terça-feira, abril 6

No Brasil só tem RIKOHS

Estou num estado de choque tamanho!

Eu sempre soube que Fernando de Noronha é um destino caro, mas gente, tudo tem limite!

Fernando tem duas pousadas mais famosinhas, a Zé Maria e a Maravilha. Essas são aquelas onde os famosos vão. Eu já sabia que o preço seria salgadíssimo e acabei mandando um e-mail pedindo preço mais por curiosidade ( claro que não tem preço no site ). Na Maravilha, um quarto STANDARD sai por R$ 1822 por NOITE! Gente, são MIL DOLARES!!! Um bangalô sobre a água no Four Season de Bora-Bora está mais barato! Como pode?

Aí eu baixei a bola e fui pesquisar outras duas mais simples, a Teju-açu e a Solar de Loronha, nenhuma das duas ficam no Sueste e há que se caminhar pelo menos 1 km até a praia mais próxima, e parece que há um preço meio combinado, que é R$ 866 por noite. Ainda um roubo! Só pra vocês terem uma idéia: naquele hotel ultra chique de Playa del Carmen, com tudo incluido, 9 restaurantes a la carte, quarto com jacuzzi dentro, vista pro mar, pagamos € 130 euros por noite, praticamente a metade do preço dessa pousada, que tem geladeirinha consul no quarto ( porque é que no Brasil não se disfarça o frigo dentro dum móvel como no resto do mundo??? )!

O negócio seria baixar ainda mais o nível da pousada e ficar numa daquelas caseiras, por R$ 400, mas olhando as fotos me parece ultra desconfortável, e convenhamos, o preço ainda é alto!

Aí vem o segundo problema, os dias em Porto de Galinhas. Na lua-de-mel ficamos no Summerville, mas a praia de muro alto não é legal, a praia em frente do hotel não dá pra entrar por causa dos arrecifes, a opção seria o Nannai que fica do lado, mas a praia também é marromenos e o preço é na linha dos preços de Fernando, e ir pra ficar 3 míseras noites é queimar dinheiro por nada, tem que ir pra ficar uma semana no mínimo. Eu amaria ficar em Serrambi, mas o único hotel que tem lá é um que ERA um Ventaclub, mas foi vendido e está em petição de miséria. Blé.

Agora estou trabalhando na terceira opção, que seria ir de avião até o RJ, alugar um carro e ir pra Buzios e Cabo Frio. Ainda não comecei a pegar os preços, porque claro que não tem no site.

Podem dizer que o Brasil é lindo, etc e tal, e é… mas não compensa gente. Eu já conheço razoavelmente bem os destinos no Nordeste, e sorry, mas nenhum bate a região de Cancun/Playa, onde as praias são mais bonitas que as brasileiras, tem ilhas conhecidas mundialmente pela qualidade das águas pra mergulho/snorkel ( o Brasil não é bom, baixa visibilidade ), e tem ainda as pirâmides e sites arqueológicos. E é MOOOOOOITO mais barato!

Agora pensem, eu lá sentadinha no Nannai em Porto de Galinhas, pagando 1000 paus na diária e pensando que por aquele preço eu podia estar num hotel de luxo no Hawaii!!!!

Ó, o jeito é me conscientizar que eu sou uma pobre, e que o Brasil é pros RIKOHS, muito RIKOHS! Ou como diria a Luóna Piovani, paulista do interior de São José do Rio Pardo, mas que fala carioquês desde criancinha: RIKOSHHHHH!!!

domingo, abril 4

O inferno antes do paraíso

Ontem compramos nosso pacote de férias de maio, vamos para o Chipre! Putz, faz um tempão que eu não dirijo do lado "errado", mas vou ter que lembrar rapidinho, Bart nunca dirigiu em mão-inglesa.

E começa agora o calvário, o inferno que me dá ódio mortal e que me faz jurar que nunca mais eu boto os pés naquela terra, e que lá só tem ladrão miserável: começar o planejamento das férias de fim de ano no Brasil.

SETE anos se passaram e nada mudou, ainda não dá pra pagar a GOL com cartão de crédito internacional, os hotéis e pousadas AINDA não colocam tarifário no site, e aquela mania odiosa do "entre em contato" continua a todo vapor. Ódio mortal. Bando de pilantras.

Eu queria dessa vez passar uma semaninha em Porto de Galinhas ( de novo ) e uma semaninha em Fernando de Noronha. Mas não vou nem comentar a dificuldade! Ódio mortal.

Queria muito convencer meu irmão a nos encontrarmos em Orlando, mas o Bru começou no colegial e tem aula até dia 20 de dezembro ( olha o absurdo ), então não vai rolar. Mas ó, se fôssemos pra Orlando, em duas horas eu teria vôo ( baratésimo ) marcado, carro alugado, casa reservada, e bobeou até ingressos já comprados. Porque aquilo sim é lugar civilizado, não essa patifaria que é a indústria do turismo no Brasil.

Estou morrendo de saudades de ver a família, mas vontade ZERO de ir pro Brasil.

quarta-feira, março 31

Corrente pra frente...


É como sol de verão, ardendo no peito, sinto a magia do amor no meu coração… É verão por sinal já é tempo… de abrir o coração e sonhaaaar… NOT!

NOT NOT NOT

Porque aqui colegas, tá aquele solzinho bonitinho mas ordinário, que não esquenta! Estou tão, mas tão desanimada! Estou CONGELANDO hoje, porque coloquei um scarpin com meia fina e meu pé tá que nem pernil perdigão congelado, e aí o corpo todo padece. Tô quase indo pra casa colocar meia grossa e bota.

Tô pensando em fazer uma novena pra algum santo, ou uma corrente de reza,  posso contar com o apoio de vocês?

Querido São Pedro,

Tende piedade de nós.

Nós que nos desesperançamos com o sol que não vem, ou vem mas não esquenta,

Abençoe nossos pés frios e cheios de talco anti-micose, livrai-nos do miserável fungo,

Ilumine nossos pulmões e os livre das eternas epidemias de gripe que vem das creches, escolas, busões e colegas que teimam em espirrar e limpar o nariz nos famigerados lenços de pano ( abençoada seja a Kleenex ),

Livre-nos das banhas que se acumularam durante o longo inverno de fondues, chocolates quentes e bolachas recheadas, mas a carne é fraca e o frio é muito,

Nos dê paciencia para tolerar as chuvas de primavera, as árvores ainda peladas, e as primeiras tempestades de pólen, não nos deixe faltar a loratadina nossa de cada dia,

E se for de sua vontade, fazer brilhar o sol quentinho e aconchegante como conhecemos na infância em terras tropicais, mesmo que seja por míseros 2 meses. Alcançada essa graça, prometemos:

Não vomitar em público quando vermos os primeiros pés holandeses em papeetes cheios de "kalknagel" ( doença dermatológica na unha que eu não sei o nome em português ), nem com as péssimas propagandas de tv dos produtos pra curar esse mal,

Não faremos piadinhas das alemãs de sovaco cabeludo,

Não criticaremos as milhares de mulheres holandesas que podendo ou não, usam calça de linho branca com calcinha fio dental, seremos particularmente bonzinhos com as de mais de 100 quilos,

Evitaremos comprar as caixas congeladas de carnes sortidas para churrasco, porque ninguém merece esperar 10 meses pelo verão e churrasquear hamburguer congelado, barriga de porco, linguicinhas sem tempero; e honraremos nossas raízes sul-americanas comprando um bom filézão,

Pagaremos 1 euro por limão pra caipirinha sem reclamar, afinal distribuir nossa riqueza é um ato de bondade,

Não praguejaremos contra as ervas daninhas que crescerão muito mais fortes do que nossas violetas, gerâneos e begônias, afinal as ervas daninhas também são criaturas de Deus ( ou não, favor esclarecer ),

Usaremos cangas o tanto quanto possível quando na praia ou piscina, para poupar a humanidade da visão das nossas celulites,

Povo, favor completar a reza que eu tô sentindo que tá fraca!

terça-feira, março 30

Deu no Estadão!


O cantor Ricky Martin assume nessa segunda-feira 29 de março que é homossexual.

Putz, que notícia bombástica, pegou todo mundo de surpresa, né não?


segunda-feira, março 29

E pra vocês, o fim da história

E pros caros leitores que acompanharam a saga da colega de trabalho que teve 2 filhas, decidiu trabalhar só 3 dias por semana, e foi encostada num outro departamento, hoje ela veio aqui toda sorridente dizer que está deixando a companhia, que conseguiu via uma agência ( detachering ) um emprego como consultora de cursos para empresas, 2 dias por semana e um de casa.

Claro que houve mais choro, e novamente digo que isso não é normal ( meus colegas todos ficam super desconcertados ). Mas anyway. E daí ela diz pro meu colega que essa história colocou muito estresse no casamento dela, porque se o marido conseguisse bancar as contas sozinho, ela não precisava "passar por tudo isso". Porque aqui é assim, a mulher espera que o marido a banque enquanto ela brinca de casinha com os filhos. Blé, que coisa mais 1870.

Aliás, sexta passada tivemos o tal payday happy hour e eu fui. Fiquei um bom tempo conversando com a turca ( ela nasceu aqui na Holanda, de pais turcos, mas ela diz que ela é turca, não holandesa, e os holandeses ficam p ) que trabalha em aftersales, é super esperta, e eu gostaria de trazer pro meu time. Aliás, já tive altas mini-depressões por causa dela, porque eu chego aqui toda esbaforida, sempre com roupas bonitinhas mas confortáveis, e frequentemente dou de cara com ela chegando de meia fina, salto altésimo, ultra-maquiada e cheia de jóias ( de verdade, nada de Six que nem eu ), e na maioria das vezes com roupas, digamos, que chamam atenção. E aí eu me lembro que meus 24 anos estão looooonge. E aí estávamos no tal happy hour falando de NY e um colega contou que ofereceram um ROLEX roubado pra ele na rua por 500 doletas, ela na hora disse: eu comprava! A gente riu, ela disse que é louca por relógios, que eles são um investimento, e olhe esse aqui, foi meu presente de noivado, é um Cartier e custou 6 mil euros. CARACAS! Eu Jamédelavie sairia de casa com 6 mil eurecas no pulso, ainda mais do jeito que eu perco tudo! E daí o colega disse, ué, mas eu achei que em noivado a gente dava anel, e ela exibiu o dela, "ah, mas o anel já é esperado, não conta, e o anel custa muito mais que o relógio, tem que custar pelo menos 5 salários do noivo". E meu colega: antes ou depois de descontado o imposto retido na fonte? Ho ho ho, foi só risada! Holandeses dizem que a turcaiada anda em BMW, cheio de jóias e Tommy Hilfieger, e moram numa casa cacareco caindo aos pedaços. Eu, como não conheço mais profundamente nenhum turco fico quieto. E sei lá, se ela quer queimar o dinheiro dela ( e o do noivo ), que me importa, contanto que ela trabalhe direitinho.

Agora vou-me que tem gebak ( torta ) do diretorzão e eu tô aqui rezando pra ser torta de morangos, porque a temporada começou. Mente gorda dos infernos essa minha...

domingo, março 28

Trabalhar pra quê?

Há algumas semanas eu e o marido estamos adiando a compra de roupas "pra trabalhar". Detestamos ambos.

Ontem foi o dia dele, ele não compra cueca se eu não estiver junto. Ele normalmente trabalha de calça "esporte fino" ( ai que brega ), e só compra Dockers. Camisetas sem estampa e por cima um sweter. Ninguém no departamento dele trabalha de roupa social, graças a Deus. Há uns dois anos estamos comprando camisetas Esprit, não são uma maravilha, mas não encolhem tanto, então fomos buscar uma nova "leva". Marido vestido com uma Esprit XL experimenta uma nova XL e é apertada, tenta uma XXL e ainda está apertada, what the heck? Sim minhas senhoras, até aqui tá pegando a "modelagem" brasileira ( como disseram: minúsculo, muito pequeno, pequeno e médio ). Depois de muito, mas muuuuito bater perna acabamos na V&D, no circusprijzen ( liquidação ) onde ele comprou camisetas Essentials da V&D de tamanho honesto, sweteres e uma blusa mais quentinha. E as famigeradas Sloggis agora são compradas numa loja de roupa íntima, onde você é atendido por uma senhora educada, que pega as caixinhas pra você, te mostra as cores, nada mais de ficar caçando caixinha em gôndola de magazine.

No domingo chegou minha vez, era domingo de compras no Woensel. Agora deixa eu contar um caso engraçadésimo. Estava tendo uma feira em Eindhoven chamada "tamanhos grandes", e eu já tinha até esquecido, mas acabei na hora pagando pra entrar. Grande desperdício de bons 8 euros. Depois daquela olhada geral, já percebi, ali só tinha mumu. Mumu são aquelas batonas americanas sem formato. Putz, manja "o gordo elegante" ou a "Palank modas" no Brasil? Pois é, naquele esquema, roupa de bujão liquigás feita de tecido sintético pro gordo ficar bem fedido. Aí eu passo por um quiosque e a mulher grunhe alguma coisa, me dá um pirulito em forma de coração. Eu fui chupando o pirulito e vendo os mumus, pelo menos 10 centavos dos 8 euros eu recuperei! Eis que vem um homem IMENSO e me pergunta se eu quero ir tomar um café com ele, deusquemelivre, agradeço e continuo mumuzando. Menos de 5 minutos depois vem outro, que diaxo de gordaiada desesperada, eu com aliança na mão esquerda e tudo! Daí vou olhar pro papel onde o pirulito veio colado, era uma agência de namoro para tamanhos maiores, e a mulher que estivesse "disponível" deveria chupar o pirulito ou segurar em lugar visível. Ha ha ha, eu joguei o treco fora na hora e fui-me embora.

Mas então. Sabe qual o drama? É que esquentou um pouco ( e nem tanto, porque hoje estava chovendo e ventando e 10 graus ) e as vitrines se encheram de vestidinhos, capris, shorts, sainhas e eu PRECISO comprar terninhos, roupa pra trabalhar!!! Mas pra que trabalhar, né? Acabei fazendo a ronda nas minhas lojas habituais, comprei 2 blazers e 2 camisas, e o que eu mais precisava, calças ( daí eu querer o terninho todo, que é mais fácil de coordenar ), não achei nada. E voltei pra minha casa correndo, que tava frio e ventando que era o cão e eu estava, depois da gordaiada assanhada, morrendo de saudades do meu marido lindão.

E rumbora dormir que amanhã é segunda e me roubaram uma hora.

quinta-feira, março 25

Aquilo é que era bom!

Eu estudei em "prézinho" público. Minha escola era tão boa que até piscina tinha! As salas eram amplas e uma das laterais era todinha de vidro, com portas que abriam para um pátio com jardim. E tudo cheirava deliciosamente a giz de cera e massinha.

A data mais esperada pelos alunos de qualquer "série" era a última sexta-feira do mês, pois era o dia da festa de aniversário dos aniversariantes do mês. Sempre tinha bolo, docinhos, refrigerante e nós fazíamos algum artesanato de papel, chapéuzinhos, aventais, até botinha fizemos!

Os quitutes dependiam da sorte, umas mães caprichavam e mandavam delícias, outras chegavam a mandar bolo Pullman banhado no leite como bolo gelado. Ah, porque o negócio era levar bolo gelado.

O bolo gelado era um pão-de-ló fofinho passado numa calda e depois no côco ralado. O certo mesmo é fazer uns furos no bolo, despejar a calda, deixar gelar muito, cortar em quadrados, passar pelo côco pra selar, e embrulhar, mas as tias não deixavam a gente comer de garfo ou colher, e se fosse muito molhado virava aquela lambança. Minha mãe fazia o melhor bolo gelado, porque embora o bolo dela fosse branco, a calda era sempre levemente achocolatada. E ela me deixava ajudar!!!

Com a primavera chegando pensei em fazer um bolo gelado e levar pra empresa, mas sei não se o povo daqui vai curtir a "meleca". Não custa tentar, não é?

Minhas lombrigas são donas de mim!

terça-feira, março 23

Eu não sou cruel!

Neste fim de semana assisti Food Inc, documentário que ganhou o Oscar e emendei ao Jamie Oliver fowl dinner. Recomendo os dois, são ambos ultra informativos.

Eu já faço algumas coisas certas há um tempinho, mas tenho que mudar tanta coisa!!!

Eu já disse aqui que odeio carne moída, mas tem pratos que não podem ser preparados sem, como o chili com carne ou o spaghetti a bolonhesa ( o Bart adora ). No Brasil, minha mãe mandava o açougueiro moer o pedaço de carne que ela havia escolhido, mas aqui na Holanda, não achei essa opção. No mercado, mesmo a mais cara carne do Albertão ainda tem um gosto estranho, só quem conhece carne moída boa pra entender. Vi uma matéria na TV holandesa onde eles falavam que as carnes moídas de todos os mercados vem de uma fábrica de processamento que recebe a carne do exterior congelada, descongela e reempacota, o que corresponde bastante com o que é visto no documentário. O documentário mostra que essa carne é feita com pedaços menos nobres do boi e muito sucetíveis a contaminação por fezes e urina secretados no abate, alguns abatedouros lavam essa carne com amônia ( !!! ), e como em um pacote de carne você acaba com carne de vários bois, o risco de contaminação é multiplicado exponencialmente. Uma das infecções mais graves, e que via de regra é fatal em crianças, é o E. Coli. O filme mostra a mãe de um menininho de 3 anos que pegou a doença e morreu em 14 dias. O que eu noto aqui, é que a carne não tem gosto e não doura, você pode fritar à exaustão, até ficar com uns torrões, mas douradinha não fica. Comprar a carne super magra dá na mesma, já que a carne pode ser sem gordura mas continua vindo de vários bois e continua sendo lavada com amônia. O que eu faço há quase um ano é comprar um pedação de carne no Makro ( normalmente o babytop ) que custa barato, algo tipo €9 euros, e eu acho que é cochão mole, e passo pelo processador. O que falta agora é eu descobrir onde comprar carne orgânica, ou pesquisar que frigoríficos no Brasil compram carne de pecuária semi-extensiva.

Na área dos ovos, abordada principalmente pelo Jamie Oliver, o negócio é mais simples. Só compro o "free range" ( de galinha criada solta ) e pronto. E sinceramente, acho burrice comprar ovos "normais". A qualidade do free range é imensamente superior, basta compara a cor das gemas, e o preço é 1 euro a mais por embalagem. Como eu uso uma ou duas caixinhas por mês, pago sorrindo. Mas mesmo que eu comprasse montes de ovos por mês, e estivesse com o budget apertado, eu ía comprar os free range, porque comprar o normal é muita crueldade. É um pouquinho a mais de dinheiro, mas é um animal que tem uma vidinha boa, o criador que é pago decentemente. Abaixo ovo normal, minha gente!

Quanto ao frango, eu já mudei pro orgânico há alguns meses. A qualidade do frango orgânico é gigantemente maior que o do frango normal. A primeira vez que eu fiz frango orgânico eu não tive coragem de colocar molho e creme ( estava fazendo um estrogonofe de frango ) de tão gostoso que o frango refogado com cebola e alho estava. Gente, o frango corou em menos de 1 minuto, e não soltou nenhuma água!!!! Antes eu só comprava peito, em semanas eu tentei coxa-sobrecoxa assada e adoramos, é agora uma das carnes favoritas do Bart. Peito orgânico é bem mais caro que peito normal, mas as coxas-sobres tem um precinho bem camarada.

Porco eu comprei biológico mas ainda não testei, vou contar depois.

Aumentou minha conta de supermercado? Sim e não. Claro que gasto mais comprando carne orgânica, mas antes comprávamos muitas refeições prontas, e agora eu sempre compro carne a mais e congelo, ou comemos no dia seguinte já que a comida fica mais gostosa, então diminuimos bem a quantidade de comida pronta, logo a conta no supermercado se equilibrou. A bem da verdade, sempre gastamos mais do que a média no mercado, mas enquanto alguns gastam 200 contos por mês pra ir uma vez por semana num restaurante, eu gasto isso a mais pra comer bem todos os dias.

Não sou de ficar fazendo campanha, nem de promover boicotes, mas eu realmente não acredito que um animal que vive sua curta existência desconfortável e com dor vá resultar numa carne muito saudável. Na internet tem pesquisas interessantíssimas sobre as toxinas nesses animais.

Quero um dia me tornar vegetariana, mas enquanto eu não chego lá, vou tentando ser mais "animal friendly".

Não vou morrer por causa de um acréscimo de 30 euros na minha conta mensal de mercado, e estou com a minha consciência bem mais leve, and about to get some more...

domingo, março 21

IMAX Eindhoven

Como diria meu marido: Eindhoven está virando uma metrópole! Acabamos de ganhar um IMAX.

Gostei e não gostei. Eu só conhecia um outro IMAX, um de Orlando. Esse era gigantesco, tela gigantesca, assentos tipo estádio, um desbunde de cinema. Claro que fui esperando o mesmo do de Eindhoven, porque afinal isso aqui é primeiro mundo, certo?

Bah.

Começa que não fizeram uma sala nova pro tal IMAX, transformaram a maior sala, a 8, no tal IMAX. Quando vi pensei: ah, devem ter criado mais um andar, mas necas, não reformaram, nem uma cadeira nova colocaram. A tela sim, é grandona, mas aí como os acentos não são estádio, quem senta da fileira 10 pra baixo não vê a legenda. Eu sentei na fileira 9 ( o meio ) e ainda bem que legendas em holandês não cheiram nem fedem pra mim.

Vale a pena? hmmmm... até vale. Vale porque você compra os tickets na maquineta e é tudo com lugar marcado, aí dá pra ir bater perna na cidade e ir pro cinema no último minuto. Apesar de não ser como o IMAX dos Istaites, a tela é maior e o som é melhor que as salas normais.

Paguei 14,50 eurecas e achei meio caro, e não pode usar o voordeelpas ( cartão pré pago ). Considerando que a carteirinha mensal tá 18 euros, tá valendo a pena.

E o filme?

Fui esperando uma merda, porque o trailer me parecia louco demais, nunca tinha ouvido falar da atriz, e eu tenho pouquíssima paciência pro Johnny Dep. Mas o filme é bem agradávelzinho, não é longuíssimo, a rainha vermelha é super legal, e a atriz que fez a Alice é bem boa. É doido e não é pra criança. E pra completar, no fim tem a musiquinha da Avril Lavigne, que sei lá porque cargas d'água eu gosto. É uma esgoelação, mas é legal.

Pergunta que não quer calar: com tantos filmes 3D ultimamente, será que tem lugar que vende óculos 3D de melhor qualidade? Eu gostaria de ter meus próprios, porque o que dão pra gente, além de cuspido, é ruim pacas.

Ou é só aqui?

sábado, março 20

Estou apaixonada!

Estou apaixonada pelo meu novo layout! Bati os olhos e foi amor à primeira vista. Nenhuma cor muito chocante, moderno, sassy!

Quem me salvou sem saber foi a Nesce, que tem um layout legal, eu vi quem fez o layout no pé da página e fui conferir, e achei meu tchutchuco aqui.

Quero mudar umas coisinhas, adicionar uns links, deletar uns inativos, mas durante o findi eu acerto.

Gostaram, povo?

sexta-feira, março 19

Esse bocarra dos infernos vai me matar!


Há quanto tempo eu reclamo aqui do fornecedor Bocarra? Anos, né? E eu ainda não consegui me livrar dessa assombração.

Em teoria ele está em periodo de "prova", mas vou te contar, nada mudou. Nada!

No ano passado, ele cometeu um erro imenso e perdeu um projeto pro concorrente. Ele mandou uma cotação porca, cheia de erros, eu tinha cotação melhor do concorrente, completinha, bons preços. Os departamentos que meu auxiliam, ao ver a cotação bonitinha do concorrente, nem quiseram saber de passar dias corrigindo a porqueira do Bocarra. Foi uma decisão em grupo, o concorrente levou o pedido ( de 12 milhões de euros! ). Eu informei o Bocarra, expliquei o motivo, ele reconheceu o erro, pediu pra re-cotar, eu disse que não, que não temos recursos e que o outro fornecedor já assinou o contrato. Esse desgraçado coisa ruim, se borrando de medo de ter que explicar pro diretor dele que ele ca**u, aproveitou que meu diretor estava numa reunião de um outro projeto com a gente, tirou o diretor da sala, pra pedir pra ele mais uma chance. O meu diretor, coitado, foi pego totalmente de surpresa, não lembrava do "causo" todo, disse que ía pensar. Eu fiquei furiosa que esse maledeto foi pelas minhas costas falar com meu diretor, mas meu diretor me deu total razão. Na segunda-feira eu vou ter uma reunião de feedback com essa pessoa bocarrenta, mas eu estou tão irada, não só com isso, mas com N outros motivos, que eu não consigo parar de pensar no que eu vou falar, em que tom, se eu pudesse eu dava logo um tapa na cara desse retardado. Estou descontrolada, e isso não pode. Acordei de madrugada pensando nisso, não consegui mais dormir.

Esse fulano tem a mania de cotar projetos de duas formas: ou ele cota o preço lá no alto, e depois de 1 ou 2 semanas sem ouvir feedback ele liga pra dizer que pode melhorar ( então porque já não manda uma proposta boa de cara? ), ou ele cota um preço ótimo mas cheio de "pegadinhas", com um monte de coisa faltando, e daí eu tenho que ficar corrigindo e corrigindo, pra chegar num preço muito marromenos. Sem falar que de vez em quando passa uma coisinha ou outra por mim, pelos meus colegas, e daí é aquele drama mais tarde.

O pior é que eu não posso simplesmente deixar de fazer negócios com a empresa dele, e pra falar a verdade nem seria justo, porque a empresa dele é boa, os outros profissionais dessa empresa são ótimos, o problema é ele!

Só sei que estou agora tentando esquecer esse desgramado e tocar o findi. Hoje vou pro cabeleireiro taiwanes, meu querido.

Tô precisando achar um sapo pra botar o nome do Bocarra na boca dele e costurar.

Arghhhhhh...

quarta-feira, março 17

Ajuda pelamordedeus

Povo, estou quase vomitando de tanto enjôo desse layout, mas o que eu escolhi dá um tchutchu que não aparece a data!

Pelamordedeus, quem seria a alma caridosa a desvendar o mistério da data undefined? O link de teste é esse aqui ó:

http://adrianatestando.blogspot.com/

SOCORRO!

terça-feira, março 16

Água de bateria no estômago

Rapidinho porque estou indo pra casa, graças ao bom Deus.

Vou confessar: o começo de uma tarefa de gerenciamento de pessoas não é fácil.

Estamos, no geral, trabalhando feito loucos. Você chega aqui às 7 da noite e parece que é 3 da tarde, todo mundo com a bunda na cadeira. Com exceção do Belga, que é um dos colegas que agora são minha responsabilidade.

Ele anda com os nervos na flor da pele, principalmente por causa de um projeto que tá indo mal. Diz minha colega J. que parte é o projeto e parte é ter  virado subalterno de uma mulher 20 anos mais nova, com menos de 2 anos de casa e do qual ele foi mentor ( sim, ele foi meu mentor oficial ). Eu acho isso tudo muito pobre, mas sei lá, só isso pra explicar porque eu pergunto, tento me inteirar dos projetos e pendengas dele e ele sempre se esquiva.

Pra piorar, o cara tem 53 dias de férias pendentes, e como ele é oficialmente funcionário da Bélgica ele não trabalha às sextas-feiras ( auxílio à crise do governo Belga ). Nesse pepinaço todo ele resolve que vai tirar os dias de férias um dia por semana, ou seja, ele está trabalhando só 3 dias.

O pior é que ele tomou essa decisão sem me consultar. Eu só vejo lá no quadrinho que amanhã ele está de "verlof". Putz grilo. Eu não quero ser chefa megera, mas assim não dá. Ele verlofou segunda, e vai verlofar amanhã de novo! E de novo na sexta! E a gente aqui quase chorando de tanto trabalho.

Vou te falar, isso tudo me dá um nervoso que parece que tem ácido me corroendo o estômago.

Será que se eu fosse macho-cho ele estaria agindo assim?

Blé.

segunda-feira, março 15

Só amor de mãe mesmo...

Logo seria dia das mães. Eu estava na primeira série de escola primária, como chamávamos naquela época. A tarefa do dia era preparar o presente para a mãe. Sentamos na mesa do refeitório todos juntos e a professora chegou com uma caixona que cheirava à casa de avó. Ela abriu e deu para cada um de nós um sabonete Gessy branco, que com certeza era o mais barato que o dinheiro podia comprar. Desembrulhamos o sabonete. Cada um ganhou um papelzinho com uma gravura, a minha era horripilante, de umas rosas meio funebres, troquei sem que a professora visse com a minha amiguinha do lado, que ganhou anjos e provavelmente tinha uma mãe não muito religiosa. A tarefa era molhar o desenho, que se chamava decalque, eu logo aprendi, e colocar o tal desenho no sabonete sem fazer muita lambança. Secar com uma toalhinha. Do lado de baixo, cobrindo a palavra Gessy, ía colado uma rodinha de cartolina com o nome da mãe e do filho. Tudo acabou dentro dum saquinho de tule e amarrado com uma fitinha. Eu odiei, mas ía dizer o que pra minha mãe, que já estava esperando o presente que a filha fez na escola?

Sábado, procurando na Wibra um tapetinho para o Plato deitar, me deparei com um "enfeite" igualzinho e o trauma veio à tona.

Fui só eu a ser torturada com esses artesanatos de escola pública?



Só amor de mãe mesmo pra olhar aquilo e dizer: que lindo filha!

sexta-feira, março 12

O manjar


Tá em tudo quanto é site e jornal: Carla Bruni trai Sarkozy e Sarkozy trai a Carla Bruni.

Com quem o feioso do Sarkoza trai a Carla Bruni eu não faço idéia, mas me lembrou a história do meu primo Dé.

Dé namorava uma moça muito bonita. Ele em si era de beleza mediana, e muitos diziam que a namorada era muita areia pro caminhãozinho dele. Eu pessoalmente acho que uma pessoa marromenos namorando uma linda de morrer tem que ser muito segura de si, porque os bonitos tem mais oportunidades de fazer o que não deveriam, se é que vocês me entendem. Bom, a namorada fez o que não devia, e ele descobriu.

Como em toda família italiana, o problema virou assunto público de família discutido acaloradamente no almoço de domingo. Os motivos variavam, mas todos condenaram a moça, ela era mesmo uma safardana! Eis que naquela noite, estamos todos na sala assistindo TV quando a gente ouve um horrível uivado vindo da sacada do quarto do Dé.

Dé estava nu, com o traseiro virado pra lua, uivando. Cena de filme pastelão. E chorava. A avó dele ( minha tia avó ) gritou: Dé que é isso? E o Dé responde: os lobos uivam de bunda pra lua e conseguem tudo o que querem, então eu estou uivando pra lua pra me trazer a namorada de volta! E não, ele não estava bêbado, estava, como diria o Wando, louco de amor.

A avó responde: Mas Dé, ela te botou um par de chifres, não te merece! Dé responde: Eu não me importo vó, melhor dividir um manjar com 10 do que comer um prato de bosta sozinho!

E a lua ouviu o Dé, a namorada voltou, namoraram, casaram, tem um filho, estão juntos há mais de 20 anos. Não sei se a namorada, agora prima, voltou a repetir o feito, só sei que se o fez, foi perdoada, porque ela é um manjar, e nem que seja só um pedacinho do manjar é melhor do que vocês sabem o que inteiro.

E além de ser um manjar, ela é inteligente, divertida, amiga de todos, sempre procura ajudar, é ultra bem sucedida, não há quem não goste dela. E vocês sabem né, é mais fácil perdoar os manjares.

Podem dizer que eu não boto fé no meu taco, mas eu jamais me relacionaria com um homem manjarzão, eu viveria neurótica. Na primeira viagem do Bart ao Brasil, ele era mais novinho, todo lindinho, estrangeiro, foi o ó. Na loja da Vila Romana do Ibirapuera, a vendedora colocou um cartão com o telefone dela no bolso da calça que ele comprou, sem falar na voz mole da maioria das vendedoras onde ele comprou roupa. E eu já levei chifre de namorado e é terrível, a gente se sente um lixo. Na minha opinião, não há como salvar um relacionamento onde rolou chifre.

Credo, que assunto pra sexta-feira. Aproveitem povo, que helaas ( infelizmente ), depois dum findi sempre vem uma segunda-feira.

Ó que otimismo.

terça-feira, março 9

Abaixo os véios xexelentos


Se há coisa que eu tenho asco é véio xexelento. Deixe-me explicar.

Somos 3 grupos em compras, 1, 2 e 3 ( olha a criatividade ). Eu estou no grupo 2. No grupo 3 tem um véio que comigo sempre foi educadinho, nunca saiu da linha, mas cêis tem que entender que eu sou uma jamanta de salto alto, eu foco meu objetivo na tarefa a fazer, acelero e mando ver, não dou muito espaço pra tititi.

No grupo 3 há um véio, digo, senhor, que comigo sempre foi educado, mas eu tava sem saber porque o grupo dele inteiro quer passar ele pra frente ( e com 3 vagas abertas no meu grupo, tão fazendo complô pra desovar o véio ). Eu preferiria não tê-lo, porque ele vive reclamando de tudo. Estamos todos sobrecarregados, estamos todos sem aumento salarial por causa da crise, estamos todos sem acumular os 13 dias adicionais de férias por ano, mas é ele o único a reclamar 24/7. Isso cansa. Mas o negócio é bem mais difícil, escutem só e vejam how creepy is that.

Nosso grupo tem uma assistente, a E. E tem 27 anos mas parece ter 15, e é super legal, apesar de não ter absolutamente beleza nenhuma, e eu digo NENHUMA. Nadica mesmo. E. é coleguinha de todos, é prestativa, mas mantém lá a distância dela, vai almoçar não com o pessoal mas com as outras assistentes, e se veste super normalzinha, até meio normal demais, nunca, jamais, ela colocou um decote ou usou um gloss.

Eis que, dizem o povo do grupo 3, o véio não tira os olhos da E., e ela já percebeu e fica desconcertada. E vejam só, E. ficou em casa com uma gripe uns 3 dias, e ela estava lá toda funguenta, enfiada debaixo das cobertas, toca a campainha e adivinha quem é? Isso, o véio! Gente, um colega de trabalho sem muita intimidade ir te visitar se você está doente há míseros 3 dias aqui não existe! Acho que nem no Brasil isso existe. É esdrúxulo demais. Mas tem mais…

Eis que semana passada E. combinou por telefone com uma amiga de assistirem Avatar. Ela comentou com o grupo toda felizinha que ía pegar a sessão das 6 com a amiga e depois comer pizza. Quando ela saía do cinema, adivinha quem tava na porta? Gente, o véio xexelento! Creepy or not? E foi cumprimentar e dar indireta de que estava disponível pra se juntar à pizza. Gente, como pode? Estou pasma. Muito, muito blé.

Só sei que não tô gostando da idéia dele no meu grupo, espero que não aconteça. Agora me digam, porque é que existe véio xexelento, hein? Não dá pra envelhecer com dignidade não, é?

Homens que por ventura leiam esse blog, por favor, nada de xexelentisse!

segunda-feira, março 8

O oscar, antes que vire assunto velho

Eu, ao contrário da maioria, achei que tinha vestidos lindíssimos esse ano, foi difícil pra mim escolher o favorito, eram tantos!

E também ao contrário de muita gente, fiquei ultra feliz com o oscar da Sandra Bullock porque adoro os filmes dela, ainda não teve um que não gostei. Não assisti esse ainda, mas agora é mais que obrigatório.

Não vou colar as fotos aqui porque acho melhor vocês darem uma olhadinha no site da www.people.com, que traz em detalhe um close com as jóias das atrizes ( é só passar o mouse por cima da foto ), mas aqui meu pitaco:

Empate técnico no primeiro lugar: Anna Hendrik ( que foi coadjuvante apagadinha no Twilight e agora estava lá concorrendo ao oscar enquanto a K-Stew abanava as moscas ), a Cameron Diaz ( que me fez pensar que talvez marombação envelheça as mãos, porque as delas tão ali com as da Madonna ), e a Demi Moore ( pra mim, quem detona o visual da Demi Moore é véia caída e invejosa, porque a Demi está linda, conservadona, deve se alimentar bem, se exercitar, usar ótimos cirurgiões plásticos - que não é pecado nem contra a lei - isso dito, não a curto muito como atriz, mas que ela tá linda, isso tá, marido ninfeto deve ser bom pra saúde ).

De resto, o que me veio a mente quando vi a foto:

- Sandra Bullock: linda, vestido lindo, mas ela tá magra demais, precisa encorpar

- Kate Winslet: isso é calça? Ela tá doente? Ixi, tá magrela... O cabelo tá legal e a maquiagem também.

- SJParker: senhor, que cão chupando manga! Um saco de cetim com uma alça do palácio dos enfeites. E o cabelo... e a maquiagem da Elke Maravilha...

- Miley Cyrus: isso é roupa de baixo? Parece aqueles corpetes de colocar debaixo de vestido de noiva.

- J-Lo: tá meio cheinha pra usar branco, e ainda de bolinhas de paetê?

- Amanda Seyfried: putz, rachou o preço do fardo do tecido com a J-lo!

- Vera Farmiga: ha ha ha, parece aquelas sainhas que se vende no supermercado pra colocar de acabamento no bolo, manja o papel laminado? Afemaria.

- Mariah: C&A, de liquidação.

- Zoe Saldana: caracas, parece a Carmen Miranda, que mau gosto!

E duas hors concours: Meryl Streep e Helen Mirren. As duas estavam classudíssimas, a Meryl estava linda linda linda. Isso é que é saber amadurecer.

No mais, pena o Avatar não ter levado mais prêmios, eu adorei o filme.

Al Gore mentiu!


Hoje, 8 de março, está nevando!

Vejam bem, eu moro no SUL da Holanda, praticamente fronteira com a Bélgica, e tá nevando!

Eu entenderia estar nevando lá nos confins de Zwolle, mas aqui???

Então eu tava pensando, vou tirar uma foto datada e mandar pro Al Gore: olha aí seu mentiroso, cade o aquecimento global?

Estou aderindo à campanha do Top Gear: compre uma SUV e transforme seu país num paraíso tropical.

Esse frio é muito blé.

domingo, março 7

Só pra constar

Acabei de baixar o DVD do New Moon e assisti o filme de novo.

Olha, eu sei que eu já passei da idade, e não é papo de adolescente fanática, é só uma constatação da estética humana.

O Rob Pattinson é o ser humano mais bonito que Deus criou.

sexta-feira, março 5

Lombo Bonito

Eu amo lombo e criei essa receita na tentativa de servir um lombo saboroso e molhadinho. Pensei em mil nomes, mas no fim foi o marido que decretou: Dri, faz aquele lombo bonito?

Então vamos lá...

Eu compro uma peça de umas 500-600 gr de lombo e faço 6 cortes que vão do lado mais curto ao outro lado mais curto, mas sem abrir de todo a fatia, criando um bolso:



Aí eu recheio cada bolso com tranqueirinhas gostosas, dessa vez foi bacon, pimentão verde e cebola, mas eu já fiz bacon e abacaxi natural e ficou divino. Use a imaginação! Depois de recheado eu corto 5 pedaços grandes de barbante culinário e vou amarrando o assado, assim ó:



Todo amarrado:



Aí eu coloco num refratário que tem tampa, sob uma cama de vegetaizinhos, que como eu não sou boba nem nada eu faço com o resto do pimentão que foi no recheio, cebola, adicionei uns alhos inteiros que eu já tinha usado pra marinada que vai por cima antes de assar, e uma boooua chacoalhada da lata de azeite. Antes de ir pro forno eu adicionei uma marinadinha tempero-da-vovó, com alho, pimenta, sal e salsinha ( desidratada porque a fresca acabou ). Ó, só limão-sal-pimenta fica diliça também e é mais fácil!



O bichão ficou lá assando tampado uns 40 minutos, eu tiro a tampa e coloco o grill bronzeador do forno ligado, pra dar aquela amorenada sem torrar e endurecer meu assado. Aí eu coloco numa "talbua" e corto filés de comprido, passando a faca entre os cordões de barbante. Ó, não vai querer fazer render e cortar uns filézinhos fininhos que destroça tudo. Tá preparada pra ver o bichão fatiado? Olha que lindeza:



No final, eu coloquei os vegetaizinhos assadinhos da forma por cima, mas meu marido diz que apesar de ultra saboroso "enfeiece" o prato. Eu concordo, e por isso domingo eu vou fazer de novo e vou servir os vegetaizinhos de lado, que eu não sou boba de desperdiçar essa gostosura assada no caldinho do meu lombo...



Olha, com um arrozinho branco, uma saladinha de folhas e uma cervejinha... Eu amo lombo com cervejinha... Até a sogra malvada vai gostar um pouquinho mais de você, colega!

Bom findi povo!

Ah, a holandesada...


Colega e eu discutindo etiqueta ao atender o telefone.

Colega diz irado: fulano inglês liga, pede pra falar com o E. e nunca se identifica.

Eu pergunto se o inglês se recusa a dizer o nome, e o holandês diz que se ele perguntar, o inglês fala, mas que isso é muito falta de educação.

Ha ha ha.

Uma das coisas que a gente mais estranha quando muda pra cá e que está até no livro undutchables ( "inolandesáveis" ) é que os holandeses quando ligam pra alguém ou pra uma empresa não falam alô, mas sim o nome ou no máximo, os mais educados, incluem um "met" ( com ).

Eu expliquei pro colega que se ele prestar atenção, no mundo inteiro uma conversa telefônica segue mais ou menos assim:

O telefone toca, eu atendo: Adriana vd Broek, companhia tal.

O de lá: Bom dia, eu gostaria de falar com o senhor Hans Batatão.

Eu: Quem gostaria de falar com o Sr. Hans Batatão?

O de lá: É o Pietro Spaghetti da empresa Tutti Mafia.

Eu: Mr. Spaghetti, o Sr. Batatão está num curso e só volta às 4 da tarde, você quer deixar uma mensagem?

O de lá: Diga apenas que eu ligarei amanhã cedo, obrigada.

Eu: De nada.

Bonitinha a conversa, né?

Agora a conversa quando o "o de lá" é holandês e liga pra mim:

O de lá holandês: Gfadjfhauvafh dfajfhdajd fhdja Bananen.

Eu: Desculpe, o senhor poderia repetir?

O de lá holandês: Iós Batatudo da empresa "Desentortando Bananas", o Sr. Hans Batatão está?

Eu: Ele não está, volta às 4.

O de lá holandês: Eu ligo amanhã, obrigado.

A holandesada SEMPRE fala o nome deles numa guspida, sem hello, sem nada, eu nunca capto o nome do sujeito. Tem vezes que o cara já vai falando qual é o assunto na mesma cuspida, aí antes de responder qualquer coisa eu tenho que perguntar qual é seu nome mesmo Hans Batatudo, e fica aquele clima chato, tipo "pô, tô aqui falando há 4 minutos e você nem sabia quem era? ". Eu acho falta de educação nem falar oi, nem bom dia ( às vezes os mais educados falam bom dia depois do nome, mas ainda é cedo no diálogo pra eu me recuperar do susto do bladiblá inicial ), mas os holandeses acham falta de educação iniciar uma conversa sem antes falar seu nome.

Colega ainda discorda de mim, ele não acha que a forma holandesa é ríspida, pra ele é eficiente. E continua achando o povo que liga mal educado. Eu dou risada, afinal isso aqui é um paisinho minúsculo, quem dá lá grandes importâncias se eles fazem assim ou assado.

E o findi tá aí, dizem que vai voltar a nevar. Deus nos proteja, tô de saco cheio.

terça-feira, março 2

Ah, os colegas, amigos, companheiros...

Contexto: minha empresa é super canguinha com computadores, telefones, etc. Eu tenho um laptop por milagre, mas são poucos. Celular, só os diretores que tem blackberries.

Colega vê a promoção anunciada na intranet e vem perguntar: Adriana, você ganhou carro da empresa? Eu respondi: Pâtz colega, e eu aqui toda feliz que me liberaram um telefone sem fio que eu tava pedindo a 8 meses...

:-O

Contexto: Adriana reclamando sobre o declínio do Orkut. Amigo: Adriana, o que acabou com a graça do Orkut foram as gordas pobres. Adriana: cuma? Amigo: a gorda não quer que o namoradinho do colegial ou as amiguinhas de colégio vejam que ela está um bofão desgovernado e tranca as fotos. E como não quer pagar pra hospedar foto num site apropriado fica usando o orkut pra dividir foto com as amigas igualmente gordas com fotos igualmente trancadas e com a família e amigos ( pobres ou não ). Vai por mim, Adriana, trancou foto é baranga, gatinha deixa as fotos abertas pra todo mundo ver. Adriana: tcheu parar de babar de rir, tá todo mundo me olhando no escritório...

:-O

Contexto: Adriana chega do trabalho se arrastando de cansada e o marido pergunta o que tem pra jantar. Adriana: uma iguaria mediterrânea que leva o mais puro subproduto dos grãos de trigo, com uma camada de creme de tomates lentamente amadurecidos ao meio-sol do sudoeste da Itália, acrescido de queijo artesanal feito com leite purificado de vacas que pastam livremente pelas encostas do Piemonte, temperados com tenras folhas de manjericão brotados nas encostas da costa Liguria; tudo isso conservado com a maior tecnologia de preservação de alimentos... Marido: entendi, pizza congelada...

:-O

Contexto: colega recém casada comenta que ainda está fazendo as sessões de ginástica maluca que começou pra emagrecer pro casamento ( sessão de 30 minutos numa sala a 39 graus ). Adriana: uma graça sua jaquetinha. Colega: nossa, quase chorei de alegria, entrei nessa jaqueta numero 36 ( ela é um numero 40 holandês ). Adriana: deixa eu adivinhar, é Miss Etam ( minha marca favorita ). Colega: como você adivinhou? Adriana: ( olhando com olhar sábio ) foi Deus que inventou a Miss Etam. ( A Miss Etam tem uma "forma" imensa e todo mundo veste um numero a menos que o praticado por outras marcas ).

:-O

Contexto: que lingua desgraçada essa aqui! Colega manda um e-mail: o próximo PAYDAY happy hour será em Boxtel, no restaurante Witte Koe ( koe é vaca e diz-se cu ). Putz, o cara colocou peidei, bosta e cu na mesma frase, e era só um convite pra jantar.

:-O

Adriana vai dormir, rezando pra pegar logo uma gripe daquelas. Faz uma cara que não pego gripão de ficar de cama, mas estou com algum virus há semanas que me deixa esmigalhada e eu vivo dando uns espirrões, mas nada da gripe me atropelar e ir embora. Manja a gripe que nem furunfa nem desocupa a moita? Pois é, essa aí. Que ódea. Há 3 dias só jantando sopa, a garganta tá super irritada pra comer outra coisa. Sopa de ervilhas, de feijão e mais sopa de ervilhas. Amo as sopas holandesas, ninguém faz melhor. Sopa grossona, encorpada, de caipirão trabalhador messsssmo, de dar suador. Nada de caldinho, brodinho, consomé. Odeio consomé. Latona de Unox na cabeça.

Tô delirando, tcheu ir...

segunda-feira, março 1

Tim tim por tim tim

Dizem que o destino ( ou Deus ) coloca as coisas na nossa vida pra nos ensinar o que estivermos aqui na Terra pra aprender. Uma das coisas que, pelo jeito, eu tenho que aprender, é que viver dependendo de planejamento nem sempre é viável.

Eu planejo minha vida nos mínimos detalhes, já estou planejando minha aposentadoria em 25 anos, mas a todo momento as circunstâncias me dão uma rasteira e lá se vai meu planozinho lindo pela descarga.

Minhas férias do meio do ano estavam planejadas em meados me maio porque tenho a introdução de um fornecedor em 1 de abril, demora 1 mês, em meados de maio eu estar(ia) livre. Miou. Mudaram os planos para 1 de maio. Agora já tá super tarde pra conseguir um pacote legal, eu nem tenho idéia de onde ir, e no fim irrita também o Bart, que também já reservou dias de férias e terá que mudar.

E meu irmão não decide as férias de dezembro. E eu com tanta indecisão não consigo planejar quando contratar o pedreiro pra fazer a entrada e o jardim, afinal um de nós vai ter que tirar uns dias livres, porque essa gente, se você não ficar em cima, acabam azulejando a parede ao invés do chão.

Hoje saiu na intranet da empresa o anúncio da minha promoção, quase chorei, porque nunca imaginei que um dia eu fosse ver meu nome no anúncio de staff. Mas por outro lado, está difícil entrar de cabeça no novo cargo, com o número de projetos que eu estou carregando, minhas responsabilidades triplicaram ( e o salário não triplicou! ). Estou acumulando cargos até contratarem alguém, mas quem diria, em epoca de crise braba, não encontramos ninguém!

E pra rir um pouco, porque a gente também não é de ferro, recebi hoje um trainee, o nome dele é Gideão em holandês, que vem a ser Gedeon ( re-de-on ). Quem coloca o nome de Gideão no filho? Seriously?

E a colega que casou em dezembro tá um pimentão. Ela dormiu na cama de bronzeamento ( aqui na Holanda metade da população tem cama de bronzeamento em casa ) e não ouviu o bip tocar. Tá vermelhaça mesmo. Aí todo mundo chega e pergunta se ela foi esquiar ou se ela está doente, e lá vai ela explicar que dormiu na cama de bronzear. Eu já falei pra ela, o próximo que perguntar, responde que você foi pra Vancouver no findi.

domingo, fevereiro 28

Huispak

Hoje teve furacão aqui na Holanda, ventos de 87 km/h em Eindhoven, assustador. Sei lá, mas é uma delícia ficar enfurnadinha em casa quando o mundo tá desabando lá fora. E eu dei mais um passo rumo à holandeização. Triste isso.

Tirei o pijamão, tomei meu banho, olhei pela janela pra ver as chances da tempestade passar, vendo que eram nulas, tirei minha roupitcha nova da embalagem: meu primeiro huispak.

O que é um huispak? A tradução seria "terno de casa", mas é um conjunto de calça e blusa tipo conjunto de moleton no Brasil. O mais comum aqui é de um tecido aveludadinho e vende em tudo quanto é canto. Resisti o quanto pude, porque até a Gisele B. parece um rinoceronte em tecido aveludadinho, mas achei um conjuntinho por 6 euros no AH. Comprei. Uma cor beringela medonha. Até que a idéia não é ruim, você fica quentinha em casa, confortável e razoavelmente apresentável.

Daqui a um tempo colegas, estarei cortando o cabelo curtinho, pintando de ruivo-mogno e arrepiando tudo com um quilo de gel melequento. Fazer o quê, em Roma como os romanos!

quinta-feira, fevereiro 25

Mea culpa

Escreverei aqui o que acabei de escrever num e-mail pra cumadre Holandesa: sou mesmo uma invejoooooosa!

Mas como não ser? Cumadre Holandesa está em Orlando, O-R-L-A-N-D-O, estava hoje indo pro Magic Kingdom, e eu estou aqui, me afogando de tanta chuva em Eindhoven. Tamo assim quase uma ilha da Madeira por aqui.

Aos poucos estou sendo treinada para a próxima função, acho que com o tempo a gente vai achando o rumo. Ontem no treinamento estávamos o francês, eu e um holandês razoavelmente jovem e não tão experiente falando sobre como chegar no cara que até a semana passada era seu colega e agir como o chefe? Eu e o francês estamos ultra-cautelosos, mas o holandês já foi rasgando o verbo: ué, eu falo e eles seguem. Quero só é ver ele cair do cavalo, chefe mandão é insuportável.

A desvantagem é que eu me sinto na obrigação de deixar os rapazes escolherem as férias, e eu escolho depois nos intervalos que sobrarem, só falei que as 3 semanas no fim do ano são sagradas, e como eu não posso sair ao mesmo tempo que nenhum deles, acabei perdendo todos os feriados bons. Tudo bem que eu ainda nem sei o que fazer, mas nem vai dar pra esticar os dias como eu planejava.

E vejam, no quesito viagem à negócios eu não dou sorte, e mostrando minha inveja novamente, vê se eu arrumo business pra fazer em Orlando... Necas, acho que vou ter que voltar pra Turim, e olha, a cidade nem é tão ruim, mas o fornecedor, minha gente sei não se o cara não tem ligação com algum mafioso, viu... o ambiente é péssimo! A empresa tá mal das pernas, o cara fica mentindo, levou a gente pra almoçar numa praça da alimentação de um shopping xexelento, e o tal banheiro de furo no chão... Vou levar um penico!

terça-feira, fevereiro 23

Novidades velhas

Então, vocês tão vendo que eu tô apertada de costura, né? Tô até zonza de tanto trabalho.

Sábado passado passei por mais um "minha primeira vez na Holanda" e essa primeira vez foi um aniversário de criança. Olha, foi totalmente diferente do que eu esperava!

As conversas que eu ouço a respeito de aniversário de criança por aqui são tenebrosas, tipo servir uma panqueca com ki-suco, cantar parabéns e pronto, ou gente que serve o tal frikandel ( carne de algum bicho misterioso, misturado com coisas misteriosas, moldado no formato duma salsicha ressecadíssima ) e mais nada.

Pois então, o babado foi assim, a festinha era num lugar que é um galpão com muitos daqueles brinquedos de subir, escalar, escorregar e cair em piscina de bolinhas. O que eu achei ótimo é que tinha divisões por idades, assim os bebês não eram pisoteados pelos maiores. Os brinquedos me pareciam bem bons, atraentes mesmo, altos, com bastante lugar pra se enfiar, até eu fiquei com votade de tentar ( mas a bunda ía entalar no escorregador ). Tinha ainda uma parede de escalar e algumas televisões com video games. Acho que a criançada se divertiu bastante.

Pros adultos, havia uma mesa bem comprida feita pela "juntação" de várias mesas, e no meio potinhos com umas fichinhas que a gente trocava num balcão por bebidas. Notei que eles serviram também umas jarras com suco, mas não sei ao certo do que se tratava. De tempos em tempos traziam uns pratos com salgadinhos, e apesar de serem típicos holandeses que não chegam aos pés das nossas coxinhas, empadas e quibes, estavam muito muito muito bons, eu tenho problemas com pimenta, e por se tratar de festa infantil foram espertos e fizeram tudo sem pimenta, mas saboroso. Thumbs up. Aí a mãe trouxe o bolo. O parabéns foi cantado, o bolo cortado e consumido ( eu comi uma fatia que devia pesar meio quilo ). Já no fim da festa, vieram com sacos ( punt ) de batatas fritas com ou sem maionese, e pra falar a verdade, eu que achei que batata frita no fim de festa seria estranho, adorei, caiu super bem depois da fatiazona de bolo ( manja a desculpa de gordo que come salgado para rebater o doce e vice-versa ). Não sei se demos sorte do lugar ter acústica boa ou de ter pouca gente, mas deu pra sentar numa boa e bater papo com as comadres, bebendo coca e comendo salgadinho.

Olha, eu amo aniversários brasileiros, mas tenho que comparar. Pros meus sobrinhos já foi feito em buffets e também em casa. Em buffets é um absurdo a grana que vai. É tudo super confortável, num bom buffet tem comida a dar com pau, bebidas a vontade, dependendo da "chiqueza", sala separada para os adultos com whisky e outras bebidas caras, mini-disco, monitores, palhaços, e fui num em Moema que tinha um trem! Mas repetindo, vai uma grana preta. Fazer em casa dá um trabalho fenomenal, na minha família era um tal de chamar as tias pra dar formato nos salgadinhos, a vizinha pra enrolar brigadeiro, ir sei lá onde pegar o bolo encomendado… e depois da festa eram dias limpando. Melhor um pouco se fosse no salão de festa do prédio. Aqui foi o intermediário, penso eu, não deve ter pesando tanto no bolso dos pais, não deixou a casa em pandarecos, e todos os convidados tiveram uma tarde agradável.

Quem sabe não é uma idéia pra se lançar uma opção mais razoável no Brasil também? Porque fala sério, outro dia vi uma blogueira falando em festinha de buffet de 7 mil reais, que grana minha gente!!!!

sábado, fevereiro 20

The best of all times

sexta-feira, fevereiro 19

Isso é a Holanda!

Eu encomendei um presente na Wehkamp. Fiz a encomenda e escolhi para entregarem hoje no periodo da noite, que vai das 18:00 às 21:00. Cheguei em casa 17:55 e o entregador já tinha passado.

Liguei para a Wehkamp para reclamar, afinal 17:55 não é 18:00, e o atendimento ao consumidor diz: o entregador pode ter ido um pouco mais cedo porque assim ele teria tempo de jantar com a família, afinal entregador é gente também.

Cuma?

Isso meu povo, é a Holanda!

quinta-feira, fevereiro 18

O tempo passa, o tempo voa...

Hoje é o aniversário do S., o bebê da Holandesa. Puxa, foi tão rápido! Parece outro dia mesmo que ela ainda tava grávida. Encomendei o presente do S. e deve chegar hoje, a Holandesa vai me odiar, mas o S. vai amar o presente!

Ontem a minha promoção foi anunciada e foi bem recebida. Eu gerenciarei 3 colegas e duas vagas abertas ( semana que vem tem um candidato ). Eu só posso começar as tarefas "gerenciais" quando essa pessoa for contratada, assim eu passo meu portfolio pra alguém. Todo mundo tá preocupado com a vagareza com qual se contrata gente aqui, eu estou duplamente preocupada. Eu e Bart íamos sair pra comemorar, mas confesso que a morte da Ali me deixou deprê demais pra sair e fazer festinha, fui é pra debaixo das cobertas ler quietinha, com meus meninos sempre à vista.

Estou ainda cansadaça da viagem à Torino. Ah, falei que eu fui domingo pra Torino? Então, viagem via Paris Charles de Gaulle é sempre uma merda, é a pior conexão da Europa. Em Torino eu andei feito uma condenada pra ver os palazzos da cidade, que são lindos. O centrinho também é bonito, mas de resto é o Brás, a Moóca, o Bixiga, tudo bem feinho, sujinho, fiação pra todo lado. O fornecedor também era bem xexelento, e eu fiquei o dia inteiro sem nem fazer um xixi porque o banheiro da empresa era aqueles com um buraco no chão, que eu não sei usar e morro de nojo.

A somatória de 4 horas andando sem parar no frio em Torino, a andação no aeroporto de Paris puxando a bagagem de mão, o dia inteiro em pé no fornecedor, foi a maior dor nas pernas que eu já tive, as costas em farrapos, e a certeza de que eu preciso ir fazer qualquer atividade física djá!

E pra encerrar, já que eu não tô falando nada com nada mesmo, que legal a comissão de frente da Tijuca! Fiquei pausando no youtube pra ver se eu entendia o truque, mas que nada, tudo perfeito! Ruim é a narração da Globo, senhor!

quarta-feira, fevereiro 17

Minha siamesinha brasileira


Ali, minha siamesinha brasileira faleceu ontem, na casa do meu irmão em Holambra, onde ela morou pelos últimos 6 anos.

Se por um lado estou triste pela partida da nossa gatinha, por outro estou feliz, porque ela viveu 17 anos, saudável, serelepe, do jeitinho que ela quis.

Nessa semana minha cunhada notou que ela não mexia a perninha, levou ao veterinário, era o rim, o exame mostrou que o rim já estava muito ruinzinho, deram morfina pra amenizar a dor e ver se ela melhorava, mas ontem, já em casa, ela deu uma gemida e foi-se.

Quando eu mudei pra Holanda, achei um dó separá-la da minha mãe, por isso não a trouxe. Ela já estava com 10 anos, minha mãe tinha acabado de se divorciar, foram a companhia uma da outra. Numas férias minha mãe levou a gata pra Holambra e a gata estava tão feliz com os quintais enormes, o sol sempre escaldante, que minha mãe deixou-a lá.

Vieram os cachorros do meu irmão, que desde filhotes morriam de medo dela. Meus sobrinhos cresceram e a Ali sempre aprontando ao redor. Ela adorava roer blusas de lã e fez incontáveis vítimas.

Desde a minha mudança para a Holanda, em cada volta ao Brasil eu me despedia dela: Ali velhinha, da próxima vez acho que não te vejo mais. Na última vez não me despedi, afinal ela já tinha resistido tanto, ía viver pra sempre!

Ali deixa saudades e o desejo de que meus meninos aqui na Holanda tenham tanta longevidade quanto minha siamesinha brasileira, sem falar na vidinha feliz e cheia de aventuras.


sexta-feira, fevereiro 12

Dá pra acreditar?


Quem acompanha esse blog desde o começo, nos idos de 2002 ( preciso colocar o link pros arquivos do blog antigo ), sabe a saga que foi encontrar o primeiro emprego aqui na Holanda.

Fiz entrevista em mais de 15 empresas, na maioria chegando à etapa final, quando suas esperanças já estão lá em cima, pra ser preterida a um holandês. Colecionei mais de 50 bilhetes de trem ( imagine a grana ), andei debaixo de chuva, de neve, e até de bicicleta pra entrevista eu fui. Minha auto estima foi lá pra baixo, o quanto eu duvidei da minha capacidade! Isso afetou minha vida familiar aqui com o marido, e lá no Brasil, onde todos se preocupavam comigo sem poder fazer nada.

O primeiro emprego finalmente veio depois de 2 anos, mas envolvia 4 horas diárias de trem. Não sei como encontrei forças pra encarar o ritmo por 1 ano e meio. Mas o alívio de finalmente ter um emprego era tão grande… que encarei.

Depois veio o emprego em Eindhoven, numa empresa famosa. O mais perfeito exemplo de péssima colocação profissional. Fui muito infeliz ali, as perspectivas de ambas as partes eram muito diferentes. Me recriminei muito, afinal eu tinha um emprego que pagava bem, pertinho de casa, mas como podia estar tão infeliz? Eu queria fazer grandes coisas, eles queriam que eu sentasse numa cadeira e ficasse fazendo pequenas coisas o tempo todo. Não deu, depois de mais um ano e meio fui à procura de algo melhor.

Comecei então na minha empresa atual. Depois de 1 semana eu já sabia que eu tinha encontrado o emprego ideal. Aqui eu poderia fazer carreira, e com isso em mente, me joguei com tudo ao trabalho. Depois de 10 meses o projeto no qual eu trabalhava, com a crise, foi cancelado. Achei, sinceramente, que eu perderia o emprego. Fui colocada numa outra vaga. Aprendi tudo de novo, me joguei no trabalho de novo, a crise piorou e os cortes começaram. De novo achei que eu perderia meu emprego. Continuei me jogando no trabalho e tive um 2009 pesadíssimo.

Esse ano anunciaram que um novo cargo de gerência estava sendo criado, e eu bem que queria a vaguinha, afinal seria um passo grande na carreira, salário maior, maior participação nas decisões da diretoria. Mas… mulher, estrangeira, apenas dois anos na empresa… com certeza não daria.

Mas deu. Depois do almoço eu fui chamada e comunicada que dentre tantos, eu fui promovida. Tremi por 1 hora pelo menos. Já recebi toda a documentação, já está tudo certinho, o grupo será comunicado na próxima semana ( aqui é carnaval ). A única insegurança é que pela primeira vez vou gerenciar pessoas, inclusive um colega bem mais velho e experiente que eu. Mas de novo vou me jogar no trabalho e torcer pra estar fazendo tudo certo.

Com frequência eu recebo elogios de leitores do blog pela minha determinação, e nunca, nunca achei que eu merecesse. Porque eu fiz o que tinha que ser feito, e o que a maioria faz ( acho eu ), nada de extraordinário. Sempre me vi, e ainda me vejo, como mais uma estrangeira que imigrou sem emprego garantido tentando achar um lugarzinho ao sol. Hoje, apenas hoje, depois de 7 anos aqui, fechei os olhos, com o papelzinho da minha promoção na mão e pensei que talvez eu tenha sim certo mérito. Eu sei que ainda tenho muito o que fazer, e que este é só o início de mais uma batalha duríssima, mas o grilinho falante no ombro direito me diz baixinho que se eu consegui vencer a batalha anterior, talvez eu tenha umas boas chances nessa que se inicia.

Eu sei que muita gente lê esse blog naquela situação que eu estava lá há 6, 5 anos atrás. E pra esses eu digo que quem imigra há que ter esperança, porque se eu ( e muitos outros ) conseguiram você pode conseguir também, mas… e tem um mas muito importante… mate, destrua, aniquile a sua idéia romântica de que na Europa, ou em qualquer outro país "deselvolvido", você vai chegar, dar aquela sorte maravilhosa ( porque você é diferente dos outros ), e de cara achar um empregão pra ganhar uma sacola de euros ( ou seja lá que moeda ). Mate também a segunda idéia romântica de que você vai começar "de baixo" e que bem a Jennifer Lopez no filme Maid in Manhattan vai  conseguir sua capinha na Times vestindo Dolce Gabbana no maior estilo em um par de anos. Vai ser muito difícil. Muito. Demais. Mas é possível. É possível.

Eu e minha enorme boca

Ontem sei lá porque caí num video do youtube do João Gordo entrevistando o Junior, irmão da Sandy ( programaço, né? ). Aí no meio da conversa ele fala algo do tipo: fulana te avisa se você coloca uma roupa muito baiana?

Putz, que mania feia essa de nós paulistas. E não venham os paulistas me dizerem que "nem todo mundo fala assim, eu não falo assim", porque muita, muita gente usa o "baiano" como adjetivo pejorativo. Eu já falei assim.

E não venham os cariocas dizer que paulistas são preconceituosos porque eles não mudam muito com o "paraíba" deles.

Uma das comadres é baiana. Ela mesmo apontou o post que eu escrevi antes de mudar pra Holanda sobre o "baianinho" que bateu no meu carro. Ó céus, que vergonha.

Mas não só baianos, mas em todos as cidades que visitei no nordeste, ouvi que tal coisa era "coisa de paulista". Acham que a gente é afobado, mal-educado, gastão. E sei lá o que mais acham, só tive a impressão de que não somos o povo mais querido no resto do Brasil.

Bairrismo, preconceito, não sei… Acho que falta de informação. Em São Paulo geralmente temos contato com os baianos mais humildes, que vem pra cidade pra trabalhar, ou então vemos aqueles estereótipos do baiano na Globo, onde o homem é sempre uma versão do Caymmi e a mulher da Gabriela. Ou Tieta, que nem sei se era baiana ou sergipana, já que Mangue Seco fica metade num estado e metade no outro.

Eu tava pensando nisso tudo ontem, assistindo a videos antigos da Ivete. Amo Ivete. Eu adorei a Bahia, Salvador, a "costa dos coqueiros" como chamam a rota dali até Praia do Forte. Tenho tanto ainda pra ver da Bahia, Morro, Porto Seguro / Trancoso, a chapada.

Putz, post non-sense esse né? É o frio. E a vontade de estar de novo na Praia do Forte. Ou de estar em qualquer praia baiana com coqueiros ( eu amo praia com coqueiros ). Comer bobó e moqueca. Comer caju, muito caju. Ouvir o sotaque, sempre usando de ao invés de da/do ( de meu pai, de minha tia ). De ver Ivetão ao vivo de novo.

Pena que em trancoso os donos de pousada achem normal cobrar 700 paus pela diária com café da manhã. E pena que Bart só possa ir pra Morro se for de aviãozinho taxi aéreo ( ele já botou os buchos pra fora na travessia playa-del-carmen/cozumel, na balsa pra morro disseram que ele morre ).

Esse ano deve rolar Brasil no fim do ano. Estou pensando em Fernando de Noronha, conjugado com Porto de Galinhas. Vamos ver...


quinta-feira, fevereiro 11

Perguntinha

Questão importante para os leitores QI Mensa desse blog. Aí vai.

O "cerumano" se esfalfou na década de 60 na tal corrida espacial pra botar um homem na lua. Americanos e Russos se estapearam, mandaram cachorro pro espaço ( a Laika ), e finalmente os americanos venceram e foram os primeiros a colocar um homem no "único satélite natural da Terra". O cara foi lá, deu uma andadinha, tirou umas fotinhas, entrou na cápsula espacial e voltou pra Terra. O episódio todo foi tão obscuro que até hoje tem gente que acha que foi tudo encenado num estúdio, o que é bem possível. Alguns ( como meu marido ), dirão que o feito trouxe significantes avanços tecnológicos, outros, como eu, dirão que foi uma perda de tempo e que não se ganhou nada com a pegada listrada do americano em solo lunar.

Agora minha pergunta Mensa-level: porque é que o "cerumano" não coloca o mesmo empenho em fabricar não um foguete, mas uma máquina que lave, seque, passe e dobre suas roupas, sem contato humano?

Porque eu vou dizer, tô me lixando pra bandeirinha americana pendurada na Lua ( se é que tá lá mesmo ), mas vamcombiná que lavar, secar, passar e dobrar roupas ninguém merece! Eu AINDA não zerei o cesto de roupas sujas desde que cheguei de viagem.

quarta-feira, fevereiro 10

Ah, esse medão universal de ficar pra titia...

Tenho uma tia que a vida inteira repetiu, para todas as "moças solteiras" que ela conhecesse, que ser divorciada, viúva, mal-casada era melhor que ser solteirona, que tudo era melhor que ser solteirona, porque a solteirona ninguém quis. Eu sempre achei o fim da picada, mas no fundo ela não é muito diferente do resto da sociedade, ela pode ser mais explícita, mas no fim a maioria pensa o mesmo.

Outro dia mesmo uma prima, que é homossexual me contava que deu um presente para a avó e essa respondeu: muito obrigada, vou rezar pra Deus te dar uma marido bem bom. Putz, podia rezar pra neta passar no vestibular, pra conseguir um empregão, pra ganhar na Loto, mas não, quer prêmio maior que um bom marido?!

Eu achei que a holandesada fosse diferente, mas não é muito não. Gente, como a colega de trabalho que casou em dezembro mudou! Tem coisa até bobinha, tipo ficar colocando a palavra marido no maior número de frases possíveis ( meu marido vem me buscar hoje, hoje quem cozinha é o marido ), mas ela disse, textualmente, que se sente uma pessoa realizada porque casou. Ela cortou o cabelão mais curto, ela anda mais confiante, até a voz mudou, e eu fico pensando, só porque não ficou pra titia?

Ela jurou de pé junto aqui que não tinha planos de ter filhos tão logo, mas eu já reconheço os sinais: compraram casa, estão procurando carro e querem uma station wagon ( station wagon é o tipo de carro mais blé do universo ), e a entregada final foi o potinho de centrum com ácido fólico na gaveta.

Olha, ninguém tem que ver com a vida de ninguém, e eu não sei se ela já estava planejando, ou se mudou de idéia, e na verdade a empresa não tem que influenciar na vida particular do funcionário, mas que fica a impressão de que ela mentiu, ah isso fica.

E porque eu volto sempre a bater na mesma tecla? Porque isso tá afetando minha carreira aqui, só por isso. Estão criando 4 vagas para people manager aqui, e eu quero concorrer. Eu tô lá na lanterninha, tenho só 2 anos de casa, sou estrangeira, sou mulher e o que eles ainda consideram em idade fértil. Lanternaça, não lanterninha. Mas eu bem que gostaria duns dindins a mais na conta, ô se gostaria…

E agora me vou que eu tô ranheta. Tá nevando e eu acho que eu vou ter que ir em pleno dia dos namorados pra Torino, a São Bernardo da Itália. Cêis tão ligados que fica lá pros lados do Piemonte, né? E lá é frio pracaramba e eu não tô podendo. Mais um fornecedor falido, e dizem que a crise se foi. Ho ho ho, faz me rir. Aliás, rir é o que eu menos tenho feito.

Blé.

Que alegria... not!

terça-feira, fevereiro 9

Julie and Julia

Acabei de assistir, e era pra ter sido lindo, mas... a Maryl Streep me irritou demais tentando imitar a Julia Child, a irritação chegou a tanto que várias vezes pausei o filme e pensei em desistir.

Era pra ser lindo Paris pós segunda guerra mundial, mas eu não sabia se a personagem vivia embriagada, se era ligeiramente "mentally challenged" ( como fala o Bart ), e fiquei nervosa pela primeira metade do filme inteira.

Isso dito, fiquei com vontade de comprar o livro. Amo cozinhar, e as receitas parecem ótimas. Será que tem versão pro meu tchutchuco?

Agora vou me acabar de dormir, que eu tô tomando melatonina ( dica da Alice ) e tô dormindo que nem um bebê. Bas noite.

Lambendo os beiços

Eu sempre digo que o conceito de saudável do Holandês é de chorar, mas vejam essa.

Sexta passada, na cantina da empresa, no buffet "verse en gezond" ( fresco e saudável ) tinha um sanduba que me fez lamber os beiços: eiersalade met spek. Não comprei o sanduba porque colocam muito vinagre no eiersalade daqui, mas fiquei com aquilo na cabeça e comprei os ingredientes pra fazer em casa.

Pra vocês entenderem o sanduíche saudável holandês, e se preparem porque só de ler suas artérias vão entupir: eiersalade é um patê de ovo cozido - gemas misturadas com maionese e um pouco da clara picada e tudo temperado com salsinha, spek é bacon, nessa versão compra-se fatias redondas já fritas ou assadas pra sanduíche, tudo no pão que leva ainda uma camadinha de margarina pra não empapar.

Suuuuper saudável, né não?

Às vezes eu fico pensando, saber que é uma bomba para o organismo mas comer porque gosta até eu entendo, mas não saber que esse sanduíche de saudável não tem nada, é demais pra cabeça. E comem acompanhado com leitinho desnatado ( holandês tem mania de tomar leite com comida ). É só aqui que essas aberrações acontecem?


segunda-feira, fevereiro 8

Momento de desabafo e solicitação de rezas


A GM foi minha única experiência de trabalho longa ( 9 anos ). Naqueles 9 anos, tive altos e baixos, projetos melhores e outros nem tanto, e tive pelo menos 2 fases muito ruins, em que realmente pensei em mudar de emprego porque o stress ou a dissatisfação com o trabalho estavam acabando comigo.

Aqui na Holanda, esse é o meu terceiro emprego, e eu sinceramente espero que eu possa ficar aqui senão "para sempre", pelo menos por um longo período, porque realmente gosto do meu trabalho, dos meus colegas, da empresa como um todo. Entretanto…

Ah, tinha que ter um entretanto, né? Eu detesto trabalhar com falências, estou acabando em 6 semanas um projeto de falência que levou quase 1 ano. Quando eu começava a ficar felizinha, fui incluida em um novo projeto de falência. Como se não fosse o suficiente, o problema maior: eu e o program manager não estamos na mesma sintonia.

Esse program manager, por falta de outra pessoa, é um diretor "medior", e o job description dele é um caso meio estranho, da qual se especula muito na empresa, e que eu pretendo ignorar já que eu, assim como os outros, não entendo. Ele está acima do meu diretor direto ( que é junior ), mas abaixo do diretorzão ( que é senior e membro da board of directors ). Só que parece que às vezes ele tem uns arroubos de querer provar que ele é importante, uns lances de "eu mando e você faz" que nem o diretorzão tem.

Mas para mim, o que realmente incomoda, é que ele não deixa ninguém terminar uma frase. Você começa explicando alguma coisa, e no momento que ele "acha" que ele entendeu, ele começa a falar, te interrompendo. Ele faz isso com fornecedores, com a gente, com gente de outros departamentos, e nem sempre ele entendeu o negócio quando ele "acha" que entendeu. Se você tenta terminar seu raciocínio, ele vem com preciosidades do tipo "páre de falar", "fica quieto", e outros comentários em igual nível de educação. Eu tenho que me controlar o tempo todo, e a cada reunião de 1 hora com ele, eu preciso de outra para fazer meu estômago parar de queimar e arder.

Outra coisa que incomoda é que ele acha que o projeto dele tem prioridade sobre tudo e todos, então ele inclui reuniões na sua agenda sem te perguntar se você pode ou não, se ele vê no seu outlook que você tem algo a mais agendado ele manda você desagendar, e como ele não tem a família morando com ele ( a esposa e a filha recém nascida moram em Munique, how bizzare? ) os horários dele vão das 7:30 às 19:30, e ele acha que você tem que estar disponível. Meu cérebro não funciona às 7:30, e nesses dias de neve e chuva, eu estou vindo com o Bart, não vou fazer meu marido acordar no fiofó da manhã pra satisfazer a agenda dele!

E para completar meu quadro desesperador, embora o "job description" de program manager inclua organizar reuniões, ele sempre empurra essa tarefa ao commodity manager ( nesse caso eu ). Eu até entendo que ele esteja numa posição superior a de ficar marcando reuniões, mas esse trabalho não é meu! Aí tenho eu que ficar lá ligando pra um e pra outro, tentando achar horário com a secretária do diretorzão, sem falar que ele simplesmente vem aqui e manda: Adriana, vai achar um horário com a Katja ( secretária ), como se eu fosse um cachorro.

Eu estou profundamente desesperada ao pensar que terei que passar 6 meses nesse projeto. Sei que a gente tem que engolir sapos numa empresa e que na maioria das vezes esses "sapões" passam. Mas esse vai ser um boi, não um sapo, e ao fim do ano, se eu não acabar no hospital com uma úlcera estuporada, vou pelo menos estar tão o pó que nem 4 semanas de Orlando vão me recuperar.

Tenho que aprender a relativizar, a engolir o sapo sem fritar o estômago, tenho que fazer meditação transcendental e yoga. E pra completar uns banhos de descarrego.

sexta-feira, fevereiro 5

O vírus


Paniek Paniek. E eu estou dando risada.

Um virus atacou o sistema da empresa. Ele se instala no outlook e a cada e-mail que você envia, ele coloca alguém no bcc ( blind copy ). O problema começou ontem, foi identificado agora de manhã e estão correndo pra resolver.

Imagine só, mandar um e-mail pra alguém sem saber quem vai receber cópia. Estamos agora todos travados esperando a solução, imagina se você manda a cópia de uma cotação pra um engenheiro e vai uma blind copy pro concorrente? Ou o safado que manda um e-mail pra amante e vai para no mail box da esposa? Ha ha ha.

Vou escrever um livro: o dia em que a empresa parou!

quinta-feira, fevereiro 4

Agora sim, o post certo


Semana passada teve um debate na TV sobre uma proposta de um político de direita que consiste em cancelar o direito de estrangeiros à dupla cidadania. O calo no pé dos holandeses são na verdade os turcos e marroquinos, mas como ninguém pode ser específico, vira uma questão que abrange todos os estrangeiros.

Eu assisti ao debate na TV e tinha uma turca lá que, toda emocional, disse que no caso dela, que veio com os pais pra cá aos 4 anos de idade, foi educada aqui, é dona de uma loja, tem toda sua vida na Holanda, é como pedir pra escolher de quem você gosta mais, do seu pai ou da sua mãe.

Eu fiquei pensando que sei lá se eu sou "sem coração", mas pra mim a decisão seria simples e fácil: a nacionalidade holandesa me é muito mais conveniente. Pronto. Eu posso morar aqui sem ter que ficar pedindo e pagando por vistos, e tenho todos os direitos de um cidadão holandês. Quando viajo, raramente tenho que pedir visto pro país visitado. Enquanto isso, no que me ajuda meu lindo passaporte brasileiro? Nada, só me dá trabalho. E isso não quer dizer que eu goste mais de um país do que de outro, só me é mais conveniente. Eu ainda poderia continuar entrando no Brasil de férias, e se um dia eu quisesse ir morar lá, era só pedir a cidadania de novo. Putz, e sou sem coração mesmo, porque pra mim seria igualmente fácil dizer se eu gosto mais do meu pai ou da minha mãe.

Eu sempre achei que fosse injustiça perseguir tanto assim os turcos, mas agora que moro do lado de um bairro turco, é difícil não se irritar. Eles fazem do jardinzinho de frente da casa um lixão público com pneus velhos, assentos de carro, bicicletas sucateadas, restos de móveis apodrecendo, a rua fica uma favelona, e posso garantir, vou até tirar fotos, que muitas ruas tem mais de metade das casas assim. E passam sempre com seus carros em super alta velocidade pelas ruas do bairro onde só é permitido ir a 30 km/hr. Não é à toa que holandeses fogem daquele bairro que nem o diabo da cruz.

Agora me vou que meu humor está ligeiramente melhor e eu vou me mandar pra casa.

Oooops...

E-mail address trocado!

quarta-feira, fevereiro 3

Buahhhh


Deprê total. Finalmente a tal depressão de inverno atacou, e eu que estava segurando tão bem estou querendo me esconder debaixo da cama e chorar baldes. E vem a TPM junto. E tem um projeto capenga ( como diria a Holandesa ) me acabando com as paciências. Estou blé amigos, por isso me recolherei num canto.

Estou obcecada em ir pra Orlando, obcecada. E como gente obcecada é pedante, recolher-me-ei ao meu humildo canto cibernético.

Na procura de informações sobre vôos da Martinair, me deparei com um blog de uma holandesa que descreve exatamente a viagem que eu quero fazer: avião, carro e aluguel de uma casa com piscina. Estou tão desbalanceada que chorei, de levinho, mas chorei. E estou no trabalho, vejam que mico. Ainda bem que são sete da noite e não tem mais ninguém aqui.

Vou pra casa buscar comida no chino, e enfiar o pé e o resto do corpo na jaca.

domingo, janeiro 31

Ah, a Itália...

E Adriana na busca voraz pelo destino das férias de maio vira o google earth para a Itália. Como, eu pergunto a vocês, como ir para a Itália e escolher apenas duas cidades?

Eu e Bart não gostamos de pinga-pinga, um hotel em cada dia. Como escolher o que ver?

Começo assim: vôo para Pisa, mas fico ali por Firenze. Lucca fica tão perto de Pisa, mas a gente vai estar estourado. Ficamos em Firenze e fazemos day-trip pra Lucca. E day-trip pra Siena ( vale a pena? ). E Arezzo, vale à pena? Daí depois de uns 4 dias vamos pra Montalcino, ficamos ali uns 3 dias. Aí eu tenho que ir pra praia. Amalfi. Pâtz, é longe pacas. Avião? Trem? Carro? Vou passar por Roma, como não parar? Vou passar por Napoli, como não esticar até Pompeii? Chegando em Amalfi... Temos que ir pra Capri. Temos que ir pra Pompeii. Tenho que passar por Ravello. Tenho que ir até Positano.

E aí fica tudo uma bagunça. Mas tô querendo dividir assim: 5 dias ao redor de Firenze, 5 dias ao redor de Montalcino, 5 dias em Amalfi. Que cês acham?

E dicas da Toscana, alguém tem?

E a pergunta derradeira: porque é que fazer turismo na Itália é tão caro, hein?

sexta-feira, janeiro 29

Cêis tão ligados, ne'?

Esse blog virou praticamente um twitter. Blé.

Estou com o saco na lua hoje. Um frio dos infernos e eu tive que vir de scooter, debaixo de garoa, porque o marido está fazendo um curso lá nos confins de Nijmegen.

Não consigo parar quieta na cadeira e não consigo me concentrar. Não fiz muita coisa hoje.

A viagem eu tinha que decidir até domingo, pra pegar o tal free upgrade, mas não vai rolar. Aliás, tô praguejando, praguejando, mas vou acabar enfiada num resort all inclusive, tô até vendo.

Até o Plato foi vítima de meu mau-humor, esperei ele dormir, muito puta com a barriga dele cheia de nós nos pêlos ( ele só deixa a gente pentear as costas, o peito e barriga não ), rapelei o bicho. Quando ele deita e faz gracinha dá até dó, de tão feioso que ele tá.

Sabem, tem hora que a gente tem que buscar lá no âmago a motivação pra trabalhar. Eu ando com um holerite dobradinho na bolsa, sério. Na verdade pra comprovar endereço, mas quando me bate o desânimo eu vejo o dindin que entra a cada 4 semanas.

Outra motivação pra leseira que me dá à vezes é ir no blog daquela brasileira que não trabalha, não tem filhos, não é dona de casa, que acha que é um privilégio poder ser sustentada e ter até as calcinhas (vintage) pagas pelo marido, e ver que aquela vidinha nada mais é do que uma morte em vida. Me imagino dias e dias e dias no quentinho da minha casa virando páginas de internet, e lendo revistinhas cult, e indo dormir e acordando, hora após hora após hora, dormir pra acordar e continuar a ver páginas da internet, e começar e terminar o dia sem ter tido relevância alguma no mundo do qual eu faço parte. Morte em vida.

Ai credo, bate na madeira três vezes. É o cinza e o frio se apoderando de mim. Tcheu me animar, hoje vou ter uma reunião com uma estudande de PHD que eu vou ajudar. Ela é da Republica Dominincana ( olha a coincidência ) e hoje teremos nossa primeira reunião e eu vou liberar o café ( estou evitando ) e até trouxe uns cookies. Tô curiosa pra ver a tese dela, ela trabalhou na AMBEV, no Brasil!

Bom findi, que com frio e chuva e whatever, a gente tá vivo e tem tanta coisa legal pra se fazer. Esse findi eu devo ir no Ikea de novo, e mesmo que esteja lotado, Ikea é sempre um prazer.

E se alguém aí lembrar de algum apartamentozinho, condo, hotel simpatico nos EUA, dá um grito.

Fui!

Milhagem é conversa pra boi dormir


Então, eu tenho as tais milhas pra um vôo pros EUA. Lindo.

Estava querendo ir pra Orlando. Lindo.

Achei vôo com a Martinair, parceira da KLM. Lindo.

A passagem do Bart, em pleno feriado por apenas 550 euros. Lindo.

Free upgrade para a comfort class gratis pro marido. Lindo

Tickets de milhagem ainda disponíveis. Lindo.

A milhas não cobrem as taxas. Feio. As taxas somam 250 euros. Feio. Eu ainda teria que pagar a comfort class ou viajar separada do marido, apertada na economica. Muito feio.

Por isso, deixo aqui claro que não serei mais fiel a companhia aérea alguma. Daqui pra frente serei totalmente mercenária e voarei com quem me cobrar um preço menor ou tiver algum serviço especial no qual eu esteja interessada.

De resto, cálculos de quanto custaria uma passeadinha na Flórida:

Ticket aéreo do marido mais taxas do meu, com upgrade: €950
10 noites em hotel em Orlando: €500
4 noites de hotel em Miami: €300
Aluguel de carro: €200
Ingressos pra Disney: €850
Total: € 2800

Fora alimentação e passeios extras, tipo um tour de segway super legal no Epcot, ou Everglades.

Tá caro meu povo, muito caro.

Mas que eu não vou sentar a bunda num resort por 2 semanas, ah isso não vou!


quinta-feira, janeiro 28

A versão adrianística da crise de 7 anos do casamento


Como é difícil ficar véia. Tô ficando véia, gente.

Quando eu era mais nova eu queria um emprego que me desse oportunidade para viajar, conhecer outros países. Era o meu deslumbre. Nos meus dois primeiros empregos na Holanda eu viajei tanto, mas tanto!

No começo, eu amava. Aquela excitação toda de aeroporto ( amo aeroportos ), hotéis legais, restaurantes diferentes, umas horinhas roubadas aqui e ali para conhece o lugar onde eu estava. Em 4 anos fui muito pro Reino Unido, pra Espanha, pra Alemanha, até na Ásia fui parar. Jantei num Priory, comi paella num restaurante com estrelinha Michelin em San Sebastián, e tentei aprender a dizer Xé-Xé ( obrigada ) em mandarin quando estive em Taiwan.

Mas chega uma hora que você não se lembra mais se esse aeroporto é aquele do sushi gostoso ou aquele que tem que andar pacas até o estacionamento. E toda comida tem meio que gosto de borracha, e você cansa de dirigir do lado errado da rua debaixo de chuva, neve ou congestionamento. E você fica pê da vida de não poder ir buscar seus gatos no vet quando eles são castrados, e de chegar atrasada pro aniversário do marido, de ficar presa no trem voltando do aeroporto em dia de tempestade de neve. As horinhas roubadas pra fazer um pouco de turismo não compensam mais.

Daí eu ter decidido junto com o marido a separar uma boa grana por ano pra fazer só isso, viajar. Poder acordar e ir visitar a cidade à sua maneira, pegar museus, lojas, tudo aberto e fazer suas compras em paz. Sentar na praça mais bonita da cidade às 2 da tarde e comer um sanduba dando migalhas pros passarinhos…

Só que ultimamente eu e Bart caímos na armadilha do all-inclusive: é praticamente impossível bater o custo-benefício de um, e viramos turistas gringalhões preguiçosos. Só que eu estou meio enjoada, e o marido não. Eu queria viagens como a do ano passado pra Itália, onde ficamos em apartamentozinhos e b&b, andamos pelas encostas de 5 Terre, navegamos pelo lago Como. Quero ver coisas novas, incluindo uns diazinhos na praia, porque pra mim férias sem praia só se for Orlando, mas não quero mais sentar minha bunda numa cadeira de resort e levantar depois de 2 semanas.

Só que agora estou sem opção. Tudo está lotando para os feriados de fim de abril e maio, e eu ainda não decidi o que fazer. Tenho uma passagem de milhagem pros EUA, que se eu não usar vai vencer em agosto, não seria legal, já que eu gosto tanto de Orlando, passar lá uns dias num apartamentozinho e fechar a viagem com uns dias em Miami? Ou fazer NY-Orlando? Tantas opções! Mas Bart está com fobia de cidades grandes, está com horror a enfrentar os novos sistemas de segurança dos aeroportos americanos, e ainda não enjoou da leseira dos resorts.

Por caridade, dêem uma luz, o que fazer? Pra onde ir? Tô com vontade de deixar na mão dele a organização, mas ele nem abrir uma brochura abre. Estou começando a entrar em desespero, porque acabaremos não organizando nada, aí eu não vou achar passagem em última hora, e vamos acaber em algum lugar medonho tipo Marbella.

Help!