segunda-feira, julho 26

Ordem no caos


A Holandesa ( link ao lado ) escreveu sobre o turista que foi convidado a se retirar do vagão silencioso do trem porque estava com um bebê, e embora ela tenha achado rabugentisse de quem pediu, eu tenho aqui que registrar minha humilde opinião, porque eu sou versada no assunto, depois de dois anos pegando trem todos os dias, passando mais de 3 horas por dia neles…

O intercity de Eindhoven a Schiphol, como a maioria dos intercities, é bem grande, dizem que tem 15 vagões ( nunca contei ). Desses 15 vagões, o terceiro do fim pro começo tem MEIO vagão silencioso. Metada do vagão é primeira classe, e separada por uma porta de vidro fica área silenciosa do trem. Na porta externa do trem tem uma carinha fazendo pssst com o dedo e nos vidros as palavras stilte / silence. E para ter certeza que quem tá lá dentro entendeu, nas paredes tem o sinal proibindo celular, conversa e crianças. Aquele MEIO vagãozinho foi minha salvação nesses dois anos de viagem Eindhoven-Hoofdorp.

O holandês faz de um tudo dentro do trem. Ele lê, ele estuda, ele encontra o amigo e vai batendo papo até o destino, ele joga gameboy, ele escuta seu Ipod no último, ele come, brinca com os filhos, usa ( muuuuito ) o celular… A cacofonia em um vagão cheio é impressionante. Praquele viajante ocasional, que de vez enquando usa o trem, é suportável, mas coloque-se no lugar de quem senta ali por horas TODOS OS DIAS…

Naquele vagão silencioso, eu consegui dormir uns minutinhos a mais todas as manhãs ( lembrem-se que eu acordava todos os dias 5:30 ), na volta eu conseguia ler, às vezes trabalhar mais um pouco, tinha dias que eu estava com uma dor de cabeça insuportável ( porque tinha dormido pouco ) e o silêncio era muito bem vindo, eu estudava… Agora imagine se todos os dias, por um motivo ou outro entrasse um barulhento no vagão? E é aquilo, se deixou uma pessoa com um bebê, tem que deixar a adolescente com seu celular, o infeliz com o Ipod no último ( tsss tum tsss tum ), onde passa boi passa boiada.

Mas daí eu vou mais além. Se existem regras pro bom convívio em sociedade, não é meio óbvio que desrespeitar essas regras vai fazer a vida de todo mundo um caos, uma meleca?

A primeira vez que o Bart esteve no Brasil, quase morreu atropelado. Aqui na Holanda, no minuto que você coloca seu pé na faixa de pedestres, o trânsito pára pra você passar, 100% das vezes, a holandesada nem olha. O Bart viu aquela faixazinha meio apagada em SBC e nem olhou duas vezes, vuuummm… fui eu que puxei o coitado pra calçada e perguntei se ele tava louco. Agora morando aqui, eu entendo… E em Roma foi igual. E a mania de brasileiros de parar em qualquer lugar e ligar o pisca alerta? Você ali no meio da avenida, o trânsito pára e é o infeliz pegando pizza na padaria, emergência? Pra ele é! E o estacionamento do supermercado cheio de carrinhos? Você vai estacionar e antes tem que sair do carro, "limpar" a área, pra só então estacionar. Custa levar o carrinho de volta? E bituca de cigarro? Bituca de cigarro é universal, você, fumante, porque é que você tem que jogar aquela bituca no chão e pisar, não dá pra jogar no lixo? Você sabia que há mais de 15 anos TODOS os lixos publicos são feitos de plástico que não propaga fogo ( fire retardant pra ser mais exato )? E o sujeito que leva o cachorro fazer cocô debaixo da sua janela, na frente da sua porta, no meu bairro até tiraram foto da "obra canina" e postaram no site da vizinhança. Ninguém gosta, não é? E é tudo a mesma coisa, é o desrespeito com o coletivo, tanto o cara que senta no vagão com um bebê quanto o que não limpa o cocô do cachorro.

Então, se quiserem me chamar de rabugenta, join the club. Antes rabugenta do que egoísta e "asociaal".

sexta-feira, julho 23

Tem dias...


Tem dias que seu dia sucks já as 9 da manhã.

E você tá toda picada de mosquito.

E acabou o pão.

E você veste sua última camisa limpa.

E parece que o mundo está contra, que não é possível que todas as roupas que você lavou, dobrou e guardou outro dia mesmo já estejam sujas no cesto, que o "rancho" que você fez sábado já foi consumido e a geladeira está oca, que o gato tenha feito cocô fora do banheirinho de novo, que a lavalouça já esteja cheia de novo, que o lixo tenha que ser colocado pra fora, que a grama precise ser cortada, que a moteeenha já esteja sem gasolina. Às vezes eu sinto que minha vida é um grande "Groundhog Day" ( Dia da Marmota - o filme ), cheia dessas tarefas bestas e vazias que você faz e dalí a dias repete, num tédio sem fim.

Hoje, pra afogar as mágoas eu queria ir comprar um smartphone, porque eu estou "super-precisando" ( é só paulista que tá com mania de dizer super-isso, super aquilo? ), mas é tanta opção de modelo de telefone, de operadora, de pacotes de serviço, que é inevitável eu ser passada pra trás por algum vendedor do mal ( e todo vendedor é do mal ) e hoje "ik heb er geen zin in" - não tô a fim.

Mas pra compensar, vou chafurdar no sushi, no tempura de camarão, no tepaniaki. Já consigo até sentir o crocantinho do meu sushi favorito derretendo na boca.

É por isso que eu sou gorda. Só comida salva! ( vou fundar uma nova religião )

quinta-feira, julho 22

Vale o dindin?

Puevo, perguntinha pros mais experientes.

Alguém aqui já pagou o adicional pra voar no Economy Comfort da KLM?

O preço é salgadinho: €130 por jornada ( ou seja, ida-e-volta seriam €260 a mais! ), e a única promessa são 10 cm a mais pras pernas e "dupla" inclinação do encosto, mas vamcombiná, aquela inclinação da classe econômica é uma bostona, inclinação dupla vai ser uma bostinha.

O vôo de ida será diurno, eu acho que não vale a pena o gasto, mas o de volta… é vôo noturno, que eu odeio… uma inclinaçãozinha a mais ía cair super bem, e uns cms a mais pras pernas…

Eu sempre volto de São Paulo na mesma data: 30 ou 31 de dezembro, o vôo está sempre lotado pelas tampas, então não posso nem contar com umas poltroninhas vazias mais pro fundo, mas já pensou, se eu pago a mais pra tal comfort class, que é lá na frente, e o avião tá vazio atrás e o povo de trás pega aqueles assentos do meio que dá pra ir esticadão? Eu NUNCA consigo essas barbadas!

Então puevo, cêis já voaram com essa comfort? Vale a pena? Gasto minha graninha com os 10cm a mais?

Um dia eu hei de poder viajar de business class!

quarta-feira, julho 21

The price of beauty


Começou a passar o novo ( velho ) programa da Jessica Simpson aqui na Holanda, The price of beauty. O programa tinha tudo pra ser legal, duas mulheres com um amigo gay viajando pelo mundo mostrando o que é "beleza" em cada país, mas o resultado final é ruim de chorar. O pior é que eu nem sei se a culpa é da Jessica, o programa é mal escrito, é mal dirigido, é superficial, e pra falar a verdade, ela é a parte menos ruim do show. Se bem que ela também dá uns foras…

Em um dos episódios eles vão pra Indonésia, onde ela vai entrevistar uma mulher que usou clareador para a pele ( skin bleacher ) e ao sair no sol teve queimaduras de sei lá que grau e ficou com o rosto todo queimado, medonho, e o resultado é permanente, não tem como "curar". Aí tá a Jessica lá entrevistando a mulher, que chora e a Jessica chora, e daí a moçoila tasca um: não chora não, everything will be ok. Cuma? A mulé tá lá toda desfigurada e everything will be ok como? Sensibilidade zero.

Mas a gente percebe mesmo como o programa é ruim no episódio "The price of beauty in Brazil". Jesus. Começa com a J apresentando a "embaixadora da beleza" brasileira, a famosa modelo de roupa de banho, fulana de tal, que eu nunca ouvi falar. Dá uma you-tubada e vocês vão ver. Jessica e amiguinhos vão passeando de van pela orla carioca, e J se admira: nossa, pensei que só tivesse gente sarada no Rio, mas tem gente menos sarada, olha aquele ali, de speedo e tudo. O povo é bem aberto, mesmo fora de forma eles não tão nem aí e vão pra praia numa boa. E as imagens mostram só homens gordos, de sunguinha, mas é assim mesmo né, o gordão véio com celular da moda e anel de ouro no mindinho vai achar uma menina mais humilde que vai se interessar nele, agora… as mulheres…

Aí os três amiguinhos vão pra praia encontrar a tal modelo. Jessica está com uma túnica esdrúxula, e aqui vou fazer meu primeiro parêntesis off-line:

*****
Quem assistiu o Newlyweds cansou de ver a Jessica, na época toda cocota, magrinha e sarada, de biquinis, calcinha, micro-vestido. Ela tava sempre mostrando mooooita carne.

Agora ela engordou. Ela não tá "gorrrrda", tá cheinha, mas ela tem aquele modelo de corpo "maçã" que fica estranho quando engorda, pernas finas, bunda caída e redonda do quadril ao ombro, os braços dois salamões.

Ela diz que está feliz com o próprio corpo, mas ela tá sempre se escondendo atrás de roupas estranhas! Tudo bem que usar umas roupinhas pra disfarçar um pouco cai bem, mas ela só falta usar mumu!

*****

Então, ali na praia começam a falar de cirurgia plástica, comentam que brasileiros tem orgulho de falar que fizeram cirurgia X enquanto nos EUA se esconde tanto, bla di bla, e para ilustrar como os brasileiros são chegados no bisturi, trazem uma brasileira que fez 40 e tantos procedimentos: a Angela Bismarck! Como se nós, brasileiros, não nos abismássemos com essa criatura do além, como se a gente achasse normal alguém fazer 40 e tantas cirurgias…

Aí foram pra uma favela. Mostraram uma coitada lá, dizendo que é super vaidosa, que faz manicure, pedicure todas as semanas, que faz luzes a cada 4 semanas, e que deixou de comprar um apartamento pra colocar silicone nos seios, preferindo continuar na favela. Aí a mente das americanas já vai: 40 dolares numa manicure, 50 numa pedicure, 200 dolares em highlights, putz a mulher gasta mais de 500 dolares por mês só em salão de beleza e continua morando na favela. E a tal modelo brasileira ou a tradutora não se incomodam em esclarecer que na favela provavelmente se paga uns 10 / 15 reais pra fazer mão e pé, ou não é? ( em Holambra estavam cobrando 20 reais em 2008 ).

Só tem uma coisa que eu fiquei sim meio de boca aberta, só não sei se é mesmo verdade, a tradutora disse que existe médicos que fazem descontos especiais para os moradores da favela, e deu a entender que muita gente na favela faz plástica, é mesmo verdade povo aí do Brasil? Quando eu saí daí tinha gente fazendo muito parcelamento, mas não era assim baratinho baratinho pra qualquer um poder pagar. E qualidade, são médicos bons ou açougueiro?

Pra terminar, foram os 3 pra uma escola de samba aprender a sambar, com direito a fantasia e tudo. A Ceecee ( amiga da J ) colocou uma fantasia tipo biquini, o amigo idem e J apareceu com uma roupa-esconde-banha que mas fez ela parecer o robô de lata do Mágico de Oz do que uma sambista. Tava na cara que ela colocou cinta, a fantasia suuuper fechada, e mesmo assim a filmaram bem pouco. Tá na cara que ela tá super "de bem" com o corpo dela. Tsá.

Só sei que não consegui tirar o diálogo primoroso do Newlyweds da cabeça:

Comercial de TV: Tuna, the chicken of the sea…
Jessica: Mas Nick, atum é peixe ou ave?

terça-feira, julho 20

Teoria Parmesão Teixeira

Você aí, colega leitor que é expertíssimo, me ensine seu trucão. Como é que você consegue que alguém faça alguma coisa do seu trabalho durante suas férias ou ausência do escritório em geral?

Porque no meu caso, é que nem queijo fora da geladeira, o que estava começando a cheirar quando eu fui, tá fedendo quando eu volto.

O diretorzão, vejam só - o grandãozão do departamento, mandou via e-mail o colega Ranzinza fechar um contrato de um fornecedor que temos em comum na minha ausência, e eu lhes pergunto: em que estado vocês acham que o negócio estava quando eu cheguei?

Gorgonzola? Roquefort?

Caros leitores, o Ranzinza nem abriu os arquivos do contrato!

De acordo com o google o queijo mais mal cheiroso do mundo é o Limburger, da Bélgica ( nunca ouvi falar ).

Limburger!!!!!

É só comigo que isso acontece?

Parmesão Teixeiraaaaaaaa!!!!!










O doente

Eu nem me lembro mais se já falei do doente do meu departamento. Na dúvida, vou sumarizar: é um rapaz novo, começou aqui 3 meses antes de mim, e no prazo de 18 meses ele "called in sick" 97 vezes. A história é que ele tem um problema de estômago que nenhum médico ( holandês ) consegue encontrar, estão agora achando que é intolerância a algum alimento. Nós, os colegas, achamos que é doença de fundo nervoso, porque é só o negócio apertar e ele fica doente. Ultimamente o negócio andava insustentável, porque ele ligava pra secretária na manhã da segunda dizendo que estava doente, e sumia a semana inteira, a gente ligava pra perguntar um detalhe ou outro, ou uma senha, e ele nunca atendia o celular, ou respondia SMS, ou mandava um e-mail sequer. Nem uma pessoa em coma fica tão incomunicável como ele.

Ele não finge a doença, ele fica doente mesmo, a gente percebe. O médico da empresa o examinou, viu os laudos e exames do médico do colega, e atestou que o cara tá doente mesmo. Entretanto, porque não dá pra continuar levando o departamento com essa âncora, ele foi convidado para uma conversa séria, e ali foi dito que a performance dele estava muito aquém da média do departamento, que a empresa gostaria de, amigavelmente, terminar o contrato dele. Esse amigavelmente é suposição minha, visto que foram-se quase quatro meses entre a decisão e o último dia dele. Aliás, descobri que aqui na Holanda não existe a "carência" de 6 meses depois de uma doença pra mandar o funcionário embora.

O colega concordou que ele não tem mesmo o perfil do departamento, aceitou qualquer proposta que tenham feito. Semana passada foi a entrevista demissional dele, essa semana é a despedida. Eis que nessa semana o departamento está recheado de gente do departamento médico, do departamento de higiene trabalhista, do RH, e o diretor chamou os 4 gerentes para nos explicar a situação e recomendar o que dizer pros nossos funcionários. Nosso departamento foi classificado como "ambiente hostil". Várias pessoas que saíram relataram os mesmos problemas: carga de trabalho muito pesada, pressão por resultados, muitos assuntos diferentes pra lidar ao mesmo tempo, departamento apertado e muito barulhento, entre outras coisas. E cêis tão ligados que holandês não tá lá muito acostumado a pegar pesado no batente, né?

E o colega, o que vai fazer da vida? Já arrumou outro emprego ( eu disse que a economia aqueceu bem aqui ) como "avaliador de equivalência profissional". O negócio é assim: tem essa empresa especializada a equivaler a experiência profissional a diplomas holandeses. O cara que não tem um diploma formal mas tem váááários anos de experiência numa área vai lá nessa empresa, eles fazem uns testes, avaliam os "job descriptions" dos empregos anteriores da pessoa, e emitem um grau de equivalência, tipo "MBO" ( escola técnica ) ou "HBO" ( bacharelado ). Achei bizarro ter uma empresa que faz isso no país, achei bizarro esse "laudo de equivalência" valer o mesmo que um diploma, achei bizarro alguém que um dia achou que podia ser um comprador ir passar seus dias estudando CV's e fazendo entrevistinhas.

Aliás, achei o caso todo bizarro, porque foi a primeira vez na Holanda, em 8 anos quase, que vi alguém ser demitido.

E boa sorte pro colega doente. Que a troca de emprego seja a cura pro mal que ele sofre.

segunda-feira, julho 19

Nem aqui nem acolá

Um ponto comum em todos os blogs de imigrantes é a adaptação no novo país. Aprender uma nova língua, encontrar um emprego, começar a entender os costumes locais, os primeiros anos são cheios de novas descobertas e frustrações.

Via de regra nós, os imigrantes, estamos sempre nos perguntando "será que um dia me integrarei totalmente?", e aquela diferença entre nós e os locais está sempre ali nos cutucando, lembrando a gente que você tira a pessoa de São Bernardo mas não tira São Bernardo da pessoa.

Essa semana que eu passei na Inglaterra, fazendo treinamento exclusivamente com ingleses da "sister company " me mostrou que mesmo que eu às vezes pense o contrário, eu já estou beeeem adiantada no processo de "holandeirização". Gente, que choque cultural!

Aqui na Holanda eu sou a "emocional" do departamento, sou eu que ainda fico puta quando um fornecedor tenta me passar a perna, ou fica brava quando eu peço pra um departamento executar uma tarefa e eles respondem que vai demorar 3 meses, ou que briga pelos interesses de um fornecedor. Minhas reações emocionais são 10% do que foram um dia, e no Brasil eu seria considerada um robô, mas aqui eu ainda sou "a brasileira". E vejam, não estou reclamando, porque eu melhorei o máximo que dava pra melhorar, e o restinho que ficou é respeitado pelos meus colegas e muitas vezes é até elogiado, vide a promoção que eu tive esse ano. Eu aceitei ser "a diferente" e eles aceitaram que eu sou "a diferente", e a gente faz piadinha uns dos outros e a vida segue. Sonho ainda com a total adaptação? Não. Tá bom assim. Eu não me sinto violada e pressionada a "esquecer" minha bagagem cultural, eles acham interessante trabalhar com alguém "tão" diferente.

Chegando na Inglaterra, acreditem se quiser, depois de 2 exercícios em grupo, fui descrita como "objetiva demais, desprovida de emoção, que não mistura vida pessoal com trabalho". Juro que tive um acesso de risos.

No primeiro exercício a proposta era escolher um membro dum grupo de 5 pessoas, detalhar o "getting ready for work" segundo por segundo, e reduzir o tempo que a pessoa leva para se aprontar em 30%. Escolhemos uma "moça" que tem um filho de 3 anos e mora a 30 km da empresa. O "getting ready for work" dela tinha bem poucos "desperdícios" ( waste ), talento que só quem tem filho parece ter. Cortamos o "snooze", e a solução pra chegar nos 30% era ou a menina não tomava banho ou arrumava alguém ( o marido? ) pra levar o filho pro day care. Eu propus 3 soluções: o marido leva o filho, encontra-se um daycare que busca a criança ( disseram que não existe no UK ), ou contrata-se uma aupair. TODOS do grupo disseram que não era "justo" privar a mãe do contato matinal com o filho, que não era justo indiretamente "culpar" o marido pelo tempo extra que a moça leva pra ficar pronta por causa do filho ( o marido podia dar café pro filho, preparar a "mochila" dele, mas o cara é workaholic e tem que chegar ultra cedo ao trabalho ). No fim, o grupo preferiu não propor nenhuma solução a propor as que eu sugeri.  Cheguei aqui hoje e perguntei pro mentor holandês qual era a solução pro problema no curso holandês, e ele me respondeu que quando se tratava dum empregado que leva a criança pra escola / creche, era SEMPRE uma das 3 propostas que eu apresentei.

No segundo dia do curso, o exercício era voltar ao "getting ready for work" e usar a técnica dos 5 porquês e contra-propostas.

Eu uso o snooze do despertador.

Porquê?

Porque ainda me sinto cansada.

Porquê?

Porque vou dormir muito tarde.

Porquê?

Porque depois que meu filho dorme ainda tenho muitas tarefas domésticas pra fazer.

Porquê?

Porque não temos empregada e certas tarefas meu marido não faz.

Porquê?

Não podemos pagar empregada e certas tarefas domésticas ele não executa bem ( passar roupa, cozinhar )

Contra-proposta: Vender o carro caro ( Range Rover ) e comprar um econômico para economizar seguro e combustível para pagar uma empregada ou o marido aprende a cozinhar / passar para dividir melhor as tarefas.

Novamente o grupo preferiu não terminar o exercício. Um senhor concordou com a proposta do carro. Os outros 4 membros do time ( incluindo a moça ) acham que ambas as soluções insatisfatórias, que não é "justo" vender o carro da família para gastar com a empregada que é muito supérfluo, eu contra-argumentei que um carro mais econômico a levaria ao trabalho da mesma forma e no mesmo tempo ( o marido vai de metrô ) e abriria espaço no budget da família pra pagar a empregada, e que essa empregada poderia fazer tarefas que a moça não precisaria mais fazer e poderia então dormir mais cedo e adicionar quality time com o filho na rotina diária dela. Ainda assim não concordaram, e um dos rapazes se levantou e saiu da sala dizendo que se recusa a apontar "sempre" filhos ou cônjuge como raiz de todos os problemas. Eu fiquei lá sem entender.

Em vários aspectos eu acho que eu teria aprendido mais se eu tivesse feito o curso aqui na Holanda. Aqui o povo é mesmo mais objetivo. Tenho certeza que mesmo que as propostas apresentadas não fossem a escolha pessoal deles, eles seriam objetivos o suficiente para ver que a ideia proposta resolve o problema e o exercício teria sido terminado.

Estou escrevendo esse postão aqui, que nem sei se todo mundo vai ser ou entender, mas é que saí do curso super frustrada, é um curso caríssimo, sem falar que eu tive que ficar a semana toda longe de casa e do escritório, e não sei se aproveitei 100% dele. Já falei que nunca, nunca mais reclamarei dos meus colegas holandeses. Acreditem se quiser :o)

sexta-feira, julho 16

De volta

Estou de volta à Holanda. Durante a semana contarei um pouco da semana que se passou, elaborei váááárias teorias mirabolantes enquanto eu estava na Inglaterra.

Sabem, não tenho mais saco pra viagens a trabalho. Hoje a frustração era tanta que eu chorei em frente à moça da Avis, e olha que meu carro alugado era da National. Você deixa sua família num domingo ensolarado e vai se enfiar em trem, ou dirige pra chegar no aeroporto, é aquela arrastação de mala e a bolsa do laptop, tudo pesa, tudo arranha, ninguém pra esperar um segundo com a porta do elevador aberta, são pais incompetentes que largam seus filhos com os carrinhos do aeroporto na mão como se fosse brinquedo ( estou com 2 manchas roxas abomináveis ), é perua que fura a fila de embarque, é neguinho que coloca o IPod no último volume sem ver que o infeliz do lado quer tirar uma soneca...

E você já está tão cansada de tudo, e na TPM, louca pra chegar em casa, deitar na sua cama e apagar a luz, que quando você chega na locadora pra devolver o carro e tá tudo fechado, a coitada da moça da Avis que foi gentil e tentou te ajudar é que acaba tendo que tentar acalmar aquela douda ali, chorando com uma chave chacoalhando na mão. Essa tinha classe, até lencinho me deu, e aí eu chorei ainda mais, porque nesse dia todo mundo só me ferrou então quando alguém me ajuda eu me emociono...

Bão povo, tcheu ir que meu marido e gatuchos me esperam. E eu os ignorarei solenemente pra ir pra cama e apagar. TPM é coisa do demo. Viagem a trabalho também.

sábado, julho 10

Aqui no interior do Congo...

A liquidação de verão está comendo solta. Atraída pela promoção dos calçados Esprit na V&D, lá me fui, de scooter que é fresquinho e dá pra parar quase na porta. Era exatamente meio-dia e o termômetro marcava 33 graus.

Não há uma brisa, um ventinho. Mas o pior: pelo menos aqui no interior do Congo praticamente nenhuma loja tem ar condicionado. Talvez em Amsterdam e Rotterdam seja diferente, mas em Eindhoven é raro.

Na V&D, os funcionários comentavam orgulhosos: instalaram ar-condicionado esta semana na loja! Na verdade, instalaram um cooling system, que refresca a temperatura em 5 graus, então ao invés de 33 tava 28 lá dentro. Eu, que quase não suo, saí de lá um lixo. As lojas vazias, quem vai encarar?

A Kruidvat estava o próprio inferno, quem não entra ali doente procurando remédio, sai.

Ontem fomos à um centro de jardinagem em Nuenem comprar nossa churrasqueira Weber ( não, não comprei o modelo chiquérrimo que eu queria ), e enquanto sentamos num banco pra esperar a guria pegar o produto no estoque, o termômetro da churrasqueira marcava: 42 graus! Sim, povo, dentro da loja, as 7 da noite!

E é por isso que a gente reclama, no Brasil é aquele calorão, mas há estrutura. Você vai num mercado e tem ar condicionado forte, no shopping, nas lojas, bancos... aqui... pffff...

Isso dito, achei meus pares de sapato, e saí de lá mais que depressa, estou agora lendo na cama com o ventilador na cara. Esperaremos a sombra se apossar do nosso jardim do éden pra churrasquear com a nossa Weber. Será que é tão legal quanto falam?

E pra cumadre: compramos o baldinho de acender, os carvões, o negocito de pegar fogo, o cabidinho pras espátulas... Só as espátulas que não compramos da Weber porque tinha uma promoção e ganhamos um set de 3 peças da Maistro.

sexta-feira, julho 9

O lado negro da força


Estou o perfeito Darth Vader.

Já há mais de uma semana venho dormindo apenas 6 horas por noite. Vou dormir às 11, e por causa do calor Bart fica na sala vendo TV e esperando "refrescar". Quando estou começando a embalar no sono, ele vem dormir, depois da meia noite. As escadas fazem barulho, a escova de dente elétrica, o chuveiro, perco o sono. Demoro outra hora pra embalar de novo. 6:30 o despertador apita, essa semana inteira tenho que começar às 7:30 no batente. E o cansaço vai acumulando.

Estou no último das minhas forças. Semana que vem estarei na Inglaterra a semana toda num curso, só penso que delícia será fechar meus olhos as 10 da noite e abrir as 7 da manhã. Quando eu voltar pro escritório, o demônio himself vai estar sentado na minha cadeira, mas ó, não tô nem ligando nesse momento de desespero.

Já disse que férias de novo só em dezembro? Como vou aguentar até lá não sei.

Aliás, estou planejando as férias. Eu queria fazer algo especial esse ano, estaremos fechando o tão temido sétimo ano, o tal das crises, e eu estava preparada para um ano complicado. Mas o contrário aconteceu, está sendo um ano ótimo, estamos super bem, bate na madeira três vezes. Então uma idéia seria voltar onde passamos nossa lua-de-mel ( porto de galinhas ) e dar uma passadinha pela Bahia ( morro de sp ). Abriu um all inclusive em porto de galinhas ( Enotel ) que dá pra reservar aqui na Holanda por preços justos ( €140 a diária de casal all-in ), já tenho o nome de uma pousada na segunda praia, agora é só preparar os detalhes do vôo entre Salvador e Recife e o teco-teco pra ir até Morro, pois o marido enjoa em ferries. Aliás, cês viram que a Gol lançou um site internacional? Ainda não tentei fazer as reservas, mas será que agora funciona e aquela palhaçada de ter que pedir pra mãe pagar no Brasil finalmente acaba?

quinta-feira, julho 8

Meu sais


Preconceito é universal.

Estávamos todos esperando a nova funcionária, hungara, de 46 anos, recém chegada à Holanda, para começar como compradora no departamento ( grupo da colega que casou em dezembro ). Ela deve ser inteligente e com bastante experiência, porque o Diretor Senior reprovou 6 candidatos antes dela na entrevista final. Ela chegou na terça feira, cabelos vermelhos esvoaçantes, 1,80mt, uns 100 kg. Assim que ela virou as costas, a colega recém-casada: grande ela, toch, deve ser muito inteligente pra compensar…

Hoje pela manhã, o diretor medio, chefe do meu chefe, aquele que fica nervoso e manda os outros "be quiet":

K: - Adriana, seu fornecedor devia estar aqui às 11:00, ele tá atrasado. Nem você consegue se entender com "a italianada"…

A: - Ué, porque "nem você"?
K: - A gente já te deu essa conta porque um brasileiro tá mais pra italiano do que um holandês / belga.
A: - Ahn???
K: - A nivel de organização e atenção à um compromisso, os holandeses e belgas estão aqui ( fazendo sinal lá encima com a mão ), os italianos e sul-europeus aqui ( sinal lá embaixo ), e os brasileiros tão aqui, escorregando um pouquinho pra baixo ( sinal no meio, meio-baixo ). Eu trabalhei 4 anos no Brasil e sei bem.

A: - Adriana olha sem fala…
K: - Vocês são assim porque vocês tem muita influência de italianos.
A: - Mas nós fomos colonizados por portugueses!
K: - Tá vendo, é sul-europeu.
A: - Temos muitos descendentes de italianos em São Paulo, um pouco no Sul do país, mas de São Paulo pra cima, não tem quase descendentes de italianos.

K: - Ah, lá pra cima é pior, 80% é negro!
A: - Descendente de Africanos… E eu nunca trabalhei com um africano pra saber se eles são pontuais ou não.
K: - Pfff…
A: - Interessante sua teoria, pontualidade é genética!

quarta-feira, julho 7

Pedindo a ajuda dos universitários

Eu odeio quando se cria uma certa expectativa para o lançamento de um livro e ele acaba sendo uma porcaria. Dessa vez, agradeço a Deus meu tchutchuco e-reader que me permitiu baixar o livro de graça e não disperdiçar bons 20 doletas nessa porcaria de livro. Disperdício foi só do meu tempo mesmo.

Um forum de livros scifi fez a maior propaganda de um livro "The Passage", Justin Cronin. Esperei ser lançado, baixei, mas gente, intragável. Dei 200 páginas de chance, o negócio não decolou. Me deprime, porque ao invés de esperar com ansiedade o momento de ir pra cama e ler minha horinha antes do ronco, parecia mais que eu estava indo pra uma aula de física do colegial. Um suplício.

Por isso pergunto. Puevo, estou com ganas de ler livros de aliens, alguém conhece algum boooom pra indicar? Na internet fica difícil separar bombom lindt de bombom de aliche, plis?

Aliens, plis? ET phone home?

terça-feira, julho 6

Holanda na final!

Zo.

Sweet 16

Hoje entrou em vigor, na Espanha, uma lei que permite o aborto em garotas de 16 anos sem que os pais sejam informados. A razão alegada é que muitas jovens são coagidas a seguir com a gravidez, ou sofrem violência familiar. Fico só me perguntando se uma adolescente de 16 anos tem maturidade pra tomar uma decisão dessas sem a ajuda dos pais. Parece que o aborto só será feito após avaliação psicológica, mas sei lá, ainda acho meio chocante isso.

Quem vem ao blog há tempos sabe que eu sou contra o aborto, mas gente, como eu detesto o povo que faz campanha contra o aborto. Normalmente são fanáticos religiosos, e vem com aquela chantagem emocional do "defenda quem não pode se defender".

O que eu acho interessantíssimo é como nos EUA estão investindo em discutir a adoção. No seriado 90210 ( Barrados no Baile ), a personagem Adriana engravida e coloca seu bebê para adoção. No seriado Glee idem. No seriado House é a Cuddy que procura um filho pra adotar. Eu, que acho o aborto todo errado, acho a adoção uma solução fantástica, mas infelizmente a maioria não quer passar pelos 9 meses de gravidez sabendo que vai dar o bebê para outra família e também não quer passar pelo trauma do parto e separação.

Aqui no escritório conversávamos sobre essa lei nova hoje, e quando eu falei sobre a adoção, uma das colegas exclamou: Jesus, nem pensar. Passar nove meses doente, passar pelos horrores do parto, dar seu filho pra alguém e passar a vida toda pensando em como será que ele está… Oh nee, é só ir no especialista, marcar sua consulta, o procedimento é rápido e não dói, você fica 2 horas em observação, e vai pra casa e o problema tá resolvido. Meio chocante pra mim, mas fora o lado psicológico, a mecânica do negócio infelizmente é simples mesmo.

Eu acho estranho a incoerência do negócio, aos 16 anos a menina não pode dirigir, não pode votar, não pode beber, se cometer algum crime os pais responderão por ela, mas ela pode entrar numa clínica e fazer um aborto.

E vocês, o que acham?

segunda-feira, julho 5

O copo tá sempre meio vazio...

Eu sou péssima julgadora de caráter, demoooora até eu sacar qual é a da pessoa. Minhas primeiras impressões, normalmente, são absolutamente erradas.

Gente, como é difícil trabalha com alguém cujo copo está sempre meio vazio.

Arrumei um projetinho pro funcionário difícil na Espanha, uma semaninha trabalhando até as 5 da tarde, aproveitando San Sebastián que está ensolarada até as 11 da noite, ficando num hotel maravilhoso, achei que ele fosse delirar. Mas ele não gostou, achou o projeto trabalhoso demais, acabou com a minha graça.

Eu estou indo pra Inglaterra na semana que vem, e era para eu ir à essa auditoria em duas semanas mas não quero passar assim tanto tempo longe da minha casinha, o outro rapaz do grupo até pulou da cadeira quando viu o "difícil" rejeitar, e se ofereceu mais do que rápido.

Só agora, 5 meses depois de ter sido nomeada chefe desse rapaz que eu vejo como nada está bom para ele, nem o departamento, nem o cargo, nem o salário... Fazer o que?

Ando muito sobrecarregada e já na segunda estou só o pó, mas meu copo está cheíssimo e tem outro meio copo cheio só esperando pra cair na minha mão.

Vamos entronizar: o copo está meio cheio, está meio cheio, transbordou!

domingo, julho 4

O jardim ( nem o antes, nem o depois, ainda estamos no durante! )

Quando nós compramos nossa casa nieuwbouw ( recém construída ) sabíamos que o jardim seria entregue cru de tudo, mal estava terraplenado. Somente a cerca separando o jardim da área pública estava incluído e é uma cerca de arame coberta por plantas que não pode ser substituída ( falarei sobre isso mais tarde ), e a divisão entre as casa fica por conta dos moradores.

Mudamos no inverno, nem dava pra fazer o jardim, mas assim que a primavera chegou nos arrependemos amargamente de não termos feito nada antes, o terreno estava tomado por ervas daninhas, elas atraem muitos insetos, e simplesmente fechamos a cortina da sala e esquecemos aquele pedaço de terra. Foi ultra deprimente. Esse ano corremos tomar providências antes mesmo do sol voltar à terras Holandesas.

Observamos muito os jardins dos vizinhos, o uso que fazem, quanta mão de obra dá, tudo pra decidir o que fazer com o nosso. Claro que ficaríamos felicíssimos com um jardim feito por algum "arquiteto de jardim", mas saem ultra caros, e embora tivéssemos um budget razoável, não tínhamos dinheiro pra torrar "a la vontê".

Deixe-me ilustrar nossa análise com a foto dos 4 jardins abaixo ( clicando, todas as fotos ficam maiores ).





O mais bonito, na minha opinião, é o do canto superior à esquerda. É cheio de plantinhas ( olhem as lavandas! ), tem uma boa área para a mesa, aquela parte de madeira no chão é uma caixa de areia pra crianças... Só que, observando, é o jardim menos indicado pra nós. Essas plantas todas dão muito, muito e muito trabalho. Nós vemos o casal passar um tempão adubando cada mudinha com um adubo diference, cortando folhinhas, arrancando ervas daninhas. Eles gostam e sabem o que fazer. Talvez se Bart e eu entendêssemos de jardinagem também gostássemos, mas não é o caso, e ficar brigando com as ervas daninhas só nos irrita. Outro ponto é que queríamos que o jardim inteiro, que não é muito grande ( 10 X 10 ), fosse "andável" e nesse aí, não se pode andar, ou colocar uma cadeira entre as plantas. Mas... gostamos do piso e guardamos essa informação na cachola.

O do canto superior direito, diretamente acima do nosso, é o jardim dos médicos ( ela natureba que queria cerca de matinho e ele o barulhento dos DVD's super altos ). Eles aproveitaram que o terreno foi entregue mais ou menos terraplenado e plantaram eles mesmos os graszoden ( tapetes de grama ). É a solução mais rápida e barata. O porém é que é mooooita grama pra podar, eles mesmos não dão conta com um cortador normal elétrico, é sempre o pai de um deles que vem no fim de semana cortar pra eles. E quando as ervas daninhas atacam fica horrível, e o único remédio é agaixadinho arrancar raizinha por raizinha. Outra desvantagem é que em gramado você não pode deixar móveis, tem que colocar e tirar, senão a grama debaixo dos pés da mesa por exemplo, morre. Mas, o que gostamos do jardim deles são as plantas em vasões modernos, arvorezinhas, rododendros. E guardamos isso na cachola.

O jardim que mais gostamos no entando é o do vizinho do lado. É um mixto de todas as qualidades dos anteriores. Eles fizeram um terraço com piso em metade do terreno, é uma pena que não dá pra ver na foto. Ali eles tem uma mesona grande e colocaram uma capotinha pra proteger do sol. Na outra metade do jardim, colocaram grama, onde a Zoe ( a cachorra ) brinca de dar gosto. As duas filhas adolescentes do primeiro casamento dele sempre tomam sol em duas lounges na grama. Eles nos deram a dica de não colocar a grama até a cerca porque fica muito difícil de aparar, e por isso nós também gostamos da solução deles que é deixar 40 cm e arrematar com uns buxos pra dar um acabamento legal. Esse ano eles modificaram os cantos, estão fazendo mini-jardins ali, e está ficando bem legal.

E foi inspirados no jardim desses vizinhos que fizemos o nosso. Temos um terraço de 4 X 10 em pedras sabão de 1 X 1, e como nossa garagem é mais baixa que o resto da casa fizemos um pequeno desnível e ficou bem legal. Nosso gramado, que anda sofrendo como todos os demais nesse calorão, pega os 6 X 10 restantes com a bordinha de buxus, que ainda são mudinhas e tem que crescer pra encher. Colocamos dois pontos de eletricidade para postinhos de luz e eventual fontezinha ( ou water element ). O que vamos fazer nas próximas semanas é escolher os tais postezinhos e instalar e comprar umas plantas em vasos como a vizinha natureba. Ano que vem pensaremos num tetinho ou capotinha pro terraço.



Olha, é uma coisa do outro mundo ter um jardim para colocar sua cadeira e tomar uma cidra de tarde, ou mesmo só pra ficar olhando pelas portas de vidro da sala. Valeu cada um dos tostões empregados.

Aproveitando as fotos, mais alguns comentários.

Tá vendo as janelas cobertas do vizinho do canto superior à esquerda? Essas são as tais rolluiken ( sem tradução ). Parecem aquelas portas de bar, mas é uma das poucas coisas que seguram o calorão, já que como vocês podem ver, as casas só tem vidro, não tem persianas. Aqui dizem que você tem que "segurar" o sol antes dele entrar na sua casa, e é verdade, como o isolamento térmico dessas casas, se o sol entra pelas janelas, esquenta as paredes interiores e leva hooooras para elas esfriarem. É uma sauna. O colocador de rolluiken vem na segunda medir pra poder colocar as nossas, estamos contando os minutos. Dizem que segura também o frio, mas isso eu tô pagando pra ver.

Olhando de novo na foto, tão vendo a árvorezinha na rua? O tema do nosso bairro é "vizinhança dos anos 30" e a prefeitura está fazendo um trabalho meticuloso de caracterização, e o principal é ter muito verde. Eu amo, e comprei briga com a vizinha que encaminhou uma petição pedindo pra converter esses espaços em mais estacionamento ( que ódio só de lembrar ). Graças a Deus, não só ignoraram o pedido absurdo, como estão plantando mais árvores por todos os lados. Ah, e as árvores centenárias que já estavam aqui não podem ser cortada. Ao lado da minha casa passa uma ciclovia, que por enquanto as pessoas estão usando também para caminhar, já que estão gramando ainda a área. Na parte onde as árvores antigas estão é super refrescante andar, vai ficar muito legal quando as árvores novas crescerem. Olhem na foto abaixo o povo passeando, e o Plato só de olho.



E na foto abaixo, uma vista das nossas casas pontudas, não parecem aquelas casinhas que a gente desenhava no primário?



O momento mais feliz do ano: ver o jardineiro começando a colocar ordem no caos.



E era assim ó ( que desespero de lembrar ):

sábado, julho 3

Divulgando

Povo, me pediram para divulgar um blog de advogados brasileiros na Holanda e eu acho que para os profissionais dessa área, recém chegados ou não, é bem interessante. O link é esse:

Advogados Brasileiros na Holanda

32 graus!

Hoje fez um calor infernal, não adiantava abrir porta, ligar ventilador, era um mormaço só. Depois que o jogo acabou, foi aguentar o vizinho que arrumou uma vuvuzela, e ele tocou essa maldição até agora de noitinha.

Anoiteceu e não esfriou, está um inferno. Não consigo dormir. Ligamos ventilador, deu uma refrescada, mas parece que a cama queima. E o marido ronca.

Insônia maldita. A previsão do tempo diz que chove amanhã, mas sem esfriar. Tá demais, as casas aqui não tem estrutura pra aguentar. Se continuar assim, amanhã pego sessão dupla no cinema. Prince of Persia e Toy Story. No geladinho do Pathe.

sexta-feira, julho 2

Cartilha Caminho Suave: Interpretação de Texto


Não me incomoda gente que pensa diferente de mim. O que me incomoda é gente que matou as aulas de interpretação de texto na escola e vem escrever besteira sobre meus posts.

A blogueira dona desse (http://minha-essencia.blogspot.com/) blog , escreve sobre a minha "infeliz frase" sobre o nadador famoso casando com a dançarina de pagode. Pois eu pergunto, e tá o post alí embaixo como "material de consulta", onde foi que eu desmereci, fiz pouco, ou tive preconceito contra a dançarina de pagode?

Achei o casal bizarro porque como é que um nadador famoso pelos muitos títulos ( que deve passar a maior parte do dia treinando e competindo, convivendo em círculos muito diferentes do da dançarina de pagode ) cruza o caminho de uma dançarina de pagode? E a resposta vem na mesma matéria que fala do casamento: no programa A fazenda da rede Record, fato que eu não sabia porque não tenho como assistir a Rede Record por aqui, que é aliás como eu começo o post, dizendo que não assisto Record, o que teria deixado claro minha linha de raciocínio, não fosse a blogueira leitora ter matado as tais aulas de interpretação de texto.

E daí evoluiu pra Adriana a preconceituosa. Eu? O preconceito tá é na cabeça de quem enchergou uma crítica à dançarina de pagode no que eu escrevi. O preconceito está em, sem me conhecer, nunca ter visto minha fuça ou falado comigo, assumir que eu menosprezo quem dança pagode. Macaco senta do rabo e ri do rabo dos outros.

E já que eu tô gastando dedo, cê jura que você escreveu mesmo que "o amor não escolhe profissão, bladibla, não escolhe nada?". Juuuura que você pensa mesmo assim? Na minha casa, quando eu aparecia com namorado novo, minha mãe logo perguntava: o rapaz trabalha ou estuda, fuma, bebe? Vai ver que na sua tava tudo bem namorar com um bebum preguiçoso, porque afinal amor não escolhe nada, mas eu aprendi bem ao contrário viu. É por ter gente que pensa como você, e ensina os filhos como você, que 55% dos casamentos brasileiros acabam em divórcio. Amar, viver junto, casar, é difícil pacas, conviver é difícil pacas, dividir o mesmo teto, decidir onde gastar o dinheiro, quando ( e se ) ter filhos, pô decidir a cor do piso laminado é difícil, dá pra embarcar numa nessa "sem escolher nada"?

Me "polpe" até eu virar suco, viu. Ter paixonite, foguinho no rabo, dar umas ficadas, sem "escolher nada" até vá lá. Lavou tá novo. Mas, amar… meo tem que escolher muito. E vai ensinando sua filha ( ou filho também ) a escolher MOITO. O fulano trabalha/estuda, não tem vícios ( como a vovó sempre pergunta ), tem os mesmos objetivos de vida que eu tenho, temos coisas do dia-a-dia em comum ( filmes, música, hobbies, preferência por viagens ) porque casal que não faz coisas junto se distancia, o relacionamento vai pro buraco. E nivel sócio-cultural? Meo, passar uma noite fenomenal com um torneiro mecânico pode ser o máximo, mas o que é que você tem pra conversar ano após ano com um torneiro mecânico? Putz, tem tanto que escolher!

Bom, falei o que eu tinha pra falar, agora vou lá almoçar e começar a esquentar os motores pra torcida pro jogo hoje.

quinta-feira, julho 1

Hoje eu voltei aos meus 15 anos...

Hoje eu vesti minha carapuça teen e fui assistir ao Eclipse, uma sessão mais tarde que a Holandesa ( tive que trabalhar que nem camela antes ).

Engraçado como eu e ela tivemos opiniões super diferentes do filme, vão lá ler o post dela que está bem explicadinho.

O que eu achei. Bom, o filme é 60% Bella e os outros 40% divididos entre o "resto". Nos filmes anteriores a Kristen Stewart parecia uma aluna de mobral, gaga, sempre olhando pra baixo, totalmente sem expressão. Nesse filme ela está muito melhor dirigida, então flui melhor. Quem estava melhor no NewMoon era o Taylor L. ( o Jacob ), nesse filme ele está meio sem expressão, meio sem entonação, sei lá, o personagem dele no livro está atormentado porque dali a semanas a "amada" dele vai ser transformada num vampiro, e o ator não me passou esse desespero. Aliás não me passou nada.

Aliás, tcheu falar uma coisa aqui, o personagem é native-american, mas eu acho o Taylor, como bem disse a Katylene, o típico pedreiro cearense, manja o corpão sarado e a cara de poucos estudos? Não faz meu gênero.

E o Rob Pattinson nem precisava falar, era só ficar ali no cantinho da tela que tava bom, mas ele fez lá o papel dele, nem melhor e nem pior.

A impressão que eu tive é que o diretor atual deu mais atenção à fotografia. Cenas lindas, iluminação meio Hollywood pré-guerra, os efeitos sonoros ( ou ausência de ) perfeitos. Os diretores anteriores tentaram fazer vampiros que não parecessem vampiros, o que é uma idiotisse, aqueles atores lindos com olheiras do Bento Carneiro, mas esse acertou a mão, estão todos ultra pálidos como tem que ser, mas lindos de morrer, como os livros descrevem. Até a peruca da Bella ( a atriz tosou o cabelo pra fazer outro filme ) não fez feio.

Eu li o livro na semana passada para me preparar para o filme, e não devia tê-lo feito, já que consegui "captar" inúmeras discrepâncias com o livro. Engraçado é que muitos dos diálogos foram quase que copiados na íntegra, mas muita coisa foi simplificada ou omitida. Faltou a "slumber party" em que a Bella foge pra ir ver o Jacob, não mostraram que o Jacob e o Edward fizeram um trato para pegar e levar a bela, a histório dos ancestrais do Jacob foram ultra reduzidas ( isso eu achei péssimo, a história é bem legal ), a Alice fez chantagem emocional pra Bella deixar ela fazer o casamento, ah tem muita coisa que ficou de fora. Mas não daria mesmo pra colocar tudo tim-tim por tim-tim.

O que me dá certo alívio ao pensar que o enorme quarto livro será dividido em 2 filmes. Tudo pra gerar mais dinheiro pro estúdio, claro, mas os fãs agradecem.

All in all, filme bom, vale os 8,30, mesmo que você não for fã da série.