quinta-feira, outubro 15

Falando de um assunto vencido

Tô quase chorando de tanto trabalho, todo mundo quer tudo pra hoje, eu com resistência zero para trabalhar as 12 hrs por dia que tô precisando… Paciência zero.

E porque a paciência tá a zero, tcheu dizer uma coisa procêis: tá na hora da gente cagar e andar pros "politicamente corretos".

Fulano pensa horrores da pessoa, mas se chama o cara de "afro-americano" ( brasileiro, holandês, reino-encantado-da-xuxa ), tá tudo beleza. Mas se você que tem ótimos amigos negões, que não tem nada contra os negões, que trata os negões como trata qualquer um, desliza e chama o negão de "negro" ( ou, valha-me Deus, de negão ), você é a escória da humanidade. Hoje em dia, importante é a palavra, não o conteúdo que ela representa.

Não é politicamente correto chamar portuga de burro ( nem de portuga ). Pontequepartiu, e é correto chamar brasileiro de safado e desonesto? Porque é disso que nos chamam e pior, se no Brasil chamamos portuga de burro mas os recebemos com tapetes vermelhos, em Portugal nos chamam de safados e desonesto e nos tratam como safados e desonestos.

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Mais uma história da Adriana:

Fiz um backpacking pela Europa em 2000, e reservei meu hostel em Lisboa pelo site da Hostelling International. Na época esse site só pedia seu nome, hostelling number e você pagava online com cartão de crédito. Reservei minha "vaga" num quarto de 4 pessoas, cama de baixo, a reserva foi confirmada. Chegando no albergue, quando viram que eu sou brasileira, disseram eu não podia ficar no quarto de 4 pessoas, mas no quarto "jumbo", que adivinhem só, só tinha brasileiros! Esse quarto tinha uma câmera apontada pra porta, e o banheiro coletivo tinha aquele sistema odioso no chuveiro que tem uma mola na torneira que vai regulando o suprimento de água e interrompe a cada 20 segundos.

Claro que eu não aceitei, chamei o gerente, depois de mais de 1 hora de discussão, e mil ameaças, me deram a tal vaga que eu tinha reservado no quarto de 4 pessoas. No segundo dia fiz amizade um uma tiazinha que limpava os quartos ( brasileira, claro ) e ela me disse que era assim porque o albergue achava que brasileiros traziam gente ( não pagantes ) pra dormir nos quartos ( !!! ) e que brasileiro desperdiça muita água no chuveiro.

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Eu não saberia opinar sobre a "inteligência" dos portugueses, e assim como eles certamente teriam razões pra nos chamar de esquisitos, como fez a Maitê, eu baseada nas minhas experiências, também tenho.

A esquisitice que eu notei, é essa necessidade de esnobar os brasileiros, mas com os outros ser um capachão. No departamento de compras da empresa antiga no Porto, o povo tinha medo de ir tomar café, tinham horário certo pra levantar, ir lá e pagar uma xícara, conversar 5 minutos e voltar a trabalhar, morriam de medo do gerente. A sala do gerente então, tinha uma parede de vidro, e ele ficava ali olhando a "escravaria" trabalhando, ultra opressivo o ambiente. E em reuniões, se o holandês falasse pro português pular, o português perguntava a que altura. Os compradores não podiam ir a almoços ou jantares com fornecedores, o convite tinha que ser feito ao gerente, e ele ía sozinho, sem o comprador. A holandesada falava que os portugueses em reuniões concordavam com as coisas, mas faziam tudo diferente depois, e os holandeses mesmo os achavam meio "intelectually challenged", mas na verdade não era isso, aliás eu não posso dizer que presenciei nenhuma burrada dos portugueses, a planta era exemplar, o problema é que eles não tinham coragem de dizer pra um holandês de cargo superior ao deles, que tal idéia na prática não ía funcionar, ou que tal processo não podia ser implementado. Concordavam com o holandês, mas faziam do jeito deles.

Só sei de uma coisa, é por essas e outras que eu até tenho vontade de voltar à Lisboa e ao Algarve, de levar o Bart, mas vou deixando pra lá. Eu não tenho dó de gastar meus ricos eurinhos em viagem de férias, mas já que o dindin é meu, vou pagar onde eu SEI que vou ser bem tratada, ou então vou viajar incógnita, como holandesa, e aí quero só é ver o que eles vão falar da gente sem saber que eu estou entendendo tudo… Ra ra ra, gostei da idéia... 

terça-feira, outubro 13

O link

Link do video da Maite

segunda-feira, outubro 12

O video famigerado

O video famigerado da Maitê a respeito dos portugueses... Acho que a Maitê 1) queria mesmo causar bafafá, afinal dá ibope 2) teve alguma péssima experiência com algum português.

Achei o video infeliz sim, antes que o povo caia matando. Ela não precisava disso, a emissora não precisava disso, o clima entre os dois países já não é dos melhores. Mas isso dito, deixe-me aqui dar uma opinião sincera.

O povo no Brasil faz piadinha de português? Faz. E isso não é legal. Só que no dia-a-dia, nunca vi um português ser mal-tratado no Brasil, ao contrário. Em Natal e Pipa tinha muitos portugueses, e eram sempre ultra paparicados pelos hotéis, pelo carinha pilotando o barquinho, nos passeios estavam sempre perguntando se o povo estava gostando. Em São Paulo, a minha vida toda, vi as piadinhas sim, que os portugueses prontamente retrucavam, mas nunca vi nada ofensivo.

Já em Portugal, onde fui 3 vezes apenas, vi brasileiros sendo discriminados nas 3 vezes. Eu já fui discriminada no ambiente de trabalho, lembram?

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Trabalhei para a Bosch na Holanda, que tinha uma planta no Porto. Um português expatriado na Alemanha foi indicado à trabalhar num projeto comigo. Um dia, à pedido de um diretor da minha unidade, fiz um update do projeto para outros diretores, e coloquei o Português no cc. O Português achou que eu estava querendo "roubar o show" e me mandou POR ESCRITO o seguinte e-mail ( ou melhor, troca de e-mails ):

Port: Adriana, qual a diferença entre um Português e uma Brasileira?
Adri: Além do fato dele ser homem e ela ser mulher?
Port: A Brasileira vai para Portugal fazer um show enquanto o Português trabalha duro, aí o show acaba e a Brasileira volta para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás, como chegou, enquanto o Português continua no seu trabalho...

Traduzi o e-mail, levei ao meu diretor, dei queixa por discriminação por sexo e nacionalidade, ele levou advertência, mas da mesma forma que ficou o registro no histórico dele, ficou também no meu.

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Depois do "ocorrido" fica difícil não criar uma imagem ruim dos portugueses. Fiz bastante amizade com 2 colegas de trabalho portuguesas, com uma delas ainda mantenho contato, mas pelos outros sempre fui tratada com ares de superioridade.

O ponto é, eu não saio por aí generalizando, principalmente porque conheci portugueses legais, mas todas as vezes que penso em ir à Portugal de férias me vem aquela angústia de "pagar pra ser discriminada, e na frente do meu marido!". E preciso sim ficar me lembrando que nem todos os portugueses detestam brasileiros, mas vocês sabem né, gato escaldado tem medo de água fria.

Putz, comecei na Maitê e terminei em mim, mas no fim o que eu queria dizer é que Maitê deve ter tomado uns cornos do tal namorado português e acabou perdendo agora uma ótima oportunidade pra ficar calada.

Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...

Sábado fomos à Ikea. Não vou reclamar do povaréu que vai com criança, carrinhos de bebê intergaláticos, velhinhos com problemas de mobilidade, etc e tal. A errada era eu, que podia muito bem ter ido durante a semana, já que a loja abre até as 21, mas decidi, porque sou maluca, ir no sábado e ainda por cima para almoçar lá.

Precisávamos de um "kapstok", um pendurador de casacos, que me disseram chamar chapeleira em português. Eu nem sei que modelo de kapstok meu excelentíssimo marido tinha na cabeça, mas por meses andamos em todas as lojas de Eindhoven e nada estava bom. Sábado tive um chilique: pelamordedeus, relativise (z?) homem de Deus, é um pendurador de casacos, não uma TV de 5 mil euros, compre qualquer coisa pra quebrar um galho e quando você achar o tal kapstok do seus sonhos você troca. E assim foi, compramos com a idéia ( ou possibilidade ) de trocar no futuro. Eu SEI que se você for me visitar no dia da minha aposentadoria o kapstok vai estar lá, mas tchapralá. E de quebra compramos também um mini aparador que ficou perfeito no cantinho que tinhamos, agora minhas chaves tem lugar e aquele monte de luvas, cachecois e guarda-chuvas idem.

E daí, depois de muito ver móvel de sala ( rack de TV e buffet ), Bart decreta que quer "móvel de verdade", e não Ikea. E tem mais, quer daquela madeira quase preta. Ceis não acham que a moda da madeira quase preta já deu o que tinha que dar? É por isso que eu amo a Ikea, por 800 paus a gente compraria o que querers e daqui a 3 anos quando outra moda aparecer, bota-se tudo na lareira ( que eu espero ter até então ), mas se a gente gastar uma nota preta em "móveis de verdade", vou mofar com esses móveis até o dia que você for me visitar na minha aposentadoria pra ver se meu kapstok ainda está lá. Outra coisa que me desanima profundamente é ter que esperar 4 meses por um rack e um buffet.

E ainda faltam lustres, quadros, paredes, jardim, falta tanta coisa que quando a gente acabar, chegou nossa aposentadoria e como eu sempre digo aqui, tá na hora de vender a casa e mudar pra Espanha, onde o sol brilha e tudo é mais barato ( or not? ).

domingo, outubro 11

Nós os gordos

Colega, se você tem um amigo gordo ( a ) umas diquinhas, quase um apelo, já que eu mesmo sou gorda e gostaria de ver maior sensibilidade nas pessoas.

Primeiro vamos esclarecer uma coisa: se você quer emputecer um gordo, chamá-lo de gordo é uma forma bem burra de fazê-lo. O gordo que já passou dos 20 já sofreu tanto na mão da criançada e da meninada no colegial, que por mais cruel que você seja, provavelmente não vai chegar aos pés do que ele já passou. Pro gordo, é algo do tipo: is that all you got? Bring it on, bi-a-tch!

Decidir fazer regime é uma decisão que só cabe ao gordo, e não importa o que você diga, de que forma que você diga, ele só vai tomar essa decisão na hora que a idéia estiver madura na cabeça dele. No dia que o negócio realmente o incomodar, ele mesmo, por si só, vai atrás do que fazer pra emagrecer, e daí colega, se ele achar que você pode ajudar, sem dúvida nenhuma vai te procurar. Você já ouviu falar do gordo que só de ouvir uma crítica se motivou a ponto de abdicar das suas comidas favoritas imediatamente, só porque alguém falou que ele devia, ou que a pança estava balançando ou que a bunda mais parecia a traseira do Ford Mondeo? I don't think so. Então pára de ser o amigo ( irmão, cônjuge, colega, vizinho, ... ) chato e páre de fazer isso porque você está só extravazando sua frustração, maquiando na velha desculpinha "eu só queria ajudar".

Por favor, não seja um "sem loção total", seu amigo gordo sabe o que engorda, seu amigo gordo tem espelho em casa. Comentários do tipo "ah, cê tá comendo bolo, nooossa, isso engooooorda" são totalmente sem classe. Na minha humilde ( apenas 29 anos ) experiência, vem sempre de uma pessoa ela mesmo gorda, porque o magro normalmente não sabe calorias de cor e nem tem sempre o assunto ativo na cachola. Normalmente vem de gente que está preocupado com a circunferência da cintura ou está já de dieta, mas lembre-se colega: você decidiu quando começar sua dieta, então deixe seu amigo decidir o momento de começar a dele.

E além disso, vamos combinar, cada um é do jeito que é, gordo, magro, narigudo, dentuço, papudo, e o no dia que a gente aprender que nem só a Gisele é linda, todos sofreremos bem menos.

sábado, outubro 10

Alguém quer me dar um presente?

Eu quero muito...

Estou em êxtase 2

Nem acredito, mas a maioria dos supermercados AH de Eindhoven passarão a abrir aos domingos!!! Num horário ultra esdrúxulo ( das 16 às 20, o XL até às 22 ), mas abrirá.

Sabádo era o único dia que eu tinha tempo suficiente para fazer compras como eu gosto, olhando tudo, comparando os vegetais da época, bolando pratos novos, vendo os produtos novos, mas é também o dia infernal dos supermercados, porque fica lotado de criança correndo, berrando, chorando, apostando corrida de carrinhos; isso sem falar nas velhinhas de rolator, que podiam ir durante a semana mas vão aos sábados para aborrecer o maior número de pessoas ao mesmo tempo; e os adolescentes, que vão comprar "breja" e outras bebidas afins.

Vamos rezar pra domingo pelo menos as crianças e velhinhos ficarem em casa, e eu serei uma pessoa feliz, bem feliz.

sexta-feira, outubro 9

Eu estou alucinada por um Kindle!!!!!

Meu povo, nem acredito, mas quando o Amazon resolveu expandir o Kindle para o mundo, e milagrosamente essa terra esquecida pela humanidade onde eu moro FOI LEMBRADA, e vejam só que alegria:

Kindle na Holanda

Adeus às taxas de entrega da bol.com, adeus às estantes Billy lotadas de livros de papel, adeus às visitas à biblioteca pra desovar ( doar ) livros lidos, adeus mala de viagem apertadésima com os 6 livros que eu sempre levo, adeus espera de 5 a 7 dias úteis por um exemplar em inglês, adeus edições esgotadas.

Estou em êxtase.

Tem também o lado ruim, ou melhor, menos bom: emprestar livros só pra quem também tiver Kindle. Passar o livro depois de ler pro marido só se ele também tiver Kindle. Medo, paúra, horror de chegar perto da praia ou piscina com seu precioso Kindle e ele acabar molhando ou entrando areia ( será que se colocar num pocket de plástico ele super-aquece? ). Durante pousos e decolagens a "aeromoça" vai vir te encher o saco pra desligá-lo.

Mas aqui vem o pior: um dia ele vai quebrar. Um dia, e loguinho, vão inventar uma versão melhor. Um dia você vai querer guardar o 1501 livro, e ele vai te dizer que só tem espaço pra 1500.

Mas voltando ao meu êxtase alucinado. Eu quero, eu preciso, eu mereço.

E você, o que acha de mais essa inovação tecnológica? Vai aderir? Acha que a moda pega?

quinta-feira, outubro 8

Da série coisas que detestamos: reaproveitamento irracional de comida

Acho fantásticos os truques domésticos para aproveitar restos de comida. Minha mãe tinha vários e eu mesma tenho alguns. A batata cozida na manteiga de hoje vira uma fritata amanhã, os restos de arroz viram bolinhos ( amo! ), minha mãe sempre fazia escondidinho com linguiça de churrasco… Sabendo usar bem a criatividade, dá pra reaproveitar tudo!

Mas aqui na empresa dá até raiva. Temos um restaurante da SODEXHO, praga que existe em qualquer canto do mundo. Aqui é evidente a palhaçada que eles fazem pra reaproveitar cada resto, mesmo que o resultado final seja péssimo. Isso acaba resultando num buffet onde metade é gororoba.

Eles são obrigados à oferecer 6 saladas. Na segunda sempre tem salada de folhas sem tempero ( minha favorita, pois posso adicionar meu tempero sem coisas ácidas, mas infelizmente é a mais cara para a empresa e a menos oferecida ), e uma salada de tomates e pepinos. As folhas que sobram vão pro sanduíche no dia seguinte, o que não é tão horrível, mas os tomates e pepinos ganham um banho de vinagre pra não criarem nenhuma bactéria, e aparecem como uma salada de cubinhos com azeitona super ácida no dia seguinte.

Semana passada comprei um "folheado de tomate seco e mozzarella", não dá pra errar em algo tão simples, né? Acontece que o tomate seco era o usado no dia anterior na salada de macarrão tubete, então o recheio do folheado tinha macarrão! Eca!

Ontem tivemos hot-dogs, hoje achei cubinhos de salsicha no meio da minha salada de macarrão e legumes, que estava sendo vendida como vegetariana. Fui reclamar indignada, eles simplesmente pediram desculpa, devolveram o dinheiro e riscaram o vegetariana do cardápio.

A sopa é subsidiada pela empresas e é da marca Unox, uma das melhores da Holanda. Só que tem dias que eles servem o que nós chamamos de "white goe". Eles pegam uma sopa cremosa como base e adicionam os vegetais do dia anterior. A sopa mexicana é a meleca branca com pimentões e milho, a sopa de camarões holandeses ( um camarãozinho minúsculo e sem gosto ) é a meleca branca com uns garnalen ( camarão holandês ) boiando, tudo assim, sem cozinhar junto, só esquentam a coisa branca e jogam o que for lá dentro.

Os sanduíches são normalmente ruins. Muitos são recheados com sobras misturadas em maionese, e sempre ultra ácidos, pois as sobras são sempre guardadas com vinagre. A salvação pra quem quer driblar as calorias da fatídica maionese, é o sanduíche "saudável" ( brodje gezond ), e estou sendo ultra sarcástica. O sanduíche saudável é o passaporte certo pro hospital se você tem colesterol alto, o de hoje era: presunto, queijo belegen ( gordo ), 2 ovos cozidos em fatias, uma folha de salada, e halvarina.

É por essas e outras que todo mundo traz seu sandubinha de casa, e no dia que a gente não tem tempo ou não tem nada em casa, o jeito é comer gororoba.

quarta-feira, outubro 7

Olha o desespero da criatura viciada

Povos, estou precisando de vizinhos no Farmville, pra poder ampliar minhas terras e trocar presentes. Please, alguém aí tá no mesmo barco?

Se vocês procurarem meu e-mail lá no facebook ( avandenbroek@gmail.com ) vão me achar e aí é fácil virar meu vizinho. Eu sou boazinha e mando sempre ótimos presentes, viu!

segunda-feira, outubro 5

Drie Dwaze Dagen

A Holanda é um país socialista, e pelo menos os holandeses que eu conheço são muito orgulhosos disso. Pra grande maioria, uma das piores pragas do universo é a sociedade americana, que segundo eles, só pensa em dinheiro e em comprar e em ter. Eu ouço tudo muito aborrecida, porque eu adoro os EUA, e admiro muito os americanos com quem trabalhei, são pessoas dedicadas ao seu trabalho, inteligentes, práticas, anyway…

Eu moro no sul da Holanda, e o país inteiro tem essa região como uma região, digamos, acaipirada. Por aqui, em nenhuma das cidades o comércio abre aos domingos, e há uma imensa resistência a isso, até mesmo supermercados que tentam pedir autorização pra abrir acabam tendo o pedido recusado. Eu não entendo o porquê, mas eles dizem que o domingo é dia de ficar em casa, de ir à igreja, de ficar com a família, e que o comércio abrindo, muitas pessoas teriam que trabalhar. Eu acho uma besteira, já que pelo menos em Eindhoven há milhares de estudantes universitários que ficariam bem felizinhos com uma graninha extra por trabalhar 5 horinhas no domingo.

Tão tradicional quanto não abrir aos domingos, é abrir um único domingo por mês, é o koopzondag, domingo de compras, o primeiro domingo do mês. É aí que eu não entendo a holandesada, eles reclamam que não querem o comércio aberto aos domingos, mas quando o comércio abre, a cidade fica intransitável. Ir pra missa, ficar em casa com a família? Blé, holandesada vai mesmo é pra rua, comprar, tomar vinho nos barzinhos com mesinhas na rua, e fumar, fumar muito, fumar feito chaminé.

Ontem foi koopzondag, e foi também a liquidação dos dois maiores magazines da cidade: Bijernkorf e V&D. Nunca, nunca, nunca e nunca vi tanta gente na rua. A Bijenkorf fica a 10 mt da estação de trem. Da porta da Bijenkorf você olha numa linha reta, pela rua de comércio mais popular da cidade, e a uns 200 mt vê a V&D. Domingo, essa "reta" estava igualzinha à General Carneiro no centro velho de SP, gente gente e mais gente. A Bijenkorf colocou um guarda na porta e um aviso: carrinho de bebê não entrava, por medidas de segurança. Quem seria louco o suficiente pra trazer bebê em carrinho no "restanten" do Drie Dwaze Dagen ( no dia do restanten tudo que já estava em liquidação e sobrou pro domingo ganha 25% adicionais de desconto ) eu não sei, mas tinha, pois na porta havia um "ajuntado" de pais com os carrinhos esperando.

Na V&D, a coisa estava tão ruim quanto. Os elevadores com filas gigantescas, afinal por elevador cabem apenas 2 carrinhos, já que os carrinhos de hoje em dia de inhos não tem nada. Tinha uma mulher com a perna quebrada, na cadeira de rodas ( !!! ), várias velhinhas com rolators, e até no banheiro a fila dava voltas.

Não me lembro de ter visto Eindhoven assim ever. Eu precisava mesmo comprar umas blusinhas de manga comprida, e queria muito encontrar umas de gola rolê, e como estou há semanas trabalhando até tarde, nunca me sobra tempo, então achei que o domingo seria uma mão na roda. Mas me ferrei.

No fim, é aquela pechincha ma-ra-vi-lho-sa que acaba salvando seu humor, e ano após ano você começa o tal domingo da loucura jurando que nunca mais vai, mas ano que vem você está lá de novo. Esse ano comprei uma bolsa pra laptop da Oilily, de €105 por €31. Miguxas que gostam de maquiagem íam pirar, comprei batons e esmaltes Clarins por € 4.50 euros cada. Comprei uma pashmina linda por € 7. Bart comprou 4 suéteres. Não tive forças para procurar minhas blusinhas, tava tudo cheio demais. E pelo menos na Bijenkorf o povo é ultra agressivo, acabei machucando a mão com um puxão que uma dona deu na bolsa que estava já pendurada no meu ombro. Uma outra lá me ensinava a tática: você vai pegando e carregando tudo o que gosta, no final das "compras", avalia o que você mais quer, e deixa o resto. Só que é claro que ninguém fica devolvendo as coisas nos lugares certos, então lá pelas 4 da tarde, um pouco antes de fechar a loja está aquela lindeza.

Mas então, assim foi meu Dwaze daag. Super Dwaze. Minha bolsa é linda, meu batons óteeeemos, e o esmalte ainda vou experimentar. Tinha maquiagem Kanebo por menos de €10, Keune por €7, e baciadas e mais baciadas de perfume. Mas a paciência ( e o din-din ) acabou antes.

E você, vai nessas mega liquidações?

sábado, outubro 3

Cartilha caminho suave: interpretação de texto

Minha gente, que é isso? Lara Amorim, fugistes das aulas de interpretação de texto da escola básica? Como pode alguém falar tanta merda baseada num texto de 5 linhas onde eu simplesmente comento que estão aparecendo vários videos no youtube com cenas chocantes do Rio? Querida, volta pra escola, páre com os "tóchicos", sei lá, desaparece tribufu.

E como eu disse no texto, não sei mesmo no que pensar. Claro que eu fiquei emocionadíssima com o video oficial Rio 2016, claro que eu já falei toda cheia de direito lá no trabalho que as olimpíadas de 2016 são no MEU país e que ganhamos até de lobbyzinho Obama-Obama-Oprah, claro que eu torço para que as olimpíadas tragam ao Rio as melhorias que, por exemplo, a copa de Barcelona trouxe àquela cidade. Entretanto, achar que a cidade está bem como está e que dá pra encarar um evento desses sem sérios investimentos, não é muito inteligente. E daí eu dizer que não sei o que pensar, porque o âmago da questão é: de onde virão os recursos? Eu não sei se a organizações internacionais fianciarão as melhorias, se há algum órgão especial que organiza as olimpíadas e cuida da captação de investimentos, ou se seria os impostos públicos mesmo. É um investimento grande, acho eu que com retorno certo, mas não dá pra construir estádio às penas de cortar o orçamento de escolas públicas, né não?

Mas se houver vontade, dá pra chegar lá? Claro que dá! Brasileiro quando se propõe a fazer alguma coisa, sai de baixo. E à essa altura não tem muito o que ficar se perguntando, 2016 tá aí, é mãos à obra.

E eu acho que as olimpíadas deveriam ser em SP? Só alguém muito trilili da cachola pra tirar uma asneira dessas daquelas cinco linhas. Eu citaria aqui pelo menos 20 motivos pra EU achar São Paulo uma cidade melhor de se MORAR que o Rio, mas pra quem vai ao Brasil fazer turismo, o Rio é imbatível. Como diz a Paca, o Rio é sim um desbunde. O Rio para o turista é gratificação imediata, é subir no Cristo, no Pão de Açúcar e na hora suspirar "ah, a viagem já valeu à pena".

Agora rumbora curtir o resto do fim-de-semana, que o meu tá sendo xuxu beleza. Aliás, acabei de marcar minha viagem de dezembro, tudo pago, acertado, sacramentado. E detalhe, depois de 2 horas na cadeirinha da agente turística, consegui o pacote que eu queria, num vôo saindo de Bruxelas e de Jetair, por 1000 euros a menos do que eu ía pagar inicialmente indo de KLM.

Ah, a vida é bela! Tcheu ir colher minhas abóboras no Farmville...

Rio 2016 - copo meio vazio ou meio cheio?

No youtube já pipocam os videos do pessoal contra as olimpíadas no Rio. Eu não sei o que pensar, mas confesso que as imagens do video abaixo são pra deixar qualquer um com a pulga atrás da orelha... e tem outros tantos mais "pesados" no youtube...

Rio 2016

terça-feira, setembro 29

Molhar a bunda

Depois de muita negociação na empresa, incluindo a compra de dias de férias, consegui ser liberada do dia 5 de dezembro em diante, e vou molhar minha bunda na praia, minha gente!

Tem muita gente que não se conforma de eu só ir pra praia, mas não consigo de forma alguma imaginar jeito melhor de passar o dia. Ah se eu ganhasse na sena…

Hoje falando com a Holandesa, concluí que as pessoas são mesmo muito diferentes no que tange à viagens. Eu vi as fotos dela e é tudo lindo, lindo, lindo, uma viagem que um dia eu vou fazer, mas como eu amo ir pra praia, fico pensando ( e foi o que eu perguntei pra Holandesa hoje ): você vai lá vê o castelo, e fica admirando por meia hora, e daí, faz o que? Na última vez que fomos pra Paris fomos à Versalhes, e achei chatésimo. Bonito, lógico, mas os jardins são meio boring, a tour é loooonga, pra mim foi aquele passeio pra riscar o negócio da sua lista de coisas a fazer um dia e só.

No colegial, fizeram um teste e concluiram que eu tenho memória sinestésica. Eu acho que daí eu gostar mais de praia. Normalmente quem gosta desse tipo de passeio bucólico ( castelo, cidadezinha, riachinho, arvorezinha ) tem memória visual. O sinestésico é mais sensível a temperaturas, cheiros, impressões, e é bem verdade, uma das minhas memórias de férias mais preciosas é o cheiro quando você abre a porta de um daqueles 7/11 nos EUA. Não me perguntem porque, o cheiro de plástico, misturado com Krispy Cream, misturado com café… sei lá, eu amo!

Quando estou de férias na praia, normalmente acordo super cedo, deixo o Bart dormindo e vou pra praia. Adoro poder colocar um maiô/biquini, jogar qualquer coisa por cima, e sair com as minhas havaianas. Que delícia sentir esse primeiro sol da manhã na pele, e a cor do céu, as luzes do sol recém nascido, a passarada fazendo barulho… É o melhor horário pra andar pela praia, ainda vazia, ainda mais se você está num resortão onde a maioria do povo acorda tarde… Eu ando, eu sento e medito, já até rezei. Normalmente vou pro restaurante do hotel, tomo um café com uma torrada e vou acordar o Bart. Essa é a hora do momento Sundown ( ou melhor, Ambre Solaire ), Bart não sai do quarto sem protetor 50, graças a deus porque ele é a criatura mais branca e imbronzeável que eu conheço. Amo o cheirinho do Ambre Solaire! Tomamos café juntos, o cheirinho dos omeletes fritando, dos waffles… Vamos pra praia, que delicia deitar na cadeira de praia e sentir o calorzinho batendo na pele, a brisa, o barulho do mar… os coquetéis ( all inclusive rulezzzz ). Que fantástico que é andar descalça na areia, sentindo a água bater nas canelas, e quando a gente está toda quente e suada dar aquele mergulhão num mar de águas transparentes, e ficar ali boiando… boiando… dar umas boas braçadas, fazer snorkel, sentir os músculos trabalhando, ver os peixinhos… Almoçar ainda de biquinão, tomar um drink delicioso e tirar uma soneca debaixo do guarda sol… Nadar mais, ir à passeios de barco, ou de quadriciclos pelas floresta… quando chega de tardinha, ir pro quarto e tomar aqueeeeeele banho, muito sabonetinho e gelzinho especial, creminhos, roupinha leve… Andar pela praia de noite, ver a lua ( nunca vi nada mais bonito que a lua na Praia do Forte, pois naquela área todos os hotéis tem luzes baixas pra não confundir as tartarugas marinhas ).

Nossa, tô quase chorando, e minhas férias só em 2 meses…

segunda-feira, setembro 28

Baby Top

Domingo ( ontem ) o Makro abria, e vendo uma óóóótema promoção de contra-filé argentino ( 13 eurecas por quilo ) fui decidida a transformar a noite daquele domingo num jantarzão dos Pampas. Cheguei no Makro e contarei a estorinha depois, mas fui correndo que nem o Ligeirinho pro departamento de carnes, só pra achar espaço vazio. O filé mignon neozelandês já era e o contra-filé dos pampas idem. Sobrou-me a opção de "baby tops" brasileiro. A carne parecia bem bonita, dois pedaços pequenos, de uns 700 gr cada, mas aí a pergunta: o que seria baby top? Comprei a carne, pensando que se fosse alguma carne ruim virava carne de panela, e depois de esfolar meus dedos no google, acho que é coxão mole. Agora o desafio pras amigas: receitinhas pra coxão mole? Minha mãe fazia bife à milanesa com essa carne, mas eu não faço frituras…

No mundo inteiro crianças não podem entrar no Makro, por motivo de segurança. No mercadinho da esquina, se cai uma latinha de leite moça no pé da sua creonça, vai render uma unha preta, muito choro, e só. No Makro, se cai uma latinha de leite moça no pé do seu filho, decepa. As latas são de 1 kg pra cima, as embalagens são no atacado, é tudo grande, pesado, um desastre até em ambiente só com adultos. Não interessa se o estabelecimento deixa crianças entrarem ou não, zelar pelo bem estar da creonça é dever dos pais, e quem tem ao menos um neurônio funcionante não leva creonça no Makro. Sei lá se foi só ontem, ou se criança aqui na Holanda pode entrar, mas o fato é que tava cheio de creonças e eu vi uma garrafona de Silam ( amaciante ) cair numa creoncinha, creoncinha foi lançada com tudo ao chão, creoncinha abriu um corte sangrento na nuca, creoncinha berrou, mãe berrou, corre-corre, sangue pra todo o lado. Agora me responde, num domingo ensolarado, 21 graus, o que esses pais faziam com uma creonça no Makro???

De resto, solzinho no findi, Deus está sendo generoso esse ano, vamos esperar que o inverno não seja tão rigoroso quanto o do ano passado. Ontem tive que desengavetar camiseta de manga curta, hoje estreei casacão novo. Ah, como é linda a vida na Holanda!

E aí cumadres, já pensaram nas minhas receitinhas com coxão mole?

domingo, setembro 27

Novela das 7

Li que a Globo vai começar a lançar versões encurtadas das novelas mais populares em DVD. Será que vão lançar as novelas antigonas também? Eu adoraria ver Dancing Days, Água Viva, Brilhante novamente.

Como aqui não tem novela, sigo seriados, muitos seriados. Chego em casa, pego um copão de Coca Ligt, um petisco qualquer, e vou pro laptop assistir meu seriado do dia, que deixo baixando enquanto vou trabalhar. Normalmente acompanho:

- Grey's Anatomy
- Smallville
- Private Practice
- House
- Gossip Girl
- Desperate Housewives
- True Blood
- 90210 ( não vou acompanhar a 2a. temporada )
- Lost ( eu e Bart assistimos, mas volta só em janeiro )

Esse ano, várias séries novas foram lançadas:

- Vampire Diaries - está no terceiro episódio e ainda não empolgou, vou assistir mais 3 capítulos, se não melhorar, deixo de ver

- Eastwick - só teve um capítulo e é bem legalzinho

- Melrose ( remake ) - Ruim, assisti 3 episódios e já larguei

- Flashforward - Muito interessante, vamos ver se os episódios seguintes serão tão bons quanto o primeiro

Na TV normal, eu e Bart assistimos 2 and a half man, rolamos de rir e é uma das nossas séries favoritas, mas infelizmente está no repeteco normal da TV holandesa, sem episódios novos. Assistimos também NCIS quando calha de estar passando.

Eu amo seriados, se fosse rica e não trabalhasse ía assistir vários por dia. Mas me emponho o limite de acompanhar 7, uma para cada dia, e pode chegar à 9, nos findis eu assistiria 2 capítulos. Esses 40 minutos de coca-cola na frente do micro assistindo minhas séries são para mim melhor que uma massagem à luz de velas e musiquinha da Enya, puro relax.

E com tanto homem bonito, fica difícil escolher o "todo bom" mais todo bom, e eu estou numa fase totalmente vampiro Eric ( influenciada pelo livro, claro ), mas todas as vezes que eu o vejo na tela, principalmente agora que o personagem dele só veste preto, eu juro que ele é o homem mais bonito desse ( e quem sabe de outros ) planeta:



quinta-feira, setembro 24

A culpa é nossa


Eu queria hoje falar dum assunto sério, e pedir pra vocês pensarem um pouco.

A vida não tá fácil pra ninguém, ainda mais agora, em época de crise. Agora, mais do que nunca, as pessoas estão atrás de produtos mais baratos, barganhas, descontos. Eu também estou. Mas você já se perguntou se você está fazendo a coisa certa?

Um dos maiores gastos do orçamento de cada um são os gastos com comida. Aqui na Holanda, cada vez mais gente vai a supermercados baratos como o Aldi e Lidl, e as pessoas que, como eu, gostam dos supermercados maiores, como o Albert Heijn, procuram nesses mercados as marcas mais baratas, no caso do AH, a Euroshopper, que tem praticamente tudo o que se encontra num Lidl. A qualidade desses produtos não é ruim, o que leva a maioria a pensar que comprando os outros produtos, paga-se mesmo é pela embalagem e pelo nome. Mas eu pergunto: alguma vez você leu as letrinhas miúdas da embalagem do Euroshopper, ou dos produtos do Lidl pra ver de onde aquele produto vem?

Essa semana produtores de leite holandeses jogaram milhares de litros de leite no rio, em protesto ao preço do litro do leite pago ao produtor, € 0,20. Eu lembrei que paguei € 0,29 num litro de leite Euroshopper, e como pode, 9 centavos pagar transporte, pasteurização, engarrafamento ( é um leite em garrafa plástica ), etiqueta, caixas de papelão e distribuição no supermercado? Aí fui olhar as letrinhas e tava lá: produzido na Polônia. Explicado, o produtor polonês provavelmente recebe 10 centavos pelo litro, e não vinte. E daí a pergunta, porque é que o polonês (sobre)vive com 10 centavos e o holandês precisa de 20? E a resposta é óbvia: impostos, níveis salariais, energia elétrica, tudo é mais caro aqui.

Um dos maiores problemas são os altos salários do norte europeu comparados com outras regiões. E é aí que eu acho que nós, que moramos na Holanda, Alemanha, UK, Suécia, Dinamarca, etc etc etc cometemos um gigantesco erro. Nós queremos os benefícios trabalhistas que outros países não dão ( férias de até 40 dias, seguro desemprego que paga 70% do salário, licença maternidade de 4 a 6 meses ), queremos os benefícios sociais que outros países não dão ( subsídio para pagamento de casa própria, subsidio para plano de saúde, escolas gratuitas, auxílio-escola, etc etc etc ), mas não queremos pagar o preço dos produtos locais, que refletem os custos dos benefícios acima. Na hora que a dona de casa tem que colocar a mão no bolso, ela vai pro Lidl, onde os produtos todos vem do Leste Europeu, Turquia ou Alemanha, e manda os eurinhos dela pros cofres daqueles países.

Na época daquele escândalo da GAP ( a empresa usou mão de obra infantil na India para bordar blusinhas ), uma jornalista britânica perguntou: mas e a consumidora que viu uma tunicazinha de bom tecido, bordada à mão, à venda numa loja da Highstreet, não achou que havia algo de suspeito com o preço de 16 libras? E se você for pensar, é verdade, se a gente for fazer uns cálculos, umas 4 libras de tecido, 1 libra de pedrinhas, uns 50 pence de linha, etiquetas, cordinhas; mão de obra pra costurar, mão de obra pra bordar, transporte, à preços normais europeus, não paga nem o custo mesmo! Mas daí, a gente sempre se esconde no argumento de que quem paga caro paga marca, e eu até concordo quando estamos falando duma calça de 200 euros da Diesel, ou numa camiseta de 90 euros da Hugo Boss, mas quando falamos de marcas mais acessíveis, não se paga marca não. E o que acontece é que, para sobreviver e poder competir, essas empresas acabam comprando tudo da Asia, India, até do Afeganistão eu já vi roupas. Nessa mesma matéria, a tal jornalista fez uma pesquisa na rua e mostrava uma camiseta e falava: a loja oferece essa camiseta produzida na Índia por 15 libras e a mesma camiseta produzida na Inglaterra por 20 libras, qual você compraria? E nínguém, nem uma viva almazinha respondeu que compraria a produzida na Inglaterra.

Nos EUA e UK, já começou um movimento pela compra de produtos locais. É muito difícil evitar os importados de "low cost country" quando vamos comprar roupas, brinquedos, coisas pra casa, porque muitas vezes não achamos roupas que nos agrade, que sirva, e que seja produzido localmente. Mas para produtos alimentícios é totalmente possível. Eu não compro mais as marcas mais caras, mas também evito ir ao Lidl, e só compros os Euroshopper produzidos aqui. A solução pra mim tem sido comprar produtos "marca da casa", sempre de olho no lugar onde são produzidos. O leite euroshopper foi substituido pelo leite AH, e tantas outras coisas. Minha conta no mercado aumentou um pouco, mas não é de assustar ou passar fome. Tenho certeza que estou fazendo a coisa certa, só gostaria de ver mais gente fazendo o mesmo.

Agora deixa-me ir tomar minha Coca Zero ( infelizmente produzida na Bélgica, mas é difícil evitar alimentos da Benelux aqui ) e comer meu pão Goede Begin com queijo Beemster.


quarta-feira, setembro 23

Coisa de gente atrasada

A Holandesa já fez um post sobre a tal bebé glotón, agora a discussão tá no blog da Denise. Quem quiser youtubar o nome tá aí. Se trata de uma boneca que mama num sutianzinho que acompanha o brinquedo.

A discussão toda vem da reação principalmente dos americanos, contra o brinquedo. Eu acho as reações engraçadíssimas. Tem quem ache de mal gosto. Tem quem ache lindo ensinar a menininha de 4 anos a importância da amamentação. Tem quem ache ótimo que o sutianzinho tenha uma flor ao invés de seios. E tem quem, como eu, ache tudo isso ridículo.

Eu não entendo como é que AINDA compremos bonecas pras meninas. Tanta coisa pra ensinar a menina a fazer, vamos ensinar a limpar a bunda do bebê Cocolito, a aguentar a chatisse da Sarampinho, a passar horas com o Manequinho no seu penico. E não contentes com nosso sadismo, complementamos comprado mini-aspirador de pó, mini-ferro de passar roupa, mini-vassouras. Enquanto isso o Joãozinho, só porque nasceu com um pipi, brinca com um lindo e reluzente carrão, ou é um policial fantástico que salva a humanidade de terroristas malvados, ou é um rico dono de um posto de gasolina, ou um fantástico jogador de futebol.

Há quem diga que é a menina que naturalmente se indentifica com a mãe e imita as atividades dela. Triste isso, que a menina só veja a mãe lavando, passando e cozinhando. Triste também que o menino não veja o pai JAMAIS lavando, passando e cozinhando, porque vocês já viram um mini-ferro de passar com tábua para meninos? Acho tudo isso de "imitar os pais" uma baboseira, no fim a menina pede bonecas porque vê na TV esse mundo de propaganda de bonecas, e também porque a mãe, que brincou de bonecas, no minuto que vê no ultrasson que é uma menina já corre comprar bonecas pra filha.

Isso sem falar que se o filho macho um dia pedir uma boneca, o pai se suicida. Exageros à parte, até uma amiga ultra inteligente e liberal comentou que o filho teve uma fase de querer uma Barbie, e quando ele, além da Barbie escolheu também o carro da Barbie, ela pensou "ele ainda tem jeito". Porque brincar de bonecas é coisa de meninas e gays. Porque vocês sabem, né, a mulher faz filho sozinha, só ela é que tem que aprender a segurar um bebê, a dar papinha, limpar cocô. A gente já meio que cria a menina conformada com o futuro dela: limpar bunda de filho enquanto o marido se diverte no futebol com os amigos.

Suspirando fundo eu pergunto, porque é que nós mulheres nos boicotamos desde cedo? Porque não incentivamos outros tipos de brinquedos? Respondam sinceramente, quem tem filha menina, quantas bonecas vocês compraram até hoje e quantos brinquedos que não tem nada a ver com tarefas domésticas?

E o mais importante: será que eu chegarei a ver a geração que vai mudar isso?

segunda-feira, setembro 21

Banhas


Gordo tem que ser inteligente. Gordo burro não sobrevive nesse mundo cruel!

Tenho dois gatos, Plato e Tyrus. Plato tem ossos largos, Ty tem ossos menos largos. Óquei, podem falar, Plato é gordo e o Ty é normal. Magro nenhum dos dois é.

Plato, o gorducho, é o inteligente da dupla. Ty é… digamos… menos favorecido intelectuamente.

Plato, gato que é, morre de curiosidade em percorrer as ruas do bairro, e eu não deixo, claro. Nesse findi, Plato, que é gordo mas é inteligente, descobriu que já que pular a cerca é uma tarefa hercúlea e praticamente impossível, o negócio era mais embaixo. Literalmente. Ele aprendeu a CAVAR debaixo da cerca e fugir. Fugiu sábado e domingo. Sábado ele voltou antes mesmo da falta dele ter sido notada ( Bart estava sozinho em casa ), e domingo eu percebi logo e o peguei na esquininha. Peste!

E agora deixando as banhas dos gatos de lado e falando das minhas. Já tenho dieta legal pra seguir ( a dos Vigilantes ), já tô planejando novas férias praianas em Dezembro ( biquini de novo ), mas cadê a motivação pra passar fome?

Gente, 21 pontos dos Vigilantes é praticamente nada! Vou ter que subir nas paredes de fome por meeeeses a fio. Um mísero sanduichinho de 2 fatias de pão e uma de queijo, mesmo usando pão integral, queijo menos gordo e margarina ultra light, custam de 4 a 5 pontos. O jeito é comer pão com cottage, que pode até não ser horrível-medonho, mas é meio que comer isopor. O Philadelfia até que dá pra encarar, com umas ruculinhas, mas todo dia? E eu olho a lista das comidas "de graça" ( zero pontos ) e me dá meio depressão, as banhas ( o cérebro )gritam que não querem maçã, alface, pepino, as banhas ( o cérebro ) já sentiram o frio chegando e já entraram no mode inverno: fondue de queijo, chocolate quente, pizza-baguete, cookies de nozes, aghhhhhh...

Preciso daquela ultra motivação relâmpago, estava pensando num daqueles livros do Dr. Phil, será que ajuda? ( perguntinha: será que eu vi direito, o Dr. Phil estava substituindo o Larry King na CNN? ). Toda vez que vou ver a miséria de comida que os tais pontos do Vigilantes me dá me desânimo, mas sério mesmo, TENHO que fazer alguma coisa!

Tudo o que eu queria era estar no Brasil, tomar umas bolinhas, dar umas dançadas e umas nadadas, encomendar as refeições do vigilantes prontinhas e cheirosas, e minha vida seria uma beleza. Mas como diz uma amiga: não reclama, tu tais na Zuropa e Paris é logo ali.

Blé.

domingo, setembro 20

The lost symbol

Então, tô lendo, o o quinto livro do Dan Brown e terceiro da série que tem o Professor Langdon.

O livro ainda não conseguiu me capturar como foi o caso de Angels and Demons e The Da Vinci Code. Acho que é porque se passa em Washington, lugar que eu não conheço e não morro de vontade de visitar. Aliás, de Washington conheço o Dulles, provavelmente o aeroporto internacional mais odioso do mundo, ou pelo menos o pior que eu conheço.

Eu deixei o livro reservado desde a semana passada. Fui pegar ontem e era o último exemplar da loja. Um senhora, desesperada para dar um presente especial, me ofereceu 10 euros a mais pelo livro, mas eu não vendi. Não vendi porque não tinha nada programado para o findi, e imaginei que se o livro fosse tão fácil de ler como os outros dois da série, eu o leria compulsivamente e teria um grande final de semana. Mas meio que empaquei. Devia ter aceitado os 10 euros da holandesa.

Aliás, o livro me fez lembrar muito do meu ex-noivo, que era maçon ( ou maçom? ). A mãe dele, católica ferrenha, esconjurou mil vezes o Da Vinci code, agora chegou a vez dele de esconjurar esse, já que ele conta vários segredos da ordem.

Agora deixa eu voltar pras páginas, quem sabe o livro tá pra deslanchar?