quinta-feira, abril 14
Passerà
Hoje li a palavra "inefável" no blog da Alice e imediatamente aquele momento, aquele grão de areia da minha vida, encorporou aquela palavra. Às vezes tenho uns momentos meio "Forces of Nature" ( filme com a Sandra Bullock ) e parece que o mundo gira fora de sincronia, eu sou o centro e ao mesmo tempo sou a parte menos importante do todo. Eu sentia uma brisa fresca no rosto, ouvia passarinhos e as cores das flores, tulipas, narcisos, lirios, violetas me tiraram o fôlego, me deixaram sem palavras. Naquele momento eu me sentia saudável como não me sentia há tempos, tudo estava bem com a família no Brasil, tudo bem com o meu lindo marido, o emprego pelo qual eu tanto batalhei ali me esperando... Naquele momento eu estava tão feliz, uma felicidade calma, tão boa...
E imediatamente já vem o inconsciente, ou a prudência, ou o meu auto-boicote-mode-on, me dizer que há apenas 3 semanas eu estava numa cama de hospital recebendo transfusões, sem saber o que eu tinha e claro imaginando o pior, brigando com o marido que não ajudava, preocupada com a mãe que também não está bem, com o gato que estava doente... Vem aquela voz dizer que "aquela pequena dor, ódio ou amor, passará".
Hoje, andando no friozinho, depois de horas batendo perna, olhei meu rosto numa vitrine e o nariz vermelho do frio trouxe lágrimas aos meus olhos. Hoje, e somente hoje, ainda em recuperação e ainda um pouco distante de estar 100% bem, entendo como eu estava mal, mal e mal. Eu não tinha energia para andar os 200 metros do estacionamento do shopping até a farmácia. As compras aos sábados demoravam mais de hora porque eu tinha que sentar pelo menos 2 vezes. Subir escadas quase me matava. E meu rosto estava tão branco, tão branco, que meu nariz não ficava vermelho com o frio...
Quando me diziam que "o importante é ter saúde, o resto a gente dá um jeito", eu fazia pouco caso. Aprendi.
Hoje foi um dia muito, muito feliz.
quarta-feira, abril 13
Prova de fogo
Segunda que vem volto ao trabalho. Tenho calafrios só de pensar que posso ter outro piripaque no escritório. Ainda essa segunda eu fui ao supermercado e tive um início de queda de pressão, o que me deixou ainda mais insegura.
Mas a vida não pode parar e eu tenho que voltar ao trabalho. Então amanhã, a quem interessar possa, vou botar meus novos glóbulos vermelhos à prova, e será uma prova de fogo: irei ao Efteling.
Andarei muito. Irei em montanhas russas. Só não terei estresse psicológico, de resto...
Quem não tem Disney caça com Efteling.
segunda-feira, abril 11
Coisas que são difíceis de entender...
S. sempre foi linda e apesar dos partidões que a cortejaram, cumpriu a promessa feita aos 8 anos de idade para a mãe: nunca iria se casar. Teve namorados, casos, flertes, mas por opção, nunca casou.
R. era a "casadoira", queria casar, ter filhos, trabalhar meio periodo ( ela era psicóloga de formação ), era super tradicional.
R. conheceu um moço que prometia, engenheiro civil com um ótimo emprego, morava no mesmo bairro chique que ela, gostava de ir aos mesmo lugares, o namoro engatilhou. E depois de 1 ano virou noivado e completaram 2 anos de namoro no altar.
O casamento dela foi a coisa mais fantástica que eu já tinha visto, e até agora não fui em nenhum que superasse. Apesar de ter acompanhado os preparativos, não estava preparada pro grau de sofisticação do evento. A igreja foi aquela chique dos Jardins, a noiva chegou num cadillac dos anos 50 raríssimo - cortesia do vice-presidente da GM ( o pai da R. era diretor da GM ). Foi no casamento dela que eu ouvi pela primeira vez a palavra "arautos", aqueles caras que tocam as cornetas quando a noiva chega - tinha 4 na porta. O vestido foi feito por um designer famoso e depois do casamento virou capa de revista, nunca vi um vestido tão sofisticado, chique mesmo. O jantar foi no melhor buffet de São Paulo. Na entrada tinha um lustre de 3000 cristais, e para manter a simetria, bem embaixo dele tinha um arranjo com 3000 rosas vermelhas. O serviço foi francês, a música foi ao vivo, tudo mais que perfeito.
A lua-de-mel seguiu os padrões do casamento: NY, Los Angeles e Hawaii.
Marcamos para ir visitá-la e conhecer a casa nova uns 15 dias depois que ela voltasse da lua-de-mel, mas ela acabou tendo um imprevisto e remarcamos. Aí uma tinha um compromisso, ou a outra, e passaram-se 3 meses sem que a gente conseguisse visitá-la. Um mês antes do casamento eu tinha mudado para um outro departamento e ela tinha ido para o Banco GM, logo as 3 comadres não se viam mais todos os dias...
Um belo dia liguei pra ver como estavam as coisas e remarcar de ver a casa dela e um choque: Adriana, não estou mais casada.
Ah, como assim? Na minha cabeça passou todo o namoro dos dois, o casal perfeito, o noivado perfeito, o casamento de rainha, a lua-de-mel de sonhos, como podia ser?
Chegando da lua-de-mel, ambos voltaram ao trabalho. R. tinha contratado uma empregada, que além de limpar a casa, antes de ir embora fazia arroz para "adiantar" a janta. Naquela primeira semana R. comentou com o marido, nossa que arroz gostoso que a empregada fazia, e o marido ficou furioso, gritou, xingou, como podia ela deixar a empregada cozinha, e se ela quisesse envenená-lo, envenenar os dois, pra fazer a limpa no apê?
R. achou doideira, um absurdo, mas pediu pra empregada não cozinhar mais. Duas semanas depois ele precisou ir para o RJ e pegou o carro dela, que era um leasing da GM pro pai dela e que só ela podia dirigir, e quando ela ligou pra ele pra pedir pra ele voltar e trocar o carro ( ele havia saído a minutos ), ele esbravejou que se alguém tentasse matá-lo na linha vermelha, com o Corsa ele não conseguiria fugir, ele precisava do Vectra.
E vários outros incidentes do mesmo tipo aconteceram. Até que um dia, ele liga em casa todo nervoso pedindo todas as senhas dos cartões de crédito que estavam em casa num cofre. Ela achou a ligação e o pedido estranho e perguntou o que estava acontecendo, ele só gritava: pega logo, pega logo. Quando ele chegou em casa, ensandecido, ele berrava que ele ligou sob a mira de um revolver, que os bandidos queriam as senhas pra ele tirar tudo o que fosse possível do caixa automático e que ela estava macomunada com os bandidos porque ela queria matá-lo. E foi encurralando-a na sacada, e trancou-a pra fora. Imaginem, julho, SP, de noite, no décimo segundo andar... Ela chamou e chamou o vizinho por horas, ele chegou tarde, ela ficou 2 horas naquela sacada, trancada, e quando saiu, fez uma malinha e voltou pra casa dos pais.
Um advogado foi imediatamente contactado, a bomba na família explodiu. No meio de todo aquele falatório, uma prima dele veio visitá-la e ela ouviu o inimaginável daquela quase desconhecida: o marido era um doente psiquiátrico. Ele foi diagnosticado na adolescência com uma forma de esquizofrenia, para ele alguém estava querendo matá-lo. Ele via "gente" seguindo-o, colocando coisa na bebida e comida dele, e paranóico, achava todos ao redor, mesmo os familiares, também queriam matá-lo.
A tal prima contou que ele tomava remédio e fazia terapia desde os 16/17 anos, que nas poucas vezes que ele parou com o tratamento os episódios voltaram, e que ele havia parado com o tratamento pouco antes do casamento, pois estava se sentindo tão bem que se achava "curado".
Long story short, eles se separaram, ele se recusou a voltar ao tratamento, ela ficou com medo dos "episódios" e o casamento acabou. Um dia antes do aniversário de casamento eles assinaram o acordo de divisão de bens e o divórcio. Oficialmente o casamento durou 364 dias.
Depois disso tudo, eu saí com a R. mais algumas vezes. Eu tinha acabado de operar, saí pra comprar roupas com ela, visitei o novo apartamento dela, lindinho de morrer ( e no mesmo bairro chiquérrimo dos pais ). Mantivemos contato por telefone, por e-mail, mas ficava difícil nos vermos tanto, eu trabalhando em São Caetano e ela em SP. A S. a viu mais uma vez, eu acho, mas mesmo assim mantínhamos contato.
Quando eu casei, convidei-a para o casamento, e ela não foi, não me deu um telefonema, não me mandou um cartão. S. também achou estranho, mas já tínhamos ouvido da R. que casamentos ainda a deprimiam muito, e relevamos.
R. nunca mais atendeu um telefonema da gente, ou respondeu um e-mail, e é até compreensível que não tenha me ligado, já que eu mudei pra cá, mas nunca mais nem tchans pra S., que se aposentou e está morando no litoral de SP.
Eu e a S. ainda mantemos contato, e é muito legal ver como nossas vidas se desenrolaram, mas sempre lamentamos o desaparecimento voluntário da terceira cajazeira.
Hoje foi o aniversário da R. e mais uma vez eu mandei um e-mail que vai permanecer não respondido, apesar de eu saber que foi lido. S. depois do terceiro ano não manda mais, diz que se a R. prefere se afastar, que assim seja. Eu fico triste, não por mim - que perdi uma amiga, mas por ela que depois de 10 anos ainda sofre com o breve casamento desfeito. Que sofre por ainda não ter encontrado o marido que ela tanto queria.
Eu, no lugar dela, teria me apegado a cada amigo, a cada pessoa que quisesse o meu bem, porque só assim a gente consegue superar essas imensas rasteiras da vida. Infelizmente ela pensa diferente, o que é triste para mim, que tenho saudades dela.
Ela nem sabe que eu tenho um blog, ela nem sabe o que foi feito de mim, mas deixo aqui registrado meus parabéns pela data e o desejo de que ela finalmente consiga encontrar a felicidade.
sábado, abril 9
Bate papo...
O segundo me parece hipoglicemia, e esse eu tenho desde adolescente. Também começa com uma tremedeira, suadeira, não dá ânsia de vômito. Nessa fase dá uma vontade inenarrável de comer açúcar, e o desespero é tamanho que vai até coisas que eu detesto, tipo bolacha prestígio ou arroz doce. Esse SEMPRE passa se eu como açucar, então é menos pior que o outro.
Porque colocar o Mirena com anestesia geral? O meu DIU normal foi colocado com anestesia geral porque parece que eu tenho uma anatomia difícil pra colocação do negócio, tentaram e não conseguiram. A retirada do DIU normal vai ter que ser feita com anestesia, logo aproveitam pra colocar o outro. A médica falou que não era 100% garantido que desse pra colocar com a anestesia local, então pra evitar ter que voltar uma segunda vez e ter que comprar um segundo DIU ( o primeiro quebrou, agora imaginem quebrar esse que custou 130 euro-paus ) preferi a anestesia geral.
E é isso pessoal. Tcheu ir aproveitar meu sábado.
quinta-feira, abril 7
Pêssegos
Fui ultra bem atendida na ginecologia do hospital Catherina. Ultra. Após longa conversa com direito a desenhinhos e ultrasson, o acertado é que eu trocarei meu DIU de cobre pelo DIU Mirena. Contraceptivos não são mais cobertos pelo plano de saúde e, a quem interessar possa, o Mirena custa aqui na Holanda € 140. A colocação é coberta pelo seguro, e no meu caso será com anestesia geral, como foi colocar o DIU de cobre.
Conversar com um ginecologista aqui é ainda meio bizarro pra mim, eu sempre tenho alguma surpresa. A ginecologista me disse que o DIU Mirena é um dos contraceptivos mais adotados por garotas de 16 a 20 anos. Já imaginaram isso no Brasil? Mãe levando a filha adolescente pra colocar um DIU?
Outra coisa que também acho bizarro é sempre perguntarem se eu já tive algum aborto espontâneo e se já tive algum aborto provocado. Já disse né, aqui você pode entrar no consultório do médico e dizer que quer ter um aborto, mas não pode entrar no mesmo consultório e dizer que quer ter uma cesárea.
Passei pelo "screening" do anestesiologista. E tirei sangue. Amanhã passo pelo hematologista. Estou me sentindo bem mais fortinha, claro, mas ainda tenho as tais tonturas. Canso rápido, mais mentalmente do que fisicamente. Noto que na hora de subir escadas estou mais espertinha, mas minha concentração ainda tá falha e mentalmente ainda canso rápido. Ontem passei 1 hora no escritório pra explicar uma coisa pra um colega, saí de lá com ultra dor de cabeça e tive uma daquelas tremedeiras ( mini ) que parecem pressão baixa.
Agora estou só na maciota assistindo as duas primeiras temporadas do Sex in the City. Minha concentração tá ruim até pra jogar Sims, começou a ficar difícil eu já empaquei.
Mas o pulso ainda pulsa.
E estou me borrando de medo de voltar a trabalhar e ter um piripaque lá na minha mesinha, na frente de todo mundo.
quarta-feira, abril 6
Quase out of the woods
Meus glóbulos vermelhos já estão em 6,8 ( estava 3,7 e o normal é 8 ). O que ainda causa preocupação é o tamanho dos glóbulos vermelhos, devia tar 80, tava 47 e agora tá 64. Mas de resto tá tudo bem próximo do normal e muito, muito melhor do que quando entrei no hospital e até de quando eu saí.
Seguindo a dica de que "os exames são meus", pedi uma cópia, e pra vocês verem como ninguém faz isso aqui, a médica já trabalha na clínica a 8 meses e NUNCA imprimiu um exame. Não encontrando a função no software, ela com toda a boa vontade copiou, no punho, todos os valores para mim e me disse que assim que ela conseguisse imprimir o resumo dos 3 exames, que ela me mandaria uma cópia.
Amanhã tenho uma batelada de exames pra tentar entender a causa, mas todos estão inclinados a concluir que a menstruação pesada por causa do DIU mais o estomaguinho que não dá conta de repor tanto ferro causaram o problema.
E mais uma vez eu saí do consultório sem um tratamento, sem pílulas, sem xaropinho, sem nenhuma indicação de quando voltar ao trabalho.
A única coisa que ainda me preocupa é que agora, "ferrada" eu tenho mais tonteiras que eu tinha antes. Mas amanhã eu pergunto pro médico hematologista.
E tá sol meu povo, o Plato tá lá esplonchadão no piso da terraça. Holandês da gema esse meu gato, não pode ver sol que vai lagartear.
terça-feira, abril 5
Tô ficando inteligente
Acordei já querendo ir dormir, tomei um banho quentinho, coloquei um moleton cheirando sabão Omo e Lenor branco, e me enfiei no sofá debaixo das cobertas. Assisti as notícias.
Começou a chover e eu lembrei que eu tinha comprado um bolo fresquinho, e foi só juntar à história uma xícara de chá e virou o paraíso: chuva, bolo e chá quentinho.
Desliguei o Blackberry e relaxei.
Hoje me dei conta de como eu estou precisando mesmo de quietude e sofá pra me sentir melhorzinha. No fim da tarde até tive gás pra fazer o clássico aspargo holandês ( aspargos brancos servidos com presunto caipira, ovos cozidos e batatas puxadas na manteiga ).
Amanhã vou ao médico de família, meus exames chegaram e não quiseram me dar os resultados pelo telefone. Deve estar mediano. Se estivesse muito ruim, teriam me chamado de novo pro hospital, se estivesse super bom teriam dito pelo telefone. Mas... adianta tentar ficando adivinhar? Entonces...
Querem saber? Devo estar ficando malemolenga mesmo, porque se eu pudesse ficar ainda a semana que vem em casa, bem que eu ficaria. Na empresa, vão se virar. E eu, depois de ficar quietinha em casa comendo certinho e não esquentando a moleira estou me sentindo half-human de novo.
Sem falar que comprei o Sims Medieval, que é bom pacas.
Agora só falta receber o OK da médica pra marcar as férias!
segunda-feira, abril 4
Ainda me adaptando
No jantar com as comadres eu comentei minha indignação com a médica que me deu alta mas não me falou que eu deveria ficar em repouso por, pelo menos, duas semanas. Uma das comadres, médica no Brasil e médica na Holanda, disse que o que é que eu esperava, eu, uma estrangeira falando holandês meia-boca, claro que a médica não ía perder muito tempo comigo. Achei terrível isso, atender o paciente dependente da aparente classe social ou nível cultural do paciente. Simplificar pro paciente entender até vai lá, mas quanto é que você tem que simplificar, ou quão meia-boca é meu holandês, pra se dizer: fique em casa 2 semanas de repouso, pelo menos. Ou: eu não tô a fim de me preocupar com você, vá discutir seu tratamento com sua médica geral.
Decidi voltar pro trabalho na semana seguinte, e agora entendo que os holandeses são mais conservadores e que o chefe espera que eu volte ao trabalho firme e (super)forte. Logo, ficarei em casa coçando, digo, me fortalecendo, até provavelmente, a páscoa.
E agora vem o "the next". Fiz um exame de sangue quinta-feira e devia ter ficado pronto no mesmo dia, só que não ficou. Já é segunda e nada do exame ficar pronto. Aqui o exame vai direto pro médico, e eu ligo todos os dias e nada. Já pedi pra eles ligarem pro hospital, mas eles dizem que tem que esperar. Eu não posso ligar pro hospital porque eles não te dão nenhum numero de exame, nenhum protocolo. Então estou aqui, sem saber o que fazer, esperando. Me parece que o negócio vai ser mesmo esperar, mas porque é que já não avisam na hora que você faz o exame, assim como fazem no Brasil, que seu exame fica pronto em 3 dias? Ou melhor, em bons laboratórios em SP, eles te dão um protocolo e você pode ver seu exame online, porque não aqui?
É a mesma coisa que a tal licença médica trabalhista. Na sexta, quando fui ao médico trabalhista, peguei um panfleto que explica as regras da licença médica. Aparentemente é esperado que eu fique em casa e que se precisar sair por algum motivo, tenho que notificar o departamento médico da empresa. Minha médica me pediu para eu tentar andar um pouco por dia, se eu me sentir mal, pra levar alguém comigo. Pergunta pro médico da empresa: preciso ligar pra cá cada vez que eu for dar uma andada de 10 minutos ao redor do bairro com o meu marido? E ele: ahn... ehhh... hmm... não, vou avisar a seguradora (que pode mandar alguém checar) que você estará fazendo fisioterapia todos os dias. WTF?
Como se diz, aprendendo e vivendo. Tomara que eu só tenha piripaque e vá pro hospital quando eu estiver de terninho, maquiada e de saltinho, porque assim eu não pareço uma estrangeira qualquer. E há que se ter um smartphone pra, na sala de espera, googar seu diagnóstico pra saber o que perguntar pro médico e sugerir seu próprio tratamento ( como eu fiz ). E, durante sua recuperação, é se pegar a todo e qualquer serviço de entregas online, ou depender da persistência do marido pra procurar lentilhas marrons e não verdes no supermercado, ou trazer o creme-fraiche correto e não o baratinho em copinho.
Bom, tcheu voltar pra minha convalescença que a Oprah me espera!
domingo, abril 3
Placebo
E daí, essa noite, sem conseguir respirar direito, parei de brigar com o travesseiro e desci pra sala. Tem um site de vendas chamada vente-exclusive que é odioso. Descendo, vejo no meu e-mail que as 4 da manhã começou uma liquidação da Oilily, uma marca de bolsas que eu adoro. Aí, interessada em uma nightbag ou um weekend bag para viagens de negócios rapidinhas, fui toda serelepe clicando no link, a liquidação tinha começado as 4 e era 4:20, logo impossível não conseguir uma bolsinha... errado, TODAS as nightbags e weekendbags já haviam sido vendidas, e aí eu acredito ainda mais na minha teoria que esse site do coisaruim coloca fotos de produtos legais com a tarja "esgotado" só pra você achar que tem produtos ultra legais com preços fantásticos e você que foi lerdo demais, criando assim uma certa urgência nas suas futuras compras. ODEIO esse site maledeto, nunca consegui comprar nada, sempre que chego na liquidação o que eu quero já está esgotado.
Aí, desanimada, voltei pra cama, e dormi um soninho bão. Quando passa das 7 e eu não levanto, Plato começa a ficar agoniado, as 8 ele tá batendo na porta do quarto e miando, e o escândalo vai ficando pior à medida que o desespero dele vai crescendo. Será que ele tem medo da gente morrer, desaparecer? Sei lá. Só sei que eu levantei, podraça de sono, ele e o Ty me seguindo. Vim pra sala comer sucrilhos, eles vão pra cadeira deles e dormem, que nem uns anjinhos. Dá vondade de ir lá acordar os belezuras, olho por olho, dente por dente.
E para finalizar, passa aqui uma importantíssima informação do stumble it no meio da madrugada: o Daniel Radcliffe do Harry Potter ganhou 50 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da série e o Rob Pattinson do Twilight ganhou 41 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da Twilight Saga. É mais do que ganha o Leonardo de Caprio ou o Tom Hanks, esse último ganhador de 2 oscars.
E assim foi minha maravilhosa madrugada. Agora que a primavera na Holanda acabou, vou lá no centro de brozeamento artificial ( que ironicamente tem permissão da prefeitura pra abrir aos domingos, enquanto nenhum outro comércio tem ) dar uma recarregadas nas reservas de UVA e UVB e seilámaisoquê, e voltarei curada de todos os males.
Certo?
quinta-feira, março 31
Missão impossível

Alguém precisa escrever um livro: como comprar roupa de bebê-menina e não enlouquecer.
Hoje a minha missão pós-hospital era comprar roupinhas pras nenês das comadres. Gente, foi-se o tempo que nenê vestia só aqueles macacõezinhos e pronto, né? Eu juro, se eu tivesse uma filha, além de ir à falência, ela ía ser trocada 10 vezes por dia.
Mas então, fui à loja Prenatal, uma mega-loja bebezística que eu acho que tem na Europa toda.
Como uma mulher grávida não enlouquece? Dá vontade de comprar tudo! Eu peguei sainhas, aí achei que aqui é muito frio pra nenê usar saia. Troquei por calças bufantinhas. Aí vi que tinha leggings e meias-calças, voltei a pegar as sainhas. Mas aí eu achei que elástico da fralda, mais elástico da legging, mais elástico da saia... é muita coisa apertando a criaturazinha. Aí pensei, se eu fosse um bebê, fosse ficar deitadinha o dia todo de preguiça, o que eu gostaria de vestir? Malha! Aí fui pras roupas de malha. Gente, são malhas ultra macias, todas modernosas... é tanta escolha!
Aí, que estilo pra filha de uma e que estilo pra filha da outra? Claro que a gente acaba indo meio pelo estilo da mãe, aí escolhi uma mini-peruinha e uma mini-roqueirinha.
Os rompertjes ( macaquinhos ou onesies ) eu confesso ainda não caíram no meu gosto, mas acho que acabo acostumando. Tem rompertje muito bonitinho e outros bem breguinhas. Todo bebê que eu já vi tem um rompertje "I (heart) oma ( ou mama, papa, ). Quem é que vai fazer um: minha mãe foi pra Aruba e tudo o que eu ganhei foi esse macaquinho bobo.
Na hora de pagar, pedi pra fazer os pacotes e a mulher perguntou: juntos? Não, apesar de ser o mesmo número, ambos pra meninas, são separados e a mevráu riu: é, chega uma idade onde a gente tá comprando um presente pra nenê por mês.
Putz, tá certa a mevráu.
Anta, pero no mucho...
Ontem no trabalho tive umas tonturas, umas tremedeiras, e tive um início do piripaque que deu início a essa saga, diferença é que eu estava no meio de uma reunião e sem Holandesa pra me abanar... Fui pro médico de família.
Lá chegando, ótima surpresa: como a minha médica de família ( que tirou o diploma por correspondência ) não trabalhava aquele dia, passei com outra, nova na clínica, e ótima. Claro que eu virei casaca e vou mudar pra ela definitivamente. Essa nova médica leu todo o laudo do hospital pra mim, me explicou direitinho que tipo de anemia eu tenho, me explicou porque não me deram nenhum remédio extra, me disse pra eu não me desesperar se no próximo exame de sangue ainda der baixo ferro porque segundo ela ferro é ultra difícil de repor, de ser absorvido, me examinou, olhou minha cor e me achou coradinha ( depois de 2 anos pálida cadáver, nem minha maquiagem comprada toda pra tons pálidos de pele combinam com minha nova tez quase africana ), e me pediu exame de sangue djá, porque segundo ela, se eu estiver com glóbulos vermelhos baixos de novo, não há razão para esperar mais 10 dias pra fazer mais transfusão ( bate na madeira 3 vezes ).
E o principal: mevrouw van den Broek, talvez ninguém tenha explicado a seriedade da sua situação com ferro a 3.8. A senhora podia ter entrado em coma, ter tido um ataque cardíaco, foi seríssimo, onde já se viu tirar 3 dias de descanso? A senhora ficará em casa até o dia 7 de abril, quando fará seus exames novamente, e daí conversamos de novo. Vá tomar chá e comer sopinha em casa, assistir TV, quem sabe aproveitar o tempo pra fazer um pouquinho de jardinagem ( mal sabe ela que meus planos são de instalar grama artificial e me livrar daquela praga ).
E é isso querido leitor desse chato-blog, estou de molho em casa, aliás saindo pra fazer o tal exame de sangue, e já que está chovendo, eu decidi que jogarei the sims até cansar.
Eu bem que podia ir convalescer em Curaçao, que cês acham?
terça-feira, março 29
Eu sou uma anta
Voltei ontem ao trabalho, mas estou pegando leve. Meu diretor concordou que eu preciso passar parte do meu trabalho para um outro comprador, as coisas estão progredindo bem. Estou me alimentando super saudável, nada de alcool, e desde que sai do hospital, não precisei tomar um paracetamol para o quer que fosse.
Hoje, um supervisor da engenharia deu piti na minha mesa. Estávamos fazendo uma mini-reunião na hora do almoço, eu lá discutindo um projeto e tomando minha sopinha, quando esse maluco chega, ouve a discussão e começa a gritar comigo, que o projeto está atrasado e eu fico "querendo seguir os procedimentos", e que todo o projeto vai pro buraco porque eu não dou um "jeitinho holandês". Eu estou totalmente apoiada pelo meu chefe, estou seguindo os procedimentos da empresa, estou bonitinha fazendo meu trabalho, mas perdi as estribeiras. Acabei falando alto ( o que sempre me traz arrependimento depois ) e dizendo que ele que fosse falar com o diretor do projeto e que se ele me autorizasse a ignorar os procedimentos, que eu faria o que ele estava me pedindo. O que gerou mais gritaria dessa pessoa, e aí eu sabiamente calei. A briga/reunião foi adiada pra amanhã.
No minuto que esse bendito virou as costas e se foi, meu estômago contraiu-se em espasmos, uma dor infernal. A dor do estômago amenizou para atacar então o baixo ventre e dali as costas. A dor nas costas estava tão agonizante que eu cheguei em casa e fui direto tomar uma ranitidina pra preparar o estômago e tive que tomar um Voltaren, que é um veneno estriquinina pros estômagos sensíveis. Coloquei ainda uma bolsa de água quente nas costas, mais tarde tomei banho de banheira, e deitei retinha na cama pra ajudar. A dor nas costas matou meu apetite, e olha que eu cozinhei feijão fresquinho, e me deixou totalmente sem ar, com muita dificuldade de respirar. Aí é claro que eu desabei no choro e solucei pro marido que a falta de ar só podia significar que meu corpo tá matando meus novos glóbulos vermelhos de novo, e que dia 7 vão me internar de novo naquele quarto de enfermaria com outros 5 doentes.
E chorei. E esperniei. E acalmei. Um pouco.
Agora vos pergunto: precisava eu passar esse nervoso? Eu não podia ter ficado em casa convalescendo até o retorno médico? Porque é que eu me saboto dessa forma, será que eu quero ser mártir? Será que eu quero que alguém diga: nossa que menina aplicada, mesmo doente veio trabalhar.
Só sei que nesse momento a única coisa que me passa pela cabeça é: Adriana, sua anta! Anta, anta, anta! A.N.T.A.
segunda-feira, março 28
O céu é o limite
Eu nunca fui uma pessoa boa com limites. Não sei impor meus limites pros outros, não sei eu mesmo colocar meu próprios limites pra mim, e muito frequentemente ultrapasso os limites dos outros.
Mas agora, me recuperando da anemia e ainda sem saber a causa dela, tenho que colocar limites pros chefes, colegas, marido e para mim mesma.
Está sendo dificílimo.
Ontem tive que ter uma conversa com o marido. Tive que dizer que até eu receber alta do médico, eu não vou fazer tarefas domésticas que requeiram esforço, e que me recuso a viver no meio da zona, então ele vai ter que "man up" e ajudar. Eu gostaria muito, muito mesmo que meu marido fosse diferente e que não precisasse que eu falasse isso. Queria que ele já fosse tomando as rédeas desde o minuto que eu fui para o hospital, mas não foi assim. Ele me deu, e ainda me dá, o maior apoio emocional, passou a tarde comigo nos dois dias que eu fiquei internada, fez malinha, comprou comida, cuidou dos gatos. Mas quando eu voltei pra casa e comecei a fazer uma coisinha aqui e acolá, a mente dele entrou em módulo "ah, tudo com dantes no quartel de Abrantes" e me chateou imensamente quando eu me dei conta que doente e tudo eu acabei levando o lixo de 23 lt pra fora, que limpei o banheirinho dos gatos, lavei roupa, cozinhei, comprei comida do gatos e carreguei do carro pra casa ( 6 kg ). E nos acertamos, pelo menos por enquanto.
E aí vem o segundo passo: eu colocar limites pra mim mesma. Detesto gente que fica fazendo beicinho quando está doente e estrapolando no corpo-mole, mas não posso continuar no mesmo ritmo porque se no dia 7 de abril eu voltar pro acompanhamento e tiver tudo dado errado eu vou ficar me culpando, achando que se eu tivesse descansado meu corpo teria reagido melhor. E vamos combinar, meu corpo PRECISA reagir, logo, devagar no andor.
E por último, e não menos importante, são os colegas de trabalho, principalmente o chefe. Eu já tinha, naquela fatídica segunda feira mostrado pra ele minha carga de trabalho e o que eu posso e o que eu não posso fazer, já tinha preenchido o requerimento de um funcionário extra para tarefas administrativas e estava discutindo com ele mais um comprador. Eu não quero que misture esse "temporário" slow down com a real necessidade de mais braços pra fazer o trabalho. A necessidade já vinha de antes, e vai continuar, mesmo que me dêem mais 15 litros de sangue de um negão africano de 2 mt de altura. Aliás, note for self, eu tenho que determinar meu novo ritmo, porque como estava não dá pra ficar. E tudo isso requer reflexão da minha parte, que eu determine meus limites, e que saiba convencer os outros que esses limites são aceitáveis e normais. Meus colegas de trabalho estão sendo gente finíssima, todo mundo me dando muito apoio, todo mundo falando pra eu pegar leve, mas a conversa na salinha do diretor com portas fechadas eu ainda não tive.
Nesse meio tempo, os planos de férias miaram todos, eu preciso esperar o resultado dos próximos exames pra ver o que faremos, e isso me frustra muito, porque em momentos de desespero eram os planos da próxima viagem que me seguravam, aquela luzinha no fim do túnel, que agora está apagada total. Eu sempre expandia um pouco meus limites sabendo que dali a 2 meses eu estaria numa ilha grega comendo tzatziki e bebendo ouzo ( not ).
Bom povo, como eu não tenho o R$ 1,5 milhão da Betânia pra fazer esse blog ( pergunta: como é que alguém consegue justificar a necessidade dessa grana toda pra manter um blog de poesia? É mooooita cara de pau, isso sim ), vou ficando por aqui porque tenho que ganhar o leite das crianças, digo, a comida renal dos gatinhos.
sábado, março 26
Breaking Down

Eu não sou de fugir de uma boa briga de um bom pega-pra-capá. Enfrento o touro à unha. Mas nesse momento estou com uma vontade incontrolável de jogar todos os problemas pro alto, e olha que são muitos, catar uns vestidinhos, biquinis e havaianas e me mandar pra uma praia qualquer no Caribe, de mar azulzinho e areia fininha.
E iria sozinha! Porque estou precisando de paz e silêncio.
Burn out? Não, não foi burn out. O piripaque começou com uma comida de bola homérica da minha médica de família que tirou o diploma via correspondência e continuou com a minha tchonguisse. A diferença é que ela estudou 10 anos pra receitar paracetamol, o maior disperdício da face da terra na minha opinião é essa faculdade de medicina geral da Holanda - onde nós, os tax payers, pagamos pra esse bando de gente malemolenga aprender a receitar paracetamol - 10 anos aprendendo a justificar pro paciente por que ele não precisa de um exame e que paracetamol o curará, aliás, será que o médico ganha caixinha da seguradora por exame NÃO pedido?
Então, há mais de um ano eu estou com o ferro super baixo, mas a idiota pediu o exame de sangue no ano passado e quando eu liguei pra perguntar o resultado, ouvi que tava tudo normal. Fui saber agora nessa internação do resultado do ano passado ( fiz no mesmo hospital e os resultados ficam no banco de dados ), e que então eu já devia ter começado um tratamento de reposição de ferro. O que aconteceu? Não sei. Não sei se ela nem abriu o resultado, ou se tava cutucando o nariz e fazendo bolinha de peteira quando eu liguei e viu o número errado, ou se simplesmente é burra mesmo.
Agora, dentre os meus já graves problemas, tenho mais um: procurar outro huisarts. Porque dá pra confiar nessa aí? Não dá.
Putz, comecei falando de alhos e terminei em bugalhos. E daí minha vontade de querer sumir. E marido entende tudo, é bonzinho e tals, mas na hora do vamo-vê ele ainda espera que eu vá pro supermercado, que leve o lixo pro container, que limpe o banheiro dos gatos. E juro, não tenho energia pra isso não.
E aí, digam-me, jogo tudo pro alto e mando-me pra Cuba, Curação, Aruba?

Só de me imaginar flutuando nessa água me dá vontade de chorar.
sexta-feira, março 25
Um dia de sol
Hoje farei o test drive dos meus recém adquiridos glóbulos vermelhos. E que o negão surinamense que os doou seja abençoado, porque estou sim me sentindo mais fortinha. Vejam bem, não estou ainda novinha em folha, mas estou bem mais animadinha. Acho que dá até pra sair sem maquiagem sem assustar ninguém.
Começou a liquidação da V&D, o circo dos preços, e se não estiver entupido de gente, vou dar umas fuçadas. E vou comer torta de morango com capuccino e vou comprar vitamininhas no De tuin.
Tudo isso SE eu conseguir tomar banho normalzinha, me vestir, e dirigir até o veterinário pra comprar ração sem me sentir sem fôlego. Só aí eu dirigirei os 4 km que me separam do centro da cidade e andarei pelo centro. Estou curiosa pra ver como anda minha resistência, no sábado mal consegui andar 200 mts.
Post chato, mas estou animadíssima com o solzinho e a perspectiva de dar uns bordejos.
Bom fim de semana povo!
quarta-feira, março 23
E o dia chegou
Estou aqui me perguntando se vou lhes aborrecer com os detalhes da minha saga dessa semana, mas vou deixar pra mais tarde.
Basta dizer que seguindo o piripaque da semana passada fui à medica de família e acabei no hospital, glóbulos vermelhos ultra baixos, e como dizem aqui "paniek paniek". Ganhei transfusão de sangue, infusão de ferro, e alguma experiência com o sistema de saúde holandês nos dois dias que fiquei internada.
Estou agora em casa e me sinto bem fisicamente. O psicológico está um caquinho, visto que o diagnóstico da causa do problema não foi feito. As hipóteses vão de uma simples má absorção de ferro por causa da gastroplastia, a uma possível úlcera estomacal, a sangramentos desconhecidos, câncer e até leucemia, esta última praticamente descartada visto que meu sangue está riquinho dos globulos jovens e plaquetas e sei mais lá o que.
No Brasil provavelmente teriam aproveitado a internação para fazer 29 diferentes exames, gastando bem o dinheiro da seguradora, mas provavelmente chegariam a um diagnóstico nas primeiras 48 horas de internação. Por um lado é sim um disperdício, por outro, é praticamente um ato humanitário, porque viver na dúvida é uma tortura.
Aqui na Holanda o approach é diferente. Primeiro estabilizam o paciente como fariam no Brasil, e disso não posso reclamar, fui ultra bem atendida e fiquei ultra bem impressionada com o serviço das enfermeiras por aqui, e do hospital em geral. Mas ao invés de gastarem dindin da seguradora com os tais 29 exames, decidiram esperar duas semanas pra ver como eu respondo ao sangue recebido, pra então começar a desenhar um plano de investigação.
Não vou julgar aqui e acolá. Estou aqui e terei que dançar conforme a música.
Os exames então serão repetidos em 2 semanas. Para me manter sana repito a cada meia hora que o lógico é alguma má absorção do estômago ou uma danada duma úlcera, e afugento os pensamentos de alguma coisa mais grave. Nem sempre sucedo, e daí estar um caquinho. Olho pro meu TyTy, que há duas semanas estava com uma pata aqui outra no além, e agora todo serelepo, sempre famintozinho e já ganhando uns graminhas, e torço para que da mesma forma que o corpinho dele tenha reagido ao tratamento dele, o meu reaja ao meu.
Me mandaram ter paciência, só não me deram a receita pra comprar.
domingo, março 20
Cada um é cada um, em casa ou em Paris
Eu sempre começo minhas pesquisas de viagem no Tripadvisor, e com o tempo a gente aprende a separar o joio do trigo nas resenhas, e vai notando um padrão que se repete.
Os americanos são carentes, essencial pra eles é que o garçon ou recepcionista do hotel lembre o nome deles. As resenhas positivas sempre incluem nomes e mais nomes de bartenders, GO's, garçons que por tratá-los pelo nome os fizeram se sentir praticamente da família. Eu sempre leio essas resenhas e me pergunto: quem vai de férias pra memorizar nome de garçon, pelamordedeus?
Os holandeses, no tripadvisor ou vakantiereiswijzer, são a clientela menos exigente que eu já vi: bastou ter um buraco de água clorinada no chão pra filharada se banhar, uma cama razoavelmente limpa pra eles dormirem, tá tudo bom. É muito, muito comum você ver resenha de hotéis 4 estrelas e a holandesada estar elogiando e se surpreendendo que o hotel *** troca as toalhas de banho e limpa os quartos todos os dias!***. É, pra quem passou gerações acampando e depois "caravaneando" tem muito o que aprender.
Os ingleses, é só dar booze e fazer uns showzinhos de noite, e tudo tá beleza pra eles.
Os alemães são os que eu mais me identifico: são ultra exigentes com o quarto, com limpeza, com a qualidade das áreas públicas.
Os brasileiros também são um povo à parte. A turminha dos resorts tá aprendendo, mas ainda se deslumbram com pouco. Eles vão pra all-inclusive, pagam o dobro do que um europeu paga, e ainda se deslumbram quando lhes servem uma pratada de camarões. Aliás, com tanto camarão na orla brasileira, com oportunidades mil de comer camarões fritinhos deliciosos em qualquer barraquinha de praia do litoral brasileiro, de onde vem essa fixação com camarões? E daí, como pagaram os tubos no resort e o resort dá camarão "de graça", eles não saem do portão do hotel. Não importa se estão próximos daquela vilinha charmosésima, ou se estão ao lado de lindas piscinas naturais, casa gole d'água tomado fora do hotel é um gole de caipirinha ou guaraná que eles "perderam" do resort. O bugueiro em Porto de Galinhas até brincou: cliente de resort fazendo passeio de dia inteiro, só se for gringo mesmo.
E os brasileiros que fazem outro tipo de viagem são o que eu chamo de maratonistas. Não há turista-maratonista como o brasileiro. Eu mesmo já fui turista-maratonista. O maratonista é aquele que, livrinho em punho, anda non stop, de atração em atração, das 8 da manhã até o corpo não mais aguentar. Na última vez que eu estive em Londres, tinha um casal de brasileiros sentados ao meu lado, e ela lia um guia e dizia pro marido: estamos indo pra Portobello Road e diz aqui que é o melhor lugar para se andar sem rumo e absorver o ambiente de Londres, temos uma hora pra ver tudo. Kinda defeats the purpose, dontcha think?
Nem entre amigos recomendações dá muito certo, uma das comadres não gostou nadinha de Rhodes e eu e o marido adoramos!
Eu e o Bart não saimos de casa pra ir pra hotel "só pra dormir". Se não for pra ficar num hotel legal, fico em casa. Gostamos de all-inclusive porque ambos detestamos escolher restaurante, então no resort tá tudo ali te esperando, se for como o do México que tinha vários restaurantes a la carte sem reserva, melhor ainda. Sempre que aconselhável alugamos um carro já no aeroporto, assim não temos que ficar esperando por gentarada nos shuttles da vida e nem fazendo pinga-pinga de hotel em hotel. Na volta também podemos chegar ao aeroporto bem antes dos ônibus de transfer e pegar os melhores lugares. E com carro, a gente já viveu cada aventura!
Em Rhodos visitamos vilazinhas que produzem vinho e mel, andamos por ruelinhas medievais, vimos praias desertas. Em Creta pegamos uma via costeira esquecida do mundo, e dirigimos beirando o mar entre abismos ( eu quase morri de medo ). E assim foi também no Chipre, Fuerteventura, Mallorca, Mexico, e até no Brasil já saímos do aeroporto na Bahia devidamente motorizados.
Estamos agora pesquisando um destino meio maluquinho pras férias de maio. Claro que tem praia, e como aqui na Europa maio ainda é mês de mar gelado, acho que vamos cruzar o atlântico de novo. Embora seja um destino ultra comum aqui na Europa, é difícil encontrar informações mas abrangentes na net. Acho que o motivo principal é que americanos não podem entrar nesse país. Do Brasil, como a única conexão disponível é uma cara e com horários terríveis via Panamá, poucos turistas vão. Mas aparece sempre nas listas das 10 melhores praias do mundo.
Já adivinharam pra onde queremos ir?
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Sim, Cuba. E quem tiver dicas, ou conhece alguém que já foi, pode deixar um comentário. Estou pesquisando o Sandals, que é um hotel all-inclusive só para adultos, e tem mais, só para casais.
A única desvantagem é o vôo... senhor, 11 horas.
quarta-feira, março 16
Oh Joy!
O alívio é imenso, só Deus sabe o tamanho.
E para completar, pegamos nosso carrinho novo hoje. É lindo lindo lindo, todo cheio de novidades, botões, e tem até aquecimento de assento, que para desgosto do marido, é o acessório que eu mais gostei.
Seu eu estava reclamando do inferno astral, hoje retiro o que disse, foi um dia de bençãos e alegrias.
segunda-feira, março 14
Soluções
Soluções, soluções… Ando procurando muito soluções para probleminhas e problemões que me cansam, ou me aborrecem, ou aborrecem o marido ( que em consequência me aborrece ), que tornam minha vida um tico mais complicada.
Por exemplo. Passar horas no mercado no fim-de-semana disputando espaço com pais que trazem mil crianças pros corredores lotados, idosos que poderiam muito bem ter ido durante a semana, e gente como eu, desesperados pra pegar logo suas compras e sumir dali. E o marido odeia ir à mercados, quando vai só piora as coisas ( falta muito? Já acabou? Pra que tanta coisa? ), então sobra pra mim carregar tudo. Essa semana recebi minha primeira entrega do AH. Deu tudo certinho. Vem tudo em caixas plásticas dobráveis, a parte de geladeira numa sacolona plástica dentro de um isopor, o entregador deixa tudo dentro da sua cozinha, os legumes vieram fresquinhos, as carnes com bom prazo de validade. Com o tempo ( e disposição ) que me economizou, eu cozinhei comida fresquinha nesse findi, ao invés de recorrer ao chinesão ou à pizza.
Nessa semana outro problema se resolverá. Pegaremos o carro novo e eu herdarei o nosso poisé, que para fazer os 1500 mt de casa ao trabalho tá muito bom. Meu humor melhorará consideravelmente nos dias frios e chuvosos.
Ha ha haa ha, um probleminha até engraçado que foi resolvido: o tubinho de papelão do papel higiênico. Eu jogava no cesto do banheiro, marido brigava porque tinha que ir pra cesta de papel descartável ( no andar de baixo ), mas resolvemos o problema com um novo papel higiênico cujo tubinho é biodegradável, é só jogar no vaso sanitário, ele "derrete" e vai embora com a descarga. Bom pro meio-ambiente, bom pro casamento.
O home theater tá todo comprado e nesse findi assistimos nosso primeiro filme 3D, que é fantástico. Falta ainda um módulo sem fio da Philips encomendado e com previsão pra semana 13, enquanto isso vamos vivendo num mar de fios pra todo lado.
O próximo passo é convencer o marido a deixar de ser mão-de-vaca e investir numa boa grama artificial, porque minha grama morreu, rest in peace, amém. E grama normal na primavera é aquela inferno: cheio de erva daninha, tem que ser podada a cada 10 dias… Se dá pra facilitar com a tal grama artificial… O marido fica insistindo: pagamos um bom dinheiro na nossa grama normal, tem que ressucitar.
Outros problemas esperam pacientemente ser resolvidos, a vizinha com os peixes comedores de gente, as férias, o zolder, o resto dos móveis, o regime.
E agora mais um: tenho que ir ao huisarts porque tive um piripaque. Achei que ía morrer, em pleno restaurante japa. Putamerda, se é pra morrer assim, em público, que seja pelo menos num lugar chique ou famoso, mas no japa rodízio a €23 por cabeça é de lascar!
domingo, março 13
Dica preciosa

A dica foi do Daniel, filho da Alice. O seriado Merlin da BBC.
O seriado usa bem livremente algumas das histórias Arturianas, e conta as aventuras do Principe Arthur, ou seja, Arthur antes de se tornar rei, e como ele conheceu e se tornou amigo de Merlin.
É um seriado bem família, muito bem humorado, com cenas lindas do Chateau de Pierrefonds, onde a história é filmada. O ator principal, que faz o Merlin é uma graça e super cômico, e o príncipe Arthur um tetéio.
Impecável, dos figurinos à atuação de cada um dos atores, tudo de primeira.
Uma pena que a terceira temporada tenha acabado e a BBC tenha renovado a série mas só para 2012. Tudo por causa do chatinho Dr. Who, que já deu o que tinha que dar 3 atores atrás.
quarta-feira, março 9
Até duracell fica sem energia
Além da preocupação com o Ty-ty, o trabalho que tá numa fase péssima, a história da clinica da vizinha, e como se não bastasse, uma gripe importuna acabando com as minhas resistências.
Na terça-feira eu tive um problema com um dos meus projetos, e eu estava tão desbalanceada que eu quase chorei falando com um dos gerentes de programa. Vi então que ir trabalhar nessas circunstâncias no fim acaba atrapalhando mais que ajudando, que a gente pode tomar decisões erradas das quais a gente se arrepende depois, e muitas vezes não há como desfazer o já feito, desdizer o já dito.
Por isso hoje fiquei em casa. Dei ao meu corpo tempo de se recuperar, dos remédios agirem. Tomei um longo e fumegante banho de banheira, fiquei debaixo de mil cobertas vestidinha de moleton quentinho. Tomei sopa, comi pão com meu queijo preferido e uma caixinha inteira de morangos. Estou me tratando bem, sendo paciente, cuidando de melhorar o nivel de estress porque o negócio anda tão brabo que eu até assustei.
Amanhã ainda ficarei em casa, ainda estou naquela fase da gripe onde os olhos ficam lacrimejando o tempo todo, eu fico mais acabada do que a gastroplastia e todas as outras cirurgias junto.
E o meu Tyzinho hoje tomou café da manhã, almoçou e jantou, cedo pra comemorar, mas já é um bom indício. O tratamento de infusão acabou hoje e eu estou bem apreensiva de como ele vai reagir sem a infusão e sem os remédios injetados.
Plato, meu piolhinho, teve também um mini tchu-tchu. Não sei se comeu demais, se comeu algo que lhe fez mal, ou se ele simplesmente captou as energias negativas da dona, mas ele teve vômito, diarréia, ficou jururu. Já tá serelepão de tudo, que o bicho é forte que nem um tourinho, mas tava passadinho o meu piolho.
E a vida segue, sorry pelo blog chato-de-marré-de-si, logo a fase passa.
terça-feira, março 8
O gato subiu no telhado
Como eu já contei aqui, nosso Ty-ty continua doentinho. Ontem voltamos ao vet para a segunda de 4 aplicações de fluidos subcutaneos. Dessa vez foi o veterinário dono da clínica que nos atendeu, o que sempre cuidou dos meninos.
Quando estávamos dirindo pra clínica, eu disse pro marido que eu gostaria de ouvir dele um prognóstico realista: tem X por cento de chance dele se curar, dele viver uma vidinha normal. A veterinária foi meio vaga na sexta-feira, e disse que se o tratamento for bem sucedido ele ainda vai viver muitos feliz e contente.
Então quando eu perguntei ao veterinário se ele podia ser mais específico, ele nos disse: olha, ele teve um mal começo, a uréia no sangue está altíssima, tudo vai depender de como ele vai reagir ao tratamento, mas 80% do rim dele tá morto.
E a gente ficou lá, com cara de desespero, cara de sei lá o que. E holandês não tem meio termo é 8 ou 80, a veterinária na sexta foi super vaga ( talvez querendo nos poupar um pouco ), já o veterinário ontem já foi direto falando do worst case scenario sem dourar pílula nenhuma. Talvez o Joaquim devesse explicar a história do "seu gato subiu no telhado" em cadeia nacional.
Estou aqui de nhém-nhém-nhém, eu sei. Fui eu que pedi pra receber o worst case scenario e agora estou aqui reclamando, aliás não tô reclamando, estou só surpresa com a minha própria reação, pra falar a verdade. Eu teria achado tudo muito mais fácil de engolir se ele tivesse falado: "nós vamos fazer as infusões, nós vamos dar a comida especial, o remédio, há boas chances dele se recuperar, mas o caso é grave e ele já está começando com um nível muito alto de uréia no sangue".
Eu sei, eu estou me pegando na semântica, na ordem da frase, no fato dele ter começado: seu gato já começou mal, com um dos piores níveis de uréia no sangue possível, mas a gente vai tentar tratar, há chances. Ou sejá, o pior na frente, as chances atrás. Cadê o otimismo? Ah, Adriana, não é melhor ser realista?
Óquei povo, estou rambling, resmungando. Mas dá um desconto, porque eu estou preocupadíssima. Ontem nosso menino voltou bastante melhor da clínica. Voltamos com um pacote com 15 tipos diferentes de comida, pra ver qual ele gosta mais, pois ele não estava se dando com a renal da Royal Canin. Ontem ele comeu bem a Hill's Urinary, até me surpreendi. É uma alegria ver seu gatinho doente comer, vir miar na sua porta porque quer mais comida. É nesse momento o que está nos dando mais esperança. Plato tadinho, tá meio esquecidinho num canto, mas assim que o Ty sair dessa, e ele há de sair, daremos mais atenção a ele.
Nesse momento eu penso em duas coisas. No desespero que deve ser para alguém com meios limitados ter um bichinho doente em casa. É um esparrame de dinheiro, só no dia que ele foi diagnosticado foram 300 euros em exames, consulta, injeções, remédios. Ontem foram mais 100 euros, e as duas aplicações de fluído finais serão 70 euros cada. E a comida especial é cara, e os remédios também são caros. E daqui a 4 semanas repetimos todos os exames novamente pra ver se o tratamento está surtindo efeito.
A segunda coisa que eu tenho me questionado bem é se eu gostaria de ter o diagnóstico "realista" no caso de um dos familiares ter um problema grave. É desesperador pensar que dali a um mês você pode estar dizendo o último adeus. Eu ainda não passei pela perda repentina de um ente querido, sempre achei que quando a pessoa fica doente nos dá tempo pra nos preparar, mas será que há como se preparar para a perda? Nesse momento eu acho que é só um sofrimento a mais, por isso nos agarramos em cada fiapinho de esperança com o nosso meninuxo.
Aqui na Holanda a eutanásia em seres humanos é permitida. Eu e Bart já discutimos o assunto, porque ele teria que decidir pela minha morte e eu pela dele. Ambos decidimos que não a utilizaríamos, por diferentes razões.
E que os que fiquem façam bom uso do buffet do meu enterro, já incluido no nosso "seguro enterro". Eu digo que podem doar os orgãos que puderem, joguem minhas cinzas na lagoa do Epcot Center, podem usar um tupperware ( novo, please ) pra levar minhas cinzas sem ser barradas na alfândega. Sei lá, não me preocupo muito com o que vai acontecer por aqui com os "restos mortais", mas confesso uma coisa: tenho muito, muito medo do que vai acontecer do lado de lá.
segunda-feira, março 7
Na tela da TV no meio desse povo...
Tcheu perguntar só pra checar os fatos. É impressão minha ou o carnaval no Rio meio que já era? No jornal tem duas vezes mais fotos e notícias do carnaval em Salvador. No Rio vê-se artista gringalhada, mas me parece que os famosos brasileiros tão todos na Bahia, ou é impressão minha?
Ivetão tá linda. As roupas estão carnavalescamente legaizinhas. O vozeirão continua legal dimais da conta. Algum sem noção da Folha colocou foto da Leitte dizendo que era Ivetão. Blé, tava bêbado o cara.
Adriana Galinhesteu, apesar de insuportável, sempre teve bom gosto. Agora, nem isso. Que fantasia foi aquela no carnaval do Rio minha gente? Ela tá sem programa, tá desempregada, que pàsa pra sujeita dar uma apelada daquelas?
Gisele, ao contrário, chiquérrima. Tipo: ó, tô podendo e não preciso mostrar o fiofó pra aparecer em jornal.
Meu povo, como é que Timbalada leva o Blue Man Group pra avenida e eu não fico nem sabendo? Adoro Timbalada e adoro o Blue Man Group. E o pior: não acho nem no youtube nem em lugar nenhum, só fotos e poucas!
Eu sou super a favor de plásticas, desde que dentro dos limites aceitáveis e bem feitas. Scheilla Carvalho por exemplo dá vontade de chorar ao ver, afinal ela foi eleita pelos leitores da Playboy a mulher mais bonita do Brasil nos idos de 2000 e agora parece a Isabelita dos patins. Agora eu pergunto, queridos cirurgiões brasileiros, vocês são os melhores, no mundo inteiro fazem referências a vocês, mas dá pra inventar uma dermolipé ( tummy tuck ) que não produza aquele umbigo de cyborg? Até a Sabrina Sato, lindinha, com um corpo lindo, tá de umbigo de cyborg. Aliás, as fotos das famosas no carnaval é um ataque de umbigos cyborg.
Quem inventou contratar a Sandy pra musa da Devassa devia ganhar 10000% de aumento de salário, se for um assalariado. Todo santo dia tem algum jornal, revista, blog, site falando da devassa da Sandy. Só faltava agora alguém dar um pileque de Crystal na mocinha, dizer que é Devassa e botar a santa pra dançar em cima da mesa, a la Paris.
Enquanto isso, aqui no sul da Holanda, volto aos idos de 1978 quando mamãe me levava pro salão vestida de mulher maravilha e assisto ao Carnaval Brabantista. Ó, é legal, viu! O povo bota fantasia, sai todo mundo fantasiadão na rua ( o que não se vê mais em SP ), criança, velhos, todo mundo brincando. A única coisa que eu acho meio exagerado é o tanto que se bebe e como é bem aceito socialmente que vai todo mundo manguaçar. Acho que manguaçam mais que no Brasil.
E o sol brilha. Frio, mas brilha!
O Panda - desabafo de uma alma atormentada
Eu estou esperando pela gota d'água.
O Tai-tai continua malzinho.
A vizinha continua querendo abrir uma clínica de peixes comedores de carne humana ao lado da minha casa.
O francês continua o lider do projeto brasileiro, e neguinho só vem me pedir favor quando tem alguma bomba ou coisa chata pra fazer.
Nosso projetão está "flopando", todo mundo vem com mil desculpas pro que está errado, uma hora é falta de experiência em projetos, outra é falta de sistemas de suporte, mas a verdade é que falta mesmo é gerência.
Minha grama morreu. R.I.P.
O Old Fart continua fazendo oldfartisses e essa semana eu tenho que chamar o véio na xinxa.
E eu estou gripada que nem um gambá.
Há uns 15 anos a Lilian Wittefibbe surtou no jornal do SBT e no meio de uma notícia de um panda que roubou o sorvete de um menino num zoológico, ela levantou e disse: quem quer saber disso? E foi-se. Diz ela: foi meu momento Panda tomando sorvete.
Então, se a última gota d'água não cair, o panda vai tomar sorvete!
sábado, março 5
Meu bichinho
Então, a caminho do vet ele já foi mostrando que tava mesmo doentinho: fez xixi na gaiolinha. E miou, miou, inconsolável de ter que ficar ali, de bunda molhada, cheirando mal, até chegar no destino.
A veterinária ouviu minha preocupação e começou pesando nosso menino: de 8kg em outubro/2010 a 6,2 kg ontem, realmente preocupante. Com a bexiga vazia restava fazer exame de sangue: vocês já viram tirar sangue de gato? Então, raspa-se os pêlos da garganta e tira-se dali. Maquineta precisa de 15 minutos pra dar o resultado. Ele é limpado do xixi, a gaiolinha idem, sai o resultado: rins muito-muito mal. Mais umas semanas e seria um caminho sem volta.
Ali mesmo ele recebe 5 imensas ampolas de uma solução salina debaixo da pele, esse tratamento para ajudar a diluir as toxinas do sangue tem que ser repetido segunda e terça. Outra injeção pra ele dar uma animadinha, ele estava bem apagado. Remédio em pílulas para o rim, uma melequinha num frasco com bombinha pra abaixar o fosfato, e comida "renal" pro resto da vida.
Foi muita injeção, pegação, limpação, agitação pro meu menino, e no fim da consulta ele simplesmente deitou-se no fundo da gaiolinha e não se mexeu, ficou ali meditando.
Ele está agora todo pimpão e eu ainda preocupada, pois só saberemos se o tratamento está surtindo efeito em 45 dias.
Estou um caco, uma gripona - a segunda do ano, depois de um tempão sem ter muitas gripes, febre, deprimida porque quem a gente gosta tinha que viver pra sempre, maquiagem borrada de quem encostou na cama pra ler às 9 da noite e ferrou no sono paracemolístico decafeinado.
Meu menininho é um anjo e não merecia estar tão doentinho. É São Francisco de Assis o santo dos animais, não é? Vou rezar muito pra ele!
sexta-feira, março 4
Quanto riso ( not ) quanta alegria ( not )
Hoje é sexta de carnaval e essa que vos fala não está nada feliz. Nada a ver com saudade do carnaval porque aqui na minha terra-yolandesa tem carnaval sim senhor. Pra quem não sabe, aqui no Sul se celebra o carnaval com bailes, um pouco de carnaval de rua, e em Den Bosch, aqui perto, o povo já está doidão desde ontem de noite.
Então. O motivo da minha não-felicidade é que hoje vamos levar nosso meninuxo Tai-tai pro vet. Tai-tai está magérrimo e não sabemos porque. A gente passa a mão nas costinhas dele e dá pra sentir osso por osso, a bacia tá proeminente, as costelinhas também. Estou ultra preocupada.
No ano passado, no check-up de outubro, o vet nos disse que o Plato estava gorducho demais e que nós tínhamos que parar de deixar comida disponível o dia todo, e que deviamos cortar a comida molhadinha do jantar. Ou seja: pratinho de café da manhã, guarda a comida, pratinho de jantar.
Eu não sei se tem a ver com o novo método acima, mas o Tai-tai já estava meio magro ( havia baixado de 8,2 pra 7 kg em 2 anos ) mas depois de a gente começar controlar comida ele emagreceu mais, vamos ver hoje o quanto. Eu percebi isso faz uns 10 dias, quando fui pegá-lo no colo ( ele odeia colo ) e senti osso por osso, e o peso pluma. Pra piorar ele é super crica com comida, então eu tô tentando tuxar comida molhadinha, snacks da Whiskas, peito de frango defumado ( ele gosta de frios de sanduíche ) além de ter comprado 3 comidas diferentes da Royal Canin, mas não vejo ele comer mais não. Enquanto isso, é eu virar as costas achando que finalmente o Tai-tai tá comendo a comida seca especial que eu comprei, e ele perde o interesse e o Plato aproveita e rapa o prato, eu só chego a tempo de vê-lo limpando os beiços. O resultado é que meu Tai-taizinho tá raquítico e o Plato eu juro pra vocês que vai explodir qualquer dia desses - a pelama do Plato cresceu muito depois da tosa do verão, juntando as banhas, ele tá uma coisa indescritível de tão grande.
E é isso povo, tô preocupada. Vamos ver o que o vet fala hoje, mas vão aí torcendo pro meu magrelo estar só sendo difícil com a comida, e não estar doente.
E bom carnaval, arlequins e columbinas!
quinta-feira, março 3
O bicho da maçã
O consumidor da Apple é o cliente mais perfeito de qualquer indústria: ele sabe que seu produto é ruim, ele sabe que é caro, ele sabe que outros farão melhor que você em 2 meses, mas eles são fiéis e vão pro túmulo defendendo seu produto.
Colega de trabalho R. é um desses consumidores vorazes de produtos Apple. Já tinha um Ipod, adquiriu um Iphone, carinhosamente apelidado por nós de I-don't-phone porque teve que ser trocado 3 vezes, e de Natal deu-se de presente um Ipad, aquele menos ruim que custa €749 ( nos EUA US$ 749 ).
Hoje ele chegou ao trabalho irado: o Ipad 2 foi lançado ontem, estará nas lojas na semana que vem, tem o dobro da velocidade com o mesmo uso de bateria, tem metade da espessura, duas câmeras, slot pra SD, em dois meses vai ter um software upgrade e será multitask, e custará exatamente o que ele pagou no "velho".
A sacanagem applezística da vez foi não dar aquela abaixadinha de preço no produto antigo antes de lançar o novo, fazendo com que quem comprou o produto recentemente se sinta um perfeito palhaço. O pior, é que segundo os sites americanos que estão começando a comercializar o Ipad "velho", quem quiser vender o velho pra comprar um novo vai pegar em torno de 150 paus no modelo "fortinho" e menos de 100 paus no fraquinho.
Adrianinha, em casa, tem utilidade zero pra um tablet, visto que pra assistir minhas séries em Torrent a tela do Ipad é muito pequena e eu não vou ficar segurando aquela joça pesada por horas, e para ler livros não vou cozinhar meus olhos com aquela tela brilhante ( depois de 10 horas de tela de computador no trabalho ) e também não vou segurar aquela joça. Mas pra viagens, especialmente agora que os tablets estão mais finos e marcas como a Samsung oferecem um tamanho intermediário, o trocinho seria útil ( se não fosse o marido preferir o netbook ). Mas a pergunta que não quer calar: Ipad ou no Ipad? Eu gostaria mesmo é do Motorola Xoom, mas TUDO, absolutamente TUDO, está sendo desenvolvido pro Ipad. Até arquivos de livro piratão, tudo pro Ipad naquele infame arquivo MOBI.
Alguém sabe dizer se já incluiram na caixa um nariz de palhaço? É, porque em 6 meses vão lançar o Ipad 3 e Adriana vai se sentir a Bozolina.
quarta-feira, março 2
Speechless
Ó só:
A letra dessa é tristíssima, mas ó que linda:
E pra mim, aquela que vai ser praticamente impossível de superar, em versão ao vivo:
E além de tudo ela é linda!
terça-feira, março 1
Whaddafuckever
Sim, estou ranzinza. E talvez eu seja louca, mas eu esperava sim que aqui na Holanda, um país de primeiro mundo e com um mercado de trabalho muito mais equilibrado que no Brasil, as coisas fossem diferentes, que as pessoas trabalhassem melhor, que trabalhassem a carga horária esperada. Mas não, o que eu vejo é engenheiro que estudou sem uma preocupação financeira na vida, com bolsa do governo, 100% do tempo dedicado a faculdade, sentar numa estação de CAD e não engenheirar um tubinho de ar. Enquanto no Brasil eu trabalhava com engenheiros que fizeram a faculdade no sufoco, trabalhando e estudando ao mesmo tempo, desenhar, engenheirar, testar sistemas ultra complexos e ainda te ajudar a avaliar as cotações de um fornecedor.
Ah, mas é melhor eu não comentar, porque ao sinal da menor comparação, sou a ranzinza que devia voltar pro Brasil.
Sei lá, vai ver que eu sou anormal, mas meu cérebro é programado assim: eu amo sorvete de chocolate, sempre tomo sorvete de chocolate, de vez enquando eu troco por um de baunilha, aí meu cérebro já registra que o chocolate tem gosto mais forte, que a textura é mais macia, que o crocantinho das gotinhas de chocolate são uma delicia estalando na língua, e isso não quer dizer que só o sorvete de chocolate seja bom, nem que seja o mais gostoso pra todo mundo, nem que eu nunca mais vá tomar o sorvete de baunilha.
Pô, é natural a gente comparar, a gente achar isso ou aquilo melhor, em tudo!
Essa questão a Holanda e o Brasil já virou um sacão. Mas ó, eu não entendo a mente de quem só vê coisa boa aqui, o Walhaha terrestre, nem a mente de quem só vê merda no Brasil, o inferno encarnado. E sinceramente? Que importa?
Eu escolhi viver aqui pro motivos 1, 2 e 3. Isso não quer dizer que eu não ache ótimo os fatores 4, 5, e 6 do Brasil. E vice e versa. E também não sou o bicho papão nem uma pessoa do mal total só porque venho aqui nesse humilde blog e comento meu desapontamento com alguma coisa.
Putz gente, taqueo viu...
segunda-feira, fevereiro 28
Só mudam as moscas
No Brasil, pelo menos na minha empresa antiga, a gente trabalhava que nem cães, não éramos pagos pelas horas extras, e quem não estivesse a fim de trabalhar de graça ouvia que "temos 2000 CV's no RH esperando um motivo pra serem desengavetados". E assim continuávamos trabalhando que bem burrinhos de carga, sem nem uma cenourinha pra agradar o dia.
Aqui nas Zuropa, tudo é muito muito muuuuuito diferente.
Nós, os funcionários, estamos sobrecarregados, estamos todos ( ou quase todos ) trabalhando horas extras sem ganhar por isso. Aí nós, os funcionários, preenchemos em conjunto o formulário WZZ-72, onde relatamos a carga de trabalho excessiva, e mandamos para o arbodienst, que é o departamento de medicina do trabalho. O departamento de medicina do trabalho manda um especialista para checar as informações, pede cópia para o chefe dos horários de entrada e saída do interflex. Respondem via formulário WZZ-73, em duas vias, que a reclamação está sendo estudada. Meses depois a reclamação vai pro ondernemings raad ( conselho do sindicato ) no formulário WZZ-82 em 3 vias. O OR manda o parecer deles via formulário WZZ-98 em 2 vias. O Arbodienst ( médico do trabalho ) repassa o parecer do OR ao diretor do departamento em formulário WZZ-103 em 4 vias. O diretor joga 3 das vias na gaveta, uma devolve ao departamento do arbodienst. As três vias são 30 dias depois classificadas pela secretária do departamento como "assuntos em andamento" e ela adiciona a ficha PUR-05 em duas vias na frente, a terceira vai para o diretor que recebeu o documento inicial, e arquiva o caso todo no arquivo avançado que fica na Bélgica.
E assim continuamos trabalhando que bem burrinhos de carga, sem nem uma cenourinha pra agradar o dia.
Essa semana, se eu não ficar doente, eu morro. Mas morro nas Zuropas, onde tudo é melhor e mais organizado e mais honesto. E ganhamos em Euros.
PS.: Se eu estivesse hoje ainda trabalhando na antiga empresa no Brasil, por causa do rate e dos baixos impostos no Brasil, eu estaria ganhando lá líquido mais do que ganho aqui líquido. E teria uma faxineira 2X por semana. E manicure.
domingo, fevereiro 27
Coisiquinhas
Há várias semanas estamos na discussão "que lustres comprar?". Eu gostaria de lustres design, já o marido quer de toda forma lustres da linha de iluminação da Philips. Eu os acho modernos demais, muito metal, muito vidro, muito plástico, já o marido gosta pelos avanços tecnológicos, são lustres de LED light que você pode escolher a "temperatura" da luz ( mais branca ou mais ambar ), gastam pouco, iluminam mais e todo esse papo nerd-tecnológico.
A Philips tem uma loja de funcionários, que costumava ser muito boa. Nos últimos dois anos tem deixado muito a desejar. É muito comum você achar produtos que custam o mesmo ou mais baratos pela internet ou em promoção nas Mediamarkts da vida do que na loja dos funcionários. Sem falar que andam mantendo um estoque mixíssimo, e você encomenda um produto e fica esperando semanas até chegar.
Mas anyway...
As luminárias que queremos estão saindo de linha e sendo subtstituídas. A linha nova tem opção de lâmpada led mais quente e custam mais baratos ( tecnologia ficando mais e mais barata - viva a China ), logo esperaremos.
Mas resolvemos nossa pendenga acústica e compramos o home theatre. Ainda estamos com fios pra todos os lados porque o modulo wireless estava em falta ( não disse? ) mas cara, que sonzão, hein? Hahahaha os gatos esconjuraram, é um tal de bicho rosnando dum lado, vidro quebrando do outro... Mas é trambolhíssimo, caixinhas pra todos os lados, subwoofer enorme que não cabe em nenhum lugar... O móvei que não tem furos o suficiente e precisa ser furado.
E quero deixar aqui um comunicado solene: eu Adriana, a maior fã do universo de supermercados, joguei a toalha ontem e bradei ao mundo: desisto, aderirei às compras por internet. Os idosos com seus rolators, mães com carrinhos hiper-intergaláticos, pais que tem preguiça de levar os filhos ao parque e tuxam a criança no mercado, venceram minha resistência e eu entrego os pontos: o supermercado é vosso, ao vencedor as batatas!
E hoje estou aqui, tédio total, indo alugar filmes pra assistir no super blueray super sound novo, preocupada com a lição de casa que eu não fiz e com a torta de frango que eu queria muito comer mas estou com preguiça de fazer.
E para acabar esse post-diarinho-chatésimo, peço ajuda à magrinhas.
É o seguinte. No Brasil, minha sobrinha está usando número 38 de calça jeans. Quero comprar uma calça da Diesel ou de alguma outra marca famosinha, vocês que são magras, o 38 do Brasil é o 38 daqui? E para calças Diesel, que tem numeração em inches, que tamanho equivale?
sexta-feira, fevereiro 25
Como diz o Cido: sexta, porque demoraste tanto?
Ontem marido e eu discutimos bem nosso "plano de ação" em relação ao "fish spa" da vizinha e decidimos que nem que acabe ferindo nosso bom relacionamento com os vizinhos, mas nós vamos sim nos manifestar contra a clínica.
Uma coisa, como diz a comadre Claudinha, é boa aqui na Holanda, para tudo tem-se que pedir permissão para a prefeitura, e pra tudo os moradores da cidade tem direito de objetar e as objeções são levadas à sério.
Ontem checamos se os vizinhos já pediram a licença de funcionamento, e para a nossa surpresa, ainda não pediram. Conversando com um colega de trabalho que penou um bocado com vizinhos que queriam instalar um canil em área residencial, entendi um pouquinho mais da situação e dos meandros da mente holandesa.
Provavelmente os vizinhos ainda não pediram a tal licença porque é caro e se o vizinho já for do contra desde o começo eles podem perder uma boa grana. Descobri que eu posso me manifestar contra e dois aspectos: a licença para abertura de comércio em área residencial e também posso me manifestar contra a reforma da casa.
A lei diz que em geral, são garantidas licenças para comércio em área residencial se o negócio em si:
- Não lidar com clientes ( e pacientes ) que tenham que entrar e sair
- A área destinada às atividades comerciais for pequena em relação à residência em si
- Não ouver tráfego excessivo nas ruas do bairro
Tem outras condições, mas essas três são aquelas que eu posso usar na minha reclamação contra a clínica, visto que eles irão contra as três regras.
Quanto à reforma da casa, posso argumentar que não aceito a mudança na fachada que comprometeria o projeto arquitetônico da minha casa ( especialmente porque se trata de bairro novo ainda em fase de emplementação ), que não concordo com a extensão na parte de trás da casa, que produziria uma parede ( que vendo do meu jardim seria um muro ) com mais de 1.80 mt - que é o permitido por lei.
E daí tem uns truquezinhos mencionados pelo advogado da empresa, que também me deu conselhos. Eles iriam usar uns peixes que não são comprados na Europa, mas vem da Turquia. Eu posso pedir um relatório de impacto ambiental e riscos de contaminação de solo e meio ambiente, e vai custar dindin, o que torna o projeto mais difícil. E posso contratar um "taxateur", ou seja, um agente imobiliário que confirme que uma casa com uma pratijk ao lado tem mais dificuldade em ser vendida e portanto perde valor, e posso pedir uma indenização no valor mencionado pelo taxateur, o que também inviabilizaria o projeto.
Depois de tudo isso, eu acho que os vizinhos sabem que só conseguirão a licença se nós concordarmos, e por isso estão sendo mais cautelosos.
Agora só rezo para que eles entendam nossos motivos e desistam da história, porque não queremos ficar nessa briga legal, mas se for preciso, já decidimos que vamos até o fim pra evitar esse estorvo a 3 metros da porta da minha casa.
Wish me luck, povo.
quinta-feira, fevereiro 24
Quando a esmola é demais, o santo desconfia
Semana passada combinamos com o vizinho que já reformou o zolder de ver a reforma dele pra termos idéia do que fazer com o nosso zolder, já que nossas casas são praticamente idênticas.
Fomos recebidos super bem, fomos ao zolder, vimos as reformas, eles foram mostrando detalhe por detalhe, como fizeram a instalação elétrica, como fizeram o encanamento, e a certo momento eu pensei: peraí, esses vizinhos estão sendo legais demais da conta, aí tem! E logo me corrigi: eita, Adriana, mania brasileira de achar que quando a esmola é demais o santo desconfia…
E eles foram ficando mais e mais amistosos. Mostraram os quartos, fizeram cópia do desenho do zolder pra gente, mostraram a lareira na sala, e quando agradecemos para ir embora, eles insistiram muito para que sentássemos pra tomar um café, apesar de já ser quase 10 da noite.
Quando sentamos, they dropped the bomb: nós estamos querendo reformar a casa. Hmmm… Eu pensei, "a-ha, sabia que aí tinha coisa!".
Nossas garagens são lado a lado, eles querem aumentar 3 metros pra frente e 3 metros atrás, e colocar um consultório de terapia alternativa. A terapia, ó que coisa nojenta, é para pacientes de psoríase e outras doenças de pele, sentarem numa piscina com uns peixes comedores de carne humana, ficam lá uns 20 minutos, os peixes comem o problema na pele. Blé.
E eles vieram com mil estórias de que a gente pode aproveitar os muros novos e fazer um carport ( tetinho pra estacionar o carro ) na frente, que a gente ía até se beneficiar, bladiblá. Ficamos meio mudos, meio sem reação. Perguntei se eles íam atender só em horário comercial, e eles desconversaram.
O negócio todo é meio delicado, porque ninguém gosta de ter um consultório ao lado da sua casa, um monte de gente entrando e saindo, carros estacionados, mas não há como barrar o projeto do cara. E mesmo que houvesse, é arrumar encrenca com seu vizinho forever. O que eu quero é ao menos pedir pra ele extender a garagem 6 metros pra trás e não mudar a fachada da casa. E é claro a garantia que eles não vão operar aos finais de semana.
Eu não dormi muito essa noite, preocupada, e acho muito injusto que um vizinho nos faça ter que aguentar esse consultório numa casa que a gente ralou tanto pra comprar e que custou tão caro. Acho que teremos que procurar um agente imobiliário pra pedir conselho.
Mais um problema pra resolver.
terça-feira, fevereiro 22
Férias Gregas: a decisão.
Pensei no assunto.
Acho que o mundo vai acabar, o céu abrir e vai chover hamburguer que nem no filme, mas eu não me importo em mostrar as banhas pro colega de trabalho não. Depois de pensar melhor, fiz mentalmente meus "bullet points":
- Eu sou gorda de biquini, mas sou gorda de roupa também, logo, minha gordisse não é novidade. Roupas podem dar uma pequena disfarçadinha ótica, podem valorizar o que é mais bonito, mas fazer o gordo parecer magro, não faz… então… e pra falar a verdade, vou dizer aqui algo que me levou 35 anos de sofrimento, psicólogo, psiquiatra, remédios, costuração de estômago: cara, eu sou um pitéu! Um pitéu gordo, mas quem diz que só as esquálidas podem ser pitéu? Sou pitéu de casaco vermelhão, sou pitéu de legging e vestido, sou pitéu de vestidinho de praia. Pô cara, sou pitéu messssssmo. Olhem aí no espelho, vocês são pitéis também. Óquei, deve ter gente menos pitéu lendo, mas putamerda, vou ser mico de circo se eu deixar alguém me dizer que eu não sou um pitéu.
- Não tô a fim de socializar, mas o colega é legal, é mais velho, é um bom papo, um drinkezinho não vai matar ninguém, e de resto vou ser beeeem educada e deixar claro que estou em décima primeira lua-de-mel e quero privacidade. Polimento, certo Alice?
- A praia parece ser linda, a ilha parece ser linda, o hotel parece ser lindo, nada vai me separar de uma praia linda, um all-inclusive lindo, tudo regado a muito sol.
E é isso meu povo, dividirei minha pitéuzisse com o mundo, e irei pro resort na praia linda da ilha grega.
Amiga, conselho de graça ( aceito doações ). Se alguém te chamar de baranga, entra por um ouvido e sai pelo outro. Se você se sentir baranga, olhe no espelho e repita: pitéu, sou um pitéééééu. Se alguém te olhar com aquela cara: "tô te achando baranga", faça algum comentário "tô podendo", tipo "ainda bem que qualquer roupa cai bem em mim", ou "receber cantada é ótimo, mas já enjoei".
Sejamos pitéis.
segunda-feira, fevereiro 21
Perguntinha básica
Estou procurando o hotel pras férias de maio, duas semaninhas num all-inclusive. Depois de muito investigar, escolhi um hotel all-in novo em Kos. Eis que estamos no departamento conversando sobre as férias, e um dos colegas vai pra esse mesmo hotel, nos mesmos dias.
Agora pergunto: vocês encarariam ou escolheriam outro? Não tô a fim de circular de biquini na frente desse colega nem de socializar com ele. Ele é legalzinho, não "desgosto" deles, mas pô, mostrar as banhas pro colega de trabalho e tomar drinkezinho na piscina 2 semanas com ele não tá nos meus planos.
Conselhos?
quinta-feira, fevereiro 17
Força na peruca
Tá frio, muito frio. Chove pacas, visto que não está frio suficiente pra nevar. Até pra mim, que quebrou o inverno escapando o mês de dezembro inteiro, já tá difícil de aturar.
Mas pra gente teimosa, tinhosa e osso-duro-de-roer como eu, há sempre aquela esperançazinha de um março mais quentinho, e abril que tá logo aí.
Nessa época eu fico ranzinza total, e tenho que me controlar. Esse ano está particularmente difícil no trabalho, por conta do bendito do Old Fart. Esse homem tem o dom de me tirar do sério, e eu TENHO que sublimar a ira que se apossa de mim.
Ele fala ultra alta e dá aquelas risadas AHRA AHRA AHRA bem altas. Ele larga papel, copinho plástico, canetas pra tudo quanto é canto. E essa semana, novamente, espancou o telefone.
Olha, me digam se eu estou sendo uma idiota, mas eu estou me corroendo de me sentir culpada por ter ido falar com o diretor sobre os sumiços dele, sobre os esquecimentos dele, sobre a hora que ele enrola de manhã... ele tem o contrato de um ano, e eu fico pensando, tudo bem que eu quero vê-lo longe, mas ele tem família pra criar, filhos pequenos, hipoteca, contas... e tem 50 anos, já imaginou ficar sem emprego, a dificuldade que vai ser encontrar outro?
O pior é que ele não tem uma "segurançazinha" sequer. Aqui na Holanda, se alguém trabalha há vários anos na empresa e é mandado embora, ganha uma indenização proporcional ao tempo de empresa. Na época da crise eu fiquei me borrando de medo porque eu estava na empresa a menos de 1 ano, ganharia uma indenização mixinha. Já o marido estava a mais de 10, ía ganhar uma bolada.
Talvez em abril eu consiga ser mais generosa, ter mais paciência... mas enquanto abril não chega eu sofro duplamente, com as gargalhadas idiotas, a bagunça, os pitis infantis e outras cositas más do Old Fart, e depois com a minha consciência - que fica já imaginando as crianças dele com a canequinha de lata pedindo moedas na praça...
Acho que vou pra máquina de bronzear, viu... abril tá muito longe.
terça-feira, fevereiro 15
Caminhando contra o vento ( e chuva ) sem lenço sem documento ( mas com casacão e cachecol )
Saímos tardão do restaurante e o carro dela tava pra um lado e minha moteeenha pra outro. Passado das 10 da noite, escurão, e eu andando felizinha ( pança cheia ) pela rua... e aí eu tava pensando...
Eu babo nas fotos da Eliecy criando os filhos pertinho do mar, já pensou brincar com as crianças todos os dias nas ondinhas da praia?
Eu soooonho com o casarão com piscina do meu irmão.
Eu sinto faaaaalta da mani-pedi, frentista de posto, faxineira, empacotador do mercado, depilação quente e indolor, já falei da faxineira? Ah, a faxineira...
Mas nesse momento saindo do restaurante, nada disso, absolutamente nada, compensaria a maravilha que é andar de noite na rua sem medo de nada.
Acho que é instinto de preservação, ou é meio nóia minha - apesar de nunca ter sido assaltada eu morro de medo - mas de uma coisa eu sei, não tenho mais nervos de aço pra morar no Brasil...
A arte delicada de ser chefe de alguém
Eu já tive dois chefes feladapota, alguns fraquinhos e graças a Deus, a maioria foi gente legal.
Atualmente a chefe sou eu, jogada de páraquedas numa função que não existia na empresa, com um job-description que também não existia, e esse mês, 1 ano exato da promoção, ainda peno.
O mais difícil é você gerenciar seu grupo sem ser um ditador, é saber tudo que está se passando sem se intrometer demais no espaço profissional das pessoas que trabalham pra você.
No meu grupo eu tenho alguns desafios, o rapaz Bonitinho que quer aumento a qualquer custo e fica meio que chantageando, o Senhor Belga, com a qual estou me dando super bem - eu gerencio de leve e ele me mantem informada de leve, de forma que ambos estamos confortáveis um com o outro, e o Véio.
Eu participo do processo de avaliação e definição de aumento de salário do véio, eu decido a carga de trabalho, férias, cursos, mas o que eu queria ter poder pra mudar eu não tenho: se eu pudesse eu me livrava dele!!!
É muito difícil gerenciar alguém que você quer ver pela porta traseira da empresa… O Véio detesta ficar no escritório, foi vendedor mil anos, gosta de ficar batendo perna pra cima e pra baixo com carrinho da empresa, celular e laptop na mão, bem vendedor mesmo, mas ele escolher mudar para COMPRAS e o perfil do emprego e do profissional é diferente. Eu, compradora, não saio da empresa, sou eu que tenho a grana, portanto é o vendedor que tem que sair no frio e na chuva, pegar trânsito, gastar gasolina pra vir vender pra mim. Eu, compradora, não preciso estar acessível AO VENDEDOR 24 horas por dia, mas o vendedor tem que estar disponível pra arrumar as cagadas que certamente fará. E cabe a mim ficar o máximo possível no escritório pra resolver as cagadas que não só o vendedor vai fazer, mas que todos os outros departamentos farão. Porque trabalhar em compras é isso, é resolver as perrengas de todos os departamentos. E a razão é óbvia, somos nós que decidimos quem vai levar a grana da empresa, logo somos nós que temos que chantagear, digo, lidar educadamente, com profissionais de vendas, de logística, até equipe técnica dos fornecedores que a empresa contrata.
Mas então, o Véio. O Véio tem pulga na cueca, e se oferece pra ir a forcenedores, a empresas de engenharia, a todos os lugares que ele não precisa ir. Isso em si já me irrita. Pra piorar, ele some! Nós temos um relógio magnético na entrada, ali passamos o crachá e nossa entrada e saída é registrada. Se vamos sair a negócios, temos que entrar um código especial, assim o seguro é acionado a partir daquela data / horário, e é claro que esse dado também é usado pra saber do paradeiro da pessoa, e o que acontece com esse desinfeliz é que ele tem uma reunião na Bélgica de 1 hora, a gente normalmente participa por conference call, ele cata o carro ao meio-dia, a reunião é as 13, termina as 14, e o cara não volta! Nós vamos em média umas 6 vezes por ano à planta da Bélgica, esse cara foi 3 vezes nos últimos 10 dias! E não fala nada pra mim, ele aproveita que eu chego as 8:30 e vai as 8:00 falar pro big boss que PRECISA ir pra Bélgica.
Eu não aguento esse Véio, está me dando rugas, está me dando mau-humor. Estou aqui com os printouts dos horários dele, dos horários das reuniões dele, prontinha pra falar com o diretor, mas tenho que escolher ultra bem as palavras pra usar.
Se não fosse esse véio xexelento do caramba eu diria que é legal pacas ser chefe. É um rojão pra segurar, é politicagem que não acaba mais, é diretorzão te mandando e-mail, ligando, vindo na sua mesa o tempo todo, mas compensa as telinhas que não tenho mais que navegar no sistema, os relatoriozinhos que não tenho mais que fazer…
Ei, desculpa aí o post enorme, mas é que eu tô pelas tabelas com esse cara...
segunda-feira, fevereiro 14
Ok - tinha gente pior
Ok, my mistake, Gaga não era a pior, cês viram a Rihanna quando chegou?
Putz, o desespero pra aparecer…
Melancia no pescoço djá.
Taca pedra na Geni, digo, na Gaga
Ó, tá na hora de a gente se unir e boicotar aquele trem pra lá de desgovernado da Lady Gaga.
Pra mim ela já tinha passado o limite do mau gosto com a roupa de carne, agora com aquela coisa na cabeça ontem no Grammy… whadda f*ck?
Quem sentou atrás dela?
Se é pra ouvir uma dessas meninas novas, sou mais a Kate Perry ou a Rihanna, com cabelo do Ronald McDonald e tudo.
Agora fala sério, a mão não coçou pra estar perto daquele tapete vermelho com um estilingue na mão? Uma pedrinha só e eu já ia estar feliz.
Aí o manager dela diz: Lady Gaga está vestida de Ovo, porque ela está gestando uma nova raça, cujo DNA não possui a habilidade de odiar… Whadda f*ck de novo?
Eu devia mudar o título desse post pra Whadda f*ck.
Ovo, Lady Gaga? Ovo é o que a gente devia tacar em você quando você faz essas cagadas. E é claaaaro que alguns idiotas vão aplaudir, dizer que ela é revolucionária, inovadora, vão fazer análise arquitetônica fashionista do modelito e dizer que é fantástico, mas credo, me deu até mal estar.
E pensar que a mãe da gente achava que pra aparecer a gente tinha que colocar melancia no pescoço…
domingo, fevereiro 13
O emburrecimento geral da nação
Hoje eu quis enviar pra minha prima o livro, e acreditem, achei em português, se chama Jogos Vorazes.
Aqui na Holanda, cada livro custa €9,90 e eu acho um absurdo, visto que nos EUA você acha por US$ 7, mas vá lá, dez eurecas não mata ninguém. Mas no Brasil, pasmem, custa R$48 !!!!
Taqueo, gente, assim não dá. Bibliotecas pra pegar emprestado, sucateadas, ebook pra baixar de graça da net, os olhos da cara, faz como pra esse povo ler? Eu APOSTO que o livro da Surfistinha se acha por 10 mangos na banca de jornal, ou não?
Taqueo taqueo taqueo, povo.
sexta-feira, fevereiro 11
Down doo bee doo down down...
Às vezes eu tenho inveja daquelas pessoas simples, felizinhas o tempo todo, que querem da vida a casinha branca de varanda só pra ver o sol nascer, que aceitam o que a vida lhes dá sem grandes questionamentos. Invejo quem acorda, lava a louça, água os vasos da varanda, faz um bolo pro café da tarde, e se diverte com a sessão da tarde.
Eu sou e sempre fui uma montanha russa emocional. E sempre rezando para que os altos compensem os baixos. Mas num baixo muito baixo, quando o carrinho estava arriando só de ver a subida, eu respirava fundo, chamava uma amiga do peito pra uma passeadinha pela praia ( SBC fica a 45 minutos de São Vicente, Santos e Praia Grande, uns 75 minutos do Guarujá ), ou pegava uma das crianças e ía pro Hopi Hari, quando o negócio tava brabo eu ía pra alguma reunião da Seicho-no-ie com a minha tia…
Hoje eu estou down. Estou precisando de algum conforto. Estou precisando de um dia ensolarado pra eu sair de camiseta e sandália, o calorzinho do sol na pele, estou precisando ir pro Hopi Hari com a Thalita assistir o show do CanCan e almoçar a picanha do restaurante perto da Torre Eiffel.
Hoje eu tô precisando tudo o que eu não posso ter.
Quem tá no Brasil acha que uma brasileira que casou com um Holandês bonitinho, que mora na Europa, que tem um bom emprego, casa legal, viaja bastante, não tem motivo pra acordar com o pé esquerdo. Mas a verdade é que não importa quantas coisas legais você tenha, tem sempre aquele dia em que nada te alegra, e daí você está aqui e tudo o que você quer está lá, longe, indisponível. Toda a forma de conforto que você conhece não se aplica.
Eu queria o sol, mesmo que fosse aquele fraquinho e gelado de fevereiro, mas está nublado e garoando. Eu queria ir pro Efteling ( parque de diversões maravilhoso aqui da Holanda ) mas além do tempo merda, eu não teria a Thalita comigo - nem os sobrinhos - nem ninguém, praia só se for uma congelante, cinza e pouco atrativa aqui do mar do norte.
Então resta-me esquentar-me com um cházinho ( que não é Mate Leão ), trabalhar, e quem sabe se a chuva parar, ir pro cinema mais tarde, me afogar na pipoca com Coca-Cola assistindo qualquer coisa legal?
Bom fim-de-semana, e você que está em algum lugar onde o sol brilha, perto da sua família, seja grato, muito grato.
quarta-feira, fevereiro 9
Greitéss lofofal
O melhor é ela falando da nova música, o remake de GREITÉSS LOFOFAL. Sem querer desfazer do modelito, que também vale menção honrosa.
