segunda-feira, novembro 14

Chorando as pitangas?

Eu não sou a maior fã do site Viaje na Viagem, não porque não goste do Ricardo Freire, muito pelo contrário, mas porque é um site que funciona bem para brasileiros / brasileiros vivendo no Brasil. Com o tempo, me pego questionando se depois de quase 10 anos morando fora continuo me encaixando no perfil para quem ele escreve, e pra falar a verdade, na maioria das vezes vejo que não. As viagens para a Europa que ele descreve ( e que os leitores amam e fazem mil comentários ), são aquelas do tipo “faça 100 coisas num dia em Paris”, e eu não curto esses dias frenéticos em qualquer lugar que seja. Já curti, hoje não mais. As viagens pro Caribe são sempre de 1 semana, o que pra mim é curto demais, não vou me enfiar numa viagem de 10 horas, ficar lá uma semana, e me abalar outras 10 horas de volta pra casa, sem falar que não é “cost-efficient”. E quer nas reportagens dele ou nos comentários, a importância que se dá à compras não faz mais parte do meu cotidiano ( se eu quero um perfume, vou na drogaria da cidade e compro ).

Apesar do que disse acima, ainda leio o site com alguma frequência porque me identifico com ele ( ele ama praias ), e porque sempre dá pra pescar umas dicas legais dos outros leitores.

Essa semana ele abordou um tema que já apareceu repetidas vezes por aqui: porque é que as pousadas brasileiras não colocam tarifário nos sites? A explicação dos donos de pousada pra mim foi furadíssima: eles alegam que não colocam preço no site porque o brasileiro sempre dá uma chorada no preço, por isso não tem como fixar no site.

Agora pergunto, se essa fosse a verdade, não haveria então a oportunidade de já praticar o preço justo, mais baixo que a concorrência, e sempre dizer não aos que tentarem barganhar? Se o preço fosse mesmo justo e mais baixo que a concorrência, hóspedes é o que não faltaria, certo?

Segundo, supondo que haja mesmo a tal “choradinha de preço”, porque não colocar os preços no site 5% mais altos e então abaixar 5% na choradinha?

Pra mim é tudo balela, mas uma pergunta eu queria fazer para os leitores brasileiros: você chora preço, pede desconto, tenta incluir um serviçozinho a mais ( shuttle, jantar, uma massagem ) quando reserva uma pousada pras férias?

sexta-feira, novembro 11

Tudo brilha por aqui

Hoje está um lindo dia de outono. Está frio, mas o sol brilha, reflete nas árvores que estão douradas ou vermelhas, o efeito é lindo. Ontem fui ao centro de Eindhoven jantar com a comadre e aproveitei pra dar uma voltinha pela amostra Glow, que está linda, cheguei a me emocionar quando vi a estação de trem da cidade.

Há já algum tempo que fico pensando em como é que eu fui deixar a beleza de se morar aqui desaparecer? Sim, me incomodam certas impraticalidades do dia a dia aqui na Holanda ( supermercado com horário limitado, lojas que fecham as 18:00, não poder pegar o livrinho da Sul América, ligar pro dermatologista e ir clarear aquela manchinha no rosto… ) mas quando foi que eu parei de admirar o verdinho da cidade, as (poucas) construções antigas, as ruas limpinhas, os fios elétricos subterraneos, os outdoors cuidadosamente planejados, as flores para todos os lados, o centrinho só para pedestres? E óquei que gente deslumbrada com “A Zuropa” é chato demais, mas pô, será que um pouquinho só pode? Meo, sério, quando é que eu ía imaginar que um dia eu estaria morando, trabalhando, sofrendo, aproveitando a vida numa cidade européia?

Eu sou uma pessoa muito chata mesmo. #kickingmyownass

Hoje sairei ainda com luz lá fora ( antes das 5 ) e vou dirigir pra casa admirando o reflexo do sol nas árvores. Colocarei uma roupa bem quentinha com a minha amada UGG-imitation, e vou andar até não poder mais pelas estações da exposição GLOW, com direito a paradinhas entre elas para beber vinhozinho nas barraquinhas, alias disseram até que tem uma barraquinha de “gluw-wijn” ( não sei como se escreve, mas é um quentão alemão igualzinho ao nosso, só que sem frutinhas ). Admirarei minha cidade que é muito bonitinha sim, com ou sem luzinhas brilhantes.

Felicidade maior só se eu descobrir como desligar o maldito corretor de texto desse infeliz outlook 2007.

Bom fim de semana proceis!

quarta-feira, novembro 9

Enquanto isso, no interior do Congo...

Nossa secretária, de quem sou “quase amiga” ( transformer colega de trabalho em amigo aqui é um processo que pode levar décadas ), veio me contar o drama dela.

Aqui no Congo, as mulheres não fazem prevenção do câncer ginecológico  ( o famoso Papanicolau ) todos os anos como no Brasil. Antes dos 30 não se faz, e aos 30 você é presenteado com uma cartinha do órgão público de saúde com “papanicolau voucher”, e você vai ao seu medico para – alegria alegria – fazer um exame laboratorial ( fala baixo que essa palavra é coisa do capeta aqui na Holanda ). Depois disso o voucher-presente vem a cada 5 anos. E se você tiver alguma coisa entre esse periodo? Ué, cê morre, sô. Mas em defesa dos Holandeses, tem uma estatística matemática, com as variáveis X, Y, Z, as circunstâncias A, B e C, e conclui-se que a chance de você desenvolver um câncer, ele evoluir, e tornar-se incurável é coisa pouca, tipo 4% ou algo que o valha. Então, nos anos entre um exame e outro, ao invés do voucher-papanicolau você ganha um santinho com a reza de São Peregrino, que é o santo padroeiro dos doentes de câncer.

Mas voltando à secretária. Semana passada ela fez o tal exame, e como é procedimento aqui, ligou para pegar o resultado. A assistente informou que ela deveria falar com a médica. Na consulta, a médica disse que o resultado estava “anormal”, e que o colo do útero não estava liso como deveria estar. Disse que pediriam mais um exame, e acessariam a situação. A secretária, zonza, nem sabia o que perguntar. A médica não explicou as possibilidades, não elaborou sobre possíveis tratamentos, não tentou apressar o resultado do teste adicional. A coitada da secretária apareceu aqui no dia seguinte, com imensas bolsas debaixo dos olhos, e inchada de chorar: Adriana, e se eu tiver câncer, e se eu não puder ter filhos? Tudo o que eu pude responder foi: “Querida, a gente sempre pensa o pior, mas não pense o pior, eu conheço tanta gente com cistos, vai ver que é algo bobo assim. Mas se você está assim tão arrasada, não sofra, ligue pra médica e vá hoje mesmo falar novamente com ela, esse é o trabalho dela, cuidar da sua saúde física E MENTAL.

A moça ligou e a médica está de férias. Ela não pode receber uma cópia do exame para ir em outro médico, nem para falar com algum conhecido, nem para googar os resultados.

Apesar de ter feito as pazes com o fato de morar nesse país estranho, jamais entenderei esse sistema de saúde da União Soviética Comunista. Jamais me conformarei em ser tratada e ver quem eu gosto ser tratado como um monte de carnes com dados estatísticos anexado ao produto.

Juro, meus gatos tem melhor tratamento médico do que eu. O veterinário do Tyty me aconselhou a dar um banhinho morno nele depois dele fazer xixi na gaiolinha de transporte “pra levanter a moral dele, porque gato não suporta se sentir sujo”.

Veja se a médica da colega tá aí com a moral dela.

segunda-feira, novembro 7

As pingas que eu tomo...

Vocês sabem aquele ditado: só vêem as pingas que eu tomo, mas nunca os tombos que eu levo? Então…

Estou meio de saco cheio de ser colocada de escanteio por ter feito algumas escolhas diferentes das escolhas da maioria. Sort of…

Não ter filhos por exemplo. Foram 100 motivos que me levaram a escolher não ter filhos, mas foi uma escolha mesmo assim, escolha essa que outros não fizeram. Hoje, eu ouço absurdos, alguns só “irritantezinhos”, outros que me deixam muito muito pê da vida.

Compramos dois carros zero no espaço de 6 meses, deixei de comprar móveis caros, deixei de sair pra baladinha em restaurante caro, não comprei roupetas de marca, minha casa continua sem o quarto de visitas, e sim, não tive filhos – não pago crèche, fralda, papinha, whatever. Aqui, o que ouço cada vez que alguém me vê chegando no meu carrinho ( pequeno, motor fraquinho e barato ) novo é: poxa, que beleza ser dink ( double income no kids )… e risadinha irônica… se a pessoa cutuca com a vara curta, eu respondo: é mas eu não tenho a recompensa que é um bebezinho me chamar de mama… ou então… é, eu preferi economizar em fraldas… e normalmente a pessoa fica amarela e me deixa em paz.

Quando voltei da viagem pro Brasil, fiquei irada. Eramos 3 do departamento voltando e alguém tinha que estar presente na segunda, 12 horas após o avião aterrizar, na sala de um dos diretores pra dar um resumão da viagem. Estávamos os 3 chumbados e sem voz, depois de 5 dias falando sem parar com o público da feira, e sabem qual foi o critério? Adriana, você não tem filhos, o Fulano e o Ciclano querem passar um tempinho com os deles. Eu fervi, e ainda tive que ouvir: seus gatos não vão ficar tão bravos…

Agora meu irmão me mandou um e-mail que precisamos trocar o carro da minha mãe porque ela já não aguenta mais um carro sem direção hidráulica. Precisamos mesmo, o carro dela tá velhinho. Mas, eu já mando dinheiro pra prestação do apê todos os meses, nesses 9 anos de Holanda já foram mais de 10000 euros em prestação de apartamento que podia estar alugado rendendo. Vejam bem, meu irmão não está me cobrando nem nada, está perguntando se eu posso ajudar, mas eu já ouvi antes o fatídico “quem faz tanta viagem é porque a grana tá sobrando”, mas a verdade é que são apenas escolhas diferentes, porque ele senta a bunda dele num carro de mais de 70 mil reais, enquanto eu, depois de 9 anos de bike e motinha, acabei de comprar um carrinho de menos de 10 mil euros. E o pior é que eu estou sim me sentindo culpada por dizer não, não posso mandar 4 mil euros pra comprar um carro pra mãe.

É o que eu sempre digo, pra quem não é rico, cada coisa que você escolhe fazer é em detrimento de algo que você gostaria mas não vai fazer.

E se alguém descobrir um jeito diferente que me ensine.

quinta-feira, novembro 3

Networking e Linquedín

Há tempos eu já me admiro da cara de pau holandesa com o tal do networking. Quando eu deixei a GM, eu e meus colegas trocamos e-mails particulares, prometemos nos comunicar para sempre, eu ganhei festinha com presentes, saí de lá me achando. Tudo bem que nos anos seguintes continuei em contato com 4 dos 15 colegas, mas até que o percentual não é mal.

Aqui na Holanda, o povo vai embora, manda aquele e-mail curtinho “bla blabla, foi ótimo trabalhar com vocês, aprendi muito, boa sorte, fui”, e nada de e-mail particular ou telefone. Aí, os que vão de mesa em mesa dar tchauzinho, antes de você ter oportunidade de pedir um telefone de contato, já tascam: a gente mantém contato pelo Linked in.

Linked in, taí o campeão de audiência com a holandesada. Na prática significa: ó, não faço questão de manter amizade com você, mas vamos nos conectar no linked in pro caso de um precisar do outro profissionalmente no futuro.

Networking, esse é o nome do negócio. Nem muito amigo, nem desconhecido, um útil contato.

Hoje, recebi um convite para um simpósio e tava lá: diner and networking, ou seja, o discreto fazer amiguinhos no jantar de negócios já foi escancarado para o “networking”.

Eu, véia que sou, ainda me admiro com essas objetividades todas, e sinto falta ainda do romantismo de achar que seu colega de trabalho vai sentir sua falta, que o jantar depois de um simpósio é só uma confraternização depois de um árduo dia de aprendizado.

E para terminar, povo brasileiro, vamos aprender a falar linked in, vi a americanada tirar muito sarro dos brasileiros na semana passada. Não é  “linquedííín”, o certo é “línk’d in” – com esse d bem suave e nada tônico.

E já que eu falei da mania da holandesada no linked in, deixa eu falar da mania dos brasileiros no linked in, porque é que todos os pedidos de recomendação que eu recebi vieram dos meus contatos brasileiros? Porque é que a brasileirada recomenda tanto uns aos outros? Será que alguém vai lá e escreve: Pedro Termio não é nada inteligente, e apesar de ser bem esforçado, não consegue acompanhar o ritmo de um escritório dinâmico. Na área pessoal, ele é estranho e obcecado com o facebook, checa a conta dele 4 vezes por hora. Só o contrite se for pra aquivista ou analista de almoxarifado”?

quarta-feira, novembro 2

Coisas de Brasil 1

Passeava eu, lépida e faceira pelo Morumbi shopping, quando vi um shortinho jeans na Guaraná Brasil que era a cara da minha sobrinha. Entrei na loja e enquanto eu olhava as cores disponíveis, esperava uma vendedora vir me atender.  Esperei o que eu julguei bastante, me dirigi então a uma mocinha detrás de um balcão. Minha dúvida era bem simples, como eu não conseguia achar a etiqueta do tal shorts, queria saber se a numeração era a normal brasileira ou aquelas americanas, que já estão usando no Brasil em lojas “design” e até mesmo em lojas mais simples como a Levi’s. Eu sei o número da minha sobrinha no normal brasileiro ( 38 ), mas não faço idéia da numeração americana em polegadas.

Adriana: Você poderia me dizer que tipo de numeração sua loja usa?

Mocinha (olha de cima abaixo):  Nossa numeração é meio pequena, e só vai ao 44.

Adriana: Ah, 44, então é a numeração brasileira. Eu ía te pedir aquele shortinho 38, mas acho que minha sobrinha gostará mais de um produto de marca mais conhecida.

É, o Brasil detesta gordos mesmo.

Sabem que eu não sei se o negócio das roupas miúdas é preconceito ou economia de tecido mesmo? Me disseram que regulamentaram o tamanho mínimo e máximo de cada numeração, e para economizar tecido me parece que todos estão produzindo nos tamanhos mínimos, mas ó, tem coisa que é demais. Comprei daquelas meias finas até o joelho da Trifil, e mal chegou no meio da batata da perna, olhei várias vezes pra ver se tinha comprador meinha soquete, ou tamanho infantil, mas que nada, a bicha foi feita pequena mesmo.

E aí, #comofaz? Palank?

terça-feira, novembro 1

Long time no see

Estou de volta.

Fui ao Brasil para uma série de visita a fornecedores e seguida da parte mais importante: a participação da empresa na FENATRAN, feira de transporte, no Anhembi.

Nesses quase 9 anos de casamento sempre volto a SP como turista, então foi bem diferente estar lá a trabalho.

A princípio fiquei bem chocada com o preço de tudo. Sei que aeroporto tudo é caro, mas R$5,60 numa coxinha me parece caro demais até pra um aeroporto. A manicure que em dezembro do ano passado me cobrou R$40 ( também no aeroporto ), esse ano me cobrou R$50. E estava cheio. Um envelopinho de benegripe, R$ 6.

Saí com meus primos pra um japa, uma delícia. Preço razoável, R$ 40 por pessoa num all you can eat, de qualidade bastante boa. Lá comi pela primeira vez sorvete de melão da marca MELONAS, maravilhoso! Melhor de tudo foi ver meus primos bem, trabalhando, estudando, namorando. Infelizmente, por outro lado, tanto minha mãe quanto minhas tias vivem para reclamar que dói isso e dói aquilo, não há outro assunto. Você tenta falar de algum lugar bonito que esteve, de alguma comida gostosa que comeu, de alguém que viu, mas a conversa converge sempre pro mesmo assunto: dores e remedies. Concluí que não há o que fazer, não há como ajudar quem não quer ser ajudado.

Sugeri pra minha mãe que ela alugue meu apartamento para um aparentado que está interessado e tente, por um ano, morar em Holambra. Na minha cabeça isso quebraria esse ciclo vicioso de estar doente, só falar em doença com as minhas tias e ficar mais doente ainda. Ela não descartou totalmente como eu esperava, o que é um bom sinal.

Meus sobrinhos estão lindos, e adolescents. Minha sobrinha já está dando um certo trabalho, quer “ir pra balada”, quer roupa nova, só quer saber da turminha. Meu irmão sofre, porque ele não é mais o centro das atenções dela, mas tudo será uma questão de tempo.

A feira foi a parte mais legal da visita, não que visitar a família não seja tudo de bom. Éramos 20 pessoas, a maioria falando portunhol ou alguma forma de português marromenos, nativos mesmo, éramos 4. Ficamos num hotel bam-bam-bam escolhido pelos Americanos, o Grand Estanplaza perto da Berrini. Acho o Brooklin Novo uma das partes mais bonitas de SP. A feira em si foi ultra cansativa, ficávamos em pé das 13 às 21, debaixo de um calor de 35 graus, de terno. Mas o time era super legal e estávamos muito motivados, foi uma experiência tão incrível que nos últimos 15 minutos do ultimo dia todos os expositores começaram a buzinar os caminhões, nós acompanhamos e vi que muitos de nós, como eu, tinham lágrimas nos olhos, uma sensação de dever cumprido, de ter feito algo muito bem, incrível.

De toda essa experiência tirei várias conclusões.

A primeira é de que o Brasil é sim uma opção viável para se morar, ao contrário do que eu pensava. Mas ali naquela região linda, com um ultra salário, e com direito a férias num lugar mais calmo de quando em quando. Fazia muito tempo que eu não comia tão bem, fomos 3 vezes no Jardineira, uma no Barbacoa, no bar Veríssimo, no bar do Juarez, na Trattoria do Lellis, no Varandão em SBC ( está ótimo! ), no Almanara. E comi “trequinhos” no Viena, na Ofner e numa brigadeiraria do shopping Morumbi. E acreditem se quiserem, com tudo isso, ainda emagreci 1 quilo. Fomos convidados para 2 jogos de futebol, eu fui convidada para uma peça de teatro, assisti a um ballet de rua, no Veríssimo tinha uma banda de jazz, ou seja, uma vida cultural que aqui na Holanda eu tenho que viajar longe pra ter.

Em decorrência do que falei acima, vem também a conclusão lógica de que estou na Holanda por escolha, e não pela falta de. E pensando nisso, veio a vontade de conhecer o país um pouco mais, ir a lugares que ainda não fui, de exercer essa minha escolha de uma forma melhor.

E a nível profissional, fiz muitos contatos, o tal networking. Mas vi que está na hora de eu me envolver em mais projetos internacionais. Não tenho filhos, tenho um marido que sabe que minha profissão exige viagens, é só mandar os gatuchos pro hotelzinho ou achar alguém pra vir limpar o banheirinho e pronto. A rotina do trabalho, além de cansativa, é chata e me faz perder a motivação. Mudar de ares é bom, te faz ver seu jabá com farofa do dia-a-dia de forma diferente.

Agora é trabalhar de sol-a-sol por 5 semanas e… férias! No Brasil! Bahia, aí vou eu!

segunda-feira, outubro 10

O almoço

Ele, todo charmoso e bem apanhando, sentou-se na minha frente e bebemos Lipton enquanto esperávamos o almoço. O restaurante no estádio de futebol da cidade não é nem bandejão nem estrela Michelin, é no geral agradável.

Ele desdobra o guardanapo de papel, aliás sempre admiro esses guardanapos de papel modernos, quase parecem de pano. Mas então, com o guardanapo desdobrado ele limpa a narina direita, depois a esquerda. Nada de enfiar lá dentro, aquela limpada meio-do-caminho. Ele desdobra o papel, vira e dá uma meio assoada. Tudo isso enquanto me conta do irmão que trabalha na Antártida.

A comida chegou e ele redobrou o guardanapo, creio eu que na tentativa de achar um lugar ainda não usado do pedaço de papel, e elogiou o hamburguer com queijo.

Enquanto eu pensava no disperdício que foi minha mãe me ensinar mil vezes que tudo que tem a ver com assepsia nasal deve ser feito no recôndido do banheiro, pra eu vir parar aqui, onde ninguém aprecia ou sequer reconhece meus bons modos, lembrei que ainda essa semana passarei por outro momento eca.

Se eu ganhasse um euro por holandês assoador de nariz em guadanapo de restaurante, tinha já uma casa lindona na praia, e se somasse outro euro por cada holandês que limpa a testa com aquela toalhinha úmida quentinha que dão antes da refeição no avião, tinha uma mercedinha na garagem da tal casa.

quinta-feira, outubro 6

B.O.R.I.N.G.

Eu gostaria de entrar aqui e ter milhões de coisas interessantes pra contar, mas… que vidinha marromenos que eu ando levando.

Não sei se era ilusão de pós adolescente, ou imaginação fértil de brasileiros, ou só leseira mesmo, mas se há 20 ou 15 anos atrás alguém me falasse da vida de uma brasileira gerente de compras na Europa eu ía achar tudo tão glamouroso, tão chique-no-úrtimo, mas a verdade é que minha vidinha tá bem marromenos sim.

Hoje eu acordei super cedo porque tinha que estar na empresa, devidamente enterninhada, as 7:30, e antes de colocar o salto tive que limpar o banheirinho dos gatos, dar comida ( a do gordo separada da do magro ), fazer barra na calça do terninho ( barra tabajara ), colocar o lixo no container e colocar o container na rua ( debaixo de frio e chuva, andando de pantufas pela rua, o que eu sempre jurei que jamais faria ), olhei pra pilha de roupas sujas no cesto e lembrei que tem outra pilha dobrada lá em cima esperando ir pra gaveta e ninguém pra ajudar em nenhuma das pilhas, suja ou limpa. Não deu tempo de tomar café, carreguei uma barrinha do Atkins pra mastigar no caminho, e fui pensando na lista do “to do”: lavar todas as minhas camisas, passá-las ( será que aquele serviço de passar que abriu perto de casa é caro? ) antes da viagem, comprar o presente da Thali e do sobrinho, comprar umas vitaminas pra minha mãe, reservar o hotelzinho, ligar pra minha mãe pra arranjar uma carona, ligar pra amiga pra arranjar outra carona… e o portão da empresa chegou antes da lista terminar.

E daí eu lembrei que quando eu era adolescente e minha mãe falava que cuidar de uma casa é barra, eu falava que eu ía ter uma empregada. Deus tá me castigando!

Na semana passada falei com uma amiga brasileira e ela me disse que invejava tanto minhas viagens, que ela – com casa pra pagar, dois filhos pequenos pra cuidar, financiamento de carro, seguro, escolinha particular – além de não ter os recurso, não tinha nem energia pra ir de férias. E eu só invejando a empregada nova dela importada do paraguai, que parece ser moda em SP agora – que limpa a casa, passa, cuida do filho bebê e de vez em quando até cozinha. Gente, como deve ser a vida de alguém que tem empregada diária? Não consigo nem imaginar…

Bom puevo, guenta aí que logo, assim que eu chegar no Brasil, devo ter posts mais interessantes.

Ah, e só pra registrar dois momentos dignos de menção. Pena o Steve Jobs ter morrido tão cedo. E eu não pensei que eu ía viver pra ver o Brasil, a terra dos magros, proibir anfetaminas.

Fui puevo!

terça-feira, outubro 4

Querer é poder?

Essa semaninha que eu passei em Portugal foi cuidadosamente planejada e veio na horinha em que eu achava que eu ía pirar de tanta pressão no trabalho, e overload, e pânico meu e alheio por todos os lados.

Semana passada eu voltei calminha, e estabeleci um ritmo legal de trabalho, mas já tá degringolando de novo, e eu não quero voltar àquela loucura que estava antes de eu ir de férias. Eu estava nervosíssima, tava chegando a ser grossa com as pessoas sem nem mesmo notar, em casa eu estava sempre o bagaço… Não, não quero voltar praquela vida, mas a pergunta que não quer calar: eu não quero, mas será que posso?

A empresa vai continuar nessa doidera até 2013, quando lançamos um novo modelo de caminhão no Mercado, até lá vai ser esse pega pra capá. Qual a alternativa? Mudar de emprego?

Vem uma nova crise aí, a gente já tá até se preparando, então quem mudra de emprego agora, ano que vem estará com a bunda na janela na hora que a crise chegar, porque cês sabem né, último a chegar primeiro a sair.

Philipona mandou convitinho pra entrevista de novo, via Linked in, agora: quem se arrisca ir praquele barco afundando? A cada ano é uma nova reorganização, cada vez mais reduzem o quadro de funcionários, e antes que venham com aquele lenga-lenga do “Adriana, mas você não se garante?”, digo-vos já que o problema não é a garantia, mas o saco que é passar por aquela novela que a Holandesa passa todos os anos, não sabe pra onde vai, pra que cargo vai, quem sera o chefe, faz entrevista pra manter o próprio emprego, isso tudo é insuportável demais. Um dos poucos benefícios de trocar a vida profissional brasileira pela holandesa é não ter mais que lidar com facão anual, aos quais eu sobrevivi 9 anos aliás – mas nem por isso sofri menos ( ok, seria pior ter sido decapitada no facão, mas mesmo assim a tensão pré-facão é terrível e ver seus amigos desesperados deixando a companhia é também hor-ro-ro-so). Não, Philipona não rola, mas na região, quem mais?

A parte terrível do gerenciamento é que só vem pepino pra sua mão, a parte legal os compradores fazem. E não há muita continuidade, o comprador começa uma cotação, negocia, escolhe o fornecedor, eu agora como gerente só pego pedaços, e sempre os pepinos, de cada processo. Sei lá se tô mais feliz como gerente do que como compradora. Gosto do salário e gusto do assistente, mas de resto… tenho lá minhas dúvidas.

O OldFart continua fazendo oldfartisses, essa semana temos que entregar o fechamento do ano pra finanças, ele nem começou. Eu vou me esquentar? Não… dessa vez registrarei num log que eu fiz minha parte, se ele xexelentar a apresentação dele, tô nem aí.

Tô em crise existencial povo. E semana que vem estou indo pro Brasil. Meninuchos terão que ir pro hotelzinho porque o marido tá com medo de não dar conta do tratamento do Tyty, e sinceramente, dá um belo trabalho… Limpar banheirinho 2 vezes por dia, comida separada 2 vezes por dia, remédio em pílula, pó na comida seca, comida molhada de noite… Ó céus… E eu nem vou poder me acabar no pão de queijo assim que chegar!!!!!

Hoje, se eu pudesse, comeria um saco inteiro de pão de queijo de Minas congelado, feitinho na hora e recheado com requeijão. Me deu taquicardia só de pensar…

sexta-feira, setembro 30

Gordo sofre

Aqui perto de Eindhoven, na cidade de Roermond, há um Designer Outlet ( Roermond Designer Outlet ) que eu visitei, depois de uns 2 anos, novamente. Gente, dois comentários: 1) u lá lá, como tem coisa legal 2) como gordo sofre, porque é que o mundo detesta a nós, fofinhos?

Eu queria comprar sapatos bonitos, bons e confortáveis para a viagem de negócios para o Brasil, e encontrei um flat e um de saltinho, ultra confortáveis na Marc O'Polo, que sempre faz sapatos ultra duráveis, muito confortáveis, mas com um precinho normalmente acima do meu tímido budget. Pra dar uma idéia dos preços, paguei €80 num par de "pumps" ( mocassim? ) e €35 num part de flats, ambos de puro couro, com solas especiais espumadas e borracha na sola ( pra aguentar andar na neve que virá em 2 meses ).

Tem lojas da Nike, Adidas, Puma, olhei camisetas pra levar de presente para o Brasil. A maioria custa o mesmo que a gente pagan a V&D ou na Bijenkorf ( ao redor de €20 ), mas achei boas ofertas a €15 e até a €12. No Brasil, uma camiseta da Nike não sai por menos de R$80, então eu acho que levando daqui é um bom presente, não ocupa tanto espaço e não pesa tanto no bolso. O marido usa muito camiseta da Nike e da Adidas, a qualidade é realmente superior, até mesmo camisetas mais caras, tipo Esprit ou Mexx, não resistem muito bem à nossa rotina de lavadora a tombo e secadora a tombo ( eu não tenho varal ), e Nikes e Adidas duram pacas.

Outra loja que a gente gosta e é bem vantajosa é a Timberland, comprei camisetas a €11, também duram uma eternidade. Tudo bem que nos EUA é ainda mais barato, mas eu estou ( infelizmente ) aqui e não no sol da Flórida.

Entrei na Tommy Hilfiger e na Ralph Lauren baby ( hey comadres, adivinha porque? ) e embora custe bem mais que uma marca boa holandesa, é mais barato que uma Lilica Ripilica no Brasil. Vi mini-jeans da Hilfiger por €55, o que é caro pra uma calça minúscula que vai ser usada 5 vezes, mas no Brasil uma marca boa seria ainda mais cara.

Fiquei alucinada na loja da Creuset, a maioria das peças com 30% de desconto, logo comprarei pelo menos 2 preciso refazer o armário debaixo da escada.

E porque gordo sofre? Porque mesmo que você tenha na carteira €406 pra dar numa jaquetinha de lã Armani, o maior número é o 42, e deixem-me dizer: é um 42 brasileiro, pequetico de tudo. Jeans da Levi's a €20, mas o maior número era o cintura 29, que Segundo meus calculos é cintura 73, que é um tiquico maior que a cintura da minha sobrinha de 12 anos.

Agora preciso da opinião sincera dos amáveis leitores desse blog. Olha que assunto importantésimo. Está rolando os "Três dias loucos" da Bijenkorf e eu vi uma bolsa da Oilily que eu amei. Acontece que eu quero usar essa bolsa para carregar o tablet e o lap pra reuniões em fornecedores brasileiros, e tô meio com medo que seja louca demais pro ambiente profissional brasileiro, sem contar que a Oilily rosa que eu usei no Brasil foi chamada de bolsa de velhinha simpatico 2 vezes. Povo, clica no link e falaí se a bolsa é aceitável pelas bandas daí.

http://www.debijenkorf.nl/page/product_flypage?product=3704020002&fh_session=d34n2vpu8ke3php9cq5idum1n5&tsm=1&fh_maxdisplaynrvalues_brand=1000&fh_secondid=3704020002&fh_lister_pos=1&fh_location=//catalog01/nl_NL/ddd_cat>{drie20dwaze20dagen20aanbod}/categories<{catalog01_20}/categories<{catalog01_20_660}/brand>{oilily}&fh_eds=ß&fh_refview=lister

quarta-feira, setembro 28

Difícil


Quando eu era pequena, nossa família tinha um tabu, um assunto praticamente "intocável": o suicídio da C.

C. era prima do meu pai e irmã da minha madrinha, e há mais de 50 anos engravidou solteira, o pai da criança sumiu. A criança nasceu, a C. continuou morando com os pais e a vida continuou. A filha era ainda pequena ou bebê quando a C. subiu num prédio de São Caetano e pulou, especula-se que ela estivesse grávida de novo. A criança foi criada pela avó como se fosse filha, a menina só ficou sabendo da história da mãe verdadeira já adolescente.

Fora esse caso, nunca soube de nenhum outro suicída no Brasil.

Mudando aqui pra Holanda, em nove anos já conheci 3 pessoas com um familiar que se suicidou.

Há tempos contei aqui do senhor que trabalhava na Bosch comigo, o filho aos 16 anos pulou na frente de um trem nos trilhos bem na janela do escritório do pai. Já fazia 4 ou 5 anos e o pai ainda tomava remédio pra depressão e trazia na mesa um porta-retratos com a foto do filho e uma lanterninha de jardim com uma vela dentro, que ele acendia todos os dias.

Ontem, um dos meus funcionários me pediu um dia livre na semana que vem para um "herdenking": a família se reúne para lembrar do afilhado dele, que se suicidou há 3 anos, também no trilho do trem. É triste ver o estado da família depois de um acontecimento desses, não só pela tragédia ou pela perda, mas ver os familiares chegados, que viam o rapaz todos os dias, se condenando por não terem percebido nada, não terem visto os sinais. Deviam fazer mais campanhas pra ensinar famílias a reconhecer sinais, eu acho que eu também não teria percebido.

Olha que coisa estranha, uma velhinha que mora de frente pro trilho de trem contou pra família que o viu por lá 3 vezes ao menos, andando ao lado dos trilhos, indo e voltando. Ela achou que ele estava pensando em suicídio, mas que atitude tomar, falar com o rapaz, tentar localizar a família? Esse rapaz tinha 29 anos, naquele dia foi com amigos a um jogo de futebol aqui no estádio do PSV, parou num bar com os amigos, tomou uma cerveja, foi de bicicleta até o trilho do trem, acorrentou a bicicleta e fechou o cadeado, ajoelhou na frente do trem, e segundo o motorista do trem, estava com as mãos em posição de prece. O corpo foi encontrado aos pedaços, claro, apenas o cinto e a carteira foram devolvidos pros pais, e após várias semanas da cremação, um vizinho achou um dedo numa árvore.

Eu me pergunto se a depressão é mais frequente hoje em dia, ou se os números sempre foram altos, mas no passado nunca foram levados a sério ou tratados como doença. No Brasil, minha mãe faz tratamento com remédios pra depressão, e quando ela sisma em parar com o remédio, todo mundo percebe porque conviver com ela é praticamente impossível. Agora minha prima me disse que minha tia está muito muito mal com uma depressão terrível, e começou essa semana a tomar remédio. Acho ótimo que hoje tenha-se remédio pra depressão, mas fico com medo de alguns médicos que os prescrevem. A doença deve ser levada à sério, e o uso do medicamento também. No caso da minha mãe e da minha tia, o médico receita 3 meses de remédios, sem uma volta ao consultório. Aí, como faz minha mãe sempre, depois de um mês ela se sente melhor, que é o efeito esperado do medicamento, e pára de tomar, achando que está "curada". É claro que um mês depois ela volta à estaca zero, deprimida de novo. Duvido que com a minha tia será diferente, ouvi que "não vou ficar tomando remédio de maluco pro resto da vida". E esse médico que não explica que a depressão não é uma inflamação de garganta, que se medica, ela sara, e volta a acontecer tempos depois? E esse médico que não explica que depressão é uma doença séria e não "coisa de maluco"?

Ai credo, que assunto né?

terça-feira, setembro 27

E se?

Hoje eu tinha que acordar no fiofó da manhã porque tinha uma reunião às 7:45. Já falei aqui que antes das 9 meu QI é de Gorila? Então.

Plato Gorducho começou a dieta, tem que comer uma comida para controle de saciedade. Tyty continua na comida pro rim, então minha manhã começa com gato magro pra um lado com potinho de comida renal, gato gordo pro outro comendo comida de gordo, e é claro que o gordo quer comida renal e o magro quer comida de gordo. Eu sento no chão, no meio, com minha barrinha de cereais e meu nespresso fumegante, e fico controlando o café da manhã dos felinos. Hoje vim dirigindo esconjurada pro trabalho, pensando que todas as manhãs serão 15 minutos "jogados fora" controlando refeição de gato, e aí falo com a comadre que tá em casa com a nenêzinha recém nascida: Adriana, ela mamou, arrotou, xixizou, foi trocada, já tá na hora de começar tudo de novo. Essa é minha amiga mais prática, então se ela fala, eu acredito. Aí fiquei pensando…

Tem que querer muito, mas muito mesmo ter filhos pra aguentar o tranco. Ou ter o desprendimento holandês do deixar chorar, que eu não teria, afinal, nem o gato eu deixo miar de noite. Meu colega diz que o filho com uma semana já dormia 6 horas seguidas de noite. Mas e a mamada da noite? Eu não como, porque é que ele tem que mamar? Mas e não chora? Chora 3 dias, a gente deixa chorar, ele pára. E sei lá viu, o menino tá lá gordinho, espertinho, não morreu e acho que não traumatizou, mas como dormir sabendo que seu bebê recém nascido tá chorando de fome?

É, helaas pindakaas, meu negócio é gato mesmo, eu já estaria louquinha de pedra com um nenê pra cuidar… Estaria em mil paranóias, deixo chorar, acudo, vai ficar mimado, e quando for pra creche, sou uma bruxa malévola por mandar pra creche, e se ele ficar traumatizado, e se, e se, e meudeus, se???



segunda-feira, setembro 26

Tô pasma!


Voltei! Depois de uma semaninha de poupança pro ar, volto bronzeada, relaxada, de ótimo humor. Estava precisando!

Comecei as férias com minha conta de gmail sendo hackeada e um spam sendo mandado pra TODA a minha mail list. Como fazem isso? Resolvi o problema, troquei senhas, mudei settings, agora é torcer.

Antes de viajar, compramos nosso tablet lindinho. Depois de pesquisar muito, concluí que o Ipad não ía dar conta de todos os meus arquivos piratões, principalmente torrent, então comprei o Samsung Galaxy Tab 10.1 e estou amando, gente como é prático viajar com tablet! E de quebra a empresa tem um plano de reembolso de PC's e consegui enquadrar o tablet nessa categoria e receberei 50% do din din de volta, que boa notícia!

A dieta ( pra quem perguntou estou seguindo a South Beach Diet ) foi pausada por 9 dias, não enfiei o pé na jaca, só acariciei a fruta levemente, e voltei com o mesmo peso que fui. Agora TENHO que fazer a maldita da tal zumba pra derreter 2 kg de banha e viajar com terno folgadinho.

Fomos para Lagos no Algarve, e gostamos muito. Sempre pesquiso cidadezinhas mais simplezinhas, vilarejos, o absoluto oposto do tipão "Guarujá" e dessa vez também deu certo: Lagos está conseguindo manter o jeitinho português, apesar da invasão britânica. Fui tratada muito bem, vieram até me mostrar uma revista cuja capa trazia o título "portugueses que emigraram para o Brasil e moram de frente pro mar, ganhando o dobro do que ganhariam em Portugal". O negócio tá feio por lá, muita obra parada, o povo reclamando muito do desemprego e nível salarial. Bom, política à parte, comi um enorme bacalhauzão na brasa, não arrisquei meu bacalhau favorito ( com natas ) porque é bem engordativo mas me esbaldei; tomei caldo verde e comi pão de chorizo ( mini enfiada de pé na jaca ), comi pastel de nata ( sinhôura, pistel de bêlém só em Lishbóa ), tomei vááárias taças de vinho verde. Fomos 3 vezes à praia Dona Ana, linda de morrer, demos uma passeadinha por Ferragudo, passamos por Portimão e detestamos ( guarujázão piorado ), e a parte mais legal das férias: alugamos Segways e percorremos todas as vielinhas de Lagos flutuando no treco, foi legal dimais sô.

Bom, já que o post tá meio sem pé nem cabeça mesmo, tcheu continuar. Então, o euro foi pra 2,50 reais, tá um tantinho mió pros pobres europeus, eu incluida, passar férias no Brasil. E enquanto falávamos aqui na empresa sobre o real X euro, vi a pesquisa encomendada com os salários de diretores em empresas automotivas no Brasil, incluindo a grandona onde eu trabalhava. Quase caí dura: 35.000 reais. Gente, como pode? Fora bônus de fim de ano e participação nos lucros. Tô pasma. É um carro por mês meu povo! E não tô falando daqueles super CEO's de super empresas não, tô falando de um diretor de empresa automotiva no ABC, com 15 ou 20 anos de experiência, 45 anos de idade. Vou repetir: tô pasma de tudo!


segunda-feira, setembro 12

Who wants to live forever?

Hoje levei os gatos pro check up e vacinação anual.

Fui toda feliz, Tyty está gordinho, peludinho, serelepe, até já dá umas bordoadas no Plato quando provocado, ao invés de fugir como fazia antes ( ele com 6 kg e o Plato com quase 9 kg ). Eu não estava preparada pra mais um sopapo emocional.

Tyty está ganhando peso, se recuperando, está já com mais de 7 quilos, mas hoje o veterinário diagnosticou um "heart murmur", não sei como traduzir. Por enquanto é fase 1 ( vai até a 6 ) e só temos que ficar de olho para ver se a condição progride ( gato cansado, sem fôlego ), segundo o veterinário uma prognose otimista é de uns 8 anos de vida com boas condições e depois declínio de atividades. Muito provavelmente meu Tyty não morrerá de causas naturais e em algum momento nós teremos que "colocá-lo pra dormir". Muito provavelmente a causa é o remédio dos rins, pode-se fazer mil exames para saber melhor como está o coração, mas é bem cansativo pro paciente e além do procedimento, eu teria que levá-lo para Utrecht, numa faculdade que tem lá e que tem ressonância pra gatos. Estou aqui me debatendo, levo ou não? De que vai adiantar, não há outro medicamento, ele já toma o indicado para as fases 1, 2 e 3 ( Fortecort ).

Quando ele estava ultra doente, tínhamos que levá-lo ao vet todos os dias pra aplicação de soro subcutâneo. Nos 3 primeiros dias, ele estava tão mal que não conseguia segurar o xixi, e aí ele ficava inconsolável até chegar no vet, miando sem parar, e só parava quando a assistente o limpava, passava um líquido cheirosinho, limpava a caixinha dele e colocava um paninho pra ele deitar, aí ele ficava quieto praticamente a aplicação toda ( no fim ele miava, mas a dor era muita mesmo, quase meio litro de soro subcutâneo ). Ele pegou um trauma tão grande com as caixas de transporte que ele não entra no mesmo cômodo que elas estão, então como colocar o gato no carro até Utrecht ( 1 hora ) pra ser torturado e depois voltar na caixa mais 1 hora? Qual o benefício de tudo isso?

Quando ele estava sendo tratado era eu quem o tirava da caixa ao chegarmos em casa, dava água de seringa pra ele, paté no meu dedo, Holandesa dizia que o gato jamais esquece quem o curou e eu achava besteira, mas ele está tão apegado a mim que meu marido à vezes fica até chateado, ele raramente vai ficar com o Bart. Se eu vou ao banheiro, ele vem atrás. Estou na mesa da cozinha no lap, ele está aos meus pés; o mesmo quando eu estou no sofá, é no chão aos meus pés ou então no encosto do sofá. É meu companheirinho constante e quando eu fiquei doente, duas semanas depois dele, ele vinha dormir na minha barriga. É meu companheirinho. Se ele se for, como farei? Cidão, como faz? Cidão perdeu o Lukas dele, e a cada Twitada do Cidão Adriana se desfaz de choro, porque meu pequerrucho will not live forever.

E pra completar, Plato tá obeso redondão e ganhou pacotão de comida diet "saciety", vou ter que começar a separar os dois pra comer, tuchar comida no Tyty de noite e de manhã, e deixar meu outro pequerrucho com fome só olhando o irmão ganhando quilos de comida enquanto ele passa fome. Ele é um gato e não vai entender que ó pro bem dele.

Estou tão pra baixo que minha vontade de levar os dois pro hotelzinho e ir pras férias é zero. Se já não tivesse tudo pago, eu cancelava.

Estaca zero?


Vocês conhecem a história da família pobre e da vaca?

Vou resumir mil vezes que a história é longa. Um senhor pobre foi ao padre e pediu auxílio na situação difícil em que estava: ele, a esposa e 6 filhos moravam juntos num casebre de um só quarto, e viviam muito apertados. O padre mandou ele rezar um terço e arrumar um porco pra viver com eles, dentro de casa e não no quintal. O pobre achou um absurdo, mas de padre não se duvida. A vida virou uma droga com o porco, era um barulhão, e fezes por todos os lados. Ele voltou ao padre. O padre mandou trocar o porco por um cabrito. E depois por uma cabra, e depois por uma mula, e por fim, por uma vaca. A vida estava inconcebível, todos dormindo dentro do barraco, mais a vaca, mais a grama da vaca, mais o cocô da vaca. O pobre foi furioso pro padre e o padre mandou o pobre simplesmente se livrar da vaca. E o pobre viveu feliz pra sempre no seu enorme casebre, limpinho e cheiroso, livre de fezes animais e as moscas em consequência.

Essa sou eu. Depois da transfusão de sangue engordei 6 quilos em 40 dias. Sei lá se foi banha, se foi água, se foi uma alma penada gorda que tomou posse de mim, mas o fato é que eu já estava há muito tempo querendo emagrecer uns 8 quilos, com os adicionais 6 virou uma tarefa hercúlea. Discuti com a médica hematologista, e ela me disse que isso era esperado por pelo menos 1 ano depois da grande dose de ferro que eu tomei, e veio com aquela conversinha natureba de todo médico holandês. Aqui, pra tudo a cura é chá e cama. E paciência, que não vende na farmácia. Perguntei se podia fazer regime, ela disse que não era aconselhável, meu corpo precisa "se regenerar". Como de conversê de médico batateiro eu já estou farta, mandei um e-mail pra nutricionista do Instituto Garrido e a resposta foi: o que tem caloria nem sempre tem nutrientes, me aconselhou a fazer uma dieta low carb e tomar minha santa vitamina TODOS OS DIAS SEM FALTA. E assim estou fazendo. O emagrecimento dessa vez é lentíssimo, por causa da minha velhice e por cause do ferro todo. Estou seguindo a South Beach, que é mais razoável que o louco do Atkins que te manda comer bacon todos os dias. Ainda estou sem fôlego pra grandes sessões de ginástica, pedalo sempre que o tempo permite na minha bike com novo banco de 40 cm de largura ( e ainda sobra bunda ), tento fazer uma sessão completa de zumba mas arrego na terceira música, mas insisto.

Hoje me pesei, e no total emagreci os 6 quilos e mais 500 gramas. Estou apenas meio quilo mais leve do que estava quando fui para o hospital, mas juro, nem Gisele Bunchen se acha mais linda. Sou o pobre do casebre pós-vaca. Todo esse sacrifício pra voltar ao ponto de partida.

Mas, o pneu que tinha se instalado na minha barriga se foi. Minha bunda deve ter diminuído 7 mm ( uma vitória, quase um centíííííímetro ), minhas roupas estão servindo. Meu rosto, que enquanto doente tava chupado e com os 6 quilos a mais ficou inchado, está normalzinho e saudável. Com toda a proteína que estou comendo, tô ficando mais musculozinha, e sinto a diferença não só nas pernas menos gordotas, mas também na facilidade que é subir escadas.

Tá tudo indo bem. Mas sei lá que monstro que vive dentro de mim só diz: casebre de pobre sem a vaca. E o irmão desse monstro decidiu que quer pão, muito pão, quer chafurdar no pão.

Blé, gordo sofre!

quinta-feira, setembro 8

Lacraia encalacrada


Lacraia encalacrada, essa sou eu.

Parece que alguém lá no céu apertou o botão "tudo encalacrar para a Adriana" e cá estou eu.

Meu carro novo, que era pra ser entregue na semana passada? Encalacrado. Sem previsão de desencalacramento.

Viagem a negócios ao Brasil? Agenda encalacrada e consequentemente reserva de avião encalacrada. Vou acabar tendo que viajar sem o economy plus, na poltrona ao lado do chefão. Previsão de desencalacramento semana que vem, com sorte.

Situação com o Old Fart, encalacradíssima, e eu sofrendo horrores porque eu sou maníaca e quando estou com saco cheio de algo não consigo parar de pensar no assunto. Na terça tínhamos nosso one-on-one semanal, o primeiro depois da revisão anual e por isso muito importante. Ele veio sem preencher a única tela que temos pra trabalhar, remarquei a reunião. Na segunda reunião, tela ainda sem completar. Remarquei. Na terceira, ele simplesmente não apareceu. É ou não pra não ter ódio mortal do sujeito? Mas eu não vou me alterar, não vou agir emocionalmente. Simplesmente comecei um log de todas as atividades, os canos, as cagadas do fulano. Mais que isso, registro ali os assuntos discutidos, o "coaching" que é meu trabalho e eu faço, e que ele ignora. No dia que a m**** feder eu simplesmente pegarei o log e direi: no dia X eu o informei que o procedimento é Y, meu trabalho eu fiz. Hoje, já emputecida com essa história toda, chego no escritório pra encontra a secretária do departamento me esperando com a cara do demo. Temos uma política de viagens facílima, há um formulário de solicitação, você o preenche e dá pra secretária incluir os valores preliminares de vôo, hotel, carro alugado, esse formulário vai pro diretor aprovar, volta pra secretária, ela confirma as reservas, a agência te manda um e-number com e-ticket, e todas as outras reservas. Se você pedir, a secretária até te faz o check-in e prepara seu boarding pass. Esse imbecil, ignorando tudo isso, simplesmente reservou por si só passagens pra uma reunião na Espanha, não pediu autorização, e o detalhe: essa é a terceira vez!!! Eu só informei: você terá que arcar com os custos, a empresa não reembolsa passagem aérea reservada fora da agência, a menos que seja situação de emergência. E ele: é emergência! Ok, então vá lá explicar como foi que você pegou um vôo de emergência reservado 3 semanas antes da emergência. Panaca! ( e desculpinha aí por ainda estar falando do OldFart, cês são uns anjos )

Dieta encalacrada. Estou seguindo certinho, sem nem cheiro de jaca. Aliás, minha mini jaca foram giozas no djapa há uns 10 dias, e no dia seguinte passei tão mal que foi uma jaca emagrecedora. Estou no tal platô, e preciso perder mais 1 cm de bunda pros meus terninhos novos ficarem liiindos. Até a semana passada eu não sentia falta dos carbs, essa semana estou me sentindo ultra cansada, o pó. Em Portugal vou liberar um pouquitinho, senão não vou conseguir acompanhar o marido nas andanças pelas praias. Mas nada de doces, esses se seu comer uma balinha, acabo devorando um bolo de 6 tiers.

Tablet encalacrado. Agora que decidi que quero o Galaxy Tab da Samsung, não acho o de 32 gb, vou ter que me conformar com o de 16 gb.

Sapatos encalacrados. Quero uns flats de presilha pra feira no Brasil, porque ninguém merece salto alto em feira e sinceramente, nesse ambiente nem pega muito bem. Sei exatamente o que quero, mas ninguém vende. Hoje queria ir para o outlet de Roermond, mas chove cântaros e se eu for, ficarei encalacrada no trânsito.

Em compensação, uma pequena mínima vitória que é a minha luz no fim do túnel. Tive a minha primeira "werkbesprek" ( reunião de trabalho ) como gerente do Senhor Belga e foi tudo tão bem! Eu estava esperando uma gigante dificuldade, mas tá tudo tão belezinha…

Mas já usando um pouquinho do otimismo que essa última reunião me deu… tenho que agradecer muito aos leitores habituais do blog. É sempre legal ver pelo stat quanta gente vem aqui por dia, mas é ainda melhor ler que tem bastante gente que volta, e que é "cliente habitual". Outro dia eu estava ultra pra baixo e recebi aqui bastante mensagens do povo que vem sempre aqui e foi um enorme boost pro ego, que como eu digo, anda precisando. Brigadinha povo. Como diriam na terrinha: agradecemos a preferência!



quarta-feira, setembro 7

Mindfulness

Eu venho contando aqui o quanto eu tenho trabalhado. Vocês, que me conhecem bem, sabem o quanto eu estou estressada. Para mim, o stress aparece em forma de imensas olheiras que nem o mais potente pancake da Lâncome esconde, um humor do cão, paciência mais curta que meu salário, e tolerância abaixo de zero.

Hoje houve uma "intervention", que seria engraçada, não fosse tão trágica. Recebi o convite para uma reunião de grupo e lá estavam eles, com um bolo de chocolate caseiro e o pedido que eu vá, por favor, de férias. Segundo eles, eles notam que  eu estou sobrecarregada, que eu deveria estar me cuidando melhor, mas que no fim eu me deixo engolir pela montanha de papéis que é depositada diariamente na minha mesa. E enquanto eu comia uma fatia ínfima do bolo ( não podia fazer desfeita, né ;o) ), todos repetiam o "moto" holandês de que sua saúde é muito mais importante que seu trabalho.

Nesse convescote eu informei o time que eu já reservei férias no Algarve em duas semanas, ficarei por lá apenas dez dias mas já dá pra recarregar um pouco as bateriais pra enfrentar a próxima maratona.

E qual será a próxima maratona? Em outubro irei ao Brasil à negócios. Será muito, muito bizarro. Apesar de eu ter escolhido gerenciamento ao projeto brasileiro, me pediram para participar da feira FENATRAN, então eu estarei no stand da empresa conversando com potenciais fornecedores. Teremos ainda dois dias de treinamento, press release e como se não bastasse, irei ainda com meu diretorzão visitar alguns fornecedores. Como brincaram aqui, preciso fortalecer o muque pra carregar bem a mala dele.

Vai ser estranho estar no Brasil a negócios representando uma empresa holandesa, no meio dos holandeses e americanos, e claro, dos fornecedores brasileiros. O interessante é que eu me considero uma pessoa bem sucedida sim, mas os fornecedores me acham uma wonder woman, aqueles que ficam sabendo que eu mudei pra Holanda sem emprego, que comecei com vários anos de "atraso" e que hoje sou a gerente de um grupo, literalmente expressam sua admiração e até me pedem dicas. Como eu sou longe de ser perfeita, tudo isso faz um bem danado pro meu ego, e Deus sabe como eu estou precisando…

Essa viagem está sendo organizada por americanos, então tudo é uma ultra-mega-fantástica-produção: os traslados do hotel pra feira, o hotel é um ultra luxuoso perto da Berrini, tem camisa e pashmina especial, até momentinhos de lazer estão sendo programados. Nesse oba-oba todo eu espero que dê tempo de eu passar um diazinho que for com a minha família.

E é isso povo, tô indo mostrar as banhas pro sol português, nadar nas águas geladas da Praia da Dona Ana, vou comer muito bacalhau, todos os dias, no café da manhã até, e voltarei zen.

Como diria Claudinha: het is al gebeurt ( já aconteceu… frase do curso mindfulness, que eu deveria fazer ).


sexta-feira, setembro 2

Tchau Bacalhau

Cena: almoço do evento "Supplier Day" da empresa, Adriana tem que papear com 3 fornecedores que ela não conhece, dentre eles um português. Português vê meu sobrenome holandês, essa minha tez morena ( já tô pálida que nem lombriga de novo ), e nem se toca que eu sou brasileira. O chamarei de Sr. Bacalhau. O diálogo foi em inglês.

Sr. Bacalhau: Acho que sua empresa está cometendo um erro muito grande em abrir uma planta no Brasil, naquela terra não há gente honesta.

Eu: O senhor já esteve lá?

Sr. Bacalhau: Várias vezes, em cada vez sofri uma desonestidade. Dos diretores de empresas até os porteiros do hotel, são todos desonestos.

Eu: O senhor foi para o Brasil então porque?

Sr. Bacalhau: É, o dono na minha empresa insiste em fazer negócios no Brasil, diz que as vezes se perde, mas também se ganha muito. Eu por mim, não faria negócios ali. Eu, por mim, nem contrataria brasileiros, falam alto demais, estão sempre atrasados, a pausa do café sempre dura o dobro, só pensam é no dia do pagamento.

Eu: ( mudando pro português ) Nossa Sr. Bacalhau, então serei eu a primeira brasileira honesta, pontual, competente que o senhor vai conhecer?

Fiquei com dó dos outros fornecedores, ambos alemães, que ficaram de boca aberta. Eu mudei pro inglês e comentei: o que me entristece é que quando o Brasil estava "down" e muitos tentavam a sorte em Portugal, sofriam discriminação, eram tratados como inferiores, acho que ainda o são, no entanto, no Brasil, cada estrangeiro é recebido  com um sorriso no rosto, é convidado prum cafezinho, tem tratamento especial, o povo vai logo perguntando se eles estão gostando do Brasil - e com genuíno interesse. Agora que o Brasil está "enriquecendo", os mesmos portugueses que nos discriminaram vão ser tratados como reis se forem tentar ganhar um dinheirinho pro lado de lá do oceano.

O Sr. Bacalhau até tentou desconversar mas depois calou. Talvez eu devesse ter ficado quieta, mas vocês sabem né, não tô podendo.



quinta-feira, setembro 1

Dia ( meses ) de fúria


Adriana, você ganhou na loteria e está agora vivendo em Bora Bora? Não caros leitores, muito ao contrário, estou trabalhando feito um cão.

Vocês se lembram do filme "Um dia de fúria"? Então, um dia vou surtar daquele jeito e vou estrangular o OldFart, que merece um nome novo, piorado. Vou encurtar bem a história, mas digam aí o que vocês fariam.

Tivemos na semana passada nossa revisão financeira anual. Cada comprador tem que preparar uma apresentação com todos os números do ano inteiro, projeções pro ano que vem. Meu trabalho é ajudar cada um, principalmente os novos, compilar os números deles e fazer os números do meu departamento, daí vai pro diretor, ele compila os números do nosso grupo ( somos 2 departamentos ), reporta à finanças, e só depois de aprovado podemos apresentar para o diretor member of the board, cada comprador apresenta sua parte, eu apresento os resultados do departamento, o direto do grupo. Manjou né, escadinha de tarefas, um lá embaixo faz meleca, tudo vira meleca.

Todo mundo trabalhando feito uns loucos nos números, e o OldFart passeando. Neguinho arrancando cabelos, OldFart passeando, chegou o dia do primeiro review comigo e ele tinha 2 das 18 páginas prontas. Como se ele fosse um adolescente eu reservei uma sala pra ele, levei o laptop dele pra lá, cancelei duas reuniões: Old Fart, você vai terminar esse report NOW. E ele fez bico, e ele enrolou. Long story short, depois de 3 reuniões comigo, a data final chegou, a apresentação dele muito marromenos, eu pressionei, ele terminou, eu peguei os números, passei um dia inteiro calculando o total, outro dia inteiro com meu diretor consolidando os numeros do departamento, reportamos pra finanças, que alívio, tudo pronto pra apresentação no dia seguinte!

Um dos rapazes me diz: dá uma olhada nas apresentações no sharedrive, OldFart ficou até tarde ontem modificando os numeros. Eu surtei. Ele achou vááários erros nos números dele, arrumou pra não passar carão em público na hora da apresentação pro Board, mas com isso todos os números da minha apresentação e da apresentação do meu diretor ficaram ferrados. Eu já estava estressada, explodi. Fui à mesa dele, mandei-o retornar os números para o original reportado, ele se recusou, disse que eu o pressionei e dei pouco tempo pra ele conferir os números ( a apresentação está marcada a 5 meses!!!! ), que nosso diretor deu pouca atenção à apresentação dele, e que já que a apresentação dele ainda não tinha sido impressa ele iria mudar sim. Deus desceu do céu, encarnou em mim, e naquele minuto eu só respondi: eu vou limpar sua bagunça e conversamos depois.

E semana que vem teremos o "depois", é a reunião face-to-face que eu tenho com cada um dos meus funcionários a cada 15 dias.

Eu ODEIO esse funcionário. Odeio os princípios dele, a forma dele se comportar. Ele está aqui a um ano e ele AINDA responde "me disseram que esse contrato é assim", "alguém no passado negociou assado", ele não assume responsabilidade por nada! No dia que eu falei pra ele retornar a apresentação aos numeros anterior e mencionar que ele cometeu um erro, o véio tremia e ficou vermelho que nem um tomate podre, olhos estalados que nem uma rã.

Mas infelizmente eu não tenho "ainda" ( saravá Iemanjá ) não tenho o poder de fazer o cara tomar o rumo da roça, e também não quero ser aquela chefe que "marca" o funcionário, mas serioulsy, vou morrer com esse cara no meu grupo. Preciso ser diplomática, preciso ser cautelosa, mas ainda assim preciso me livrar do dito.

Tô quase acabando. Há dois meses o diretorzão pediu pra eu escolher: gerência do departamento ou projeto brasileiro. Me partiu o coração mas eu tive que escolher gerência do departamento, porque é o melhor pra minha carreira. E é lógico que o véio tá contando que eu vá para o projeto, afinal eu sou brasileira, e deve estar cronometrando os minutos. Semana passada foi anunciado no board meeting que eu não irei pro projeto e o véio ficou tão perplexo que levantou a mãozinha e pergunto: mas tem lógica, ela é a única brasileira da empresa… gente, juro, a cara de desespero dele foi até engraçada. Maledeto.

E agora povo, conselhos por favor. Minha vontade é de jogar o nome dele na boca do sapo. Estou com ódio mortal, passo horas ruminando sobre esse desgraçado, naquela semana fiquei tão irada que depois que terminamos a apresentação fui pra casa, tomei um Aleve pra garganta e quase morri de dor de estômago, vomitei 3 dias, até água me dava dor de estômago, e ainda não estou uma Brastemp.

Pergunta: mandinga, cogumelos venenosos ou laxante no café?