domingo, abril 3

Placebo

Quem frequenta hospital, se não tá doente, fica. Com o sistema imunológico frito, claro que eu ía pegar uma gripe. Ona, aliás. Quando a gripe é ona, o que me incomoda mais são os olhos inchados e lacrimejando, mas há alguns anos eu aprendi um truque que resolve o problema: tomar um antialérgico, aqui na Holanda, o Loratadina. O marido diz que não tem nenhum embase científico e que é efeito placebo, que eu deveria perguntar pra médica se o antialérgico funciona mesmo. Eu hein, de verdade ou placebo, que me importa? Se no fim me ajuda, cumpriu o objetivo.

E daí, essa noite, sem conseguir respirar direito, parei de brigar com o travesseiro e desci pra sala. Tem um site de vendas chamada vente-exclusive que é odioso. Descendo, vejo no meu e-mail que as 4 da manhã começou uma liquidação da Oilily, uma marca de bolsas que eu adoro. Aí, interessada em uma nightbag ou um weekend bag para viagens de negócios rapidinhas, fui toda serelepe clicando no link, a liquidação tinha começado as 4 e era 4:20, logo impossível não conseguir uma bolsinha... errado, TODAS as nightbags e weekendbags já haviam sido vendidas, e aí eu acredito ainda mais na minha teoria que esse site do coisaruim coloca fotos de produtos legais com a tarja "esgotado" só pra você achar que tem produtos ultra legais com preços fantásticos e você que foi lerdo demais, criando assim uma certa urgência nas suas futuras compras. ODEIO esse site maledeto, nunca consegui comprar nada, sempre que chego na liquidação o que eu quero já está esgotado.

Aí, desanimada, voltei pra cama, e dormi um soninho bão. Quando passa das 7 e eu não levanto, Plato começa a ficar agoniado, as 8 ele tá batendo na porta do quarto e miando, e o escândalo vai ficando pior à medida que o desespero dele vai crescendo. Será que ele tem medo da gente morrer, desaparecer? Sei lá. Só sei que eu levantei, podraça de sono, ele e o Ty me seguindo. Vim pra sala comer sucrilhos, eles vão pra cadeira deles e dormem, que nem uns anjinhos. Dá vondade de ir lá acordar os belezuras, olho por olho, dente por dente.

E para finalizar, passa aqui uma importantíssima informação do stumble it no meio da madrugada: o Daniel Radcliffe do Harry Potter ganhou 50 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da série e o Rob Pattinson do Twilight ganhou 41 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da Twilight Saga. É mais do que ganha o Leonardo de Caprio ou o Tom Hanks, esse último ganhador de 2 oscars.

E assim foi minha maravilhosa madrugada. Agora que a primavera na Holanda acabou, vou lá no centro de brozeamento artificial ( que ironicamente tem permissão da prefeitura pra abrir aos domingos, enquanto nenhum outro comércio tem ) dar uma recarregadas nas reservas de UVA e UVB e seilámaisoquê, e voltarei curada de todos os males.

Certo?

quinta-feira, março 31

Missão impossível



Alguém precisa escrever um livro: como comprar roupa de bebê-menina e não enlouquecer.

Hoje a minha missão pós-hospital era comprar roupinhas pras nenês das comadres. Gente, foi-se o tempo que nenê vestia só aqueles macacõezinhos e pronto, né? Eu juro, se eu tivesse uma filha, além de ir à falência, ela ía ser trocada 10 vezes por dia.

Mas então, fui à loja Prenatal, uma mega-loja bebezística que eu acho que tem na Europa toda.

Como uma mulher grávida não enlouquece? Dá vontade de comprar tudo! Eu peguei sainhas, aí achei que aqui é muito frio pra nenê usar saia. Troquei por calças bufantinhas. Aí vi que tinha leggings e meias-calças, voltei a pegar as sainhas. Mas aí eu achei que elástico da fralda, mais elástico da legging, mais elástico da saia... é muita coisa apertando a criaturazinha. Aí pensei, se eu fosse um bebê, fosse ficar deitadinha o dia todo de preguiça, o que eu gostaria de vestir? Malha! Aí fui pras roupas de malha. Gente, são malhas ultra macias, todas modernosas... é tanta escolha!

Aí, que estilo pra filha de uma e que estilo pra filha da outra? Claro que a gente acaba indo meio pelo estilo da mãe, aí escolhi uma mini-peruinha e uma mini-roqueirinha.

Os rompertjes ( macaquinhos ou onesies ) eu confesso ainda não caíram no meu gosto, mas acho que acabo acostumando. Tem rompertje muito bonitinho e outros bem breguinhas. Todo bebê que eu já vi tem um rompertje "I (heart) oma ( ou mama, papa, ). Quem é que vai fazer um: minha mãe foi pra Aruba e tudo o que eu ganhei foi esse macaquinho bobo.

Na hora de pagar, pedi pra fazer os pacotes e a mulher perguntou: juntos? Não, apesar de ser o mesmo número, ambos pra meninas, são separados e a mevráu riu: é, chega uma idade onde a gente tá comprando um presente pra nenê por mês.

Putz, tá certa a mevráu.

Anta, pero no mucho...

Juro que esse será o último post hipocondríaco até eu receber alta ( ou não ) no dia 7 de abril.

Ontem no trabalho tive umas tonturas, umas tremedeiras, e tive um início do piripaque que deu início a essa saga, diferença é que eu estava no meio de uma reunião e sem Holandesa pra me abanar... Fui pro médico de família.

Lá chegando, ótima surpresa: como a minha médica de família ( que tirou o diploma por correspondência ) não trabalhava aquele dia, passei com outra, nova na clínica, e ótima. Claro que eu virei casaca e vou mudar pra ela definitivamente. Essa nova médica leu todo o laudo do hospital pra mim, me explicou direitinho que tipo de anemia eu tenho, me explicou porque não me deram nenhum remédio extra, me disse pra eu não me desesperar se no próximo exame de sangue ainda der baixo ferro porque segundo ela ferro é ultra difícil de repor, de ser absorvido, me examinou, olhou minha cor e me achou coradinha ( depois de 2 anos pálida cadáver, nem minha maquiagem comprada toda pra tons pálidos de pele combinam com minha nova tez quase africana ), e me pediu exame de sangue djá, porque segundo ela, se eu estiver com glóbulos vermelhos baixos de novo, não há razão para esperar mais 10 dias pra fazer mais transfusão ( bate na madeira 3 vezes ).

E o principal: mevrouw van den Broek, talvez ninguém tenha explicado a seriedade da sua situação com ferro a 3.8. A senhora podia ter entrado em coma, ter tido um ataque cardíaco, foi seríssimo, onde já se viu tirar 3 dias de descanso? A senhora ficará em casa até o dia 7 de abril, quando fará seus exames novamente, e daí conversamos de novo. Vá tomar chá e comer sopinha em casa, assistir TV, quem sabe aproveitar o tempo pra fazer um pouquinho de jardinagem ( mal sabe ela que meus planos são de instalar grama artificial e me livrar daquela praga ).

E é isso querido leitor desse chato-blog, estou de molho em casa, aliás saindo pra fazer o tal exame de sangue, e já que está chovendo, eu decidi que jogarei the sims até cansar.

Eu bem que podia ir convalescer em Curaçao, que cês acham?

terça-feira, março 29

Eu sou uma anta

Quando eu recebi alta no hospital na semana passada, a primeira pergunta pra médica foi: posso voltar ao trabalho? Ela disse que sim, mas que achava que eu deveria tirar um tempo para me recuperar, e sugeriu que eu só voltasse depois do re-exame dia 7 de abril. Eu vou confessar aqui: sofri no Brasil com licença médica, e se não fosse eu ter envolvido até o médico da empresa numa discussão de performance, teria prejudicado bem minha carreira. Aqui na Holanda eu não sei como o povo olha pra esse tipo de coisa, mas sei lá, sou trouxa, anta, ou traumatizada, e resolvi ficar 3 míseros dias em casa depois da transfusão.

Voltei ontem ao trabalho, mas estou pegando leve. Meu diretor concordou que eu preciso passar parte do meu trabalho para um outro comprador, as coisas estão progredindo bem. Estou me alimentando super saudável, nada de alcool, e desde que sai do hospital, não precisei tomar um paracetamol para o quer que fosse.

Hoje, um supervisor da engenharia deu piti na minha mesa. Estávamos fazendo uma mini-reunião na hora do almoço, eu lá discutindo um projeto e tomando minha sopinha, quando esse maluco chega, ouve a discussão e começa a gritar comigo, que o projeto está atrasado e eu fico "querendo seguir os procedimentos", e que todo o projeto vai pro buraco porque eu não dou um "jeitinho holandês". Eu estou totalmente apoiada pelo meu chefe, estou seguindo os procedimentos da empresa, estou bonitinha fazendo meu trabalho, mas perdi as estribeiras. Acabei falando alto ( o que sempre me traz arrependimento depois ) e dizendo que ele que fosse falar com o diretor do projeto e que se ele me autorizasse a ignorar os procedimentos, que eu faria o que ele estava me pedindo. O que gerou mais gritaria dessa pessoa, e aí eu sabiamente calei. A briga/reunião foi adiada pra amanhã.

No minuto que esse bendito virou as costas e se foi, meu estômago contraiu-se em espasmos, uma dor infernal. A dor do estômago amenizou para atacar então o baixo ventre e dali as costas. A dor nas costas estava tão agonizante que eu cheguei em casa e fui direto tomar uma ranitidina pra preparar o estômago e tive que tomar um Voltaren, que é um veneno estriquinina pros estômagos sensíveis. Coloquei ainda uma bolsa de água quente nas costas, mais tarde tomei banho de banheira, e deitei retinha na cama pra ajudar. A dor nas costas matou meu apetite, e olha que eu cozinhei feijão fresquinho, e me deixou totalmente sem ar, com muita dificuldade de respirar. Aí é claro que eu desabei no choro e solucei pro marido que a falta de ar só podia significar que meu corpo tá matando meus novos glóbulos vermelhos de novo, e que dia 7 vão me internar de novo naquele quarto de enfermaria com outros 5 doentes.

E chorei. E esperniei. E acalmei. Um pouco.

Agora vos pergunto: precisava eu passar esse nervoso? Eu não podia ter ficado em casa convalescendo até o retorno médico? Porque é que eu me saboto dessa forma, será que eu quero ser mártir? Será que eu quero que alguém diga: nossa que menina aplicada, mesmo doente veio trabalhar.

Só sei que nesse momento a única coisa que me passa pela cabeça é: Adriana, sua anta! Anta, anta, anta! A.N.T.A.

segunda-feira, março 28

O céu é o limite


Eu nunca fui uma pessoa boa com limites. Não sei impor meus limites pros outros, não sei eu mesmo colocar meu próprios limites pra mim, e muito frequentemente ultrapasso os limites dos outros.

Mas agora, me recuperando da anemia e ainda sem saber a causa dela, tenho que colocar limites pros chefes, colegas, marido e para mim mesma.

Está sendo dificílimo.

Ontem tive que ter uma conversa com o marido. Tive que dizer que até eu receber alta do médico, eu não vou fazer tarefas domésticas que requeiram esforço, e que me recuso a viver no meio da zona, então ele vai ter que "man up" e ajudar. Eu gostaria muito, muito mesmo que meu marido fosse diferente e que não precisasse que eu falasse isso. Queria que ele já fosse tomando as rédeas desde o minuto que eu fui para o hospital, mas não foi assim. Ele me deu, e ainda me dá, o maior apoio emocional, passou a tarde comigo nos dois dias que eu fiquei internada, fez malinha, comprou comida, cuidou dos gatos. Mas quando eu voltei pra casa e comecei a fazer uma coisinha aqui e acolá, a mente dele entrou em módulo "ah, tudo com dantes no quartel de Abrantes" e me chateou imensamente quando eu me dei conta que doente e tudo eu acabei levando o lixo de 23 lt pra fora, que limpei o banheirinho dos gatos, lavei roupa, cozinhei, comprei comida do gatos e carreguei do carro pra casa ( 6 kg ). E nos acertamos, pelo menos por enquanto.

E aí vem o segundo passo: eu colocar limites pra mim mesma. Detesto gente que fica fazendo beicinho quando está doente e estrapolando no corpo-mole, mas não posso continuar no mesmo ritmo porque se no dia 7 de abril eu voltar pro acompanhamento e tiver tudo dado errado eu vou ficar me culpando, achando que se eu tivesse descansado meu corpo teria reagido melhor. E vamos combinar, meu corpo PRECISA reagir, logo, devagar no andor.

E por último, e não menos importante, são os colegas de trabalho, principalmente o chefe. Eu já tinha, naquela fatídica segunda feira mostrado pra ele minha carga de trabalho e o que eu posso e o que eu não posso fazer, já tinha preenchido o requerimento de um funcionário extra para tarefas administrativas e estava discutindo com ele mais um comprador. Eu não quero que misture esse "temporário" slow down com a real necessidade de mais braços pra fazer o trabalho. A necessidade já vinha de antes, e vai continuar, mesmo que me dêem mais 15 litros de sangue de um negão africano de 2 mt de altura. Aliás, note for self, eu tenho que determinar meu novo ritmo, porque como estava não dá pra ficar. E tudo isso requer reflexão da minha parte, que eu determine meus limites, e que saiba convencer os outros que esses limites são aceitáveis e normais. Meus colegas de trabalho estão sendo gente finíssima, todo mundo me dando muito apoio, todo mundo falando pra eu pegar leve, mas a conversa na salinha do diretor com portas fechadas eu ainda não tive.

Nesse meio tempo, os planos de férias miaram todos, eu preciso esperar o resultado dos próximos exames pra ver o que faremos, e isso me frustra muito, porque em momentos de desespero eram os planos da próxima viagem que me seguravam, aquela luzinha no fim do túnel, que agora está apagada total. Eu sempre expandia um pouco meus limites sabendo que dali a 2 meses eu estaria numa ilha grega comendo tzatziki e bebendo ouzo ( not ).

Bom povo, como eu não tenho o R$ 1,5 milhão da Betânia pra fazer esse blog ( pergunta: como  é que alguém consegue justificar a necessidade dessa grana toda pra manter um blog de poesia? É mooooita cara de pau, isso sim ), vou ficando por aqui porque tenho que ganhar o leite das crianças, digo, a comida renal dos gatinhos.


sábado, março 26

Breaking Down



Eu não sou de fugir de uma boa briga de um bom pega-pra-capá. Enfrento o touro à unha. Mas nesse momento estou com uma vontade incontrolável de jogar todos os problemas pro alto, e olha que são muitos, catar uns vestidinhos, biquinis e havaianas e me mandar pra uma praia qualquer no Caribe, de mar azulzinho e areia fininha.

E iria sozinha! Porque estou precisando de paz e silêncio.

Burn out? Não, não foi burn out. O piripaque começou com uma comida de bola homérica da minha médica de família que tirou o diploma via correspondência e continuou com a minha tchonguisse. A diferença é que ela estudou 10 anos pra receitar paracetamol, o maior disperdício da face da terra na minha opinião é essa faculdade de medicina geral da Holanda - onde nós, os tax payers, pagamos pra esse bando de gente malemolenga aprender a receitar paracetamol - 10 anos aprendendo a justificar pro paciente por que ele não precisa de um exame e que paracetamol o curará, aliás, será que o médico ganha caixinha da seguradora por exame NÃO pedido?

Então, há mais de um ano eu estou com o ferro super baixo, mas a idiota pediu o exame de sangue no ano passado e quando eu liguei pra perguntar o resultado, ouvi que tava tudo normal. Fui saber agora nessa internação do resultado do ano passado ( fiz no mesmo hospital e os resultados ficam no banco de dados ), e que então eu já devia ter começado um tratamento de reposição de ferro. O que aconteceu? Não sei. Não sei se ela nem abriu o resultado, ou se tava cutucando o nariz e fazendo bolinha de peteira quando eu liguei e viu o número errado, ou se simplesmente é burra mesmo.

Agora, dentre os meus já graves problemas, tenho mais um: procurar outro huisarts. Porque dá pra confiar nessa aí? Não dá.

Putz, comecei falando de alhos e terminei em bugalhos. E daí minha vontade de querer sumir. E marido entende tudo, é bonzinho e tals, mas na hora do vamo-vê ele ainda espera que eu vá pro supermercado, que leve o lixo pro container, que limpe o banheiro dos gatos. E juro, não tenho energia pra isso não.

E aí, digam-me, jogo tudo pro alto e mando-me pra Cuba, Curação, Aruba?



Só de me imaginar flutuando nessa água me dá vontade de chorar.

sexta-feira, março 25

Um dia de sol

Um dia de sol na Holanda a gente não disperdiça. Estive de molho todos esses dias, sem fazer nada legal, foi só hospital, cama, TV. Hoje porém, eu mereço tirar meu uniforme de doente e ir dar uns bordejos pelo centro da cidade.

Hoje farei o test drive dos meus recém adquiridos glóbulos vermelhos. E que o negão surinamense que os doou seja abençoado, porque estou sim me sentindo mais fortinha. Vejam bem, não estou ainda novinha em folha, mas estou bem mais animadinha. Acho que dá até pra sair sem maquiagem sem assustar ninguém.

Começou a liquidação da V&D, o circo dos preços, e se não estiver entupido de gente, vou dar umas fuçadas. E vou comer torta de morango com capuccino e vou comprar vitamininhas no De tuin.

Tudo isso SE eu conseguir tomar banho normalzinha, me vestir, e dirigir até o veterinário pra comprar ração sem me sentir sem fôlego. Só aí eu dirigirei os 4 km que me separam do centro da cidade e andarei pelo centro. Estou curiosa pra ver como anda minha resistência, no sábado mal consegui andar 200 mts.

Post chato, mas estou animadíssima com o solzinho e a perspectiva de dar uns bordejos.

Bom fim de semana povo!

quarta-feira, março 23

E o dia chegou

E o dia chegou.

Estou aqui me perguntando se vou lhes aborrecer com os detalhes da minha saga dessa semana, mas vou deixar pra mais tarde.

Basta dizer que seguindo o piripaque da semana passada fui à medica de família e acabei no hospital, glóbulos vermelhos ultra baixos, e como dizem aqui "paniek paniek". Ganhei transfusão de sangue, infusão de ferro, e alguma experiência com o sistema de saúde holandês nos dois dias que fiquei internada.

Estou agora em casa e me sinto bem fisicamente. O psicológico está um caquinho, visto que o diagnóstico da causa do problema não foi feito. As hipóteses vão de uma simples má absorção de ferro por causa da gastroplastia, a uma possível úlcera estomacal, a sangramentos desconhecidos, câncer e até leucemia, esta última praticamente descartada visto que meu sangue está riquinho dos globulos jovens e plaquetas e sei mais lá o que.

No Brasil provavelmente teriam aproveitado a internação para fazer 29 diferentes exames, gastando bem o dinheiro da seguradora, mas provavelmente chegariam a um diagnóstico nas primeiras 48 horas de internação. Por um lado é sim um disperdício, por outro, é praticamente um ato humanitário, porque viver na dúvida é uma tortura.

Aqui na Holanda o approach é diferente. Primeiro estabilizam o paciente como fariam no Brasil, e disso não posso reclamar, fui ultra bem atendida e fiquei ultra bem impressionada com o serviço das enfermeiras por aqui, e do hospital em geral. Mas ao invés de gastarem dindin da seguradora com os tais 29 exames, decidiram esperar duas semanas pra ver como eu respondo ao sangue recebido, pra então começar a desenhar um plano de investigação.

Não vou julgar aqui e acolá. Estou aqui e terei que dançar conforme a música.

Os exames então serão repetidos em 2 semanas. Para me manter sana repito a cada meia hora que o lógico é alguma má absorção do estômago ou uma danada duma úlcera, e afugento os pensamentos de alguma coisa mais grave. Nem sempre sucedo, e daí estar um caquinho. Olho pro meu TyTy, que há duas semanas estava com uma pata aqui outra no além, e agora todo serelepo, sempre famintozinho e já ganhando uns graminhas, e torço para que da mesma forma que o corpinho dele tenha reagido ao tratamento dele, o meu reaja ao meu.

Me mandaram ter paciência, só não me deram a receita pra comprar.

domingo, março 20

Cada um é cada um, em casa ou em Paris

Dizem que política e futebol não se discute. Deveriam colocar turismo aí nessa regrinha.

Eu sempre começo minhas pesquisas de viagem no Tripadvisor, e com o tempo a gente aprende a separar o joio do trigo nas resenhas, e vai notando um padrão que se repete.

Os americanos são carentes, essencial pra eles é que o garçon ou recepcionista do hotel lembre o nome deles. As resenhas positivas sempre incluem nomes e mais nomes de bartenders, GO's, garçons que por tratá-los pelo nome os fizeram se sentir praticamente da família. Eu sempre leio essas resenhas e me pergunto: quem vai de férias pra memorizar nome de garçon, pelamordedeus?

Os holandeses, no tripadvisor ou vakantiereiswijzer, são a clientela menos exigente que eu já vi: bastou ter um buraco de água clorinada no chão pra filharada se banhar, uma cama razoavelmente limpa pra eles dormirem, tá tudo bom. É muito, muito comum você ver resenha de hotéis 4 estrelas e a holandesada estar elogiando e se surpreendendo que o hotel *** troca as toalhas de banho e limpa os quartos todos os dias!***. É, pra quem passou gerações acampando e depois "caravaneando" tem muito o que aprender.

Os ingleses, é só dar booze e fazer uns showzinhos de noite, e tudo tá beleza pra eles.

Os alemães são os que eu mais me identifico: são ultra exigentes com o quarto, com limpeza, com a qualidade das áreas públicas.

Os brasileiros também são um povo à parte. A turminha dos resorts tá aprendendo, mas ainda se deslumbram com pouco. Eles vão pra all-inclusive, pagam o dobro do que um europeu paga, e ainda se deslumbram quando lhes servem uma pratada de camarões. Aliás, com tanto camarão na orla brasileira, com oportunidades mil de comer camarões fritinhos deliciosos em qualquer barraquinha de praia do litoral brasileiro, de onde vem essa fixação com camarões? E daí, como pagaram os tubos no resort e o resort dá camarão "de graça", eles não saem do portão do hotel. Não importa se estão próximos daquela vilinha charmosésima, ou se estão ao lado de lindas piscinas naturais, casa gole d'água tomado fora do hotel é um gole de caipirinha ou guaraná que eles "perderam" do resort. O bugueiro em Porto de Galinhas até brincou: cliente de resort fazendo passeio de dia inteiro, só se for gringo mesmo.

E os brasileiros que fazem outro tipo de viagem são o que eu chamo de maratonistas. Não há turista-maratonista como o brasileiro. Eu mesmo já fui turista-maratonista. O maratonista é aquele que, livrinho em punho, anda non stop, de atração em atração, das 8 da manhã até o corpo não mais aguentar. Na última vez que eu estive em Londres, tinha um casal de brasileiros sentados ao meu lado, e ela lia um guia e dizia pro marido: estamos indo pra Portobello Road e diz aqui que é o melhor lugar para se andar sem rumo e absorver o ambiente de Londres, temos uma hora pra ver tudo. Kinda defeats the purpose, dontcha think?

Nem entre amigos recomendações dá muito certo, uma das comadres não gostou nadinha de Rhodes e eu e o marido adoramos!

Eu e o Bart não saimos de casa pra ir pra hotel "só pra dormir". Se não for pra ficar num hotel legal, fico em casa. Gostamos de all-inclusive porque ambos detestamos escolher restaurante, então no resort tá tudo ali te esperando, se for como o do México que tinha vários restaurantes a la carte sem reserva, melhor ainda. Sempre que aconselhável alugamos um carro já no aeroporto, assim não temos que ficar esperando por gentarada nos shuttles da vida e nem fazendo pinga-pinga de hotel em hotel. Na volta também podemos chegar ao aeroporto bem antes dos ônibus de transfer e pegar os melhores lugares. E com carro, a gente já viveu cada aventura!

Em Rhodos visitamos vilazinhas que produzem vinho e mel, andamos por ruelinhas medievais, vimos praias desertas. Em Creta pegamos uma via costeira esquecida do mundo, e dirigimos beirando o mar entre abismos ( eu quase morri de medo ). E assim foi também no Chipre, Fuerteventura, Mallorca, Mexico, e até no Brasil já saímos do aeroporto na Bahia devidamente motorizados.

Estamos agora pesquisando um destino meio maluquinho pras férias de maio. Claro que tem praia, e como aqui na Europa maio ainda é mês de mar gelado, acho que vamos cruzar o atlântico de novo. Embora seja um destino ultra comum aqui na Europa, é difícil encontrar informações mas abrangentes na net. Acho que o motivo principal é que americanos não podem entrar nesse país. Do Brasil, como a única conexão disponível é uma cara e com horários terríveis via Panamá, poucos turistas vão. Mas aparece sempre nas listas das 10 melhores praias do mundo.

Já adivinharam pra onde queremos ir?

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Sim, Cuba. E quem tiver dicas, ou conhece alguém que já foi, pode deixar um comentário. Estou pesquisando o Sandals, que é um hotel all-inclusive só para adultos, e tem mais, só para casais.

A única desvantagem é o vôo... senhor, 11 horas.

quarta-feira, março 16

Oh Joy!

Hoje recebemos um e-mail dos vizinhos dizendo que "por hora" desistiram da idéia da clínica de peixes comedores de gente. Não sabemos o motivo, não sabemos se desistiram pra sempre, mas "por hora" respiramos aliviados. No domingo eu notei o vizinho com a cara ultra fechada andando com a cachorra, nem falou oi; ontem foi o Bart que notou a vizinha com a mesma cara, e apesar da curiosidade, e da vontade de saber o que aconteceu pra tentar "medir" as chances deles virem com essa idéia de novo, não tocaremos mais no assunto. É rezar pra eles desistirem pra sempre.

O alívio é imenso, só Deus sabe o tamanho.

E para completar, pegamos nosso carrinho novo hoje. É lindo lindo lindo, todo cheio de novidades, botões, e tem até aquecimento de assento, que para desgosto do marido, é o acessório que eu mais gostei.

Seu eu estava reclamando do inferno astral, hoje retiro o que disse, foi um dia de bençãos e alegrias.

segunda-feira, março 14

Soluções

Soluções, soluções… Ando procurando muito soluções para probleminhas e problemões que me cansam, ou me aborrecem, ou aborrecem o marido ( que em consequência me aborrece ), que  tornam minha vida um tico mais complicada.

Por exemplo. Passar horas no mercado no fim-de-semana disputando espaço com pais que trazem mil crianças pros corredores lotados, idosos que poderiam muito bem ter ido durante a semana, e gente como eu, desesperados pra pegar logo suas compras e sumir dali. E o marido odeia ir à mercados, quando vai só piora as coisas ( falta muito? Já acabou? Pra que tanta coisa? ), então sobra pra mim carregar tudo. Essa semana recebi minha primeira entrega do AH. Deu tudo certinho. Vem tudo em caixas plásticas dobráveis, a parte de geladeira numa sacolona plástica dentro de um isopor, o entregador deixa tudo dentro da sua cozinha, os legumes vieram fresquinhos, as carnes com bom prazo de validade. Com o tempo ( e disposição ) que me economizou, eu cozinhei comida fresquinha nesse findi, ao invés de recorrer ao chinesão ou à pizza.

Nessa semana outro problema se resolverá. Pegaremos o carro novo e eu herdarei o nosso poisé, que para fazer os 1500 mt de casa ao trabalho tá muito bom. Meu humor melhorará consideravelmente nos dias frios e chuvosos.

Ha ha haa ha, um probleminha até engraçado que foi resolvido: o tubinho de papelão do papel higiênico. Eu jogava no cesto do banheiro, marido brigava porque tinha que ir pra cesta de papel descartável ( no andar de baixo ), mas resolvemos o problema com um novo papel higiênico cujo tubinho é biodegradável, é só jogar no vaso sanitário, ele "derrete" e vai embora com a descarga. Bom pro meio-ambiente, bom pro casamento.

O home theater tá todo comprado e nesse findi assistimos nosso primeiro filme 3D, que é fantástico. Falta ainda um módulo sem fio da Philips encomendado e com previsão pra semana 13, enquanto isso vamos vivendo num mar de fios pra todo lado.

O próximo passo é convencer o marido a deixar de ser mão-de-vaca e investir numa boa grama artificial, porque minha grama morreu, rest in peace, amém. E grama normal na primavera é aquela inferno: cheio de erva daninha, tem que ser podada a cada 10 dias… Se dá pra facilitar com a tal grama artificial… O marido fica insistindo: pagamos um bom dinheiro na nossa grama normal, tem que ressucitar.

Outros problemas esperam pacientemente ser resolvidos, a vizinha com os peixes comedores de gente, as férias, o zolder, o resto dos móveis, o regime.

E agora mais um: tenho que ir ao huisarts porque tive um piripaque. Achei que ía morrer, em pleno restaurante japa. Putamerda, se é pra morrer assim, em público, que seja pelo menos num lugar chique ou famoso, mas no japa rodízio a €23 por cabeça é de lascar!

domingo, março 13

Dica preciosa



A dica foi do Daniel, filho da Alice. O seriado Merlin da BBC.

O seriado usa bem livremente algumas das histórias Arturianas, e conta as aventuras do Principe Arthur, ou seja, Arthur antes de se tornar rei, e como ele conheceu e se tornou amigo de Merlin.

É um seriado bem família, muito bem humorado, com cenas lindas do Chateau de Pierrefonds, onde a história é filmada. O ator principal, que faz o Merlin é uma graça e super cômico, e o príncipe Arthur um tetéio.

Impecável, dos figurinos à atuação de cada um dos atores, tudo de primeira.

Uma pena que a terceira temporada tenha acabado e a BBC tenha renovado a série mas só para 2012. Tudo por causa do chatinho Dr. Who, que já deu o que tinha que dar 3 atores atrás.

quarta-feira, março 9

Até duracell fica sem energia

Será que é verdade que um mês antes do aniversário a gente enfrenta o inferno astral?

Além da preocupação com o Ty-ty, o trabalho que tá numa fase péssima, a história da clinica da vizinha, e como se não bastasse, uma gripe importuna acabando com as minhas resistências.

Na terça-feira eu tive um problema com um dos meus projetos, e eu estava tão desbalanceada que eu quase chorei falando com um dos gerentes de programa. Vi então que ir trabalhar nessas circunstâncias no fim acaba atrapalhando mais que ajudando, que a gente pode tomar decisões erradas das quais a gente se arrepende depois, e muitas vezes não há como desfazer o já feito, desdizer o já dito.

Por isso hoje fiquei em casa. Dei ao meu corpo tempo de se recuperar, dos remédios agirem. Tomei um longo e fumegante banho de banheira, fiquei debaixo de mil cobertas vestidinha de moleton quentinho. Tomei sopa, comi pão com meu queijo preferido e uma caixinha inteira de morangos. Estou me tratando bem, sendo paciente, cuidando de melhorar o nivel de estress porque o negócio anda tão brabo que eu até assustei.

Amanhã ainda ficarei em casa, ainda estou naquela fase da gripe onde os olhos ficam lacrimejando o tempo todo, eu fico mais acabada do que a gastroplastia e todas as outras cirurgias junto.

E o meu Tyzinho hoje tomou café da manhã, almoçou e jantou, cedo pra comemorar, mas já é um bom indício. O tratamento de infusão acabou hoje e eu estou bem apreensiva de como ele vai reagir sem a infusão e sem os remédios injetados.

Plato, meu piolhinho, teve também um mini tchu-tchu. Não sei se comeu demais, se comeu algo que lhe fez mal, ou se ele simplesmente captou as energias negativas da dona, mas ele teve vômito, diarréia, ficou jururu. Já tá serelepão de tudo, que o bicho é forte que nem um tourinho, mas tava passadinho o meu piolho.

E a vida segue, sorry pelo blog chato-de-marré-de-si, logo a fase passa.

terça-feira, março 8

O gato subiu no telhado


Como eu já contei aqui, nosso Ty-ty continua doentinho. Ontem voltamos ao vet para a segunda de 4 aplicações de fluidos subcutaneos. Dessa vez foi o veterinário dono da clínica que nos atendeu, o que sempre cuidou dos meninos.

Quando estávamos dirindo pra clínica, eu disse pro marido que eu gostaria de ouvir dele um prognóstico realista: tem X por cento de chance dele se curar, dele viver uma vidinha normal. A veterinária foi meio vaga na sexta-feira, e disse que se o tratamento for bem sucedido ele ainda vai viver muitos feliz e contente.

Então quando eu perguntei ao veterinário se ele podia ser mais específico, ele nos disse: olha, ele teve um mal começo, a uréia no sangue está altíssima, tudo vai depender de como ele vai reagir ao tratamento, mas 80% do rim dele tá morto.

E a gente ficou lá, com cara de desespero, cara de sei lá o que. E holandês não tem meio termo é 8 ou 80, a veterinária na sexta foi super vaga ( talvez querendo nos poupar um pouco ), já o veterinário ontem já foi direto falando do worst case scenario sem dourar pílula nenhuma. Talvez o Joaquim devesse explicar a história do "seu gato subiu no telhado" em cadeia nacional.

Estou aqui de nhém-nhém-nhém, eu sei. Fui eu que pedi pra receber o worst case scenario e agora estou aqui reclamando, aliás não tô reclamando, estou só surpresa com a minha própria reação, pra falar a verdade. Eu teria achado tudo muito mais fácil de engolir se ele tivesse falado: "nós vamos fazer as infusões, nós vamos dar a comida especial, o remédio, há boas chances dele se recuperar, mas o caso é grave e ele já está começando com um nível muito alto de uréia no sangue".

Eu sei, eu estou me pegando na semântica, na ordem da frase, no fato dele ter começado: seu gato já começou mal, com um dos piores níveis de uréia no sangue possível, mas a gente vai tentar tratar, há chances. Ou sejá, o pior na frente, as chances atrás. Cadê o otimismo? Ah, Adriana, não é melhor ser realista?

Óquei povo, estou rambling, resmungando. Mas dá um desconto, porque eu estou preocupadíssima. Ontem nosso menino voltou bastante melhor da clínica. Voltamos com um pacote com 15 tipos diferentes de comida, pra ver qual ele gosta mais, pois ele não estava se dando com a renal da Royal Canin. Ontem ele comeu bem a Hill's Urinary, até me surpreendi. É uma alegria ver seu gatinho doente comer, vir miar na sua porta porque quer mais comida. É nesse momento o que está nos dando mais esperança. Plato tadinho, tá meio esquecidinho num canto, mas assim que o Ty sair dessa, e ele há de sair, daremos mais atenção a ele.

Nesse momento eu penso em duas coisas. No desespero que deve ser para alguém com meios limitados ter um bichinho doente em casa. É um esparrame de dinheiro, só no dia que ele foi diagnosticado foram 300 euros em exames, consulta, injeções, remédios. Ontem foram mais 100 euros, e as duas aplicações de fluído finais serão 70 euros cada. E a comida especial é cara, e os remédios também são caros. E daqui a 4 semanas repetimos todos os exames novamente pra ver se o tratamento está surtindo efeito.

A segunda coisa que eu tenho me questionado bem é se eu gostaria de ter o diagnóstico "realista" no caso de um dos familiares ter um problema grave. É desesperador pensar que dali a um mês você pode estar dizendo o último adeus. Eu ainda não passei pela perda repentina de um ente querido, sempre achei que quando a pessoa fica doente nos dá tempo pra nos preparar, mas será que há como se preparar para a perda? Nesse momento eu acho que é só um sofrimento a mais, por isso nos agarramos em cada fiapinho de esperança com o nosso meninuxo.

Aqui na Holanda a eutanásia em seres humanos é permitida. Eu e Bart já discutimos o assunto, porque ele teria que decidir pela minha morte e eu pela dele. Ambos decidimos que não a utilizaríamos, por diferentes razões.

E que os que fiquem façam bom uso do buffet do meu enterro, já incluido no nosso "seguro enterro". Eu digo que podem doar os orgãos que puderem, joguem minhas cinzas na lagoa do Epcot Center, podem usar um tupperware ( novo, please ) pra levar minhas cinzas sem ser barradas na alfândega. Sei lá, não me preocupo muito com o que vai acontecer por aqui com os "restos mortais", mas confesso uma coisa: tenho muito, muito medo do que vai acontecer do lado de lá.

segunda-feira, março 7

Na tela da TV no meio desse povo...


Tcheu perguntar só pra checar os fatos. É impressão minha ou o carnaval no Rio meio que já era? No jornal tem duas vezes mais fotos e notícias do carnaval em Salvador. No Rio vê-se artista gringalhada, mas me parece que os famosos brasileiros tão todos na Bahia, ou é impressão minha?

Ivetão tá linda. As roupas estão carnavalescamente legaizinhas. O vozeirão continua legal dimais da conta. Algum sem noção da Folha colocou foto da Leitte dizendo que era Ivetão. Blé, tava bêbado o cara.

Adriana Galinhesteu, apesar de insuportável, sempre teve bom gosto. Agora, nem isso. Que fantasia foi aquela no carnaval do Rio minha gente? Ela tá sem programa, tá desempregada, que pàsa pra sujeita dar uma apelada daquelas?

Gisele, ao contrário, chiquérrima. Tipo: ó, tô podendo e não preciso mostrar o fiofó pra aparecer em jornal.

Meu povo, como é que Timbalada leva o Blue Man Group pra avenida e eu não fico nem sabendo? Adoro Timbalada e adoro o Blue Man Group. E o pior: não acho nem no youtube nem em lugar nenhum, só fotos e poucas!

Eu sou super a favor de plásticas, desde que dentro dos limites aceitáveis e bem feitas. Scheilla Carvalho por exemplo dá vontade de chorar ao ver, afinal ela foi eleita pelos leitores da Playboy a mulher mais bonita do Brasil nos idos de 2000 e agora parece a Isabelita dos patins. Agora eu pergunto, queridos cirurgiões brasileiros, vocês são os melhores, no mundo inteiro fazem referências a vocês, mas dá pra inventar uma dermolipé ( tummy tuck ) que não produza aquele umbigo de cyborg? Até a Sabrina Sato, lindinha, com um corpo lindo, tá de umbigo de cyborg. Aliás, as fotos das famosas no carnaval é um ataque de umbigos cyborg.

Quem inventou contratar a Sandy pra musa da Devassa devia ganhar 10000% de aumento de salário, se for um assalariado. Todo santo dia tem algum jornal, revista, blog, site falando da devassa da Sandy. Só faltava agora alguém dar um pileque de Crystal na mocinha, dizer que é Devassa e botar a santa pra dançar em cima da mesa, a la Paris.

Enquanto isso, aqui no sul da Holanda, volto aos idos de 1978 quando mamãe me levava pro salão vestida de mulher maravilha e assisto ao Carnaval Brabantista. Ó, é legal, viu! O povo bota fantasia, sai todo mundo fantasiadão na rua ( o que não se vê mais em SP ), criança, velhos, todo mundo brincando. A única coisa que eu acho meio exagerado é o tanto que se bebe e como é bem aceito socialmente que vai todo mundo manguaçar. Acho que manguaçam mais que no Brasil.

E o sol brilha. Frio, mas brilha!

O Panda - desabafo de uma alma atormentada


Eu estou esperando pela gota d'água.

O Tai-tai continua malzinho.

A vizinha continua querendo abrir uma clínica de peixes comedores de carne humana ao lado da minha casa.

O francês continua o lider do projeto brasileiro, e neguinho só vem me pedir favor quando tem alguma bomba ou coisa chata pra fazer.

Nosso projetão está "flopando", todo mundo vem com mil desculpas pro que está errado, uma hora é falta de experiência em projetos, outra é falta de sistemas de suporte, mas a verdade é que falta mesmo é gerência.

Minha grama morreu. R.I.P.

O Old Fart continua fazendo oldfartisses e essa semana eu tenho que chamar o véio na xinxa.

E eu estou gripada que nem um gambá.

Há uns 15 anos a Lilian Wittefibbe surtou no jornal do SBT e no meio de uma notícia de um panda que roubou o sorvete de um menino num zoológico, ela levantou e disse: quem quer saber disso? E foi-se. Diz ela: foi meu momento Panda tomando sorvete.

Então, se a última gota d'água não cair, o panda vai tomar sorvete!



sábado, março 5

Meu bichinho

Não vou nem falar que foi um dos piores dias da minha vida, porque tadinho, certamente foi o pior dia da dele... meu bichinho Tai-tai

Então, a caminho do vet ele já foi mostrando que tava mesmo doentinho: fez xixi na gaiolinha. E miou, miou, inconsolável de ter que ficar ali, de bunda molhada, cheirando mal, até chegar no destino.

A veterinária ouviu minha preocupação e começou pesando nosso menino: de 8kg em outubro/2010 a 6,2 kg ontem, realmente preocupante. Com a bexiga vazia restava fazer exame de sangue: vocês já viram tirar sangue de gato? Então, raspa-se os pêlos da garganta e tira-se dali. Maquineta precisa de 15 minutos pra dar o resultado. Ele é limpado do xixi, a gaiolinha idem, sai o resultado: rins muito-muito mal. Mais umas semanas e seria um caminho sem volta.

Ali mesmo ele recebe 5 imensas ampolas de uma solução salina debaixo da pele, esse tratamento para ajudar a diluir as toxinas do sangue tem que ser repetido segunda e terça. Outra injeção pra ele dar uma animadinha, ele estava bem apagado. Remédio em pílulas para o rim, uma melequinha num frasco com bombinha pra abaixar o fosfato, e comida "renal" pro resto da vida.

Foi muita injeção, pegação, limpação, agitação pro meu menino, e no fim da consulta ele simplesmente deitou-se no fundo da gaiolinha e não se mexeu, ficou ali meditando.

Ele está agora todo pimpão e eu ainda preocupada, pois só saberemos se o tratamento está surtindo efeito em 45 dias.

Estou um caco, uma gripona - a segunda do ano, depois de um tempão sem ter muitas gripes, febre, deprimida porque quem a gente gosta tinha que viver pra sempre, maquiagem borrada de quem encostou na cama pra ler às 9 da noite e ferrou no sono paracemolístico decafeinado.

Meu menininho é um anjo e não merecia estar tão doentinho. É São Francisco de Assis o santo dos animais, não é? Vou rezar muito pra ele!

sexta-feira, março 4

Quanto riso ( not ) quanta alegria ( not )


Hoje é sexta de carnaval e essa que vos fala não está nada feliz. Nada a ver com saudade do carnaval porque aqui na minha terra-yolandesa tem carnaval sim senhor. Pra quem não sabe, aqui no Sul se celebra o carnaval com bailes, um pouco de carnaval de rua, e em Den Bosch, aqui perto, o povo já está doidão desde ontem de noite.

Então. O motivo da minha não-felicidade é que hoje vamos levar nosso meninuxo Tai-tai pro vet. Tai-tai está magérrimo e não sabemos porque. A gente passa a mão nas costinhas dele e dá pra sentir osso por osso, a bacia tá proeminente, as costelinhas também. Estou ultra preocupada.

No ano passado, no check-up de outubro, o vet nos disse que o Plato estava gorducho demais e que nós tínhamos que parar de deixar comida disponível o dia todo, e que deviamos cortar a comida molhadinha do jantar. Ou seja: pratinho de café da manhã, guarda a comida, pratinho de jantar.

Eu não sei se tem a ver com o novo método acima, mas o Tai-tai já estava meio magro ( havia baixado de 8,2 pra 7 kg em 2 anos ) mas depois de a gente começar controlar comida ele emagreceu mais, vamos ver hoje o quanto. Eu percebi isso faz uns 10 dias, quando fui pegá-lo no colo ( ele odeia colo ) e senti osso por osso, e o peso pluma. Pra piorar ele é super crica com comida, então eu tô tentando tuxar comida molhadinha, snacks da Whiskas, peito de frango defumado ( ele gosta de frios de sanduíche ) além de ter comprado 3 comidas diferentes da Royal Canin, mas não vejo ele comer mais não. Enquanto isso, é eu virar as costas achando que finalmente o Tai-tai tá comendo a comida seca especial que eu comprei, e ele perde o interesse e o Plato aproveita e rapa o prato, eu só chego a tempo de vê-lo limpando os beiços. O resultado é que meu Tai-taizinho tá raquítico e o Plato eu juro pra vocês que vai explodir qualquer dia desses - a pelama do Plato cresceu muito depois da tosa do verão, juntando as banhas, ele tá uma coisa indescritível de tão grande.

E é isso povo, tô preocupada. Vamos ver o que o vet fala hoje, mas vão aí torcendo pro meu magrelo estar só sendo difícil com a comida, e não estar doente.

E bom carnaval, arlequins e columbinas!



quinta-feira, março 3

O bicho da maçã

O consumidor da Apple é o cliente mais perfeito de qualquer indústria: ele sabe que seu produto é ruim, ele sabe que é caro, ele sabe que outros farão melhor que você em 2 meses, mas eles são fiéis e vão pro túmulo defendendo seu produto.

Colega de trabalho R. é um desses consumidores vorazes de produtos Apple. Já tinha um Ipod, adquiriu um Iphone, carinhosamente apelidado por nós de I-don't-phone porque teve que ser trocado 3 vezes, e de Natal deu-se de presente um Ipad, aquele menos ruim que custa €749 ( nos EUA US$ 749 ).

Hoje ele chegou ao trabalho irado: o Ipad 2 foi lançado ontem, estará nas lojas na semana que vem, tem o dobro da velocidade com o mesmo uso de bateria, tem metade da espessura, duas câmeras, slot pra SD, em dois meses vai ter um software upgrade e será multitask, e custará exatamente o que ele pagou no "velho".

A sacanagem applezística da vez foi não dar aquela abaixadinha de preço no produto antigo antes de lançar o novo, fazendo com que quem comprou o produto recentemente se sinta um perfeito palhaço. O pior, é que segundo os sites americanos que estão começando a comercializar o Ipad "velho", quem quiser vender o velho pra comprar um novo vai pegar em torno de 150 paus no modelo "fortinho" e menos de 100 paus no fraquinho.

Adrianinha, em casa, tem utilidade zero pra um tablet, visto que pra assistir minhas séries em Torrent a tela do Ipad é muito pequena e eu não vou ficar segurando aquela joça pesada por horas, e para ler livros não vou cozinhar meus olhos com aquela tela brilhante ( depois de 10 horas de tela de computador no trabalho ) e também não vou segurar aquela joça. Mas pra viagens, especialmente agora que os tablets estão mais finos e marcas como a Samsung oferecem um tamanho intermediário, o trocinho seria útil ( se não fosse o marido preferir o netbook ). Mas a pergunta que não quer calar: Ipad ou no Ipad? Eu gostaria mesmo é do Motorola Xoom, mas TUDO, absolutamente TUDO, está sendo desenvolvido pro Ipad. Até arquivos de livro piratão, tudo pro Ipad naquele infame arquivo MOBI.

Alguém sabe dizer se já incluiram na caixa um nariz de palhaço? É, porque em 6 meses vão lançar o Ipad 3 e Adriana vai se sentir a Bozolina.

quarta-feira, março 2

Speechless

Como é que com vozes assim tanta gente ainda dá dindin pra Dona Gagá e pra Britna Cabritna?

Ó só:



A letra dessa é tristíssima, mas ó que linda:



E pra mim, aquela que vai ser praticamente impossível de superar, em versão ao vivo:



E além de tudo ela é linda!

terça-feira, março 1

Whaddafuckever

Nessas últimas semanas eu ando de pavio curtíssimo, desmotivada no trabalho, de saco cheio de trabalhar todos os dias até as 8 da noite e ter sempre um bando de engenheiros reclamando que tá tudo atrasado, e um chefe do outro lado que fala pra eu não ligar, deixar eles reclamarem que eles não sabem o que dizem. Mas para mim, cada resmungo de um engenheiro que fecha a gaveta e vai-se embora as 4 da tarde sem ver que eu trabalho 12 horas por dia, corta-me como um gilete afiado.

Sim, estou ranzinza. E talvez eu seja louca, mas eu esperava sim que aqui na Holanda, um país de primeiro mundo e com um mercado de trabalho muito mais equilibrado que no Brasil, as coisas fossem diferentes, que as pessoas trabalhassem melhor, que trabalhassem a carga horária esperada. Mas não, o que eu vejo é engenheiro que estudou sem uma preocupação financeira na vida, com bolsa do governo, 100% do tempo dedicado a faculdade, sentar numa estação de CAD e não engenheirar um tubinho de ar. Enquanto no Brasil eu trabalhava com engenheiros que fizeram a faculdade no sufoco, trabalhando e estudando ao mesmo tempo, desenhar, engenheirar, testar sistemas ultra complexos e ainda te ajudar a avaliar as cotações de um fornecedor.

Ah, mas é melhor eu não comentar, porque ao sinal da menor comparação, sou a ranzinza que devia voltar pro Brasil.

Sei lá, vai ver que eu sou anormal, mas meu cérebro é programado assim: eu amo sorvete de chocolate, sempre tomo sorvete de chocolate, de vez enquando eu troco por um de baunilha, aí meu cérebro já registra que o chocolate tem gosto mais forte, que a textura é mais macia, que o crocantinho das gotinhas de chocolate são uma delicia estalando na língua, e isso não quer dizer que só o sorvete de chocolate seja bom, nem que seja o mais gostoso pra todo mundo, nem que eu nunca mais vá tomar o sorvete de baunilha.

Pô, é natural a gente comparar, a gente achar isso ou aquilo melhor, em tudo!

Essa questão a Holanda e o Brasil já virou um sacão. Mas ó, eu não entendo a mente de quem só vê coisa boa aqui, o Walhaha terrestre, nem a mente de quem só vê merda no Brasil, o inferno encarnado. E sinceramente? Que importa?

Eu escolhi viver aqui pro motivos 1, 2 e 3. Isso não quer dizer que eu não ache ótimo os fatores 4, 5, e 6 do Brasil. E vice e versa. E também não sou o bicho papão nem uma pessoa do mal total só porque venho aqui nesse humilde blog e comento meu desapontamento com alguma coisa.

Putz gente, taqueo viu...

segunda-feira, fevereiro 28

Só mudam as moscas


No Brasil, pelo menos na minha empresa antiga, a gente trabalhava que nem cães, não éramos pagos pelas horas extras, e quem não estivesse a fim de trabalhar de graça ouvia que "temos 2000 CV's no RH esperando um motivo pra serem desengavetados". E assim continuávamos trabalhando que bem burrinhos de carga, sem nem uma cenourinha pra agradar o dia.

Aqui nas Zuropa, tudo é muito muito muuuuuito diferente.

Nós, os funcionários, estamos sobrecarregados, estamos todos ( ou quase todos ) trabalhando horas extras sem ganhar por isso. Aí nós, os funcionários, preenchemos em conjunto o formulário WZZ-72, onde relatamos a carga de trabalho excessiva, e mandamos para o arbodienst, que é o departamento de medicina do trabalho. O departamento de medicina do trabalho manda um especialista para checar as informações, pede cópia para o chefe dos horários de entrada e saída do interflex. Respondem via formulário WZZ-73, em duas vias, que a reclamação está sendo estudada. Meses depois a reclamação vai pro ondernemings raad ( conselho do sindicato ) no formulário WZZ-82 em 3 vias. O OR manda o parecer deles via formulário WZZ-98 em 2 vias. O Arbodienst ( médico do trabalho ) repassa o parecer do OR ao diretor do departamento em formulário WZZ-103 em 4 vias. O diretor joga 3 das vias na gaveta, uma devolve ao departamento do arbodienst. As três vias são 30 dias depois classificadas pela secretária do departamento como "assuntos em andamento" e ela adiciona a ficha PUR-05 em duas vias na frente, a terceira vai para o diretor que recebeu o documento inicial, e arquiva o caso todo no arquivo avançado que fica na Bélgica.

E assim continuamos trabalhando que bem burrinhos de carga, sem nem uma cenourinha pra agradar o dia.

Essa semana, se eu não ficar doente, eu morro. Mas morro nas Zuropas, onde tudo é melhor e mais organizado e mais honesto. E ganhamos em Euros.

PS.: Se eu estivesse hoje ainda trabalhando na antiga empresa no Brasil, por causa do rate e dos baixos impostos no Brasil, eu estaria ganhando lá líquido mais do que ganho aqui líquido. E teria uma faxineira 2X por semana. E manicure.


domingo, fevereiro 27

Coisiquinhas

Final de semana chuvoso, mas até que produtivo.

Há várias semanas estamos na discussão "que lustres comprar?". Eu gostaria de lustres design, já o marido quer de toda forma lustres da linha de iluminação da Philips. Eu os acho modernos demais, muito metal, muito vidro, muito plástico, já o marido gosta pelos avanços tecnológicos, são lustres de LED light que você pode escolher a "temperatura" da luz ( mais branca ou mais ambar ), gastam pouco, iluminam mais e todo esse papo nerd-tecnológico.

A Philips tem uma loja de funcionários, que costumava ser muito boa. Nos últimos dois anos tem deixado muito a desejar. É muito comum você achar produtos que custam o mesmo ou mais baratos pela internet ou em promoção nas Mediamarkts da vida do que na loja dos funcionários. Sem falar que andam mantendo um estoque mixíssimo, e você encomenda um produto e fica esperando semanas até chegar.

Mas anyway...

As luminárias que queremos estão saindo de linha e sendo subtstituídas. A linha nova tem opção de lâmpada led mais quente e custam mais baratos ( tecnologia ficando mais e mais barata - viva a China ), logo esperaremos.

Mas resolvemos nossa pendenga acústica e compramos o home theatre. Ainda estamos com fios pra todos os lados porque o modulo wireless estava em falta ( não disse? ) mas cara, que sonzão, hein? Hahahaha os gatos esconjuraram, é um tal de bicho rosnando dum lado, vidro quebrando do outro... Mas é trambolhíssimo, caixinhas pra todos os lados, subwoofer enorme que não cabe em nenhum lugar... O móvei que não tem furos o suficiente e precisa ser furado.

E quero deixar aqui um comunicado solene: eu Adriana, a maior fã do universo de supermercados, joguei a toalha ontem e bradei ao mundo: desisto, aderirei às compras por internet. Os idosos com seus rolators, mães com carrinhos hiper-intergaláticos, pais que tem preguiça de levar os filhos ao parque e tuxam a criança no mercado, venceram minha resistência e eu entrego os pontos: o supermercado é vosso, ao vencedor as batatas!

E hoje estou aqui, tédio total, indo alugar filmes pra assistir no super blueray super sound novo, preocupada com a lição de casa que eu não fiz e com a torta de frango que eu queria muito comer mas estou com preguiça de fazer.

E para acabar esse post-diarinho-chatésimo, peço ajuda à magrinhas.

É o seguinte. No Brasil, minha sobrinha está usando número 38 de calça jeans. Quero comprar uma calça da Diesel ou de alguma outra marca famosinha, vocês que são magras, o 38 do Brasil é o 38 daqui? E para calças Diesel, que tem numeração em inches, que tamanho equivale?

sexta-feira, fevereiro 25

Como diz o Cido: sexta, porque demoraste tanto?

Ontem marido e eu discutimos bem nosso "plano de ação" em relação ao "fish spa" da vizinha e decidimos que nem que acabe ferindo nosso bom relacionamento com os vizinhos, mas nós vamos sim nos manifestar contra a clínica.

Uma coisa, como diz a comadre Claudinha, é boa aqui na Holanda, para tudo tem-se que pedir permissão para a prefeitura, e pra tudo os moradores da cidade tem direito de objetar e as objeções são levadas à sério.

Ontem checamos se os vizinhos já pediram a licença de funcionamento, e para a nossa surpresa, ainda não pediram. Conversando com um colega de trabalho que penou um bocado com vizinhos que queriam instalar um canil em área residencial, entendi um pouquinho mais da situação e dos meandros da mente holandesa.

Provavelmente os vizinhos ainda não pediram a tal licença porque é caro e se o vizinho já for do contra desde o começo eles podem perder uma boa grana. Descobri que eu posso me manifestar contra e dois aspectos: a licença para abertura de comércio em área residencial e também posso me manifestar contra a reforma da casa.

A lei diz que em geral, são garantidas licenças para comércio em área residencial se o negócio em si:

- Não lidar com clientes ( e pacientes ) que tenham que entrar e sair
- A área destinada às atividades comerciais for pequena em relação à residência em si
- Não ouver tráfego excessivo nas ruas do bairro

Tem outras condições, mas essas três são aquelas que eu posso usar na minha reclamação contra a clínica, visto que eles irão contra as três regras.

Quanto à reforma da casa, posso argumentar que não aceito a mudança na fachada que comprometeria o projeto arquitetônico da minha casa ( especialmente porque se trata de bairro novo ainda em fase de emplementação ), que não concordo com a extensão na parte de trás da casa, que produziria uma parede ( que vendo do meu jardim seria um muro ) com mais de 1.80 mt - que é o permitido por lei.

E daí tem uns truquezinhos mencionados pelo advogado da empresa, que também me deu conselhos. Eles iriam usar uns peixes que não são comprados na Europa, mas vem da Turquia. Eu posso pedir um relatório de impacto ambiental e riscos de contaminação de solo e meio ambiente, e vai custar dindin, o que torna o projeto mais difícil. E posso contratar um "taxateur", ou seja, um agente imobiliário que confirme que uma casa com uma pratijk ao lado tem mais dificuldade em ser vendida e portanto perde valor, e posso pedir uma indenização no valor mencionado pelo taxateur, o que também inviabilizaria o projeto.

Depois de tudo isso, eu acho que os vizinhos sabem que só conseguirão a licença se nós concordarmos, e por isso estão sendo mais cautelosos.

Agora só rezo para que eles entendam nossos motivos e desistam da história, porque não queremos ficar nessa briga legal, mas se for preciso, já decidimos que vamos até o fim pra evitar esse estorvo a 3 metros da porta da minha casa.

Wish me luck, povo.

quinta-feira, fevereiro 24

Quando a esmola é demais, o santo desconfia

Semana passada combinamos com o vizinho que já reformou o zolder de ver a reforma dele pra termos idéia do que fazer com o nosso zolder, já que nossas casas são praticamente idênticas.

Fomos recebidos super bem, fomos ao zolder, vimos as reformas, eles foram mostrando detalhe por detalhe, como fizeram a instalação elétrica, como fizeram o encanamento, e a certo momento eu pensei: peraí, esses vizinhos estão sendo legais demais da conta, aí tem! E logo me corrigi: eita, Adriana, mania brasileira de achar que quando a esmola é demais o santo desconfia…

E eles foram ficando mais e mais amistosos. Mostraram os quartos, fizeram cópia do desenho do zolder pra gente, mostraram a lareira na sala, e quando agradecemos para ir embora, eles insistiram muito para que sentássemos pra tomar um café, apesar de já ser quase 10 da noite.

Quando sentamos, they dropped the bomb: nós estamos querendo reformar a casa. Hmmm… Eu pensei, "a-ha, sabia que aí tinha coisa!".

Nossas garagens são lado a lado, eles querem aumentar 3 metros pra frente e 3 metros atrás, e colocar um consultório de terapia alternativa. A terapia, ó que coisa nojenta, é para pacientes de psoríase e outras doenças de pele, sentarem numa piscina com uns peixes comedores de carne humana, ficam lá uns 20 minutos, os peixes comem o problema na pele. Blé.

E eles vieram com mil estórias de que a gente pode aproveitar os muros novos e fazer um carport ( tetinho pra estacionar o carro ) na frente, que a gente ía até se beneficiar, bladiblá. Ficamos meio mudos, meio sem reação. Perguntei se eles íam atender só em horário comercial, e eles desconversaram.

O negócio todo é meio delicado, porque ninguém gosta de ter um consultório ao lado da sua casa, um monte de gente entrando e saindo, carros estacionados, mas não há como barrar o projeto do cara. E mesmo que houvesse, é arrumar encrenca com seu vizinho forever. O que eu quero é ao menos pedir pra ele extender a garagem 6 metros pra trás e não mudar a fachada da casa. E é claro a garantia que eles não vão operar aos finais de semana.

Eu não dormi muito essa noite, preocupada, e acho muito injusto que um vizinho nos faça ter que aguentar esse consultório numa casa que a gente ralou tanto pra comprar e que custou tão caro. Acho que teremos que procurar um agente imobiliário pra pedir conselho.

Mais um problema pra resolver.

terça-feira, fevereiro 22

Férias Gregas: a decisão.


Pensei no assunto.

Acho que o mundo vai acabar, o céu abrir e vai chover hamburguer que nem no filme, mas eu não me importo em mostrar as banhas pro colega de trabalho não. Depois de pensar melhor, fiz mentalmente meus "bullet points":

- Eu sou gorda de biquini, mas sou gorda de roupa também, logo, minha gordisse não é novidade. Roupas podem dar uma pequena disfarçadinha ótica, podem valorizar o que é mais bonito, mas fazer o gordo parecer magro, não faz… então… e pra falar a verdade, vou dizer aqui algo que me levou 35 anos de sofrimento, psicólogo, psiquiatra, remédios, costuração de estômago: cara, eu sou um pitéu! Um pitéu gordo, mas quem diz que só as esquálidas podem ser pitéu? Sou pitéu de casaco vermelhão, sou pitéu de legging e vestido, sou pitéu de vestidinho de praia. Pô cara, sou pitéu messssssmo. Olhem aí no espelho, vocês são pitéis também. Óquei, deve ter gente menos pitéu lendo, mas putamerda, vou ser mico de circo se eu deixar alguém me dizer que eu não sou um pitéu.

- Não tô a fim de socializar, mas o colega é legal, é mais velho, é um bom papo, um drinkezinho não vai matar ninguém, e de resto vou ser beeeem educada e deixar claro que estou em décima primeira lua-de-mel e quero privacidade. Polimento, certo Alice?

- A praia parece ser linda, a ilha parece ser linda, o hotel parece ser lindo, nada vai me separar de uma praia linda, um all-inclusive lindo, tudo regado a muito sol.

E é isso meu povo, dividirei minha pitéuzisse com o mundo, e irei pro resort na praia linda da ilha grega.

Amiga, conselho de graça ( aceito doações ). Se alguém te chamar de baranga, entra por um ouvido e sai pelo outro. Se você se sentir baranga, olhe no espelho e repita: pitéu, sou um pitéééééu. Se alguém te olhar com aquela cara: "tô te achando baranga", faça algum comentário "tô podendo", tipo "ainda bem que qualquer roupa cai bem em mim", ou "receber cantada é ótimo, mas já enjoei".

Sejamos pitéis.

segunda-feira, fevereiro 21

Perguntinha básica


Estou procurando o hotel pras férias de maio, duas semaninhas num all-inclusive. Depois de muito investigar, escolhi um hotel all-in novo em Kos. Eis que estamos no departamento conversando sobre as férias, e um dos colegas vai pra esse mesmo hotel, nos mesmos dias.

Agora pergunto: vocês encarariam ou escolheriam outro? Não tô a fim de circular de biquini na frente desse colega nem de socializar com ele. Ele é legalzinho, não "desgosto" deles, mas pô, mostrar as banhas pro colega de trabalho e tomar drinkezinho na piscina 2 semanas com ele não tá nos meus planos.

Conselhos?

quinta-feira, fevereiro 17

Força na peruca

É esse o lema de fevereiro, força na peruca.

Tá frio, muito frio. Chove pacas, visto que não está frio suficiente pra nevar. Até pra mim, que quebrou o inverno escapando o mês de dezembro inteiro, já tá difícil de aturar.

Mas pra gente teimosa, tinhosa e osso-duro-de-roer como eu, há sempre aquela esperançazinha de um março mais quentinho, e abril que tá logo aí.

Nessa época eu fico ranzinza total, e tenho que me controlar. Esse ano está particularmente difícil no trabalho, por conta do bendito do Old Fart. Esse homem tem o dom de me tirar do sério, e eu TENHO que sublimar a ira que se apossa de mim.

Ele fala ultra alta e dá aquelas risadas AHRA AHRA AHRA bem altas. Ele larga papel, copinho plástico, canetas pra tudo quanto é canto. E essa semana, novamente, espancou o telefone.

Olha, me digam se eu estou sendo uma idiota, mas eu estou me corroendo de me sentir culpada por ter ido falar com o diretor sobre os sumiços dele, sobre os esquecimentos dele, sobre a hora que ele enrola de manhã... ele tem o contrato de um ano, e eu fico pensando, tudo bem que eu quero vê-lo longe, mas ele tem família pra criar, filhos pequenos, hipoteca, contas... e tem 50 anos, já imaginou ficar sem emprego, a dificuldade que vai ser encontrar outro?

O pior é que ele não tem uma "segurançazinha" sequer. Aqui na Holanda, se alguém trabalha há vários anos na empresa e é mandado embora, ganha uma indenização proporcional ao tempo de empresa. Na época da crise eu fiquei me borrando de medo porque eu estava na empresa a menos de 1 ano, ganharia uma indenização mixinha. Já o marido estava a mais de 10, ía ganhar uma bolada.

Talvez em abril eu consiga ser mais generosa, ter mais paciência... mas enquanto abril não chega eu sofro duplamente, com as gargalhadas idiotas, a bagunça, os pitis infantis e outras cositas más do Old Fart, e depois com a minha consciência - que fica já imaginando as crianças dele com a canequinha de lata pedindo moedas na praça...

Acho que vou pra máquina de bronzear, viu... abril tá muito longe.

terça-feira, fevereiro 15

Caminhando contra o vento ( e chuva ) sem lenço sem documento ( mas com casacão e cachecol )

Hoje fui ao djapa com uma das comadres, djapa novo. Nossa, aproveitei pacas hoje, meu estomaguinho tava uma belezinha.

Saímos tardão do restaurante e o carro dela tava pra um lado e minha moteeenha pra outro. Passado das 10 da noite, escurão, e eu andando felizinha ( pança cheia ) pela rua... e aí eu tava pensando...

Eu babo nas fotos da Eliecy criando os filhos pertinho do mar, já pensou brincar com as crianças todos os dias nas ondinhas da praia?

Eu soooonho com o casarão com piscina do meu irmão.

Eu sinto faaaaalta da mani-pedi, frentista de posto, faxineira, empacotador do mercado, depilação quente e indolor, já falei da faxineira? Ah, a faxineira...

Mas nesse momento saindo do restaurante, nada disso, absolutamente nada, compensaria a maravilha que é andar de noite na rua sem medo de nada.

Acho que é instinto de preservação, ou é meio nóia minha - apesar de nunca ter sido assaltada eu morro de medo - mas de uma coisa eu sei, não tenho mais nervos de aço pra morar no Brasil...

A arte delicada de ser chefe de alguém


Eu já tive dois chefes feladapota, alguns fraquinhos e graças a Deus, a maioria foi gente legal.

Atualmente a chefe sou eu, jogada de páraquedas numa função que não existia na empresa, com um job-description que também não existia, e esse mês, 1 ano exato da promoção, ainda peno.

O mais difícil é você gerenciar seu grupo sem ser um ditador, é saber tudo que está se passando sem se intrometer demais no espaço profissional das pessoas que trabalham pra você.

No meu grupo eu tenho alguns desafios, o rapaz Bonitinho que quer aumento a qualquer custo e fica meio que chantageando, o Senhor Belga, com a qual estou me dando super bem - eu gerencio de leve e ele me mantem informada de leve, de forma que ambos estamos confortáveis um com o outro, e o Véio.

Eu participo do processo de avaliação e definição de aumento de salário do véio, eu decido a carga de trabalho, férias, cursos, mas o que eu queria ter poder pra mudar eu não tenho: se eu pudesse eu me livrava dele!!!

É muito difícil gerenciar alguém que você quer ver pela porta traseira da empresa… O Véio detesta ficar no escritório, foi vendedor mil anos, gosta de ficar batendo perna pra cima e pra baixo com carrinho da empresa, celular e laptop na mão, bem vendedor mesmo, mas ele escolher mudar para COMPRAS e o perfil do emprego e do profissional é diferente. Eu, compradora, não saio da empresa, sou eu que tenho a grana, portanto é o vendedor que tem que sair no frio e na chuva, pegar trânsito, gastar gasolina pra vir vender pra mim. Eu, compradora, não preciso estar acessível AO VENDEDOR 24 horas por dia, mas o vendedor tem que estar disponível pra arrumar as cagadas que certamente fará. E cabe a mim ficar o máximo possível no escritório pra resolver as cagadas que não só o vendedor vai fazer, mas que todos os outros departamentos farão. Porque trabalhar em compras é isso, é resolver as perrengas de todos os departamentos. E a razão é óbvia, somos nós que decidimos quem vai levar a grana da empresa, logo somos nós que temos que chantagear, digo, lidar educadamente, com profissionais de vendas, de logística, até equipe técnica dos fornecedores que a empresa contrata.

Mas então, o Véio. O Véio tem pulga na cueca, e se oferece pra ir a forcenedores, a empresas de engenharia, a todos os lugares que ele não precisa ir. Isso em si já me irrita. Pra piorar, ele some! Nós temos um relógio magnético na entrada, ali passamos o crachá e nossa entrada e saída é registrada. Se vamos sair a negócios, temos que entrar um código especial, assim o seguro é acionado a partir daquela data / horário, e é claro que esse dado também é usado pra saber do paradeiro da pessoa, e o que acontece com esse desinfeliz é que ele tem uma reunião na Bélgica de 1 hora, a gente normalmente participa por conference call, ele cata o carro ao meio-dia, a reunião é as 13, termina as 14, e o cara não volta! Nós vamos em média umas 6 vezes por ano à planta da Bélgica, esse cara foi 3 vezes nos últimos 10 dias! E não fala nada pra mim, ele aproveita que eu chego as 8:30 e vai as 8:00 falar pro big boss que PRECISA ir pra Bélgica.

Eu não aguento esse Véio, está me dando rugas, está me dando mau-humor. Estou aqui com os printouts dos horários dele, dos horários das reuniões dele, prontinha pra falar com o diretor, mas tenho que escolher ultra bem as palavras pra usar.

Se não fosse esse véio xexelento do caramba eu diria que é legal pacas ser chefe. É um rojão pra segurar, é politicagem que não acaba mais, é diretorzão te mandando e-mail, ligando, vindo na sua mesa o tempo todo, mas compensa as telinhas que não tenho mais que navegar no sistema, os relatoriozinhos que não tenho mais que fazer…

Ei, desculpa aí o post enorme, mas é que eu tô pelas tabelas com esse cara...


segunda-feira, fevereiro 14

Ok - tinha gente pior


Ok, my mistake, Gaga não era a pior, cês viram a Rihanna quando chegou?

Putz, o desespero pra aparecer…

Melancia no pescoço djá.

Taca pedra na Geni, digo, na Gaga


Ó, tá na hora de a gente se unir e boicotar aquele trem pra lá de desgovernado da Lady Gaga.

Pra mim ela já tinha passado o limite do mau gosto com a roupa de carne, agora com aquela coisa na cabeça ontem no Grammy… whadda f*ck?

Quem sentou atrás dela?

Se é pra ouvir uma dessas meninas novas, sou mais a Kate Perry ou a Rihanna, com cabelo do Ronald McDonald e tudo.

Agora fala sério, a mão não coçou pra estar perto daquele tapete vermelho com um estilingue na mão? Uma pedrinha só e eu já ia estar feliz.

Aí o manager dela diz: Lady Gaga está vestida de Ovo, porque ela está gestando uma nova raça, cujo DNA não possui a habilidade de odiar… Whadda f*ck de novo?

Eu devia mudar o título desse post pra Whadda f*ck.

Ovo, Lady Gaga? Ovo é o que a gente devia tacar em você quando você faz essas cagadas. E é claaaaro que alguns idiotas vão aplaudir, dizer que ela é revolucionária, inovadora, vão fazer análise arquitetônica fashionista do modelito e dizer que é fantástico, mas credo, me deu até mal estar.

E pensar que a mãe da gente achava que pra aparecer a gente tinha que colocar melancia no pescoço…

domingo, fevereiro 13

O emburrecimento geral da nação

Há um ano li o livro Hunger Games, e gostei tanto que não só li seguidinho a continuação Catching Fire, como fiquei ansiosa esperando a publicação do livro final da trilogia, Mockingjay.

Hoje eu quis enviar pra minha prima o livro, e acreditem, achei em português, se chama Jogos Vorazes.

Aqui na Holanda, cada livro custa €9,90 e eu acho um absurdo, visto que nos EUA você acha por US$ 7, mas vá lá, dez eurecas não mata ninguém. Mas no Brasil, pasmem, custa R$48 !!!!

Taqueo, gente, assim não dá. Bibliotecas pra pegar emprestado, sucateadas, ebook pra baixar de graça da net, os olhos da cara, faz como pra esse povo ler? Eu APOSTO que o livro da Surfistinha se acha por 10 mangos na banca de jornal, ou não?

Taqueo taqueo taqueo, povo.

sexta-feira, fevereiro 11

Down doo bee doo down down...


Às vezes eu tenho inveja daquelas pessoas simples, felizinhas o tempo todo, que querem da vida a casinha branca de varanda só pra ver o sol nascer, que aceitam o que a vida lhes dá sem grandes questionamentos. Invejo quem acorda, lava a louça, água os vasos da varanda, faz um bolo pro café da tarde, e se diverte com a sessão da tarde.

Eu sou e sempre fui uma montanha russa emocional. E sempre rezando para que os altos compensem os baixos. Mas num baixo muito baixo, quando o carrinho estava arriando só de ver a subida, eu respirava fundo, chamava uma amiga do peito pra uma passeadinha pela praia ( SBC fica a 45 minutos de São Vicente, Santos e Praia Grande, uns 75 minutos do Guarujá ), ou pegava uma das crianças e ía pro Hopi Hari, quando o negócio tava brabo eu ía pra alguma reunião da Seicho-no-ie com a minha tia…

Hoje eu estou down. Estou precisando de algum conforto. Estou precisando de um dia ensolarado pra eu sair de camiseta e sandália, o calorzinho do sol na pele, estou precisando ir pro Hopi Hari com a Thalita assistir o show do CanCan e almoçar a picanha do restaurante perto da Torre Eiffel.

Hoje eu tô precisando tudo o que eu não posso ter.

Quem tá no Brasil acha que uma brasileira que casou com um Holandês bonitinho, que mora na Europa, que tem um bom emprego, casa legal, viaja bastante, não tem motivo pra acordar com o pé esquerdo. Mas a verdade é que não importa quantas coisas legais você tenha, tem sempre aquele dia em que nada te alegra, e daí você está aqui e tudo o que você quer está lá, longe, indisponível. Toda a forma de conforto que você conhece não se aplica.

Eu queria o sol, mesmo que fosse aquele fraquinho e gelado de fevereiro, mas está nublado e garoando. Eu queria ir pro Efteling ( parque de diversões maravilhoso aqui da Holanda ) mas além do tempo merda, eu não teria a Thalita comigo - nem os sobrinhos - nem ninguém, praia só se for uma congelante, cinza e pouco atrativa aqui do mar do norte.

Então resta-me esquentar-me com um cházinho ( que não é Mate Leão ), trabalhar, e quem sabe se a chuva parar, ir pro cinema mais tarde, me afogar na pipoca com Coca-Cola assistindo qualquer coisa legal?

Bom fim-de-semana, e você que está em algum lugar onde o sol brilha, perto da sua família, seja grato, muito grato.



quarta-feira, fevereiro 9

Greitéss lofofal

Tô chocadésima. Campeã mundial de embarangação. Bateu a Gretchen,a Sheila Carvalho e pode botar nome na roda que eu duvido que tenha embarangado mais que essa aí.

O melhor é ela falando da nova música, o remake de GREITÉSS LOFOFAL. Sem querer desfazer do modelito, que também vale menção honrosa.

segunda-feira, fevereiro 7

Se conselho fosse bom a gente vendia, né não?

No meu primeiro emprego, empresa internacional com poucos holandeses, estranhei a assistente do grupo ter recusado uma promoção porque queria engravidar em 2 anos e queria continuar no trabalho "simplezinho" porque não queria fazer carreira, queria ser mãe. Meses depois fiquei pasma com a moça que nem quis sair com um rapaz super legal da empresa porque ele "jamais terá condições de sustentar a esposa, e eu quero me dedicar aos filhos". Minhas colegas, uma americana e outra ucraniana, também ficaram de boca aberta, "esse povo é muito corpo mole e a mulherada pra lá de retrógrada" - concordamos as três.

Hoje um rapaz do grupo ao lado veio me pedir um conselho. Versão curtinha do "causo" dele.

Ele namorava a 2 meses com uma moça, ambos tinham 23 anos, quando ela engravidou. Decidiram ir morar juntos e ter o bebê. Ele estava se formando, e entrou aqui na empresa com salário super inicial. Só com o salário dele não dava para os dois viverem, e foi aí que os problemas dele começaram. Ela não quer de forma nenhuma trabalhar, ela quer ficar em casa e cuidar da filha. O salário dele foi melhorando, compraram uma casa, um carrinho, mas ela ainda tem que trabalhar, senão não dá. Ele diz que não há um dia em que eles não briguem porque ela joga na cara dele que ela tem que cuidar da filha "mais de perto" e que ele TEM QUE, de qualquer forma, fazer mais grana pra bancar a vontade dela. Ano passado a filha começou na escolinha, e ele pensou que a cobrança fosse abrandar, já que a menina passa a manhã inteira na escola, mas piorou, porque agora, se sentindo menos "necessária" mas ainda sem vontade de trabalhar, ela quer um segundo filho.

No ano passado ela teve um acidente de carro, nada muito sério, mas ela quer convencer o governo ( e o resto das pessoas ) que ela passou a ter dores de coluna insuportáveis e que não pode mais trabalhar. Claro que pediram mil exames, os médicos não acharam nada de errado, não aprovaram o pedido. Mas imaginem, a moça, aos 27 anos, queria ser aposentada por incapacidade física.

E qual é o conselho que o rapaz me pediu? Segundo ele, a solução pro problema dele seria conseguir ser enviado como expatriado pro Brasil. Assim ele alugaria a casa dele aqui e o aluguel pagaria a prestação, a empresa pagaria o aluguel de uma casa lá no Brasil, daria carro, além do salário dele haveria ainda a verba diária para alimentação e gastos pessoais, e uma compensação pela esposa tão trabalhadora ter que largar o trabalho. Com isso tudo a esposa poderia parar de trabalhar, eles poderiam ter o segundo filho, e ele acha que voltaria para a Holanda depois dos 5 anos do contrato com uma promoção. A pergunta: o que você acha, Adriana?

E eu ali, de boca aberta. Primeiro pela "espertisse" do cara, e eu achava que era só brasileiro que queria levar vantagem em tudo. Segundo, a "sustentação de esposa" seria para o resto da vida, porque depois de 5 anos sem trabalhar, com dois filhos, ela não ia querer neeeeem saber de pegar no batente quando voltasse pra Holanda, e teriam que viver sem os benefícios de um expatriados. E terceiro, é que loucura é essa de querer mudar de país assim sem nunca ter visitado o Brasil? Convenhamos que o Brasil não é a coisa mais fácil de se acostumar, especialmente para um Holandês do interiorrrr como ele, considerando-se aí que não se sabe nem onde a fábrica será.

Minha vontade era falar pro cara rever a relação dele, que segundo ele é "um tormento", mas em briga de marido e mulher não se mete a colher, né? Então eu só disse que eu, se fosse ele,  tentaria dar um jeito de ser incluído em uma dessas viagens de visita a fornecedor pra, pelo menos, ter uma idéia do que o país é, mesmo que essa idéia seja uma ínfima idéia.

Depois a estranha sou eu.

domingo, fevereiro 6

Presentinhos

Hoje era domingo de compras em Eindhoven, e essa que vos fala enfrentou multidão e mini-furacão para comprar um presente de aniversário.

Amanhã é aniversário do Senho Legal do meu grupo. Ele me ajudou tanto antes das férias, cobriu minhas férias todas como nunca ninguém fez ( cheguei e ao invés de empurrar com a barriga, ele resolveu váááários dos pepinaços que apareceram ), e até agora está lá ralando pra caramba.

Isso sem falar que quando eu estava desesperada com a neve que caia e eu sem poder ir buscar o laptop da minha sobrinha ele pegou o carro e me levou, que se ofereceu pra ir comigo no mecânico levar o Sponge Bob. Ele é legal mesmo.

Como ele está comendo muita salada pro conta de um episódio de pressão alta, achei legal ir na Oil e Vinegar comprar uma caixa com livreto e várias coisinhas de salada.

Para quem não conhece essa loja, vale a pena dar um pulinho, é uma loucura! Você pode comprar vários tipos de azeite de primeiríssima qualidade, azeites saborizados, vinagres especiais ( eu experimente só hoje o vinagre de morango ), sais, molhos, marinadas, dips, pastas, e até ingredientes para fazer doces e bolos.

Sexta-feira eu estava meio insegura, devo comprar um presente pro colega, afinal eu nunca comprei pra outros e nem vou comprar. Será que o povo vai achar estranho? Mas na sexta-feira fui jantar com as colegas do escritório e quando eu expliquei que eu queria comprar um presente pra agradecer o apoio, elas acharam legal.

Sabem, cheguei à conclusão que aqui na Holanda, apesar deles serem meio durões e distantes, se a intenção é boa, não faz mal que você dê uma renovada nos costumes do grupo. Contanto que você não fique lá 15 minutos falando das suas glórias no time de iatismo e presenteie uma camiseta usada.

Então povo, é isso. Vamos lá começar a semana com o pé direito. Sabem que apesar dos perrengues eternos no trabalho, eu até que vou dormir felizinha no Domingo?

Boa segunda pra todos nós!

sábado, fevereiro 5

Que diliça...

Gente, ó que diliça de performance! Eu adoro os dois, e a música caiu como uma luva pra mim...

sexta-feira, fevereiro 4

Minúsculo, muito pequeno, pequeno


Eu adoro a frase da Marcia Lino: aqui no Brasil tem 3 tamanhos de roupa, minúsculo - muito pequeno - pequeno.

Ontem eu acompanhava na internet uma discussão sobre o constante encolhimento do tamanho das roupas. É claro que nós, pessoas mais robustas, achamos que é pura sacanagem pro nosso lado, mas o comentário de um moço lá me fez pensar que até nisso, como sempre, o fator econômico é o vilão.

Aparentemente o tamanho mínimo e máximo de cada numero foi regulamentado. Ou seja, tiraram uma média dos tamanhos 42 ( por exemplo ), disseram que o 42 máximo pode ser 10% maior e o mínimo 10% menor. Aí, os produtores produzem no limite do mínimo pra economizar tecido e assim diminuir os custos. Eu quero acreditar que a maioria vai ver que o numero 42 está apertado e vai comprar o 44 e como o preço não muda, vai levar o tanto certo de pano pra casa, mas vocês duvidam que muita gente vai se apertar no mesmo 42 só pra não passar o vexame de aumentar um número? E aí o comerciante sai ganhando, né?

Outro lá dizia que há também a questão das roupas chinesas, que são importadas e como os chineses são pequenos as roupas são também menores que os padrões brasileiros. Um outro rapaz disse que a filha de 3 anos usa tamanho de roupa chinesa 10 anos. Bom, eu só diria uma coisa, não compra roupa chinesa ué!

E uma moça lá escreve que estava toda feliz porque foi convidada a ir pro RJ tomar um solzinho na praia com a família, mas quando tentou achar um biquini, nenhum servia. Ela, com manequim 44 não entrava no GG dos tamanhos populares, e os mais sofisticados, que tem uma numeração mais abrangente e aparentemente oferece também biquinis mais recatados, eram caros demais. Nisso eu concordo, vi biquinis lindos no Brasil, Água Doce por 220 reais, outras marcas por até mais! E daí uma outra reflete: é que nós mulheres não temos o direito de nos preservar, de simplesmente irmos à praia para aproveitar o sol e mar com a família, temos que mostrar o corpo, temos que nos expor aos olhares famintos da homarada. E aí eu lembrei duma brasileira morando no exterior que escreveu como era maravilhoso estar na praia com o biquinhinho vermelho dela, pequeno e charmoso, enquanto a Alemã passava com um enorme biquini de flores amarelas. Ela terminava o post toda pimpona se gabando dos olhares que o marido da tal alemã lançou a ela. E daí eu pensei: 1) pelo menos a Alemã tem a escolha de usar um biquini conservador ou comprar um fio dental francês e fazer topless, enquanto no Brasil quem quer se proteger um pouco não tem como. 2) Aposto que o alemão olhou pra brasileira do biquininho minúsculo e pensou: nossa, que mulher inteligente… e-hém…

Acho que as brasileiras deveriam, além de reclamar publicamente, criar circulos de amigas que pedem roupas pela internet em sites internacionais. Conheço que já tenha peças de uma marca e compre sempre online peças novas, e que caso não sirva, repasse para amigas e até tem quem venda nos ebays da vida. Acho digno.

Eu, de minha parte, digo: aqui na Holanda tem tantos biquinis e tanquinis pras mais cheinhas, que todo ano é um dilema encontrar um bom, e ó, o mais caro ( da Esprit ) é 49 euros. Talvez eu devesse começar uma empresa de exportar roupas de bom tamanho pro Brasil.


quinta-feira, fevereiro 3

A Magali dançando, literalmente!

Quando todo mundo começou a falar desse video eu achei que fosse alguma mulher fruta, mas é a Magali mesmo. Rachei de rir, coloque no minuto 4:05!



E de tão famosa, ela foi parar no Fantástico!



Lá na empresa os executivos estão assistindo uma série belga toda esdrúxula para "entender os brasileiros". Háhahaha, vou mandar esse video pra eles.

Amora, laranja, maçã


Old man decides it is time to hit heavens when he hears his grandchild:
- Ann, I tried to call you on your birthday but my blackberry was acting funny, took me hours to figure out the problem was actually with Orange. When I finally decided to send you a message, that stupid Apple crashed!

Ano passado eu fui promovida junto com outros 3 colegas. Um deles, o do menor departamento, é bem jovem, tem uns 28 anos. A empresa é super sovina com equipamento, então nos surpreendemos quando nos foi oferecida a opção de solicitar um Blackberry. Dos quatro só o Bebê aceitou, e ficou todo pimpão mostrando pro mundo quando o aparelhinho chegou, deixa bem no meio da mesa dele, só falta sair chacoalhando o bicho pelos corredores gritando "Sou gerente, sou gerente".

Os três véios ( eu inclusa ) pensamos nas ligações às 9 da noite, na expectativa que chequemos nossos e-mails no domingo à tarde, no chefe te ligando durante suas férias. E por isso dissemos "não, obrigada". E outras 3 vezes nas reuniões de staff repetimos o "não, obrigada". Até que chegou ontem, sem a gente saber, uma cartinha da Vodafone "parabéns, em 10 dias você receberá seu Blackberry XYZ com seu sim card da Vodafone, abaixo instruções de como ativar sua conta". Ahn?

Abri o e-mail pra ver se tinha algum e-mail esclarecedor e havia apenas um link para o código de conduta da empresa relativo ao uso de Blackberries. Algo assim:

Você está recebendo um blackberry porque você foi classificado como "funcionário com cargo-chave" na empresa. ( ó a massageação de ego, lá vem bomba ). É esperado desses funcionários com cargo-chave uma disponibilidade maior fora do horário de trabalho. Por favor observe as diretrizes:

- Fora do horário de escritório, o equipamento pode ser colocado no modo vibracall mas não deve ser desligado ( incluindo sábados, domingos e feriados )

- É esperado que o funcionário, antes de dormir, verifique se ligações foram perdidas ( incluindo sábados, domingos e feriados )

- É esperado que o funcionário, antes de dormir, verifique se e-mails urgentes foram enviados ( incluindo sábados, domingos e feriados )

- Seu telefone fixo deve ser direcionado para o seu Blackberry quando você estiver ausente da sua mesa
- Ligações dentro do território nacional, mesmo que particulares, são permitidas, mas em roaming, ligações particulares não são permitidas ( viajo a trabalho para o afeganistão e não posso ligar para o marido )

Resumindo: lará lará, Adriana virou a Escrava Isaura.

Sem falar que fora da empresa tenho que carregar, além do meu telefone que já é bem grandinho, o tal Amora-preta. Durante o dia, tenho que carregar o bendito Amora-preta, e não pode ser no bolso porque meus culotes já são avantajados, vou parecer uma tanajura com o tal no bolso. Hoje, quando eu estou fora da minha mesa eu deixo meu dect ali e a secretária responde e anota os recados, com esse Amora-preta-do-caramba a mordomia se foi. Já tenho meu smartphone há 5 meses e ainda não sei todos os truques do bicho, quanto tempo vai demorar pra eu aprender os do Amora-Preta?

Pessoas, tô me sentindo que nem aqueles presidiários americanos que cumprem pena em casa e tem que usar aqueles braceletes no tornozelo.

Blé, isso tudo é muito blé.

terça-feira, fevereiro 1

Mensen met een zachte 'g'


Não tendo família holandesa, meu contato com os holandeses se faz no trabalho.

Meu primeiro emprego era em Amsterdam mas a maioria dos meus colegas não era holandês.

No segundo, trabalhava numa salinha fechada com 1 colega, a ex-grávida e demorou, mas nos tornamos boas colegas.

Aqui no emprego atual, não só o grupo é maior, como estou a mais tempo, e agora que gerencio um time, tenho mais contato ainda.

Se vocês olharem no mapa, verão que Eindhoven fica ao sul do país, na província de Noord Brabant. Como estamos bem próximo da província de Limburg, temos muito contato com gente que mora lá e vem trabalhar aqui, ou que nasceu lá e veio pra Eindhoven, enfim, a maioria é de "sulistas".

Dr. Alice disse que Brabant é a Minas Gerais da Holanda, valendo-me da comparação, Limburg seria a Bahia ( ou o interior de Minas? ). Estamos aqui no caipirolândia, ou como diz o resto do país, in het land van de boeren, na terra dos sitiantes. Eindhoven é a quinta maior cidade da Holanda e é o maior centro econômico da região, mas comparada com São Bernardo ( que é minúscula perto de São Paulo Capital ) é um pum. Um pum verdinho e organizado, é verdade, mas um pum. Eindhoven não tem um centro histórico com Den Bosch, não tem canais como Breda ( outras cidades de Noord Brabant ), mas compensamos com bastante verde. São ciclovias no meio das florestinhas, em Nuenen, aqui do lado, tem o festival anual dos jardineiros, a avenida que liga a A2 ( principal rodovia ) ao centro da cidade é toda arborizada. A maioria dos holandeses acha Eindhoven horrorosa, mas eu, paulistana, na primeira vez que vim pra cá, achei tudo bonito demais.

Mas o que eu queria falar mesmo é dos meus colegas caipiras. No nosso grupo temos um belga, um chinês e um Haiano ( quem vem de Den Haag, ou Haia ). O resto são brabantianos e limburguenses ( uau, ó que show minha abrasileiração/tradução ). Enquanto uma das comadres fala da metidês de vários colegas de regiões mais "nobres" do país, eu vos digo: meus colegas são responsáveis pela minha recém adquirida vontade de ser boazinha e me integrar nessa terra!

Meus colegas caipiras são muito legais. A maioria não vem de família rica, pelo contrário, um é filho de padeiros, outro é filho de um sitiante de aspargos, são jovens que foram à escola e à faculdade / universidade como qualquer outro holandês, mas tiveram seu empreguinho de férias pra ganhar uma graninha, quando crianças tinham brinquedos mas não era aquele exagero de ter tudo o que aparece na TV, íam ( e ainda vão ) de férias para campings, stacaravans ou hotéis mais simples.

Esses colegas dão muito valor a construir uma família, e mesmo os mais jovens já moram com as namoradas, estão pensando em casar. A maioria começou a namorar na faculdade, e enquanto no Brasil a maioria dos homens se extende cada vez mais na esbórnia da vida de solteiro ( ou é o que minhas amigas solteiras no Brasil me dizem ), aqui os jovens de 26/27 já estão comprando sua primeira casa com a namorada.

Mas o que eu acho mais legal é que não são afetados, não ficam exibindo seus carrões, não são obcecados por roupinhas Hugo Boss. Eles são super prestativos, por exemplo, no dia que eu tinha que buscar o netbook da minha sobrinha nevou e um deles me levou de carro até a loja na hora do almoço. A grande maioria vem de bicicleta, eu fico ouvindo uma das comadres que trabalha na multinacional famosa de Rotterdam e penso: será que os colegas dela vem de bike pro trabalho? Aqui, se não está frio, até meu diretor vem de bicicleta!

Eu, com tão pequena amostragem, não posso dizer que os caipiras holandeses são mais legais que os ratos de cidade, mas adivinhem quem é o "Haiano"? O véio insuportável. Todo esnobe, todo metido, todo "I'm too sexy for my shirt, so sexy it hurts". Os colegas caipiras dizem que o povo de Den Haag é assim mesmo, metido, como o véio é o primeiro que eu conheço, não posso concordar nem discordar, só sei de uma coisa: tô feliz de tar na caipirolândia.

E como diria o cantor Guus Meeuwis ( o Daniel - eu acho - de Holanda ):

… E eu ando sozinho aqui numa cidade quieta demais
Eu nunca tive problemas de nostalgia
Mas as pessoas estão dormindo e o mundo se fecha
E então eu penso em Brabant, onde as luzes ainda estão acesas…

Aqui eu sinto falta do aconchego dum barzinho de cidade pequena
Do sotaque das pessoas com um g suave
Eu sinto falta até do papo furado...