terça-feira, setembro 27

E se?

Hoje eu tinha que acordar no fiofó da manhã porque tinha uma reunião às 7:45. Já falei aqui que antes das 9 meu QI é de Gorila? Então.

Plato Gorducho começou a dieta, tem que comer uma comida para controle de saciedade. Tyty continua na comida pro rim, então minha manhã começa com gato magro pra um lado com potinho de comida renal, gato gordo pro outro comendo comida de gordo, e é claro que o gordo quer comida renal e o magro quer comida de gordo. Eu sento no chão, no meio, com minha barrinha de cereais e meu nespresso fumegante, e fico controlando o café da manhã dos felinos. Hoje vim dirigindo esconjurada pro trabalho, pensando que todas as manhãs serão 15 minutos "jogados fora" controlando refeição de gato, e aí falo com a comadre que tá em casa com a nenêzinha recém nascida: Adriana, ela mamou, arrotou, xixizou, foi trocada, já tá na hora de começar tudo de novo. Essa é minha amiga mais prática, então se ela fala, eu acredito. Aí fiquei pensando…

Tem que querer muito, mas muito mesmo ter filhos pra aguentar o tranco. Ou ter o desprendimento holandês do deixar chorar, que eu não teria, afinal, nem o gato eu deixo miar de noite. Meu colega diz que o filho com uma semana já dormia 6 horas seguidas de noite. Mas e a mamada da noite? Eu não como, porque é que ele tem que mamar? Mas e não chora? Chora 3 dias, a gente deixa chorar, ele pára. E sei lá viu, o menino tá lá gordinho, espertinho, não morreu e acho que não traumatizou, mas como dormir sabendo que seu bebê recém nascido tá chorando de fome?

É, helaas pindakaas, meu negócio é gato mesmo, eu já estaria louquinha de pedra com um nenê pra cuidar… Estaria em mil paranóias, deixo chorar, acudo, vai ficar mimado, e quando for pra creche, sou uma bruxa malévola por mandar pra creche, e se ele ficar traumatizado, e se, e se, e meudeus, se???



segunda-feira, setembro 26

Tô pasma!


Voltei! Depois de uma semaninha de poupança pro ar, volto bronzeada, relaxada, de ótimo humor. Estava precisando!

Comecei as férias com minha conta de gmail sendo hackeada e um spam sendo mandado pra TODA a minha mail list. Como fazem isso? Resolvi o problema, troquei senhas, mudei settings, agora é torcer.

Antes de viajar, compramos nosso tablet lindinho. Depois de pesquisar muito, concluí que o Ipad não ía dar conta de todos os meus arquivos piratões, principalmente torrent, então comprei o Samsung Galaxy Tab 10.1 e estou amando, gente como é prático viajar com tablet! E de quebra a empresa tem um plano de reembolso de PC's e consegui enquadrar o tablet nessa categoria e receberei 50% do din din de volta, que boa notícia!

A dieta ( pra quem perguntou estou seguindo a South Beach Diet ) foi pausada por 9 dias, não enfiei o pé na jaca, só acariciei a fruta levemente, e voltei com o mesmo peso que fui. Agora TENHO que fazer a maldita da tal zumba pra derreter 2 kg de banha e viajar com terno folgadinho.

Fomos para Lagos no Algarve, e gostamos muito. Sempre pesquiso cidadezinhas mais simplezinhas, vilarejos, o absoluto oposto do tipão "Guarujá" e dessa vez também deu certo: Lagos está conseguindo manter o jeitinho português, apesar da invasão britânica. Fui tratada muito bem, vieram até me mostrar uma revista cuja capa trazia o título "portugueses que emigraram para o Brasil e moram de frente pro mar, ganhando o dobro do que ganhariam em Portugal". O negócio tá feio por lá, muita obra parada, o povo reclamando muito do desemprego e nível salarial. Bom, política à parte, comi um enorme bacalhauzão na brasa, não arrisquei meu bacalhau favorito ( com natas ) porque é bem engordativo mas me esbaldei; tomei caldo verde e comi pão de chorizo ( mini enfiada de pé na jaca ), comi pastel de nata ( sinhôura, pistel de bêlém só em Lishbóa ), tomei vááárias taças de vinho verde. Fomos 3 vezes à praia Dona Ana, linda de morrer, demos uma passeadinha por Ferragudo, passamos por Portimão e detestamos ( guarujázão piorado ), e a parte mais legal das férias: alugamos Segways e percorremos todas as vielinhas de Lagos flutuando no treco, foi legal dimais sô.

Bom, já que o post tá meio sem pé nem cabeça mesmo, tcheu continuar. Então, o euro foi pra 2,50 reais, tá um tantinho mió pros pobres europeus, eu incluida, passar férias no Brasil. E enquanto falávamos aqui na empresa sobre o real X euro, vi a pesquisa encomendada com os salários de diretores em empresas automotivas no Brasil, incluindo a grandona onde eu trabalhava. Quase caí dura: 35.000 reais. Gente, como pode? Fora bônus de fim de ano e participação nos lucros. Tô pasma. É um carro por mês meu povo! E não tô falando daqueles super CEO's de super empresas não, tô falando de um diretor de empresa automotiva no ABC, com 15 ou 20 anos de experiência, 45 anos de idade. Vou repetir: tô pasma de tudo!


segunda-feira, setembro 12

Who wants to live forever?

Hoje levei os gatos pro check up e vacinação anual.

Fui toda feliz, Tyty está gordinho, peludinho, serelepe, até já dá umas bordoadas no Plato quando provocado, ao invés de fugir como fazia antes ( ele com 6 kg e o Plato com quase 9 kg ). Eu não estava preparada pra mais um sopapo emocional.

Tyty está ganhando peso, se recuperando, está já com mais de 7 quilos, mas hoje o veterinário diagnosticou um "heart murmur", não sei como traduzir. Por enquanto é fase 1 ( vai até a 6 ) e só temos que ficar de olho para ver se a condição progride ( gato cansado, sem fôlego ), segundo o veterinário uma prognose otimista é de uns 8 anos de vida com boas condições e depois declínio de atividades. Muito provavelmente meu Tyty não morrerá de causas naturais e em algum momento nós teremos que "colocá-lo pra dormir". Muito provavelmente a causa é o remédio dos rins, pode-se fazer mil exames para saber melhor como está o coração, mas é bem cansativo pro paciente e além do procedimento, eu teria que levá-lo para Utrecht, numa faculdade que tem lá e que tem ressonância pra gatos. Estou aqui me debatendo, levo ou não? De que vai adiantar, não há outro medicamento, ele já toma o indicado para as fases 1, 2 e 3 ( Fortecort ).

Quando ele estava ultra doente, tínhamos que levá-lo ao vet todos os dias pra aplicação de soro subcutâneo. Nos 3 primeiros dias, ele estava tão mal que não conseguia segurar o xixi, e aí ele ficava inconsolável até chegar no vet, miando sem parar, e só parava quando a assistente o limpava, passava um líquido cheirosinho, limpava a caixinha dele e colocava um paninho pra ele deitar, aí ele ficava quieto praticamente a aplicação toda ( no fim ele miava, mas a dor era muita mesmo, quase meio litro de soro subcutâneo ). Ele pegou um trauma tão grande com as caixas de transporte que ele não entra no mesmo cômodo que elas estão, então como colocar o gato no carro até Utrecht ( 1 hora ) pra ser torturado e depois voltar na caixa mais 1 hora? Qual o benefício de tudo isso?

Quando ele estava sendo tratado era eu quem o tirava da caixa ao chegarmos em casa, dava água de seringa pra ele, paté no meu dedo, Holandesa dizia que o gato jamais esquece quem o curou e eu achava besteira, mas ele está tão apegado a mim que meu marido à vezes fica até chateado, ele raramente vai ficar com o Bart. Se eu vou ao banheiro, ele vem atrás. Estou na mesa da cozinha no lap, ele está aos meus pés; o mesmo quando eu estou no sofá, é no chão aos meus pés ou então no encosto do sofá. É meu companheirinho constante e quando eu fiquei doente, duas semanas depois dele, ele vinha dormir na minha barriga. É meu companheirinho. Se ele se for, como farei? Cidão, como faz? Cidão perdeu o Lukas dele, e a cada Twitada do Cidão Adriana se desfaz de choro, porque meu pequerrucho will not live forever.

E pra completar, Plato tá obeso redondão e ganhou pacotão de comida diet "saciety", vou ter que começar a separar os dois pra comer, tuchar comida no Tyty de noite e de manhã, e deixar meu outro pequerrucho com fome só olhando o irmão ganhando quilos de comida enquanto ele passa fome. Ele é um gato e não vai entender que ó pro bem dele.

Estou tão pra baixo que minha vontade de levar os dois pro hotelzinho e ir pras férias é zero. Se já não tivesse tudo pago, eu cancelava.

Estaca zero?


Vocês conhecem a história da família pobre e da vaca?

Vou resumir mil vezes que a história é longa. Um senhor pobre foi ao padre e pediu auxílio na situação difícil em que estava: ele, a esposa e 6 filhos moravam juntos num casebre de um só quarto, e viviam muito apertados. O padre mandou ele rezar um terço e arrumar um porco pra viver com eles, dentro de casa e não no quintal. O pobre achou um absurdo, mas de padre não se duvida. A vida virou uma droga com o porco, era um barulhão, e fezes por todos os lados. Ele voltou ao padre. O padre mandou trocar o porco por um cabrito. E depois por uma cabra, e depois por uma mula, e por fim, por uma vaca. A vida estava inconcebível, todos dormindo dentro do barraco, mais a vaca, mais a grama da vaca, mais o cocô da vaca. O pobre foi furioso pro padre e o padre mandou o pobre simplesmente se livrar da vaca. E o pobre viveu feliz pra sempre no seu enorme casebre, limpinho e cheiroso, livre de fezes animais e as moscas em consequência.

Essa sou eu. Depois da transfusão de sangue engordei 6 quilos em 40 dias. Sei lá se foi banha, se foi água, se foi uma alma penada gorda que tomou posse de mim, mas o fato é que eu já estava há muito tempo querendo emagrecer uns 8 quilos, com os adicionais 6 virou uma tarefa hercúlea. Discuti com a médica hematologista, e ela me disse que isso era esperado por pelo menos 1 ano depois da grande dose de ferro que eu tomei, e veio com aquela conversinha natureba de todo médico holandês. Aqui, pra tudo a cura é chá e cama. E paciência, que não vende na farmácia. Perguntei se podia fazer regime, ela disse que não era aconselhável, meu corpo precisa "se regenerar". Como de conversê de médico batateiro eu já estou farta, mandei um e-mail pra nutricionista do Instituto Garrido e a resposta foi: o que tem caloria nem sempre tem nutrientes, me aconselhou a fazer uma dieta low carb e tomar minha santa vitamina TODOS OS DIAS SEM FALTA. E assim estou fazendo. O emagrecimento dessa vez é lentíssimo, por causa da minha velhice e por cause do ferro todo. Estou seguindo a South Beach, que é mais razoável que o louco do Atkins que te manda comer bacon todos os dias. Ainda estou sem fôlego pra grandes sessões de ginástica, pedalo sempre que o tempo permite na minha bike com novo banco de 40 cm de largura ( e ainda sobra bunda ), tento fazer uma sessão completa de zumba mas arrego na terceira música, mas insisto.

Hoje me pesei, e no total emagreci os 6 quilos e mais 500 gramas. Estou apenas meio quilo mais leve do que estava quando fui para o hospital, mas juro, nem Gisele Bunchen se acha mais linda. Sou o pobre do casebre pós-vaca. Todo esse sacrifício pra voltar ao ponto de partida.

Mas, o pneu que tinha se instalado na minha barriga se foi. Minha bunda deve ter diminuído 7 mm ( uma vitória, quase um centíííííímetro ), minhas roupas estão servindo. Meu rosto, que enquanto doente tava chupado e com os 6 quilos a mais ficou inchado, está normalzinho e saudável. Com toda a proteína que estou comendo, tô ficando mais musculozinha, e sinto a diferença não só nas pernas menos gordotas, mas também na facilidade que é subir escadas.

Tá tudo indo bem. Mas sei lá que monstro que vive dentro de mim só diz: casebre de pobre sem a vaca. E o irmão desse monstro decidiu que quer pão, muito pão, quer chafurdar no pão.

Blé, gordo sofre!

quinta-feira, setembro 8

Lacraia encalacrada


Lacraia encalacrada, essa sou eu.

Parece que alguém lá no céu apertou o botão "tudo encalacrar para a Adriana" e cá estou eu.

Meu carro novo, que era pra ser entregue na semana passada? Encalacrado. Sem previsão de desencalacramento.

Viagem a negócios ao Brasil? Agenda encalacrada e consequentemente reserva de avião encalacrada. Vou acabar tendo que viajar sem o economy plus, na poltrona ao lado do chefão. Previsão de desencalacramento semana que vem, com sorte.

Situação com o Old Fart, encalacradíssima, e eu sofrendo horrores porque eu sou maníaca e quando estou com saco cheio de algo não consigo parar de pensar no assunto. Na terça tínhamos nosso one-on-one semanal, o primeiro depois da revisão anual e por isso muito importante. Ele veio sem preencher a única tela que temos pra trabalhar, remarquei a reunião. Na segunda reunião, tela ainda sem completar. Remarquei. Na terceira, ele simplesmente não apareceu. É ou não pra não ter ódio mortal do sujeito? Mas eu não vou me alterar, não vou agir emocionalmente. Simplesmente comecei um log de todas as atividades, os canos, as cagadas do fulano. Mais que isso, registro ali os assuntos discutidos, o "coaching" que é meu trabalho e eu faço, e que ele ignora. No dia que a m**** feder eu simplesmente pegarei o log e direi: no dia X eu o informei que o procedimento é Y, meu trabalho eu fiz. Hoje, já emputecida com essa história toda, chego no escritório pra encontra a secretária do departamento me esperando com a cara do demo. Temos uma política de viagens facílima, há um formulário de solicitação, você o preenche e dá pra secretária incluir os valores preliminares de vôo, hotel, carro alugado, esse formulário vai pro diretor aprovar, volta pra secretária, ela confirma as reservas, a agência te manda um e-number com e-ticket, e todas as outras reservas. Se você pedir, a secretária até te faz o check-in e prepara seu boarding pass. Esse imbecil, ignorando tudo isso, simplesmente reservou por si só passagens pra uma reunião na Espanha, não pediu autorização, e o detalhe: essa é a terceira vez!!! Eu só informei: você terá que arcar com os custos, a empresa não reembolsa passagem aérea reservada fora da agência, a menos que seja situação de emergência. E ele: é emergência! Ok, então vá lá explicar como foi que você pegou um vôo de emergência reservado 3 semanas antes da emergência. Panaca! ( e desculpinha aí por ainda estar falando do OldFart, cês são uns anjos )

Dieta encalacrada. Estou seguindo certinho, sem nem cheiro de jaca. Aliás, minha mini jaca foram giozas no djapa há uns 10 dias, e no dia seguinte passei tão mal que foi uma jaca emagrecedora. Estou no tal platô, e preciso perder mais 1 cm de bunda pros meus terninhos novos ficarem liiindos. Até a semana passada eu não sentia falta dos carbs, essa semana estou me sentindo ultra cansada, o pó. Em Portugal vou liberar um pouquitinho, senão não vou conseguir acompanhar o marido nas andanças pelas praias. Mas nada de doces, esses se seu comer uma balinha, acabo devorando um bolo de 6 tiers.

Tablet encalacrado. Agora que decidi que quero o Galaxy Tab da Samsung, não acho o de 32 gb, vou ter que me conformar com o de 16 gb.

Sapatos encalacrados. Quero uns flats de presilha pra feira no Brasil, porque ninguém merece salto alto em feira e sinceramente, nesse ambiente nem pega muito bem. Sei exatamente o que quero, mas ninguém vende. Hoje queria ir para o outlet de Roermond, mas chove cântaros e se eu for, ficarei encalacrada no trânsito.

Em compensação, uma pequena mínima vitória que é a minha luz no fim do túnel. Tive a minha primeira "werkbesprek" ( reunião de trabalho ) como gerente do Senhor Belga e foi tudo tão bem! Eu estava esperando uma gigante dificuldade, mas tá tudo tão belezinha…

Mas já usando um pouquinho do otimismo que essa última reunião me deu… tenho que agradecer muito aos leitores habituais do blog. É sempre legal ver pelo stat quanta gente vem aqui por dia, mas é ainda melhor ler que tem bastante gente que volta, e que é "cliente habitual". Outro dia eu estava ultra pra baixo e recebi aqui bastante mensagens do povo que vem sempre aqui e foi um enorme boost pro ego, que como eu digo, anda precisando. Brigadinha povo. Como diriam na terrinha: agradecemos a preferência!



quarta-feira, setembro 7

Mindfulness

Eu venho contando aqui o quanto eu tenho trabalhado. Vocês, que me conhecem bem, sabem o quanto eu estou estressada. Para mim, o stress aparece em forma de imensas olheiras que nem o mais potente pancake da Lâncome esconde, um humor do cão, paciência mais curta que meu salário, e tolerância abaixo de zero.

Hoje houve uma "intervention", que seria engraçada, não fosse tão trágica. Recebi o convite para uma reunião de grupo e lá estavam eles, com um bolo de chocolate caseiro e o pedido que eu vá, por favor, de férias. Segundo eles, eles notam que  eu estou sobrecarregada, que eu deveria estar me cuidando melhor, mas que no fim eu me deixo engolir pela montanha de papéis que é depositada diariamente na minha mesa. E enquanto eu comia uma fatia ínfima do bolo ( não podia fazer desfeita, né ;o) ), todos repetiam o "moto" holandês de que sua saúde é muito mais importante que seu trabalho.

Nesse convescote eu informei o time que eu já reservei férias no Algarve em duas semanas, ficarei por lá apenas dez dias mas já dá pra recarregar um pouco as bateriais pra enfrentar a próxima maratona.

E qual será a próxima maratona? Em outubro irei ao Brasil à negócios. Será muito, muito bizarro. Apesar de eu ter escolhido gerenciamento ao projeto brasileiro, me pediram para participar da feira FENATRAN, então eu estarei no stand da empresa conversando com potenciais fornecedores. Teremos ainda dois dias de treinamento, press release e como se não bastasse, irei ainda com meu diretorzão visitar alguns fornecedores. Como brincaram aqui, preciso fortalecer o muque pra carregar bem a mala dele.

Vai ser estranho estar no Brasil a negócios representando uma empresa holandesa, no meio dos holandeses e americanos, e claro, dos fornecedores brasileiros. O interessante é que eu me considero uma pessoa bem sucedida sim, mas os fornecedores me acham uma wonder woman, aqueles que ficam sabendo que eu mudei pra Holanda sem emprego, que comecei com vários anos de "atraso" e que hoje sou a gerente de um grupo, literalmente expressam sua admiração e até me pedem dicas. Como eu sou longe de ser perfeita, tudo isso faz um bem danado pro meu ego, e Deus sabe como eu estou precisando…

Essa viagem está sendo organizada por americanos, então tudo é uma ultra-mega-fantástica-produção: os traslados do hotel pra feira, o hotel é um ultra luxuoso perto da Berrini, tem camisa e pashmina especial, até momentinhos de lazer estão sendo programados. Nesse oba-oba todo eu espero que dê tempo de eu passar um diazinho que for com a minha família.

E é isso povo, tô indo mostrar as banhas pro sol português, nadar nas águas geladas da Praia da Dona Ana, vou comer muito bacalhau, todos os dias, no café da manhã até, e voltarei zen.

Como diria Claudinha: het is al gebeurt ( já aconteceu… frase do curso mindfulness, que eu deveria fazer ).


sexta-feira, setembro 2

Tchau Bacalhau

Cena: almoço do evento "Supplier Day" da empresa, Adriana tem que papear com 3 fornecedores que ela não conhece, dentre eles um português. Português vê meu sobrenome holandês, essa minha tez morena ( já tô pálida que nem lombriga de novo ), e nem se toca que eu sou brasileira. O chamarei de Sr. Bacalhau. O diálogo foi em inglês.

Sr. Bacalhau: Acho que sua empresa está cometendo um erro muito grande em abrir uma planta no Brasil, naquela terra não há gente honesta.

Eu: O senhor já esteve lá?

Sr. Bacalhau: Várias vezes, em cada vez sofri uma desonestidade. Dos diretores de empresas até os porteiros do hotel, são todos desonestos.

Eu: O senhor foi para o Brasil então porque?

Sr. Bacalhau: É, o dono na minha empresa insiste em fazer negócios no Brasil, diz que as vezes se perde, mas também se ganha muito. Eu por mim, não faria negócios ali. Eu, por mim, nem contrataria brasileiros, falam alto demais, estão sempre atrasados, a pausa do café sempre dura o dobro, só pensam é no dia do pagamento.

Eu: ( mudando pro português ) Nossa Sr. Bacalhau, então serei eu a primeira brasileira honesta, pontual, competente que o senhor vai conhecer?

Fiquei com dó dos outros fornecedores, ambos alemães, que ficaram de boca aberta. Eu mudei pro inglês e comentei: o que me entristece é que quando o Brasil estava "down" e muitos tentavam a sorte em Portugal, sofriam discriminação, eram tratados como inferiores, acho que ainda o são, no entanto, no Brasil, cada estrangeiro é recebido  com um sorriso no rosto, é convidado prum cafezinho, tem tratamento especial, o povo vai logo perguntando se eles estão gostando do Brasil - e com genuíno interesse. Agora que o Brasil está "enriquecendo", os mesmos portugueses que nos discriminaram vão ser tratados como reis se forem tentar ganhar um dinheirinho pro lado de lá do oceano.

O Sr. Bacalhau até tentou desconversar mas depois calou. Talvez eu devesse ter ficado quieta, mas vocês sabem né, não tô podendo.



quinta-feira, setembro 1

Dia ( meses ) de fúria


Adriana, você ganhou na loteria e está agora vivendo em Bora Bora? Não caros leitores, muito ao contrário, estou trabalhando feito um cão.

Vocês se lembram do filme "Um dia de fúria"? Então, um dia vou surtar daquele jeito e vou estrangular o OldFart, que merece um nome novo, piorado. Vou encurtar bem a história, mas digam aí o que vocês fariam.

Tivemos na semana passada nossa revisão financeira anual. Cada comprador tem que preparar uma apresentação com todos os números do ano inteiro, projeções pro ano que vem. Meu trabalho é ajudar cada um, principalmente os novos, compilar os números deles e fazer os números do meu departamento, daí vai pro diretor, ele compila os números do nosso grupo ( somos 2 departamentos ), reporta à finanças, e só depois de aprovado podemos apresentar para o diretor member of the board, cada comprador apresenta sua parte, eu apresento os resultados do departamento, o direto do grupo. Manjou né, escadinha de tarefas, um lá embaixo faz meleca, tudo vira meleca.

Todo mundo trabalhando feito uns loucos nos números, e o OldFart passeando. Neguinho arrancando cabelos, OldFart passeando, chegou o dia do primeiro review comigo e ele tinha 2 das 18 páginas prontas. Como se ele fosse um adolescente eu reservei uma sala pra ele, levei o laptop dele pra lá, cancelei duas reuniões: Old Fart, você vai terminar esse report NOW. E ele fez bico, e ele enrolou. Long story short, depois de 3 reuniões comigo, a data final chegou, a apresentação dele muito marromenos, eu pressionei, ele terminou, eu peguei os números, passei um dia inteiro calculando o total, outro dia inteiro com meu diretor consolidando os numeros do departamento, reportamos pra finanças, que alívio, tudo pronto pra apresentação no dia seguinte!

Um dos rapazes me diz: dá uma olhada nas apresentações no sharedrive, OldFart ficou até tarde ontem modificando os numeros. Eu surtei. Ele achou vááários erros nos números dele, arrumou pra não passar carão em público na hora da apresentação pro Board, mas com isso todos os números da minha apresentação e da apresentação do meu diretor ficaram ferrados. Eu já estava estressada, explodi. Fui à mesa dele, mandei-o retornar os números para o original reportado, ele se recusou, disse que eu o pressionei e dei pouco tempo pra ele conferir os números ( a apresentação está marcada a 5 meses!!!! ), que nosso diretor deu pouca atenção à apresentação dele, e que já que a apresentação dele ainda não tinha sido impressa ele iria mudar sim. Deus desceu do céu, encarnou em mim, e naquele minuto eu só respondi: eu vou limpar sua bagunça e conversamos depois.

E semana que vem teremos o "depois", é a reunião face-to-face que eu tenho com cada um dos meus funcionários a cada 15 dias.

Eu ODEIO esse funcionário. Odeio os princípios dele, a forma dele se comportar. Ele está aqui a um ano e ele AINDA responde "me disseram que esse contrato é assim", "alguém no passado negociou assado", ele não assume responsabilidade por nada! No dia que eu falei pra ele retornar a apresentação aos numeros anterior e mencionar que ele cometeu um erro, o véio tremia e ficou vermelho que nem um tomate podre, olhos estalados que nem uma rã.

Mas infelizmente eu não tenho "ainda" ( saravá Iemanjá ) não tenho o poder de fazer o cara tomar o rumo da roça, e também não quero ser aquela chefe que "marca" o funcionário, mas serioulsy, vou morrer com esse cara no meu grupo. Preciso ser diplomática, preciso ser cautelosa, mas ainda assim preciso me livrar do dito.

Tô quase acabando. Há dois meses o diretorzão pediu pra eu escolher: gerência do departamento ou projeto brasileiro. Me partiu o coração mas eu tive que escolher gerência do departamento, porque é o melhor pra minha carreira. E é lógico que o véio tá contando que eu vá para o projeto, afinal eu sou brasileira, e deve estar cronometrando os minutos. Semana passada foi anunciado no board meeting que eu não irei pro projeto e o véio ficou tão perplexo que levantou a mãozinha e pergunto: mas tem lógica, ela é a única brasileira da empresa… gente, juro, a cara de desespero dele foi até engraçada. Maledeto.

E agora povo, conselhos por favor. Minha vontade é de jogar o nome dele na boca do sapo. Estou com ódio mortal, passo horas ruminando sobre esse desgraçado, naquela semana fiquei tão irada que depois que terminamos a apresentação fui pra casa, tomei um Aleve pra garganta e quase morri de dor de estômago, vomitei 3 dias, até água me dava dor de estômago, e ainda não estou uma Brastemp.

Pergunta: mandinga, cogumelos venenosos ou laxante no café?

terça-feira, agosto 23

Flores que trazem amores

Assistindo um documentário ontem eu pensei, putz tem tanta gente tão talentosa no mundo… compositores, cantores, atores, a lista é gigantesca. Como uma melodia vem na cabeça de um indivíduo, ou um livro - ou mesmo uma saga - vem na cabeça de uma pessoa numa viagem de 2 horas de trem?

Eu não sei cantar, não sei compor, não sei atuar, não sei pintar, não toco nem triângulo… e quais são os seus talentos? Nenhum! Triste isso… vou chegar no céu, São Pedro vai me perguntar o que eu fiz com a vida que o Divino me deu e eu vou responder: comprei peças automotivas que entraram na construção de imensos ( e poluentes ) caminhões que transportaram muitas flores que trouxeram muitos amores ( tá vendo, nem poeta eu sou ). Blé. Isso é o que São Pedro vai me dizer: blé.

Vi uma entrevista com a autora da saga Twilight. Dona de casa, formada em literatura, exausta por cuidar de 3 filhos, o mais novo com 1 ano, ela teve um sonho, o capítulo 13 do primeiro livro ( Edward está numa clareira mostrando para Bella que vampiros não saem a luz do dia não porque queimam, mas porque brilham que nem diamantes ), escreveu uma pagininha descrevendo o sonho, e continuou escrevendo sobre o que aconteceu depois que a menina viu o vampiro brilhante, e quando ela percebeu, o livro estava pronto. Ela diz que nem notou que era um livro até a irmã dela dizer: isso é um livro!

A Seicho-no-ie diz que somos manifestação da força divina, portanto fonte inesgotável de inspiração. Será que eu, que não sei cantar, dançar, compor, tocar instrumento, também tenho essa conexão divina? Será que a inspiração vem, mas eu estou tão ocupada comprando peças automotivas que eu nem percebo?

Eu acho que muitos de nós, ou pelo menos eu, se auto-boicota. Por exemplo, vendo a entrevista da tal autora, eu pensei: taí, vou escrever um livro, idéias loucas eu tenho à beça. Daí eu mesmo começo a me sabotar: em que língua, capiau - o seu português tá uma meleca, seu inglês não chega lá, em esperanto? Adriana, a própria Stephanie Meyer disse que recebeu 9 rejeições de agentes, 5 ignoradas, só uma se interessou, você sabe ao menos como começar a procurar um agente literário?

E taí, eu mesma já matei meu livro, que não teve página sequer.

Quando eu decidi operar o estômago eu comecei um tipo de diário, por sugestão da psicóloga que fez o assessment pra ver se eu estava preparada para a operação. Continuei escrevendo até quase um ano depois, contei como eu mudei, como as pessoas mudaram, as agruras, as felicidades, tudo protegido por password e nunca mostrado pra ninguém. Quando eu li Eat, Pray, Love, fiquei abismada com a superficialidade de tudo aquilo ali, minha jornada pré e pós operatória, incluindo minha imigração pra Holanda, tem 50 vezes a profundidade daquele livro, mas foi ela que escreveu a historinha, e foi a historinha dela que virou filme, é ela que está agora podre de rica vivendo numa praia na Flórida…

Ultimamente nem post eu tô tendo inspiração pra escrever. Às vezes tenho dó de vocês que vem aqui pra ler postizinhos felizes de uma brasileira morando na Europa e só encontram minhas maquinações existenciais, temperadas com uma imensa dose de mal humor.

Agora vou voltar pras minhas peças aqui. Caminhões tem que ser feitos pra transportar muitas flores que vão levar muitos amores. Tá. Eu sei. Poeta, também não.





segunda-feira, agosto 22

Crise, e não é econômica...


Nunca, nem na época que eu fui hospitalizada, me senti tão cansada. A pressão no trabalho está insuportável, se eu acreditasse em burnout, diria que estou à beira de um.

A pressão, o volume de trabalho, está absolutamente desumano. Semana passada recebemos reforços, eu ganhei mais um "acessor para assuntos aleatórios", que tem que ser treinado, diga-se de passagem, e pelo menos veio a boa notícia de que na semana 40 o projeto deve desacelerar.

Estou a um mês sem carboidratos, e nessa época de excesso de trabalho, e ansiedade, e pressão, e nervosismo, ficar sem minha bengala - os doces - está dificílimo. Mas por outro lado, além do emagrecimento - leeeeento que vocês não acreditariam - estou me sentindo ultra bem, acabaram meus piripaques, não sou mais escrava da comida.

Quando digo que eu não acredito em burnout é porque eu acho que a pessoa vê o seu limite chegando, e tem que fazer algo antes da crise ( a tal que não é econômica ) chegar. Por isso estou planejando uma semana off em setembro pra me dar um gás até fins de outubro, quando devo ir à uma viagem de negócios, que embora intensa, me livrará da pressão absurda desse projeto maldito por uns 10 dias. Quando eu voltar, é começar a arrumar as coisas pras minhas férias em dezembro. Que deus me ajude a aguentar essas semanas até minha folguinha, que se Deus ajudar, será em outra ilha da Grécia ( já fomos pra Rhodos, Creta e embora não seja Grega, fomos para o lado grego de Chipre ).

E a crise, a econômica? Dizem que vem. A empresa já começou a se preparar, temos dois funcionários com contratos anuais e já estamos rebolando pra conseguir dar um contrato fixo, que não é garantia de nada, mas é mais firme que os contratos anuais. Em 2009, todos que tinham contratos anuais foram-se. Meu braço direito é "emprestado" da empresa Nedcar, e se ele se for, juro que eu surto, tenho o tal burnout em 3 minutos.

Estou cansada, povo, muito muito muito cansada. Minha paciência tá curta, tenho tonturas horríveis, me sinto meio "bêbada" o dia inteiro - parece quando você toma uma golada de bebida alcoólica num estômago vazio -, e esqueço tudo, abro a geladeira pra pegar alguma coisa e já esqueci o que era, e chego aos fins de semana quase comatosa.

Tem que ser mais fácil ganhar o pão de cada dia, tem que...

terça-feira, agosto 16

O que está acontecendo?

Nesse findi eu estava conversando com uma antiga colega de faculdade no Facebook e me admirei dela ainda estar solteira, com a mesma idade que eu ( 38, abafa ). Do tipo mignon, magrinha, traços bonitinhos e delicados, inteligente - pós e várias línguas, ótimo emprego, apartamento, carro, e embora eu não a conheça ultra bem, ela é legalzinha. O que acontece?

Tenho várias outras amigas, com diferentes graus de beleza, de diferentes "backgrounds", mas que são todas mulheres cheias de boas qualidades, e estão sozinhas. E não é que elas não queiram encontrar alguém, querem, mas ou não encontram ou quando encontram não são encontradas.

Será que há menos homens? Será que eles querem cada vez menos compromissos, formar uma família? Será que essa geração de mulheres bem sucedidas os deixa inseguros? Será que as amigas, sendo bem sucedidas, escolhem mais e o homem brasileiro ( ou parte deles ) ficou pra trás?

Eu fico pensando nessa geração que vem aí, a geração dos meus sobrinhos, como será ela? Se por um lado eu vejo essas meninas tendo todas as oportunidades que os rapazes, estudam nas mesmas escolas, e aprendem línguas, usam computadores com a mesma habilidade que qualquer menino, e fazem esportes, tocam instrumentos; por outro vejo que há ainda menos tolerância do que havia antes com a aparência física. Nas fotos da minha sobrinha, que é ultra social e está sempre cercada de amigas ( e ultimamente também de amigos ), todas tem os cabelões comprido e lisos, todas - aos 12 anos - chapinham os cabelos as 7 da manhã antes de ir pra escola. As roupas parecem uniformes, o mesmo shortinho, as mesmas blusinhas, e se alguém diz que a moda é xadrez, as 11 meninas na foto estão de camisa xadrez.

Aqui na Holanda, eu moro no interiorrrr, não sei como são as coisas na capitarrrr, mas embora TODOS os rapazes que trabalham comigo sejam casados ou namorem, entre as mulheres temos uma solteira de 44 anos, uma divorciada de 36 que procura um namorado, e uma moça de 28 sem namorado há anos.

Será que é tendência mundial? Será que falta homem?

quarta-feira, agosto 10

Tenho boca mas não vou à Roma


Será que outra crise vem aí?

Um dos meus funcionários é absolutamente viciado nas aplicações da bolsa de valores, aqui na Holanda o mais comum é ter uma conta num tal de BINK. O site desse banco fica mostrando gráficos e evoluções de preços, e se antes esse rapaz já entrava pelo menos uma vez por hora no tal site, ontem as 11 da manhã ele ainda não tinha aberto o outlook dele, olhos fixados em cada pontinho que a bolsa ía pra cima ou pra baixo. Às onze horas ele fechou o site, suspirou e reclamou: acabei de perder um carro. Acho que quem arrisca petisca, mas também acaba comendo gato porque não tem dinhero pra comprar a lebre, e acaba sem comer a mortadela ou arrotar o peru. Quer segurança, não quer perder o carro, poupança, ué.

Daí vem um véio, também preocupadíssimo com os investimentos dele na bolsa: eu acho que com a tragédia nos mercados essa semana, a empresa nem vai mais abrir a fábrica no Brasil… Bom, aqui na Europa a gente só se ferra, primeiro temos que socorrer Portugal, daí a Grécia, agora é a Espanha. Eles vão pra praia e a gente "aqui em cima" paga as contas deles (!!!). Só faltei perguntar se ele é parente do Wilders ( político de extrema direita Holandês ).

E a Itália, pelo jeito, vai querer tirar de nós, turistas, até o último cent. Eu queria passar uns dias em Roma com o marido, já que tem umas passagens Ryan Air barateeenhas saindo de Eindhoven. Em 2006 fiquei numa pensione baratinha perto da Piazza di Spagna, paguei 104 euros. A mesma pensione está agora 146 euros, e está lotada até dezembro. Pensei que seria legal ficar num B&B, apesar de todos serem perto do Vaticano ( eu queria entre a Piazza di Spagna e Piazza Navona ), mas até esses estão lotados. Pelo jeito não vai rolar mini-férias em Roma.


terça-feira, agosto 9

Nunca entenderei


Eu achei que já tinha visto todas as bizarrices do povo holandês. Eu estava errada.

Ontem, movidos por mais 2 casos de "burnout" no departamento ( são 4, num grupo de 60 ), tivemos um curso sobre o que é o burnout e como reconhecer os primeiros sintomas.

Primeira consideração é que a diretoria da empresa prefere nos treinar para reconhecer os sintomas do que solucionar as causas do problema.

Mas então, o profissional de saúde descreve o que é o burnout. É uma exaustão completa a longo prazo, e diminuição de interesse sobre qualquer coisa. Disse o profissional que é uma condição que vai agravando-se até culminar na crise, o tal burnout, que deixa o funcionário incapacitado.

A pessoa com essa crise acorda um dia sem capacidade para levantar da cama, sem interesse nem em ir tomar banho para começar o dia. Muitos nem contactam a empresa para avisar que estão doentes, no caso desses 4 foram as esposas que ligaram.

Eu, que não nasci a passeio, pensei nas dezenas de vezes que eu acordei com vontade zero de continuar o dia, de encarar o chefe ou de ir praquela reunião difícil, mas as contas precisam ser pagas, os gatos precisam de comidinha especial e a KLM aumentou os preços. Mas no meu caso, não tinha ( ou eu achava que não tinha ) chora-me-dói, eu tinha que ir pro trabalho.

Aliás, falando em chora-me-dói, essa condição só é reconhecida como problema de saúde aqui na Holanda, e se você pesquisar na internet, as pesquisas são todas de holandeses. O que me faz pensar que o povo aqui tá achando forma pra justificar o pânico que os ataca se alguém ousar chacoalhar um pouco a vidinha previsível deles.

Mas assumindo que os pesquisadores estejam certos, eu achei que o negócio se resolvia com um mês de malemolência em casa ou melhor ainda, que o cara vá pra um lugar ensolarado, andar de bicicleta ou beber Piñas Coladas à brisa do mar, mas nããããão, o negócio é serííííssimo, e leva até um ano para o funcionário se recuperar ( !!!! ). Eu juro que eu tento compreender, mas não consigo.

Um dos colegas voltou depois de 3 meses para trabalhar meio periodo, vem de manhã e na hora do almoço vai embora, todo com cara de constipação. Ele vai ficar trabalhando meio período por mais 3 meses.

O outro já está a 3 meses em casa mas vai ficar 6, porque o caso dele é mais severo. A mulher dele esteve aqui ( ela trabalha na empresa, em outro departamento ) e disse que ele "mal" consegue segurar um cigarro na boca. Ahá, "mal"… sei…

Eu acho que é essa vida sem dificuldades que eles tem desde o nascimento, já falei sobre isso aqui. Não é que eles sejam más pessoas, só não estão acostumados a adversidade. Acho eu.

Sabe o engraçado, se é que há graça nessa história toda? É que quando o arbo-arts ( médico do trabalho ) começou a falar dos primeiros sintomas do burnout, todos nós, que vivemos atolados de trabalho, estalamos os olhos: problemas de memória, irritabilidade, falta de concentração, problemas pra dormir ( sono o tempo todo ou não consegue dormir ), distúrbios de apetite. Ha ha ha, todos nós temos tudo isso…

Cadê a Dra. Alice pra me dizer se esse trem é de verdade ou é só mandar esse povo pra Minas que eles voltam tudim bão?

segunda-feira, agosto 8

Quem vê cara...

No mês passado, nós os novos gerentes do departamento tivemos um curso direcionado à avaliação e gerenciamento de pessoas. Esse ano nós passaremos a ser responsáveis pela avaliação de performance dos nossos funcionários, o que determinará o aumento salarial deles.

No curso "ensinam" que a gente não pode incluir na avaliação pontos subjetivos como aparência física, religião, idade e modo de vestir. O modo de vestir deu discussão porque nós somos a cara da empresa pro nosso fornecedor, pega mal o comprador ir lá molambento falar com o vendedor.

Eu acho dificílimo ser 100% objetiva.

Eu já disse aqui que o OldFart fez dieta e emagreceu. Ele diz que foi 25 "pounds" mas eu sei lá, não parece. E ele queria que o povo ficasse comentando e dando parabéns, mas holandês não é de ficar babando ovo de ninguém. Há já algumas semanas ele vem com cinto na calça e suspensório, ridículo, e quando alguém comenta ele diz "é que eu emagreci tanto que só o cinto não segura as calças". Hoje um colega disse: ei OldFart, porque você não aproveita a liquidação pra comprar calças novas? Eu tenho que me repetir mil vezes: ponto subjetivo… ponto subjetivo… ponto subjetivo…

Mas não adianta, eu não gosto do cara e ele não gosta de mim. Após o anúncio hoje de que eu estaria fazendo a avaliação dos meus funcionários, ele nada discretamente perguntou: mas você não vai pro projeto brasileiro? Vocês precisam ver a cara dele quando eu respondi "não". E depois eu o vi comentando com um colega que "sou mesmo azarado, a única brasileira da empresa e ela vai ficar aqui pra gerenciar o grupo e não no projeto brasileiro".

Eu fico me perguntando mil vezes se é injusto essa relutância que eu tenho em trabalhar com o fulano, e eu cheguei a conclusão de que ele só vai mudar se eu, ao invés de ficar puta da vida com ele mas engolir, discutir os problemas diretamente. Por exemplo, hoje foi o dia de volta das férias, eram 11 da manhã e ninguém sabia do paradeiro do véio, todo mundo procurando. Eu mandei um SMS e nada. Ele foi aparecer meio-dia, disse que chegou de viagem muito tarde ontem e que resolveu tirar meio-dia off, agora me digam, vocês não ligariam pra pelo menos avisar? Ou mandariam um e-mail, SMS? Eu tenho agora que sentar com ele e dizer que todos nós temos a liberdade de tirar um dia off, mas que temos TODOS, até nosso diretor, a obrigação de avisar nosso superior. É verdade ou não é? Sério, eu me sinto mãe de um adolescente revoltadinho. Vou mudar o codinome dele de OldFart pra Kabauter ( anão de jardim ).

sexta-feira, agosto 5

Maldição


Ponei Maldito Ponei Maldito La la la la la laaaa la

quinta-feira, agosto 4

Apertem os cintos...


Será que eu sou a única que antes de comprar uma passagem aérea pesquiso idade da frota, treinamento dos pilotos, onde a empresa faz a manutenção dos equipamentos, horas de treinamento dos pilotos e crew, índices de acidentes? Esses foram os critérios que barraram a TAP e a Ibéria na minha listinha ( se bem que comparei faz uns 6 anos ). Não, não vou dar bola pro azar. Mesmo nas maiores empresas acidentes acontecem, vide o da Air France, que agora descobriram foi falha humana.

Li que a TAM está liberando pilotos que não falam inglês, como pode? Como pode um piloto não falar inglês? Como pode uma empresa como a TAM, que sempre teve boa fama, liberar? Como pode ninguém fiscalizar, proibir e punir sériamente? E se há uma pane, o piloto precisa receber instruções da torre mas não entende patavinas? Tô pasma.

E quando não são as empresas aéreas tentando ferrar a gente, é o próprio passageiro. Com todo o respeito e não levem a nível pessoal, mas alguém vai morrer se não for gastar dinheiro naquela meleca de Bariloche? A brasileirada é tão ridícula que mesmo com o vulcão lá cospindo cinzas, neguinho quer ir pra Bariloche, morre se não for, e pega o único vôo da única empresa que se arrisca a manter vôos pra região. Aí neguinho chega na conexão, o vulcão cospiu mais cinzas, cancelam o vôo de Buenos Aires pra Bariloche, a empresa aérea diz que é "interpérie da natureza" e não dá nem um copo d'água pro passageiro, e eles vão pro consulado reclamar, como se o consulado pudesse fazer alguma coisa contra a estupidez humana ( do passageiro, porque da empresa é só ganância mesmo ). O consulado chegou ao ponto de colocar no site deles aviso para passageiros de que essa é a política da aerolíneas argentinas, que o consulado não pode fazer nada, mas o povo continua tentando ir. Caramba, como o Brasil não quer ser chamado de terceiro mundo se o povo só se comporta como tal? Quando o vulcão na Islândia cospiu fogo, tudo parou. Enquanto houve risco, ninguém voou. Mas o que mais me admira é o fulano arriscar comprar a tal passagem, ver que nenhuma outra empresa está mantendo os vôos - mas ele o espertinho achou uma bocada - arriscar, e quando dá errado, ele vai pro consulado reclamar que tem que pagar hotel em Buenos Aires do próprio bolso. Vi no jornal neguinho reclamando que não tem como pagar hotel até a conexão de volta pro Brasil, ué, e ía pra Bariloche fazer o que, pagar as coisas lá como?

Cada vez entendo menos meu próprio povo.

terça-feira, agosto 2

Buemba! Buemba! E não é do Macaco Simão.

Chatona Piovani diz que casou. Né... A recém casada entusiasmada abriu o coração: ó que linda minha aliança Chanel. Sobre o noivo, nada disse. Ah, o amor...

Adriane Galinhesteu peladona de novo. Não sei se foi silicone ou photoshop, mas a maternidade ( ha-ham ) parece ter contribuido para suas curvas peitorais ( ha-ham 2 ). Ela podia ter aproveitado a anestesia e corrigido o "desvio de septo"( ha-ham 3 ). Mas venenos a parte, tá bonitona, considerando que ela vai virar os quarenta, corpinho ainda dos 20.

E a Sandy. Putz, a Sandy. Vocês já procuraram no Twitter o termo Sandy? Ha ha ha, o Brasil é divertido demais, sô.

Pensando bem, que buemba que nada. Foi só uma típica semana brasileira.

Mas… Putz… A Sandy...

segunda-feira, agosto 1

1, 2, 3, 4, 5 e 6

1

Que vocês acharam dos vestidos repetidos da princesa ( ou duquesa? ) Catherine ( ou só Kate? ). Eu confesso: achei muito legal. Ela provavelmente ganha a maioria das roupas que tem, ou usa o dinheiro da "mesada real", pode comprar mil vestidos, mas com certeza quis mostrar que gente inteligente e consciente da crise pela qual o mundo inteiro ( menos o Brasil? ) passa, não comete a burrice de descartar um lindo vestido só porque ele foi usado uma vez. E agora aqui pra nós, tem bom gosto a moça, afinal, ela foi a um casamento com uma roupa que tem cinco anos, que ela comprou sem a mesada real, e estava chiquérrima. Tem muita socialite brasileira imbecil que devia copiar o exemplo.

2

Meu marido não quer ir aos EUA porque por lá instalaram aquele body scan que te vê pelado nos aeroportos. Eu pouco me importo, se o guardinha quiser dou até uma reboladinha pra ele, mas o marido morre de vergonha. Agora estão instalando nos aeroportos brasileiros. Conto pro marido ou espero ele surtar ao ver, in loco, a tal máquina?

3

Falando da tal máquina do scan pelado, já fui "vítima" da mesma em São Francisco. Como brasileira tive meu cartão de embarque marcado como "suspeita" e fui scanneada em todas as conexões que fiz em 2005. Ironia do destino, esse mesmo povo agora tá disputando a grana dos brasileiros a tapa, ainda hoje no estadão está uma materia sobre a venda de imóveis para brasileiros na Flórida, estamos salvando o emprego de muita gente por lá, e somos agora o povo mais bajulado de várias partes daquele país. No fim, acho que meu passaporte brasileiro, por incrível que pareça, vai ser mais valorizado por lá do que o europeu.

4

Merece post a parte, mas comentarei mesmo assim. Sempre reclamo do que o brasileiro paga nos resorts Iberostar no Brasil, cês lembram, né? Ontem pesquisamos: 14 noites no Iberostar Praia do Forte ( premium ) em quarto com vista para o mar no booking.com: R$14.670; as mesmas noites na TUI.de: €2666. Mas, infelizmente, depois da experiência no Grand Palladium Imbassaí no ano passado ( venderam diárias para brasileiros por 99 "reál" ) eu e o marido concluímos que resort no Brasil só é viável se houver esse "filtro" para controlar o nível dos hóspedes. Mas e europeu, não tem europeu xexelento? Ô se tem, mas o filtro desses é a distância: eles vão pra Marbella, Algarve, Ibiza e afins, aqui "pertim".

5

Estou cada vez mais apaixonada pela minha recém adquirida Nespresso. O George Clooney ainda não deu aquela passadinha lá em casa pra me trazer umas cápsulas nem eu o encontrei na Nespresso Boutique de Eindhoven, mas ó, o café é diliça demais! E ó que eu só tomo decaf, que é igualmente delicioso. Caro, mas delicioso.

6

15 dias sem carboidratos, 205 to go.
:o(




quinta-feira, julho 28

Vício e viciados

Eu tinha 9 anos e era gordinha. Pedi pra minha mãe me levar no médico pra emagrecer, o médico me deu uma dieta razoável para uma menina de 9 anos, e nos fins de semana eu podia comer 2 itens da lista proibida. Voltei ao médico depois de 30 dias e tinha emagrecido 1.5kg, ganhei muitos parabéns e uma maçã. Saindo do consultório minha mãe, visivelmente desapontada disse: tanto sacrifício pra emagrecer só 1,5kg. Meu regime acabou ali.

Quando eu fiz 12 anos minha tia estava indo a um médico em São Caetano e estava emagrecendo a olhos vistos. Eu quis ir, minha mãe deixou. Ainda lembro de pegar o ônibus pra encontrar minha tia, pegar outro ônibus com ela, lembro da consulta, lembro da dieta e meu primeiro potinho de remédio. Aos 12 anos eu ganhei um lindo potinho amarelo de anfetaminas: anfepramona, triac e diazepam. Dessa vez voltei ao médico depois de 30 dias com 5 kg a menos, minha primeira ( e única ) nota vermelha, mas eu e minha mãe estávamos felizes. Esse médico, 15 anos mais tarde perdeu a licença.

E não parei mais. Tome anfetamina non-stop dos 12 aos 26 anos.

Pode parecer fácil, ir ao médico, pegar receita, mandar aviar, tomar, emagrecer, manter, mas não é. Você vai se acostumando com a dose, o médico se recusa a aumentar, você pára de emagrecer, ou começa a engordar, e precisa de uma dose maior. Ou então, na época da faculdade e estágio, como arrumar tempo pra esperar hooooras numa sala de espera do médico que está sempre atrasado. Ou então é simples curiosidade. O gordo sempre tem outros amigos gordos que conhecem uma farmácia lá em Moema, ou tem um farmaceutico do balacobaco… E é assim que muito gordo cai no mercado black de anfetamina.

Primeiro foi o remédio da Dr. Tânia, em Moema. Uma farmácia de manipulação podre de chique, a gente chegava e pedia a fórmula natural da Dr. Tânia 1, 2 ou 3 - os números representavam a "potência" da fórmula. A menina no balcão explicava: a número 3 só em uma "emergência pra caber num vestido". Ninguém sabia o que tinha, e eu cheguei a tomar a Dr. Tânia 3, dose dupla por meses seguidos. Tava linda e magra e fazia o maior sucesso na Limelight.

Denunciaram a Dr. Tânia, um magro - claro, e descobrimos o véio Gera. Véio Gera tinha a melhor fórmula do universo, era tão forte e tinha tanta coisa que o primeiro dia você mal conseguia beber água. Tomei anos. Até a família da minha cunhada, em Curitiba, me pedia pra mandar. Até o véio Gera morrer sem deixar a receita das pílulas. Daí desesperadas, eu e minhas amigas gordas, fizemos um formulário azul falsificado, carimbo, e comprávamos de farmácia mesmo, pelo menos pra manter o peso.

Isso que eu estou contando não é nada perto do que existe no Brasil, a terra onde só magros vivem, os gordos sobrevivem. Cheguei a ir ver as cápsula de virus italiano: cápsulas de virus estomacais que te davam enterite por uma semana e você perdia até 6 kg - diziam. Esse eu não tive coragem. Tinha uma louca que injetava remédios de cavalo em gente, dizia que "queimava" a gordura - também não tive coragem.

Passei por Spas caríssimos, fiz mil aplicações de tudo que diziam que derretia banha, fiz todas as dietas malucas que inventaram. Acabei mutilando meu estômago e aspirando as banhas.

Fazem exatamente 10 anos que eu não coloco uma anfetamina na boca. Cheguei a comprar, numa das minhas idas ao Brasil, mas e o medão de ficar viciadona de novo? Estou agora tentando emagrecer o que ganhei depois da transfusão de sangue e está muito difícil. Fico me perguntando se eu ferrei meu metabolismo com tanto treco que tomei, ou se é efeito do tal Mirena que eles juuuuram que tem só um pouquinho de hormônio de ação local, ou se é mesmo idade. Ou tudo junto.

Hoje, depois de dois dias comendo pouquíssimo, quando a balança disse que eu GANHEI 400 gramas, quase chorei de raiva. Nesse momento, se eu tivesse um potinho de "bolinha" ( como nós, os viciados nos referimos às anfetaminas ) teria recomeçado. É por isso que eu entendo as recaídas dos viciados em qualquer substância, qualquer adversidade e a gente corre pro vício.

Estão pra proibir as anfetaminas no Brasil, eu acho besteira. Muitas pessoas se viciam como eu, mas muitas fazem o tratamento direitinho e em 3 meses estão saudáveis, com a alto estima lá em cima, levando suas vidas felizes. E os viciados, como eu já contei, contam com um imenso black market, que vai continuar existindo, só que com remédios vindos da India, da China ou sei lá o que, sem controle nenhum da Anvisa.

Agora me resta continuar passando fome, mesmo com energia zero tentar fazer uns exercícios, e rezar, rezar muito. Qual é o santo dos gordos?

quarta-feira, julho 27

E depois os subdesenvolvidos somos nós


No jornal, hoje, a notícia dos holandes que deixaram três crianças de 7 meses, 2 e 4 anos num barco e foram jantar num outro barco. O barco desatracou, ficou a deriva e foi achado por um pescador que chamou a polícia pra socorrer as crianças. As crianças estavam assustadas e com fome, foram alimentadas na delegacia. Os pais deram as caras depois de 3 horas. Foram pro xilindró e pagaram fiança.

Fiquei horrorizada, o que passa na cabeça de pais que deixam as crianças dentro de um barco, num lugar desconhecido, onde ninguém entende o que eles falam, podendo cair na água, o barco pegar fogo… Ah, mas deixaram um rádio com o mais velho ( de 4 anos!!! ) e o que a criança vai fazer, ligar e dizer pro "papa" "papa: tô queimando - papa: tô me afogando"?

Traduzi a notícia pros colegas, achando que eles fosse também se chocar, e achando que a atitude desse casal é uma exceção, um casal de doidivanas, e eles não acharam não nenhum absurdo, "ah, se o outro barco tava perto…", e disseram ainda que costumam deixar o bebê em casa dormindo e com o baby monitor vão até o vizinho jantar numa boa. Um disse que as vezes até dá uma corridinha no mercado, que fica no fim da rua. Adriana ouvindo de boca aberta.

Quantas vezes, na casa da minha tia, chegava a vizinha pra conversar no portão e ela dizia: entra que eu quero ficar de olho no nenê… Imagina que a gente ía deixar a criança sozinha, acordar assustada com alguma coisa e estar lá, sem ninguém pra acudir...

Lembram do caso Madeleine? Os pais deixaram a menina no quarto para ir jantar, eu fiquei chocadésima dos pais deixarem as crianças sozinhas, mas pelo jeito por essas bandas de cá isso é normal.

Eu contei pra eles que pela lei, se você deixar a criança em casa e for no vizinho jantar, tocar um policial e a criança estiver sozinha, você, assim como o casal de holandeses, pode ser enquadrado em abandono de incapaz, e vai pro xilindró. Eles acham que a gente é louco e não tem o que fazer.

Eu acho relaxo. Comodismo. Vou dizer: acho vagabundagem de gente que não devia ter colocado filho no mundo. Quer ter toda a liberdade do mundo,faça como eu: não tenha filhos.

Tô louca povo? É normal deixar a criança sozinha pra ir saracotear?

terça-feira, julho 26

A Holanda está cheia

A Holanda está cheia, é isso que a gente ouve direto como desculpa pra controlar a vinda de mais imigrantes, ou pra justificar as casas pequenas e coladinha por um preço de mansão da Côte D'azure ( pequeeeeno exagero pra contribuir com a moral da estória ). Enfim, o brejo tá cheio.

Por estar cheio, ou só porque esse povo gosta mesmo de inventar firula, tem vários departamentos por cidade pra fazer o planejamento da região. São mapinhas de cada bairro, numero de arvorezinhas por habitante, banheiros de cachorro por superfície ( se for muito longe, o Rex faz pela rua ), estudos de "morabilidade", de afluencia de carros, planejam mais do que um país antes de entrar na guerra.

E investem tanto tempo, tanta gente, tanto dinheiro, e fazem cagada. Quero morrer de catapora!

No meu bairro, que é novo e todo planejadinho, desde que mudamos sofre-se com lugares para estacionar. Já contei aqui da vizinha que fazia petição pra substituirem as arvorezinhas por estacionamento. Vários dias, o lixeiro que passa a cada 15 dias, não pôde recolher o lixo porque os vizinhos deixam os carros estacionados onde atrapalha a curva do caminhão. Todo mundo reclamando. Aí um grupo de moradores mandou uma carta pro prefeito.

O prefeito responde que nos cálculos do projeto, foi estimado um número de 1,5 vagas de automóveis por moradia, incluindo garagem e entradinha pra garagem. Ora pois, se aqui na Holanda NINGUÉM, com exceção do meu marido, usa a garagem pra guardar carros, e todo mundo sabe disso, como é que alguém aprova um projeto que já começa com metade das vagas inutilizadas? E não adianta forçar esse povo xucro, eles vão continuar guardando as cadeiras de plástico Itatiaia na garagem e deixando o Audi na rua. Aí o prefeito continua: Eindhoven é uma cidade com ótimas ciclovias, e as localidades mais distantes são facilmente acessíveis com o excelente sistema de transporte. Mas seu prefeito, o povo tá tendo que saiiiir de Eindhoven pra achar emprego, porque a Philipona tá falindo, cada ano corta mais empregos, como é que neguinho vai pra Roermond de bike?

Só sei que tá todo mundo emputecido com a situação.

Minha casa é numa rua sem saída. Na frente da minha casa é proibido estacionar porque numa área tão pequena ( um Cul'de Sac com 4 casas ) tem já duas vagas demarcadas pra estacionamento público. Eu odeio carro estacionado na frente da minha casa, no tal Stoep, porque fica tão perto da minha janela que a cozinha até fica mais escura. Pode chover, eu posso estar carregada de compras, se a vaga demarcada está ocupada por alguém, eu sempre estaciono da esquininha. Ontem eu estou chegando e tá lá uma dita estacionando no meu stoep.  Pedi pra ela sair, falei que nem eu estacionava porque não gostava de carro ali, que me incomodava o carro dela. Ela, grossa que nem só mulher holandesa sabe ser: é lugar público… Eu fiquei azul, "mevrouw, público mas é ilegal estacionar aí", aí ela fica toda cheia de reclamações, resmunga, e tira o carro, e o detalhe é que na esquininha, 10 mtrs dali tinha 4 vagas vazias. Eu não entendo! Agora eu, chata que sou, já estou imaginando que todos os dias vou chegar lá e vou encontrar a dita estacionada na porta da minha casa.

E depois disso fui direto pro meu maldito livro em holandês, porque eu só não falei poucas e boas pra essa mulé porque me faltaram palavras. Ódio disso, de faltarem palavras.

Eu sei, podem falar, Adriana que bitch que você tá.


segunda-feira, julho 25

Um continente em frangalhos?


Li hoje no jornal brasileiro uma jornalista de economia dizendo "A Europa, um continente em frangalhos busca salvação no Brasil". Tenho tanto a dizer sobre isso…

Primeiro que um pouquinho de modéstia não faz mal a ninguém. Quem ( ou o país que ) se acha a última bolacha do pacote acaba enfiando os pés pelas mãos feio.

Me pergunto se essa mesma jornalista não leu, dias atrás, que as remessas de lucro para o exterior bateram record esse ano? Ou seja, lucram no Brasil mas mandam o tutu pra Europa, o tal continente em frangalhos. Não acho isso ruim, ou ruim demais, afinal, eles investiram no país, criaram empregos, pagaram impostos, continuam reinvestindo na ampliação de suas fábricas no território nacional, ou seja, o Brasil ganha demais, mas… o lucro ainda vai pra matriz, que pelo menos na indústria automotiva, uma das mais fortes do país, são todas na Europa.

O mesmo artigo menciona que está todo mundo interessado nesse país que em 8 anos transformou metade da população em classe média, ou seja, supostamente com dinheiro e muita vontade de gastar. Todo mundo vai tentar sugar até o último centavo desse povo desacostumado a ter uns trocados a mais no fim do mês, mas quem tá lá ensinando pro povo simples a planejar os gastos, a iniciar uma poupança?

E tudo vai sendo empurrado com a barriga, sem o mínimo de planejamento. A nova classe C não precisa mais viajar de ônibus 3 dias pra visitar os parentes no Ceará, vão de Webjet com parcelamento em 10X no cartão, mas quem é que amplia os aeroportos pra dar conta desse povo todo? E o povo tá comprando seus carrinhos chineses Chery, mas cadê a ampliação desse Metrô, a melhora dos ônibus, a ampliação e melhora de ruas e avenidas pra comportar esses carros todos? E todo mundo tem laptops, e smartphones, e até Ipads, mas cadê investimentos em conectividade?

Acho engraçadissimo ( not ) o povo fazer passeata contra a tal nova hidroelétrica ( Belos Montes? ), mas como alimentar a casa desse povo todo cheio de TV's, computadores, máquinas pra tudo? E dar conta desse lixo todo que é gerado, com um povo que não é acostumado a reciclar?

Às vezes me parece que o brasileiro está deslumbrado demais com a renda extra, tá "se achando", mas esquece de aprender certos (bons) hábitos do europeu: poupar, não gastar mais do que tem, planejar a infraestrutura, tentar usar transportes coletivos ou o carpooling, reciclar ( e não tô falando da dona maricota que faz aqueles breguíssimos artesanatos de garrafa pet ).


sábado, julho 23

Respira fundo

Foi uma semana bem difícil essa.

Não adianta, estou aqui já há tanto tempo e ainda me vejo em situações que não entendo a reação de muita gente que me rodeia. Vou confessar, é difícil quando você tem que gerenciar gente que você muitas vezes não entende.

Hoje é o black saturday por aqui, a data em que grande parte do país coloca o pé na estrada com suas caravans, com seus bagageiros-caixões ( podem me dizer que é prático, mas eu não consigo deixar de visualizar um cadáver lá dentro ), a filharada, e vão pros campings da França, Itália, trabalhei com um que dirigia non-stop até a Costabrava na Espanha.


*** Ainda se o vampiro Eric tivesse ali dentro...***

Na empresa todo mundo querendo terminar o que era urgente, jogando pepinos pra cima dos poucos que ficam.

Tive algumas mini-crises. O senhor da "espionagem" viu que uma cerca no estacionamento quebrou, pegou o telefone de um fornecedor de serviços de reparos, chamou os caras na empresa e pediu cotação pra arrumar, assim do nada, como se fosse o quintal da casa dele. O fornecedor achou estranho, contatou a compradora dessa commodity, e a m. foi pro ventilador. Acabou que uma mulher do RH me ligou (agora, depois de 2 meses!) pra discutir as "limitações" do senhor espionado. Ela disse que ele tem uma condição médica e que dever ser considerado "simple minded". Não conheço, em português, significado para essa expressão que vi pela primeira vez na Holanda: simple minded, assim, em inglês. É a pessoa que não tem deficiência mental, mas também não é plenamente capaz. Eu sempre pensei que a pessoa nascia assim, mas como uma pessoa adquire "uma condição médica" e fica simple minded eu não sei. Hoje foi o último dia dele, o nosso departamento é muito cheio de riscos pra alguém assim.

E meu diretor está de férias, e o que o está substituindo não lida muito bem com pressão, e o departamento tá pior que uma panela Clock em fogo alto. Na terça feira eu passei tanta raiva, que chorei. Escondidinha no banheiro, sériamente influenciada pela TPM, mas chorei, de ter que rebocar a maquiagem. Um de vários problemas foi o do meu funcionário R. Na segunda ele me perguntou se ele podia sair de férias um dia mais cedo, ou seja, na quarta, eu concordei. Quando meu diretor soube mandou eu voltar atrás e dizer que o R. precisava ficar porque ía "podia" aparecer uma coisa urgente. O rapaz já tinha antecipado uma noite no B&B onde ele ía ficar, foi um xabu mas o rapaz acabou ficando. Na quarta feira ele estava lá as 9 da manhã quando recebe um telefonema: a esposa, grávida de 10 semanas estava no hospital porque o feto não tinha mais batimento cardíaco. Cês sabem, né? Informei o diretor e ele achou que o rapaz tinha que voltar depois do almoço. Levantei da sala sem nem responder.

Pra encerrar a semana tivemos a festinha de despedida de um dos diretores que está se aposentando. E já está falando em voltar a trabalhar na empresa como consultor. Me deprime isso. Uma pessoa chegar aos 62 anos de idade sem ter um plano pra curtir os anos que lhe restam, uma pessoa ter tão pouco pra fazer que até se enfiar num escritório 40 horas por semana seja melhor. Não entenderei nunca.

Então, já que nesse sábado todos vão e eu fico, pelo menos comprei minhas passagens pro Brasil-sil-sil. E a KLM aumentou as tarifas de novo. Agora, pelos 875 euros das duas ultimas idas, só se for com escala no insuportável do Charles de Gaulle, direto do Schipol maravilhoso, 932 euro contos.

Vamos ver se essa semana rola post sobre Cuba, quero ver se tenho ânimo de baixar as fotos.

quarta-feira, julho 20

Dreaming


Eu acho interessantíssimo ouvir as pessoas descreverem o que elas fariam se ganhassem na loteria. Ontem estávamos falando sobre isso aqui no trabalho, e quando falo ganhar na loteria falo logo em boladas, tipo os € 25 milhões da loteria estadual holandesa de uns tempos atrás.

O que você faria?

Eu ía rodar a Europa a procura de um terreno de frente pro mar. Teria que ser perto de uma cidade maiorzinha, pra eu poder bater pernitchas de vez em quando, mas de preferência dentro de um vilarejo, e mais de preferência ainda, longe de rotas turísticas. Existe esse lugar?

Aí, terreno comprado, eu iría contratar um fantástico arquiteto pra fazer a casa dos meus sonhos.

E enquanto a casa não ficasse compras, eu iria cuidar de assuntos mais corriqueiros. Iria dar uma ajeitada na vida da minha mãe, iria dar uma ajudada no meu irmão e sobrinhos, iria comprar um apê e um carrinho pra minha prima querida, tudo isso sem eles saberem que eu ganhei da loteria, que ninguém merece parente pedindo isso e aquilo.

Aí eu iria praquele SPA pra perda de peso que a Oprah foi no Hawaii. Ia botocar o rosto, com certeza. Ia refazer o guarda roupas e comprar um carro conversível.

Meus pituchinhos íam ganhar uma área inteira na nova casa, e eu ía adotar um Yorkshire. Talvez, se eu achasse uma empregada e a família prometesse me visitar muito, eu tentasse ter um filho ou adotar uma chinesinha.

Com certeza eu ía alugar uma gigantesca casa em Orlando por um mês e ía trazer "my favorite people" pra curtir a disney comigo, a parentada, minha amiga Fernanda, ía ser demais.

E eu viveria muito feliz na minha casinha de praia, com meu marido e meus bichos, faria trabalho voluntário com alguma ONG de animaizinhos, quem sabe até construísse um abrigo, visitaria mais a família e os traria para me visitarem…

Quem sabe o Bill Gates não lê esse post e me manda 1% da fortuna dele?

E você, o que faria?

segunda-feira, julho 18

Questão de respeito


Minha prima mais querida, mais ligada a mim, praticamente a filha que eu não tive, me contou, aos 13 anos, que era lésbica. Indescritível o choque. O choque passou, e ficaram duas certezas, meu amor por ela não diminuiu um milímetro, ela ainda era minha priminha fofa, minha companheira de Hopi Hari. A segunda é que ela ía sofrer muito com isso. E ela sofreu.

É incrível o preconceito contra lésbicas. Às vezes eu penso que quando todo mundo defende tanto os direitos homossexuais, estão na verdade é falando dos homens, porque contra as mulheres o negócio é bem mais ofensivo.

Ao longo desses anos, quando eu contei pra amigos mais íntimos, o que eu ouvi variou entre "só precisa mesmo é achar um homem com H maiúsculo", até a "que coisa feia". Nossa avó, que não sabe, disse que se ela não arrumasse namorado logo, íam começar a chamá-la de muié-homi.

E tem muita gente, mas muuuuita gente, que diz que não tem preconceito, mas se refere à elas como "sapatão", fala da falta de feminilidade com desdém, e faz piadinha.

Hoje meus colegas de trabalho falavam sobre o mundial feminino de futebol. Eu disse que no Brasil comentaram muito sobre a beleza da goleira americana, e um colega respondeu: e adianta de quê se ela "cola velcro", e fez o gesto com a mão ( !!! ). E eu respondi: ué, o fato dela jogar futebol não quer dizer que ela é lésbica. E ele disse que o amigo treinava um time de futebol feminino e metade era lésbica, e fez de novo o gesto com a mão.

Sinceridade? Me aborrece demais isso. Me aborrece porque mostra que essa conversa de que não se tem preconceito é tudo balela, os nomes, os gestos, as piadinhas, tão aí pra provar.

Minha prima é uma menina super legal, generosa, com uma paciência infinita. Ela sempre foi minha companheira de aventuras ( e eu sou um pé no saco ), a que brincava com o priminho pentelho ( meu sobrinho ), a que dá atenção pro marido gringo ( igualmente pé no saco ) sem nem falar inglês. Ela é esforçada, faz faculdade, trabalha pra poder pagar porque os pais não tem a mínima condição, e com o pouco que sobra, ainda acha meios de comprar um remédio ou outro pra minha tia e levá-la, pelo menos uma vez ao mês, num restaurante comer alguma coisa gostosa. Ela não merece ser chamada de sapatão, de ser achincalhada, ou ser piadinha de gente mal-resolvida.

E as outras também não merecem. São filhas, irmãs, amigas queridas, e merecem ser respeitadas.

sexta-feira, julho 15

O gordo Pinóquio

Eu, a gorda chata, hoje teorizarei sobre mais um tipo de gordo: o gordo pinóquio.

A inspiração é o OldFart, que está menos Fart e um tantiquinho assim ó ( fazendo pequeninho com o polegar e o indicador ) mais magro.

O gordo Pinóquio é aquele gordo que, sabe-se lá porque, mente. Mente a respeito do peso ( peso 85 kg, quando na verdade pesa 95 kg ), mede a respeito do peso que perdeu, da rigorosidade da dieta… É uma dificuldade não ser gorda chata perto do gordo pinóquio!

O OldFart tem 1,65mt e é gordinho, sendo maldosa, parece um kabauterzinho ( um anão de jardim ). Essa semana ele recebeu o contrato fixo da empresa, e quando eu dei a notícia, disse que ele tinha que trazer gebak ( torta ). No dia seguinte ele trouxe ameixas, e explicou: estou de dieta. E daí começa a Pinoquisse:

Perdi 25 libras: putz grilo, num país que usa sistema métrico, onde você compra dois quilos de arroz, que ridículo é falar que emagraceu 25 libras só pra causar mais impacto. OldFart, 12 quilos! Aí eu fiquei olhando… nem a pau juvenal… a cada 6 quilos uma pessoa de 1,65 diminui um manequim, e ele não diminuiu 2 manequins…

Faço a dieta da proteína a 5 meses sem escorregar: ele diz que o café da manhã é um iogurte e um pedaço de ontbijt koek ( um bolo de especiarias que parece o pão de mel sem chocolate ), aí ele almoça sem lanchinho entre o café e o almoço, e o almoço é salada com um ovo cozido, aí ele vai direto até a janta e ele come salada ou vegetais na wok com um pedaço de peixe, salmão ou tilápia, e toma um chá antes de dormir. Oras bolas, se uma pessoa passa 5 meses só comendo isso, estaria mais magro que a Twiggy.

Não tenho roupas, todas estão grandes: me respondam, que gordo não guarda suas roupas preferidas da "época de magro"? Isso foi a desculpa para vir de suspensórios. Sim puevo, suspensórios. Segundo ele, as calças estão caíndo ( valha-me Deus de caírem ), e o cinto já não dá conta ( ??? ). Eu só respondi: vai comprar roupas, quer coisa mais maravilhosa que ter que comprar roupas porque emagreceu? Meu colega disse: OldFart, cê tá parecendo o Bastiaan ( um palhaço ). Ah, a sutilidade holandesa…

Então vamos lembrar alguns princípios para o gordinho ser um gordinho legal. Colega gordinho, ninguém tem que te pedir satisfação da dieta, do seu peso, das suas roupas. Nós sabemos que você quer se gabar, nós sabemos que é o furículo do demônio fazer dieta por tanto tempo, mas seja chique colega, se alguém te perguntar se você está de regime, ou se você emagreceu, dê uma resposta blasé, tipo "estou sendo mais cuidadoso com os doces", ou "estou me exercitando um pouquinho mais". Lembre-se que se você começar a falar de dieta, todo mundo vai se sentir no direito de te vigiar, todo mundo vai achar que o fato de você ter falado de regime implica em uma autorização pra quem está ao seu redor te repreender no dia que você colocar uma bala na boca. E se tem coisa que gordinho não suporta é gente ao redor dizendo o que a gente pode ou não comer, quando a gente pode ou não comer.

Isso dito, tenho também inveja do OldFart, porque eu tenho também que começar o regime e estou adiando e adiando. Hoje tenho planos de ir ao Makro pra comprar carnes, já fiz meu cardápio de-carbizado pra próxima semana, vou ter que passar fome.

Mau humor do cão desde já.

quinta-feira, julho 14

Ah, o ser humano...


Uma das comadres, quando virou gerenta, me contou a história de um funcionário que até hoje me faz rir. Ela propôs ao funcionário, que não era nenhum jovenzinho recém formado, que ele fizesse um "layout", um trabalho que até então ele não tinha feito, mas que segundo a comadre, não era nenhum bicho de sete cabeças. Aí no dia seguinte da "proposta" esse funcionário foi pra comadre: Sr. Comadre, eu me olhei no espelho e perguntei: Hans da Silva, você será capaz de fazer um layout??? Esse "me olhei no espelho" ficou comigo desde então, eu já imaginei o banheiro cheio dos vapores do chuveiro matinal e o cara enrolado numa toalha se perguntando: espelho espelho meu, existe alguém mais sonso do que eu?

Aqui na empresa há quase um mês eu recebi um funcionário "do banco". JL trabalha na empresa há 40 anos, está perto da aposentadoria. O mundo evoluiu, os computadores tomaram conta, mas JL não conseguiu acompanhar o povo que agora senta atrás de uma telinha, ele consegue fazer o mínimo do mínimo num computador. JL é um senhor muito correto, orgulhoso dos seus anos na empresa, de uma ética irrepreensível, mas o que fazer com tudo isso se ele não consegue dar um copy/paste no Excel??? Triste isso, um mundo onde a habilidade de dar copy/paste é um bem mais valioso que a ética da pessoa… mas então…

Tem quem goste de achar que os donos de empresa, CEO's e presidentes de empresas holandesas são mais humanos que no Brasil, mas não, a verdade é que as leis trabalhistas aqui protegem mais o cidadão que no Brasil, e num determinado momento alguém lá no RH, que sabe muito bem dar copy/paste, calculou o valor da rescisão contratual do JL e concluiu que era mais barato continuar empregando-o. Assim, JL foi "pro banco", ele fica em casa e quando alguém tem necessidade de uma pessoa com fantástico senso de ética mas sérias limitações tecnológicas, ele é chamado.

Há um mês JL está nos ajudando no que chamamos de "back office". Ontem ele me chamou: Adriana, estou com um problema sério. Um aparte: o negócio fica muito mais dramático em holandês, mas tenho que traduzir procês. Adriana, fui vítima de um desrespeito enorme. O que foi, JL? Ele olhou pra mim, baixou os olhinhos, tremeu a boca, e levantou os olhos cheios de lágrimas ( sim pessoas, lágrimas! ): sou vítima de espionagem ( ele falando espionáááááge em holandês ainda me faz rir ). E eu: como assim JL? E só pensava em quem estaria interessado em espionar o office-boy, digo, o office-meneer do departamento? E ele: hoje eu abri meu Outlook e minhas mensagens estão lidas… Ahn? Adriáááána: faz 3 dias que eu não abro o computador (!!!), mas as mensagens de ontem já estão sem o título em bold, ou seja, alguém tá lendo meus e-mails!!! E as lágrimas corriam.

Eu respirei fundo. Vamos pensar JL. Você deu privilégio de leitura pra alguém? Ele estalou os olhos. Vamos ver se alguém mais tem autorização pra ler seu e-mail. Ele arregalou os olhos maior. Olhei no Outlook, achamos o nome de uma mulher, ele explicou que era a secretária do departamento dele. JL, ela sabe que você está "emprestado" pra compras? Ele secou as lágrimas, acho que não! Ligamos. E mulher ficou surpresa ao ouvi-lo e disse que não, ela não sabia que ele estava de volta, e que o chefe mandou ela olhar todas as segundas-feiras os e-mails dele pra ver se aparecia algum e-mail que precisava ser respondido.

JL ficou feliz de saber que a espionagem era "do bem", que ninguém estava duvidando da idoneidade dele.

E eu fiquei aqui pensando… eu achei que tinha que me preparar para lidar com o diretorzão member of the board, mas de vez em quando, lidar com o office-meneer é tão difícil quanto.

* Meneer é senhor em holandês.

terça-feira, julho 12

Burn out - Post enorme, senta com o café no bule e a xícara na mão

Ontem tivemos uma reunião emergencial de staff. Temos 3 pessoas com burn-out, outros reclamando. Isso no departamento de compras.

Lá em cima, na engenharia, o negócio tá tão feio que até motim já teve.

O projeto grandão da empresa está degringolando. Ao mesmo tempo, a recuperação depois da crise está sendo rapidíssima, e ninguém estava preparado. Faltam funcionários, faltam computadores, falta espaço, falta tempo pra treinar que chega.

A pressão está alta. Eu diria que está quase nos patamares da pressão que tínhamos na minha antiga empresa no Brasil, a diferença é que lá era maior e constante, aqui é um pico e mal começou.

Nessa reunião, eu tentei não abrir a boca. O diretor perguntou a minha opinião e eu fiquei olhando pra ele e pensando, falo ou não falo?

A verdade é que eu acho todo esse pânico cultural. Holandeses não estão acostumado com stress, com pressão, com cobranças. Eu fico pensando na vida do brasileiro, mesmo que minha experiência seja apenas a de uma brasileira da classe média, quando é que nós vivemos sem pressão, sem cobranças? Na escola fica a mãe cobrando notas, tem que ser sempre de 8 pra cima. Quando a gente tá terminando o "ginásio" fica aquela aterrorização sobre o "colegial". Você começa o segundo ano do colegial e todo mundo já tá falando de vestibular. O ano do vestibular é o pior da sua vida, não só você tem que decidir, aos 17 anos, o que vai fazer pro resto da sua vida, como tem que passar na maldita faculdade, de preferência na "Ivy league" brasileira. Daí vem a pressão por um estágio numa empresa de renome, e a almejada "efetivação". Pra mim, esse ano de estágio foi um drama terrível, ano de crise, a empresa mandando meio mundo embora, terrível mesmo. Quando recebi a notícia que eu ía ser contratada, sentei na escada de casa e chorei, chorei não de alegria ( ok, de alegria também ) mas de alívio: eu estava empregada! E depois disseo tiveram os facões, a primeira apresentação pra um diretor em inglês… Aos 22 anos de idade eu já era uma expert em "aguentar o tranco".

Aqui na Holanda há uma aceitação melhor para aqueles que não tiram apenas 9 e 10 na escola, logo menos pressão. O ginásio é curto e o colegial comprido, e apesar de ter já super cedo uma separação no tipo de escola que você vai seguir ( aos 12 anos os melhores alunos vão pra um colegial "mais forte" ) a sociedade aceita bem quem vai pro colegial médio ou o mais baixo, pelo menos é essa minha experiência com meus colegas de trabalho. Eu acho engraçadíssimo que, enquanto os brasileiros estão se esfalfando e traçando mil estratégias pro vestibular ( o da Unicamp tem mais conhecimento genérico e vc tem que ler jornal, o da USP é mais técnico e você tem que ter estudado em escola particular, se vc quer entrar no ITA tem que fazer cursinho no ETAPA ) aqui eles se arrancam os cabelos do requenguela do exame final. Todos os anos há uma revolta sobre a prova A ou B, que tiveram questões dificílimas, e milhares de estudantes ligam pro órgão encarregado pela prova ( a prova é nacional ), naquela semana do exame, a revolta dos estudantes sai sempre na primeira página. Mas depois do exame, acabou.

Meu marido estudou na melhor universidade do país pra área de engenharia de software. Ele se formou no "colegial", foi na universidade, preencheu um formulário, tava matriculado. Exitem profissões mais disputadas, mas até onde eu sei, há um bingo de vagas ( !!! ), ou seja, depende de sorte.

No país inteiro, há uma estatística que apenas 10% dos formandos demoram 2 meses pra encontrar emprego, e eles acham muito!

No ambiente de trabalho, pode até ser que em algumas empresas haja um ambiente mais ácido e competitivo, mas nas empresas que eu trabalhei o negócio era um passeio no parque, a mentalidade "9 to 5" aqui é padrão, e 4 da tarde tem fila na porta do prédio esperando dar o minuto exato pra passar o cartão magnético e congestionamento pra sair do estacionamento.

Na semana retrasada teve um caso bizarro na engenharia. O F. ía tirar 4 semanas de férias agora em agosto. O diretorzão do departamento dele cortou 2 das semanas, já que estamos todos no tal "perído do pico". Ele foi falar com o gerente dele. O gerente dele deu mais uma semana. Ele ficou puto, digo, frustrado, porque o educado é dizer que o cara ficou "frustrated", ele tira 4 semanas de férias todos os anos e justo nesse ano que está a maior pressão, teria que se contentar com 3,  aí ele ficou tão frustrado que ficou doente, e já está a 3 semanas em casa com burnout, cujo motivo é estresse por não poder ficar em casa de férias.

No meu departamento eu observo que o cara que tem burnout não é o mais overloaded, mas o menos acostumado a pressão. Tem um que está trabalhando aqui a 8 meses e tá com burnout, ele nem saiu da fase de aprendizado ainda.

A holandesada tem a resposta na ponta da língua: você tem que ter um balanço saudável entre vida profissional e pessoal. Eu concordo. Só que eu acho que eles são inflexíveis, não trabalham 20 minutos a mais, e se o fazem é esse drama.

A solução? Contratar mais estrangeiros. Aliás, eu nem precisei dizer, parece que se tocaram aqui eu os estrangeiros são mais resistentes a pressão e mais flexíveis: entrevistei uma candidata slovaka essa semana, e ela foi aprovada, só não sei se vem pro meu departamento, estamos disputando a coitada com outros 2.

Mas aí vem a holandesada dizer que a gente tá aqui pra "roubar" o emprego deles. Ué, fica esperto mermão, moleirão do jeito que tu é, é mole pra nóis.


quarta-feira, julho 6

Xexelentésimo

O que é mais que xexelento, realmente xexelentésimo? Aquele aeroporto de Guarulhos.

Quando anunciaram que o Brasil sediaria a copa eu disse que daríamos vexame, me tacaram pedras e disseram que eu torcia contra. Nada disso, eu só não quero passar vergonha…

Liberaram o dindin pro estádio do Coringão, mas pô, vai deixar o templo do xexéu, o aeroporto de Guarulhos, do jeito que tá?

A área antes do check-in é escura e minúscula, e o desembarque é num porão, qualquer feriadinho requenguela aquilo lá vira a sucursal do inferno. Ir de uma asa pra outra, só no sapatinho, porque não há esteiras rolantes. Opções de um lanchinho? Tem um Mc, umas lanchonetes superfaturadas, um Viena e uma Brunella. No Viena paguei 6 "real" numa coxinha, achei caro. Mas essa área pública ainda é melhorzinha que a interna, pelo menos tem dois salões de beleza, farmácia.

Na área depois do controle de segurança tem-se a sensação de estar num aeroporto da União Sovietica comunista circa 1975. Tem uma lanchonetesinha botequenta, aquele freexópis minúsculo com tudo abarrotado na mesma loja ( licença que eu tô acostumada com o fantástico Schiphol e amo ter lojinhas de muambas variadas? ), e inacreditável, não tem uma banquinha pra se comprar jornais e revistas. Banca de jornal é o princípio básico de uma sala de espera no aeroporto, mas no GRU, não tem!

A segurança deixa super a desejar. Apesar da proibição de líquidos em bagagem de mão para vôos internacionais, tanto eu quanto o marido passamos com uma garrafa de 500 ml de refri cada.

Na área do check-in, a odiosa mania brasileira de "passar" os atrasildos na frente de quem tá na fila há tempos.

Me perguntaram se eu vou à Copa ou às Olimpíadas. Sei não… vou é passar vergonha, isso sim.

Aeroporto pior que o GRU? Tem. O Dulles em Washington DC e o Charles de Gaulle em Paris, esse último mais detestável que o primeiro. Não estou aqui contando os "di pobre" como Hugarda e o de Varadero. Espero que quando ( e se ) a reforma do GRU sair, que façam um bom trabalho.

terça-feira, julho 5

Além de gorda, chata!


Ser gordo é difícil. O potencial para se tornar um chato é exponencialmente maior que o do magro.

Não conheço gordo que não fique um porre quando está de regime, e portanto privado das coisas que gosta. Eu me incluo nesse grupo, fico insuportável, logo, uma chatinha.

Gordo chatinho eu até encaro e aliás, me comisero. Passar fome é o ó do borogodó. O que eu não suporto é aquele gordo narrador de dieta. O gordo Galvão Bueno.

O gordo Galvão acorda contando ao mundo, via blog-facebook-twitter-orkut-msn-my space o que ele vai comer no café da manhã, o quanto ele emagreceu naquele dia, e muito constantemente brada ao mundo como é possível viver bem sem os venenos de uma fatia de bolo de cenoura, e que uma bolacha de crespinhos de arroz diet é muito mais gostoso ( tais louco? ).

Outro gordo que me irrita é o gordo-pop-up, que nem a janela, manja? Esse gordo é aquele do palpite não solicitado. Você tá lá, bem com as suas banhas, na primeira mordida no sanduba o gordo-popup exclama: menina, tá louca, maionese é uma bomba de calorias! Pra esses eu tenho uma reação: nossa, ainda bem que eu não preciso emagrecer, né? Porque ó, em banha alheia a gente não mete pitaco.

Um gordo legal é o gordo pé-na-jaca. Ele é gordo, todo mundo sabe que ele tá tentando emagrecer, mas ele vai naquela festinha e já avisa: vou meter o pé na jaca hoje. Bom, nem precisava avisar, não é da conta de ninguém, mas tem coisa mais chata do que gordo que fica dando desculpa pra jaquear? Ah, fiquei sem almoçar 2 semanas pra poder comer um pouquinho mais hoje… Ah, ouvi dizer que coxinhas nem são tão calóricas assim… Ah, esse quibe tá cheio de ferro ( eu )…

Já tô quase acabando minha tese gordística, mas tenho que falar do pior gordo, o gordo "manda pro afeganistão".

A obesidade, mais do que uma condição física, é uma condição psicológica. O gordo supre alguma ausência com a comida. O gordo se auto-medica com a comida. Cada gordo tem seu momento pra assumir que uma dieta é necessária e escolher qual o momento em que ele pode lidar com aquilo que o incomoda sem a auto-medicação da comida. Cada gordo sabe quando chegou a hora de "dietar". Por isso que você, magro ou gordo, que convive com um gordinho, não dê indiretas ou diretas, não force a barra. Alguns podem até estar tentando ajudar, mas não ajudam, muito ao contrário. Quando o gordinho vier te pedir ajuda ( vamos caminhar comigo, vamos num restaurante mais light, por favor não me ofereça chocolates ) ajude, e ajude da forma que foi pedida. Se o gordinho te convidar pra uma caminhada, vá, se divirta, mas não fique policiando o que ele come, ou dando indireta daquele remédinho batata ou daquela drenagem linfática certeira. Não pressione seu gordinho, não seja aquela pessoa que o gordinho quer "mandar pro afeganistão".

Estou aqui, na concentração do sambódromo, esperando o dia da dieta chegar. Vou ter que encarar. Vou de South Beach, já estou procurando receitas, mas me prometi que farei a fase 1 de duas semanas e mais um mês de dieta. E depois, perdendo o que for, faço só manutenção.

Ser gorda ( a aparência física ) me incomoda menos que ser gorda ( ter que emagrecer porque é melhor pra saúde ).




domingo, julho 3

Visita bebezal

Hoje aconteceu a visita bebezal na tribo da cumadre Holandesa.

Começamos com os gatinhos, porque a bebê humana, já de tenra idade, adora bater uma perna num domingo ensolarado.

Dona Holandesa precisa nomear a gataria. Participei de duas mamadas, e foi assim, esse é o espertinho, esse é o machinho preto, essa é a tigresa e a irmã de cela, ali são as três cajazeiras, e essa é a que estava fraquinha. Tudo sem nome esses piolhinhos! São fofos demais e eu estou morrendo de vontade de pegar uma menininha pra mim, mas o marido acha que 3 gatos, pra gente que viaja como nós, é demais.

Aí chegou a bebê humana. Muito fofa e simpática. O irmão, quando bebê, era tinhosinho e não gostava muito de colo alheio, mas ela veio comigo, eu dei mamadeira, só não fiz arrotar porque não tenho mais prática. Uma gracinha!

Deixei um malão pra Dr. Alice por lá. Tentando, acho que cabe até um piano meia cauda lá.

Voltando pra Eindhoven, ainda na tribo, passei por uma fazendinha que vendia cerejas. Nunca tinha visto uma cerejeira carregada, e hoje eu vi. O "bakje" de cerejas não era barato, mas elas eram enormes e dulcílimas, assim que experimentei a primeira, antes de chegar no farol ( coidegordo, eu sei ), dei meia volta e peguei mais uma caixinha.

Foi um ótimo domingo, sol, gatinhos, amiga, nenê, frutinha não engordativa e coxiiiiinha!

Biii biiii

Quando a gente muda pra Europa, todo mundo se surpreende com o sistema de transporte público. Não é que seja fenomenal não, é que o do Brasil ou é péssimo, ou não existe.

No começo do casamento, tínhamos um carrinho bonitinho, usado, motor mil, só mesmo pra nos levar e trazer. E isso ele fez, nos levou e trouxe muito, de todos os lugares. Até pra Paris encontrar meu irmã com ele eu fui.

Quando comecei a trabalhar, usar o carro era impossível: ir porta-a-porta de casa ao trabalho levava mais de 3 horas, e dirigir até a estação de trem com ele era impossível porque não havia onde estacionar. Daí surgiu a scooter ( minha querida moteeenha ). Eu dirigia até a estação, deixava a moteeenha estacionada no estacionamento de bicicletas, e na volta voltava pra casa com ela. Era tudo muito prático, mas tinha um porém, um enorme porém: o frio... dirigir uma moteeenha na chuva, temperatura abaixo de zero graus... A holandesada encara na boa, encaram a bicicleta na boa, mas pra gente, brasileiros acostumados a temperaturas mais amenas, e sempre dentro dos nossos carrinhos ( eu ía na padaria de carro ), é duro viu...

Nos últimos anos eu já estava de saco cheio, falei que queria um carro, nem que fosse um poisé, mas sempre acabava concordando que pagar taxas, impostos, seguros, fazer manutenção, tudo pra andar 2 km de manhã pro trabalho e 2 km de volta... me parecia um disperdício.

Em março o Bart comprou um carro novo. Como o nosso poisé tá velhinho, valia mais a pena pegar um desconto que dão quando você não tem carro pra trocar do que dar nosso poisé pra concessionária, então eu "herdei" o Sponge Bob, nosso Hundai Atos amarelo. Minha qualidade de vida aumentou incrivelmente. Nas manhãs de chuva, é só pegar um guardachuvinha e dar uma corridinha. Até o guarda-roupas mudou, agora não preciso de casacões de neve e sapatos super isolados. Até calças, já pra usar tecidos mais leves sem congelar. E meu humor melhorou mil porcento.

Por isso recomendo quem está chegando aqui agora, aproveite sim todo o transporte público holandês, mas tenha um carrinho de backup pros dias frios e chuvosos ou praquelas idas ao supermercado.

A boa notícia é que a concessionária onde compramos o carro novo do marido está com uma promoção num carro novo, e como ele é pequenino e leve há isenção de taxas, e por um precinho camarada conseguimos dar o Sponge Bob e encomendar um novinho em folha. É um Suzuki Splash, pequenoto, fraquinho ( motor 1.0 ), mas novinho, com ar condicionado, rádio e vidro elétrico. E cheiro de carro novo!

Claro que sendo a Holanda, nada de pegar o carro em uma semana, vai demorar 3 meses pro carro chegar, mas vai ser um pitéu!