quinta-feira, maio 10

É legal coçar o saco?

A Holanda tem uma empresa apenas que faz carros. No passado ela já foi parte do Grupo DAF, depois da Volvo, agora é da Mistsubishi. Essa empresa está indo muito mal há anos, a situação ficou dramática há 2 anos e há alguns meses, eles declararam concordata. Há dois ano, num plano de cooperação regional, minha empresa contratou, como terceirizados alguns funcionários dessa empresa, afinal, quase sem projetos ou produção, eles não tinham o que fazer.

São ótimos colegas, o funcionário dos sonhos de qualquer gerente, chegaram foram treinados 1 semana – estão praticamente 100% integrados.

Sempre me intrigou esses funcionários, pois eles não são obrigados a trabalhar como terceirizados, foram todos voluntários, ou seja, poderiam estar sentados nos seus escritórios vazios, lendo, jogando poker, internetando. No entanto, escolheram vir pra cá, aguentar rabo de foguete, uma pressão dos infernos, muitas vezes horas extras que eles nem recebem. E fazem tudo isso sem ganhar um tostão a mais da empresa original deles.

Um dos meus funcionários faz parte do departamento financeiro de lá, então ele tem que voltar a cada 2 semanas por um dia para dar uma olhadela em certos reports e documentos. Ele diz que o ambiente é tão depressivo que depois de duas horas no escritório, ele começa a se sentir mal, tenso, dores no corpo. Os colegas dele que ainda estão por lá realmente não tem mais nada o que fazer, 80% do pessoal está terceirizado em outras empresas, os que ficaram resolvem um probleminha aqui outro acolá, mas no geral ficam ali, olhando pro teto o dia todo. Perguntei se esse pessoal não podia pelo menos ficar em casa, mas o acordo é que aqueles que não aceitasse emprego terceirizado teriam que comparecer à empresa todos os dias ( senão ninguém ía ser voluntário para terceirização, todo mundo ía querer ficar em casa vendo Oprah ).

Um dos meus senhores era lá gerente nivel 16, aqui ele está como comprador nivel 14 ( mas claro que continua recebendo o salário de gerente 16 dele ), e está feliz da vida, diz que prefere mil vezes as pendengas daqui a olhar pro teto lá.

Eu confesso que por vezes me pego invejando os carinhas que não tem pressão, não tem que trabalhar 10 hrs por dia, mas já pensaram, dia após dia sem ter um e-mail pra resolver, um telefonema pra atender, esperando dar 5 da tarde pra ir embora? Deve ser enlouquecedor.

4 comentários:

Line disse...

Estou passando exatamente por isso agora! Saí de um ambiente meio caótico e estou há duas semanas numa nova função, em outra empresa. Mas ó, zzzzz....
E o pior é que eles se consideram bastante atarefados. Cada um tem uma tarefinha, e that's it!
Esou aqui sentada, entediada, contando carneirinhos porque já li tudo que podia ler.
Esperado cenas dos próximos capítulos.

Eliecy disse...

Eu queria coçar o saco, mas vem pedreira para mim agora (rsss)...

Eliecy

Anna Monte Alegre disse...

Ahhh se eu nao tivesse nada para fazer, teria mais tempo para arrumar mais coisas para fazer hehe
é uma questao de iniciativa, nao?

Claudia disse...

Querida Adriana (chamar de querida está ok? Algo como Liebe Adriana ;o)
Gostei muito do teu post e posso te dizer que quando eu trabalhava em um banco em Zurique eu passei por isso: a nossa turma de trabalho era muito legal e somos amigos até hoje. Mas nós ano tínhamos absolutamente nada para fazer. Riamos o dia todo e chegamos ao absurdo de quando o chefe chamava a gente dizia "espera ai que eu tô terminado meu joguinho no computador e já vou". Os primeiros dias sao engracadinhos, mas com o passar do tempo vc tem mesmo dores no corpo reais. Eu me pergunto: em um banco brasileiro, isso seria possível? Quando eu vou lá e vejo as filas enormes virando quarteirao, a resposta é nao. Abraco Claudia Boemmels