terça-feira, junho 14

Pay forward

Acabei de ter uma conversa bizarríssima, e tinha que dividir com vocês.

Vocês lembram da história da colega de 27 anos que após alguns meses de casada se separou e "juntou" com um colega do departamento, né? Um ano se passou e hoje, conversando, ela me contou que não foi ele o safado que largou a esposa e filhos pra ficar com ela, loirinha peituda 14 anos mais nova, mas o contrário, a mulher conheceu um cara e largou o marido, em pleno Natal, pra se mudar levando os filhos pra casa do novo parceiro. E pasmem, em 3 meses estava casada de papel passado!

Aí, ela estava me falando que eles "descobriram que tinham sentimentos um pelo outro" em abril" do ano passado, mas que eu soubesse a separação foi em julho, mas e o que aconteceu nesses 3 meses entre um fato e outro? Os dois "experimentaram pra ver se funcionava". Cuma? Eu tentei, educadamente, esclarecer: mas… vocês começaram a se relacionar ( leia-se nas entrelinhas: furunfar ) enquanto você ainda estava casada, mas seu marido não percebeu nada, você não se sentia confusa ( leia-se nas entrelinhas: furunfar com um segunda e quinta, com o outro terça, sexta e domingo )? E ela: Adriana, ninguém desmancha um casamento sem antes "testar" o novo relacionamento pra saber se é aquilo mesmo que a pessoa quer. A ex-esposa dele também fez o mesmo…

Ou seja, o "pay forward" nesse caso é o chifre! A esposa do cara o chifrou, então ele vai passar o par de chifres pra cabeça de outro… Afe!

Eu sempre achei que o simples fato da pessoa considerar iniciar uma relação com outro já é o suficiente pra decretar o falecimento do casamento atual, e consequentemente iniciar o processo de separação ANTES de "testar" o novo relacionamento ( leia-se nas entrelinhas: furunfar com o outro e consequentemente presentear o atual com um par de chifres ). Estou sendo inocente aqui?

Eu acho que o "teste" do relacionamento baseado numas escapadelas furunfísticas uma furada, mas o que é que eu entendo disso, né? Só sei que nesse caso, além de já começar meio atravessado, esse relacionamento começou com uma diferença de 14 anos entre um e outro ( é quase uma geração! ) e dois filhos de uma das partes. Hoje mesmo ela estava meio frustrada que, para poder tirar uma semana de férias num resort em setembro, ela vai ter que passar 2 semanas das férias de verão num camping, pois ele tem a guarda das crianças nas férias, tem que viajar pra algum canto, e fica ultra caro para irem, com crianças, para um bom hotel na alta temporada.

Bom, só vou dizer uma coisa: desse pay forward eu não gostei! E tem mais, marido já sabe: se chifrar não conte, e saiba que pra mim, não importam as circunstâncias, traição não tem perdão, jamais!



Tchu be or not tchu be*


Neste fim de semana eu e o marido estávamos discutindo as razões pelas quais eu acho que eu não me adaptaria mais no Brasil ( estávamos falando sobre o convite pra ir de expatriados para o Brasil ).

O primeiro e mais importante, é a segurança. Eu ainda tremo só de pensar em quantas notícias temos de sequestros relâmpagos, de assaltos em semáforos, de carros roubados. Seu carro desaparecer do lugar estacionado é ruim, mas aciona-se o seguro e paciência. Mas eu tenho paúra de sequestro relâmpago, imaginou se for com o marido então, sem saber falar uma palavra em português?

Ter que ficar dando satisfações da minha vida pros outros. Justificar porque eu não posso receber visitas no próximo fim de semana, ter que ficar convencendo o "visitante" de que o compromisso já existente é realmente inadiável e que isso não quer dizer que eu não o acho importante. A sensação de que todo mundo tem o direito de se meter e dar pitaco na minha vida.

Ser julgada pela capa. Ter que usar roupinha de marca porque senão eu sou a requenguela da turma, do departamento, da vila, do Brasil! Meus fornecedores brasileiros sempre vem pra cá com camisas Tommy Hilfieger ou equivalente, relógios carésimos, bolsas de laptop intergaláticas. Tudo com etiqueta beeeem visível, claro. Voltar a ter a neurose com o peso, encarar gente que acha que o gordo é menos inteligente porque é gordo, sofrer pra achar uma roupa que sirva. Comer mortadela e arrotar peru.

A bagunça. As reuniões sempre atrasadas. As consultas médicas ultra atrasadas. Povo que vem te visitar sem nem dar uma ligadinha antes ( eu aaaamo o costume holandês de marcar tudo com antecedência ). Mania de deixar tudo pra última hora ( eu marco minhas férias, como todos os holandeses, pelo menos 4 meses antes, minha cunhada organizou férias pra família no litoral norte 3 semanas antes ).

O complexo de inferioridade do brasileiro. É  melhor ir pra República Dominicana que pra Bahia ( fui pro exteriorrrrrr! ), o creminho Oil of Olay é melhor que um Natura ( NOT! ), ai que tudo essa loção da Vitoria Secrets ( até aquele creme hidratante Paixão cheira melhor ), vamos pra Argentina comer bife ( oi? )( fui pro exteriorrrrr! ), o fulano foi contratado porque "trabalhou no exterior" ( oi2? E se o cara foi ófice-boy em Miami? ).

Desculpaê, eu amo o Brasil… de férias!

* Vendo uma entrevista com o Massa o marido comenta: você sabe que o cara é brasileiro porque todo brasileiro fala tchu ao falar "to". Lembra a guia da Nasa? ( uma brasileira que falava um tchu tão arrastado que doía, mesmo já morando nos EUA a mais de 10 anos )

sexta-feira, junho 10

Confissões de uma não-adolescente

Amaldiçoado seja quem inventou o Blackberry. Esse maledeto tem o poder de acabar com qualquer fim-de-semana, e ainda mais prolongado!

Depois de todo o carnaval que eu fiz na empresa para ser incluída no projeto brasileiro, recebi agora de noite um convite do diretorzão-ão-ão para uma conversa "a quatro olhos" na semana que vem. A mensagem só diz assim: Uma vez que você demonstrou interesse pelo projeto, eu gostaria de conversar com você. Mais nada.

Agora eu fico aqui pensando: o que é que ele vai dizer? eu suspeito que ele vá me oferecer oficialmente a vaga no Brasil, que é justamente o que eu não quero de forma alguma. E agora vou ficar pensando nisso o fim-de-semana inteiro.

Agora deixa eu confessar uma coisa: eu me viro do avesso de nervosismo dessas conversas com diretorezões. Por favor, digam aí, sou só eu? Eu vejo certos colegas entrando e saindo da sala da diretoria como se estivessem batendo papo com o vizinho, mas eu quase tenho um infarte antes, chega até a me dar mal estar.

O jeito é tentar deixar pra lá e perguntar pro meu diretor direto se ele sabe de alguma coisa.

E rumbora aproveitar o findi prolongado.

quarta-feira, junho 8

A little too ironic... Ou a vaca foi pro brejo


Eu não sou de sentar e ficar esperando o sol nascer. Quando eu quero alguma coisa eu tento de toda forma, de todos os ângulos, que qualquer maneira conseguir o que eu quero. If I go down, I will go down screaming, esse é o meu lema. Lembram-se do drama do primeiro emprego na Holanda? E a luta contra as banhas ( ainda no combate, aliás )? Não, sentar e esperar, ou pior, desistir, não é comigo.

Mas isso não quer dizer que eu batalhe com graça, com um sorriso no rosto, com a atitude de uma lady inglesa admirando as flores do campo. I go down really screaming, eu sou um soldado esfolado, sangrando e embarreado dos campos do afeganistão. Eu sofro, eu me acabo, e embora não seja fácil praqueles ao meu redor, informo-os desde o início que no fim, tudo dará certo. Sort of.

Aqui no trabalho, tudo dará certo. Mas eu estou "going down screaming", e está na hora de parar. Falei com quem tinha que falar, fiz o que tinha que fazer, recebi as promessas que eu precisava ouvir naquela hora, e hoje, dez minutos atrás, a promessa de que eu iria tomar conta do projeto brasileiro pros produtos do meu time foi quebrada.

Urrei de raiva, desabafei com um colega, tomei um café COM AÇÚCAR DE VERDADE, derramei 3 lágrimas ( de ódio, frustração e auto-piedade ) e acalmei. E estou agora "entronizando" que serei uma lady inglesa admirando as flores do campo. Mas se não me descabelarei com o projeto que eu quero, também não descabelarei com o projeto que eu não quero. Não me puseram de gerente? Pois então, gerenciarei. Dividi meus pepinos para os subalternos. Sei que eu faria melhor e mais rápido, mas whatever, me pagam ( extra aliás ) para gerenciar, então eu gerenciarei, eles que se esfalfem fazendo mil planilhas de cálculos e preenchendo mil telas e me tragam tudo mastigado para eu fazer meu papel de gerenciar e tomar decisões.

Vocês já ouviram a música ironic da Alanis? Então, vão lá e leiam a letra, está martelada na minha cabeça. Decidi gerenciar hoje, porque ficar trabalhando mil horas extras fazendo trabalho que não é mais meu e tentar no tempo que sobra gerenciar não está dando certo. Será que se eu tivesse feito isso antes, eu estaria agora no tal projeto brasileiro? Ironic, isn't it? Eu ter entendido e mudado quando a vaca já foi pro brejo. Blé.

Meu humor sombrio e esse papo de ironic acabou numa conversa meio sombria aqui no escritório. Um aparentado do Senhor Legal foi eutanasiado hoje. Com cancer de pulmão, fez "greve de fome" 8 semanas porque ele queria morrer de morte morrida, mas acabou não resistindo e pedindo a eutanásia. O chocante na história toda é que a última conversa dele com o filho foi: eu pensei que em fase terminal de câncer, emaciado, que não fosse estar lúcido o suficiente para compreender que quando o médico me der a primeira injeção será o fim, mas aqui estou, entendendo tudo, tão lúcido como sempre estive, sofrendo cada segundo do processo…

Eu e o marido já temos um acordo de que um não desliga os aparelhos do outro jamais, never. Eutanásia, nunca, em nenhuma hipótese. Em hospitais, jamais optar pelo DNR ( do not ressucitate ), irei pros braços da dona morte como fui em vida, I will go down screaming.

Papo pesado esse né.

segunda-feira, maio 30

De Cuba

Povo, tudo muito lindo por aqui. Mesmo sendo esse meu terceiro passeio ao Caribe, me surpreendi com as cores do mar.

O povo é super amistoso, e qualquer musicozinho de bar de hotel dá show!

Está ultra calor e estamos alugando yma moteeenha pra passear pela cidade.

Quando eu voltar posto foteeenhas.

sexta-feira, maio 20

Vamos a la playa

"Bamos a la playa, o uo o o o..." O refrãozinho tá na minha cabeça!

Provavelmente não conseguirei googar da terra de Fidel.

Amiga Holandesa, já sabes, se eu morrer, cinzas no Epcot, já deixei dindin no testamento pra viagem.

Garganta doendo um pouco ainda, cólicas médias, tudo remediado com Voltaren e Sorbet. Ah, o sorbet...

Fui!

quinta-feira, maio 19

Spiraltje

Spiraltje = DIU

Ontem troquei meu DIU de cobre antiguinho por um Mirena.

Aqui quando você vai ao médico conversar sobre contracepção, te dão mil panfletos, mil alternativas, fazem surveyzinhos pra saber qual mais se encaixa no seu perfil. Numa das vezes que eu esperava no consultório da médica, fiquei de boca aberta com uma menina novinha, uns 15 anos, pequenita, carinha de anjo, saindo do consultório cheia dos panfletos e encontrando a mãe na sala de espera, falando da conversa com a médica. Tomara mil vezes que aí no Brasil essa nova geração tenha a abertura que as meninas holandesas tem com a mãe.

Mas anyway. Enquanto no Brasil pouco se fala do DIU, e quando se fala é com toda uma aura de preconceito ( perfura utero, dá infecção, dói pra colocar, o parceiro sente o fiozinho ). Aqui na Holanda o método é um dos mais usados, e ontem, entrei na fabriquinha ultra eficiente da colocação de DIU na policlínica.

Normalmente se coloca o DIU no consultório da ginecologista com uma anestesiazinha local ou a seco. Já da outra vez tentaram comigo e não deu, me mandaram pra colocação policlínica.

Ontem cheguei lá as 11:30 e na salinha de espera a mulherada estava toda portando sua caixinha ( ona, é enooorme ) com o aparato. Todas fomos levadas à mesma enfermaria, éramos 5, respondemos um questionariozinho, recebemos pulserinha e a roupa do hospital. Fomos para a sala de cirurgia duas a duas, sala 5 e 6, o procedimento foi feito, nos vimos as 5 na sala do "uitslaapen" ( sei lá como traduz isso, é a sala pra quem tá acordando da anestesia e tem que ser monitorado ). Fomos levadas as 5 pra outra enfermaria, ganhamos chá com torradas, nos vestimos de novo, ouvimos as recomendações do médico, ganhamos uma caixinha de Ibuprofen e fomos pra casa.

Pra 4 de nós foi dado um livrinho sobre engravidar depois dos 35.

Cheguei em casa para encontrar o vizinho na porta com TODAS as minhas encomendas online, mala, crocs, livros, roupas. Milagre!

E amanhã puevo, me mando pra Cuba.

Alegria, alegria.

quarta-feira, maio 18

Na França todo pão é francês

Hoje eu soube que o francês que está no projeto brasileiro será promovido a Diretor de Compras Internacionais, e caso eu seja liberada para o projeto no Brasil, será meu diretor. Na hora me deu um aperto no coração, uma insatisfação, e saí da conversa cabisbaixa, chateada. Me perguntei então porque eu estava me sentindo assim, e a resposta veio fácil: você estaria mais qualificada para esse projeto, talvez tivesse feito melhor, poderia agora estar sendo promovida no lugar dele.

E quanto mais eu pensava, pior eu me sentia, porque eu queria que minha "raivinha" viesse da promoção indevida, do colega que não merece, mas a verdade é que o francês é legal, trabalhou pacas no projeto, tomou muita bordoada e está sim fazendo o melhor que pode. Ele não merece minha mágoa fora de lugar.

Eu não sei se você aí em cima está mesmo aí em cima ou se está no meio de nós. Não sei se você é Cristo, se é Allah, se é Buda. Só sei que sou cuidada por você. Sei que minha cabeça é dura, e que eu quero sempre, quero tudo, quero mais. E muitas vezes você me diz não. Acho até que você me diz mais não do que sim. Mas olhando pelo caminho que já percorremos juntos, eu tropeçando e você me amparando, vejo que a maioria das coisas que eu quiz muito e você não me deu, teriam me levado para um destino muito distante desse onde me encontro hoje, e que me faz extremamente feliz.

Acho que estou melhorando, não sei, aliás hoje tive uma recaída. Devia ter me sentido feliz por um colega e me senti triste por mim, fui muito egoísta. E imperfeita que sou, continuo com essa pontinha de angústia, de inveja dentro de mim, e esses são sentimentos que consomem, que corroem por dentro. Mais uma vez preciso da sua ajuda. Preciso a deixar de querer um pouco, e deixar nas suas mãos, que sempre que eu faço minha parte, me esforço e dou o melhor de mim, você me guia para o caminho correto, aquele que VOCÊ planejou, e não aquele que eu pedi.

Ok Divino, chega de enrolações, e embora você não seja o mágico da lâmpada, aqui vão meus três pedidos:

Que eu consiga sentir alegria pelo meu colega que será promovido, ele merece. E eu mereço não ficar me auto-atormentando com invejinhas bestas.

Que você tome um pouco o leme desse barco, porque nesse momento estou cansada de navegar contra a maré, num rumo que eu quero que seja o certo, mas que eu não tenho a menor idéia se realmente é.

Que você me faça ser menos cabeça dura, porque Divino tá muito, muito difícil viver 24/7 com essa minha cabeça durisse.

Dito isso, dá pra atender meus pedidos antes de sábado porque ir pro Caribe amargando a promoção que perdeu ninguém merece.

Amém.

terça-feira, maio 17

Eu sou uma toupeira, mas minhas amigas não!


Dra. Alice escreve os pitacos dela no blog 1 ou 2 palavrinhas, link ali do lado. Eu adoro o jeito dela escrever sempre com links insólitos, curiosos, interessantes, e não fosse eu sempre postar via e-mail do trabalho, copiaria a idéia na cara larga.

Dra. Alice aceita inclusive encomendas pitacais, ou seja, você manda um e-mail pra ela com uma dúvida cruel e ela lhe dará o pitaco correspondente.

Lendo meu desabafo de ontem, Dra. Alice aproveitou pacientes que enlouquerecem de vez ANTES de chegar ao consultório dela, deixando-a com um buraco livre na agenda, e pesquisou meu piripaque periclitante no gugol, e achou a cura ( se eu tivesse linkezinhos ía colocar aqui um link para a musica "cura" do Lulu ChatoSantos ). Late Dumping.

Late Dumping nem existia quando eu operei, naquela época só haviam diagnosticando o early dumping, que só recebeu esse nome agora, porque na época era só dumping. Esse early dumping eu tive no comecinho de operada, e é tão terrível que o corpo se traumatiza de uma forma tal que hoje em dia, só de morder um doce muito doce, eu já sei que se eu comer o tal, vou ter dumping.

O late dumping no entanto, é diferente e tem todos os sintomas da hipoglicemia.

Entretanto, contudo e porém, o tratamento é exatamente o oposto do tratamento de hipoglicemia, daí eu estar seguindo as instruções da minha ex-huisarts-mongol e estar me sentindo tão mal.

Ontem recebi um e-mail da ilustre doutora com o "diagnóstico" pela manhã e imediatamente parei com o dextrose e a bebida açucarada, segui os conselhos dietéticos de um site nos EUA ( pouco açúcar simples, mais açúcar complexo, muita fibra, nada de líquidos nas refeições, pouco carboidrato ) e tive um dia supimpa, sem crise nenhuma. Hoje estou tendo outro dia supimpa, e apesar de ser cedo para comemorar, estou tão aliviada…

Ainda permanece o problema das banhas, mas o tratamento já é um regime em si, visto que necas de cookies e bolos, que são minha maior transgressão.

Ainda tenho muito que pesquisar, assim que voltar de Cuba irei num nutricionista e médico especializado em gordos costurados como eu, ou seja, tem um luzitazinha lá no fim do túnel.

E já que eu estou sempre aqui pedindo as preces e good vibes de vocês, quem souber qual é o santo padroeiro dos delivery services, favor informar. Comprei crocs, livros, mala e roupitchas online, todos para ser entregues nos dias dessa semana, e considerando o péssimo serviço de delivery holandês, vai ser um milagre se metade der certo.

E não esqueçam, Dra. Alice aí do lado, "incrusive" com encomenda de pitaco.

Paguei minha dívida, Alice, agora falta só a mala ( com alça ) :o)

segunda-feira, maio 16

Desabafos de quem está com o pé na cova


Normalmente quando desabafo alguma coisa aqui o negócio funciona, e eu tiro o problema da cabeça imediatamente. Então vamos tentar.

Estou arrasada com a recuperação do meu problema de anemia. Nas primeiras semanas eu me senti ultra bem, mas agora, pílulas que falharam, duas menstruações depois, estou me sentindo bem pra baixo.

Por causa do ferro intravenoso, tenho uma fome desmedida, é dificílimo lutar contra ela, na maioria dos dias perco a batalha e fico bem acima da calorias que eu queria consumir naquele dia. Eu estava vivendo à base de açúcar, quando anêmica era a única coisa que me dava energia, e sei lá porque eu não engordava. Não consegui cortar o açúcar, não assim "cold turkey", mas diminuí para menos de 10% do que eu ingeria, e o resultado? Além de continuar somando quilos banhosos, ando tendo muitos, muitos episódios de hipoglicemia.

Aliás, será que é mesmo hipoglicemia? Parece ser, a médica diz que é, mas ninguém mediu, e mesmo que eu esteja disposta a comprar o aparelhinho por mim mesma ( e estou ), alguém tem que me ensinar a controlar o que é hipoglicemia o que é normal. Fui na médica nova, ela estava de férias, acabei sendo atendida pela antiga, que me ignorou. Já cheguei a pensar que talvez não seja hipoglicemia, mas um incrível vício em açúcar e meu corpo me enganando para recebê-lo. Adriana F, 38 anos, drogada mas não prostituída, filmaço.

Ontem tive um episódio hipoglicêmico ( ou pseudo? ) no supermercado. Só deu tempo de sentar, graças a Deus tinha um banquinho perto do geladinho dos balcões refrigerados, e mastigar as pastilhas de dextrose, uma atrás da outra, sem sentir melhora alguma. Apelei para um chá da maquininha do mercado com 3 envelopes de açúcar, aí começou a melhorar. Tive que chamar o marido, ele pagou as compras e carregou o carro, e com muito cuidado dirigi de volta pra casa. Agora estou carregando na bolsa, além das pastilhas de dextrose, um pacotinho tetrapack de Chocomel.

E Adriana, a louca, você vai mesmo pra Cuba? Vou! Vou levar um carregamento de pastilhinhas de dextrose, vou levar pacotinhos de Chocomel, e no avião levarei um carregamento de chocolates. Quando chegar lá, relaxarei ao sol, comerei frutas, e hopefully, tudo se acalmará, e eu vou até fazer aulinha de hidroginástica às 11:00 como tem em todo hotel ( nunca fiz uma aula ).

Estou arrasada em ver as banhas pululando, se consigo vencer a batalha com o vício, sou recompensada com crises terríveis de hipoglicemia, mas o pior é a falta de assistência médica, é ir ao médico e ouvir desculpas pobres e medidas que só fazem passar a responsabilidade para o paciente ou para outro médico ( internista, hematologista, nutricionista ).

Comecei esse post em desespero total, e escrevendo, já me acalmei, já defini um plano de ataque.

Ai, puevo, ainda bem que vocês existem. Tenham paciência comigo, please!


quinta-feira, maio 12

Ô coitada!

Podem ir falando ô coitada pra mim!

Todo gordo deveria saber que quando a esmola é demais, o santo desconfia. Há mais de dois anos eu tenho comido tudo que tenho vontade sem engordar, até emagreci um pouco. Agora, depois de ter ido parar no hospital, vejo que na verdade eu não tinha muita fome ou vontade de comer, daí a perda de peso fácil e até despercebida.

Mas colegas, tomei aquela bomba ferrosa, por falta de instrução médica estou tomando pílulas extras, e o resultado é uma fome descontrolada e 3 quilos extra em 1 mês.

Me pesei de manhã e tive que segurar o choro, que raiva de viver nessa luta ingrata contra a balança. Num ataque de ira catei TODOS os pacotes de cookies, Kellogs e bolinhos e joguei tudo no lixo. Vim pro trabalho com um lanchinho de queijo e um pacotinho tetrapack de suco de laranja, e só essa manhã tive 2 episódios de hipoglicemia. Tomei minha pastilhinha de dextrose mas estou subindo pelas paredes.

Estou arrasada, desanimada e muito puta da vida. Vou ter que entrar de dieta, não sei nem como, e de quebra vou ficar preocupada com cada Piña Colada que eu tomar de férias.

Amigas fofuchas, comiserem-se de mim, que terei que comer all-bran sem gosto, muito Philadelphia Light, torradinha sem graça, salada sem molho dilíça cremosinho, peito de frango grelhado e frutinhas leves.

Eu não mereço, e com certeza joguei pedra na cruz!

quarta-feira, maio 11

Expatriados


Quando eu morava no Brasil, meu sonho era trabalhar fora do país por alguns anos, não só pela experiência interessante de viver em um outro país, mas pelo bem que ter uma experiência internacional faz ao CV de qualquer um no Brasil.

Porque somos assim aí na terrinha? Porque valorizamos tanto quem morou no exterior? Lembro-me de ajudar num processo de seleção na antiga empresa onde dois candidatos empataram e o critério de desempate foi o ano que um deles tinha passado nos EUA fazendo colegial. Agora eu pergunto: um ano de colegial nos EUA, é relevante para um emprego 15 anos depois?

Enquanto lá, cansei de ver Europeus da matriz alemã virem pro Brasil com contratos de expatriados fantásticos: carro pro funcionário e outro pra esposa, casa nos melhores bairros de São Paulo e uma verba de despesas que normalmente sustentava a família, incluindo atividades de lazer, pelo mês todo. Na maioria dos casos eles vinham para ficar 3 anos, ficavam 5 e durante todo esse tempo seus salários ficavam intocados na Alemanha. Imaginem 5 anos de salário no banco!

Já os brasileiros eram tão ávidos para ir como expatriados para o exterior, que aceitavam condições bem inferiores: carro só pro funcionário, casa em determinados bairros dum pool da empresa ( e olhe que pode ter lugar bem feio em Detroit ) e uma verba para despesas bem inferior. Mas quando esses funcionários voltavam eram tratados como celebridade, sempre eram promovidos, e se a empresa não paparicasse bem - simplesmente mudavam de emprego! Já naquela época uma experiência de 3 anos nos EUA ou Alemanha, na automotiva famosa, valia ouro no CV.

Eu me pergunto: será que vamos mudar nossa mentalidade? Tem tanto brasileiro trabalhando no exterior agora, será que experiência internacional vai continuar sendo tão valiosa, ou vai se tornar carne de vaca que nem MBA?

A esposa de um fornecedor brasileiro trabalha na KPMG do Brasil, e ele disse que com 7 anos de experiência no exterior, eu teria salário de marajá no Brasil. Acho engraçado isso, o povo só vê que eu trabalhei no exterior, quem garante que o emprego aqui era mais ou menos qualificado que os de lá? Vou te contar, os 18 meses que eu passei na Bosch me emburreceram, já imaginou quem tem toda sua experiência internacional numa empresa daquelas?

A empresa aqui está procurando funcionários pra ir como expatriados pro Brasil, e os poucos que chegaram a considerara a possibilidade já disseram: tem que ter um fantástico pacote de benefícios. E isso, a empresa não quer dar.

Logo eu conto o desenrolar do meu perrengue de sexta-feira.

terça-feira, maio 10

Eu "se" divirto


A Dra. Alice ( do pitacolog, primeiro link alí na direita ) falou sobre a doidera que baixa nesse povo das Zolanda quando o ponteiro do termômetro sobe. Aqui no interiorrrr a fauna é menos exótica que em Rotterdam, e há um limite pras estampas de oncinha, zebrinha, girafa e afins, mas ó, a festa do caqui é bem animada também. Eu amo muito tudo isso!

Tem de tudo. Tem homem de papete e meia, tem gordinha de roupa colada, tem magrinha quase pelada, e nos parques a mulherada faz topless na "boua". Ano passado o diretor da engenharia ( eu trabalho no prédio da engenharia ) fez uma reunião especial com o povão só pra falar que o povo estava exagerando, com direito a fotinhos do que é aceitável e o que não é ( bermudão speedo com papete não é aceitável, ho ho ho e o cara teve que explicar ).

Mas o que eu amo muito é que fora do ambiente profissional, onde um certo decoro deve ser mantido, tudo vale e ninguém fica julgando ninguém.

E no Brasil? Ah, o Brasil… A imbecil da Gloria Kalil é um bom ( mau ) exemplo. Outro dia naquele blog infame dela, ela tirou uma foto de uma gordinha de vestido colado e rosinha e escorraçou a mulher: chamou-a de sem noção, disse que ela tinha os quadris mais largos que infeliz da Kalil já viu e que jamais deveria vestir a roupa clara, perguntou onde estavam as amigas da moça pra dar um toque e decretou que as gordinhas ou quadrilzudas tem que usar roupas escuras ( já ouviram falar em "verde fechado"? ) e mais longas. Claro, no Brasil, quem não tem o corpo, a beleza ou a idade da Gisele Bunchen tem mais é que se esconder mesmo…

Mas aí é que a porca torce o rabo. A gordinha pode até querer se esconder atrás de um vestidão longo e escuro, aliás, logo as fashionistas imbecis como essa senhora Kalil vão ditar que gordinhas terão que usar burka, mas onde comprar um vestidinho mais longuinho e ter ainda opção de cores?

Cheguei no Brasil levando pra minha mãe, a pedidos, uma calça jeans holandesa. Fui na minha loja favorita, escolhi uma com cintura "normal" ( aqui tem a alta e a baixa ), pernas retas ( tem a skinny e tem a meia-boca-de-sino ) e mais curta ( aqui tem 28" 30" e 32" de comprimento, fora as calças lang - longas para as mais altas ). Minha mãe era uma visão de fazer dó, baixinha, um pouco acima do peso, 62 anos, se espremendo dentro de uma calça jeans skinny de cintura meio baixa. Minha mãe sempre teve bom gosto pra roupas, então porque aquela calça? Não acho outra, Adriana. Vocês precisam ver que elegante ela ficou na calça holandesa! E olhando depois no shopping, é isso, parece uniforme, só mudam as estampas.

Aqui na Holanda é ultra comum você comprar um vestidinho lindo que te cai super bem, mas esfria um pouco e você quer usar o vestido, ou você não se sente muito confortável com saias, ninguém pensa duas vezes: legging branco ( no verão ). Eu, particularmente, não gosto porque minhas pernas são gordas e parecem uns salames parafinados, mas não tô nem aí pra quem usa. No Brasil fui colocar uma legging pretinha debaixo duma túnica e várias pessoas acharam "estranho", eu decidi sair pro shopping assim mesmo, e foi chatésimo notar como vendedoras de shopping ficavam olhando pra mim e certamente pensando: tá bêbada essa ai? A roupinha já tinha recebido vários elogios na Holanda, eu tava me sentindo ótima, mas esses olhares "killed my buzz", e eu acabei voltando pra casa super borocochô. A tática no Brasil é usar o uniforme, e eu acabei saindo todos os dias de capri jeans e blusinha compridinha, bó-ring.

Por isso que aqui eu "se divirto". Saio como eu quero, vestido e havaianas, vestido e legging, ninguém me olha atravessado e tem sempre alguém muito mais exótico do que eu. E se eu quiser parecer uma coxinha embrulhada numa skinny jeans, ninguém vai me olhar atravessado mas eu só o farei se for mesmo "do meu gosto", porque eu tenho vááááárias opções de calças jeans e outras roupas a minha escolha.

Morar nas Zolanda é ruim mas é bom!

domingo, maio 8

Coragem

Você encararia ir trabalhar com o sapatinho abaixo? Confesso que minha primeira reação foi: não tenho coragem!



Quando me falaram da proposta da mbt eu fui ler, pesquisar, e fez muito, muito sentido. Eu, que ando o tempo todo com dor nas costas me interessei, mas confesso que é difícil superar a má aparência dos calçados. Os "sport models", ou modelos parecidos com tênis, são menos piores, mas esses chamados "dress models" - criados justamente para quem precisa de calçados mais sociais para o trabalho, me lembram aquelas botinhas que as crianças com pés chatos usavam. Foi difícil superar o preconceito e me auto-convencer que pelo menos duas vezes por semana dá pra encarar o bicho no escritório, fora que dá pra usar bem durante o findi.

Agora que eu me condicionei a aceitar a aparência, tá difícil me acostumar com o preço do dito cujo: € 229!!!!

Diga aí, vocês tem coragem de pagar €229 nesse sapato feioso da foto acima? Ó, confesso que vou antes a uma loja experimentar, e só se for como andar nas nuvens é que eu encaro.

sexta-feira, maio 6

Joguinho político


Eu detesto joguinhos políticos empresariais, e pago pra ficar fora deles. Mas hoje, tive que me meter de cabeça sem capacete num.

Vocês sabem o quanto me incomoda ver o francês tomando conta do projeto brasileiro e eu de lado, né? Nos últimos dois meses, mais pessoas foram envolvidas, todos diretores maiores que eu ou o francês. E eu ainda de lado. E por isso decidi dar uma olhadinha fora da empresa em oportunidades para pessoas com experiencia no Brasil.

Eis que um headhunter me manda uma vaga de emprego perfeitinha pra mim: na minha empresa! Sim, queridos, eles me mantém de lado mas procuram uma pessoa por fora. Fiquei verde de ódio, babando gosma e soltando fogo pelas ventas. Meu diretor direto está de férias, aguentei o que pude, mas já vendo que meu findi ía ser terrível com essa bola entalada a garganta, fui falar com o diretor médio, que foi encarregado do projeto.

E a resposta? Foi que meu diretor direto disse que ele não pode "ceder" essa que vos fala pro projeto brasileiro, que eu dei metade do meu portfolio pra dois novos empregados e que eles mal conseguem dar conta, que ele precisaria de mais duas pessoas pra pegar o resto. E por isso, ele informou a gerência do projeto em Seattle que eu não estou interessada.

Então queridos, babei e soltei fogo pelas ventas tudo de novo, e disse que se a escolha da empresa for me deixar de fora, que eu vou repensar minha carreira. E fiz cara de mistério.

E agora é isso, Adriana misteriosa terá que esperar o desenrolar da história.

quarta-feira, maio 4

Pobreza extrema


Li essa matéria e chorei.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pobreza-extrema-nunca-pensei-que-a-situacao-fosse-piorar,714460,0.htm

Reclamo tanto das Zolanda, mas aqui não tem gente pobre assim.

Enquanto isso meus colegas classe média paulista compram camisas Tommy Hilfiger de 300 reais e já pensam em trocar o apartamento no Guarujá por um na Flórida.

Triste isso.

terça-feira, maio 3

Miau...

Quando a gente pega um bichinho, a gente escolhe o tamanho, a cor, muitas vezes a raça, mas é tudo besteira, depois de umas horas você ama o coisica sem enxergar nada disso.

Ty ty ficou doente e o levamos pro veterinário dia 5 de março. Foram 5 diálises, injeções, remédios, e comida especial. Faz agora 2 meses e o levamos pro retorno. Nosso lindinho ganhou bastante peso, de 6,17 está agora com 6,53. O exame de sangue mostrou uma grande melhora, mas ele ainda tem algumas substâncias alteradas.

Hoje ficamos sabendo que o remédio que ele tomou por 1 semana tem que ser dado pro resto da vida, a veterinária não explicou direito. Já começamos com as pilulas e ele come como se fosse balinha. Em setembro na vacinação vamos mais uma vez medir o sangue e tomara que dê mais próximo do normal.

Quem pega um bichinho tem que estar preparado para imprevistos. Ty vai precisar de cuidados especiais pro resto da vida. Graças a Deus ele pode levar uma vida normalzinha quando medicado e comendo comida especial, e graças a Deus o tratamento não envolve injeções ou remédios mais difíceis de administrar. Entretanto, os gastos mensais que eram de 70 euros subiram para 200 euros e nunca mais baixarão. Agradeço mil vezes aos céus que temos e que não fará falta, mas eu imagino quem vive com orçamento apertado e vê os gastos com seu animalzinho triplicar assim da noite pro dia. A comida especial é mais que o dobro da comida normal, o remédio é caro, o gato usa mais areinha no banheirinho. Sem falar que já foram mais de 1000 euros em conta de veterinário.

Por isso, se você está pensando em adotar ou comprar um animalzinho de estimação, pense em tudo isso.

Estou aliviadíssima que meu xuxuzinho tá bem. Como disse a Marcia uma vez, dinheiro a gente faz mais. Há dois meses o Ty mal conseguia beber água, hoje ele nos acorda 7 da manhã pra pedir comida, e nem eu nem o marido ficamos bravos, é na verdade um alívio e uma alegria.

O trabalho enobrece...


Vejam vocês queridos leitores, há dois anos eu estava aqui nesse site choramingando as incertezas dentro da empresa, em consequencia à crise, e agora estamos aqui descabelando-nos com o tanto de trabalho que temos e a falta de pessoal.

A empresa, que há anos não paga horas extras, comunicou que horas extras serão pagas e olhem o estapafúrdeo da coisa: cada funcionário será obrigado a trabalhar 4 horas extras por semana  pelos próximos 3 meses.

Juro que um ataque terrorista não teria causado maior furor do que esse anúncio. Trabalhar horas extras, ha ha ha, é contra os princípios da holandesada. "E como fica a vida familiar?" - bradava um…

Mas também, o sistema não ajuda. Aqui pagamos impostos escalonados, quem está na minha faixa de impostos paga 52% de imposto sobre cada centavo ganho, ou seja, pra cada 2 horas que trabalho, embolso os eurecas de 1.

Foi pedido que o funcionário tenha a opção de ao invés de dinheiro ganhar as horas para serem desfrutadas mais tarde, com a aprovação do chefe. Eu imediatamente entrei nesse grupinho, mas há poucas chances desse pedido ser aprovado.

Como aqui é tudo muito estudadinho, e explicadinho, e burocráticozinho, tudo ainda tem que passar por mil comissões cheias de letrinhas, KWO, OR e seilámaisoquê, mas estou preocupada, pois do jeito que tá já é bem pesadinho pra mim trabalhar o dia inteiro, lá pelas 4 já estou tontinha…

Blé, post chato de galocha esse… O negócio mesmo é ir lá ver as fotos dos vestidos das famosas no baile do MET e me perguntar repetidamente: pô Beyoncé, com a tua grana, como pode… tá faltando espelho em casa???

segunda-feira, maio 2

No reason to celebrate

Olho pro video dos americanos comemorando a morte do Bin Laden e me pergunto: o que há pra comemorar?

O Al Qaeda vai continuar, agora liderado por um egípcio tão cruel quanto ele. Retaliações farão mais mortos. A guerra contra os terroristas chegou ao fim? Nem de longe, é só mais um dia na vida deles, dia pro qual eles estavam se preparando a quase 10 anos.

A turma que acha que o homem ainda não pisou na lua e que foi tudo um truque de studio, junto aos que acreditam que o Elvis ainda vive, duvida da veracidade do fato, agravado pela falta de prova visual. Dizem as autoridades americanas que em respeito à religião dele o sepultaram em 24 horas como manda o Islam e que foi no mar porque não houve tempo para achar um lugar para enterrá-lo. A verdade é que ninguém queria uma lápide pra virar lugar de peregrinação de outros simpatizantes, acho eu.

Uns dizem que o Bush não se esforçou em encontrá-lo porque o "governo do medo" ajudou na reeleição, outros dizem que o Obama colocou todos os recursos possíveis pra encontrá-lo porque precisa de ajuda para a reeleição. Eu só acho que todo mundo esteve procurando esse tempo todo e como dizem, quem procura acha.

No fim dessa conversa toda eu só acho uma coisa: dessa pessoa jamais sairia bem algum. A morte dele também não vai acabar com guerra nenhuma. Mas se existe uma pessoazinha só pelo menos, que algum bem tirou da morte dele, alguém que perdeu um ente querido e que agora sente que justiça foi feita, que finalmente teve o tão esperado "closure" e que talvez agora seja um pouco mais fácil seguir em frente, então pelo menos essa criatura, ou a morte dela, já serviu pra alguma coisa.

O mundo em que vivíamos antes de 09/11 era um mundo bem mais fácil.

sábado, abril 30

Como tem gente chata no mundo!

Put@merd@, como tem gente chata no mundo!

Ontem casaram-se William e Kate, que agora é Catherine pra nós que continuamos plebe.

Aqueles que além de chatos são burros, ficam reclamando da grana que os cofres públicos usaram pra financiar o evento. Vejam bem tolinhos, 18% de VAT sobre hotéis, passagens aéreas, transportes coletivos, lembrancinhas com a cara dos noivos, artigos para as festinhas de rua, sobre os direitos de cobertura da media, e um sem número de outras coisas que vão gerar renda pros cofres públicos britânicos, britânicos aqui sendo a palavra operativa. Se são os cofres públicos britânicos que estão bancando a festa, porque é que o resto do mundo está ralhando? Gente chata! Meu marido incluído!

Ah, Adriana, você é fanática pela família real? Não, mas pô, a cerimônia foi super interessante, a carruagem centenária, a Abadia enfeitada, o povo ultra bem vestido, o príncipe carequinha e a noiva que estava perfeita! Não é o seu "cup of tea"? Muda de canal ué. Ah, mas tá em todos os canais... mentira! Quem tentou assistir via internet achou poucos sites disponíveis, congestionados, e como no caso da NOS ( holandesa ), com dois fubangos nonsense tagarelando sem parar.

Aliás, se é pra falar de gente chata, vâmo colocar essa holandesada no topo da lista. Enquanto o resto do mundo comentava a beleza do casal, o bom gosto da cerimônia, a alegria dos ingleses, três canais holandeses se dedicavam a mostrar as gafes e erros do processo todo: o guarda que abriu a porta do carro pra rainha mas ela saiu do outro lado, a aliança que parecia estar apertada, o noivo tendo que segurar o buquet da noiva porque a Pipa tava num carro atrás do deles, a careca real, e por aí vai... Gente chata!

Em poucos dias da nossa vida a gente está tão "full of joy" como no dia do nosso casamento. Estamos felizes, cheios de esperança no futuro, aquela crença que estamos agora encarando a vida fortalecidos, team-spirit, manja? Pelo menos pra mim foi assim, e sempre que vou a um casamento espero que os noivos estejam também naquela mesma "nuvem" que eu estava.

E pros chatos, meo, meo... vai catar coquinho na ladeira... vá lá fazer análise histórica compreendendo 1200 anos de monarquia com estatística dos casamentos da família real inglesa...

quinta-feira, abril 28

Calça da Gang em 12 vezes sem juros


Você, leitora que não é rica, que não tá na lista da revista Forbes, que não é atendida com hora marcada na Chanel, pagaria 2, 3, 4 mil euros numa bolsa de marca, Louis Vuitton, Hermès, Chanel, Prada, ou qualquer dessas marcas?

A turquinha do departamento, que vai casar e mudou a data pra economizar 2 mil euros no aluguel do salão, acabou de pagar 3 mil euros numa bolsa Birkin.

Nós, as meninas do departamento, achamos a bolsa cafonérrima ( croco preto envernizado ). O mais interessante é que a maioria do grupinho que se juntou pra fofocar no café disse que a primeira "assumption" deles seria a de se tratar de uma boa imitação.

Triste isso, a fulana gasta uma grana que vai arrombar o orçamento dela numa etiqueta ( digo etiqueta, porque se fosse numa boa bolsa tem várias na Bijenkorf por 300 euros que são bem lindas e boas ), e a maioria do povo pensa é que a menina deu uma passadinha no camelô.

Triste não, mas deprimente, é pensar que tem gente que é assalariada, ganha 2500 paus por mês, e gasta 3000 mil numa bolsa. E sem crediário, hein!

Ó, pelo menos na loja Marabráz você abre um crediário e ganha o relógio de parede com foto do Zezé de Camargo e Luciano.

 

quarta-feira, abril 27

Adriana House

Na mesma proporção em que eu adoro os seriados House, Grey's Anatomy, Private Practice, eu detesto esse povo que se auto-diagnostica, se auto-medica. Minha mãe tem a mania de auto-medicação, mudar a dosagem receitada, "emprestar" remédio pras irmãs... já até ameacei interná-la ou interditá-la. Na última ida ao Brasil já avisei que ela é adulta, que viva a vida como quer, que se ficar inválida vai ser meu irmão que terá que cuidar, e que se morrer a gente enterra, ué.

Mas hoje me vi novamente na situação de ter que ser a Dr. House da parada e resolver meus "póprio pobrema".

Fui à huisarts hoje, o problema é que estou tendo uns episódios que parecem hipoglicemia muito frequentemente, chega a dar 2 vezes por dia. Já tive algo parecido quando era adolescente, por isso googuei e parece ser hipoglicemia, mas como eu não sou médica, detesto auto-diagnóstico e não acredito no povo do Yahoo Perguntas, resolvi ir na médica.

A nova médica teve um problema e a antiga foi que me atendeu. E não resolveu nada, e me perguntou o que eu achava que era ( !!! ), e disse que não há jeito de saber o que é, me mandou pra dietista pra fazer dieta de hipoglicemia, já que eu "acho" que é isso.

Decidi então que essa idiota é uma idiota, mas que eu não serei idiota. Googuei. Santo Google. E decidi o seguinte: há sim como saber se eu estou tendo hipoglicemia, então eu vou comprar um daqueles aparelhinhos de medir glicose. Serão 80 euro-mangos, paciência.

Google confirmou o "tratamento" quando os episódios acontecerem: pastilha de dextrose, suco de laranja, em casos extremos açucar na bochecha. Até agora a pastilhinha de dextrose funciona que é uma beleza e é discreta ( deixo duas desembaladinhas na minha pasta de reuniões e ninguém nem se toca quando eu coloco uma na boca ). E levo uma caixinha de suco de laranja na bolsa.

Já estou procurando uma nutricionista, preciso aprender a me alimentar de forma a evitar as crises.

E assim, euzinha, Adriana House, me auto-diagnostiquei, prescrevi meus exames, os avaliarei, e me auto-medicarei. Estou indo contra tudo o que aprendi, mas aqui no interior do Zaire ( Paca, tô com saudades! ) é preciso.

E fiquei toda felizinha, logo essas ziqueziras passam, eu de quebra emagrecerei 5 quilos pra início de conversa, e aumentarei meu condicionamento físico porque eu quero ir pra DisneyWorld e aquilo é mais ferrado que uma maratona.

E pronto, fim de mais um posto chato hipocondríaco.

terça-feira, abril 26

Cuma?


Nesse domingo a minha vizinha transversa comemorou o aniversário dos filhos. O mais velho, Luuk fez 1 aninho e o mais novo, Stijn ( não é is-ti-gi-ni, é is-tái-ni ) fez 2 meses. Dá pra alguém me explicar como?

sexta-feira, abril 22

Sorria, em Dezembro você vai pra Bahia!


Ontem fez um dia lindo. Tive um dia super legal no trabalho, passei no mercado pra comprar umas guloseimas de páscoa, fui pra casa. Meu quintal é tudo de bom, fiquei ali estirada ao sol até as 18:30. O marido chegou, sentamos na frente da TV pra ver uns videos engraçados no youtube ( quem morar aqui na Holanda, procure ZAKJE no youtube ). Um franguinho cheirava bem no forno, os gatuchos estavam sentadinhos no quintal, meu marido do meu lado, e depois do problema de rins do Ty e do meu piripaque, estávamos ali juntinhos e todos bem de saúde. Que momento feliz.

Bonança antes da tempestade? Sei lá, e se for? Todo mundo vai ter problemas na vida, logo eu vou ter novos problemas, ficar se preocupando por antecipação porque? Ou então fazer como a minha mãe, que se não tem problema, arruma. Tô fora!

Estar bem e ser feliz, muitas vezes requer treino. Eu estou me treinando a ser feliz.

Minha mãe tem 3 irmãs mais novas. Duas delas sempre sofreram com orçamentos apertados. Muitas vezes meus pais tiveram que socorrer, que ajudar a pagar aluguel, e até mesmo eu, já adulta, muitas vezes fui ao mercado comprar comida pra colocar na geladeira deles. O que eu gastei nunca me faltou, familia é pra isso, e o que eles não nos ajudaram monetáriamente, o fizeram de outras formas.

Minha mãe sofreu ANOS pensando no futuro dos meus primos, os sobrinhos dela. Chorááááva de soluçar, falando que se já não era fácil pro meu irmão por exemplo, engenheiro formado, arrumar o primeiro emprego, imagine meus primos, que nunca iriam poder entrar numa faculdade…

Olha, foi tanto sofrimento, tanto chororô, e olha lá, os 4 primos ou já estão formados numa faculdade, ou estão em vias de. Não estão nadando na grana, mas estão lá começando a vidinha deles, um com carro, o outro vai casar, o outro tá noivo, e a vida tá bem felizinha lá praqueles lados.

E minha mãe tá feliz? Claro que não, agora ela tá infeliz porque minhas tias, que estão também mais velhas, estão todas doentes… inclusive ela aliás… Não tem jeito, quando a pessoa é assim, vai morrer assim. Ou não, porque eu me recuso a deixar a preocupação com a vida alheia acabar com a minha vida.

Aliás, deixa eu contar uma coisa até engraçada pra vocês. Por parte da minha mãe, são 4 irmãs e dois irmãos. Dos 6 irmãos, todos levaram suas vidinhas normais, com seus perrengues dentro do usual, menos meu Tio T. O problema do Tio T., como diz minha mãe, são os "tóchicos". Ha ha ha, eu dou risada. Ele bebe pra caramba, e desde os 16 anos é chegado num cigarrinho do capeta. Tem até uma história que eu acho engraçadíssima: meu Tio T., ainda solteiro, se interessou por plantas numa época que ele estava trabalhando pro Uemura ( C&C hoje em dia ). Trouxe várias plantas pra casa da minha avó. Tinha uma, bem bonita, que só gostava de um lugar no jardim de trás, o Tio T. dizinha que era só tirar dali e ela murchava todinha a coitada. Meu tio viajou pra praia e minha vó teimou de trocar a planta de lugar, achando que com mais sol e mais ventinho ela iria ficar ainda mais linda. Toda orgulhosa, carregou a bicha do quintal de trás pro da frente, bem perto da calçada, pros vizinhos babarem na planta. Horas depois toca a campainha, é a polícia, foram minha vó e a planta pra delegacia. A planta era um lindo e verdejante pé de maconha. Ha ha ha. Claro que minha avó jurou que não sabia, e não sabia mesmo, meu tio não podia ser encontrado, minha avó dormiu uma noite no xilindró, mas o delegado teve pena e deixou ela ir embora, não sem antes torrar a planta.

Mas então. Meu Tio T., o manguaço e viajandão da família, é o único que não tem nenhum problema de saúde. Uma tia tem efisema pulmonar, a outra Parkinson, minha mãe artrite reumatóide terrível, e é estômago que dói, é coluna que desvia, menos com o Tio T., que pra dizer a verdade tá sempre razoavelmente "alto" ( de alcool ou de erva )  então mesmo que tenha alguma dor, ele nem nota ( e nem a gente ).

Não, não vou manguaçar e fumar, mas vou deixar as apoquentações pra lá e vou viver minha vida, e quando minha mãe vier me falar de problemas desse e daquele, e vou cortar logo, vou pedir pra ela me contar alguma coisa boa, algum fato legal.

E ó, vou pro Caribe viu! Lembram que eu queria tanto? Mas essa história eu conto outro dia.

quinta-feira, abril 21

Tô chocada!


Ontem eu tive uma reunião com um fornecedor brasileiro e depois da reunião estávamos falando de preço de casas e apartamentos, e eu fiquei chocada com a nova "modinha" da classe média brasileira.

O fornecedor disse que ele tinha uma casa em Maresias e a mulher queria que ele vendesse e comprasse um apartamento no Guarujá. Os filhos de 10 e 13 anos queriam que o dinheiro fosse economizado e guardado para uma viagem anual à Florida. A solução foi então comprar uma casa não no Guarujá, mas na Flórida!!! Ele me disse que vendeu a casa dele por 280 mil reais, era uma casa pequena, mas como os imóveis estão caros no Brasil ele conseguiu uma boa grana. Ele comprou uma casa em Clearwater na Florida novinha em folha por 90 mil dolares. O resto da grana ele aplicou para ajudar na compra das passagens aéreas anuais e alguns impostos que ele tem que pagar nos EUA.

O que mais me surpreendeu é que não estou falando dum milionário, mas uma pessoa normal de classe média, assalariado. Foi meio bizarro ele ali falando em como é descomplicada toda a transação, que a família toda tem um visto normal de multipla entrada, que agora um dos irmão vai comprar um apartamentozinho bem próximo da casa dele, que eles adoram o supermercado da esquina, que o vizinho é um velho meio surdo que vai vender um carrinho usado pra eles com milhagem super baixa, que as crianças querem aprender a ir de ônibus pra Orlando…

Agora vejam só, meu apartamentozinho em SBC de 65m2 está avaliado em 210 mil reais ( preço que um do andar de baixo foi vendido mês passado ), eu podia vendê-lo e comprar uma casinha nos EUA. Euzinha, pobre proletária…

Não sei se os EUA agora são um país de terceiro mundo ou se é o Brasil que virou de primeiro.


quarta-feira, abril 20

Control freak


As pessoas acham que é bonitinho falar que "eu sou control freak", que eu tenho problema em "delegar", como se isso fosse mérito, como se isso fosse sinônimo de competência, como se isso quisesse dizer que se pode fazer tudo e fazer bem.

Eu, muito infelizmente, sou control freak. Esse imenso defeito está acabando com a minha vida, a nível pessoal e a nível profissional. Eu tenho a mais profunda convicção de que se eu quiser uma coisa bem feita, eu que tenho que fazer. E pronto.

Se eu vou ao supermercado, me incomoda deixar o marido escolher o que pode ser escolhido ( carnes, legumes, verduras, coisas frescas ), porque é claro que eu sei escolher melhor. Me incomoda chegar em casa e deixá-lo guardar as coisas, porque eu arrumo tudo direitinho, ele entucha tudo de qualquer jeito. Esses dias doente foram uma provação para mim, porque muita coisa eu tive que delegar para o marido, a listinha de compras, a limpeza do banheiro dos gatos ( você analisou o cocô pra ver se não tem nada de anormal, se um deles não teve diarréia? ), a aspiração do pó ( você aspirou a cadeira dos gatos? ). Eu sou uma chata de galocha. Meu marido é um chato de galocha. Somos o par perfeito.

Aqui no trabalho, a transição de compradora para gerente de compras está sendo traumática. De acordo com o previsto, demoramos um ano para contratar mais gente, treinar ( ainda estamos treinando ) e chegar num ponto onde eu só precise  cuidar de um fornecedor(zão) e de resto gerencie um grupo. Agora que a fruta tá madura, tá difícil colher. Eu tenho que identificar um projeto, falar pro Fulano, Ciclano e Beltrano fazer isso, aquilo e aquilo outro, mas na maioria das vezes eu penso, o Ciclano não é muito bom nisso, o Beltrano é meio lento naquilo outro, e quando vejo já estou planejando a execução do projeto eu mesmo. Isso é feio, isso é péssimo, principalmente porque demonstra na verdade que eu não confio na capacidade dos outros e pior, me acho melhor que todo mundo.

Meu trabalho tem uma parte ultra maçante, preencher telas e fazer relatoriozinhos. Diz o novo job description que eu analiso os dados e dou para a assistente fazer o relatório, preencher a tela, mas quando eu tenho que ir lá pedir pra ela, eu fico pensando que eu sou uma folgada do caramba, que não é justo eu só querer fazer a parte legal e jogar a parte ruim no colo dela, e vou andando até a mesa dela me digladiando comigo mesma de tanta culpa. Ela já percebeu e acha engraçado, afinal esse é o trabalho dela, ela sabe que é a parte chata do meu, ela não se importa, aliás ela me disse que para ela o insuportável é a minha parte, que ficar digitando telinha é legal, higiene mental.

Hoje eu tive minha reunião semanal com o boss e estamos "delegando", eu para outros e ele para mim, e isso está me ensinando muito. Eu acho tudo que ele está delegando para mim super legal ( budget para laptops, viagens, analise de workload e requisição de funcionários extras, career planning ) e ele já me disse que está començando a transferência pra mim de tudo o que ele detesta, ou seja, o que ele detesta é o que eu estou adorando. E assim eu vou aprendendo a relativizar meu conceito de "tarefa desagradável".

Hoje estou praticamente saltitando pelos corredores. Estou me sentindo bem, o trabalho está legal, está um dia lindo e hoje eu vou churrasquear. As asinhas de frango já estão de molho, pela primeira vez vou tentar fazer costelinhas de porco.

A vida é bela meu povo, at least for now.

terça-feira, abril 19

A presepada do Ronnie Von


Eu adoro o modo como a comadre Alice escreve os posts dela, com palavrinhas chave que são na verdade links para wikipedia, youtube, ou qualquer outro site com informação relevante. Por isso enquanto eu esperava a reunião chatésima começar, lia o site dela no aparatinho mirabolante que agora eu tenho que carregar ( se esse blog fosse o dela e eu não estivesse escrevendo via e-mail, eu iria agora inserir on link com uma foteeenha interessante de um blackberry trucadão ).

Gente, fazia um tempão que eu não escutava ( ou lia ) a palavra presepada. Putz, eita palavrinha que eu adoro, fulano aprontou a maior presepada… Meo, vieram os caras com a maior presepada… Tentei achar alguma presepada pra contar pra vocês, mas necas, minha vida tem sido bem chatinha ultimamente.

Eis que entra o véio Old Fart na sala, todo espalhafatoso, todo cheio de milongas, pronto pra fazer uma apresentação muito marromenos. E eu lá pensando: bom, eu tava procurando uma presepada pra contar, taí ó, a presepada. Será que tem sinônimo em holandês pra presepada?

Aí, do nada, veio o diabinho me falar: putz, o Old Fart é a cara do Ronnie Von careca e gordo. Manja aquela cara de quem parece que passou Kajal no olho? Gente, não aguentei, tive que sair da sala pra rir no banheiro. Já imaginei o Old Fart-Ronnie Von fazendo risoto na TV, naquele programinha fubango que ele tinha.

Será que a sopa de champignons de ontem tava contaminada? Alguém aí lembra de alguma música do Ronnie Von?



segunda-feira, abril 18

Uau!

Uau. É só isso que posso dizer. Como estou forteeenha, Jisuis. Fazia uns 2 anos que eu não chegava em casa tão bem disposta depois de um dia de trabalho. Ó povo, eu tava à beira da morte mesmo, viu.

Hoje voltei ao trabalho e várias pessoas vieram me perguntar se eu estou sabendo que o chefão quer 2 expatriados no Brasil até o fim do ano. Ninguém entende como é que eu não quero voltar pra esse maravilhoso país tropical, patrocinada pela empresa, com salário europeu!

Ho ho ho, mal sabem eles que um salário brasileiro seria mais alto que o meu holandês, do jeito que as coisas vão na terrinha!

Mas ó, vê se não é antisse: A-I-N-D-A não escolheram a cidade pra montar a planta. Meu diretor hoje perguntou: e aí, tem certeza? Eu disse: querido R. vou escrever o nome de uma cidade nesse papelzinho, se, e apenas se, montarem a empresa lá ou no máximo 30 km ao redor, eu vou. No papelzinho: Praia do Forte. Ha haha, ó, podia ser Camaçari, né?

E o último boato é de que a planta seria em Poços de Caldas. Bom, pelo menos requeijão não ía faltar. Aí vem o francês: Adriana você sabê se lá no Pokos de Caldas tem escola internacional, você pode pesquisar aí na Google com as palavras certas? Hahahahah quase me fiz de tanto rir, escola internacional em Po"k"os de Caldas? Ho ho ho. Não francês, não precisa nem googar. Mas googuei assim mesmo e não tem.

E o outro colega que acaba de chegar do Brasil: Adriana, passei em frente de Holambra, fui a rri-rrim. Ahn???? Môrri-Mírrim. Filho, isso não existe, escreve aí, e então eu li: Mogi Mirim.

Ha ha ha ha. É minha vingança por ainda não saber falar decentemente Scheveningen.

Me vou que tá sol e o vizinho tá ouvindo a música da Britnéia a todo vapor no churrascone de quintal dele. Essa música é "os inferno", você ouve uma vez e fica no inconsciente que nem aquela "It's a small world after all", repetindo e repetindo... Essa desinfeliz vai morrer de tanto ganhar dinheiro.

Till the world ends, meu povo!

domingo, abril 17

Dinheiro não compra felicidade, e nem manda buscar...

Eu adoro um programa da BBC com a Kirstie Allsop onde ela e um colega ajudam casais a procura de uma casa pra comprar.

Hoje as vinhetas anunciavam que o programa mostraria a propriedade mais cara já comprada no programa. E de quebra, a compradora era uma garota de 18 anos. Eu pensei: trust fund ( dinheirinho do papai ).

Quando o programa começa, Kirstie explica: por um erro médico durante o parto, ela ficou sem oxigenação e perdeu o controle dos músculos. Os pais processaram o hospital e receberam uma enorme compensação, que eles guardaram para ela assim que ela fizesse 18 anos. Ela precisa de enfermeira 24 hrs por dia, tem aquela sindrome que parece que a pessoa tá tremendo o tempo todo, fala mal, e vive numa cadeira de rodas. E comprou um apartamento em Londres de 1,75 milhões de LIBRAS com uma (pequena) parte do dinheiro que ganhou.

Vendo o apartamento de sonho, com vista para todos os lugares famosos de Londres, pensei que se um dia eu tivesse um filho e o hospital cometesse um erro desses, eu ía mesmo processar até a alma do último sócio, porque se meu filho vai ter todos esses problemas, pelo menos certo conforto ele vai ter, mas... nada, nem dinheiro nenhum nesse mundo, chega perto de começar a compensar a pessoa que tem que viver com uma desabilidade dessas. Olhando aquela moça de Louboutins mas sem poder andar, de roupa aute couture presa à cadeira de rodas por um horrível cinturão de segurança, olha... é de se agradecer cada minuto da nossa vidinha classe média, dos sapatos de liquidação e do crediário na casas Bahia.

Extra! Extra!

Comadre Claudinha sempre diz que gordo, quando vê roupa que ele gosta e que lhe caiba, tem que comprar na hora. Então registro aqui o fato.

Senhores, chegou a coleção de verão da Miss Etam e da irmã mais endinheirada, Promiss.

Na Miss Etam você encontra deliciosas camisetas bem compridinhas, que eu já tenho sem manga, de manga comprida e agora tem também em manguinha curta. Para gordinhas ou magrinhas, com um cintinho, charme total.

Tem também blusinhas modelo império, que deixa a mulher pêra um pêssego de linda.

E já que não se pode vencê-las, juntei-me a elas, estou falando da mulher holandesa e a fatídica calça de linho. Ela amassa, é um fiofó pra passar, quando lava engruvinhas toda... mas é confortável, fresquinha e imprescindível nesse país sem ar-condicionado em lugar algum. Sem falar não há mesmo outras opções. As da Miss Etam são baratas, vestem bem, só que desbotam. Já as da Promiss tem tecido de melhor qualidade, mas é melhor para a mulher maçã, em mim fica péssima.

Eu, que não sou boba e acredito nos ensinamentos da comadre, encomendarei minhas blusinhas djá pelo site da Wehkamp.

O verão vem aí, bei-be!

sexta-feira, abril 15

Efteling



Na década de 30, o Efteling era apenas um bosque com algumas figuras de contos de fadas e alguns "escorregas" pra criançada se dirvertir. Mas veio a guerra, o parque fechou e voltou a ser reaberto em 52 com uma atração espetacular: o primeiro carrossel a vapor da Holanda!



Esse carrossel ainda está no parque, assim como as atrações que foram sendo adicionadas com o tempo. O que mais me encanta no parque é que parece que a gente faz uma viagem no tempo, são locomotivas a vapor, orgãos, carrinhos e suas pistas, tudo direto dos anos 50, 60, em perfeito estado de conservação.





O que eu acho espetacular no parque é que a Floresta Encantada que originou o parque esta lá, intocada, e com os anos mais atrações dos contos de fadas foram adicionados, mas tudo respeitando o design original. Nesse bosque, pouco há de eletrônico, o que encanta são os riachinhos, os personagens aqui e acolá, as cabaninhas e muralhas... crianças encontram ali a cabana da avó do chapeuzinho vermelho, a casinha da bela adormecida, e em meio aquela floresta encantada, os cogumelos que tocam música... Outra coisa que eu amo é que aqui os personagens não tem aquela perfeição "disneyanas", os anões são gorduchos e narigudos, as fadas tem orelha pontudas e queixo duplo, os velhinhos são engruvinhados e tem verruga na cara!









A diversão para crianças pequenas é garantida, mas os maiorzinhos também tem atrações de sobra. As montanhas russas não são ultra-radicais, mas são super legais. Tem o Villa Volta, uma casa doida onde você fica de ponta cabeça, tem o droomvlucht ( vôo dos sonhos ) onde você visita um universo encantado a bordo de um carrinho, e o 3D do Panda, e Bob sleigh, e para os dias menos frios, um barco circular que percorre corredeiras molhadas e te dá um banho!





Os jardins do Efteling são conhecidos no país inteiro, e nessa época do ano, dá pra competir com o Keulenhoff ( ok, exagerei ).



Mas o principal, para quem vem pra Holanda passar um tempinho, ou de férias, e tem crianças, tirem um dia, de preferência ensolarado, para conhecer o parque. Ele é muito, muito, muito holandês e uma boa amostra da cultura local. O Efteling já ganhou várias vezes o título de melhor parque de diversão do mundo, na frente de todos aqueles de Orlando, então tem que ser bom, né?



O ingresso custa 32 euros, e dá direito ao novo show "Ravelijn", no recém construido pavilhão perto da Villa Volta. Para chegar lá, você pode ir de trem até Tilburg ou Den Bosch e de lá pegar um ônibus, mas ir de carro é bem mais prático.

quinta-feira, abril 14

Passerà

A primeira vez que ouvi a música passerà e que me traduziram, achei super deprimente, coisa de italiano velho com a cachola cheia de vinho. Meses depois, estava eu na Itália, me sentindo uma velha, enchendo a cachola de vinho e pensando que a letra daquela música deveria ser adicionada à Biblia, aos Salmos ou algo que o valha, como verdade inquestionável e imutável.

Hoje li a palavra "inefável" no blog da Alice e imediatamente aquele momento, aquele grão de areia da minha vida, encorporou aquela palavra. Às vezes tenho uns momentos meio "Forces of Nature" ( filme com a Sandra Bullock ) e parece que o mundo gira fora de sincronia, eu sou o centro e ao mesmo tempo sou a parte menos importante do todo. Eu sentia uma brisa fresca no rosto, ouvia passarinhos e as cores das flores, tulipas, narcisos, lirios, violetas me tiraram o fôlego, me deixaram sem palavras. Naquele momento eu me sentia saudável como não me sentia há tempos, tudo estava bem com a família no Brasil, tudo bem com o meu lindo marido, o emprego pelo qual eu tanto batalhei ali me esperando... Naquele momento eu estava tão feliz, uma felicidade calma, tão boa...

E imediatamente já vem o inconsciente, ou a prudência, ou o meu auto-boicote-mode-on, me dizer que há apenas 3 semanas eu estava numa cama de hospital recebendo transfusões, sem saber o que eu tinha e claro imaginando o pior, brigando com o marido que não ajudava, preocupada com a mãe que também não está bem, com o gato que estava doente... Vem aquela voz dizer que "aquela pequena dor, ódio ou amor, passará".

Hoje, andando no friozinho, depois de horas batendo perna, olhei meu rosto numa vitrine e o nariz vermelho do frio trouxe lágrimas aos meus olhos. Hoje, e somente hoje, ainda em recuperação e ainda um pouco distante de estar 100% bem, entendo como eu estava mal, mal e mal. Eu não tinha energia para andar os 200 metros do estacionamento do shopping até a farmácia. As compras aos sábados demoravam mais de hora porque eu tinha que sentar pelo menos 2 vezes. Subir escadas quase me matava. E meu rosto estava tão branco, tão branco, que meu nariz não ficava vermelho com o frio...

Quando me diziam que "o importante é ter saúde, o resto a gente dá um jeito", eu fazia pouco caso. Aprendi.

Hoje foi um dia muito, muito feliz.

quarta-feira, abril 13

Prova de fogo

Olha que título de post mais brega!

Segunda que vem volto ao trabalho. Tenho calafrios só de pensar que posso ter outro piripaque no escritório. Ainda essa segunda eu fui ao supermercado e tive um início de queda de pressão, o que me deixou ainda mais insegura.

Mas a vida não pode parar e eu tenho que voltar ao trabalho. Então amanhã, a quem interessar possa, vou botar meus novos glóbulos vermelhos à prova, e será uma prova de fogo: irei ao Efteling.

Andarei muito. Irei em montanhas russas. Só não terei estresse psicológico, de resto...

Quem não tem Disney caça com Efteling.

segunda-feira, abril 11

Coisas que são difíceis de entender...

Quando fui efetivada na GM, fui admitida numa célula com outras duas colegas. R. era dois anos mais velha e S. duas décadas mais velha. Logo nos entrosamos e nos tornamos amigas. Trocávamos confidências, segredos amorosos e até jogar Bingo juntas fomos.

S. sempre foi linda e apesar dos partidões que a cortejaram, cumpriu a promessa feita aos 8 anos de idade para a mãe: nunca iria se casar. Teve namorados, casos, flertes, mas por opção, nunca casou.

R. era a "casadoira", queria casar, ter filhos, trabalhar meio periodo ( ela era psicóloga de formação ), era super tradicional.

R. conheceu um moço que prometia, engenheiro civil com um ótimo emprego, morava no mesmo bairro chique que ela, gostava de ir aos mesmo lugares, o namoro engatilhou. E depois de 1 ano virou noivado e completaram 2 anos de namoro no altar.

O casamento dela foi a coisa mais fantástica que eu já tinha visto, e até agora não fui em nenhum que superasse. Apesar de ter acompanhado os preparativos, não estava preparada pro grau de sofisticação do evento. A igreja foi aquela chique dos Jardins, a noiva chegou num cadillac dos anos 50 raríssimo - cortesia do vice-presidente da GM ( o pai da R. era diretor da GM ). Foi no casamento dela que eu ouvi pela primeira vez a palavra "arautos", aqueles caras que tocam as cornetas quando a noiva chega - tinha 4 na porta. O vestido foi feito por um designer famoso e depois do casamento virou capa de revista, nunca vi um vestido tão sofisticado, chique mesmo. O jantar foi no melhor buffet de São Paulo. Na entrada tinha um lustre de 3000 cristais, e para manter a simetria, bem embaixo dele tinha um arranjo com 3000 rosas vermelhas. O serviço foi francês, a música foi ao vivo, tudo mais que perfeito.

A lua-de-mel seguiu os padrões do casamento: NY, Los Angeles e Hawaii.

Marcamos para ir visitá-la e conhecer a casa nova uns 15 dias depois que ela voltasse da lua-de-mel, mas ela acabou tendo um imprevisto e remarcamos. Aí uma tinha um compromisso, ou a outra, e passaram-se 3 meses sem que a gente conseguisse visitá-la. Um mês antes do casamento eu tinha mudado para um outro departamento e ela tinha ido para o Banco GM, logo as 3 comadres não se viam mais todos os dias...

Um belo dia liguei pra ver como estavam as coisas e remarcar de ver a casa dela e um choque: Adriana, não estou mais casada.

Ah, como assim? Na minha cabeça passou todo o namoro dos dois, o casal perfeito, o noivado perfeito, o casamento de rainha, a lua-de-mel de sonhos, como podia ser?

Chegando da lua-de-mel, ambos voltaram ao trabalho. R. tinha contratado uma empregada, que além de limpar a casa, antes de ir embora fazia arroz para "adiantar" a janta. Naquela primeira semana R. comentou com o marido, nossa que arroz gostoso que a empregada fazia, e o marido ficou furioso, gritou, xingou, como podia ela deixar a empregada cozinha, e se ela quisesse envenená-lo, envenenar os dois, pra fazer a limpa no apê?

R. achou doideira, um absurdo, mas pediu pra empregada não cozinhar mais. Duas semanas depois ele precisou ir para o RJ e pegou o carro dela, que era um leasing da GM pro pai dela e que só ela podia dirigir, e quando ela ligou pra ele pra pedir pra ele voltar e trocar o carro ( ele havia saído a minutos ), ele esbravejou que se alguém tentasse matá-lo na linha vermelha, com o Corsa ele não conseguiria fugir, ele precisava do Vectra.

E vários outros incidentes do mesmo tipo aconteceram. Até que um dia, ele liga em casa todo nervoso pedindo todas as senhas dos cartões de crédito que estavam em casa num cofre. Ela achou a ligação e o pedido estranho e perguntou o que estava acontecendo, ele só gritava: pega logo, pega logo. Quando ele chegou em casa, ensandecido, ele berrava que ele ligou sob a mira de um revolver, que os bandidos queriam as senhas pra ele tirar tudo o que fosse possível do caixa automático e que ela estava macomunada com os bandidos porque ela queria matá-lo. E foi encurralando-a na sacada, e trancou-a pra fora. Imaginem, julho, SP, de noite, no décimo segundo andar... Ela chamou e chamou o vizinho por horas, ele chegou tarde, ela ficou 2 horas naquela sacada, trancada, e quando saiu, fez uma malinha e voltou pra casa dos pais.

Um advogado foi imediatamente contactado, a bomba na família explodiu. No meio de todo aquele falatório, uma prima dele veio visitá-la e ela ouviu o inimaginável daquela quase desconhecida: o marido era um doente psiquiátrico. Ele foi diagnosticado na adolescência com uma forma de esquizofrenia, para ele alguém estava querendo matá-lo. Ele via "gente" seguindo-o, colocando coisa na bebida e comida dele, e paranóico, achava todos ao redor, mesmo os familiares, também queriam matá-lo.

A tal prima contou que ele tomava remédio e fazia terapia desde os 16/17 anos, que nas poucas vezes que ele parou com o tratamento os episódios voltaram, e que ele havia parado com o tratamento pouco antes do casamento, pois estava se sentindo tão bem que se achava "curado".

Long story short, eles se separaram, ele se recusou a voltar ao tratamento, ela ficou com medo dos "episódios" e o casamento acabou. Um dia antes do aniversário de casamento eles assinaram o acordo de divisão de bens e o divórcio. Oficialmente o casamento durou 364 dias.

Depois disso tudo, eu saí com a R. mais algumas vezes. Eu tinha acabado de operar, saí pra comprar roupas com ela, visitei o novo apartamento dela, lindinho de morrer ( e no mesmo bairro chiquérrimo dos pais ). Mantivemos contato por telefone, por e-mail, mas ficava difícil nos vermos tanto, eu trabalhando em São Caetano e ela em SP. A S. a viu mais uma vez, eu acho, mas mesmo assim mantínhamos contato.

Quando eu casei, convidei-a para o casamento, e ela não foi, não me deu um telefonema, não me mandou um cartão. S. também achou estranho, mas já tínhamos ouvido da R. que casamentos ainda a deprimiam muito, e relevamos.

R. nunca mais atendeu um telefonema da gente, ou respondeu um e-mail, e é até compreensível que não tenha me ligado, já que eu mudei pra cá, mas nunca mais nem tchans pra S., que se aposentou e está morando no litoral de SP.

Eu e a S. ainda mantemos contato, e é muito legal ver como nossas vidas se desenrolaram, mas sempre lamentamos o desaparecimento voluntário da terceira cajazeira.

Hoje foi o aniversário da R. e mais uma vez eu mandei um e-mail que vai permanecer não respondido, apesar de eu saber que foi lido. S. depois do terceiro ano não manda mais, diz que se a R. prefere se afastar, que assim seja. Eu fico triste, não por mim - que perdi uma amiga, mas por ela que depois de 10 anos ainda sofre com o breve casamento desfeito. Que sofre por ainda não ter encontrado o marido que ela tanto queria.

Eu, no lugar dela, teria me apegado a cada amigo, a cada pessoa que quisesse o meu bem, porque só assim a gente consegue superar essas imensas rasteiras da vida. Infelizmente ela pensa diferente, o que é triste para mim, que tenho saudades dela.

Ela nem sabe que eu tenho um blog, ela nem sabe o que foi feito de mim, mas deixo aqui registrado meus parabéns pela data e o desejo de que ela finalmente consiga encontrar a felicidade.

sábado, abril 9

Bate papo...

Então, como é meu piripaque? Tem dois, um me parece sintomas de queda de pressão: eu começo a tremer um pouco, progride para uma ânsia de vômito e no estágio final começa a dar uma suadeira dos infernos. Foi esse que eu tive uma semana antes de ser diagnosticada e fui acudida pela Holandesa. A única coisa que ajuda é ar bem gelado ( graças a Deus coisa abundante por aqui ), e sentar, claro.

O segundo me parece hipoglicemia, e esse eu tenho desde adolescente. Também começa com uma tremedeira, suadeira, não dá ânsia de vômito. Nessa fase dá uma vontade inenarrável de comer açúcar, e o desespero é tamanho que vai até coisas que eu detesto, tipo bolacha prestígio ou arroz doce. Esse SEMPRE passa se eu como açucar, então é menos pior que o outro.

Porque colocar o Mirena com anestesia geral? O meu DIU normal foi colocado com anestesia geral porque parece que eu tenho uma anatomia difícil pra colocação do negócio, tentaram e não conseguiram. A retirada do DIU normal vai ter que ser feita com anestesia, logo aproveitam pra colocar o outro. A médica falou que não era 100% garantido que desse pra colocar com a anestesia local, então pra evitar ter que voltar uma segunda vez e ter que comprar um segundo DIU ( o primeiro quebrou, agora imaginem quebrar esse que custou 130 euro-paus ) preferi a anestesia geral.

E é isso pessoal. Tcheu ir aproveitar meu sábado.

quinta-feira, abril 7

Pêssegos

A primavera sempre me faz ter vontade de comer pêssegos. E necas de pêssegos. Se eu estivesse grávida meu filho teria cara de pêssego, o que nem é tão mal. Aliás vi pencas de mulheres grávidas hoje. Hoje meus impostos sustentam a criançada alheia, quando eu ficar véia a criançada alheia me sustentará.

Fui ultra bem atendida na ginecologia do hospital Catherina. Ultra. Após longa conversa com direito a desenhinhos e ultrasson, o acertado é que eu trocarei meu DIU de cobre pelo DIU Mirena. Contraceptivos não são mais cobertos pelo plano de saúde e, a quem interessar possa, o Mirena custa aqui na Holanda € 140. A colocação é coberta pelo seguro, e no meu caso será com anestesia geral, como foi colocar o DIU de cobre.

Conversar com um ginecologista aqui é ainda meio bizarro pra mim, eu sempre tenho alguma surpresa. A ginecologista me disse que o DIU Mirena é um dos contraceptivos mais adotados por garotas de 16 a 20 anos. Já imaginaram isso no Brasil? Mãe levando a filha adolescente pra colocar um DIU?

Outra coisa que também acho bizarro é sempre perguntarem se eu já tive algum aborto espontâneo e se já tive algum aborto provocado. Já disse né, aqui você pode entrar no consultório do médico e dizer que quer ter um aborto, mas não pode entrar no mesmo consultório e dizer que quer ter uma cesárea.

Passei pelo "screening" do anestesiologista. E tirei sangue. Amanhã passo pelo hematologista. Estou me sentindo bem mais fortinha, claro, mas ainda tenho as tais tonturas. Canso rápido, mais mentalmente do que fisicamente. Noto que na hora de subir escadas estou mais espertinha, mas minha concentração ainda tá falha e mentalmente ainda canso rápido. Ontem passei 1 hora no escritório pra explicar uma coisa pra um colega, saí de lá com ultra dor de cabeça e tive uma daquelas tremedeiras ( mini ) que parecem pressão baixa.

Agora estou só na maciota assistindo as duas primeiras temporadas do Sex in the City. Minha concentração tá ruim até pra jogar Sims, começou a ficar difícil eu já empaquei.

Mas o pulso ainda pulsa.

E estou me borrando de medo de voltar a trabalhar e ter um piripaque lá na minha mesinha, na frente de todo mundo.

quarta-feira, abril 6

Quase out of the woods

Hoje fui pegar o resultado dos exames da quinta-passada. E este lindo corpitcho que a Deus pertence tá reagindo pípol.

Meus glóbulos vermelhos já estão em 6,8 ( estava 3,7 e o normal é 8 ). O que ainda causa preocupação é o tamanho dos glóbulos vermelhos, devia tar 80, tava 47 e agora tá 64. Mas de resto tá tudo bem próximo do normal e muito, muito melhor do que quando entrei no hospital e até de quando eu saí.

Seguindo a dica de que "os exames são meus", pedi uma cópia, e pra vocês verem como ninguém faz isso aqui, a médica já trabalha na clínica a 8 meses e NUNCA imprimiu um exame. Não encontrando a função no software, ela com toda a boa vontade copiou, no punho, todos os valores para mim e me disse que assim que ela conseguisse imprimir o resumo dos 3 exames, que ela me mandaria uma cópia.

Amanhã tenho uma batelada de exames pra tentar entender a causa, mas todos estão inclinados a concluir que a menstruação pesada por causa do DIU mais o estomaguinho que não dá conta de repor tanto ferro causaram o problema.

E mais uma vez eu saí do consultório sem um tratamento, sem pílulas, sem xaropinho, sem nenhuma indicação de quando voltar ao trabalho.

A única coisa que ainda me preocupa é que agora, "ferrada" eu tenho mais tonteiras que eu tinha antes. Mas amanhã eu pergunto pro médico hematologista.

E tá sol meu povo, o Plato tá lá esplonchadão no piso da terraça. Holandês da gema esse meu gato, não pode ver sol que vai lagartear.

terça-feira, abril 5

Tô ficando inteligente

Dormi mal, por conta de uma tosse.

Acordei já querendo ir dormir, tomei um banho quentinho, coloquei um moleton cheirando sabão Omo e Lenor branco, e me enfiei no sofá debaixo das cobertas. Assisti as notícias.

Começou a chover e eu lembrei que eu tinha comprado um bolo fresquinho, e foi só juntar à história uma xícara de chá e virou o paraíso: chuva, bolo e chá quentinho.

Desliguei o Blackberry e relaxei.

Hoje me dei conta de como eu estou precisando mesmo de quietude e sofá pra me sentir melhorzinha. No fim da tarde até tive gás pra fazer o clássico aspargo holandês ( aspargos brancos servidos com presunto caipira, ovos cozidos e batatas puxadas na manteiga ).

Amanhã vou ao médico de família, meus exames chegaram e não quiseram me dar os resultados pelo telefone. Deve estar mediano. Se estivesse muito ruim, teriam me chamado de novo pro hospital, se estivesse super bom teriam dito pelo telefone. Mas... adianta tentar ficando adivinhar? Entonces...

Querem saber? Devo estar ficando malemolenga mesmo, porque se eu pudesse ficar ainda a semana que vem em casa, bem que eu ficaria. Na empresa, vão se virar. E eu, depois de ficar quietinha em casa comendo certinho e não esquentando a moleira estou me sentindo half-human de novo.

Sem falar que comprei o Sims Medieval, que é bom pacas.

Agora só falta receber o OK da médica pra marcar as férias!

segunda-feira, abril 4

Ainda me adaptando

Quando "acaba" a adaptação à Holanda? Nunca. Vai sempre ter alguma coisa que eu não sei, algum comportamento que eu não entendo, alguma coisa que eu devia ter feito assim mas fiz assado.

No jantar com as comadres eu comentei minha indignação com a médica que me deu alta mas não me falou que eu deveria ficar em repouso por, pelo menos, duas semanas. Uma das comadres, médica no Brasil e médica na Holanda, disse que o que é que eu esperava, eu, uma estrangeira falando holandês meia-boca, claro que a médica não ía perder muito tempo comigo. Achei terrível isso, atender o paciente dependente da aparente classe social ou nível cultural do paciente. Simplificar pro paciente entender até vai lá, mas quanto é que você tem que simplificar, ou quão meia-boca é meu holandês, pra se dizer: fique em casa 2 semanas de repouso, pelo menos. Ou: eu não tô a fim de me preocupar com você, vá discutir seu tratamento com sua médica geral.

Decidi voltar pro trabalho na semana seguinte, e agora entendo que os holandeses são mais conservadores e que o chefe espera que eu volte ao trabalho firme e (super)forte. Logo, ficarei em casa coçando, digo, me fortalecendo, até provavelmente, a páscoa.

E agora vem o "the next". Fiz um exame de sangue quinta-feira e devia ter ficado pronto no mesmo dia, só que não ficou. Já é segunda e nada do exame ficar pronto. Aqui o exame vai direto pro médico, e eu ligo todos os dias e nada. Já pedi pra eles ligarem pro hospital, mas eles dizem que tem que esperar. Eu não posso ligar pro hospital porque eles não te dão nenhum numero de exame, nenhum protocolo. Então estou aqui, sem saber o que fazer, esperando. Me parece que o negócio vai ser mesmo esperar, mas porque é que já não avisam na hora que você faz o exame, assim como fazem no Brasil, que seu exame fica pronto em 3 dias? Ou melhor, em bons laboratórios em SP, eles te dão um protocolo e você pode ver seu exame online, porque não aqui?

É a mesma coisa que a tal licença médica trabalhista. Na sexta, quando fui ao médico trabalhista, peguei um panfleto que explica as regras da licença médica. Aparentemente é esperado que eu fique em casa e que se precisar sair por algum motivo, tenho que notificar o departamento médico da empresa. Minha médica me pediu para eu tentar andar um pouco por dia, se eu me sentir mal, pra levar alguém comigo. Pergunta pro médico da empresa: preciso ligar pra cá cada vez que eu for dar uma andada de 10 minutos ao redor do bairro com o meu marido? E ele: ahn... ehhh... hmm... não, vou avisar a seguradora (que pode mandar alguém checar) que você estará fazendo fisioterapia todos os dias. WTF?

Como se diz, aprendendo e vivendo. Tomara que eu só tenha piripaque e vá pro hospital quando eu estiver de terninho, maquiada e de saltinho, porque assim eu não pareço uma estrangeira qualquer. E há que se ter um smartphone pra, na sala de espera, googar seu diagnóstico pra saber o que perguntar pro médico e sugerir seu próprio tratamento ( como eu fiz ). E, durante sua recuperação, é se pegar a todo e qualquer serviço de entregas online, ou depender da persistência do marido pra procurar lentilhas marrons e não verdes no supermercado, ou trazer o creme-fraiche correto e não o baratinho em copinho.

Bom, tcheu voltar pra minha convalescença que a Oprah me espera!

domingo, abril 3

Placebo

Quem frequenta hospital, se não tá doente, fica. Com o sistema imunológico frito, claro que eu ía pegar uma gripe. Ona, aliás. Quando a gripe é ona, o que me incomoda mais são os olhos inchados e lacrimejando, mas há alguns anos eu aprendi um truque que resolve o problema: tomar um antialérgico, aqui na Holanda, o Loratadina. O marido diz que não tem nenhum embase científico e que é efeito placebo, que eu deveria perguntar pra médica se o antialérgico funciona mesmo. Eu hein, de verdade ou placebo, que me importa? Se no fim me ajuda, cumpriu o objetivo.

E daí, essa noite, sem conseguir respirar direito, parei de brigar com o travesseiro e desci pra sala. Tem um site de vendas chamada vente-exclusive que é odioso. Descendo, vejo no meu e-mail que as 4 da manhã começou uma liquidação da Oilily, uma marca de bolsas que eu adoro. Aí, interessada em uma nightbag ou um weekend bag para viagens de negócios rapidinhas, fui toda serelepe clicando no link, a liquidação tinha começado as 4 e era 4:20, logo impossível não conseguir uma bolsinha... errado, TODAS as nightbags e weekendbags já haviam sido vendidas, e aí eu acredito ainda mais na minha teoria que esse site do coisaruim coloca fotos de produtos legais com a tarja "esgotado" só pra você achar que tem produtos ultra legais com preços fantásticos e você que foi lerdo demais, criando assim uma certa urgência nas suas futuras compras. ODEIO esse site maledeto, nunca consegui comprar nada, sempre que chego na liquidação o que eu quero já está esgotado.

Aí, desanimada, voltei pra cama, e dormi um soninho bão. Quando passa das 7 e eu não levanto, Plato começa a ficar agoniado, as 8 ele tá batendo na porta do quarto e miando, e o escândalo vai ficando pior à medida que o desespero dele vai crescendo. Será que ele tem medo da gente morrer, desaparecer? Sei lá. Só sei que eu levantei, podraça de sono, ele e o Ty me seguindo. Vim pra sala comer sucrilhos, eles vão pra cadeira deles e dormem, que nem uns anjinhos. Dá vondade de ir lá acordar os belezuras, olho por olho, dente por dente.

E para finalizar, passa aqui uma importantíssima informação do stumble it no meio da madrugada: o Daniel Radcliffe do Harry Potter ganhou 50 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da série e o Rob Pattinson do Twilight ganhou 41 milhões de dólares pelos dois últimos filmes da Twilight Saga. É mais do que ganha o Leonardo de Caprio ou o Tom Hanks, esse último ganhador de 2 oscars.

E assim foi minha maravilhosa madrugada. Agora que a primavera na Holanda acabou, vou lá no centro de brozeamento artificial ( que ironicamente tem permissão da prefeitura pra abrir aos domingos, enquanto nenhum outro comércio tem ) dar uma recarregadas nas reservas de UVA e UVB e seilámaisoquê, e voltarei curada de todos os males.

Certo?