Na tv holandesa há um programa chamado grenzeloos verliefd, ou algo como amor sem limites. O programa mostra uma holandesa ( nunca vi nenhum programa com um homem holandês, é sempre uma mulher ) que se apaixona por um estrangeiro e imigra para algum país para ficar com ele. Até alguns programas atrás, era sempre um imigrante pobrezinho, elas sempre se mudavam para algum fim de mundo num casebre, ou então o namorado/marido era mulçumano e mostrava o incrível choque de culturas, o programa era sempre muito, muito radical. Teve um que mostrou uma holandesa que foi morar no Brasil numa daquelas casas de palafita, uma pobreza que até eu que nasci e vivi até os 30 no Brasil, nunca vi.
Nunca consegui terminar de ver um capítulo, sempre me aborreço com o radicalismo do programa, e querendo treinar meu holandês ou não, mudo de canal. Mas a secretária aqui do departamento é fã número um, daquelas que se perde um programa, corre assistir na internet assim que chega em casa.
Há algumas semanas, houve um programa de uma holandesa que mudou para o Egito. Acho que foi um dos mais radicais que eu já vi, não pela pobreza, eles nem estavam tão mal instalados assim, mas porque a holandesa largou tudo e mudou pro Egito sem nunca ter tido relações íntimas com o namorado, e casou sem antes ter relações íntimas. O programa mostrou o conflito do casal antes do casamento, ela - vinda duma sociedade onde adolescente ela já transava como namorado, ele - virgem aos 28 anos. Eles casaram, ela engravidou, e o mais chocante foi ela admitir na TV que pela lei egípcia ela não tem direito algum ao bebê, ele "pertence" ao pai.
Me lembrou daquele filme: Never without my daughter, de uma mulher que passa por situação semelhante ao visitar o Iran com o marido Iraniano.
Eu conheço muito pouco da religião mulçumana, e fico me perguntando se é lei religiosa ou civil que dá a "posse" do filho para o pai. Alguém sabe? Interessante é que em muitos países a cidadania de um bebê é determinado pela "lei do livre ventre", que parte do princípio que o filho deve ter a cidadania da mãe porque pai, até que se prove o contrário, pode ser qualquer um.
Ainda nessa linha do "me encafifa mas eu não sei o que diz o Corão", eu digo que, apesar muita gente ter criticado o filme Sex in the City 2 ( que aliás eu achei perfeitamente bobinho mas divertido ) eu também acho humilhante as mulheres que usam burka. Aqui em Eindhoven e até no Egito eu já tinha visto algumas, e sempre me perguntei como fariam para comer em público, e no filme eu vi. Em tempos de discussão sobre a proibição da burka em países Europeus, eu acho que pouquíssimas mulheres vestem burka por opção, a maioria deve ser por pressão do marido, de familiares.
Eu acho que a burka deveria ser proibida sim, pelo simples fato de que a pessoa por baixo é inidentificável, pode cometer qualquer crime sem ser identificada. Pior ainda, é que existem casos de homens-bombas que se esconderam debaixo de burkas e ninguém percebeu.
Dito isso, sou totalmente contra a proibição do lencinho na cabeça. Só aceitaria tal proibição se fosse também proibido usar cruxifixo na correntinha, ou aquelas estrelas de Davi ou qualquer manifestação de fé religiosa. Aliás, a família do meu pai é Lituana, e eu lembro que as mulheres mais velhas sempre usavam um lencinho muito parecido com o das mulçumanas ( só que davam um nó debaixo do queixo ), não por nenhuma questão religiosa, mas simplesmente porque na Lituania eram camponesas e parece que era costume fazer isso antes de irem trabalhar na roça. Seria esse lenço proibido também? E lenço em cima dos bobs? Minha tia Sônia fez tanta "touca" e por cima punha um lenço, seria proibido também?
E como sempre, comecei falando lá e terminei com crá.
O programa Amor sem Fronteiras aliás, suavisou e ficou meio chato. Até acharem o meio termo, que mostre a cultura do novo país sem os exageros do "meu amor numa cabana - literalmente", mas que não caiam na "agüice com açúcar" de ficar mostrando a vida de um casalzinho classe média em Seattle ( bóóóóring ), eu ficarem sem assistir o programa. Vou agora treinar meu holandês com um tal de Hello, Goodbye. Sou fanática por TV, mas tô pra ver algum país com programas mais chatonildos que esse aqui. Até Band é melhor.






