quinta-feira, agosto 20

Como é morar em Eindhoven?


Eu ouço muito frequentemente que Eindhoven é a cidade mais feia da Holanda. Eu tenho que discordar, porque eu acho Rotterdam feíssima, com um povo feíssimo nas ruas, entretanto, Rotterdam tem tudo o que você puder imaginar em se tratando de lojas, restaurantes, bares, mercados, então apesar de feia, é prática.

E é aí que eu tenho que defender Eindhoven. Muito, muito frequentemente, o povo compara Eindhoven com Den Bosch, e sempre dizem que Den Bosch é mil vezes "melhor" que Eindhoven. Eu discordo, melhor não é, o centro é mesmo mais bonitinho, afinal é centro histórico, mas Eindhoven tem muito mais conveniências pra oferecer. Se eu fosse comparar, a cidade que sairia ganhando seria Breda, que tem centro histórico mais bonito que o de Den Bosch, tem todas as lojas e restaurantes que Eindhoven tem e mais, e de quebra fica moooito mais perto de grandes cidades como Rotterdam e Antuérpia.

Eindhoven é a cidade da Philips, cresceu ao redor da empresa. Temos vários escritórios dessa empresa, fábricas, estádio, deveriam ter mudado o nome para Philipslândia. Estamos numa área super verde do país, e nas nossas ciclovias temos as rotas indicadas para os passeios nas florestinhas ao redor da cidade. É muito comum nessa época do ano ver gente chegando na estação de trem com suas bikes, ou então ciclistas seguindo algum mapa de ciclovias. Num desses caminhos, passa-se pela estradinha que vai a Nuenen, e ali pode-se comprar morangos, aspargos, flores e plantas produzidos em cada uma das fazendinhas. Tem até fazendinha de criação de alce. Porque é que alguém cria alce eu não sei.

Eindhoven é uma cidade de gente jovem, temos uma universidade técnica bem conceituada, que tem fama aliás de ser o portão principal da Philips. Bom, Bart estudou lá e saiu direto da sala de estudo pra Philipona. Em frente à universidade tem a instalação de arte "flying pins", que todo mundo acha curiosa. Como na maioria das maiores cidades holandesas, Eindhoven tem um anel viário, e bem lá no miolinho fica o centro da cidade, que é uma zona de pedestres. Ali temos praticamente todas as lojas mais famosas da Holanda, e muita gente vem das cidades ao redor ( inclusive de Den Bosch ) para comprar em lojas com a Bijenkorf, V&D, Media Markt, BCC, e tantas outras. Ali também fica o cinema Pathé, com suas nove salas, e o novo e meu preferido, cinema Zien, com 5 salas e garçonete que vem te servir na sua cadeira. Temos ainda um multiplex para filmes "cult". Eindhoven em um ponto é uma cidade à parte na Holanda: temos 3 shopping centers! Já falei que na Holanda praticamente não existem shopping centers? Temos inclusive um grandão, que não fica no centro, o Woenselcentrum, que tem 4 ( !!!! ) supermercados, fora praticamente todas as lojas que temos no centro da cidade.

Holandeses têm fixação em móveis, lustres, decorações para a casa em geral, e em praticamente todas as cidades tem um "woonboulevard" ( impossível de traduzir, algo como boulevard de estar ) com essa lojas, mas em Eindhoven temos a minha loja favorita, que atrai gente até de Bélgica: o Ikea! Aos sábados é uma sucursal do inferno, mas como abre até as 9 todos os dias, voou bastante durante a semana.

Uma das maiores vantagens é que Eindhoven é uma cidade de acesso fácil para quem não tem carro, e dentro da cidade, vai-se a todos os lugares de ônibus, que são bons, frequentes, e confortáveis. Isso não só é uma comodidade a mais, como também valoriza bem o mercado imobiliário daqui.

Podem me chamar de preconceituosa, mas eu gosto de Eindhoven ser uma cidade normal tipicamente holandesa. Tem gente acha que tipicamente holandês é aquela cidadezinha do polder com gente usando tamanco, bah, faz-me rir. Amsterdam também é um mundo à parte, de tanto turista. E Rotterdam dá até medo, com tanta gente feia se esfalfando pelas ruas. Ah, pode me chamar de preconceituosa, tô pouco me lixando, mas aquele bando de cabo-verdiano, misturado com surinamense, com marroquino, andando na rua com os cabelos espalhafatosos, roupas estranhas, panças a mostra… Afe afe afe… Parece a Marechal Deodoro em SBC ( você tira a pessoa de São Bernardo, mas não tira São Bernardo da pessoa ). Aqui até os imigrantes ( re-lou, e eu sou o que? ) são mais normaizinhos, já que na maioria são imigrante patrocinados por empresas da região, logo, tem um nível sócio-cultural mais alto. Esnobe, eu? Não, realista, afinal quem é que não gosta de viver perto de gente bem educada?

Hoje está fazendo 32 graus, e muitos dos meu colegas estão combinando sair mais cedo amanhã, caso o bom tempo continue, e ir ao aqua-best, um parque ao redor de um lago, onde o povo toma sol, nada, faz esportes aquáticos. Acho que vou até dar o ar da graça.

Mas é isso, I ( coraçãozinho ) Eindhoven.

Algumas foteeenhas:


http://www.eindhoven.nl/web/show/id=418938/contentid=28106

http://www.heuvelgalerie.nl/


quarta-feira, agosto 19

Post sem pé nem cabeça, vários assuntos ao mesmo tempo

CUPCAKES

Anathalia, obrigada pelo "oferecimento", acho que se eu morasse aí nos EUA nunca, jamais, eu teria um centavo sobrando na conta. É coisa demais pra comprar! Mas eu estou "fazendo" meu próprio extrato de baunilha, e os demais apetrechos eu vou ter que ir à uma loja especializada ou comprar online por aqui.

HOBBY CARO

Quando a Holandesa começou a fazer os bolos, ela me convidou para o curso, que aliás eu já tinha feito no Brasil. No Brasil a moda dos bolos de massa elástica, como são conhecidos ( ou pasta americana ), não fizeram muito sucesso, e por duas razões: o bolo é meio seco para os padrões brasileiros. Nesse tipo de bolo você normalmente usa geléia ou creme de manteiga, alguns mais ousados podem até fazer com doce de leite ou ganaches ( de chocolate ou leite ), mas a massa em si tem que permanecer seca pra não alterar a massa elástica. A segunda é que não só os ingredientes são caros por serem na maioria importados ( os géis comestíveis para dar cor, a massa de amêndoas ), mas os apetrechos pra fazer os bolos são um belíssimo investimento ( espátulas, cortadores, formas, rolos de textura, bicos de confeiteiro ). Como diz a Holandesa, é um hobby caro. E gastar uma grana preta pra ouvir que o bolo é "gostosinho" ( essa foi a reação ao meu bolo, e também ao que eu comprei da confeitaria onde eu fiz o curso, que em teoria era um dos melhores de SP ), é o fim da picada. Acabei indo fazer um curso de bolos gelados e cremosos ( cópia dos bolos da Amor aos Pedaços ), e esses sim faziam o maior sucesso. Já aqui na Holanda o povo não é muito chegado a bolos "molhados", adoram geléias, esses bolos que a Holandesa faz são um sucesso! A idéia de fazer cupcakes ao invés dos bolos, primeiro é porque eu não tenho família grande pra comer meus bolos, nem tantas festas, reuniões e comemorações. Segundo é que pra fazer cupcakes o investimento é bem menor, não tem que ter tanta espátula, tantos bicos de confeiteiros. Terceiro é que é uma gratificação mais imediata, se vc faz o primeiro cupcakes e não fica muito bom, você "conserta" no segundo, e em meia hora você tem vários bolinhos lindos para ser admirados. Até nos hobbies eu sou imediatista. Mas a maior razão, a principal, é que eles são muito bonitinhos, né não? Tem um mais lindo que o outro. Ai, minhas banhas…

CADA UM É CADA UM

Hoje eu estava conversando com um colega que vai em Dezembro pra Jamaica.  Eu gostaria muito de ir esse ano, mas não tô podendo $$$$, no máximo estico o budget para a Republica Dominicana. Eu, e acho que a maioria das amygues ( internautas ou não ), não colocam pézinhos num hotel sem antes ter pesquisado no Tripadvisor. Eis que eu pergunto pro colega se ele consultou o site pra ver as reviews do hotel onde ele vai ficar e ele me responde que odeia ler essas reviews, que nunca abre o tripadvisor porque nas poucas vezes que o fez só tinha review de gente louca. Eu concordo que tem muita gente reclamando de garçom que não ri ( !!! ), ou de hotel cujo showzinho noturno não é muito bom ( se eu quero ver show noturno vou à uma casa de show, não a um hotel ), ou coisas banais. Mas tem também muita gente que dá opiniões sinceras e práticas, e o melhor, gente que vê hotel esculhambado e tira fotos. E convenhamos, contra fotos ( e fatos ) não há argumentos. Eis que o colega vai pra um RIU, que sinceramente é uma das piores cadeias de hotéis onde eu já fiquei, mas ele é fã e tem cartão fidelidade, e aí olhando as fotos no tripadvisor, o hotel é medonho, todo caindo aos pedaços, o nível de "aceitação" é 69% ( super baixo ), eu realmente gostaria que ele visse as resenhas. Mas ele não vai ler. E eu não vou mostrar. Mas acho uma besteira. Whatever, é ele que vai se dar mal nas férias, não eu.

E O CAOS TOTAL

Vocês viram que eu não estou falando lá com crá, estou cansada e não consigo em concentrar e quero ir pra casa mas tenho que esperar uma ligação. Vou trabalhar como um elfo doméstico até o fim do ano. E essa loteria que não "cai nimim"...


terça-feira, agosto 18

Preciso dizer que eu quero ir pra Orlando?


Ontem meus colegas de trabalho voltaram das férias. Ouvindo-os contar das viagens, fico me perguntando, quem diria que um dia eu ía ouvir e achar perfeitamente comum alguém dizer que passou as férias nos fiordes Noruegueses, ou em Cannes, ou nos Ardennes Belgas ( esse é carne de vaca por aqui )?

E os Brasileiros, que comparados aos holandeses, viajam pouco, estão botando as asinhas bem de fora: tenho um monte de amigos que foram para a Disney em Julho. Dolar baixo, milhões de promoções de hotéis por causa da recessão, a brasileirada que sempre sonhou em ir pra Disney… Disney continua sendo o sonho de consumo da brasileirada, dou o maiorrrrr apoio! Em 1998, com dolar praticamente um pra um, a Disney mais parecia o Playcenter, só tinha brasileiros! Já em 2005, quando voltei com o Bart e o dolar estava na casa dos 3 reais, não me lembro de ter visto nenhum.

Aliás, tenho uma pergunta para brasileiros morando nos EUA e que eventualmente leiam o blog: vocês já comeram cupcakes nos EUA?

Acontece que eu encasquetei que quero aprender a fazer aqueles cupcakes decorados. Começa de que eu nunca entendi qual a diferença entre um cupcake e um muffin, mas vá lá. Aí peguei duas receitas de cupcakes, uma delas de uma cupcakeria famosa de NY, e embora o sabor tenha ficado ótemo, achei o bolinho meio pesado. Aí tentei fazer a outra receita, e também ficou meio pesado, será que é assim mesmo, e a diferença entre cupcake e muffin é que cupcake é mais úmido e mais pesadinho enquanto o muffin é mais levinho mas meio seco?

Fora isso, adotar um hobby americano aqui na Holanda é pedir pra sofrer. Tem vezes que eu acho que nossos mercados e os mercados da antiga União Soviética comunista de 20 anos atrás não são muito diferentes, só faltam os cupons de ração. Sério. Nas receitas do bolinho e do creme cobertura vai um monte de extrato de baunilha, mas aqui não vende! Talvez venda nas lojas especializadas  em confeitaria, mas no mercado só tem aroma de baunilha, que dá o cheiro mas não dá o gosto. Forminhas, só tem de uma marca, um tipo, e são caras. Açucar de confeiteiro, só numa embalagem de 200 gr. para polvilhar panquecas e poffertjes, imagine fazer o buttercream, que leva 3 xícaras do produto! Lembro ter visto todos esses produtos no ASDA, no Reino Unido, incluindo corante em gel, glacê-real, massa elástica, massa de amêndoas, enfeitinhos, e forminhas de mil  desenhinhos. Aqui, a menos de 1 horinha de avião, não se encontra nada.

Fora que Bart não gosta muito de muffins e cupcakes, então fica aquele monte de cupcakes super calóricos dando sopa na cozinha, e acaba que vai pro bucho. Prometi aqui na empresa que trarei uma fornada na próxima reunião de grupo, que será em 2 semanas, até lá tenho que ir à uma loja de confeiteiros.

sexta-feira, agosto 14

Gen mutante na Holanda


Eu já disse que adoro a empresa onde trabalho, curto muito meu grupo, meu diretor e diretorzão são boas pessoas, eu estou ( toc toc toc ) muito contente. Mas nem todo mundo por aqui está.

Há um bafafá rolando à boca miúda ( aliás, nem tão miúda assim ) por causa da K.

K. tem uns 33 anos e há um ano, quando comecei aqui, ela estava pra ter um bebê, já havia saído de licença "pré-maternidade". Quando K. voltou, depois dos habituais 3 meses de licença, tentou negociar com a empresa que o contrato dela passasse de 40 para 32 horas, assim ela teria mais tempo para dedicar à filha. Não sei se é só nesse departamento, ou se é política geral da empresa, mas a solicitação dela não foi aceita.

Há uma lei holandesa que garante à ela trabalhar 1 dia a menos por semana por 13 meses, e ela se beneficiou dessa lei, mesmo à contra-gosto do chefe, mas não havia nada que ele pudesse fazer, lei é lei. Aí, não contente em ficar só 1 dia por semana em casa, K. decidiu que ficaria 2 dias por semana em casa, mas daí o prazo dado por lei cairia pela metade, pouco mais de 6 meses.

Como aqui na Holandesa, em geral, a mulherada põe um pra fora e outro pra dentro, quando a filha fez 6 meses ela já estava grávida de novo, e está agora novamente de licença maternidade. A situação está complicada, porque ela não quer pedir as contas e a empresa não pode mandá-la embora, mas enquanto a situação não se resolve, o portfolio dela fica dividido entre outros 2 compradores e contrataram um assistente. Ela pede ao diretor que deixe um comprador mais senior como líder do portfolio, ela como compradora operacional, e efetivem o assistente ( ele é temporário ) para ajudar no portfolio dela e do comprador mais senior. Ninguém gostou dessa idéia, nem o diretorzão, nem o chefe dela, e nem o RH, porque existe uma descrição de cargo oficial, que é aliás comum com a matriz nos EUA, e a situação dela seria um caso muito à parte. Sem falar que os colegas dela também não querem ser lideres de duas commodities, mesmo que tenham assistentes.

O que todo mundo está apostando é que, se ela voltar, será encostada em algum cargo bem insuportável, na geladeira total, até que ela por si só, peça a conta.

O "causo" tem gerado muita discussão, e hoje meus colegas pediram minha opinião, já que eu sou mulher.

Eu disse que no Brasil, muitas, senão a maioria das mulheres que trabalham, não podem se dar ao luxo de trabalhar um dia a menos por semana quando tem filhos. Não há lei que garanta esse benefício, e as empresas também não gostariam da idéia. E feliz ou infelizmente, a maioria TEM que trabalhar, porque sozinho o marido não consegue pagar apartamento, condomínio, assistência médica, financiamento do carro, gasolina, etc etc etc. É ou não é a realidade do nosso país? E disse que nem por isso, essas crianças que vão pro berçario sejam todos desajustados emocionais. Disse que eu conheci mulheres na GM, gerentes, que mesmo com dois filhos, chegaram lá. Que possível é, só é ultra-sacrificado, exige muita força de vontade. É mais fácil com um filho só, claro. Mas é possível.

E complementei dizendo que, se a pessoa quer mesmo ter uma família maior, se ela faz questão de passar dois dias da semana com os filhos, se ela não tem pique pra ralar num trabalho full time, e cuidar dos filhos, e cuidar da casa, e estar bonitinha e sorridente pro marido ( pique que eu não tenho ), que ela não deve se admirar, ou reclamar, de ter que aceitar um cargo "menor" ou de menos responsabilidade. Eu acho que um dia "de folga" por semana é administrável, mas dois, realmente não dá pra conciliar com o nosso tipo de trabalho.

Já os 3 colegas de trabalho que discutiam o assunto comigo dizem que filho JAMAIS deve ir para a creche 5 vezes por semana, que isso é dar a criança pra creche criar. Um deles disse que ele toparia numa boa abrir mão da carreira pra ficar cuidando dos filhos 2 vezes por semana, mas os outros 2 disseram que criança precisa da mãe ( bela desculpa ).

Eu respondi com 2 argumentos. Primeiro que a criança vai pra escola aos 4 anos e vai ficar lá 5 dias por semana, das 8 às 15. Se a mãe entrar na empresa às 8 da manhã, ela pode sair as 16 ( ou o pai ), então a criança teria que ficar na creche que cuida em horário extra-escolar somente 1 horinha. Quando a criança nasce, a mãe volta para o trabalho quando a criança tem uns 4 meses, se ela esticar a licença com férias. Aí somam-se mais 13 meses que a mãe pode folgar um dia por semana. Sobram 2 anos e meio. Eu não consigo acreditar que uma criança vai crescer traumatizada e sei lá mais o que só porque por 2 anos e meio ela foi pra creche um dia a mais por semana.

E o segundo argumento é que tem muita mulher que tira esse dia de folga mas não dedica esse tempo extra ao filho. Eu vejo pelos janelões da vizinhança, criança que mal sabe andar sentadinho na frente da TV enquanto a mãe tá limpando a casa. Aí, pra deixar meu filho vendo TV enquanto eu lavo, passo e cozinho, eu prefiro que a criança vá pra escola interagir com outras crianças, fazer trabalhinhos manuais, e sei lá mais o quê que a criança faz na creche, mas o que pode ser pior que ficar horas em frente à TV?

No fim, eles disseram que apesar dos meus argumentos serem bem razoáveis, e de concordar que tem gente que foi pra creche, ou teve babá e que cresceu pra se tornar um adulto normal, que criança tem que ficar um dia da semana em casa com um dos pais pra crescer psicológicamente equilibrada e sadia.

Eu ri ué, vou fazer o que? Ri e disse que é por isso que eu tenho gatos. Que criança holandesa tem um gen mutante que requer a presença da mãe um dia por semana 24 hrs, e que já que eu não posso dar isso, melhor ficar sem. Sorte das colegas leitoras, que não casaram com holandeses e não correm o risco de ter filhos com o tal gen mutante.

 

quinta-feira, agosto 13

Papo acéfalo


Eu não tenho saco nem interesse em creminhos, maquiagenzinhas, shampoozinhos, roupas, sapatos e futilidades afins. Acho que todas as minhas amigas são mais ou menos assim também, cosméticos raramente são parte dos nossos bate-papos, afinal temos tanto pra falar, carreira, viagens, filhos, casa e reformas, bichos de estimação… E olha que uma das comadres trabalha numa empresa famosa que não só tem uma linha de produtos para o rosto, mas também uma marca famosa de maquiagem.

Há mais de ano eu venho adiando reestocar minhas gavetas. Antes da viagem cheguei ao fundo do poço, minhas roupas de verão estavam em farrapos, meu hidratante facial tinha umas gotas, não tinha mais nenhum gloss, estava usando shampoo Pantene ( meu cabelo é ruim toda vida, só fica bom com Kerastase ou a marca do meu cabeleireiro ), e meu estojinho de maquiagens só tem embalagem vazia.

Um esclarecimento. Embora eu deteste maquiagem, não posso viver sem corretivo e agora tive que encorporar o blush na rotina diária. Eu sou muito pálida, tenho olheiras escurésimas e fica todo mundo me perguntando se eu estou doente ou não dormi bem quando eu não uso maquiagem.

Desde os 25, eu alterno hidratante facial da Lancome e da Estée Lauder. Quando o potinho está na metade, começo a procurar ofertas pra repor, mas esse ano marquei bobeira, esqueci totalmente, e acabou que num belo dia, usei a última gota do Lâncome e não tinha nada pro dia seguinte. Fui nas lojas daqui mas, sem promoção nenhuma, quase desmaiei com os preços. Resolvi, até porque estava sem tempo, comprar um creme "quebra galho", até aparecer uma daquelas promoçõezonas ou eu passar por um bom duty free. Pensei em comprar o Definity, mas como eu não compro nada que eu não possa experimentar e a Olaz não tem tester, desisti. Na ETOS, tinha um Definity para olhos aberto, e a moça do caixa me deixou experimentar. Comprei. E tinha um Loreal em promoção, experimente, parecia bom, comprei. Fui pra casa pensando: minha cara vai cair. Já posso até sentir as rugas se formando. Se com Lâncome já tava brabo, com creminho de prateleira vai ficar o ó. Mas para minha surpresa, e aqui fica a dica, o Loreal é muito muito bom, estou até pensando em adotá-lo permanentemente. O Definity para olhos é OK, o Lâncome ainda era melhor. O Loreal é esse aqui:

http://www.loreal-paris.nl/huidverzorging/gezichts-verzorging/revitalift/breukrimpels.aspx

Antes de ir viajar me reabasteci de roupas de verão, comprei até demais na liquidação. Me reabasteci também de Kerastase. Meu estojinho de maquiagens receberá a adição somente do meu corretivo favorito ( Effacernes, Lâncome ), mas de resto vai ficar desfalcado até eu encontrar promoções boas.

E com mais algumas compras meus armários e gavetas estarão novamente reestocados por 1 ano, Deus permita. E daí colega, ficarei livre de gastar meu rico dinheirinho nessas baboseiras "marromenos" necessárias por um longo tempo, e você ficará livre desses posts acéfalos por outro longo ano.

E para terminar, você sabia que:

- Aqui na Europa o buraquinho do spray já vem virado pra frente enquanto nos países mais pobres não? Pode reparar!

- Aqui na Holanda, tem pouquíssimos produtos da Johnson & Johnson, e até a famosa linha para bebê é reduzidíssima, e se chama Natusan.

- O Oil of Olay aqui se chama Olaz, e no Brasil nem existe. Minha mãe ama os cremes da Olaz e eu estou sempre mandando pra ela, pras tias e até pras amigas dela.

- Aqui não tem AVON, e olha que a maioria dos produtos top de linha da AVON são feitos aqui do ladinho, na Alemanha.

- Esmalte de Unhas aqui é super caro, a maioria das brasileiras traz do Brasil. Nosso bom e velho Colorama é vendido aqui sob a marca da Maybeline ( é assim que se escreve? ), mas tem umas cores ultra estapafúrdeas. A solução é comprar num loja low profile chamada HEMA ( mas descascam no mesmo dia ), ou pagar 10 euros num Loreal ou marca semelhante. Eu ainda tenho esmalte da Xuxa e da Angélica. Ah, e aqui ainda vendem acetona.

- Numa loja chamada Etos, vende-se embalagens miniaturas para praticamente todos os cosméticos "de prateleira". Para viagens curtas, mini-pasta, mini-desodorante, mini-hidratante, economizam um bom espaço na bagagem. Mas não são muito baratos.

- Aqui não existe água oxigenada. Nem Merthiolate.

- Europeus são todos ecológicos, mas não existe nenhuma marca de cosméticos que ofereça refil, como a Natura.

- Também não temos Neutrogena.

- Em lojas tipo Kruidvat ( uma mistura de Drogão com Americanas ), vende-se repelentes, velinhas e até aquele aparelho de colocar na tomada anti-mosquito, mas tudo de citronella, que só espanta mosca de fruta e olha lá. Baygon, Rodasol e afins são proibidos. O interessante é que em outros países da Europa se compra venenão numa boa, eu renovei meu estoque de Baygon de tomada agora na Grécia. Na Holanda tem muito mosquito, tipo Ilha Bela no verão. Sério. E o marido que é todo medroso, trouxe do Brasil loção anti-mosquito para bebês da J&J, e não é que funciona? E o cheirinho é óteeeemo.

- Não reparei se já tem no Brasil, mas aqui tem Nivea for Men e a Loreal também tem uma linha masculina. Tentamos comprar um hidratante para o Bart no México e a vendedora da drogaria ficou inconformada de um homem querer usar hidratante para o rosto. Lá não tem Nivea for Men e macho que é macho tem que ter cara de brucutu.

Agora que esgotei meu repertório anual de conversas fúteis e levemente acéfalas, mas ligeiramente interessantes, sigamos com a programação normal.


quarta-feira, agosto 12

No fim...


No fim é como a Marcia falou, a gente troca uma coisa por outra. No meu caso, também fico na Europa principalmente pela segurança, poder andar tranquila na rua, dirigir de vidrão aberto no verão, não me preocupar com o carro ser roubado se eu estaciono na rua… E igualmente importante para mim, é o sistema de aposentadoria aqui, cujo salário mínimo já dá levar uma vidinha razoável, enquanto no Brasil, velhinho que depender da aposentadoria var cortar um dobrado.

Quando eu comecei a trabalhar na GM, fazia parte do meu grupo a S, uma senhora finíssima de origem alemã. S ainda na casa dos 30, começou a planejar a aposentadoria dela, e como ela queria morar num lugar mais calmo, mas próximo à todas as facilidades de SP, comprou um terreno em Itanhanhém, litoral sul de SP, que naquela época começava a ser desenvolvido. Com o passar dos anos aquele terreno ganhou uma casinha, e teve o terreno do vizinho anexado, e pouco antes dela se aposentar, a casinha foi extendida. Muitos anos já se passaram, acho que bem uns 10, e até hoje S me diz que foi a melhor coisa que ela fez. Na época eu era bem novinha, mas sempre jurei que ía fazer o mesmo.

Todos os países aqui da Europa que visitamos, damos uma olhada em terrenos ou empreendimentos imobiliários. Quando fomos à Bahia também demos uma olhada em terrenos. É uma pena que eu não tenha dinheiro agora, mas naquela região estão começando a vender terrenos em condomínio na praia de Embassaí, que é perto da Praia do Forte e ainda ultra rústico. Em uns 5 anos, eu garanto que a vilinha já vai estar bonitinha e em uns 10 anos, o balneário vai estar show de bola. Eu queria muito comprar um terreno e deixar lá, guardadinho, esperando por mim. Mas comprar terreno no Brasil é um risco, afinal, quem garante que em 25 anos, quando eu me aposentar, a violência não vai ter tomado conta? E a situação econômica, vai continuar estável?

Ando também vasculhando muito a internet à respeito de terrenos na Espanha. Não naqueles balneários lotááááádos de Ingleses beberrões ( tipo Marbella ), mas terrenos que estão sendo colocados à venda pelo novo sistema de zoneamento dos terrenos rurais. O que me preocupa é que, para poder colocar uma boa casa, de uns 300 m2, uma piscina, você tem que comprar um terreno enorme, normalmente com oliveiras ou laranjeiras que uma cooperativa administra. Mas será que não atrapalha, o povo passando a toda hora para fazer a colheita, ou adubar, ou sei lá mais o quê? Será que eu acho terrenos rurais perto de cidades maiores, afinal eu quero estar perto de hospitais, lojas, cinemas…

Ah, planos, tudo planos, castelos em nuvens. Eu não estranharia nada se no fim eu acabasse ficando enterrada nessa terra fria. Ah, mas isso é que não. Nem que for pra comprar um casebresinho num dos países "baratos" da Europa, mas aqui nessa gelereira eu não morro. Meu epitáfio não será escrito em holandês, ah isso NEVER. NOOIT.

terça-feira, agosto 11

Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz...


Hoje um ex-colega de faculdade, ex-colega de GM, com quem mantenho contato por e-mail, me ligou e perguntou se eu estaria interessada numa vaga na empresa atual dele, uma montadora de caminhões, perto do meu apê no Brasil. Ele me disse que comentou sobre mim ( brasileira, trabalhando numa montadora de caminhões na Holanda, com experiência na GM ) com o diretor dele e ele ficou muito interessado.

Bizarro isso. Começa de que numa situação como a minha, eu não faço nem idéia se o salário que estão oferecendo é um salário bom, afinal fazem 6 anos que saí do Brasil.

Mas a verdade, é que não tenho mais peito pra encarar outra mudança de país. Acho que nem pra realizar meu sonho dourado de morar na Austrália. Nunca pensei que fosse ser tão difícil, e agora que o pior passou, não quero nem pensar em fazer o caminho inverso.

Já pensaram? Vender ( ou alugar ) minha casa aqui, Bart procurar emprego lá, procurar casa pra morar lá ( eu não ía ter coragem de desalojar minha mãe ), apesar desse cargo dar direito a um carro eu teria que procurar outro pro Bart, ele aprender a língua, fundo de garantia lá e pagamento de aposentadoria zerados, aqui meu pensionfonds parado, não , não dá nem pra pensar…

Ter assim, uma oportunidade concreta de voltar para o Brasil me fez colocar as coisas em perspectiva. Falta pouco, muito pouco pra eu ser ultra feliz aqui. Bem felizinha já sou, o pouco que me incomoda é quase nada comparado com o que eu já superei.

Conversei com duas outras pessoas, o tal fornecedor brasileiro e um outro amigo brasileiro, e eles me falam que voltar é loucura. Comentaram dos preços e qualidade de serviço médico, disseram que até os hospitais particulares que costumavam ser ótimos, tipo o Hospital Brasil em Sto. André, agora andam superlotados. O amigo me mandou uns links para preço de carros e quase caí dura, mesmo com a tal diminuição do IPI, um carro aí custa muito mais do que aqui na Europa. E preços de apartamentos? Gente, um apartamento de 100m2, na planta, duas vagas na garagem, no Jardim do Mar em SBC, 320 mil reais, prestação mensal de mais de 4 mil. Quem pode? Aqui na Holanda, um financiamento hipotecário de 500 mil euros, por 25 anos, gera uma prestação mensal ao redor de 1500 euros líquidos.

Não, não rola, sou medrosona demais, são muitas incertezas, seria complicado demais. Mas confesso que por 30 segundos, pensando na família pertinho, na faxineira, no calorzinho, na casa da praia, fiquei muito, muito, muito tentada.

Alguém por aqui já passou por essa situação e optou por voltar ao Brasil? E quem pensa em voltar ao Brasil, porque quer ir, porque ainda não foi? Sou só eu que sou "chicken desse jeito?

A gripe suína


Ontem, conversando com um fornecedor brasileiro, ele me contava que a esposa, que é dona de uma farmácia de manipulação, junto com muitos médicos, estão revoltados com a manipulação de dados que o ministério da saúde está fazendo com os casos de gripe suína. Segundo ela, os números seriam bem mais altos do que os publicados.

Eu não sei o que pensar. Por um lado, acho melhor não haver pânico, e números altos gerariam pânico, e comprometeriam muito a economia do país. Mas por outro lado, se o povo soubesse dos números verdadeiros, talvez reagissem mais rápido aos primeiros sintomas, se bem que eu não sei se isso diminui muito a taxa de mortalidade.

Acho que o nível de informação recebida pela população em geral, pelo menos por aqui, é fraca. Recebi, via o marido, o e-mail que a Philips mandou para os funcionários quando 4 casos foram confimados na empresa no Campus em Eindhoven. Nesse comunicado falam que o medicamento Tamiflu não só trataria mas ajudaria a prevenir a gripe. Devo então, mesmo sem estar gripada, pedir para a minha médica-de-família?

O comunicado aqui da empresa foi um pouco mais útil, ele dá instruções para evitar o contágio. Uma das informações achei super útil: usar apenas lenços de papel em caso você precise espirrar. Pode parecer bobo, mas eu ainda vejo muita gente por aqui usando lenço de pano. E caso você espirre, lavar as mãos imediatamente. E diz ainda que as máscaras de pano não protegem contra o virus.

Aqui na Europa, logo estaremos no outono. Eu não sei se as estatísticas confirmam, mas minhas gripes mais fortes foram todas pegas no outono. Como diferenciar uma gripe normal da suína? Não seria mais racional pedir pros funcionários, ao sinal do primeiro espirro, antes de vir pro escritório ir para o médico confirmar se é gripe normal ou suína? Os casos da Philips foram simples zé manés como nós que acordaram meio gripados e foram trabalhar mesmo assim, e logo 1 caso virou 4.

Hoje dei um espirrinho e o colega já avisou: sai com essa gripe mexicana pra lá. É alergia, respondi. Ele pergunta: alergia a quê? Eu respondo: a trabalhar…

Mas deixa eu voltar pro batente, já que eu não ganhei na loteria estadual, que saiu prum bilhete de 1/5 em Utrecht e vai dar lá pelos 28 milhões de novo no mês que vem.


segunda-feira, agosto 10

Quase Twitada #2: Adriana chocadésima

Estou horrorizada! Verdade que anunciaram que o Brasil sediará a copa de 2014? Quem foi o louco que tomou essa decisão? Como os gringos vão do hotel pros estádios, de busão? Faz-me rir. E os que precisarem de assistência médica, vão onde, no SUS? Faz-me rir. E os jogos serão em que estádios, nas velharias que conhecemos? Gringão sentado em arquibancada de concreto? Faz-me rir. E o neguinho que assistir um jogo no RJ e quiser ver o próximo em SP, vai como, de Cometa ônibus leito? Ah, quero só é ver os precinhos dos vôos da ponte, vão escandalizar a gringaiada. Hahahaha, faz-me rir muito. E o policiamento, vai ser feito pelos nossos maravilhosos policiais que em inglês mal se lembram do de-búqui-is-om-de-teibol? Pensar na gringaiada falando pro Sô Guarda que bateram a carteira dele nem faz-me rir, faz-me gargalhar. HAAAAHAAAAHAAAA…

Quero ver europeu que tem paúra mortal dos Hooligans Ingleses encararem a torcida do Pavilhão 9. Porque perto deles Gaviões é tudo gente fina. E no Rio, qual é o equivalente, a torcida do Mengão?

Vai ser tanto escangalhamento, tanta bandalheira, tanto absurdo, que por decadas falarão do fiasco que foi a copa mundial no Brasil. Far-me-ão chorar...

Uma quase twitada #1

Rezando pra São Longuinho pra achar a vontade de trabalhar que eu perdi. Aliás, quem é que inventou São Longuinho? Ele existe? Vou googar!

domingo, agosto 9

Redação: Minhas férias

Essas foram as primeiras férias em alta temporada, e espero que sejam as últimas. Tudo mais caro, avião lotado, crianças pra absolutamente todos os lados, um calor de interior da Bahia em pleno verão...

Antes de viajar eu estava muito preocupada com duas coisas: o hotel e a lotação. Escolhemos o hotel Lindos Mare, que até o mês passado era o número 1 do Tripadvisor. O dono do Lindos Mare abriu um novo hotel, adults only, cinco estrelas, lindodivinoemaravilhoso, como diz a Holandesa, pegado ao Lindos Mare, chama-se Lindos Blu, e é, desde o meio de Julho o número um no Tripadvisor. Claro que babei no hotel, pricipalmente por ser adults only, mas mandei um e-mail e quase caí dura: um upgrade da junior suite para um quarto standard no novo hotel ficaria em 280 euros por dia por quarto. Fiquei desapontada, claro, mas realmente não tô podendo pagar essa grana toda num upgrade. Aliás, o upgrade em si custaria mais que o pacote original. Mas fiquei contentinha, porque só por ter mandado um e-mail interessada no novo hotel, ganhamos um jantar "cortesia" no restaurante do Lindos Blu.

Tirei o dia anterior à viagem pra fazer compras de última hora, e juro que nunca mais. Crocs nova, shampoo Kerastase, máscara de mergulho pro Bart, spaguetti tops, remédios básicos, cada coisa num lado diferente de Eindhoven. Por causa da quase-falêcia da Crocs, agora tem uma loja só em Eindhoven vendendo os benditos.

Na quinta, fomos super cedo pro aeroporto, já tínhamos feito o check-in online mas estávamos com medo das fila do bagagge drop in point. Mas embora o aeroporto mal tivesse lugar pra sentar, despachar as malas foi fácil e sem filas, nos restou ficar quase 3 horas esperando o vôo no minúsculo aeroporto de Eindhoven. Já dentro do avião, taxiados, pronto para levantar vôo, o avião pára, motor desligado. 10 minutos passam, deve ser tráfego, motores ligados, re-taxiamos, e puf, motores desligados. O piloto avisa: estamos com uma falha técnica, os peritos estão a caminho, o problema é que eles estão em Schiphol. Todo mundo xinga. Desembarcamos. Vai demorar mais que o previsto, horário do spits ( rush ). Ganhamos voucherzinho de 15 míseros euros pra jantar. Parte do avião, os homens caipirões, decidem beber até o avião estar pronto. Outra parte, também cairipões, ficam todos alegrinhos com os 15 euros pra comprar comidinha. Outra parte, os desesperados, começam a ligar pra agências de viagem, pra hotéis, pra parentes, pra avisar do atraso ou pra reclamar. E uma boa parte, como nós, respira fundo e vai pro restaurante gastar os 15 euros de misericórdia, dizendo bye bye pros planos de jantarzinho à beira-mar regado a champagne.

O avião ficou pronto às 11 da noite, 7 horas de atraso, quase 10 de van den Broeks no aeroporto de Eindhoven. Tivemos ainda que voar pra Amsterdam pra pegar um novo crew, chegamos em Rhodes 5 da manhã, enlatados no miserável 737 da Transavia. Arkefly dá de mil a zero.

A Hertz está milagrosamente aberta, e pela mísera taxa ( cof cof ) de 30 euros, podemos pegar o carro ainda de madrugada. Tom Tom não tem a ilha mapeada, vamos com mapinha de papel. Ó céus, essas férias estão me saindo pior que férias frustradas.

Chegamos no Hotel, na baía de vlicha, ao ladinho de Lindos, vista espetacular. Na recepção, nossa sorte começa a virar: ganhamos, sem pagar um tostão, um upgrade para o Lindos Blu, para toda a estadia de 15 dias. Eu nem podia acreditar, eu NUNCA ganho upgrades, quanto mais um nesse valor! Fomos todos felizes. Ao chegar na recepção do Lindos Blu, nem podíamos acreditar, é puro puro puro luxo! Fomos super bem recepcionados, levaram nossas bagagens pro quarto, foram explicando as "facilities" do hotel, e a cada andar nosso queixo caía mais.

Nosso quarto não era dos mais caros do hotel, claro. Nos deram um quarto equivalente ao que reservamos no outro hotel, uma junior suite. Quando abrimos a janela, quase caímos duros, que vista!!!! O quarto era todo moderno, cama kingsize, tela plana, banheira com hidro, um desbunde, apesar de meio pequeno. Ficamos um pouquinho na varanda olhando o nascer do sol e fomos dormir.

O hotel salvou nossas férias. Demos uma olhada no Lindos Mare e teríamos sim nos afogado num mar de crianças barulhentas. No Blu, os casais mal ocupavam a metade da área da piscina. O relaxamento era completo, com lounge music, ou jazz, ou até pop music tocando suavemente nos auto-falantes. A piscina infinita normalmente tinha um, quando muito dois casais nadando ou apreciando a vista. Nos 15 dias que ficamos ali, nunca tivemos que acordar cedo pra "reservar cadeiras com toalhas", a pior desgraça da maioria dos resort que ficamos. Aliás, antes da 10 da manhã não tinha viva-alma na piscina. Ah, as vantagens de não se ter creonças...

Os jantares eram um capítulo à parte. O restaurate ficava ao lado da piscina, olhando sobre a baía, do alto da montanha. Espetacular. A comida era muito, muito, muito boa. A la carte todas as noites. Começava com sopa, e apesar do calor, eram ótimas. Aí tinha um buffet de "starters" frios e quentes: saladas, pães, queijinhos, umas carnes simples, até lagosta teve. E três escolhas para prato principal, normalmente uma carne vermelha, um peixe, e um prato vegetariano. E pensar que eu tinha ficado felizinha de ter ganhado um jantar nesse restaurate: jantamos lá todas as noites!

E gostamos muito de Rhodes. O mar é tranquilíssimo, limpo, azulzinho, uma delícia. Como tínhamos o carro à nossa disposição pelos 15 dias, ficávamos na piscina até as 3 da tarde, quando o sol estava a pino, íamos pro quarto tomar banho e refrescar um pouco e às 4 ou 5 saíamos pra conhecer as cidadezinhas ao redor. Gostamos muito de Pefkos, a uns 8 km de Lindos. E fomos várias noites pra Lindos. Aliás, Rhodes-capital e Lindos são ultra charmosas, ambas cidades medievais, com ruelinhas estreitas, labirintos e mais labirintos de lojinhas, cafés, restaurates. Gostamos mesmo.

Com o carro, cruzamos a ilha diversas vezes para as partes mais verdinhas. Fomos à um floresta de borboletas, fomos à cidadezinhas na montanha, visitamos vinícolas, compramos mel direto do produtor.

Entretanto... o calor atrapalhou sim. No weather channel as temperaturas máximas registradas em Agosto são de 31 / 32 graus, mas chegamos a pegar 43. Não sei se nos sites mentem, se a temperatura é medida à sombra, ou se nesse ano o verão foi muito escaldante, mas estava calor pacas. Como gostamos da ilha pretendemos voltar um dia, mas com certeza não será em julho/agosto, lá pra maio ou outubro deve ser tudo lindo demais.

No fim, o hotel salvou mil vezes nossas férias, teria tudo sido um desastre se tivéssimos ficado no hotel Lindos Mare lotadésimo, com crianças pra todos os lados. Mas chegamos a algumas conclusões baseados na estadia do Lindos blu. Primeiro é que temos que baixar nossos standards pras próximas férias. Em dezembro passado demos uma sorte de achar o Iberostar Bahia com bons preços, e antes disso o Royal Playa del Carmen. E agora foi uma sorte temos ficado no Lindos Blu, porque bancar mesmo, não podemos, uma diária simples está na casa dos 500 euros. Nossos próximos hotéis não serão tão luxuosos, e se a gente não se adaptar, ficaremos sempre decepcionados. E em segundo, é que não adianta, somos classe média, e pra gente, um all inclusive ainda é a melhor opção. Uma Coca de 250ml no Lindos Blu custava 3,2 euros, uma garrafa de 1 lt de água 3,80 euros, não dá pra bancar água e refrigerantes pra dois adultos num hotel desses, pelo menos não dá pra gente. Compramos garrafas dágua e latinhas nos mercadinhos da região, mas nunca estavam estupidamente gelados como eu gosto na hora do mergulho na piscina, mesmo com a minha beach bag com insulação térmica. Nos jantares as bebidas não eram incluídas, e nós normalmente pedíamos 2 cocas ou 2 iced teas, e a conta dos refris do jantar, sozinha, deu mais de 100 euros. Vimos várias pessoas comprado água e refris fora como a gente, e na hora do almoço a taberna mais próxima parecia uma sucursal do hotel. Mas também pudera, no hotel um Cheeseburger com fritas custava 19,30 euros, na taberna 5,20 euros, e era gostoso! Comemos muitos sanduíches "gyros", o original espeto grego, e eram baratos e deliciosos. Mas descer até a taberna no sol das 13 horas, quando está ao redor de 40 graus não era legal, legal mesmo tería sido comer no hotel à beira da piscina.

E agora é voltar pro batente e começar a planejar as férias de Dezembro, se é que vou tê-las.

domingo, agosto 2

Derretendo com todo o prazer

Estou teclando, sem acentos, da Grecia!

Amando muito tudo isso! E nem tem Mc Donalds aqui. Tem eh muito gyros... ah, gyros...

Quando voltar conto a saga do inicio das ferias, tem historia pra contar.

Esta um calor dos infernos aqui, chegou a fazer 43 graus! E nos nem percebemos, acreditam? A ilha eh linda, Lindos, onde estamos eh de chorar de lindo, Rhodes eh linda, o mar eh azulzinho e limpissimo, estamos nos refestelando.

Bom, soh queria dar um oi e dizer que quinta feira to de volta e conto as novidades.

Fui ( derreter mais um pouco )

terça-feira, julho 21

Chorei!

Chorei de emoção: tô de férias.

Pergunta retórica: porquê é que eu sempre chego no último dia das férias quase doente?

Dessa vez, a bagaceira é total, trabalhei tanto, mas tanto nos meus últimos dois processos de fornecedores à falência, que estou tiritando de cansaço, mal-estar, tonturas...

Não deixei as coisas arrumadésimas como costumo: nas últimas férias o colega substituto ficou impressionado, ele não teve que cuidar de nenhum assunto na minha ausência, tudo planejadinho com 5 meses de antecedência!

Dessa vez ficaram umas pontas soltas, mas eu tive tantas reuniões hoje, e tanta coisa pra fazer, que bateu 7 horas eu só pensava em ir embora, não conseguia mais escrever um e-mail.

Amanhã faço a mala, compro últimas coisinhas, levo filhotecos para o Gatos Spa & Resort, onde eles ficarão em regime de all-inclusive ( Ty sempre rouba comida dos gatos vizinhos, sempre recebo uma lista de comidas que ele também gostou além da já costumeira Royal Canin 33 ) e faço já o check-in. Tomara que tudo funcione bonitinho com o check in online.

Se eu não entrar mais aqui até a viagem, escrevo de Rhodes se eu achar um cyber café pagável.

Fui pra praia povo, que alegria!

segunda-feira, julho 20

Juízo no sentante


Estão começando a construir a nova parte do bairro ao lado da minha casa. Onde antes tinha uma ruazinha de acesso, agora tem uma ruazinha de terra, onde a prefeitura vai plantar umas graminhas e umas árvores. Durante o final de semana todo ficou um pai com duas crianças pequenas, o menino de uns 6 e a menina 3 ou 4, pra cima e pra baixo num quadricículo motorizado, desses movido a gasolina, que vai super rápido, e faz um barulho que parece que o mundo acabou. Passamos o final de semana inteiro irritados com a barulheira, e eu apavorada de uma das crianças despencar numa das valas laterais e se machucar.

Hoje pela manhã, o vizinho me perguntou se eu vi o acidente. Não vi, eu estava no cinema, e o Bart estava com fones de ouvido ( pra tapar a barulheira ) e também não ouviu. Parece que a menina bateu numa pedra, se apavorou e tombou com o quadriciclo, e aparentemente perdeu um dedinho, acho que da mão ( o vizinho falou vinger, e eu acho que vinger é só da mão ).

Onde tá o juízo de um pai que dá um brinquedo desse pros filhos, no sentante? Sou eu que sou neurótica, ou a função dos pais é proteger os filhos? Veja que eu não estou falando de ser super protetor, de não deixar o filho brincar na terra, de ir na casa do amiguinho, tô falando de dar um veículo motorizado na mão de uma criança de 4 anos!

Tem coisas que os pais podem até não fazer por mal, por exemplo, aquele dia que eu falei do bebê no cinema, e dei o exemplo de uma ameaça de incêndio, sério mesmo, quando aconteceu, eu mal conseguia segurar minha bolsa, quem dirá um bebê no colo. Aí os pais podem pensar: ah, as pessoas vão ver que é um bebê e vão ajudar ( duvido ), ou ah, aqui na Europa e povo vai ser mais calmo na evacuação ( foi um pânico e desorganização total ), mas pra quê arriscar? Isso que eu não consigo mesmo mesmo mesmo entender: pra que arriscar? É que nem esse pai, não podia dar um triciclo, quadriciclo desses de pedalar? A criança teria se divertido menos? Repito a pergunta: pra quê arriscar?

Sempre achei que ser mãe / pai, é colocar o filho primeiro. É pensar no bem-estar e segurança dos filhos primeiro. É adequar sua vida em função dos filhos. Não, não digo se anular, viver em função das crianças, mas tem gente que age como se tivesse comprado um cachorro! Cansei de ver no Brasil pais que vão pra praia e ficam ali nos guarda-sóis entornando todas ( ah, é só uma caipirinha com camarãozinho pra desopilar ), "de olho" nas crianças no mar, e as crianças se distraem e acabam indo mais pro fundo, ou vão mais pra direita ou esquerda, os pais se distraem no bate-papo, acaba a criança sendo resgatada pelos salva-vidas ou porque estão perdidas, ou porque tomaram caldo. Um perigo! Custa ficar um ali na água com a criança, nem que seja numa daquelas cadeirinhas de abrir, nem que for só pra dizer: fulano, mais pro raso, ciclano, não vai tanto pro lado de lá…

Quer ir pra praia manguaçar sem compromisso com a vida? Não tenha filhos! Quer ir pra restaurante chique com cristais e mil talheres? Não tenha filhos. Quer sair de férias culturais pra ver museu todo ano? Não tenha filhos.

Que buósta viu, agora fico com a imagem da menininha, loirinha, com um lencinho tipo bandana no cabelo, sem dedinho. Bah, estragou meu dia!


Isaura

Todo mundo já em casa, de férias, dançando o tchá tchá tchá e eu indo pro trabalho.

Vontade ZERO.

quinta-feira, julho 16

Harry Potter

Depois de esperar 2 anos para ver o sexto filme, finalmente o dia chegou. Ontem trabalhei até as 9 pra poder sair hoje às 5 da tarde e ir pro cinema, e as cinco em ponto eu estava comprando meu bilhete.

Foi aí que os problemas começaram. Claro que o cinema estava lotado, eu já esperava. O problema é que, apesar do cinema estar também exibindo a versão dublada, muita gente foi com criança pequena e como a sessão das 5 ( dublada ) lotou, entrou na em inglês mesmo. Já nos trailers aquelas crianças de 4, 5 anos perderam a motivação e começaram a subir e descer os degraus do cinema. E eu ali me irritando.

Aí começa o filme pra valer. Aos 3 minutos o surround pifa, e o som fica baixinho baixinho. Puta merda, eu esperei dois anos pra assistir o filme e além de um bando de remelentos subindo e descendo as escadas, tinha ainda que aguentar aquele som péssimo. Minha irritação triplicou.

Aí, aos 40 minutos do filme que eu mal ouvia, um bebê começou a chorar. Sim, um bebê. Tem gente que não é mãe, é vaca parideira. Fui embora. Pedi meu dinheiro de volta, o gerente nem argumentou. Jurei que nunca mais volto ao Pathe.

Lembrei então do cinema Zien, que tem mesinhas. Corri pra lá. Que diferença! Duas sessões ao mesmo tempo, uma em holandês uma em inglês, e na em inglês, crianças abaixo da idade da censura ( 10 anos ) não entram. Ameeeei.

Dos seis filmes esse é o que mais se diferencia do livro. Eu cheguei a ficar meio perdida, e olha que eu reli o livro há 2 semanas. Faltou muita, muita, muita coisa, mas é compreensível, o livro é enorme.

*** spoiler alert ***

Apesar do filme ser meio livro, gostei muito, acho que é o melhor dos seis. O filme está mais humano que os outros, os atores melhor dirigidos, a trilha sonora mais "whimsical". As duas únicas retaliações que pra mim fizeram muita, muita, muita falta, foram a música tema no começo e o romance do Harry e da Ginny. Tem cenas lindas do Harry com a Ginny, e de uma forma dão outra profundidade ao personagem dela, mas dos 7 livros, os capítulos em que eles namoram são os únicos onde o Harry tem uma vidinha quase normal, de adolescente infatuado, andando de mão dada e namorando num lugar escondido. Pularam tudo, tem um beijo selinho e só.

E é isso, vão assistir que é legal, e pra quem estiver por essas bandas e puder ir nessa nova rede ZIEN, vá que você vai gostar!

terça-feira, julho 14

Blééééééé

Acho que acabei de assistir o pior filme dos meus 36 anos.

Estou pasma até agora com tanta tosquice.

Sweetest Thing com a Cameron Diaz.

Depois desse filme, meu conceito de filme ruim tomou outra dimensão.

O positivo é que superar essa ruindade toda vai ser difícil.

Manja Glitter, com a Mariah Carey? É um filmaço comparado com esse The sweetest thing.

Nossa-senhora...

Fruto do meio


Nós somos frutos do meio.

Profissionalmente também.

Por 10 anos eu trabalhei no Brasil, onde as pessoas são mais emocionais, mesmo nas suas relações profissionais, do que aqui na Holanda.

Enquanto no Brasil as discussões numa sala de reunião não demoram muito a tomar um tom acalorado, aqui na Holanda, o circo está pegando fogo, o jabá assando, a porca entortando, e todo mundo sentadinho numa saleta sem janela, com duas garrafas de café, um beamer, discutindo em monotom um crash plan praquele fornecedor que está falindo. Impressionante.

Eu, claro, tenho que me controlar, porque sou fruto do meio, e por 30 anos, 10 de vida profissional, meu meio foi o Brasil.

Geralmente eu consigo manter o tom calmo, baixo, controlado. Não como eles, mas num nível aceitável, o que exige um enorme controle de mim.

Hoje entretanto, depois de tantas semanas num estresse sem tamanho, com fome porque a reunião se alongou pela hora do almoço adentro, com umas 6 pessoas que não entendem nada da área de compras, fiquei a um triz de "lose it", perder as estribeiras. A solução nesse caso é dizer, sorry that I feel so frustrated, but… Dizer que você está frustrada sempre ajuda, porque ficar "frustrada" é profissional, não é ter chilique. A reunião foi encerrada ali porque todos tínhamos uma outra reunião importante pra atender, mas mais tarde meu diretor, que ainda não tinha me visto tão "frustrada", veio discutir o assunto, e depois de eu expor todos os argumentos, concordou comigo.

Ele ter concordado comigo é bom, mas não deixo de estar "p da vida" com o fato de eu ter chegado tão perto de perder as estribeiras.

O que me impressiona de uma forma indescritível, é que nas mil entrevistas que eu fiz nessa empresa e em tantas outras, exigiram tanto de mim, eu tinha que ter talento para micro management, cultura de changing management, helicopter vision ( essa pediam em todas! ), e hoje, vendo quem trabalha comigo, metade tem visão de metrô paulista, que helicóptero que nada! Será que exigem mais de todos quando o país está em crise e há poucos empregos ( como foi o caso em 2003/2004 ), ou exigem mais porque eu era estrangeira?

Mas anyway, acalmei, estou indo pra casa, depois de ficar esperando u über-director por 2 horas. Vou-me, eu e minha incrível visão de helicóptero, microgerenciar minha cozinha, estudar os riscos de um macarrão com camarões versus batata com frango grelhado.

Blé.

segunda-feira, julho 13

Whatever...


Quando estive no Brasil, invoquei que queria um Tostex. Quem aqui sabe o que é tostex? É aquele negócio de colocar o Bauru dentro e tostar na boca do fogão. Todo mundo estranhou eu querer o arcaico "equipamento", já que existem agora aquelas sanduicheiras elétricas, que além de baratas, fazem dois sanduíches por vez.

O lance é que eu estou cheia de ter esses zilhões de equipamentos elétricos que eu pouco uso em casa. Hoje tenho, ao invés de um liquidificador, um daqueles combi que fatia/tritura/centrifuga e é também liquidificador. Um trambolho, se eu for dizer a verdade, uso o triturador uma vez por ano pra moer carne e fazer hamburguer caseiro. Tenho máquina de fazer pão, que uso 1 vez por mês porque demora 3 horas pra fazer um pão. Tenho um grill da Philips tipo o do George Foreman, que eu estou jogando no lixo porque a gordura da carne vaza pra todo lado e ninguém merece limpar aquilo, fora que a carne fica sem gordura e sem gosto, uma sola de sapato. Tenho uma fonte de chocolate, que usei duas vezes, que é super legal mas outro martírio pra limpar, e tem que usar pelo menos 1 quilo de chocolate, então tem que ter bastante gente. Tenho uma fritadeira que usei 2 vezes, em casa eu não frito nada, a fritadeira foi só mesmo pra fritar coxinhas quando eu tive visitas. E tenho torradeira, esquentador de água, Senseo ( essa usamos pacas )...

No fim, me falta uma batedeira, mas que pra falar a verdade, eu usaria de vez em nunca, já que raramente faço bolos, e quando faço, não me importo de bater na mão.

Já pensei em comprar um daqueles kitchen aids, que tem mil utilidades numa máquina só, mas é um ultra trambolho, tem mil apetrechos, é ultra cara, e no fim, não vai ser usado tão frequentemente pra compensar o investimento.

Ou então, já que minha casa tem espaço, respirar fundo, soltar um whatever e fazer uma prateleira no armário debaixo da escada pra acomodar a tranqueiraiada toda.

Quanto ao Tostex, foi pro lixo. Os pães de forma holandeses são muito maiores que os brasileiros, e eu tive que cortar pelo menos um quarto do sanduíche pra caber no treco, e mesmo com uma camadinha de margarina por fora, grudou tudo. Uma droga.  Vou mesmo é comprar uma elétrica, onde o sanduba cabe, não gruda, faz os dois lados de uma vez, é fácil de limpar. Vou ouvir mais reclamação do Bart, mas whatever, né não?

sexta-feira, julho 10

Eu me impressiono

Desde criança, eu sempre me impressionei demais com as histórias da Segunda Guerra Mundial.

Até eu mudar para a Europa, o meu contato com a guerra eram as imagens de TV, fotos, tudo muito longe, meio abstrato. Eu sempre perguntava pra minha avó como tinha sido a guerra, e ela, brasileira, me dizia: foi terrível, não se achavam ovos e açucar em lugar nenhum, ía tudo pro exército americano! Pra ela, o maior problema da guerra foi não ter podido fazer bolos.

Mudando pra Holanda, a gente aprende rapidinho a dimensão da tragédia que essa guerra foi.

Há alguns dias, um fornecedor contava que o pai morreu cedo, aos 75 anos ( a expectativa de vida de um europeu é pra lá dos 85 anos ), e que o motivo foi o pai ter sido prisioneiro de guerra. Apesar de não ser judeu, o pai era soldado do exército holandês e foi capturado e mandando para um campo de concentração "especial". Ao término da guerra o pai dele, alto e fortão, tinha baixado dos 80 para 35 quilos. O corpo nunca se recuperou totalmente, e aos 55 anos ele não conseguia mais trabalhar, tinha que usar rolator, e sofria "dos nervos".

Hoje, um outro colega contava que os pais eram sitiantes no sul do país, e que o exército alemão passava o tempo todo confiscando tudo que pudesse ser comido. No desespero, os pais desenterraram bulbos de tulipas e passaram meses tomando sopa daquilo. Já imaginaram?

Os holandeses não têm problema em falar da guerra, eles também foram vítimas, mas esse é um assunto que não se comenta jamais com um alemão. Eu tenho muitos fornecedores alemães, e nesses 5 anos de vida profissional aqui, aprendi que não há taboo maior pra um alemão do que falar na segunda guerra mundial.

Eu, pessoalmente, apesar de ver filmes, documentários, de ler, não consigo entender como um país inteiro acreditou na propaganda do H. Tento me imaginar uma simples dona de casa naquela época, ouvindo os absurdos da propaganda nazista, e não consigo imaginar como uma pessoa normal possa aceitar que seja certo condenar uma raça inteira à fornos-crematórios, por exemplo.

Bom, deixa pra lá, assunto complexo pra blog, e triste pra uma sexta-feira.

Bom finde!

Plato, o gato que queria ser menino


Ontem, aniversário do Bart, fiz paella, que ambos gostamos. Estou ficando cada vez melhor em paella, e nada daquela receitinha chulé da Gwyneth Paltrow, eu fui seguindo várias receitas de sites espanhóis. Dessa vez além do tomate madurinho picado na hora, fui de pimentão verde, haricot verts ( uma vagem fininha e bem delicada, que eu amo ), além de muita cebola e alho. Azeite mais que honesto. Camarões e peito de frango defumado ( não de colocar em sanduíche, o peito inteiro mesmo ). Substituí frango normal pelo defumado porque a maioria das receitas pede uma pimenta defumada, e como eu não coloco pimenta, ou só uma pitadinha mínima, o frango dá aquele gostinho do "defumado" no prato. Quando coloco a água coloco também os pistilos de açafrão, nada de pó! Bem na hora de servir, a receita não pede, mas eu coloco cheiro verde e um bom fio de azeite. Fica linda, cheirosa e suculentíssima.

Eu fui dormir super cedo, Bart ainda ficou assistindo TV. Plato, o gato que não sabe que é gato, voltou a ter um comportamento estranho e dessa vez acho mesmo que vou pro veterinário com ele. Ele vem bater na minha porta lá pelas 3 da manhã. Eu desço pra ver se falta água ou comida. Tá tudo lá. Aí eu pergunto o que ele quer, ele vai andando e olhando pra trás, quer que eu o siga. Aí ele vai pro canto onde ele gosta de dormir, sempre encostado num pano, num tapete, no sofá perto de uma blusa, deita com a barriga pra cima. Aí eu coço a barriguinha dele, ele vira pro lado e fica ronronando e fazendo pãozinho com as patas, comigo coçando a barriga, até dormir! Acho que ele tá com alguma dor de barriga, só pode ser! O que me preocupa é que ele não mia chatinho na porta do quarto, ele mia desesperado! Se algum veterinário ler esse blog, sugestões são aceitas!

E pra não perder o costume de falar das minhas férias frustradas, decidi que na semana livre de Setembro eu queria ir pra Santorini, ficar a semana todinha lá. Gente, como é caro!!! Não tô podendo! Só o vôo, 450 euro-pilas. Afe.




quinta-feira, julho 9

Ahhhhh

Ahhhh se eu fosse 20 anos mais jovem e 20 quilos mais magra...

Envelhecer é pensar que esse dotoso agora é pro bico da sua sobrinha.

P E P I N O S - tem do grosso e tem do fino

Tudo empepinado no trabalho, absolutamente tudo. Eu estou tão sem paciência, mas tãããão sem paciência... A verdade é que estou contando os minutos pra minhas férias. E a cada dia os peninos empepinam mais. Murphy total.
 
Eu amo meu trabalho, mas tem dias que eu daria um saco de dinheiro pra poder simplesmente ir pra casa ( ou ficar em casa ), debaixo das cobertas, assistindo TV. Estou há 3 dias com uma dor incrível no ombro, resultado de muito estresse por aqui e de uma reunião de 3 horas numa salinha gelada usando o laptop sem mouse. Tenho passado pomadinha e tomado banho pelando com o massageador do chuveiro, mas não tá adiantando. Esse tipo de dor, embora não seja aguda e desesperadora, vai te irritando, e irritando, até chegar no ponto onde você está insuportável porque sua paciência está no limite. Essa sou eu.
 
Estou aqui falando que queria ficar quieta no meu canto por causa do ombro, e acho que é a "natureza" falando. Ty ontem não veio me receber na porta quando eu cheguei em casa. Ele estava no parapeito da janela em L e ali ficou, dormindo quietinho até a hora do jantar. Dei a comida molhadinha, favorita dele, ele não veio comer. Dei um potinho de água ali no parapeito, ele tomou umas goladinhas e voltou a dormir. Deixei o bichinho quieto, mas fiquei ultra preocupada. De madrugada fui checar, ele ainda estava lá, dei mais água no parapeito, de novo umas goladas, voltou a dormir. Hoje de manhã, desci já em pânico, ele estava já no chão, comendo. Provavelmente ele estava com alguma dorzinha, desarranjo e se recolheu no canto mais remoto da casa e dormiu pra se recuperar. Nosso corpo fala, pena que Ty - o gato, tenha um vidão e possa ouvir os gritos do corpinho dele e se recolher, enquanto nós, humanos, sejamos por vezes forçados a ignorar sinais óbvios de estafa.
 
Essa foi o primeiro semestre desde que vim pra Holanda que trabalhei sem tirar férias. E trabalhei feito um elfo doméstico, diga-se de passagem.
 
E para terminar, falta exatamente uma semana para o outro acontecimento importante do ano: Harry Potter and the Half Blood Prince.
 
Ai, tô roendo as unhas!
 
 

quarta-feira, julho 8

Relaxa Adriaaaaaana...

Deus que não me castigue, mas eu tô contente com a chuvinha… Eu moro no meio de um bairro em construção, é terra pra todo lado, e depois de 3 semanas sem uma gota de chuva, a terra virou um pó fino que entra por todas as frestas, o chão vive cheio de um talco insuportável, os gatos estão pardos… Ah, mas choveu, que bom. Agora pode parar.

Fiquei pissaroca da vida porque deixei pra encomendar meus maiôs no último minuto e já estavam esgotados. Acabei pedindo um que ficou grande, devolvi, e na hora que fui encomendar o substituto, vi que chegou mais do maiô que eu originalmente queria. E o biquini, esgotado a mais de mês, também chegou. Eita como eu fiquei feliz!

E no domingo, aproveitei que o Bart estava assistindo um programa besta qualquer e fui pro cinema assistir "The proposal". Bem bonzinho, viu! Bom, eu gosto da Sandra Bullock, e o par romântico ( que eu lembro vagamente de algum outro seriado B C ou D ) é além de bonito, engraçado. Aparece a Sandra Bullock quase pelada, senhor, que corpo! Sei lá se rolou manipulação digital, luz, ou se ela é bonita daquele jeito mesmo.

E pra encerrar, deixa eu contar mais um dos meus "causos holandeses" proceis.

Bom, ceis sabem que minha casa nova foi entregue "no cimento", né? Isso quer dizer que no último andar, debaixo do teto, tem o tal zolder, que é gigantesco e dá pra fazer 3 enormes cômodos. Eu e o Bart estamos a tempos esquentando a cabeça com o layout e como fazer isso ou aquilo, e na reunião da cerquinha com os vizinhos um deles comentou que fez os tais 3 quartos. Eis que o Bart ficou me atentando pra eu ir pedir pra eles pra gente ver o que eles fizeram. É eu sei, porque não vai ele mesmo pedir, mas ele é tímido, e a bem da verdade, foi ele que organizou várias outras coisas da casa.

Com as comadres e os colegas holandeses com quem falei, todos disseram que não tem o menor problema, que é só tocar na campainha do vizinho ( que eu mal conheço ) e combinar um dia, mas eu me imagino em SP, tocando a campainha do vizinho que eu mal conheço e pedindo:"posso ver sua casa por dentro?"… O vizinho ía bater a porta na minha cara e me dar o dedo do meio. Então, só sei que me embuí da pouca coragem que tenho e mandei um e-mail. Hoje chegou a resposta do vizinho, todo simpático, dizendo que é só bater na porta deles e que não tem galho, eles deixam a gente ver… Não é o máximo? Estou tão feliz… Quem sabe ainda esse ano sai o zolder?

Mas uma coisa vou dizer, apesar de mal conhecer meus vizinhos, me parece que o povo por aqui é mais "receptivo" do que os meus vizinhos São Bernardenses. Lá eu morei 23 anos ao lado de uma vizinha que a gente nunca soube o nome!

É isso, all in all, tô felizinha que só.

segunda-feira, julho 6

Eu sou uma foca ( né, Alice? )

Eu ando muito desapontada comigo mesmo.

Desapontada porque certas coisas que eu quero ou preciso fazer dependem de uma certa dose de "self-sacrifice", e eu acabo sempre empurrando com a barriga e adiando. E o resultado lógico é que o que eu tanto quero acaba não acontecendo, e eu fico frustrada, e viro uma véia reclamona.

Minha prioridade no momento, é melhorar minha condição física. Pra mim, é até mais importante que emagrecer. Ando botando a língua pra fora pra subir até o zolder, e isso é assustador, afinal eu "pareço" uma véia reclamona, mas não sou ( véia )! A bicicleta tá juntando teia de aranha, a Chalene tá engavetada, o Zumba nunca deixou o hard-drive.

Depois tem o regime em si. Empolgadésima com os Vigilantes, super viável, mas… ando trabalhando feito uma louca, sem inspiração pra cozinhar, ansiosa, o que me leva a beliscar. Depende de mim, eu sei, mas sendo sincera, eu não tô conseguindo fechar a boca. Eu sinto muita falta aqui de certas facilidades que o mundo civilizado tem. No Brasil, assim como nos USA, você pode comprar o pacote de comidinhas dos Vigilantes prontinho, entregue na sua casa. Nos Eua eu não sei, mas a empresa que entregava em São Caetano era muito boa e a preços bem justos. Aí é mil vezes mais fácil resistir à tentação, você não tem que ir pro fogão, e na hora que bater aquela fominha, é só pegar a porção do lanchinho já separadinha, você não tem que resistir à tentação que é ir ao mercado procurar suas comidas diet tendo que resistir à prateleiras e mais prateleiras de cookies, e pães, e massas…

E outra coisa que eu queria fazer é melhorar o holandês. Não porque eu realmente queria, mas porque eu preciso. Puxa, eu não sei mais o que fazer pra gostar um pouco mais dessa língua… Eu tento, como diz uma amiga minha, abrir o coração, mas não rola! Sabem, eu achei que ía ser facinho facinho… Na minha primeira viagem ao México fiquei encantada com espanhol, já me imaginava falando aquelas melódicas palavras, corri pra escola de espanhol. Estudei no Cel-Lep, que era uma escola bem puxada, por 3 semestres, e saí de lá falando bem legalzinho, me dava um prazer enorme falar espanhol. Com o italiano foi bem parecido, pena eu não ter podido terminar o curso, pois foi bem na época que eu operei, de noite eu já estava muito baleada pra acompanhar o curso… Mas também me dava um prazer enorme falar italiano. Eu sinceramente esperava que o Holandês fosse ser o mesmo… mas não é! A língua dói no ouvido, os sons são "raspados" demais. As músicas não são muito atraentes pro meu gosto, e as que eu "até ouço" não são suficientes pra melhorar minha fluência. Todos meus professores dizem que meu sotaque é bem suave, que meu nível já é bem compreensível, mas mesmo assim tem sempre um que não entende sua pronúncia, e é muito desanimador.

Tem uma vozinha no meu ouvido direito dizendo: Adriana, se sacrifique por 6 meses, faça o regime, ande de bike e sacoleje ao som do tal Zumba, re-leia seus livros de holandês e pratique mais, e em 6 meses sua qualidade de vida vai estar muito melhor.

Mas cadê, que lá do fundinho das minhas forças, eu consigo encontrar forças pra encarar mais esse touro e pegá-lo à unha?

Que raiva viu, eu tenho um problema, sei como resolvê-lo, depende só de mim, e no entando, cá estou eu empacada.

Eu sou uma anta. Ou para os que lembram do "causo": uma foca de merda.

sexta-feira, julho 3

Sol sol sol sol sol sol sol lá lá lá rá rá la la


Concentração zero.

Dia lindo de morrer. Adriana não anda, saltita.

Engenharia em casa, programa de redução de jornada, menos pro meu departamento. A meia dúzia de engenheiros que tiveram que vir trabalhar, estão de shorts e papete em sinal de protesto. Dou risada.

O marido não dormiu, o calor deixou o estômago dele revirado.

O gato Plato não dormiu, boazinha que sou deixei o coitado se resfriar no azulejo do banheiro. Todo ano penso em tosá-lo no verão.

Eu entrei em coma até o marido acordar 4 da matina. Estava podre depois de 3 noites de insônia. Dizem que o Jacko enfartou por excesso de remédio pra controlar a insônia. Mêda. O ator do Brokeback Mountain também piripacou com remédio pra dormir, certo?

Aqui na empresa nos acertamos, o chefe e eu. Eu venho trabalhar na semana 33, mas tiro a 36 livre. E em setembro vou molhar a bunda mais barato em algum lugar. Gostei da troca. Malta? Chipre? Tunísia?





quinta-feira, julho 2

Caos


Minhas 2 semanas adicionais de férias já foram canceladas e reinstaladas 5 vezes nas últimas 3 semanas, já nem me animo mais, e nem planejo nada. No momento as semanas extras estão canceladas. Bosta. Nunca vi tamanho caos numa empresa na minha vida. Bosta 2. E TODOS os engenheiros amanhã estão descansando em casa, enquanto burro de carga aqui tá trabalhando. Bosta 3. Maaaas… nenhum burro de carga foi mandado embora, enquanto 20% da engenheirada entrou no facão. Nada bosta pra gente!!!

E não, não estou pensando em ir pro México, mas quis comparar um pousada brasileira com o hotel chique que conheço, pra ver se eu estou ficando louca. E não, quem tá ficando louco são os brazileiros com z, porque aquilo é preço de Dinamarquês gringão louro. Povo, 650 reais numa diária de POUSADA com café da manhã e só. Um-salário-mínimo-e-meio-por-dia!!!!!

Entretanto, achei engraçado que miguxa Holandesa, que junto com o meu marido são meus maiores riscos de contaminação ( os dois trabalham no campus da Philips, onde 4 casos já foram confirmados ), estar preocupada com uma possível viagem ao México. Fia, você e o Bart não foram até o virus, mas ele veio até vocês. Bate na madeira 3 mil vezes. Sem falar que o CDC diz que se não disponibilizarem uma vacina antes do inverno, os USA não conseguirão conter o virus, e daí é como jogar a meleca no ventilador, né mesmo? Porque evitar mexicaninho a gente até evita, deixa de ir pra Cancun e pronto, mas evitar americanos e evitar ir pros USA, como?

Povo, me vou. AH me espera. Estou em greve culinária, pelo calor, comemos saladas ( gordas ) todos os dias, e eu vou comprar as de hoje.

Fuy!


quarta-feira, julho 1

Dá pra entender?

Trancoso, Etnia Pousada, no TabletHotel, baixa estação:

Master suite: U$315,00 + 10% service charge +5% CITY TAX

Com café da manhã

Playa del Carmen, The Royal ( o hotel ultra all-inclusive onde eu fiquei ), baixa estação:

Master suite: U$261,00

Ultra-all inclusive com serviço de quarto 24 horas e todas as bebidas alcóolicas de primeira linha

Eu tava querendo começar a programar uma passeadinha pela terrinha e queria conhecer Trancoso, mas por esse preço só se for pra ficar hospedada na casa da Elba com direito a massagens de óleos asiáticos feitas pelo Gaetano Gostoso...

Depois, quando eu falo que ir ao Brasil é mesmo só pela família, neguinho me chama de esnobe... sou é pobre!

E do lado de lá da fronteira...

Acabei de chegar da planta da Bélgica.

Sempre que visito a fábrica fico pensando, que bom seria trabalhar em alguma coisa que não te dá grandes preocupações, é só treinar que parafuso vai em que buraco e pronto. E que maravilha sair do trabalho e esquecer que a empresa existe, não levar nenhuma preocupação pra casa. Ai ai…

E meio que mudando de pato pra ganso, mais uma diferença entre belgas e holandeses. Olhando a linha de montagem, na Holanda tem muito mais homem bonito do que na Bélgica. Aqui tem uns lourões altões de dar água na boca, lá na Bélgica não vi nenhunzinho de encher os olhos. Informação importantíssima essa, não acham?

Mas então, estou desmacacando meu humor, porque estou com a macaca aqui no trabalho, atolada até a quarta geração de trabalho enquanto outros departamentos trabalham em redução de jornada. Comecei a ir pra casa às 5 em ponto, tô até mais coradinha, está sol, eu tô feliz, se o ano tivesse 12 julhos eu até relevaria as desvantagens de se morar aqui.

Plato em compensação, não sabe mais o que fazer. Meu Tony Ramos felino está se acabando de calor, tem dias que mesmo dentro de casa escondidinho do sol ele coloca a linguinha pra fora de calor que nem cachorro.

terça-feira, junho 30

Pão de Queijo

Sempre que me perguntam qual é a primeira coisa que se deve fazer ao imigrar para um país qualquer, eu digo: procurar alguém que te ensine a achar as coisas.

Pra mim, foi a Alice, que me ensinou até onde achar cotonete. Mas essencial mesmo é achar ingredientes substitutos para suas comidas favoritas, sabendo que vai ter muita coisa que vai ficar de fora, e que você só vai comer mesmo quando for ao Brasil. Aqui na Holanda, temos o site http://finalmentebrasil.nl/ mas quem tiver curiosidade, dê uma olhadinha nos preços, salgadésimos.

Eu me forcei a esquecer coisas tipo mousse de maracujá ( o suco concentrado é válido só por 6 meses, é ruim de trazer do Brasil e aqui custa caro ), bolo de fubá com goiabada, sequilhos... Do Brasil trago só mesmo farofa e feijão. E trago Rodasol, que aqui não vende.

Mas uma coisa que praticamente todos os brasileiros no exterior sentem falta é o pão de queijo. Ah, quentinho, assando no forno perfumando a casa toda, com um cafézinho passado na hora... Não, esse não dá pra ficar sem!

A solução mais fácil são aqueles saquinhos da Yoki, e até o ano passado, eu trazia do Brasil ou pedia pra comprarem no caboverdiano de Rotterdam. Nessa última ida ao Brasil, assistimos, minha mãe e eu, um programa de TV falando sobre os produtos químicos em misturas preparadas, e dos exemplos que deram, um dos piores era o pão de queijo. Além de conter um valor acima da média de conservantes e acidulantes, é carregado no famigerado glutamato monossódico, salitre para os íntimos.

Foi então que minha mãe lembrou da receita da minha adolescência, a primeira que aprendi a fazer: pão de queijo de liquidificador. Você bate os ingredientes, coloca nas forminhas de empada e assa. Nas festinhas era o maior sucesso.

Trouxe a receita e como aqui na Holanda se acha o tapioca starch ( polvilho doce ) fácil nas lojas asiáticas, ando me refestelando de pão de queijo, que já aprendi a fazer na coqueteleira, apenas 1/3 da receita, já que o marido não curte. E não deve ter pontos no Vigilantes, não está na listinha! Ho ho ho.

Para minha surpresa, há alguns meses saiu a receita no site do Rainhas do Lar, até liguei pra minha mãe pra contar. De lá, peguei umas fotos pra vocês verem.

A receita é:

3 ovos
3 xícaras de polvilho doce ( tapioca starch )
1 xícara de leite
1/2 xícara de óleo
200 gr de queijo duro ( tipo parmesão )
sal ( eu coloco 1 boa colher de sobremesa )

Bater tudo no liquidificador, colocar em forminhas de empada ( ou uma forma de muffins ) e assar em forno pré aquecido a 180 graus. Não precisa untar a forminha, e coloque só 1/3 da forminha de massa, vai crescer pacas. Uma receita rende umas 40 forminhas médias.





Além de baratésima, a vantagem da receita é que você sabe o que vai nela. Eu coloco ovos com Omega3, óleo de girassol, leite desnatado, sal marinho. Especialmente pra quem tem criança, pra que ficar entuxando os estomaguinhos deles com essas químicas esdrúxulas, e especialmente, pra que bombardeá-los de salitre?

Tentem, povo, vocês vão gostar!

segunda-feira, junho 29

Que mais falta?

Primeiro, Ivetão aparece grávida. Pela segunda vez, do mesmo Lolito.

Agora, leio que o Gugu foi pra Record.

Só falta vocês me falarem que a Hebe tá morena.

Que é que tá acontecendo aí do outro lado do mundo, hein?

Simpatia

Prezados leitores, aquele que por ventura conhecer uma simpatia, remédio caseiro, mandinga, reza, qualquercoisa que aumente a nossa paciência com gente burra, favor informar.

Tô deveras precisada.

Minha paciência é pequena, e tenho que lidar com gente que raciocina devagar, e com aqueles que parecem não raciocinar at all.

Pensei em rezar pro são longuinho, pra achar a paciência que perdi, mas a verdade é que nunca a tive. Logo…


domingo, junho 28

Vestido de chita

Depois de um breve levantamento sobre a condição do meu guarda-roupa de verão, a suspeita se confirmou: estou pelada!

Comprei, há algumas semanas, um vestido longo liiiindo, não vejo a hora de usar. Tenho várias saídas de praia novas, nisso o Brasil, em especial o Nordeste, é imbatível. Comprei também, assim que saiu a coleção verão, um shorts médio de algodão-linho, pra garantir. Fora isso, só trapos.

É contra meus princípios investir muito em roupa de verão. Aqui em casa, nossas roupas de verão são submetidas à condições terríveis, as coitadas. Como frequentemente vamos de férias por longos períodos, fatalmente temos que apelar pra alguma laudromat, conhecemos lavanderia em todos os países! E daí colega, sua blusinha de 200 euros da Diesel vai ter é que aguentar muito o tchak-tchak das máquinas industriais de laudromats.

No Brasil, só as malhas da paulista Scene aguentam o tranco. Mesmo porque, aqui em casa, é lavagem à tombo e secagem à tombo, nem varal temos ( temos um rackizinho pras cuecas preciosas do marido ). É por isso que eu, macaca velha que sou, espero as liquidações holandesas pra abastecer meu estoque. Acabei de chegar do centro e fiz a festa: com 55 euros, na minha loja favorita, comprei uma calça capri cinza, um vestidinho de alcinha rosa e cinco blusinhas muito legais. Tudo com 50% ou mais de desconto, roupas que eu vi no preço original e fiquei só monitorando a liquidação. Agora faltam roupas de alcinha, porque vai estar calor que nem fez ontem aqui, e senhor, quase morri (emos).

Como a Holanda muda no verão! Como EU mudo no verão! Ontem estavam todos felizinhos e saltitantes pelas ruas. O supermercado vazio, muita gente de férias ou simplesmente sem vontade de fazer a "obrigação" de fazer o rancho ( eita como eu lembro da minha cunhada curitibana quando falo fazer o rancho ). E supermercado vazio é o supra-sumo da felicidade pra mim. Ontem fiquei 2,10 hs no AH. Aghhhh como saí feliz de lá.

Agora é esperar a viagem. Carro alugado pros 15 dias, vamos virar aquela ilha do avesso. Ontem comprei também um guia de Rhodos, com "inside tips", que costumamos fazer questão de visitar de cabo à rabo. O duro vai ser aguentar a espera, trabalhando que nem elfo doméstico e passando fome.

sexta-feira, junho 26

A 100 km daqui...


Eu trabalho há um ano entre holandeses e belgas. Nesse ano de convívio, tenho a impressão de que os belgas tem um certo refinamento sutil, talvez pelas influencias francesas, que os holandeses não tem. São pequenos detalhes, mas que eu acho que fazem bastante diferença.

Por exemplo. No trabalho, os diretores, tanto daqui quando da planta da Bélgica, sempre deixam suas portas abertas em sinal de que estão disponíveis. Aqui na Holanda, holandeses entram na sala direto e começam a conversa. Os belgas batem na porta aberta, esperam o diretor levantar a cabeça do que estão lendo, ou do computador, e só então entram.

As duas plantas subsidiam sopas. Eu adoro a sopa de ervilhas holandesa, prato super típico. É super grossa, com pedacinhos de cenoura, e com rodelas de um salsichão defumado típico. Não é pra quem é fraco não, dá um suador! Na Bélgica, servem também sopa de ervilhas, delicadíssima, só a ervilha mesmo, com uma sombrinha dum gostinho de cebolas refogadas. Um charme! Mas tenho daí a impressão que holandeses ( e eu ) gostam de sustância, enquanto os belgas de sabores mais refinados. Ou como diz meu colega belga, a sopa holandesa não é sopa de ervilhas, é sopa de legumes com salsicha ( além da ervilha tem também batatas e cenouras ).

Por conta das 4 semanas que teremos de férias, conversa-se muito sobre os planos de férias. A maioria dos colegas holandeses se preocupa mais com o destino do que com o hotel onde vão ficar. Muitos aqui dão preferência a campings ou àqueles bungalôs de madeira em campings ou em parques de veraneio. Já os belgas tem sempre uma sugestão de um lugar charmoso, um hotelzinho bacana, nada espalhafatoso e carésimo, lugares "sutilmente refinados". A última sugestão do colega belga quando eu disse que gostaria de ficar uns dias numa praia aqui por perto foi esse hotelzinho aqui, vejam que graça:

http://www.residentie-delaurier.be/

É incrível como são diferentes os dois povos que moram a menos de 100 km de distância. Se bem que em São Paulo nós, paulistanos, fazemos piadas dos Santistas, e a bem da verdade, até o sotaque a a mania de usar o tu dos santistas é diferente.

Anyway, gostcho dos belgas. E me divirto com eles tirando o sarro dos holandeses. Ho ho ho. Agora mesmo, acabei de ouvir "dormir no chão ( se referindo a camping ) é coisa de holandês".

:o)


R.I.P.

Gente, ele, o rei do pop, morreu. Estou perplexa.

E olha que eu nem era assim tão fã, imagino como esses devam estar arrasados.

E como num passe de mágica, a media que tanto o chamou de véio safado que dorme com menininhos, agora escreve sobre sua genialidade.

Me pergunto porque é que eu ainda leio jornal.

R.I.P.

quinta-feira, junho 25

Filosofia barata de uma gorda desanimada

Minha dieta não está indo. Semana passada, a primeira, entreguei-me aos (des)prazeres das refeições a vapor novamente. E da pizza. Trabalhando até tarde, não queríeis que eu fosse ainda às compras e ao fogão, queríeis? Eis que no mercado rápido do sábado nem noto um artigo diferente no meu carrinho, paguei, e fui ver só em casa na hora de guardar: appelflappen congelados crus, para assar em casa, marca da casa AH. Bosta pensei, não gosto de appelflappen! Mas, Bart, que gosta, os assou, e gente, indico muito, que delííííícia! O que eu não gosto do appelflap tradicional é que ele é meio seco e aquelas pontas ficam sem recheio, mas o do AH é em formato de maçã, que além de ser uma graça, é ainda super bem recheado. Quem morar por essas bandas, comprem! E para quem não sabe o que é um appelflap, é isso aqui:



Daí, hoje, desvairada de fome no supermercado, não aguentei ver essas panquequinhas americanas, que eu nunca havia experimentado. Comprei. Amei. Amei muito. Amei demais da conta. Com margarininha light e um açuquinha ( !!!! ) de confeiteiro. Hummmm. Já disse que amei muito?



Terça foi aniversário do Gerente da Engenharia, o tal charmoso. Estava numa reunião e ele deixou pessoalmente um Bossche Bol pra mim. Ele é de Den Bosch, e dizem que essa iguaria é especialidade da região. É uma bolona de uma massa tipo a de profiteroles, recheada de um chantilly beeeeeem leve, e coberto com um chocolate bem gostoso. É ultra doce, é enjoativo, mas um bem feitinho... Aghhhhh...



Acho que é do dêmo se vingando do post que eu fiz sobre ele, me mandando todos os pontos vigilantes do pesístico possíveis pra cima de mim.

Ó Senhor, ajudai essa pobre filha redondinha. Ajudai!

PS.: Arrumarei a diagramação dessa bosta de Blogger amanhã, hoje tô indo dormir.

quarta-feira, junho 24

Então...


Uma parte do meu estar puta da vida é causado pela situação aqui na empresa.

A empresa nos comunicou que teremos redução de jornada, mas como sempre, meu departamento é a exceção e, como sempre, ninguém nos comunicou nada. E no mesmo dia que o presidente da empresa comunicou que a empresa pediu redução de jornada ao governo porque estamos "over staffed", meu diretor me pediu para cancelar minhas férias, e eu, que nem precisei dizer não, disse que o faria se a empresa pagasse meu pacote turístico. O diretor até perguntou quanto era, mas quando eu disse, claro que achou caro, mas pediu, já que eu chego numa quinta-feira, para que eu venha trabalhar na sexta. Tive que dizer não.

Mas o que mais me encana, é minha situação, se ficar o bicho pega se correr o bicho come. Nos últimos 5 meses eu trabalhei num projeto de um fornecedor que faliu. O fornecedor substituto foi escolhido, agora é meio que levar com a barriga, mas até então eu trabalhei como um elfo doméstico, sexta passada saí daqui às 9 da noite, na segundo comecei 7:15 ( trabalhar antes das 8 é contra meus princípios, mas tive que ). Como gostaram de como eu levei o projeto, me colocaram como project leader de outro fornecedor que faliu. Quando ouvi que eu seria project leader fiquei super contente, são poucos os que chegam lá, além de ser um projeto legal, enorme. Só que minha alegria durou pouco, porque também fui informada que o Project Manager será o Diretor Bonzinho, que apesar de bonzinho, não faz nada a não ser o que envolva aparecer na frente do big boss. Nesse meu projeto anterior, 50% do meu trabalho era na verdade trabalho que eu fazia no lugar dele.

Sabem, trabalhar até tão tarde todos os dias tem um custo que eu não sei se eu estou a fim de pagar novamente. Foram meses de comidas congeladas porque eu chegava tarde e cansada demais pra cozinhar. E roupas empilhando no cesto. E eu mal via o Bart e meus piolhetos. Nos fins-de-semana eu estava sem vontade de fazer nada a não ser deitar e ler um livro ou ver um filme. Eu não quero continuar vivendo nessa falta de balanço, tenho uma casa pra terminar, tenho um marido pra dar atenção.

Hoje o Diretor Bonzinho tinha que apresentar o status do projeto pro Big Boss. No meu departamento eu sou a project leader de Plásticos e meu colega de Espumas. O Diretor Bonzinho veio pra fazer a apresentação, e eu, besta, já sabia que ía sobrar, por isso um dia antes já tinha falado com todos os departamentos e pegado as informações. Estava tudo prontinho. Quando ele foi sentar com o meu colega, ele, que já tem certa idade, já trabalha aqui a 25 anos, educadamente entregou ao Diretor Bonzinho 4 slides com a parte dele e só. O Diretor Bonzinho ficou vermelho e disse que faltavam as informações da engenharia, do laboratório, que faltava tudo! Sem levantar a voz um decibel meu colega disse que ele era responsável por compras, qualidade, finanças e logística, e que as informações dos quatro grupos estavam ali. E sentou na mesa dele, e atendeu ao telefone que tocava. O Diretor Bonzinho ficou azul. Ele sabe que meu colega está certo. Ele sabe que ele não pode ir ao nosso diretor e dizer que o colega não fez isso ou aquilo, porque não é responsabilidade do colega. Só sei que azul de raiva ele saiu e foi colher os dados nos outros departamentos. E eu, que não sou burra nem nada, na semana que vem farei o mesmo.

Sabem, eu sei que ainda terei que ralar muito, sei que muitas vezes terei que ficar até mais tarde ou chegar absurdamente cedo, mas sacrificar minha vida familiar pra fazer um trabalho que não é meu, pros outros colherem os louros, não farei mais. No fim, é o diretor bonzinho vindo trabalhar de Audi-lease e eu de bicicleta. Chega!

Essa parte está resolvida. Ainda será um trabalhão, e sei que vez ou outra ficarei até mais tarde, mas não mais todos os dias. Só falta agora decidirem aqui em que dias trabalharemos e se entraremos na redução de jornada ou não.

O resto meus amigos, é resolvido com uma caipirinha de morango durante uma longa ligação via Telestunt com sua melhor amiga no Brasil, muitos risos e à conclusão inevitável de que somos umas barangas mesmo. Cè la vie.

domingo, junho 21

Pausa para descanso

Estou chateada.

E como dizer qualquer coisa só dará espaço a comentários de que não estou bem em lugar nenhum, e de que eu sou uma doida, e que o marido é sei lá o que... recolher-me-ei ao meu canto onde ponderarei, sozinha, sobre o sentido da vida.

Até eu ter um assunto legalzinho pra comentar, ficarei no meu canto.