quinta-feira, outubro 6

B.O.R.I.N.G.

Eu gostaria de entrar aqui e ter milhões de coisas interessantes pra contar, mas… que vidinha marromenos que eu ando levando.

Não sei se era ilusão de pós adolescente, ou imaginação fértil de brasileiros, ou só leseira mesmo, mas se há 20 ou 15 anos atrás alguém me falasse da vida de uma brasileira gerente de compras na Europa eu ía achar tudo tão glamouroso, tão chique-no-úrtimo, mas a verdade é que minha vidinha tá bem marromenos sim.

Hoje eu acordei super cedo porque tinha que estar na empresa, devidamente enterninhada, as 7:30, e antes de colocar o salto tive que limpar o banheirinho dos gatos, dar comida ( a do gordo separada da do magro ), fazer barra na calça do terninho ( barra tabajara ), colocar o lixo no container e colocar o container na rua ( debaixo de frio e chuva, andando de pantufas pela rua, o que eu sempre jurei que jamais faria ), olhei pra pilha de roupas sujas no cesto e lembrei que tem outra pilha dobrada lá em cima esperando ir pra gaveta e ninguém pra ajudar em nenhuma das pilhas, suja ou limpa. Não deu tempo de tomar café, carreguei uma barrinha do Atkins pra mastigar no caminho, e fui pensando na lista do “to do”: lavar todas as minhas camisas, passá-las ( será que aquele serviço de passar que abriu perto de casa é caro? ) antes da viagem, comprar o presente da Thali e do sobrinho, comprar umas vitaminas pra minha mãe, reservar o hotelzinho, ligar pra minha mãe pra arranjar uma carona, ligar pra amiga pra arranjar outra carona… e o portão da empresa chegou antes da lista terminar.

E daí eu lembrei que quando eu era adolescente e minha mãe falava que cuidar de uma casa é barra, eu falava que eu ía ter uma empregada. Deus tá me castigando!

Na semana passada falei com uma amiga brasileira e ela me disse que invejava tanto minhas viagens, que ela – com casa pra pagar, dois filhos pequenos pra cuidar, financiamento de carro, seguro, escolinha particular – além de não ter os recurso, não tinha nem energia pra ir de férias. E eu só invejando a empregada nova dela importada do paraguai, que parece ser moda em SP agora – que limpa a casa, passa, cuida do filho bebê e de vez em quando até cozinha. Gente, como deve ser a vida de alguém que tem empregada diária? Não consigo nem imaginar…

Bom puevo, guenta aí que logo, assim que eu chegar no Brasil, devo ter posts mais interessantes.

Ah, e só pra registrar dois momentos dignos de menção. Pena o Steve Jobs ter morrido tão cedo. E eu não pensei que eu ía viver pra ver o Brasil, a terra dos magros, proibir anfetaminas.

Fui puevo!

5 comentários:

Liliane Gusmao disse...

Adriana,
Li teu post e fiquei o tempo todo pensando, mas por que seu marido não participa dos cuidados da casa nem no cuidado dos gatos? Bem está é uma pergunta retórica, não espero nenhuma resposta. Te acho uma heroína, além de ser super fã do teu blog, se fosse para eu ser a mulher de negócios bem sucedida que você é e ainda cuidar de casa, marido e gatos não daria conta mesmo. No Brasil as empregadas paraguaias estão substituindo as brasileiras, negras e pobres, que finalmente tiveram a chance de ter outro destino que não o de empregada doméstica.
Me chocou um pouco ver que mesmo num pais europeu o homem padrão é tão encostado (para não dizer machista) quanto um brasileiro.

Holandesa disse...

Bem, tem uma coisa que continua glamourouuusa e como nós sonhos da juventude: as viagens! :)

Bia Py disse...

Ha, ha, ha
Cuidado que pode aparecer algum paraguayo resentido pelo que voce disse, e pior pode sobrar pra mim pelo meu comentario.

Marcia disse...

A grama é sempre mais verde do outro lado, eu acho. Ela queria ter sua rotina, você a dela.

Netrixe disse...

Sonhava ser como você nos meus 18 anos, e o que consegui foi ser Empregada Doméstica.