Então, depois de tantas idéias legais, resolvi que vamos numa pizzaria. Estou entre a Brás ( que é famosa ), a Bendita Hora ( que parece legal, mas bonita mesmo é a filial do Alphaville, que infelizmente é longe pacas ), e a minha querida Margherita.
Antes da Pizzaria eu queria dar uma parada no Hooters pra tirar o sarro do Bart. No México e nos EUA eu ameacei entrar com ele, e ele quase morreu de vergonha. No Brasil, com outras 4 mulheres, vai ser engraçado.
Sabem, SP tem tanto lugar legal, eu queria ir num lugar diferentão. Tipo, descer até Santos e comer num restaurante de frente pro mar ( tinha um na Ilha Porchat, mas era super barango, apesar da vista linda ), ou na beira da Guarapiranga, ou num ambiente diferente, tipo o doidão Vico do Scunizzo, ou o Lazzarella que dá até tarantela pro povo tocar... Mas como não achei nada, vai uma bouuuua pizzaria mesmo.
Enquanto isso o clima aqui na empresa cada vez mais sombrio. Hoje saiu matéria sobre a crise da Companhia no jornal da cidade. O pessoal da produção está se descabelando, porque dizem que vai ter trabalho só pra 30% deles. Se isso for verdade, nós aqui nos escritórios seremos dizimados mais rápido que matar barata com detefon. E conversando com uma das comadres, a crise já está se alastrando. Philipslândia acabou entrando na dança também. Olha, se o governo não der uma mão, um arroxo, sei não... Cidades como Amsterdam, Rotterdam, ainda se ajeitam porque têm uma razoável quantidade de empresas de serviços, mas cidades industriais, como Eindhoven, parece SBC em 1981. Sombrio... Imaginem que nosso concorrente direto estava produzindo 280 caminhões por dia, semana que vem a produção cai pra 40. Gente, tá difícil pacas!
E nessa, a primeira coisa que acaba entrando na dança são os dias de férias. Ano que vem haverão várias semanas compulsórias de férias. Eles sempre fazem isso para coincidir com as férias escolares, assim o povo em geral não chia muito, mas nós que não temos filhos só nos ferramos. Nessa época qualquer hotelzinho chuleiro nas Marbellas da vida custa 3 vezes o preço normal. Se bem que se eu for esperta ( e eu sou ), eu fico em casa quietinha, no máximo dou uns bordejos por Amsterdam e Maastricht. Ano que vem será um ano magro. Macérrimo!
E eu confesso que o gás está no finzinho, eita ano cabeludo esse. Emprego novo, venda de casa, mudança pra casa nova, crise... Estou no último das minhas forças. Me arrastando...
Essa noite o Plato me azucrinou até as 3 da manhã. Gente, eu reclamo do meu pestinha, mas eita gato inteligente! Bart estava roncando que nem o carro velho do namorado da Ivete Sangalo, acabei indo lá pra meia-noite dormir no outro quarto. Acabei de deitar, cochilei, Plato começou a arranhar-bater na porta. E eu quentinha lá debaixo dos meus edredons, ignorei o gato. E esse coitado, arranhou, miou, bufou, tanto que eu fui ver o que ocorria. Eu sabia que ele tinha comida e água, o que seria? O Bart foi dormir e fechou a porta da sala/cozinha, onde a comida e a água ficam. Lá dentro estava o Ty arranhando a porta porque queria ir ao banheirinho ( no Zolder ) e cá encima estava o Plato, que queria ir beber água. O que me surpreendeu é que ele viu que naquele dia eu não dormi no meu quarto habitual, e foi bater onde eu estava! Depois de beber meia tigelinha de água o coitado dormiu como uma pedra.
Bom povo, reta final agora. Escrevi um livro porque não sei quando e se escrevo antes das férias. Devo dar um alôzinho. Não conectaram minha internet e eu vou ter que ir numa LANhouse fazer o check-in da KLM. Estou com um frio imenso na minha barriga. Ontem eu estava um cocô de deprimida, até receber o e-mail da minha amiga Fernanda, que está me esperando e vai me buscar no aeroporto. Ai que emoção. E vamos pro apê da minha mãe, onde a menos de 100 metros abriu um Habib's. Eu AMO o Habib's. Vou poder botar o Bart pra dormir e fofocar até o fiofó desatarrachar com a pessoa que mais me conhece nesse mundo.
A vida é bela!
sexta-feira, novembro 28
quinta-feira, novembro 27
Não conheço mais minha própria terra!
Povo, ajudinha necessária daqueles que moram em São Paulo!
Vou estar em SP só uma noite. Uminha. E nessa noite quero ir com duas primas, uma amiga, e o Bart em algum restaurante legal. E pagarei a conta.
Eu não queria ir a falência, mas não faço mais idéia de preços no Brasil, e claro que nenhum site mostra. Não entendo isso no Brasil, viu. Se você entra no site do Outback nos EUA, vê todos os preços, no Brasil não! O Outback tá caro? Quando custa um prato individual em média?
Um lugar que gosto pelo ambiente, mas que a comida é muito mais ou menos é o Vico D'Scunizzo, então não sei se sacrifico a comida pelo ambiente, sabendo que também é bem carinho.
Caro por caro, se o negócio são massas, meu estômago diz pra esquecer o Vico e ir no Famiglia Manccini, na Cê que Sabe, ou no Lellis. Mas o Famiglia é sempre super lotado, e você acaba sempre esprimido num canto. A cê que sabe só dá velho. E o Lellis além das filas tem também bastante coroa, mas é de todos o que tem a comida mais gostosa.
Até pensei numa churrascaria, mas o Bart passou super mal depois de termos ido na Novilho de Prata, que costumava ser fantástica, mas pelo jeito tá decaindo. Aí pergunto: quanto morre no Jardineira Grill, alguém sabe?
Outra opção mais doida, mas ainda opção, é o Kan'el Kalili ( é assim que se escreve? ). Casa de chá egípcia com show de dança do ventre, comida boa e ambiente legal. Tá 53 por pessoa, acho. É o único restaurante que tem preço no site. Devia ir lá só por isso, para apoiar a iniciativa.
E faz tempo que estou prometendo ( ou ameaçando ) pro Bart que vou levá-lo ao Hooters. Vocês viram que em São Paulo abriu um? Ele diz que não vai que morre de vergonha, mas duvido. Aí no Brasil será que as garçonetes são "turbinadas" que nem nos EUA?
Pedir pra paulista escolher um, unzinho só, restaurante "favorito" em SP é que nem pedir pra gordo dizer qual comida ele não pode viver sem: missão impossível.
E aí, qual sua indicação? Vou à falência?
Vou estar em SP só uma noite. Uminha. E nessa noite quero ir com duas primas, uma amiga, e o Bart em algum restaurante legal. E pagarei a conta.
Eu não queria ir a falência, mas não faço mais idéia de preços no Brasil, e claro que nenhum site mostra. Não entendo isso no Brasil, viu. Se você entra no site do Outback nos EUA, vê todos os preços, no Brasil não! O Outback tá caro? Quando custa um prato individual em média?
Um lugar que gosto pelo ambiente, mas que a comida é muito mais ou menos é o Vico D'Scunizzo, então não sei se sacrifico a comida pelo ambiente, sabendo que também é bem carinho.
Caro por caro, se o negócio são massas, meu estômago diz pra esquecer o Vico e ir no Famiglia Manccini, na Cê que Sabe, ou no Lellis. Mas o Famiglia é sempre super lotado, e você acaba sempre esprimido num canto. A cê que sabe só dá velho. E o Lellis além das filas tem também bastante coroa, mas é de todos o que tem a comida mais gostosa.
Até pensei numa churrascaria, mas o Bart passou super mal depois de termos ido na Novilho de Prata, que costumava ser fantástica, mas pelo jeito tá decaindo. Aí pergunto: quanto morre no Jardineira Grill, alguém sabe?
Outra opção mais doida, mas ainda opção, é o Kan'el Kalili ( é assim que se escreve? ). Casa de chá egípcia com show de dança do ventre, comida boa e ambiente legal. Tá 53 por pessoa, acho. É o único restaurante que tem preço no site. Devia ir lá só por isso, para apoiar a iniciativa.
E faz tempo que estou prometendo ( ou ameaçando ) pro Bart que vou levá-lo ao Hooters. Vocês viram que em São Paulo abriu um? Ele diz que não vai que morre de vergonha, mas duvido. Aí no Brasil será que as garçonetes são "turbinadas" que nem nos EUA?
Pedir pra paulista escolher um, unzinho só, restaurante "favorito" em SP é que nem pedir pra gordo dizer qual comida ele não pode viver sem: missão impossível.
E aí, qual sua indicação? Vou à falência?
segunda-feira, novembro 24
Adriana Papa-Léguas
Não tenho tempo pra nada, post terá que ser pra lá de rápido, só mesmo pra dizer que não morri ( ainda ).
Semana passada o facão começou aqui. Por enquanto, só os terceirizados, mas ninguém tem a ilusão de que vai parar por aí. Esse facão holandês me ensinou uma lição importantíssima para a adaptação nessas terras. Muitas vezes a gente acha que o povo daqui é frio, que não se preocupa como a gente, que o mundo está desabando e eles não estão nem aí. Essa semana vi que eles sentem como a gente, é só a reação que é outra. Acho que desde pequenos são ensinados a demonstrar menos as emoções, acabam adotando isso por hábito. Acho que um povo que passou por duas guerras mundiais, acaba criando "calo", daí o eterno "vai adiantar eu arrancar os cabelos?" que é tão diferente do nosso ( latino ) comportamento.
Um dia antes do ocorrido tive um gerente chorando na minha mesa, quem mora aqui sabe o que é pra um holandês chorar em público. E no dia da guilhotina, ao sair de uma reunião lá pelas 18:30, ouvi do lider do projeto: "É, há dois dias isso aqui estava cheio a essa hora, hoje não tem viva alma".
Foi barra e continuará sendo. Por bastante tempo.
Em casa sem novidades, ainda sem internet, sem cozinha, meio-banheiro. Neva, neva muito e minha vontade de botar o nariz pra fora e ir atrás de cortinas, lustres, etc e tal é zero. Aliás, abaixo de zero.
E o negócio é já ir preparando a mala e sonhando com o solzinho da Bahia e o feijão da minha mãe. Ahhhhhh feijão da minha mãe!!!!!
Semana passada o facão começou aqui. Por enquanto, só os terceirizados, mas ninguém tem a ilusão de que vai parar por aí. Esse facão holandês me ensinou uma lição importantíssima para a adaptação nessas terras. Muitas vezes a gente acha que o povo daqui é frio, que não se preocupa como a gente, que o mundo está desabando e eles não estão nem aí. Essa semana vi que eles sentem como a gente, é só a reação que é outra. Acho que desde pequenos são ensinados a demonstrar menos as emoções, acabam adotando isso por hábito. Acho que um povo que passou por duas guerras mundiais, acaba criando "calo", daí o eterno "vai adiantar eu arrancar os cabelos?" que é tão diferente do nosso ( latino ) comportamento.
Um dia antes do ocorrido tive um gerente chorando na minha mesa, quem mora aqui sabe o que é pra um holandês chorar em público. E no dia da guilhotina, ao sair de uma reunião lá pelas 18:30, ouvi do lider do projeto: "É, há dois dias isso aqui estava cheio a essa hora, hoje não tem viva alma".
Foi barra e continuará sendo. Por bastante tempo.
Em casa sem novidades, ainda sem internet, sem cozinha, meio-banheiro. Neva, neva muito e minha vontade de botar o nariz pra fora e ir atrás de cortinas, lustres, etc e tal é zero. Aliás, abaixo de zero.
E o negócio é já ir preparando a mala e sonhando com o solzinho da Bahia e o feijão da minha mãe. Ahhhhhh feijão da minha mãe!!!!!
terça-feira, novembro 18
Problemas Técnicos
Estou cheia deles, problemas técnicos.
Estou sem internet em casa e o explorer da empresa bloqueia gmail, portanto se alguém me escreveu, tenha paciência. A KPN conectou o telefone e a TV ( menos mau ), mas a internet necas e está sem previsão.
Meu banheiro ainda não tem pia nem box de chuveiro, mas é de todos os problemas técnicos o menos relevante.
Minha cozinha ainda está toda sem instalação, e estou comendo as maledetas comidas a vapor a mais de 1 mês. Não aguento mais, acho que estou até perdendo peso, juro. A coifa da Bosch ainda não chegou, nem o tampo de pedra.
Estamos totalmente sem cortinas, e todo mundo vê tudo que fazemos. Colocamos umas velhas no quarto de dormir, e só. Fomos ver os preços da Luxaflex, e ficaria 2 mil euros para o andar térreo apenas. Não tive coragem, pelo menos não agora com o zolder ainda por fazer, o jardim uma lástima, e essa crise que não dará tréguas por algum tempo. Vamos de qualquer coisa barata que pudermos comprar na Ikea ou outra loja qualquer.
Aqui na empresa o clima está tenso, muito tenso. Eu estou também tensa. Ninguém está livre de entrar num facão, mas ía ser muita ironia do destino se eu, que escapei de tantos no Brasil, entrasse num aqui, onde raramente há facões. Putz, o emprego dos meus sonhos, bem pago, ao lado da minha casa. Deus que me ajude.
E os EUA discutindo bailout pra indústria automobilística. Por mais que eu entenda a preocupação das famílias que dependem dessa indústria, e sabendo que só a GM deixaria mais de 2 milhões de pessoas sem trabalho ( funcionários diretos e fornecedores ), ainda penso que se ajudar um tem que ajudar todos, se ajudar a automobilística logo terão que ajudar a de bens de consumo, e a indústria farmacêutica e por aí vai. Só tem uma indústria que não vai sofrer com essa crise: fábrica de pão. Alguém aqui deixa de comprar pão ou se põe a fazer pão quando o cinto aperta? Não, né? Taí, lembram do emprego da minha ex-empregada, que empacotava pão noite afora? Imaginam ficar 8 horas em pé direto, em plena madrugada? Afemaria...
E agora é ir contando os dias para as ferias. Já até me vejo deitadinha na minha cadeira de praia, com uma batidinha na mão, um livro interessante, o calorzinho me envolvendo, aquela leseira famosa dos baianos se apoderando de mim.
Não sei se é o inverno e os dias feios, se é o cansaço mental, se é a persistente dor nas costas, essa crise ameaçando meu dream-job, ou a combinação de tudo isso, mas tá difícil sorrir e pensar que no fim tudo acaba bem. Dificílimo.
Estou sem internet em casa e o explorer da empresa bloqueia gmail, portanto se alguém me escreveu, tenha paciência. A KPN conectou o telefone e a TV ( menos mau ), mas a internet necas e está sem previsão.
Meu banheiro ainda não tem pia nem box de chuveiro, mas é de todos os problemas técnicos o menos relevante.
Minha cozinha ainda está toda sem instalação, e estou comendo as maledetas comidas a vapor a mais de 1 mês. Não aguento mais, acho que estou até perdendo peso, juro. A coifa da Bosch ainda não chegou, nem o tampo de pedra.
Estamos totalmente sem cortinas, e todo mundo vê tudo que fazemos. Colocamos umas velhas no quarto de dormir, e só. Fomos ver os preços da Luxaflex, e ficaria 2 mil euros para o andar térreo apenas. Não tive coragem, pelo menos não agora com o zolder ainda por fazer, o jardim uma lástima, e essa crise que não dará tréguas por algum tempo. Vamos de qualquer coisa barata que pudermos comprar na Ikea ou outra loja qualquer.
Aqui na empresa o clima está tenso, muito tenso. Eu estou também tensa. Ninguém está livre de entrar num facão, mas ía ser muita ironia do destino se eu, que escapei de tantos no Brasil, entrasse num aqui, onde raramente há facões. Putz, o emprego dos meus sonhos, bem pago, ao lado da minha casa. Deus que me ajude.
E os EUA discutindo bailout pra indústria automobilística. Por mais que eu entenda a preocupação das famílias que dependem dessa indústria, e sabendo que só a GM deixaria mais de 2 milhões de pessoas sem trabalho ( funcionários diretos e fornecedores ), ainda penso que se ajudar um tem que ajudar todos, se ajudar a automobilística logo terão que ajudar a de bens de consumo, e a indústria farmacêutica e por aí vai. Só tem uma indústria que não vai sofrer com essa crise: fábrica de pão. Alguém aqui deixa de comprar pão ou se põe a fazer pão quando o cinto aperta? Não, né? Taí, lembram do emprego da minha ex-empregada, que empacotava pão noite afora? Imaginam ficar 8 horas em pé direto, em plena madrugada? Afemaria...
E agora é ir contando os dias para as ferias. Já até me vejo deitadinha na minha cadeira de praia, com uma batidinha na mão, um livro interessante, o calorzinho me envolvendo, aquela leseira famosa dos baianos se apoderando de mim.
Não sei se é o inverno e os dias feios, se é o cansaço mental, se é a persistente dor nas costas, essa crise ameaçando meu dream-job, ou a combinação de tudo isso, mas tá difícil sorrir e pensar que no fim tudo acaba bem. Dificílimo.
sexta-feira, novembro 14
Minha família tem gente cretina sim
Li hoje num blog uma declaração do George Clooney dizendo que ainda nessa geração veremos o casamento gay ser aceito normalmente, e as pessoas que se opuseram a ele se sentirão tão ridículas quanto é hoje George Wallace tentando impedir o primeiro negro a entrar numa universidade americana no Alabama.
Será que isso virá ainda nessa geração?
Na minha família, especialmente do lado materno, tenho parentes gays. Homens e mulheres. Tenho um tio, o irmão mais novo da minha mãe, que já deve estar beirando os 45/50 e ainda "está no armário". Não por escolha própria, mas porque vive com a minha avó e ela não aceita. Começo dizendo que meu tio tem sim a parte de culpa dele, não pelo homossexualismo, mas por estar com 45 anos nas costas e ainda morando com a mãe. Morar com a mãe aos 45 é uma vergonha, não ser gay. Mas anyway... eu ía dizendo... Eu dizia que minha avó não aceita, mas a verdade é que ninguém da família aceita, e ficam se "escorando" na não aprovação da minha avó. "Ah, é bom mesmo ele não trazer o "amigo" aqui porque a vó não aceita". Uma ova, eles estão é aliviados de não serem confrontados com algo que eles não aprovam. Fiquei indignada quando ouvi que os dois foram a um aniversário perto da casa da minha avó e acabaram perdendo o ônibus, voltaram pra casa e tiveram que ficar na garagem sentados naquelas cadeiras de praia das 2 às 6 da manhã, porque meu tio não podia trazer "o amigo" pra casa. Que ódio gente, que vontade de sopapear a cara desse povo até cairem na real.
Eu poderia escrever um livro aqui sobre a reação da família quando nossa parenta lésbica "saiu do armário". Até FEBEM rolou, ela era menor e os pais simplesmente levaram para a FEBEM, "ó seu delegado, fica aí com ela porque ela gosta de mulher e na minha casa não!". Gente, sopapo, sopapo, muito sopapo na cara dessa gente cretina.
Essa parenta lésbica está namorando, e eu disse pra ela que quero conhecer a namorada, vira e mexe converso com a namorada no MSN e quero conhecê-la pessoalmente. Minha mãe, quando soube, disse: "que vergonha, o que é que o Bart vai pensar?". Como assim jacaré, o que é que ele vai pensar? Se ele fosse babaca de pensar qualquer coisa negativa, eu não teria casado com ele. Ué. E sopapo procê.
Fico aqui torcendo pra geração que vem atrás da nossa ser um pouco mais mente aberta. Até mesmo gente da minha geração, amigos meus, esclarecidos, tiveram reações do tipo "que feio", "precisa conhecer um cara legal pra consertar ( !?!?!? )", e coisas do gênero. Tenho que confessar que no começo é um choque. Principalmente se você é mais íntimo, porque você sabe como aquela pessoa vai enfrentar preconceito, como vai sofrer, e você vai sofrer junto. Eu sofri junto, muito. Hoje ela está feliz e eu estou feliz.
Me irrita quando ouço dizerem que a fulana ( a lésbica ) podia ser mais como a ciclana ( hetero e prima da mesma idade ). Primeiro que cada um é o que é, e segundo, que a ciclana não é nenhum modelo de comportamento. Namora um cara com quem vive brigando aos berros pela rua, a ponto do vizinho chamar a polícia ao ouvir a gritaria; viiiive endividada e cheia de papagaios - quer coisa mais humilhante do que ter dona de brechó de vila cobrando dívida na porta de casa? Não pára em um emprego, é 6 meses de trabalho e 6 meses de auxílio desemprego, diz que chefe nenhum gosta dela porque ela fala o que pensa ( posso até imaginar o que ela pensa ). Cheguei a ouvir que não sendo criminoso e drogado, qualquer coisa é melhor que ser gay. Muito, muito, muito sopapo nessa gente.
Mas sabe o que mais me irrita? São os eufemismos, se bem que sei lá se podemos chamar de eufemismo. A família toda não fala "fulana é lésbica", fala "ela é cê sabe". Ou "a fulana diz que é isso aí". E quando dizem: ah, você sabe do problema da fulana. Problema, wtf???? Ah, teu tio tem aquele amigo dele, cê sabe né?
Outro dia ouvi: até que o lado paterno da família é "melhor", não tem tanto "disso". Cumé? Não tem gay, mas tem um monte de alcoólatra, uns pares de puladores de cerca, filhos que ficam anos sem falar com os pais, até parente grávida se suicidando nos anos 50 teve.
Espero que nossa geração ensine os filhos que uma pessoa não se define pelo que ela faz dentro de um quarto com o parceiro. Vou ao Brasil e logo na primeira noite vou sair com a minha parenta e a namorada dela, não farei segredo pra família, e espero que eles vejam quão ridículos estão sendo. E se alguém falar alguma coisa, vou ter que me segurar pra não dar sopapo, muito sopapo.
Tanta coisa pra se preocupar no mundo e neguinho esquentando a cachola com pequenisse dessas.
Somos primatas meu povo, acabamos de sair do uga-buga.
Será que isso virá ainda nessa geração?
Na minha família, especialmente do lado materno, tenho parentes gays. Homens e mulheres. Tenho um tio, o irmão mais novo da minha mãe, que já deve estar beirando os 45/50 e ainda "está no armário". Não por escolha própria, mas porque vive com a minha avó e ela não aceita. Começo dizendo que meu tio tem sim a parte de culpa dele, não pelo homossexualismo, mas por estar com 45 anos nas costas e ainda morando com a mãe. Morar com a mãe aos 45 é uma vergonha, não ser gay. Mas anyway... eu ía dizendo... Eu dizia que minha avó não aceita, mas a verdade é que ninguém da família aceita, e ficam se "escorando" na não aprovação da minha avó. "Ah, é bom mesmo ele não trazer o "amigo" aqui porque a vó não aceita". Uma ova, eles estão é aliviados de não serem confrontados com algo que eles não aprovam. Fiquei indignada quando ouvi que os dois foram a um aniversário perto da casa da minha avó e acabaram perdendo o ônibus, voltaram pra casa e tiveram que ficar na garagem sentados naquelas cadeiras de praia das 2 às 6 da manhã, porque meu tio não podia trazer "o amigo" pra casa. Que ódio gente, que vontade de sopapear a cara desse povo até cairem na real.
Eu poderia escrever um livro aqui sobre a reação da família quando nossa parenta lésbica "saiu do armário". Até FEBEM rolou, ela era menor e os pais simplesmente levaram para a FEBEM, "ó seu delegado, fica aí com ela porque ela gosta de mulher e na minha casa não!". Gente, sopapo, sopapo, muito sopapo na cara dessa gente cretina.
Essa parenta lésbica está namorando, e eu disse pra ela que quero conhecer a namorada, vira e mexe converso com a namorada no MSN e quero conhecê-la pessoalmente. Minha mãe, quando soube, disse: "que vergonha, o que é que o Bart vai pensar?". Como assim jacaré, o que é que ele vai pensar? Se ele fosse babaca de pensar qualquer coisa negativa, eu não teria casado com ele. Ué. E sopapo procê.
Fico aqui torcendo pra geração que vem atrás da nossa ser um pouco mais mente aberta. Até mesmo gente da minha geração, amigos meus, esclarecidos, tiveram reações do tipo "que feio", "precisa conhecer um cara legal pra consertar ( !?!?!? )", e coisas do gênero. Tenho que confessar que no começo é um choque. Principalmente se você é mais íntimo, porque você sabe como aquela pessoa vai enfrentar preconceito, como vai sofrer, e você vai sofrer junto. Eu sofri junto, muito. Hoje ela está feliz e eu estou feliz.
Me irrita quando ouço dizerem que a fulana ( a lésbica ) podia ser mais como a ciclana ( hetero e prima da mesma idade ). Primeiro que cada um é o que é, e segundo, que a ciclana não é nenhum modelo de comportamento. Namora um cara com quem vive brigando aos berros pela rua, a ponto do vizinho chamar a polícia ao ouvir a gritaria; viiiive endividada e cheia de papagaios - quer coisa mais humilhante do que ter dona de brechó de vila cobrando dívida na porta de casa? Não pára em um emprego, é 6 meses de trabalho e 6 meses de auxílio desemprego, diz que chefe nenhum gosta dela porque ela fala o que pensa ( posso até imaginar o que ela pensa ). Cheguei a ouvir que não sendo criminoso e drogado, qualquer coisa é melhor que ser gay. Muito, muito, muito sopapo nessa gente.
Mas sabe o que mais me irrita? São os eufemismos, se bem que sei lá se podemos chamar de eufemismo. A família toda não fala "fulana é lésbica", fala "ela é cê sabe". Ou "a fulana diz que é isso aí". E quando dizem: ah, você sabe do problema da fulana. Problema, wtf???? Ah, teu tio tem aquele amigo dele, cê sabe né?
Outro dia ouvi: até que o lado paterno da família é "melhor", não tem tanto "disso". Cumé? Não tem gay, mas tem um monte de alcoólatra, uns pares de puladores de cerca, filhos que ficam anos sem falar com os pais, até parente grávida se suicidando nos anos 50 teve.
Espero que nossa geração ensine os filhos que uma pessoa não se define pelo que ela faz dentro de um quarto com o parceiro. Vou ao Brasil e logo na primeira noite vou sair com a minha parenta e a namorada dela, não farei segredo pra família, e espero que eles vejam quão ridículos estão sendo. E se alguém falar alguma coisa, vou ter que me segurar pra não dar sopapo, muito sopapo.
Tanta coisa pra se preocupar no mundo e neguinho esquentando a cachola com pequenisse dessas.
Somos primatas meu povo, acabamos de sair do uga-buga.
terça-feira, novembro 11
Pepinos
Sempre ouvi falar que à medida que envelhecem, os pais viram os filhos. Pensei que fosse demorar mais, mas minha mãe já está me dando preocupações que um filho me daria.
Eu sempre achei, e falei, que investir na bolsa, para nós pobres mortais, se faz com dinheiro da qual você não depende. Minha mãe depende do dinheirinho dela, ele fica no banco, rende, e com parte do rendimento ela vive. Aí ela fica ouvindo esse povo que se gaba de ter ganhado 10, 20, 30 tostões na bolsa, e acaba aplicando também. Só que esse povo não vive "de renda", e ela sim. Só sei que com a queda da bolsa ela tomou um baita prejuízo, e agora tá lá, chorando as pitangas, tem que deixar o dinheiro investido pra tentar recuperar alguma coisa. O gerente do banco falou que vai demorar "um pouco", ela tá lá crente que em 3 meses tem os tutus de volta, e eu SEI que em menos de 1 ano ela não vai ver tostão. Sendo otimista 2 anos.
E daí vem o segundo ponto. Ela ter parado de pagar o convênio, e agora diz que não vai nem pensar em voltar a pagar porque a renda dela está reduzida. Isso me preocupa muito, muito mesmo. Ela operou da coluna, a operação não foi bem sucedida, ela está novamente com dores e tomando corticóides. O médico está agora falando em fazer uma segunda cirurgia, complicadésima, que ela não sabe me explicar, só me diz que é para "desligar todos os nervos". Aí, ela acha que o médico vai fazer a cirurgia de graça, já que a primeira "não funcionou" e foi ele quem fez. Mesmo que o médico não cobre os honorários dele, tem o hospital, o anestesista, exames... O meu irmão, enquanto ela não vier pedir dinheiro, tá pouco se lixando, eu daqui posso fazer o quê, se ela toma todas essas decisões sem me consultar?
A mãe de uma amiga teve câncer de mama, e em 10 meses de tratamento, a conta paga pelo convênio chegou aos 170 mil reais. Minha mãe morreria, porque tanto eu quanto meu irmão não temos essa grana. Agora me pergunta se ela pensa nisso... Mas eu estou sendo repetitiva, estou aqui falando o que já falei há alguns meses.
Mas sabem o que é? Embora seja bom ir de férias para o Brasil, onde todo mundo fala a sua língua e onde sua família está, é também mergulhar nesse mar de problemas que você desconhece quando está aqui. Eu sei que eu sempre reclamo de saudade da família, mas por outro lado, estou aqui na minha "concha", protegida das mazelas familiares. Pelo menos, no lado materno da família os problemas são geralmente financeiros, o que de uma forma ou outra se ajeitam, já do lado paterno, que com exceção de 1 prima ( e a mãe dela, marido e filho ), eu estou pouco me lixando, os problemas são mais graves, muitas doenças e brigas medonhas, filho-com-pai, primo-com-prima. Esse lado da família prova que dinheiro não traz mesmo felicidade, e no caso deles, nem manda buscar.
Nesse meio tempo, passagens para a Bahia compradas, mas usando o cartão do meu irmão. Pagar com cartão internacional não deu mesmo, e como a minha mãe está em Holambra sem poder dirigir, pedi ajuda pro meu irmão.
Eu sempre achei, e falei, que investir na bolsa, para nós pobres mortais, se faz com dinheiro da qual você não depende. Minha mãe depende do dinheirinho dela, ele fica no banco, rende, e com parte do rendimento ela vive. Aí ela fica ouvindo esse povo que se gaba de ter ganhado 10, 20, 30 tostões na bolsa, e acaba aplicando também. Só que esse povo não vive "de renda", e ela sim. Só sei que com a queda da bolsa ela tomou um baita prejuízo, e agora tá lá, chorando as pitangas, tem que deixar o dinheiro investido pra tentar recuperar alguma coisa. O gerente do banco falou que vai demorar "um pouco", ela tá lá crente que em 3 meses tem os tutus de volta, e eu SEI que em menos de 1 ano ela não vai ver tostão. Sendo otimista 2 anos.
E daí vem o segundo ponto. Ela ter parado de pagar o convênio, e agora diz que não vai nem pensar em voltar a pagar porque a renda dela está reduzida. Isso me preocupa muito, muito mesmo. Ela operou da coluna, a operação não foi bem sucedida, ela está novamente com dores e tomando corticóides. O médico está agora falando em fazer uma segunda cirurgia, complicadésima, que ela não sabe me explicar, só me diz que é para "desligar todos os nervos". Aí, ela acha que o médico vai fazer a cirurgia de graça, já que a primeira "não funcionou" e foi ele quem fez. Mesmo que o médico não cobre os honorários dele, tem o hospital, o anestesista, exames... O meu irmão, enquanto ela não vier pedir dinheiro, tá pouco se lixando, eu daqui posso fazer o quê, se ela toma todas essas decisões sem me consultar?
A mãe de uma amiga teve câncer de mama, e em 10 meses de tratamento, a conta paga pelo convênio chegou aos 170 mil reais. Minha mãe morreria, porque tanto eu quanto meu irmão não temos essa grana. Agora me pergunta se ela pensa nisso... Mas eu estou sendo repetitiva, estou aqui falando o que já falei há alguns meses.
Mas sabem o que é? Embora seja bom ir de férias para o Brasil, onde todo mundo fala a sua língua e onde sua família está, é também mergulhar nesse mar de problemas que você desconhece quando está aqui. Eu sei que eu sempre reclamo de saudade da família, mas por outro lado, estou aqui na minha "concha", protegida das mazelas familiares. Pelo menos, no lado materno da família os problemas são geralmente financeiros, o que de uma forma ou outra se ajeitam, já do lado paterno, que com exceção de 1 prima ( e a mãe dela, marido e filho ), eu estou pouco me lixando, os problemas são mais graves, muitas doenças e brigas medonhas, filho-com-pai, primo-com-prima. Esse lado da família prova que dinheiro não traz mesmo felicidade, e no caso deles, nem manda buscar.
Nesse meio tempo, passagens para a Bahia compradas, mas usando o cartão do meu irmão. Pagar com cartão internacional não deu mesmo, e como a minha mãe está em Holambra sem poder dirigir, pedi ajuda pro meu irmão.
sexta-feira, novembro 7
Estou viva!
E tenho que começar meu post falando da vitória do Obama. Se ele, mulato e filho de imigrantes conseguiu chegar ao cargo de maior importância na politica mundial, nossos filhos ( se eu os tiver ), poderão tudo!
E não se ofendam, mas há um recado que eu quero dar para os negros, mulatos, crioulos, escuros, café-com-leite: oh pu-líz, vam-pará com essa auto-piedade, com essa mania de perseguição, e vamolá arregaçar a manga e botar pra quebrar. Obama não sentou às margens do rio Piedra e chorou, ele foi a luta.
Anyway. Mudamos. Foi ótimo ter contratado aquela empresa de mudança, deu até pra descansar naquele dia. Estamos ainda vivendo em meio a caixas, muitas caixas, mas os móveis estão montadinhos e no lugar. Minha cozinha ainda está inoperante, falta instalar tudo, só a geladeira funciona, com os puxadores do lado errado. Ainda não acertei a mão com limpeza de Inox, tá horrível.
A casa é incrivelmente mais prática do a anterior, há espaço pra tudo. Temos que mudar alguns hábitos e mudar coisas de lugar, mas está tudo melhor. Espero esse findi acelerar o desempacotamento, é mesmo muuuuito necessário.
Os piolhinhos deram um certo trabalho no primeiro dia. Ty chorou, chorou muito. Revoltado em não estar na casa DELE, se enfiou de volta na caixa de transporte e esperou até que o levássemos para a casa antiga, o que não aconteceu, claro. Eles também estão procurando os cantinhos novos deles...
E eu comecei a vir trabalhar de bike. Minhas costas ainda não estão recuperadas, então deram uma piorada, mas eu estou insistindo mesmo assim. Minha bunda dói incrivelmente e as pernas queimam, mas a cada dia fica um pouco mais fácil vir de casa pra cá.
No Brasil, uma agência amiga está cuidando da minha passagem pra Bahia, acho que vai dar certo. Ao invés de 1200 euros, 1300 reais! Desisti de tentar entender o turismo no nosso país.
No trabalho, uma loucura total. Várias mudanças no meu projeto, muito mais trabalho pra mim. E as medidas de contenção de despesas cada vez mais fortes e já falam em "plano social", que nada mais é do que um plano de demissão melhorada. Dizem que vão usar só caso seja muito necessário. Mas tenho que confessar duas coisas: primeiro, que me preocupa, mesmo meus colegas não estando nem aí. Segundo, que me chateia profundamente o pessimismo e às vezes a falta de coleguismo do meu marido.
Cheguei chateada em casa ontem, por ter ouvido do plano social. Contei pra ele, ele disse na lata: os últimos a chegarem são os primeiros a saírem, você vai perder seu emprego. Puta merda, assim na lata. Não podia ter guardado o comentário pra ele? Fiquei tão chateada que fui dormir antes das 9 da noite. Pra ele, é só a grana, pra mim é o meu dream-job, porque esse é o meu dream-job!
Aí cheguei ainda chateada no trabalho, e comentei que estava ligeiramente receosa com o meu mentor. Ele deu risada, disse pra eu não me preocupar, que precisava piorar muito pra chegarem à essas medidas drásticas, e que normalmente começavam pelos que já estão para se aposentar, o que aqui é um batalhão. Que caso a crise se aprofundasse ainda mais, o que é pouco provável, que demissões adicionais seriam feitas baseados em desempenho, e não num critério tão arbitrário quanto o tempo de casa.
Olha, sei lá se eu estou muito mais tranquila, mas que é muito melhor e mais produtivo ouvir algo positivo nessa hora, ah isso é.
Sinceramente, não entendo a atitude do Bart e me chateou muito. Às vezes acho que ele, mesmo sem me falar, ressente meu emprego dos sonhos, meu salário igual ao dele, minha felicidade ao chegar do trabalho todos os dias, minha empolgação com a minha empresa. Sei lá... Freud explicaria...
E não se ofendam, mas há um recado que eu quero dar para os negros, mulatos, crioulos, escuros, café-com-leite: oh pu-líz, vam-pará com essa auto-piedade, com essa mania de perseguição, e vamolá arregaçar a manga e botar pra quebrar. Obama não sentou às margens do rio Piedra e chorou, ele foi a luta.
Anyway. Mudamos. Foi ótimo ter contratado aquela empresa de mudança, deu até pra descansar naquele dia. Estamos ainda vivendo em meio a caixas, muitas caixas, mas os móveis estão montadinhos e no lugar. Minha cozinha ainda está inoperante, falta instalar tudo, só a geladeira funciona, com os puxadores do lado errado. Ainda não acertei a mão com limpeza de Inox, tá horrível.
A casa é incrivelmente mais prática do a anterior, há espaço pra tudo. Temos que mudar alguns hábitos e mudar coisas de lugar, mas está tudo melhor. Espero esse findi acelerar o desempacotamento, é mesmo muuuuito necessário.
Os piolhinhos deram um certo trabalho no primeiro dia. Ty chorou, chorou muito. Revoltado em não estar na casa DELE, se enfiou de volta na caixa de transporte e esperou até que o levássemos para a casa antiga, o que não aconteceu, claro. Eles também estão procurando os cantinhos novos deles...
E eu comecei a vir trabalhar de bike. Minhas costas ainda não estão recuperadas, então deram uma piorada, mas eu estou insistindo mesmo assim. Minha bunda dói incrivelmente e as pernas queimam, mas a cada dia fica um pouco mais fácil vir de casa pra cá.
No Brasil, uma agência amiga está cuidando da minha passagem pra Bahia, acho que vai dar certo. Ao invés de 1200 euros, 1300 reais! Desisti de tentar entender o turismo no nosso país.
No trabalho, uma loucura total. Várias mudanças no meu projeto, muito mais trabalho pra mim. E as medidas de contenção de despesas cada vez mais fortes e já falam em "plano social", que nada mais é do que um plano de demissão melhorada. Dizem que vão usar só caso seja muito necessário. Mas tenho que confessar duas coisas: primeiro, que me preocupa, mesmo meus colegas não estando nem aí. Segundo, que me chateia profundamente o pessimismo e às vezes a falta de coleguismo do meu marido.
Cheguei chateada em casa ontem, por ter ouvido do plano social. Contei pra ele, ele disse na lata: os últimos a chegarem são os primeiros a saírem, você vai perder seu emprego. Puta merda, assim na lata. Não podia ter guardado o comentário pra ele? Fiquei tão chateada que fui dormir antes das 9 da noite. Pra ele, é só a grana, pra mim é o meu dream-job, porque esse é o meu dream-job!
Aí cheguei ainda chateada no trabalho, e comentei que estava ligeiramente receosa com o meu mentor. Ele deu risada, disse pra eu não me preocupar, que precisava piorar muito pra chegarem à essas medidas drásticas, e que normalmente começavam pelos que já estão para se aposentar, o que aqui é um batalhão. Que caso a crise se aprofundasse ainda mais, o que é pouco provável, que demissões adicionais seriam feitas baseados em desempenho, e não num critério tão arbitrário quanto o tempo de casa.
Olha, sei lá se eu estou muito mais tranquila, mas que é muito melhor e mais produtivo ouvir algo positivo nessa hora, ah isso é.
Sinceramente, não entendo a atitude do Bart e me chateou muito. Às vezes acho que ele, mesmo sem me falar, ressente meu emprego dos sonhos, meu salário igual ao dele, minha felicidade ao chegar do trabalho todos os dias, minha empolgação com a minha empresa. Sei lá... Freud explicaria...
segunda-feira, novembro 3
No meio da madrugada
É minha última noite aqui nessa casa, e tudo que eu queria era deitar e dormir. No entanto, desde às 3 da madrugada estou aqui na sala, assistindo TV. Não, não é por causa de nenhum motivo emocional, oh oh oh, minha última noite aqui, bla bla bla.
Estou acordada por causa da minha dor nas costas, aquela da qual eu já falei aqui há alguns dias. Ontem, com o resto do empacotamento, o que estava "marromenos" detonou-se de vez. Estou cansada dessa dor me incomodando, e essa noite a dor estava simplesmente insuportável. Eu sou daquelas que acredita que uma compressa de água quente faz milagres, então desci para fazer uma, mas a dor só é controlável com Voltaren e hoje, no desespero, mandei um Advil junto.
Queria muito poder deitar e ficar 1 ou 2 dias só deitada, me recuperando, mas acho que isso só vai acontecer quando eu estiver no Brasil, se bem que do jeito que tá eu não aguento até lá.
Remédios caseiros, não caseiros, simpatias, ginastiquinhas ( Ioga, Alice! ) qualquer sugestão é bem vinda.
Pior é que com dor, eu fico uma pamonha, estou assistindo o Animal Channel e choraaaando...
Oh boy
Estou acordada por causa da minha dor nas costas, aquela da qual eu já falei aqui há alguns dias. Ontem, com o resto do empacotamento, o que estava "marromenos" detonou-se de vez. Estou cansada dessa dor me incomodando, e essa noite a dor estava simplesmente insuportável. Eu sou daquelas que acredita que uma compressa de água quente faz milagres, então desci para fazer uma, mas a dor só é controlável com Voltaren e hoje, no desespero, mandei um Advil junto.
Queria muito poder deitar e ficar 1 ou 2 dias só deitada, me recuperando, mas acho que isso só vai acontecer quando eu estiver no Brasil, se bem que do jeito que tá eu não aguento até lá.
Remédios caseiros, não caseiros, simpatias, ginastiquinhas ( Ioga, Alice! ) qualquer sugestão é bem vinda.
Pior é que com dor, eu fico uma pamonha, estou assistindo o Animal Channel e choraaaando...
Oh boy
domingo, novembro 2
Arrependida...
Estou arrependida, muito arrependida dessa viagem de férias pra o Brasil.
Meu saco está na Luaaaaa...
Hotel, tive que reservar daqui porque era a metade do preço, agora entro no site da TAM, escolho minha passagem, preencho mil campos, aliás, que vergonha - precisa mesmo CPF, Identidade, tudo isso pra pagar com Cartão de Crédito? Se a administradora autoriza a transação, número de mil documentos pra que? Então, preencho os mil campos e não me deixa pagar com cc internacional.
Vou lá em cima e clico na opção "Espanha", porque Holanda não tem, o do Reino Unido é em Pounds, vou de Espanha mesmo. A passagem que era 259 passou para 267, mas peraê, os 259 eram reais e os 267 são euros, como pode? Que bandalheira é essa?
Agora me restará apelar para uma agência amiga, ou então mandar dinheiro pra minha mãe.
Estou arrependida, mil vezes arrependida, e tão cedo não volto!
Meu saco está na Luaaaaa...
Hotel, tive que reservar daqui porque era a metade do preço, agora entro no site da TAM, escolho minha passagem, preencho mil campos, aliás, que vergonha - precisa mesmo CPF, Identidade, tudo isso pra pagar com Cartão de Crédito? Se a administradora autoriza a transação, número de mil documentos pra que? Então, preencho os mil campos e não me deixa pagar com cc internacional.
Vou lá em cima e clico na opção "Espanha", porque Holanda não tem, o do Reino Unido é em Pounds, vou de Espanha mesmo. A passagem que era 259 passou para 267, mas peraê, os 259 eram reais e os 267 são euros, como pode? Que bandalheira é essa?
Agora me restará apelar para uma agência amiga, ou então mandar dinheiro pra minha mãe.
Estou arrependida, mil vezes arrependida, e tão cedo não volto!
sábado, novembro 1
Verdade seja dita...
Olho ao meu redor e não entendo de onde saiu tantas coisas. Lembro que nossa mudança do apê pra cá foi feita com 10 caixas da Praxis e uns outros 10 sacos pretos, que no desespero tivemos que usar.
Dessa vez contratamos uma empresa de mudança. A melhor decisão do ano! Eles vieram e trouxeram 100 caixas, isso mesmo 100! Eu disse pro cara levar a metade de volta, ele disse que se sobrasse eles transportariam, mas que eles tinham estimado nosso volume em 100 caixas.
Estamos praticamente empacotados. Falta o armário do banheiro, umas coisas mínimas na sala, e a casinha do jardim. Estou achando que vai faltar caixa! Juro gente! De onde saiu tanta coisa? Como podemos acumular tanta tranqueira? É árvore de natal gigantesca usada só uma vez com uma caixa enorme de enfeites, o sobe-sobe dos gatos todo esfiapadinho, que já devia ter ido pro lixão, e tanta, tanta coisa... Uma caixa imensa de roupas que eu trouxe do Brasil e não me cabem mais! Agora mesmo que um milagre acontecesse e coubessem já estão fora de moda!
E nessa bagunça toda, tenho que confessar uma coisa. Bart está ralando muito muito muito, tá empacotando muito mais do que eu. Estávamos até hoje num estresse só, praticamente sem nos falar, que era cruzar o olhar e saía briga. Na sexta recebemos os eletrodomésticos, são lindos de morrer, mas que estresse desgraçado. Brigamos, claro. Voltei ao trabalho, ele resolveu tirar o dia livre. De tarde, antes de voltar pra casa resolvi passar na casa nova: ele colocou uma pilha gigantesca de embalagens todas num canto pra serem levadas pelos homens da mudança, colocou os eletrodomésticos nos lugares certos, passou aspirador de pó na casa inteira... Cheguei lá esperando a mesma zona que deixei e encontrei tudo limpinho, certinho.
Fiquei até com remorsos...
Dessa vez contratamos uma empresa de mudança. A melhor decisão do ano! Eles vieram e trouxeram 100 caixas, isso mesmo 100! Eu disse pro cara levar a metade de volta, ele disse que se sobrasse eles transportariam, mas que eles tinham estimado nosso volume em 100 caixas.
Estamos praticamente empacotados. Falta o armário do banheiro, umas coisas mínimas na sala, e a casinha do jardim. Estou achando que vai faltar caixa! Juro gente! De onde saiu tanta coisa? Como podemos acumular tanta tranqueira? É árvore de natal gigantesca usada só uma vez com uma caixa enorme de enfeites, o sobe-sobe dos gatos todo esfiapadinho, que já devia ter ido pro lixão, e tanta, tanta coisa... Uma caixa imensa de roupas que eu trouxe do Brasil e não me cabem mais! Agora mesmo que um milagre acontecesse e coubessem já estão fora de moda!
E nessa bagunça toda, tenho que confessar uma coisa. Bart está ralando muito muito muito, tá empacotando muito mais do que eu. Estávamos até hoje num estresse só, praticamente sem nos falar, que era cruzar o olhar e saía briga. Na sexta recebemos os eletrodomésticos, são lindos de morrer, mas que estresse desgraçado. Brigamos, claro. Voltei ao trabalho, ele resolveu tirar o dia livre. De tarde, antes de voltar pra casa resolvi passar na casa nova: ele colocou uma pilha gigantesca de embalagens todas num canto pra serem levadas pelos homens da mudança, colocou os eletrodomésticos nos lugares certos, passou aspirador de pó na casa inteira... Cheguei lá esperando a mesma zona que deixei e encontrei tudo limpinho, certinho.
Fiquei até com remorsos...
sexta-feira, outubro 31
Promessas de ano novo em outubro
Eu queria muito, muito, muito, achar um psicólogo milagroso que me explicasse porque eu sou tão tinhosa quando quero muito uma coisa, mas tão preguiçosa quando "preciso" de uma coisa. Vocês sabem que querer é muito diferente de precisar, né? Eu queria muito um emprego aqui, por isso aguentei 18 meses daquela maratona de trem, eu preciso me exercitar mais, mas estou dizendo isso a 6 ( ou 35 ) anos, sem tomar nenhuma medida concreta.
Eu tenho mil "doenças" decorrentes da falta de exercício. Digo doença entre aspas porque não é DOEEENÇA é aquelas coisinhas que te incomodam. Minha coluna é feita de palha, que nem a casa de um dos três porquinhos, e qualquer coisinha tá me incomodando. O final de semana passado foi power, com tanto empacotamento da casa. Essa semana fui parar no huisarts, mal podia andar, se eu me abaixasse saíam até lágrimas dos olhos. A dor melhorou, mas continua aquela coisa me incomodando, 24/7, a cada mexida uma fisgada, é de enlouquecer. Estou ultra ranzinza, ultra mesmo, e estou vendo minhas coisas aqui no trabalho acumulando e acumulando e eu sem conseguir me concentrar. Isso sem falar que o remédio que me deram me dá sono, muito muito sono. Quero ir pra casa!
Tempos ultra bicudos se aproximando de todos nós. Na minha empresa, estão cortando todos os gastos possíveis e imagináveis. Meu curso de holandês foi cortado. As plantas do escritório que eram alugadas serão devolvidas amanhã. Os temporários estão indo pra casa. Férias mandatórias no fim do ano. Todas as viagens de trabalho tem que ser aprovada pelo diretorzão, e ele veta quase todas. Vagas abertas canceladas. Aliás, ontem veio um fornecedor de serviços de engenharia aqui, há 2 semanas ele tinha 1 time de engenheiros disponível, agora tem 4, todos dispensados por empresas automotivas. E dizem que o pior da crise ainda não chegou.
Mêda, muita mêda...
E vocês povo, estão notando esse tipo de coisa na empresa de vocês? O que a empresa produz? Em que país?
Essa é a hora para nos segurarmos nas nossas cadeiras, de engolir sapo, de ser só sorrisos para o chefe... E trabalhar moooito, claro.
Nunca vi facão holandês, e espero morrer sem ver. Bate na madeira três vezes!
Eu tenho mil "doenças" decorrentes da falta de exercício. Digo doença entre aspas porque não é DOEEENÇA é aquelas coisinhas que te incomodam. Minha coluna é feita de palha, que nem a casa de um dos três porquinhos, e qualquer coisinha tá me incomodando. O final de semana passado foi power, com tanto empacotamento da casa. Essa semana fui parar no huisarts, mal podia andar, se eu me abaixasse saíam até lágrimas dos olhos. A dor melhorou, mas continua aquela coisa me incomodando, 24/7, a cada mexida uma fisgada, é de enlouquecer. Estou ultra ranzinza, ultra mesmo, e estou vendo minhas coisas aqui no trabalho acumulando e acumulando e eu sem conseguir me concentrar. Isso sem falar que o remédio que me deram me dá sono, muito muito sono. Quero ir pra casa!
Tempos ultra bicudos se aproximando de todos nós. Na minha empresa, estão cortando todos os gastos possíveis e imagináveis. Meu curso de holandês foi cortado. As plantas do escritório que eram alugadas serão devolvidas amanhã. Os temporários estão indo pra casa. Férias mandatórias no fim do ano. Todas as viagens de trabalho tem que ser aprovada pelo diretorzão, e ele veta quase todas. Vagas abertas canceladas. Aliás, ontem veio um fornecedor de serviços de engenharia aqui, há 2 semanas ele tinha 1 time de engenheiros disponível, agora tem 4, todos dispensados por empresas automotivas. E dizem que o pior da crise ainda não chegou.
Mêda, muita mêda...
E vocês povo, estão notando esse tipo de coisa na empresa de vocês? O que a empresa produz? Em que país?
Essa é a hora para nos segurarmos nas nossas cadeiras, de engolir sapo, de ser só sorrisos para o chefe... E trabalhar moooito, claro.
Nunca vi facão holandês, e espero morrer sem ver. Bate na madeira três vezes!
quarta-feira, outubro 29
Hum mil cruzeiros
Oi povo! Boa a discussão do post anterior, mas vamos arranjando contas no google ( duvido que exista ainda quem não tenha ) porque semana que vem, os comentários só serão permitidos para quem tiver cadastrado. A opção de "anônimo" estava aberta para facilitar a vida de quem não quer ficar logando toda vez que quer comentar, e não pra facilitar a baderna. No post de ontem, não sei que anônimo é quem.
Anyway...
Estou com preguiça de dar minha opinião e sinceramente o assunto deu o que tinha que dar, só digo que gosto muito da Ana, que é inteligentíssima, e cujas idéias normalmente eu compartilho, mas dessa vez faço das palavras da Pacamanca minhas palavras. E só.
"Cunversinha" de corredor: cêis viram o bafão da Luana Piovani? Então o Dado tentou dar uns safanões nela e acabou quebrando os braços da camareira? Geeente! É por isso que eu sempre quis passar longe de fulano com cara de bad boy, normalmente o cara é badboy mesmo!!! Mas como ela mesma diz no blog dela, se livrou de boa! Ninguém, nem a insuportável da Piovani, merece levar safanões de namorado / noivo / tico-tico-no-fubá safado. Mas eu tenho que perguntar: pô Luana, Dado Dollabela???? Seriously??? Nem que fosse o melhor sexo do universo. Seriously!!!!
Aliás, falando em brasileiros e Brasil, Denise do SdE está por lá e anda dando preços de roupinhas, minhanossasenhora, SP tá assim também? 105 tutus brasileiros por um vestidinho de C&A? Seriously???? E Havaianinhas, tá essa facada também, hein? Bart sempre que vai ao Brasil quer comprar sapatos na Samello, ele ama. Há dois anos, o par custou R$ 375, quanto estará esse ano? Mil tutus? Ah, e brasileiros ainda escrevem hum mil reais em cheque? Eu adorava quando via meu pai escrever hum mil cruzeiros quando eu era pequena, achava que ele não sabia que um era um. :o)
Anyway...
Estou com preguiça de dar minha opinião e sinceramente o assunto deu o que tinha que dar, só digo que gosto muito da Ana, que é inteligentíssima, e cujas idéias normalmente eu compartilho, mas dessa vez faço das palavras da Pacamanca minhas palavras. E só.
"Cunversinha" de corredor: cêis viram o bafão da Luana Piovani? Então o Dado tentou dar uns safanões nela e acabou quebrando os braços da camareira? Geeente! É por isso que eu sempre quis passar longe de fulano com cara de bad boy, normalmente o cara é badboy mesmo!!! Mas como ela mesma diz no blog dela, se livrou de boa! Ninguém, nem a insuportável da Piovani, merece levar safanões de namorado / noivo / tico-tico-no-fubá safado. Mas eu tenho que perguntar: pô Luana, Dado Dollabela???? Seriously??? Nem que fosse o melhor sexo do universo. Seriously!!!!
Aliás, falando em brasileiros e Brasil, Denise do SdE está por lá e anda dando preços de roupinhas, minhanossasenhora, SP tá assim também? 105 tutus brasileiros por um vestidinho de C&A? Seriously???? E Havaianinhas, tá essa facada também, hein? Bart sempre que vai ao Brasil quer comprar sapatos na Samello, ele ama. Há dois anos, o par custou R$ 375, quanto estará esse ano? Mil tutus? Ah, e brasileiros ainda escrevem hum mil reais em cheque? Eu adorava quando via meu pai escrever hum mil cruzeiros quando eu era pequena, achava que ele não sabia que um era um. :o)
segunda-feira, outubro 27
Viraodisco
Sábado vi uma matéria na CNN sobre o cinema brasileiro. Eles mostraram vários filmes recentes, inclusive o 174 alguma coisa, que está concorrendo ao Oscar de filme estrangeiro. TODOS os filmes mostrados se passam no RJ, todos nas favelas ( apesar do 174 ser dentro de um ônibus ). Falam das favelas controladas pelos traficantes, da polícia corrupta, dos tiroteios, de como até os cineastas tiveram que fazer acordo com os traficantes, sinceramente, um horror.
A única parte que não fala da violência, fala dos bailes funk, e mostram os Mc's da vida e suas mulheres fruta, e o segmento só vem a reforçar a impressão de que no Brasil somos todos pobres, super-sexuados, incultos.
Aí eu pergunto: essa imagem que o cinema brasileiro mostra no estrangeiro ajuda a quem? Só mesmo aos cineastas que enchem os burros de grana com esses filmes que vendem no exterior. Ou então a sei lá que ministro da cultura que enche a boca pra falar que nunca se produziu tanto no cinema nacional. Porque de resto, só prejudica e muito, muito muito mesmo, a imagem do Brasil e dos brasileiros.
Nos negócios, fica todo investidor com medo. Não irei longe, tenho um colega que está começando negócios com uma empresa de Joinville - SC, ele viu Cidade de Deus e ficou apavorado, veio me perguntar se o Brasil era todo daquele jeito, se era seguro investir milhões numa empresa que tem que operar num esquema daqueles, e que ele não iria fazer viagens de negócios ao Brasil. Tive que explicar, com muita dificuldade, que focinho de porco não é tomada.
É prejudicial ao turismo, afinal quem quer ser sequestrado dentro de ônibus? A Thompson, maior agência de turismo inglesa, confirmou esse mês que cancelou a Bahia da lista de destinos oferecidos, e está reconsiderando outros roteiros, devido à baixa procura. Destinos como Fortaleza e Natal, paraíso da gringaiada caçando "namorada" também estão ameaçados. Preciso dizer mais? Sem operadora que organize pacote turistico completo, o turismo internacional no Brasil vai cair muito, gringo gosta de pacote turístico, não de turismo independente.
É terrível para os brasileiros vivendo no exterior, só prejudica a imagem profissional de todos nós, sem falar que nós mulheres temos que viver com o preconceito de que somos todas "mulheres melancias" ou sei lá que fruta é a mulher da hora.
Revoltante, revoltante, revoltante. Central do Brasil mostrou a pobreza, mas pelo menos de uma forma mais poética, e mostra o brasileiro humilde porém "quase honesto". Quando é que esses cineastas vão parar de ser oportunistas e vão mostrar que também conseguem fazer cinema sem apelar para o batido tema "em uma favela do Rio"? Viraodisco aê, meu.
E pegando carona na bronca acima...
Vocês já notaram que eu tenho o dom de conhecer solteiros carentes, e que vêm meio que "choramingar" sua solidão pra mim. Estou começando a achar que é meio que uma indireta para eu apresentar uma eventual amiga brasileira. Whatever...
No sábado eu fui na loja pegar o "banheirista" pra medir meu box, já que minha casa fica numa rua que ainda não existe em mapa nenhum. Nosso "banheirista" é sócio da loja. Ele estava me contando que há 7 anos ele se separou ( ele deve ter uns 40 anos ), e que ele estava bem chateado, deprimido, e um amigo o convidou para ir passar uma semana em Fortaleza. Porque será, hein? Então... Segundo ele, o amigo vai sempre para Fortaleza e disse que lá se curam todas as dores de amor. Segundo o banheirista, sem detalhar as razões, aquela foi a melhor semana da vida dele. Porque será, hein? (2)
E para completar...
Hoje estive numa reunião com um fornecedor que acabou de chegar do Brasil. Ele disse que gostou muito da viagem, que fez muitas compras, mas me perguntou uma coisa muito interessante:
- Adriaaaana, o que me incomodou é que eu vi tanta gente pobre e crianças pedindo comida no semáforo, enquanto tantos outros comem até passar mal no rodízio. Como é que vocês brasileiros conseguem conviver com essa situação, não dá indigestão no rodízio?
É, gringo, boa pergunta...
A única parte que não fala da violência, fala dos bailes funk, e mostram os Mc's da vida e suas mulheres fruta, e o segmento só vem a reforçar a impressão de que no Brasil somos todos pobres, super-sexuados, incultos.
Aí eu pergunto: essa imagem que o cinema brasileiro mostra no estrangeiro ajuda a quem? Só mesmo aos cineastas que enchem os burros de grana com esses filmes que vendem no exterior. Ou então a sei lá que ministro da cultura que enche a boca pra falar que nunca se produziu tanto no cinema nacional. Porque de resto, só prejudica e muito, muito muito mesmo, a imagem do Brasil e dos brasileiros.
Nos negócios, fica todo investidor com medo. Não irei longe, tenho um colega que está começando negócios com uma empresa de Joinville - SC, ele viu Cidade de Deus e ficou apavorado, veio me perguntar se o Brasil era todo daquele jeito, se era seguro investir milhões numa empresa que tem que operar num esquema daqueles, e que ele não iria fazer viagens de negócios ao Brasil. Tive que explicar, com muita dificuldade, que focinho de porco não é tomada.
É prejudicial ao turismo, afinal quem quer ser sequestrado dentro de ônibus? A Thompson, maior agência de turismo inglesa, confirmou esse mês que cancelou a Bahia da lista de destinos oferecidos, e está reconsiderando outros roteiros, devido à baixa procura. Destinos como Fortaleza e Natal, paraíso da gringaiada caçando "namorada" também estão ameaçados. Preciso dizer mais? Sem operadora que organize pacote turistico completo, o turismo internacional no Brasil vai cair muito, gringo gosta de pacote turístico, não de turismo independente.
É terrível para os brasileiros vivendo no exterior, só prejudica a imagem profissional de todos nós, sem falar que nós mulheres temos que viver com o preconceito de que somos todas "mulheres melancias" ou sei lá que fruta é a mulher da hora.
Revoltante, revoltante, revoltante. Central do Brasil mostrou a pobreza, mas pelo menos de uma forma mais poética, e mostra o brasileiro humilde porém "quase honesto". Quando é que esses cineastas vão parar de ser oportunistas e vão mostrar que também conseguem fazer cinema sem apelar para o batido tema "em uma favela do Rio"? Viraodisco aê, meu.
E pegando carona na bronca acima...
Vocês já notaram que eu tenho o dom de conhecer solteiros carentes, e que vêm meio que "choramingar" sua solidão pra mim. Estou começando a achar que é meio que uma indireta para eu apresentar uma eventual amiga brasileira. Whatever...
No sábado eu fui na loja pegar o "banheirista" pra medir meu box, já que minha casa fica numa rua que ainda não existe em mapa nenhum. Nosso "banheirista" é sócio da loja. Ele estava me contando que há 7 anos ele se separou ( ele deve ter uns 40 anos ), e que ele estava bem chateado, deprimido, e um amigo o convidou para ir passar uma semana em Fortaleza. Porque será, hein? Então... Segundo ele, o amigo vai sempre para Fortaleza e disse que lá se curam todas as dores de amor. Segundo o banheirista, sem detalhar as razões, aquela foi a melhor semana da vida dele. Porque será, hein? (2)
E para completar...
Hoje estive numa reunião com um fornecedor que acabou de chegar do Brasil. Ele disse que gostou muito da viagem, que fez muitas compras, mas me perguntou uma coisa muito interessante:
- Adriaaaana, o que me incomodou é que eu vi tanta gente pobre e crianças pedindo comida no semáforo, enquanto tantos outros comem até passar mal no rodízio. Como é que vocês brasileiros conseguem conviver com essa situação, não dá indigestão no rodízio?
É, gringo, boa pergunta...
domingo, outubro 26
sexta-feira, outubro 24
Insônia
Que agonia, é uma da madrugada e eu acordada...
É tanta preocupação na cabeça, o empacotamento da casa, os eletrodomésticos que ainda não chegaram, os preparativos na casa nova.
Gostaria de estar curtindo a casa melhor, mas entre um emprego pegando fogo, o tal cansaço descomunal e um marido que reclama de absolutamente tudo, acabo ficando dias sem ir até lá.
Hoje terminaram de instalar a cozinha. Está ficando muito legal, mas ao mesmo tempo, há que se ter paciência. Comprar casa zero é assim, encontrar não sei de onde um saco de paciência. Se você for do tipo de pessoa que exige que tudo fique do exato jeito que você planejou, casa "nieuwbouw" ( recém construída ) não é para você.
Nós escolhemos os móveis brancos bem neutrozinhos, o que dá o toque especial no nosso projeto são os eletrodomésticos, todos de inox e o fogão SMEG design. Entretanto, os eletrodomésticos ainda não chegaram, logo o "tchan factor" não está lá. Tem também a pedra dos tampos, granito preto pra realçar, ainda não chegou e a empresa de montagem coloca um madeirite do mais vagabundo e horroroso, o que também não colabora para o tchan factor.
E a paciência... Eu queria armários que fossem até o teto. A Ikea vende os móveis compridões e um tipo de rodapé no teto, para tapar eventuais vãos. Acontece que nossa casa é inteirinha 15 cm mais alta que o padrão, então o tal rodapé de teto não fecha o vão, e se a gente colocar outro rodapé mais largo vai ficar estranho, aquela faixona lá em cima. Ainda assim, ficou bem bonito, e foi por isso que decidimos deixar como está, mas está diferente do planejado.
E claro que tem tomadas fora do lugar, buracos para exaustor de ar que não existem, a parede sem azulejos, mil coisas pra ir atrás e decidir.
Mudar com a casa prontinha? Nem em sonho.
E olha, é isso que me cansa nessa terra, é isso que me deixa desmotivada e me faz pensar que ainda vivemos na era medieval. Nada aqui é simples ou fácil. Me digam se consigo achar um instalador de eletrodomésticos para fazer a instalação do gás do fogão? Ou alguém pra fazer o tal buraco na parede? Vejam o cúmulo da falta de serviço: minha moteeenha teve um pneu furado, ligo pra assistência pra buscarem-na e só faziam isso das 11 às 12, ou seja, eu teria que sair do trabalho pra consertar um pneu. Aí comprei um spray que incha o pneu e a idéia era ir até a loja, mas a loja abre as 9 e fecha às 5, ou seja, acabei tendo que sair mais cedo pra ir consertar pneu. O fim da picada! E pensam que a história acabou? Só posso retirar a moteeenha das 5 as 9, ou seja, vai ficar lá até sábado.
Vou dormir porque a ranzinzisse chegou, mas gente, sério mesmo, viver nessa terra do contra vai encurtar minha vida, sem falar em todas as rugas e pés-de-galinha.
É tanta preocupação na cabeça, o empacotamento da casa, os eletrodomésticos que ainda não chegaram, os preparativos na casa nova.
Gostaria de estar curtindo a casa melhor, mas entre um emprego pegando fogo, o tal cansaço descomunal e um marido que reclama de absolutamente tudo, acabo ficando dias sem ir até lá.
Hoje terminaram de instalar a cozinha. Está ficando muito legal, mas ao mesmo tempo, há que se ter paciência. Comprar casa zero é assim, encontrar não sei de onde um saco de paciência. Se você for do tipo de pessoa que exige que tudo fique do exato jeito que você planejou, casa "nieuwbouw" ( recém construída ) não é para você.
Nós escolhemos os móveis brancos bem neutrozinhos, o que dá o toque especial no nosso projeto são os eletrodomésticos, todos de inox e o fogão SMEG design. Entretanto, os eletrodomésticos ainda não chegaram, logo o "tchan factor" não está lá. Tem também a pedra dos tampos, granito preto pra realçar, ainda não chegou e a empresa de montagem coloca um madeirite do mais vagabundo e horroroso, o que também não colabora para o tchan factor.
E a paciência... Eu queria armários que fossem até o teto. A Ikea vende os móveis compridões e um tipo de rodapé no teto, para tapar eventuais vãos. Acontece que nossa casa é inteirinha 15 cm mais alta que o padrão, então o tal rodapé de teto não fecha o vão, e se a gente colocar outro rodapé mais largo vai ficar estranho, aquela faixona lá em cima. Ainda assim, ficou bem bonito, e foi por isso que decidimos deixar como está, mas está diferente do planejado.
E claro que tem tomadas fora do lugar, buracos para exaustor de ar que não existem, a parede sem azulejos, mil coisas pra ir atrás e decidir.
Mudar com a casa prontinha? Nem em sonho.
E olha, é isso que me cansa nessa terra, é isso que me deixa desmotivada e me faz pensar que ainda vivemos na era medieval. Nada aqui é simples ou fácil. Me digam se consigo achar um instalador de eletrodomésticos para fazer a instalação do gás do fogão? Ou alguém pra fazer o tal buraco na parede? Vejam o cúmulo da falta de serviço: minha moteeenha teve um pneu furado, ligo pra assistência pra buscarem-na e só faziam isso das 11 às 12, ou seja, eu teria que sair do trabalho pra consertar um pneu. Aí comprei um spray que incha o pneu e a idéia era ir até a loja, mas a loja abre as 9 e fecha às 5, ou seja, acabei tendo que sair mais cedo pra ir consertar pneu. O fim da picada! E pensam que a história acabou? Só posso retirar a moteeenha das 5 as 9, ou seja, vai ficar lá até sábado.
Vou dormir porque a ranzinzisse chegou, mas gente, sério mesmo, viver nessa terra do contra vai encurtar minha vida, sem falar em todas as rugas e pés-de-galinha.
quarta-feira, outubro 22
Yes, nós te(re)mos bananas...
Meu povo, desempaquei as férias! Aleluia, aleluia, aleluia! O negócio agora é correr para a agência porque o go ahead do Bart eu já tenho!
Prestem atenção, prestem muito bem muita atenção, essa que vos fala vai ficar 14 - QUARTORZE - dias lagarteando sob o sol da Bahia, no Iberostar Bahia em Praia do Forte. Eu sei que 14 dias é uma overdose de Praia do Forte, mas quero aproveitar muito o hotel, então sairemos um dia, descansaremos um dia.
Aqueles que não gostam de praia devem estar fazendo o sinal da cruz nesse momento, mas lembrem-se de que para mim, férias tem que ser praia, e que cada dia de férias fora da praia é um dia praticamente perdido para mim. E graças a Deus, Bart também adora.
Já temos uma listinha de coisas pra fazer, ir à Salvador ver dona Banana ( o resto é secundário ), fazer snorkeling nas piscinas naturais perto do hotel, ver tartaruga marinha, baleia Jubarte, passear de buggy nas praias da região, e loucura: ir até Mangue Seco em Sergipe, um passeio que começa num ônibus, depois pegamos um buggy, atravessamos um rio de balsinha-nordestina ( umas tábuas pregadas empurradas por um tiozinho ), percorremos as dunas onde Tieta foi filmado (a), paramos para comer e nadar na praia, e fazemos tudo isso de volta. Aliás, quem já foi e tem sugestões, mande ver!
Agora quero a opinião de vocês pra uma coisa: vocês acham que gringo é mais bem tratado do que brasileiros em hotéis no Brasil? Eu estou comprando o pacote pela TUI alemã, porque é o único que vende as suítes com vista para o mar, o preço é 15 euros a mais por dia, mas o quarto é maior e tem vista para o mar. Liguei para a CVC no Brasil para ver o preço por lá, já que o euro está em alta, mas eles não estão autorizados à vender essas suítes com vista. Aí eu escarafunchei a internet, e vi que só os operadores alemães vendem esse tipo de quarto. No orkut, várias pessoas dizem que em resorts brasileiros, a preferência pela gringaiada é tamanha, que até a toalha deles é mais felpuda, o que eu acho um absurdo de exagero, mas será que é verdade? Nas vezes anteriores que eu fui ao Brasil, apesar de chegar com o voucher holandês, eu já fui falando português, será que me deram um quarto inferior por causa disso? Os alemães são conhecidos por serem exigentes com hotéis, mas não gosto do fato de um hotel brasileiro vender as melhores suítes só para eles. Bart perguntou: vamos ficar rodeados de krautz?
Gente, como eu amo preparar viagem para a praia! Separar minhas saidinhas de praia, cangas, biquinis / maiôs. Adriana usa maiô, que brega! Claro que uso! Só fica bem de biquini que está super em forma, ou no máximo com umas pouquíssimas gordurinhas a mais, que são desfarçáveis com o modelo certo de biquini. Quem está fora de forma fica SEMPRE feia de biquini. Aí entra o seu "tô nem aí", então se você "não tá nem aí" e que se ferre o que os outros acham das suas banhas expostas, ninguém paga suas contas mesmo, então coloque o seu e viva o sol e a caipirinha. Entretanto, o meu "não tô nem aí" é relativo. Sou gorda, paciência. Não vou ficar me torturando, me sentindo o cocô da pulga do cavalo do bandido e deixar de aproveitar minhas férias. Eu sou gorda, Dita é nariguda, Cida tem as pernas tortas, Nena é orelhuda, e o mundo segue adiante, nem todo mundo é Gisele Bunchen. E sendo gorda, e como todos os gordos, SEMPRE fico melhor de maiô. Não compro modelos da vovó, como sou grande na bunda e não no peito, sempre compro maiôs com decotes bonitos ou tomara-que-caia, aqui na Europa, onde é comum usar "tankini" ( calcinha de biquini maiorzinha com camisetinha curta ) eu aproveito para usá-los, mas biquini, deixo pras magrinhas.
Mas então, os preparativos… Protetor solar daqui, porque são mais baratos e tem mais variedade. Esse ano vou comprar alguns em spray. Cangas, e preciso renovar meu estoque. Me disseram que uma canga está custando 35 reais, sou do tempo que se custasse mais de 10, a gente não comprava. Empacotarei uma havaianinha só, quero comprar mais duas lá. Ai ai ai. Sol, praia, português… que felicidade!
Prestem atenção, prestem muito bem muita atenção, essa que vos fala vai ficar 14 - QUARTORZE - dias lagarteando sob o sol da Bahia, no Iberostar Bahia em Praia do Forte. Eu sei que 14 dias é uma overdose de Praia do Forte, mas quero aproveitar muito o hotel, então sairemos um dia, descansaremos um dia.
Aqueles que não gostam de praia devem estar fazendo o sinal da cruz nesse momento, mas lembrem-se de que para mim, férias tem que ser praia, e que cada dia de férias fora da praia é um dia praticamente perdido para mim. E graças a Deus, Bart também adora.
Já temos uma listinha de coisas pra fazer, ir à Salvador ver dona Banana ( o resto é secundário ), fazer snorkeling nas piscinas naturais perto do hotel, ver tartaruga marinha, baleia Jubarte, passear de buggy nas praias da região, e loucura: ir até Mangue Seco em Sergipe, um passeio que começa num ônibus, depois pegamos um buggy, atravessamos um rio de balsinha-nordestina ( umas tábuas pregadas empurradas por um tiozinho ), percorremos as dunas onde Tieta foi filmado (a), paramos para comer e nadar na praia, e fazemos tudo isso de volta. Aliás, quem já foi e tem sugestões, mande ver!
Agora quero a opinião de vocês pra uma coisa: vocês acham que gringo é mais bem tratado do que brasileiros em hotéis no Brasil? Eu estou comprando o pacote pela TUI alemã, porque é o único que vende as suítes com vista para o mar, o preço é 15 euros a mais por dia, mas o quarto é maior e tem vista para o mar. Liguei para a CVC no Brasil para ver o preço por lá, já que o euro está em alta, mas eles não estão autorizados à vender essas suítes com vista. Aí eu escarafunchei a internet, e vi que só os operadores alemães vendem esse tipo de quarto. No orkut, várias pessoas dizem que em resorts brasileiros, a preferência pela gringaiada é tamanha, que até a toalha deles é mais felpuda, o que eu acho um absurdo de exagero, mas será que é verdade? Nas vezes anteriores que eu fui ao Brasil, apesar de chegar com o voucher holandês, eu já fui falando português, será que me deram um quarto inferior por causa disso? Os alemães são conhecidos por serem exigentes com hotéis, mas não gosto do fato de um hotel brasileiro vender as melhores suítes só para eles. Bart perguntou: vamos ficar rodeados de krautz?
Gente, como eu amo preparar viagem para a praia! Separar minhas saidinhas de praia, cangas, biquinis / maiôs. Adriana usa maiô, que brega! Claro que uso! Só fica bem de biquini que está super em forma, ou no máximo com umas pouquíssimas gordurinhas a mais, que são desfarçáveis com o modelo certo de biquini. Quem está fora de forma fica SEMPRE feia de biquini. Aí entra o seu "tô nem aí", então se você "não tá nem aí" e que se ferre o que os outros acham das suas banhas expostas, ninguém paga suas contas mesmo, então coloque o seu e viva o sol e a caipirinha. Entretanto, o meu "não tô nem aí" é relativo. Sou gorda, paciência. Não vou ficar me torturando, me sentindo o cocô da pulga do cavalo do bandido e deixar de aproveitar minhas férias. Eu sou gorda, Dita é nariguda, Cida tem as pernas tortas, Nena é orelhuda, e o mundo segue adiante, nem todo mundo é Gisele Bunchen. E sendo gorda, e como todos os gordos, SEMPRE fico melhor de maiô. Não compro modelos da vovó, como sou grande na bunda e não no peito, sempre compro maiôs com decotes bonitos ou tomara-que-caia, aqui na Europa, onde é comum usar "tankini" ( calcinha de biquini maiorzinha com camisetinha curta ) eu aproveito para usá-los, mas biquini, deixo pras magrinhas.
Mas então, os preparativos… Protetor solar daqui, porque são mais baratos e tem mais variedade. Esse ano vou comprar alguns em spray. Cangas, e preciso renovar meu estoque. Me disseram que uma canga está custando 35 reais, sou do tempo que se custasse mais de 10, a gente não comprava. Empacotarei uma havaianinha só, quero comprar mais duas lá. Ai ai ai. Sol, praia, português… que felicidade!
segunda-feira, outubro 20
As malemolengas, agora com mais tempo!
Vocês sabem que eu sou totalmente contra "faça-você-mesmo", né? Demora milênios, é aquela lambança, e nem sempre, dependendo da complexidade da tarefa, fica bom.
A colocação do meu laminado na casa atual foi aquele drama, vocês lembram. Por isso, nessa casa, decidimos pagar para fazerem o serviço. O laminado dos quartos ficou show de bola, o cara que colocou é realmente bom. O cara do piso do térreo entretanto…
A gente comprou um piso "rústico", porque queríamos bem cara de madeira. O piso rústico, mesmo que você compre seleção A, como fizemos, vem com alguns "nós" na madeira. Já esperávamos isso. Entretanto, havia um pacote de tábuas "ruim", com 3 tábuas problemáticas: uma tem 3 nós, o que não é normal na seleção A, uma com uns veios escuro, e para completar tem uma com uma lascadinha na ponta. Eu, que não sou profissional colocadora de piso, nem tenho QI pra entrar na Mensa, teria colocado essas tábuas em algum canto, onde provavelmente o dono da casa vai colocar móveis, mas não esse fulano, ele colocou na frente da porta de entrada da sala. Está feio? Não, mas teria ficado ainda melhor se ele tivesse prestado atenção. E como eu sou crica crica crica, aquele lascadinho está me incomodando psicológicamente. O pior é que eu nem mostrei pro Bart, ele vai ficar um um bico daqui na China, e provavelmente vai querer fazer o zolder ele mesmo, só pra não ter esse povo em casa.
E é esse o "senão" desse povo que vem trabalhar na sua casa. Nem todos são cuidadosos. Para você, aquela é sua casinha querida e tão esperada, aquela que vai comer uma parte do seu salário por 28 anos, a menina dos seus olhos, uma florzinha frágil que tem que ser tratada com uma flor. Óquei, estou exagerando. Mas eu e Bart estamos andando pela casa de meias, só pra não detonar o piso, e o que o colocador-de-piso-porcão fez, além da lambança das tábuas? Ele deixou cola pela casa inteira: no radiador do hall, no piso do toilet - meu toilet novinho! Deixou uma gota de alguma coisa cair no piso ( ou é cola ou é um pingão do óleo-cera ). As paredes branquinhas já tem uns bons riscos, que eu espero conseguir limpar, e no canto onde ele serrou as tábuas, a parede estava inteira amarela, tive que aspirar as paredes! Ainda bem que fui fazer tudo isso sem o Bart, ele teria ficado super puto da vida.
Pelo preço que pagamos pelo serviço, eu esperava além de uma qualidade melhor, que eles limpassem e removessem os restos de madeira, contrapiso, rodapés, caixas, plásticos, mas aqui na Holanda é assim, eles não tem o mínimo interesse em impressionar o cliente entregando uma casa bonita, limpinha, pronta pro uso; você pagou para eles colocaram o piso no chão e é isso que ele vão fazer, quando eu pedi para o cara dar uma limpadinha com o aspirador industrial que ele tinha, ele me olhou com a cara mais feia do mundo, e disse que ía dar uma "leve aspirada", que ele era colocador de piso, e não faxineiro! E deixaram restos de madeira pelo quintal dianteiro todo, os baldes de cola todos endurecidos e com os pincéis grudados, um rolo de pintura cheio de óleo dentro do meu container de lixo verde que chegou naquele dia, e para piorar, fumaram no meu toilet novinho. No sábado passamos o dia lotando o carro com caixas, plásticos, madeiras e dirigindo pro lixão, fizemos isso 3 vezes, quando o cara, com a caminhonete que tinha, teria feito numa levada só.
Apesar de toda a ladainha, hoje, segunda-feira, a casa está com todo o piso dos dois primeiros andares colocados, estão bonitos, a casa está limpa, quase todos os restos foram para o lixão, tudo pronto para receber a cozinha amanhã. E amanhã começará outra novela. Temos que organizar o recebimento dos móveis, a montagem, a medição e pedido dos tampos, a medição e pedido da contra-parede, o recebimento e instalação dos eletrodomésticos.
Pensando agora, eu acho que eu fui muito, muito inocente. Eu achei que pagando, iria simplesmente chegar um dia e ter o piso lindo e tinindo, mas por essas bandas não há dessas conveniências. E pelo jeito, a cozinha vai ser a mesma coisa, com o diferencial de ter umas 10 coisas a mais pra dar errado.
Deus que me ajude!
A colocação do meu laminado na casa atual foi aquele drama, vocês lembram. Por isso, nessa casa, decidimos pagar para fazerem o serviço. O laminado dos quartos ficou show de bola, o cara que colocou é realmente bom. O cara do piso do térreo entretanto…
A gente comprou um piso "rústico", porque queríamos bem cara de madeira. O piso rústico, mesmo que você compre seleção A, como fizemos, vem com alguns "nós" na madeira. Já esperávamos isso. Entretanto, havia um pacote de tábuas "ruim", com 3 tábuas problemáticas: uma tem 3 nós, o que não é normal na seleção A, uma com uns veios escuro, e para completar tem uma com uma lascadinha na ponta. Eu, que não sou profissional colocadora de piso, nem tenho QI pra entrar na Mensa, teria colocado essas tábuas em algum canto, onde provavelmente o dono da casa vai colocar móveis, mas não esse fulano, ele colocou na frente da porta de entrada da sala. Está feio? Não, mas teria ficado ainda melhor se ele tivesse prestado atenção. E como eu sou crica crica crica, aquele lascadinho está me incomodando psicológicamente. O pior é que eu nem mostrei pro Bart, ele vai ficar um um bico daqui na China, e provavelmente vai querer fazer o zolder ele mesmo, só pra não ter esse povo em casa.
E é esse o "senão" desse povo que vem trabalhar na sua casa. Nem todos são cuidadosos. Para você, aquela é sua casinha querida e tão esperada, aquela que vai comer uma parte do seu salário por 28 anos, a menina dos seus olhos, uma florzinha frágil que tem que ser tratada com uma flor. Óquei, estou exagerando. Mas eu e Bart estamos andando pela casa de meias, só pra não detonar o piso, e o que o colocador-de-piso-porcão fez, além da lambança das tábuas? Ele deixou cola pela casa inteira: no radiador do hall, no piso do toilet - meu toilet novinho! Deixou uma gota de alguma coisa cair no piso ( ou é cola ou é um pingão do óleo-cera ). As paredes branquinhas já tem uns bons riscos, que eu espero conseguir limpar, e no canto onde ele serrou as tábuas, a parede estava inteira amarela, tive que aspirar as paredes! Ainda bem que fui fazer tudo isso sem o Bart, ele teria ficado super puto da vida.
Pelo preço que pagamos pelo serviço, eu esperava além de uma qualidade melhor, que eles limpassem e removessem os restos de madeira, contrapiso, rodapés, caixas, plásticos, mas aqui na Holanda é assim, eles não tem o mínimo interesse em impressionar o cliente entregando uma casa bonita, limpinha, pronta pro uso; você pagou para eles colocaram o piso no chão e é isso que ele vão fazer, quando eu pedi para o cara dar uma limpadinha com o aspirador industrial que ele tinha, ele me olhou com a cara mais feia do mundo, e disse que ía dar uma "leve aspirada", que ele era colocador de piso, e não faxineiro! E deixaram restos de madeira pelo quintal dianteiro todo, os baldes de cola todos endurecidos e com os pincéis grudados, um rolo de pintura cheio de óleo dentro do meu container de lixo verde que chegou naquele dia, e para piorar, fumaram no meu toilet novinho. No sábado passamos o dia lotando o carro com caixas, plásticos, madeiras e dirigindo pro lixão, fizemos isso 3 vezes, quando o cara, com a caminhonete que tinha, teria feito numa levada só.
Apesar de toda a ladainha, hoje, segunda-feira, a casa está com todo o piso dos dois primeiros andares colocados, estão bonitos, a casa está limpa, quase todos os restos foram para o lixão, tudo pronto para receber a cozinha amanhã. E amanhã começará outra novela. Temos que organizar o recebimento dos móveis, a montagem, a medição e pedido dos tampos, a medição e pedido da contra-parede, o recebimento e instalação dos eletrodomésticos.
Pensando agora, eu acho que eu fui muito, muito inocente. Eu achei que pagando, iria simplesmente chegar um dia e ter o piso lindo e tinindo, mas por essas bandas não há dessas conveniências. E pelo jeito, a cozinha vai ser a mesma coisa, com o diferencial de ter umas 10 coisas a mais pra dar errado.
Deus que me ajude!
domingo, outubro 19
Amélia é que era mulher de verdade...
Alguém aí pode me dizer quando é que eu vou poder parar de limpar, limpar, limpar?
Pegamos a casa nova dia 9, limpei a poeira do concreto, uma lambança total. Além do chão, todas as janelas, radiadores, escada, parapeitos. Aí vieram os colocadores de piso, nunca vi tanto pó de madeira na minha vida. Aspirei a casa toda novamente, novamente limpei janelas, radiadores, parapeitos. Amanhã chega a cozinha, vão montar os móveis, vai ter serra-serra, adivinha o que a Adriana vai passar o final-de-semana que vem fazendo? Limpando!
Bart está no último do stress, estou até evitando chegar perto. São mil contratos chegando, tendo que ser lidos, assinados, corrigidos, é água, luz e gás, telefone-internet-TV, registro na prefeitura, mudança no correio, assinatura de venda, assinatura de compra, um caos.
A empresa de mudança deixou 100 caixas para eu começar o encaixotamento, me perguntem se tem 1 pronta? Tá me dando o maior medo, vai ser a maior correria se eu não começar logo!
E continuo sem ânimo pra nada! Pra nada!
A essa altura, ainda sem ter fechado o pacote no Iberostar Bahia, me pego pensando que delícia que seria, estar agora sentadinha numa cadeira à beira da piscina, com uma batidinha de maracujá do lado, o sol me esquentando e dando aquela moleza... Gente, que acontece comigo, estou querendo que o mundo acabe em barranco para morrer encostada, e o pior ainda nem chegou! Antes de sair de férias irei comer o pão que o diabo amassou com a bunda suja.
Mêda, muita mêda...
Pegamos a casa nova dia 9, limpei a poeira do concreto, uma lambança total. Além do chão, todas as janelas, radiadores, escada, parapeitos. Aí vieram os colocadores de piso, nunca vi tanto pó de madeira na minha vida. Aspirei a casa toda novamente, novamente limpei janelas, radiadores, parapeitos. Amanhã chega a cozinha, vão montar os móveis, vai ter serra-serra, adivinha o que a Adriana vai passar o final-de-semana que vem fazendo? Limpando!
Bart está no último do stress, estou até evitando chegar perto. São mil contratos chegando, tendo que ser lidos, assinados, corrigidos, é água, luz e gás, telefone-internet-TV, registro na prefeitura, mudança no correio, assinatura de venda, assinatura de compra, um caos.
A empresa de mudança deixou 100 caixas para eu começar o encaixotamento, me perguntem se tem 1 pronta? Tá me dando o maior medo, vai ser a maior correria se eu não começar logo!
E continuo sem ânimo pra nada! Pra nada!
A essa altura, ainda sem ter fechado o pacote no Iberostar Bahia, me pego pensando que delícia que seria, estar agora sentadinha numa cadeira à beira da piscina, com uma batidinha de maracujá do lado, o sol me esquentando e dando aquela moleza... Gente, que acontece comigo, estou querendo que o mundo acabe em barranco para morrer encostada, e o pior ainda nem chegou! Antes de sair de férias irei comer o pão que o diabo amassou com a bunda suja.
Mêda, muita mêda...
sexta-feira, outubro 17
Post de ontem, hoje
Hoje comecei mal meu dia. A esfriada repentina me trouxe um princípio de sinusite, e acordei com a cabeça latejando. Antes de sair de casa, tomei meu comprimido de Centrum ( que é enorme ), e ao chegar na empresa, com a dor de cabeça ainda pior, tomei duas aspirinas. Tudo difícil de digerir, no meu estomaguinho costurado, tentei comer um pedaço de pão por cima, ferrou, entalei. Nunca tinha entalado tão horrivelmente quanto dessa vez, nem água descia. Poupar-vos-ei dos detalhes tristes dessa história até o desentale, mas só agora, quase 3 da tarde, morrendo de sede e faminta, consegui tomar um copinho de chá com uns biscoitinhos de criança.
Claro que minha mente doidona já pensou num novo regime, o regime do entale. Um centrum, duas aspirinas, meia fatia de pão com margarina light, e a próxima refeição só no jantar, se você tiver desentalado até lá. Sou mesmo louca!
Daí eu lembrei da história. Assim que eu comecei a trabalhar aqui, uma senhora de algum departamento aqui por perto se suicidou. Me arrepia toda essas histórias de suicídio. Dizem meus colegas que ela sofreu um acidente de carro onde o marido morreu e ela teve traumatismo craniano. Em decorrência do acidente, ela perdeu o olfato e o paladar. Já imaginaram gente, não sentir cheiro de nada, nem gosto de nada? E o perigo? Não sentir o cheiro do gás escapando, ou de alguma coisa queimando no fogão, não conseguir sentir o gosto de algum alimento estragado… Mas o pior é mesmo viver para sempre sem sentir seus sabores favoritos, ou sentir o cheiro da sua flor predileta. É cruel demais.
Sei que a falta de olfato e paladar é melhor que a morte, mas pelo que dizem, ela já tinha certa tendência à depressão, e com essa barra toda, morte do marido, adaptação à vida sem cheiro e sem gosto, que ela não aguentou.
Se há doença que eu acho tinhosa de se diagnosticar é a depressão. Como separar a depressão física, ou a depressão profunda, essa que pode levar o sujeito à uma loucura dessas, das simples tristezas e mazelas do dia-a-dia?
Aos 18 anos o término de um namoro me levou a um PS pedindo "alguma coisa que me faça parar de pensar". Eu estava tão arrasada, tão triste, tão deprimida, tão sem saber o que fazer, e a cabeça maquinando o tempo todo, que eu precisava de um tempo de sossego pro negócio acalmar na cachola. Minha mãe me levou ao PS e tudo que eu disse foi isso: por favor, me faça parar de pensar no ocorrido, senão eu vou enlouquecer. A terapia indicada no momento foi um leve antidepressivo e remédio para dormir. Eu dormi 20 horas por dia por uma semana. Uma hora acordei, toda desmazelada, respirei fundo, e disse "óquei, a idéia assentou, entrou na cachola, cansei de morrer em vida, bola pra frente, que ande a fila!". Até hoje agradeço a esse médico que não pensou: "bobeira de adolescente, logo passa" e me receitou um paracetamol - no Brasil é Doril, né?
Minha mãe me conta que enquanto eu estava lá falando com o médico, ela conversou com a enfermeira de plantão, explicou meu "causo", e a enfermeira disse que a melhor coisa que ela fez foi me trazer ao PS, e que na semana anterior uma moça havia pulado do último andar do prédio em frente do hospital exatamente pelo mesmo motivo, que deu tempo ainda de socorrê-la, mas que ela morreu na mão daquele médico que estava me tratando. Será que foi por isso que ele foi tão legal comigo? Sei lá, se foi, abençoada moça, abençoado médico
Claro que minha mente doidona já pensou num novo regime, o regime do entale. Um centrum, duas aspirinas, meia fatia de pão com margarina light, e a próxima refeição só no jantar, se você tiver desentalado até lá. Sou mesmo louca!
Daí eu lembrei da história. Assim que eu comecei a trabalhar aqui, uma senhora de algum departamento aqui por perto se suicidou. Me arrepia toda essas histórias de suicídio. Dizem meus colegas que ela sofreu um acidente de carro onde o marido morreu e ela teve traumatismo craniano. Em decorrência do acidente, ela perdeu o olfato e o paladar. Já imaginaram gente, não sentir cheiro de nada, nem gosto de nada? E o perigo? Não sentir o cheiro do gás escapando, ou de alguma coisa queimando no fogão, não conseguir sentir o gosto de algum alimento estragado… Mas o pior é mesmo viver para sempre sem sentir seus sabores favoritos, ou sentir o cheiro da sua flor predileta. É cruel demais.
Sei que a falta de olfato e paladar é melhor que a morte, mas pelo que dizem, ela já tinha certa tendência à depressão, e com essa barra toda, morte do marido, adaptação à vida sem cheiro e sem gosto, que ela não aguentou.
Se há doença que eu acho tinhosa de se diagnosticar é a depressão. Como separar a depressão física, ou a depressão profunda, essa que pode levar o sujeito à uma loucura dessas, das simples tristezas e mazelas do dia-a-dia?
Aos 18 anos o término de um namoro me levou a um PS pedindo "alguma coisa que me faça parar de pensar". Eu estava tão arrasada, tão triste, tão deprimida, tão sem saber o que fazer, e a cabeça maquinando o tempo todo, que eu precisava de um tempo de sossego pro negócio acalmar na cachola. Minha mãe me levou ao PS e tudo que eu disse foi isso: por favor, me faça parar de pensar no ocorrido, senão eu vou enlouquecer. A terapia indicada no momento foi um leve antidepressivo e remédio para dormir. Eu dormi 20 horas por dia por uma semana. Uma hora acordei, toda desmazelada, respirei fundo, e disse "óquei, a idéia assentou, entrou na cachola, cansei de morrer em vida, bola pra frente, que ande a fila!". Até hoje agradeço a esse médico que não pensou: "bobeira de adolescente, logo passa" e me receitou um paracetamol - no Brasil é Doril, né?
Minha mãe me conta que enquanto eu estava lá falando com o médico, ela conversou com a enfermeira de plantão, explicou meu "causo", e a enfermeira disse que a melhor coisa que ela fez foi me trazer ao PS, e que na semana anterior uma moça havia pulado do último andar do prédio em frente do hospital exatamente pelo mesmo motivo, que deu tempo ainda de socorrê-la, mas que ela morreu na mão daquele médico que estava me tratando. Será que foi por isso que ele foi tão legal comigo? Sei lá, se foi, abençoada moça, abençoado médico
segunda-feira, outubro 13
Sonho meu... sonho meu...
Sabem o que eu queria mesmo mesmo mesmo fazer chegando no Brasil? Um check-up geral. Mas não vai rolar, primeiro porque ( acho que ) vamos pra Bahia e não vou ter muito tempo em SP. Segundo porque Bart fica resmungando que é desperdício de dinheiro, já que a gente tem seguro aqui, e o hospital de Eindhoven é um dos melhores do país. Terceiro porque não tenho mais referência de bons médicos, tem tanta gente nova lá no Garrido ( instituto onde fiz a gastroplastia ) que eu nem sei mais se os médicos de pós-op são bons.
Mas gente, o cansaço todo que eu sinto não é normal, não é normal mesmo! Reclamo para a minha médica daqui, ela faz um examezinho de sangue ( ferro ) e me diz que está dentro do esperado, mais nada. Mas eu vivo me arrastando! Até as coisas que eu gosto eu não faço mais. Faz séculos que não vou ao cinema, décadas que não dou uma voltinha de bike, milênios que não dou uma boa batida de pernas pela cidade. Se vou fazer compras, não importa do quê, desisto antes de escolher qualquer coisa, estou apática pra compras. Chego em casa e corro pro sofá, não tenho energia pra fazer nada, nem pra pesquisar minha coisinhas pra casa nova na internet. As férias estão empacadas sem decidir, as cortinas, o pedreiro... Guardamos dinheiro na conta porque eu não tenho ânimo de gastar nada! Gente, fui ao 3D da Bijenkorf, afe saí de lá em 10 minutos, comprei um batom de 3 reais e uma bolsa dobrável da Oilily de 9, e pelo catálogo vi que tinha tantas coisas legais!
Já pesquisei a internet de fio-a-pavio, listando doenças cujo principal sintoma seja o cansaço e a apatia, mas quer saber? Detesto gente que fica se auto-diagnosticando via internet, e não serei uma. Tenho uma médica, ela não é ruim, mas vive nesse "lugar comum" da mente holandesa que toda mulher que trabalha fora e tem um emprego de maior responsabilidade acaba trabalhando demais e daí o cansaço. Adoro meu trabalho! É cansativo? É! Mas saio da empresa mil vezes mais leve e contentinha do que eu saía da Bosch, não sei nem explicar como minha vida melhorou.
Mas então povo, é isso aí. Não quero gastar meus dias de férias entrando e saindo de hospital e laboratório, mas que tô de saco cheio de viver me arrastando, ah isso tô.
Alguém aí tem um vidro de Biotônico Fontoura?
Mas gente, o cansaço todo que eu sinto não é normal, não é normal mesmo! Reclamo para a minha médica daqui, ela faz um examezinho de sangue ( ferro ) e me diz que está dentro do esperado, mais nada. Mas eu vivo me arrastando! Até as coisas que eu gosto eu não faço mais. Faz séculos que não vou ao cinema, décadas que não dou uma voltinha de bike, milênios que não dou uma boa batida de pernas pela cidade. Se vou fazer compras, não importa do quê, desisto antes de escolher qualquer coisa, estou apática pra compras. Chego em casa e corro pro sofá, não tenho energia pra fazer nada, nem pra pesquisar minha coisinhas pra casa nova na internet. As férias estão empacadas sem decidir, as cortinas, o pedreiro... Guardamos dinheiro na conta porque eu não tenho ânimo de gastar nada! Gente, fui ao 3D da Bijenkorf, afe saí de lá em 10 minutos, comprei um batom de 3 reais e uma bolsa dobrável da Oilily de 9, e pelo catálogo vi que tinha tantas coisas legais!
Já pesquisei a internet de fio-a-pavio, listando doenças cujo principal sintoma seja o cansaço e a apatia, mas quer saber? Detesto gente que fica se auto-diagnosticando via internet, e não serei uma. Tenho uma médica, ela não é ruim, mas vive nesse "lugar comum" da mente holandesa que toda mulher que trabalha fora e tem um emprego de maior responsabilidade acaba trabalhando demais e daí o cansaço. Adoro meu trabalho! É cansativo? É! Mas saio da empresa mil vezes mais leve e contentinha do que eu saía da Bosch, não sei nem explicar como minha vida melhorou.
Mas então povo, é isso aí. Não quero gastar meus dias de férias entrando e saindo de hospital e laboratório, mas que tô de saco cheio de viver me arrastando, ah isso tô.
Alguém aí tem um vidro de Biotônico Fontoura?
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