terça-feira, agosto 31

A Tiazinha usava salto-agulha


S. é holandesa de origem turca. Ela é jovem, recém formada, trabalha na empresa há 2 anos. Eu já falei dela aqui, ela é a colega "toda-barbie". Eu a acho bem bonita, talvez no Brasil ela chamasse menos a atenção, mas aqui na Holanda, entre as loiras magras ( ou não ) peitudas mas razoavelmente desbundadas, que andam parecendo um cabo de guarda-chuva, ela certamente faz algumas cabeças virarem quando passa. Ela não é alta, tem cabelos pretos e olhos azuis, o rosto não lá lindo mas não desagrada, ela tem cinturinha de pilão e quadril bem brasileiro, ela tem toda uma aura sexy, quer pelas roupas bem justas ou pelo jeito dela mesmo.

Eu trabalhei com ela no ano passado num projeto especial e a achei bem inteligente, articulada, com aquela postura de quem corre atrás, pensei: bonita e inteligente.

Acontece que minha percepção não parece ser a da maioria. Eles, na maioria homens, não conseguem passar da imagem, já a classificaram como "bimbo" e é assim que ela é tratada. Só é envolvida em projetos menores, o povo é sempre crítico com os comentários dela, e já os ouvi fazendo piadinhas várias vezes. Não, não é como no Brasil, a "machesa" é uns 10% do que seria lá, mas incomoda.

Depois de uma conversa do grupo que girou em torno da "imagem" da tal garota, deixa eu comentar algumas das minhas conclusões.

As pessoas vão te julgar pela sua imagem. A não ser que você trabalhe na redação de uma revista de moda, sua melhor chance de se dar bem é se vestir de forma neutra. Pode até ser que sua personalidade seja esfusiante e "toda-linda", mas se você quiser ter uma vida menos miserável dentro duma empresa, você tem que "tone-down", suavisar sua imagem. Você acha seus Jimmy Choo's lindos de morrer, ótimo, use-os fora do expediente, porque até aqui na Holanda, onde a homarada é menos macho-man que num país latino, eles dão ao salto fino, salto stilleto, uma conotação sexual ( 100% dos meus colegas atestaram essa idéia ), e quem usa, é "bimbo". Há dois anos, quando essa garota começou, fomos à uma feira de caminhões na Alemanha ( IAA ) e ela foi com um desses saltos, eu não conseguia entender como é que ela não estava morrendo depois de 1 hora, e os colegas só comentavam que tipo de bimbo desmiolada ía numa feira de construtores e fornecedores de peças de caminhão com um salto daqueles. A imagem dela foi feita ali.

Em fevereiro, quando eu fui promovida, eu perguntei a ela se ela tinha interesse em mudar para o meu grupo, e a menina desabafou comigo. Me pediu conselhos, como mudar essa imagem de "bimbo". Eu disse pra ela que eu a achava muito bonita, mas que ela podia suavizar um pouco, que os saltos podiam continuar altos, mas um pouquinho menos ( eu entendo que ela é baixinha e se sente mais "poderosa" com o saltão ) e sem ter salto fino - stiletto ( até eu já a imaginava de lingerie e chicotinho e eu não tenho tendências homossexuais ), mais quadradão; as roupas podiam ser um pouco menos justas, porque ela tem um corpo bonito, ela ía continuar com um corpo bonito com uma saia um numero maior ( até de mumu ela teria o corpo bonito ). No começo ela disse que esse era o "estilo" dela, e veio com aquela conversa de que não vai mudar por causa dos outros, mas aí é que está o pulo do gato, não é mudar, é suavisar, é se adaptar ao ambiente. E ó, me parece meio burrice você saber que está sendo mal interpretada por causa de uma besteira como sapatos e roupas, saber que o mundo é como é e você não vai mudar a cabeça das pessoas, e mesmo assim continuar insistindo nos Luis XV.

Essa semana ela veio me agradecer, todos notaram que desde fevereiro ela deu essa mudada. Sinceramente, hoje ela parece uma jovem e atraente profissional, não uma bimbo. Os saltos dela continuam bem altinhos, mas são mil vezes mais apropriados pro escritório e sinceramente, ela tem ótimo gosto e soube escolher sapatos que satisfaçam a necessidade dela e ainda pareçam mais profissionais. As roupas também "descolaram" um pouco do corpo, tem dias que ela está tão bem no modelito jovem-executiva que até me deprime, até a maquiagem deu uma suavisada.

Sabe, eu acho assim, aqui na Europa dentro das empresas é melhor que no Brasil, mas ainda tem um pouco de machismo sim, já nas ruas, você pode usar pijama de bolinha, ou um modelito das Frenéticas, peruca da Elke Maravilha, a maquiagem da Isabelita dos Patins, os sapatos da lady Gaga e ninguém vai te olhar torto, então, vamos deixar o visual mais ousado pra fora da empresa, né não?



segunda-feira, agosto 30

Notícia que estragou meu dia... Minha semana... Meu mês... Meu ano!!!

Percebi que eu odiava estudar na quarta série. Jurei que nunca ía repetir de ano, que ía fazer uma faculdade como obrigavam meus pais, e que no dia que eu pegasse meu diploma nunca mais colocaria meu pés numa sala de aula. E assim fiz. Mais ou menos, aliás. Tive que estudar espanhol, um ano de italiano ( não tive saco de terminar ) e o holandês. Mas estou resistindo voltar à sala de aula por 16 anos. Sabem, eu me distraio, minha mente vôa, fica o professor lá na frente e minha mente longe, longe. Eu fico com a consciência pesada por não ter ouvido uma palavra do professor, com medo de tomar pau no exame, é um calvário e eu não mereço porque não taquei pedra na cruz.

Sexta passada meu diretor me informa que eu terei que fazer o NEVI 3, que é um tipo de mestrado na área de compras, complicadésimo, que existe só na Holanda. Juro que me deu vontade de chorar. C.h.o.r.a.r.

São apenas 9 meses pra completar o curso. São 36 "meios-dias", 6 por semana. Ah, o detalhe é que é lá na pontequepartiu de Rotterdam na tal Erasmus ( dá um Close nela ). Depois dessas masterclasses ( até o nome já me assusta ) há um exame, a estatística diz que 87% passa, não deve ser o trufodomufurufo.

Aí tem uma viagem ao "exterior" para visitar empresas, eles não dizem onde, e as far as I know, pode ser China ou pode ser na Bélgica, é tudo "exterior". Aí tem um trabalho em grupo para ser entregue. A estatística diz que 72% passam nesse trabalho.

E por último, claro, tem o maledeto "Essay", que é o seu projeto para o master degree e nesse, 57% passam.

Você pode repetir cada módulo 3 vezes, caso não passe de primeira.

Agora vejam o drama: só 24 pessoas por ano são selecionadas pro tal curso, então eu fico pensando na vergonha que será se eu me candidatar e não entrar.

Aí eu tenho que fazer as aulas, lá nos cafundós, sem tirar dias de férias - no meio do meu trabalho caótico, e tenho que estudar em casa, e tenho que preparar trabalhos, e tenho que lavar, passar, cozinhar.

Não, não tô podendo.

E se depois de 3 tentativas eu não passar, tenho que devolver o dinheiro à empresa, e sabem quanto custa o curso? 15.000 euros!!!! É um carro!!!!!

Ó, não dá, não rola, não pode.

Estragou meu século!

domingo, agosto 29

Os sequilhos

Fiz os sequilhos da Ana Maria Braga.

A receita não deu certo por essas bandas de cá. Não sei se a margarina aqui tem menor conteúdo de água que no Brasil, ou se meus ovos orgânicos eram muito pequenos pra receita, mas a massã não deu ponto.

Aí começa a operação consertar a massa. Coloquei 2 ovos a mais e 4 colheres de leite. Deu ponto. Eu fiz os sequilhos, assei e ficou bom, mas não ficou assim uma coisa de outro planeta. Ficou igualzinho os sequilhos da Panco, por isso quem mora no Brasil não tem lá muita razão pra se meter a fazer os biscoitinhos.

Deu um trabalhão. A massa tem que ser ultra-sovada, e depois moldada, e tem que assar com cuidado, muito muito trabalho.

Mas estou aqui, saboreando meus sequilhos com chá, que é como eu gosto.

Mas agora... estou com vontade de pão de queijo!

sexta-feira, agosto 27

Pedindo a ajuda do caro leitor


Eu já havia escrito antes sobre os preços dos resorts brasileiros, que reservados aqui na Europa saem em muitos casos a metade do preço do que reservando no Brasil.

Hotéis que são mais baratos por aqui: Iberostar Bahia e Praia do Forte, RIU Enotel ( Porto de Galinhas ), o novo Grand Palladium Embassaí ( Embassaí, perto da Praia do Forte ), os Vilas Galés ( tem vários, eu pesquisei o Cabo de Santo Agostinho e o Guarajuba ). Tem também alguns Breezes, alguns MED's, mas esses eu não sei se são mais baratos, eu os achei caros, mas agora tem até resort em Buzios, e eu não conheço Buzios ainda.

Mas então, a ajuda.

Eu vou fazer minhas reservas via holidaycheck.de ou neckermann.de, e percebi ali que qualquer um com cartão de crédito e um endereço dum amigo ou parente qualquer na Europa pode fazer a mesma reserva, morando ainda no Brasil. Uma semana no Iberostar Bahia pro meu irmão e os sobrinhos sairia pela CVC mais de 10 mil reais, o irmão rico ao lado, o Iberostar Praia do Forte, sai €1518 ( mas tem que adicionar as passagens de SP ). Bart e eu estaremos pagando €880 por casal em uma semaninha se escolhermos o Bahia, mas dessa vez quero conhecer o Praia do Forte, vou pagar um tantinho a mais. Precinho bão prum resort all-inclusive, né não?

Mas e a ajuda, Adriana? Bom, eu pensei que seria legal dividir a dica com o Ricardo Freire, se ele quiser ele pode dar a dica no site dele, mas… quem diz que eu consigo achar no site do Viaje na Viagem o e-mail do homem? Ele fala tanto dos muitos e-mails recebidos pro dia, mas cumé que esse povo acho o endereço e eu não?

Povo, alguém tem "vistas" melhores que as minhas pra achar o e-mail dele, ou sei lá se aparece nas colunas do jornal dele…

Plís?


quinta-feira, agosto 26

Xô Satanás


Hoje eu tô que só penso em comida. Xô Satanás!

- Sequilhos e rosquinhas de leite ( peguei uma receita maravilhosa no Mais Você )

Xô Satanás

- Macarrão a carbonara com bastante toucinho

Xô Satanás

- Bolo de nozes da minha mãe

Xô Satanás

- Pamonhas de Piiiiiracicaba ( a doce )

Xô Satanás

- Bolo com cobertura de brigadeiro e recheio de beijinho, daqueles feitos com 4 latas de leite condensado

Xô Satanás

- Torta de frango de pão Pullman e maionese

Xô Satanás

- Bife à Cubana do São Francisco Demarchi em SBC ( com arroz à grega e bananas à milanesa )

Xô Satanás

- A polenta fritinha do mesmo São Francisco Demarchi ( hmmmm babando muito )

Xô Satanás

- Quindim bem amarelinho com leve gostinho de baunilha da Coop em SBC

Xô Satanás

- Coxinhas de catupiry das Brasileiras

Xô Satanás

- Queijadinhas caseiras, ou da Biquinha

Xô Satanás

- Caldo Verde com couve-manteiga carregadinho no bacon

Xô Satanás

- O macarrão com frutos de mar e peixes de Vernazza

Xô Satanás

- A sopa no pão do Fran's Café ( pagaria 100 euros numa agorinha )

Xô Satanás

- Pipoca com manteiga do Cinemark ( no Brasil, fresquinha e cheirosa, aqui empacotada e requentada )

Xô Satanás

- Pãozinho de queijo com recheio de requeijão com azeitonas da Casa do pão de queijo

Xô Satanás

- O sorvete Baccio Freddo da Margherita em SP

Xô Satanás

- Provolone à milanesa ( diliça com cerveja, ainda existe??? )

Xô Satanás

- O feijão da minha cunhada, com pedacinhos-micro de pimentão verde no caldo

Xô Satanás

- Lasanha do Lazzarella

Xô Satanás

- Batida do Coiote's em Moema

Xô Satanás

- Feijoada do Zelão ( o pior é que vou chegar num domingo, eles só fazem no sábado!!! )

Xô Satanás

- Sagu de groselha

Xô Satanás

- Pastel de feira de palmito ( gente, em SP agora tem até concurso do pastel de feira! )

Xô Satanás

- Cachorro quente prensado na chapa com tudo dentro ( inclusive purê de batatas )

Xô Satanás

- Frango da padoca ( Cido!! )

Xô Satanás

- Pão francês fresquinho com manteiga paulista recém comprada

Xô Satanás

- Xis salada do Ponto Chic

Xô Satanás

- Pizza de calabreza moída com catupiry e borda de catupiry

Xô Xô Xô e muito Xô pra você seu Satanás bem malvado!

Bolo de Chocolate bem legal


Eu entrei na faculdade com 17 anos. Ninguém deveria entrar na faculdade aos 17 anos. Aliás, não antes dos 20, eu acho. Como pode um jovem de 17 anos decidir "o que ele vai ser quando crescer"? Eu tive a ajuda dos psicólogos e orientadores vocacionais do colégio onde eu estudava, mas o resultado de qualquer teste era algo assim: engenharia de alimentos, comércio exterior, marketing. Ou seja, o cara podia escrever lá no relatório: vai fazê qualquer coisa aê meo, que ía dar no mesmo.

Escolhi comércio exterior. Conforme o curso ía chegando ao fim, lá pelo terceiro ou quarto ano, começou a bater o pânico, tenho que arrumar um emprego, tenho que me sustentar pro resto da vida, ai meu deus - não tem mais desculpa, eu tenho que sair de debaixo das asas dos meus pais. Não, eu não ía deixar de morar com os meus pais, eu não ía ser jogada na rua com uma malinha de roupas, mas meus pais sempre foram bem claros, comigo e com o meu irmão, que a obrigação financeira deles conosco acabava com a faculdade.

Um dos maiores traumas da minha mãe sempre foi a falta de dinheiro, a miséria, a comida contadinha na panela. Ela veio de uma família pobre e numerosa, ela nunca falou do frango e tubaína dividido entre 2 adultos e 6 crianças nos domingos com nostalgia, era com muito ressentimento mesmo. E isso incutiu-se na minha mente desde criança. Ainda estagiária na GM eu só pensava em como é que eu ía garantir que nunca me faltasse emprego a vida toda, que eu poderia me aposentar sem ser aqueles velhinhos paupérrimos que não tem dinheiro pro remédio da pressão.

Foi assim que começou a se formar na minha cabeça a idéia de mudar pra outro país. Meu interesse principal era ou ganhar um salarião pra poder fazer um bom pé de meia ( lembrem-se eram os anos 90 e todo brasileiro tinha a ilusão que em qualquer outro país, especialmente os EUA, chegava-se garçom e saía-se dono do Starbucks ) ou um país onde a aposentadoria fosse decente o suficiente pra eu não passar fome de dentaduras.

Dei então entrada no processo de cidadania italiana, pensando em imigrar pra Inglaterra, e comecei o processo de requerer visto de trabalho pro Canadá, a exemplo de vários funcionários da GM. Já estava de viagem marcada para o Canadá quando vim pra Holanda / Alemanha visitar um fornecedor e conhecer o Bart.

Desde então, apesar da eterna reclamação, sempre me encontro em situações onde eu me pego pensando: "quando eu ía imaginar que isso iria acontecer na minha vida"? Parei no meio do vilarejo em Wales que eu tinha que cruza pra ir da fábrica ao hotel para admirar a lua, só vinha esse pensamento à mente. Um happy hour em Amsterdam, andando de camelo no Egito, indo trabalhar de bicicleta e terninho - passando pela frente do imponente estádio do PSV, a lista é grande queridos leitores…

A minha recente promoção foi um choque. Choque porque nem eu, que não sou nada "simplezinha" e sou ultra exigente, pensei que fosse chegar lá aqui na Holanda, com todos os "contras".

Sei que ainda terei vários momentos de "wow" com essa vida louca de expatriada que eu escolhi pra mim. Estou esperando os loucos momentos de braços abertos. Juro que vou pensar mil vezes antes de reclamar novamente, porque minha vida é mesmo muito especial. Vejam, não estou aqui encorajando ninguém a fazer as malas e imigrar, porque eu tive o apoio do meu marido, psicológico e financeiro, pra não dizer legal - porque imigrar ilegalmente deveria ser a última opção na lista de qualquer um, quase enlouqueci, quase o levei a loucura, gastei praticamente todas as minhas reservas financeiras de 10 anos numa multinacional brasileira até encontrar um emprego aqui, mas, agora que minha vida está mais ou menos "encaminhada", ela é cheia de gratas surpresas sim senhor.

Ontem um momento wow-engraçado, que eu nunca pensei que fosse presenciar na vida. Estávamos tomando o cafézinho da tarde na empresa, e um dos colegas contava que o pai dele, que é padeiro, fazia space cakes ( bolo com maconha ) para um café em Maastricht, que o dono vinha à padaria com as "doses" de maconha, que tinha que ser rigorosamente controlado ( 3 gr. Por um bolo de 2 kg ), propriamente misturado com manteiga derretida pra suavisar o efeito, e que tinha que ter sempre uma janelona aberta senão o povo ficava "alterado" enquanto os bolos assavam. Um dos outros colegas pediu a receita pra esposa tentar fazer ( e eu de boca aberta ), o rapaz prometeu a receita e disse que ele deveria ir comprar a maconha no café trilili-trololó da rua popopó, porque lá eles vendem uma erva mais fresca que é boa pro bolo. E eu comecei a rir, e expliquei que uma conversa dessa no Brasil seria feita bem baixinha, ultra secreta, e o negócio todo de comprar a erva toda muito escondida, e que naquele momento, eu havia escutado uma das conversas mais bizarras da minha vida.

Meus colegas riram muito, e eu acabei rindo também, porque aqui qualquer um pode ir lá no café, comprar 3 gr de maconha, derreter na manteiga e fazer bolo de chocolate pra te levar pro espaço. E isso é bem bizarro, cêis hão de concordar.

Ah, tão curiosos pra saber se eu vou fazer o bolo? Ha ha ha, isso eu não conto, mas a receita pelo menos eu já tenho...

quarta-feira, agosto 25

Nem a pau Juvenal


Na semana passada a Companhia americana dona da empresa onde eu trabalho anunciou que abrirá uma fábrica no Brasil. Perdi a conta de quantas pessoas vieram me perguntar se eu vou voltar pro Brasil. E a eles, e a quem mais possa interessar, digo: NEM A PAU JUVENAL.

E digo isso porque na semana passada eu recebi mais uma notícia que reforça minha tese de que aquele país é terra de bandidos e bandoleiros, e que o pobre cidadão comum vale o mesmo que um montinho de cocô de cachorro.

Meu irmão foi vítima da falência da Encol. Ele tinha comprado um apartamento na planta a vista, então imagina o desespero dele ao ver na TV a falência da empresa. Por algum milagre do divino, ele conseguiu, com muito, muito trabalho, receber parte do dinheiro de volta, 15 anos depois!!!

Em 2000 eu comprei meu apartamento também na planta, e com a experiência do meu irmão, me certifiquei de que a obra tinha seguro, e esse tinha com a Nossa Caixa ( antiga Caixa Estadual ), o mesmo banco que financiava o apartamento.

Tudo ía de vento em pôpa, meu apartamento era na primeira torre de quatro, e o prédio já estava praticamente pronto. Eis que a Caixa libera o último pagamento do meu prédio pra construtora que suborna o engenheiro fiscal da Caixa e fogem deixando a obra parada. Um promotor contata os proprietários pra dizer que o seguro seria acionado só se a gente contratasse um advogado.

Contratamos, o seguro foi acionado, e na mesma semana recebemos duas notícias: a papelada do seguro estava irregular DENTRO da Caixa, ía demorar pra regularizar ( demorou 2 anos ), e ao mesmo tempo tínhamos que começar a pagar as prestações porque oficialmente o último pagamento pra construtora foi feito, pela mesma Caixa. Pânico geral, muita gente chorando e se descabelando, como pagar o apartamento onde não se pode morar e ainda pagar-se aluguel, em caso de desistência quem deu FGTS iria perder ou receber de volta só depois de milhares de anos… Bom, long story short, metade desistiu dos apartamentos.

A metade que ficou entrou com um processo contra a Caixa, pedindo danos morais e sei lá que mais, eu me recusei a entrar no "bolo", e com a ajuda de uma prima advogada comecei a pagar as prestações em juízo. Pelos 2 anos que levou-se para julgar a causa eu fui aterrorizada pelos outros proprietários, recebi mil e-mails dizendo que eu estava atrapalhando a "unanimidade" da ação. Tenho até um e-mail que dizia que se eu não entrasse na ação, os moradores não íam esquecer e pra sempre minha vida no prédio seria um inferno. E olhe gente, esse povo não era gente desinformada, ou gente mais simplezinha, pelos e-mails no cc você via que o povo trabalhava em outras montadoras, em empresas de auditoria, em bancos.

Essa turminha perdeu a ação, a Caixa contratou outra construtora, com todas as dívidas com o banco e mais as custas legais, esse grupinho também abandonou seus apartamentos e a construtora teve que colocar mais da metade à venda de novo.

O apartamento ficou pronto com 5 anos de atraso, várias coisas fora de especificação, portas e janelas bem ralés, as paredes com um estuque bem ralé, mas pelo menos o apartamento foi entregue e aos poucos vai-se arrumando.

Semana passada fiquei sabendo que o seguro da Caixa não cobria o INSS que a antiga contrutora ficou devendo, então o governo federal simplesmente lançou o débito como dívida do condomínio e agora o prédio tem uma dívida de 600 mil reais pra pagar. Vejam que demorou 8 anos, da falência até agora, pros moradores serem informados desse "porém". E, por engano da prefeitura, o IPTU nunca foi cobrado e tem outros sei lá quantos mil por apartamento pra se pagar. Tudo com juros de anos e anos e anos, sendo que os moradores nunca foram notificados, logo não tem culpa do atraso do pagamento. Mas ninguém quer saber, quem SEMPRE pode menos no Brasil é o pobre do cidadão, e reclama-se pra quem?

Eu sei que é só um exemplo, mas mostra que tem muita gente desonesta e que não adianta você tentar se proteger, contratar seguros, ler contratos gigantescos com letrinhas miúdas, a corda vai SEMPRE quebrar pro seu lado, e não haverá com quem reclamar, não haverá lei pra te proteger, mesmo que houver uma lei do seu lado vai demorar décadas ( como a Encol ) e sua única certeza vai ser a continha do advogado pra pagar todos os meses. Bandalheira pura.

E o pior, enquanto tudo isso acontecia, quem ouvia a história sempre dizia: "ah, mas comprar imóvel na planta aqui no Brasil é loteria mesmo, é sempre assim, não dá pra contar com o imóvel, se ficar pronto é sorte!". Não é só a desonestidade de certa gente que me choca, é o conformismo de outros!



terça-feira, agosto 24

Missão impossível 4 - Essa nem Tom Cruise resolve


Você já tentou explicar o Malufão pra um colega estrangeiro?

Eu estava hoje gargalhando com a matéria do Estadão sobre a impugnação da candidatura do Malufão pelo "ficha limpa". Ha ha ha, Malufão, ficha limpa???? Aí o colega me perguntou o porque da risada e quem era o tiozinho da foto. Vai tentar explicar!

Explicar o conceito de Prefeito Biônico.

Explicar o contexto de "Rouba mas faz".

Explicar o "maluf é competente, compete, compete e nunca ganha!"

Explicar o Pita ( se ele não for um bom prefeito, nunca mais vote em mim, como é que um político pode dizer isso? )

Explicar o frangogate ( putz, frangogate é o termo mais engraçado que eu já li )

O que seria Missão Impossível: explicar o Malufão ou se livrar dele? Entendi que a sentença ainda não é final e que a candidatura dele ainda é válida. Uó nosso país, viu.

E antes de ir comer meu gebak ( re-báqui - torta holandesa servida em aniversários ), tenho que deixar anotado aqui que conheço duas pessoas que vão votar em Marina, as duas baianas. E porque é que Dilma deu o cano no debate da TV católica, hein? Bom, eu acho um motivo a mais pra votar nela, mas… sabe cumé né, os candidatos pelo jeito tripudiaram...

segunda-feira, agosto 23

O tico tico cá, o tico tico lá, o tico tico tico tico no fubá...


Quem mora no exterior frequentemente se sente meio extra-terrestre, não 100% integrado no seu novo país e já totalmente desadaptado do seu país natal. Eu sou uma dessas, mas nunca pensei que eu fosse me sentir tão alienígena, tão diferente dos meus conterrâneos numa das coisas que eu sempre adorei, mesmo quando ainda vivia na terrinha: viajar.

Sou brasileira, sempre serei, mas já não mais entendo a cabeça do turista brasileiro. Ando lendo muito o site Viaje na Viagem, onde o forte são também as dicas dos comentaristas, e juro, não me idientifico com nada, nada, nada. O pior, além de não me identificar, certas coisas eu realmente não entendo.

Compras. Que loucura é essa do brasileiro em comprar, comprar, comprar? O Riq tá lá falando de Punta Cana e metade dos comentários é perguntando se tem shopping center ou o que tem lá pra comprar. Descrevendo viagens pra NY, falam 1800 caracteres sobre as compras e 180 sobre todo o resto. Meu irmão mesmo, quando esteve em Luxemburgo e Paris em 2007, até aqui ele conseguiu encontrar uma "barganha imperdível" em um monitor de PC e uma câmera de video. E quem vê um brasileiro em duty free pensa que no Brasil não se produz perfume, e que a gente deve ser mesmo um povo muito cheiroso.

Modinhas. No Brasil, destino de viagem é também modinha. Quando eu era adolescente era Porto Seguro, nós paulistas acabamos com Porto Seguro. Daí veio Cancun. Em 1996 quando fui pela primeira vez, oficialmente Cancun recebeu mais brasileiros que americanos. Em épocas de real desvalorizado foi Natal, Porto de Galinhas e Fortaleza. Os mais descolados íam pra Jericoacoara e Praia do Pipa ( o que tornou esses destinos tão Praia Grande quanto Porto Seguro, porque todo mauricinho e patricinha acabava indo parar num desses lugares ). Agora Punta Cana é a nova Cancun, tem até vôo da Gol. Sério, um lugar onde você não pode colocar o pé pra fora do hotel com risco de ser assaltado, usurpado, esfalfado, sem falar que fora do hotel é tudo feio de doer, como pode o brasileiro ir pra Punta Cana ao invés de Praia do Forte ou Porto de Galinhas? Só pra encher a boca e dizer que conheceu o Caribe?

Buenos Aires. Sério pípol, Buenos Aires? Pô pípol, Buenos Aires???? Fazer o que em Buenos Aires? Uma cidadezinha simpatiquinha, que me lembra Itu ( tudo bem que passei 1/2 dia lá, de passagem ), cujo tão famoso bife de chorizo se come em váááários restaurantes de SP, e cheia de gente esnobe que se acha moooito superior aos brasileiros? Um povo que diz que eles são melhores porque são mais europeus? Meo, vamos comprar Alfajor no Pão de Açúcar, casaco de couro na Julian Marcuir, azeitonas no mercado municipal, e vamos dar um "eu passo" em Buenos Aires. Metade do site do Ricardo Freire ía ficar vazio, mas aí ele enche com destinos mais legais.

All-inclusive. Eles não são baratos, por isso quem pretente ficar fazendo mil passeios de dia inteiro o melhor é escolher um meia-pensão, mas a brasileirada exagera, quando vão pro all-inclusive não admitem sair do hotel por nada desse mundo! No Iberostar vi um tiozinho reclamando que pra fazer o snorkel na Papa-gente ele e os filhos íam ter que andar 40 minutos pela praia e que íam chegar lá com sede, que íam ter que comprar água ou refrigerantes fora do hotel, e que não é pra isso que se vai a um all-in. Pro brasileiro ir à um resort já tem uma conotação excepcional, pra um resort all-in então, é o suprasumo do luxo, enquanto pra gringaiada, é legalzinho mas é mais normal. Os brasileiros vão pro jantar caindo de chique, a gringaiada, até de shorts e tênis eu já vi ir. Bart tem o uniforme de a la carte de all-in ( tem que usar calças e cobrir os dedos do pé ): calça de linho, camisa de linho e Crocs. Sim, meu povo, Crocs.

 
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História Engraçada: a brasileirada me ouve falando inglês com o marido, vê minhas roupas Miss Etam, combinado com essa minha tez morena, acham que eu sou gringa. Nesses all-in, o dress code dos restaurantes a la carte normalmente é mais bonitinho ( pros homens a tal calça e sapato fechado, que o Bart quer morrer ) mas pro buffet até shorts pros homens é permitido. Eu estava no buffet com uma capri jeans, uma batinha e rasteira, e uma mulher toda "produzida" falou pro marido: não entendo esses gringos, viajam pra tão longe, vem prum hotem tão caro e vem com essa roupa "chinfrim" pro jantar ( ela usou a palavra chinfrim mesmo ). Ah, eu não aguentei, "minha senhora, o ambiente aqui é informal, até shorts é permitido, não há necessidade de se equilibrar nos saltos altos ( ela tinha um Luiz XV ), e esse hotel nem é caro, quem compra na Europa paga metade do preço". Ela ficou azul, coitada, mas não abriu a boca, perua deslumbrada.

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Fôlego. A viagem do turista brasileiro exige muito fôlego. É um tal de "13 capitais européias em 30 dias", "NY no feriado de 7 de setembro - 4 dias", "Disney e Universal em 9 dias (7 noites)". Imagine que nesse pacote de Orlando a operadora reserva 3 horas para compras em um outlet, e mais nada, nem o Florida Mall, queridinho da brasileirada está incluso. O de NY é de chorar: chega de avião 7 da manhã, vai pra Woodbury ( é um sábado e vai estar entupido e vc vai ter acabado de sair do avião ), vai as 4 da tarde pro hotel, 2 dias inteiros em NY, na terça você tem que deixar o hotel 12:00, vai pro aeroporto às 16, chega em Cumbica às 7 da quarta, à tempo de ir pro trabalho! O das capitais européias, você fica em Paris ( PARIIIIIIIS ) 1 dia e meio. É só mesmo pra falar que foi!

Passeios. Ah, os "passeios". Vejam bem, eu amo os "passeios", manja aqueles que o receptivo da agência te oferece assim que você chega? Então, eu sempre vou nuns "par deles". Eles nos pegam no hotel, levam pro barco/jeep/quadriciclo, você faz seu passeio, eles te trazem de volta. No Brasil tem ainda o passeio com bugueiro, que eu particularmente adoro. Não é barato, mas é simples, é fácil, você vai onde te levam. A gente sempre equilibra com uns dias de carro alugado pra conhecer "as redondezas" e uns dias pra curtir o hotel/praia, mas os brasileiros TEM que se ocupar com esses passeios todos os dias. Eles podem até procurar quem faça o passeio mais barato, mas a maioria tem medo de alugar um carro e certos lugares visitar "por conta própria". Não sei também se tem a ver com a qualidade dos guias turísticos ( livros ), aqui fora tem tantos que você com seu carrinho e um mapinha faz a festa, mas nem todos são traduzidos e publicados no Brasil.

E ó, é mútuo, a brasileirada também não entende muito o jeito de eu viajar. Não entendem eu querer "curtir o hotel" ( pra curtir o hotel eu fico em casa - hotel é só mesmo pra dormir ), acham que é frescura alugar carro, que ficar 12 dias em Orlando é exagero, que duas semanas num resort é demais… enfim… acho que eu agringalhei geral nas minhas viagens.

Cada um tem seu jeito de viajar, contanto que se viaje, né? O mundo é grande e belo pra gente ficar preso na toca. Mas ó, Buenos Aires não rola, viu. É forçar um pouco demais a vontade de conhecer o mundo.

domingo, agosto 22

Vá pra pontequepartiu

O marido está desesperado por uma semana num all-inclusive na praia em Outubro. Tem que ser NA PRAIA, na areia, manja? E tem que estar calor, e tem que ser a no máximo 3 ou 4 horas de Eindhoven, não pode ser Turquia, nem Egito, e tem que ser bom.

Esse hotel não existe e eu estou de saco cheio de procurar.

Que saudade da Praia Grande!

quarta-feira, agosto 18

Barangos, não mais temei, Deus inventou o photoshop!

Talvez eu esteja sendo bestinha, mas quem souber explique-me uma coisa: porque é que o povo entra em Orkut, Facebook, Twitter, tudo ao mesmo tempo e bloqueia perfil, fotos, até scrapbooks?

Eu acho meio contraditório a pessoa querer "estar na net" mas não querer ser vista. Mas o que eu não entendo é: qual é o medo? Medo de alguém roubar sua foto e colocar num site de encontros na net? Medo de alguém imprimir sua foto e colocar na boca do sapo?

A única explicação é que a pessoa tá feia, mas tão feia, que não quer que os amigos de adolescência a veja embarangada total. Não há outra explicação.

Eu acho que tem jeito sim de ser discreto e não se expor na internet, sem ficar nessa neurose de tranca isso tranca aquilo. As pessoas acham que sabem muito de mim ou que eu me exponho muito, mas a verdade é que no blog eu só falo o que não me importo em falar, no Orkut só ponho as fotos onde estou passável, o Facebook continua até hoje um mistério pra mim, e no twitter sigo poucos e poucos me seguem.

Outro dia encontrei uma menina que eu e meu irmão conhecíamos na adolescência no Orkut. Mandei um add as friend, a menina me deixou scrap: "Você é a Adriana assim e assado?", eu fui responder mas o scrapbook dela tava trancado. Ela continuou me mandando scraps, mensagens, me pedindo pra responder, mas como, se ela tranca o scrapbook?

No blog mesmo várias pessoas me deixam comentário pedindo pra eu responder via e-mail, mas você clica no perfil pra pegar o e-mail da pessoa e tá trancado. Pô, além de feio, desconfiado, é também burro?

Eu sei que de achar morreu o bode, mas eu acho que quem quer privacidade tem conta nos flickr's da vida e manda a senha dos álbuns pros amigos e familiares, ou tem blog só pra convidados, existem mil formas de se manter contato com um grupo mantendo sua privacidade, usar comunidades, foruns, sites que foram criados pro povo se achar, participar da vida um do outro, discutir, trocar idéias e informações pra ficar postando foteeenhas é meio antisse. Aí fica aquele sistema lento e cheio de bugs, que funcionaria muito bem se a turma dos barangos enrustidos simplesmente fosse procurar outras vizinhanças pra trocar receita de bolo de chocolate com nozes secretíssima, e postar as fotos das férias em Porto Seguro rezando pro José Eduardo, aquele namorado que te deu o pé na bunda não ver que cê tá 30 quilos mais pesada.

Você que enruste, o que te motiva? Você que não enruste, os enrustidos te incomodam?

PS.: Por falar em baranguisse, vi fotos do ex-Menudo Ray, meu preferido, e gente, o cara tá um monstro. Eu nunca mais vou reclamar com Deus que é fogo envelhecer, eu tô linda!


terça-feira, agosto 17

Acho...

Que ele era mesmo um gênio, porque quem mais conseguiria transformar essa lástima aqui:



nessa maravilha aqui:

Procura-se pais como antigamente


Voltando ao post da criança voando em primeira classe. Eu não sei bem se eu entendi a analogia da Eliecy, mas se eu compreendi bem e ela comparou a intolerância nazista à intolerância com crianças mal-educadas, eu me senti bem incomodada.

Lendo nas entrelinhas da reportagem linkada no post, e lendo os comentários dos leitores, entende-se logo que nós, que ( ainda ) não temos filhos, não estamos de saco cheio das crianças em si, porque não somos loucos ou idiotas, e sabemos que crianças são crianças, nós estamos é com os pacovás na lua desses pais que não são pais! O que mais tem hoje em dia são casais que tem filhos mas não são pais.

Alguém aqui, leitores ou blogueira, reclamou daquela criança que cai e chora? Ou daquela que dá aqueles pontapézinhos na sua poltrona no avião e só para quando o pai lhe chama a atenção? Ou daquele bebê que por qualquer motivo dá aquela chorada e tem que ser consolado? Não, ninguém reclama dessas coisas corriquerias da vida, porque sabemos sim que crianças serão crianças, e principalmente quando vamos ficar confinados num avião por tantas horas, já saímos de casa preparados pra uma certa dose extra de "coisas de criança".

O que não estamos preparados é pra esses pais que cada vez menos querem educar seus filhos. Quando eu fazia peraltices, bastava um olhar do meu pai e eu virava estátua. Nessa última viagem ao Chipre, eu pedi pros pais darem um fone de ouvido ou pedir pra criança tirar o som do Nintendo que ela jogava atrás de mim e lá estava o olhar durão do meu pai, mas da criança pros pais! E os pais calaram, com medo da criança, se limitaram a, acuados, dizer: Anneke, rustig ( quieta, Aninha ). A comissária de bordo teve que intervir.

E os pais que permitem que os filhos "pilotem" os carrinhos do aeroporto? Haja canelas! E os pais que deixam as crianças correndo soltas pelo avião? Vimos um pequeno pegar um copo de vinho de outro passageiro, e quando o passageiro pegou o copo de volta, a criança abriu o berreiro, e pensam que os pais vieram acudir? Imagina, eles estavam saboreando o vinhozinho deles 10 fileiras à frente e falavam mole: volte aqui fulano, venha comer seu frango! Novamente, foi a comissária a pegar a criança e levar pros pais. Juro, se sou eu, deixo a criança mandar o vinho pra goela, o filho não é meu! E o bebê chora sem os pais acudirem, e a menina fala alto sem os pais chamarem a atenção, e o garoto escuta música altíssima no Ipod sem os pais falarem para ele abaixar o volume…

Ninguém aqui tá reclamando dos 12 minutos que o bebê chora porque tá com cólica, e aquele coitado daquele pai bota de barriguinha pra baixo, faz massagem, e nada parece aliviar a agonia do filho. A gente reclama dos infelizes que deixam a criança chorar no bercinho negligenciado 12 horas seguidas.

Então a mensagem é essa, criança serão crianças, mas a gente espera que os pais ainda sejam pais.

E quando surgem idéias extremas como confinar todas as crianças numa parte do avião, é porque o desrespeito desses pais também já está chegando ao extremo, então o equilibrio das coisas está todo equivocado.

Algumas companhias aéreas estão estudando, à exemplo dos hotéis "no kids", vôos para maiores de 16 anos apenas e eu acho que vai ter bastante procura por esses vôos, o Nirvana aéreo.

Agora me respondam, pedir que pais eduquem seus filhos, ensinem a se comportar em sociedade, é pedir demais?

segunda-feira, agosto 16

O Brasil e as malditas sacolinhas de plástico


Eu estava felizinha que o Brasil estava, finalmente, tentando fazer alguma coisa pra acabar com esse absurdo que é a distribuição das malditas e odiosas sacolinhas plásticas, mas vejam a reportagem do Estadão:

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,rio-vai-multar-comercio-que-nao-cumpre-proibicao-a-sacolas-plasticas,593036,0.htm?S

Li os comentários espumando de ódio.

Eu me pergunto, esse povo que resiste tanto é por ignorância, comodismo, burrice, ou uma combinação de tudo isso?

E digo isso porque minha mãe é usuária número um dessas malditas sacolinhas, e não importa o quanto eu fale pra ela parar, chego no apartamento dela e lá está, um odioso "trabalho artesanal" que é um pato de feltro com uma sacola em forma de tubo com uma abertura embaixo, aí você vai colocando os sacos por cima no tal tubo, meio que dobradinhos, e vai puxando por baixo. Minha mãe tem TONELADAS de sacolinhas nesse maldito pato. Ela diz que pra quem mora sozinho e em apartamento, é o tamanho ideal para recolher o lixo do dia e jogar na lixeira do prédio. É também que a indústria toda se adaptou a esses malditos sacos, até a lixeira  já se vende do tamanho certinho pra acomodar o bendito do saco.

Tem gente que vem com essa argumentação barata de que gasta-se mais pra produzir o saco de papel ou os sacos plásticos mais robustos. Eu me pergunto, será que esse povo nunca foi à uma praia do nordeste brasileiro, onde a paisagem é inteirinha tomada por esses sacos? Em Natal, fiquei pasma, é tanto saco nas praias, preso nos arbustos, nas cercas, nos fios… o bugueiro disse que havia um lixão próximo e os sacos eram muito leves e voavam. E é isso mesmo. E além de poluir, acabam enganchando em pássaros, em outros animais… Um horror!

Na Praia do Forte, todos os hotéis exibem no sistema interno de video um apelo para os turistas não usarem as tais sacolas, pois as tartarugas marinhas que adoram comer águas vivas confundem a sacola plástica com as águas vivas e acabam morrendo asfixiadas. E tudo isso porque a dona de casa do caramba se recusa a levar suas sacolas pro mercado.

Minhã mãe diz que o povo fica olhando pra quem leva sacola reutilizável no mercado, que é coisa de Hippie, mas será? Por essas bandas daqui é tão moda que até a LV lançou sua groceries bag! Aqui é o contrário, até tem umas sacolinhas dessas disponíveis no caixa, mas pouca gente usa, e é só pra quem tem um itenzinho ou outro, se a dona de casa for pegar dezenas como se faz no Brasil, aí que todo mundo faz cara feia! E na Bélgica eles cobram 5 centavos por cada saquinho. Certíssimo.

E fica a brasileirada, e até o governo de SP, questionando se a medida é efetiva ou não, como assim? Porque é que a medida é efetiva na Europa e não o seria no Brasil? Devem é estar levando bola do produtor de saquinhos, que isso sim é uma máfia.

Sacos robustos de plástico pra se jogar o lixo são caros? Só porque aí no Brasil o povo é ladrão, aqui por menos de 1 euro compra-se um rolo de 20 sacos de 60 litros, e quantos sacos uma família usa por mês? Saí entramos no mérito, no Brasil usa-se tantos sacos porque produz-se tanto lixo, porque não se recicla nada.

E aí povo, é preguiça de reciclar, ou não se tem os meios?

É mão de vaquisse desmedida agarrar-se  nos saquinhos do mercado ao invés de comprar sacos grossos de lixo, ou é falta de informação?

É ignorância achar que os saquinhos do Carrefour são dados de graça quando na verdade são parte dos custos operacionais do mercado e estão incluidos no preço, ou é "sei mas não tô nem aí"?

Tentem me explicar povo, porque eu não entendo!


domingo, agosto 15

Domingo de Bate Papo: crianças na primeira classe?

Li a matéria da CNN ( clique aqui para ler ) e gostaria de saber, o que você acha?

Porque eu, Adriana, ficaria muito puta se eu pagasse um upgrade tão caro e viajasse com uma criança me incomodando, mas... também não acho justo que os pais não possam pagar um assento a mais pra criança, e até onde eu saiba, para menores de 2 anos as empresas NUNCA reservam ou vendem assentos. E se eu PRECISASSE viajar com um bebê, e pudesse pagar pelo menos uma business pra ter um pouco mais de conforto, eu o faria.

E você, dê sua opinião!

Domingos são tão parados pelas bandas bloguísticas, então vamo bater um papinho.

sexta-feira, agosto 13

Já vou avisando, vou mudar 10 vezes de assunto nesse post!

Um amigo indiano do marido vai ao Brasil e veio em casa pedir dicas. Como já haviamos jantado na casa dele, nós o convidamos para um churrasco. Ele nos trouxe uma cachaça Sagatiba, que é muito boa, e que eu usei para preparar uma enorme caipirada de 1/2 litro de pinga, que ele bebeu praticamente só e me pediu pra repetir. Nunca vi ninguém beber como aquele indiano, e sinceramente, acho meio abuso esperar que sua anfitriã vá ficar a noite toda preparando drinks elaborados pra você.

O roteiro dele no Brasil é uma coisa de louco. Ele vai uma semana à trabalho e vai emendar 3 semanas de viagem, onde ele espera ver "o Brasil de verdade", e aí é que a Adriana se irritou. Ele vai ao RJ e não gostou quando eu disse que ele TEM que ir ao Cristo, ao Pão-de-Açucar. Ele acha que é passeio turístico demais, agora eu pergunto: você paulista, mineiro ou catarinense, que vai pela primeira vez ao RJ, você não vai ao Cristo e ao Pão-de-Açúcar?

E à cada destino que ele mencionava ele queria que eu falasse duma coisa absolutamente extraordiária e exótica pra ele ver, fazer ou comer. Quando eu trouxe à mesa do churrasco um pote de farofa e expliquei como passar a carne em tirinhas na farofa, o indiano dava pulinhos de alegria na cadeira: "see Adriana, these are the things I want to experience in Brazil".

Detesto isso, gringo nos tratar como se fôssemos macacos de circo ou saguis numa jaula a serem observados e admirados pela sua "exoticidade" ( tenho certeza que essa palavra não existe ). Ao fim da visita, já meio irritada e com uma caipirinha de Sagatiba na cabeça, falei pro cara, educadamente, claro: ó, quer ver uma coisa bem bem bem típica? Alugue um carro e vá para a 23 de maio em SP, às 17:00 hrs, de preferência num dia de chuva, nada mais paulista que isso, se tiver os meninos vendendo biju e mentex no farol, melhor ainda.

E nesse dia que o indiano veio, eu decidi que a sobremesa do churrasco, que até com picanha contou, seria creme de papaya com cassis. Mas quem mora aqui já viu o problemão: onde achar o papaya? Essa frutinha sem vergonha, que aí no Brasil a gente deixa estragar na fruteira, aqui é aute-cuisine. Não achei nosso papayazinho, mas achei um mamão médio, meio esverdolento, e paguei, sentem-se por favor, € 7,50 no mamão ( no Makro ). E juro, o cara já tava tão manguaçado que eu podia ter feito um creme de batata com cassis que ele nem teria percebido. Mas então.

E foi essa a primeira loucura que eu fiz pra achar aquela comidinha brasileira, ou quase brasileira, que no Brasil eu nem dava muita bola, e que aqui é manjar dos deuses? Imagina, nesses 7 anos acumulo várias histórias. E ó, você que mora no exterior, grude-se nos amigos mais experientes de expatriação, eles serão sua salvação.

A primeira providência é achar um TOKO amigo. O Toko é a casa de produtos asiáticos, que tem em toda cidade. Eindhoven tem um enorme na Kruisstraat, que é onde, seguindo dica da comadre Holandesa, achei mandioca já pelada e congelada, que aqui se chama Cassava. Você acha a Cassava "in natura" no AH, parafinada, mas essa limpinha e pronta pra cozinhar é uma enorme mão na roda! No Toko também você vai achar o Palm Olie, que é nosso Dendê, pra fazer aquela Moqueca, e essa dica peguei da Márcia do site BnH. E cansada de comer pão de queijo de saquinho, que é vendido aliás no finalmentebrasil.nl ou no caboverdiano de Rotterdam, usei a dica da outra Márcia ( de Rotterdam-Berlin-SP ) e comprei tapioca meel, nosso polvilho, que uso pra fazer pãezinhos de queijo fresquinhos e sem milhões de conservantes e salitres.

Andando uma vez numa casa de produtos naturais, dou gritinhos de alegria: feijão preto, bom e de preço honesto. E bem pertinho do natureba de Eindhoven achei o segundo salvador da pátria: o turcão. Lá achei requeijão praticamente brasileiro ( o Vache que rit quebra um galho mas é enjoativo ), um queijo que parece bem queijo branco, creme-de-leite da Nestlé. Lá tem um negócio chamado Burgur que parece trigo para quibe. Eu sinto a diferença e não gosto ( parece que o quibe tem nozes ), mas tem gente que jura que é a mesma coisa, então vale a pena testar seu paladar ( o burgur é cozido antes do grão ser quebrado, o trigo para quibe é quebrado cru ).

No Makro, além da carne brasileira, com etiqueta em português pra você saber qual é o corte e BEM mais barata que a carne holandesa, eu também compro carambola, e embora no AH já tenha maracujá ( keniano, que é doce e tem a casca cor de beringela ), no Makro tem o ano todo e não só no verão. Sem falar no mamão de milhonário.

Antes de eu começar a trabalhar eu me abalei até Amsterdam num mercadinho português pra comprar calabresa e paio, e de quebra ainda achei farinha láctea, que eu adorava comer com leite gelado. Aliás, lingüiças em geral permanecem um problema, porque eu me recuso a ir a Amsterdam comprá-las e nenhum site envia porque precisa de refrigeração ( dã ), e paulista sabe que feijão carioquinha com uma linguicinha é im-pa-gá-vel.

E guaraná antarctica? Lambei garrafonas de 1,5 lt de Amsterdam até em casa! Já ouvi gente dizer que trouxe zilhões de latinhas na mala do Brasil, e embora a pessoa não diga nada, provavelmente metade estourou, então nem é pra se reclamar muito das garrafas de Antarctica portugas trazidas de Amsterdam. Tem também no tal caboverdiano.

E hoje olhei pra um pacotinho de Fubá que vencerá no mês que vem e pensei, bolo de fubá com pedacinhos de goiabada, mas cadê a goiabada? Pra fazer um bolozinho, terei que entrar na net, encomendar, esperar, receber, e vai me sair uns 5 euros a brincadeira, por uma lata de goiabada que vinha na cesta básica da empregada.

O leite condensado graças a Deus tem a marca holandesa, que é ótima, e cozinhando na pressão ( eu trouxe uma Clockinha do Brasil mas aqui tem umas enormes, lindas, mas que eu nunca usei ) a gente consegue nosso querido doce de leite, que em cima do queijo do turcão, fica diliça ( do morango também ).

O que eu acho interessantíssimo é que metade dessas coisas eu praticamente nunca comia, ou comia se tivesse ali na mesa, quase pulando pra dentro da minha boca, mas agora, eu rodo quilômetros, carrego coisa no trem, pago carga no correio, pago os tubos aliás, pra fazer uma iguaria brasileira qualquer e comer suspirando, como eu nunca suspirei pela mesma iguaria preparada mil vezes melhor do que a que eu faço aqui ( meu bolo de fubá é meio ressequido, eu não tenho a mão da minha mãe! ).

Enquanto isso, quem tá lá no Brasil pergunta: Adriana, e o favo holandês, é mesmo tão delicioso na Holanda? ( ele é Belga! ). Adriana, e a torta holandesa original, é boa? ( ninguém aqui nunca viu nossa torta holandesa, e aquele biscoito com camada de chocolate nem existe ).

Post de gordo baleia saco de areia. Mas é melhor do que falar da alegria de ter achado uma pomada pra frieira nas prateleiras da Kruidvat sem receita ( Canesten ), né?

quinta-feira, agosto 12

A Marina


Eu, Adriana, enquanto eleitora, sou totalmente povão. Eu sou o perfeito exemplo do eleitor que se impressiona com imagem, que tem preconceito contra o partido, que gosta ou odeia pelo jeito do candidato falar, a única coisa que nem todo o povão faz é ler as propostas do programa de governo de cada candidato e dar uma googada pra ver o que o cara aprontou no passado. Mas então, Adriana é povão.

E se Marina quer ganhar o voto do povão, ela tem que contratar uma acessoria de campanha mais decente e o mais importante, ela tem que ser flexível e aceitar as mudanças.

Primeiro, o visual. Ela é crente? Qual a razão daquele cabelo num coque de tia véia? Olha pra Michele Obama, olha pra Condi, com aquela cara de professora de Geografia brava ela não está ajudando "a causa". E please, na TV não se usa branco, vamos deixar o terninho branco pra campanha de rua.

Paciência, diplomacia. Até com um chatonildo como o Bonner há que se usar dum certo tato, o eleitor assistindo o JN nacional tava ali nervoso só vendo a hora que os dois íam sair no tapa: cala a boca Bonner, responde aí o que eu perguntei e não escorrega, Marina. Uma vergonha. Eu não sei se ela se saiu melhor no debate, preciso pesquisar, mas o JN foi tenso.

Foco, foco e foco. Eu ainda não sei se ela simplesmente se empolga e perde o foco, ou se, o que é mais provável, ela simplesmente se alonga em assuntos nos quais ela se sente mais confortável na esperança de evitar os mais polêmicos. Independente da tática, ela deu ao Bonner a chance de insinuar que ela estava fugindo da pergunta. Não pegou bem.

Usar melhor o tempo na TV. Ela tinha 12 minutos, era pra ficar tagarelando? Não, era pra ser objetiva. Em certos momentos ela foi prolixa como o Maluf.

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Nessa altura do campeonato, não ter uma aliançazinha sequer e querer fazer colar a idéia de que ela não tem o rabo preso com ninguém é ser inocente demais. Os outros partidos governariam COM ela ou CONTRA ela? Não se sabe né? Gosto do que o PT está fazendo, no fim, já que os Collors e Sarneys dessa vida tem mesmo poder político, melhor sambar no meu batuque do que ir cantar RAP no quintal de outro e falando contra mim.

PV. Pô, é PV meo. Cabeira fumando um back de alpargatas. Se eu perguntar pra Janilda o que é meio ambiente ela vai dizer que é marca de ar-condicionado ou remédio pra pressão alta. E tem muitas Janildas no Brasil. Metado do país não sabe o que é meio ambiente, da metade que sabe, metade tá pouco se lixando. É Brasil, meu povo, neguinho quer ouvir que vai ter mais ônibus na rua, ou que o metrô vai chegar na Freguesia do Ó, não que o partido vai exigir que os ônibus tenham suas emissões de CO2 controladas por órgão federal. Achei legalzinha a forma como ela tenta aproximar o tema ambientalista da população, ao falar de enchente, deslizamento e afins, mas "tipo", o eleitor tá pensando "se eu conseguir escola pro meu filho ser alfabetizado antes dos 16 anos, se eu conseguir sobreviver ao SUS, se eu achar um emprego e conseguir chegar nele à 8 de busão, aí eu vou pensar na poluição do rio Tietê ou nos afluentes do Amazonas".

E pra terminar. Bonner dá a ela 30 segundos, MEIO MINUTO pra fechar o programa, e ela começa: primeiramente quero agradecer a Deus… Pô, Marina, quando você estava na quarta série, aos 20 anos, não te ensinaram que o Estado é laico? Você pode ser crente, católica, umbandista no que me toca, e não vejo problema entre dizer que se é uma dessas coisas, mas você estará governando cristãos, mulçumanos, budistas, judeus e ateus/agnósticos, então agradeça a Deus no recôndido do seu lar, ou na igreja, ou onde for, fechar o JN agradecendo a Deus é demagogia barata.

E como diria uma tia minha, apesar de tudo, ela não é má pessoa… Mas presidenta do Brasil, sei não...


quarta-feira, agosto 11

Praia, caatinga, montanha... mas Serra não!

Saí do Brasil em 2003, já no governo Lula. Volto ao Brasil a cada 2 anos, e a cada volta me surpreendo mais com o que vejo.

Claro que ainda ouço muitas reclamações vindas da minha família. Acho que a classe média está achatada, acho que ainda falta muita escola, muito hospital, muito emprego, mas a cada retorno vejo o que talvez muitos brasileiros não percebam.

Minha família tem um lado muito, muito humilde. Minha mãe SEMPRE falou que meus primos deveriam fazer alguma escola técnica porque seus pais jamais poderiam pagar uma faculdade pra eles, mas hoje o mais velho já está formado na mesma universidade onde eu estudei, e os outros 3 estão também cursando faculdades, umas melhores que as outras, mas ainda assim, ensino superior. Contam com o auxílio de bolsas do governo, ou de crédito educativo, estudam de noite pra poder trabalhar de dia, mas estão conseguindo levar. Não, não é a mesma coisa que o filhinho-de-papai que sempre estudou no Bandeirantes e agora está se formando no ITA e indo fazer pós no MIT, mas já é muito melhor do que não ter nenhuma formação profissional.

Minhas 3 tias tem suas casas próprias, humildes, mas próprias. E duas delas tem um carrinho pra chamar de seu. E tá dando pra pagar as prestações da TV nova na Casas Bahia. Imagina que até a Janilda, nossa empregada desmiolada, conseguiu comprar o barraco que ela alugava, e diz que já está juntando um dinheirinho pra fazer paredes "de alvenaria".

São Bernardo está com tantas obras, apartamentos, casas, ruas e viadutos novos. Os galpões de antigas empresas que escolheram ir para o interior ou pra região de Curitiba por causa da CUT estão se enchendo de novo, ou porque as mesmas empresas estão voltando pra região ou porque outras empresas estão abrindo ali seus negócios.

Minha mãe precisou fazer exames de sangue e ao invés de pagar particular resolveu tentar no SUS e diz que apesar de ter demorado um pouco, que ela foi bem atendida.

Eu sei que não tá tudo uma maravilha, que a violência está insuportável, que até comida que era barato está caro, eu sei que ainda há muito chão pela frente, mas gente, eu acho sim que um certo chãozinho o Brasil já andou. O mais importante, é que eu vejo esses meus primos jovens cheios de planos, com garra pra conseguir as coisinhas deles, um apartamentozinho pra casar, um carrinho pra não ter que ir pra faculdade de busão, e antes de eu vir pra cá, eu achava todo mundo tão desanimado, tão desacorçoado com o que o futuro parecia trazer.

O Lula não fez isso sozinho, nem sei qual a participação dele nisso tudo, mas praticamente todas as empresas grandes que vem aqui me visitar estão investindo no Brasil, e ele tem MUITO a ver com isso. Ele é admirado aqui fora, ele passa segurança.

Eu não transferi meu título, mas vou ver se ainda dá tempo. Não porque eu queira muito votar em um dos candidatos, mas porque eu quero muito votar contra um: o Serra.

O Serra me envergonha. O simples fato dessa criatura, em rede nacional, criticar a Xuxa por ter tido a filha fora do casamento já mostra o que vai pela cabeça desse senhor. E tudo que eu leio ou escuto saindo da boca dele é tão machista, e tão quadrado, que dá desânimo.

Vou dar uma estudadinha na Dilma. Achei que ela se deu bem no Jornal Nacional, tem um video no YouTube.

Meu medo é que o povo que elegeu o Clodovil, Frank Aguiar e cia limitada, acredite no bla bla bla do Mr. Burns Brasileiro ( pô, o Serra não é a CARA do Mr. Burns? )


Vote em mim, e mandaremos todas as mães solteiras pro Paraguai!

terça-feira, agosto 10

Be-a-bá e sente-se porque o post é enorme


Hoje eu estava escrevendo um e-mail pra uma brasileira que acabou de mudar pra Holanda com o marido expatriado brasileiro com algumas dicas, e eu pensava em como deve ser difícil mudar pra cá sem o cônjuge holandês pra explicar coisas básicas.

O lixo. Eu nunca tinha visto uma kliko na vida, e se não fosse o marido explicar o afval kalendar ( agenda com os dias de coleta do lixo ), eu ía penar muito pra sacar o lance. E a coitada já percebeu nosso principal problema no verão, a coleta do lixo normal é feita a cada 2 semanas, ela tem as fraldas do bebê lá fermentando no calor, eu sou a areia com as necessidades dos gatos todo santo dia. Confesso que a única solução que eu achei, e nem sei se é "asociaal" ou não, foi pegar a sacolinha e à caminho do trabalho jogar no cesto de lixo público da pracinha perto de casa, senão não dá pra aguentar a fedentina.

Eu tive ainda que dar a triste notícia de que aqui, até o cachorro paga imposto. Eu não sabia que era tão caro, aqui em Eindhoven são €64 pro primeiro cachorro e €128 pro segundo, no total quase 200 euro-paus!!! Por ano, todo ano!!!

Eu não achava cottonete, aqui a haste não é azul ( é branca ) e vem numas caixas quadradas de plástico. Agora já é mais fácil encontrar nos supermercados, mas naquela época achava-se mesmo só na Kruidvat, Etos e afins.

Outra boa pergunta, considerando que só o AH Extra large tem uns baldinhos e umas vassouras, onde comprar esses apetrechos estranhos mas necessários? Blokker, que é uma loja que não tem igual no Brasil, é como se fosse o departamento de louças, potes plásticos, "pirex", sacos de lixo, vassouras e cia limitada do Carrefour. E tem umas coisas parecidas na Hema, que por sua vez é uma edição limitada das Americanas, acho eu. Minha primeira vez na Blokker foi pra comprar uma tábua de passar roupa, levada pelo marido, claro.

E no supermercado? Que bonitinho os peitos de frango embalados individualmente um por bandejinha de isopor, plastiquinho e tals. E a beringela, uma a uma no plástico à vácuo, à €1.99 por beringela? Cebolas, tem pacotões, e agora o AH tabela: pequenas, médias e grandes, mas na época tinha o sacão genérico e umas cebolas liiindas embaladas duas a duas ( zoete uien ), quando no Brasil a gente compra 2 cebolas? E aprender as carnes em holandês? Tem alcatra, contra-file, file mignon, coxão mole, patinho? NECAS! Tem Ossenhaas que é nosso mignon, custa mais de 30 paus o quilo e vende uns bifinhos de 150 gr., tem o entrecote que é parecido com nosso contra-filé, também custa os tubos, e tem o biefstuk, que é uma carne qualquer coisa, tipo um coxão mole, mas pra falar a verdade, se eu não tenho carne do Makro, só compro os cortes maturados embalados à vácuo do AH, e mesmo assim, tem que comer mal passado senão vira sola de sapato ( biefstuk=bife+estuque).

E o mistério das carnes moídas? Gehakt. A Half-half é pálida que dá até desgosto, barata que só ela, e só deus sabe o que tem ali. Diz o pacote que é meio porco e meio boi, mas pelo cheiro quando frita, desconfia-se de que parte do porco ou do boi vem aquilo. A de boi é a 100% rundvlees, e tem a magra ( magere ), e tem a tartar no AH, que é carne de primeira ( as outras são de segunda ). Eu já disse que eu compro carne no Makro e môo ou compro a orgânica, que é bem passável.

E comprar batatas? Aquelas prateleiras enooooormes, com tudo que é tipo, cremosa ( kruimig ), meio cremosa, durinha ( vaste kokende ), safrinha ( nieuw oost ), 5 kg, 3 kg, pondje, e tão baratas? Mas brasileiro que é bom come mesmo arroz, né? Cadê nosso agulhinha? Não tem! Depois de experimentar vários, me ajeitei com o basmati, o resto fica papa ou é muito quebradinho. Mas o preço… e o tamanho da embalagem? Começa em 400 gr e a maior é a de 2 kg ( no Makro tem sacos de 5 kg ).

Queijos são um capítulo à parte, você escolhe o teor de gordura ( +48, +30 ), a maturação ( jovem, normal, maturado ), e o tipo ( milner, maaslander, beemster, marca da casa, oud amsteram ), e esses queijos não derretem nem no forno, eles suam e ficam molengas, mas derreter mesmo… tem que comprar o pasta kaas ou pizza kaas ralado.

Quando chega o primeiro inverno, claro que a gente se deslumbra com a primeira nevasca, mas… que puta frio, senhor! Aquecedor nas alturas! O que você não sabe é que sua conta de luz / gás é anual, eles estimam seu gasto mensal, te mandam a conta sempre igual, no fim do ano mandam o "ajuste" pra mais ou menos, e como você se tostou dentro de casa com seu aquecedor, você recebe a continha dos 900 euro-paus pra pagar a mais de lambada, sem dó nem piedade. Aí você entende porque o holandês fala: tá com frio, usa roupa quente!

Pô, mas tem uma boa notícia: o 30% ruling. O estrangeiro que vem pra cá trazido por uma empresa ( e não uma mané que nem eu que casou com um holandês ) tem 30% do salário isento de imposto por 5 anos. É uma boooa grana e nem sempre o RH da empresa avisa.

Só sei que eu estou aqui a mais de 7 anos, com marido holandês e tem coisa que eu ainda não sei ou não entendo. Outro dia o chefe me perguntou se eu imigraria de novo pra uma das plantas da empresa, e sinceramente? Teriam que triplicar meu salário e eu ainda ia pensar no assunto.

segunda-feira, agosto 9

Ah, a vida era tão bela!

Acho que dessa só os paulistas vão lembrar. Dá vontade de chorar ao ler que ela foi desativada... Tão destruindo minha infância! TRAUMA!