quarta-feira, agosto 29

A grama do vizinho é bem verde

Pergunta aos caros leitores: é possível uma pessoa ser 100% feliz com seu trabalho?

Qual será o percentual da população que vai dormir feliz no domingo porque segunda é dia de labuta?

Julgo que o normal seja ser razoavelmente feliz no trabalho, com alguns percalços, mas e quando esses percalços te encomodam de verdade?

Ando muito incomodada com o excesso de trabalho e o Old Fart. Colocando na balança, tenho tantas comodidades nesse emprego ( do ladinho de casa, salário bom, colegas legais, diretor legal ) que elas compensam as duas pedras no meu sapato, mas tem certos dias em que essas duas pedras incomodam demais! Hoje foi um deles.

Trabalhei em pouquíssimas empresas, no Brasil foi só em uma, então vivo sonhando que talvez em outra empresa, todos os problemas desapareçam, que eu vá viver no Walhaha desses poucos que juram que vivem completamente felizes com seus empregos. Sonho que poderei trabalhar minhas 8 ou 9 horas diárias sem pressão por resultados dificílimos de alcançar, sem essa loucura de tudo está atrasado sempre, sem essa carga de trabalho sobre-humana.

Então termino esse post como comecei: tem emprego perfeito? Sou só eu que ando vendo a grama do vizinho muito mais verdinha que a minha?

segunda-feira, agosto 27

I (coraçãozinho com a mão) Xing-Ling

Planejar essa viagem a Tailândia, nossa primeira viagem de férias pra Asia, tem sido um prazer.

Pela mão de obra ser tão barata, e tudo mais ser tão barato por aquelas bandas, estou me sentindo a marajá.

Estou pagando tratamento VIP pra cruzar a imigração pulando a fila ( temos uma conexão apertada ) por módicos €12 por pessoa.

Limusine do hotel nos pegando no aeroporto custa €30.

No primeiro hotel teremos piscina privativa, custou menos que o Iberostar Bahia há 4 anos.

Ah, iremos de business class, empresa taiwanesa EVA, por €1700 ao invés dos €3500 da KLM pelo mesmo tipo de assento.

Um vôo interno custa €40, claro que como a Ryan Air, você paga qualquer adicional, mas com lugar marcado, bagagem de 30kg  e lanchinho/bebida inclusos pagaremos a fortuna de €60.

Massagem tailandesa no hotel custa muito caro, avisam os "resenheiros" do tripadvisor: €21 por uma hora, mas nos spazinhos ao lado do hotel, só €10.

Avisam também que a comida no hotel é muito cara comparando com o preço dos restaurantes ao redor: entrada, principal e bebida não alcóolica por €12. Quanto será fora do hotel?

O cinema 4D, que no Brasil custa R$78, lá custa €8. E o cinema  "normal" tem sala VIP com poltronas iguais a primeira classe de avião, com cobertinha, por €15 – pipocas e refrigerantes inclusos.

Passeios turísticos são baratos, aluguel de carro é razoavelmente barato, alguel de barco é razoavelmente barato, tudo isso pelos preços dos hotéis 5 estrelas que ficaremos, se formos procurar fora do hotel, o que é um pouco mais arriscado, é baratíssimo.

Pra fechar com chave de ouro a parte das reservas, reservei em Bangkok nos últimos dias um apartamento no Marriott, com 72m2, localização ótima, por €100, incluindo café da manhã e internet. Na hora de confirmar a reserva, ofereceram almoço ou jantar para duas pessoas, 3-course meal ( sem bebidas ) por €5 o casal! O restaurante fica dentro do hotel, é um bistro e tem ótimas resenhas.

Não vou me repetir e começar de novo com o mi mi mi de tudo é caro no Brasil. Por aqui mesmo, com Espanha e Grécia falidas, era de se esperar que as coisas barateassem um pouco pro turista, mas não, tá cada vez mais caro ir para um hotel bom nesses países. Estou esconjurada com os preços de um pacotinho de uma semana pra Kos ou pra Costa de la Luz, que em pleno outubro nem vão estar tão veranescas e movimentadas.

Tomara que eu goste das férias na Ásia, se for o caso, vou Xing-lingar total.

sexta-feira, agosto 24

Ziek Melding

Ziek Melding: ligar para dizer que está doente e não vai trabalhar.

Essa semana inteira eu tive dores de cabeça fortes, e mandei muito paracetamol goela a baixo. Ando evitando muito tomar Neosaldina, porque meu estoque anda baixo e porque a cafeína me deixa ligadona ( tomo paracetamol sem cafeína ). A semana inteira dando desculpas, é o low carbs, é a falta de açúcar, é o calor. Mas na verdade, o que rolava era estress absurdo no trabalho, muito entra e sai no departamento - um barulho infernal já que a gente tem open plan, e a secretária que deixa o rádio ligado 24/7, enfim...

Ontem vim pra casa e não conseguia jantar, de tanta dor. Cada fechada de mandíbula parecia que o cérebro ía explodir. Deitei, melhou um pouco, decidi comer franguinho, batata cozinha e brócoli, desceu bem mas a dor de cabeça continuou e foi ficando mais forte. Comi um doce, por certo era falta de açúcar e o desespero estava grande. Nada. Foi então que apelei para o último dos últimos dos últimos recursos: tomei um tandrilax.

O Tandrilax é um remédio brasileiro, relaxante muscular, que é tão forte que o Bart tomou uma vez e se desesperou, dizia que não sentia as pernas. Pois eu tomei o bicho e em 30 minutos estava quase livre da dor de cabeça, ficou aquele pequeno resquício.

Fui dormir cedo, dormi bem. Acordei, a bendita dor de novo latejando. Meu olho esquerdo estava até mais fechado que o direito, liguei pra empresa, só a secretária estava disponível, avisei que não iria trabalhar. Tomei 3 paracetamóis e fui de volta pra cama, dormi até 11 quando o senhor do departamento médico da empresa veio verificar se eu estava mesmo doente.

Agora estou acordada, razoavelmente sem dor ( ainda aquele pequeno resquício ) mas estou morrendo de arrependimento: devia ter tomado tandrilax de novo e devia ter ido trabalhar. Estou ultra preocupada com os problemas todos por lá, e estou até pensando em tomar um banho e ir-me. Sou uma anta, eu sei, e isso não é normal. Sentimento de culpa. Já fico imaginando todo mundo apontando o dedo pra mim e falando: olha lá, ela sabia que com um Tandrilax dava pra ter aguentado umas horas e mesmo assim ficou em casa; e meu chefe, que vou falar pra ele? Burra eu, eu sei que ninguém vai nem ligar...

Então, vou sair agora do computador, vou deitar no sofá de novo, ver uma TVzinha e olha lá.

Boa sexta

quinta-feira, agosto 23

Made in Brasil com s

Deixe eu contar do lado de cá, um lado que o brasileiro não vê.

Todo, TODO brasileiro reclama das altas cargas de impostos sobre produtos importados, como pode um tênis que custa US$50 nos EUA, custar R$400 no Brasil?

Deixe eu explicar porque é ótimo que haja tantos impostos de importação no Brasil.

Minha empresa quer vender caminhões no Brasil. Percebam que eu disse “vender” e não produzir.

Há vários anos a empresa pesquisa a possibilidade de simplesmente importar os veículos da Europa e vender no Brasil, mas sempre esbarraram em duas dificuldades.

A primeira: caminhões são considerados bens produtivos de uma empresa, assim como maquinário, e podem ser financiados pelo BNDES via o programa FINAME, que tem juros bastante atrativos. Tanto grandes frotistas quanto os pequenos empresários que tem 5, 4 caminhões, às vezes até aquele caminhoneiro que tem um só, utilizam esse programa de financiamento e esse é um ponto importante na hora de decidir pela marca A ou B. A minha empresa, poder colocar caminhões no mercado que possam ser financiados pelo FINAME tem que provar que 60% das peças são produzidas no Brasil. Muito justo isso, afinal, o governo brasileiro não vai ficar financiando produtos que dão empregos pros Chineses ( ou alemães ou holandeses ).

A minha empresa então decidiu que uma opção era financiar ela mesma os caminhões com as mesmas condições do FINAME, afinal nossa empresa tem contratos ótimos com bancos americanos e poderia bancar a conta do financiamento barato. Mas…

A segunda dificuldade: as taxas de importação para o produto acabado são tão altas, que o produto seria “invendável” no Brasil.

A solução? Abrir os cofres e construir uma fábrica no Brasil! E minha empresa, assim como tantas outras, estão criando literalmente milhares de empregos diretos e indiretos porque foram “forçados” a se instalar no Brasil.

Minha empresa escolheu o norte do Paraná, e já se vê a mudança que uma empresa dessa causa numa região que necessita de empregos: as escolas técnicas já estão trabalhando em parceira para treinar funcionários pras linhas de montagem, vários funcionários para os escritórios estão mudando de Curitiba e outras cidades para lá, movimentando também o mercado imobiliário, escolas pros filhos; transportadoras estão abrindo escritórios, empresas especializadas em empacotamento e estocagem, etc e tal…

E nos fornecedores, os que já estão instalados no Brasil estão contratando gente extra, e os que estavam pensando em se instalar no Brasil, receberam o empurrão necessário.

Então na próxima vez que você meu colega brasileiro pensar em reclamar sobre o preço do produto importado, pense duas vezes. Pode ser que uma dessas leis protecionistas de mercado esteja nesse momento sustentando seu emprego!

quarta-feira, agosto 22

Será que os brasileiros tem mais tendência a ser sem noção?

Li no Estadão segunda feira uma matéria interessantíssima sobre o consumo de "marcas" no Brasil. O escritor do tal artigo o fez movido por um comentário interessante de um economista americano que dizia: só mesmo no Brasil carros como Toyota Hilux, Honda Civic são considerados produtos de prestígio. Achei interessantíssimo e muito próprio o comentário, porque aqui na Holanda Toyotas e Hondas são considerados carro bons, mas nada de especial, e nos EUA são carros bem normalzinhos, diria que o Civic é até breguinha pro gosto deles. A gente vê isso nas ofertas de carros pra alugar, esses carros são sempre os mais jabás da classe.

Esse professor teorizou muito bem sobre o "consumo de posicionamento" do Brasileiro, que consume produtos caros porque espera ser reconhecido por possuir algo que a maioria não pode ter, e ser tratado de forma especial. Ele dá um exemplo: o cara compra um BMW e vai a uma festa e se sente especial com ele, todos olham, as mulheres apreciam e para ele o valor do produto está nesse reconhecimento e não no fato de ser em si um produto de qualidade; mas se amanhã todos tiverem acesso à mesma BMW, ele não terá mais satisfação no produto – não é mais item que o posiciona acima dos outros. Achei interessantíssimo o conceito, porque cansamos de ouvir no Brasil que produto X é comercializado a um alto preço para não "banalizar", ou que não se compra mais produto da marca Y porque agora todo mundo tem.

Quando eu morava no Brasil eu era ultra influenciada por coisas de marca, vivia num meio onde todo mundo vivia de Zoomps, Forums, Arezzos, engraçado que essas mesmas pessoas hoje evoluíram bastante ( NOT! ): agora compram Tommy Hilfiger, bolsas Prada e LV, até funcionária assalariada de Loubotin já vi ( ah, as agruras do Facebook ). Trabalho hoje aqui na Holanda numa empresa semelhante, com gente da mesma classe social dos colegas no Brasil, e aqui NINGUÉM desfila marca. Alívio, até mesmo porque eu não entro nas roupinhas de marca, mas sapatos, bolsas, jóias, estão todos aí pra gordaiada esbanjar elegância e estourar a conta.

No mesmo dia que eu li esse artigo, vi no facebook num dos grupos de brasileiros vivem por essas bandas, uma pessoa reclamando que mandou um pacote pro Brasil e a polícia federal teve a "audácia" de mandar uma cartinha pra mãe dela cobrando R$600 reais pra liberar o pacote. Aí todo mundo cai matando na polícia federal, até um lá ter o bom senso de perguntar o que tinha no pacote: "ah, isso, aquilo, aquilo mais e 9 (N.O.V.E.) vidros de perfumes, mas era óbvio que era tudo presente, estavam embrulhados em papel de presente e tudo (!!!!!)". Aí eu vos pergunto: será que é só o Brasileiro que consegue ser tão sem noção assim? Pode-se mandar com a classificação "presente" objetos cujo valor somado não passe de US$50. Eu sempre mando presentes, sempre acima desse valor mas não muito, nada muito na cara, declaro só os €45 ( US$50 ), sei que se perderem o pacote não receberei mais que isso do seguro, nunca tive problemas. Agora neguinho vai mandar um carregamento de perfumes importados, declarado, e xinga quando a polícia federal manda a conta? Afe-maria viu. E PRECISA mandar NOVE perfumes pro Brasil?

Putz, mudei de assunto, mas deixa tcheu contar de outro: a mulher lá na mesma página do facebook perguntando como fazer pra trazer 3 enxadas sem cabo na mala. Sério gente, enxada sem cabo! Agora me diga, pra que uma pessoa traz enxadas pra Holanda? 3 enxadas, não só uma? E todo mundo lá respondendo pra mulé, no maior tom politicamente correto, que provavelmente na mala de mão não ía poder, e bladibla, ninguém falou pra mulher: fia, se é pra uso pessoal, esquece e compra aqui, se é pra uso profissional ( copiar, usar de amostra, fazer teste técnico do material da tal enxada ) – larga de ser besta e embarca isso via DHL ou qualquer outra empresa de transporte.

Mas então. Sempre que os brasileiros vem pra cá, vem acesos pra muambar um pouco. Já contei que um colega da divisão brasileira foi a um treinamento na sede da empresa nos EUA, trouxe mil bolsas e roupas e estava vendendo pelo facebook, né? Mas então, a última "leva" foi comigo à Bijenkorff, um queria camisas Hugo Boss. Elas não estavam em oferta, mas as camisas da própria Bijenkorff estavam, são de ótima qualidade, lindas, meus colegas de escritório já tinham comprado váááárias pra estocar ( aqui chamam de "dar uma de hamster " ), mas o brasileiro não quis saber, comprou a Hugo Boss por €130 rindo, disse que era a metade do que custaria no Brasil. Agora me diga, o cara é um assalariado de empresa automotiva, tem nexo usar uma camisa que no Brasil, pelo que ele disse, beira os R$500?

Pfff… vai entender. Aliás, tô ficando repetitiva.

Mas vejam, ou falo disso, ou falo do Old Fart, que continua aprontando Old Fartices. Tem também a opção de não falar nada, claro.

Preciso aprender a fazer post menores.

segunda-feira, agosto 20

Asas a cobras

A decisão de não ter filhos foi difícil de ser tomada, e ainda me pergunto: será que mais tarde vou me arrepender? Os dois principais motivos foram a minha falta de vontade de ser mãe, e o fato de eu não ter família por perto pra ajudar numa eventualidade. Um outro aspecto bem forte na decisão é que, querendo ou não, eu dou imensa importância a minha carreira e essa carreira envolve viagens a trabalho.

Não vou discutir aqui se uma eventual ausência materna frequente é impactante na educação de uma criança ou não, eu só sei que EU iria me acabar de depressão de ter que deixar o pimpolho em casa e ir sei lá pra onde – não importa se o pai fosse o melhor pai do mundo, se a avó estivesse em casa ajudando a cuidar, não importa nada: eu ía me acabar de depressão. Sei disso porque acompanhei o sofrimento do meu irmão, e mesmo sabendo que tinha a família toda para apoiar na época, ele acabou escolhendo por desacelerar a carreira, parar com as viagens.

Dito isso, eu, que decidi não ter filhos, tenho a vida dos sonhos de quem os tem.

Trabalho a 2 km de casa, nunca pego trânsito, o trajeto inteiro não tem um semáforo sequer. Meu bairro, que é novo, conta com uma creche da melhor rede da região, que é novinha em folha e foi dimensionada para atender a demanda de um bairro com 900 casas – por conta da crise estacionou nas 120 – ou seja, tem vaga sobrando. No trabalho, por conta de um projeto mal planejado e constantes pedidos de demissões ( ou seja, tem sempre um buraco no grupo pra cobrir ), todo mundo está “grounded” por mais de um ano e vai assim até 2014, ou seja, raramente viajo. Se eu conseguisse dizer não pra certos projetos adicionais, conseguiria sair antes das 6 todos os dias, em 7 minutos estaria na creche pegando o rebento. Ganho bem, meu marido ganha bem, minha casa tem espaço. Poderíamos viajar todos os anos para o Brasil pro bebê conviver com a família e ser fluente no português.

Asas a cobras.

Expliquei tudo isso pro meu diretor, argumentando porque eu queria um “international assignment”: boss, eu me preparei pra ser uma mulher de carreira e estou vivendo como uma semi-dona de casa – detalhe – sem o filho!

Me passa demais pela cabeça em mudar de emprego, o estress aqui está a níveis alarmantes, por coisa pequena. Nosso diretorzão member of the board está entrando em pânico com tanta coisa fugindo do controle dele, e ao invés de delegar, criar níveis de autoridade, ele acaba fazendo o contrário, quer ver tudo, analisar todo, é um inferno. Eu vivo com medo, aterrorizada, pois o cargo que antes era middle-management, virou um micro-management: ele espera que eu saiba cada detalhe, cada cent, cada porém de cada peça de cada fornecedor de cada membro do meu time. Não só esse é um objetivo inalcançável, mas o volume gigantesco de coisas que eu tenho que controlar criam 30 vezes mais oportunidades para erro. E pra piorar, comecei a sentir falta das viagens a trabalho, de ver fábricas em países diferentes, de ver como se trabalha em outros países.

Mas sabem o que sempre acaba pesando contra a procura do novo emprego? Não riam, mas são exatamento os motivos acima: trabalho a 2 km de casa, ganho bem, e posso adicionar que gosto dos meus colegas, gosto do meu chefe direto. Sem falar que tenho 40 dias úteis de férias por ano, e embora seja mais e mais difícil tirá-los ( esse ano estou indo só 3 semanas de férias em dezembro ), estão lá, previstos no meu contrato.

Dizem que Deus não dá asas a cobras, no meu caso deu. E é bom ser uma cobra com asas, o ruim é só não saber pra onde voar.

Blé, que analogia piegas.

segunda-feira, agosto 13

Não, não é normal. Ponto.

A Liliane deixou um comentário sobre o post anterior, dizendo que achou minha opinião sobre "hook suspension" uma visão preconceituosa de quem curte BDSM. Normalmente, quando alguém deixa no comentário uma critica construtiva, eu penso bastante sobre o assunto, examino o ponto de vista de quem leu meu texto, e muita, mas muitas vezes mesmo, minha opinião se não é mudada, pelo menos acaba influenciada pelo ponto de vista daquele leitor.

Nesse caso foi o primeiro que eu não precisei pensar um segundo. E com todo o respeito, Liliane, seu comentário prova um pouco minha teoria, de que hoje queremos ser tão politicamente corretos, modernos e pra frentex, que acabamos sim perdendo noção do que é normal ou não.

Não me atrai nem incomoda essa modinha BDSM toda. 50, 100 ou 150 shades of grey pouco me importam. E também não acho anormal. Sabe o que eu acho absolutamente fora do normal? Isso aqui ó:

( por favor, não abram o link se vocês se impressionarem com imagens fortes - tô me sentindo o Silvio Santos agora )

Hook Suspension 178

Hook Suspension Gallery

Então, se minha sobrinha vier me pedir minha opinião, vou dizer que não entendo, não acho normal, acho perigoso - inflamação, infecção, contaminação se várias pessoas usarem os mesmos hooks sem limpá-los, as cicatrizes... E que na minha opinião essas pessoas precisam de tratamento psiquiátrico.

Adoraria saber o que os demais leitores pensam sobre o assunto.

quarta-feira, agosto 8

Ninguém é de ninguém - que babaquice!

Só vou dizer uma coisa, tem gente que quer ser tão moderninha, tão pra frentex, que acaba perdendo o senso do que é certo e errado, do que é normal ou não.

Hoje em dia, ninguém precisa namorar-noivar-casar, pode ficar, sair, transar, tudo sem o menor compromisso, logo, se a pessoa – de comum acordo com o parceiro – resolve namorar, ter um relacionamento, ser exclusivo, trair o outro é errado, é feio. Chateia, machuca.

Será que é moderno deixar de lado o “o que não queres para ti, não o faças aos demais”?

Há alguns anos uma blogueira postou uma foto chocante de uma moça com mas argolas enfiadas pelo corpo todo e por elas penduradas por correntes, esse era, segundo a blogueira, o fetiche da moça e ela achava que não estava no direito de dizer a filha que aquilo é anormal ou de julgar quem o faz. Caramba, será que estamos loucos? Você não pode falar pra sua filha, a quem você tem que educar, que aquilo não é o normal, que sentir prazer na dor extrema não é normal, mas que tem gente que é assim e pronto?

Vejo a luta inglória que é hoje em dia dar certos limites pros filhos adolecentes, afinal, tudo pode, tudo é normal, tudo começa tão cedo… Se minha sobrinha pudesse, a vida seria baladas, festas, roupas, os amigos, meu irmão é que tem que ficar segurando, selecionando que tipo de “balada” é aceitável pra uma menina de 13 anos, que amigos são “gente de família”, mas pra que – se tudo é normal, se tudo pode, se tudo vale? Eu usei pra ela outro dia o exemplo da tal traição do casalzinho Twilight – claro que aos 13 anos ela é fã do ex-casalzinho twilight – meu conselho foi simples: não importa se o cara é legal, é lindo, é maravilhoso, não importa qualquer promessa ou conversa mole que o cara jogar pra cima de você, é casado? Diga não obrigada. Ah, mas o cafajeste é ele Você também é, se aceitar se relacionar com um homem casado, veja só a dor que causou não só à mulher do cara, mas aos filhos… Mas enquanto eu estou dizendo isso de um lado, a matéria na internet tem 100 comentários “ninguém é de ninguém, se ela foi procurar fora de casa, é porque o namorado não estava cumprindo o papel dele”. WTF people?

Pergunto: temos bom senso o suficiente pra distinguir o que é normal e o que não é normal? Como ensinar as novas gerações que o certo e o errado existem sim , e que um ser humano tem que ter princípios?  Como mostrar que o nucleo familiar está mudando – graças a deus – mas que respeito pelos sentimentos alheios não deve não pode! – ser opcional ou facultativo?

sexta-feira, agosto 3

My two cents

Essa semana a capa da maioria das revistas de fofocas aqui fora e até no Brasil ( a eterna Contigo! ) trazia o casal queridinho de Hollywood, Rob Pattinson e Kristen Stewart, no que está sendo chamado “the twilight scandal”.

My two cents. Não, não é um fato importante e nem nada que vai mudar a vida de ninguém, mas… that the fuck?

Deixa eu explicar meu estranhamento. Fui noiva por 4 anos, aos 3 anos de namoro, o dito cujo, num domingo a noite, me disse: saí com outra na sexta. Me desculpe, te amo, te adoro, me perdoe.

No caso do casalzinho de Hollywood foi a mesma coisa: ela disse, publicamente, que o ama, o ama muito, e pediu perdão. E no meu caso, como no do casalzinho, eu pergunto: ama? Como pode alguém que ama ter vontade de beijar, abraçar, transar com outro?

Quando aconteceu comigo, a primeira coisa que vem na cabeça é: a outra é mais bonita, é mais inteligente, é mais legal? O que ela é mais que eu? O que ela tem que eu não tenho? Essas perguntas, no meu caso, nunca foram respondidas, ou melhor, foram respondidas com vários nãos, a única explicação foi: você é minha noiva, eu tenho vários “compromissos” com você, essa menina foi uma noite sem compromisso, sem responsabilidade, tendo a liberdade de falar e fazer o que eu quisesse porque eu nunca mais ía ver mesmo. Eu nunca entendi, confesso. Era muito nova na época para entender, hoje – apesar de não pensar muito no caso – acho que foi simplesmente falha de carater, porque eu sempre pude falar, fazer o que eu quis com meus namorados – marido, a responsabilidade que tenho no relacionamento não me pesa, ao contrário, me faz dar mais valor ao que temos junto.

O caso dessa moça vai mais ou menos pelo mesmo caminho, suponho eu: ela diz que ama, ama o namorado traído, que é lindo ( pode não ser seu gosto pessoal, mas ele é muito bonito ), jovem, talentoso ( além de ator é músico ), procura ser discreto – não é um deslumbrado, agora que ganhou fábulas de dinheiro com o franchising Twilight ele só trabalha em filmes que ele gosta, mesmo que sejam produções pequenas, indie – sei lá, tenho a impressão que nesse mundinho o cara é um cara legal; então porque traiu?

No meu caso, o noivo disse: sei lá, é a aventura de algo novo. E eu perguntei: o “velho” ( o nosso relacionamento, no caso ) estava ruim? Não Adriana, não está ruim, mas não sei explicar… Será que esse foi o caso da moça?

No caso da moça, como no meu próprio caso, eu acho a traição não diz nada sobre o traído, diz apenas sobre o carater do traidor. Não sei se a pessoa que trai é capaz de se colocar no lugar do traído, também não sei se o que trai entende a dor de ser traído, a dor de confiar em alguém – no que quer que seja – e quando menos se espera, se o outro te puxar o tapete.

Não sei o que o Rob Pattinson vai fazer, e se ele fosse meu amigo e me pedisse um conselho, eu só diria: perdoe, esqueça, mas não volte a namorar a moça. Eu voltei. Conheço gente que voltou e viveu um vida inteira com a pessoa, sempre com aquela sombra espreitando, um vaso com uma rachadura colada. No meu caso, foi um ano doloroso, dificílimo, mas um ano que eu precisei para ver que eu merecia melhor. Mesmo assim, mesmo vendo que o negócio não ía dar certo, eu precisei de uma última gota – e adivinhem? – sim, ele traiu de novo, essa eu peguei no flagra; pra colocar um fim e partir pra outra.

Tenho dó do moço, ser traído já é terrível demais, ser traído em público deve ser insuportável. O pior é que os dois têm vários compromissos públicos juntos, já imaginaram? Se essa moça tivesse um pingo de dignidade, tomaria a iniciativa de quebrar os contratos e não aparecer nos compromissos agendados arcando com as consequências. A mídia, que está tendo um banquete com essa história toda, está esperando com garfo e faca na mão pela próxima aparisão dos dois, que deve ser num Music Award no mês que vem.

E esses meus caros, foram meus two cents.

Ah, só pra constar: o ex casou, divorciou, está feio medonho horrível indescritível assusta criancinhas, e sim, me deu certo contentamento ver que a vida dele não é das mais felizes. Não sou santa, senhor me perdoe, estou me esforçando…

terça-feira, julho 31

Carambolas, onde tem paciência pra se comprar?

Você quer trabalhar na Holanda? Então deixa eu te dar umas dicas.

Metade do país é “horácio”, manja o braço curto? Vai morrer se esticar o dedinho um pouco pra fazer o que não é serviço direto dele. E se você, que não é braço curto, fizer a cagada de tentar ajudar em algum assunto, o mico vôa pra sua mesa mais rápido que dizer “Zip me up Scottie”.

Já ouviu falar em “save face”? O holandês vai ir às profundezas do buraco negro pra “save face”, ou seja, pra não pagar um carão. Assumir que cometeu um erro, que esqueceu de algo? Jamé de la vie, ele vai arranjar mil e uma desculpas para não dizer “pisei na bola, desculpaê”.

Eles acham que o mundo tem que parar se eles ficam doentes. Temos um fornecedor holandês, empresa familiar, o dono tem uns 60 anos, foi operado há 6 semanas e deveria estar fazendo repouso, mas como pegou esse projetão na minha empresa e a empresa dele atrasou horrivelmente o projeto ( manja empresa que quer dar o passo maior que a perna? ), ele está lá na fábrica, no chãozão mesmo, ajudando a soldar, a cortar vergalhões de aço. Cada vez que eu ligo para checar o status do projeto, ele me repete a ladainha: estou me recuperando duma cirurgia, devia estar fazendo repouso, estou com dores, e mesmo assim estou fazendo o supremo esforço de tentar cumprir o contrato que eu assinei com você. E aí você pergunta: esse cara não tem um “second in command”?

Aí entra a lição numero três de como trabalhar com os brejeiros. O dono da empresa tem um filho que é sócio dele, um gerente de fábrica, um gerente de qualidade que é ex-funcionário da minha empresa, mas infelizmente nós ousamos desafiar a deusa furiosa das férias de verão, e se alguém trabalhar, vai queimar no fogo do inferno. O cara, doente, concordou em deixar esse povo todo ir de férias, não dava pra negociar um periodo alternativo com pelo menos um deles? O detalhe é que essa zique-zira já é conhecida desde abril, ou seja, não é que neguinho foi pego de surpresa.

E a próxima lição. Aí o senhor começa a fazer beicinho no viva a voz, diz que está emocional ( ik ben emotioneeeeel, echt emotioneeeeeel ) e a holandesada do lado de cá quase chora junto. Éramos 4, os outros 3 só no “coitadinho”, eu – que tenho um trabalho a fazer – respondi: vamos lá senhor fulano, vamos achar uma solução, dá pra trabalhar segundo turno, dá pra produzir no final de semana, dá pra  contratar transporte com dois motoristas pra Espanha? – e o cara enxugou as lágrimas e disse (depois de repetir que devia estar em repouso) que ía lá falar com os empregados pra ver se eles concordam em vir no sábado. Quando deligamos estavam todos olhando pra mim como se eu fosse o capeta, eu sai da sala mas fingi que ía tirar uma xerox do ladinho e ouvi o véio de um outro departamento: meu deus, não tem consideração essa aí, esses estrangeiros não tem consideração por ninguém… mas isso é agora o que a empresa quer, desde que foi comprada pelos americanos ( em 1996! ) só esse tipo de gente sobe aqui…

Na boa, fazer negócios com empresas pequenas e médias holandesas é uma bosta. Fuja! É sempre assim, tudo muito amador, tudo muito pessoal demais. Podem falar do que for dos alemães, mas quando eles pisam na bola, ligam pra informar já com um plano B, com tudo organizado, não tem tarde, não tem fim-de-semana, não tem férias.

Ai meus sais… Já me chamavam de “Iron Lady”, agora serei “the Iron Bitch”, se é que já não me chamam disso a muito tempo…

segunda-feira, julho 30

Xing Ling

Bom, já disse no post ali abaixo o quanto eu confio desconfiando dos Xing Lings da vida. Pode parecer preconceito, mas eita que tudo é muito estranho com esse povo.

Esse ano vamos comemorar 10 anos de casados, em Dezembro, na Tailândia. Queríamos praia, eu queria muito algo novo, diferente dos nossos all-inclusives onde tudo é mastigadinho pra você. A Tailândia se encaixou direitinho.

A começar que queríamos voar com mais conforto, e achamos uma empresa Taiwanesa muito bem recomendada ( EVA AIR ) que tem tarifas muito boas para business class. Pesquisei semanas a fio, e decidi por concentrar nossa estada em duas regiões - a ilha de Koh Samui e a cidade de Krabi, seguido de 3 diazinhos em Bangkok. Eu queria que pelo menos um dos hotéis fossem especiais, e o de Koh Samui é um hotel típico tailandês onde teremos uma piscina privativa. O segundo é um Sheraton - era o mais prático, fica perto de vários restaurantes "de rua". Na Tailândia não existe o esquema de all-inclusive, portanto estaremos "por conta".

As reservas dos hotéis fiz na TUI da Alemanha via minha agência de turismo aqui em Eindhoven ( ARKE ), assim como a compra da passagem internacional, tudo saía mais barato. Na hora de fechar os vôos locais, tentei fazer tudo via ARKE, mesmo pagando mais, e foi conveniente. Sobrou o último vôo, de Krabi a Bangkok, e tive que fazer sozinha pois era por uma cia aérea que a ARKE não cobre.

Entrei no site, achei o vôo que eu queria, entrei os dados, os dados do cartão, pediu o secure code do banco ING, eu entrei, e na última tela o sistema congelou, deu tilt total, ficou branca e eu não sei o que aconteceu com a transação. Liguei pro banco ING, eles disseram que a transação por parte do banco foi aprovada, a Thai Air tem 15 dias pra concluir a transação, pois ainda não o fez. No site inteirinho da Thai não tem um mísero telefone pra eu ligar e ver se a transação foi concluída, depois de muito pesquisar, achei um telefone na Bélgica. Liguei e a mulher me disse que se eu não recebi um e-mail é porque a compra não foi concluída. Eu fiquei traçando meus passos pra trás e fico me perguntando: e se eu digitei o e-mail errado? Fui verificar e não tem double-check ( dois campos para você entrar o endereço de e-mail, os dois tem que bater ). Resumindo, vou ter que esperar até dia 19 pra ver se debitam meu cartão ou não. Sei que são só 200 euros, mas e se eu for lá e comprar as passagens tudo de novo e ficar duplicado? E se eu não comprar as passagens e o mundo inteiro decidir ir de Krabi para Bangkok exatamente naquele dia?

Estou rezando pra esse não ser um presságio de que vamos nos danar com essa viagem "mais independente", e ao mesmo tempo estou me borrando de medo desse mundo de vôos locais ( voaremos 3 trechos com empresas xing-lings ), de todos os taxis que teremos que pegar porque não temos transfers, tudo sem entender nem o alfabeto e números dos caras.

E que Buda nos ajude!

Quantos amigos você tem?

Acho o Facebook fenomenal. Como achei o Orkut. Encontrei gente que não via ( ou sabia notícias ) há décadas, literalmente. Parentes distantérrimos me encontraram, amigos de infância, conhecidos espalhados pelo mundo. E as fotos? Que delícia ver como está todo mundo, mais delícia ainda ver aquele seu ex xexelento gordoto e careca ( atire a primeira pedra ). Enfim.

Os meus amigos no facebook são predominantemente brasileiros da mesma faixa etária que eu. Tem também holandeses, outras nacionalidades variadas, alguns mais velhos, alguns mais novos, mas não são a maioria. E deixa eu contar algumas coisas que me encafifam.

Como tem brasileiro de 40 se comportando como se tivesse 14! Gente, o tanto de gente reclamando de amigos falsos, de gente invejosa, de colegas trapaceiros, e eu quando leio penso o seguinte: se você tem mais de 16 anos e tem amigo falso, a culpa é sua querida! Aos 40, gente falsa, invejosa, trapaceira, já não existe no meu mundo, ficou pra trás, ô joga fora no lixo ( como diria Sandra de Sá ). Não tenho hordas de amigos, tenho pouquíssimos e ótimos, coisa que aprendi com o tempo. Aliás, isso é coisa que qualquer “cerumano” inteligente chegando nos 40 aprendeu, é ou não é? Ou será que brasileiro gosta mesmo é de um dramalhão? Fulana comentou que bonitinha sua sandália rasteirinha da Dakota e a pessoua já tá achando que a colega tá secando pimenteira, botando olho gordo, vou tropeçar e quebrar a perna, bate na madeira mangalô perna de pato.

E a tropinha do meme? Carambolas, neguinho cola uma foto do vizinho, uma frasezinha de efeito qualquer, dá um nome famoso ao suposto autor, e pronto, a babaquice é curtida e recurtida mil vezes. Quantas milhares de frases supostamente da chatérrima e deprimentérrima Clarice ( né, Alice? ) Lispector você já não leu? E da Martha Medeiros? E do Charles Chaplin? E da Marilyn Monroe? E do coitado do Chico Xavier?

Eu acho que todo facebookiano é voyeur, ama ver fotos e saber da vida dos miguxos e fuçar na vida dos menos miguxos. E quem aqui não é stalker de ex? Sou assumida. Estranhíssimo ver os caminhos que eles tomaram, sempre me pergunto se tivéssemos permanecido junto, teria sido diferente? Um que já era feio está medonho, o coitado. Um que era lindo de morrer está com uns 180 kg – sério, uma pena porque até o rosto charmosérrimo está todo distorcido, e olha que eu gosto de um homem gordinho ( ele não está gordinho está obeso ). O namorado que mais me fez sofrer não mudou muito – sim, requenguela que sou estava querendo mais é abrir as fotos e vê-lo gordo, careca, perneta mas ele está levemente calvo, ainda passável, praticamente o mesmo peso da adolescência, mas surpresa – surpresa – não o acho mais bonito como eu o achava, e engraçado, todo mundo me falava que ele era vesgo e eu não conseguia ver onde, e povo, ele é vesgo!!! Ah, os olhos do amor… O que me dá pena é que ele tinha tanto potencial, mas acabou se contentando com tão pouco. Culpa de uma mãe ultra controladora, imaginem que ele passou no vestibular pra fazer direito na USP, mas a mãe o convenceu que era besteira, longe demais, puxado demais, que fazer direito São Bernardo já tava bom (!!!)… e esse tom de “já é bom o suficiente” parece ser o “motto” da vida dele. No geral, esses “exes” levam vidas que eu não gostaria de estar levando, têm obviamente prioridades da vida que estão muito longe de ser as minhas. Deus realmente escreveu certo por linhas tortas.

terça-feira, julho 24

中国上海市天钥桥路30号美罗大厦16楼

A Márcia comentou essa semana sobre o filme Food Inc, que eu assisti assim que ele ganhou o oscar há uns anos, foi televisionado na Holanda em dobradinha com um programa do Jamie Oliver sobre a produção de ovos na Europa. Eu fiquei tão impressionada que desde então tento só comprar carnes e ovos orgânicos – pra falar a verdade, só carne de boi que eu ainda não consigo comprar orgânica, só carne moída. Mas a moral do filme e do programa do Jamie é a mesma: se o produto custar muito barato, não compre!

Interessante que é exatamente o oposto do que todo mundo faz, não é? É só um supermercado anunciar um frango a 3 euros e todo mundo sai correndo pra comprar, ninguém se pergunta, como pode uma ave ser criada, abatida, conservada, empacotada, transportada com refrigeração e chegar às prateleiras por 3 míseros euros.

Nessa linha de pensamento, se for muito barato não compre, falo sobre os produtos chineses. Estou agora na minha área de trabalho investindo em me especializar com compras na China, e gente, é chocante.

Minha área é a de plásticos, um dos materiais que, mal empregados, tem um grau de toxidade que pode ser ultra prejudicial pra saúde, se não fatal. Existem plásticos que precisam "respirar" antes de ser moldados porque liberam gases venenosos, outros que depois do primeiro uso começam a se decompor, outros que jamais se reciclam… escolher o plástico ideal pro que você quer usar é uma ciência complicada, pra poucos! Um exemplo, essa garrafinha de água que você compra no mercado e continua usando por semanas, enchendo todo dia, ela foi engenheirada, na Europa, para durar 5 vezes a vida útil, ou seja, depois da quinta vez que você usou a garrafinha, ela começa a liberar partículas que vão, na água, pro seu sistema. O produtor da água não tem responsabilidade alguma pelo mau uso que você faz, ele só precisa indicar na embalagem que depois do uso você tem que descartar a embalagem ( símbolo de um homenzinho jogando algo no lixo ) e que pode ser reciclada. Você escolheu ficar usando a garrafinha por semaaaanas? Problema seu.

A mesma coisa é esse povo que fica inventando o que fazer com embalagens vazias, todo mundo achando que tá abalando bangu reaproveitando embalagens. A reciclagem mais responsável e eficiente é você entregar a embalagem plástica para um profissional de reciclagem, aqui na Holanda os containeres laranja, o resto é pataquada pra parecer ecologicamente correto, uma bobagem sem fim.

But I digress. Estava falando da China. Gente, pelamor, fuja desses produtos do 1,99. Se vocês tivessem a menor idéia de como são feitos! Mas Adriana, a Mattel terceiriza a produção na China, qual a diferença de eu comprar uma Barbie oficial e uma genérica? A Mattel é uma empresa ISO / TS ela é auditada anualmente e tem que exigir dos fornecedores em qualquer parte do mundo padrões mínimos de qualidade ( uso de material não tóxico, sistema de produção monitorado, tintas e tecidos armazenados propriamente, funcionários com padrão mínimo de conforto e ergonomia no trabalho, etc etc etc ). Mesmo assim, em se tratando da China, é uma luta inglória. Quando estive em Taiwan, que dizem ser uma versão muito melhorada da China, visitamos uma fábrica onde as moças sentavam num banquinho duro, meio altinho, e uma moça tinha o banquinho, que já era péssimo, quebrado. Nós mostramos pro supervisor que estava nos levando pra visita e imediatamente eles foram lá buscar um novo banquinho pra moça. Algumas horas depois, quando estávamos indo embora, passamos pela moça e adivinha? Ela estava de volta ao banquinho quebrado. Aí vocês perguntam, porque sempre pegam a Mattel com problemas ( ou outras multinacionais ) e nunca as Xing-lings barateeenhas? Porque as Xing-lings não são auditadas!!! Ninguém sabe que raio de materiais são usados, se um lote estiver envenenado não tem como tracear e fazer recall dos produtos, há motivos pra custar tão barato: é uma merda!

Uma das coisas que me dá mais arrepio são aqueles "tapueres" chineses. Neguinho compra no torra-torra por 1 real 5 vasilhas, e não pensa que há algo de errado em algo que custa 20 centavos e tem que ser produzido com plástico não tóxico, embalado, embarcado da China, armazenado, distribuído. E ali vai a comida da família inteira, crianças inclusive, que não tem resistencia pra esse tipo de químicos.

A desculpa principal de quem compra produtos Xing-ling é que "o original, o europeu – brasileiro" é a mesma coisa, mas você paga a marca. Desculpa fajuta! Você paga pela materia prima superior, os controles de qualidade, e os impostos, claro, que muitas vezes são sonegados com esses produtos de camelô.

De onde vem essa minha ira com os Xing-lings hoje? Precisamos fabricar uns tubos de ventilação. Tenho uma cotação européia para o molde+sistema de corte que custa €130mil, o chinês, €44 mil. Investigando o motivo, vi que o sistema de corte europeu consiste numa faca ( parece aqueles cortadores de frios ) dentro de uma "gaiola" – essa gaiola garante que rebarbas de plástico não voem nos olhos do operador, uma capa para lâmina que garante que o operador não esbarre por acidente principalmente em final de turno quando ele está cansado – na lâmina, o sistema de acionamento de corte é o sistema de dois botões ( você posiciona a peça no dispositivo de corte, trava, fecha a gaiola e precisa apertar dois botões separados, um com cada mão, pra cortar a peça – isso garante que operadores tenham as duas mãos em segurança – foi na inexistência desse dispositivo que o Lula perdeu um dedo ). O sistema de corte chinês? É uma guilhotina, muito parecida com aqueles de cortar papel no escritório ( em 1970 ). Perguntei pro chinês como se evitava acidente de trabalho com a tal guilhotina, ele respondeu: o operador é instruído a prestar atenção ( !!!! ). Agora vejam quanta hipocrisia nossa: nós queremos que nossos maridos, filhos, irmãos, trabalhem com todas as normas de segurança no trabalho, mas os chineses… ah, problema deles.

segunda-feira, julho 23

Digno da série Dallas ( ou good times, bad times? )

Tenho um primo muito querido, o T. Ele é um moço muito bonito, loiro de olhos azuis ( óquei, por aqui é jabá, mas no Brasil faz o maior sucesso ), é super legal, engraçado, ótima companhia. Começou a namorar a Flávia quando tinham 17 anos.
Semanas antes de eu ir ao Brasil em 2006, fiquei sabendo que a Flávia tinha terminado com o T depois de 4 anos de namoro. Quando cheguei fiz vários passeios incluindo meu primo, ele estava super pra baixo, emagreceu horrores, abatidão. Na cozinha, minha tia contou o bafão: a Flávia estava trabalhando numa empresa familiar da qual ela gostava muito, aí começou a rolar um boato de facão, ela estava morrendo de medo de perder o emprego, e aproveitou que o filho do dono da empresa, que também trabalhava lá, estava dando bola pra ela, e resolveu tentar segurar o emprego tendo um affair com o cara. Vejam que ela nem terminou com um pra namorar o outro, foi só mesmo pra ter um affair pra tentar segurar o emprego.
Long story short, o dono da empresa não quis nem ouvir falar do filho namorando uma recepcionista, ela foi a primeira a rodar; colocou então o rabinho entre as pernas e veio pedir pro T pra voltar. Eu fiquei muito puta, falei pra minha tia abrir o jogo com ele ( ele não sabia ) porque quem faz uma vez, faz outras. O rapaz decidiu perdoar, achou que valia a pena tentar de novo, e yata yata yata. Demodosque – chamarei a dita daqui pra frente de La-baca que é como eu me refiro a ela em conversinhas familiares desde esse episódio.
Nas vezes que fui ao Brasil mantive distância da La-baca. Minha tia até me falou “perdoe, todo mundo erra…” e te direi: todo mundo está sujeito a virar a esquina e se apaixonar por outra pessoa, TODO O MUNDO. Mas como você age desse momento em diante, vai depender da sua classe, da sua moral.
O pior é que a La-baca nem apaixonada pelo cara tava, era só mesmo pra segurar o emprego – que pobreza – de conta bancária e de espírito!
Mas então, depois de 5 anos evitando a La-baca, na viagem a trabalho pro Brasil fui com os primos pra um “festival de sushi” e ela foi. Eu já sabia que ela tinha feito curso para cabeleireira, depois para massagista e trabalhava numa “clínica” de um acupunturista. A gerente saiu da clínica e sei lá como ela virou sócia, ela cuida das massagens, o tal acupunturista cuida da acupuntura, e de quebra estava ensinado-a ( sempre achei que acupunturistas tivessem que ser médicos, mas parece que não é o caso ). Ele faz também uma aplicação de uns copos com sucção que eu acho terrível, nojentão, mas whatever. Quando a namorada da minha prima – toda educadamente - perguntou se ela trabalhava numa clínica de estética, a La-baca respondeu toda ríspida e de nariz empinado: não, eu sou a DONA. Detalhe, a clínica tá tão na pindaíba que eles ainda não tem website porque não tem como pagar um webdesigner  pra fazer o layout ( cadê o by Marina? ).
No fim de abril o acupunturista e a La-baca foram a uma convenção de acupunturistas em Fortaleza. Como alguém sai de SP para ir a uma convenção de acupunturistas na grande metrópole cearense eu não sei. Mas na volta perderam o vôo e só tinha vôo razoavelmente barato dali a 3 dias ( WTF? ). Nesses 3 dias foram conhecer a cidade, o que não tem nada demais, mas ela inundou o Facebook com fotos muito estranhas… dançando forró agarradinha, abraçada no buggy, tudo muito íntimo – se é que vocês me entendem.
E é aí que a história descamba. Gente xumbrega sempre existiu e sempre vai existir, mas essa gente xumbrega agora tem acesso ao facebook e a falta de vergonha na cara desse povo fica aí escancarada, parece até que fazem questão de mostrar.
 
Eu vi as fotos da La-baca em Fortaleza e achei tudo muito estranho, daí eu quase cair da cadeira quando 2 semanas depois ela mudou e status dela para “casada”. Na hora pensei – putz, o T casou e nem falou nada, eles estavam com o casamento marcado pra Novembro e resolveram antecipar, mas vocês provavelmente já adivinharam o rumo dessa história: a La-baca casou, 12 dias depois de terminar um namoro de 10 anos, com o sócio xexelento dela. Detalhe: o cara é 21 anos mais velho que ela, é um xaropão arrogante, feio de doer ( de doer mesmo ), meio pobrão, e tem uma filha praticamente da idade da La-baca. Sei que tudo isso é irrelevante quando uma pessoa se apaixona ( ó que romântica eu sou ), mas eu tenho CERTEZA que isso tem a ver com a situação financeira dela, com a avó que ficou doente e teve que ir morar na casa dela – no mesmo quarto que ela, que a paixão dela é mesmo um apartamentinho requenguelinha que ela chama de “minha casa”, toda orgulhosa, no facebook
Como tudo o que é ruim pode piorar, agora rola um boato entre os amigos que ela está grávida, e a gente só consegue pensar, plís God, que não seja do meu primo! Que seja lá do xexelento dela e que essa seja uma história, daqui a alguns anos, esquecida no tempo.
O que mais me chocou nisso tudo, e a La-baca ter documentado step-by-step, via Facebook o chifre, o “casamento”, fotos com a família dele, foto da “casa nova”… Eu, assim como muitos dos amigos dos dois, fiquei sabendo do término quando ela mudou o status do facebook pra casada – e mais tarde o nome do xexelento. Estupefata com essa tralha toda, fiz um mínimo post no Facebook e a dita foi lá “tirar satisfações” com o meu primo, o que é que ele andava falando pra mim? Como se ele precisasse ter me dito qualquer coisa, tudo está lá no facebook, escancarado, fotografado, datado…
 
O facebook mostra o melhor e o pior do ser humano. Minha turminha da oitava série se encontrou esse mês, a maioria não se via a 25 anos, que legal ver o pessoal bem, com suas famílias. Por outro lado você vê essas baixarias, e eu tenho certeza que não são poucas.
Meu povo, será que a gente tá preparado pra essa convivência virtual? Será que a gente QUER ter convivência virtual? Há quem diga que se não quiser, não faça parte e pronto, mas é difícil não ser afetado, veja por exemplo minha mãe, que nem sabe o que é facebook, mas acompanhou todas as fotos, seja porque um ou outro mostrou, ou ouviu as histórias de quem acompanhou via Facebook, sou seja, não tem muito como escapar.
 
No fim vai tudo acabar no caráter da pessoa: quem tem vai usar a internet pra coisas positivas e quem não tem, vai ser que nem essa pafúncia dessa La-baca, só meleca…

PS.: Desculpaê povo, mas a formatação do blogger ficou louca...