quinta-feira, janeiro 22

Dois assuntos em um post

No trabalho tá tudo bem. Recebi elogios, ganhei uma nova commodity que estou conhecendo agora e que me parece legal, o departamento abriu duas vagas para serem preenchidas por candidatos internos, e não só eu como meus colegas começamos a acreditar que talvez escapemos da guilhotina, se ela vier.

So far so good.

E indo para o assunto dois.

Já há algum tempo, venho me policiando e me cobrando de ser uma pessoa que julga menos e que seja mais compreensiva. Me acho muito mente aberta, mas minha mente só parece ser aberta para o que eu quero, e para o que me convém. Mas eu vou mudar, já estou mudando.

Uma das coisas que mais me renderam críticas nesse blog é eu sempre defender a maternidade com continuação da carreira. Muita gente já me xingou ou já, em pessoa, me virou o nariz porque "eu desdenho de quem resolve dar prioridade à maternidade". Mas será que quem "está no time de lá" é muito melhor?

Essa semana eu li num blog o caso na ministra francesa que após o parto voltou ao trabalho em 5 dias, e nos comentários tinha um monte de gente malhando a ministra. Se uma quer ser respeitada por abandonar tudo e ficar anos cuidando da criança, pode desrespeitar quem, se sentindo bem, com um exército de babás, vai a uma reunião importante? Pelo menos a reportagem que eu li não dizia que ela voltou ao trabalho fulltime, mas que ela foi a uma reunião, e mesmo que tivesse voltado, não é problema dela? Ela também não merece ter suas escolhas respeitadas? A mulher é ministra da justiça, mas mesmo que fosse a Janilda, que voltou a fazer faxina 10 dias depois do parto porque senão não tinha dinheiro pra janta, qualquer que seja a escolha da mulher, TEM QUE SER RESPEITADA!

Em outro blog, uma blogueira que escreve muito bem, afirma não entender como uma mãe saudável escolhe não amamentar. Gente, acho que muitas pessoas também não entendem com pode uma mãe de um filho saudável amamentá-lo até a criança ter quase 2 anos ( ou mais até ). Eu pelo menos não entendo. E se eu, apesar de não entender, tenho que respeitar, será que as mães que páram de amamentar também não merecem ter suas escolhas respeitadas? Aí fica aquela cobrança, tem que amamentar de qualquer jeito, como se qualquer motivo para não fazê-lo fosse uma desculpa esfarrapada da mãe... E daí fica aquele monte de mulheres se sentindo o cocô do cavalo do bandido quando não podem, e se justificam de mil formas, como se precisassem! E se estropiam, como minha dentista que deu leite misturado ao sangue pra filha, porque TINHA que amamentar.

Olha, só sei que eu preciso melhorar muito, ser mais compreensiva, respeitar quem pensa diferente de mim, mas tem muita gente, muita gente messssmo, que também precisa tirar o chapéu de santinha do côco e fazer o mesmo.

quarta-feira, janeiro 21

Pular do barco, jamais!

Não, pular do barco não é opção no momento. Como eu disse, ninguém pode ser demitido até Agosto, dois colegas já saíram, mais colegas sairão, eu não tenho dúvidas. Em agosto virão com o Sociaal Plan, que normamente "ataca" os mais velhos primeiro.

Sabem, esse é o meu emprego dos sonhos, é o que eu gosto de fazer e por isso faço tão bem que todos reconhecem meu trabalho. É o primeiro emprego acima do nível que eu tinha no Brasil, logo é o primeiro avanço real na minha carreira em 6 anos. Paga super bem e é do lado da minha casa.

Se eu pulasse do barco agora, seria para um emprego que certamente me faria menos feliz, e eu ficaria para o resto da vida pensando "e se eu tivesse ficado, será qu eu teria sido poupada, será que eu ainda estaria lá?".

Ficando, eu sei que estou arriscando, mas é preciso muita calma nessa hora. Se eu vou para outra empresa e, como esperado, a crise se aprofunda, naquela empresa serei a primeira a entrar na dança. Isso sem falar que, assim como alguns colegas, outros podem tomar a iniciativa, afinal meu grupo é praticamente todo de rapazes jovens que começaram aqui como estagiários, e já estão no departamento há algum tempo, portanto estariam interessados num segundo passo na carreira.

Tudo isso são conjecturas, claro. No fim, o que tiver que ser será.

P.S.: Acabo de ser comunicada que eu terei que chamar os quatro engenheiros residentes envolvidos nesse projeto e comunicá-los sobre o cancelamento. Terei que pedir para que eles entrem em contato com a empresa mãe, terei que pedir que preparem suas coisas para deixar o escritório. E tudo isso sem responder nenhuma das questões que eles, naturalmente, vão ter.

Estou me borrando toda!

terça-feira, janeiro 20

Snif snif snif

O meu projeto foi cancelado.

Meu diretor já me disse para eu não me preocupar porque eu simplesmente vou ser colocada noutra commodity, e pensando que dois colegas pediram demissão e saem essa semana, e que por acordo com o sindicato ninguém pode ser demitido até agosto, estou razoavelmente tranquila.

Entretanto, é triste, muito triste ver seu trabalho de 8 meses simplesmente ser jogado no lixo. O pior é que só eu fui comunicada, pois preciso apresentar um plano de ação, meus colegas ainda estão no escuro e eu não posso dizer nada.

Estou chateada, estou cansada... Sei que o pior está por vir. Pra todos nós. A crise está se aprofundando de uma forma tão rápida que ninguém tem tempo nem de pensar como reagir.

Sabem, no Brasil eu sei o que esperar de uma crise financeira, aqui não. Estou cansada de, a hora que eu acho que tudo está entrando nos eixos, ser surpresa por mais um pepino pra descascar.

Vou tomar um banho quente, bem quente, e vou e enfiar debaixo das cobertas. E vou chorar meu cockpitizinho tão lindo que acabou de falecer.

Amanhã conto mais.

domingo, janeiro 18

Our house, not in the middle of our street

Quando decidimos mudar da casa anterior, o fizemos pela casa em si, que achávamos pequena, e não pela vizinhança, que adorávamos. Ficávamos a 100 mt. de um Albertão, ao ladinho de um parque verdinho, e os vizinhos, apesar de não serem cheios da grana ou muito de fazer amizades, problemas não davam.

Quando fomos ver a brochura dessa casa, o agente imobiliário alertou: dois pontos negativos de um bairro novo é que você não sabe qual será o perfil dos vizinhos, e vai demorar pra instalar toda a infra-estrutura.

Bom, eu nem vou reclamar do supermercado, que fica longe e é um Albertão 3, ou seja, pequeno. Pego o carro e dirijo até o XL, com maior assortimento.

O que tem me chateado bastante são os carros, eu vivo agora num mar de carros. Na outra vizinhança, ninguém tinha garagem, todo mundo tinha um carro só, estacionávamos na frente das nossas casas, cada um em frente a sua, e nunca saiu confusão. Já aqui...

Nossa casa fica num cul'de'sac, uma ruelinha sem saída. Pra falar a verdade nem rua é, é um pedaço pavimentado onde nós, os moradores, passamos para ir às nossas garagens. Escolhemos a casa na ruelinha de propósito, pois assim não teria trânsito nenhum. Ho ho ho, asininos que fomos...

Você entra na rua principal às 6 da tarde e parece que você caiu num comercial da Audi, tem de todas as cores e modelos. E Mercedes. Muitas. Aí você pensa, o neguinho que tem uma merça novinha vai colocá-la na garagem, certo? Errado! Porque essa é a Holanda, e esqueceram de ensinar pra esse povo que garagem é pra carro. Na garagem eles colocam toda a sorte de quinquilharias, canguinhas que são, não jogam nada fora, vão empilhando tudo na garagem. É móvel velho de jardim, geladeira velha, tinta, enfim... Meu vizinho deu risada quando nos viu colocando o carro na garagem, no dia seguinte nosso carro estava prontinho de manhã pra sair, e o deles cheio de neve, raspa tudo, no frio... anyway...

Daí o vizinho de frente que tem um carrão, quer manter "os zóio no bicho", e estaciona na frente da janela dele. Aí chega a mulher com a van da padaria deles, e estaciona na frente da MINHA janela. Aí chega um amigo deles e estaciona no meio dos dois carros. Minha casa e a do vizinho do lado tem a garagem no fundo do terreno, e na frente, como se fosse entrar na garagem, dá pra estacionar dois carros, mas eles desmancharam a entrada deles e agora não podem estacionar nenhum, pois só tem areia. Fica esse monte de carros num espaço que foi projetado pra ter duas floreiras ( ainda não plantadas ), postes de luz dos anos 30, e apenas uma vaga pra estacionar.

Putz, escrevi pacas, mas é que eu estou p da vida. Ontem saí pra fazer compras 7 da noite, tava escuro, e eu não conseguia manobrar meu carro pra fora da garagem! Era tanto carro, mas tanto carro, que eu tive que fazer mil manobras, ninguém veio tirar seus carros do caminho. Levei quase 10 minutos. Na volta, eu ía deixar meu carro ali no meio, trancando meio mundo, mas não quis arrumar briga, afinal esses serão meus vizinhos por muitos anos.

Mas fiquei a noite toda, e estou até agora, frustrada e com um sentimento de impotência gigantesca. Eu não paguei o que eu paguei nessa casa pra morar num estacionamento a céu aberto. Não é minha culpa se o retardado atola a garagem dele com lixo. É muita falta de consideração o outro desmanchar a entrada de carros pra colocar uma planta cretina e deixar os dois carros atravancando a rua.

O que fazer? Eu pensei em escrever uma cartinha educada pedindo para todos terem consideração com os outros, mas será que alguém vai entender? E se eu acabar virando a véia do 53? Só sei que acordar todos os dias e dar de cara com uma van enorme amarela, da padaria van der Heijden não é o que eu planejei pros meus próximos 28 anos...

Sugestões são bem vindas!

sexta-feira, janeiro 16

Eita matéria mal escrita

Lendo ESSE LINK AQUI, fiquei na dúvida, nós, que temos cidadania européia, precisamos preencher esse formulário onile? Alguém aí tem link pra uma matéria mais bem escrita? Eu consultei o consulado dos EUA na Holanda, e eles não falam nada a respeito.

Era só o que faltava. Como brasileira, me sinto caçada que nem barata, como holandesa, me sinto violada, afinal me garantiram que a única diferença entre os meus direitos e os de um holandês nato é que eles podem ser primeiro-ministro e eu não. E aí, como fica?

E para ocupar seu fim de semana, um desafio. Paca me ensinou uma palavra nova ontem: asinino. O desafio, para as colegas brasileiras expatriadas na Holanda é encontrar o sinônimo literal para a palavra.

quinta-feira, janeiro 15

ZZZzzzz

Eu quero meu sofá!

Gente, vai aí ensinando truques para se manter acordada no trabalho quando seus olhos estão quase fechando. Café, muito café?

Ontem tive insônia e o marido também, em horários diferentes! Fomos dormir lá pela meia-noite, que já é tarde, eu coloquei um pijama fresco demais, ou o quarto estava inesperadamente mais frio que o de costume, só sei que não conseguia dormir com o frio. Fui colocar um pijama mais quente, meias, deitei e ah, que quentinho, agora vai! Aí o Bart teve insônia, desceu, bateu porta, ligou a TV. Eu cochilei, ele voltou, eu acordei de novo... Resumindo, uma bosta de noite, e agora estou aqui, pescando os olhos na frente do computador. Tudo, tudo o que eu queria era ir pra casa deitar na no sofá e tirar aquele cochilo pesado, gostoso... Só de pensar meus olhos ardem extra-forte.

Mudando de pato pra ganso, me perguntaram porque eu não chamo o marido de Fofo-Husband mais. Acontece que eu vi um pedaço daquele programa da Maitê Proença na GNT, e olha que eu nem sei se gosto muito da Maitê Proença, e ela dizia: fofa é aquela coisa que não é bonita o suficiente para ser chamada de bonita, aquela mulher que não é interessante, inteligente ou qualquer outra coisa suficiente para ser chamada de qualquer outra coisa, é aquela criança meio sem atrativos, que você fica procurando um adjetivo pra elogiar na frente da mãe, e acaba só achando "fofa". Aí as outras mulheres reclamaram, e ela disse: olha só, se eu chegar aqui com uma bolsa Prada maravilhosa, você vai dizer "que linda" ou "que fofa"? A Marília ( acho que a Gabriela ) é uma mulher inteligentíssima ou fofa? Só sei que isso ficou gravado, e tirando toalhas felpudas, que são fofas, eu acabei pegando implicância com o "fofa". Portanto agora é Bart, ou o marido, que é chato, inteligente, engraçado, bonito, e não "fofo".

E para encerrar, decidi que vou me informar mais à respeito de TOC e como se "auto-tratar". Sim, auto-tratar porque eu me recuso a pagar psicólogo pra curar mais uma das minhas loucuras, e porque eu me recuso a "deixar de lado" e viver com o TOC. Há uns dois anos eu percebi que minha mania de não pegar o primeiro produto da prateleira havia virado uma obsessão, ao ponto de eu deixar de comprar algo que eu queria muito porque só havia uma caixa. Agora estou com uma obsessão com água parada. Não tomo banho na minha banheira novinha, fundinha, maravilhosa, porque estou lá deitada e acho que as bactérias estão me atacando. Antes de ir a uma piscina fico olhando mil vezes se tem alguma sujeira boiando, folhinha, gravetinho, qualquer coisa me incomoda. Até água de beber, comecei a comprar água mineral e fico me torturando para acabar o litro ao fim do dia, porque se eu deixar de um dia pro outro fico cismada que alguma coisa começou a crescer dentro da água.

Eu detesto ser pinéu

segunda-feira, janeiro 12

Rompertje

Vou a um chá de bebê holandês.

Será que tem algum livro que ensina o que um bebê precisa? Porque lendo a lista de presentes do chá, eu juro que metade do que está lá eu não sei o que é ou jamais ía lembrar que um bebê precisa.

Indecisa, googuei, em holandês, qual é o presente mais requisitado ou apreciado pelas mães holandesas, e a resposta: rompertjes.

Mas que raios é um rompertje ( ou romper )? É isso:



Ah, Adriana, é um body, ou quem é mais "das antigas" dirá que é um macaquinho, certo? Então, eu lembro que minha sobrinha tinha uns bodies assim, mas vejam bem, ela é uma menina e ela nasceu no dia 31 de janeiro, alto verão.

Você usaria no inverno, num menino? Qual a função?

Agora me diga, no país onde você mora, tem rompertje? Você usa? Pra quê?

Se mentir for pecado, nenhum comprador vai pro céu!

Ser comprador é a arte de diariamente engolir um ( ou vários ) sapos, respirar fundo, e ser educadinho mesmo quando por dentro você esteja querendo estrangular o seu fornecedor. A pior, pior, piooooor raça que inventaram foi o Representante ( ou qualquer outro título ) de vendas. Não se salva um.

Minha cartinha ao meu querido fornecedor, em parentes o que eu queria realmente dizer:


Prezado fornecedor Bocão ( insuportável, mentiroso, lerdo da cuca fornecedor Bocarra):

Após analisar a sucinta oferta recebida ( depois de ler aquela porcaria que você me enviou escrita no papel de pão ), alguns comentários:

- Por 3 vezes eu solicitei os preços quotados de forma independente, mais uma vez recebi os preços conjugados ( seu cabeçudo duma figa, quando é que vai entrar nesse "thick skull" que você tem que a bosta do preço conjugado não me serve pra nada? )

- Embora o preço da montagem pareça estar dentro do budget informado, notei que a coluna do "extras" aumentou na proporção em que o preço da montagem diminuiu ( que você é uma anta constipada eu já sei, mas tá pensando que eu também sou? Eu tenho calculadora e sei apertar a teclinha de + )

- As orientações que eu dei na nossa revisão de preços anterior parecem ter sido ignoradas ( seu burro, eu fiz seu trabalho para você e você voltou a fazer as mesmas burradas! )

- Os novos ferramentais cotados na China trazem uma economia muito menor do que a estimada ( eu sei que você tá embolsando metade do saving, seu larápio seboso )

- Como escrito na solicitação de cotação, o termo de pagamento é 90 dias após recebimento de fatura, e não 30 como consta na cotação enviada ( além de tudo é ainda analfa? )

Estou desapontada com os numeros apresentados. Após 3 rounds de negociações, 2 revisões técnicas e 2 reuniões de gerência, esperava receber uma cotação com menos erros e mais próxima do budget informado ( tô de saco cheio de ver sua cara, de ficar ouvindo seu nhén-nhén-nhén, de corrigir suas burradas e ainda assim receber essa porcaria de cotação ). Minha conclusão é que ou sua empresa não está interessada neste negócio, ou realmente não tem condições de fornecer esse produto no nível de preços que esperamos ( cansei da sua burrice, aliás, não sei se você é burro ou larápio - cansey de você bofe! ).

Obrigada pelos esforços empregados, espero que nossas empresas consigam encontrar no futuro uma nova oportunidade de concretizar novos negócios. ( Deus que me livre de ter que trabalhar com a sua empresa e com você, tô fora )

Atenciosamente ( Até nunca mais )

Adriana ( a coitada que te aguentou por 6 meses )

sexta-feira, janeiro 9

Planejando o quase implanejável

Todas as vezes que eu chego de férias, naquela mesma semana eu SEMPRE posto sobre um assunto que vocês tanto "gostam". Dessa vez estou até atrasada. Quando e para onde irei nas próximas férias?

Esse ano o Hemelvaart cai dia 21 de maio, o Pinkster dia 1 de junho, dá pra ficar 12 dias em casa pagando só 6. Quero ir molhar a bunda em qualquer lugar quentinho e barato. Pra falar a verdade, queria me aventurar pras terras do Norte, Dinamarca, Noruega, Suécia, mas com os poucos Tutu$ que tenho disponível, só se eu dormir no banco da praça. Outra idéia é, se a gente comprar um carrinho melhor ( estamos procurando ), fazer a rota romântica na Alemanha de carrito, ou, aventura aventura, digirir até Praga. Ah, tantos lugares pra visitar tão pouco tempo ($$$).

Em Julho terei que sair de coletiva, pressupondo que eu ainda tenha um emprego, e eu estava pensando em alugar uma casa num lugar que misture belezas naturais e algumas cidades pra visitar. E de preferência sem turistaiada. O meu maior medo é acontecer que nem nesses programas de férias frustradas: a casa ser linda nas fotos mas toda estropeada na "vida real".

Outra coisa que está me intrigando é que, pelo menos por enquanto, os preços para julho não abaixaram. Em maio já se nota preços melhores, mas os pacotes e casas para alugar em julho ainda estão com preço lá em cima. O negócio vai ser contar com a crise, que deverá atingir seu pico nessa época, e com sorte pegar umas boas promoções de "last minute". Aliás, vejam que situação estranha, como vocês sabem a libra desvalorizou mais de 30% comparado ao euro. Nos sites de casas na Espanha para alugar, os preços normalmente são em libras, porque o mercado inglês é o principal para aluguel de estação. Se eu olho lá, vejo casas por 600 libras por semana, que antes da desvalorização eram 900 euros, acima do meu budget; mas se eu levar em consideração o rate de hoje, dá 660 euros, dentro do meu budget. Escrevi para o dono da casa/agência perguntando o preço em Euros, agora quero ver a resposta. Se eu decidir mesmo alugar uma casa, e se for mais caro em euros do que em libras, mando o dono faturar em libras no cartão de crédito "djá".

E olha, num momento cafeínado chocolatado quentinho total ( ou seja, num momento feliz ), dou um suspiro de alívio e agradeço a Deus a sorte que tivemos. Apareceu no jornal que as vendas de casas na Holanda estão totalmente paradas, não se vende nada. Considerando que eu vendi minha casa no fim de Setembro, no último minuto da prorrogação, tenho que agradecer de joelhos não ter ainda essa bomba nas mãos pra administrar.

E rumbora que é sexta-feira e amanhã não tem rádio-relógio!

quarta-feira, janeiro 7

Dia do Fico

Vocês repararam como a Adriana é uma chatonilda no inverno? Valha-me Deus! ( óquei, vocês aí que pensaram que ela é uma chatonilda o ano inteiro fiquem quietinhas - silence... I kill you )

Vocês estão vendo como eu ando deprimida depois da volta do Brasil, mas hoje, lendo uma coluna no site BnH onde a colunista falava da bolsa roubada e recuperada aqui na Holanda, pensei com um suspiro bem grande: e é por isso que eu ainda estou aqui. E daí, me veio um certo aliviozinho, um certo apreço pela minha vidinha aqui, apesar desse frio decomunal que está lá fora.

Já falei pra vocês que tenho medo mortal de assalto, sequestro-relâmpago, e outras maladias típicamente brasileiras?

Mas então, depois de ler o tal post, fiquei pensando nas coisas que eu gosto daqui, e sabem, até que não são poucas.

Gosto do ambiente profissional aqui, mesmo em crise, é melhor e mais ético que no Brasil.

Gosto do sistema social, apesar de ficar p da vida de vez em quando. Acho que a gente paga muito mais imposto do que no Brasil mas temos também muito mais benefícios, e penso que se há também roubalheira, deve ser numa escala mini comparada a nossa terra.

Adoro a inexistência dos parcelamentos, prestações e crediários, fruto de uma cultura menos consumista.

Assim como Caetano, narcisista que sou, no início também achei feio o que não fosse espelho, e estranhei demais o modo de se vestir das holandesas. Mas agora amo a liberdade de estilo delas, ou a falta de estilo ( como queiram ), e o fato de ninguém seguir modinha se esta não lhes agradar. Amo não ouvir mais "você viu a roupa da fulana da contabilidade?", amo as calças de lã no joelho pra mostrar as botas, adoro as bijuteriazonas, cachecóis, lenços e outros balangandãs que elas jogam por cima dos modelitos, e acima de tudo amo os 44, 46 daqui. Adoro ver na rua gente vestido de todos os jeitos, e não aquela uniformidade brasileira. Esse ano no Brasil foram as calças skinny com plataformas estapafúrdeas o que mais vi. Ah, mentira, o que mais vi foi um medonho modelo de macacão que é uma calça pijama com elástico na cintura e depois uma parte de cima tomara que caia e bufante. Vou ver se acho uma foto. Fora de série, no resort contei 4 mulheres no mesmo restaurante com um desses.

Amo, de joelhos, os queijos que a gente encontra no supermercado, principalmente os holandeses. Beemester oud, Old Amsterdam, Milner Gerijpd, Volmer pittig. Deliro ao ver uma boa fatia de Parmiggiano Reggiano com selinho original. Detono minhas saladas regadas com fetta original esfarelado. E indo além dos queijos, amo os pães, os vegetais, as tortas de chantilly não gordurentos, a alface roxa...

Turismo por aqui é mais barato e mais fácil. Existem milhões de sites de agência de turismo, os hotéis todos listam preços, em janeiro já se encontram pacotes para dezembro. Isso sem falar nas promoções das low cost, nos last-minute deals, e nas cidades maravilhosas onde podemos ir de carro ou com promoções de passagens de trem.

Amo IKEA!!!! No Brasil, ou você vende a casa pra comprar móveis ou acaba na Marabrás ( e olha que eu sou de São Bernardo, a capital brasileira do móvel ), mas aqui temos IKEAAAAAAA. Pode me chamar de pobre de gosto, mas eu olho pras minhas paredes vazias e já vejo uma Bonde, no cantinho uma Billy. AMO AMO AMO.

E eu gosto de gente meio doida, cês sabem né? E a holandesada tem lá as esquisitices, os programas de índio deles, o que acaba sendo levemente "entertaining". Aqui no escritório estão todos monitorando a previsão do tempo e a espessura do gelo em Friesland na expectativa de terem esse ano a tal 11 Steden Tocht, que há 12 anos não acontece. É uma corrida de patinação no gelo que passa por 11 cidades em Friesland, dura cerca de 10 horas. Na frente vai o pelotão profissional, que compete, e atrás os amadores, certa de 9 mil. E quem não vai patinar, vai pra ver. Agora vejam que passeiaço: temperatura negativa, você dirige daqui a Friesland, se enfia numa aglomeração numa cidadezinha qualquer, paga 5 euros num café que vai esfriar em 37 segundos, e fica esperando 9000 pessoas andando de skate no gelo passar por você. Weeeee... que alegria...

Aliás, tenho uma sugestão para comunidade brasileira que insiste em fazer a festa junina em junho, sob um calor de 30 graus ( menos adriana, menos... ). Porque não fazer uma festa "joanina" ( quero morrer sempre que leio festa "julina" - a festa junina em julho, como se junina se referisse ao mês e não ao santo ) em janeiro? Pô, agora que tá bom fazer fogueira, tomar vinho quente e comer pinhão.

Bom, como dizem, o que não tem remédio, remediado está. E diga ao povo que fico!

PS.: Cinco da tarde, breu total e -3 lá fora. Ainda bem que estou de carona com o marido, porque moteeenha esse ano não tá rolando não.

segunda-feira, janeiro 5

"Béstewense"

Nevou a noite inteira, acordei e medi: na minha porta da frente tínhamos 22 cm de neve! Ainda tentei ir de moteeenha pro trabalho, mas a coitada não saía do lugar, só patinava. Vim pro trabalho com FH, de carro. Todos andando a 10 km por hora, povo empurrando bicicleta porque pedalar era impossível, na empresa, estacionamento vazio: todo mundo preso em congestionamentos. Feliz 2009.

Chegando no meu prédio, ninguém sabe se foi esquecimento ou mau planejamento, mas esqueceram de ligar o sistema de aquecimento do prédio com antecedência, justo nessa noite tão fria, e dizem que os que chegaram primeiro pegaram o prédio a 10 graus. Agora, ao meio-dia, está 16. É dificílimo digitar e meu nariz está escorrendo, todo mundo reclamando. Feliz 2009.

Aliás, todo mundo vem desejar feliz 2009, béstewense pra você também.

Pelas próximas 28 semanas posso me despreocupar com o meu empreguinho dos sonhos, ou quase. Apoiada pelo sindicato, a empresa entrou com o pedido de redução de jornada para o ministério do trabalho e o pedido foi aprovado. Durante 28 semanas ninguém pode ser mandado embora, e pelas primeiras 24 os funcionários da produção trabalharão apenas 4 dias por semana e receberão complemento de salário do governo. O que parece um “negócio da China” deixa, para os que se dão ao trabalho de ler o acordo, um gosto bem amargo na boca. É bem óbvio que depois dessas 28 semanas o pau vai comer. E feio. O acordo prevê que nessas 24 semanas a empresa subsidie, junto com o governo, a atualização profissional e treinamento dos funcionários. Ou seja, estão preparando torneiro mecânico pra ir trabalhar de padeiro, e pra bom entendedor um parágrafo basta.

Durante esse tempo, a empresa deve preparar um plano social para “o caso de” precisar reduzir o quadro de funcionários indiretos ( vulgo “nós” dos escritórios ). Mais um parágrafo para o bom entendedor.

Nessa hora, diz o bom senso que o melhor é pular do barco antes dele afundar, e muitos dos meus colegas estão, na calada da noite, procurando emprego. Um deles acabou de anunciar que está deixando a empresa. E é nessa que nós, imigrantes, nos ferramos ( se o Lula pode usar “sifu”, eu posso usar nos ferrar, certo? ). Com a economia a todo vapor, tem emprego pra todo mundo, mas com a economia a nenhum vapor, cabeção só quer contratar lourão batavo, imigrante que se lasque. Portanto, procurar outro emprego, pelo menos para mim, está fora de questão. E aí fica aquela coisa triste da gente torcer para os colegas de trabalho lourões se darem muito bem e arrumarem empregos fantásticos, assim você vai ficando. É péssimo “ficar” porque sobrei, se é que vocês me entendem. Mas pensando bem, é melhor ficar porque sobrei do que não ficar, certo?

Aí você pensa, poxa a Adriana não se garante. Não é isso meu povo, mas convenhamos, eu sou a que entrou por último, eu não falo holandês, eu sou a estranha no ninho. O negócio é esquecer orgulhinho besta e dane-se se eu fiquei porque sobrei ou porque sou um gênio.

E o clima continua ainda pesado, redução de custos de todos os lados, projetos devagar quase parando, produção "still" por 1 mês. Em paralelo, a empresa anuncia distribuição extra de dividendos para os shareholders. Acho lindo segurarem o valor das ações da empresa, mas será que não dava pra re-investir esse valor na empresa ou aumentar as reservas de caixa? Vai ver que eu é que não entendo nada mesmo.

Enquanto isso, comenta-se a boca bem miúda que uma automotiva francesa vai parar a produção nas principais fábricas européias por 5 meses. Gente, vocês não fazem uma idéia da tragédia que isso representa, serão 5 meses de fornecedores sem receber, muitos vão quebrar, tenho certeza. Para confirmar o boato, um colega foi ao dealer dessa marca e tentou encomendar um carro, e estão aceitando pedidos personalisados só para o mês de outubro. Mêda, muita mêda.

Mas... depois das minhas férias relaxantes, estou me convencendo a não arrancar-me mais os cabelos. Até o meio do ano o ganha pão está garantido, e se o pior acontecer depois disso, parece que recebemos 70% do último salário como ajuda-desemprego, preciso pesquisar pra ver se é isso mesmo. E daí tenho esse ano pra procurar um outro emprego, o que não é legal mas também não mata.

domingo, janeiro 4

E o ano começa...

Amanhã volto a trabalhar, depois de exatos 30 dias de férias.

Meu guarda-roupas estava a zero de roupas de inverno, fui então às compras para aproveitar a liquidação. Liquidação aqui é sério, não são aquelas liquidações tabajaras do Brasil. Comprei muitas blusinhas legais por dinheiro de pinga. Há que se garimpar muito, mas voltei com algumas golas altas 100% malha por 5 euros da Miss Etam, calças de veludo ( que eu amo por serem quentinhas ) por 6 euros, e até uma sapatilha baixa de couro verdadeiro por 20 euros. Me deu até uma animadinha.

Aqui em Eindhoven temos 2 shoppings, minúsculos, mas shoppings. O Heuvel Galerie é apertado, tem corredores estreitos, teto baixo, mas pelo menos é quentinho e tem estacionamento. O Piazza é num vão geladésimo e tem uma merreca de roupas, não vale a pena. O resto é camelar pela rua mesmo, entrando de loja em loja. Com esse frio horrendo dá desânimo, por isso eu ter ido apenas a 2 lojas e um magazine.

Estou pensando em comprar aquela lâmpada de luz ultra violeta, ou fazer bronzeamento artificial leve. Xô deprê.

E agora me vou, pensando já nos pepinos que me esperam. Minha empresa entrou no plano de ajuda do governo, e os funcionários de produção estarão trabalhando apenas 4 dias por semana, o dia sem trabalhar é pago pelo governo. Esse esquema durará no máximo 24 semanas, depois disso só Deus sabe. Para nós, dos escritórios, não sei qual será o impacto, estou curiosa e um pouco apreensiva.

sábado, janeiro 3

Senta com um café na mão, que o post é longo

Às vezes a vida é assim, a gente quer congelar um momento no tempo, fazer tudo parar e ter somente sorrisos, dias ensolarados na piscina, abraços, piadas, sorvete de milho verde... Tem uma música italiana que diz que "essa dorzinha, ódio ou amor, passará". Então, nada dura para sempre.

Talvez daqui a algum tempo eu possa dizer que sou grata por encontrar a felicidade em dois lugares: no Brasil e na Holanda. Mas por enquanto é justamente o oposto: não sou inteiramente feliz nem aqui nem lá. Falta a família aqui, falta a segurança lá.

Aos poucos vou melhorando a depressão. Hoje fui bater papo com uma das comadres, ajudou muito. Semana que vem volto ao trabalho, que adoro, e apesar dos tempos bicudos, estarei mais felizinha.

As coisas foram muito bem no Brasil. Tive a impressão que os pobres estão menos pobres, muito carro bom na rua, e carrinhos "pocotó" menos "pocotós. O povo está se vestindo melhorzinho, apesar de ainda existir aquela maldita mania de alguém ditar a moda e todos terem que seguir. A nova são as calças skinny. Já viram gordo de calça skinny? Parece coxinha com a parte redonda pra cima: aquela banha toda pra cima e as pernetas amassadas no jeans. Mas é a moda, né - quem ousa não seguí-la? Sem falar que mesmo que você não queira seguí-la não há outra opção. Minha pobre mãe, uma senhora de 61 anos, não merece ter que se enfiar numa tristeza daquelas a essa altura do campeonato. Levei uma GAP straight boot pra ela. Fiz uma mãe feliz e dei emprego pra alguma criança na Índia.

Como eu já disse, os brasileiros estão ignorando a crise mundial. Como resultado, o resort estava razoavelmente vazio de gringos, todos guardando seus eurinhos ( e dolarezinhos e librinhas ), e bastante cheios de brasileiros. Famílias inteiras se encontrando e passando o Natal juntos no calor da Bahia. Nunca vi tanta babá na vida, e a 3600 reais por cabeça em baixa temporada, tem que ter muita bala na agulha pra levar até a babá pro resort all-inclusive. Sei lá se gosto dessa idéia de levar babá pra férias, por um lado, se eu trabalhasse e tivesse filhos, ía querer passar as férias grudadas neles, e não deixá-los aos cuidados de uma babá, por outro lado, num resort maravilhoso daqueles, ter uma babá pra dar banho, levar pra dormir, ficar com eles à noite é uma mão na roda, não sei mesmo o que pensar.

O hotel é muito bom, melhor do que esperávamos. Tem lá seus poréns, como não ter elevador em nenhum dos 3 blocos ( todos tinham 3 andares ) obrigando todos os pais com crianças em carrinho a ficar no térreo, bem como quem tem problema de locomoção. O café da manhã podia ser melhor: fila pra pegar tapioca num resort 5 estrelas é inaceitável. Mas os drinks eram ótimos, a comida bem aceitável, água de côco abundante, cadeiras de sol sempre disponíveis, quarto grande e bem de frentinha para o mar ( pagamos um pouco mais ), limpeza supimpa. Valeu. Praia do Forte não tem tantas atrações como Porto de Galinhas ou Natal, mas para quem queria relaxar como nós, foi o lugar ideal.

Gostamos muito de Salvador, e vamos voltar. Lindo ver tudo, toda a orla, centro histórico, mas se fosse morar lá moraria onde ficamos: na Pituba. Mais uma vez, o Brasil é melhor para aqueles que tem dinheiro. Mas é assim em qualquer lugar, não é?

Voltando à SP, fomos direto para Holambra, e tudo lá estava ótimo: calor, piscina, casa bonita, sobrinhos lindos e legais, churrasco, caipirinha, shopping center. O Natal foi ótimo também, como eu gosto de Pernil!!!

Às coisas no Brasil estão caras mas não tanto quanto eu pensava. Vi vestidos bonitos no shopping a 125 reais, longos, decotadões, do jeito que eu gosto. Arezzo, que era uma marca boazinha, está carésima, pra lá de 250 reais uma sandália. Nem parei na Cori, que era minha preferida, para não chorar. Nas revistas contigo da vida, os famosos só de Chanel, Prada, LV. Acho um despropósito, justo eles que tem exposição, não promover os designers nacionais. Anyway...

Passando assim férias, é impossível não desejar voltar a ter aquela vida boa, no calorzinho, mas meia hora de "Retrospectiva 2008" na Globo me lembraram da violência, da falta de segurança, da impunidade, de todos os motivos que colaboraram com a decisão de vir morar aqui. No fim, o xis da questão não é o lugar, porque até o pior dos climas se contorna, mas a falta da família. Se eles por um milagre estivessem aqui comigo, eu estaria feliz, com frio, ralhando com essa garoa, pés congelados, mas feliz de tê-los por perto.

E para acabar: a pergunta que não quer calar. Os holandeses sentem as coisas como a gente e não sabem expressar, ou simplesmente não sentem? Meu vôo era antes das 9 da noite, assim que começamos a taxiar, o piloto informou: como estávamos com as portas fechadas, o avião era considerado solo holandês, e portanto, faltava 1 minuto pra meia-noite ( era dia 31 de dezembro ). Passado o tal minuto, ninguém falou nada, marido não abraçou esposa, nem os filhos, nem ninguém. As atendentes passaram com um copinho de champagne pra cada e pronto. Três horas mais tarde, deu meia-noite no horário brasileiro: metade do avião se abraçou, se desejou felicidades, pros conhecidos e pros desconhecidos, deve ter até holandês entrado na dança. E aí a pergunta: será que é só pra gente que um ano novo vem com promessas de felicidade, de novas conquistas, de tempos melhores, de novos horizontes? Será que lá no fundinho, bem no fundinho, eles não acham também que o dia 1 do ano é mais do que só um dia como outro qualquer? Me responda quem puder!

sexta-feira, janeiro 2

De Eindhoven

Cheguei.

Nem vou escrever muito porque dessa vez a volta está sendo terrível. Parece que a qualquer momento minha sobrinha vai entrar na sala tagarelando, ou que se eu for ali no computador vou achar o Bru jogando qualquer coisa sangrenta. Comecei a chorar no aeroporto de Guarulhos e ainda não parei.

Eu andei analisando meus quase 6 anos aqui, e vejo que cada ano eu me sobrecarreguei com batalhas hercúleas. Achar emprego, sobreviver num emprego tão longe, mudar de emprego, achar uma casa, comprar a casa, vender a casa antiga, mudar de emprego de novo, tudo isso adicionado as pelejas normais do dia-a-dia. Saí da boa vida total no Brasil para cair nessa maratona aqui. Isso tem que mudar. O pior é que esse ano vai ser difícil, todo mundo na TV está com previsões macabras. Nesse ponto acho que prefiro o Brasil, estão todos ignorando a crise, sonhando que não vai chegar lá, e vão tomar um tombão, mas pelo menos não sofrem por antecipação. Do que adianta ficar falando again and again na TV que a coisa tá ruim e vai ficar pior? Tem muito o que possamos fazer para melhorar ou para ajudar a melhorar?

Então... Eu vivo repetindo para mim mesma que eu me basto, que eu não vou depender de ninguém, que quando eu quiser uma coisa, me arrebento mas faço sozinha. A verdade é que o gás acabou e eu não me basto mais, ou talvez nunca tenha me bastado. Não sei se as férias me deram gás e fizeram acabar o pouco que tinha, porque mais uma vez eu vi uma vida que não posso mais ter, vivi duas semanas recheadas de risos e conversas e abraços e passeios com a minha família, e voltar para essa solidão dói mais e mais.

Mais uma vez, não tenho muito tempo para chorar e lamber as feridas. E não sou de ficar acuada num canto reclamando da vida, não acho mesmo que vá me ajudar. Continuarei minha análise do quê pode fazer minha vida aqui mais tolerável, e o jeito é correr atrás.

Post triste de início de ano, mas olhando pelo lado bom, daqui só tende a melhorar. Acho eu.

Feliz 2009.

domingo, dezembro 28

De Holambra

Minhas férias estão chegando ao fim. Vontade zero de voltar. Brasil está meio que flutuando no castelo de nuvens de que a crise não vai chegar aqui, o ambiente está leve e todos estão felizes. E comprando muito. Talvez a crise não chegue mesmo.

Estamos relaxando muito, comida boa, piscina, shopping gigantesco ( Parque D. Pedro em Campinas ). O Natal foi ótimo, apenas a família mais imediata.

Hoje vou ao mercado fazer as comprinhas para a mala: feijão, trigo, remédios, e havaianinhas, dessa vez com jóias de strass nas alças. Ai ai.

Na volta tenho muito que contar, mas por hora vou parando.

Fui!

quinta-feira, dezembro 18

De Salvador

Estou em Salvador, já é de noitinha e fizemos uma verdadeira maratona. Desta vez, estou conhecendo o lugar com uma soteropolitana "da gema" e não sei se é isso, ou se é a cidade que é legal mesmo, mas já decretei que moraria aqui numa boa. Mesmo. E tem mais, agora entendo a amiga que tanto sente falta da terra dela, afinal, se eu sinto falta de SBC ( que é feia pacas ), imagina se eu viesse de uma terra ensolarada com mar verdinho? Quando voltar dividirei umas caraminholas da minha cabeça com vocês, mas a pergunta que não quer calar é: como aguentarei outros 28 anos de Holanda ( até minha aposentadoria ), vendo lugares tão legais para se morar?

Enquanto isso, nossa estadia no Iberostar se aproxima do final. Sinceramente, pra nós, ratões de praia, 7 dias teriam sido pouco, os 14 serão na medida, mas é mesmo para quem quer descansar, aproveitar o resort. Fomos fazer um passeio de quadriciclo pela Reserva de Sapiranga, que foi ótimo. Fizemos também mergulho de snorkel na vila da Praia do Forte, próximo ao Projeto Tamar, e foi o melhor mergulho que fizemos no Brasil, a variedade marinha é bem grande. Mas fora isso, muita piscina, praia, e comida-comida-comida. Acarajé, moqueca, tapioca, água de côco, caipirinha de caju, pudim de tapioca, e até queijo parmesão italiano original pra saciar meu vício. A pança nem balança mais, ela ginga, suinga, lambadeia. Adivinha meu pedido na hora da fitinha do Nosso senhor do Bonfim?

Estou indo de volta pra SP ansiosa para ver meu irmão, sobrinhos e o resto da família, mas também triste de deixar uma terra tão legal, sem saber quando volto.

Estamos eu e o Bart curtindo essa nossa noite em Salvador, em companhia fantástica, que foi com certeza a razão principal de gostarmos tanto daqui. A todos aqueles que tiveram uma impressão diferente de Salvador, helaas... faltou-lhes uma anfitriã como a minha. Um dia, quem sabe venho no carnaval? Ho ho ho, é bom eu começar a ir treinando desde agora. Já me deram a dica do hotel favorito de muita gente, especialmente no carnaval: pousada Marcos. Vou até ver se consta no tripadvisor. He he he.

Bom, agora, só mesmo de Holambra.

Fui!

sexta-feira, dezembro 12

Da Praia do Forte

Estamos aqui, na Bahia!

O vôo da KLM foi melhor do que eu esperava. O novo avião tem cadeiras com mais espaço para as pernas, a comida agora é Conimex, e as toalhinhas umidecidas e o sabonete líquido são da Ritual, que eu amo. A poltrona do meu lado foi vazia, e uma menina esquisitíssima foi na janela. No geral, bom vôo, vale a pena os tostões a mais.

Chegando em SP, que bom ver minha amiga Fê, minha mãe, a Thali... No shopping tudo mais caro do que da última vez, mas menos do que eu esperava. Me assustaram tanto que eu já fui preparada para um assalto à mão armada. Compramos camisetas da Scene por 36 reais, havaianinhas por 23 reais, short para o Bart da Mizuno por 49 reais. Se converter em euros nem é tão terrível.

Chegamos na Bahia acabadésimos, nos arrastando. O hotel é ótimo, nos deram um quarto muito, muito bom. Estamos de frente para o mar, com um coqueiral na frente, o barulho das ondas, mais o barulho das folhas dos coqueiros à noite é super relaxante. Essa noite dormimos de janelão aberto, está fresquinho. O sol apareceu forte hoje, estava meio nublado, e com protetor 50, debaixo da sombra, eu me tostei, assustador! Chegamos na segunda e saímos do hotel só hoje, para vir à vilinha da Praia do Forte, que é lindinha.

Vocês sabem que eu não entendo o povo que não gosta de praia, mas confesso que dessa vez acertamos em cheio na escolha da praia. Estamos adorando! O hotel só não supera o luxuosérrimo da Praia del Carmen, mas é melhor do que todos os outros que ficamos. As instalações são ótimas, a comida muito boa, a praia bonita. Todo mundo merece uma vez na vida se dar um presente desses. Sou uma pessoa de sorte.

Agora devo voltar só lá de Holambra, não vim pra esse paraíso pra ficar mofando na internet, né?

Claudinha: tô adorando sua terra! Ah, e vou ver sua mãe antes de você!

sexta-feira, dezembro 5

Fui!

Sexta de manhã, malas quase prontas, checkada no vôo, boarding pass impresso, amanhã às 10 tô decolando.

Em casa, o banheiro ficou pronto, com vidro e móvel, e é lindo de chorar. Lindo!

Malas explodindo, alguns presentes faltando, mas essa é a vida.

Feliz Sinter Klas pros que ficam, da terrinha mando notícias.

terça-feira, dezembro 2

Skipping Christmas

Teoria Adrianal de Logística Holandesa: a incompetência logística desse povo é incomparável. Ou não?

Holandeses comemoram o Sinter Klas, dia 5 de Dezembro, como nós comemoramos o Natal. O país está ( como todos os anos ) em polvorosa comprando presentes. Perguntas que não querem calar e que provam como o povo daqui é logisticamente anta:

- Letras de Chocolate: todos os anos sobram M, R, e T; sempre faltam F, B e A. Quando é que alguma empresa um pouco mais esperta vai contratar um estagiário estrangeiro pra fazer a estatística anual e bolar um programinha que produz as letras na proporção correta? Hein?

- Roupas: as araras estão lotadas de 34, 36 e 38 que ninguém quer, não se acha nada nos tamanhos maiores, e um 46 é milagre de Nossa Senhora. Quando é que vão contratar um estagiário estrangeiro pra bolar um programinha que produza roupas nos tamanhos proporcionais à demanda? Hein?

- Sapatos: me irrita o sistema dos vendedores brasileiros, que se você pede a sapatinha da ivete preta 39 e não tem, chegam com 20 caixas de produtos semelhantes, de outra cor, de outro número, de outro modelo, de outra marca. Mas aqui, você pede o tênis preto de vírgula fúcsia da Nike tamanho 43, o carinha vai láááááá no estoque e volta de mãos vazias: não tem. Aí você pergunta: não tem algo parecido? Ele responde: claro que tem! E te aponta a parede enorme com 348 modelos diferentes e 235 clientes se estapeando em frente aos displays. Quando é que vão contratar um estagiário estrangeiro pra treinar esse povo e ensinar a velha técnica do "empurra o que tem?". Hein?

- Presentinhos básicos: quando a grana e criatividade tá curta, Zé Mané vai no Boticário, pede uma caixa lindinha vazia e "enche" com os produtos que gosta e pode pagar. Aqui eles fazem umas caixas "pre-montadas" com um monte de bombom de alixe. Aí Hans Maneh quer uma caixa com gel de banho, hidratante corporal e brilho labial, mas só tem com gel, shampoo, hidratante. Aí Hans Maneh quer adicionar o condicionador mas não cabe. Quando é que vão contratar um estagiário estrangeiro para apresentar o conceito para as "Kruidvat" da vida? Hein?

- Pacoteeenhos: muito mais prático levar os presentes já embaladinhos pra casa. No Brasil, lojista esperto já faz mil embalagens pré-prontas, sacos de papel, caixas, ou então colocam um serviço de empacotamento tabajara lááááá no fundo da loja. Aqui, porque somos todos cornos, é o caixa que embala! E aí você quer só pagar seu remédio para hemorróidas e ir pra casa, mas tem aquela fila enoooooorme de tias-véias esperando cada um dos pacotinhos de bala de € 1.99 serem embalados. Quando é que vão contratar um estagiário brasileiro para fazer planejamento de embalagens eficientes nessa terra? Hein?

Isso sem falar em assuntos não logísticos que também irritam essa que vos fala. Quem foi que disse que TODA embalagem de presente tem que ter aquele Papai Noel falsificado e esquálido, cheio de negrinhos trabalhando pra ele ( olha a mensagem politicamente incorreta aí )? Pô, pelo menos uma embalagenzinha neutra pros não-praticantes, all right? Você precisa ir, nessa época, às compras com seus 8 filhos, 3 carrinhos ( ões ) Bugaboos Intergaláticos, o cachorro na coleira, e sua Maxi-bolsa LV falsificada? A creonça não tem pai, tio, vizinho, e em último caso, Dormonid pra ficar em casa e não encher o saco dos demais? Minha mãe NUNCA me levou fazer compras de Natal, eu SEMPRE ficava em casa com a minha avó, so WTF? Você tem que falar no celular, óquei, o marido ficou em casa pra cuidar da creonça ( muito bem! ) e tem que te dar a aprovação pro presente mais caro do Zézinho, mas precisa berrar tão alto ao celular?

Passar pela loucura pré-natalina duas vezes ao ano ninguém merece. Uma antes do 5 de Dezembro aqui na Holanda, outra antes do 25 de Dezembro no Brasil. Só comendo muito Chocottone pra aguentar mesmo...

segunda-feira, dezembro 1

Os macaquinhos

"Numa floresta africana apareceu um caçador procurando macaquinhos, e ofereceu para os nativos de uma pequena tribo 5 dólares por cada macaquinho que eles trouxessem.

A tribo toda saiu catando os macaquinhos e logo o caçador tinha uma enorme jaula com 50 macaquinhos e a tribo tinha 250 dolares para trocar pelo que quer que fosse.

Um mês depois, volta o caçador, dessa vez pagando 10 dólares por macaco, e a tribo novamente se coloca em polvorosa para catar macaquinhos. E lá se vai o caçador embora com mais 50 macacos, deixando 500 doletas na tribo.

E a operação se repete até que os macaquinhos estajam praticamente sumidos, e seu preço tenha atingido a casa dos 50 doletas por macaco. Uma loucura. E aí vocês sabem, falta de macaco na praça, os que aparecem atingem logo o preço de 100 doletas. Isso mesmo, o caçador agora paga 100 doletas por macaco, 100% de inflação macacal. E ocupado que é, o caçador deixa o auxiliar dele para negociar a próxima safra.

O auxiliar, espertíssimo, logo propõe para o chefe da tribo: vendo os macacos pra você por 75 doletas, você vende do volta pro caçador por 100, assim você embolsa 25 sem esforço, e eu outros 25. Negocião da China. O cacique mais que rápido aceita.

Macacos comprados pela tribo, jaula pra tudo que é lado, barulho insuportável, nem um dólar nas bolsas e empréstimo contraído com a tribo do lado, o cacique espera ansiosamente pelo auxiliar no dia seguinte. O auxiliar nunca mais é visto."

Então, é isso que estamos vivendo. Pra mim, o auxiliar e o caçador são os ricaços ár@bes, que já estão se preparando para cair de boca nas empresas que estão pedindo arrocho. E diziam que o Mandarin vai ser a língua desse século, escrevam aí: vai ser o ár@be. O povo aqui diz que eu tenho mania de conspirações malucas, mas não tenho não, só me pergunto, que nem a Gal Costa: onde está o dinheiro, o gato comeu, o gato comeu, e ninguém viu!

Minha empresa acaba de anunciar que fecha a produção não por duas, mas por 4 semanas diretas. Já imaginaram? Uma empresa desse porte 1 mês inteiro sem produzir.

Enquanto isso, no Brasil, o povo diz que a crise ainda não chegou tão feia. Não sei se não chegou mesmo ou se brasileiro tá tão acostumado com crise que nem nota que essa tem tudo pra ser a crise do século. E como tudo tem seu lado bom ( menos o LP do Frans Bauer e do Guilherme Arantes ), eurecas na casa dos 3 contos. Nem sei mais se isso é bom ou mau.

Senhor nos ilumine.