quarta-feira, junho 13

Eu sou Raquel, não Rutinha

Eu fui noiva no Brasil 4 anos. Foram 2 anos de uma ótima relação e outros 2 de uma merda de relação. Nosso maior problema foi que enquanto minha carreira avançava na GM, ele tentava, sem sucesso, passar no concurso público para promotor ou juiz de direito. Não posso nem falar mal dos homens brasileiros, porque ele era nascido na Itália, e apesar de criado no Brasil, teve uma criação italiana antiquadíssima. Eram católicos extremistas, ele só estudou em escolas católicas incluindo a faculdade ( PUC ), íam à missa todas as semanas, visitavam as freiras, íam ao aniversário do padre levando presentinho.

O fim da relação chegou quando eu o peguei saindo de um “night club” de SP. Na época o que mais me incomodou não foi o chifre profissional ( ele estava com o cabelo molhado ), mas o fato de ele ter pago ali 10 vezes o que tinha gasto no meu presente de aniversário naquele mês.

O cara foi um entrevo na minha vida por 4 anos, só eu que não vi. Assim que o entrevo foi removido, emagreci, comprei um apartamento, viajei pra Europa, fui promovida. Minha vida melhorou demais!

O facebook, se você não fechar todos os settings, escancara sua vida pro mundo. Eu sinceramente acho que não tem muito nexo entrar no facebook e fechar as informações, quem quer privacidade deveria evitar a internet ( né, Carolina Dieckmann? ). Mas anyway…

Ali vi que o dito não passou no concurso que queria, passou num de advogado da prefeitura ( com 20% do salário de um promotor ou juiz ), que ficou feio pacas, que foi empurrado pra carreira política pelo irmão que é vereador em SBC.

Nunca tive ressentimento dele, tive é pena, porque poucos dos sonhos dele se realizaram.

Acabei falando com ele algumas vezes no facebook e fiquei até feliz quando ele casou, teve filho, se distanciou um pouco da mãe italiana controladora dele.

E não desejei o mal dele, até… conversarmos sobre a lei que permite a união de homossexuais no Brasil. Perguntei a opinião dele, vejam bem que a criatura será candidato a vereador na próxima eleição, e ele me disse que a aprovação da lei é o maior absurdo dos ultimos tempos, que o casamento é uma instituição sagrada e que usar a palavra “casamento” para essa abominação era inaceitável, e que até o termo “união estável” era inaceitável visto que tais pessoas levam uma vida “pervertida” ( sim, ele usou essa palavra ) e nada estável.

Eu, de boca aberta com tanta imbecilidade, mencionei que minha prima T., praticamente minha filha, que ele adorava, que o adorava, é lésbica, e ele simplesmente retrucou que “era uma pena saber que a T. tinha caído nessa vida ( caído nessa vida???? )”. WTF?

Bate na madeira 3 vezes, mangalô e figa vermelha, graças a Deus que me livrei desse imbecil. Boba que não sou, e demonstrando que sou Raquel, guardei o chat, dei print screen, tirei foto da tela. Porque vejam bem criançada, esse imbecil é candidato político. E de imbecis-Myriam Rios a gente tem é que se livrar.

Ontem, novamente no facebook, vi que o status do carcará mudou pra “divorciado”.

Raquel Raquel Raquel, fiquei felizinha. Agora, pra fechar com chave de ouro, tomara que o filho dele – que está apenas com 5 anos seja gay. A glória seria o filho ser travesti, mas aí é pedir demais. Quero ainda que o facebook me mostre a foto dele no casamento homossexual do filho.

Mexa comigo, mas não com os meus.

terça-feira, junho 12

Agora tcheu chorar no ombro esquerdo... Mi mi mi

O Old Fart vira e mexe usa a expressão: eu tenho uma aliança no dedo e quero mantê-la aí. A história por detrás disso, contam-me os colegas, é que a esposa dele já o deixou duas vezes, uma vez recém casados, outra vez já com filhos, mandou-o pastar, trocou a fechadura. O motivo não sei, mas imagino.

Para manter a aliança no dedo, ele tem um acordo com a esposa que no fim de semana ele não faz planos e não vai à lugar nenhum sem a família. Ele diz para os outros colegas que ele sempre teve empregos que exigiam muitas viagens ( ele sempre PROCUROU empregos que tenham muitas viagens porque sentar no escritório é um castigo pra ele ) e que só sobrava o fim de semana para os hobbies dele, que é obvio não envolviam família, e imagino eu que a esposa se encheu de ser deixada em casa com três filhos ( porque uma pessoa que já saiu de casa e largou o marido escolhe voltar e ter 3 filhos eu não sei… ). Outra coisa que não tem nada a ver com os fatos, mas é curiosa, é que o cara é o caos em pessoa – tudo dele é espalhado, é jogado, não sei nem quantas vezes eu ou outro colega empilhamos as tralhas dele e jogamos numa gaveta porque não podemos deixar bagunça no fim do dia ( e ele deixa ) então a esposa exigiu que fosse contruída uma salinha da bagunça na casa dele e ele só pode “ficar” ali, ele é proibido de assistir TV na sala oficial, ou de usar o laptop na mesa da cozinha dessa forma ela mantém a casa aceitável e a bagunça dele é confinada a tal saleta da bagunça, que segundo um colega que já o visitou, é inenarrável o estado da saleta, que daria pra fazer 3 seasons de um reality show só pra arrumar aquela zona.

Mas então, pelo acordo com a esposa, ele não faz nada sem a família no fim-de-semana. Acontece que nessa segunda feira, ele quis ir a uma reunião de um fornecedor falido na camera de comércio em Paris. Eu já o fiz participar de 4 reuniões por conference call, nessa tinha que ir alguém, como eu estou atolada de coisas pra fazer, nem cogitei ir na reunião, mas o cara me encheu tanto que eu assinei a papelada pra ele ir.

Se eu fosse, teria saido de casa no domingo dirigindo, dá pouco mais de 4 horas até Paris, participaria da reunião das 2 as 5, dirigiria de volta pra casa. Mas o cara não podia ir no domingo por causa do tal acordo com a esposa. De avião é um pé no saco – Charles de Gaulle é quase na Bélgica de tão longe do centro de Paris, o negócio era ir de trem. Sugeri que ele pegasse o trem direto a Rotterdam e de lá o TGV, assim ele evitaria o trânsito da manhã. Claro que o sujeito tem que ser diferente, só sei que ele escolheu dirigir pela manhã até Lille, e de lá pegar o TGV, lembrando o caro leitor que o trânsito aqui na Holanda e na Bélgica, numa segunda de manhã, no horário do rush, é uma merda.

Long story short, o cara veio pra empresa de manhã, saiu no último minuto possível, pegou um mísero transitinho na Bélgica, perdeu o trem, teve que ir dirigindo sem TomTom até Paris. Chegou na reunião no último minuto. A reunião acabou antes das 5, eu e meu diretor ligamos às 7 e ele ainda estava lá, “fazendo o social”. Ele deu um resumo da situação e disse que ía sair pra jantar com outros participantes da reunião, que ía dormir em Paris e voltar amanhã. Eu fiquei azul, o diretor simplesmente disse que ele era esperado aqui hoje, antes do almoço.

Agora vejam, nós temos agência de turismo, secretárias, back-office, tudo pra nos ajudar com essas pendengas. Eles planejam, reservam, fazem seu check-in, quando você chega é só dar os recibos pra secretária e ela faz sua declaração de gastos, tudo super cômodo. Mas nada funciona com esse cara, ontem estava todo mundo aqui correndo de cima pra baixo pra cancelar o ticket de trem ( que não é barato ), o back-office dando instruções de como chegar ( eu falei pra ele estacionar em qualquer canto de Paris e pegar um táxi – mas sabe como é homem, ainda mais um sujeito arrogante como esse, tinha que chegar lá pelas próprias mãos, so to say ), o agência de turismo tentando achar um hotel pro cara dormir.

Depois da conversa com o diretor, eu sinceramente estava esperando o cara aqui lá pelo meio-dia.

Aí ele chega as 9:30, com cara de coitado, contando como dirigiu pra Paris e de volta sem TomTom, como teve uma reunião difícil e mal tomou um café antes de pegar a estrada de novo, e blá blá blá, dram drama drama, cheguei em casa tadinho de mim as 2 da manhã e cá estou eu, trabalhando.

Ele está esperando admiração, reconhecimento pelo esforço dele, tapinha nas costas, massagenzinho no ego, mas os colegas além de acostumados com os dramas dele – acharam o fim da picada a falta de programação do sujeito.

Eu, quero mais é que ele se funhenhe logo não ouvi meia frase do mi mi mi dele.

O diretor está muito ocupado e cortou-o no começo do mi mi mi.

E ele está aqui, com cara de coitadinho, repetindo o drama pra quem passar no corredor. Eu me pergunto: que trauma de infância tem esse sujeito pra necessitar tanto de atenção e afago? É por ser quase um anão em terra de gigantes? Qual a explicação pro pinto-muxismo dele?

E eu, pelo menos, recebi uma data pra ver as costas do fulano. Dezembro de 2013. Tá longe, eu sei, mas pelo menos está nos planos.

sexta-feira, junho 8

Mi mi mi

Bostinhas corriqueiras que estão me enchendo o saco:

-       Marido convidou indiano gorozeiro pra um jantar em casa no começo de Julho. Claro que a expectativa é de churrasco brasileiro com muita caipirinha, mas planejar churrasco como, se só chove nessa terra? Vontade zero de cozinhar jantar normal.

-       OldFart me perguntando todo dia: e quando você começa a ginástica? Hoje falei pra ele ir cuidar da vida dele e da dos filhos, que meu pai ainda tá vivo pra me encher os pacovás

-       Mas quando é que eu começo a ginástica? Vontade zero ( mentira, vontade -36 )

-       Tenho que terminar o álbum de fotos que prometi pra minha mãe. Odiei o software da Kruidvat mas já fiz mais da metade, começar do zero em outro site vai ser o ó do borogodó

-       Na falta de inspiração pras férias de dezembro, estava pensando em ir pro Brasil pra conhecer meu novo sobrinho Loopy ( a família adotou um novo Labrador, de um ano, no auge da sapequisse, deve ser fofo demais ), então pensei em Rio, Buzios, Cataratas, mas um hoteleco merreca no Leblon, não é nem de frente pro mar, por €320 por dia com café, é contra os meus princípios. Que país é esse meldels?

-       Tem esquema de alugar apartamentozinho no Rio? Alguém sabe?

-       Meu quartinho da bagunça está quase no "point of no return". Logo vou aparecer num daqueles show da TV onde eles mandam uma véia pra arrumar e limpar sua casa, te passando um pito em rede nacional

E choooooooove. E faz sol. E chooooooove de novo.

Mas… a colega de trabalho acabou de me mostrar os planos dela pra viagem à Thailandia, e estou cheia de idéias. Vou dar uma banana pro Rio de Janeiro que ele continue lindo e não visto por mim, que não vou desembolsar uma fortuna pra vê-lo – e vou pra Asia comer thai food diretinho da fonte.

Happy Friday ( é, eu sei que é pleonasmo ou redundância )

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quinta-feira, junho 7

Auto-Ajuda

Em janeiro, depois que cheguei das minhas maravilhosas férias baianas, cheguei na empresa e em 2 horas eu já estava a beira de um ataque de nervos. Estamos a menos de um ano do lançamento de um veículo novo, o período mais estressante no desinvolvimento de um caminhão. Pressão inenarrável, volume de trabalho absurdo, e a gente vai, que nem vaquinhas nos Pampas, sendo empurrado, e chicotado, e gritado, e vai seguindo o ritmo do feitor.

Em março eu decidi que ía a um psicólogo ou ía pro hospital, então fui pesquisar que profissional contactar, em que língua, essas coisas. Tirei um dia livre pra isso. Aí eu estava na fila do cinema quando uma frase que eu li me proporcionou o Wow moment of the year:

Para quê a empresa me paga?

Todos os dias eu chego, vejo minha lista “to do”, me proponho a terminar X itens, já sabendo que provavelmente não vai rolar e que vou sair frustrada da empresa, aí eu fico ali correndo contra o relógio, o que me gera uma ansiedade gigantesca, por vezes eu entro em pânico e a qualidade do trabalho vai lá pro pé. É uma bola de neve, uma bola de insatisfação.

A empresa me paga pelas minhas habilidades, experiência e capacidade/inteligência. Eles desenharam um perfil ao me contratar e eu encaixo no perfil. Eles me pagam pra trabalhar 40 horas por semana, usando o melhor das minhas habilidades e capacidade. Então agora eu chego, olho a minha to do list, vejo o que é mais urgente, por vezes ( muitas vezes ), é a primeira vez que eu vou fazer tal tarefa, então eu me dou alguns minutos pra pensar, chego a rabiscar alguns “steps”, quando o negócio estiver mais claro, começo as atividades em si ( e-mails, gráficos, planilhas ). Não olho pro relógio, não me apresso. Ao fim do dia, não penso na to do list, penso em tudo o que eu fiz, analiso se fiz bem feito, faço notas mentais de ações que eu preciso melhorar, e digo a mim mesma: ok, você trabalhou suas horas ( ou até mais que suas horas ) da melhor forma que você sabe, missão cumprida por hoje. E vou me embora sem pensar na to do list.

Estou bem mais calma, estou fazendo as coisas melhor. A verdade também é que metade das coisas que falam pra gente que é urgente, que o mundo vai acabar se você não resolver, acabam sendo esquecidas, sendo canceladas, sendo adiadas, caindo no vácuo.

Meu colega gerente acabou de ser pai. O grupo dele está ultra sobrecarregado por conta da Slovena que se foi e ainda não foi substituída, ele está desbaratinado está sempre correndo e consultando a listinha to do dele. Contei da minha nova filosofia, ele está aplicando-a há algumas semanas e diz já notar a melhora.

Ontem ele me disse que a paternidade mudou completamente qualquer perspectiva profissional dele. Contou que na semana passada teve uma semana do cão, que culminou numa conversa com o diretorzão geral sobre a performance em geral do grupo dele e dele mesmo. Coisa pesada. Aí ele foi pra casa e o bebê estava com cólicas e prisão de ventre, a esposa esgotada, ele foi encarregado de embalar e massagear o bebê. Lá pelas tantas da noite, o bebê com dores, ele preocupado, o bebê fez cocô. Ele só disse: Adriana, ele deu um sorrisinho de alívio por um milisegundo, foi o suficiente pra me fazer esquecer a merda de semana que eu tive, o cansaço de embalar e massagear por 2 horas, foi uma felicidade indescritível, por – literalmente – um monte de merda. A merda do meu filho me fez feliz como nenhuma promoção jamais me fez.

Putz, tô filosófica hoje.

terça-feira, junho 5

Cadê seu ombro, leitor amigo?

Ok, sei que prometi parar de reclamar do OldFart, mas se eu não chorar no ombro de vocês, caros leitores, chorarei no ombro de quem?

Quando eu fui promovida, a primeira providência do RH foi mardar-nos, eu e os 3 colegas recém promovidos, para um cursinho de "does and dont's". Uma palestra enorme sobre como evitar problemas legais. Sim, caros leitores, porque se você der uma apoiada de mão no ombro do colega ao lado - você é legal, um gerente fazendo isso pode ser assédio sexual. Você falar pro colega que acha o testemunha de Jeová que te aporrinhou domingo 8 da matina um besta, você está chovendo no molhado, se você for gerente, pode ser discriminação religiosa. E por aí vai.

Desde então penso muito antes de fazer qualquer comentário com um dos meus funcionários, daí eu vir aqui desabafar sobre o OldFart, mas pra ele eu manter o bico calado. O que também não ajuda é que nós, os novos gerente, depois de experimentarmos a tal "management desk" que ocupava o lugar de duas mesas, decidimos abdicar das tais porque o isolamento era muito grande, sem falar que apertou ainda mais o pessoal no já apertado open office. E porque não ajudou? Porque sentar-se no meio do seu pessoal tem também sua desvantagem, você baixa a guarda demais, mantem um relacionamento informal demais, enfim...

Hoje OldFart passou dos limites. Eu estava toda empolgada ao descobrir que a empresa mantém um convênio com o fitness center que eu havia gostado aqui perto, e a mensalidade seria de 13 euros ao invés de 39. Estávamos uns 5 conversando na mesa de cookies. Eis que OF diz: eu faço ginástica lá, você vai gostar porque não tem só mocinhas, tem também mulheres "your size". Deixa eu dizer uma coisa, esse salafrário já tinha usado essa expressão 2 vezes comigo e umas outras tantas se referindo a nossa colega húngara. Surtei. Repassei voando as instruções do curso do RH e usei o aproach "claro e sem espaço pra dúvidas": OF, eu não gostei do seu comentário e não quero que você repita essa expressão.

E aí, como eu não sou santa, arrematei: eu faço a gentileza de não mencionar que você tem 1,62 mt, então extenda a gentileza e não mencione o fato de eu ser gorda.

Ele abriu a boca pra dizer algo, certamente pra corrigir e dizer que ele tem 1,64 e não 1,62, mas os colegas o cortaram e disseram: quieto Old Fart, esse tipo de comentário realmente não se faz.

Véio maledeto, nanico, horroroso e pinto muxo.


Começar de novo...

No fim-de-semana passado, conheci uma leitora que parou aqui no blog pra ler dicas de viagem. Lembrei então que ando fraquíssima nesse "quesito", não é mesmo? Então, como estou começando as pesquisas para a próxima viagem, deixa eu dar uns toques aqui.

Eu queria em dezembro ir para a Thailandia. Acontece porém que gastamos um rio de dinheiro na Jamaica, o pacote em si já não foi barato porque acabamos não só escolhendo um hotel 5* all-inclusive adults only, como pagamos adicional para ir na business da Arkefly. Chegando lá, fizemos 3 tours particulares, e isso foi o tiro no pé: saiu 200 dollares cada, fora entrada para as cachoeiras e gorgetas. Comida fora do hotel foi bem barata.

Mas então, a Thailandia ficará para outro ano porque lá não há all-inclusives, e os all inclusives são a forma mais barata de se viajar ( a não ser que você vá num hotel "nothing-inclusive" e passe os dias a água e as refeições a lanchinho e pizza, o que eu e o marido não encaramos, então depois que adicionamos lanchinhos, bebidinhas, jantares, sai mais caro que o ALL-in - gorrrrrdos). E vamos de férias só 3 semanas, ao invés de 4, o que eu acho um tanto curto pra Thailandia.

Mas então, pra onde? Estou pensando em voltar ao México. Amamos o México. E sabe qual é a melhor coisa, em termos viajandísticos, que poderia acontecer a quem mora na Holanda? A proximidade com a Alemanha, que tem a maior coleção de agentes turísticos, hotéis, vôos, da Europa. Então como utilizar essa "potência"?

Primeiro "miro" uma área. Esse ano estou pensando em Puerto Morelos ( perto de Playa del Carmen ), Playa del Carmen e Cozumel. Vou ao Tripadvisor, minha bíblia, seleciono os hotéis que me interessam e que estajam marromenos na faixa que eu quero pagar ( meu budget comparativo é de €90 – o que pagamos no Iberostar Praia do Forte - all inclusive por pessoa por dia no quarto deluxo frente ao mar ). Aí, vou ao holidaycheck.de, esse site é o que há. Vou direto ao campo de busca, entro o nome do hotel que quero, normalmente já aparece os pacotes e, se existir qualquer agência na Alemanha que comercialize o hotel, o preço da agência. O preço de agência é normalmente pelo menos 30% menor que o da expedia ou booking.com. Tô ficando super craque fluentésima em alemão: 3 woche, meerblich, pausreis… ( not )

Uma das maiores agências alemãs é a TUI, que é parte do mesmo grupo que é dona da Arke ( e Thompson e Jetair ). Vou então à ARKE no shopping aqui perto, onde já tenho nossa agente de turismo habitual, e faço as reservas com ela, levando sempre o print screen alemão. Já fiz reserva com uma agência alemã por internet ( uma tal de Meier ) e arrisquei porque era um pacoteeenho pequetito, e deu certo.

Na Arke você pode também reservar os pacotes da Jetair, a empresa Belga, que além de ter bons vôos a partir de Brussels, tem uns destinos esdrúxulos que a Holanda não tem ( tipo Martinica, Bonaire, e um zilhão de pacotes pra Tunísia ).

Já cansei de dar a dica para os brasileiros: quem quiser ir ao Iberostar Bahia ou Praia do Forte, ou ao Grand Palladium Imbassaí, sai barateeenho reservar pelo site alemão, paga-se com cartão de crédito ( sem parcelamento, sorry ), os vouchers vão pro seu e-mail. Ano passado uma semana de Iberostar Bahia estava saindo €396 euros, no Brasil nem pro Etap Salvador você vai com essa grana.

O que eu queria mesmo, é ir para Orlando, ficar lá 3 semanas, assunto resolvido, mas o marido não quer nem ouvir falar. Queria alugar uma casa lá, comprar o cartão de 10 entradas na Disney e o de 4 entradas na Universal, e no mais, shop till I drop. Sonho meu…

segunda-feira, junho 4

Eu voltei, e agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar...

Estamos em junho, ao fim do mês estaremos na metade de 2012.

Olho pra trás e trabalhei feito uma doida, mas parece que não concretizei muito.

Olho pra frente e é tanto o que tenho que fazer até o fim de 2012, que não sei nem por onde começar. Muita coisa difícil, muita coisa chata, muita coisa que eu não sei como fazer.

Nessas férias, pela primeira vez nos meus 39 anos, pensei que talvez seja melhor procurar um emprego com menos responsabilidades, ainda que com um salário menor. Na verdade eu queria o mesmo salário, com menos responsabilidades, será que eu acho? Porque ó, vou contar um negócio procês, viver nessa loucura de trabalhar mil horas por semana, e viver preocupada, e estressada, e arrancando os cabelos é uma merda, mas não ter dinheiro pra nada seria uma merda maior. MOINTO MAIOR. GI.GAN.TES.CA. NABABESCA!!!!

Então o negócio é assim: não nasci pra super executiva, não nasci pra pobretona, nasci pra quê então?

domingo, maio 27

Em Passárgada

Queridos leitores, estou de férias, logo volto com as minhas maluquices. 

segunda-feira, maio 14

Alô criançada o Bozo chegou, trazendo alegria pra você e o vovô...

Ontem, no lindo dia de sol que fez, Old Fart tinha planejado um dia velejando – uma competição. O time dele ganhou a competição e quando um dos nossos colegas ligou para felicitar, estavam todos os “campeões” comemorando com litros de goró – que tipo de goró não sei.

Hoje de manhã, enquanto eu adentrava a empresa quase as 9 da manhã, recebo um SMS: Estou doente e não vou à empresa hoje. Algo está errado com o meu corpo, com o meu estômago. Nada pára dentro. Estou mandando o formulário de “call in sick” pro médico da empresa. Até mais, Old Fart.

E fica assim, ele finge que a ressaca é desarranjo estomacal, eu finjo que acredito que não é ressaca pela comemoração alcoólica até altas horas da noite e ficamos todos assim, nessa palhaçada só.

Então tá.

Cadê meu nariz de palhaço?

quinta-feira, maio 10

É legal coçar o saco?

A Holanda tem uma empresa apenas que faz carros. No passado ela já foi parte do Grupo DAF, depois da Volvo, agora é da Mistsubishi. Essa empresa está indo muito mal há anos, a situação ficou dramática há 2 anos e há alguns meses, eles declararam concordata. Há dois ano, num plano de cooperação regional, minha empresa contratou, como terceirizados alguns funcionários dessa empresa, afinal, quase sem projetos ou produção, eles não tinham o que fazer.

São ótimos colegas, o funcionário dos sonhos de qualquer gerente, chegaram foram treinados 1 semana – estão praticamente 100% integrados.

Sempre me intrigou esses funcionários, pois eles não são obrigados a trabalhar como terceirizados, foram todos voluntários, ou seja, poderiam estar sentados nos seus escritórios vazios, lendo, jogando poker, internetando. No entanto, escolheram vir pra cá, aguentar rabo de foguete, uma pressão dos infernos, muitas vezes horas extras que eles nem recebem. E fazem tudo isso sem ganhar um tostão a mais da empresa original deles.

Um dos meus funcionários faz parte do departamento financeiro de lá, então ele tem que voltar a cada 2 semanas por um dia para dar uma olhadela em certos reports e documentos. Ele diz que o ambiente é tão depressivo que depois de duas horas no escritório, ele começa a se sentir mal, tenso, dores no corpo. Os colegas dele que ainda estão por lá realmente não tem mais nada o que fazer, 80% do pessoal está terceirizado em outras empresas, os que ficaram resolvem um probleminha aqui outro acolá, mas no geral ficam ali, olhando pro teto o dia todo. Perguntei se esse pessoal não podia pelo menos ficar em casa, mas o acordo é que aqueles que não aceitasse emprego terceirizado teriam que comparecer à empresa todos os dias ( senão ninguém ía ser voluntário para terceirização, todo mundo ía querer ficar em casa vendo Oprah ).

Um dos meus senhores era lá gerente nivel 16, aqui ele está como comprador nivel 14 ( mas claro que continua recebendo o salário de gerente 16 dele ), e está feliz da vida, diz que prefere mil vezes as pendengas daqui a olhar pro teto lá.

Eu confesso que por vezes me pego invejando os carinhas que não tem pressão, não tem que trabalhar 10 hrs por dia, mas já pensaram, dia após dia sem ter um e-mail pra resolver, um telefonema pra atender, esperando dar 5 da tarde pra ir embora? Deve ser enlouquecedor.

sexta-feira, maio 4

#ThankYouGame

Aos 12 anos eu estabeleci um projeto de vida, e passei as próximas 2 décadas perseguindo aquele objetivo. Chorei muito, me desesperei mais ainda, e atingí-lo parecia-me muito, muito, muito mais que impossível.

Na última década eu consegui realizar o tal projeto de vida. Nunca tive, nem aos 12 anos, a inocente idéia de aquilo fosse ser suficiente pra me manter feliz pro resto da vida. Sonhos, projetos, objetivos foram sendo traçados, alcançados, teimosa que sou não consigo lembrar de nenhum do qual eu tenha desistido. Continuo vivendo minha vidinha feliz ou infeliz, como todo mundo.

Mas ainda me admiro, diáriamente, de ter conseguido realizar aquele primeiro projeto, sonho, objetivo, loucura, como queiram chamar. Por vezes, quando estou desanimada ou frustrada com alguma dificuldade, lembro-me de como aquele primeiro objetivo me parecia impossível e como hoje é realidade, e como isso me faz imensamente feliz, a cada minuto do dia. E me lembro então que o conquistado é sim tão bom quanto eu sempre sonhei, e que era sim, tudo o que eu esperava e talvez mais.

Isso me motiva a não desistir, mas também me dá conforto, porque a coisa mais doida que eu ousei querer, eu consegui.

Via twitter, a Oprah convidou os fãs dela a agradecer uma pessoa por dia. Eu hoje vou agradecer a mim mesma, porque eu desejo alto, mas eu não esmoreço na batalha pra conseguir o que quero ( e comigo é sempre uma batalha, eu não tenho a sorte de conseguir as coisas de mão beijada, infelizmente ), e eu tenho o bom senso de apreciar, um milhão de vezes, o conquistado.

Eu tenho muito a agradecer a muitos, mas Adriana, obrigada!!! You are awesome!

quinta-feira, maio 3

Pra quê facilitar se dá pra complicar?

Se há uma coisa que eu admiro, é a capacidade dos americanos de inventar coisas práticas. Do ponto de vista empresarial, eu entendo que tudo dá lucro nos EUA, visto a renda per capita mesmo em época de crise, o tamanho da população e a cultura consumista deles. O empresário investe, mas o retorno desse investimento é certo e rápido, modelo que não se aplica a outros países menores, com menor capacidade de consumo e o pior: menor DESEJO de consumo. É o caso da Holanda, não só o povo não tem o hábito de comprar, eles tem essa cultura calvinista que tudo que é prático é ruim, é coisa de preguiçoso. Deixa eu dar uns exemplos que eu estava discutindo ontem com meus colegas de trabalho.

Eu estou seguindo a dieta low carbs da South Beach. Claro que quero perder peso, mas a motivação de ficar na dieta é que não tenho mais crises de dumping, que são comuns em gastroplastizados. O ponto fraco dessa dieta é que você mora na cozinha, tudo depende de você cozinhar. Tente imaginar o seu dia-a-dia sem pães, sem snacks rápidos. O café da manhã acaba sendo ovos todos os dias. O almoço tem que ser picado, tem que ser armazenado, tem que ser trazido pro trabalha em “marmitinhas”. Isso acaba matando sua dieta, o dia que você está atrasada acaba não trazendo a salada e no almoço cai nos sanduíches ( lembrem-se que aqui na Holanda só se come pão no almoço, nada de restaurante por quilo ). Nos EUA existem várias linhas de produtos low carbs, aqui na Holanda só chegam os da Atkins, e mesmo assim alguns. Nos EUA tem wraps low carbs da South Beach, já imaginaram, de manhã poder fazer uma wrap no café da manhã? E tem refeições prontas, e marinadas pras carnes, é tudo tão prático! Quando fiz Vigilantes, aqui do lado na Belgica tem as refeicões congeladas dos Vigilantes, a maioria bem saborosinha, mas aqui necas! Meus colegas dizem, mas ah – que custa você grelhar um franguinho e lavar umas folhas de alface? Mas gente, todos os dias a mesma coisa, isso pro gordo é um martírio. E o gordo fica procurando desculpas pra furar a dieta, não ter nada pronto na geladeira é desculpa numero um, mas se tem lá o negócio só pra tacar no microondas, não tem desculpa!

Caso numero dois. O Plato só faz cocô em banheirinho completamente limpo, ou seja, se eu limpo antes de sair de casa e o irmão, ou ele mesmo, usam o banheirinho, quando ele precisar fazer cocô, faz no chão. Já instalei 3 banheirinhos um do lado do outro, já mudei de areia, nada ajuda. Googando vi que meio mundo tem esse problema com gatos frescos, e nos EUA resolve-se o problema com o banheirinho auto-limpante. É uma engenhoca que tem um sensor que 10 minutos depois do gato usar o banheirinho automaticamente passa um rastelo embutido e empura o xixi ou cocô aglomerado pela areia pra dentro de um recipiente fechado. De dias em dias você limpa esse recipiente. Meus colegas acharam o fim da preguicite aguda a tal engenhoca, mas digam aí, quem gosta de limpar cocô de gato? Mas a vantagem pra mim seria que o banheirinho estaria eternamente limpinho, resolvendo o meu problema. Se pode facilitar, porque não? Mas não só vendem nos EUA e limitadamente no UK.

A esposa do Old Fart se deu de presente aqueles robôs aspiradores de pó. Acontece que eles tem 2 cachorros e a casa vivia cheia de pêlos, e ele veio aqui contando que a maquineta realmente funciona, que a casa está agora perpétuamente sem pêlos, eles nem vêem o negócio funcionando. Digam aí, não vale a pena, sua casa sempre sem um pózinho no chão? ( só quem tem gato ou cachorro peludo é que sabem ). Mas vocês precisam ver o que tiraram o sarro do cara… todo mundo acha um enorme disperdício. É caro, eu sei, mas assim que eu conseguir convencer o marido… terei um também!

Eu estou obcecada pra colocar grama artificial em casa. Aqui tem umas que eu juro que você não diz que é artificial, eles colocam até uma areia especial no fundo pra dar mais realismo ao negócio. Agora vejam a praticidade: você não precisa gastar hóóóóras cortando a grama, nem aerando o solo, nem catando as malditas ervas-daninhas. Sem falar também que todo ano é um tal de comprar cal, a cada 3 meses fertilizante, e sementinhas, e produtozinho pra matar o musgo, é a maior grana! E água no verão? Todos os dias ligar aquele negócio de aguar o jardim, pelo menos 20 minutos, água é super caro na Holanda! Ah, mas foi só eu mencionar aqui e virei piada, a brasileira que veio pra Holanda pra ver flor de plástico ( flores não, mas grama, porque não??? ). Mas Adriana, que trabalho é ir lá jogar umas sementinhas, dar uma podadinha, não é trabalho nenhum, é hobby! Hobby os carambas, quero ver neguinho se queimar todos naquela erva que queima e vir me dizer que adora o “hobby”. Quebrar as costas catando erva-daninha no chão… Afeeee…

Em casa, estamos aos poucos adicionando praticidades à nossa vidinha. Temos já 3 aspiradores de pó, um em cada andar. O aspirador vertical sem fio foi tão bem aceito que estamos pensando em comprar pelo menos mais um, assim que sair na promoção. Já somos usuários do combo lava roupas / secadora, além de não precisar pendurar roupa no varal, tem um módulo secar a vapor que deixa as roupas de malha e jeans prontas pro guarda-roupa. Meu ferro quebrou em outubro do ano passado e ainda não comprei outro. Vamos agora trocar nossa lavadora e secadora por modelos de 8 kg ( a nossa é de 5 kg ) que dará exatamente para as roupas de uma semana, e de quebra tem um sistema de vapor melhorado que promete “alisar” outros tipos de roupa também.

O sonho dourado de voltar a ter uma empregada parece que vai ficar só mesmo no mundo dos sonhos, então eu TENHO que facilitar a minha vida. E pensar que lá em São Paulo, inconformadas com a escassez de empregadas domésticas, a classe média já está importando empregada do Paraguai. Achei ótima a idéia, você tem ajuda em casa, ajuda essas moças a sustentarem suas famílias pobres, e de quebra cria seus filhos bilingues J.

Bom, tcheu ir cuidar da vida que neguinho pra vir fazer meu trabalho, ou maquininha, isso eu ainda não achei.

quarta-feira, maio 2

Loucos muito peculiares

A Holanda tem um tipo muito peculiar de louco, eu sei lá se tem nome isso, mas eu chamo de louco Sheldon ( Sheldon, do big bang theory, um dos meus seriados favoritos ).

Lembram-se do vizinho que estacionou na minha garagem pra “prove a point”? Então.

Eis que na semana passada chego em casa razoavelmente cedo, antes do marido, e a vaga dele estava lá vazia, mas como eu estou realmente tentando evitar confusões, estacionei nas vagas para visitantes na rua do lado. Chovia cântaros, eu estava cheia de sacolas, fui praguejando debaixo de chuva. Uma meia-hora depois, vi pela janela que algum outro vizinho tinha estacionado na tal vaga “dele”. Como sou boazinha mas má, muito má, achei é muito legal que ele ía chegar e se deparar com outro carro, debaixo de chuva. No dia seguinte, estou saindo pra trabalhar, caía uma garoa fina, eu de guarda-chuva, estou na porta do carro quando ouço alguém me chamando, era o vizinho. Ele foi logo dizendo: não entendo porque você quer ser tão “associal”, você tem sua garagem, porque é que você insiste em estacionar na rua? Novamente eu fiquei sem vaga e tive que estacionar lá na outra rua de trás.

Gente, eu vi estrelinhas. Respirei fundo: meu senhor, vou falar em inglês pra ter certeza que vou me expressar bem, ok? O senhor precisa, urgentemente, de tratamento psiquiátrico. Urgente. Eu tenho tanto direito quanto você de estacionar meu carro em qualquer vaga pública, onde eu bem quiser. Se você acha que meu carro está estacionado em lugar inapropriado, sinta-se livre pra chamar a polícia. Eu, com certeza, irei a polícia ainda hoje fazer uma ocorrência, porque você obviamente não está no seu julgamento normal e eu agora temo que você vá tomar alguma atitude contra mim, meu carro ou minha casa. E eu achei que o cara fosse se calar, ou se desculpar, mas não, eu fui embora com esse louco ainda falando que não custava nada eu estacionar na minha entrada de garagem, que nós tinhamos 2 carros e ele só um… e blablabla e eu fui embora com o cara lá tagarelando. Louco de pedra.

Aqui na empresa temos outro(s) louco Sheldon. Tem um fulano que todas as manhãs, faça chuva ou sol ou neve ou tempestade de pólen, vem de bicicleta. O bizarro é que o cara tem uma mountain bike, vem com aquelas roupinhas de lycra brilhante para ciclistas, e todos os dias ele registra a entrada e vai pro fumódromo fumar um cigarrinho. É bizarro aquele cara com a maior pinta de Armstrong fumando feito um condenado. Eis que na semana passada, o cara chega pra estacionar na vaguinha costumeira dele e encontra, pela terceira ou quarta vez, outra bicicleta estacionada ali, ele não hesita e deixa uma cartinha: prezado colega, há 22 anos, faça chuva ou sol, eu venho de bicicleta e estaciono aqui. Agora que o tempo está melhorando, nas terças e quintas eu encontro sua bicicleta estacionada no lugar onde eu sempre estaciono, por favor procure outro lugar porque esse é meu há anos. Obrigada. O engraçado é que até os holandeses estranharam esse louco Sheldon, porque alguém tirou foto da cartinha, imprimiu e colocou no quadro de avisos do restaurante com a pergunta: Isso é normal? Nossa, choveram bilhetinhos com piadinhas colados no lugar.

Outro louco é o nosso Forest Gump. A empresa tem o sistema de flextime, e pra evitar papelzinho pra cima e pra baixo com horários, tem uma maquina no hall que lê nosso cartão magnético na entrada e na saída, a versão moderna do relógio de ponto. Nosso Forest é um cara que chega no fiofó da manhã, estaciona o Insignia dele bem em frente a minha janela e as 15:29 fica em frente ao relógio do hall esperando dar 15:30. No segundo que o relógio vira, ele bate o ponto dele e corre, eu repito, corre, até o carro dele. Daí o apelido Forest Gump. Ele pega o carro e sai com um louco, tudo isso para evitar o congestionamento no portão da empresa, porque trouxa que trabalha até tarde como essa que vos fala, aqui é raro, o normal é esse povo que trabalha o estritamente necessário. Dia desses um colega precisou chamar a Carglass pra reparar uma trinca no vidro dele. A Carglass vem com uma van e estaciona a van perto do carro a ser reparado, e a nosso pedido, fez isso bloqueando o carro do Forest. Aí o homem veio correndo, todo mundo na janela, quando ele viu a van quase teve um ataque. O motorista, muito educado, pediu desculpas e foi estacionar em outro lugar, mas teve antes que recolher a máquina secante que estava no chão, colocar na mala da van, fechar a mala da van, a gente achou que o Forest Gump fosse infartar. A corridinha do Forrest é tão engraçada ( e deprimente ) que chegou até aos ouvidos do diretorzão member of the board, e outro dia ele veio aqui na minha mesa assistir o “espetáculo” e concordou com a gente que é meio deprimente mesmo, o cara correndo pra sair da empresa o mais rápido possível, com o casaquinho balançando ao vento e a lunchbox na mão.

Outro holandês louco não se encaixa na categoria louco Sheldon, acho que vou inventar outra categoria: o louco Patinhas. Pois então, essa é um holandês conhecido da gente, estudou com o Bart. Tudo, absolutamente tudo que ele tem é de segunda mão, é reaproveitado, é garibado. Eu entendo quem não tem muitos meios financeiros apelar pra uns móveis usados em boas condições, ou comprar uns livrinhos usados para as filhas no dia da rainha, mas esse cara é demais. Primeiro: ele não precisa, ele ganha bem, a esposa idem. Segundo: tem gente que gariba móveis, ou outros cacarecos por hobby, o cara não, é evidente pela constante reclamação dele que ele não gosta. Semana passada ele decidiu dar bicicletas às filhas de 4 anos. Podia ter ido a qualquer loja de segunda mão e comprado duas bicicletas usadas, afinal dizem que crianças perdem bicicletas que nem perdem sapatos – eles ficam grandes pras bicicletas, mas segundo ele – as lojas dão uma garibada nas bicicletas e cobram uma fortuna pela garibada, logo ele ia comprar duas bicicletas no marktplaats e garibar ele mesmo. Aí passou-se a semana de reclamações via Facebook, pneus carecas, nova mão de pintura, breques, resumindo: as bicicletas precisaram ser reconstruídas. Aí ele posta foto das duas bicicletas marromenos com o comentário: uma semaninha de suor depois do trabalho e economizei 70 euros. E eu só consegui pensar: DAFUQ???? Tudo isso pra economizar 70 míseros euros???

Queridos leitores, vos digo: o Charcot ( googuem aí ) é aqui!

terça-feira, maio 1

Da redondice do ser

Ontem foi dia da rainha, um mini-feriado prolongado pelas bandas de cá. Como eu não sou mesmo de sair e festejar, me propus a fazer um daqueles álbuns de fotografia online para a minha mãe, já que o dia das mães está chegando.

Escolhi o site com melhor custo benefício ( Kruidvat ), baixei o software e aprendi os macetes básicos ( não, não é super fácil, ao contrário do que dizem ), e comecei a escolher as fotos – a proposta do álbum é fazer uma coletânea das nossas viagens, a começar pela lua-de-mel.

Ver minhas fotos no spam de 10 anos foi interessante. A primeira constatação é que ainda ( bate na madeira três vezes ) não enruguei muito, acho que estou bem apesar da minha avançada idade ( cof cof cof ). Outra coisa positiva é que apesar de eu estar acima do peso, estou obviamente estacionada a 7 anos, e constatei isso porque ainda tenho o jeans que usei nos EUA em 2005 e ainda me serve bem.

Agora vem a parte ruim. Se há anos eu vivo nesse lenga-lenga de que preciso emagrecer, agora é oficial: só serei feliz se emagrecer 9 quilos. Meu objetivo é voltar ao corpo que eu tinha em 2003, na minha viagem para Roma com o marido ( quem quiser ver foteeenhas, tá no facebook, meu perfil é público ).

Mas Adriana, você fala nesse negócio de dieta e Low carbs e bla bla bla há anos… Exatamente, e isso é que está me deixando pissaroca da vida, o chove não molha. Emagreci o que engordei depois da hospitalização e tratamento para a anemia, mas estagnei. Não, não vou choramingar que meu organismo retem liquidos, que eu emagreço devagar e tantos outros mimimis “totally lame”.

Eu sei do que preciso: 3 meses de dieta low carb ferrenha aliada a pelo menos uma hora diária de um exercício físico. Depois, manutenção com uma dieta low carb um pouco menos ferrenha e exercícios moderados. Simples assim.

E é aí que a porca torce o rabo. Se às vezes eu me surpreendo comigo mesmo com toda a minha dedicação e persistência em outras áreas da minha vida, essa do regime me faz  sentir um fracasso total. Eu me pergunto mil vezes: porquê? Porque é que as contrariedades da minha vida não me vencem ( tentar vencer no mundo corporativo sendo mulher e imigrante, ser casada com um estrangeiro e todas as diferenças culturais que isso traz, viver longe da família e ver os sobrinhos lindos crescer tão longe de mim ), mas resistir a um simples pacote de cookies é uma montanha intransponível?

Fui uma criança magrela até os 5 anos, aliás, venho de uma família magrela, então onde foi que o trem descarrilhou? Foi algum trauma? Estava tentando agradar a minha crítica mãe? Foram as vitaminas mastiguinhas ( quem mais aqui tomou? )?

Bom, agora que eu desabafei, peço desculpa por mais um post de gorda-atormentada. Gente, gordo e gordo de regime são a turma mais chata da paróquia. O gordo ( eu ) é chato porque só reclama, quando a única coisa que adianta mesmo é fechar a boca e mexer a pança. O gordo de regime ( eu, most of the time ) é mais chato ainda, porque só fala dessa coisa insuportável que é regime – e muitas vezes esquece o que o levou a precisar passar fome, e fica discorrendo sobre a maravilha e a facilidade que é fazer regime x, y ou z.

Como eu costumo dizer, gordo é um trem estranho. A obesidade é a droga e a cura. Os quilos extras são a doença, o vício, a droga ao qual a gente não consegue dizer não; a cura é a alegria incomensurável de perder esses quilos, a vontade de sair gritando nossa felicidade ao mundo cada vez que a balança baixa 1000 gramas. Ou 500 gramas. Ou qualquer graminha mísera.

Nessa incarnação estou pagando o karma de umas 10 juntas. Devo ter sido um daqueles glutões em alguma corte real no passado, por várias encarnações.

Só tenho uma coisa a dizer: banhas, vocês não hão de vencer!!!!! Eu acho…