quinta-feira, janeiro 17

Analisando essa cadeia hereditária, quero me livrar dessa situação precária

Perdi meu mojo.

Estamos em meio de janeiro, as promoções para as férias de maio acabando, e o que vamos fazer? Não sei.

Queria um hotel all-inclusive fantástico, numa praia linda e não muito lotada, a menos de 3 horas de avião, custando menos de €1500 por pessoa por 2 semanas. A resposta certinha pro meu dilema é a Turquia, mas o marido quer ouvir o Alexandre Frota cantando Festa no Apê, e não quer ouvir de ir pra Turquia.

A gente é cobrado tanto de ser politicamente correta, e de não ter preconceitos, e os holandeses se acham tão "tolerantes", até você falar de turquia e dos turcos. E vou extender: de pobre. Se for turco pobre, valha-me deus.

Minha vizinhança é um bairro novo feito ao lado da vizinhança turca de Eindhoven. Meu bairro era uma "favela", ou o que mais se aproxima disso. A vizinhança dos turcos emendou na vizinhança das "casas sociais", que emendou nos "woonwagenkamp" aqueles parques de trailers. Há 10 anos decidiu-se "limpar" o bairro, "Eindhoven sem gueto", diziam. Os trailers foram todos removidos. Aqui tem umas casas-trailers, na verdade umas casas pré-fabricadas, que nem são feias, mas holandês odeia ( e com certa razão, elas não pagam impostos ), foram também removidas, apenas uma ruelinha com as mais novas obteve permissão pra ficar. As casas sociais foram vendidas e os moradores realocados.

Pausa para Explicação:

Aqui na Holanda, toda prefeitura é dona de umas casas que eles alugam a preços módicos para quem precisa, a tal casa social. Eu não entendo 100% do negócio, mas você prova que tem baixa renda, entra numa fila, e quando chega sua vez pode alugar uma dessas casas. Um studio em Eindhoven custa ao redor de €800 por mês em aluguel normal, minha antiga empregada tinha uma dessas casas sociais aqui perto e pagava €280, e era uma casa muito boa. Holandeses questionam muito esse "benefício", porque deveria ser usado para dar uma ajudazinha temporária para quem cai em tempos difíceis, 1 ou 2 anos, mas o que se observa é que muita gente, principalmente profissionais liberais, ganham no papel pouco, recebem "no black", e acabam vivendo nessas casas a vida inteira. Eu, pra ser sincera, não sei o que pensar, imagino minha antiga empregada, com salário de 1200 euros, como pagar um aluguel tão caro? Mas ela mesmo, por fora, tirava uma boa grana no preto fazendo faxinas, oficialmente não se qualificaria pra tal casa. E aquele que ganha 1200 euros por mês, tendo uma casa boa por 280 euros, tem muito incentivo pra se esforçar e melhorar de vida? E melhorar de vida é só uma questão de esforço? Então… não sei.

Voltando ao assunto

Quando compramos a nossa casa, mostraram todo o plano de revitalização da área, muita gente tinha um preconceito enorme com aquela região, então a prefeitura deu garantias de que o bairro ficaria lindinho, como no papel. Um fator que influencia muito no preço da sua casa é se sua vizinhaça tem casas alugadas, ninguém quer morar perto de casas alugadas, e nos foi prometido que o bairro seria inteiro de "casas próprias".

Por enquanto, tudo que prometeram, cumpriram, mas é difícil vencer os preconceitos holandeses. Por exemplo, a escola do bairro era considerada uma "escola preta", até o termo é feio. Quer dizer que tem muitos estrangeiros ou decendentes de ( leia-se: turcos, marroquinos, antilhanos; porque para os outros estrangeiros, o termo é "escola internacional" ), então demoliram a escola velha e construiram uma escola nova, linda, modernésima, a idéia era transformar em "escola cinza", ou seja, com uma proporção melhor de "pretos" e holandeses. Só que os moradores do meu bairro ( a parte nova ) se recusam a trazer seus filhos pra essa escola e misturá-los, então pegam seus carros de manhã e vão pros cafundós onde moravam trazer os filhos pra escola. Até a creche, linda, da rede KoreinPlein ( a principal de Eindhoven ) está vazia ( já ouviram falar de creche vazia na Holanda? ), porque o povo não quer misturar nem os bebês.

Na "ponta" do bairro fica o asilo de animais. Como já disse aqui, me surpreendeu a baixa quantidade de animais ali, a maioria fica em casa de voluntários, então o asilo não é muito grande, não tem cheiro nenhum, mas eventualmente, tem uns latidos. Passo sempre por ali quando vou fazer caminhada, nunca ouço um pio. O plano era mover o asilo e construir casas ao redor, mas muita gente protestou contra mover o asilo, afinal ele fica no meio da cidade e é fácil pra qualquer um que quer um animalzinho chegar ali, até de ônibus, pra adotar; se fosse transferido pra Coxipó da Ponte, muita gente não ía nem ter como ir pra lá. O resultado é que o asilo fica, e a construtora diz que, especialmente nessa crise, não conseguirá vender casas ali. A proposta da prefeitura é construir então, casas sociais. Gente, nunca vi tamanho furor nos vizinhos. Mais do que rápido se organizou uma comissão de moradores, se contratou um advogado, contactou-se o jornal local. Meus vizinhos holandeses tolerantes toleram tudo, menos pobre ali do lado deles! O interessante é que o manifesto para pedir uma pracinha pras crianças teve uns 30 colaboradores, esse do movimento "anti-pobre" tem mais de 200!

Eu gostaria de dizer que pouco me importo, mas estaria mentindo. O pessoal das casas pré-fabricadas frequenta o mercado local, e são ultra estranhos, ontem tinha um obviamente "under influence" e tiveram que chamar um segurança; e no verão, dão festas de rua com o som nas últimas, sempre tem um vizinho chamando a polícia. Mas o principal é que se isso acontecer, o preço da nossa casa vai cair ainda mais. Com a crise, meu bairro inteiro está pagando por casas que hoje valem 100 mil a menos que valiam quando compramos, e agora com mais essa…

Não sei no que vai dar, nem o drama da vizinhança, nem meu dilema de férias. Em breve, cenas do próximo capítulo. ( gente, acabaram com as cenas do próximo capítulo nas novelas, né? )

segunda-feira, janeiro 14

Mas, né

Ultimamente tenho achado meu trabalho chato, muito chato.

Olho pro lado e as coisas chatérrimas empilhando, e as legaizinhas não são prioridades, eu não tenho tempo pra fazer.

Em certos momentos eu invejo que tem uma ziquezira no meio da sua carreira profissional e muda de ramo completamente.

Uma vez, numa dessas minhas (muitas) reclamações sobre o trabalho, recebi o e-mail de uma pessoa: pelo amor de deus Adriana, cala a boca e vai trabalhar. Eu estou aqui sem emprego, temos que escolher qual conta pra pagar no fim do mês, estou há X anos sem voltar ao Brasil, e você aí, com trabalho perto de casa, ganhando bem, e reclamando.

Então. Não vou reclamar. Mas, né…

quarta-feira, janeiro 9

Alles komt goed, schatje

Vou fazer um post doido pra falar de duas coisas (ou três ) absolutamente não relacionadas uma com a outra.

Lembram-se do vizinho doido encrenqueiro com a vaga pública de estacionar? Recapitulando: minha casa tem duas vagas descobertas para estacionar, mas quando eu chego em casa e o marido ainda não está ( raro ), eu estaciono na primeira vaga na rua que aparece. Meu vizinho tem uma garagem que ele usa pras quinquilharias dele e estaciona o BMW ( velho ) na rua, ele não tem vaga de garagem descoberta como eu tenho. Modiquê ele acha que a vaga pública em frente a casa dele ( em frente a minha também, só que cruzando nossa ruela ) é particular dele, só dele, e que qualquer um que olhar pra vaga é asociaal ( enorme xingamento prum holandês ). Ele veio encrencar comigo duas vezes, na segunda falei que ía pra polícia ( blefe, claro ). Sábado saímos com o carro do Bart porque estava a um mês dentro da nossa garagem ( e o meu estacionado na vaga descoberta ), logo, tive que tirar meu carro do lugar ( nossas 3 vagas são uma atrás da outra ) e estacionei na rua, na vaga do carcará sanquinolento, e assim que chegasse com o marido, ía colocar meu carro de novo atrás do dele nas nossas vagas. Chegamos, entrei com os pacotes, o marido é encurralado pelo retardado do vizinho reclamando novamente – vejam que eu fiquei fora do país por um mês, meu carro estacionado bonitinho na minha garagem – que eu SEMPRE roubo o lugar DELE, que somos asociaal. Corno maledeto, pinto caído do caramba. O Bart, que tem 99% menos paciência do que eu, falou pro cara que asociaal é ele, que chegou a estacionar o carro dele na NOSSA garagem, e que se ele está incomodado, pra chamar a polícia. Até quando, até quaaaaando terei que aguentar essa oferenda que Iemanjá devolveu? A casa dele está a venda a exatos 2 anos.

E a segunda coisa, que não tem nada a ver. O ser humano quer sempre, seeeempre o que não pode ou o que é difícil ter, né?

A gringaiada toda lá na Tailândia fritando ao sol, e os tailandeses, e asiáticos de uma forma geral, usando crème branqueador! WTF? Marido empacotou o tubo de protetor errado, modiquê tivemos que comprar um por lá, queríamos o fps 50. Feliz da vida achamos o Nivea, a marca favorita do marido, mas TODOS com branqueador! Desnecessário dizer que se o marido ficar mais branco fica transparente, né? Tivemos que pegar um táxi, ir até um TESCO ( sim, tem moooito Tesco na Tailândia )e comprar um Nivea sem branqueador. Ficamos abobalhados em ver protetor solar fator 135! Os hidratantes corporais TODOS com branqueador, tive que comprar um Johnsons Baby.

A única coisa que aparentemente todo mundo quer, é ser magro. Pra nossa sorte, inventaram dietas pra agradar todo mundo, low carb, low calories, low fat, reeducação alimentar ( low calories disfarçada ) e sempre que se comenta qualquer uma, tem gente jurando a eficácia dela e um igual número de pessoas que esconjuram. Queria eu ter a paz de espírito para adotar a dieta não dieta da Paca, que não vai lead her to bingeing, e ela vai ficar magra comendo M&M. Paca, traduzimos bingeing como?

Eu, colegas, fico aqui, mal de vizinho, bronzeada ( por uns 25 dias mais, depois desbotada ), e seguindo a dieta numero 39.

Alles komt goed, schatje.

terça-feira, janeiro 8

Adotar ou comprar?

No meu facebook tenho vários amigos engajados em causas de proteção aos animais. Todas as manhãs me deparo com fotos tristes de animais abandonados, emaciados, machucados. Acho fantástico pessoas usarem o facebook pra ajudar esses animais.

Nesses grupos, a campanha pela adoção, e não compra, de um animal é bem forte, e tem que ser – a população de animais para adoção parece ser imensa!

Outro tópico que aparece frequentemente é o de criadores de animais de raça que mal tratam suas matrizes, especialmente depois que eles passam do período reprodutivo.

Recentemente eu comprei uma gatinha. Sim, comprei. Acreditem, até aqui na Holanda – onde tudo é muito diferente – recebi dois e-mails de brasileiros criticando a compra de um animal de raça.

Deixa eu falar um pouquinho da situação dos animaizinhos aqui na Holanda, porque eu acredito profundamente que embora não seja um sistema perfeito, é um exemplo pro Brasil.

Quando o Ty morreu, eu já imaginei que acabaríamos adotando um outro gatinho pra fazer companhia ao Plato. Naquele momento eu já pesquisei as possibilidades de adotar um animalzinho. Aqui na Holanda, os canais para se adotar são:

-       Um amigo / conhecido que tenha filhotes ou algum gato adulto

-       A internet, principalmente o site do marktplaats ( o e-bay holandês ), onde as pessoas doam ou vendem animais ( as vezes a pessoa cobra um valor simbólico, tipo 20 ou 30 euros, só pra garantir que ninguém pegue um gatinho de graça pra fazer alguma maldade

-       O asilo da cidade

A maioria dos holandeses, se querem simplesmente adotar um gatinho, vão pro asilo da cidade. É natural para o holandês adotar. Esse foi meu primeiro passo.

Fiquei supresa com duas coisas, primeiro é que eu esperava muito mais gatos pra adoção, eles tinham ao redor de 40 filhotinhos disponíveis. A segunda surpresa é que os filhotinhos não ficam ali no asilo, ele ficam em casa de “pais temporários”, sendo socializados. Imagino que os que não sejam adotados, acabam ficando com essa família, porque a população de gatos adultos no asilo é bem pequena ( vi uns 20 gatos talvez, a maioria abandonados porque tem um problema de saúde e o dono não pode financiar o tratamento ).

Por conselho do nosso veterinário, eu procurava uma fêmea, filhote, de personalidade calma. A personalidade calma era para mim essencial, visto que criamos o Plato indoor com acesso limitado ao jardim, e um filhote que vai ao jardim tem que ser “treinado” a não tentar fugir, e é muito, muito difícil treinar um gato fujão ( o Plato foi ultra fujão, acalmou lá pelos 4 anos ).

Outra surpresa no asilo: gatinhos ficam pouquíssimo tempo disponíveis, são adotados bem rápido ( morria de alegria a cada dia ao abrir o site e ver o sinal: eu tenho dono ). Eu me encantei com uma gatinha viralata branquinha que tinha perdido uma perninha traseira, ía ser perfeito porque ela não conseguiria ( ou seria mais difícil ) escalar a cerca do jardim. Ela ficou disponível no site por horas, quando liguei pra adotar ela já tinha sido adotada. Os outros gatinhos, nenhum tinha sido identificado com “personalidade calma”.

Decidi então procurar um gato de uma raça calma. Foi nesse dia que notamos o Plato mais magro, fomos ao vet e ele tinha perdido um quilo por causa da depressão. O veterinário me aconselhou outro Ragdoll ou um British Shorthair.

Optei pelo segundo e mergulhei na internet.

Agora vem a parte dos criadores. Acho bem injusto no Brasil generalizarem que todo criador maltrata as matrizes. Meu irmão tem um collie doado por um casal de amigos deles que cria collies, o Jack nasceu com a visão bem prejudicada, e como ele não era “vendável” foi doado pro meu irmão. As matrizes desse casal são ultra bem tratadas, como ela tem um petshop são ultra escovadinhos ( essencial num Collie ), bem alimentados, paparicados… E não acredito que sejam os únicos criadores no país que criem animais por serem absolutamente apaixonado por eles. O que falta é um orgão que fiscalize esses criadores.

Quando compramos o Plato e o Ty, eu escolhi um gatil com filhotes disponíveis, e como sempre por aqui, somos convidados a visitar o gatil e os filhotinhos. No gatil, visitamos as instalações das fêmeas ( elas ficam todas juntas ), dos machos ( todos separados ) e depois visitamos os filhotinhos. Essa criadora optava pelo método de trazer a gata prenhe para dentro da casa dela, a gata tinha os gatinhos e os filhotes ficavam ali na sala de estar com a família. Tem todo um equipamento especial, uma jaulinha com lâmpadas aquecedoras, o chão é todo de piso frio pra ser mais fácil de limpar, todo mundo andando de meia, mas enfim, nós checamos e criadora, ela também nos checou, e fechamos o acordo. Um contrato de duas páginas aliás. O ótimo dessa criadora é ter socializado os filhotes com a família dela, os meninos vieram sem ter medo de gente.

A segunda criadora foi mais ou menos o mesmo. Gostei dela menos que da anterior, mas era ainda aceitável. O que me incomodou é que ela deixava os filhotes com a mãe lá no gatil, não dentro de casa. Lila veio aterrorizada de gente, demorou 2 dias pra vir comigo no sofá. Hoje ela é um doce comigo e com o Bart, não sei como será com os outros ( acho que teremos visitas essa semana, aí eu conto ).

A experiência me mostrou que pedigree não garante que seu gato seja livre de doenças genéticas. Entretanto, pra poder expedir um pedigree, o criador tem que ser membro de uma das associações de criadores da Benelux, e essas associações fazem um trabalho ótimo de fiscalização das condições dos gatis, das matrizes, dos filhotes.

É tudo um mar de rosas? Longe disse. É muito conhecido o fato de muitos holandeses irem de férias e simplesmente abandonarem seus animais, principalmente cachorros. O canil da cidade até tem “abrigo temporário” pra esses cães, na esperança que a família volte para buscá-lo. Tem algumas “ONGs” de ajuda a gatos, sinal que nem sempre os asilos cumprem seu papel completamente, mas eu encontrei pouquíssimas pesquisando pela internet. Vira e mexe, ouve-se de gente que abandona ninhadas em lugares públicos, um perigo quando temperaturas podem atingir os negativos.

Achei fantástico a lei que aprovaram no Brasil de multa em caso de maus tratos de animais. Quem sabe logo criminalizam, como é nos EUA?

segunda-feira, janeiro 7

Pensamentos da primeira e chuvosa segunda-feira do ano

A Vigilantes diz que pode de tudo, desde que um tiquinho de cada coisa.

O Atkins diz que nada de carboidratos, mas até ovos com bacon pode.

A South beach diz que não é bem assim, deixe o bacon pra lá, há que se preocupar com as artérias entupidas.

O Dukan diz que não pode carbos, nem frutas, nem saladas, nem gordura. Proteínas magras apenas.

Os vegetarianos dizem que sou uma assassina cruel ao comer carne ( e eu concordo com eles! ).

Os veganos dizem que sou a Malvina Cruela por comer laticínios e ovos.

Então o que eu posso comer é… água. Ou luz, que nem aquela louca que dizia que se alimentava de luz.

Sem falar que muito sal mata.

Muito açúcar mata.

Adoçante mata, principalmente se for incluido naquele líquido preto refrescante.

O líquido preto refrescante mata mais que tudo isso junto, ruim com açúcar, pior com adoçante. Morte na certa. Caveirinhas no rótulo.

Hoje li que tenho que me manifestar contra a plofkip, galinha explosiva? Não, galinha alimentada com hormônios mil pra atingir tamanho de abate em 20 dias. Causa justíssima, mas já parti pras aves orgânicas há 2 anos, adivinhem porque? Porque além de eu ser a Malvina Cruela, a carne normal ía me matar.

Sei lá que costureiro famoso chamou a Adele de gorda. Vários países estão proibindo de desfilar modelos que são muito magras. Uma amiga disse que a Jesse J tava gorda na abertura das Olimpíadas, ela usa tamanho 4. Os médicos dizem que a Gisele é subnutrida, mas ela é… a Gisele, ué!

Hoje é segunda feira, a primeira do ano, estou comendo carne ( assassina! ), laticínios e ovos ( Malvina Cruela ), estou seguindo o Dukan – a dieta mais restritiva de todas, estou do tamanho da Adele – antes do regimão do Oscar ( o costureiro ía fazer sinal da cruz ao me ver ), sonhando com o corpo da Gisele, comi galinha cuja procedência eu desconheço – mas torço pra não ser a galinha explosiva, e até agora já mandei meio litro do diet pretinho assassino goela abaixo, afinal, como – coooooomo sobreviver sem Coca Zero quando eu não posso comer nada e sou uma gorda sofredora?

Eu sei que diet leads to bingeing, né Paca, mas desistir jamais. Antes gorda ioiô, que conta com alguns raros dias de razoável magreza, do que a gorda perene ( termo cunhado pela Dr. Alice, amo o termo! ). Tá tá tá, sei que bom mesmo é ser normal e saudável, mas né…

E comecemos o ano cheios de esperança de dias melhores, porque já é difícil assim, imagine já começando com a moral lá pra baixo.

quinta-feira, janeiro 3

E como foi a Tailândia?

Estamos de volta. E como foi a Tailândia?

Várias pessoas aqui no trabalho foram pra Tailândia pra fazer um roteiro cultural pelo norte do país. Meu interesse em ver a "ponte sobre o Rio Kuait" era zero, e embora os templos ao norte pareçam ser lindos, os de Bangkok já nos satisfariam numa primeira viagem. Fiquei mesmo só na vontade dos campos de arroz, que se vêem só pro norte. Então resolvemos visitar duas localidades litorâneas, além de Bangkok.

Voamos com uma empresa Taiwanesa chamada EVA. Os preços são bem mais baixos que os da KLM e dava pra bancar Business Class ( Premium Laurel ), então fomos de Premium Laurel na ida, já que era um vôo noturno, e Elite Class na volta, era um vôo diurno. A Premium Laurel era tão maravilhosa que nos arrependemos de não ter reservado ida e volta. Economizamos 300 euros por pessoa voltando de Elite na volta, mas que delícia foi a Premium Laurel. A volta de Elite foi também muito boa, recomendo quem for voar de EVA e quer um pouco mais de conforto, que banque a Elite, já é bem, bem, bem boa. A sacada da Premium no vôo noturno é que íamos direto pro próximo destino chegando em Bangkok, então fez toda a diferença termos dormido a noite toda nas poltronas que viram camas.

A primeira localidade foi Koh Samui, uma ilha. Escolhemos um hotel chamado Sala Samui, ele era estilo bem tailandês e os quartos com piscina privativa tinham um preço interessante. Na Tailândia inteira não há um só hotel all-inclusive, por isso era importante que o hotel ficasse próximo de restaurantes, pois não queríamos ter que depender de hotéis e seus preços altos para todas as refeições, e o Sala Samui ficava. Além de restaurantes ao redor, tinha também vários 7/11 onde comprávamos água, refris e snacks. Aliás, uma orgia, comprávamos vários refrigerantes, salgadinhos, bolachinhas, tudo tailandês – produtos importados são caros – e na hora de pagar, 3 euros. Durante o dia, andávamos pela praia e a 100mt tinha vários restaurantes de praia, com 8 ou 10 euros ambos comíamos bem e tomávamos cerveja, nos dias que tomamos refri ficou até mais barato. De noite andávamos pela ruazinha do vilarejo e um jantar com appetizer, prato principal, bebida, ficava uns 10 ou 12 euros. Um pad-thai custava em média 2 euros, esse era nosso critério de comparação entre os restaurantes.

Nós gostamos muito do hotel. O quarto em si era bem pequeno, e o banheiro era "a céu aberto", no meio de um jardim, o que quer dizer – sem ar-condicionado, e como fez mais de 30 graus todos os dias, o ar-condicionado fez falta, mas o banheiro era lindo e enorme, mas o principal: tinhamos um "quintal" com varanda, deck com espreguiçadeiras e nossa piscina particular, completamente privativa. O café da manhã, incluído, foi o melhor que já tivemos nesses 10 anos de viagens. Começava com um cardápio a-la-carte fenomenal, ainda sonho com os Eggs Benedict que comi todos os dias; e era complementado com um buffet de muito alto padrão. Como eu mandei um e-mail antes informando que era nosso aniversário de casamento, ganhamos uma massagem para dois e um jantar típico para dois, tanto a massagem quanto o jantar foram ótimos. A praia em frente ao hotel não era magnífica, andando uns 3 minutos tinha um trecho de praia melhor, e foi o que fizemos todos os dias.

Em geral, não fiquei muito bem impressionada com Koh Samui. Tudo me lembrou demais a Praia Grande nos anos 70, até a vegetação é típica da Mata Atlântica Paulista! A praia era cheia desses restaurantes que alugam cadeiras de praia, o que pode funcionar na Itália, mas na Tailândia dá um ar meio decadente. Ambulantes vários passando vendendo comida, biquinis, sorvetes, até milho! O vilarejo em si, calçadas intransitáveis de tantos buracos e sacos de lixo esperando coletas e cachorros de rua por todos os lados, quem gosta de animais volta com o coração partido. Contratamos um tour particular no hotel para visitarmos o resto da ilha. Quanto à praias, a impressão foi a mesma em todas: lotadas; quanto ao resto da ilha, achamos os templos simples mas bem cuidados e interessantes, Chaweng, o trecho mais famos, achamos um misto de 25 de março com o Piscinão de Ramos. O que gostamos foi de passear pelo Fishermen Village, pena que perdemos o mercado noturno de sexta-feira, mas chovia cântaros.

Voltaria a Koh Samui? Não.

Aliás, uma experiência a se contar. Nosso ticket business class da EVA foi comprado pela agência de turismo ARKE ( dá pra comprar online, mas pra ir com uma classe e voltar em outra, só via agente de turismo ), nossa passagem pra Koh Samui via Bangkok Air foi comprado também via Arke, então nos registraram até Koh Samui como uma passagem só, não tivemos que pegar as malas em Bangkok e pudemos utilizar o VIP lounge do aeroporto BKK. O aeroporto de BKK é muito bom, e quem não tem VIP lounge pode sentar em qualquer outro restaurantezinho e esperar seu vôo, mas a experiência adquirida é que vôos na Tailândia estão sempre atrasados, logo, esperar no lounge tomando suquinho e comendo coisinha indecifráveis foi bem legal. Em Koh Samui, indo pra Krabi, não tínhamos business class, porque eu sou uma anta e quis economizar 15 euros por pessoa, e embora não haja assento business per se em Koh Samui, o aeroporto é inteirinho sem ar-condicionado, a única sala com ar-condicionado adivinha qual é? A VIP lounge, claro. E considerando que estava 34C, nos arrependemos até da pequena economia. De Krabi pra Bangkok voamos de AirAsia, uma low cost. Sem grandes problemas, avião novo, só que é RyanAir, não te dão nem um copo d'água – na Bangkok air você sempre ganha um suquinho, um lanchinho, até sobremesinha eles servem.

Chegando em Krabi, um aeroporto legal e com ar-condicionado, tratamos de pegar um taxi pro Hotel Sheraton.

Dica: a cada 100 mt na Tailândia você acha uma ATM, e embora sempre te cobrem 150 BAHTS de taxa, a operação toda é bem simples. E chegando em qualquer aeroporto ( visitamos 4 diferentes ), tem sempre um balcão pra você contratar um táxi pré-pago, o preço é sempre a metade do que a "limusine" ( limusine é como os hotéis chamam seus carros próprios para fazer transfer ) do hotel custa, e como você pré-pagou, não dá chabu.

Escolhi o Sheraton porque os comentários sobre a praia no Tripadvisor eram os melhores, e novamente porque tinha alguns restaurantes por perto. Estiquei um pouquinho o budget e paguei por um quarto "club", que além de ser renovado, era mais perto da praia, tinha direito ao club lounge com soft drinks o dia inteiro e happy-hour com bebidas alcoólicas e hors d'euvres, internet no club lounge, e um benefício curioso que usamos todos os dias: duas peças de lavanderia cortesia do hotel por dia.

Antigamente o Sheraton era nome de excelência, mas ó, tá virando povão, a qualidade tá caindo bem. O quarto era confortável, a cama maravilhosa, tudo super limpo, mas tinha um box de chuveiro que vazava cachoeiras a cada banho, não havia tapetinho que resolvesse. Eles não conseguiram resolver o problema, nos ofereceram mudar de quarto, mas já estávamos desempacotados, só pedimos para colocarem tapetinhos extras todos os dias, mas claro que quase nunca deixavam. Todos os dias a água quente acabava ( sério Sheraton? ), todos os dias faltavam toalhas, e a arrumadeira vinha em prestações, hora trazendo as de rosto, hora as de banho, sem falar que as toalhas eram sempre desfiadinhas e meio puídas. Entre a piscina e a praia tinha um gramadão delicioso, com árvores super frondosas, era alí que buscávamos nossa sombra e água fresca todos os dias, mas as espreguiçadeiras eram velhas e com manutenção muito aquém do que se espera de um Sheraton, e o que me incomodou mais, quem aqui conhece as praias do litoral paulista conhecem aquelas árvores de folhas largas que tem uns "coquinhos", que não são comestíveis, mas que os pássaros adoram, então quando os coquinhos caem, bicados ou não, são tomados por formigas – é necessário catar os coquinhos todos os dias pra prevenir infestação de formigas, e nos nossos 10 dias no Sheraton, não vimos um catador, e os coquinhos ficavam ali, enchiam de formigas, que subiam nas espreguiçaderias, e era uma droga… no Sheraton Standard on my book! O café da manhã do Sheraton era em apenas um restaurante do hotel, e as 9 horas, tinha filona de espera – num hotel 5 estrelas, com vários outros restaurantes vazios pela manhã, isso é inaceitável. A salvação da pátria era que o club lounge também servia café da manhã, e embora um pouco menos completo, nos salvou.

Contratamos uma excursão no hotel, para a Ilha de Koh Phi Phi, a tal ilha do filme A praia com o Leonardo di Caprio. Alguns hotéis, como o Sofitel, tem lancha própria e fazem um passeio com menos pessoas, mas o tour do Sheraton é terceirizado e feito num barco para 40 pessoas, que segue um roteiro com outros 14 barcos. O resultado é que em cada parada – e as paradas são feitas em lugares lindíssimos – tem outras 500 pessoas pululando o lugar, gritando, sujando, estragando o paraíso. A ilha de Koh Phi Phi em si deu vontade de chorar, dum lado uma prainha razoável, onde o almoço incluído foi servido, e do outro lado um favelão indescritível: barcos de pesca, de transporte, lixo pra todos os lados, trombadinhas, uma gentarada do escambau.

Reservamos outras duas excursões, mas choveu pacas e tivemos que cancelar.

Passamos o Natal no Sheraton e embora o jantar especial de Natal tenha sido caro, foi delicioso, valeu a pena!

De Krabi fomos para Bangkok, lá escolhi o Marriott Sukhumvit Serviced Apartments. Escolhi esse hotel porque o preço estava bom ( €110 via Booking.com pelo apartamento com 1 quarto, café da manhã, internet e um jantar ) e eu queria um apartamento espaçoso, sabia que depois de tanto tempo em quartos de hotéis apreciaríamos o espaço, a cozinha, a lavanderia do apartamento, e eu não me enganei. O apartamento era ótimo, espaçoso, novo, bem cuidado, luxuoso, com uma vista super legal, bem localizado. Ficávamos a uns 500 mts do Shopping Emporium e a estação do SkyTrain, e pra completar, o hotel oferecia Tuk-tuk gratis até a estação ( acredite, no calor de 35 graus, andar no meio dos carros é a última coisa que você vai querer ). Uma manhã muito quente usamos a piscina do hotel e foi ótimo, super limpa, cadeiras confortáveis, vieram trazer frutinha pra gente… Recomendo muito esse hotel!

Começamos nosso tour indo pro Shopping Siam, eu queria checar os tais super-cinemas. O Shopping é muito legal, cheio de lojas fantásticas e não para o meu bolso, entramos até na loja da Maseratti. Checamos os cinemas e escolhemos o filme pro dia seguinte. Jantamos comida japonesa, comi Krispy Kream, voltamos pro hotel contentes. No dia seguinte eu queria ter feito um tour dos templos  com a Tour with Tong, mas eu mandei vários e-mails e nunca me responderam. Logo, tomamos nosso skytrain e lá fomos nós. Odiei a viagem de barco lotado até o Grand Palace, lá chegando pegamos um tuktuk pra evitar a caminhada de 20 minutos embaixo daquele solzão, eu já tinha avisado o Bart que tínhamos que ir de calça e camiseta, assim não tivemos que alugar roupas no local, alugamos um daqueles audio tour e lá fomos nós. O complexo é grande e magnífico, era pra termos feito em 2 hrs segundo a previsão do audio tour, levamos quase 4, mas estava muito, muito, muito calor. Íamos ainda visitar um outro templo, mas estávamos cansados demais. Na volta, pegamos um Tuktuk e caímos na primeira ( e acho que única ) sacanagem Thai: pedimos pro cara nos levar ao Pier, mas não lembrávamos o nome; ele então nos levou a um pier particular provavelmente de algum amiguxo dele onde vendiam tours particulares, e o trajeto que na Ferry pública custava 20 centavos ( 15 bahts ) queriam cobrar 1200 bahts. Recusamos, a mulher ficou lá insistindo, mas andamos de volta pro pier correto. Por um lado foi uma merda por causa do calor, por outra foi legal porque fomos caminhando entre lojinhas de ervas e tranquilharias Thai, almoçamos num restaurantezinho trendy legalzinho, tiramos fotos de bancas de peixes secos nojentinhas, tomamos suco de carambola, aproveitamos o "detour".

No nosso último dia, amanhecemos pra uma temperatura de 37 graus. Tínhamos feito uma reserva pra uma massagem no spa em frente ao hotel. Fizemos várias massagens ao longo dessa viagem, desde as baratinhas em quiosques de praia ( 250 bahts ) até a do hotel Sala ( de presente, mas originalmente 2600 bahts por pessoa ), essa de Bangkok foi a melhor custo-benefício, pagamos 350 bahts ( 9 euros ) por pessoa, o salão era muito bonito, ganhamos uma troca de roupas esterilizadas, tudo com ar-condicionado e a massagista era muito boa. Aproveitamos a piscina e fechamos o dia com restaurante e cinema. Fomos ao tal Siam Paragon Cineplex, na sala da Bangkok air, e uma só palavra: explêndido! O ingresso custa 700 bahts, você ganha a pipoca e refri de cortesia, uma massagem de 15 minutos, e assiste o filme em poltronas idênticas a da classe executiva de um Boeing 777, com cobertorzinho e travesseiro! O som e imagem ótimos, assistimos o novo filme do Cruise ( alguma coisa Reacher ). Adoramos, é um passeio obrigatório!

Voltarei à Tailândia? Não sei. Como vocês sabem, somos fãs de praias, e em matéria de praia, as do Caribe são mais bonitas. Mas a Tailândia tem uma mistura incomparável de atrações, tem praias, templos, cidades históricas, e Bangkok por si só merece mais que os 3 dias que eu dei a ela. É também um destino muito acessível financeiramente, imagine que os 21 dias de comida – incluindo um jantar de Natal que custou mais de 100 euros o casal, excursões, taxis e transporte em geral, algumas lembrancinhas, gorgetas, nos custou algo em torno de 700 euros ( já tínhamos pago os hoteis via agência de turismo, só o Marriott foi via booking.com ), um record pra gente, em maio só com 3 excursões na Jamaica gastamos os mesmos 700 Euros.

Aqueles que pensam em ir, aconselho o clássico roteiro pelo norte indo até Chian Mai, normalmente feito em 5 dias, uma parada por Krabi ( Phuket é pros festeiros, Koh Samui eu pularia ) ou alguma outra praia, e uns 4 dias em Bangkok. Muito cuidado com os espertinhos ( nada de alugar jetski, ou scooter, cuidado com taxistas, nas baladas nada de deixar drink em mesinhas e não aceitar pilulas loucas que te oferecerem ), muito muito muito repelente, e é só partir pro abraço, porque será um viagem interessante na certa!

Perguntas?

quarta-feira, dezembro 12

De Koh Samui




O voo pra Tailandia foi tudo de bom, viemos de business com uma empresa nova chamada Eva air, muito boa. Nosso hotel, nao all-inclusive porque aqui nao tem, eh lindo, chama-se Sala Samui. Escolhemos esse hotel porque alem de ser todo modernoso como gostamos, dava pra pagar um quarto com piscina privativa. Ate agora, o que eu mais gostei foi da arquitetura tailandesa em si, muitos materiais naturais, muita madeira, muito algodao, muita cordinha, os sofas sao anti-dondocas, baixos e profundos, convidam a um relax  sem sapatos, jogados confortaveis em seus assentos, Jimmy Choo pra que? Um dia irei ter minha varanda tailandesa...

A comida eh uma delicia, mas os cricas sofrem, tudo tem muitas verdurinhas, molhos, castanha de caju e, se vcnao pedir sem, vai morrer... eh tudo bem barato, um pad-thai a 2 euros, um vestidinho de praia a 5... bom, amanha faremos tour cultural pela ilha, se der coloco mais fotos...




sábado, dezembro 8

Aquela época do ano...

E chegou de novo aquela época do ano... em que a gente dá uma banana pras ruas frias da Holanda e vamos pros trópicos, dessa vez, Tailândia.

Por conta do projeto que nunca acaba, esse ano estaremos indo 3 semanas e não 4.

Escolhemos a Tailândia porque queríamos algo diferente, algo em conta, praias lindas. Estou ansiosa, só fui pra Ásia a trabalho, pra Taiwan ( lembram da sopa de galinha preta? ).

Vou tentar postar umas fotos aqui, com certeza postarei no Facebook. Ando pensando, aliás, em fazer uma página do Dri na Holanda no facebook, pra essas viagens principalmente, já que é bem mais fácil carregar fotos no face do que aqui.

Estou dessa vez mais ansiosa pra voltar do que pra ir, e o motivo é simples: na volta pegamos nossa Lila. Sim, o Lila venceu! Ficou empatado com Babi, mas nossa meninucha tem cara de Lila.

Já a "matriculei" no veterinário e ganhei um "pacote de enxoval" - hahahaha - com comida pros primeiros dias, brinquedinhos, um livro. Gosto muito da Royal Canin, sempre dou minha preferência a eles ( o Taaitaai discordou, só se adaptou com outra marca de comida renal ). Plato está no hotelzinho, pela primeira vez sozinho. Fizemos o último check-up nele e o vet ficou feliz em dizer que, apesar da comida diet, nosso gordinho não emagreceu mais, até ganhou 20 gramas. Isso é sinal que ele está se recuperando da depressão de perder o irmãozinho.

Quem não se recupera é a gente, ainda sentimos muita falta, ainda lembramos muito. Estamos agora na fase de tentar lembrar das malandragens, das fofices, se apegar em tudo de bom que passamos com nosso gatucho.

Puevo, rumbora pro avião, mala lotada, como sempre, eu continuo com a odiosa mania de ir colocando as últimas coisas esquecidas all over na mala, o que resulta em que chegando ao destino, eu quero me jogar da ponte da freguesia do ó.

De lá eu escrevo, promiss, mesmo que seja do tablet e completamente sem acentos.

Fui

sexta-feira, novembro 30

Home sweet home

Quando vivia no Brasil, morávamos em São Bernardo, num bairro bem próximo ao centro e pertinho de uma das saídas da Rod. Anchieta. Sempre que eu viajava por periodos longos, a “ficha” caía de que eu estava em casa quando o carro entrava na Anchieta, passava pelo Carrefour e pelo Colégio Regina Mundi, dalí tem-se uma vista da retona da Anchieta que entra em São Bernardo. Ah, estou em casa. Até hoje, passados quase 10 anos, se eu fechar os olhos, me transporto pra esse lugar, sei cada curva do caminho. Na primeira vez que voltei, dirigindo pelo centro de São Bernardo e repetindo o caminho para São Paulo, que tantas vezes fiz, novamente essa sensação de estar em casa, o deslumbre com o cérebro que relembrou as quebradas pelo Jardim Saúde. Essa sensação vai diminuindo a cada vez que volto. A cada vez, mais carros, mais gente, mais grafitti. Os olhos estranham tantos outdoors, fios elétricos, árvores mal podadas, lixo. Os olhos também observam que não há mais criança nos semáforos, aliás – são poucos os semáforos com vendedor de balinhas hoje em dia, aqueles que penduram as balas no espelho com um bilhetinho macambúzeo e quando o farol abre saem correndo pra pegar as balinha ou o dinheiro. Nunca mais vi cachorro de rua, e na Marechal em São Bernardo, não tem mais os tios pipoqueiros ou os tios vendedores de coquinho. Tá tudo muito diferente. E tá tudo ainda tão igual!

Nas duas últimas vezes que fui ao Brasil, já no finzinho, estava já naquele banzo ( odeio essa palavra ), mas era pela Holanda! No fim eu estava sentindo falta do meu pão de fatias do AH, de andar no centro de Eindhoven, do meu cinema Pathé e o cheiro do restaurante ao lado, das latinhas de sopa deliciosas que eu tanto amo Outro dia num workshop tinha uma foto aérea do centro de Eindhoven, e me deu aquele calorzinho bom de familiaridade, essa é agora minha casa! Vocês já sentiram isso?

Desde que eu mudei pra Holanda eu digo que quando eu me aposentar, quero fazer o que muitos Norte Europeus fazem: mudar pra Espanha. Estaria ainda morando num lugar seguro, mas mais quentinho, de preferência perto de uma praia, quem sabe na Espanha a família brasileira me visitaria mais, a língua eu já falo, a comida eu amo… mas será que quando o dia chegar, eu vou querer deixar a Holanda?

Outro dia uma das comadres me disse: eu falo holandês, não me sinto diferente de holandês nenhum, sou como eles. Eu não me sinto holandesa e jamais vou me sentir, apesar de agora já funcionar, fora ou dentro do trabalho, em holandês, tem sempre aquela piadinha que você não entende, ou aquela referência que você não capta, uma mania coletiva que você não tem. Mas hoje, diferente do começo, acho meus colegas holandeses extremamente generosos em me aceitar como o fazem, com graça, com paciência, com curiosidade pela minha “brasileirice” mas vejam, eu moro em Brabant, a Bahia da Holanda, onde tudo é mais relax, onde o povo é caipira e simpático, onde se tem o “brabantse quartierje” ( quinze minutos de atraso antes de qualquer reunião – ou seja, a neurose pelas horas marcadas é menor ).

A cada dia que passa eu crio mais raízes por aqui, e infelizmente, menos no Brasil. Ultimamente ando pensando muito na velhice, a nossa será bem solitária. Se eu me for antes, o marido se transformará num ermitão, e será feliz assim; se ele se for antes, terei uma velhice bem triste. Porque eu não sei viver completamente isolada, vou sentir falta de pessoas. Se voltar para o Brasil, vai chegar aquele momento crucial em que vou precisar de cuidados especiais e não terei ninguém pra ajudar. Por outro lado, o cuidado de velhinhos aqui na Holanda é ótimo, tudo bem que vão embolsar 70% da minha aposentadoria, mas estando no bico do corvo, vou precisar de dinheiro pra que? – mas estarei bem sozinha, se tiver sorte vou ser visitada pela Alice também velhinha ( ela prometeu! ) e pelos voluntários.

A sheicho-no-ie diz que tudo é projeção da mente. Vou projetar então que vou viver feliz e saudável numa cidadezinha espanhola simpática perto de uma praia bonita, vou ficar velhinha com muita saúde e lucidez, e quando a hora chegar, terei um aneurisma fatal que me levará em 2 segundos.

Ai, que papo light pra uma sexta-feira, né não? Bom fim de semana, pessoal!

terça-feira, novembro 27

saudade

Hoje, por algum motivo, me deu uma saudade imensa do meu TaaiTaai.

Ontem falei com uma prima no Brasil que perdeu o cachorrinho dela em março, ele morreu de causas naturais aos 15 anos de idade. A família tem sofrido bastante, e assim como eu farei em breve, adotaram mais um bichinho. O problema é que ela e o marido estão tendo problemas em aceitar o cãozinho, tão diferente do anterior. Nós em casa já adoramos a nossa gatucha, enxoval da bichinha tá quase pronto.

Sabem, eu sou infinitamente grata aos dias que eu tive com o TaaiTaai. Ele foi um gatinho muito amado, muito querido. Eu tive o privilégio de ajudá-lo quando ele ficou doente, tive a felicidade de vê-lo ficar melhor, aprendi que “it is not over until it is over”. Até na morte dele ele está me ensinando. Me ensinando que não importa a gente querer segurar, querer ter de volta, querer mudar o imutável, na morte não se dá um jeito, não há dinheiro que evite, não há reza que ajude. E um potinho de cinzas, é só um potinho de cinzas. Que uma lápide é só uma lápide, onde se vai para resgatar memórias, e memórias a gente a gente mantém conosco, sempre.

Não consigo imaginar a dor de quem perde um filho. Não consigo.

 

segunda-feira, novembro 26

Post de gente louca, começa com lá e termina com crá, de Kipling a Jaburu

Estou embarcando meus presentes de Natal pro Brasil, se tudo der certo, essa semana. E olhando os presentes que estou mandando, penso que droga é esse de país onde todo mundo tem que ser magro e gostar de roupinha de modinha

Minha mãe me pediu já tempos uma calça jeans, e pediu também uma pra minha tia, ambas são razoavelmente magras, o problema delas com as calças brasileiras é a cintura baixa, que convenhamos, não combina com uma senhora de 65 anos ( e minha tia também já passou dos 60 ). Achei que tivesse lojas de roupas "para senhoras", mas pelo menos minha mãe não conhece nenhuma.

Outro campeão de pedidos são os meus tankinis, juro que vou começar a exportar. Sempre usei, sempre tem alguém em resort que me pergunta "se mandei fazer", ou onde comprei. Há algum tempo dei um para a minha cunhada, ela amou. Emprestou pra minha mãe, agora minha mãe quer um também, e a vizinha – mãe e filha – disseram que quando eu voltar, gostariam de encomendar a "muamba biquinística". Acho que no geral, deve ter um nicho para esse modelo no mercado brasileiro, mas claro que ninguém vai investir em biquini de gordo ou velho, gordo tem que emagrecer e velho tem que se esconder.

Minha tia gordota, coitada, tem a maior dificuldade de achar lingerie. Aqui, pasmem, achei lindinhas de malha com rendinha na C&A. E baratas. No Brasil, só naquelas lojas de gordo especializadas, e gente, são uma fortuna.

O resto dos presentes são na maioria coisas que tem preço normal aqui e no Brasil são um assalto a mão armada. Esse ano colecionei barganhas ao longo do ano e estou mandando presentes ótimos com preços inacreditáveis. Para o sobrinho, Nike de couro, cano alto, modelo basquete, por €39. Para a sobrinha, calça da Tommy Hilfiger por €37 ( a sobrinha usa tamanho 27, gente, que tiquitinho de calça, devem usar duas tirinhas de 30 cm de pano pra fazer a calça ). Sem falar que na última liquidação lambança abiscoitei uma Kipling grandinha por €29, e camisetas Tommy Hilfiger pro sobrinho a €15.

A grandessíssima comida de bola que dei foi me empolgar ao ver um livro de arte para a prima querida artista, e antes de encomendar não notei que o bendito pesa 5kg! A remessa pro BR vai custar €58 L

Tudo será acomodado em 3 caixas diferentes, o que custará um montão, mas maiores são as chances de minhas muambas não serem pegas pela alfândega.

E mudando de pato pra ganso. A secretária aqui do departamento disse que vai pedir pro Sinterklaas ( o povo aqui não pede pro papai noel, pede pra Sint ) um namorado, porque ela fez 30 anos esse ano e ainda está sozinha.

Essa secretária é muito boazinha, todo mundo gosta muito dela. Ela é prestativa, é legal, é engraçada, ela só não é bonita. É baixinha, apesar de ser rata de academia não tem um corpo fantástico ( é aquela magra remediada sem peito, sem bunda ), só compra roupas boas na Esprit mas não sabe combiná-las muito bem.

Há 3 meses recebemos a notícia que teríamos um expat mexicano trabalhando no nosso grupo, vimos o CV, e ele é solteiro. Logo começamos fazer planos pra secretária e o mexicano, demos muita risada. Esperávamos um mexicano dark and handsome, e eis que chega um mexicaninho baixinho e loiro de olhos azuis, a secretária só faltou chorar de decepção. Acontece que o mexicaninho é gente finíssima, juro que "ficou" até bonito, mas quem diz que a secretária quer ir tomar um café com ele?

E é aí que eu digo, aquele que conhece a capacidade de areia que tem seu caminhãozinho, não anda de caçamba vazia. Eu pessoalmente acho que o carinha em questão não é feio, e tem muitas outras qualidades mais importantes in my book – do que a morenice e o 1,80mt, mas a colega secretária ainda não cansou de esperar o príncipe, fazer o que?

Outro dia conversei via FB com uma amiga das antigas, que tem a minha idade e tá bem bonitona, razoavelmente magra, cabelão, conservadésima. Ao elogiá-la, ela me disse: Adriana, tive que me conservar porque casei tarde, fiquei muito tempo no mercado. Esse "no mercado" me chocou, e ela me explicou pragmática: infelizmente, pra sentar e conversar com um rapaz, você tem primeiro que passar pela concorrência que é baseada nas aparências, então o negócio é tentar controlar as banhinhas, deixar o cabelón crescer, andar arrumadinha e maquiadinha, baixar um pouco as expectativas. Essa colega era como a secretária daqui, tinha expectativas altíssimas, ficou sozinha até os 37 anos, e pelo menos fisicamente, o marido não é nenhum Brad Pitt.

Blé, que papo, agradeço todos os dias eu "não estar no mercado", porque acho esse lance de paquerar, namorar, sair pra gandaiar, ruim demais. Blé blé blé, sei, que papo de baranga Adriana, mas não é só o negócio de ter que ficar bonitinha não, mas é tanto homem jaburu por aí… Putz, eu já saí, fiquei, namorei, com tanto jaburu – e muito jaburu bonito, manja o cara que é bonitinho mas ordinário?

quinta-feira, novembro 22

Nossa fofinha

Nossa ainda sem nome fofinha

Aqui com 8 semanas, no dia que a visitamos

 Aqui em baixo com 4 semanas, a da esquerda com a irmã e o irmão
 Sorrindo ( not ) para a camera. Será que ela vai ser rabugentinha que nem o Ty?
 Aqui a da direita, menorzinha que o irmão.
Nome ainda indecidido. Eu gosto de: Lila, Julie, Bela, Amber, Nikki, Lilly... O marido quer ficar no medonho Nora, a gata má do Mr. Filtch :(

segunda-feira, novembro 19

Quando chegar a hora

Aqui na Holanda a eutanásia em humanos – é permitida.

Nunca havia pensado no assunto até mudar pra cá, e pra ser sincera, até meu marido perguntar: o que você quer? Nós dois queremos ser mantidos com suporte até o fim, até não haver 0.0001% de chance de recuperação. Sempre acreditei que se há 0.001% de chance de recuperação, 1 em 1000 terá uma cura milagrosa, e quem diz que não pode ser eu?

Há pouco fui colocada na posição de decidir, não por um humano, mas pelo meu gato. De todo o processo, acho que essa foi a parte mais traumática.

Os exames mostravam que o rim dele não funcionava mais, nadica, nem um resquiciozinho, ou seja, ele estava se envenenando, mas até aquele momento, apesar de ter perdido muito peso, de estar lerdinho e apático, os olhinhos remelentinhos, ele ainda estava andando, estava bebendo água, indo ao banheirinho sozinho, ele dormia no tapetinho do quartinho de computador, do meu lado, ele ronronava quando eu o acariciava… como colocá-lo pra dormir?

Na minha cabeça eu pensava muito naquele livro Vidas Secas ( ódio mortal desse livro ), onde a cachorra Baleia pega raiva, o dono a mata, e o livro conta o fato sob a perspectiva da cachorra. Eu pensava, será que ele entende que eu estou tentando poupá-lo de dor e sofrimento? Será que ele já percebeu que o fim chegou?

Na dúvida, o trouxemos pra casa. O veterinário nos preparou para que não levaria uma semana, marcamos para dali a 2 dias, é terrível trazer o animalzinho pra casa sem esperança nenhuma, não tinha nenhum remedinho, nenhuma comidinha, nada que nos desse qualquer esperança.

Na manhã seguinte, minha filosofia do “manter até o fim” mudou em 10 segundos: Ty estava praticamente sem abrir os olhos, não conseguia mais engolir saliva, então estava todo babado até o peitinho, a saliva estava misturada com um pouco de comida que ele ingeriu na noite anterior, e o golpe final: enquanto eu me despedia dele ( eu já tinha percebido que era o fim ), ele tentou ir ao banheirinho e não conseguiu, fez xixi no chão. A cena foi toda muito traumática, eu sabia que era mesmo o fim, eu sabia que se antes ele estava só com um “mal estar”, agora ele estava mesmo com dor.

Aquilo foi o que eu precisei para tomar a decisão. Fomos pro vet, ele estava tão malzinho que dormiu na caixinha de transporte dentro do carro, quem tem gatos sabe que isso NUNCA acontece. Chegando no vet, ele acordou e deu dois miadões, e cortou meu coração, eu preferia que ele já tivesse inconsciente, que não visse que ele não estava dormindo coisa nenhuma, ele estava é indo morrer.

A veterinária foi muito sensível, não o examinou, era visível o estado dele. Nós acariciamos, beijamos, ele tomou a injeção pra dormir, nós continuamos acariciando até ele se enrolar e dormir. A veterinária então o esticou, mediu os batimentos, a gente viu que ele foi respirando mais devagar. O mais impressionante, e eu gostaria de ter sido preparada para isso, é que o gato fica com os olhos abertos, é estranho. Beijamos, dissemos adeus, e saímos da sala. Ele tomou então a segunda injeção.

Nunca saberei se ele, um gatinho, entendeu que esgotamos todas as possibilidades de prolongarmos a vida dele. Agora pergunto: e quando chegar a vez do marido, se é que ele vai antes de mim?

Será que conseguirei vê-lo sofrer e manter nosso acordo de “não desligar as máquinas”?

Aqui a maioria das pessoas é cremada, fui na minha primeira cremação faz um mês mais ou menos. Foi a sogra de um funcionário meu. Ela foi diagnosticada com câncer de pulmão, intratável, foi pra uma casa de “repouso assistido”, foi definhando até chegar a 32 kg para 1,62 de altura, no fim estava pouquíssima parte do tempo consciente, e quando estava consciente estava gemendo e gritando de dores, a família decidiu então pela eutanásia. Acho uma decisão acertada, mas hoje, tendo passado pela experiência com o Ty, sei que ficaria: mas e se ele ainda tiver uma horinha de lucidez sem dor, tenho o direito de roubá-lo dessa hora?

Outra coisa que eu acho fundamental é ter certeza que se tratou o paciente de todas as formas conhecidas. Ty teve comida especial, vários remédios, e mesmo assim, lendo sites dos loucos americanos que chegam até a fazer transplante, eu já tive que pegar o último exame dele várias vezes pra me lembrar que não haveria acupuntura, floral, comidinha  caseira que o salvasse do rim que resolveu parar. A pergunta: teria sido diferente se …? – se forma na cabeça, mas imediatamente eu relembro do exame e de tudo o que fizemos.

Sei que o papo tá pesado, mas a vida continua… Sexta levamos um susto com o Plato, ele já tinha emagrecido um pouquinho no ano passado ( 400 gr em 1 ano, de 9.6 kg pra 9.1 kg ), na quinta peguei o Plato no colo, o achei mais leve, pesei: 8,5 kg! Sexta liguei pro vet pra perguntar se é da nova comida diet, não podia ser, então fomos pra lá com ele. E passamos por tudo de novo, exame físico e exame de sangue. Espera agoniante. Os exames estão normais, só indicam que o Plato está envelhecendo, a creatinina um pouquinho alta, mas ainda dentro do normal. Eu odeio não achar a causa do emagrecimento, mas o vet diz que o provável é que foi o estress de perceber o irmão doente e depois a depressão. Voltarei em 3 semanas para mais um follow up, mas os exames de sangue estão super normais, não há muita razão pra se alarmar.

Mas pelo sim, pelo não, corremos resolver o negócio: reservamos uma irmãzinha pro Plato. Ela é uma british short hair lilac, lindinha, tem 8 semanas, e vem pra nossa casa dia 31 de dezembro. Estamos radiante com a nossa nova filhinha, e ainda que a saudade do Ty não passe e não diminua, temos ainda um gatinho em casa e ele precisa de companhia.

Assim que tiver um tempinho posto uma foto da fofa, que ainda não tem nome. Eu queria Lila ( ou Piper, ou Mimi ), o marido quer manter o horrível Nora que é o nome oficial do passaporte. Podem mandar sugestões, alguma idéia de nomes legais com N ou P?

segunda-feira, novembro 12

E para os que ficam...

Obrigada a todos pelas palavras de apoio.

Estamos ainda bem abalados, mas melhores. Por enquanto o segredo é evitar as fotos, a saudade bate mais forte quando vemos o rostinho rabugentinho, ou as preguicites dele. Ele nos faz muita falta. E também ao Plato. Plato me segue 100% do tempo, e ele era um gato bem independente. Ele ainda procura bastante pelo Taai e quando não o encontra, mia. Mia as 6 da manhã, mia a 1 da manhã, ele mia, minha gente, mia muito. Plato sempre foi o serelepinho que amava ficar no jardim, já caçou passarinhos, rato, até um sapo! Sempre foi uma dificuldade colocá-lo para dentro, quantas vezes tivemos que eu e o Bart persegui-lo pelo quintal, um espanta daqui o outro cata dali… e agora ele só sai se eu ou o Bart estivermos juntos, e no minuto que a gente entra, ele começa a arranhar a porta pra entrar.

Por isso decidimos que adotaremos outro gatinho, de preferência uma menina dessa vez, dois machos brincando de lutinha em casa é o ó ( pêlo pra todos os lados ). Eu pensei em comprar um British short hair ( pra quem mora na Europa, é o gato da marca de comida felina Sheba ), principalmente porque uma das características da raça é que eles são “indoor” – são caseiros, queremos continuar  a criar os gatos em casa e no jardim, sem ir pra rua, mas o marido quer simplesmente adotar um do abrigo de animais. Eu não me importo, vou amar e adorar qualquer gatinho, então – abrigo it is.

Estou muito impressionada com os holandeses no quesito animais. Tem sim muita gente que larga os animais pra ir viajar, que tem filho e manda os animais pro asilo, mas isso acho que tem em qualquer lugar. Mas o que me supreende é que quando eles querem um animalzinho, dão prioridade pro abrigo de animais da cidade. Para gatos, eles tem vários que moram no abrigo, mas a quantidade é surpreendentemente baixa, Eindhoven é a quinta maior cidade da Holanda e eles devem ter uns 30 gatos adultos esperando adoção. Os filhotes, na sua maioria ficam na casa de “famílias de criação”, normalmente são doados ou encontrados pequetitos  e essas famílias criam o gato entre outros animais, com crianças, pra aumentar as chances do gatinho ser adotado. Ando de olho no asilo desde o dia em que o Taai morreu ( quarta-feira ), a maioria dos gatinhos que estavam no site já foram adotados, morro de felicidade quando vejo a fotinho com o símbolo “eu tenho dono”!

Não podemos pegar o gatinho agora, em 3 semanas vamos pra Tailândia. Por outro lado, vai ser dificílimo pro Plato dessa vez, ele sempre dividiu a “suíte” dele com o Taai, aliás, ainda preciso ligar pro hotelzinho pra avisar que o Taai não está mais entre nós, estou sem coragem.

Essa história toda me deu um respeito enorme pelos pais que perdem um filho e conseguem conviver com o fato, mesmo que depois de anos de sofrimento. Sim, é para os nossos gatos que direcionamos o afeto que daríamos ao filho que não temos, mas não sou uma louca, é um gato, imagino quantas vezes maior é a dor de perder um filho.

A literatura Kardecista é incrivelmente pobre no assunto do que acontece com os animais depois da morte física. Uma vez numa palestra ouvi que como não tem nada a resgatar, os animaizinhos reencarnam imediatamente. Espero que sim. A doutora Alice mandou uma meditação para a perda de animais de estimação, e a explicação dizia que o espírito do animalzinho ainda permanece por alguns dias. Eu não sei qual é o correto, só sei que mentalizei muito para que ele esteja bem, para que não fique preso a nós, que venha em alguma outra família que queira muito um gatinho rabugentinho como ele.

Tenho também a dizer que numa hora dessas entendo menos ainda o ateísmo. Acho tão absurdamente ilógica a noção de que a gente nasce, vive e morre, tudo tão sem propósito, tão ilógico mesmo mesmo mesmo. Marido é ateu, mas até ele resmungo que o Taai “está num lugar melhor, sem dor”. E sei lá, pode ser que o ilógico é crer numa vida após a morte que não se vê, não se prova, mas… se a gente vai morrer mesmo e todo mundo voltar a ser cinza, qual o mal em eu me “iludir” que meu gatinho está em um outro plano?

Bom, to be or not to be à parte, vamos sobreviver. E isso já é o bastante por hora.

quarta-feira, novembro 7

O mundo está tão triste

Em fevereiro de 2011, nosso Tyrus - ou Taai Taai, foi diagnosticado como paciente renal grave. O veterinário disse que os índices dele estavam todos no limiar das possibilidades de tratamento, mas como tínhas possibilidades financeiras - e muita vontade - decidimos tratar.

Ele se recuperou bem, o veterinário o chamava de "my miracle cat", mas sempre nos lembrou que ele estava vivendo com 20% dos rins ou menos.

Quando voltamos de Portugal, o Taai Taai ainda estava bem, pesamos, ele tinha emagrecido um pouquinho, mas não nos preocupamos. Nos últimos 5 ou 6 dias ele estava com uma gripe, olhos com secreção e nariz entupidinho, levei pro vet. Dirigindo pra lá, me deu um arrepio de pensar que o primeiro diagnóstico também foi feito assim, ele parecia estar com uma gripe e tinha perdido peso.

O veterinário desconfiou na primeira olhada, limpou os olhinhos, o nariz, pediu o exame, e depois de 20 minutos me disse: vou ser sincero, não podia ser pior. E me explicou, e fez desenhinho, é tudo um borrão na minha memória. Eu já sabia que estávamos tratando com tudo o que havia de recursos, comida especial, remédio em cápsulas, pó na comida, já sabia que se houvesse mais alguma complicação, não haveria tratamento. E foi assim que eu entendi que o médico estava me dizendo que teríamos que colocar meu Taai Taai querido pra dormir.

O pior foi acreditar que o gatinho que na semana passada estava batendo na minha porta cedíssimo por causa da troca do horário de verão, era o mesmo que eu teria que colocar pra dormir, eu só pensava, será que não vou tomar a decisão muito cedo?

O vet disse que ele tinha 1 semana, então decidimos trazê-lo pra casa, ele estava razoavelmente bem, pra nos acostumarmos com a idéia, pra nos despedirmos, pro Plato se despedir. E assim fizemos.

Na mesma noite ele piorou muito, de manhã ele não consegui mais engolir a saliva, estava da boquinha até o peito ensopado, e ao tentar ir no banheirinho, acabou fazendo xixi em si mesmo. Esse foi o último sinal, incontinência - já sabíamos que quando chegava nessa fase, não há mais muito tempo.

Ligamos pro vet, fomos direto pra lá. O método consiste em 2 injeções, uma é um sedativo, a outra pára o coração. Ficamos durante a administração do sedativo, ele dormiu enquanto falávamos com ele e fazíamos a carícia favorita na orelha, ele foi se encolhendo, se enrolando como fazem os gatos, e dormiu. Tivemos ainda uns minutinhos pra beijar, abraçar - ainda sinto o peluchinho macio dele no meu rosto - e nos retiramos da sala.

Tudo é muito horrível, não há consolo, não há alento. E por cima de tudo, você tem que decidir como quer "colocar o Taai Taai pra descansar" - escolhemos cremação e que as cinzas fossem jogadas ao mar.

Não tenho esperança que as lágrimas sequem, não tenho esperança que a dor passe, pelo menos por enquanto. O marido também está um caco como eu. Ele teve que ir pra empresa pra uma reunião, vai voltar em algumas horas pra gente "limpar" a casa: limpar onde o Taai Taai passou mal, jogar as toalhas, cobertores fora, trazer o banheirinho que colocamos no andar de baixo pro lugar original, ou seja, apagar um pouco as lembranças dolorosas e começar a aprender como é ter um gato só em casa. E uma família ainda menor...

Tyrus van den Broek, Taai Taai, 2005 - 2012