sexta-feira, dezembro 10
Sorria, voce estah na Bahia
E nessa segunda passagem pela Bahia, eh aqui que me sinto deslumbrada, que olho pra todo lado e me sinto sem palavras pra descrever a beleza do lugar. Dirigindo pela linha verde, vendo os coqueiros a distancia, que lugar! O vilarejozinho de Praia do Forte me faz sentir em casa, quando cruzo o portal nao consigo interromper o sorrisao do rosto.
Estou num hotel rodeada de pobres e ricos, ou melhor, classe media. A cada vez me sinto mais um ET. A moca do bar, que deve ser parente proxima da Claudinha, me contava que vai mandar um CV pro hotel Iberostar porque aqui ganha 590 reais e lah ganharia 700, e que com a diferença poderia colocar portas na casa que estah construindo. De outro lado, a moça de classe media me conta que tem uma amiga que esta vivendo de fazer compras na Europa e revender no Brasil, e que ela traz camisas da Tommy pro filho dela por soh 80 reais. O filho dela tem 4 anos. Eu fiquei pensando, compre camisas de 30 reais pro filho e coloque a diferenca numa conta de poupanca e quando ele fizer 18 anos dê um apartamento pra ele.
Nunca tinha percebido como a classe media brasileira superficial, mas estou cada vez mais chocada. Não entendo o porque dessa mania com produtos importados, essa necessidade de mostrar etiquetas. E já que se quer mostrar etiquetas, que se mostre etiquetas nacionais. Gente, vi tanta coisa legalzinha aqui, tanta roupinha legal de artesães locais, os chinelos e rasteirinhas, as saidinhas de praia, dá vontade de comprar tudo! E neguinho aqui indo pra piscina com vestidinho Burberry. Não entendo!
Eu acho que talvez eu fosse ser assim tambem. Sou classe media paulista, a pior que há. A Yolanda ( como diria a Alice ) me curou!
Agora vou cuidar da vida. Está chovendo cântaros aqui, e demos graças a Deus porque estamos os dois gripados, nariz escorrendo e olhão vermelho.
domingo, dezembro 5
Breve parada em SP
Chegamos em SP e minha mae, tia e primo estavam aqui esperando pra pegar uma mala de presentes, e logico pra nos ver.
Dormimos no hotel Caesar Business, e apesar do preco salgado eu recomendo. Tem todo o espaco que o Citzen M ( que ficamos em AMsterdam ) nao tem.
Agora estamos indo pro cafe da manha e as 10 vamos pro aeroporto pegar o voo pra salvador. Dai sim comecam as ferias.
Em salvador recarrego meu telefoneco e coloco as primeiras foteeeenhas.
Povo, ja ate esqueci o que eh neve!
sexta-feira, dezembro 3
Dear all
Então, é hoje! Vou pro aeroporto, durmo lá, e vou-me pra Pasárgada ( apesar de não ser amiga do rei ).
Resolveram a pendenga do hotel? Marromenos. Estarei indo pro Grand Palladium Imbassaí, que estava na minha listinha de candidatos mas foi descartado porque está em soft opening. A única compensação que me deram foi alugarem um carro, já que o hotel é bem mais distante da vilinha de Praia do Forte. Até a diferença de preço do hotéis tive que brigar pra ter de volta. Na agência, tudo estava sendo cuidado bem enquanto nossa agente estava lá, ontem ela tinha o dia livre e a substituta era péssima.
Estou louca pra chegar em SP, comer uma coxinha com guaraná e relaxar vendo novela. Mais nada. Cansadésima disso tudo aqui. Essa semana inteira estou me sentindo um urso polar no deserto do Saara.
Deixa eu contar. Abriu um "rodízio" em Nuenem. Achei barato, € 23.50 por cabeça, então sugeri que fizéssemos nosso jantar de Sinterklaas lá. Gente, que coisa bizarra! No começo vem a mocinha explicar o "evento", e ensina que se começa com sopas. Cuma? Sopas? Bom, vamos lá, sopinha cai bem nesse frio… Aí vai-se, coordenadamente e em ordem, pro buffet de saladas, aliás, mini-buffet de saladas. Nenhuma folhinha cruazinha e crocante, nenhum vinagrete, nenhuma farofa. Palmito nunca foi visto pelo dono, claro. Mas ok, ninguém foi lá pra comer salada. Aí começaram as carnes, a maioria bem boa. Até camarõezinhos serviram. Já quase no final, picanha, disse pra todo mundo experimentar, os colegas pegaram uma fatiazinha, ok-ok, nada de especial ( e olha que a picanha estava super boa ). Aí começa a passar uma carne pedaçuda, parecia Cupim, e todo mundo LEKKER, LEKKER ( delícia ), ouvi até um FANTASTIIIIIISCH ( fantástico ), e claro fui experimentar. Era um bolão de carne moída com tempero ultra apimentado. E foi aí que eu entendi, que depois de décadas comendo carne moída meio-a-meio temperada pela mãe e depois pela esposa com qualquer pó cheio de salitre, o tamancudo não vai mesmo achar gosto numa picanha de primeira, churrasqueada no ponto certo só com uma pitada de sal grosso.
Aí lembrei do churrasco de despedida do casal consular. Fui comprar as carnes com a Holandesa. Pegamos uma peçona de Contra-filé brasileiro liiiindo, pegamos picanha, aí ela vai nos hamburgueres e pega uma caixona. Eu na hora falei: cê tá louca, quem vai comer hamburguer com tanta carne de primeira? E ela respondeu: ah, eu conheço a holandesada, eles a-do-ram hamburgueres. Durante o churrasco, eu perguntei pro churrasqueiro se os hamburgueres tiveram saída: ah, eu coloquei uns 3 na chapa, mas do jeito que foram pra mesa voltaram, mas também, quem vai comer hamburguer se tem filé? ( o churrasqueiro era pai do dono da casa, brasileiríssimo ).
Daí eu concluo que nós, brasileiros, "infectamos" nossos parceiros holandeses com nosso paladar de fino trato. Portanto, há esperança.
E fui-me povo, o próximo post vai ser on the road.
Pros amiguinhos do Twitter, foteeeenhas seguirão do Smartphone, keep watching ; )
quinta-feira, dezembro 2
Arrancando os cabelos
Ainda não sabemos qual será a solução pro nosso problema. Liguei pro Iberostar na Bahia, e explicaram que haverá um evento no hotel, ou seja, quem já tinha reserva, foi simplesmente chutado na bunda.
A agência, a Tui Alemanha, quer sair dessa sem gastar um puto tostão.
Nos ofereceram um quarto standard no Tivoli Eco Resort, com pensão completa e 150 euros pra drinks. Não aceitamos por dois motivos: os quartos standard são velhos caindo aos pedaços, e eu havia pagado por uma Suite Junior com vista pro mar, e ficamos fazendo as contas do que gastaríamos com bebidas, e pensem bem, 4 reais cada refri, 16 reais uma caipirinha, 6 reais uma garrafa de água mineral. Adianta você estar num hotel mais luxuoso mas ficar preocupado com cada copo de água que você bebe?
Propusemos ficar no Grand Palladium Imbassai, num quarto com vista para o mar, receber a diferença de volta ( €600 euros ) e que eles nos paguem o aluguel de um carro, porque esse hotel é no middle of nowhere. É um puuuuuta negócio pra TUI mas eles ainda não responderam, ainda estão fazendo fiofó doce.
Eu vou ficando mais nervosa a cada hora que passa.
Imaginem que a nossa agente na ARKE não trabalha às quintas, então eu liguei de manhã e me atendeu outra dona. Aí ela me disse que a TUI ía dar a resposta só à tarde, aí imaginem que se é algo que eu não quero aceitar, terei tempo de arrumar outra coisa? Virei um bicho. Falei que estou saindo da minha casa em 24 horas e não sei onde vou dormir ao chegar no Brasil, tudo isso com voz de bruxa do 71.
Olha, é terrível como a gente se sente desamparada da lei numa situação dessas. Eu não quero um hotel melhor, eu não quero carro gratis, eu não quero nada especial, quero só ficar no hotel que eu reservei, paguei, recebi confirmação, peguei os vouchers na agência. Coloquei muito tempo e esforço na escolha desse hotel, e agora estou tendo que, na correria, aceitar o que estiver disponível só porque eles fizeram besteira. Não sei pra quem reclamar, não sei pra que lado correr e tenho a impressão de que se eu não aceitar alguma coisa loguinho, vou acabar sem hotel, sem escolha.
Ó, eu sei que eu sou uma chata, mas nem eu mereço um stress desses um dia antes de ir de férias.
Blé, isso tudo é muito blé.
quarta-feira, dezembro 1
Pânico total
Fomos contactados pela ARKE hoje na hora de almoço com informação de que deu overbooking no Iberostar Praia do Forte, que nossas reservas foram canceladas. A agência está negociando com a TUI porque o principal problema é que a única opção é o Tivoli Eco Resort, que não é all-inclusive e cujos únicos quartos que tem resenha favorável são aqueles renovados, super caros.
Esse Tivoli Eco Resort é bem mais caro que o Iberostar, mais bem localizado, mas nós queríamos mesmo ir pra um all-inclusive, sem falar que um simples guaraná no Tivoli custa 4 reais, uma caipirinha 16 reais, como bancar essa fortuna, pra quem já pagou super caro no hotel, achando que estava reservando um all-inclusive e que não iria gastar mais um tostão?
Olha, é muito olho gordo nessa viagem, não é possível. Justo hoje, que peguei o netbook que vou levar pra minha sobrinha na loja, era o último presente a ser providenciado, achei que finalmente estava pronta pra ir de férias, só faltava lidar com o drama que está aqui no trabalho.
É mole ou quer mais?
segunda-feira, novembro 29
Neve no fiofó dos outros é refresco
Indo para o trabalho de moteeenha, começou a nevar sal grosso. Flocão de neve é bonito de ver, é maciozinho, mas essa neve sal-grosso acaba com a cara ( e a maquiagem ) da gente. Eu tava perto da empresa e fui bravamente em frente e cheguei.
O dia se sucedeu em reuniões infames, onde não se resolve nada, e amanhã será outro repeteco. Manja quando você tem a impressão que não produziu nada?
Aí eu trabalhei até as 8 da noite, quando tentei sair tinha 20cm de neve fofinha. Lindo, mas... um sebo. Tentei ir de moteeenha, mas depois de 50 metros escorregamos, eu pulei, a moteeenha se estatelou, eu estacionei a bicha no cobertinho e liguei pro marido.
Fiquei na guarita 45 minutos, porque o marido estava ainda no trabalho e fica longe, e eu ali morgando, pelo menos tava quentinho.
Chegando em casa, já pronta pra cair no choro de desgosto, vejo meus gatuchos fofos os dois esperando a gente na janela, o entregador da Nike me deixou o papelucho de entrega da UPS, que é onde a bolsa da Kipling já está, ou seja, será uma só viagem, e eu tinha molho de tomates congelado pra fazer um macarrãozinho caseiro depois de semanas na comida congelada.
A vida até que não é tão má.
Agora vou ler noveletas debaixo do cobertor.
E pra você que acha linda as foteeenhas nevadas, digo-lhes: neve no fiofó dos outros é refresco! ( literalmente )
domingo, novembro 28
Dois posts em um
Compras online
Então, eis que eu decido fazer as compras esse ano online. Comprar é fácil, e a maioria dos sites está dando a entrega gratuitamente, mas essa entrega... Claro que só entregam no horário de trabalho e não entregam aos sábados, salvo a Wehkamp.
Comprei uma bolsa pra minha sobrinha e depois do entregado tentar entregar duas vezes, entrei no site da UPS e consegui avisá-los pra trazer o pacote para a central UPS mais próxima que eu irei buscar. Graças a Deus moro em Eindhoven em aqui tem central de todas as entregadoras, mas fico pensando quem mora em dorpje, o saco que deve ser.
Comprei também um tênis da Nike e estou tentando achar a entregadora, mas necas de catipiroba, terei que esperá-los vir aqui, ver qual é a empresa, pra só assim pedir para levar o pacote para a central.
E meu irmão quer ainda um netbook, e só vou colocar o pedido se eu conseguir confirmar no site que eu posso ir direto na central pegar, senão não dá tempo.
E o que me dá mais raiva é que você quer pegar o telefone e resolver a parada mas a maioria desses sites ( Kipling, Nike, Esprit ) não tem atendimento telefônico, só por e-mail.
Então, frustrada com o serviço das online, arregacei as mangas ( mentira, tá -2 graus e só louco arregaça as mangas ), e fui à luta.
Comprei tudo o que precisava? Acho que sim, e mais do que precisava, mas foram 3 dias de intenso labutar, e eu estou me arrastando. Não descansei nada! Fora que aqui não tem shopping como em SP, então é tudo no frio! Imaginem que hoje estava zero graus quando eu fui pro centro, e eu precisava dos presentes "pequenos", aqueles ao redor dos 10 euros, que estão, infalivelmente, nas lojas mais lotadas, porque holandês só dá presente nesse range.
Com isso, minha criatividade "presentística" caiu ao zero: comprei a mesma calça jeans para mim, para a minha mãe e para a minha cunhada, comprei a mesma blusinha de malha para uma tia e duas primas, comprei um colarzinho e brinco combinando para outras duas tias e uma prima. Para o meu afilhado, todos os anos acabo comprando um boné, nesse ano será o mesmo, porque a energia para ir até a Bijenkorf acabou na metade do caminho.
Só quero ver achar lugar pra colocar tudo isso!
O PERRENGUE NO TRABALHO
Sexta-feira tivemos um curso de Staff, só os gerentes e diretores. A proposta era: em 2015 minha empresa será assim... Discutimos e descrevemos como seria a empresa "dos nossos sonhos" em 2015 e as ações para chegar lá.
Na parte de tarde fomos divididos em grupos, e eu caí no grupo do diretorzão. Nosso grupo pegou o assunto "people" no sorteio.
Estávamos lá na sala do diretorzão fazendo nosso assignment e uma das perguntas era: qual o split ideal entre mulheres e homens no departamento em 2015? A empresa estará contratando mais mulheres? ( é notório o ínfimo número de mulheres trabalhando na empresa toda ).
Ele olhou para mim e perguntou: Adriana, vc é a única mulher do grupo, o que você acha?
E eu fui sincera. Disse que o xis da questão não parece ser nem a gravidez e licença maternidade, mas sim o fato de praticamente 100% da população feminina holandesa achar que se ela não ficar em casa pelo menos um dia por semana, que o filho vai ter sérios problemas no futuro. Disse que eu realmente não vejo como o nosso trabalho possa ser feito em 4 dias por semana, mesmo porque qualquer emergência que ameace parar a linha de produção acaba na mão do comprador, então o risco que a empresa corre se aquela pessoa não estiver disponível é bastante grande. Disse que eu deixaria bem claro para candidatas de sexo feminino que o cargo não tem possibilidades de meio período / um dia a menos; e esperaria que elas fizessem sua escolha. Na verdade, a impossibilidade de trabalhar um dia a menos vale para ambos os sexos, mas embora o número de homens trabalhando um dia a menos esteja crescendo, comparado com o número de mulheres, ainda é ínfimo.
Ele me chamou num canto e me pediu para que eu explicasse esse ponto, porque ele é de mesma opinião mas não pode se manifestar. Eu fiquei confusa, mas ele me pediu... Temos duas mulheres diretoras, e elas não gostaram nada do que eu falei, e acho que alguns outros diretores também não, mas é minha opinião como indivíduo, fazer o que?
Não houve tempo para debates, réplicas ou tréplicas, mas depois vieram me falar que é ilegal dizer para um candidato que o emprego não permite part-time, e que se um funcionário requerer o part-time, é ilegal negar. Será? Eu já ouvi de tanta gente que quis negociar com a empresa ao ter filhos e não conseguir. Só sei que eu precido URGENTEMENTE de um treinamento sobre o que se pode falar ou não numa entrevista na Holanda, porque já comecei a entrevistar candidatos para o meu grupo e fico sempre na ultra-dúvida.
Mas eu acho sim que ambas as partes, empresa e funcionário, se beneficiariam de um pouco de honestidade. A empresa em não esconder as possibilidades do candidato ( isso envolve também não prometer celulares, viagens, laptops de última geração se você não pode depois dar ), o candidato em não esconder seu planos pessoais ( a mulher que quer ter filhos, o rapaz que quer tirar um sabatical para ser voluntário na Africa, o OldFart que gosta de viajar a trabalho e odeia sentar a bunda na cadeira do escritório ).
Aí a empresa fica achando o funcionário um "folgado" porque ele quer o celular prometido ou as mil viagens a negócios; e o funcionário fica "p" quando o part-time é negado ou o sabátical. E o governo inventar leis para fazer a empresa cumprir um papel social que cabe a ele é burrice, porque a empresa tem mil estratégias para manipular o funcionário, vide a colega que queria trabalhar só 3 dias por semana e depois de ser colocada num dos piores departamentos da empresa pediu as contas.
Agora me vou, tentar descansar um pouco nesse resto de findi, e começar a arrumar a mala.
quarta-feira, novembro 24
Whadda "beep"?
Quem odeia fazer as compras de lembrancinhas quando vai pro Brasil põe o dedo aqui!
Engraçado é que o povo tem vergonha de dizer: já que você vai me trazer um presente mesmo, me traga X. Meu irmão fica inventando desculpinhas, e eu deixo, porque eu me divirto vendo as grandes elaborações dele. Mas ó, que prático o povo te falar o que quer. Minha sobrinha queria uma bolsa Kipling, já comprei online, devo receber logo. O resto vou ver se compro online. Tá um frio do cão e ficar zanzando pra cima e pra baixo não traz futuro.
Mas então, tcheu contar procês do OldFart. Ontem foi o último dia do funcionário que o OldFart está substituindo. O costume aqui é o que está saindo comprar uma gebak ( torta ), a gente senta na sala do diretor e o diretor faz um discurso e dá o presente com cartão do time. Esse discurso é coisa de holandês, roteiro mais ensaiado do que a festa de aniversário onde todo mundo senta em rodinha e bebe café com gebak, o diretor fala como o funcionário começou, qual foi a primeira impressão dele na entrevista ( sempre sendo bonzinho ), fala de alguns projetos e momentos difíceis - sempre enfatizando como o funcionário em questão se deu bem, tenta engajar uma ou duas piadinhas pro povo rir, e termina agradecendo e dando o presente. Aí o funcionário "saideiro" faz o discurso final, e todo mundo sai feliz. Ontem, quando o diretor acabou, o OldFart levantou, antes do "saideiro" ter a oportunidade de agradecer, e disse que queria fazer um agradecimento especial ao rapaz, que foi o mentor dele nesses 3 meses.
Esse Old-Friggin-Fart levanta e começa: trabalho em time é importante… eu fiz parte de um time de iatismo, competi profissionalmente, ganhei 6 títulos holandeses, 2 europeus, vice mundial, velejei com o príncipe Willem Alexander, e eu fiz isso e aquilo e ganhei louvores e iata iata iata … 5 minutos depois … iata iata iata, e apesar do mundo ser um lugar melhor porque eu existo, eu tenho muito a agredecer ao meu "coach", que assim como o "Saideiro", me guiou para o meu triunfo. E deu um pacotinho pro rapaz com uma camisa do time que ele participou, detalhe: usada!
Ficou todo mundo com cara de bunda, até que um colega soltou: ei, Saideiro, você disse que ía pintar sua casa nesse fim-de-semana, ó aí, já ganhou a camisa!
Gente, me diga, como será minha avaliação anual em 2011 se eu vou ser avaliada por treinar esse trem desgovernado?
segunda-feira, novembro 22
Ah, Bebé, mamar na vaca cê num qué!
Será que fui só eu? Lá em casa eu nunca pude escolher se ía pra Universidade ou não, TINHA que ir, podia ser pra qualquer coisa que me apetecesse, não não ter curso superior não era opção.
E desde pequena fui doutrinada: você tem que ser a melhor, tem que sempre querer mais, e conforme eu fui ficando mais velha, tem que fazer um excelente estágio, tem que conseguir um emprego invejável, tem que ser bem sucedida.
Eu nem sei qual seria a reação dos meus pais se eu tivesse dito: mas eu quero só o suficiente pra comprar um carrinho, alugar um apartamentozinho, ir pra Porto Seguro com parcelamento em 10X pela CVC, e fazer minha festa de casamento no quintal de casa com lanchinho de carne-louca.
Eu acho que a possibilidade de querer menos na vida nem passava pela minha cabeça, porque eu sempre ouvi que eles faziam por nós ( eu e meu irmão ) mais do que os pais deles fizeram, portanto nós deveríamos também chegar mais longe do que eles chegaram. Querer menos nunca existiu.
Eu até preciso perguntar pro meu irmão como ele educa os filhos dele, porque se for da mesma forma que nós fomos educados, coitados dessas crianças, afinal, modéstica bem a parte, eu e meu irmão não nos demos mal na vida.
Só sei que hoje eu estava aqui na minha mesa, quase chorando de desespero, 4 da tarde e já sabendo que o dia não termina antes das 8 da noite, pensando que vou ter que comer comida congelada de novo, quando eu vi a assistente do departamento fechar a mesinha dela, desligar o computador, passar batom, e dar tchau felizinha porque hoje ela vai assistir HP com uma amiga e jantar fora. E eu brinquei: que inveja! Ela só respondeu: Adriana, é justo você ter inveja de mim, porque eu também tenho inveja de você. Você inveja eu sair todos os dias as 4, e o tempo que eu tenho pra ir ao mercado com calma, de ir pra aula de Pilates, de sair com uma amiga em qualquer dia da semana, de eu nem lembrar do meu trabalho depois que eu saio da empresa, e eu invejo você porque você não precisa economizar 2 anos, se privar de comprar roupas novas, vigiar as compras do mercado, tudo pra poder juntar dinheiro pra fazer uma viagem legal ( ela está indo pra Austrália em fevereiro ).
E eu fico pensando… Será que não tem meio-termo? Mas ué, a Holanda já é um meio termo, afinal essa colega ganha pouco mais de um salário mínimo e mora sozinha, tem seu carrinho e vai pra Austrália, quando isso será possível pra quem ganha salário mínimo no Brasil?
A verdade é que eu sou doida e o que eu quero é trabalhar 8 horas por dia, até umas 9 ainda vai, fechar minha mesa, ir fazer curso de Mindfulness porque eu tô mais que precisando, e ainda ganhar o que eu ganho.
Agora respondam aí: dá pé?
sábado, novembro 20
Cinto de inutilidades
Clique aqui para ver a inutilidade do século
No vídeo os cabos pra tudo que é lado
Tem quem compre?
Cadê o avião?
Estou olhando alguns sites no Brasil e ó, que vontade de mandar tudo pra pqp e sair de férias agora, viu! Comecei vendo site de sandálias, gente tantas e tão lindas! E eu quero bem no estilo 30 real: havaianas, ipanemas, azaleias e ramarins. Quero também uma mais chiquezinha pra jantarzinhos especiais, já que a gente só vai pra praia mesmo.
Daí resolvi pesquisar se tem loja de sandália em Praia do Forte, eu lembro que adoramos o comércio em Praia, mas não lembrava de ter visto sandálias. Claro que tem, e de quebra vi as foteeenhas da vilinha, que é linda de morrer. Ai, que diliça voltar pra Praia do Forte.
Cadê o avião que eu vou-me embora já, que eu não nasci pra esse frio.
Ah, antes que Alice diga que eu reclamo muito, não estou reclamando - só contando um fato.
sexta-feira, novembro 19
Harry Potter 7
Ontem assisti ao Harry Potter 7. O filme ía ser 3D, daí eu ter escolhido o Imax, mas parece que os produtores não conseguiram terminar os "efeitos" a tempo, mas como algumas das cenas foram óbviamente filmadas para dar um sustão no 3D, não duvido nada que o DVD seja lançado em Blue Ray 3D.
Outra novidade é que o filme vem com censura 12 anos, enquanto os anteriores eram censura livre. Eu não acho que uma criança de 10 anos vá se assustar com o filme, mas uma de 6 certamente vai. Fui na sessão das 18:15 ( eu estava planejando ir na das 20:30 pra evitar crianças, bebês, cabras e aliens ) e havia bastante avisos "atenção, censura 12 anos, cenas de violência e suspense", e vi que aqueles que teimaram em levar crianças menores foram avisados de que o filme é escuro e pode ser assustador. Claro que meia-duzia de espírito de porcos foram mesmo assim. Vi dois adultos saindo com crianças no meio do filme.
Quem leu o livro sabe que a primeira metade da história é tensa, só coisas ruins acontecem, que eles brigam muito por causa do horcrux no pescoço, que ficam perdidos fugindo do Voldemort pra cima e pra baixo, e tudo isso está no filme, claro, e daí o filme ser sombrio, pesado mesmo em comparação aos outros. As crianças não vão mais se identificar, porque não tem mais criança no filme, tá todo mundo adulto.
Eu gostei do filme, mas é um filme pros fãs, porque é um pedaço de uma história. Pra quem não é fã, eu diria pra esperar o próximo, assistir esse em DVD nas vésperas, e assim fica-se sabendo do fim da saga.
Para os fãs, e respondendo à pergunta que não quer calar, onde acaba esse filme? Dobbey morre, Harry está enterrando ele quando ao mesmo tempo Voldemort está violando o túmulo do Dumbledore pra pegar a Elder Wand ( como traduziram isso? ). Ele levanta a varinha, emite um raio, e tcharam, o filme acaba.
O próximo filme será gigantesco, porque o filme não acabou na metade do livro, acabou antes.
Agora é esperar Julho de 2011.
Ó céus.
quinta-feira, novembro 18
Cataploft!
Ontem um carro me cacetou dentro da ciclovia. Eu certíssima, ele erradíssimo ( dentro da ciclovia! ), fui ao chão, não me machuquei feio, a moteeenha tá inteira, mas eu tô toda dolorida, devia ter ficado em casa na banheira, mas não posso me dar a esse luxo. Cá estou eu, me arrastando.
Indo pro trabalho hoje, na mesma ciclovia, um turco que andava pela ciclovia levando o filho pra escola me xingou. Eu, novamente, certíssima na ciclovia, ele pedestre andando pela ciclovia. Estava com os pacovás na lua, lembrei que tinha um carro de polícia escolar a 10 mrts dali, dei queixa! Foram lá no senhor, que ainda estava na ciclovia, fizeram ele preencher uma ficha, perguntaram se eu queria dar queixa, eu dei! Disseram que eu vou receber o "resultado" pelo correio em casa. Ah, e o turcão vai receber uma multa!!! Ha ha ha, bem feito!
E faz um frio, um frio, um friiiiio… Estou dolorida, deprimida, atolada de trabalho, mas preciso ir ao cinema, porque ontem começou o Harry Potter 7. Estou pensando em ir na sessão das 20:30, assim a chance de ter criança, bebês, cabras e aliens no cinema é menor. Tô querendo ir no IMAX, apesar de já ter jurado minha fidelidade ao Zien ( cinema com mesinhas e garçon ).
Tomei Voltaren, paracetamol fortão, passei pomada no joelho, colei emplastro sabiá nas costas, mas ainda assim tô um caco. Só o sol da Bahia, bobó do Yemanjá e caipirinha de caju salvam.
Claudinha, sem querer te matar de inveja, mas em 16 dias eu estarei aportando na sua terra, estarei no Resortão boiando na piscina e vou dormir ouvindo os coqueiros chacoalhando em frente ao nosso quarto com vista pro mar. Na na ni náááá.
terça-feira, novembro 16
The Sky is not so blue today...
De todas as coisas boas que meus pais fizeram por mim e pelo meu irmão, permitir que tivéssemos animais de estimação foi uma das melhores e mais importantes.
Tivemos gatos, um cachorro, passarinhos… Cachorro foi só um, o Ship, que "veio" com a nossa casa, a dona estava indo morar num apartamento que não permitia animais, e ela ficou exultante vendo a nossa alegria, minha e do meu irmão, ao saber que poderíamos ficar com o Ship. Ele era um cachorro especial, mas todos os cachorros são especiais, não são? Inteligentíssimo, fazia vários truques, era o nosso orgulho. Ship era, segundo 100% das pessoas que o conheciam, o cachorro mais feio do mundo. Um cruzamento de pequinês com qualquer vira-lata, ele era feinho mesmo, mas simpatissíssimo, em alguns minutos conquistava qualquer um. Ship viveu uma longa vida, e acho que uma vida bem feliz. Quando ficou velhinho foi perdendo os dentes, teve um derrame, a gente foi se preparando para o fim que chegava. Minha mãe diz que um dia antes de morrer ela percebeu que ele não aguentava mais, e conversou com ele, disse que ela ía sentir muito a falta dele mas que ele podia ir. E ele foi.
A Ali, nossa última gatinha, eu comprei num petshop muito do ruim. Eles colocaram aquela caixa ali na vitrine, com esses siameses, todos entuchados num espaço minúsculo. A petshop ficava num shopping, e numa manhã eu vi aquela ninhada ali, tão pequeninhos, me apaixonei. Tínhamos acabado de perder nossa gatinha, envenenada, minha mãe não queria mais gatos, mas ao fim da tarde, quando voltei àquele shopping, me cortou o coração, havia sobrado apenas um gatinho, que sozinho, chorava. Entrei na loja pra perguntar o preço, a vendedora disse: é fêmea, ninguém quer, ela é muito pequeninha. Eu quiz. Levei a Ali pra pra casa. Na época o francezinho Jordi cantava Allison, e daí saiu o nome dela. Ali era a companheira da minha mãe, morria de ciúmes dela. Quando o Bruno nasceu, a gata imediatamente se pegou de amores por ele, ele fazia gato e sapato dela, e era engraçadíssimo ver minha mãe levando o Bru pra passear de carrinho de bebê pela vizinhança e a gata seguindo que nem cachorro na coleira. Ali foi a companheira de divórcio da minha mãe, quando mudei pra Holanda cogitei trazê-la, mas naquele momento pior do que a saudade que eu teria dela, seria minha mãe, que havia perdido o marido, vendido a casa onde moramos 25 anos, se despedido da filha que foi pra outro continente, perder também a gatinha que tanto fazia companhia pra ela. Ali foi pro apartamento com a minha mãe e sempre ía pra Holambra com ela, e numa das férias minha mãe olhou pra ela lá estendida ao sol, no jardim, e teve dó de trazê-la pro apartamento. E assim Ali ganhou casa nova. A família foi aumentando, e os três cachorros imensos do meu irmão tinham apenas um medo na vida: medo da Ali, a chefona. Ali já estava com 17 anos, firme e forte, briguentinha que só ela, e num dia começou a mancar, o veterinário deu remédios, em uma semana ela se foi. Velhinha, morreu rápido, na sala com meu irmão e minha cunhada, no cobertorzinho dela.
Hoje, com os meus meninos, rezo para que eles morram como o Ship ou a Ali, velhinhos, perto de nós. Que nós tenhamos tempo de nos preparar para a partida deles.
Nossas duas Mimi's e o Chaninho não tiveram a mesma sorte. Os três morreram envenenados por um vizinho que colecionava passarinhos. O vizinho aprendeu a lição dele mais tarde de forma terrível ( contarei o "causo" abaixo ), mas levou embora três dos nossos bichinhos, e acreditem-me encontrar seu bichinho morto no telhado é de acabar com qualquer um. Fui eu que achei a Mimi 2.
Tem quem não entenda que a morte de um bichinho de estimação seja para o dono tão triste quanto a morte de um parente querido. Meu irmão mesmo diz que "bicho é bicho". Mas eu encontrei muita gente nesse mundo que não valia um décimo do que valiam meus bichinhos, do que valem meus meninotos. O animalzinho não se importa se você é feio de doer, se suas roupas são do Carrefour, se seu carro é um poisé. Pra ele importa que, além de cuidar dele dando comida, água e uma caminha, você seja aquela mão amiga pra jogar a bolinha pra ele pegar, pra fazer um afago na barriga, pra desgrudar aquele durex que colou na pata dele. Com um bichinho você não tem que TER, você tem que SER.
Ontem recebi uma ligação ultra triste da Holandesa, o Sky gorducho foi pro andar de cima. Não há o que se dizer nessa hora, porque na cabeça só passa "putz, que merda". Ela postou uma foto hoje no blog dela ( vejam o link ali do lado ), que me levou às lágrimas, o Sky era um gato ultra bonachão, gorducho, que eu apertei bem. Continuo sem ter o que dizer a ela, porque nada consola, nada alivia a tristeza, nada ajuda. Só posso dizer: força.
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*** O causo: o vizinho colecionava passarinhos, trocava e levava à exibições. Quando mudamos praquela casa, além de herdar o Ship, levamos a Mimi, que logo se tornou a melhor amiga do Ship. O vizinho veio nos pedir pra "nos livrarmos" da Mimi porque ela "estressava" os passarinhos e eles perdiam penas e ele pegava menos dinheiro quando trocava os passarinhos. Claro que a gente disse que era impossível. Mimi ficou grávida, teve um gatinho só, o Chaninho. Chaninho morreu envenenado aos 6 meses, a Mimi foi procurá-lo no dia seguinte e foi envenenada também. Em 3 dias perdemos os 2. Meses depois, alguém que sabia que a gente gostava de gatos, deixou uma filhotinha na nossa porta, a segunda Mimi. Mimi morreu envenenada aos 2 anos de idade. E como a Ali sobreviveu pro tanto tempo? Sorte. Sorte negra, mas sorte. O véio colocava veneno dentro de uma bolinha de carne e jogava no telhado. Numa noite ele fez o manjado truque, mas a bolinha deslizou de volta para o quintal dele. Aconselhados pelo veterinário, estávamos criando a Ali só com ração, e gato que come ração raramente se interessa por carne, então ela ignorou a bolinha de carne ( ou nem viu, vai saber ). No dia seguinte a filha do véio veio na casa dele com o filhinho de 2 anos e brincando no quintal o meninho achou a bolinha e comeu, teve convulsão, veio ambulância, o menino ficou semanas no hospital, sobreviveu mas com sequelas. O véio mudou pra um sítio, onde eu espero que ele tenha aprendido a lição. Aliás, nós nunca reclamamos dos mais de 20 canários que ele criava, embora muitas vezes a barulheira fosse irritante e o cheiro das gaiolas bem forte. ***
segunda-feira, novembro 15
O projeto brasileiro
Sexta-feira eu decidi que não iria passar o final de semana remoendo sobre o projeto brasileiro com o gerente francês, e aproveitei uma reunião com o diretorzão para "colher" mais informações.
Ele explicou que nessa fase, estão fazendo o trabalho "de base", e que a matriz em Seattle pediu para selecionarem um funcionário que tivesse conhecimento do caminhão europeu e algum conhecimento do mercado brasileiro, que tivesse tempo disponível para viagens exporádicas nos próximos 18 meses e que tivesse interesse em ser expatriado no Brasil em 2 anos, pelo período de 5 anos.
Eu preencheria quase todos os requisitos, o "quase" fica por conta de que eu não quero voltar a morar no Brasil. Mas Adriana, voltar ao Brasil patrocinada, por tempo limitado, porque não?
Explico. Não se sabe ainda onde será a planta. Pode ser em algum lugar legal ou pode ser em Coxipó da Ponte do Sul. Como vou me comprometer agora sem saber pra onde eu iria? E daí vem o Bart, onde ele trabalharia? Novamente, em SP seria fácil achar algo na área dele, já na Vila dos Remédios… Sem falar que se tivéssemos que ficar em SP ou RJ, eu viveria preocupada com a segurança dele, que se percebe que é gringo a quilômetros de distância. Os termos do contrato de expatriado daqui também não são os melhores, eu teria que alugar minha linda casinha nova aqui na Holanda, e no Brasil, só eu teria direito a um carro ( se bem que o Bart tem paúra de dirigir no Brasil ). Mas o que mais pesa é que se o Bart ficasse esse tempo todo fora, sem trabalhar, ele voltaria naquela idade difícil de se mudar de emprego, teria passado a fase do "mid-career". E tem mais, será que eu me adaptaria? O barulho, o tráfego, a poluição, a politicagem empresarial, o povo falando uma coisa na frente e outra pelas costas, os eufemismos…
Mas e o francês, quer voltar ao Brasil? Não! Mas ele não disse nada ao diretor. Quando conversamos ele disse que vai aproveitar a oportunidade enquanto puder, que o diretorzão perguntou a ele se ele moraria no Brasil e ele disse que com um contrato favorável ele iria, mas o que ele diz é que contrato favorável para ele é apartamento pago, dois carros, escola internacional pros dois filhos, emprego para a esposa ( ela é uma executiva na área de marketing duma empresa de alimentos famosa ), e compensação salarial. Ele sabe que vão negar, e sabe que ele corre um sério risco de "se queimar" profissionalmente, mas ele acha que os benefícios imediatos compensam.
E é isso. Cá estou eu. Cheguei a pensar: será que eu deveria ter feito o mesmo e mentido? Mas a verdade é que eu gosto muito do meu emprego para arriscá-lo assim. Eu sei que eu vou me remoer muito, porque eu fui criada para não aceitar nada abaixo do top do top do top, e eu tenho certeza que eu vou vê-lo deslanchar na carreira nesses 2 primeiros anos e vou pensar que poderia ter sido eu. Estou sim me culpando por tomar o que é agora o caminho mais fácil, mas vou para já.
Está na hora de eu parar de me culpar por tudo. Imigrar aos 30 anos de idade não é bolinho. E não vou "desimigrar" aos 40 para reimigrar aos 45. Mereço agora relaxar e colher os frutos do que eu ralei nas pedras pra conseguir aqui na Holanda.
Combinamos que quando chegar a hora de tropicalizar os produtos do meu grupo eu serei envolvida e voilá, assim será o meu involvimento com o projeto. Enquanto isso eu terei meu coração partido várias vezes, porque uma decisão racional raramente corresponde a sua decisão emocional, e a emocional já me vê de terninho no Brasil, perto dos meus familiares, assistindo novela da Globo.
Porque é que eu sou tão complicada, respondam!
sexta-feira, novembro 12
Impressionante
Ontem a secretária me disse que ía correr ver a instalação de arte GLOW em Eindhoven porque acaba esse sábado mas iria chover cântaros. Eu subestimei a previsão do tempo e deixei pra amanhã.
Chove de uma forma impressionante, a casa inteira está sendo estapeada pela chuva e vento. Queria muito ter uma filmadora pra colocar filmezinho no iutubi pra vocês. É uma chuva estranha, e olha que sendo paulista eu entendo de chuvas!
Hoje o marido e eu íamos antecipar nossa visita à tal Glow e comer um japinha, mas sinceramente não dava pra colocar o nariz pra fora da porta, acabamos jantando sopa em latinha e goulash ortodoxo com tudo que eu encontrei na geladeira.
Plato vai de janela à janela inconformado com o barulho, e olha pra gente e mia.
Se eu sumir, foi um furacão que me levou.
quinta-feira, novembro 11
Dónde están las tiritas?
Colega Francês que está trabalhando no projeto brasileiro: Estavam falando que talvez nossa empresa escolha abrir uma planta em Minas Gerais…
Adriana: Bom, agora eu entendo você ir visitar a Usiminas.
Francês: Como assim?
Adriana: Se a empresa vai comprar todo o aço que se usa pra fazer um caminhão na Usiminas, há benefícios em estar perto dela.
Francês: Ah, você já trabalhou com a Usiminas?
Adriana: Não, nunca.
Francês: Mas como você sabe que a Usiminas é em Minas Gerais?
Adriana: :oO :oO :oO
Francês: Você googou?
Adriana: UsiMINAS - MINAS Gerais
Francês: :oI Ahn?
Adriana: O nome da empresa é Usiminas porque ela está em Minas Gerais.
Francês: Ahhhh… Eu não tchinha entendidou.
E o meu coração colegas, ainda sangra. Hoje, num dia especialmente deprimente, mais esse lembrete de que meu coração está despedaçado. Estou me sentindo o cocô do cavalo do bandido.
segunda-feira, novembro 8
Desabafando
Duas coisas importantes aconteceram na semana passada: o coaching de novos funcionários no meu grupo foi 100% transferido para mim, e tivemos o budget review anual do OF ( OldFart ).
Vamos lá pro "causo" e uma lição pra todos nós.
OF é um comprador senior, é esperado dele que ele esteja com as rédeas na mão das commodities dele. Fornecedor nenhum vai vir aqui bater na porta dele dando descontinhos de mão beijada, tó OF - 2% de desconto só porque eu gosto do seu óculos tosco. A gente tem que correr atrás, a gente tem que suar a camisa, dar chicotada no fornecedor. Quando eu digo aqui que Gerente ( ou profissionais ) de Vendas é tudo malandro, eu não tô brincando.
Estou fazendo o tal coaching do OF e uma das piores falhas dele, que eu odeio em qualquer profissional, é a mania de jogar as responsabilidades dele pra cima de outro. Quem não está a fim de ter responsabilidades, metas a atingir, prazos a cumprir, que arrume então um emprego mais simples. Não é vergonha nenhuma dizer: quero apenas vir pra empresa, fazer meu trabalhinho, ir embora no horário e receber meu cheque no fim do mês, DESDE QUE, você se candidate para um emprego operacional que não exija muito mais que isso.
O budget review dele foi tão ruim, mas tão ruim, que o diretorzão interrompeu antes do fim e mandou ele ( e todos nós, eu, nosso diretor junior ) voltar em duas semanas. Ele já está sendo treinado a quase 3 meses, full time, um luxo que poucos tem, ele é senior, está numa faixa salarial alta ( logo esperam bastante dele ), e ele começa a apresentação pro diretorzão assim:
- Eu sou o OF, ainda sou novo na commodity, não sei muito ainda, por isso eu vou só ler os slides e meu colega Fulano ( o antigo comprador ) vai explicar.
Já ficou todo mundo pensando "WTF, o cara tá aí a 3 meses e ainda não tem controle da commodity dele"? E seguiu-se um rosário de desculpas esfarrapadas, mas o fornecedor não me mandou tal lista, o fornecedor "não quiz" me dar tal redução de preço... juro gente, uma vergonha.
E quando o diretorzão começou a dizer que tava tudo incompleto, patati patatá, a gente baixou a cabeça, ficou vermelho e calou, menos o OF, que bateu boca com o diretorzão!!! Eu tava vendo a hora que o diretorzão ía mandar o OF calar a boca…
O pior é que isso reflete também em mim. Dessa vez eu ainda não fui massacrada porque o coaching não era meu, mas em duas semanas temos que voltar, e juro que se o OF não entrar na linha eu vou estrangular o cara…
Eu juro que não tô podendo, meu povo. Eu ando uma pilha de nervos, tenho que tomar muito cuidado para não "overreact", mas tá difícil.
domingo, novembro 7
TAM e GOL
Nosso primeiro vôo será GRU-SSA, e será TAM porque tinha um horário muito bom, que a GOL não tinha. Sem falar que a GOL só é barata se você reservar moooooito antes, né? Sábado de manhã eu olhei um vôo na GOL e tava 229 reais, mas era um pouco tarde, e o da TAM tava 249, mas era exatamente no horário que eu queria. Hoje quando fui reservar, o da GOL já tava 479, e o da TAM se manteve, então vamos de TAM.
O SSA-REC tava 84 reais ontem de manhã, hoje já paguei 169, que ódio. Mas na TAM tava ainda mais caro.
E REC-CGH vai ser novamente de TAM.
O sistema de compra de passagem da TAM é mil vezes mais rápido e mais fácil, mas em compensação não confirmam a reserva na hora, só quando a administradora do cartão aprovar a transação ( ré-lou? ). Mas em 30 minutos recebi um e-mail confirmando. Já a da GOL tem um monte de campos pra preencher, é um saco, mas usa o secure ID da MasterCard, e a transação é emitida na hora.
Estou impressionada que com as duas empresas eu pude já agora reservar meus assentos, o que me deixa bem mais tranquila. Não sei se vai rolar um check-in online, mas já estou tranquilinha sabendo que nossas cadeirinhas estão marcadas.
Agora falta apenas: o hotel em GRU, aliás, o tripadvisor indica o Mercure em Guarulhos, mas tá muito barato, tem alguma "pegadinha" nessa história? Faltam ainda os transfers em SSA e REC. E o hotel dos gatos.
E toda a presentaiada.
Jesus me proteja!
sábado, novembro 6
Drag Piovani Queen
Aí eu tenho algumas considerações:
- Paulista tentando falar carioquês é deprimente. O R do carioca é o R do carioca e de ninguém mais, e pronto. Pior que R falsificado é manter o S de paulissssta ( e não de paulishta ) e fica aquela mistureba. Feio, muito feio.
- A moça tá naquele grau marombado parecendo traveco. Eu sei que ela maromba pacas o braço e quer mostrar o bíceps, mas a gente não quer ver, Luana, então uma manguinha nessa blusa djá.
- Eu gosto do Dráuzio Varela, mas comparar o Dráuzio Varela com a Madre Tereza de Calcutá é meio que demais...
- Eu já vi gente que esticou as rugas e ficou medonho, já vi gente que esticou as rugas e ficou bem, Luana TEM que esticar as rugas e pelancas dos olhos. Bem, estou sendo leviana aqui, afinal é lindo assumir os anos que Deus nos deu, mas, como é moda agora, tá mega-feio aquela pelanca nos olhos.
Agora vou voltar pra sessão mindfulness: não julgue...
