terça-feira, dezembro 29

Acabou-se o que era doce

Chegamos ontem, ainda estamos totalmente acabados pelo jetlag. Aliás, tivemos jetlag na ida e na volta.

Escolhemos a Republica Dominicana, mais precisamente Punta Cana, porque fomos reservar a viagem super tarde pros padrões holandeses ( começo de outubro ), porque eu fazia questão de ficar pelo menos 3 semanas no bem-bom ( porque esse ano foi de amargar ), e o nosso budget estava apertado por conta das férias caras em Julho ( Rhodes ). A proposta da agente de viagem caiu como uma luva, hotel 5 estrelas all-inclusive ( e o segundo melhor cotado no tripadvisor ), saindo de Brussels, 3 semanas inteiras, por apenas 2,2 mil euros por pessoa.

O que achamos: o hotel Iberostar Bavaro é muito bom, muito confortável, comida boa, restaurantes temáticos, mas super refinado não é. Pelo que eu paguei achei um negócio da China, mas tinha um monte de americanos que não pagaram tão barato e estavam reclamando que o pacote foi vendido como o supra-sumo do luxo, e se decepcionaram. Vou ver se posto fotos depois, mas gostamos bem do hotel.

O problema é que fora do hotel não há absolutamente nada pra se ver ou fazer. Fomos a um passeio de barco e um outro onde dirigimos um mini-buggy por uma trilha, mas todos os passeios são super caros, mais caros do que no México e Brasil. Pelos lugares que passamos, tudo feio demais, com muito, muito, muito lixo jogado sem cuidado nenhum por todos os lugares. Um senhor no nosso ônibus comentou que em Cuba são tão pobres quanto, mas que tem a dignidade de cuidar do ambiente deles, não jogando tanto lixo em todos os lugares. Até no hotel, nas áreas reservadas detrás do restaurante, quando abriam os portões víamos pilhas e pilhas de louça quebrada, uma zona.

O povo parece ser bem legal, muitos americanos se apegam a esse ou aquele garçon/gaçonete, e era comum ver-se hóspedes voltando ao hotel e indo abraçar seu garçon favorito.

Fora isso muitas coisas em comum com o Brasil: feijão marrom praticamente todos os dias no buffet, queijo branco, ñame ( mandioca ), pão francês em bengala, brahma, cana-de-açucar, e até uma banda que tocava música brasileira.

Descansamos muito, foi legal, mas sinceramente não sinto vontade de voltar. Se fosse voltar pro Caribe, iria pro México.

Meu povo, muitos brasileiros por lá, todos com a mesma história: foram pra agência pensando em ir pra um resort no nordeste, mas era mais barato, quase a metade do preço, ir pra Punta Cana. Triste pro turismo nacional isso, porque o turista estrangeiro não vai porque não são todas as agências aqui no exterior que oferecem pacotes pro Brasil, e o Brasileiro acaba indo pra fora porque é mais barato. Uma vergonha!

E de lá acompanhamos o soco na cara do Berlusca ( Paca, cadê seu post sobre isso??? ), o summit, a morte da Britney Murphy, o caso Sean Goldman ( fiquei com pena do garoto, que acabou indo em pleno natal pra uma família desconhecida ), a nevasca no hemisfério norte ( deliramos de alegria ).

2009 tá chegando ao fim e já vai tarde.

sexta-feira, dezembro 11

Do Caribe

Sem acentos. Estamos na Republica Dominicana, em Punta Cana. Faz 28 graus, a praia eh linda, o hotel all inclusive otimo, tudo bom demais.

Muitas semelhancas com o Brasil. Bengala de pao frances de manha, bem crocantinha e macia. Feijao marronzinho que nem em SP. Bom cafe. Cerveja Brahma, mas a local Presidente eh ainda melhor.

Internet caresima, 10 dolares por hora. Voltarei com noticias rapidas daqui a uns dias.

Se eu nao me animar, afinal o sol brilha lah fora, bom natal pra todos voces, especialmente pras outras mosqueteiras, das 3 que sao 4.

Fui pro sol meu povo!

quinta-feira, dezembro 3

:-O


Hoje no escritório ouve-se um monte de gente fazendo cuti-cuti, é um dos colegas que está de férias, veio trazer um documento e trouxe a filhinha de uns 6 meses. Aí a secretária falava pra garotinha:

- Sjak ( ou Jack ), você está passeando com o papai? ( e a menina deve ter pensado: não, vim de bicicleta sua anta )

Depois de ouvir umas 3 vezes eu pergunto pro pai: é Sjak em Holandês ou Jack de Jaqueline? Ele responde: é Shak de Shakira. Daí eu fiquei com a cara de bunda, pensando "é Sjak e o cara falou Shakira pra deixar claro que é com S ou o nome da menina é Shakira?" e ele parece que leu meu pensamento: minha esposa é uma grande fã, então demos o nome de Shakira à nossa filha.

:-O

Eu quero morrer com esses pais que dão esses trambolhos de nome pros filhos. Eu já disse né, hoje em dia com o mundo super globalizado, pelamordedeus escolha um nome que pelo menos deixe claro se o seu filho é um Mr ou uma Mrs, e de preferência, que seja razoavelmente pronunciável.

Lembram da ex-grávida? Ela já teve o segundo bebê ( tá ligada que aqui é um pra fora outro pra dentro, né ) e o bebê se chama Karel. E aí, é menino ou menina? Eu tive que perguntar pro meu colega do lado, pois recebi uma foto com um bebê todo de laranja e verde, escrito algo do tipo "e com 3,4kg, 50 cm, nasceu Karel. Papa, mama, e irmã estão felizes com a sua chegada". O colega me olha como se eu estivesse perguntando se água molha e responde: é um menino!

Eu sei que tem gente que quer dar nome bem …….. ( complete com holandês, alemão, sueco, ou seja lá qual a sua nacionalidade ou do seu marido ) pro filho, mas pense criatura, se seu filho um dia for estudar na Inglaterra, nos EUA, em qualquer outro país europeu, ele vai viver constrangido com o nome?

Aqui ao meu redor, tenho vários Josephs, ou pra brasileirada, José. Aí, querem encurtar pra Zé, e o Zé aqui pode ser Jos, Joop ou Joost. Lê-se Iós, Iôp, Iôst. Liga o fornecedor americano e diz: posso falar com o Djup ( Joop )?

Aquela do meu departamento que teve a segunda criança e estará sendo "recolocada" em outro departamento tem Loes e Pleun. Loes é uma menina e se diz Luz. Pleun ( algo como Plum ) não importa quantas vezes eu diga sempre me corrigem, e é outra menina. Ei, meu nome é Pleun, eu caí e Plum.

Isso sem falar em todos os Koen. Diz-se Kun. Eu falo o nome mas penso em fiofó. Americanos perguntam pelo kô-en.

Maarten ( maaaaarten), Martin ( mártin ) e Martien ( martín ) pra mim são tudo a mesma coisa, mas pra eles não, é tudo muito diferente.

O Michiel é Mirril. O Michel é Mixél. Pelo menos aqui não tem Maicon, como todos os Maicons, escrito assim mesmo, do Brasil.

E tem uns que nem são tão feios, mas não importa o quanto arranhemos garganta e façamos bico, nossa pronúncia tá sempre errada. Meu diretor e um outro colega são Ruud. Esse erre é R de holandês, minha antiga professora falara pra eu usar um "rolling R" ( tipo tia véia falando rrrrato ) que eu vou parecer uma pessoa de Den Haag ( Haia ) falando. Esse u duplo tem duplo bico. Eu imito meus colegas ingleses quando os chamam, e os Ruud's dão risada.

E eu? Ah, em 50% dos casos sou Adriáááááána e em outros 50% sou Andrea. Perguntei pra um colega ( o Joop ) porque tantas pessoas fazem a confusão, e ele me disse que Andrea é mais fácil. Eu respondi que vou então chamá-lo de Zé, que pra mim é muito mais fácil. Diga-se de passagem que no Brasil toda Adriana sempre é muito chamada de Andrea, tem até comunidade no orkut.

Se um dia eu tivesse filhos, iria colocar Sophia ou Christian, ambos bonitos, fáceis, óbvios. Meu sobrinho chama-se Bruno Felipe, o Felipe foi a meu pedido, amo Felipe. Mas como vou ficar só nos gatos mesmo, quando eu aumentar a família vou querer uma menininha, e vai se chamar Mimi. Ou Meemee, porque eu sou chique, né!

quarta-feira, dezembro 2

Brasileiro só se torra!

Sempre que vou ao Brasil levo toneladas de protetor solar e ao fazer as malas pra voltar, deixo todos os tubos meio cheios lá, e minha família adora, afinal meu irmão mora no interior de SP, onde o sol é inclemente, eles tem piscina, usam litros de protetor. Os meus, sempre compro Garnier porque gosto do cheiro, e pro Bart, normalmente Nivea.

Lá no Brasil, sempre comentaram que o Nivea que eu deixo é muito melhor que o Nivea nacional, e eu sempre achei que fosse bobeira, deslumbre brasileiro com um produto europeu, mas ontem li uma matéria no Estadão que me deixou pê da vida.

Testaram um monte de marcas nacionais de protetores e a maioria não passou no teste. Ou não tinham o fator que prometiam, ou perdiam metade da proteção depois de 30 minutos, ou embora se dissessem à prova d'água, depois de 30 minutos na água não protegiam mais.

Aliás, devia ser proibido anunciar que o produto é à prova d'água ou até mesmo "resistente à á'gua", porque o consumidor lê aquilo e acha que pode passar no filho e esquecer. Eu sei que nas letrinhas miúdas eles mandam reaplicar após banhos prolongados, mas se é à prova d'água, fica uma informação desencontrada.

Mas o que me deixou pê da vida mesmo, é que no final da matéria, diziam que os produtos internacionais equivalentes ( Nivea, Loreal ) foram testados e se sairam muito melhores, e terminam dizendo: essas empresas conhecem a boa fórmula, só escolhem não utilizá-la no mercado nacional.

Putz grilo, e não podemos nem dizer que o produto nacional é suuuuper barato, porque protetor solar no Brasil é meio artigo de luxo. Tipo a prima que tinha dinheiro ou pra ir ao Hopi Hari ou comprar o protetor, então ela foi ao parque e se torrou.

Por aqui, um tubo de Nivea fator 50 de 300 ml custa 16 euros, só que eu sempre espero a liquidação de final de verão pra estocar, e sempre compro 2 por 1. Estamos levando pras 3 semanas de férias 4 tubos de 50 pro Bart, e pra mim meio 30, um 20 e um 15. Tudo comprado na promoção.

Por causa do preço, eu sempre levo pro Brasil meu protetor, e a verdade é que o Bart Super Omo Radiante nunca se torrou, nunca nem ficou vermelhinho.

Mas que pôxa, no Brasil somos mesmo cidadãos de segunda classe.

Aliás, ouvi que aqui na Europa as indústrias de cosméticos compram uma máquina pra virar um furinho do spray pra frente, e que a mesma marca no Brasil não investe na tal maquinha. E é verdade, reparem bem! No Brasil a gente vive acertando o buraco do spray, ou acabamos sprayzando pro lado errado.

Tá na hora da gente ser mais exigente aí no Brasil. Produtos melhores, informações mais completas nos rótulos, embalagens mais convenientes. Somos "emergentes", povo, aqui na empresa já vieram me perguntar se eu não fico tentada a voltar ao Brasil com o boom da economia.

E é claro que eu não quero, esse negócio de ficar virando o buraquinho do spray do desodorante não é pra mim ;o)

terça-feira, dezembro 1

Des-serviço ao cliente

O serviço ao cliente aqui na Holanda deveria chamar DES-serviço ao cliente, pois além de raramente ter alguém inteligente na linha, o serviço é cobrado. Sim, colega, se você quiser ligar pra perguntar, reclamar, esclarecer, cada segundo na linha telefônica é cobrado. Acho isso um absurdo que deveria ser proibido por lei.

Quando eu comprei o pacote turístico para essas férias, comprei na agência Arke aqui de Eindhoven ( sou cliente antiga e fiel ), mas a operadora é a Neckermann da Bélgica. E pra completar a bagunça, o vôo é da Jetair Belga, que é do grupo TUI, que também é dona da Arke. Mas então…

Quando comprei o pacote, me disseram que eu não podia reservar assentos "comfort class" porque eles estavam reservados para clientes de outra agência ( a Jetair, que não trabalha com o hotel onde eu queria ficar ), logo eu teria que voar nos assentos standard. O vôo era tão mais barato, que aceitamos, e economizamos assim quase 2 mil euros no total.

Eis que nessa semana recebo os vouchers e resolvo ver se há a possibilidade de pré-booking dos assentos. Aparentemente há, mas eu não consigo fazer o login com o meu número de reserva. Ligo pro des-serviço ao consumidor, pagando além da taxa do celular, 45 centavos adicionais por minuto. Aí começa a palhaçada do auto-atendimento em 3 línguas ( holandês, francês e inglês ), aperto o deux e caio na operadora. Ela me responde que os assentos são distribuidos sem critérios pelo programa de computador, e que eu tinha que sentar no assento que me foi atribuido automaticamente, e praticamente desligou na minha cara. Fiquei puta da vida, isso não existe, ainda mais numa empresa belga, que dizem ser mais "sofisticada" que a irmã holandesa.

Revoltada, com bile fluindo pelo queixo liguei novamente, pronta para soltar os cachorros. Mais alguns minutos a 45 cents, e um outro rapaz me atende, me responde que eu posso sim escolher os assentos durante o check-in, mas que realmente os clientes da Jetair tiveram prioridade, que eu teria que me contentar com os assentos que sobraram. Me disse ainda pra ligar para a Operadora, a Neckermann, porque ele ouviu ( super precisa a informação ) que a Neckermann ía começar com um sistema de reservas.

Liguei pra Neckermann, lá o des-serviço custava apenas 30 cents por minuto. Lá me disseram que pelo website deles eu podia reservar assentos. Loguei, agradecida pelas parcas aulas de holandês, porque o site não tem opção de mudar pro inglês, e facinho facinho fiz a reserva de assentos, pagando apenas 3 euros por assento por esse serviço. Com isso ganhei uma hora a mais de soninho na manhã do embarque.

Agora vejam, foram tantas ligações do celular ( meu telefone de casa tá tchutchado ) pra Bélgica, pagando o des-serviço adicionalmente, e esses cents que eles cobram nem são usados pra contratar funcionários competentes e treiná-los bem. Se eu pagasse os tais cents, mas pelo menos o serviço fosse bom e correto, eu nem reclamaria, mas é essa mixórdia!!!

Pelo que eu me lembre, no Brasil o SAC é sempre gratuito, ainda é assim? E a qualidade do atendimento, é razoável?

Depois não querem que a gente fale que isso aqui parece mais o interior do Congo ( Zaire era tão mais sonoro! ).

segunda-feira, novembro 30

Casamento aqui no interior do Congo

Eu tive experiência de dois casamentos aqui na Holanda. Gostei de ambos. O sistema aqui é ultra diferente do Brasil.

No primeiro, eu não era tão íntima da noiva, fui convidada para a festinha "final". O parceiro foi também convidado, tinha bebidinhas e um buffet com umas comidinhas, havia uma pista de dança, mesinhas, foi legal.

No segundo, eu era mais íntima da noiva, fomos convidados para o dia inteiro. Achei que fosse ser cansativo, mas foi super tranquilo e muito legal. Começamos pelo casamento "civil", depois teve um lanchinho, fomos para a Igreja, teve o religioso com missa. Fomos para o lugar da festa, fomos recebidos com champagne e bolo. Passamos para a sala do jantar, comemos "a francês" e estava tudo delicioso. Começou então a festa "pra todo mundo", e os demais amigos dos noivos começaram a chegar. Rolou ainda mais bebidas e um buffet delicioso com muitos queijos, nozes, lá pelas tantas assaltamos o buffet de novo.

O primeiro "tipo", te poupa de passar horas vendo casamento religioso e muitas vezes o civil junto ( convenhamos que nem todo mundo gosta de casamento religioso ), e você vai direto pra festa. No Brasil pega super mal perder o religioso e ir direto pra festa, o povo logo diz que o fulano só tava interessado nos "comes e bebes" ( coidipobre falar comes e bebes ).

O segundo, é ótimo porque você passa o dia todo celebrando ( lembre-se que nesse caso é alguém da sua família ou um amigo íntimo ), e os noivos passam o dia todo com a família e os amigos mais chegados, dá tempo de dar atenção pra todo mundo. Pros pais especialmente, é um dia muito mais legal que no Brasil, já que eles curtem o dia inteirinho com os filhos.

Mas vejam que nos dois casos a noiva era brasileira, e eu tenho certeza que rolou uma certa preocupação em agradar a todos, e de certa forma de fazer tudo um pouquinho mais parecido com o sistema no Brasil.

Hoje eu recebi o convite da colega de trabalho holandês que começou aqui há alguns meses. Trabalhamos bastante juntas num projeto, eu gosto muito dela, mas não pude deixar de achar estranho o convite. Veio um scan do convitinho impresso, a primeira estranheza: é numa terça-feira. Daí, no e-mail que acompanha o convitinho, a frase: esperamos você sem o seu parceiro para celebrar conosco. E daí o fim da picada: drinks serão servidos ( não tem comida nenhuma! ). Ou seja, você sai do trabalho numa terça-feira, vai pra casa se arrumar, come uma pizza congelada, vai pra festinha tomar uns drinks, e pede pro seu parceiro ir te buscar ( senão você não pode beber ). Ah, e pra arrematar: dica de presente - envelopinho ( $$$$ ).

Aí ela comentando comigo quando fomos tomar um café: eu queria muito fazer o casamento nesse lugar ( é um lugar ultra chique em Eindhoven ), mas pra acomodar a família toda nesse lugar tão chique, não sobrou dinheiro para a comida dos convidados e nem os corsages ( umas flores que os convidados íntimos colocam na lapela ). Ah, o mais importante é que nossa família goste, os outros convidados são secundários ( !!!! - eu sou "os outros convidados" ).

Bizarro ou não?

Eu peço a ajuda dos universitários

Desde sempre eu baixo meus filmes do site mininova. Para seriados, há a opção do eztv, que não é o mais rápido mas tem todos os seriados de graça, mas não tem filmes. Na semana passada, o tribunal de Utrecht determinou que o site mininova só pode conter downloads autorizados pelo dono da obra, o que resulta num site cheio de filminhos e musiquinhas alternativas e só.

Estou órfã de site de downloads, e eis a ajuda que peço: de onde vocês baixam seus filminhos?

Esse fim de semana foi o final de semana de comprar as últimas coisas ultra-essenciais e alguns presentinhos pra mandar pro Brasil. Pro meu sobrinho foi fácil, jogos de PS3. Pra minha mãe idem, cremes e uma blusa. O terrível esse ano foi o presente da sobrinha pré-adolescente.  Roupa de criança ela não usa mais, a saída foi procurar as marcas de adultos que tenham tamanho XS. Já tinha até desistido quando vi duas camisetas e um moletom na vitrine daquela Cool Cat. Olha, os preços são baixos, mas se você for analisar a qualidade, é caro! Precisei conferir 4 moletons até achar um sem falha de costura e 3 camisetas até achar uma que não faltasse um um dos brilhantinhos que compunham a palavra DIVA. E esse ano não mandarei chocolates, não mandarei nada de SinterKlas.

Tcheu contar uma coisa. Cês não vão rir, hein! Invoquei que quero comprar um chapéu. Sou friorenta, toquinha é meio mano-brown, queria um daqueles chapéus de feltro meio boinas-meio-bonés, mas nunca achei um que além de bonito cobrisse as orelhas. Na sexta feira achei o tal chapéu, quentinho, de feltro, cobrindo a orelha, do jeito que eu queria, mas o preço: 40 euros! Tô com dó de pagar, e se no fim eu acabar não usando? Nunca usei chapéu antes… Mas agora eu encasquetei com o tal chapéu e sei que se eu não comprar vou ficar com isso na cabeça. Meleca!

Bom, tcheu ir cuidar da vida que essa semana vai ser pauleira! Mas sexta-feira digo adeus e só volto no ano que vem! U-hu.



sexta-feira, novembro 27

Tá quase

 Vou comentar sobre um fenômeno que eu tenho certeza que acontece com muita gente: pânico pré-férias.

Eu preciso de um milagre.

Na empresa tenho que fechar 3 contratos em uma semana, tarefa praticamente impossível. Ajeitei tudo o que EU podia ter ajeitado, mas agora dependo de outras pessoas, do fornecedor, de advogados. Tofú minha gente.

Em casa, faltam aquelas quinquilharias típicas pré-viagens, que eu sei que vão acabar com o meu findi. Sou só eu que SEMPRE compro mil coisas antes de viajar? Eu sempre faço uma listinha e guardo, pra ver se na volta eu usei metade do que me deu tanto trabalho pra comprar. Minha listinha pro sábado é: óculos de mergulho e snorkel, relógio fuleiro à prova d'água ( pro Bart controlar a hora no jet-ski ), um hidradante corporal ( odeio comprar cosméticos, vou de Rituals mesmo ), dolares, bandaids e uma capinha pro meu ereader tchutchuco. Se parasse de chover ( sonho meeeeeu ) ía ser mais fácil, porque com a scooter eu não preciso estacionar lááááá na casa do chapéu e andar que nem uma condenada pra cima e pra baixo, mas com essa chuva, nem a pau juvenal.

Aliás, como já comentaram: que via sacra é comprar qualquer coisa nessa época do ano! Aqui na Holanda é pior, porque o SinterKlas é dia 5 de Dezembro, tá aí. Pior lugar pra se ir nessa época é Kruidvat e Etos. Eu fico impressionada como holandês compra cacareco pra dar de presente! Sei lá, já que eles não trocam presentes no Natal, eu esperaria um SinterKlas mais generoso, mas o que é de véia comprando sabonete e mandando embrulhar não tá no gibi. Aí você tá lá na fila, querendo só pagar seu Imodium e picar a mula, mas tem que esperar a caixa embrulhar cada um dos pacotes. Esse ano a Kruidvat contratou um estagiário mais esperto e ao invés de embalarem no caixa tem uma mesinha com outro estagiário no fundo da loja, mas eu prefiro a ETOS, que agora vende ao mesmo preço da Kruidvat e é mais agradável aos olhos.

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Abre espaço para notinha com histórinha

Na minha família, quando a família toda passa o Natal junto, fazemos um amigo secreto, assim todo mundo ganha um presente bonzinho e não se gasta tanto. Entretando, pais sempre dão presentes pros filhos e vice-versa, ou seja, eu dou presente pros meu sobrinhos, irmão e cunhada, e pros meus pais, mas não dou pra todos os tios e tias e primos.

Só que, já há 6 anos, sempre dou presente para o meu pai e NUNCA ganhei nada dele. Minha mãe diz que ele deve pensar: o combinado é só pras crianças ( os netos ), mas o fato é que eu me dou ao trabalho de esquentar a cabeça com o que comprar e nunca ganho nem um cartão em retorno. Isso porque meu pai me vê a cada 2 anos!

Aliás, meu pai ficou meio lelé depois do divórcio. A última é que ele anda pedindo pros nossos parentes que moram perto dele roupa velha pra ele usar enquanto "cuida do pomar", mas ele acaba usando aquelas roupas sempre! Que coisa feia. Pro meu irmão ele disse que ganha as roupas, mas como esses parentes são cheios da grana e trabalham com moda, as roupas velhas são sempre novas, aí acabam "misturando" com as dele e ele não sabe mais qual é qual. Será que não dá pra ele ir no Torra-Torra e comprar meia dúzia de camisetas fuleiras pra capinar?

Fim da notinha com histórinha
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E resta a "moi" rezar pra chuva não vir e já ir preparando o roteiro: capinha, hidratante, relógio e dólares, tudo hoje, pra eu não ir à loucura amanhã.

E acabaram de ligar da Arke com mais uma tarefinha pra mim: pegar as passagens.

Ah, e já que esse post já tá enorme e sem pé nem cabeça mesmo, tenho que falar pra vocês da maravilha que é o mundo de "doadores" de livros digitais. Claro que tem sempre empresas como a Barnes and Noble que tenta melar essa gentil troca de e-books, mas Capitães Ganchos unidos jamais serão vencidos.

Mas com um pouco de paciência encontra-se um mundo fantástico de livros na internet de gracinha de gracinha. Achei um arquivo com 1000 títulos populares. Tem a trilogia inteira do Senhor dos Anéis, tem praticamente toda a obra do Stephen King, tem Sidney Sheldon, Nora Roberts, Clancy, Grisham, Robin Hobb, e tantos outros! Esses livrinhos semi-acéfalos são tudo o que eu precisava pras minhas férias. O duro é selecionar o que você quer levar, afinal o arquivo tem 1000 livros e você pode levar "só 350", ou comprar um memory card.

Depois de baixar a série toda da Sookie Stackhouse ( True Blood ) e amar o vampirão Eric, estou agora lendo o The Vampire Diaries, que dá nome à nova série. Não é tão bom quanto o True Blood, mas é bem interessante, e no fim eu acabei lendo a série inteira ( estou no quinto livro ) antes mesmo das férias.

Amo meu ereader tchutchuco de paixão.

quinta-feira, novembro 26

É de pobre mas eu amo: holerite!

Eu AMO meu atual emprego. AMO.

E é só porque eu AMO meu atual emprego que eu consigo, quando necessário, ficar semanas trabalhando até ultra-tarde, aguentar fornecedor insuportável, ter pique pra ir pra casa cansada e não descontar no marido. Na maioria dos dias eu vou pra casa cansadésima mas muito feliz. Volto pra casa dirigindo minha moteeenha no frio e cantando "Bem que se quiz" a plenos pulmões. Eu sei que isso pode mudar a qualquer momento, mas por enquanto, bate na madeira três vezes, estou no céu do proletariado.

Tenho alguns colegas descontentes com a empresa, e vários procurando outro emprego. Tem um em particular que está tão desmotivado que várias vezes por dia, enquanto a maioria de nós se descabela, entra na internet pra pesquisar preço de skis ou pneu pra neve. E é esse, o mais desmotivado, o único que não está procurando outro emprego. E isso eu não entendo.

Ele diz que não pode "arriscar" porque ele e namorada estão comprando uma casa juntos, não podem passar sem o salário dele, e o que acontece se ele for mandado embora depois dos 30 dias de experiência, não pode voltar pro emprego antigo e não sabe quando vai achar outro…e eu entendo, mas sinceramente, é como querer fazer omelete sem quebrar os ovos!

Eu vejo a situação do colega e é como uma bola de neve: ele não está motivado, o desempenho dele acaba não sendo dos melhores, ele acaba não pegando os projetos legais, aí ele vê todo mundo fazendo apresentações pro diretorzão e só ele não, e fica mais desmotivado ainda… E sabem, no Brasil, pelo menos enquanto eu morava lá, a gente vivia com o fantasma do desemprego rodeando, então todo mundo se agarrava de unhas e dentes nos empregos que tinham, e engolíamos sapos gigantescos, mas aqui na Holanda é BEEEEEM diferente. Pelo menos em épocas normais, quem não está feliz vai procurar sua felicidade noutra empresa. Aliás, é muito forte aqui o conceito de que seu trabalho tem também que te dar prazer, a gringaiada tá sempre me repetindo isso.

Pelo menos comigo, na empresa anterior, a Bosch, apesar do nome famoso e do bom salário, eu estava ultra infeliz. Gente, eu vivia doente! Agora, fora esse gripão que todo mundo teve no outono, eu nunca tive nada, nunca precisei ligar pra dizer que preciso ficar em casa! Que diferença!

Colegas, se não tá legal no trabalho, rumbora fazer os planos pra dar uma botina nos fundilhos do chefe. Se até eu, depois de dois anos procurando achei um emprego, qualquer um consegue. Só não dá pra ficar em casa choramingando as crueldades da empresa/chefe atual e não se esfalfar de mandar CV's. Ninguém vai bater na porta da gente e dizer: Miguxa, sei que você tá infeliz no trabalho e vim aqui te oferecer o emprego dos seus sonhos.

E quanto ao medo de arriscar, até eu que sou bunda-mole arrisquei. E olha, cê vai dizer que eu tinha o marido que ganha bem pra ajudar, mas se você olhar o valor da minha prestaçãozinha da casa ( hipoteca ) vai cair dura. Ía ser pagar a casa e comer carne moída ( eu ODEIO carne moída ) e ovo até eu achar outro emprego. Ou então eu ía trabalhar no Albert Heijn, que tá sempre contratando.

E você, ama ou odeia seu emprego? Aliás, quem aqui tem algum emprego exótico? Semana passada eu conheci um caminhoneiro que trabalhou 3 anos fazendo aqueles fretes de inverno no Alaska, tem até programa no discovery channel sobre isso, já imaginaram que legal? 

segunda-feira, novembro 23

A Amazônia


Gringo adora vir falar que a gente tá destruindo a amazônia. Tô de saco cheio.

Em 2007 um pesquisador holandês foi condenado no Amazonas por biopirataria e desvio de dinheiro público. Eu não pesquisei muito sobre o assunto, mas no Brasil dizem que ele descobriu 5 espécies novas de macacos e estava vendendo DNA desses macacos pelo seu website, o que é considerado biopirataria. Ele ainda foi pego transportando macacos e orquídeas sem autorização. Pegou 18 meses de cadeia.

Só que aqui na Holanda, esse sujeito arrumou uma equipe de TV pra fazer um programa onde ele dá uma de coitadinho. Ele diz que só queria ajudar a salvar a amazônia, que nós estamos destruindo, e que "mandava" ( a troco de muitos euros ) o DNA pro exterior pra salvar a espécie da extinção (???).

Aí vem a holandesada me cutucar com o assunto. Pontequepartiu! Primeiro que o que tem de gringo safado no Brasil não tá no gibi. O vizinho holandês do meu irmão é uma enciclopédia ambulante em como encontrar falcatruas quase legais para sonegar imposto. Segundo que neguinho não sabe do que fala e vem encher o saco.

Esse povo não tem idéia da terra de ninguém que é a Amazônia. Da mata fechada, da dificuldade em se locomover. Eles vem com essa maldita história de que a Amazônia é o pulmão do mundo, que a gente tá queimando tudo pra fazer pasto. E eu sei que é tudo uma bandalheira só lá praqueles lados, mas porque é que ao invés de criticar eles não doam aviões e gente pra ajudar a patrulhar? Ah, claro que eles querem ajudar SE tiverem direito a dar uma extraidinha básica em plantas medicinais, madeira, e sabe-se lá o que mais. E daí mané, exploração por exploração, brasileiros e gringos são iguais.

Mas ó, bem aqui pra nós, tá na hora do governo dar uma investida lá pro lado de cima, hein? Como pode deixar queimar a mata nativa pra fazer pasto? Que os gringos não me ouçam, mas pô, o Brasil não é mais assim tão pobre que não dê pra colocar uns teco-tecos a mais e uns guardas florestais pra ajeitar aquela zona, né? Se bem que tem toda a politicagem ao redor. Fiquei pasma com o seriado Amazônia, pelo jeito nada mudou muito nos últimos 100 anos.

Bom, tcheu voltar pro trabalho. Ventou que nem furacão a noite toda e hoje tá o dia mais feio que eu já vi, tô contando os minutos pra ir embora pra minha casinha quentinha debaixo do meu cobertorzinho lindo com o meu ereaderzinho tchutchuco.


Meu ursinho blau-blau


Faltam menos de 2 semanas pras minhas férias. De julho até agora eu trabalhei feito uma camela em 5 projetos para um veículo novo, enquanto o normal é cada comprador ter 1 ou no máximo 2. Na semana passada fiz a apresentação final do último, e minha vida mudou.

Mudou porque o que me estressa gigantemente não é o trabalho em si, mas duas coisas terríveis:

- Ficar empurrando o time com mão de ferro pra mantermos o prazo. É um pesadelo porque holandês é braço curto: se fulano tinha que entregar uma informação pra ele e não entregou, ele cruza os braços e coça o saco, ele não liga pra cobrar, ele não tenta conseguir a informação de outra forma, no fim, ele só diz que não fez o bolo porque o Hans não trouxe os ovos, e pronto.

- Apresentação pro Diretorzão membro do Board of Diretors: é 80% do meu stress. O cara é um gênio e ninguém acompanha o raciocínio dele, eu muito menos. O que me resta é me preparar até o último milímetro do meu ser pra responder até a mais ínfima pergunta dele. Por enquanto tem dado certo, eu estou na listinha colorida dele, rezando pra nunca entrar na negra, porque o povo na listinha negra sofre, mas gente, na semana antes da apresentação pra ele eu fico em pandarecos, e no dia anterior eu sempre trabalho até as 10 da noite, revisando e revendo e decorando cada vírgula da apresentação.

Então, minha vida mudou porque seriam só mais duas semanas fazendo os contratos pra sacramentar os negócios apresentados pro diretorzão, mas em teoria, eu nem o veria mais esse ano.

Já notaram os verbos no passado né?

Pois então, chego hoje e me deparo com um e-mail do meu diretor me mandando organizar um projeto gigantesco, junto com a matriz nos EUA ( que fica em Seattle e com o fuso horário de 9 horas, nos deixa 2 horas úteis pra trabalhar juntos ), a duas semanas das minhas férias!!! E vou ter não só que fazer 3 apresentações pro diretorzão em 2 semanas, mas a terceira inclui o chefezão americanão do diretorzão, olha o stress!

Sabem, eu SEI que eu estou remando contra a maré. Mulheres ganham 30% a menos que homens no mesmo cargo na Holanda, dizem as estatísticas. Certas empresas ( como a minha, no meu departamento ) evitam contratar mulheres. Imigrantes são preteridos aos locais, principalmente em época de crise e mão de obra abundante disponível no mercado. E eu me recuso, ME RECUSO, M-E---R-E-C-U-S-O, a sentar, pensar "que injustiça, mas fazer o que?" e seguir com a corrente do rio, ganhando menos, sendo assistente de alguma coisa, e perpetuar a injustiça, que se você for ver, deixa de ser injustiça, já que você passa a se comportar exatamente como as corporações acham que toda mulher ( e imigrante ) se comporta.

Mas nessas, acabo trabalhando muito mais que meus colegas, pra provar o que não devia precisar se provado, e vou me cansando, e tô cansadésima de nadar. Estou CANSADA. Estou o pó da rabiola, com vontade de mandar todo mundo às favas. Meu lado racional grita pra eu engolir o sapo por só mais duas semanas, mas é sempre a mesma história, né povo, volto de férias toda renovada e caio de novo na mesma lambança habitual.

Só vou dizer uma coisa: felizes os possuidores de um bilau.

sexta-feira, novembro 20

Twilight Saga: New Moon

Acabei de chegar do cinema!

Team Edward Total!



É impressionante o que a adição de uns milhõezinhos ( ões ) de dólares faz na produção de um filme. Depois do orçamento restrito que resultou numa modesta produção de Twilight Parte I, resolveram investir pesado no segundo filme.

Vou começar pela única coisa que não me agradou: a trilha sonora. Se a trilha sonora do primeiro filme foi um desbunde, a desse passa desapercebida total.

Mas então, o filme em si. O tratamento cosmético dos vampiros transformou o filme. Nada de lentezinhas de contato vagabundas pra dar o tom ambar descrito nos livros, foi lente boa e muito efeito especial. Os vampiros estão também mais naturais, antes dava pra ver que era maquiagem, agora é um misto de maquiagem, efeitos gráficos e uma ótima iluminação.

A introdução do "Werewolf Pack" foi ultra bem feita, as cenas de transformação em werewolf são perfeitas! O Taylor Lautner como Jacob está muito bem, o garoto é mesmo lindo ( apesar de não fazer meu tipo ), e comadre marmanja já passada dos trinta e com filho suspirou pelo Jacob o filme todo.

Achei que as cenas onde aparece a imagem do Edward ao invés da voz ( como no livro ) fosse ficar brega, mas foi tudo muito bem feito. E até a Kristen está bonitinha, e conseguiram tirar aquele tique-gagueira-piscadeiro que ela tinha no primeiro filme.

O filme não é 100% fiel ao livro, mas conta bem a história. Pra falar a verdade é o meu livro menos favorito, mas o filme é bom.

Nota para quem mora nas redondezas: eu falei tanto do cinema Zien, e domingo assisti ao 2012 na sala 1 e foi ótimo. Hoje assisti o filme na sala 4 e sinceramente, um pulgueiro. O som estava péssimo e a tela é de 1974. Quando eu voltar de férias assito de novo no Pathézão, que sem gentarada continua sendo o melhor da região, pelo menos TODAS as salas são de razoáveis pra boas.

La cucaracha la cucaracha... Ya no puede caminaaaaar!


O dolar super-baixo no Brasil, a brasileirada está se esbaldando de viajar pro exterior. Meu irmão estava babando de vontade de levar as crianças pra Disney, mas os descontos nos carros foram mais interessantes e ele acabou comprando um carrão cheio dos trique-triques. Um fornecedor brasileiro me contou ontem que foi procurar um pacote pro Iberostar Praia do Forte, na Bahia, na agência CVC, e ficava mais em conta ( e muito mais em conta ) ir pro Iberostar Quetzal em Playa del Carmen, perto de Cancun. Eu já comentei aqui que nesses resorts grandes, gringo paga menos que brasileiro, justamente porque se o preço aqui fora for o mesmo preço que cobram no Brasil, gringo vai pro México, pra Jamaica, pra Republica Dominicana, pra Cuba. Pra eles Brasil não é melhor nem pior que nenhum desses destinos tropicais.

Aí o fornecedor me perguntou o que fazer. E sendo honesta, honestíssima, eu adorei a Praia do Forte, mas Playa del Carmen é mil vezes mais cheia de atrações do que Praia do Forte, sem falar que a praia em si é mais bonita no México. Em Playa, você está perto das pirâmides Maias, e gente, é moooito legal. Você tem Cozumel pertinho pra mergulhar, pode fazer snorkel na maioria das praias, tem mil mergulhos em cianotes pra fazer, é coisa que não acaba mais. Praia do Forte é menos interessante, se bem que o passeio a Salvador é muito legal.

Acho também que como primeira experiência internacional, o México é muito legal. A língua não é tão assustadora, o clima é bem parecido, o esquemão praia-cidade é bem parecido com o Brasil, e tem toda aquela experiência de passar pelo Duty Free ( brasileiro é o povo mais fã de duty free que eu conheço ), do vôo longo, de chegar num país todo diferente, com língua diferente, de se sentir desbravando novos horizontes.

Uma vergonha pro turismo brasileiro uma viagem pro caribe ser mais cara que uma viagem pra Bahia, mas quem sabe se o êxodo continuar, o preço do turismo nacional abaixe um pouco?

Dia 4 próximo os van den Broek dormirão no aeroporto de Bruxelas, naquele Sheraton que eu já estou rezando pra ter boa isolação acústica, e partimos em direção ao Caribe às 7 da matina do dia 5. Vamos ficar 3 semanitas num resortão all-inclusive. Cêis tão carecas de saber que eu aaaaamo praia e resortão all-in, né? Quando eu chegar lá digo onde estou ( ho ho ho, adriana misterióóóósa ). Mas a viagem é o que está me segurando em pé, porque tô mesmo é com vontade de sair pulando e gritando.

Ontem trabalhei até as 21:30 na empresa, às 21:00 as luzes apagaram e eu fiquei sozinha no escuro. Eu tenho medo do escuro. Quase entrei em pânico, fiquei com a luz do monitor, umas lâmpadas de emergência acenderam, tive que ligar pra recepção, que fica a quase 1 km do meu prédio, e eles vieram me resgatar. Hoje estou um bagaço, mas já avisei que às 3 eu pico a mula. Hoje tem Twilight Saga New Moon no cinema. U-hu.

Bom findi pra nós!

quarta-feira, novembro 18

Uia! (2)

Podem dizer que eu morri e esqueceram de enterrar, mas foi só hoje que eu vi que o Brasil sediará a copa de 2014.

Juro.

Eu não sou Ugly Betty!

Vocês sabem que eu já tive uns 35 quilos a mais. Costurei o estômago, emagreci, mudei pra Holanda, nesses quase 7 anos ganhei uns 12 quilos, que aliás, eu nem acho muito, considerando que já era esperado que depois de alguns anos de gastroplastizada eu engordasse, considerando que eu estou ficando mais velha e pra manter o peso eu teria que me exercitar mais, o que eu não faço, e não esquecendo que adaptar-se num novo país na maioria dos casos traz também uns quilinhos a mais. All in all, not too bad.

Claro que eu gostaria de emagrecer, claro que seria melhor também pra saúde, mas querem saber da verdade: eu olho no espelho e não me desgosto. Essa aceitação da imagem, aceitar que eu não tenho uma bunda tamanho 42, que eu não tenho corpo de biquininho asa delta veio mesmo só aqui na Holanda.

No Brasil, mesmo com os 12 quilos a menos, eu me sentia inapropriada. Eu me escangalhava de passar fome pra entrar numa calça jeans da minha marca favorita ( Forum ), que raramente tinha o 46, e mesmo assim, quando tinha, era um 46zinho. Pra minha bunda entrar num 44 brasileiro eu tenho que passar muita fome, e da cintura pra cima eu fico com cara de passarinho, meu rosto fica chupado, os peitos pequenos, não fica lá muito legal não, ou eu pelo menos não gosto muito. Mas eu TINHA que passar fome, porque senão acabava tendo que ir comprar na Palank modas, e colegas, roupa de gordo no Brasil, pelo menos há 7 anos, ninguém merece.

Aqui na Holanda, as gordinhas não se escondem debaixo do poncho na Betty a Feia não. Primeiro que a maioria das lojas tem até o 46 e é um BOM 46. Minha bunda cabe naquele 46 na boa. Existem muitas opções pra quem usa do 46 pra cima, e tem muita roupa legal. As gordinhas abusam dos decotões, usam muita roupa sobreposta, até vestidinho e mini saia tem. Aqui, quem veste 44 holandês ( 46 brasileiro ) é normal, no Brasil, mesmo vestindo 44 brasileiro eu ainda era chamada de gordinha.

O mais importante é que meu guarda-roupas vive recheado, eu tenho tanta escolha nas lojas! E olha, preço de roupa de gordo no Brasil é um roubo ( o gordinho até emagrece porque não sobra grana pra janta ), mas aqui é o mesmo preço.

Viver num lugar onde não sou considerada a escória da humanidade porque não tenho 60 de cintura é uma maravilha. Acho que até compensa o friiiiio.

terça-feira, novembro 17

BRLLL...


Enquanto eu faço a contagem regressiva pras férias no Caribe, a moçada que trabalha comigo está em polvorosa: semana que vem abre oficialmente a temporada de ski na Áustria.

Segundo meus colegas de trabalho, "the place to be" é Ischgl, fronteira da Áustria com a Suíça, eles dizem que é a Ibiza do ski. Bom, eu fico quieta, porque acho Ibiza uma tosqueira só, pelo menos aqui no verão tem canais de transmissão direta das festas de praia e noturnas, e tem muita gente tosca em Ibiza. Aqui na Holanda mesmo, vende-se muito pacote de ônibus ( e ferry ), pra meninada ir se aboletar naqueles apartamentos meia-boca, e "aproveitar" o verão. Putz, tô escrevendo e na cabeça rola a musiquinha do Locomia, lembram?

Então, voltando à Ischgl. A temporada sempre é aberta e encerrada com um show de um artista famoso, esse ano será aberta pela Kate Perry, que eu aliás gosto.

Acho que é só imigrante mesmo que foge do frio ( e nem todos ), a holandesada o espera ansiosamente, curtem o inverno de verdade, e os mais chegados sempre me aconselham: Adriáááána, embrace it. Blé.

Holandês sempre vai pra estação de esqui de carro, e normalmente prum chalé ( a versão "invernal" do appartamenten do verão ). Eles não alugam o equipamento, eles tem mesmo esquis e skiboards, e juram que compram as roupas, luvas, óculos, touquinha e etc em casas de esporte, mas por baixo dos panos deve rolar muito Aldi, porque nessa época o Aldi tá cheio de venda especial de roupa de ski. Sei que o povo vai me achar esnobe, mas sou friorenta, e a simples idéia de deixar meu aquecimento nas mãos duma roupa do Aldi me é horripilante. Normalmente vão em grupos ( quando solteiros ) ou com a família toda ( quando casados ). Criancinha aqui esquia, e dizem que criança normalmente esquia bem. Pra eles, esquiar são as férias "caras", afinal de contas, além de ter que pagar os tais skipass ( passe pra poder usar as pistas ), normalmente se esquia em países como Suíça, Áustria, França, que não são conhecidos pelos preços mais camaradas da Europa. Não sei muita coisa de esquiar, mas sei que o brega do brega é ir no tal Val Torens, que sinceramente, me parece bem prático e good enough. Você pode agora comprar umas férias all inclusive pra esse Val Torens, o pacote inclui transporte, estadia, skipass, aluguel de equipamento e refeições.

Até penso em um dia tentar aprender esquiar, deve ser legal descer os slopes na maior libertade, vento nos cabelos, mas e o frio? E O FRIIIIIIO? E a grana pra investir em roupa, bota, luvas, equipamento? Já perguntei E O FRIOOOO? Então, é frio.

Tem também uns pacotes "aventura" na Noruega, normalmente de uma semana, beeeem lá no norte, 3 dias você acorda, pega um snowmobile e vai visitar a região com o grupo ( tem fazenda de renas ( !!! ), fábrica de velas, floresta ) e um ou dois dias você vai naqueles trenós puxados por cachorros ( eu tenho dó ) visitar onde procriam e treinam os cachorros, e outros passeios pela região. Me parece interessante, só que já avisam que é escuro o tempo todo e a temperatura média é -20C. Já imaginaram, Adriana aos -20C? Nem a pau Juvenal.

Sabem, acho que quem tem filhos acaba se adaptando melhor e mais rápido aqui sim, afinal você tem que ensinar a criança os costumes daqui, e acaba entrando na dança. Acho que se eu tivesse filhos eu ía levá-los esquiar que nem os amiguinhos, porque senão eles seriam eternamente os estranhos da classe, que só vão pra praia.

É que nem a história do Sinter Klaas. Eu particularmente acho uma besteira sem tamanho, mas o velhinho chegou de barco sábado. Em todas as cidades, diga-se de passagem. Eu, que não tenho filhos, digo que JAMAIS tiraria meu filho de casa no frio e garoa que estava no sábado, pra ir na beira de um canal ( é mais frio ainda ), com um boné de penachos, em plena epidemia de gripe suína, esperar um velho bispo ( eu não sou nem católica ) chegar montado num cavalo branco dentro dum barco, cheio de pretinhos em volta ( o bispo é branco e os serviçais pretos, mó preconceito ). Mas se eu tivesse um filho, ía acabar pensando que ele seria a única criança da classe a não ver o Sinter Klas chegando, que ía crescer traumatizado, e no fim iria de mau humor pra beira do canal mas levaria a creonça, e no fim, me adaptaria mais.

Putz, comecei na estação de esqui e terminei no Sinter Klaas ( aliás, me parece o Papai Noel desnutrido ). Sem falar que em metade do post escrevo ski e na outra esqui.

Foi mal aê, povo!


segunda-feira, novembro 16

Mão-de-vaca


Sim, holandeses são muito muito muito mão de vacas, mas tem hora que tem que ser.

Vejam só. Ontem decidi que queria ir ver o filme 2012, porque adoro filmes de desastres naturais. Normalmente eu vou com a minha scooter ( estacionamento grátis ) pro Pathé, lá uso meu cartão de vantagens pra comprar o ingresso ( sai 6 euros ao invés de 8,50 ) e compro uma garrafinha de meio litro de Coca light e um pacotinho de pipocas doces no supermercado ao lado, gastando normalmente uns 2 euros. Quando estou com vontade de pipoca salgada compro no cinema mesmo, e a  caixinha média sai 2,40 euros. No geral, gasto menos de 10 euros pra assistir um filmezinho legal, com refri e pipoca. Ontem estava ameaçando chover, resolvi ir de carro. E como estou evitando o Pathé depois do episódio do bebê no cinema, fui ao Zien, onde não há cartão de vantagens. E como não tem o supermercado do lado, tive que comprar pipoca e refri no cinema mesmo, a conta: ingresso 9 euros ( era sessão com cadeiras marcadas, cobram 50 cents a mais ), estacionamento por 3 horas 8 euros, refri e pipoca média 7 euros, total da brincadeira: 24 euros!

O filme é legal, cheio de efeitos especiais, apesar de eu achar aquele ator insuportável. O Zien ainda é muito melhor que o Pathé, apesar de terem deixado um casal levar uma menina de uns 4 anos ( prisão perpétua para casais que levam crianças de qualquer idade no cinema num filme adulto, em língua estrangeira, legendado ), o estacionamento é bem pertinho e é quentinho e ultra prático, e a pipoca estava muito salgada pro meu gosto e aqui eles não estouram na hora, então tava um pouco passada. Foi uma tarde legal, mas seriously, 24 euros????

Adriana mão de vaca total pra essas coisas. Não me diverti mais ontem do que me divirto normalmente gastando meus 10 continhos. Pode soar meio canguinha demais compra a garrafinha de refri no supermercado e os snacks também, mas é a mesma coca, a mesma pipoca, por uma fração do preço. Me sinto meio idiota por ter gastado 14 paus a mais.



PS: O cartão de vantagens não é tipo carteirinha de estudantes. Você compra um cartão magnético pré-pago que custa 36 euros e te dá direito à 6 ingressos no periodo de 12 meses.

domingo, novembro 15

Assopra aí, mevrouw!

Ontem fui à noite das comadres em Den Bosch. Éramos 4, comemos ultra-hiper-mega-bem num restaurante chamado Picasso. Den Bosch é uma cidadezinha lindinha, vale dar um pulinho pros que moram aqui.

Na volta, pela primeira vez desde que mudei pra cá, vi uma blitz do teste do bafômetro. Quando voltávamos do restaurante, Alice fez o teste, passou. Peguei o carro e vim pra casa, e na mesma rotatória, fui parada. Tive que soprar 3 vezes, achei que cara fosse achar que eu tava sabotando o teste, mas na terceira vez deu certo. Eu não tinha bebido nem um gole de álcool, então tava tranquila.

Mas vi 2 carros sendo encostados porque o teste deu positivo. Deviam fazer mais blizes como essa.

E para as comadres, foi muuuito legal, temos que sair loguinho de novo.

E vamo lá ouvir a musiquinha do fantástico que é domingo de noite. Que tristeza. Plato já está aqui nos meus pés, com cara de quem já tá de pijama.

quarta-feira, novembro 11

O lado de cá e o lado de lá

Ontem eu li o blog da Fernanda do Batata Belga ( link aí do lado ) sobre os problemas dela com a empresa, e sobre a discussão de se a mãe ( ou pai ) que fica em casa pra cuidar de filhos doentes pode tirar esses dias livres ou não. Eu sinceramente não sei o que diz a lei belga ou holandesa, mas na minha empresa anda acontecendo umas coisas que eu gostaria de comentar.

Eu não tenho muito contato com casais com filhos, logo eu não tenho muito como dizer se normalmente é o pai ou a mãe que fica com a criança caso ela adoeça. Entretando, essa semana eu estava conversando com meu diretor sobre isso, e vendo umas estatísticas.

Meu departamente está contratando. São várias vagas, e mais de 20 candidatos já foram entrevistados. Nenhuma mulher. Nada é oficial e nada é declarado, mas o fato é: nenhuma mulher foi convidada para entrevistas.

Vocês sabem aqui do caso da grávida. A funcionária engravidou e negociou com o diretor trabalhar 1 dia a menos por semana. Ele não gostou mas concordou. Ao voltar da licença maternidade, ela decidiu que não podia ficar 4 dias da semana longe da filha, e usou de uma lei holandesa para trabalhar apenas 3 dias por semana. Quando esse benefício estava para expirar, ela engravidou novamente, e para piorar, deu um mau-jeito no pescoço e saiu de licença maternidade 5 meses antes do parto.

Essa semana meu diretor me mostrou uma estatística do seguro-saúde. O maior índice de absenteísmo é de mulheres com filhos. É dado concreto.

Eu entendo o lado da mãe que se vê sem saída quando o filho está adoentado e a creche o manda de volta pra casa. Eu entendo o lado do gerente que tem que lidar com a ausência do funcionário.

Sinceramente eu acho que as mulheres tem que bater o pé e demandar do parceiro que revezem nessa circunstância. Não importa quem ganha mais, qual carreira seja mais promissora, uma coisa é duas vezes pro ano você ter que faltar porque o filho está doente, outra é você ter que faltar 4. Putz, se já é chato ligar quando a gente tá doente ( eu pelo menos detesto ), imagine ficar ligando toda vez que o filho fica doente adicionado às nossas próprias doenças.

Uma outra saída para quem não quer dar explicação é tirar uns dias de férias. Alegar um imprevisto pode ajudar quem não quer ser visto como "aquela que a qualquer espirro do filho tira o dia pra cuidar dele". Eu sei que a pessoa não devia ter que usar suas férias pra isso, e que se existe lei que garanta esses dias pagos pela empresa que não deveria haver discussão / cara feia, mas se formos honestos é o que acaba acontecendo, o chefe pensa isso, os colegas pensam isso...

Mas o que devia existir mesmo é um serviço na creche de babá-doença. Podem até cobrar mais, e por hora, mas deveria haver um serviço de um profissional que vá à sua casa ficar com seu filho doente caso você não tenha com quem deixar. Taí, vou começar um negócio novo e ficar rica.

Que dificuldade é tudo isso viu. Fico furiosa da vida com essa ausência de mulheres no processo seletivo, mas cada um convida pra entrevista e aprova os candidatos que quiser. E não culpo os diretores que estão escolhendo os candidatos, só no meu grupo temos 3 vagas de 12 abertas, e agora temos um colega ( homem ) doente. Tá todo mundo com trabalho até as orelhas. Uma pena que em épocas brabas dessas vagas boas sejam reservadas só a homens.

terça-feira, novembro 10

Será?


Sobre o caso da estudante da Uniban, a do vestido curto que foi quase linchada, saiu da universidade escoltada, e por fim foi expulsa. Aliás, estão dizendo que o reitor revogou a expulsão, mas eu não tive ainda tempo de pesquisar o assunto.

Mas minha pergunta é: será que morar aqui no exterior nos "liberta" de alguns falsos moralismos? Porque o que notei é que os expatriados todos ficaram boquiabertos com o episódio, especialmente a expulsão da garota. Já quando converso com brasileiros lá no Brasil, a visão deles é bem diferente, muitos atribuem culpa à garota. Vejam alguns comentários:

Um primo meu, estudante da tal faculdade, injuriado com o caso: "a gente não tava gritando por causa do vestido curto, a gente tava gritando porque além do vestido curto, a menina tava sem calciiiiinha! ( pra mim, acho que foi história inventada na hora e que "pegou" ). Se fosse só o vestido curto, não ía gerar tanta confusão. Agora diga aí, a menina precisa ir pra faculdade naqueles trajes?".

Um fornecedor brasileiros: olha, foi um absurdo mesmo a reação do povo todo, mas a menina também "forçou" indo pra faculdade vestida daquele jeito.

Senhora da minha família: a menina era gorda pra usar aquela roupa, se fosse uma magrinha seria menos "escandaloso".

Um amigo via "Skype": vocês vão aí pro exterior e ficam todos "pra frentex" e se aí é comum cada um sair com a roupa que quer, aqui o povo ainda tem padrões mais familiares( !!! ). Tudo bem que o negócio degringolou, mas pelo menos uma advertência ou suspensão ela merecia.

O que eu acho um absurdo é na terra da Mulher Melancia e do Mc Créu o povo ter uma reação dessas! Essas mulheres frutas são beeeem cheínhas, tem umas coxas imensas, não tem rostos lá muito atraentes, eu achei que finalmente o Brasil tava mudando, que estava sendo mais democrático com o padrão de magreza, que o padrão Globeleza tinha caído em desuso, mas pelo jeito me enganei. Pelo jeito a classe mais humilde gosta das frutas coxudas do Mc Créu, mas a classe média e alta, que tem acesso à faculdade, gosta é mesmo de aspirantes à modelo da Ford Models.

Ou tô errada?




sábado, novembro 7

Que vergonha!

Gente, tô besta...

A aluna do vestido curto foi expulsa da faculdade!

Como diz um comentário deixado na matéria do Estadão: é Uniban ou Unitaliban?

sexta-feira, novembro 6

Uia!


Hoje fui gentilmente informada pela amiga Holandesa que o Zaire não existe desde 1997! Uia!

Pior é que a frase "aqui no interior do Zaire", de autoria da Pacamanca e que eu adoro usar, não fica tão sonora e agradável quanto "aqui no interior do Congo".

Ah, não disse né, o Zaire virou Congo.

Putz, pior é que todos os indícios dessa importante mudança estavam na minha cara, no novo jogo da Carmen Sandiego você não encontra mais uma máscara antiga do Zaire, é máscara antiga do Congo! E até Hollywood soube antes de mim, o George of the Jungle tá no Congo, não no Zaire!

Pô povo, 400 visitas por dia, eu falando Zaire há anos, e ninguém aqui pra me puxar a orelha?

Quem é que já sabia ( bota o dedo aqui )?

quarta-feira, novembro 4

Comprei meu tchutchuco

Esqueci de contar, mas na sexta passada comprei meu ereader da Sony.



Estou amando, meus arquivos "generosamente doados por internautas mais financeiramente afortunados" estão funcionando fantásticamente. Tenho nesse momento mais de 50 e-books esperando para serem lidos. Achei séries inteiras que eu queria ler ou que já li e quero reler. Achei a Outlander inteira, o Brotherhood of the Black Dagger, o Sookie Stackhouse ( já li, mas quero reler ), o Vampire Diaries, outros mais pop como o Time traveller's wife, o Lost Symbol ( que eu empaquei na metade ) e alguns outros de Saramago, como o Blindness.

Estou agora baixando os clássicos em inglês e domínio público em português. Como ainda tá tudo muito no começo, achar os livros "free" ( se é que vocês me entendem ) ainda requer um pouco de fuçação internética, mas a gente acaba achando. Dentro em pouco tenho certeza que vai ser que nem MP3.

Vou acabar comprando alguns títulos que quero mas não acho "doado", como é o caso do Brave New World. Mas tenho tanto livro bom esperando pra ler que dá um pouco daquele pânico da televisãozinha do avião, sabe quando você vê vários filmes legais no cardápio mas só tem 9 horas pra assistir? Então, começo um livro, fico ansiosa, pulo pro outro... Agora aquietei o faixo e estou lendo um só bonitinha, mas nas férias meu tchutchuco vai ferver.

Ele é super "readable", a tela parece uma folha de papel reciclado, é leve, vira a página fácil, dá pra tomar notas, pra marcar partes do texto, e tem um dicionário embutido que é só você dar um tapinha na palavra e ele já mostra a definição. No dia que inventarem o dicionário em holandês minha leitura em holandês vai ficar mais fácil.

Mas então, ultra recomendado, principalmente pra quem gosta de ler bastante. Tem os que irão dizer que curtem mais papel ( tem gente que nunca pegou um e-book na mão e diz que prefere o livro ), os que gostam de olhar pro livro na prateleira, os que gostam de emprestar o livro ( é só mandar o arquivo pro amigo via e-mail ), mas poder levar 50 ou 350 livros com você nas suas férias, é fantástico.

segunda-feira, novembro 2

Tafú


A empresa, em parceria com o governo Holandês e o Belga está oferecendo e-learning, a ser seguido no tal dia em que (quase) todos não trabalhamos. Eu estou seguindo o curso "holandês para estrangeiros".

Ontem segui uma lição interessantíssima, sobre o termo "asociaal". Eu já tinha ouvido o termo "anti-social" antes, em português e em inglês, empregado na situação de uma pessoa que não gosta de contato social. Asociaal aqui na Holanda tem um significado diferente, é a pessoa que age sem considerar a sociedade. É o cara que joga lixo na rua, que fala alto no celular quando está no trem, que fura fila, etc etc e etc.

Uma das coisas interessantes da reportagem é que quando "flagrado" o "asociaal" na maioria das vezes diz que "faz porque todo mundo faz", ou que o outro faz pior, ou coloca a culpa de alguma forma na "instituição" ( governo, diretoria da empresa, donos de estabelecimentos ). Muitas das opiniões são bem interessantes, e no fim da lição temos que dar nossa opinião por escrito ( meu holandês escrito é péssimo ).

Começou com o dono do cachorro. O flagra dele foi deixar o cachorro fazer o cocô e não recolher. Abordado pela reportagem ele diz: e os donos de gato? Meu jardim cheira a cocô e xixi de gato, se eu quiser mantê-los distantes tenho que comprar um produto caríssimo e o dono não vai pagar, vai? Nem pagar, nem ir lá desenterrar o cocô pro meu jardim não feder.

Eu não acho que usar esse argumento pra deixar o cocô do cachorro na rua seja válido, mas o pensamento está certo. Eu não acho certo criar gato "solto". A maioria das pessoas acha que gato tem que ser criado na rua, que é impossível mantê-lo em casa, mas posso dizer de cadeira que isso é comodismo, afinal é mais fácil e barato deixar o seu gato ir cocozar o jardim do vizinho. Gatos nunca fazem cocô no seu próprio território. E vão dizer que eu digo isso porque meus gatos são de raça, são grandões, e são quietos, por isso que não pulam o muro, mas no meu quarteirão somos 4 casas, 3 tem gatos. Uma tem dois viralatinhas ( holandês pêlo curto pros politicamente corretos ) que no máximo brincam no quintal. Outra tem um British short hair ( o gato da Sheba ) que também só fica no quintal. Nenhum pula muro. É trabalhoso no começo ensinar, e vira e mexe um mais fujão escapa ( o meu fujão é o Plato ), isso sem falar na grana que vai em areia sanitária, e ter que limpar a areia sanitária todos os dias; mas meus gatos ( e os dos vizinhos ) são animais felizes e saudáveis, sem incomodar a vizinhança. E antes de dizer: vai adiantar eu prender meus gatos se o vizinho não prende o dele?, pense que VOCÊ é responsável por fazer sua parte, sem desculpinha furada.

E a reportagem conversa com vários outros "asociaal", um fulaninho tocando música com celular no trem ( que ódio! ), um outro que estacionava o carro pequeno, tipo mini, num lugar proibido ( a desculpa: cabe! ), ditinho que joga bituca de cigarro no chão ( o cinzeiro tá longe - 10 mtrs ), vários exemplos, mas o campeão de reclamação é mesmo vizinho barulhento.

Olha, nesse sentido eu sou sortudésima. Na casa antiga os vizinhos eram praticamente uma sombra. Agora, minha casa é "vrijstanding", ou seja, não é geminada, e não dividir parede já é uma grande vantagem, mas nunca ouço ou vejo meus vizinhos ( o da frente, que tinha 4 carros, se mudou e a casa está vazia ).

Eu queria adicionar uns itens nessa pesquisa, e pelo menos dois involvem pais. Pais que levam carrinhos intergaláticos ( adoro a invenção da Paca! ) pro supermercado no fim de semana, quando o supermercado disponibiliza 3 tipos diferentes de acomodação pra creonça ( carrinho com bebê conforto, carrinho que tem um mini-fusquinha acoplado pra creonça ir dentro e a tradicional cadeirinha do carrinho ). E, vide meu post passado, pais que levam criança "brincar" no mercado.

Podem me chamar de chata ( a véia do 53 do Chaves? ), mas num país lotado com esse aqui, 2 ou 3 "asociaal" ao seu redor e você tafú.


domingo, novembro 1

Cenas de um domingo bucólico no sul da Holanda



Creonça: Mama, me leva passear?

Mama: Tá chovendo menino, vai brincar.

Creonça: Já brinquei, tô entediado, quero passear.

Mama: Vá pedir pro seu pai inventar qualquer coisa com você.

Creonça: Já pedi, ele falou que tá cansando, que amanhã tem que trabalhar, que é pra você brincar comigo.

Mama: Vai jogar seu Play Station 2.

Creonça: Odeio o Play Station 2, todo mundo já tem o 3 ou o Wii. Me compra o PS3?

Mama: É caro.

Creonça: Me leva no Efteling.

Mama: Tá chovendo, é ao ar livre, e é caro.

Creonça: Me leva no Madurodam?

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Me leva no zoo?

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Vamos naquele zoo de macacos!

Mama: É ao ar livre e é caro.

Creonça: Vamos dar esmolas pros pedintes da estação!

Mama: É ao ar livre, tem um pedinte só ( o Hans Toilet Papier, ele tem sempre um rolo de papel higiênico pendurado no cinto ) e é caro.

Creonça: Mama, se aqui só faz sol 3 meses por ano, porque é que tudo é ao ar livre?

Mama: Porque somos burros e construir teto é caro.

Creonça: Assim não dá, eu sou criança, quero gastar minha energia, quero correr, quero pular, quero mexer nas coisas, quero gritar e falar alto, quero tirar o sarro das velhinhas de rolator. Pode ir pensando num lugar pra me levar senão eu vou fazer do seu domingo um inferno!

Mama: Acabei de ter uma idéia. É coberto, tem ar condicionado, e você vai poder fazer tudo isso que você quer.

Creonça: Onde mama, onde?

Mama: No Albert Heijn! O supermercado agora abre de domingo, você pode se divertir, fazer toda a zona que quer, sem pagar um tostão!!!!

E uma coitada duma imigrante sul americana, achando que ía encontrar o mercado vazio, foi de listinha e cardápio em punho, achando que ía ter paz e sossego pra fazer as compras da semana e não precisar voltar todos os dias pra comprar isso e aquilo. Ela acabou comprando a comida substituta do gato, uma caixinha de morangos pra uma caipirinha ( depois dessa ela mais que merece, ela precisa! ), um pacote de chá mate sul americano com ananás ( abacaxi ) e um tetrapack de suco de cajá ( sim, aqui vende suco de laranja com cajá! ).

No caixa, a fila que sempre tem 2 ou 3 pessoas tinha 12.

E chovia.

sábado, outubro 31

Dotoso

Ele participou de uma temporada do Lost, e agora é o vampiro malvado Damon da série The Vampire Diaries.

É lindo, lindo e lindo. Lembra bem o Tom Welling ( Clark Kent de Smallville ).

Olhar pode, né não?

sexta-feira, outubro 30

Sétima-feira

Foi uma semana tão estressante, estou tão cansada, e essa sexta-feira que não chegava!

Eu estou numa irritação tão profunda, que até pepininhos pequetitos me tiram do sério. É uma luta inglória ficar se controlando, porque o racional te diz que é uma fase e que você está "overreacting", mas o irracional quer mais é estrangular um. Meu estresse tem um nome: fornecedor bocarra. Ainda não me livrei dele.

Mas hoje chegarei em casa e baixarei meu Grey's Anatomy, o Private Practice, o Flashforward e serei feliz, bem feliz. O episódio passado do Grey's foi péssimo, o primeiro ruim de 6 anos de série.

Nesse findi estou também programando alguns cyber-suicídios: facebook e minha fazendinha que cansou; o Twitter - que é pra quem se acha; e possivelmente o Orkut, que eu mantenho só pra saber o aniversário das amigas ( melhor colocar na agenda digital, certo? ). Queria matar também o LinkedIn, mas holandês tem mania daquilo, profissionalmente é ostracismo demais não tê-lo.

E vamo que vamo, findi tá aí ( deus é mais ), vou fazer comida indiana que aprendi com o Apoo, amigo do Bart, e vou dormir mooooito, que tá frio e eu não tô pra ficar pela rua congelando as porpança.

E se meu estômago permitir, farei glu-wine ( não sei como se escreve, é aquele quentão alemão ), que sobrou do ano passado. Ou fondue. Olha a banha que balança!

terça-feira, outubro 27

Sou pirata da perna de pau, do olho de vidro e da cara de mau!

Há alguns dias escrevi aqui sobre o Kindle, o novo e-reader da Amazon.com. Como eu vivo perto do Zaire, onde mora certa blogueira ilustre, o Kindle aqui não rola: custa caro encomendar, não tem assistência, comprar livro só do site americano e pagando extra, o ó. Mas nem tudo está perdido, pois há outras opções de marcas, e eu estou pesquisando a qualidade, e custo/benefício.

Eis que entra em jogo a questão polêmica: piratear ou não piratear?

A idéia de comprar um e-reader veio da incompetência da Selexyz ( livraria ) de Eindhoven. No estoque deles dizia que tinha um exemplar do Sookie Stackhouse 1, mas ao vivo, alguém gateou o livro e ele existia só na contabilidade da loja. Sábado chuvoso, marido gripado, tédio total, eu TINHA que ter aquele livro. Vim pra casa depois de passar por outras várias livrarias ( Eindhoven é meio pobre em livrarias ) de mãos abanando. Eis que fuçando na net achei o torrent do livro. Ao baixá-lo vi que veio não só o primeiro livro, mas a coleção inteira! Ler no lap foi um saco, mas de graça, rapidinho, necas de estoque esgotado...

Daí meu interesse pelo "aparato" leitor de livros. Pesquisando por outros títulos online, me deparo sempre com a americanada metendo o pau em quem baixa o livro "free", dizendo que quem o faz está roubando do autor. Acho engraçado, e quem baixa MP3 não está roubando do cantor? E quem baixa seriado, filme, não está roubando do ator/diretor? É tudo roubo, e me digam aí, quem é que NUNCA baixou um MP3?

Há a falsa moralidade de que quem pirateia livros está lesando o autor porque autor não recebe tanto quanto um cantor. Está aí a J.K. Rowling com seus 800 milhões de dólares na conta bancária que não nos deixa mentir.

Mas vou dizer o que me irrita profundamente, um arquivo eletrônico, no caso o livro, custar 10 euros, muitas vezes o mesmo preço do livro em papel. Você não usa papel, tinta, processo de manufatura algum, não paga transporte, e cobra o mesmo! Isso sem falar nos impostos. Imposto sobre livro nos EUA é 6%, imposto sobre livro eletrônico é 17%, como pode?

Vou confessar, quando eu gosto muito de uma música, eu baixo. Não sou grande fã de música, não consigo fazer nada, nem conversar direito, com música de fundo. Tenho cerca de umas 100 MP3, quando muito. Eu baixo minhas séries, porque aqui nos arredores do Zaire não televisionam 10% delas, e quando o fazem chega a ter anos de diferença. E vou baixar livros, se comprar o e-reader, claro.

Agora sendo sincera, fora os motivos acima, vai o principal: baixo porque está disponível, fácil e de graça. Pronto.

E você, dá uma de capitão gancho ou compra tudo bonitinho?

PS.: Ah, e assunto nada a ver, mas acabei de ler no Te dou um dado? e não consigo parar de rir. Vou já pra cama roncar com os anjos, rindo.

"E o campeão absoluto:

Maitê? filha? és tu? será que és a minha filha? há uns anos fui ao cu a um papagaio e fiquei com merda na ponta da pila, limpei a merda e deitei na sanita e nunca mais a vi, … até agora que te vi novamente, voltei a ver o pedaço de merda há muito perdido. volta minha filha. Agora mais a sério, nem me vou dignar a comentar o que vi desta insignificante. Falta de respeito, falta de cultura de uma mente fraca que não merece o ar que respira. volta cá mais vezes para venderes livros.

Falta só descobrir o que é sanita. O Google diz que é vaso sanitário, mas se os portugueses deitam na sanita eles tem problemas maiores que Maitê Proença."

Deitar na sanita... ha ha ha...

segunda-feira, outubro 26

Adriana está no tronco

Laiá laiá... Já sabem, né? Ando sem tempo nem pra almoçar, mas faltam 5 semanas pras minhas férias de verão no inverno...

Super interessante a discussão o post anterior. Os comentários fazem a gente pensar, não é? E é como dizem: cada um é cada um, vejam só a Marina e a Eliecy, com experiências tão opostas.

Mas esse era o meu ponto, que quem passe por aqui ( e o post ficará ali no arquivo ) se informe mais, que veja os dois lados da moeda. É como uma vez me disse uma brasileira morando aqui, a gente até lê as experiências mais negativas, mas a gente sempre acha que conosco será diferente. Bom, o que eu digo é: tem que ter otimismo, senão não se aguenta o tranco, mas um otimismo inteligente, né meu povo, sabendo das dificuldades e do caminho à frente.

Outro ponto interessante foi o deixado pela leitora Renata, que diz estar melhor aqui. Acho interessante que normalmente quem tinha dificuldades financeiras no Brasil aqui se adapte mais fácil, não pense em voltar, e já aqueles que tinham uma situação financeira mais estável fiquem mais com o pé atrás. Eu já tinha 9 anos de experiência numa multinacional no Brasil, tinha passado já daquela fase de incertezas de começo de carreira, e vejam bem, entrar e me manter na GM não foi fácil, pelo contrário, mas eu desfrutava lá de uma situação muito muito boa. Sempre que eu volto ao Brasil e vejo meu irmão com uma casa fantástica dentro de um condomínio lindo, com carrão zerinho na porta, penso que eu podia estar na mesma situação. Mas o ponto chave não é só estar na situação financeira confortável, é além de todo o conforto material, ter toda a família por perto. Os amigos. É ter sempre a casa cheia, a família e todos nossos amigos de infância praquele churrasquinho na idícula, pra farra na piscina. A amiga de Rotterdam quer voltar pra Salvador, vê os amigos se dando super bem, ela se daria ainda melhor, não conheço ninguém mais inteligente e capaz que ela. E olha, se eu fosse soteropolitana e viesse parar na feiosa Rotterdam eu ía sonhar com a volta todos os dias, principalmente com uma família animadésima como a dela.

E já outras horas penso que aqui não tenho o "glam" mas também jamais passarei necessidade. Outro dia eu estava ouvindo minha mãe falar, ela tem artrite reumatóide e o tratamento é carésimo, mais de mil reais por mês. Mesmo tendo uma condição razoável, seria difícil pra ela bancar esse rombo no orçamento até o fim da vida. Como minha cunhada é assistente social e conhece os "trâmites burocráticos" do SUS, ajudou minha mãe com a papelada e ela está recebendo 80% dos remédios pelo SUS, mas gente, é uma via sacra inenarrável, que uma pessoa doente, sem ajuda da família, não consegue chegar ao fim. A cada 3 meses ela tem que preencher a papelada de novo, pegar laudo médico, pegar fila lá nos cafundós... Aqui na Holanda, fui à médica com uma alergia na pele, saí do consultório já com a receita encomendada na farmácia ao lado, chegando na farmácia o remédio estava esperando por mim, assinei o papel que vai pro convênio, não desembolsei 1 euro-tostão. Não tenho preocupações com a minha velhice, e isso, ao lado do fator segurança, é o que me segura aqui.

Já fui muito revoltada com essa terra, mas fiz minhas pazes com ela. Estou bem aqui, melhor que muitos, melhor até que muitos holandeses. Sofro a falta da família, peno no inverno com a depressão, acho o idioma a coisa mais horripilante que existe nessa galáxia. Mas... tenho minha casinha legal, ando na rua sem olhar pros lados, estaciono meu carro em qualquer lugar, sempre sobra grana pra viajar muito e bem, tenho segurança no emprego - e um emprego que eu gosto muito... Não vou mais me queixar não. Ou melhor, vou sim, mas passa...

Só que eu jamais vou esquecer como o começo foi difícil, eu jamais vou esquecer como eu me senti um cocô a cada não que eu levei na cara, jamais vou esquecer de quantas vezes eu me perguntei "será que um dia voltarei a exercer a profissão que eu tanto amo?". Deixo aqui claro que eu não sei como foi que eu aguentei. Eu gostaria de contar pra vocês clichezões do tipo "encontrei uma força que nem eu sabia que tinha", "sou um ser humano melhor agora", ou então o fatídico "sou uma vencedora". Mas a verdade é que voltar pra trás não era uma opção. Teria sido mais difícil do que enfrentar tudo o que eu enfrentei aqui. Sou uma vencedora? Eu me acho é uma sobrevivente. E já tá bom demais.

E bom demais também é essa época das tortas de maçã, uma melhor que a outra. Nem a Chanele da Paca dá conta de derreter as banhas que se acumularão se eu não me controlar.

segunda-feira, outubro 19

O tico-tico cá, o tico-tico lá, o tico-tico, tico-tico no fubá...

Brasileiro também é um povo bem esquisito, viu. A coisa mais comum é ver o brasileiro se gabando da nossa comida ( picanha, ahhhh ), das nossas praias, da nossa música, da beleza das mulheres, and the list goes on and on. No entanto, pra quem tem todas essas maravilhas, pra quem se gaba tanto de tudo isso, como sonhamos ( e insistimos ) em morar e trabalhar no exterior, mesmo tendo um dos mercados mais promissores do mundo!

Notem que incluo-me no "somos" acima, porque antes de casar eu mesmo estava pesquisando o processo de imigração pro Canadá e já estava atrás de toda a documentação para pedir minha dupla cidadania italiana.

Ultimamente tenho recebido mais e-mail de gente querendo imigrar do que recebia antes, e não entendo, porque na última vez que estive no Brasil achei tudo tão melhor, e sinceramente, enquanto estamos comendo o pão que o diabo amassou com a bunda aqui na Europa com essa crise, o Brasil pôde se dar ao luxo de praticamente ignorá-la.

Eu sei que o brasileiro está cansado da violência, e isso não tem como negar, aqui temos infinitamente menos, mas é só por isso que o brasileiro quer imigrar?

Sabem, eu tenho a impressão que o brasileiro ainda mantém aquele sonho dourado de que vai "fazer a América", ou "fazer a Europa", como tínhamos antigamente. Acho que teve até uma novela com a Debora Secco, que mudou pra Miami, não foi? E acho que nós blogueiros contribuimos muito para essa idéia de que aqui estamos nadando em dinheiro, afinal estamos sempre mostrando nossas viagens, nossos carros, nossos eletrônicos, nossas casas, e raramente o blogueiro diz: não tenho dinheiro pra isso, ou não posso comprar aquilo, e nem é por mal, afinal que post chato seria "vi um I-Pod mas não tenho dinheiro pra comprá-lo".

A verdade é que o brasileiro que muda pra cá tem que repensar as suas prioridades. Sempre recebo e-mails dizendo, "tenho uma vida estável no Brasil, moro num apartamento bom, tenho um carro zero, viajo uma vez por ano, posso ir prum restaurante legal no fim de semana - quanto precisaria ganhar de salário pra bancar tudo isso na Holanda?" e eu sempre penso em responder: é impossível, mas não é impossível, é só (muito) pouco provável.

Sempre digo, e vou repetir aqui e deixar um link lá do lado, eu e meu marido trabalhamos, ganhamos relativamente bem, não temos filhos, e para podermos bancar nossas viagens e nossa casa legal, temos um carro bem cacareco, nunca vamos à restaurantes, minha TV ainda é aqueles trambolhões, não tenho I-Pod, Wii, Stereo Surround; meus móveis são Ikea. Certos "luxos" da classe média paulista passaram a ser sonho de consumo distânte pra mim. Faxineira? Não. Salão de beleza? 3 vezes por ano. Mani-pedicure? Nunca. Roupa de Marca? Só se eu achar em mega-liquidações. E eu tenho certeza que qualquer leitor que mora no exterior pode deixar mais uma meia dúzia de itens nos comentários que passaram a figurar só na memória de quem imigrou. Simplesmente não dá pra bancar.

Não vou nem dizer que é o brasileiro que quer tudo, afinal querer ainda é de graça ( e não é poder ), mas no Brasil, assim como nos EUA, tem-se crédito pra tudo, mas aqui não é bem assim. Aliás, não é nada assim. O brasileiro tá acostumado a financiar o carro "a perder de vista", aqui financia-se em 2, no máximo 3 anos, o que torna as parcelas caras, e há de se somar os impostos, vistoria, manutenção, e combustível ( € 1.35 o litro! ). O brasileiro paga a viagem de férias em 10X no cartão, aqui é na raça, quando muito deixam você dar uma entrada, e te dão alguns dias pra pagar o resto, mas no geral, 6-8 semanas antes da viagem ela tem que estar totalmente paga. Aliás, cartão de crédito aqui não parcela. Nunca. Aliás, cartão de crédito raramente é aceito. Eletrodoméstico pode, em algumas lojas, ser financiado, mas aqui em Eindhoven por exemplo, tem uma loja só que financia ( MediaMarkt ), e nem sempre tem os melhores preços e quase nunca tem os modelos mais atuais. 

Isso sem falar que em muitos casos ( acho que a maioria ), a gente imigrou pra morar com o namorado, casou, juntou, e no começo foi "bancado" pelo parceiro. Pode parecer pouco, mas pra quem vem sozinho, gastos como aluguel, comida, seguro médico, transporte, pesam pra caramba no orçamento. Quem vier sem emprego garantido tem que ter um boooom pé de meia, quem vem com emprego garantido TEM que se adaptar aos recursos limitados. Sinceramente, quem pensa que vai vir pra cá e ter o mesmo nível de vida material que tem no Brasil, vai se frustrar.

Compensa? Ah, isso é muito pessoal. Ter mais segurança é muito bom. Ter um plano de aposentadoria melhor é ótimo. Poder viajar pra capitais européias que antes eram só um sonho é bom, mas em contrapartida, os finaizinhos de semana na praia já eram. Ter leis trabalhistas que protegem melhor seu emprego é bom, assim como o auxílio-desemprego decente, mas você tem que trabalhar 5 anos antes de ter direito a esses benefícios. E pelo menos minha cidadezinha é mais verdinha, pra quem gosta tem zilhões de rotinhas de bicicleta ( lazer saudável e gratuito ), a vida é muito mais calma que a vida em SP.

Mas há também as coisas péssimas, que vão te irritando e te cansando a um ponto que tem épocas que todo mundo se pergunta "o que é que eu tô fazendo aqui, meu deus?". Abri mão de ter meu próprio carro, e apesar de ter que percorrer menos de 2km até o trabalho na minha scooter, no inverno eu vou e volto xingando, e quando chove eu quero matar um. Ir ao médico morrendo de dor, achando que você está na fase terminal de alguma doença, e jamais ser mandado fazer um exame pra acalmar sua consciência, e receber uma cartelinha de paracetamol ( Doril ), é terrível. Chegar em casa louca pra colocar o aquecedor no 25C e ouvir que 21C tá mais que bom é ultra irritante ( coloca mais roupa querida - mesmo que eu já esteja praticamente vestida pra ir esquiar ). A pilha de roupas que nunca se auto-dobra ou auto-passa, quem nem acontecia no Brasil ( Janildaaaa! ). Essa língua horrível hora-após-hora-após-hora, essa raspação maledeta de garganta. Esse céu cinza, você vai conhecer 100 tons diferentes de cinza, se voltar ao Brasil vai trabalhar na Faber Castell na divisão de lápis de cor cinza.

Quem vier me pedir a opinião eu digo: se você é jovem, solteiro, sempre sonhou em ir pro exterior, venha, arrisque, no mínimo vai ser uma experiência interessante. Quem tem família, seja mais cuidadoso, pense bem, pondere. Sair de uma classe média brasileira pra ser o pobrinho imigrante aqui é difícil, especialmente se você tem filhos.

Mas povo, vamos tirar da cabeça essa idéia do Brasil subdesenvolvido de antes. O Brasil nos próximos anos vai explodir de oportunidades de trabalho legais, tem empresa do mundo inteiro com os olhos aí.

Ó, só de pensar que aí eu poderia pagar a Janilda… me dá uma vontade de fazer as malas!


domingo, outubro 18

O copo está meio cheio: o inverno...

O jeito é concentrar nas coisas boas do inverno, já que ele é inevitável e vai passar. Repitam comigo: o inverno vai passar... v-a-i-p-a-s-s-a-r...

As golas rulê, que ficam elegantes debaixo do blazer ou de qualquer blusa, e me poupam de ficar passando camisa, já que minha máquina de secar tem mode anti-wrinkle



Sopa no pão, que no Brasil vende em qualquer canto ( eu amo a do Frans Café ), mas aqui tem que ser feita em casa. Não entendem de frio esses holandeses...



Mantas Parahyba, que também não existem aqui. Quem é que não teve? A minha era azul...



Fondue de queijo... No need to explain...



Gorrinho e cachecol bem Penélope Charmosa



Capuccino Quentinho à toda hora



Pantufeeeenhas



E já que sonhar ainda é de graça, a lareira que um dia eu hei de ter



E quando nada disso ajuda, a solução é:



Esqueci de alguma coisa?

sábado, outubro 17

Ximbication

Vi na Katylene e tive que mostrar procêis.

Gente, nós os brasileiros TEMOS que ser o povo mais criativo do mundo. TEMOS.

Não consigo parar de rir, e o rítmo até que é legal!

sexta-feira, outubro 16

Prece


Deus ilumine o inventor do diclofenaco de cálcio.

Amém

Cai cai balão cai cai balão, aqui na minha mão...


Muito obrigada meu Deus, por hoje ser sexta-feira!

Stress stress stress, trabalhando até tarde todo dia, mil apresentações mirabolantes, estômago em pandarecos, unhas roídas até os ladinhos sangrarem, cara de uma mulher de 75 anos. Bosta.

Depois me perguntam como é que eu tenho coragem de gastar 5 mil paus numa viagem de férias, e é fácil caros colegas: eu MEREÇO. Cada eurinho que cai na minha conta representa uma célula da minha bunda ralada nas pedras.

Ontem juntou TPM, estômago ruim, costas esbudegadas por um par de botas de salto alto ( TODA mulher que usa salto alto tem uns miolos a menos ), e voilá, Adriana chega em casa tão imprestável que não consegue nem plantar sua safrinha do dia no Farmville.

Mas que tem coisa que a gente ainda ri, ah isso tem. E o garoto do balão? A CNN com o Richard Quest lá todo solene "narrando" a trajetória do balão e falando como se o menino já tivesse virado bacon, e o menino na garagem da casa dele… mas putamerda, quando eu falo que tem pais que merecem o título de parideiros o povo fica bravo, vai construir um balão cintilante, no jardim de casa, com um menino de 6 anos brincando ao lado, e não colocar uma trava 100%? Gente, e como o balão ía rápido!

Povo, vou-me. Estou ainda semi-comatosa, concentração zero, mas não posso esmorecer na labuta diária. Com o frio que tá, minhas costas ainda latejando, tô doida pra chegar em casa e tomar um banhão de banheira.

Bom findi, fuy!


quinta-feira, outubro 15

Hoje, eu mereceria... Da amor aos pedaços!

Falando de um assunto vencido

Tô quase chorando de tanto trabalho, todo mundo quer tudo pra hoje, eu com resistência zero para trabalhar as 12 hrs por dia que tô precisando… Paciência zero.

E porque a paciência tá a zero, tcheu dizer uma coisa procêis: tá na hora da gente cagar e andar pros "politicamente corretos".

Fulano pensa horrores da pessoa, mas se chama o cara de "afro-americano" ( brasileiro, holandês, reino-encantado-da-xuxa ), tá tudo beleza. Mas se você que tem ótimos amigos negões, que não tem nada contra os negões, que trata os negões como trata qualquer um, desliza e chama o negão de "negro" ( ou, valha-me Deus, de negão ), você é a escória da humanidade. Hoje em dia, importante é a palavra, não o conteúdo que ela representa.

Não é politicamente correto chamar portuga de burro ( nem de portuga ). Pontequepartiu, e é correto chamar brasileiro de safado e desonesto? Porque é disso que nos chamam e pior, se no Brasil chamamos portuga de burro mas os recebemos com tapetes vermelhos, em Portugal nos chamam de safados e desonesto e nos tratam como safados e desonestos.

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Mais uma história da Adriana:

Fiz um backpacking pela Europa em 2000, e reservei meu hostel em Lisboa pelo site da Hostelling International. Na época esse site só pedia seu nome, hostelling number e você pagava online com cartão de crédito. Reservei minha "vaga" num quarto de 4 pessoas, cama de baixo, a reserva foi confirmada. Chegando no albergue, quando viram que eu sou brasileira, disseram eu não podia ficar no quarto de 4 pessoas, mas no quarto "jumbo", que adivinhem só, só tinha brasileiros! Esse quarto tinha uma câmera apontada pra porta, e o banheiro coletivo tinha aquele sistema odioso no chuveiro que tem uma mola na torneira que vai regulando o suprimento de água e interrompe a cada 20 segundos.

Claro que eu não aceitei, chamei o gerente, depois de mais de 1 hora de discussão, e mil ameaças, me deram a tal vaga que eu tinha reservado no quarto de 4 pessoas. No segundo dia fiz amizade um uma tiazinha que limpava os quartos ( brasileira, claro ) e ela me disse que era assim porque o albergue achava que brasileiros traziam gente ( não pagantes ) pra dormir nos quartos ( !!! ) e que brasileiro desperdiça muita água no chuveiro.

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Eu não saberia opinar sobre a "inteligência" dos portugueses, e assim como eles certamente teriam razões pra nos chamar de esquisitos, como fez a Maitê, eu baseada nas minhas experiências, também tenho.

A esquisitice que eu notei, é essa necessidade de esnobar os brasileiros, mas com os outros ser um capachão. No departamento de compras da empresa antiga no Porto, o povo tinha medo de ir tomar café, tinham horário certo pra levantar, ir lá e pagar uma xícara, conversar 5 minutos e voltar a trabalhar, morriam de medo do gerente. A sala do gerente então, tinha uma parede de vidro, e ele ficava ali olhando a "escravaria" trabalhando, ultra opressivo o ambiente. E em reuniões, se o holandês falasse pro português pular, o português perguntava a que altura. Os compradores não podiam ir a almoços ou jantares com fornecedores, o convite tinha que ser feito ao gerente, e ele ía sozinho, sem o comprador. A holandesada falava que os portugueses em reuniões concordavam com as coisas, mas faziam tudo diferente depois, e os holandeses mesmo os achavam meio "intelectually challenged", mas na verdade não era isso, aliás eu não posso dizer que presenciei nenhuma burrada dos portugueses, a planta era exemplar, o problema é que eles não tinham coragem de dizer pra um holandês de cargo superior ao deles, que tal idéia na prática não ía funcionar, ou que tal processo não podia ser implementado. Concordavam com o holandês, mas faziam do jeito deles.

Só sei de uma coisa, é por essas e outras que eu até tenho vontade de voltar à Lisboa e ao Algarve, de levar o Bart, mas vou deixando pra lá. Eu não tenho dó de gastar meus ricos eurinhos em viagem de férias, mas já que o dindin é meu, vou pagar onde eu SEI que vou ser bem tratada, ou então vou viajar incógnita, como holandesa, e aí quero só é ver o que eles vão falar da gente sem saber que eu estou entendendo tudo… Ra ra ra, gostei da idéia...