terça-feira, novembro 1

Long time no see

Estou de volta.

Fui ao Brasil para uma série de visita a fornecedores e seguida da parte mais importante: a participação da empresa na FENATRAN, feira de transporte, no Anhembi.

Nesses quase 9 anos de casamento sempre volto a SP como turista, então foi bem diferente estar lá a trabalho.

A princípio fiquei bem chocada com o preço de tudo. Sei que aeroporto tudo é caro, mas R$5,60 numa coxinha me parece caro demais até pra um aeroporto. A manicure que em dezembro do ano passado me cobrou R$40 ( também no aeroporto ), esse ano me cobrou R$50. E estava cheio. Um envelopinho de benegripe, R$ 6.

Saí com meus primos pra um japa, uma delícia. Preço razoável, R$ 40 por pessoa num all you can eat, de qualidade bastante boa. Lá comi pela primeira vez sorvete de melão da marca MELONAS, maravilhoso! Melhor de tudo foi ver meus primos bem, trabalhando, estudando, namorando. Infelizmente, por outro lado, tanto minha mãe quanto minhas tias vivem para reclamar que dói isso e dói aquilo, não há outro assunto. Você tenta falar de algum lugar bonito que esteve, de alguma comida gostosa que comeu, de alguém que viu, mas a conversa converge sempre pro mesmo assunto: dores e remedies. Concluí que não há o que fazer, não há como ajudar quem não quer ser ajudado.

Sugeri pra minha mãe que ela alugue meu apartamento para um aparentado que está interessado e tente, por um ano, morar em Holambra. Na minha cabeça isso quebraria esse ciclo vicioso de estar doente, só falar em doença com as minhas tias e ficar mais doente ainda. Ela não descartou totalmente como eu esperava, o que é um bom sinal.

Meus sobrinhos estão lindos, e adolescents. Minha sobrinha já está dando um certo trabalho, quer “ir pra balada”, quer roupa nova, só quer saber da turminha. Meu irmão sofre, porque ele não é mais o centro das atenções dela, mas tudo será uma questão de tempo.

A feira foi a parte mais legal da visita, não que visitar a família não seja tudo de bom. Éramos 20 pessoas, a maioria falando portunhol ou alguma forma de português marromenos, nativos mesmo, éramos 4. Ficamos num hotel bam-bam-bam escolhido pelos Americanos, o Grand Estanplaza perto da Berrini. Acho o Brooklin Novo uma das partes mais bonitas de SP. A feira em si foi ultra cansativa, ficávamos em pé das 13 às 21, debaixo de um calor de 35 graus, de terno. Mas o time era super legal e estávamos muito motivados, foi uma experiência tão incrível que nos últimos 15 minutos do ultimo dia todos os expositores começaram a buzinar os caminhões, nós acompanhamos e vi que muitos de nós, como eu, tinham lágrimas nos olhos, uma sensação de dever cumprido, de ter feito algo muito bem, incrível.

De toda essa experiência tirei várias conclusões.

A primeira é de que o Brasil é sim uma opção viável para se morar, ao contrário do que eu pensava. Mas ali naquela região linda, com um ultra salário, e com direito a férias num lugar mais calmo de quando em quando. Fazia muito tempo que eu não comia tão bem, fomos 3 vezes no Jardineira, uma no Barbacoa, no bar Veríssimo, no bar do Juarez, na Trattoria do Lellis, no Varandão em SBC ( está ótimo! ), no Almanara. E comi “trequinhos” no Viena, na Ofner e numa brigadeiraria do shopping Morumbi. E acreditem se quiserem, com tudo isso, ainda emagreci 1 quilo. Fomos convidados para 2 jogos de futebol, eu fui convidada para uma peça de teatro, assisti a um ballet de rua, no Veríssimo tinha uma banda de jazz, ou seja, uma vida cultural que aqui na Holanda eu tenho que viajar longe pra ter.

Em decorrência do que falei acima, vem também a conclusão lógica de que estou na Holanda por escolha, e não pela falta de. E pensando nisso, veio a vontade de conhecer o país um pouco mais, ir a lugares que ainda não fui, de exercer essa minha escolha de uma forma melhor.

E a nível profissional, fiz muitos contatos, o tal networking. Mas vi que está na hora de eu me envolver em mais projetos internacionais. Não tenho filhos, tenho um marido que sabe que minha profissão exige viagens, é só mandar os gatuchos pro hotelzinho ou achar alguém pra vir limpar o banheirinho e pronto. A rotina do trabalho, além de cansativa, é chata e me faz perder a motivação. Mudar de ares é bom, te faz ver seu jabá com farofa do dia-a-dia de forma diferente.

Agora é trabalhar de sol-a-sol por 5 semanas e… férias! No Brasil! Bahia, aí vou eu!

segunda-feira, outubro 10

O almoço

Ele, todo charmoso e bem apanhando, sentou-se na minha frente e bebemos Lipton enquanto esperávamos o almoço. O restaurante no estádio de futebol da cidade não é nem bandejão nem estrela Michelin, é no geral agradável.

Ele desdobra o guardanapo de papel, aliás sempre admiro esses guardanapos de papel modernos, quase parecem de pano. Mas então, com o guardanapo desdobrado ele limpa a narina direita, depois a esquerda. Nada de enfiar lá dentro, aquela limpada meio-do-caminho. Ele desdobra o papel, vira e dá uma meio assoada. Tudo isso enquanto me conta do irmão que trabalha na Antártida.

A comida chegou e ele redobrou o guardanapo, creio eu que na tentativa de achar um lugar ainda não usado do pedaço de papel, e elogiou o hamburguer com queijo.

Enquanto eu pensava no disperdício que foi minha mãe me ensinar mil vezes que tudo que tem a ver com assepsia nasal deve ser feito no recôndido do banheiro, pra eu vir parar aqui, onde ninguém aprecia ou sequer reconhece meus bons modos, lembrei que ainda essa semana passarei por outro momento eca.

Se eu ganhasse um euro por holandês assoador de nariz em guadanapo de restaurante, tinha já uma casa lindona na praia, e se somasse outro euro por cada holandês que limpa a testa com aquela toalhinha úmida quentinha que dão antes da refeição no avião, tinha uma mercedinha na garagem da tal casa.

quinta-feira, outubro 6

B.O.R.I.N.G.

Eu gostaria de entrar aqui e ter milhões de coisas interessantes pra contar, mas… que vidinha marromenos que eu ando levando.

Não sei se era ilusão de pós adolescente, ou imaginação fértil de brasileiros, ou só leseira mesmo, mas se há 20 ou 15 anos atrás alguém me falasse da vida de uma brasileira gerente de compras na Europa eu ía achar tudo tão glamouroso, tão chique-no-úrtimo, mas a verdade é que minha vidinha tá bem marromenos sim.

Hoje eu acordei super cedo porque tinha que estar na empresa, devidamente enterninhada, as 7:30, e antes de colocar o salto tive que limpar o banheirinho dos gatos, dar comida ( a do gordo separada da do magro ), fazer barra na calça do terninho ( barra tabajara ), colocar o lixo no container e colocar o container na rua ( debaixo de frio e chuva, andando de pantufas pela rua, o que eu sempre jurei que jamais faria ), olhei pra pilha de roupas sujas no cesto e lembrei que tem outra pilha dobrada lá em cima esperando ir pra gaveta e ninguém pra ajudar em nenhuma das pilhas, suja ou limpa. Não deu tempo de tomar café, carreguei uma barrinha do Atkins pra mastigar no caminho, e fui pensando na lista do “to do”: lavar todas as minhas camisas, passá-las ( será que aquele serviço de passar que abriu perto de casa é caro? ) antes da viagem, comprar o presente da Thali e do sobrinho, comprar umas vitaminas pra minha mãe, reservar o hotelzinho, ligar pra minha mãe pra arranjar uma carona, ligar pra amiga pra arranjar outra carona… e o portão da empresa chegou antes da lista terminar.

E daí eu lembrei que quando eu era adolescente e minha mãe falava que cuidar de uma casa é barra, eu falava que eu ía ter uma empregada. Deus tá me castigando!

Na semana passada falei com uma amiga brasileira e ela me disse que invejava tanto minhas viagens, que ela – com casa pra pagar, dois filhos pequenos pra cuidar, financiamento de carro, seguro, escolinha particular – além de não ter os recurso, não tinha nem energia pra ir de férias. E eu só invejando a empregada nova dela importada do paraguai, que parece ser moda em SP agora – que limpa a casa, passa, cuida do filho bebê e de vez em quando até cozinha. Gente, como deve ser a vida de alguém que tem empregada diária? Não consigo nem imaginar…

Bom puevo, guenta aí que logo, assim que eu chegar no Brasil, devo ter posts mais interessantes.

Ah, e só pra registrar dois momentos dignos de menção. Pena o Steve Jobs ter morrido tão cedo. E eu não pensei que eu ía viver pra ver o Brasil, a terra dos magros, proibir anfetaminas.

Fui puevo!

terça-feira, outubro 4

Querer é poder?

Essa semaninha que eu passei em Portugal foi cuidadosamente planejada e veio na horinha em que eu achava que eu ía pirar de tanta pressão no trabalho, e overload, e pânico meu e alheio por todos os lados.

Semana passada eu voltei calminha, e estabeleci um ritmo legal de trabalho, mas já tá degringolando de novo, e eu não quero voltar àquela loucura que estava antes de eu ir de férias. Eu estava nervosíssima, tava chegando a ser grossa com as pessoas sem nem mesmo notar, em casa eu estava sempre o bagaço… Não, não quero voltar praquela vida, mas a pergunta que não quer calar: eu não quero, mas será que posso?

A empresa vai continuar nessa doidera até 2013, quando lançamos um novo modelo de caminhão no Mercado, até lá vai ser esse pega pra capá. Qual a alternativa? Mudar de emprego?

Vem uma nova crise aí, a gente já tá até se preparando, então quem mudra de emprego agora, ano que vem estará com a bunda na janela na hora que a crise chegar, porque cês sabem né, último a chegar primeiro a sair.

Philipona mandou convitinho pra entrevista de novo, via Linked in, agora: quem se arrisca ir praquele barco afundando? A cada ano é uma nova reorganização, cada vez mais reduzem o quadro de funcionários, e antes que venham com aquele lenga-lenga do “Adriana, mas você não se garante?”, digo-vos já que o problema não é a garantia, mas o saco que é passar por aquela novela que a Holandesa passa todos os anos, não sabe pra onde vai, pra que cargo vai, quem sera o chefe, faz entrevista pra manter o próprio emprego, isso tudo é insuportável demais. Um dos poucos benefícios de trocar a vida profissional brasileira pela holandesa é não ter mais que lidar com facão anual, aos quais eu sobrevivi 9 anos aliás – mas nem por isso sofri menos ( ok, seria pior ter sido decapitada no facão, mas mesmo assim a tensão pré-facão é terrível e ver seus amigos desesperados deixando a companhia é também hor-ro-ro-so). Não, Philipona não rola, mas na região, quem mais?

A parte terrível do gerenciamento é que só vem pepino pra sua mão, a parte legal os compradores fazem. E não há muita continuidade, o comprador começa uma cotação, negocia, escolhe o fornecedor, eu agora como gerente só pego pedaços, e sempre os pepinos, de cada processo. Sei lá se tô mais feliz como gerente do que como compradora. Gosto do salário e gusto do assistente, mas de resto… tenho lá minhas dúvidas.

O OldFart continua fazendo oldfartisses, essa semana temos que entregar o fechamento do ano pra finanças, ele nem começou. Eu vou me esquentar? Não… dessa vez registrarei num log que eu fiz minha parte, se ele xexelentar a apresentação dele, tô nem aí.

Tô em crise existencial povo. E semana que vem estou indo pro Brasil. Meninuchos terão que ir pro hotelzinho porque o marido tá com medo de não dar conta do tratamento do Tyty, e sinceramente, dá um belo trabalho… Limpar banheirinho 2 vezes por dia, comida separada 2 vezes por dia, remédio em pílula, pó na comida seca, comida molhada de noite… Ó céus… E eu nem vou poder me acabar no pão de queijo assim que chegar!!!!!

Hoje, se eu pudesse, comeria um saco inteiro de pão de queijo de Minas congelado, feitinho na hora e recheado com requeijão. Me deu taquicardia só de pensar…

sexta-feira, setembro 30

Gordo sofre

Aqui perto de Eindhoven, na cidade de Roermond, há um Designer Outlet ( Roermond Designer Outlet ) que eu visitei, depois de uns 2 anos, novamente. Gente, dois comentários: 1) u lá lá, como tem coisa legal 2) como gordo sofre, porque é que o mundo detesta a nós, fofinhos?

Eu queria comprar sapatos bonitos, bons e confortáveis para a viagem de negócios para o Brasil, e encontrei um flat e um de saltinho, ultra confortáveis na Marc O'Polo, que sempre faz sapatos ultra duráveis, muito confortáveis, mas com um precinho normalmente acima do meu tímido budget. Pra dar uma idéia dos preços, paguei €80 num par de "pumps" ( mocassim? ) e €35 num part de flats, ambos de puro couro, com solas especiais espumadas e borracha na sola ( pra aguentar andar na neve que virá em 2 meses ).

Tem lojas da Nike, Adidas, Puma, olhei camisetas pra levar de presente para o Brasil. A maioria custa o mesmo que a gente pagan a V&D ou na Bijenkorf ( ao redor de €20 ), mas achei boas ofertas a €15 e até a €12. No Brasil, uma camiseta da Nike não sai por menos de R$80, então eu acho que levando daqui é um bom presente, não ocupa tanto espaço e não pesa tanto no bolso. O marido usa muito camiseta da Nike e da Adidas, a qualidade é realmente superior, até mesmo camisetas mais caras, tipo Esprit ou Mexx, não resistem muito bem à nossa rotina de lavadora a tombo e secadora a tombo ( eu não tenho varal ), e Nikes e Adidas duram pacas.

Outra loja que a gente gosta e é bem vantajosa é a Timberland, comprei camisetas a €11, também duram uma eternidade. Tudo bem que nos EUA é ainda mais barato, mas eu estou ( infelizmente ) aqui e não no sol da Flórida.

Entrei na Tommy Hilfiger e na Ralph Lauren baby ( hey comadres, adivinha porque? ) e embora custe bem mais que uma marca boa holandesa, é mais barato que uma Lilica Ripilica no Brasil. Vi mini-jeans da Hilfiger por €55, o que é caro pra uma calça minúscula que vai ser usada 5 vezes, mas no Brasil uma marca boa seria ainda mais cara.

Fiquei alucinada na loja da Creuset, a maioria das peças com 30% de desconto, logo comprarei pelo menos 2 preciso refazer o armário debaixo da escada.

E porque gordo sofre? Porque mesmo que você tenha na carteira €406 pra dar numa jaquetinha de lã Armani, o maior número é o 42, e deixem-me dizer: é um 42 brasileiro, pequetico de tudo. Jeans da Levi's a €20, mas o maior número era o cintura 29, que Segundo meus calculos é cintura 73, que é um tiquico maior que a cintura da minha sobrinha de 12 anos.

Agora preciso da opinião sincera dos amáveis leitores desse blog. Olha que assunto importantésimo. Está rolando os "Três dias loucos" da Bijenkorf e eu vi uma bolsa da Oilily que eu amei. Acontece que eu quero usar essa bolsa para carregar o tablet e o lap pra reuniões em fornecedores brasileiros, e tô meio com medo que seja louca demais pro ambiente profissional brasileiro, sem contar que a Oilily rosa que eu usei no Brasil foi chamada de bolsa de velhinha simpatico 2 vezes. Povo, clica no link e falaí se a bolsa é aceitável pelas bandas daí.

http://www.debijenkorf.nl/page/product_flypage?product=3704020002&fh_session=d34n2vpu8ke3php9cq5idum1n5&tsm=1&fh_maxdisplaynrvalues_brand=1000&fh_secondid=3704020002&fh_lister_pos=1&fh_location=//catalog01/nl_NL/ddd_cat>{drie20dwaze20dagen20aanbod}/categories<{catalog01_20}/categories<{catalog01_20_660}/brand>{oilily}&fh_eds=ß&fh_refview=lister

quarta-feira, setembro 28

Difícil


Quando eu era pequena, nossa família tinha um tabu, um assunto praticamente "intocável": o suicídio da C.

C. era prima do meu pai e irmã da minha madrinha, e há mais de 50 anos engravidou solteira, o pai da criança sumiu. A criança nasceu, a C. continuou morando com os pais e a vida continuou. A filha era ainda pequena ou bebê quando a C. subiu num prédio de São Caetano e pulou, especula-se que ela estivesse grávida de novo. A criança foi criada pela avó como se fosse filha, a menina só ficou sabendo da história da mãe verdadeira já adolescente.

Fora esse caso, nunca soube de nenhum outro suicída no Brasil.

Mudando aqui pra Holanda, em nove anos já conheci 3 pessoas com um familiar que se suicidou.

Há tempos contei aqui do senhor que trabalhava na Bosch comigo, o filho aos 16 anos pulou na frente de um trem nos trilhos bem na janela do escritório do pai. Já fazia 4 ou 5 anos e o pai ainda tomava remédio pra depressão e trazia na mesa um porta-retratos com a foto do filho e uma lanterninha de jardim com uma vela dentro, que ele acendia todos os dias.

Ontem, um dos meus funcionários me pediu um dia livre na semana que vem para um "herdenking": a família se reúne para lembrar do afilhado dele, que se suicidou há 3 anos, também no trilho do trem. É triste ver o estado da família depois de um acontecimento desses, não só pela tragédia ou pela perda, mas ver os familiares chegados, que viam o rapaz todos os dias, se condenando por não terem percebido nada, não terem visto os sinais. Deviam fazer mais campanhas pra ensinar famílias a reconhecer sinais, eu acho que eu também não teria percebido.

Olha que coisa estranha, uma velhinha que mora de frente pro trilho de trem contou pra família que o viu por lá 3 vezes ao menos, andando ao lado dos trilhos, indo e voltando. Ela achou que ele estava pensando em suicídio, mas que atitude tomar, falar com o rapaz, tentar localizar a família? Esse rapaz tinha 29 anos, naquele dia foi com amigos a um jogo de futebol aqui no estádio do PSV, parou num bar com os amigos, tomou uma cerveja, foi de bicicleta até o trilho do trem, acorrentou a bicicleta e fechou o cadeado, ajoelhou na frente do trem, e segundo o motorista do trem, estava com as mãos em posição de prece. O corpo foi encontrado aos pedaços, claro, apenas o cinto e a carteira foram devolvidos pros pais, e após várias semanas da cremação, um vizinho achou um dedo numa árvore.

Eu me pergunto se a depressão é mais frequente hoje em dia, ou se os números sempre foram altos, mas no passado nunca foram levados a sério ou tratados como doença. No Brasil, minha mãe faz tratamento com remédios pra depressão, e quando ela sisma em parar com o remédio, todo mundo percebe porque conviver com ela é praticamente impossível. Agora minha prima me disse que minha tia está muito muito mal com uma depressão terrível, e começou essa semana a tomar remédio. Acho ótimo que hoje tenha-se remédio pra depressão, mas fico com medo de alguns médicos que os prescrevem. A doença deve ser levada à sério, e o uso do medicamento também. No caso da minha mãe e da minha tia, o médico receita 3 meses de remédios, sem uma volta ao consultório. Aí, como faz minha mãe sempre, depois de um mês ela se sente melhor, que é o efeito esperado do medicamento, e pára de tomar, achando que está "curada". É claro que um mês depois ela volta à estaca zero, deprimida de novo. Duvido que com a minha tia será diferente, ouvi que "não vou ficar tomando remédio de maluco pro resto da vida". E esse médico que não explica que a depressão não é uma inflamação de garganta, que se medica, ela sara, e volta a acontecer tempos depois? E esse médico que não explica que depressão é uma doença séria e não "coisa de maluco"?

Ai credo, que assunto né?

terça-feira, setembro 27

E se?

Hoje eu tinha que acordar no fiofó da manhã porque tinha uma reunião às 7:45. Já falei aqui que antes das 9 meu QI é de Gorila? Então.

Plato Gorducho começou a dieta, tem que comer uma comida para controle de saciedade. Tyty continua na comida pro rim, então minha manhã começa com gato magro pra um lado com potinho de comida renal, gato gordo pro outro comendo comida de gordo, e é claro que o gordo quer comida renal e o magro quer comida de gordo. Eu sento no chão, no meio, com minha barrinha de cereais e meu nespresso fumegante, e fico controlando o café da manhã dos felinos. Hoje vim dirigindo esconjurada pro trabalho, pensando que todas as manhãs serão 15 minutos "jogados fora" controlando refeição de gato, e aí falo com a comadre que tá em casa com a nenêzinha recém nascida: Adriana, ela mamou, arrotou, xixizou, foi trocada, já tá na hora de começar tudo de novo. Essa é minha amiga mais prática, então se ela fala, eu acredito. Aí fiquei pensando…

Tem que querer muito, mas muito mesmo ter filhos pra aguentar o tranco. Ou ter o desprendimento holandês do deixar chorar, que eu não teria, afinal, nem o gato eu deixo miar de noite. Meu colega diz que o filho com uma semana já dormia 6 horas seguidas de noite. Mas e a mamada da noite? Eu não como, porque é que ele tem que mamar? Mas e não chora? Chora 3 dias, a gente deixa chorar, ele pára. E sei lá viu, o menino tá lá gordinho, espertinho, não morreu e acho que não traumatizou, mas como dormir sabendo que seu bebê recém nascido tá chorando de fome?

É, helaas pindakaas, meu negócio é gato mesmo, eu já estaria louquinha de pedra com um nenê pra cuidar… Estaria em mil paranóias, deixo chorar, acudo, vai ficar mimado, e quando for pra creche, sou uma bruxa malévola por mandar pra creche, e se ele ficar traumatizado, e se, e se, e meudeus, se???



segunda-feira, setembro 26

Tô pasma!


Voltei! Depois de uma semaninha de poupança pro ar, volto bronzeada, relaxada, de ótimo humor. Estava precisando!

Comecei as férias com minha conta de gmail sendo hackeada e um spam sendo mandado pra TODA a minha mail list. Como fazem isso? Resolvi o problema, troquei senhas, mudei settings, agora é torcer.

Antes de viajar, compramos nosso tablet lindinho. Depois de pesquisar muito, concluí que o Ipad não ía dar conta de todos os meus arquivos piratões, principalmente torrent, então comprei o Samsung Galaxy Tab 10.1 e estou amando, gente como é prático viajar com tablet! E de quebra a empresa tem um plano de reembolso de PC's e consegui enquadrar o tablet nessa categoria e receberei 50% do din din de volta, que boa notícia!

A dieta ( pra quem perguntou estou seguindo a South Beach Diet ) foi pausada por 9 dias, não enfiei o pé na jaca, só acariciei a fruta levemente, e voltei com o mesmo peso que fui. Agora TENHO que fazer a maldita da tal zumba pra derreter 2 kg de banha e viajar com terno folgadinho.

Fomos para Lagos no Algarve, e gostamos muito. Sempre pesquiso cidadezinhas mais simplezinhas, vilarejos, o absoluto oposto do tipão "Guarujá" e dessa vez também deu certo: Lagos está conseguindo manter o jeitinho português, apesar da invasão britânica. Fui tratada muito bem, vieram até me mostrar uma revista cuja capa trazia o título "portugueses que emigraram para o Brasil e moram de frente pro mar, ganhando o dobro do que ganhariam em Portugal". O negócio tá feio por lá, muita obra parada, o povo reclamando muito do desemprego e nível salarial. Bom, política à parte, comi um enorme bacalhauzão na brasa, não arrisquei meu bacalhau favorito ( com natas ) porque é bem engordativo mas me esbaldei; tomei caldo verde e comi pão de chorizo ( mini enfiada de pé na jaca ), comi pastel de nata ( sinhôura, pistel de bêlém só em Lishbóa ), tomei vááárias taças de vinho verde. Fomos 3 vezes à praia Dona Ana, linda de morrer, demos uma passeadinha por Ferragudo, passamos por Portimão e detestamos ( guarujázão piorado ), e a parte mais legal das férias: alugamos Segways e percorremos todas as vielinhas de Lagos flutuando no treco, foi legal dimais sô.

Bom, já que o post tá meio sem pé nem cabeça mesmo, tcheu continuar. Então, o euro foi pra 2,50 reais, tá um tantinho mió pros pobres europeus, eu incluida, passar férias no Brasil. E enquanto falávamos aqui na empresa sobre o real X euro, vi a pesquisa encomendada com os salários de diretores em empresas automotivas no Brasil, incluindo a grandona onde eu trabalhava. Quase caí dura: 35.000 reais. Gente, como pode? Fora bônus de fim de ano e participação nos lucros. Tô pasma. É um carro por mês meu povo! E não tô falando daqueles super CEO's de super empresas não, tô falando de um diretor de empresa automotiva no ABC, com 15 ou 20 anos de experiência, 45 anos de idade. Vou repetir: tô pasma de tudo!


segunda-feira, setembro 12

Who wants to live forever?

Hoje levei os gatos pro check up e vacinação anual.

Fui toda feliz, Tyty está gordinho, peludinho, serelepe, até já dá umas bordoadas no Plato quando provocado, ao invés de fugir como fazia antes ( ele com 6 kg e o Plato com quase 9 kg ). Eu não estava preparada pra mais um sopapo emocional.

Tyty está ganhando peso, se recuperando, está já com mais de 7 quilos, mas hoje o veterinário diagnosticou um "heart murmur", não sei como traduzir. Por enquanto é fase 1 ( vai até a 6 ) e só temos que ficar de olho para ver se a condição progride ( gato cansado, sem fôlego ), segundo o veterinário uma prognose otimista é de uns 8 anos de vida com boas condições e depois declínio de atividades. Muito provavelmente meu Tyty não morrerá de causas naturais e em algum momento nós teremos que "colocá-lo pra dormir". Muito provavelmente a causa é o remédio dos rins, pode-se fazer mil exames para saber melhor como está o coração, mas é bem cansativo pro paciente e além do procedimento, eu teria que levá-lo para Utrecht, numa faculdade que tem lá e que tem ressonância pra gatos. Estou aqui me debatendo, levo ou não? De que vai adiantar, não há outro medicamento, ele já toma o indicado para as fases 1, 2 e 3 ( Fortecort ).

Quando ele estava ultra doente, tínhamos que levá-lo ao vet todos os dias pra aplicação de soro subcutâneo. Nos 3 primeiros dias, ele estava tão mal que não conseguia segurar o xixi, e aí ele ficava inconsolável até chegar no vet, miando sem parar, e só parava quando a assistente o limpava, passava um líquido cheirosinho, limpava a caixinha dele e colocava um paninho pra ele deitar, aí ele ficava quieto praticamente a aplicação toda ( no fim ele miava, mas a dor era muita mesmo, quase meio litro de soro subcutâneo ). Ele pegou um trauma tão grande com as caixas de transporte que ele não entra no mesmo cômodo que elas estão, então como colocar o gato no carro até Utrecht ( 1 hora ) pra ser torturado e depois voltar na caixa mais 1 hora? Qual o benefício de tudo isso?

Quando ele estava sendo tratado era eu quem o tirava da caixa ao chegarmos em casa, dava água de seringa pra ele, paté no meu dedo, Holandesa dizia que o gato jamais esquece quem o curou e eu achava besteira, mas ele está tão apegado a mim que meu marido à vezes fica até chateado, ele raramente vai ficar com o Bart. Se eu vou ao banheiro, ele vem atrás. Estou na mesa da cozinha no lap, ele está aos meus pés; o mesmo quando eu estou no sofá, é no chão aos meus pés ou então no encosto do sofá. É meu companheirinho constante e quando eu fiquei doente, duas semanas depois dele, ele vinha dormir na minha barriga. É meu companheirinho. Se ele se for, como farei? Cidão, como faz? Cidão perdeu o Lukas dele, e a cada Twitada do Cidão Adriana se desfaz de choro, porque meu pequerrucho will not live forever.

E pra completar, Plato tá obeso redondão e ganhou pacotão de comida diet "saciety", vou ter que começar a separar os dois pra comer, tuchar comida no Tyty de noite e de manhã, e deixar meu outro pequerrucho com fome só olhando o irmão ganhando quilos de comida enquanto ele passa fome. Ele é um gato e não vai entender que ó pro bem dele.

Estou tão pra baixo que minha vontade de levar os dois pro hotelzinho e ir pras férias é zero. Se já não tivesse tudo pago, eu cancelava.

Estaca zero?


Vocês conhecem a história da família pobre e da vaca?

Vou resumir mil vezes que a história é longa. Um senhor pobre foi ao padre e pediu auxílio na situação difícil em que estava: ele, a esposa e 6 filhos moravam juntos num casebre de um só quarto, e viviam muito apertados. O padre mandou ele rezar um terço e arrumar um porco pra viver com eles, dentro de casa e não no quintal. O pobre achou um absurdo, mas de padre não se duvida. A vida virou uma droga com o porco, era um barulhão, e fezes por todos os lados. Ele voltou ao padre. O padre mandou trocar o porco por um cabrito. E depois por uma cabra, e depois por uma mula, e por fim, por uma vaca. A vida estava inconcebível, todos dormindo dentro do barraco, mais a vaca, mais a grama da vaca, mais o cocô da vaca. O pobre foi furioso pro padre e o padre mandou o pobre simplesmente se livrar da vaca. E o pobre viveu feliz pra sempre no seu enorme casebre, limpinho e cheiroso, livre de fezes animais e as moscas em consequência.

Essa sou eu. Depois da transfusão de sangue engordei 6 quilos em 40 dias. Sei lá se foi banha, se foi água, se foi uma alma penada gorda que tomou posse de mim, mas o fato é que eu já estava há muito tempo querendo emagrecer uns 8 quilos, com os adicionais 6 virou uma tarefa hercúlea. Discuti com a médica hematologista, e ela me disse que isso era esperado por pelo menos 1 ano depois da grande dose de ferro que eu tomei, e veio com aquela conversinha natureba de todo médico holandês. Aqui, pra tudo a cura é chá e cama. E paciência, que não vende na farmácia. Perguntei se podia fazer regime, ela disse que não era aconselhável, meu corpo precisa "se regenerar". Como de conversê de médico batateiro eu já estou farta, mandei um e-mail pra nutricionista do Instituto Garrido e a resposta foi: o que tem caloria nem sempre tem nutrientes, me aconselhou a fazer uma dieta low carb e tomar minha santa vitamina TODOS OS DIAS SEM FALTA. E assim estou fazendo. O emagrecimento dessa vez é lentíssimo, por causa da minha velhice e por cause do ferro todo. Estou seguindo a South Beach, que é mais razoável que o louco do Atkins que te manda comer bacon todos os dias. Ainda estou sem fôlego pra grandes sessões de ginástica, pedalo sempre que o tempo permite na minha bike com novo banco de 40 cm de largura ( e ainda sobra bunda ), tento fazer uma sessão completa de zumba mas arrego na terceira música, mas insisto.

Hoje me pesei, e no total emagreci os 6 quilos e mais 500 gramas. Estou apenas meio quilo mais leve do que estava quando fui para o hospital, mas juro, nem Gisele Bunchen se acha mais linda. Sou o pobre do casebre pós-vaca. Todo esse sacrifício pra voltar ao ponto de partida.

Mas, o pneu que tinha se instalado na minha barriga se foi. Minha bunda deve ter diminuído 7 mm ( uma vitória, quase um centíííííímetro ), minhas roupas estão servindo. Meu rosto, que enquanto doente tava chupado e com os 6 quilos a mais ficou inchado, está normalzinho e saudável. Com toda a proteína que estou comendo, tô ficando mais musculozinha, e sinto a diferença não só nas pernas menos gordotas, mas também na facilidade que é subir escadas.

Tá tudo indo bem. Mas sei lá que monstro que vive dentro de mim só diz: casebre de pobre sem a vaca. E o irmão desse monstro decidiu que quer pão, muito pão, quer chafurdar no pão.

Blé, gordo sofre!

quinta-feira, setembro 8

Lacraia encalacrada


Lacraia encalacrada, essa sou eu.

Parece que alguém lá no céu apertou o botão "tudo encalacrar para a Adriana" e cá estou eu.

Meu carro novo, que era pra ser entregue na semana passada? Encalacrado. Sem previsão de desencalacramento.

Viagem a negócios ao Brasil? Agenda encalacrada e consequentemente reserva de avião encalacrada. Vou acabar tendo que viajar sem o economy plus, na poltrona ao lado do chefão. Previsão de desencalacramento semana que vem, com sorte.

Situação com o Old Fart, encalacradíssima, e eu sofrendo horrores porque eu sou maníaca e quando estou com saco cheio de algo não consigo parar de pensar no assunto. Na terça tínhamos nosso one-on-one semanal, o primeiro depois da revisão anual e por isso muito importante. Ele veio sem preencher a única tela que temos pra trabalhar, remarquei a reunião. Na segunda reunião, tela ainda sem completar. Remarquei. Na terceira, ele simplesmente não apareceu. É ou não pra não ter ódio mortal do sujeito? Mas eu não vou me alterar, não vou agir emocionalmente. Simplesmente comecei um log de todas as atividades, os canos, as cagadas do fulano. Mais que isso, registro ali os assuntos discutidos, o "coaching" que é meu trabalho e eu faço, e que ele ignora. No dia que a m**** feder eu simplesmente pegarei o log e direi: no dia X eu o informei que o procedimento é Y, meu trabalho eu fiz. Hoje, já emputecida com essa história toda, chego no escritório pra encontra a secretária do departamento me esperando com a cara do demo. Temos uma política de viagens facílima, há um formulário de solicitação, você o preenche e dá pra secretária incluir os valores preliminares de vôo, hotel, carro alugado, esse formulário vai pro diretor aprovar, volta pra secretária, ela confirma as reservas, a agência te manda um e-number com e-ticket, e todas as outras reservas. Se você pedir, a secretária até te faz o check-in e prepara seu boarding pass. Esse imbecil, ignorando tudo isso, simplesmente reservou por si só passagens pra uma reunião na Espanha, não pediu autorização, e o detalhe: essa é a terceira vez!!! Eu só informei: você terá que arcar com os custos, a empresa não reembolsa passagem aérea reservada fora da agência, a menos que seja situação de emergência. E ele: é emergência! Ok, então vá lá explicar como foi que você pegou um vôo de emergência reservado 3 semanas antes da emergência. Panaca! ( e desculpinha aí por ainda estar falando do OldFart, cês são uns anjos )

Dieta encalacrada. Estou seguindo certinho, sem nem cheiro de jaca. Aliás, minha mini jaca foram giozas no djapa há uns 10 dias, e no dia seguinte passei tão mal que foi uma jaca emagrecedora. Estou no tal platô, e preciso perder mais 1 cm de bunda pros meus terninhos novos ficarem liiindos. Até a semana passada eu não sentia falta dos carbs, essa semana estou me sentindo ultra cansada, o pó. Em Portugal vou liberar um pouquitinho, senão não vou conseguir acompanhar o marido nas andanças pelas praias. Mas nada de doces, esses se seu comer uma balinha, acabo devorando um bolo de 6 tiers.

Tablet encalacrado. Agora que decidi que quero o Galaxy Tab da Samsung, não acho o de 32 gb, vou ter que me conformar com o de 16 gb.

Sapatos encalacrados. Quero uns flats de presilha pra feira no Brasil, porque ninguém merece salto alto em feira e sinceramente, nesse ambiente nem pega muito bem. Sei exatamente o que quero, mas ninguém vende. Hoje queria ir para o outlet de Roermond, mas chove cântaros e se eu for, ficarei encalacrada no trânsito.

Em compensação, uma pequena mínima vitória que é a minha luz no fim do túnel. Tive a minha primeira "werkbesprek" ( reunião de trabalho ) como gerente do Senhor Belga e foi tudo tão bem! Eu estava esperando uma gigante dificuldade, mas tá tudo tão belezinha…

Mas já usando um pouquinho do otimismo que essa última reunião me deu… tenho que agradecer muito aos leitores habituais do blog. É sempre legal ver pelo stat quanta gente vem aqui por dia, mas é ainda melhor ler que tem bastante gente que volta, e que é "cliente habitual". Outro dia eu estava ultra pra baixo e recebi aqui bastante mensagens do povo que vem sempre aqui e foi um enorme boost pro ego, que como eu digo, anda precisando. Brigadinha povo. Como diriam na terrinha: agradecemos a preferência!



quarta-feira, setembro 7

Mindfulness

Eu venho contando aqui o quanto eu tenho trabalhado. Vocês, que me conhecem bem, sabem o quanto eu estou estressada. Para mim, o stress aparece em forma de imensas olheiras que nem o mais potente pancake da Lâncome esconde, um humor do cão, paciência mais curta que meu salário, e tolerância abaixo de zero.

Hoje houve uma "intervention", que seria engraçada, não fosse tão trágica. Recebi o convite para uma reunião de grupo e lá estavam eles, com um bolo de chocolate caseiro e o pedido que eu vá, por favor, de férias. Segundo eles, eles notam que  eu estou sobrecarregada, que eu deveria estar me cuidando melhor, mas que no fim eu me deixo engolir pela montanha de papéis que é depositada diariamente na minha mesa. E enquanto eu comia uma fatia ínfima do bolo ( não podia fazer desfeita, né ;o) ), todos repetiam o "moto" holandês de que sua saúde é muito mais importante que seu trabalho.

Nesse convescote eu informei o time que eu já reservei férias no Algarve em duas semanas, ficarei por lá apenas dez dias mas já dá pra recarregar um pouco as bateriais pra enfrentar a próxima maratona.

E qual será a próxima maratona? Em outubro irei ao Brasil à negócios. Será muito, muito bizarro. Apesar de eu ter escolhido gerenciamento ao projeto brasileiro, me pediram para participar da feira FENATRAN, então eu estarei no stand da empresa conversando com potenciais fornecedores. Teremos ainda dois dias de treinamento, press release e como se não bastasse, irei ainda com meu diretorzão visitar alguns fornecedores. Como brincaram aqui, preciso fortalecer o muque pra carregar bem a mala dele.

Vai ser estranho estar no Brasil a negócios representando uma empresa holandesa, no meio dos holandeses e americanos, e claro, dos fornecedores brasileiros. O interessante é que eu me considero uma pessoa bem sucedida sim, mas os fornecedores me acham uma wonder woman, aqueles que ficam sabendo que eu mudei pra Holanda sem emprego, que comecei com vários anos de "atraso" e que hoje sou a gerente de um grupo, literalmente expressam sua admiração e até me pedem dicas. Como eu sou longe de ser perfeita, tudo isso faz um bem danado pro meu ego, e Deus sabe como eu estou precisando…

Essa viagem está sendo organizada por americanos, então tudo é uma ultra-mega-fantástica-produção: os traslados do hotel pra feira, o hotel é um ultra luxuoso perto da Berrini, tem camisa e pashmina especial, até momentinhos de lazer estão sendo programados. Nesse oba-oba todo eu espero que dê tempo de eu passar um diazinho que for com a minha família.

E é isso povo, tô indo mostrar as banhas pro sol português, nadar nas águas geladas da Praia da Dona Ana, vou comer muito bacalhau, todos os dias, no café da manhã até, e voltarei zen.

Como diria Claudinha: het is al gebeurt ( já aconteceu… frase do curso mindfulness, que eu deveria fazer ).


sexta-feira, setembro 2

Tchau Bacalhau

Cena: almoço do evento "Supplier Day" da empresa, Adriana tem que papear com 3 fornecedores que ela não conhece, dentre eles um português. Português vê meu sobrenome holandês, essa minha tez morena ( já tô pálida que nem lombriga de novo ), e nem se toca que eu sou brasileira. O chamarei de Sr. Bacalhau. O diálogo foi em inglês.

Sr. Bacalhau: Acho que sua empresa está cometendo um erro muito grande em abrir uma planta no Brasil, naquela terra não há gente honesta.

Eu: O senhor já esteve lá?

Sr. Bacalhau: Várias vezes, em cada vez sofri uma desonestidade. Dos diretores de empresas até os porteiros do hotel, são todos desonestos.

Eu: O senhor foi para o Brasil então porque?

Sr. Bacalhau: É, o dono na minha empresa insiste em fazer negócios no Brasil, diz que as vezes se perde, mas também se ganha muito. Eu por mim, não faria negócios ali. Eu, por mim, nem contrataria brasileiros, falam alto demais, estão sempre atrasados, a pausa do café sempre dura o dobro, só pensam é no dia do pagamento.

Eu: ( mudando pro português ) Nossa Sr. Bacalhau, então serei eu a primeira brasileira honesta, pontual, competente que o senhor vai conhecer?

Fiquei com dó dos outros fornecedores, ambos alemães, que ficaram de boca aberta. Eu mudei pro inglês e comentei: o que me entristece é que quando o Brasil estava "down" e muitos tentavam a sorte em Portugal, sofriam discriminação, eram tratados como inferiores, acho que ainda o são, no entanto, no Brasil, cada estrangeiro é recebido  com um sorriso no rosto, é convidado prum cafezinho, tem tratamento especial, o povo vai logo perguntando se eles estão gostando do Brasil - e com genuíno interesse. Agora que o Brasil está "enriquecendo", os mesmos portugueses que nos discriminaram vão ser tratados como reis se forem tentar ganhar um dinheirinho pro lado de lá do oceano.

O Sr. Bacalhau até tentou desconversar mas depois calou. Talvez eu devesse ter ficado quieta, mas vocês sabem né, não tô podendo.



quinta-feira, setembro 1

Dia ( meses ) de fúria


Adriana, você ganhou na loteria e está agora vivendo em Bora Bora? Não caros leitores, muito ao contrário, estou trabalhando feito um cão.

Vocês se lembram do filme "Um dia de fúria"? Então, um dia vou surtar daquele jeito e vou estrangular o OldFart, que merece um nome novo, piorado. Vou encurtar bem a história, mas digam aí o que vocês fariam.

Tivemos na semana passada nossa revisão financeira anual. Cada comprador tem que preparar uma apresentação com todos os números do ano inteiro, projeções pro ano que vem. Meu trabalho é ajudar cada um, principalmente os novos, compilar os números deles e fazer os números do meu departamento, daí vai pro diretor, ele compila os números do nosso grupo ( somos 2 departamentos ), reporta à finanças, e só depois de aprovado podemos apresentar para o diretor member of the board, cada comprador apresenta sua parte, eu apresento os resultados do departamento, o direto do grupo. Manjou né, escadinha de tarefas, um lá embaixo faz meleca, tudo vira meleca.

Todo mundo trabalhando feito uns loucos nos números, e o OldFart passeando. Neguinho arrancando cabelos, OldFart passeando, chegou o dia do primeiro review comigo e ele tinha 2 das 18 páginas prontas. Como se ele fosse um adolescente eu reservei uma sala pra ele, levei o laptop dele pra lá, cancelei duas reuniões: Old Fart, você vai terminar esse report NOW. E ele fez bico, e ele enrolou. Long story short, depois de 3 reuniões comigo, a data final chegou, a apresentação dele muito marromenos, eu pressionei, ele terminou, eu peguei os números, passei um dia inteiro calculando o total, outro dia inteiro com meu diretor consolidando os numeros do departamento, reportamos pra finanças, que alívio, tudo pronto pra apresentação no dia seguinte!

Um dos rapazes me diz: dá uma olhada nas apresentações no sharedrive, OldFart ficou até tarde ontem modificando os numeros. Eu surtei. Ele achou vááários erros nos números dele, arrumou pra não passar carão em público na hora da apresentação pro Board, mas com isso todos os números da minha apresentação e da apresentação do meu diretor ficaram ferrados. Eu já estava estressada, explodi. Fui à mesa dele, mandei-o retornar os números para o original reportado, ele se recusou, disse que eu o pressionei e dei pouco tempo pra ele conferir os números ( a apresentação está marcada a 5 meses!!!! ), que nosso diretor deu pouca atenção à apresentação dele, e que já que a apresentação dele ainda não tinha sido impressa ele iria mudar sim. Deus desceu do céu, encarnou em mim, e naquele minuto eu só respondi: eu vou limpar sua bagunça e conversamos depois.

E semana que vem teremos o "depois", é a reunião face-to-face que eu tenho com cada um dos meus funcionários a cada 15 dias.

Eu ODEIO esse funcionário. Odeio os princípios dele, a forma dele se comportar. Ele está aqui a um ano e ele AINDA responde "me disseram que esse contrato é assim", "alguém no passado negociou assado", ele não assume responsabilidade por nada! No dia que eu falei pra ele retornar a apresentação aos numeros anterior e mencionar que ele cometeu um erro, o véio tremia e ficou vermelho que nem um tomate podre, olhos estalados que nem uma rã.

Mas infelizmente eu não tenho "ainda" ( saravá Iemanjá ) não tenho o poder de fazer o cara tomar o rumo da roça, e também não quero ser aquela chefe que "marca" o funcionário, mas serioulsy, vou morrer com esse cara no meu grupo. Preciso ser diplomática, preciso ser cautelosa, mas ainda assim preciso me livrar do dito.

Tô quase acabando. Há dois meses o diretorzão pediu pra eu escolher: gerência do departamento ou projeto brasileiro. Me partiu o coração mas eu tive que escolher gerência do departamento, porque é o melhor pra minha carreira. E é lógico que o véio tá contando que eu vá para o projeto, afinal eu sou brasileira, e deve estar cronometrando os minutos. Semana passada foi anunciado no board meeting que eu não irei pro projeto e o véio ficou tão perplexo que levantou a mãozinha e pergunto: mas tem lógica, ela é a única brasileira da empresa… gente, juro, a cara de desespero dele foi até engraçada. Maledeto.

E agora povo, conselhos por favor. Minha vontade é de jogar o nome dele na boca do sapo. Estou com ódio mortal, passo horas ruminando sobre esse desgraçado, naquela semana fiquei tão irada que depois que terminamos a apresentação fui pra casa, tomei um Aleve pra garganta e quase morri de dor de estômago, vomitei 3 dias, até água me dava dor de estômago, e ainda não estou uma Brastemp.

Pergunta: mandinga, cogumelos venenosos ou laxante no café?

terça-feira, agosto 23

Flores que trazem amores

Assistindo um documentário ontem eu pensei, putz tem tanta gente tão talentosa no mundo… compositores, cantores, atores, a lista é gigantesca. Como uma melodia vem na cabeça de um indivíduo, ou um livro - ou mesmo uma saga - vem na cabeça de uma pessoa numa viagem de 2 horas de trem?

Eu não sei cantar, não sei compor, não sei atuar, não sei pintar, não toco nem triângulo… e quais são os seus talentos? Nenhum! Triste isso… vou chegar no céu, São Pedro vai me perguntar o que eu fiz com a vida que o Divino me deu e eu vou responder: comprei peças automotivas que entraram na construção de imensos ( e poluentes ) caminhões que transportaram muitas flores que trouxeram muitos amores ( tá vendo, nem poeta eu sou ). Blé. Isso é o que São Pedro vai me dizer: blé.

Vi uma entrevista com a autora da saga Twilight. Dona de casa, formada em literatura, exausta por cuidar de 3 filhos, o mais novo com 1 ano, ela teve um sonho, o capítulo 13 do primeiro livro ( Edward está numa clareira mostrando para Bella que vampiros não saem a luz do dia não porque queimam, mas porque brilham que nem diamantes ), escreveu uma pagininha descrevendo o sonho, e continuou escrevendo sobre o que aconteceu depois que a menina viu o vampiro brilhante, e quando ela percebeu, o livro estava pronto. Ela diz que nem notou que era um livro até a irmã dela dizer: isso é um livro!

A Seicho-no-ie diz que somos manifestação da força divina, portanto fonte inesgotável de inspiração. Será que eu, que não sei cantar, dançar, compor, tocar instrumento, também tenho essa conexão divina? Será que a inspiração vem, mas eu estou tão ocupada comprando peças automotivas que eu nem percebo?

Eu acho que muitos de nós, ou pelo menos eu, se auto-boicota. Por exemplo, vendo a entrevista da tal autora, eu pensei: taí, vou escrever um livro, idéias loucas eu tenho à beça. Daí eu mesmo começo a me sabotar: em que língua, capiau - o seu português tá uma meleca, seu inglês não chega lá, em esperanto? Adriana, a própria Stephanie Meyer disse que recebeu 9 rejeições de agentes, 5 ignoradas, só uma se interessou, você sabe ao menos como começar a procurar um agente literário?

E taí, eu mesma já matei meu livro, que não teve página sequer.

Quando eu decidi operar o estômago eu comecei um tipo de diário, por sugestão da psicóloga que fez o assessment pra ver se eu estava preparada para a operação. Continuei escrevendo até quase um ano depois, contei como eu mudei, como as pessoas mudaram, as agruras, as felicidades, tudo protegido por password e nunca mostrado pra ninguém. Quando eu li Eat, Pray, Love, fiquei abismada com a superficialidade de tudo aquilo ali, minha jornada pré e pós operatória, incluindo minha imigração pra Holanda, tem 50 vezes a profundidade daquele livro, mas foi ela que escreveu a historinha, e foi a historinha dela que virou filme, é ela que está agora podre de rica vivendo numa praia na Flórida…

Ultimamente nem post eu tô tendo inspiração pra escrever. Às vezes tenho dó de vocês que vem aqui pra ler postizinhos felizes de uma brasileira morando na Europa e só encontram minhas maquinações existenciais, temperadas com uma imensa dose de mal humor.

Agora vou voltar pras minhas peças aqui. Caminhões tem que ser feitos pra transportar muitas flores que vão levar muitos amores. Tá. Eu sei. Poeta, também não.





segunda-feira, agosto 22

Crise, e não é econômica...


Nunca, nem na época que eu fui hospitalizada, me senti tão cansada. A pressão no trabalho está insuportável, se eu acreditasse em burnout, diria que estou à beira de um.

A pressão, o volume de trabalho, está absolutamente desumano. Semana passada recebemos reforços, eu ganhei mais um "acessor para assuntos aleatórios", que tem que ser treinado, diga-se de passagem, e pelo menos veio a boa notícia de que na semana 40 o projeto deve desacelerar.

Estou a um mês sem carboidratos, e nessa época de excesso de trabalho, e ansiedade, e pressão, e nervosismo, ficar sem minha bengala - os doces - está dificílimo. Mas por outro lado, além do emagrecimento - leeeeento que vocês não acreditariam - estou me sentindo ultra bem, acabaram meus piripaques, não sou mais escrava da comida.

Quando digo que eu não acredito em burnout é porque eu acho que a pessoa vê o seu limite chegando, e tem que fazer algo antes da crise ( a tal que não é econômica ) chegar. Por isso estou planejando uma semana off em setembro pra me dar um gás até fins de outubro, quando devo ir à uma viagem de negócios, que embora intensa, me livrará da pressão absurda desse projeto maldito por uns 10 dias. Quando eu voltar, é começar a arrumar as coisas pras minhas férias em dezembro. Que deus me ajude a aguentar essas semanas até minha folguinha, que se Deus ajudar, será em outra ilha da Grécia ( já fomos pra Rhodos, Creta e embora não seja Grega, fomos para o lado grego de Chipre ).

E a crise, a econômica? Dizem que vem. A empresa já começou a se preparar, temos dois funcionários com contratos anuais e já estamos rebolando pra conseguir dar um contrato fixo, que não é garantia de nada, mas é mais firme que os contratos anuais. Em 2009, todos que tinham contratos anuais foram-se. Meu braço direito é "emprestado" da empresa Nedcar, e se ele se for, juro que eu surto, tenho o tal burnout em 3 minutos.

Estou cansada, povo, muito muito muito cansada. Minha paciência tá curta, tenho tonturas horríveis, me sinto meio "bêbada" o dia inteiro - parece quando você toma uma golada de bebida alcoólica num estômago vazio -, e esqueço tudo, abro a geladeira pra pegar alguma coisa e já esqueci o que era, e chego aos fins de semana quase comatosa.

Tem que ser mais fácil ganhar o pão de cada dia, tem que...

terça-feira, agosto 16

O que está acontecendo?

Nesse findi eu estava conversando com uma antiga colega de faculdade no Facebook e me admirei dela ainda estar solteira, com a mesma idade que eu ( 38, abafa ). Do tipo mignon, magrinha, traços bonitinhos e delicados, inteligente - pós e várias línguas, ótimo emprego, apartamento, carro, e embora eu não a conheça ultra bem, ela é legalzinha. O que acontece?

Tenho várias outras amigas, com diferentes graus de beleza, de diferentes "backgrounds", mas que são todas mulheres cheias de boas qualidades, e estão sozinhas. E não é que elas não queiram encontrar alguém, querem, mas ou não encontram ou quando encontram não são encontradas.

Será que há menos homens? Será que eles querem cada vez menos compromissos, formar uma família? Será que essa geração de mulheres bem sucedidas os deixa inseguros? Será que as amigas, sendo bem sucedidas, escolhem mais e o homem brasileiro ( ou parte deles ) ficou pra trás?

Eu fico pensando nessa geração que vem aí, a geração dos meus sobrinhos, como será ela? Se por um lado eu vejo essas meninas tendo todas as oportunidades que os rapazes, estudam nas mesmas escolas, e aprendem línguas, usam computadores com a mesma habilidade que qualquer menino, e fazem esportes, tocam instrumentos; por outro vejo que há ainda menos tolerância do que havia antes com a aparência física. Nas fotos da minha sobrinha, que é ultra social e está sempre cercada de amigas ( e ultimamente também de amigos ), todas tem os cabelões comprido e lisos, todas - aos 12 anos - chapinham os cabelos as 7 da manhã antes de ir pra escola. As roupas parecem uniformes, o mesmo shortinho, as mesmas blusinhas, e se alguém diz que a moda é xadrez, as 11 meninas na foto estão de camisa xadrez.

Aqui na Holanda, eu moro no interiorrrr, não sei como são as coisas na capitarrrr, mas embora TODOS os rapazes que trabalham comigo sejam casados ou namorem, entre as mulheres temos uma solteira de 44 anos, uma divorciada de 36 que procura um namorado, e uma moça de 28 sem namorado há anos.

Será que é tendência mundial? Será que falta homem?

quarta-feira, agosto 10

Tenho boca mas não vou à Roma


Será que outra crise vem aí?

Um dos meus funcionários é absolutamente viciado nas aplicações da bolsa de valores, aqui na Holanda o mais comum é ter uma conta num tal de BINK. O site desse banco fica mostrando gráficos e evoluções de preços, e se antes esse rapaz já entrava pelo menos uma vez por hora no tal site, ontem as 11 da manhã ele ainda não tinha aberto o outlook dele, olhos fixados em cada pontinho que a bolsa ía pra cima ou pra baixo. Às onze horas ele fechou o site, suspirou e reclamou: acabei de perder um carro. Acho que quem arrisca petisca, mas também acaba comendo gato porque não tem dinhero pra comprar a lebre, e acaba sem comer a mortadela ou arrotar o peru. Quer segurança, não quer perder o carro, poupança, ué.

Daí vem um véio, também preocupadíssimo com os investimentos dele na bolsa: eu acho que com a tragédia nos mercados essa semana, a empresa nem vai mais abrir a fábrica no Brasil… Bom, aqui na Europa a gente só se ferra, primeiro temos que socorrer Portugal, daí a Grécia, agora é a Espanha. Eles vão pra praia e a gente "aqui em cima" paga as contas deles (!!!). Só faltei perguntar se ele é parente do Wilders ( político de extrema direita Holandês ).

E a Itália, pelo jeito, vai querer tirar de nós, turistas, até o último cent. Eu queria passar uns dias em Roma com o marido, já que tem umas passagens Ryan Air barateeenhas saindo de Eindhoven. Em 2006 fiquei numa pensione baratinha perto da Piazza di Spagna, paguei 104 euros. A mesma pensione está agora 146 euros, e está lotada até dezembro. Pensei que seria legal ficar num B&B, apesar de todos serem perto do Vaticano ( eu queria entre a Piazza di Spagna e Piazza Navona ), mas até esses estão lotados. Pelo jeito não vai rolar mini-férias em Roma.


terça-feira, agosto 9

Nunca entenderei


Eu achei que já tinha visto todas as bizarrices do povo holandês. Eu estava errada.

Ontem, movidos por mais 2 casos de "burnout" no departamento ( são 4, num grupo de 60 ), tivemos um curso sobre o que é o burnout e como reconhecer os primeiros sintomas.

Primeira consideração é que a diretoria da empresa prefere nos treinar para reconhecer os sintomas do que solucionar as causas do problema.

Mas então, o profissional de saúde descreve o que é o burnout. É uma exaustão completa a longo prazo, e diminuição de interesse sobre qualquer coisa. Disse o profissional que é uma condição que vai agravando-se até culminar na crise, o tal burnout, que deixa o funcionário incapacitado.

A pessoa com essa crise acorda um dia sem capacidade para levantar da cama, sem interesse nem em ir tomar banho para começar o dia. Muitos nem contactam a empresa para avisar que estão doentes, no caso desses 4 foram as esposas que ligaram.

Eu, que não nasci a passeio, pensei nas dezenas de vezes que eu acordei com vontade zero de continuar o dia, de encarar o chefe ou de ir praquela reunião difícil, mas as contas precisam ser pagas, os gatos precisam de comidinha especial e a KLM aumentou os preços. Mas no meu caso, não tinha ( ou eu achava que não tinha ) chora-me-dói, eu tinha que ir pro trabalho.

Aliás, falando em chora-me-dói, essa condição só é reconhecida como problema de saúde aqui na Holanda, e se você pesquisar na internet, as pesquisas são todas de holandeses. O que me faz pensar que o povo aqui tá achando forma pra justificar o pânico que os ataca se alguém ousar chacoalhar um pouco a vidinha previsível deles.

Mas assumindo que os pesquisadores estejam certos, eu achei que o negócio se resolvia com um mês de malemolência em casa ou melhor ainda, que o cara vá pra um lugar ensolarado, andar de bicicleta ou beber Piñas Coladas à brisa do mar, mas nããããão, o negócio é serííííssimo, e leva até um ano para o funcionário se recuperar ( !!!! ). Eu juro que eu tento compreender, mas não consigo.

Um dos colegas voltou depois de 3 meses para trabalhar meio periodo, vem de manhã e na hora do almoço vai embora, todo com cara de constipação. Ele vai ficar trabalhando meio período por mais 3 meses.

O outro já está a 3 meses em casa mas vai ficar 6, porque o caso dele é mais severo. A mulher dele esteve aqui ( ela trabalha na empresa, em outro departamento ) e disse que ele "mal" consegue segurar um cigarro na boca. Ahá, "mal"… sei…

Eu acho que é essa vida sem dificuldades que eles tem desde o nascimento, já falei sobre isso aqui. Não é que eles sejam más pessoas, só não estão acostumados a adversidade. Acho eu.

Sabe o engraçado, se é que há graça nessa história toda? É que quando o arbo-arts ( médico do trabalho ) começou a falar dos primeiros sintomas do burnout, todos nós, que vivemos atolados de trabalho, estalamos os olhos: problemas de memória, irritabilidade, falta de concentração, problemas pra dormir ( sono o tempo todo ou não consegue dormir ), distúrbios de apetite. Ha ha ha, todos nós temos tudo isso…

Cadê a Dra. Alice pra me dizer se esse trem é de verdade ou é só mandar esse povo pra Minas que eles voltam tudim bão?

segunda-feira, agosto 8

Quem vê cara...

No mês passado, nós os novos gerentes do departamento tivemos um curso direcionado à avaliação e gerenciamento de pessoas. Esse ano nós passaremos a ser responsáveis pela avaliação de performance dos nossos funcionários, o que determinará o aumento salarial deles.

No curso "ensinam" que a gente não pode incluir na avaliação pontos subjetivos como aparência física, religião, idade e modo de vestir. O modo de vestir deu discussão porque nós somos a cara da empresa pro nosso fornecedor, pega mal o comprador ir lá molambento falar com o vendedor.

Eu acho dificílimo ser 100% objetiva.

Eu já disse aqui que o OldFart fez dieta e emagreceu. Ele diz que foi 25 "pounds" mas eu sei lá, não parece. E ele queria que o povo ficasse comentando e dando parabéns, mas holandês não é de ficar babando ovo de ninguém. Há já algumas semanas ele vem com cinto na calça e suspensório, ridículo, e quando alguém comenta ele diz "é que eu emagreci tanto que só o cinto não segura as calças". Hoje um colega disse: ei OldFart, porque você não aproveita a liquidação pra comprar calças novas? Eu tenho que me repetir mil vezes: ponto subjetivo… ponto subjetivo… ponto subjetivo…

Mas não adianta, eu não gosto do cara e ele não gosta de mim. Após o anúncio hoje de que eu estaria fazendo a avaliação dos meus funcionários, ele nada discretamente perguntou: mas você não vai pro projeto brasileiro? Vocês precisam ver a cara dele quando eu respondi "não". E depois eu o vi comentando com um colega que "sou mesmo azarado, a única brasileira da empresa e ela vai ficar aqui pra gerenciar o grupo e não no projeto brasileiro".

Eu fico me perguntando mil vezes se é injusto essa relutância que eu tenho em trabalhar com o fulano, e eu cheguei a conclusão de que ele só vai mudar se eu, ao invés de ficar puta da vida com ele mas engolir, discutir os problemas diretamente. Por exemplo, hoje foi o dia de volta das férias, eram 11 da manhã e ninguém sabia do paradeiro do véio, todo mundo procurando. Eu mandei um SMS e nada. Ele foi aparecer meio-dia, disse que chegou de viagem muito tarde ontem e que resolveu tirar meio-dia off, agora me digam, vocês não ligariam pra pelo menos avisar? Ou mandariam um e-mail, SMS? Eu tenho agora que sentar com ele e dizer que todos nós temos a liberdade de tirar um dia off, mas que temos TODOS, até nosso diretor, a obrigação de avisar nosso superior. É verdade ou não é? Sério, eu me sinto mãe de um adolescente revoltadinho. Vou mudar o codinome dele de OldFart pra Kabauter ( anão de jardim ).

sexta-feira, agosto 5

Maldição


Ponei Maldito Ponei Maldito La la la la la laaaa la

quinta-feira, agosto 4

Apertem os cintos...


Será que eu sou a única que antes de comprar uma passagem aérea pesquiso idade da frota, treinamento dos pilotos, onde a empresa faz a manutenção dos equipamentos, horas de treinamento dos pilotos e crew, índices de acidentes? Esses foram os critérios que barraram a TAP e a Ibéria na minha listinha ( se bem que comparei faz uns 6 anos ). Não, não vou dar bola pro azar. Mesmo nas maiores empresas acidentes acontecem, vide o da Air France, que agora descobriram foi falha humana.

Li que a TAM está liberando pilotos que não falam inglês, como pode? Como pode um piloto não falar inglês? Como pode uma empresa como a TAM, que sempre teve boa fama, liberar? Como pode ninguém fiscalizar, proibir e punir sériamente? E se há uma pane, o piloto precisa receber instruções da torre mas não entende patavinas? Tô pasma.

E quando não são as empresas aéreas tentando ferrar a gente, é o próprio passageiro. Com todo o respeito e não levem a nível pessoal, mas alguém vai morrer se não for gastar dinheiro naquela meleca de Bariloche? A brasileirada é tão ridícula que mesmo com o vulcão lá cospindo cinzas, neguinho quer ir pra Bariloche, morre se não for, e pega o único vôo da única empresa que se arrisca a manter vôos pra região. Aí neguinho chega na conexão, o vulcão cospiu mais cinzas, cancelam o vôo de Buenos Aires pra Bariloche, a empresa aérea diz que é "interpérie da natureza" e não dá nem um copo d'água pro passageiro, e eles vão pro consulado reclamar, como se o consulado pudesse fazer alguma coisa contra a estupidez humana ( do passageiro, porque da empresa é só ganância mesmo ). O consulado chegou ao ponto de colocar no site deles aviso para passageiros de que essa é a política da aerolíneas argentinas, que o consulado não pode fazer nada, mas o povo continua tentando ir. Caramba, como o Brasil não quer ser chamado de terceiro mundo se o povo só se comporta como tal? Quando o vulcão na Islândia cospiu fogo, tudo parou. Enquanto houve risco, ninguém voou. Mas o que mais me admira é o fulano arriscar comprar a tal passagem, ver que nenhuma outra empresa está mantendo os vôos - mas ele o espertinho achou uma bocada - arriscar, e quando dá errado, ele vai pro consulado reclamar que tem que pagar hotel em Buenos Aires do próprio bolso. Vi no jornal neguinho reclamando que não tem como pagar hotel até a conexão de volta pro Brasil, ué, e ía pra Bariloche fazer o que, pagar as coisas lá como?

Cada vez entendo menos meu próprio povo.

terça-feira, agosto 2

Buemba! Buemba! E não é do Macaco Simão.

Chatona Piovani diz que casou. Né... A recém casada entusiasmada abriu o coração: ó que linda minha aliança Chanel. Sobre o noivo, nada disse. Ah, o amor...

Adriane Galinhesteu peladona de novo. Não sei se foi silicone ou photoshop, mas a maternidade ( ha-ham ) parece ter contribuido para suas curvas peitorais ( ha-ham 2 ). Ela podia ter aproveitado a anestesia e corrigido o "desvio de septo"( ha-ham 3 ). Mas venenos a parte, tá bonitona, considerando que ela vai virar os quarenta, corpinho ainda dos 20.

E a Sandy. Putz, a Sandy. Vocês já procuraram no Twitter o termo Sandy? Ha ha ha, o Brasil é divertido demais, sô.

Pensando bem, que buemba que nada. Foi só uma típica semana brasileira.

Mas… Putz… A Sandy...

segunda-feira, agosto 1

1, 2, 3, 4, 5 e 6

1

Que vocês acharam dos vestidos repetidos da princesa ( ou duquesa? ) Catherine ( ou só Kate? ). Eu confesso: achei muito legal. Ela provavelmente ganha a maioria das roupas que tem, ou usa o dinheiro da "mesada real", pode comprar mil vestidos, mas com certeza quis mostrar que gente inteligente e consciente da crise pela qual o mundo inteiro ( menos o Brasil? ) passa, não comete a burrice de descartar um lindo vestido só porque ele foi usado uma vez. E agora aqui pra nós, tem bom gosto a moça, afinal, ela foi a um casamento com uma roupa que tem cinco anos, que ela comprou sem a mesada real, e estava chiquérrima. Tem muita socialite brasileira imbecil que devia copiar o exemplo.

2

Meu marido não quer ir aos EUA porque por lá instalaram aquele body scan que te vê pelado nos aeroportos. Eu pouco me importo, se o guardinha quiser dou até uma reboladinha pra ele, mas o marido morre de vergonha. Agora estão instalando nos aeroportos brasileiros. Conto pro marido ou espero ele surtar ao ver, in loco, a tal máquina?

3

Falando da tal máquina do scan pelado, já fui "vítima" da mesma em São Francisco. Como brasileira tive meu cartão de embarque marcado como "suspeita" e fui scanneada em todas as conexões que fiz em 2005. Ironia do destino, esse mesmo povo agora tá disputando a grana dos brasileiros a tapa, ainda hoje no estadão está uma materia sobre a venda de imóveis para brasileiros na Flórida, estamos salvando o emprego de muita gente por lá, e somos agora o povo mais bajulado de várias partes daquele país. No fim, acho que meu passaporte brasileiro, por incrível que pareça, vai ser mais valorizado por lá do que o europeu.

4

Merece post a parte, mas comentarei mesmo assim. Sempre reclamo do que o brasileiro paga nos resorts Iberostar no Brasil, cês lembram, né? Ontem pesquisamos: 14 noites no Iberostar Praia do Forte ( premium ) em quarto com vista para o mar no booking.com: R$14.670; as mesmas noites na TUI.de: €2666. Mas, infelizmente, depois da experiência no Grand Palladium Imbassaí no ano passado ( venderam diárias para brasileiros por 99 "reál" ) eu e o marido concluímos que resort no Brasil só é viável se houver esse "filtro" para controlar o nível dos hóspedes. Mas e europeu, não tem europeu xexelento? Ô se tem, mas o filtro desses é a distância: eles vão pra Marbella, Algarve, Ibiza e afins, aqui "pertim".

5

Estou cada vez mais apaixonada pela minha recém adquirida Nespresso. O George Clooney ainda não deu aquela passadinha lá em casa pra me trazer umas cápsulas nem eu o encontrei na Nespresso Boutique de Eindhoven, mas ó, o café é diliça demais! E ó que eu só tomo decaf, que é igualmente delicioso. Caro, mas delicioso.

6

15 dias sem carboidratos, 205 to go.
:o(




quinta-feira, julho 28

Vício e viciados

Eu tinha 9 anos e era gordinha. Pedi pra minha mãe me levar no médico pra emagrecer, o médico me deu uma dieta razoável para uma menina de 9 anos, e nos fins de semana eu podia comer 2 itens da lista proibida. Voltei ao médico depois de 30 dias e tinha emagrecido 1.5kg, ganhei muitos parabéns e uma maçã. Saindo do consultório minha mãe, visivelmente desapontada disse: tanto sacrifício pra emagrecer só 1,5kg. Meu regime acabou ali.

Quando eu fiz 12 anos minha tia estava indo a um médico em São Caetano e estava emagrecendo a olhos vistos. Eu quis ir, minha mãe deixou. Ainda lembro de pegar o ônibus pra encontrar minha tia, pegar outro ônibus com ela, lembro da consulta, lembro da dieta e meu primeiro potinho de remédio. Aos 12 anos eu ganhei um lindo potinho amarelo de anfetaminas: anfepramona, triac e diazepam. Dessa vez voltei ao médico depois de 30 dias com 5 kg a menos, minha primeira ( e única ) nota vermelha, mas eu e minha mãe estávamos felizes. Esse médico, 15 anos mais tarde perdeu a licença.

E não parei mais. Tome anfetamina non-stop dos 12 aos 26 anos.

Pode parecer fácil, ir ao médico, pegar receita, mandar aviar, tomar, emagrecer, manter, mas não é. Você vai se acostumando com a dose, o médico se recusa a aumentar, você pára de emagrecer, ou começa a engordar, e precisa de uma dose maior. Ou então, na época da faculdade e estágio, como arrumar tempo pra esperar hooooras numa sala de espera do médico que está sempre atrasado. Ou então é simples curiosidade. O gordo sempre tem outros amigos gordos que conhecem uma farmácia lá em Moema, ou tem um farmaceutico do balacobaco… E é assim que muito gordo cai no mercado black de anfetamina.

Primeiro foi o remédio da Dr. Tânia, em Moema. Uma farmácia de manipulação podre de chique, a gente chegava e pedia a fórmula natural da Dr. Tânia 1, 2 ou 3 - os números representavam a "potência" da fórmula. A menina no balcão explicava: a número 3 só em uma "emergência pra caber num vestido". Ninguém sabia o que tinha, e eu cheguei a tomar a Dr. Tânia 3, dose dupla por meses seguidos. Tava linda e magra e fazia o maior sucesso na Limelight.

Denunciaram a Dr. Tânia, um magro - claro, e descobrimos o véio Gera. Véio Gera tinha a melhor fórmula do universo, era tão forte e tinha tanta coisa que o primeiro dia você mal conseguia beber água. Tomei anos. Até a família da minha cunhada, em Curitiba, me pedia pra mandar. Até o véio Gera morrer sem deixar a receita das pílulas. Daí desesperadas, eu e minhas amigas gordas, fizemos um formulário azul falsificado, carimbo, e comprávamos de farmácia mesmo, pelo menos pra manter o peso.

Isso que eu estou contando não é nada perto do que existe no Brasil, a terra onde só magros vivem, os gordos sobrevivem. Cheguei a ir ver as cápsula de virus italiano: cápsulas de virus estomacais que te davam enterite por uma semana e você perdia até 6 kg - diziam. Esse eu não tive coragem. Tinha uma louca que injetava remédios de cavalo em gente, dizia que "queimava" a gordura - também não tive coragem.

Passei por Spas caríssimos, fiz mil aplicações de tudo que diziam que derretia banha, fiz todas as dietas malucas que inventaram. Acabei mutilando meu estômago e aspirando as banhas.

Fazem exatamente 10 anos que eu não coloco uma anfetamina na boca. Cheguei a comprar, numa das minhas idas ao Brasil, mas e o medão de ficar viciadona de novo? Estou agora tentando emagrecer o que ganhei depois da transfusão de sangue e está muito difícil. Fico me perguntando se eu ferrei meu metabolismo com tanto treco que tomei, ou se é efeito do tal Mirena que eles juuuuram que tem só um pouquinho de hormônio de ação local, ou se é mesmo idade. Ou tudo junto.

Hoje, depois de dois dias comendo pouquíssimo, quando a balança disse que eu GANHEI 400 gramas, quase chorei de raiva. Nesse momento, se eu tivesse um potinho de "bolinha" ( como nós, os viciados nos referimos às anfetaminas ) teria recomeçado. É por isso que eu entendo as recaídas dos viciados em qualquer substância, qualquer adversidade e a gente corre pro vício.

Estão pra proibir as anfetaminas no Brasil, eu acho besteira. Muitas pessoas se viciam como eu, mas muitas fazem o tratamento direitinho e em 3 meses estão saudáveis, com a alto estima lá em cima, levando suas vidas felizes. E os viciados, como eu já contei, contam com um imenso black market, que vai continuar existindo, só que com remédios vindos da India, da China ou sei lá o que, sem controle nenhum da Anvisa.

Agora me resta continuar passando fome, mesmo com energia zero tentar fazer uns exercícios, e rezar, rezar muito. Qual é o santo dos gordos?

quarta-feira, julho 27

E depois os subdesenvolvidos somos nós


No jornal, hoje, a notícia dos holandes que deixaram três crianças de 7 meses, 2 e 4 anos num barco e foram jantar num outro barco. O barco desatracou, ficou a deriva e foi achado por um pescador que chamou a polícia pra socorrer as crianças. As crianças estavam assustadas e com fome, foram alimentadas na delegacia. Os pais deram as caras depois de 3 horas. Foram pro xilindró e pagaram fiança.

Fiquei horrorizada, o que passa na cabeça de pais que deixam as crianças dentro de um barco, num lugar desconhecido, onde ninguém entende o que eles falam, podendo cair na água, o barco pegar fogo… Ah, mas deixaram um rádio com o mais velho ( de 4 anos!!! ) e o que a criança vai fazer, ligar e dizer pro "papa" "papa: tô queimando - papa: tô me afogando"?

Traduzi a notícia pros colegas, achando que eles fosse também se chocar, e achando que a atitude desse casal é uma exceção, um casal de doidivanas, e eles não acharam não nenhum absurdo, "ah, se o outro barco tava perto…", e disseram ainda que costumam deixar o bebê em casa dormindo e com o baby monitor vão até o vizinho jantar numa boa. Um disse que as vezes até dá uma corridinha no mercado, que fica no fim da rua. Adriana ouvindo de boca aberta.

Quantas vezes, na casa da minha tia, chegava a vizinha pra conversar no portão e ela dizia: entra que eu quero ficar de olho no nenê… Imagina que a gente ía deixar a criança sozinha, acordar assustada com alguma coisa e estar lá, sem ninguém pra acudir...

Lembram do caso Madeleine? Os pais deixaram a menina no quarto para ir jantar, eu fiquei chocadésima dos pais deixarem as crianças sozinhas, mas pelo jeito por essas bandas de cá isso é normal.

Eu contei pra eles que pela lei, se você deixar a criança em casa e for no vizinho jantar, tocar um policial e a criança estiver sozinha, você, assim como o casal de holandeses, pode ser enquadrado em abandono de incapaz, e vai pro xilindró. Eles acham que a gente é louco e não tem o que fazer.

Eu acho relaxo. Comodismo. Vou dizer: acho vagabundagem de gente que não devia ter colocado filho no mundo. Quer ter toda a liberdade do mundo,faça como eu: não tenha filhos.

Tô louca povo? É normal deixar a criança sozinha pra ir saracotear?

terça-feira, julho 26

A Holanda está cheia

A Holanda está cheia, é isso que a gente ouve direto como desculpa pra controlar a vinda de mais imigrantes, ou pra justificar as casas pequenas e coladinha por um preço de mansão da Côte D'azure ( pequeeeeno exagero pra contribuir com a moral da estória ). Enfim, o brejo tá cheio.

Por estar cheio, ou só porque esse povo gosta mesmo de inventar firula, tem vários departamentos por cidade pra fazer o planejamento da região. São mapinhas de cada bairro, numero de arvorezinhas por habitante, banheiros de cachorro por superfície ( se for muito longe, o Rex faz pela rua ), estudos de "morabilidade", de afluencia de carros, planejam mais do que um país antes de entrar na guerra.

E investem tanto tempo, tanta gente, tanto dinheiro, e fazem cagada. Quero morrer de catapora!

No meu bairro, que é novo e todo planejadinho, desde que mudamos sofre-se com lugares para estacionar. Já contei aqui da vizinha que fazia petição pra substituirem as arvorezinhas por estacionamento. Vários dias, o lixeiro que passa a cada 15 dias, não pôde recolher o lixo porque os vizinhos deixam os carros estacionados onde atrapalha a curva do caminhão. Todo mundo reclamando. Aí um grupo de moradores mandou uma carta pro prefeito.

O prefeito responde que nos cálculos do projeto, foi estimado um número de 1,5 vagas de automóveis por moradia, incluindo garagem e entradinha pra garagem. Ora pois, se aqui na Holanda NINGUÉM, com exceção do meu marido, usa a garagem pra guardar carros, e todo mundo sabe disso, como é que alguém aprova um projeto que já começa com metade das vagas inutilizadas? E não adianta forçar esse povo xucro, eles vão continuar guardando as cadeiras de plástico Itatiaia na garagem e deixando o Audi na rua. Aí o prefeito continua: Eindhoven é uma cidade com ótimas ciclovias, e as localidades mais distantes são facilmente acessíveis com o excelente sistema de transporte. Mas seu prefeito, o povo tá tendo que saiiiir de Eindhoven pra achar emprego, porque a Philipona tá falindo, cada ano corta mais empregos, como é que neguinho vai pra Roermond de bike?

Só sei que tá todo mundo emputecido com a situação.

Minha casa é numa rua sem saída. Na frente da minha casa é proibido estacionar porque numa área tão pequena ( um Cul'de Sac com 4 casas ) tem já duas vagas demarcadas pra estacionamento público. Eu odeio carro estacionado na frente da minha casa, no tal Stoep, porque fica tão perto da minha janela que a cozinha até fica mais escura. Pode chover, eu posso estar carregada de compras, se a vaga demarcada está ocupada por alguém, eu sempre estaciono da esquininha. Ontem eu estou chegando e tá lá uma dita estacionando no meu stoep.  Pedi pra ela sair, falei que nem eu estacionava porque não gostava de carro ali, que me incomodava o carro dela. Ela, grossa que nem só mulher holandesa sabe ser: é lugar público… Eu fiquei azul, "mevrouw, público mas é ilegal estacionar aí", aí ela fica toda cheia de reclamações, resmunga, e tira o carro, e o detalhe é que na esquininha, 10 mtrs dali tinha 4 vagas vazias. Eu não entendo! Agora eu, chata que sou, já estou imaginando que todos os dias vou chegar lá e vou encontrar a dita estacionada na porta da minha casa.

E depois disso fui direto pro meu maldito livro em holandês, porque eu só não falei poucas e boas pra essa mulé porque me faltaram palavras. Ódio disso, de faltarem palavras.

Eu sei, podem falar, Adriana que bitch que você tá.


segunda-feira, julho 25

Um continente em frangalhos?


Li hoje no jornal brasileiro uma jornalista de economia dizendo "A Europa, um continente em frangalhos busca salvação no Brasil". Tenho tanto a dizer sobre isso…

Primeiro que um pouquinho de modéstia não faz mal a ninguém. Quem ( ou o país que ) se acha a última bolacha do pacote acaba enfiando os pés pelas mãos feio.

Me pergunto se essa mesma jornalista não leu, dias atrás, que as remessas de lucro para o exterior bateram record esse ano? Ou seja, lucram no Brasil mas mandam o tutu pra Europa, o tal continente em frangalhos. Não acho isso ruim, ou ruim demais, afinal, eles investiram no país, criaram empregos, pagaram impostos, continuam reinvestindo na ampliação de suas fábricas no território nacional, ou seja, o Brasil ganha demais, mas… o lucro ainda vai pra matriz, que pelo menos na indústria automotiva, uma das mais fortes do país, são todas na Europa.

O mesmo artigo menciona que está todo mundo interessado nesse país que em 8 anos transformou metade da população em classe média, ou seja, supostamente com dinheiro e muita vontade de gastar. Todo mundo vai tentar sugar até o último centavo desse povo desacostumado a ter uns trocados a mais no fim do mês, mas quem tá lá ensinando pro povo simples a planejar os gastos, a iniciar uma poupança?

E tudo vai sendo empurrado com a barriga, sem o mínimo de planejamento. A nova classe C não precisa mais viajar de ônibus 3 dias pra visitar os parentes no Ceará, vão de Webjet com parcelamento em 10X no cartão, mas quem é que amplia os aeroportos pra dar conta desse povo todo? E o povo tá comprando seus carrinhos chineses Chery, mas cadê a ampliação desse Metrô, a melhora dos ônibus, a ampliação e melhora de ruas e avenidas pra comportar esses carros todos? E todo mundo tem laptops, e smartphones, e até Ipads, mas cadê investimentos em conectividade?

Acho engraçadissimo ( not ) o povo fazer passeata contra a tal nova hidroelétrica ( Belos Montes? ), mas como alimentar a casa desse povo todo cheio de TV's, computadores, máquinas pra tudo? E dar conta desse lixo todo que é gerado, com um povo que não é acostumado a reciclar?

Às vezes me parece que o brasileiro está deslumbrado demais com a renda extra, tá "se achando", mas esquece de aprender certos (bons) hábitos do europeu: poupar, não gastar mais do que tem, planejar a infraestrutura, tentar usar transportes coletivos ou o carpooling, reciclar ( e não tô falando da dona maricota que faz aqueles breguíssimos artesanatos de garrafa pet ).