segunda-feira, maio 30

De Cuba

Povo, tudo muito lindo por aqui. Mesmo sendo esse meu terceiro passeio ao Caribe, me surpreendi com as cores do mar.

O povo é super amistoso, e qualquer musicozinho de bar de hotel dá show!

Está ultra calor e estamos alugando yma moteeenha pra passear pela cidade.

Quando eu voltar posto foteeenhas.

sexta-feira, maio 20

Vamos a la playa

"Bamos a la playa, o uo o o o..." O refrãozinho tá na minha cabeça!

Provavelmente não conseguirei googar da terra de Fidel.

Amiga Holandesa, já sabes, se eu morrer, cinzas no Epcot, já deixei dindin no testamento pra viagem.

Garganta doendo um pouco ainda, cólicas médias, tudo remediado com Voltaren e Sorbet. Ah, o sorbet...

Fui!

quinta-feira, maio 19

Spiraltje

Spiraltje = DIU

Ontem troquei meu DIU de cobre antiguinho por um Mirena.

Aqui quando você vai ao médico conversar sobre contracepção, te dão mil panfletos, mil alternativas, fazem surveyzinhos pra saber qual mais se encaixa no seu perfil. Numa das vezes que eu esperava no consultório da médica, fiquei de boca aberta com uma menina novinha, uns 15 anos, pequenita, carinha de anjo, saindo do consultório cheia dos panfletos e encontrando a mãe na sala de espera, falando da conversa com a médica. Tomara mil vezes que aí no Brasil essa nova geração tenha a abertura que as meninas holandesas tem com a mãe.

Mas anyway. Enquanto no Brasil pouco se fala do DIU, e quando se fala é com toda uma aura de preconceito ( perfura utero, dá infecção, dói pra colocar, o parceiro sente o fiozinho ). Aqui na Holanda o método é um dos mais usados, e ontem, entrei na fabriquinha ultra eficiente da colocação de DIU na policlínica.

Normalmente se coloca o DIU no consultório da ginecologista com uma anestesiazinha local ou a seco. Já da outra vez tentaram comigo e não deu, me mandaram pra colocação policlínica.

Ontem cheguei lá as 11:30 e na salinha de espera a mulherada estava toda portando sua caixinha ( ona, é enooorme ) com o aparato. Todas fomos levadas à mesma enfermaria, éramos 5, respondemos um questionariozinho, recebemos pulserinha e a roupa do hospital. Fomos para a sala de cirurgia duas a duas, sala 5 e 6, o procedimento foi feito, nos vimos as 5 na sala do "uitslaapen" ( sei lá como traduz isso, é a sala pra quem tá acordando da anestesia e tem que ser monitorado ). Fomos levadas as 5 pra outra enfermaria, ganhamos chá com torradas, nos vestimos de novo, ouvimos as recomendações do médico, ganhamos uma caixinha de Ibuprofen e fomos pra casa.

Pra 4 de nós foi dado um livrinho sobre engravidar depois dos 35.

Cheguei em casa para encontrar o vizinho na porta com TODAS as minhas encomendas online, mala, crocs, livros, roupas. Milagre!

E amanhã puevo, me mando pra Cuba.

Alegria, alegria.

quarta-feira, maio 18

Na França todo pão é francês

Hoje eu soube que o francês que está no projeto brasileiro será promovido a Diretor de Compras Internacionais, e caso eu seja liberada para o projeto no Brasil, será meu diretor. Na hora me deu um aperto no coração, uma insatisfação, e saí da conversa cabisbaixa, chateada. Me perguntei então porque eu estava me sentindo assim, e a resposta veio fácil: você estaria mais qualificada para esse projeto, talvez tivesse feito melhor, poderia agora estar sendo promovida no lugar dele.

E quanto mais eu pensava, pior eu me sentia, porque eu queria que minha "raivinha" viesse da promoção indevida, do colega que não merece, mas a verdade é que o francês é legal, trabalhou pacas no projeto, tomou muita bordoada e está sim fazendo o melhor que pode. Ele não merece minha mágoa fora de lugar.

Eu não sei se você aí em cima está mesmo aí em cima ou se está no meio de nós. Não sei se você é Cristo, se é Allah, se é Buda. Só sei que sou cuidada por você. Sei que minha cabeça é dura, e que eu quero sempre, quero tudo, quero mais. E muitas vezes você me diz não. Acho até que você me diz mais não do que sim. Mas olhando pelo caminho que já percorremos juntos, eu tropeçando e você me amparando, vejo que a maioria das coisas que eu quiz muito e você não me deu, teriam me levado para um destino muito distante desse onde me encontro hoje, e que me faz extremamente feliz.

Acho que estou melhorando, não sei, aliás hoje tive uma recaída. Devia ter me sentido feliz por um colega e me senti triste por mim, fui muito egoísta. E imperfeita que sou, continuo com essa pontinha de angústia, de inveja dentro de mim, e esses são sentimentos que consomem, que corroem por dentro. Mais uma vez preciso da sua ajuda. Preciso a deixar de querer um pouco, e deixar nas suas mãos, que sempre que eu faço minha parte, me esforço e dou o melhor de mim, você me guia para o caminho correto, aquele que VOCÊ planejou, e não aquele que eu pedi.

Ok Divino, chega de enrolações, e embora você não seja o mágico da lâmpada, aqui vão meus três pedidos:

Que eu consiga sentir alegria pelo meu colega que será promovido, ele merece. E eu mereço não ficar me auto-atormentando com invejinhas bestas.

Que você tome um pouco o leme desse barco, porque nesse momento estou cansada de navegar contra a maré, num rumo que eu quero que seja o certo, mas que eu não tenho a menor idéia se realmente é.

Que você me faça ser menos cabeça dura, porque Divino tá muito, muito difícil viver 24/7 com essa minha cabeça durisse.

Dito isso, dá pra atender meus pedidos antes de sábado porque ir pro Caribe amargando a promoção que perdeu ninguém merece.

Amém.

terça-feira, maio 17

Eu sou uma toupeira, mas minhas amigas não!


Dra. Alice escreve os pitacos dela no blog 1 ou 2 palavrinhas, link ali do lado. Eu adoro o jeito dela escrever sempre com links insólitos, curiosos, interessantes, e não fosse eu sempre postar via e-mail do trabalho, copiaria a idéia na cara larga.

Dra. Alice aceita inclusive encomendas pitacais, ou seja, você manda um e-mail pra ela com uma dúvida cruel e ela lhe dará o pitaco correspondente.

Lendo meu desabafo de ontem, Dra. Alice aproveitou pacientes que enlouquerecem de vez ANTES de chegar ao consultório dela, deixando-a com um buraco livre na agenda, e pesquisou meu piripaque periclitante no gugol, e achou a cura ( se eu tivesse linkezinhos ía colocar aqui um link para a musica "cura" do Lulu ChatoSantos ). Late Dumping.

Late Dumping nem existia quando eu operei, naquela época só haviam diagnosticando o early dumping, que só recebeu esse nome agora, porque na época era só dumping. Esse early dumping eu tive no comecinho de operada, e é tão terrível que o corpo se traumatiza de uma forma tal que hoje em dia, só de morder um doce muito doce, eu já sei que se eu comer o tal, vou ter dumping.

O late dumping no entanto, é diferente e tem todos os sintomas da hipoglicemia.

Entretanto, contudo e porém, o tratamento é exatamente o oposto do tratamento de hipoglicemia, daí eu estar seguindo as instruções da minha ex-huisarts-mongol e estar me sentindo tão mal.

Ontem recebi um e-mail da ilustre doutora com o "diagnóstico" pela manhã e imediatamente parei com o dextrose e a bebida açucarada, segui os conselhos dietéticos de um site nos EUA ( pouco açúcar simples, mais açúcar complexo, muita fibra, nada de líquidos nas refeições, pouco carboidrato ) e tive um dia supimpa, sem crise nenhuma. Hoje estou tendo outro dia supimpa, e apesar de ser cedo para comemorar, estou tão aliviada…

Ainda permanece o problema das banhas, mas o tratamento já é um regime em si, visto que necas de cookies e bolos, que são minha maior transgressão.

Ainda tenho muito que pesquisar, assim que voltar de Cuba irei num nutricionista e médico especializado em gordos costurados como eu, ou seja, tem um luzitazinha lá no fim do túnel.

E já que eu estou sempre aqui pedindo as preces e good vibes de vocês, quem souber qual é o santo padroeiro dos delivery services, favor informar. Comprei crocs, livros, mala e roupitchas online, todos para ser entregues nos dias dessa semana, e considerando o péssimo serviço de delivery holandês, vai ser um milagre se metade der certo.

E não esqueçam, Dra. Alice aí do lado, "incrusive" com encomenda de pitaco.

Paguei minha dívida, Alice, agora falta só a mala ( com alça ) :o)

segunda-feira, maio 16

Desabafos de quem está com o pé na cova


Normalmente quando desabafo alguma coisa aqui o negócio funciona, e eu tiro o problema da cabeça imediatamente. Então vamos tentar.

Estou arrasada com a recuperação do meu problema de anemia. Nas primeiras semanas eu me senti ultra bem, mas agora, pílulas que falharam, duas menstruações depois, estou me sentindo bem pra baixo.

Por causa do ferro intravenoso, tenho uma fome desmedida, é dificílimo lutar contra ela, na maioria dos dias perco a batalha e fico bem acima da calorias que eu queria consumir naquele dia. Eu estava vivendo à base de açúcar, quando anêmica era a única coisa que me dava energia, e sei lá porque eu não engordava. Não consegui cortar o açúcar, não assim "cold turkey", mas diminuí para menos de 10% do que eu ingeria, e o resultado? Além de continuar somando quilos banhosos, ando tendo muitos, muitos episódios de hipoglicemia.

Aliás, será que é mesmo hipoglicemia? Parece ser, a médica diz que é, mas ninguém mediu, e mesmo que eu esteja disposta a comprar o aparelhinho por mim mesma ( e estou ), alguém tem que me ensinar a controlar o que é hipoglicemia o que é normal. Fui na médica nova, ela estava de férias, acabei sendo atendida pela antiga, que me ignorou. Já cheguei a pensar que talvez não seja hipoglicemia, mas um incrível vício em açúcar e meu corpo me enganando para recebê-lo. Adriana F, 38 anos, drogada mas não prostituída, filmaço.

Ontem tive um episódio hipoglicêmico ( ou pseudo? ) no supermercado. Só deu tempo de sentar, graças a Deus tinha um banquinho perto do geladinho dos balcões refrigerados, e mastigar as pastilhas de dextrose, uma atrás da outra, sem sentir melhora alguma. Apelei para um chá da maquininha do mercado com 3 envelopes de açúcar, aí começou a melhorar. Tive que chamar o marido, ele pagou as compras e carregou o carro, e com muito cuidado dirigi de volta pra casa. Agora estou carregando na bolsa, além das pastilhas de dextrose, um pacotinho tetrapack de Chocomel.

E Adriana, a louca, você vai mesmo pra Cuba? Vou! Vou levar um carregamento de pastilhinhas de dextrose, vou levar pacotinhos de Chocomel, e no avião levarei um carregamento de chocolates. Quando chegar lá, relaxarei ao sol, comerei frutas, e hopefully, tudo se acalmará, e eu vou até fazer aulinha de hidroginástica às 11:00 como tem em todo hotel ( nunca fiz uma aula ).

Estou arrasada em ver as banhas pululando, se consigo vencer a batalha com o vício, sou recompensada com crises terríveis de hipoglicemia, mas o pior é a falta de assistência médica, é ir ao médico e ouvir desculpas pobres e medidas que só fazem passar a responsabilidade para o paciente ou para outro médico ( internista, hematologista, nutricionista ).

Comecei esse post em desespero total, e escrevendo, já me acalmei, já defini um plano de ataque.

Ai, puevo, ainda bem que vocês existem. Tenham paciência comigo, please!


quinta-feira, maio 12

Ô coitada!

Podem ir falando ô coitada pra mim!

Todo gordo deveria saber que quando a esmola é demais, o santo desconfia. Há mais de dois anos eu tenho comido tudo que tenho vontade sem engordar, até emagreci um pouco. Agora, depois de ter ido parar no hospital, vejo que na verdade eu não tinha muita fome ou vontade de comer, daí a perda de peso fácil e até despercebida.

Mas colegas, tomei aquela bomba ferrosa, por falta de instrução médica estou tomando pílulas extras, e o resultado é uma fome descontrolada e 3 quilos extra em 1 mês.

Me pesei de manhã e tive que segurar o choro, que raiva de viver nessa luta ingrata contra a balança. Num ataque de ira catei TODOS os pacotes de cookies, Kellogs e bolinhos e joguei tudo no lixo. Vim pro trabalho com um lanchinho de queijo e um pacotinho tetrapack de suco de laranja, e só essa manhã tive 2 episódios de hipoglicemia. Tomei minha pastilhinha de dextrose mas estou subindo pelas paredes.

Estou arrasada, desanimada e muito puta da vida. Vou ter que entrar de dieta, não sei nem como, e de quebra vou ficar preocupada com cada Piña Colada que eu tomar de férias.

Amigas fofuchas, comiserem-se de mim, que terei que comer all-bran sem gosto, muito Philadelphia Light, torradinha sem graça, salada sem molho dilíça cremosinho, peito de frango grelhado e frutinhas leves.

Eu não mereço, e com certeza joguei pedra na cruz!

quarta-feira, maio 11

Expatriados


Quando eu morava no Brasil, meu sonho era trabalhar fora do país por alguns anos, não só pela experiência interessante de viver em um outro país, mas pelo bem que ter uma experiência internacional faz ao CV de qualquer um no Brasil.

Porque somos assim aí na terrinha? Porque valorizamos tanto quem morou no exterior? Lembro-me de ajudar num processo de seleção na antiga empresa onde dois candidatos empataram e o critério de desempate foi o ano que um deles tinha passado nos EUA fazendo colegial. Agora eu pergunto: um ano de colegial nos EUA, é relevante para um emprego 15 anos depois?

Enquanto lá, cansei de ver Europeus da matriz alemã virem pro Brasil com contratos de expatriados fantásticos: carro pro funcionário e outro pra esposa, casa nos melhores bairros de São Paulo e uma verba de despesas que normalmente sustentava a família, incluindo atividades de lazer, pelo mês todo. Na maioria dos casos eles vinham para ficar 3 anos, ficavam 5 e durante todo esse tempo seus salários ficavam intocados na Alemanha. Imaginem 5 anos de salário no banco!

Já os brasileiros eram tão ávidos para ir como expatriados para o exterior, que aceitavam condições bem inferiores: carro só pro funcionário, casa em determinados bairros dum pool da empresa ( e olhe que pode ter lugar bem feio em Detroit ) e uma verba para despesas bem inferior. Mas quando esses funcionários voltavam eram tratados como celebridade, sempre eram promovidos, e se a empresa não paparicasse bem - simplesmente mudavam de emprego! Já naquela época uma experiência de 3 anos nos EUA ou Alemanha, na automotiva famosa, valia ouro no CV.

Eu me pergunto: será que vamos mudar nossa mentalidade? Tem tanto brasileiro trabalhando no exterior agora, será que experiência internacional vai continuar sendo tão valiosa, ou vai se tornar carne de vaca que nem MBA?

A esposa de um fornecedor brasileiro trabalha na KPMG do Brasil, e ele disse que com 7 anos de experiência no exterior, eu teria salário de marajá no Brasil. Acho engraçado isso, o povo só vê que eu trabalhei no exterior, quem garante que o emprego aqui era mais ou menos qualificado que os de lá? Vou te contar, os 18 meses que eu passei na Bosch me emburreceram, já imaginou quem tem toda sua experiência internacional numa empresa daquelas?

A empresa aqui está procurando funcionários pra ir como expatriados pro Brasil, e os poucos que chegaram a considerara a possibilidade já disseram: tem que ter um fantástico pacote de benefícios. E isso, a empresa não quer dar.

Logo eu conto o desenrolar do meu perrengue de sexta-feira.

terça-feira, maio 10

Eu "se" divirto


A Dra. Alice ( do pitacolog, primeiro link alí na direita ) falou sobre a doidera que baixa nesse povo das Zolanda quando o ponteiro do termômetro sobe. Aqui no interiorrrr a fauna é menos exótica que em Rotterdam, e há um limite pras estampas de oncinha, zebrinha, girafa e afins, mas ó, a festa do caqui é bem animada também. Eu amo muito tudo isso!

Tem de tudo. Tem homem de papete e meia, tem gordinha de roupa colada, tem magrinha quase pelada, e nos parques a mulherada faz topless na "boua". Ano passado o diretor da engenharia ( eu trabalho no prédio da engenharia ) fez uma reunião especial com o povão só pra falar que o povo estava exagerando, com direito a fotinhos do que é aceitável e o que não é ( bermudão speedo com papete não é aceitável, ho ho ho e o cara teve que explicar ).

Mas o que eu amo muito é que fora do ambiente profissional, onde um certo decoro deve ser mantido, tudo vale e ninguém fica julgando ninguém.

E no Brasil? Ah, o Brasil… A imbecil da Gloria Kalil é um bom ( mau ) exemplo. Outro dia naquele blog infame dela, ela tirou uma foto de uma gordinha de vestido colado e rosinha e escorraçou a mulher: chamou-a de sem noção, disse que ela tinha os quadris mais largos que infeliz da Kalil já viu e que jamais deveria vestir a roupa clara, perguntou onde estavam as amigas da moça pra dar um toque e decretou que as gordinhas ou quadrilzudas tem que usar roupas escuras ( já ouviram falar em "verde fechado"? ) e mais longas. Claro, no Brasil, quem não tem o corpo, a beleza ou a idade da Gisele Bunchen tem mais é que se esconder mesmo…

Mas aí é que a porca torce o rabo. A gordinha pode até querer se esconder atrás de um vestidão longo e escuro, aliás, logo as fashionistas imbecis como essa senhora Kalil vão ditar que gordinhas terão que usar burka, mas onde comprar um vestidinho mais longuinho e ter ainda opção de cores?

Cheguei no Brasil levando pra minha mãe, a pedidos, uma calça jeans holandesa. Fui na minha loja favorita, escolhi uma com cintura "normal" ( aqui tem a alta e a baixa ), pernas retas ( tem a skinny e tem a meia-boca-de-sino ) e mais curta ( aqui tem 28" 30" e 32" de comprimento, fora as calças lang - longas para as mais altas ). Minha mãe era uma visão de fazer dó, baixinha, um pouco acima do peso, 62 anos, se espremendo dentro de uma calça jeans skinny de cintura meio baixa. Minha mãe sempre teve bom gosto pra roupas, então porque aquela calça? Não acho outra, Adriana. Vocês precisam ver que elegante ela ficou na calça holandesa! E olhando depois no shopping, é isso, parece uniforme, só mudam as estampas.

Aqui na Holanda é ultra comum você comprar um vestidinho lindo que te cai super bem, mas esfria um pouco e você quer usar o vestido, ou você não se sente muito confortável com saias, ninguém pensa duas vezes: legging branco ( no verão ). Eu, particularmente, não gosto porque minhas pernas são gordas e parecem uns salames parafinados, mas não tô nem aí pra quem usa. No Brasil fui colocar uma legging pretinha debaixo duma túnica e várias pessoas acharam "estranho", eu decidi sair pro shopping assim mesmo, e foi chatésimo notar como vendedoras de shopping ficavam olhando pra mim e certamente pensando: tá bêbada essa ai? A roupinha já tinha recebido vários elogios na Holanda, eu tava me sentindo ótima, mas esses olhares "killed my buzz", e eu acabei voltando pra casa super borocochô. A tática no Brasil é usar o uniforme, e eu acabei saindo todos os dias de capri jeans e blusinha compridinha, bó-ring.

Por isso que aqui eu "se divirto". Saio como eu quero, vestido e havaianas, vestido e legging, ninguém me olha atravessado e tem sempre alguém muito mais exótico do que eu. E se eu quiser parecer uma coxinha embrulhada numa skinny jeans, ninguém vai me olhar atravessado mas eu só o farei se for mesmo "do meu gosto", porque eu tenho vááááárias opções de calças jeans e outras roupas a minha escolha.

Morar nas Zolanda é ruim mas é bom!

domingo, maio 8

Coragem

Você encararia ir trabalhar com o sapatinho abaixo? Confesso que minha primeira reação foi: não tenho coragem!



Quando me falaram da proposta da mbt eu fui ler, pesquisar, e fez muito, muito sentido. Eu, que ando o tempo todo com dor nas costas me interessei, mas confesso que é difícil superar a má aparência dos calçados. Os "sport models", ou modelos parecidos com tênis, são menos piores, mas esses chamados "dress models" - criados justamente para quem precisa de calçados mais sociais para o trabalho, me lembram aquelas botinhas que as crianças com pés chatos usavam. Foi difícil superar o preconceito e me auto-convencer que pelo menos duas vezes por semana dá pra encarar o bicho no escritório, fora que dá pra usar bem durante o findi.

Agora que eu me condicionei a aceitar a aparência, tá difícil me acostumar com o preço do dito cujo: € 229!!!!

Diga aí, vocês tem coragem de pagar €229 nesse sapato feioso da foto acima? Ó, confesso que vou antes a uma loja experimentar, e só se for como andar nas nuvens é que eu encaro.

sexta-feira, maio 6

Joguinho político


Eu detesto joguinhos políticos empresariais, e pago pra ficar fora deles. Mas hoje, tive que me meter de cabeça sem capacete num.

Vocês sabem o quanto me incomoda ver o francês tomando conta do projeto brasileiro e eu de lado, né? Nos últimos dois meses, mais pessoas foram envolvidas, todos diretores maiores que eu ou o francês. E eu ainda de lado. E por isso decidi dar uma olhadinha fora da empresa em oportunidades para pessoas com experiencia no Brasil.

Eis que um headhunter me manda uma vaga de emprego perfeitinha pra mim: na minha empresa! Sim, queridos, eles me mantém de lado mas procuram uma pessoa por fora. Fiquei verde de ódio, babando gosma e soltando fogo pelas ventas. Meu diretor direto está de férias, aguentei o que pude, mas já vendo que meu findi ía ser terrível com essa bola entalada a garganta, fui falar com o diretor médio, que foi encarregado do projeto.

E a resposta? Foi que meu diretor direto disse que ele não pode "ceder" essa que vos fala pro projeto brasileiro, que eu dei metade do meu portfolio pra dois novos empregados e que eles mal conseguem dar conta, que ele precisaria de mais duas pessoas pra pegar o resto. E por isso, ele informou a gerência do projeto em Seattle que eu não estou interessada.

Então queridos, babei e soltei fogo pelas ventas tudo de novo, e disse que se a escolha da empresa for me deixar de fora, que eu vou repensar minha carreira. E fiz cara de mistério.

E agora é isso, Adriana misteriosa terá que esperar o desenrolar da história.

quarta-feira, maio 4

Pobreza extrema


Li essa matéria e chorei.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pobreza-extrema-nunca-pensei-que-a-situacao-fosse-piorar,714460,0.htm

Reclamo tanto das Zolanda, mas aqui não tem gente pobre assim.

Enquanto isso meus colegas classe média paulista compram camisas Tommy Hilfiger de 300 reais e já pensam em trocar o apartamento no Guarujá por um na Flórida.

Triste isso.

terça-feira, maio 3

Miau...

Quando a gente pega um bichinho, a gente escolhe o tamanho, a cor, muitas vezes a raça, mas é tudo besteira, depois de umas horas você ama o coisica sem enxergar nada disso.

Ty ty ficou doente e o levamos pro veterinário dia 5 de março. Foram 5 diálises, injeções, remédios, e comida especial. Faz agora 2 meses e o levamos pro retorno. Nosso lindinho ganhou bastante peso, de 6,17 está agora com 6,53. O exame de sangue mostrou uma grande melhora, mas ele ainda tem algumas substâncias alteradas.

Hoje ficamos sabendo que o remédio que ele tomou por 1 semana tem que ser dado pro resto da vida, a veterinária não explicou direito. Já começamos com as pilulas e ele come como se fosse balinha. Em setembro na vacinação vamos mais uma vez medir o sangue e tomara que dê mais próximo do normal.

Quem pega um bichinho tem que estar preparado para imprevistos. Ty vai precisar de cuidados especiais pro resto da vida. Graças a Deus ele pode levar uma vida normalzinha quando medicado e comendo comida especial, e graças a Deus o tratamento não envolve injeções ou remédios mais difíceis de administrar. Entretanto, os gastos mensais que eram de 70 euros subiram para 200 euros e nunca mais baixarão. Agradeço mil vezes aos céus que temos e que não fará falta, mas eu imagino quem vive com orçamento apertado e vê os gastos com seu animalzinho triplicar assim da noite pro dia. A comida especial é mais que o dobro da comida normal, o remédio é caro, o gato usa mais areinha no banheirinho. Sem falar que já foram mais de 1000 euros em conta de veterinário.

Por isso, se você está pensando em adotar ou comprar um animalzinho de estimação, pense em tudo isso.

Estou aliviadíssima que meu xuxuzinho tá bem. Como disse a Marcia uma vez, dinheiro a gente faz mais. Há dois meses o Ty mal conseguia beber água, hoje ele nos acorda 7 da manhã pra pedir comida, e nem eu nem o marido ficamos bravos, é na verdade um alívio e uma alegria.

O trabalho enobrece...


Vejam vocês queridos leitores, há dois anos eu estava aqui nesse site choramingando as incertezas dentro da empresa, em consequencia à crise, e agora estamos aqui descabelando-nos com o tanto de trabalho que temos e a falta de pessoal.

A empresa, que há anos não paga horas extras, comunicou que horas extras serão pagas e olhem o estapafúrdeo da coisa: cada funcionário será obrigado a trabalhar 4 horas extras por semana  pelos próximos 3 meses.

Juro que um ataque terrorista não teria causado maior furor do que esse anúncio. Trabalhar horas extras, ha ha ha, é contra os princípios da holandesada. "E como fica a vida familiar?" - bradava um…

Mas também, o sistema não ajuda. Aqui pagamos impostos escalonados, quem está na minha faixa de impostos paga 52% de imposto sobre cada centavo ganho, ou seja, pra cada 2 horas que trabalho, embolso os eurecas de 1.

Foi pedido que o funcionário tenha a opção de ao invés de dinheiro ganhar as horas para serem desfrutadas mais tarde, com a aprovação do chefe. Eu imediatamente entrei nesse grupinho, mas há poucas chances desse pedido ser aprovado.

Como aqui é tudo muito estudadinho, e explicadinho, e burocráticozinho, tudo ainda tem que passar por mil comissões cheias de letrinhas, KWO, OR e seilámaisoquê, mas estou preocupada, pois do jeito que tá já é bem pesadinho pra mim trabalhar o dia inteiro, lá pelas 4 já estou tontinha…

Blé, post chato de galocha esse… O negócio mesmo é ir lá ver as fotos dos vestidos das famosas no baile do MET e me perguntar repetidamente: pô Beyoncé, com a tua grana, como pode… tá faltando espelho em casa???

segunda-feira, maio 2

No reason to celebrate

Olho pro video dos americanos comemorando a morte do Bin Laden e me pergunto: o que há pra comemorar?

O Al Qaeda vai continuar, agora liderado por um egípcio tão cruel quanto ele. Retaliações farão mais mortos. A guerra contra os terroristas chegou ao fim? Nem de longe, é só mais um dia na vida deles, dia pro qual eles estavam se preparando a quase 10 anos.

A turma que acha que o homem ainda não pisou na lua e que foi tudo um truque de studio, junto aos que acreditam que o Elvis ainda vive, duvida da veracidade do fato, agravado pela falta de prova visual. Dizem as autoridades americanas que em respeito à religião dele o sepultaram em 24 horas como manda o Islam e que foi no mar porque não houve tempo para achar um lugar para enterrá-lo. A verdade é que ninguém queria uma lápide pra virar lugar de peregrinação de outros simpatizantes, acho eu.

Uns dizem que o Bush não se esforçou em encontrá-lo porque o "governo do medo" ajudou na reeleição, outros dizem que o Obama colocou todos os recursos possíveis pra encontrá-lo porque precisa de ajuda para a reeleição. Eu só acho que todo mundo esteve procurando esse tempo todo e como dizem, quem procura acha.

No fim dessa conversa toda eu só acho uma coisa: dessa pessoa jamais sairia bem algum. A morte dele também não vai acabar com guerra nenhuma. Mas se existe uma pessoazinha só pelo menos, que algum bem tirou da morte dele, alguém que perdeu um ente querido e que agora sente que justiça foi feita, que finalmente teve o tão esperado "closure" e que talvez agora seja um pouco mais fácil seguir em frente, então pelo menos essa criatura, ou a morte dela, já serviu pra alguma coisa.

O mundo em que vivíamos antes de 09/11 era um mundo bem mais fácil.

sábado, abril 30

Como tem gente chata no mundo!

Put@merd@, como tem gente chata no mundo!

Ontem casaram-se William e Kate, que agora é Catherine pra nós que continuamos plebe.

Aqueles que além de chatos são burros, ficam reclamando da grana que os cofres públicos usaram pra financiar o evento. Vejam bem tolinhos, 18% de VAT sobre hotéis, passagens aéreas, transportes coletivos, lembrancinhas com a cara dos noivos, artigos para as festinhas de rua, sobre os direitos de cobertura da media, e um sem número de outras coisas que vão gerar renda pros cofres públicos britânicos, britânicos aqui sendo a palavra operativa. Se são os cofres públicos britânicos que estão bancando a festa, porque é que o resto do mundo está ralhando? Gente chata! Meu marido incluído!

Ah, Adriana, você é fanática pela família real? Não, mas pô, a cerimônia foi super interessante, a carruagem centenária, a Abadia enfeitada, o povo ultra bem vestido, o príncipe carequinha e a noiva que estava perfeita! Não é o seu "cup of tea"? Muda de canal ué. Ah, mas tá em todos os canais... mentira! Quem tentou assistir via internet achou poucos sites disponíveis, congestionados, e como no caso da NOS ( holandesa ), com dois fubangos nonsense tagarelando sem parar.

Aliás, se é pra falar de gente chata, vâmo colocar essa holandesada no topo da lista. Enquanto o resto do mundo comentava a beleza do casal, o bom gosto da cerimônia, a alegria dos ingleses, três canais holandeses se dedicavam a mostrar as gafes e erros do processo todo: o guarda que abriu a porta do carro pra rainha mas ela saiu do outro lado, a aliança que parecia estar apertada, o noivo tendo que segurar o buquet da noiva porque a Pipa tava num carro atrás do deles, a careca real, e por aí vai... Gente chata!

Em poucos dias da nossa vida a gente está tão "full of joy" como no dia do nosso casamento. Estamos felizes, cheios de esperança no futuro, aquela crença que estamos agora encarando a vida fortalecidos, team-spirit, manja? Pelo menos pra mim foi assim, e sempre que vou a um casamento espero que os noivos estejam também naquela mesma "nuvem" que eu estava.

E pros chatos, meo, meo... vai catar coquinho na ladeira... vá lá fazer análise histórica compreendendo 1200 anos de monarquia com estatística dos casamentos da família real inglesa...

quinta-feira, abril 28

Calça da Gang em 12 vezes sem juros


Você, leitora que não é rica, que não tá na lista da revista Forbes, que não é atendida com hora marcada na Chanel, pagaria 2, 3, 4 mil euros numa bolsa de marca, Louis Vuitton, Hermès, Chanel, Prada, ou qualquer dessas marcas?

A turquinha do departamento, que vai casar e mudou a data pra economizar 2 mil euros no aluguel do salão, acabou de pagar 3 mil euros numa bolsa Birkin.

Nós, as meninas do departamento, achamos a bolsa cafonérrima ( croco preto envernizado ). O mais interessante é que a maioria do grupinho que se juntou pra fofocar no café disse que a primeira "assumption" deles seria a de se tratar de uma boa imitação.

Triste isso, a fulana gasta uma grana que vai arrombar o orçamento dela numa etiqueta ( digo etiqueta, porque se fosse numa boa bolsa tem várias na Bijenkorf por 300 euros que são bem lindas e boas ), e a maioria do povo pensa é que a menina deu uma passadinha no camelô.

Triste não, mas deprimente, é pensar que tem gente que é assalariada, ganha 2500 paus por mês, e gasta 3000 mil numa bolsa. E sem crediário, hein!

Ó, pelo menos na loja Marabráz você abre um crediário e ganha o relógio de parede com foto do Zezé de Camargo e Luciano.

 

quarta-feira, abril 27

Adriana House

Na mesma proporção em que eu adoro os seriados House, Grey's Anatomy, Private Practice, eu detesto esse povo que se auto-diagnostica, se auto-medica. Minha mãe tem a mania de auto-medicação, mudar a dosagem receitada, "emprestar" remédio pras irmãs... já até ameacei interná-la ou interditá-la. Na última ida ao Brasil já avisei que ela é adulta, que viva a vida como quer, que se ficar inválida vai ser meu irmão que terá que cuidar, e que se morrer a gente enterra, ué.

Mas hoje me vi novamente na situação de ter que ser a Dr. House da parada e resolver meus "póprio pobrema".

Fui à huisarts hoje, o problema é que estou tendo uns episódios que parecem hipoglicemia muito frequentemente, chega a dar 2 vezes por dia. Já tive algo parecido quando era adolescente, por isso googuei e parece ser hipoglicemia, mas como eu não sou médica, detesto auto-diagnóstico e não acredito no povo do Yahoo Perguntas, resolvi ir na médica.

A nova médica teve um problema e a antiga foi que me atendeu. E não resolveu nada, e me perguntou o que eu achava que era ( !!! ), e disse que não há jeito de saber o que é, me mandou pra dietista pra fazer dieta de hipoglicemia, já que eu "acho" que é isso.

Decidi então que essa idiota é uma idiota, mas que eu não serei idiota. Googuei. Santo Google. E decidi o seguinte: há sim como saber se eu estou tendo hipoglicemia, então eu vou comprar um daqueles aparelhinhos de medir glicose. Serão 80 euro-mangos, paciência.

Google confirmou o "tratamento" quando os episódios acontecerem: pastilha de dextrose, suco de laranja, em casos extremos açucar na bochecha. Até agora a pastilhinha de dextrose funciona que é uma beleza e é discreta ( deixo duas desembaladinhas na minha pasta de reuniões e ninguém nem se toca quando eu coloco uma na boca ). E levo uma caixinha de suco de laranja na bolsa.

Já estou procurando uma nutricionista, preciso aprender a me alimentar de forma a evitar as crises.

E assim, euzinha, Adriana House, me auto-diagnostiquei, prescrevi meus exames, os avaliarei, e me auto-medicarei. Estou indo contra tudo o que aprendi, mas aqui no interior do Zaire ( Paca, tô com saudades! ) é preciso.

E fiquei toda felizinha, logo essas ziqueziras passam, eu de quebra emagrecerei 5 quilos pra início de conversa, e aumentarei meu condicionamento físico porque eu quero ir pra DisneyWorld e aquilo é mais ferrado que uma maratona.

E pronto, fim de mais um posto chato hipocondríaco.

terça-feira, abril 26

Cuma?


Nesse domingo a minha vizinha transversa comemorou o aniversário dos filhos. O mais velho, Luuk fez 1 aninho e o mais novo, Stijn ( não é is-ti-gi-ni, é is-tái-ni ) fez 2 meses. Dá pra alguém me explicar como?

sexta-feira, abril 22

Sorria, em Dezembro você vai pra Bahia!


Ontem fez um dia lindo. Tive um dia super legal no trabalho, passei no mercado pra comprar umas guloseimas de páscoa, fui pra casa. Meu quintal é tudo de bom, fiquei ali estirada ao sol até as 18:30. O marido chegou, sentamos na frente da TV pra ver uns videos engraçados no youtube ( quem morar aqui na Holanda, procure ZAKJE no youtube ). Um franguinho cheirava bem no forno, os gatuchos estavam sentadinhos no quintal, meu marido do meu lado, e depois do problema de rins do Ty e do meu piripaque, estávamos ali juntinhos e todos bem de saúde. Que momento feliz.

Bonança antes da tempestade? Sei lá, e se for? Todo mundo vai ter problemas na vida, logo eu vou ter novos problemas, ficar se preocupando por antecipação porque? Ou então fazer como a minha mãe, que se não tem problema, arruma. Tô fora!

Estar bem e ser feliz, muitas vezes requer treino. Eu estou me treinando a ser feliz.

Minha mãe tem 3 irmãs mais novas. Duas delas sempre sofreram com orçamentos apertados. Muitas vezes meus pais tiveram que socorrer, que ajudar a pagar aluguel, e até mesmo eu, já adulta, muitas vezes fui ao mercado comprar comida pra colocar na geladeira deles. O que eu gastei nunca me faltou, familia é pra isso, e o que eles não nos ajudaram monetáriamente, o fizeram de outras formas.

Minha mãe sofreu ANOS pensando no futuro dos meus primos, os sobrinhos dela. Chorááááva de soluçar, falando que se já não era fácil pro meu irmão por exemplo, engenheiro formado, arrumar o primeiro emprego, imagine meus primos, que nunca iriam poder entrar numa faculdade…

Olha, foi tanto sofrimento, tanto chororô, e olha lá, os 4 primos ou já estão formados numa faculdade, ou estão em vias de. Não estão nadando na grana, mas estão lá começando a vidinha deles, um com carro, o outro vai casar, o outro tá noivo, e a vida tá bem felizinha lá praqueles lados.

E minha mãe tá feliz? Claro que não, agora ela tá infeliz porque minhas tias, que estão também mais velhas, estão todas doentes… inclusive ela aliás… Não tem jeito, quando a pessoa é assim, vai morrer assim. Ou não, porque eu me recuso a deixar a preocupação com a vida alheia acabar com a minha vida.

Aliás, deixa eu contar uma coisa até engraçada pra vocês. Por parte da minha mãe, são 4 irmãs e dois irmãos. Dos 6 irmãos, todos levaram suas vidinhas normais, com seus perrengues dentro do usual, menos meu Tio T. O problema do Tio T., como diz minha mãe, são os "tóchicos". Ha ha ha, eu dou risada. Ele bebe pra caramba, e desde os 16 anos é chegado num cigarrinho do capeta. Tem até uma história que eu acho engraçadíssima: meu Tio T., ainda solteiro, se interessou por plantas numa época que ele estava trabalhando pro Uemura ( C&C hoje em dia ). Trouxe várias plantas pra casa da minha avó. Tinha uma, bem bonita, que só gostava de um lugar no jardim de trás, o Tio T. dizinha que era só tirar dali e ela murchava todinha a coitada. Meu tio viajou pra praia e minha vó teimou de trocar a planta de lugar, achando que com mais sol e mais ventinho ela iria ficar ainda mais linda. Toda orgulhosa, carregou a bicha do quintal de trás pro da frente, bem perto da calçada, pros vizinhos babarem na planta. Horas depois toca a campainha, é a polícia, foram minha vó e a planta pra delegacia. A planta era um lindo e verdejante pé de maconha. Ha ha ha. Claro que minha avó jurou que não sabia, e não sabia mesmo, meu tio não podia ser encontrado, minha avó dormiu uma noite no xilindró, mas o delegado teve pena e deixou ela ir embora, não sem antes torrar a planta.

Mas então. Meu Tio T., o manguaço e viajandão da família, é o único que não tem nenhum problema de saúde. Uma tia tem efisema pulmonar, a outra Parkinson, minha mãe artrite reumatóide terrível, e é estômago que dói, é coluna que desvia, menos com o Tio T., que pra dizer a verdade tá sempre razoavelmente "alto" ( de alcool ou de erva )  então mesmo que tenha alguma dor, ele nem nota ( e nem a gente ).

Não, não vou manguaçar e fumar, mas vou deixar as apoquentações pra lá e vou viver minha vida, e quando minha mãe vier me falar de problemas desse e daquele, e vou cortar logo, vou pedir pra ela me contar alguma coisa boa, algum fato legal.

E ó, vou pro Caribe viu! Lembram que eu queria tanto? Mas essa história eu conto outro dia.