sexta-feira, março 30

Jamais cuspa no prato que comeu!

No ano passado, durante o processo seletivo de candidatos para uma vaga do meu departamento, mas do grupo do meu outro colega, me pediram para participar da entrevista de uma das candidatas por ser mulher e estrangeira. Ela foi muito bem na entrevista, foi contratada, começou a trabalhar em setembro passado.

Ela é séria, muito concentrada, e algumas pessoas estranham o jeitão meio seco dela, mas ela não é má pessoa ou má funcionária.

Em janeiro, ela comunicou que havia decidido voltar para a Slovakia, o motivo principal é porque a avó dela estava muito doente e a família havia decidido não colocá-la num asilo, mas tratar dela em casa. A moça é filha única e a mãe é filha única. A mãe é médica e aparentemente ultra bem sucedida, porque além de trabalhar também na Austria, dá seminários, ganha uma grana preta, e dá bolsas LV autênticas de presente pra filha ( eu sei, parágrafo fofoquinha ). A avó que elas não querem colocar no asilo também é “bem de vida”.

Encurtando a história, já sabemos mais de dois meses que a moça se irá. Nem se integrou direito e já se vai. Um saco pro rapaz que passou 2 meses intensivamente treinando-a. Só que no último mês, ela meio que largou de mão. Chega a hora que quer, vai embora super cedo. Tem dia que liga avisando que não vem porque foi tratar disso ou daquilo da mudança. Teremos a reunião anual de budget a semana que vem e ela meio que se recusou a preparar o material para a apresentação ( ah, não faz sentido, posso até ajudar quem for apresentar o meu colega gerente, claro ). Fica feio, muito feio sair de uma empresa assim. Mas na cabeça dela deve passar: estou mudando até de país, who cares???

Só que ontem a avó foi pro hospital, os médicos já desenganaram, ela está lá só esperando o inevitável e hoje me ligou “em off” e disse que estão pensando em ficar na Holanda, se eu acho que nosso diretor teria interesse em mantê-la, já que um substituto ainda não foi encontrado. E sinceramente, eu não sei! Depois desse último mês, não sei mesmo. Eu disse pra ela ligar pra ele, não sei se ela vai.

Bom puevo, rumbora que é quase findi. Fez sol a semana inteira, e a peãozada na labuta, hoje que a gente pode ir pro centro tomar uns goró no “terras” ( cafés com aqueleas mezinhas no lado de fora ), chove! Peão tem tudo é que pastar mesmo.

Fui, bom findi!

quarta-feira, março 28

O fim do mundo está próximo

Cansada de me preocupar com a dieta, com as banhas, a aula de zumba, o tamanho 44 ma Mexx que teima em não me caber, vim me distrair na net.

Caramba, o povo só fala em dieta. Eu, tu, o rabo do tatu.

Estamos GORDÉSIMOS povo, achamos que uma raça alien traria o fim do mundo, mas o armagedon foi inventado por nós mesmos, os humanos. Não foi virus mutante, bactéria inventada pela CIA, epidemia vinda das florestas africanas. Nosso fim virá dos M&M's, das Pringles, do Baconzitos, dos pães de queijos recheados de catupiry e coxinhas idem.

Se não fosse o exército anti-gordístico, morreríamos pelo menos felizes, nós os gordos, alimentados pelas orgias serotonínicas chocoláticas, felizes com nossos mega-cheese-salada do Ponto Chic. Mas não, somos caçados iguaizinhos os zumbis de The walking dead, a série.

Quando comerei uma empada de palmito com catupiry novamente sem me sentir o cocô do cavalo do bandido? Nunca! Taí minha maldição, pra sempre confinada à torradinhas de feno do Dr. Atkins, que além de ruins, quase me matam de gases.

Punzenta mas magra, então vos digo que as torradas de serragem ficam!

Sonhando com um brownie do Jamie Oliver, me despeço. Essa semana tá power e eu não sei quando terei tempo de novo. Ó mundo cruel!

quarta-feira, março 21

Quem não se ajuda

Quem de nós, brasileiros, não conhece váááárias pessoas que "cozinham pra fora"? Desde criança, até o dia de me mudar do Brasil, comprei comida de boleiras, doceiras, "salgadinheiras"… Recentemente vi no programa da Ana Maria Braga o tal Brownie do Luiz, um rapaz que está se sustentando na faculdade fazendo e vendendo brownies. E é sempre assim, a água bateu na bunda, o brasileiro sai nadando.

A minha sobrinha postiça começou a fazer doces pra ganhar um extra no primeiro ano de faculdade. O negócio foi dando tão certo que ela largou o curso que fazia e foi estudar pra ser chef. A especialidade dela são doces, e agora ela tem até marca registrada. Terminou o curso e já começou a fazer uma segunda faculdade, dessa vez em nutrição.

Minha tia, quando meu tio ficou desempregadao, fez quentinha. Compraram uma máquina usada de fechar aquelas quentinhas de alumínio, ela cozinhava, íam ela e meu tio entregar quentinhas. Ficou rica? Não, mas ganhou um belo troco que pagou muitas das contas naquela época.

Lembram-se do meu funcionário que a mulher está recebendo uitkering ( salário desabilidade )? Pois então, o médico da coluna liberou para trabalho parttime e o psiquiatra não só liberou, como até indicou que ela voltasse a trabalhar.

O meu funcionário diz que ela não pode mais trabalhar com o que ela estudou porque ela está muito velha. Ela tem 37 anos ( mais nova que eu ) e estudou "vitrinismo". Nunca tinha ouvido falar nisso antes, mas aqui o povo estuda pra enfeitar vitrine. Ele me diz que ela está muito velha porque nessa profissão você tem que se abaixar muito, tem que ser muito rápida (???). What-ever.

Aí ele pensou em abrir um negócio próprio, pesquisou cupcakes. Achei uma ótima idéia, afinal, investimento inicial é pequeno, você faz no conforto da sua casa, no seu próprio ritmo, mas ele diz que não vai dar certo porque tem 6 pessoas fazendo o mesmo na região e que a margem de lucro é pequena. Eu acho patacoada, porque sempre que compro um cupcake pago os olhos da cara e o que você usa pra fazer aquele bolinho? Uma forminha, um monte de recheio e um bolinho mequetrefe, o custo mesmo é baixo.

Achando que eu podia ajudar, dei vários exemplos da brasileirada que mora por aqui, tem quem faça salgadinho, tortas, quem venda carne, carne recheada, docinhos… Mas nada é interessante o suficiente, ou dá o lucro que ele espera.

Paciência.

Na semana passada ele estava visivelmente preocupado. Perguntei se ele queria conversar. Ele me contou que por causa da discussão com o órgão que paga o salário desabilidade, em teoria, a esposa ficou 2 meses em casa sem estar oficialmente desabilitada ( eram 4 meses, ele negociou 2 ). Durante todo esse tempo, mesmo estando em casa, a esposa mandou as crianças pra creche no periodo integral. Agora a creche quer 2 meses de mensalidade por filho de volta, e dá no total mais de € 5000. Ele falou até com um advogado e como ele já assinou o acordo dos 2 meses de desabilidade, ele reconheceu que por 2 meses a esposa não estava enferma, portanto não tinha direito ao subsidio da creche ( se um dos pais está em casa, o casal não tem direito a receber o subsídio da creche, que em teoria pode chegar a 70% ). Fiquei com pena, mas também não entendo porque a mulher ficou em casa e continuou mandando os filhos pra creche.

Segunda foi aniversário dele, ele trouxe várias tortas e bolos que a esposa fez. Achei uma ótima forma de propaganda, e todo mundo gostou dos quitutes. No mês que vem é meu aniversário, então sugeri pra ele que se a mulher dele topasse, eu compraria as tortas e bolos dela. Por 3 tortas de maçã e três bolos ingleses ( daqueles pequenos e sequinhos, retangulares, aqui chamam de coffe cake ) ofereci 100 euros, o que é o dobro que eu pagaria em 4 tortas da Multivlaai. Como meu aniversário é numa segunda ela poderia fazer no fim de semana. Como vocês já devem ter adivinhado, ela não quis, deu a desculpa que terão um compromisso naquele fim-de-semana.

De novo, paciência.

Minha avó paterna, a Vó Nilda, ficou viúva antes dos 30, com dois filhos de 10 e 5 anos pra cuidar. Meu avô, que se recusou a casar antes deles terem uma casa própria, deixou a casa e uma pensão pra ela, pensão brasileira, cês sabem né? Minha avó mandou o filho mais velho temporariamente morar na casa de uma tia, arregaçou as mangas e de tarde, quando meu pai estava em casa ( ele era o filho de 5 anos ) ela lavava roupas pra fora, e de manhã, enquanto meu pai estava na escola, ela entregava, a pé, as roupas que algumas clientes não podiam buscar. Ela fez isso por mais de 20 anos, lembro que quando eu era pequena ainda tinha gente que vinha procurá-la pra uma ou outra "emergência", e se o dinheiro fosse bom, ela ainda fazia um bico. Meu pai, antes de casar, assim como meu avô, construiu uma casa "nos fundos" da minha avó, e quando eu nasci, ganhando melhor, ele comprou nossa primeira casa, e minha avó alugou a casinha que meu pai fez. Nunca aceitou um tostão dos filhos. Viveu bem, tinha até uma poupancinha, cuja "caderneta" ela sempre mostrava pros netos, toda orgulhosa. Tinha dores fortes nas pernas, provavelmente resultado dos anos em pé no tanque ou passando roupa, ou carregando roupa pra clientes, mas criou os filhos, sobreviveu.

Não entendo, esse povo sobreviveu a uma guerra, ou melhor, a duas guerras mundiais. Já ouvi histórias de gente que comeu sopa de bulbo de tulipa pra sobreviver, e como pode essa geração ser assim tão… tão… acomodada?

Anyway, postão-surra. De novo. Sorry.

terça-feira, março 20

Um momento

Tenho muito medo daquele ínfimo momento em que sua vida vira de pernas pro ar.

Um familiar doente, um acidente de carro, um animalzinho de estimação que estava na hora errada no lugar errado. Um momento, um segundo, uma frase, que vai mudar sua vida pra sempre.

Sou sortuda, ainda não passei por nenhuma dessas experiências. Pensei nisso hoje, e me deu aquela sensação gigantesca de que eu sou uma mal-agradecida, que deveria erguer as mãos aos céus pela minha vidinha relativamente pacata. E principalmente, não reclamar das pendengas do dia-a-dia, porque são ainda bem gerenciáveis.

Uma das comadres está passando por um momento difícil, com problemas de saúde em casa. Nós, espíritas, acreditamos não só no poder da prece, mas ainda mais no poder multiplicado da prece pelo reestabelecimento de terceiros. Querer o bem pra si é fácil e previsível, poucos são aqueles que inspiram em outros sinceros votos de melhora, de reestabelecimento. Ontem, em casa, em forma de preces ou de pensamentos positivos, eu e o marido torcemos e rezamos pelo familiar da comadre, que está com problemas de saúde.

terça-feira, março 13

Eu sou, mas quem não é?

Eu sou chata, mas vou te contar, como tem gente muito mais chata que eu nesse mundo, viu!

E gente estranha, e gente sem-loção.

Blé.

segunda-feira, março 12

Foi, é e será

Quando tenho um tempinho, gosto de vir aqui e abrir um arquivo do mesmo dia de um ano longínquo. Me dá alento ver que alguns problemas que eu tinha foram resolvidos, muitas pendengas na cachola se tornaram menos pendengas, muito do que eu achei que fosse ser impossível, hoje é realidade.

Estava lendo um post de alguns meses atrás da Adriana, onde ela fala da preocupação em voltar ao Brasil depois de tantos anos e o povo criticá-la pelo peso ganho. Quando li esse post dela pensei: que bobeira se preocupar com os outros, ninguém paga as contas dela… mas cá estou eu, lendo um post de 2004 onde eu exponho a mesmíssima insegurança.

Ter um diário, como é esse blog, é a melhor forma de acompanhar seu próprio desenvolvimento ao longo dos anos. Diria que 90% do que escrevi ali já não me recordo mais e estaria perdido se não fosse o blog.

Hoje me perguntaram qual foi minha melhor supresa no lado positivo e no lado negativo dessa “empreitada”. Sem pensar muito, porque se eu pensar provavelmente mudarei de idéia, a positiva é ter conseguido avançar na minha carreira de forma que não sei se teria conseguido no Brasil, visto que lá nem sempre só trabalho árduo é suficiente ( e eu não tinha parente nenhum na empresa, nem amiguinho e nunca fui muito boa com a propaganda-pessoal ). E a supresa negativa é que por estar sem família por aqui, nem empregada, nem suporte familiar, nunca tenha me animado a ter filhos, ou pelo menos um. Estivesse eu no Brasil, com minha família por perto e empregada pra dar um apoio, mesmo o marido sendo meio averso à idéia ( hoje ele é meio averso, já foi completamente averso ), teria tentado. E talvez tivesse um bacurinho bochechudo de olhinhos azuis me azucrinando hoje ( e com certeza eu acharia maravilhoso ).

Qual foi o meu maior desenvolvimento pessoal? Foi ter dado o primeiro passo na auto-aceitação, foi começar a me perdoar por esse pecado inominável que é ser gorda. A distância da minha mãe ajudou ( e tem ajudado ) imensamente. Semana passada conversei com a minha cunhada, que também é gordinha ( mas inteirona pra quem teve 4 filhos!! ) e agora é ela que convive com as agruras de ter uma pessoa que odeia gordos por perto. Muito obrigada meu Deus, por esse bálsamo aliviante que se chama oceano atlântico entre nós!

O que me falta? Perder sete quilos e comprar um chiuaua. Daí, tô feliz. Mesmo.

Apertadíssima de costura

Dia 21 vai fazer um ano que eu baixei no hospital com o problema de ferro. Usei essa data também para marcar a última gripe que eu tive, que foi um pouco antes. Depois do tratamento nunca mais tive uma gripe. Aleluia. Em compensação, tenho dores de cabeça de arrasar quarteirão. Esse fim de semana, começando já na sexta, sobrevivi a paracetamol, que é, para mim, o melhor remédio para dor de cabeça.

Stress? Sim! Hoje foi difícil levantar da cama. Tenho hoje, na agenda, 11 reuniões de uma hora, como pode? Cancelei várias, e estou agora sentada numa reunião cujos participantes estão atrasados no trânsito porque tombou um caminhão aqui perto.

Estou aqui nagging, nagging, nagging, burrice minha, Adriana, o que é que você vai fazer pra solucionar o problema? Trabalharei todos os dias até as 17:45, nem um minuto a mais. Sexta vou tirar o dia livre e vou ao Efteling. Conseguirei sobreviver até a páscoa, quando terei um final de semana extra-longo.

Sobreviverei, e esse é o problema, estou cansada de sobreviver.

Chega de reclamar!

Antes de dar um câmbio desligo, vou dizer, sei lá se o tal criador do Facebook falou mesmo o que apareceu nos jornais dos brasileiros, mas a brasileirada tá fazendo do Face uma merda mesmo.

Eu não “amigo” ninguém que eu não conheça, e mesmo assim, estava recebendo vários anúncios de “comes e bebes” todos os dias no meu wall. Era carne, era salgadinho, eram pratos brasileiros, convite pra show de forró... So sorry, desamiguei. Acho válido a pessoa fazer um mailing list com direito a link pra sair do mailing list, mas flooding via face me irrita.

E o povo com re-flow de sites cutes? Eu amo o site de piadas 9GAG, e limito meu flood diário a 2 piadinhas, e mesmo assim na maioria dos dias, me contenho e não inundo o wall dos meus amigos. Mas o que eu recebo de re-flow de gatinhos, coelhinhos, cachorrinhos, bebezinhos, inhos inhos e mais inhos…

Preciso falar alguma coisa das mensagenzinhas de auto-ajuda? Quem precisa de auto-ajuda entra no site do Dr. Phil, néan?

Agora parece que vão liberar GIFs, deus nos ajude, aí é que eu me facebook-cídio de uma vez e volto pro Twitter. O que vai ter de gente atolando nossos walls de coisas piscantes e mexentes… Vai ser o armagedom!

Blé. Tcheu ir trabalhar que os atrasildos chegaram.

Sexta, se o universo conspirar, estarei no Efteling!

segunda-feira, março 5

Um pitaquinho

Eu não sou boa em pitaco como a Dra. Alice. Ela mesmo diz, meus posts são tão grandes que não são pitacos, são surras.

Mas aqui vai um ( uma tentativa de ) pitaco.

Você criatura, que achou o príncipe encantado, mora na sua casinha branca de varanda, tem seu filhinho ( a ), você não acha que você deveria estar andando aos pulinhos de felicidade pela rua? Eu acho!

Tá mais difícil do que nunca quem queira um parceiro, aqueles que querem acham difícil encontrar, quem encontra pasta pra chegar na casinha branca de varanda, e quem tem tudo isso às vezes ainda esbarra na dificuldade de querer ter um filho e não poder. Você tem tudo, caramba!!! Então porque é que você, que tem tudo, que devia estar dando pulinhos de felicidade, deixa coisas pequenas, como um comentário, uma opinião, um “escrito” te aborrecer?

E depois desse mísero pitaco, sigamos com a programação normal.

Amanhã tem surra!

quinta-feira, março 1

O dinheiro traz tanta felicidade!

Parece que é bonito, ou modinha, dizer que se quer uma casinha branca com varanda, que as coisas simples da vida são as mais valiosas, que dinheiro não compra felicidade. BULL-SHIT!

Felicidade? Meu carrinho, que me deixa sequinha e quentinha de manhã e de noite pra ir e vir do trabalho, pra ir no mercado, no friozão de -14C. Custou dinheiro. Custa dinheiro de seguro, de gasolina, de imposto todos os dias. Ir ver minha família no Brasil, custou ( um rio de ) dinheiro. Poder trocar o carro da minha mãe, que ela não conseguia mais dirigir porque não tinha direção hidráulica, custou dinheiro. Minha sobrinha fez 13 anos, o sonho dela era ter uma necesssaire cheia de maquiagens, eu me diverti horrores escolhendo maquiagem pra ela, de todas as marcas, de todas as cores, desde gloss até foundation, mas custou vááários dinheiros. Comprar meus vegetaizinhos picados e lavados custa dinheiro. O termostato programável custou dinheiro e ele ligar as 5 da tarde pra aquecer a casa e estar a 20 graus quando eu chego custa dinheiro. O pacote de TV a cabo extra que eu quero custa dinheiro. Meu gatinho paciente renal custa muito dinheiro. O cineminha com pipoca da semana passada me custou um dinheirão ( 21 euros, pode? ).

Eu poderia me locomover de bicicleta. Eu poderia ir ao Brasil a cada 5 anos. Eu poderia falar pra minha mãe andar de ônibus. Eu poderia falar pra sobrinha que ela é linda e não precisa de maquiagem. Eu poderia comprar os vegetaizinhos na feira aos sábados e passar horas lavando, picando, blanqueado e guardando. Poderia também usar um moletonzão bem grosso em casa e não preciso nem mencionar que poderia também viver sem HBO e FOX. Não, não poderia deixar meu gatinho morrer, pensar em não tratá-lo é inconcebível. E poderia deixar de ir ao cinema, ou ir na matinê e pular a pipoca. Eu iria morrer? NÃO. Eu iria ser feliz? NÃO. Logo, dinheiro compra sim felicidade.

E pra bancar tudo isso, amigas, ralo tudo o que ralo. Não é porque o trabalho enobrece, não é porque eu me sinto um ser humano útil. Não é porque “ser chefe” faz bem pro ego. O motivo é simples e fácil de entender: é pela grana, pelo geld, pelo tutu, pelo catchin, pelo money. Dinheiro esse que é MEU, não é do marido, não é do meu pai, não é emprestado. Se eu tivesse nascido riquíssima, não trabalharia. Iria cuidar de animaizinhos largados pelas ruas, ia abrir uma ONG, ia fazer o que gosto sem pensar que preciso ganhar tutu.

Não me digam que tive sorte, isso me emputece muito. Não nego que ela deu sim uma ajudinha, de eu estar no lugar certo na hora certa, de eu ter falado com a pessoa certa quando precisava, de uma amiga ter me dado um empurrãozinho pra preencher um formulário fatídico… Acho que são sim ajudinhas de uma força maior, e sou grata a essas ajudinhas. Mas… puta merda, se 10% foi sorte, 90% foi muita barriga ralada no tanque, aulas de inglês enquanto meus amiguinhos de escola jogavam Atari, muito trabalho de faculdade aos fins de semana, muita hora extra na empresona brasileira, mil entrevistas de trem no frio aqui na Holanda pra conseguir o primeiro emprego, muitas mais horas extras pra conseguir meu holeritezinho todo mês.

Eu, que já disse aqui que tenho sérios problemas de auto-estima, tenho que me dar um tapinha nas costas: eu mereço meu meu carrinho e meus vegetaizinhos lavados e picados do Albert Heijn.

E você colega leitora ( ou colega leitor ), já se deu um tapinha nas costas hoje? Já se disse “well done”? Não? Faça-o djá.

E rumbora trabalhar que faltam 76 dias pras próximas férias. Que custou din-din, aliás. 

sexta-feira, fevereiro 24

Que triste!

Na semana passada o príncipe Friso, segundo filho da Rainha Beatrix, sofreu um acidente de esqui.

Ele estava na Austria, e apesar do aviso de risco de avalanche 4 ( vai até 5 ), ele, um experiente esquiador que conhece bem a área, decidiu arriscar. Ele foi soterrado por uma avalanche, ficou 50 minutos sem batimentos cardíacos, foi ressucitado e levado a um hospital da área. Já era sabido que o dano cerebral era extenso, mas não se sabia, até ontem, quão extenso.

Hoje os jornais noticiam que o príncipe continua em coma e um recente MRI mostra que o dano cerebral é pior que o que se esperava, ninguém sabe afirmar se ele sairá do coma e em caso positivo, em que condições.

Eu não esperava que os holandeses, sempre tão críticos da família real, sempre tão críticos com os imprudentes que mesmo com aviso grau 4 se arriscam na “piste” fossem estar tão chateados com a notícia de hoje nos jornais. Um dos senhores que trabalha comigo disse que é muito triste passar pela alegria do nascimento de um membro da família real e ver também, o que parece ser o encaminhar da história, a morte prematura do mesmo.

Eu, sinceramente, me condoo com a rainha, que deve estar com vontade de se arrastar pelo chão chorando ramelenta e descabelada, mas tem que passar por tudo isso em cima do salto e com o cabelo propriamente cheio de laquê.

O país está triste, e nossas preces estão com o príncipe Friso e a família.

quarta-feira, fevereiro 22

Procurando um emprego aqui e acolá

Deixa eu começar dizendo que eu acho processo de seleção pra empregos uma coisa muito, muito bizarra.

No Brasil, minha experiência em entrevistas é curtíssima. Antes de entrar na GM eu fui estagiária, vi o anúncio na faculdade, preenchi uma ficha, eles queriam alguém que falasse inglês, ficou entre eu e outra menina, eu levei a vaga.

Para entrar na GM foi um drama.

Aqui começa uma histórinha que, se você estiver sem tempo ou sem paciência, pode pular lá pra baixo, onde eu aviso que é o fim da estorinha.

Entrei também como estagiária, e naquela época era raro alguém entrar de outra maneira. Haviam 120 vagas, uma metade qualquer aluno de administração podia se candidatar, o resto era vaga técnica. Naquele ano a GM teve 3000 CV’s. Para dar a primeira peneirada, eles aplicaram um teste de lógica com 36 questões, a nota de corte foi 34, chamaram os primeiros 600 candidatos.

*** Historinha parte 1: eu nunca tinha pensado em fazer estágio na GM, mas o pai de uma amigona era diretor lá e ela estava alucinada pra fazer estágio lá. No dia que abriram as inscrições caiu a maior chuva do universo, e ela estava sem carro, então me pediu se dava pra eu dar uma carona pra ela e a gente pegava um cinema depois, pra não ter que esperar na chuva ou dentro do carro, eu entrei no RH com ela, e aí, porque não preencher uma ficha também? E ambas fomos chamadas pro tal teste lógico ( todo mundo foi ), eu passei e ela não. ***

Esses primeiros candidatos assistiram palestras de vários departamentos, eu escolhi fazer entrevista em importação e exportação. Ficaram de me dar a resposta 2 semanas depois da entrevista, passou-se um mês e nada. Eu desanimei, fiquei chateada a essa altura tinha ficado animada com a perspectiva de estagiar no departamento de importação de uma empresona tão grande – e depois de exatos 2 meses, me ligaram pra dizer que a vaga era minha.

*** Histórinha parte 2: quando me ligaram pra dizer que eu passei no teste lógico e estava convidada pras palestras, liguei direto pra amigona pra combinarmos a carona ( e a roupa, e o cabelo, e a maquiagem ), mas ela ainda não havia sido contactada. Amigona, meu nome começa com A, o seu com P, ainda hoje te ligam. Não ligaram e nossa amizade de anos, de viajar junto e tudo acabou ali. Quando me ofereceram a vaga, depois das entrevistas e longa espera, encontrei a amigona numa festa da turminha, meio acanhada contei que ía estagiar na importação, e ela, toda sorridente, me disse que ía estagiar em compras. Como, se você não assistiu nenhuma palestra, não foi a nenhuma entrevista? Ah, meu pai escreveu um memo pro RH dizendo que achou o processo falho e eles abriram uma exceção pra mim, que fiz então entrevista em compras e fui aceita. #issoehBrasil “

Fiz o estágio por 11 meses, e a empresa que sempre contratava todos os estagiários ao fim do programa, informou que naquele ano não íam contratar ninguém, íam na verdade mandar gente embora. Fiquei arrasada, chorei, e agora meu pai? Me ofereceram um contrato de terceirizada, mas tinha uma cláusula que impedia que no futuro eu fosse contratada pela GM, então eu estava chateadésima e em dúvida se ía aceitar. Na última semana apareceu uma vaga em outro departamento, eu fiz entrevista, novamente o inglês me salvou, no último dia de estágio, fui contratada como “efetiva”. Aleluia, chorei que nem criança.

*** Histórinha parte 3:  a essa altura, amigona não era mais amigona, ela me evitava tanto que eu captei a mensagem e parei de procurá-la. No primeiro dia como efetiva, dei de cara com quem na hora do almoço? A amigona. Beijinhos e sorrisos, ela não tinha sido efetivada no departamento de compras, mas uma “oportunidade de última hora” apareceu numa empresa filha da GM e ela foi contratada. O que me chateou foi que quando eu contei pra ela da minha vaga, ela ficou azul de raiva porque o a área em que ela estagiou era diretamente ligada à vaga para a qual eu fui contratada, e ela não só não foi convidada a participar do processo de seleção, como nem sabia que a vaga estava aberta. Para meu espanto, ela foi até o meu supervisor “tirar satisfação” – discreta e educadamente, porque ela era muito discreta e super educada. ***

Fim da estorinha

Quando mudei aqui pra Holanda, participei do processo de seleção para mais de 15 vagas, a maioria com 3 rounds de entrevista. Tudo muito bizarro. Hoje, quase 10 anos depois, entendo algumas das bizarrices eu era ( ou ainda sou ) a imigrante bizarra, que precisa se adaptar, que precisa aprender o idioma – outras eu não entendo e não faço mais questão.

Aqui, você manda um CV, se te chamam normalmente você faz 3 rounds de entrevistas até te darem uma “proposta” ou um sinto muito. Quando te dão o sinto muito, eles normalmente te informam a razão. Eu achei isso uma coisa do além quando mudei pra cá, mas hoje acho ótimo, afinal você sempre é informado que está fora do processo, e se te informam o motivo, tem como se comportar diferente numa futura entrevista.

Um exemplo: fiz entrevista na Nutricia, empresa que faz a Olvarit, a maior marca de comida infantil e hospitalar da Holanda. Sem falar que fazem também o Chocomel ( humm, diliça ). A primeira e segunda entrevistas foram ótimas, o gerente que me entrevistou praticamente me deu o emprego na hora. O que eu não vi na época, mas agora entendo, é que esse gerente queria uma compradora junior / assistente, e eu queria a vaga de compradora ou compradora senior. A terceira entrevista foi com dois diretorezões, fizeram vários testezinhos do além, perguntinha capisciosa de laguinho que se multiplica todos os dias, padre e canibal, mas a porca torceu mesmo o rabo quando um lá me perguntou se eu sabia quem era Alan Greenspan. Não eu não sabia. Vergonha, eu sei, mas eu não sabia. Aprendi, meio tarde, mas fazer o quê? Na cartinha de rejeição, o motivo indicado é que eu não era “sofisticada” o suficiente para lidar com aquela vaga, se eu estivesse interessada eu poderia continuar no processo de seleção para assistente / junior. A vaga pagava pouco, era em Amsterdam Zuid, eu decidi não continuar.

Quer mais bizarrice? Os tais assessments. Já pegou essa moda aí no Brasil? Então, eu fiz os 3 rounds de entrevistas na DSM, passei em todos. O último diretorzão disse que por procedimento tinham que me mandar pro tal assessment, que era pra ter sido antes das entrevistas, mas teve um desencontro de agendas. Fiz o tal assessment. É um tal de teatrinho, de case study, de mais pegadinha de laguinho-padre-canibal, conversinha com psicólogo, um dia desperdiçado. O resultado: não me indicavam pra compras, mas sim para vendas. WTF? Eu não consigo vender perna de pau pra perneta! E eu fiquei chateadésima, claro, e por cima ficou o tal RH me ligando pra eu ir pra entrevista do departamento de vendas, e eu desesperada pra conseguir um emprego, mas 100% certa de que eu seria incapaz de trabalhar naquele departamento, o que o RH não entendia era porque se o almighty assessment dizia que eu era perfeita pra vendas, como poderia eu discordar??

Há algumas semanas recebi um e-mail de uma vaga numa empresona em Nijmegen. A vaga é super legal, mas eu não estou interessada em mudar de empresa, e pra falar a verdade, dirigir mais de uma hora pra ir e outra pra voltar, não rola. Mas meu colega gerente mora a 8 km da planta, e ele está querendo sair daqui, então repassei a vaga pra ele. Ele mandou um CV e segunda recebeu a cartinha que está fora do processo. Ele ligou lá pra saber o porque!!! Eu fiquei de cara, mas parece que isso aqui na Holanda é procedimento normal. A mulher do RH disse que não vão mudar de idéia, mas que ela aceita ter uma conversa telefônica com ele pra um feedback, ou seja, a mulher vai explicar tin-tin por tin-tin, o porquê de ele não ir nem pra primeira rodada. Agora digam aí, qual a reação no Brasil, onde nem te dão o feedback que você está fora, se o candidato liga e pede pro cara explicar porque o CV dele não é bom o suficiente?

terça-feira, fevereiro 21

30 dias

Quando estivemos em Cuba em maio do ano passado, o hotel oferecia TV cubana estatal, alguns outros canais latino americanos ( entre eles o GNT ), e claro, nenhum canal americano. Bizarrice total é que haviam uns 50 canais canadenses, todos passando programação americana, que os cubanos parecem não diferenciar de programação canadense. Anyway.

Num desses canais “canadenses” vi um programa que propunha um mês de “investimento em si mesmo”. Sei que soa ultra programinha patético de auto-ajuda, mas vamos lá.

O tal programa propõe que você escolha uma coisa que você quer melhorar em si mesmo e, por um mês, do primeiro ao último dia, se mantenha “livre” do vício. Claro que os exemplos foram gordos, fumantes, alcóolatras, mas teve uns legais, uma “comprólatra”, e uma moça lá que falava muito palavrão e queria parar. O negócio é assim: no meu caso, claro, seria a guerra às banhas. Então eu me proponho a fazer dieta X por 30 dias, ginástica 3 X por semana por 30 dias, adoto um calendário onde eu entro um tipo de “diário” descrevendo como foi aquele dia, e continuo me repentindo que é um dia de cada vez, e que são só 30 dias. No primeiro dia, eu vou lá na ultima página e coloco itens mensuráveis, no meu caso escolhi: peso ao começar e no fim, medida da bunda, quantas vezes eu furei a dieta ( espero ser zero ), se eu estou me sentindo feliz, se foi muito sacrificado, se eu entrei numa roupa menor. No fim do programa, se você sinceramente estiver orgulhoso do seu desempenho, você se dá um presente, escolhido previamente. Eu escolhi um casaco da Desigual ( qualquer um que caiba em mim ).

Já escolhi uma agendinha bonitinha que cabe na bolsa, já comecei a listinha de comiduchas a congelar, já desengavetei o DVD da Zumba. O mês escolhido é março, porque antecede o mês do meu aniversário.

Foi só eu colocar na agendinha “dia um”, e apareceram 2 eventos com fornecedores aqui na empresa que me estressarão ao máximo – incluindo dois almoços com lanchinhos; tenho ainda uma reunião de almoço com o diretorzão member of the board; tenho nossa revisão de objetivos anuais ( morrerei de estresse por causa do Old Fart ), enfim, meu mês de março será a 25 de março em véspera de Natal.

Mas achei o programinha super interessante e estou animadésima. Será que conseguirei, 30 dias? Clááááááro que você consegue Adriana, o que são 30 dias?

E você, já pensou no que você poderia fazer melhor em 30 dias?

segunda-feira, fevereiro 20

Tricô de carnaval

Tricô 1

Sobre o comentário da Alice no post abaixo, eu não disse ( nem penso ) que doença mental seja faniquito, só que aqui na Holanda os médicos são muito mais cuidadosos do que no Brasil ao indicar para um paciente que já é hora de voltar ao trabalho, portanto, quando o fazem, eu acredito que a pessoa tenha sim condições de ir se integrando novamente. Uma coisa que eu acho bárbara aqui na Holanda, e que teria me ajudado muito na recuperação da gastroplastia ainda no Brasil, é essa "volta aos poucos" ao trabalho. O colega com burnout começou dessa forma, todos os dias por 3 horas, acho muito melhor que simplesmente voltar 100%: um dia você está de cama, no outro você está negociando um pacote de €50 milhões.

No Brasil, quando operei, a empresa me deu 3 meses de licença, o meu médico me disse que pelo menos 30 dias. Depois desses 30 dias, eu não aguentava mais ficar em casa, e estava neurótica com o "impacto na carreira" que 3 meses ausente íam causar. Assinei um termo de responsabilidade e depois de exatos 30 dias, voltei. Agora imaginem, costuradésima, 13 pontões no bucho, cinta apertadíssima pra não dar hérnia, comendo no máximo 500 calorias por dia, os primeiros 15 dias só com alimentos pastosos ou bem macios ( arroz, pasta, purê )… O dia começava bem, mas as 2 da tarde, eu estava me arrastando! Teria sido ótimo poder trabalhar nem que fossem 6 hrs por dia.

O que eu acho nessa história toda, é que a pessoa que está com um problema tem sim que procurar tratamento, psicológico, psiquiátrico, físico, mas no fim, vai estar nas mãos do paciente em si dar aquele passo pra frente pra manter a máquina funcionando. Não adianta toda terapia e Prozac no mundo se a pessoa não der seus passinhos pra frente, nem que sejam passos minúsculos e lentos, serão ainda passos pra frente!

Um exemplo? Minha mãe. Em agosto farão 10 anos do divórcio. 10 A.N.O.S. Ela toma mil medicamentos para dores que segundo o médico não tem razão clínica para existir, ela toma anti-depressivo – mas vive pra baixo, ela só fala em doenças e o problema de todo mundo, qualquer membro da família, vira problema dela. As senhoras da idade dela estão fazendo cursinho de pintura, aulinha de dança no clube da terceira idade, hidroginástica, menos ela, porque isso dói, aquilo é muito caro, praquilo outro ela não tem paciência.

Trico 2

Hoje ouvi um comentário terrível aqui na empresa. Um ex-funcionário, parte do grupo que foi promovido comigo, saiu da empresa pra ir morar em Istambul. Quando efereceram esse emprego na Turquia pra ele, além dele estar bastante descontente aqui, estava também saindo de um namoro de 9 anos ( não sem quem entrou com o pé e quem entrou com a bunda ). O cara, que tem agora 30 anos, arrumou uma namorada lindíssima, que ele móóóórre de mostrar via mil fotos e filminhos no facebook. Entra de tudo um pouco nessa exibição toda, acho que no término do namoro ele foi a parte que entrou com a bunda que levou o pé. Ele sempre quis se exibir pros coleguinhas de trabalho e amigos ( tinha um Audi TT branco conversível, e nas 2 vezes por ano que fazia calor pra baixar a capota, ele chegava todo barulhento, oculozão Armani, só faltava o terno e sapato branco ) então agora a namorada lindona é um prato cheio. Mas então…

Ele estava aqui de manhã visitando os ex-colegas e perguntaram pra ele sobre a namorada. Ele respondou que ela tem 23 anos e é lituana. E um colega retrucou: tá explicado, aqui na Holanda uma mulher daquelas não te dá bola nem nos seu sonhos, então o jeito é ir buscar uma "pobre coitada" nos Balcãs ou em qualquer outro país de terceiro mundo. Eu só revirei os olhos e disse: ufa, ainda bem que meu marido me tirou da miséria lá no Brasil, mas coitado dele – se deu mal, podia ter importado uma loiraça dessas do leste europeu… Mas no fundo, dizer o que pro colega se até eu pensei que aqui na Holanda, um tipinho como ele, sem grandes atrativos físicos, assalariado ( se bem que o Audi TT branco conversível impressiona ), um chato de galocha infantilzão, realmente não atrairia as atenções de uma louraça com (meio) cérebro e potencial de modelo?

Trico 3

Nossa agência, a Arke, agora tem um módulo online para você fazer o tracking da sua viagem, e lá, a contagem regressiva mostra 88 dias até nossa ida pra Jamaica! Gente, parece uma eternidade!

Comentei com vocês aqui que a KLM agora oferece com 24 horas de antecedência, quando há assentos disponíveis, upgrades a preços bem convidativos ( €199 GRU-AMS para a business class ). A Arke, além de oferecer 3 classes ( premium, que é um pouco pior que a business da KLM – Comfort, que é um pouco melhor que a econômica da KLM econômica, que é um pouco pior que a econômica da KLM ) agora oferece um tal de "duo seat": você pode pagar a partir de €25 ( pra Jamaica sairia €60 ) pra bloquear o assento ao lado do seu, e se o vôo não lotar, aquele assento permanecerá vazio para te dar maior conforto / privacidade, se o vôo lotar, você recebe seu dinheiro de volta. Agora vejam só, se eles não conseguem vender todos os lugares, assentos ficarão vazios de qualquer jeito, pra eles tanto faz se é do seu lado ou do lado do Dunha, então porque não tentar arrancar mais eurecas da sua carteira? E olha, eu até acho uma boa idéia, por exemplo, a configuração do nosso vôo é 2-3-2, então seria legal pagar esses sessentinha-eurecas pra ter o lugar do meio entre o marido e eu vazio, principalmente na volta, que é vôo noturno.

Trico 4

Apesar do e-reader e do tablet, guia de viagem pra mim tem que ser mesmo em papel. Imagine se eu vou ficar carregando o tablet pros cafundós de uma floresta em Ocho Rios! Aqui na Holanda, um guia Fodor's ou semelhante custa menos que a metade que custa no Brasil, o que parece ser um bom negócio. Só que encomendando no UK via amazon.co.uk, sai menos que a metade daqui. Pra vocês terem idéia, o Rough Guide Jamaica aqui tá €30, no amazon tá 9 pounds. Se eu encomendar também o Indonésia, e o livrinho de receitas low carbs pra aproveitar o frete, sai uma pechincha. Agora vos pergunto: o que justifica essa diferença toda???

quinta-feira, fevereiro 16

O que é justo?

Aqui na Holanda, se você tem um problema de desabilidade física você vai receber um “salário desabilidade”. Mas o negócio não é tão simples, dependendo da sua desabilidade, eles vão tentar achar um emprego alternativo, ou um emprego em “part-time”, ou seja, vão tentar de tudo antes de te assinar um chequezinho mensal de X euro-contos.

Uma das maiores reclamações dos holandeses, é sobre os espertinhos que tentam passar a perna no governo. Sim, aqui também tem espertinho, menos que no Brasil, mas tem.

Na família do marido teve o caso do Fulano que machucou as costas “irreparavelmente” aos 45 anos. Foi ao médico, fez mil fisioterapias, continuava morreeeeendo de dor, o médico acabou atestando que o Fulano não podia mais trabalhar. Aí o fulano ganhou o salário desabilidade. Só que era tudo falcatrua ( ou exagero ) do Sr. Fulano, e por cima, o Sr. Fulano achou que o salário desabilidade era pouco, então ele abriu uma ONG que ensina jovens problemáticos a consertar eletrodomésticos. Em teoria, ele só pode trabalhar 2 horas por dia, então ele cumpre direirinho a “schedule”, trabalha duas horas por dia, 3X por semana, ensina os jovenzinhos. E qual a “grande jogada”? A grande jogada é que, já que o Fulano tem uma empresa sem fins lucrativos, ele pode fazer praticamente todas as compras da casa sem pagar o BTW ( imposto ). Ele também não precisa pagar BTW de nenhuma conta ( água, luz, eletricidade ) da empresa sem fins lucrativos, que é na verdade uma garagem aquecida na casa dele, ou seja, todas as contas de casa são isentas de impostos. TRUTAAAAA.

Fico imaginando como deve ser difícil para os funcionários dos órgãos responsáveis separar “o joio do trigo”.

Tenho um funcionário que é assistente administrativo ( o salário é mais modesto, ele tem menor escolaridade ). A esposa dele tem 32 anos e diz que danificou a coluna irreparavelmente na segunda gravidez. Após vários exames, fisioterapias, o médico deu laudo de que ela só podia trabalhar 3 vezes por semana, 4 horas por dia. Daí, ela foi diagnosticada com depressão pós parto que evoluiu para uma depressão relacionada a trauma de infância “reativado” pela maternidade ( são as palavras do meu funcionário ) e está fazendo tratamento psicológico. Então, o argumento dela é que ela só pode “ficar de pé” 12 horas por semana, e que dessas 12 horas por semana ela precisa de 4 horas para o tratamento dela ( 2 hr psicologia e 2 hr fisioterapia ), logo ela poderia trabalhar apenas 8 horas por semana, o que a qualifica como desabilidade total.

Durante todo esse processo, por lei, ela tem que ir a entrevistas de empregos que o órgão holandês ( UVW ) arruma pra ela, no limite das possibilidades físicas dela. Segundo o meu funcionário, ela não pode ficar sentada mais do que 1 hr por vez, não pode levantar / segurar pêso, não pode virar pro lado ( torcer a coluna ). Em cima de tudo isso, não pode trabalhar em lugares que a deprimam ( hospital, funerária, açougue sim, ele me disse açougue ). Agora me digam, se vocês fossem a funcionária lá do órgão holandês, íam achar que tem treta aí ou não? Eu só sei que eu ouço ele me contar e não digo um pio, mas que eu acho tudo muito bizarro, eu acho.

Aqui no trabalho tivemos os colegas com burnout. Um ficou em casa 3 meses, arrumou outro emprego, e foi-se. O outro já tem 20 anos de casa, está a 8 meses com “burnout”, está agora trabalhando 4 vezes por semana 4 horas por dia, e entrou com o pedido para “desabilidade”. Em primeira instância disseram que ele deveria trocar de emprego, mas ele respondeu que o burnout causou traumas psicológicos permanentes, que ele até tentou ir para uma entrevista de emprego, mas só de ouvir a descrição das funções ele teve uma recaída, que aumentou o medo dele de não conseguir nunca mais realizar nenhuma tarefa produtiva, e que ele teve que aumentar a carga horário do tratamento psicológico, daí requerer desabilidade permanente.

E eu ouço tudo isso e fico tentando não julgar, mas como? Não sei se realmente esse povo é mais fraquinho e não está preparado para as dificuldades da vida, se é sacanagem pura da pessoa mesmo, ou se é algo “in between”. Só sei que não entendo messsssssm…

E o meu funcionário? Pasmem, ganhou o benefício de volta contanto que a esposa vá em entrevistas de emprego mandadas pelo UVW para vagas até 12 hrs por semana, que a pessoa não tenha que sentar, se virar, levantar mais que uma caneta, e que a deixe alegrinha. Existe emprego assim, eu vos pergunto?