sexta-feira, abril 22

Sorria, em Dezembro você vai pra Bahia!


Ontem fez um dia lindo. Tive um dia super legal no trabalho, passei no mercado pra comprar umas guloseimas de páscoa, fui pra casa. Meu quintal é tudo de bom, fiquei ali estirada ao sol até as 18:30. O marido chegou, sentamos na frente da TV pra ver uns videos engraçados no youtube ( quem morar aqui na Holanda, procure ZAKJE no youtube ). Um franguinho cheirava bem no forno, os gatuchos estavam sentadinhos no quintal, meu marido do meu lado, e depois do problema de rins do Ty e do meu piripaque, estávamos ali juntinhos e todos bem de saúde. Que momento feliz.

Bonança antes da tempestade? Sei lá, e se for? Todo mundo vai ter problemas na vida, logo eu vou ter novos problemas, ficar se preocupando por antecipação porque? Ou então fazer como a minha mãe, que se não tem problema, arruma. Tô fora!

Estar bem e ser feliz, muitas vezes requer treino. Eu estou me treinando a ser feliz.

Minha mãe tem 3 irmãs mais novas. Duas delas sempre sofreram com orçamentos apertados. Muitas vezes meus pais tiveram que socorrer, que ajudar a pagar aluguel, e até mesmo eu, já adulta, muitas vezes fui ao mercado comprar comida pra colocar na geladeira deles. O que eu gastei nunca me faltou, familia é pra isso, e o que eles não nos ajudaram monetáriamente, o fizeram de outras formas.

Minha mãe sofreu ANOS pensando no futuro dos meus primos, os sobrinhos dela. Chorááááva de soluçar, falando que se já não era fácil pro meu irmão por exemplo, engenheiro formado, arrumar o primeiro emprego, imagine meus primos, que nunca iriam poder entrar numa faculdade…

Olha, foi tanto sofrimento, tanto chororô, e olha lá, os 4 primos ou já estão formados numa faculdade, ou estão em vias de. Não estão nadando na grana, mas estão lá começando a vidinha deles, um com carro, o outro vai casar, o outro tá noivo, e a vida tá bem felizinha lá praqueles lados.

E minha mãe tá feliz? Claro que não, agora ela tá infeliz porque minhas tias, que estão também mais velhas, estão todas doentes… inclusive ela aliás… Não tem jeito, quando a pessoa é assim, vai morrer assim. Ou não, porque eu me recuso a deixar a preocupação com a vida alheia acabar com a minha vida.

Aliás, deixa eu contar uma coisa até engraçada pra vocês. Por parte da minha mãe, são 4 irmãs e dois irmãos. Dos 6 irmãos, todos levaram suas vidinhas normais, com seus perrengues dentro do usual, menos meu Tio T. O problema do Tio T., como diz minha mãe, são os "tóchicos". Ha ha ha, eu dou risada. Ele bebe pra caramba, e desde os 16 anos é chegado num cigarrinho do capeta. Tem até uma história que eu acho engraçadíssima: meu Tio T., ainda solteiro, se interessou por plantas numa época que ele estava trabalhando pro Uemura ( C&C hoje em dia ). Trouxe várias plantas pra casa da minha avó. Tinha uma, bem bonita, que só gostava de um lugar no jardim de trás, o Tio T. dizinha que era só tirar dali e ela murchava todinha a coitada. Meu tio viajou pra praia e minha vó teimou de trocar a planta de lugar, achando que com mais sol e mais ventinho ela iria ficar ainda mais linda. Toda orgulhosa, carregou a bicha do quintal de trás pro da frente, bem perto da calçada, pros vizinhos babarem na planta. Horas depois toca a campainha, é a polícia, foram minha vó e a planta pra delegacia. A planta era um lindo e verdejante pé de maconha. Ha ha ha. Claro que minha avó jurou que não sabia, e não sabia mesmo, meu tio não podia ser encontrado, minha avó dormiu uma noite no xilindró, mas o delegado teve pena e deixou ela ir embora, não sem antes torrar a planta.

Mas então. Meu Tio T., o manguaço e viajandão da família, é o único que não tem nenhum problema de saúde. Uma tia tem efisema pulmonar, a outra Parkinson, minha mãe artrite reumatóide terrível, e é estômago que dói, é coluna que desvia, menos com o Tio T., que pra dizer a verdade tá sempre razoavelmente "alto" ( de alcool ou de erva )  então mesmo que tenha alguma dor, ele nem nota ( e nem a gente ).

Não, não vou manguaçar e fumar, mas vou deixar as apoquentações pra lá e vou viver minha vida, e quando minha mãe vier me falar de problemas desse e daquele, e vou cortar logo, vou pedir pra ela me contar alguma coisa boa, algum fato legal.

E ó, vou pro Caribe viu! Lembram que eu queria tanto? Mas essa história eu conto outro dia.

quinta-feira, abril 21

Tô chocada!


Ontem eu tive uma reunião com um fornecedor brasileiro e depois da reunião estávamos falando de preço de casas e apartamentos, e eu fiquei chocada com a nova "modinha" da classe média brasileira.

O fornecedor disse que ele tinha uma casa em Maresias e a mulher queria que ele vendesse e comprasse um apartamento no Guarujá. Os filhos de 10 e 13 anos queriam que o dinheiro fosse economizado e guardado para uma viagem anual à Florida. A solução foi então comprar uma casa não no Guarujá, mas na Flórida!!! Ele me disse que vendeu a casa dele por 280 mil reais, era uma casa pequena, mas como os imóveis estão caros no Brasil ele conseguiu uma boa grana. Ele comprou uma casa em Clearwater na Florida novinha em folha por 90 mil dolares. O resto da grana ele aplicou para ajudar na compra das passagens aéreas anuais e alguns impostos que ele tem que pagar nos EUA.

O que mais me surpreendeu é que não estou falando dum milionário, mas uma pessoa normal de classe média, assalariado. Foi meio bizarro ele ali falando em como é descomplicada toda a transação, que a família toda tem um visto normal de multipla entrada, que agora um dos irmão vai comprar um apartamentozinho bem próximo da casa dele, que eles adoram o supermercado da esquina, que o vizinho é um velho meio surdo que vai vender um carrinho usado pra eles com milhagem super baixa, que as crianças querem aprender a ir de ônibus pra Orlando…

Agora vejam só, meu apartamentozinho em SBC de 65m2 está avaliado em 210 mil reais ( preço que um do andar de baixo foi vendido mês passado ), eu podia vendê-lo e comprar uma casinha nos EUA. Euzinha, pobre proletária…

Não sei se os EUA agora são um país de terceiro mundo ou se é o Brasil que virou de primeiro.


quarta-feira, abril 20

Control freak


As pessoas acham que é bonitinho falar que "eu sou control freak", que eu tenho problema em "delegar", como se isso fosse mérito, como se isso fosse sinônimo de competência, como se isso quisesse dizer que se pode fazer tudo e fazer bem.

Eu, muito infelizmente, sou control freak. Esse imenso defeito está acabando com a minha vida, a nível pessoal e a nível profissional. Eu tenho a mais profunda convicção de que se eu quiser uma coisa bem feita, eu que tenho que fazer. E pronto.

Se eu vou ao supermercado, me incomoda deixar o marido escolher o que pode ser escolhido ( carnes, legumes, verduras, coisas frescas ), porque é claro que eu sei escolher melhor. Me incomoda chegar em casa e deixá-lo guardar as coisas, porque eu arrumo tudo direitinho, ele entucha tudo de qualquer jeito. Esses dias doente foram uma provação para mim, porque muita coisa eu tive que delegar para o marido, a listinha de compras, a limpeza do banheiro dos gatos ( você analisou o cocô pra ver se não tem nada de anormal, se um deles não teve diarréia? ), a aspiração do pó ( você aspirou a cadeira dos gatos? ). Eu sou uma chata de galocha. Meu marido é um chato de galocha. Somos o par perfeito.

Aqui no trabalho, a transição de compradora para gerente de compras está sendo traumática. De acordo com o previsto, demoramos um ano para contratar mais gente, treinar ( ainda estamos treinando ) e chegar num ponto onde eu só precise  cuidar de um fornecedor(zão) e de resto gerencie um grupo. Agora que a fruta tá madura, tá difícil colher. Eu tenho que identificar um projeto, falar pro Fulano, Ciclano e Beltrano fazer isso, aquilo e aquilo outro, mas na maioria das vezes eu penso, o Ciclano não é muito bom nisso, o Beltrano é meio lento naquilo outro, e quando vejo já estou planejando a execução do projeto eu mesmo. Isso é feio, isso é péssimo, principalmente porque demonstra na verdade que eu não confio na capacidade dos outros e pior, me acho melhor que todo mundo.

Meu trabalho tem uma parte ultra maçante, preencher telas e fazer relatoriozinhos. Diz o novo job description que eu analiso os dados e dou para a assistente fazer o relatório, preencher a tela, mas quando eu tenho que ir lá pedir pra ela, eu fico pensando que eu sou uma folgada do caramba, que não é justo eu só querer fazer a parte legal e jogar a parte ruim no colo dela, e vou andando até a mesa dela me digladiando comigo mesma de tanta culpa. Ela já percebeu e acha engraçado, afinal esse é o trabalho dela, ela sabe que é a parte chata do meu, ela não se importa, aliás ela me disse que para ela o insuportável é a minha parte, que ficar digitando telinha é legal, higiene mental.

Hoje eu tive minha reunião semanal com o boss e estamos "delegando", eu para outros e ele para mim, e isso está me ensinando muito. Eu acho tudo que ele está delegando para mim super legal ( budget para laptops, viagens, analise de workload e requisição de funcionários extras, career planning ) e ele já me disse que está començando a transferência pra mim de tudo o que ele detesta, ou seja, o que ele detesta é o que eu estou adorando. E assim eu vou aprendendo a relativizar meu conceito de "tarefa desagradável".

Hoje estou praticamente saltitando pelos corredores. Estou me sentindo bem, o trabalho está legal, está um dia lindo e hoje eu vou churrasquear. As asinhas de frango já estão de molho, pela primeira vez vou tentar fazer costelinhas de porco.

A vida é bela meu povo, at least for now.

terça-feira, abril 19

A presepada do Ronnie Von


Eu adoro o modo como a comadre Alice escreve os posts dela, com palavrinhas chave que são na verdade links para wikipedia, youtube, ou qualquer outro site com informação relevante. Por isso enquanto eu esperava a reunião chatésima começar, lia o site dela no aparatinho mirabolante que agora eu tenho que carregar ( se esse blog fosse o dela e eu não estivesse escrevendo via e-mail, eu iria agora inserir on link com uma foteeenha interessante de um blackberry trucadão ).

Gente, fazia um tempão que eu não escutava ( ou lia ) a palavra presepada. Putz, eita palavrinha que eu adoro, fulano aprontou a maior presepada… Meo, vieram os caras com a maior presepada… Tentei achar alguma presepada pra contar pra vocês, mas necas, minha vida tem sido bem chatinha ultimamente.

Eis que entra o véio Old Fart na sala, todo espalhafatoso, todo cheio de milongas, pronto pra fazer uma apresentação muito marromenos. E eu lá pensando: bom, eu tava procurando uma presepada pra contar, taí ó, a presepada. Será que tem sinônimo em holandês pra presepada?

Aí, do nada, veio o diabinho me falar: putz, o Old Fart é a cara do Ronnie Von careca e gordo. Manja aquela cara de quem parece que passou Kajal no olho? Gente, não aguentei, tive que sair da sala pra rir no banheiro. Já imaginei o Old Fart-Ronnie Von fazendo risoto na TV, naquele programinha fubango que ele tinha.

Será que a sopa de champignons de ontem tava contaminada? Alguém aí lembra de alguma música do Ronnie Von?



segunda-feira, abril 18

Uau!

Uau. É só isso que posso dizer. Como estou forteeenha, Jisuis. Fazia uns 2 anos que eu não chegava em casa tão bem disposta depois de um dia de trabalho. Ó povo, eu tava à beira da morte mesmo, viu.

Hoje voltei ao trabalho e várias pessoas vieram me perguntar se eu estou sabendo que o chefão quer 2 expatriados no Brasil até o fim do ano. Ninguém entende como é que eu não quero voltar pra esse maravilhoso país tropical, patrocinada pela empresa, com salário europeu!

Ho ho ho, mal sabem eles que um salário brasileiro seria mais alto que o meu holandês, do jeito que as coisas vão na terrinha!

Mas ó, vê se não é antisse: A-I-N-D-A não escolheram a cidade pra montar a planta. Meu diretor hoje perguntou: e aí, tem certeza? Eu disse: querido R. vou escrever o nome de uma cidade nesse papelzinho, se, e apenas se, montarem a empresa lá ou no máximo 30 km ao redor, eu vou. No papelzinho: Praia do Forte. Ha haha, ó, podia ser Camaçari, né?

E o último boato é de que a planta seria em Poços de Caldas. Bom, pelo menos requeijão não ía faltar. Aí vem o francês: Adriana você sabê se lá no Pokos de Caldas tem escola internacional, você pode pesquisar aí na Google com as palavras certas? Hahahahah quase me fiz de tanto rir, escola internacional em Po"k"os de Caldas? Ho ho ho. Não francês, não precisa nem googar. Mas googuei assim mesmo e não tem.

E o outro colega que acaba de chegar do Brasil: Adriana, passei em frente de Holambra, fui a rri-rrim. Ahn???? Môrri-Mírrim. Filho, isso não existe, escreve aí, e então eu li: Mogi Mirim.

Ha ha ha ha. É minha vingança por ainda não saber falar decentemente Scheveningen.

Me vou que tá sol e o vizinho tá ouvindo a música da Britnéia a todo vapor no churrascone de quintal dele. Essa música é "os inferno", você ouve uma vez e fica no inconsciente que nem aquela "It's a small world after all", repetindo e repetindo... Essa desinfeliz vai morrer de tanto ganhar dinheiro.

Till the world ends, meu povo!

domingo, abril 17

Dinheiro não compra felicidade, e nem manda buscar...

Eu adoro um programa da BBC com a Kirstie Allsop onde ela e um colega ajudam casais a procura de uma casa pra comprar.

Hoje as vinhetas anunciavam que o programa mostraria a propriedade mais cara já comprada no programa. E de quebra, a compradora era uma garota de 18 anos. Eu pensei: trust fund ( dinheirinho do papai ).

Quando o programa começa, Kirstie explica: por um erro médico durante o parto, ela ficou sem oxigenação e perdeu o controle dos músculos. Os pais processaram o hospital e receberam uma enorme compensação, que eles guardaram para ela assim que ela fizesse 18 anos. Ela precisa de enfermeira 24 hrs por dia, tem aquela sindrome que parece que a pessoa tá tremendo o tempo todo, fala mal, e vive numa cadeira de rodas. E comprou um apartamento em Londres de 1,75 milhões de LIBRAS com uma (pequena) parte do dinheiro que ganhou.

Vendo o apartamento de sonho, com vista para todos os lugares famosos de Londres, pensei que se um dia eu tivesse um filho e o hospital cometesse um erro desses, eu ía mesmo processar até a alma do último sócio, porque se meu filho vai ter todos esses problemas, pelo menos certo conforto ele vai ter, mas... nada, nem dinheiro nenhum nesse mundo, chega perto de começar a compensar a pessoa que tem que viver com uma desabilidade dessas. Olhando aquela moça de Louboutins mas sem poder andar, de roupa aute couture presa à cadeira de rodas por um horrível cinturão de segurança, olha... é de se agradecer cada minuto da nossa vidinha classe média, dos sapatos de liquidação e do crediário na casas Bahia.

Extra! Extra!

Comadre Claudinha sempre diz que gordo, quando vê roupa que ele gosta e que lhe caiba, tem que comprar na hora. Então registro aqui o fato.

Senhores, chegou a coleção de verão da Miss Etam e da irmã mais endinheirada, Promiss.

Na Miss Etam você encontra deliciosas camisetas bem compridinhas, que eu já tenho sem manga, de manga comprida e agora tem também em manguinha curta. Para gordinhas ou magrinhas, com um cintinho, charme total.

Tem também blusinhas modelo império, que deixa a mulher pêra um pêssego de linda.

E já que não se pode vencê-las, juntei-me a elas, estou falando da mulher holandesa e a fatídica calça de linho. Ela amassa, é um fiofó pra passar, quando lava engruvinhas toda... mas é confortável, fresquinha e imprescindível nesse país sem ar-condicionado em lugar algum. Sem falar não há mesmo outras opções. As da Miss Etam são baratas, vestem bem, só que desbotam. Já as da Promiss tem tecido de melhor qualidade, mas é melhor para a mulher maçã, em mim fica péssima.

Eu, que não sou boba e acredito nos ensinamentos da comadre, encomendarei minhas blusinhas djá pelo site da Wehkamp.

O verão vem aí, bei-be!

sexta-feira, abril 15

Efteling



Na década de 30, o Efteling era apenas um bosque com algumas figuras de contos de fadas e alguns "escorregas" pra criançada se dirvertir. Mas veio a guerra, o parque fechou e voltou a ser reaberto em 52 com uma atração espetacular: o primeiro carrossel a vapor da Holanda!



Esse carrossel ainda está no parque, assim como as atrações que foram sendo adicionadas com o tempo. O que mais me encanta no parque é que parece que a gente faz uma viagem no tempo, são locomotivas a vapor, orgãos, carrinhos e suas pistas, tudo direto dos anos 50, 60, em perfeito estado de conservação.





O que eu acho espetacular no parque é que a Floresta Encantada que originou o parque esta lá, intocada, e com os anos mais atrações dos contos de fadas foram adicionados, mas tudo respeitando o design original. Nesse bosque, pouco há de eletrônico, o que encanta são os riachinhos, os personagens aqui e acolá, as cabaninhas e muralhas... crianças encontram ali a cabana da avó do chapeuzinho vermelho, a casinha da bela adormecida, e em meio aquela floresta encantada, os cogumelos que tocam música... Outra coisa que eu amo é que aqui os personagens não tem aquela perfeição "disneyanas", os anões são gorduchos e narigudos, as fadas tem orelha pontudas e queixo duplo, os velhinhos são engruvinhados e tem verruga na cara!









A diversão para crianças pequenas é garantida, mas os maiorzinhos também tem atrações de sobra. As montanhas russas não são ultra-radicais, mas são super legais. Tem o Villa Volta, uma casa doida onde você fica de ponta cabeça, tem o droomvlucht ( vôo dos sonhos ) onde você visita um universo encantado a bordo de um carrinho, e o 3D do Panda, e Bob sleigh, e para os dias menos frios, um barco circular que percorre corredeiras molhadas e te dá um banho!





Os jardins do Efteling são conhecidos no país inteiro, e nessa época do ano, dá pra competir com o Keulenhoff ( ok, exagerei ).



Mas o principal, para quem vem pra Holanda passar um tempinho, ou de férias, e tem crianças, tirem um dia, de preferência ensolarado, para conhecer o parque. Ele é muito, muito, muito holandês e uma boa amostra da cultura local. O Efteling já ganhou várias vezes o título de melhor parque de diversão do mundo, na frente de todos aqueles de Orlando, então tem que ser bom, né?



O ingresso custa 32 euros, e dá direito ao novo show "Ravelijn", no recém construido pavilhão perto da Villa Volta. Para chegar lá, você pode ir de trem até Tilburg ou Den Bosch e de lá pegar um ônibus, mas ir de carro é bem mais prático.

quinta-feira, abril 14

Passerà

A primeira vez que ouvi a música passerà e que me traduziram, achei super deprimente, coisa de italiano velho com a cachola cheia de vinho. Meses depois, estava eu na Itália, me sentindo uma velha, enchendo a cachola de vinho e pensando que a letra daquela música deveria ser adicionada à Biblia, aos Salmos ou algo que o valha, como verdade inquestionável e imutável.

Hoje li a palavra "inefável" no blog da Alice e imediatamente aquele momento, aquele grão de areia da minha vida, encorporou aquela palavra. Às vezes tenho uns momentos meio "Forces of Nature" ( filme com a Sandra Bullock ) e parece que o mundo gira fora de sincronia, eu sou o centro e ao mesmo tempo sou a parte menos importante do todo. Eu sentia uma brisa fresca no rosto, ouvia passarinhos e as cores das flores, tulipas, narcisos, lirios, violetas me tiraram o fôlego, me deixaram sem palavras. Naquele momento eu me sentia saudável como não me sentia há tempos, tudo estava bem com a família no Brasil, tudo bem com o meu lindo marido, o emprego pelo qual eu tanto batalhei ali me esperando... Naquele momento eu estava tão feliz, uma felicidade calma, tão boa...

E imediatamente já vem o inconsciente, ou a prudência, ou o meu auto-boicote-mode-on, me dizer que há apenas 3 semanas eu estava numa cama de hospital recebendo transfusões, sem saber o que eu tinha e claro imaginando o pior, brigando com o marido que não ajudava, preocupada com a mãe que também não está bem, com o gato que estava doente... Vem aquela voz dizer que "aquela pequena dor, ódio ou amor, passará".

Hoje, andando no friozinho, depois de horas batendo perna, olhei meu rosto numa vitrine e o nariz vermelho do frio trouxe lágrimas aos meus olhos. Hoje, e somente hoje, ainda em recuperação e ainda um pouco distante de estar 100% bem, entendo como eu estava mal, mal e mal. Eu não tinha energia para andar os 200 metros do estacionamento do shopping até a farmácia. As compras aos sábados demoravam mais de hora porque eu tinha que sentar pelo menos 2 vezes. Subir escadas quase me matava. E meu rosto estava tão branco, tão branco, que meu nariz não ficava vermelho com o frio...

Quando me diziam que "o importante é ter saúde, o resto a gente dá um jeito", eu fazia pouco caso. Aprendi.

Hoje foi um dia muito, muito feliz.

quarta-feira, abril 13

Prova de fogo

Olha que título de post mais brega!

Segunda que vem volto ao trabalho. Tenho calafrios só de pensar que posso ter outro piripaque no escritório. Ainda essa segunda eu fui ao supermercado e tive um início de queda de pressão, o que me deixou ainda mais insegura.

Mas a vida não pode parar e eu tenho que voltar ao trabalho. Então amanhã, a quem interessar possa, vou botar meus novos glóbulos vermelhos à prova, e será uma prova de fogo: irei ao Efteling.

Andarei muito. Irei em montanhas russas. Só não terei estresse psicológico, de resto...

Quem não tem Disney caça com Efteling.

segunda-feira, abril 11

Coisas que são difíceis de entender...

Quando fui efetivada na GM, fui admitida numa célula com outras duas colegas. R. era dois anos mais velha e S. duas décadas mais velha. Logo nos entrosamos e nos tornamos amigas. Trocávamos confidências, segredos amorosos e até jogar Bingo juntas fomos.

S. sempre foi linda e apesar dos partidões que a cortejaram, cumpriu a promessa feita aos 8 anos de idade para a mãe: nunca iria se casar. Teve namorados, casos, flertes, mas por opção, nunca casou.

R. era a "casadoira", queria casar, ter filhos, trabalhar meio periodo ( ela era psicóloga de formação ), era super tradicional.

R. conheceu um moço que prometia, engenheiro civil com um ótimo emprego, morava no mesmo bairro chique que ela, gostava de ir aos mesmo lugares, o namoro engatilhou. E depois de 1 ano virou noivado e completaram 2 anos de namoro no altar.

O casamento dela foi a coisa mais fantástica que eu já tinha visto, e até agora não fui em nenhum que superasse. Apesar de ter acompanhado os preparativos, não estava preparada pro grau de sofisticação do evento. A igreja foi aquela chique dos Jardins, a noiva chegou num cadillac dos anos 50 raríssimo - cortesia do vice-presidente da GM ( o pai da R. era diretor da GM ). Foi no casamento dela que eu ouvi pela primeira vez a palavra "arautos", aqueles caras que tocam as cornetas quando a noiva chega - tinha 4 na porta. O vestido foi feito por um designer famoso e depois do casamento virou capa de revista, nunca vi um vestido tão sofisticado, chique mesmo. O jantar foi no melhor buffet de São Paulo. Na entrada tinha um lustre de 3000 cristais, e para manter a simetria, bem embaixo dele tinha um arranjo com 3000 rosas vermelhas. O serviço foi francês, a música foi ao vivo, tudo mais que perfeito.

A lua-de-mel seguiu os padrões do casamento: NY, Los Angeles e Hawaii.

Marcamos para ir visitá-la e conhecer a casa nova uns 15 dias depois que ela voltasse da lua-de-mel, mas ela acabou tendo um imprevisto e remarcamos. Aí uma tinha um compromisso, ou a outra, e passaram-se 3 meses sem que a gente conseguisse visitá-la. Um mês antes do casamento eu tinha mudado para um outro departamento e ela tinha ido para o Banco GM, logo as 3 comadres não se viam mais todos os dias...

Um belo dia liguei pra ver como estavam as coisas e remarcar de ver a casa dela e um choque: Adriana, não estou mais casada.

Ah, como assim? Na minha cabeça passou todo o namoro dos dois, o casal perfeito, o noivado perfeito, o casamento de rainha, a lua-de-mel de sonhos, como podia ser?

Chegando da lua-de-mel, ambos voltaram ao trabalho. R. tinha contratado uma empregada, que além de limpar a casa, antes de ir embora fazia arroz para "adiantar" a janta. Naquela primeira semana R. comentou com o marido, nossa que arroz gostoso que a empregada fazia, e o marido ficou furioso, gritou, xingou, como podia ela deixar a empregada cozinha, e se ela quisesse envenená-lo, envenenar os dois, pra fazer a limpa no apê?

R. achou doideira, um absurdo, mas pediu pra empregada não cozinhar mais. Duas semanas depois ele precisou ir para o RJ e pegou o carro dela, que era um leasing da GM pro pai dela e que só ela podia dirigir, e quando ela ligou pra ele pra pedir pra ele voltar e trocar o carro ( ele havia saído a minutos ), ele esbravejou que se alguém tentasse matá-lo na linha vermelha, com o Corsa ele não conseguiria fugir, ele precisava do Vectra.

E vários outros incidentes do mesmo tipo aconteceram. Até que um dia, ele liga em casa todo nervoso pedindo todas as senhas dos cartões de crédito que estavam em casa num cofre. Ela achou a ligação e o pedido estranho e perguntou o que estava acontecendo, ele só gritava: pega logo, pega logo. Quando ele chegou em casa, ensandecido, ele berrava que ele ligou sob a mira de um revolver, que os bandidos queriam as senhas pra ele tirar tudo o que fosse possível do caixa automático e que ela estava macomunada com os bandidos porque ela queria matá-lo. E foi encurralando-a na sacada, e trancou-a pra fora. Imaginem, julho, SP, de noite, no décimo segundo andar... Ela chamou e chamou o vizinho por horas, ele chegou tarde, ela ficou 2 horas naquela sacada, trancada, e quando saiu, fez uma malinha e voltou pra casa dos pais.

Um advogado foi imediatamente contactado, a bomba na família explodiu. No meio de todo aquele falatório, uma prima dele veio visitá-la e ela ouviu o inimaginável daquela quase desconhecida: o marido era um doente psiquiátrico. Ele foi diagnosticado na adolescência com uma forma de esquizofrenia, para ele alguém estava querendo matá-lo. Ele via "gente" seguindo-o, colocando coisa na bebida e comida dele, e paranóico, achava todos ao redor, mesmo os familiares, também queriam matá-lo.

A tal prima contou que ele tomava remédio e fazia terapia desde os 16/17 anos, que nas poucas vezes que ele parou com o tratamento os episódios voltaram, e que ele havia parado com o tratamento pouco antes do casamento, pois estava se sentindo tão bem que se achava "curado".

Long story short, eles se separaram, ele se recusou a voltar ao tratamento, ela ficou com medo dos "episódios" e o casamento acabou. Um dia antes do aniversário de casamento eles assinaram o acordo de divisão de bens e o divórcio. Oficialmente o casamento durou 364 dias.

Depois disso tudo, eu saí com a R. mais algumas vezes. Eu tinha acabado de operar, saí pra comprar roupas com ela, visitei o novo apartamento dela, lindinho de morrer ( e no mesmo bairro chiquérrimo dos pais ). Mantivemos contato por telefone, por e-mail, mas ficava difícil nos vermos tanto, eu trabalhando em São Caetano e ela em SP. A S. a viu mais uma vez, eu acho, mas mesmo assim mantínhamos contato.

Quando eu casei, convidei-a para o casamento, e ela não foi, não me deu um telefonema, não me mandou um cartão. S. também achou estranho, mas já tínhamos ouvido da R. que casamentos ainda a deprimiam muito, e relevamos.

R. nunca mais atendeu um telefonema da gente, ou respondeu um e-mail, e é até compreensível que não tenha me ligado, já que eu mudei pra cá, mas nunca mais nem tchans pra S., que se aposentou e está morando no litoral de SP.

Eu e a S. ainda mantemos contato, e é muito legal ver como nossas vidas se desenrolaram, mas sempre lamentamos o desaparecimento voluntário da terceira cajazeira.

Hoje foi o aniversário da R. e mais uma vez eu mandei um e-mail que vai permanecer não respondido, apesar de eu saber que foi lido. S. depois do terceiro ano não manda mais, diz que se a R. prefere se afastar, que assim seja. Eu fico triste, não por mim - que perdi uma amiga, mas por ela que depois de 10 anos ainda sofre com o breve casamento desfeito. Que sofre por ainda não ter encontrado o marido que ela tanto queria.

Eu, no lugar dela, teria me apegado a cada amigo, a cada pessoa que quisesse o meu bem, porque só assim a gente consegue superar essas imensas rasteiras da vida. Infelizmente ela pensa diferente, o que é triste para mim, que tenho saudades dela.

Ela nem sabe que eu tenho um blog, ela nem sabe o que foi feito de mim, mas deixo aqui registrado meus parabéns pela data e o desejo de que ela finalmente consiga encontrar a felicidade.

sábado, abril 9

Bate papo...

Então, como é meu piripaque? Tem dois, um me parece sintomas de queda de pressão: eu começo a tremer um pouco, progride para uma ânsia de vômito e no estágio final começa a dar uma suadeira dos infernos. Foi esse que eu tive uma semana antes de ser diagnosticada e fui acudida pela Holandesa. A única coisa que ajuda é ar bem gelado ( graças a Deus coisa abundante por aqui ), e sentar, claro.

O segundo me parece hipoglicemia, e esse eu tenho desde adolescente. Também começa com uma tremedeira, suadeira, não dá ânsia de vômito. Nessa fase dá uma vontade inenarrável de comer açúcar, e o desespero é tamanho que vai até coisas que eu detesto, tipo bolacha prestígio ou arroz doce. Esse SEMPRE passa se eu como açucar, então é menos pior que o outro.

Porque colocar o Mirena com anestesia geral? O meu DIU normal foi colocado com anestesia geral porque parece que eu tenho uma anatomia difícil pra colocação do negócio, tentaram e não conseguiram. A retirada do DIU normal vai ter que ser feita com anestesia, logo aproveitam pra colocar o outro. A médica falou que não era 100% garantido que desse pra colocar com a anestesia local, então pra evitar ter que voltar uma segunda vez e ter que comprar um segundo DIU ( o primeiro quebrou, agora imaginem quebrar esse que custou 130 euro-paus ) preferi a anestesia geral.

E é isso pessoal. Tcheu ir aproveitar meu sábado.

quinta-feira, abril 7

Pêssegos

A primavera sempre me faz ter vontade de comer pêssegos. E necas de pêssegos. Se eu estivesse grávida meu filho teria cara de pêssego, o que nem é tão mal. Aliás vi pencas de mulheres grávidas hoje. Hoje meus impostos sustentam a criançada alheia, quando eu ficar véia a criançada alheia me sustentará.

Fui ultra bem atendida na ginecologia do hospital Catherina. Ultra. Após longa conversa com direito a desenhinhos e ultrasson, o acertado é que eu trocarei meu DIU de cobre pelo DIU Mirena. Contraceptivos não são mais cobertos pelo plano de saúde e, a quem interessar possa, o Mirena custa aqui na Holanda € 140. A colocação é coberta pelo seguro, e no meu caso será com anestesia geral, como foi colocar o DIU de cobre.

Conversar com um ginecologista aqui é ainda meio bizarro pra mim, eu sempre tenho alguma surpresa. A ginecologista me disse que o DIU Mirena é um dos contraceptivos mais adotados por garotas de 16 a 20 anos. Já imaginaram isso no Brasil? Mãe levando a filha adolescente pra colocar um DIU?

Outra coisa que também acho bizarro é sempre perguntarem se eu já tive algum aborto espontâneo e se já tive algum aborto provocado. Já disse né, aqui você pode entrar no consultório do médico e dizer que quer ter um aborto, mas não pode entrar no mesmo consultório e dizer que quer ter uma cesárea.

Passei pelo "screening" do anestesiologista. E tirei sangue. Amanhã passo pelo hematologista. Estou me sentindo bem mais fortinha, claro, mas ainda tenho as tais tonturas. Canso rápido, mais mentalmente do que fisicamente. Noto que na hora de subir escadas estou mais espertinha, mas minha concentração ainda tá falha e mentalmente ainda canso rápido. Ontem passei 1 hora no escritório pra explicar uma coisa pra um colega, saí de lá com ultra dor de cabeça e tive uma daquelas tremedeiras ( mini ) que parecem pressão baixa.

Agora estou só na maciota assistindo as duas primeiras temporadas do Sex in the City. Minha concentração tá ruim até pra jogar Sims, começou a ficar difícil eu já empaquei.

Mas o pulso ainda pulsa.

E estou me borrando de medo de voltar a trabalhar e ter um piripaque lá na minha mesinha, na frente de todo mundo.

quarta-feira, abril 6

Quase out of the woods

Hoje fui pegar o resultado dos exames da quinta-passada. E este lindo corpitcho que a Deus pertence tá reagindo pípol.

Meus glóbulos vermelhos já estão em 6,8 ( estava 3,7 e o normal é 8 ). O que ainda causa preocupação é o tamanho dos glóbulos vermelhos, devia tar 80, tava 47 e agora tá 64. Mas de resto tá tudo bem próximo do normal e muito, muito melhor do que quando entrei no hospital e até de quando eu saí.

Seguindo a dica de que "os exames são meus", pedi uma cópia, e pra vocês verem como ninguém faz isso aqui, a médica já trabalha na clínica a 8 meses e NUNCA imprimiu um exame. Não encontrando a função no software, ela com toda a boa vontade copiou, no punho, todos os valores para mim e me disse que assim que ela conseguisse imprimir o resumo dos 3 exames, que ela me mandaria uma cópia.

Amanhã tenho uma batelada de exames pra tentar entender a causa, mas todos estão inclinados a concluir que a menstruação pesada por causa do DIU mais o estomaguinho que não dá conta de repor tanto ferro causaram o problema.

E mais uma vez eu saí do consultório sem um tratamento, sem pílulas, sem xaropinho, sem nenhuma indicação de quando voltar ao trabalho.

A única coisa que ainda me preocupa é que agora, "ferrada" eu tenho mais tonteiras que eu tinha antes. Mas amanhã eu pergunto pro médico hematologista.

E tá sol meu povo, o Plato tá lá esplonchadão no piso da terraça. Holandês da gema esse meu gato, não pode ver sol que vai lagartear.

terça-feira, abril 5

Tô ficando inteligente

Dormi mal, por conta de uma tosse.

Acordei já querendo ir dormir, tomei um banho quentinho, coloquei um moleton cheirando sabão Omo e Lenor branco, e me enfiei no sofá debaixo das cobertas. Assisti as notícias.

Começou a chover e eu lembrei que eu tinha comprado um bolo fresquinho, e foi só juntar à história uma xícara de chá e virou o paraíso: chuva, bolo e chá quentinho.

Desliguei o Blackberry e relaxei.

Hoje me dei conta de como eu estou precisando mesmo de quietude e sofá pra me sentir melhorzinha. No fim da tarde até tive gás pra fazer o clássico aspargo holandês ( aspargos brancos servidos com presunto caipira, ovos cozidos e batatas puxadas na manteiga ).

Amanhã vou ao médico de família, meus exames chegaram e não quiseram me dar os resultados pelo telefone. Deve estar mediano. Se estivesse muito ruim, teriam me chamado de novo pro hospital, se estivesse super bom teriam dito pelo telefone. Mas... adianta tentar ficando adivinhar? Entonces...

Querem saber? Devo estar ficando malemolenga mesmo, porque se eu pudesse ficar ainda a semana que vem em casa, bem que eu ficaria. Na empresa, vão se virar. E eu, depois de ficar quietinha em casa comendo certinho e não esquentando a moleira estou me sentindo half-human de novo.

Sem falar que comprei o Sims Medieval, que é bom pacas.

Agora só falta receber o OK da médica pra marcar as férias!

segunda-feira, abril 4

Ainda me adaptando

Quando "acaba" a adaptação à Holanda? Nunca. Vai sempre ter alguma coisa que eu não sei, algum comportamento que eu não entendo, alguma coisa que eu devia ter feito assim mas fiz assado.

No jantar com as comadres eu comentei minha indignação com a médica que me deu alta mas não me falou que eu deveria ficar em repouso por, pelo menos, duas semanas. Uma das comadres, médica no Brasil e médica na Holanda, disse que o que é que eu esperava, eu, uma estrangeira falando holandês meia-boca, claro que a médica não ía perder muito tempo comigo. Achei terrível isso, atender o paciente dependente da aparente classe social ou nível cultural do paciente. Simplificar pro paciente entender até vai lá, mas quanto é que você tem que simplificar, ou quão meia-boca é meu holandês, pra se dizer: fique em casa 2 semanas de repouso, pelo menos. Ou: eu não tô a fim de me preocupar com você, vá discutir seu tratamento com sua médica geral.

Decidi voltar pro trabalho na semana seguinte, e agora entendo que os holandeses são mais conservadores e que o chefe espera que eu volte ao trabalho firme e (super)forte. Logo, ficarei em casa coçando, digo, me fortalecendo, até provavelmente, a páscoa.

E agora vem o "the next". Fiz um exame de sangue quinta-feira e devia ter ficado pronto no mesmo dia, só que não ficou. Já é segunda e nada do exame ficar pronto. Aqui o exame vai direto pro médico, e eu ligo todos os dias e nada. Já pedi pra eles ligarem pro hospital, mas eles dizem que tem que esperar. Eu não posso ligar pro hospital porque eles não te dão nenhum numero de exame, nenhum protocolo. Então estou aqui, sem saber o que fazer, esperando. Me parece que o negócio vai ser mesmo esperar, mas porque é que já não avisam na hora que você faz o exame, assim como fazem no Brasil, que seu exame fica pronto em 3 dias? Ou melhor, em bons laboratórios em SP, eles te dão um protocolo e você pode ver seu exame online, porque não aqui?

É a mesma coisa que a tal licença médica trabalhista. Na sexta, quando fui ao médico trabalhista, peguei um panfleto que explica as regras da licença médica. Aparentemente é esperado que eu fique em casa e que se precisar sair por algum motivo, tenho que notificar o departamento médico da empresa. Minha médica me pediu para eu tentar andar um pouco por dia, se eu me sentir mal, pra levar alguém comigo. Pergunta pro médico da empresa: preciso ligar pra cá cada vez que eu for dar uma andada de 10 minutos ao redor do bairro com o meu marido? E ele: ahn... ehhh... hmm... não, vou avisar a seguradora (que pode mandar alguém checar) que você estará fazendo fisioterapia todos os dias. WTF?

Como se diz, aprendendo e vivendo. Tomara que eu só tenha piripaque e vá pro hospital quando eu estiver de terninho, maquiada e de saltinho, porque assim eu não pareço uma estrangeira qualquer. E há que se ter um smartphone pra, na sala de espera, googar seu diagnóstico pra saber o que perguntar pro médico e sugerir seu próprio tratamento ( como eu fiz ). E, durante sua recuperação, é se pegar a todo e qualquer serviço de entregas online, ou depender da persistência do marido pra procurar lentilhas marrons e não verdes no supermercado, ou trazer o creme-fraiche correto e não o baratinho em copinho.

Bom, tcheu voltar pra minha convalescença que a Oprah me espera!

domingo, abril 3

Placebo

Quem frequenta hospital, se não tá doente, fica. Com o sistema imunológico frito, claro que eu ía pegar uma gripe. Ona, aliás. Quando a gripe é ona, o que me incomoda mais são os olhos inchados e lacrimejando, mas há alguns anos eu aprendi um truque que resolve o problema: tomar um antialérgico, aqui na Holanda, o Loratadina. O marido diz que não tem nenhum embase científico e que é efeito placebo, que eu deveria perguntar pra médica se o antialérgico funciona mesmo. Eu hein, de verdade ou placebo, que me importa? Se no fim me ajuda, cumpriu o objetivo.

E daí, essa noite, sem conseguir respirar direito, parei de brigar com o travesseiro e desci pra sala. Tem um site de vendas chamada vente-exclusive que é odioso. Descendo, vejo no meu e-mail que as 4 da manhã começou uma liquidação da Oilily, uma marca de bolsas que eu adoro. Aí, interessada em uma nightbag ou um weekend bag para viagens de negócios rapidinhas, fui toda serelepe clicando no link, a liquidação tinha começado as 4 e era 4:20, logo impossível não conseguir uma bolsinha... errado, TODAS as nightbags e weekendbags já haviam sido vendidas, e aí eu acredito ainda mais na minha teoria que esse site do coisaruim coloca fotos de produtos legais com a tarja "esgotado" só pra você achar que tem produtos ultra legais com preços fantásticos e você que foi lerdo demais, criando assim uma certa urgência nas suas futuras compras. ODEIO esse site maledeto, nunca consegui comprar nada, sempre que chego na liquidação o que eu quero já está esgotado.

Aí, desanimada, voltei pra cama, e dormi um soninho bão. Quando passa das 7 e eu não levanto, Plato começa a ficar agoniado, as 8 ele tá batendo na porta do quarto e miando, e o escândalo vai ficando pior à medida que o desespero dele vai crescendo. Será que ele tem medo da gente morrer, desaparecer? Sei lá. Só sei que eu levantei, podraça de sono, ele e o Ty me seguindo. Vim pra sala comer sucrilhos, eles vão pra cadeira deles e dormem, que nem uns anjinhos. Dá vondade de ir lá acordar os belezuras, olho por olho, dente por dente.

E para finalizar, passa aqui uma importantíssima informação do stumble it no meio da madrugada: o Daniel Radcliffe do Harry Potter ganhou 50 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da série e o Rob Pattinson do Twilight ganhou 41 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da Twilight Saga. É mais do que ganha o Leonardo de Caprio ou o Tom Hanks, esse último ganhador de 2 oscars.

E assim foi minha maravilhosa madrugada. Agora que a primavera na Holanda acabou, vou lá no centro de brozeamento artificial ( que ironicamente tem permissão da prefeitura pra abrir aos domingos, enquanto nenhum outro comércio tem ) dar uma recarregadas nas reservas de UVA e UVB e seilámaisoquê, e voltarei curada de todos os males.

Certo?

quinta-feira, março 31

Missão impossível



Alguém precisa escrever um livro: como comprar roupa de bebê-menina e não enlouquecer.

Hoje a minha missão pós-hospital era comprar roupinhas pras nenês das comadres. Gente, foi-se o tempo que nenê vestia só aqueles macacõezinhos e pronto, né? Eu juro, se eu tivesse uma filha, além de ir à falência, ela ía ser trocada 10 vezes por dia.

Mas então, fui à loja Prenatal, uma mega-loja bebezística que eu acho que tem na Europa toda.

Como uma mulher grávida não enlouquece? Dá vontade de comprar tudo! Eu peguei sainhas, aí achei que aqui é muito frio pra nenê usar saia. Troquei por calças bufantinhas. Aí vi que tinha leggings e meias-calças, voltei a pegar as sainhas. Mas aí eu achei que elástico da fralda, mais elástico da legging, mais elástico da saia... é muita coisa apertando a criaturazinha. Aí pensei, se eu fosse um bebê, fosse ficar deitadinha o dia todo de preguiça, o que eu gostaria de vestir? Malha! Aí fui pras roupas de malha. Gente, são malhas ultra macias, todas modernosas... é tanta escolha!

Aí, que estilo pra filha de uma e que estilo pra filha da outra? Claro que a gente acaba indo meio pelo estilo da mãe, aí escolhi uma mini-peruinha e uma mini-roqueirinha.

Os rompertjes ( macaquinhos ou onesies ) eu confesso ainda não caíram no meu gosto, mas acho que acabo acostumando. Tem rompertje muito bonitinho e outros bem breguinhas. Todo bebê que eu já vi tem um rompertje "I (heart) oma ( ou mama, papa, ). Quem é que vai fazer um: minha mãe foi pra Aruba e tudo o que eu ganhei foi esse macaquinho bobo.

Na hora de pagar, pedi pra fazer os pacotes e a mulher perguntou: juntos? Não, apesar de ser o mesmo número, ambos pra meninas, são separados e a mevráu riu: é, chega uma idade onde a gente tá comprando um presente pra nenê por mês.

Putz, tá certa a mevráu.

Anta, pero no mucho...

Juro que esse será o último post hipocondríaco até eu receber alta ( ou não ) no dia 7 de abril.

Ontem no trabalho tive umas tonturas, umas tremedeiras, e tive um início do piripaque que deu início a essa saga, diferença é que eu estava no meio de uma reunião e sem Holandesa pra me abanar... Fui pro médico de família.

Lá chegando, ótima surpresa: como a minha médica de família ( que tirou o diploma por correspondência ) não trabalhava aquele dia, passei com outra, nova na clínica, e ótima. Claro que eu virei casaca e vou mudar pra ela definitivamente. Essa nova médica leu todo o laudo do hospital pra mim, me explicou direitinho que tipo de anemia eu tenho, me explicou porque não me deram nenhum remédio extra, me disse pra eu não me desesperar se no próximo exame de sangue ainda der baixo ferro porque segundo ela ferro é ultra difícil de repor, de ser absorvido, me examinou, olhou minha cor e me achou coradinha ( depois de 2 anos pálida cadáver, nem minha maquiagem comprada toda pra tons pálidos de pele combinam com minha nova tez quase africana ), e me pediu exame de sangue djá, porque segundo ela, se eu estiver com glóbulos vermelhos baixos de novo, não há razão para esperar mais 10 dias pra fazer mais transfusão ( bate na madeira 3 vezes ).

E o principal: mevrouw van den Broek, talvez ninguém tenha explicado a seriedade da sua situação com ferro a 3.8. A senhora podia ter entrado em coma, ter tido um ataque cardíaco, foi seríssimo, onde já se viu tirar 3 dias de descanso? A senhora ficará em casa até o dia 7 de abril, quando fará seus exames novamente, e daí conversamos de novo. Vá tomar chá e comer sopinha em casa, assistir TV, quem sabe aproveitar o tempo pra fazer um pouquinho de jardinagem ( mal sabe ela que meus planos são de instalar grama artificial e me livrar daquela praga ).

E é isso querido leitor desse chato-blog, estou de molho em casa, aliás saindo pra fazer o tal exame de sangue, e já que está chovendo, eu decidi que jogarei the sims até cansar.

Eu bem que podia ir convalescer em Curaçao, que cês acham?

terça-feira, março 29

Eu sou uma anta

Quando eu recebi alta no hospital na semana passada, a primeira pergunta pra médica foi: posso voltar ao trabalho? Ela disse que sim, mas que achava que eu deveria tirar um tempo para me recuperar, e sugeriu que eu só voltasse depois do re-exame dia 7 de abril. Eu vou confessar aqui: sofri no Brasil com licença médica, e se não fosse eu ter envolvido até o médico da empresa numa discussão de performance, teria prejudicado bem minha carreira. Aqui na Holanda eu não sei como o povo olha pra esse tipo de coisa, mas sei lá, sou trouxa, anta, ou traumatizada, e resolvi ficar 3 míseros dias em casa depois da transfusão.

Voltei ontem ao trabalho, mas estou pegando leve. Meu diretor concordou que eu preciso passar parte do meu trabalho para um outro comprador, as coisas estão progredindo bem. Estou me alimentando super saudável, nada de alcool, e desde que sai do hospital, não precisei tomar um paracetamol para o quer que fosse.

Hoje, um supervisor da engenharia deu piti na minha mesa. Estávamos fazendo uma mini-reunião na hora do almoço, eu lá discutindo um projeto e tomando minha sopinha, quando esse maluco chega, ouve a discussão e começa a gritar comigo, que o projeto está atrasado e eu fico "querendo seguir os procedimentos", e que todo o projeto vai pro buraco porque eu não dou um "jeitinho holandês". Eu estou totalmente apoiada pelo meu chefe, estou seguindo os procedimentos da empresa, estou bonitinha fazendo meu trabalho, mas perdi as estribeiras. Acabei falando alto ( o que sempre me traz arrependimento depois ) e dizendo que ele que fosse falar com o diretor do projeto e que se ele me autorizasse a ignorar os procedimentos, que eu faria o que ele estava me pedindo. O que gerou mais gritaria dessa pessoa, e aí eu sabiamente calei. A briga/reunião foi adiada pra amanhã.

No minuto que esse bendito virou as costas e se foi, meu estômago contraiu-se em espasmos, uma dor infernal. A dor do estômago amenizou para atacar então o baixo ventre e dali as costas. A dor nas costas estava tão agonizante que eu cheguei em casa e fui direto tomar uma ranitidina pra preparar o estômago e tive que tomar um Voltaren, que é um veneno estriquinina pros estômagos sensíveis. Coloquei ainda uma bolsa de água quente nas costas, mais tarde tomei banho de banheira, e deitei retinha na cama pra ajudar. A dor nas costas matou meu apetite, e olha que eu cozinhei feijão fresquinho, e me deixou totalmente sem ar, com muita dificuldade de respirar. Aí é claro que eu desabei no choro e solucei pro marido que a falta de ar só podia significar que meu corpo tá matando meus novos glóbulos vermelhos de novo, e que dia 7 vão me internar de novo naquele quarto de enfermaria com outros 5 doentes.

E chorei. E esperniei. E acalmei. Um pouco.

Agora vos pergunto: precisava eu passar esse nervoso? Eu não podia ter ficado em casa convalescendo até o retorno médico? Porque é que eu me saboto dessa forma, será que eu quero ser mártir? Será que eu quero que alguém diga: nossa que menina aplicada, mesmo doente veio trabalhar.

Só sei que nesse momento a única coisa que me passa pela cabeça é: Adriana, sua anta! Anta, anta, anta! A.N.T.A.

segunda-feira, março 28

O céu é o limite


Eu nunca fui uma pessoa boa com limites. Não sei impor meus limites pros outros, não sei eu mesmo colocar meu próprios limites pra mim, e muito frequentemente ultrapasso os limites dos outros.

Mas agora, me recuperando da anemia e ainda sem saber a causa dela, tenho que colocar limites pros chefes, colegas, marido e para mim mesma.

Está sendo dificílimo.

Ontem tive que ter uma conversa com o marido. Tive que dizer que até eu receber alta do médico, eu não vou fazer tarefas domésticas que requeiram esforço, e que me recuso a viver no meio da zona, então ele vai ter que "man up" e ajudar. Eu gostaria muito, muito mesmo que meu marido fosse diferente e que não precisasse que eu falasse isso. Queria que ele já fosse tomando as rédeas desde o minuto que eu fui para o hospital, mas não foi assim. Ele me deu, e ainda me dá, o maior apoio emocional, passou a tarde comigo nos dois dias que eu fiquei internada, fez malinha, comprou comida, cuidou dos gatos. Mas quando eu voltei pra casa e comecei a fazer uma coisinha aqui e acolá, a mente dele entrou em módulo "ah, tudo com dantes no quartel de Abrantes" e me chateou imensamente quando eu me dei conta que doente e tudo eu acabei levando o lixo de 23 lt pra fora, que limpei o banheirinho dos gatos, lavei roupa, cozinhei, comprei comida do gatos e carreguei do carro pra casa ( 6 kg ). E nos acertamos, pelo menos por enquanto.

E aí vem o segundo passo: eu colocar limites pra mim mesma. Detesto gente que fica fazendo beicinho quando está doente e estrapolando no corpo-mole, mas não posso continuar no mesmo ritmo porque se no dia 7 de abril eu voltar pro acompanhamento e tiver tudo dado errado eu vou ficar me culpando, achando que se eu tivesse descansado meu corpo teria reagido melhor. E vamos combinar, meu corpo PRECISA reagir, logo, devagar no andor.

E por último, e não menos importante, são os colegas de trabalho, principalmente o chefe. Eu já tinha, naquela fatídica segunda feira mostrado pra ele minha carga de trabalho e o que eu posso e o que eu não posso fazer, já tinha preenchido o requerimento de um funcionário extra para tarefas administrativas e estava discutindo com ele mais um comprador. Eu não quero que misture esse "temporário" slow down com a real necessidade de mais braços pra fazer o trabalho. A necessidade já vinha de antes, e vai continuar, mesmo que me dêem mais 15 litros de sangue de um negão africano de 2 mt de altura. Aliás, note for self, eu tenho que determinar meu novo ritmo, porque como estava não dá pra ficar. E tudo isso requer reflexão da minha parte, que eu determine meus limites, e que saiba convencer os outros que esses limites são aceitáveis e normais. Meus colegas de trabalho estão sendo gente finíssima, todo mundo me dando muito apoio, todo mundo falando pra eu pegar leve, mas a conversa na salinha do diretor com portas fechadas eu ainda não tive.

Nesse meio tempo, os planos de férias miaram todos, eu preciso esperar o resultado dos próximos exames pra ver o que faremos, e isso me frustra muito, porque em momentos de desespero eram os planos da próxima viagem que me seguravam, aquela luzinha no fim do túnel, que agora está apagada total. Eu sempre expandia um pouco meus limites sabendo que dali a 2 meses eu estaria numa ilha grega comendo tzatziki e bebendo ouzo ( not ).

Bom povo, como eu não tenho o R$ 1,5 milhão da Betânia pra fazer esse blog ( pergunta: como  é que alguém consegue justificar a necessidade dessa grana toda pra manter um blog de poesia? É mooooita cara de pau, isso sim ), vou ficando por aqui porque tenho que ganhar o leite das crianças, digo, a comida renal dos gatinhos.


sábado, março 26

Breaking Down



Eu não sou de fugir de uma boa briga de um bom pega-pra-capá. Enfrento o touro à unha. Mas nesse momento estou com uma vontade incontrolável de jogar todos os problemas pro alto, e olha que são muitos, catar uns vestidinhos, biquinis e havaianas e me mandar pra uma praia qualquer no Caribe, de mar azulzinho e areia fininha.

E iria sozinha! Porque estou precisando de paz e silêncio.

Burn out? Não, não foi burn out. O piripaque começou com uma comida de bola homérica da minha médica de família que tirou o diploma via correspondência e continuou com a minha tchonguisse. A diferença é que ela estudou 10 anos pra receitar paracetamol, o maior disperdício da face da terra na minha opinião é essa faculdade de medicina geral da Holanda - onde nós, os tax payers, pagamos pra esse bando de gente malemolenga aprender a receitar paracetamol - 10 anos aprendendo a justificar pro paciente por que ele não precisa de um exame e que paracetamol o curará, aliás, será que o médico ganha caixinha da seguradora por exame NÃO pedido?

Então, há mais de um ano eu estou com o ferro super baixo, mas a idiota pediu o exame de sangue no ano passado e quando eu liguei pra perguntar o resultado, ouvi que tava tudo normal. Fui saber agora nessa internação do resultado do ano passado ( fiz no mesmo hospital e os resultados ficam no banco de dados ), e que então eu já devia ter começado um tratamento de reposição de ferro. O que aconteceu? Não sei. Não sei se ela nem abriu o resultado, ou se tava cutucando o nariz e fazendo bolinha de peteira quando eu liguei e viu o número errado, ou se simplesmente é burra mesmo.

Agora, dentre os meus já graves problemas, tenho mais um: procurar outro huisarts. Porque dá pra confiar nessa aí? Não dá.

Putz, comecei falando de alhos e terminei em bugalhos. E daí minha vontade de querer sumir. E marido entende tudo, é bonzinho e tals, mas na hora do vamo-vê ele ainda espera que eu vá pro supermercado, que leve o lixo pro container, que limpe o banheiro dos gatos. E juro, não tenho energia pra isso não.

E aí, digam-me, jogo tudo pro alto e mando-me pra Cuba, Curação, Aruba?



Só de me imaginar flutuando nessa água me dá vontade de chorar.

sexta-feira, março 25

Um dia de sol

Um dia de sol na Holanda a gente não disperdiça. Estive de molho todos esses dias, sem fazer nada legal, foi só hospital, cama, TV. Hoje porém, eu mereço tirar meu uniforme de doente e ir dar uns bordejos pelo centro da cidade.

Hoje farei o test drive dos meus recém adquiridos glóbulos vermelhos. E que o negão surinamense que os doou seja abençoado, porque estou sim me sentindo mais fortinha. Vejam bem, não estou ainda novinha em folha, mas estou bem mais animadinha. Acho que dá até pra sair sem maquiagem sem assustar ninguém.

Começou a liquidação da V&D, o circo dos preços, e se não estiver entupido de gente, vou dar umas fuçadas. E vou comer torta de morango com capuccino e vou comprar vitamininhas no De tuin.

Tudo isso SE eu conseguir tomar banho normalzinha, me vestir, e dirigir até o veterinário pra comprar ração sem me sentir sem fôlego. Só aí eu dirigirei os 4 km que me separam do centro da cidade e andarei pelo centro. Estou curiosa pra ver como anda minha resistência, no sábado mal consegui andar 200 mts.

Post chato, mas estou animadíssima com o solzinho e a perspectiva de dar uns bordejos.

Bom fim de semana povo!

quarta-feira, março 23

E o dia chegou

E o dia chegou.

Estou aqui me perguntando se vou lhes aborrecer com os detalhes da minha saga dessa semana, mas vou deixar pra mais tarde.

Basta dizer que seguindo o piripaque da semana passada fui à medica de família e acabei no hospital, glóbulos vermelhos ultra baixos, e como dizem aqui "paniek paniek". Ganhei transfusão de sangue, infusão de ferro, e alguma experiência com o sistema de saúde holandês nos dois dias que fiquei internada.

Estou agora em casa e me sinto bem fisicamente. O psicológico está um caquinho, visto que o diagnóstico da causa do problema não foi feito. As hipóteses vão de uma simples má absorção de ferro por causa da gastroplastia, a uma possível úlcera estomacal, a sangramentos desconhecidos, câncer e até leucemia, esta última praticamente descartada visto que meu sangue está riquinho dos globulos jovens e plaquetas e sei mais lá o que.

No Brasil provavelmente teriam aproveitado a internação para fazer 29 diferentes exames, gastando bem o dinheiro da seguradora, mas provavelmente chegariam a um diagnóstico nas primeiras 48 horas de internação. Por um lado é sim um disperdício, por outro, é praticamente um ato humanitário, porque viver na dúvida é uma tortura.

Aqui na Holanda o approach é diferente. Primeiro estabilizam o paciente como fariam no Brasil, e disso não posso reclamar, fui ultra bem atendida e fiquei ultra bem impressionada com o serviço das enfermeiras por aqui, e do hospital em geral. Mas ao invés de gastarem dindin da seguradora com os tais 29 exames, decidiram esperar duas semanas pra ver como eu respondo ao sangue recebido, pra então começar a desenhar um plano de investigação.

Não vou julgar aqui e acolá. Estou aqui e terei que dançar conforme a música.

Os exames então serão repetidos em 2 semanas. Para me manter sana repito a cada meia hora que o lógico é alguma má absorção do estômago ou uma danada duma úlcera, e afugento os pensamentos de alguma coisa mais grave. Nem sempre sucedo, e daí estar um caquinho. Olho pro meu TyTy, que há duas semanas estava com uma pata aqui outra no além, e agora todo serelepo, sempre famintozinho e já ganhando uns graminhas, e torço para que da mesma forma que o corpinho dele tenha reagido ao tratamento dele, o meu reaja ao meu.

Me mandaram ter paciência, só não me deram a receita pra comprar.

domingo, março 20

Cada um é cada um, em casa ou em Paris

Dizem que política e futebol não se discute. Deveriam colocar turismo aí nessa regrinha.

Eu sempre começo minhas pesquisas de viagem no Tripadvisor, e com o tempo a gente aprende a separar o joio do trigo nas resenhas, e vai notando um padrão que se repete.

Os americanos são carentes, essencial pra eles é que o garçon ou recepcionista do hotel lembre o nome deles. As resenhas positivas sempre incluem nomes e mais nomes de bartenders, GO's, garçons que por tratá-los pelo nome os fizeram se sentir praticamente da família. Eu sempre leio essas resenhas e me pergunto: quem vai de férias pra memorizar nome de garçon, pelamordedeus?

Os holandeses, no tripadvisor ou vakantiereiswijzer, são a clientela menos exigente que eu já vi: bastou ter um buraco de água clorinada no chão pra filharada se banhar, uma cama razoavelmente limpa pra eles dormirem, tá tudo bom. É muito, muito comum você ver resenha de hotéis 4 estrelas e a holandesada estar elogiando e se surpreendendo que o hotel *** troca as toalhas de banho e limpa os quartos todos os dias!***. É, pra quem passou gerações acampando e depois "caravaneando" tem muito o que aprender.

Os ingleses, é só dar booze e fazer uns showzinhos de noite, e tudo tá beleza pra eles.

Os alemães são os que eu mais me identifico: são ultra exigentes com o quarto, com limpeza, com a qualidade das áreas públicas.

Os brasileiros também são um povo à parte. A turminha dos resorts tá aprendendo, mas ainda se deslumbram com pouco. Eles vão pra all-inclusive, pagam o dobro do que um europeu paga, e ainda se deslumbram quando lhes servem uma pratada de camarões. Aliás, com tanto camarão na orla brasileira, com oportunidades mil de comer camarões fritinhos deliciosos em qualquer barraquinha de praia do litoral brasileiro, de onde vem essa fixação com camarões? E daí, como pagaram os tubos no resort e o resort dá camarão "de graça", eles não saem do portão do hotel. Não importa se estão próximos daquela vilinha charmosésima, ou se estão ao lado de lindas piscinas naturais, casa gole d'água tomado fora do hotel é um gole de caipirinha ou guaraná que eles "perderam" do resort. O bugueiro em Porto de Galinhas até brincou: cliente de resort fazendo passeio de dia inteiro, só se for gringo mesmo.

E os brasileiros que fazem outro tipo de viagem são o que eu chamo de maratonistas. Não há turista-maratonista como o brasileiro. Eu mesmo já fui turista-maratonista. O maratonista é aquele que, livrinho em punho, anda non stop, de atração em atração, das 8 da manhã até o corpo não mais aguentar. Na última vez que eu estive em Londres, tinha um casal de brasileiros sentados ao meu lado, e ela lia um guia e dizia pro marido: estamos indo pra Portobello Road e diz aqui que é o melhor lugar para se andar sem rumo e absorver o ambiente de Londres, temos uma hora pra ver tudo. Kinda defeats the purpose, dontcha think?

Nem entre amigos recomendações dá muito certo, uma das comadres não gostou nadinha de Rhodes e eu e o marido adoramos!

Eu e o Bart não saimos de casa pra ir pra hotel "só pra dormir". Se não for pra ficar num hotel legal, fico em casa. Gostamos de all-inclusive porque ambos detestamos escolher restaurante, então no resort tá tudo ali te esperando, se for como o do México que tinha vários restaurantes a la carte sem reserva, melhor ainda. Sempre que aconselhável alugamos um carro já no aeroporto, assim não temos que ficar esperando por gentarada nos shuttles da vida e nem fazendo pinga-pinga de hotel em hotel. Na volta também podemos chegar ao aeroporto bem antes dos ônibus de transfer e pegar os melhores lugares. E com carro, a gente já viveu cada aventura!

Em Rhodos visitamos vilazinhas que produzem vinho e mel, andamos por ruelinhas medievais, vimos praias desertas. Em Creta pegamos uma via costeira esquecida do mundo, e dirigimos beirando o mar entre abismos ( eu quase morri de medo ). E assim foi também no Chipre, Fuerteventura, Mallorca, Mexico, e até no Brasil já saímos do aeroporto na Bahia devidamente motorizados.

Estamos agora pesquisando um destino meio maluquinho pras férias de maio. Claro que tem praia, e como aqui na Europa maio ainda é mês de mar gelado, acho que vamos cruzar o atlântico de novo. Embora seja um destino ultra comum aqui na Europa, é difícil encontrar informações mas abrangentes na net. Acho que o motivo principal é que americanos não podem entrar nesse país. Do Brasil, como a única conexão disponível é uma cara e com horários terríveis via Panamá, poucos turistas vão. Mas aparece sempre nas listas das 10 melhores praias do mundo.

Já adivinharam pra onde queremos ir?

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Sim, Cuba. E quem tiver dicas, ou conhece alguém que já foi, pode deixar um comentário. Estou pesquisando o Sandals, que é um hotel all-inclusive só para adultos, e tem mais, só para casais.

A única desvantagem é o vôo... senhor, 11 horas.

quarta-feira, março 16

Oh Joy!

Hoje recebemos um e-mail dos vizinhos dizendo que "por hora" desistiram da idéia da clínica de peixes comedores de gente. Não sabemos o motivo, não sabemos se desistiram pra sempre, mas "por hora" respiramos aliviados. No domingo eu notei o vizinho com a cara ultra fechada andando com a cachorra, nem falou oi; ontem foi o Bart que notou a vizinha com a mesma cara, e apesar da curiosidade, e da vontade de saber o que aconteceu pra tentar "medir" as chances deles virem com essa idéia de novo, não tocaremos mais no assunto. É rezar pra eles desistirem pra sempre.

O alívio é imenso, só Deus sabe o tamanho.

E para completar, pegamos nosso carrinho novo hoje. É lindo lindo lindo, todo cheio de novidades, botões, e tem até aquecimento de assento, que para desgosto do marido, é o acessório que eu mais gostei.

Seu eu estava reclamando do inferno astral, hoje retiro o que disse, foi um dia de bençãos e alegrias.

segunda-feira, março 14

Soluções

Soluções, soluções… Ando procurando muito soluções para probleminhas e problemões que me cansam, ou me aborrecem, ou aborrecem o marido ( que em consequência me aborrece ), que  tornam minha vida um tico mais complicada.

Por exemplo. Passar horas no mercado no fim-de-semana disputando espaço com pais que trazem mil crianças pros corredores lotados, idosos que poderiam muito bem ter ido durante a semana, e gente como eu, desesperados pra pegar logo suas compras e sumir dali. E o marido odeia ir à mercados, quando vai só piora as coisas ( falta muito? Já acabou? Pra que tanta coisa? ), então sobra pra mim carregar tudo. Essa semana recebi minha primeira entrega do AH. Deu tudo certinho. Vem tudo em caixas plásticas dobráveis, a parte de geladeira numa sacolona plástica dentro de um isopor, o entregador deixa tudo dentro da sua cozinha, os legumes vieram fresquinhos, as carnes com bom prazo de validade. Com o tempo ( e disposição ) que me economizou, eu cozinhei comida fresquinha nesse findi, ao invés de recorrer ao chinesão ou à pizza.

Nessa semana outro problema se resolverá. Pegaremos o carro novo e eu herdarei o nosso poisé, que para fazer os 1500 mt de casa ao trabalho tá muito bom. Meu humor melhorará consideravelmente nos dias frios e chuvosos.

Ha ha haa ha, um probleminha até engraçado que foi resolvido: o tubinho de papelão do papel higiênico. Eu jogava no cesto do banheiro, marido brigava porque tinha que ir pra cesta de papel descartável ( no andar de baixo ), mas resolvemos o problema com um novo papel higiênico cujo tubinho é biodegradável, é só jogar no vaso sanitário, ele "derrete" e vai embora com a descarga. Bom pro meio-ambiente, bom pro casamento.

O home theater tá todo comprado e nesse findi assistimos nosso primeiro filme 3D, que é fantástico. Falta ainda um módulo sem fio da Philips encomendado e com previsão pra semana 13, enquanto isso vamos vivendo num mar de fios pra todo lado.

O próximo passo é convencer o marido a deixar de ser mão-de-vaca e investir numa boa grama artificial, porque minha grama morreu, rest in peace, amém. E grama normal na primavera é aquela inferno: cheio de erva daninha, tem que ser podada a cada 10 dias… Se dá pra facilitar com a tal grama artificial… O marido fica insistindo: pagamos um bom dinheiro na nossa grama normal, tem que ressucitar.

Outros problemas esperam pacientemente ser resolvidos, a vizinha com os peixes comedores de gente, as férias, o zolder, o resto dos móveis, o regime.

E agora mais um: tenho que ir ao huisarts porque tive um piripaque. Achei que ía morrer, em pleno restaurante japa. Putamerda, se é pra morrer assim, em público, que seja pelo menos num lugar chique ou famoso, mas no japa rodízio a €23 por cabeça é de lascar!

domingo, março 13

Dica preciosa



A dica foi do Daniel, filho da Alice. O seriado Merlin da BBC.

O seriado usa bem livremente algumas das histórias Arturianas, e conta as aventuras do Principe Arthur, ou seja, Arthur antes de se tornar rei, e como ele conheceu e se tornou amigo de Merlin.

É um seriado bem família, muito bem humorado, com cenas lindas do Chateau de Pierrefonds, onde a história é filmada. O ator principal, que faz o Merlin é uma graça e super cômico, e o príncipe Arthur um tetéio.

Impecável, dos figurinos à atuação de cada um dos atores, tudo de primeira.

Uma pena que a terceira temporada tenha acabado e a BBC tenha renovado a série mas só para 2012. Tudo por causa do chatinho Dr. Who, que já deu o que tinha que dar 3 atores atrás.

quarta-feira, março 9

Até duracell fica sem energia

Será que é verdade que um mês antes do aniversário a gente enfrenta o inferno astral?

Além da preocupação com o Ty-ty, o trabalho que tá numa fase péssima, a história da clinica da vizinha, e como se não bastasse, uma gripe importuna acabando com as minhas resistências.

Na terça-feira eu tive um problema com um dos meus projetos, e eu estava tão desbalanceada que eu quase chorei falando com um dos gerentes de programa. Vi então que ir trabalhar nessas circunstâncias no fim acaba atrapalhando mais que ajudando, que a gente pode tomar decisões erradas das quais a gente se arrepende depois, e muitas vezes não há como desfazer o já feito, desdizer o já dito.

Por isso hoje fiquei em casa. Dei ao meu corpo tempo de se recuperar, dos remédios agirem. Tomei um longo e fumegante banho de banheira, fiquei debaixo de mil cobertas vestidinha de moleton quentinho. Tomei sopa, comi pão com meu queijo preferido e uma caixinha inteira de morangos. Estou me tratando bem, sendo paciente, cuidando de melhorar o nivel de estress porque o negócio anda tão brabo que eu até assustei.

Amanhã ainda ficarei em casa, ainda estou naquela fase da gripe onde os olhos ficam lacrimejando o tempo todo, eu fico mais acabada do que a gastroplastia e todas as outras cirurgias junto.

E o meu Tyzinho hoje tomou café da manhã, almoçou e jantou, cedo pra comemorar, mas já é um bom indício. O tratamento de infusão acabou hoje e eu estou bem apreensiva de como ele vai reagir sem a infusão e sem os remédios injetados.

Plato, meu piolhinho, teve também um mini tchu-tchu. Não sei se comeu demais, se comeu algo que lhe fez mal, ou se ele simplesmente captou as energias negativas da dona, mas ele teve vômito, diarréia, ficou jururu. Já tá serelepão de tudo, que o bicho é forte que nem um tourinho, mas tava passadinho o meu piolho.

E a vida segue, sorry pelo blog chato-de-marré-de-si, logo a fase passa.

terça-feira, março 8

O gato subiu no telhado


Como eu já contei aqui, nosso Ty-ty continua doentinho. Ontem voltamos ao vet para a segunda de 4 aplicações de fluidos subcutaneos. Dessa vez foi o veterinário dono da clínica que nos atendeu, o que sempre cuidou dos meninos.

Quando estávamos dirindo pra clínica, eu disse pro marido que eu gostaria de ouvir dele um prognóstico realista: tem X por cento de chance dele se curar, dele viver uma vidinha normal. A veterinária foi meio vaga na sexta-feira, e disse que se o tratamento for bem sucedido ele ainda vai viver muitos feliz e contente.

Então quando eu perguntei ao veterinário se ele podia ser mais específico, ele nos disse: olha, ele teve um mal começo, a uréia no sangue está altíssima, tudo vai depender de como ele vai reagir ao tratamento, mas 80% do rim dele tá morto.

E a gente ficou lá, com cara de desespero, cara de sei lá o que. E holandês não tem meio termo é 8 ou 80, a veterinária na sexta foi super vaga ( talvez querendo nos poupar um pouco ), já o veterinário ontem já foi direto falando do worst case scenario sem dourar pílula nenhuma. Talvez o Joaquim devesse explicar a história do "seu gato subiu no telhado" em cadeia nacional.

Estou aqui de nhém-nhém-nhém, eu sei. Fui eu que pedi pra receber o worst case scenario e agora estou aqui reclamando, aliás não tô reclamando, estou só surpresa com a minha própria reação, pra falar a verdade. Eu teria achado tudo muito mais fácil de engolir se ele tivesse falado: "nós vamos fazer as infusões, nós vamos dar a comida especial, o remédio, há boas chances dele se recuperar, mas o caso é grave e ele já está começando com um nível muito alto de uréia no sangue".

Eu sei, eu estou me pegando na semântica, na ordem da frase, no fato dele ter começado: seu gato já começou mal, com um dos piores níveis de uréia no sangue possível, mas a gente vai tentar tratar, há chances. Ou sejá, o pior na frente, as chances atrás. Cadê o otimismo? Ah, Adriana, não é melhor ser realista?

Óquei povo, estou rambling, resmungando. Mas dá um desconto, porque eu estou preocupadíssima. Ontem nosso menino voltou bastante melhor da clínica. Voltamos com um pacote com 15 tipos diferentes de comida, pra ver qual ele gosta mais, pois ele não estava se dando com a renal da Royal Canin. Ontem ele comeu bem a Hill's Urinary, até me surpreendi. É uma alegria ver seu gatinho doente comer, vir miar na sua porta porque quer mais comida. É nesse momento o que está nos dando mais esperança. Plato tadinho, tá meio esquecidinho num canto, mas assim que o Ty sair dessa, e ele há de sair, daremos mais atenção a ele.

Nesse momento eu penso em duas coisas. No desespero que deve ser para alguém com meios limitados ter um bichinho doente em casa. É um esparrame de dinheiro, só no dia que ele foi diagnosticado foram 300 euros em exames, consulta, injeções, remédios. Ontem foram mais 100 euros, e as duas aplicações de fluído finais serão 70 euros cada. E a comida especial é cara, e os remédios também são caros. E daqui a 4 semanas repetimos todos os exames novamente pra ver se o tratamento está surtindo efeito.

A segunda coisa que eu tenho me questionado bem é se eu gostaria de ter o diagnóstico "realista" no caso de um dos familiares ter um problema grave. É desesperador pensar que dali a um mês você pode estar dizendo o último adeus. Eu ainda não passei pela perda repentina de um ente querido, sempre achei que quando a pessoa fica doente nos dá tempo pra nos preparar, mas será que há como se preparar para a perda? Nesse momento eu acho que é só um sofrimento a mais, por isso nos agarramos em cada fiapinho de esperança com o nosso meninuxo.

Aqui na Holanda a eutanásia em seres humanos é permitida. Eu e Bart já discutimos o assunto, porque ele teria que decidir pela minha morte e eu pela dele. Ambos decidimos que não a utilizaríamos, por diferentes razões.

E que os que fiquem façam bom uso do buffet do meu enterro, já incluido no nosso "seguro enterro". Eu digo que podem doar os orgãos que puderem, joguem minhas cinzas na lagoa do Epcot Center, podem usar um tupperware ( novo, please ) pra levar minhas cinzas sem ser barradas na alfândega. Sei lá, não me preocupo muito com o que vai acontecer por aqui com os "restos mortais", mas confesso uma coisa: tenho muito, muito medo do que vai acontecer do lado de lá.

segunda-feira, março 7

Na tela da TV no meio desse povo...


Tcheu perguntar só pra checar os fatos. É impressão minha ou o carnaval no Rio meio que já era? No jornal tem duas vezes mais fotos e notícias do carnaval em Salvador. No Rio vê-se artista gringalhada, mas me parece que os famosos brasileiros tão todos na Bahia, ou é impressão minha?

Ivetão tá linda. As roupas estão carnavalescamente legaizinhas. O vozeirão continua legal dimais da conta. Algum sem noção da Folha colocou foto da Leitte dizendo que era Ivetão. Blé, tava bêbado o cara.

Adriana Galinhesteu, apesar de insuportável, sempre teve bom gosto. Agora, nem isso. Que fantasia foi aquela no carnaval do Rio minha gente? Ela tá sem programa, tá desempregada, que pàsa pra sujeita dar uma apelada daquelas?

Gisele, ao contrário, chiquérrima. Tipo: ó, tô podendo e não preciso mostrar o fiofó pra aparecer em jornal.

Meu povo, como é que Timbalada leva o Blue Man Group pra avenida e eu não fico nem sabendo? Adoro Timbalada e adoro o Blue Man Group. E o pior: não acho nem no youtube nem em lugar nenhum, só fotos e poucas!

Eu sou super a favor de plásticas, desde que dentro dos limites aceitáveis e bem feitas. Scheilla Carvalho por exemplo dá vontade de chorar ao ver, afinal ela foi eleita pelos leitores da Playboy a mulher mais bonita do Brasil nos idos de 2000 e agora parece a Isabelita dos patins. Agora eu pergunto, queridos cirurgiões brasileiros, vocês são os melhores, no mundo inteiro fazem referências a vocês, mas dá pra inventar uma dermolipé ( tummy tuck ) que não produza aquele umbigo de cyborg? Até a Sabrina Sato, lindinha, com um corpo lindo, tá de umbigo de cyborg. Aliás, as fotos das famosas no carnaval é um ataque de umbigos cyborg.

Quem inventou contratar a Sandy pra musa da Devassa devia ganhar 10000% de aumento de salário, se for um assalariado. Todo santo dia tem algum jornal, revista, blog, site falando da devassa da Sandy. Só faltava agora alguém dar um pileque de Crystal na mocinha, dizer que é Devassa e botar a santa pra dançar em cima da mesa, a la Paris.

Enquanto isso, aqui no sul da Holanda, volto aos idos de 1978 quando mamãe me levava pro salão vestida de mulher maravilha e assisto ao Carnaval Brabantista. Ó, é legal, viu! O povo bota fantasia, sai todo mundo fantasiadão na rua ( o que não se vê mais em SP ), criança, velhos, todo mundo brincando. A única coisa que eu acho meio exagerado é o tanto que se bebe e como é bem aceito socialmente que vai todo mundo manguaçar. Acho que manguaçam mais que no Brasil.

E o sol brilha. Frio, mas brilha!

O Panda - desabafo de uma alma atormentada


Eu estou esperando pela gota d'água.

O Tai-tai continua malzinho.

A vizinha continua querendo abrir uma clínica de peixes comedores de carne humana ao lado da minha casa.

O francês continua o lider do projeto brasileiro, e neguinho só vem me pedir favor quando tem alguma bomba ou coisa chata pra fazer.

Nosso projetão está "flopando", todo mundo vem com mil desculpas pro que está errado, uma hora é falta de experiência em projetos, outra é falta de sistemas de suporte, mas a verdade é que falta mesmo é gerência.

Minha grama morreu. R.I.P.

O Old Fart continua fazendo oldfartisses e essa semana eu tenho que chamar o véio na xinxa.

E eu estou gripada que nem um gambá.

Há uns 15 anos a Lilian Wittefibbe surtou no jornal do SBT e no meio de uma notícia de um panda que roubou o sorvete de um menino num zoológico, ela levantou e disse: quem quer saber disso? E foi-se. Diz ela: foi meu momento Panda tomando sorvete.

Então, se a última gota d'água não cair, o panda vai tomar sorvete!



sábado, março 5

Meu bichinho

Não vou nem falar que foi um dos piores dias da minha vida, porque tadinho, certamente foi o pior dia da dele... meu bichinho Tai-tai

Então, a caminho do vet ele já foi mostrando que tava mesmo doentinho: fez xixi na gaiolinha. E miou, miou, inconsolável de ter que ficar ali, de bunda molhada, cheirando mal, até chegar no destino.

A veterinária ouviu minha preocupação e começou pesando nosso menino: de 8kg em outubro/2010 a 6,2 kg ontem, realmente preocupante. Com a bexiga vazia restava fazer exame de sangue: vocês já viram tirar sangue de gato? Então, raspa-se os pêlos da garganta e tira-se dali. Maquineta precisa de 15 minutos pra dar o resultado. Ele é limpado do xixi, a gaiolinha idem, sai o resultado: rins muito-muito mal. Mais umas semanas e seria um caminho sem volta.

Ali mesmo ele recebe 5 imensas ampolas de uma solução salina debaixo da pele, esse tratamento para ajudar a diluir as toxinas do sangue tem que ser repetido segunda e terça. Outra injeção pra ele dar uma animadinha, ele estava bem apagado. Remédio em pílulas para o rim, uma melequinha num frasco com bombinha pra abaixar o fosfato, e comida "renal" pro resto da vida.

Foi muita injeção, pegação, limpação, agitação pro meu menino, e no fim da consulta ele simplesmente deitou-se no fundo da gaiolinha e não se mexeu, ficou ali meditando.

Ele está agora todo pimpão e eu ainda preocupada, pois só saberemos se o tratamento está surtindo efeito em 45 dias.

Estou um caco, uma gripona - a segunda do ano, depois de um tempão sem ter muitas gripes, febre, deprimida porque quem a gente gosta tinha que viver pra sempre, maquiagem borrada de quem encostou na cama pra ler às 9 da noite e ferrou no sono paracemolístico decafeinado.

Meu menininho é um anjo e não merecia estar tão doentinho. É São Francisco de Assis o santo dos animais, não é? Vou rezar muito pra ele!

sexta-feira, março 4

Quanto riso ( not ) quanta alegria ( not )


Hoje é sexta de carnaval e essa que vos fala não está nada feliz. Nada a ver com saudade do carnaval porque aqui na minha terra-yolandesa tem carnaval sim senhor. Pra quem não sabe, aqui no Sul se celebra o carnaval com bailes, um pouco de carnaval de rua, e em Den Bosch, aqui perto, o povo já está doidão desde ontem de noite.

Então. O motivo da minha não-felicidade é que hoje vamos levar nosso meninuxo Tai-tai pro vet. Tai-tai está magérrimo e não sabemos porque. A gente passa a mão nas costinhas dele e dá pra sentir osso por osso, a bacia tá proeminente, as costelinhas também. Estou ultra preocupada.

No ano passado, no check-up de outubro, o vet nos disse que o Plato estava gorducho demais e que nós tínhamos que parar de deixar comida disponível o dia todo, e que deviamos cortar a comida molhadinha do jantar. Ou seja: pratinho de café da manhã, guarda a comida, pratinho de jantar.

Eu não sei se tem a ver com o novo método acima, mas o Tai-tai já estava meio magro ( havia baixado de 8,2 pra 7 kg em 2 anos ) mas depois de a gente começar controlar comida ele emagreceu mais, vamos ver hoje o quanto. Eu percebi isso faz uns 10 dias, quando fui pegá-lo no colo ( ele odeia colo ) e senti osso por osso, e o peso pluma. Pra piorar ele é super crica com comida, então eu tô tentando tuxar comida molhadinha, snacks da Whiskas, peito de frango defumado ( ele gosta de frios de sanduíche ) além de ter comprado 3 comidas diferentes da Royal Canin, mas não vejo ele comer mais não. Enquanto isso, é eu virar as costas achando que finalmente o Tai-tai tá comendo a comida seca especial que eu comprei, e ele perde o interesse e o Plato aproveita e rapa o prato, eu só chego a tempo de vê-lo limpando os beiços. O resultado é que meu Tai-taizinho tá raquítico e o Plato eu juro pra vocês que vai explodir qualquer dia desses - a pelama do Plato cresceu muito depois da tosa do verão, juntando as banhas, ele tá uma coisa indescritível de tão grande.

E é isso povo, tô preocupada. Vamos ver o que o vet fala hoje, mas vão aí torcendo pro meu magrelo estar só sendo difícil com a comida, e não estar doente.

E bom carnaval, arlequins e columbinas!



quinta-feira, março 3

O bicho da maçã

O consumidor da Apple é o cliente mais perfeito de qualquer indústria: ele sabe que seu produto é ruim, ele sabe que é caro, ele sabe que outros farão melhor que você em 2 meses, mas eles são fiéis e vão pro túmulo defendendo seu produto.

Colega de trabalho R. é um desses consumidores vorazes de produtos Apple. Já tinha um Ipod, adquiriu um Iphone, carinhosamente apelidado por nós de I-don't-phone porque teve que ser trocado 3 vezes, e de Natal deu-se de presente um Ipad, aquele menos ruim que custa €749 ( nos EUA US$ 749 ).

Hoje ele chegou ao trabalho irado: o Ipad 2 foi lançado ontem, estará nas lojas na semana que vem, tem o dobro da velocidade com o mesmo uso de bateria, tem metade da espessura, duas câmeras, slot pra SD, em dois meses vai ter um software upgrade e será multitask, e custará exatamente o que ele pagou no "velho".

A sacanagem applezística da vez foi não dar aquela abaixadinha de preço no produto antigo antes de lançar o novo, fazendo com que quem comprou o produto recentemente se sinta um perfeito palhaço. O pior, é que segundo os sites americanos que estão começando a comercializar o Ipad "velho", quem quiser vender o velho pra comprar um novo vai pegar em torno de 150 paus no modelo "fortinho" e menos de 100 paus no fraquinho.

Adrianinha, em casa, tem utilidade zero pra um tablet, visto que pra assistir minhas séries em Torrent a tela do Ipad é muito pequena e eu não vou ficar segurando aquela joça pesada por horas, e para ler livros não vou cozinhar meus olhos com aquela tela brilhante ( depois de 10 horas de tela de computador no trabalho ) e também não vou segurar aquela joça. Mas pra viagens, especialmente agora que os tablets estão mais finos e marcas como a Samsung oferecem um tamanho intermediário, o trocinho seria útil ( se não fosse o marido preferir o netbook ). Mas a pergunta que não quer calar: Ipad ou no Ipad? Eu gostaria mesmo é do Motorola Xoom, mas TUDO, absolutamente TUDO, está sendo desenvolvido pro Ipad. Até arquivos de livro piratão, tudo pro Ipad naquele infame arquivo MOBI.

Alguém sabe dizer se já incluiram na caixa um nariz de palhaço? É, porque em 6 meses vão lançar o Ipad 3 e Adriana vai se sentir a Bozolina.

quarta-feira, março 2

Speechless

Como é que com vozes assim tanta gente ainda dá dindin pra Dona Gagá e pra Britna Cabritna?

Ó só:



A letra dessa é tristíssima, mas ó que linda:



E pra mim, aquela que vai ser praticamente impossível de superar, em versão ao vivo:



E além de tudo ela é linda!

terça-feira, março 1

Whaddafuckever

Nessas últimas semanas eu ando de pavio curtíssimo, desmotivada no trabalho, de saco cheio de trabalhar todos os dias até as 8 da noite e ter sempre um bando de engenheiros reclamando que tá tudo atrasado, e um chefe do outro lado que fala pra eu não ligar, deixar eles reclamarem que eles não sabem o que dizem. Mas para mim, cada resmungo de um engenheiro que fecha a gaveta e vai-se embora as 4 da tarde sem ver que eu trabalho 12 horas por dia, corta-me como um gilete afiado.

Sim, estou ranzinza. E talvez eu seja louca, mas eu esperava sim que aqui na Holanda, um país de primeiro mundo e com um mercado de trabalho muito mais equilibrado que no Brasil, as coisas fossem diferentes, que as pessoas trabalhassem melhor, que trabalhassem a carga horária esperada. Mas não, o que eu vejo é engenheiro que estudou sem uma preocupação financeira na vida, com bolsa do governo, 100% do tempo dedicado a faculdade, sentar numa estação de CAD e não engenheirar um tubinho de ar. Enquanto no Brasil eu trabalhava com engenheiros que fizeram a faculdade no sufoco, trabalhando e estudando ao mesmo tempo, desenhar, engenheirar, testar sistemas ultra complexos e ainda te ajudar a avaliar as cotações de um fornecedor.

Ah, mas é melhor eu não comentar, porque ao sinal da menor comparação, sou a ranzinza que devia voltar pro Brasil.

Sei lá, vai ver que eu sou anormal, mas meu cérebro é programado assim: eu amo sorvete de chocolate, sempre tomo sorvete de chocolate, de vez enquando eu troco por um de baunilha, aí meu cérebro já registra que o chocolate tem gosto mais forte, que a textura é mais macia, que o crocantinho das gotinhas de chocolate são uma delicia estalando na língua, e isso não quer dizer que só o sorvete de chocolate seja bom, nem que seja o mais gostoso pra todo mundo, nem que eu nunca mais vá tomar o sorvete de baunilha.

Pô, é natural a gente comparar, a gente achar isso ou aquilo melhor, em tudo!

Essa questão a Holanda e o Brasil já virou um sacão. Mas ó, eu não entendo a mente de quem só vê coisa boa aqui, o Walhaha terrestre, nem a mente de quem só vê merda no Brasil, o inferno encarnado. E sinceramente? Que importa?

Eu escolhi viver aqui pro motivos 1, 2 e 3. Isso não quer dizer que eu não ache ótimo os fatores 4, 5, e 6 do Brasil. E vice e versa. E também não sou o bicho papão nem uma pessoa do mal total só porque venho aqui nesse humilde blog e comento meu desapontamento com alguma coisa.

Putz gente, taqueo viu...