chifres pra cabeça de outro… Afe!

Eu sempre achei que o simples fato da pessoa considerar iniciar uma relação com outro já é o suficiente pra decretar o falecimento do casamento atual, e consequentemente iniciar o processo de separação ANTES de "testar" o novo relacionamento ( leia-se nas entrelinhas: furunfar com o outro e consequentemente presentear o atual com um par de chifres ). Estou sendo inocente aqui?

Eu acho que o "teste" do relacionamento baseado numas escapadelas furunfísticas uma furada, mas o que é que eu entendo disso, né? Só sei que nesse caso, além de já começar meio atravessado, esse relacionamento começou com uma diferença de 14 anos entre um e outro ( é quase uma geração! ) e dois filhos de uma das partes. Hoje mesmo ela estava meio frustrada que, para poder tirar uma semana de férias num resort em setembro, ela vai ter que passar 2 semanas das férias de verão num camping, pois ele tem a guarda das crianças nas férias, tem que viajar pra algum canto, e fica ultra caro para irem, com crianças, para um bom hotel na alta temporada.

Bom, só vou dizer uma coisa: desse pay forward eu não gostei! E tem mais, marido já sabe: se chifrar não conte, e saiba que pra mim, não importam as circunstâncias, traição não tem perdão, jamais!



Tchu be or not tchu be*


Neste fim de semana eu e o marido estávamos discutindo as razões pelas quais eu acho que eu não me adaptaria mais no Brasil ( estávamos falando sobre o convite pra ir de expatriados para o Brasil ).

O primeiro e mais importante, é a segurança. Eu ainda tremo só de pensar em quantas notícias temos de sequestros relâmpagos, de assaltos em semáforos, de carros roubados. Seu carro desaparecer do lugar estacionado é ruim, mas aciona-se o seguro e paciência. Mas eu tenho paúra de sequestro relâmpago, imaginou se for com o marido então, sem saber falar uma palavra em português?

Ter que ficar dando satisfações da minha vida pros outros. Justificar porque eu não posso receber visitas no próximo fim de semana, ter que ficar convencendo o "visitante" de que o compromisso já existente é realmente inadiável e que isso não quer dizer que eu não o acho importante. A sensação de que todo mundo tem o direito de se meter e dar pitaco na minha vida.

Ser julgada pela capa. Ter que usar roupinha de marca porque senão eu sou a requenguela da turma, do departamento, da vila, do Brasil! Meus fornecedores brasileiros sempre vem pra cá com camisas Tommy Hilfieger ou equivalente, relógios carésimos, bolsas de laptop intergaláticas. Tudo com etiqueta beeeem visível, claro. Voltar a ter a neurose com o peso, encarar gente que acha que o gordo é menos inteligente porque é gordo, sofrer pra achar uma roupa que sirva. Comer mortadela e arrotar peru.

A bagunça. As reuniões sempre atrasadas. As consultas médicas ultra atrasadas. Povo que vem te visitar sem nem dar uma ligadinha antes ( eu aaaamo o costume holandês de marcar tudo com antecedência ). Mania de deixar tudo pra última hora ( eu marco minhas férias, como todos os holandeses, pelo menos 4 meses antes, minha cunhada organizou férias pra família no litoral norte 3 semanas antes ).

O complexo de inferioridade do brasileiro. É  melhor ir pra República Dominicana que pra Bahia ( fui pro exteriorrrrrr! ), o creminho Oil of Olay é melhor que um Natura ( NOT! ), ai que tudo essa loção da Vitoria Secrets ( até aquele creme hidratante Paixão cheira melhor ), vamos pra Argentina comer bife ( oi? )( fui pro exteriorrrrr! ), o fulano foi contratado porque "trabalhou no exterior" ( oi2? E se o cara foi ófice-boy em Miami? ).

Desculpaê, eu amo o Brasil… de férias!

* Vendo uma entrevista com o Massa o marido comenta: você sabe que o cara é brasileiro porque todo brasileiro fala tchu ao falar "to". Lembra a guia da Nasa? ( uma brasileira que falava um tchu tão arrastado que doía, mesmo já morando nos EUA a mais de 10 anos )

sexta-feira, junho 10

Confissões de uma não-adolescente

Amaldiçoado seja quem inventou o Blackberry. Esse maledeto tem o poder de acabar com qualquer fim-de-semana, e ainda mais prolongado!

Depois de todo o carnaval que eu fiz na empresa para ser incluída no projeto brasileiro, recebi agora de noite um convite do diretorzão-ão-ão para uma conversa "a quatro olhos" na semana que vem. A mensagem só diz assim: Uma vez que você demonstrou interesse pelo projeto, eu gostaria de conversar com você. Mais nada.

Agora eu fico aqui pensando: o que é que ele vai dizer? eu suspeito que ele vá me oferecer oficialmente a vaga no Brasil, que é justamente o que eu não quero de forma alguma. E agora vou ficar pensando nisso o fim-de-semana inteiro.

Agora deixa eu confessar uma coisa: eu me viro do avesso de nervosismo dessas conversas com diretorezões. Por favor, digam aí, sou só eu? Eu vejo certos colegas entrando e saindo da sala da diretoria como se estivessem batendo papo com o vizinho, mas eu quase tenho um infarte antes, chega até a me dar mal estar.

O jeito é tentar deixar pra lá e perguntar pro meu diretor direto se ele sabe de alguma coisa.

E rumbora aproveitar o findi prolongado.

quarta-feira, junho 8

A little too ironic... Ou a vaca foi pro brejo


Eu não sou de sentar e ficar esperando o sol nascer. Quando eu quero alguma coisa eu tento de toda forma, de todos os ângulos, que qualquer maneira conseguir o que eu quero. If I go down, I will go down screaming, esse é o meu lema. Lembram-se do drama do primeiro emprego na Holanda? E a luta contra as banhas ( ainda no combate, aliás )? Não, sentar e esperar, ou pior, desistir, não é comigo.

Mas isso não quer dizer que eu batalhe com graça, com um sorriso no rosto, com a atitude de uma lady inglesa admirando as flores do campo. I go down really screaming, eu sou um soldado esfolado, sangrando e embarreado dos campos do afeganistão. Eu sofro, eu me acabo, e embora não seja fácil praqueles ao meu redor, informo-os desde o início que no fim, tudo dará certo. Sort of.

Aqui no trabalho, tudo dará certo. Mas eu estou "going down screaming", e está na hora de parar. Falei com quem tinha que falar, fiz o que tinha que fazer, recebi as promessas que eu precisava ouvir naquela hora, e hoje, dez minutos atrás, a promessa de que eu iria tomar conta do projeto brasileiro pros produtos do meu time foi quebrada.

Urrei de raiva, desabafei com um colega, tomei um café COM AÇÚCAR DE VERDADE, derramei 3 lágrimas ( de ódio, frustração e auto-piedade ) e acalmei. E estou agora "entronizando" que serei uma lady inglesa admirando as flores do campo. Mas se não me descabelarei com o projeto que eu quero, também não descabelarei com o projeto que eu não quero. Não me puseram de gerente? Pois então, gerenciarei. Dividi meus pepinos para os subalternos. Sei que eu faria melhor e mais rápido, mas whatever, me pagam ( extra aliás ) para gerenciar, então eu gerenciarei, eles que se esfalfem fazendo mil planilhas de cálculos e preenchendo mil telas e me tragam tudo mastigado para eu fazer meu papel de gerenciar e tomar decisões.

Vocês já ouviram a música ironic da Alanis? Então, vão lá e leiam a letra, está martelada na minha cabeça. Decidi gerenciar hoje, porque ficar trabalhando mil horas extras fazendo trabalho que não é mais meu e tentar no tempo que sobra gerenciar não está dando certo. Será que se eu tivesse feito isso antes, eu estaria agora no tal projeto brasileiro? Ironic, isn't it? Eu ter entendido e mudado quando a vaca já foi pro brejo. Blé.

Meu humor sombrio e esse papo de ironic acabou numa conversa meio sombria aqui no escritório. Um aparentado do Senhor Legal foi eutanasiado hoje. Com cancer de pulmão, fez "greve de fome" 8 semanas porque ele queria morrer de morte morrida, mas acabou não resistindo e pedindo a eutanásia. O chocante na história toda é que a última conversa dele com o filho foi: eu pensei que em fase terminal de câncer, emaciado, que não fosse estar lúcido o suficiente para compreender que quando o médico me der a primeira injeção será o fim, mas aqui estou, entendendo tudo, tão lúcido como sempre estive, sofrendo cada segundo do processo…

Eu e o marido já temos um acordo de que um não desliga os aparelhos do outro jamais, never. Eutanásia, nunca, em nenhuma hipótese. Em hospitais, jamais optar pelo DNR ( do not ressucitate ), irei pros braços da dona morte como fui em vida, I will go down screaming.

Papo pesado esse né.

segunda-feira, maio 30

De Cuba

Povo, tudo muito lindo por aqui. Mesmo sendo esse meu terceiro passeio ao Caribe, me surpreendi com as cores do mar.

O povo é super amistoso, e qualquer musicozinho de bar de hotel dá show!

Está ultra calor e estamos alugando yma moteeenha pra passear pela cidade.

Quando eu voltar posto foteeenhas.

sexta-feira, maio 20

Vamos a la playa

"Bamos a la playa, o uo o o o..." O refrãozinho tá na minha cabeça!

Provavelmente não conseguirei googar da terra de Fidel.

Amiga Holandesa, já sabes, se eu morrer, cinzas no Epcot, já deixei dindin no testamento pra viagem.

Garganta doendo um pouco ainda, cólicas médias, tudo remediado com Voltaren e Sorbet. Ah, o sorbet...

Fui!

quinta-feira, maio 19

Spiraltje

Spiraltje = DIU

Ontem troquei meu DIU de cobre antiguinho por um Mirena.

Aqui quando você vai ao médico conversar sobre contracepção, te dão mil panfletos, mil alternativas, fazem surveyzinhos pra saber qual mais se encaixa no seu perfil. Numa das vezes que eu esperava no consultório da médica, fiquei de boca aberta com uma menina novinha, uns 15 anos, pequenita, carinha de anjo, saindo do consultório cheia dos panfletos e encontrando a mãe na sala de espera, falando da conversa com a médica. Tomara mil vezes que aí no Brasil essa nova geração tenha a abertura que as meninas holandesas tem com a mãe.

Mas anyway. Enquanto no Brasil pouco se fala do DIU, e quando se fala é com toda uma aura de preconceito ( perfura utero, dá infecção, dói pra colocar, o parceiro sente o fiozinho ). Aqui na Holanda o método é um dos mais usados, e ontem, entrei na fabriquinha ultra eficiente da colocação de DIU na policlínica.

Normalmente se coloca o DIU no consultório da ginecologista com uma anestesiazinha local ou a seco. Já da outra vez tentaram comigo e não deu, me mandaram pra colocação policlínica.

Ontem cheguei lá as 11:30 e na salinha de espera a mulherada estava toda portando sua caixinha ( ona, é enooorme ) com o aparato. Todas fomos levadas à mesma enfermaria, éramos 5, respondemos um questionariozinho, recebemos pulserinha e a roupa do hospital. Fomos para a sala de cirurgia duas a duas, sala 5 e 6, o procedimento foi feito, nos vimos as 5 na sala do "uitslaapen" ( sei lá como traduz isso, é a sala pra quem tá acordando da anestesia e tem que ser monitorado ). Fomos levadas as 5 pra outra enfermaria, ganhamos chá com torradas, nos vestimos de novo, ouvimos as recomendações do médico, ganhamos uma caixinha de Ibuprofen e fomos pra casa.

Pra 4 de nós foi dado um livrinho sobre engravidar depois dos 35.

Cheguei em casa para encontrar o vizinho na porta com TODAS as minhas encomendas online, mala, crocs, livros, roupas. Milagre!

E amanhã puevo, me mando pra Cuba.

Alegria, alegria.

quarta-feira, maio 18

Na França todo pão é francês

Hoje eu soube que o francês que está no projeto brasileiro será promovido a Diretor de Compras Internacionais, e caso eu seja liberada para o projeto no Brasil, será meu diretor. Na hora me deu um aperto no coração, uma insatisfação, e saí da conversa cabisbaixa, chateada. Me perguntei então porque eu estava me sentindo assim, e a resposta veio fácil: você estaria mais qualificada para esse projeto, talvez tivesse feito melhor, poderia agora estar sendo promovida no lugar dele.

E quanto mais eu pensava, pior eu me sentia, porque eu queria que minha "raivinha" viesse da promoção indevida, do colega que não merece, mas a verdade é que o francês é legal, trabalhou pacas no projeto, tomou muita bordoada e está sim fazendo o melhor que pode. Ele não merece minha mágoa fora de lugar.

Eu não sei se você aí em cima está mesmo aí em cima ou se está no meio de nós. Não sei se você é Cristo, se é Allah, se é Buda. Só sei que sou cuidada por você. Sei que minha cabeça é dura, e que eu quero sempre, quero tudo, quero mais. E muitas vezes você me diz não. Acho até que você me diz mais não do que sim. Mas olhando pelo caminho que já percorremos juntos, eu tropeçando e você me amparando, vejo que a maioria das coisas que eu quiz muito e você não me deu, teriam me levado para um destino muito distante desse onde me encontro hoje, e que me faz extremamente feliz.

Acho que estou melhorando, não sei, aliás hoje tive uma recaída. Devia ter me sentido feliz por um colega e me senti triste por mim, fui muito egoísta. E imperfeita que sou, continuo com essa pontinha de angústia, de inveja dentro de mim, e esses são sentimentos que consomem, que corroem por dentro. Mais uma vez preciso da sua ajuda. Preciso a deixar de querer um pouco, e deixar nas suas mãos, que sempre que eu faço minha parte, me esforço e dou o melhor de mim, você me guia para o caminho correto, aquele que VOCÊ planejou, e não aquele que eu pedi.

Ok Divino, chega de enrolações, e embora você não seja o mágico da lâmpada, aqui vão meus três pedidos:

Que eu consiga sentir alegria pelo meu colega que será promovido, ele merece. E eu mereço não ficar me auto-atormentando com invejinhas bestas.

Que você tome um pouco o leme desse barco, porque nesse momento estou cansada de navegar contra a maré, num rumo que eu quero que seja o certo, mas que eu não tenho a menor idéia se realmente é.

Que você me faça ser menos cabeça dura, porque Divino tá muito, muito difícil viver 24/7 com essa minha cabeça durisse.

Dito isso, dá pra atender meus pedidos antes de sábado porque ir pro Caribe amargando a promoção que perdeu ninguém merece.

Amém.

terça-feira, maio 17

Eu sou uma toupeira, mas minhas amigas não!


Dra. Alice escreve os pitacos dela no blog 1 ou 2 palavrinhas, link ali do lado. Eu adoro o jeito dela escrever sempre com links insólitos, curiosos, interessantes, e não fosse eu sempre postar via e-mail do trabalho, copiaria a idéia na cara larga.

Dra. Alice aceita inclusive encomendas pitacais, ou seja, você manda um e-mail pra ela com uma dúvida cruel e ela lhe dará o pitaco correspondente.

Lendo meu desabafo de ontem, Dra. Alice aproveitou pacientes que enlouquerecem de vez ANTES de chegar ao consultório dela, deixando-a com um buraco livre na agenda, e pesquisou meu piripaque periclitante no gugol, e achou a cura ( se eu tivesse linkezinhos ía colocar aqui um link para a musica "cura" do Lulu ChatoSantos ). Late Dumping.

Late Dumping nem existia quando eu operei, naquela época só haviam diagnosticando o early dumping, que só recebeu esse nome agora, porque na época era só dumping. Esse early dumping eu tive no comecinho de operada, e é tão terrível que o corpo se traumatiza de uma forma tal que hoje em dia, só de morder um doce muito doce, eu já sei que se eu comer o tal, vou ter dumping.

O late dumping no entanto, é diferente e tem todos os sintomas da hipoglicemia.

Entretanto, contudo e porém, o tratamento é exatamente o oposto do tratamento de hipoglicemia, daí eu estar seguindo as instruções da minha ex-huisarts-mongol e estar me sentindo tão mal.

Ontem recebi um e-mail da ilustre doutora com o "diagnóstico" pela manhã e imediatamente parei com o dextrose e a bebida açucarada, segui os conselhos dietéticos de um site nos EUA ( pouco açúcar simples, mais açúcar complexo, muita fibra, nada de líquidos nas refeições, pouco carboidrato ) e tive um dia supimpa, sem crise nenhuma. Hoje estou tendo outro dia supimpa, e apesar de ser cedo para comemorar, estou tão aliviada…

Ainda permanece o problema das banhas, mas o tratamento já é um regime em si, visto que necas de cookies e bolos, que são minha maior transgressão.

Ainda tenho muito que pesquisar, assim que voltar de Cuba irei num nutricionista e médico especializado em gordos costurados como eu, ou seja, tem um luzitazinha lá no fim do túnel.

E já que eu estou sempre aqui pedindo as preces e good vibes de vocês, quem souber qual é o santo padroeiro dos delivery services, favor informar. Comprei crocs, livros, mala e roupitchas online, todos para ser entregues nos dias dessa semana, e considerando o péssimo serviço de delivery holandês, vai ser um milagre se metade der certo.

E não esqueçam, Dra. Alice aí do lado, "incrusive" com encomenda de pitaco.

Paguei minha dívida, Alice, agora falta só a mala ( com alça ) :o)

segunda-feira, maio 16

Desabafos de quem está com o pé na cova


Normalmente quando desabafo alguma coisa aqui o negócio funciona, e eu tiro o problema da cabeça imediatamente. Então vamos tentar.

Estou arrasada com a recuperação do meu problema de anemia. Nas primeiras semanas eu me senti ultra bem, mas agora, pílulas que falharam, duas menstruações depois, estou me sentindo bem pra baixo.

Por causa do ferro intravenoso, tenho uma fome desmedida, é dificílimo lutar contra ela, na maioria dos dias perco a batalha e fico bem acima da calorias que eu queria consumir naquele dia. Eu estava vivendo à base de açúcar, quando anêmica era a única coisa que me dava energia, e sei lá porque eu não engordava. Não consegui cortar o açúcar, não assim "cold turkey", mas diminuí para menos de 10% do que eu ingeria, e o resultado? Além de continuar somando quilos banhosos, ando tendo muitos, muitos episódios de hipoglicemia.

Aliás, será que é mesmo hipoglicemia? Parece ser, a médica diz que é, mas ninguém mediu, e mesmo que eu esteja disposta a comprar o aparelhinho por mim mesma ( e estou ), alguém tem que me ensinar a controlar o que é hipoglicemia o que é normal. Fui na médica nova, ela estava de férias, acabei sendo atendida pela antiga, que me ignorou. Já cheguei a pensar que talvez não seja hipoglicemia, mas um incrível vício em açúcar e meu corpo me enganando para recebê-lo. Adriana F, 38 anos, drogada mas não prostituída, filmaço.

Ontem tive um episódio hipoglicêmico ( ou pseudo? ) no supermercado. Só deu tempo de sentar, graças a Deus tinha um banquinho perto do geladinho dos balcões refrigerados, e mastigar as pastilhas de dextrose, uma atrás da outra, sem sentir melhora alguma. Apelei para um chá da maquininha do mercado com 3 envelopes de açúcar, aí começou a melhorar. Tive que chamar o marido, ele pagou as compras e carregou o carro, e com muito cuidado dirigi de volta pra casa. Agora estou carregando na bolsa, além das pastilhas de dextrose, um pacotinho tetrapack de Chocomel.

E Adriana, a louca, você vai mesmo pra Cuba? Vou! Vou levar um carregamento de pastilhinhas de dextrose, vou levar pacotinhos de Chocomel, e no avião levarei um carregamento de chocolates. Quando chegar lá, relaxarei ao sol, comerei frutas, e hopefully, tudo se acalmará, e eu vou até fazer aulinha de hidroginástica às 11:00 como tem em todo hotel ( nunca fiz uma aula ).

Estou arrasada em ver as banhas pululando, se consigo vencer a batalha com o vício, sou recompensada com crises terríveis de hipoglicemia, mas o pior é a falta de assistência médica, é ir ao médico e ouvir desculpas pobres e medidas que só fazem passar a responsabilidade para o paciente ou para outro médico ( internista, hematologista, nutricionista ).

Comecei esse post em desespero total, e escrevendo, já me acalmei, já defini um plano de ataque.

Ai, puevo, ainda bem que vocês existem. Tenham paciência comigo, please!


quinta-feira, maio 12

Ô coitada!

Podem ir falando ô coitada pra mim!

Todo gordo deveria saber que quando a esmola é demais, o santo desconfia. Há mais de dois anos eu tenho comido tudo que tenho vontade sem engordar, até emagreci um pouco. Agora, depois de ter ido parar no hospital, vejo que na verdade eu não tinha muita fome ou vontade de comer, daí a perda de peso fácil e até despercebida.

Mas colegas, tomei aquela bomba ferrosa, por falta de instrução médica estou tomando pílulas extras, e o resultado é uma fome descontrolada e 3 quilos extra em 1 mês.

Me pesei de manhã e tive que segurar o choro, que raiva de viver nessa luta ingrata contra a balança. Num ataque de ira catei TODOS os pacotes de cookies, Kellogs e bolinhos e joguei tudo no lixo. Vim pro trabalho com um lanchinho de queijo e um pacotinho tetrapack de suco de laranja, e só essa manhã tive 2 episódios de hipoglicemia. Tomei minha pastilhinha de dextrose mas estou subindo pelas paredes.

Estou arrasada, desanimada e muito puta da vida. Vou ter que entrar de dieta, não sei nem como, e de quebra vou ficar preocupada com cada Piña Colada que eu tomar de férias.

Amigas fofuchas, comiserem-se de mim, que terei que comer all-bran sem gosto, muito Philadelphia Light, torradinha sem graça, salada sem molho dilíça cremosinho, peito de frango grelhado e frutinhas leves.

Eu não mereço, e com certeza joguei pedra na cruz!

quarta-feira, maio 11

Expatriados


Quando eu morava no Brasil, meu sonho era trabalhar fora do país por alguns anos, não só pela experiência interessante de viver em um outro país, mas pelo bem que ter uma experiência internacional faz ao CV de qualquer um no Brasil.

Porque somos assim aí na terrinha? Porque valorizamos tanto quem morou no exterior? Lembro-me de ajudar num processo de seleção na antiga empresa onde dois candidatos empataram e o critério de desempate foi o ano que um deles tinha passado nos EUA fazendo colegial. Agora eu pergunto: um ano de colegial nos EUA, é relevante para um emprego 15 anos depois?

Enquanto lá, cansei de ver Europeus da matriz alemã virem pro Brasil com contratos de expatriados fantásticos: carro pro funcionário e outro pra esposa, casa nos melhores bairros de São Paulo e uma verba de despesas que normalmente sustentava a família, incluindo atividades de lazer, pelo mês todo. Na maioria dos casos eles vinham para ficar 3 anos, ficavam 5 e durante todo esse tempo seus salários ficavam intocados na Alemanha. Imaginem 5 anos de salário no banco!

Já os brasileiros eram tão ávidos para ir como expatriados para o exterior, que aceitavam condições bem inferiores: carro só pro funcionário, casa em determinados bairros dum pool da empresa ( e olhe que pode ter lugar bem feio em Detroit ) e uma verba para despesas bem inferior. Mas quando esses funcionários voltavam eram tratados como celebridade, sempre eram promovidos, e se a empresa não paparicasse bem - simplesmente mudavam de emprego! Já naquela época uma experiência de 3 anos nos EUA ou Alemanha, na automotiva famosa, valia ouro no CV.

Eu me pergunto: será que vamos mudar nossa mentalidade? Tem tanto brasileiro trabalhando no exterior agora, será que experiência internacional vai continuar sendo tão valiosa, ou vai se tornar carne de vaca que nem MBA?

A esposa de um fornecedor brasileiro trabalha na KPMG do Brasil, e ele disse que com 7 anos de experiência no exterior, eu teria salário de marajá no Brasil. Acho engraçado isso, o povo só vê que eu trabalhei no exterior, quem garante que o emprego aqui era mais ou menos qualificado que os de lá? Vou te contar, os 18 meses que eu passei na Bosch me emburreceram, já imaginou quem tem toda sua experiência internacional numa empresa daquelas?

A empresa aqui está procurando funcionários pra ir como expatriados pro Brasil, e os poucos que chegaram a considerara a possibilidade já disseram: tem que ter um fantástico pacote de benefícios. E isso, a empresa não quer dar.

Logo eu conto o desenrolar do meu perrengue de sexta-feira.

terça-feira, maio 10

Eu "se" divirto


A Dra. Alice ( do pitacolog, primeiro link alí na direita ) falou sobre a doidera que baixa nesse povo das Zolanda quando o ponteiro do termômetro sobe. Aqui no interiorrrr a fauna é menos exótica que em Rotterdam, e há um limite pras estampas de oncinha, zebrinha, girafa e afins, mas ó, a festa do caqui é bem animada também. Eu amo muito tudo isso!

Tem de tudo. Tem homem de papete e meia, tem gordinha de roupa colada, tem magrinha quase pelada, e nos parques a mulherada faz topless na "boua". Ano passado o diretor da engenharia ( eu trabalho no prédio da engenharia ) fez uma reunião especial com o povão só pra falar que o povo estava exagerando, com direito a fotinhos do que é aceitável e o que não é ( bermudão speedo com papete não é aceitável, ho ho ho e o cara teve que explicar ).

Mas o que eu amo muito é que fora do ambiente profissional, onde um certo decoro deve ser mantido, tudo vale e ninguém fica julgando ninguém.

E no Brasil? Ah, o Brasil… A imbecil da Gloria Kalil é um bom ( mau ) exemplo. Outro dia naquele blog infame dela, ela tirou uma foto de uma gordinha de vestido colado e rosinha e escorraçou a mulher: chamou-a de sem noção, disse que ela tinha os quadris mais largos que infeliz da Kalil já viu e que jamais deveria vestir a roupa clara, perguntou onde estavam as amigas da moça pra dar um toque e decretou que as gordinhas ou quadrilzudas tem que usar roupas escuras ( já ouviram falar em "verde fechado"? ) e mais longas. Claro, no Brasil, quem não tem o corpo, a beleza ou a idade da Gisele Bunchen tem mais é que se esconder mesmo…

Mas aí é que a porca torce o rabo. A gordinha pode até querer se esconder atrás de um vestidão longo e escuro, aliás, logo as fashionistas imbecis como essa senhora Kalil vão ditar que gordinhas terão que usar burka, mas onde comprar um vestidinho mais longuinho e ter ainda opção de cores?

Cheguei no Brasil levando pra minha mãe, a pedidos, uma calça jeans holandesa. Fui na minha loja favorita, escolhi uma com cintura "normal" ( aqui tem a alta e a baixa ), pernas retas ( tem a skinny e tem a meia-boca-de-sino ) e mais curta ( aqui tem 28" 30" e 32" de comprimento, fora as calças lang - longas para as mais altas ). Minha mãe era uma visão de fazer dó, baixinha, um pouco acima do peso, 62 anos, se espremendo dentro de uma calça jeans skinny de cintura meio baixa. Minha mãe sempre teve bom gosto pra roupas, então porque aquela calça? Não acho outra, Adriana. Vocês precisam ver que elegante ela ficou na calça holandesa! E olhando depois no shopping, é isso, parece uniforme, só mudam as estampas.

Aqui na Holanda é ultra comum você comprar um vestidinho lindo que te cai super bem, mas esfria um pouco e você quer usar o vestido, ou você não se sente muito confortável com saias, ninguém pensa duas vezes: legging branco ( no verão ). Eu, particularmente, não gosto porque minhas pernas são gordas e parecem uns salames parafinados, mas não tô nem aí pra quem usa. No Brasil fui colocar uma legging pretinha debaixo duma túnica e várias pessoas acharam "estranho", eu decidi sair pro shopping assim mesmo, e foi chatésimo notar como vendedoras de shopping ficavam olhando pra mim e certamente pensando: tá bêbada essa ai? A roupinha já tinha recebido vários elogios na Holanda, eu tava me sentindo ótima, mas esses olhares "killed my buzz", e eu acabei voltando pra casa super borocochô. A tática no Brasil é usar o uniforme, e eu acabei saindo todos os dias de capri jeans e blusinha compridinha, bó-ring.

Por isso que aqui eu "se divirto". Saio como eu quero, vestido e havaianas, vestido e legging, ninguém me olha atravessado e tem sempre alguém muito mais exótico do que eu. E se eu quiser parecer uma coxinha embrulhada numa skinny jeans, ninguém vai me olhar atravessado mas eu só o farei se for mesmo "do meu gosto", porque eu tenho vááááárias opções de calças jeans e outras roupas a minha escolha.

Morar nas Zolanda é ruim mas é bom!

domingo, maio 8

Coragem

Você encararia ir trabalhar com o sapatinho abaixo? Confesso que minha primeira reação foi: não tenho coragem!



Quando me falaram da proposta da mbt eu fui ler, pesquisar, e fez muito, muito sentido. Eu, que ando o tempo todo com dor nas costas me interessei, mas confesso que é difícil superar a má aparência dos calçados. Os "sport models", ou modelos parecidos com tênis, são menos piores, mas esses chamados "dress models" - criados justamente para quem precisa de calçados mais sociais para o trabalho, me lembram aquelas botinhas que as crianças com pés chatos usavam. Foi difícil superar o preconceito e me auto-convencer que pelo menos duas vezes por semana dá pra encarar o bicho no escritório, fora que dá pra usar bem durante o findi.

Agora que eu me condicionei a aceitar a aparência, tá difícil me acostumar com o preço do dito cujo: € 229!!!!

Diga aí, vocês tem coragem de pagar €229 nesse sapato feioso da foto acima? Ó, confesso que vou antes a uma loja experimentar, e só se for como andar nas nuvens é que eu encaro.

sexta-feira, maio 6

Joguinho político


Eu detesto joguinhos políticos empresariais, e pago pra ficar fora deles. Mas hoje, tive que me meter de cabeça sem capacete num.

Vocês sabem o quanto me incomoda ver o francês tomando conta do projeto brasileiro e eu de lado, né? Nos últimos dois meses, mais pessoas foram envolvidas, todos diretores maiores que eu ou o francês. E eu ainda de lado. E por isso decidi dar uma olhadinha fora da empresa em oportunidades para pessoas com experiencia no Brasil.

Eis que um headhunter me manda uma vaga de emprego perfeitinha pra mim: na minha empresa! Sim, queridos, eles me mantém de lado mas procuram uma pessoa por fora. Fiquei verde de ódio, babando gosma e soltando fogo pelas ventas. Meu diretor direto está de férias, aguentei o que pude, mas já vendo que meu findi ía ser terrível com essa bola entalada a garganta, fui falar com o diretor médio, que foi encarregado do projeto.

E a resposta? Foi que meu diretor direto disse que ele não pode "ceder" essa que vos fala pro projeto brasileiro, que eu dei metade do meu portfolio pra dois novos empregados e que eles mal conseguem dar conta, que ele precisaria de mais duas pessoas pra pegar o resto. E por isso, ele informou a gerência do projeto em Seattle que eu não estou interessada.

Então queridos, babei e soltei fogo pelas ventas tudo de novo, e disse que se a escolha da empresa for me deixar de fora, que eu vou repensar minha carreira. E fiz cara de mistério.

E agora é isso, Adriana misteriosa terá que esperar o desenrolar da história.

quarta-feira, maio 4

Pobreza extrema


Li essa matéria e chorei.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pobreza-extrema-nunca-pensei-que-a-situacao-fosse-piorar,714460,0.htm

Reclamo tanto das Zolanda, mas aqui não tem gente pobre assim.

Enquanto isso meus colegas classe média paulista compram camisas Tommy Hilfiger de 300 reais e já pensam em trocar o apartamento no Guarujá por um na Flórida.

Triste isso.

terça-feira, maio 3

Miau...

Quando a gente pega um bichinho, a gente escolhe o tamanho, a cor, muitas vezes a raça, mas é tudo besteira, depois de umas horas você ama o coisica sem enxergar nada disso.

Ty ty ficou doente e o levamos pro veterinário dia 5 de março. Foram 5 diálises, injeções, remédios, e comida especial. Faz agora 2 meses e o levamos pro retorno. Nosso lindinho ganhou bastante peso, de 6,17 está agora com 6,53. O exame de sangue mostrou uma grande melhora, mas ele ainda tem algumas substâncias alteradas.

Hoje ficamos sabendo que o remédio que ele tomou por 1 semana tem que ser dado pro resto da vida, a veterinária não explicou direito. Já começamos com as pilulas e ele come como se fosse balinha. Em setembro na vacinação vamos mais uma vez medir o sangue e tomara que dê mais próximo do normal.

Quem pega um bichinho tem que estar preparado para imprevistos. Ty vai precisar de cuidados especiais pro resto da vida. Graças a Deus ele pode levar uma vida normalzinha quando medicado e comendo comida especial, e graças a Deus o tratamento não envolve injeções ou remédios mais difíceis de administrar. Entretanto, os gastos mensais que eram de 70 euros subiram para 200 euros e nunca mais baixarão. Agradeço mil vezes aos céus que temos e que não fará falta, mas eu imagino quem vive com orçamento apertado e vê os gastos com seu animalzinho triplicar assim da noite pro dia. A comida especial é mais que o dobro da comida normal, o remédio é caro, o gato usa mais areinha no banheirinho. Sem falar que já foram mais de 1000 euros em conta de veterinário.

Por isso, se você está pensando em adotar ou comprar um animalzinho de estimação, pense em tudo isso.

Estou aliviadíssima que meu xuxuzinho tá bem. Como disse a Marcia uma vez, dinheiro a gente faz mais. Há dois meses o Ty mal conseguia beber água, hoje ele nos acorda 7 da manhã pra pedir comida, e nem eu nem o marido ficamos bravos, é na verdade um alívio e uma alegria.

O trabalho enobrece...


Vejam vocês queridos leitores, há dois anos eu estava aqui nesse site choramingando as incertezas dentro da empresa, em consequencia à crise, e agora estamos aqui descabelando-nos com o tanto de trabalho que temos e a falta de pessoal.

A empresa, que há anos não paga horas extras, comunicou que horas extras serão pagas e olhem o estapafúrdeo da coisa: cada funcionário será obrigado a trabalhar 4 horas extras por semana  pelos próximos 3 meses.

Juro que um ataque terrorista não teria causado maior furor do que esse anúncio. Trabalhar horas extras, ha ha ha, é contra os princípios da holandesada. "E como fica a vida familiar?" - bradava um…

Mas também, o sistema não ajuda. Aqui pagamos impostos escalonados, quem está na minha faixa de impostos paga 52% de imposto sobre cada centavo ganho, ou seja, pra cada 2 horas que trabalho, embolso os eurecas de 1.

Foi pedido que o funcionário tenha a opção de ao invés de dinheiro ganhar as horas para serem desfrutadas mais tarde, com a aprovação do chefe. Eu imediatamente entrei nesse grupinho, mas há poucas chances desse pedido ser aprovado.

Como aqui é tudo muito estudadinho, e explicadinho, e burocráticozinho, tudo ainda tem que passar por mil comissões cheias de letrinhas, KWO, OR e seilámaisoquê, mas estou preocupada, pois do jeito que tá já é bem pesadinho pra mim trabalhar o dia inteiro, lá pelas 4 já estou tontinha…

Blé, post chato de galocha esse… O negócio mesmo é ir lá ver as fotos dos vestidos das famosas no baile do MET e me perguntar repetidamente: pô Beyoncé, com a tua grana, como pode… tá faltando espelho em casa???

segunda-feira, maio 2

No reason to celebrate

Olho pro video dos americanos comemorando a morte do Bin Laden e me pergunto: o que há pra comemorar?

O Al Qaeda vai continuar, agora liderado por um egípcio tão cruel quanto ele. Retaliações farão mais mortos. A guerra contra os terroristas chegou ao fim? Nem de longe, é só mais um dia na vida deles, dia pro qual eles estavam se preparando a quase 10 anos.

A turma que acha que o homem ainda não pisou na lua e que foi tudo um truque de studio, junto aos que acreditam que o Elvis ainda vive, duvida da veracidade do fato, agravado pela falta de prova visual. Dizem as autoridades americanas que em respeito à religião dele o sepultaram em 24 horas como manda o Islam e que foi no mar porque não houve tempo para achar um lugar para enterrá-lo. A verdade é que ninguém queria uma lápide pra virar lugar de peregrinação de outros simpatizantes, acho eu.

Uns dizem que o Bush não se esforçou em encontrá-lo porque o "governo do medo" ajudou na reeleição, outros dizem que o Obama colocou todos os recursos possíveis pra encontrá-lo porque precisa de ajuda para a reeleição. Eu só acho que todo mundo esteve procurando esse tempo todo e como dizem, quem procura acha.

No fim dessa conversa toda eu só acho uma coisa: dessa pessoa jamais sairia bem algum. A morte dele também não vai acabar com guerra nenhuma. Mas se existe uma pessoazinha só pelo menos, que algum bem tirou da morte dele, alguém que perdeu um ente querido e que agora sente que justiça foi feita, que finalmente teve o tão esperado "closure" e que talvez agora seja um pouco mais fácil seguir em frente, então pelo menos essa criatura, ou a morte dela, já serviu pra alguma coisa.

O mundo em que vivíamos antes de 09/11 era um mundo bem mais fácil.