domingo, março 10

Answers is all we need

Comentando os comentários do post anterior ( que frase feia, blé )...

Comadre Holandesa, você é minha comadre querida, e não se ofenda, mas não aceito, admito, ouço ou encontro qualquer resquício de pensamento racional no "não está feliz aqui, volte pro Brasil". Caracas, todo imigrante ouve essa frase cada vez que tenta exprimir a mínima crítica ao país que vive, mesmo que os nativos estejam sentando a lenha em tudo e todos. E porque não posso criticar? Não sou cidadã holandesa? Não voto? Não pago impostos? Não movimento a economia ( e muito! ) ?

Quando uma sociedade inteira se submete a dividir metade do seu salário com a coletividade, espera-se que todos tenham uma vida decente e razoavelmente confortável, então como não criticar um governo que faz uma geração de jovens mães se questionarem se vale mesmo a pena voltar ao trabalho depois do parto e entregar todo o seu salário em pagamento de creche? E pior, pelo menos no grupo social em que eu me encontro, metade dessas jovens mães estão escolhendo ficar em casa. Estamos voltando no tempo!!! Lugar de mulher é em casa criando filhos, lavando, passando, cozinhando...

E sinceramente? Financeiramente nós estaríamos melhor no Brasil. Meus antigos colegas de trabalho ou de faculdade estão ganhando bem, estão trabalhando em indústrias que se modernizam numa velocidade impressionante, suas carreiras se movimentam ultra rápido... A maioria das minhas amigas estão casadas e com filhos, e numa casa com duas rendas, os ajuizados estão investindo em imóveis, estão viajando, estão morando muito bem. Notei um certo preconceito no seu comentário sobre a classe média paulista estar contratando empregadas paraguaias, mas e no que isso é diferente da holandesada que contrata o pedreiro polonês enquanto os pedreiros holandeses estão passando fome?

E minhas duas megas viagens por ano? Bom, foram só no ano passado e estouraram nossa conta, e certamente não se repetirão, voltaremos a fazer a viagem de pobre em maio e a melhor em dezembro, mas elas só são possíveis porque EU NÃO PAGO CRECHE, senão estaria indo pros appartamenten em Mallorca, quiçá um stacaravan ou até camping! Aliás, sabe a viagem pra Florida que a gente tanto pesquisa, e tenta baixar os custos, e divide casa com irmão, e etc? Um amigo da família, assalariado como a esposa, depois de 6 anos indo anualmente pros EUA pra visitar a Disney e comprar as roupas da família, juntou 2 anos de bonus de participação dos lucros, uma graninha aqui e acolá, e comprou um condo em Davenport!

Mas é isso, meu ponto é que as últimas mexidas nos benefícios holandeses são uma merda, não é justo o povo que tem que pagar creche tão caro, enquanto isso a chinesa da Bosch ( que é holandesa da gema, brabantista de Breda ) está NOVAMENTE morando fora e recebendo auxílio desemprego ( dessa vez em Singapura ). E é nosso dever questionar o que os políticos decidem fazer com o NOSSO dinheiro. E protestar quando não estamos de acordo.

E Paca... o depressão entre aspas assim está porque eu acredito sim em depressão, trabalhei com um senhor cujo filho se suicidou na linha do trem em frente ao escritório dele, e aquele homem mal saía de casa, não comia, ficava olhando pro vazio, era apático... mas a senhora "deprimida" participa do clube das motocicletas vintage e todos os sábados sai para encontrar os amigos e dar o passeio semanal de moto, até debaixo de neve, faz um cursinho de cupcakes as terças, e aula de zumba 2 vezes por semana. Ela vai uma vez a cada três meses no médico, chora dizendo que o pai abusou psicológicamente dela, por isso ela não consegue cuidar dos filhos, que diga-se de passagem, foram os dois planejados e gerados por FIV ( se teve problema psicológico como nascimento do primeiro filho, pq um segundo? ). Essa "depressão" pra mim é preguiça.

13 comentários:

Goldman disse...

Ola Adriana, adoro o seu blog e é a primeira vez que comento. Moro no Canadá, e tive um blog por mais ou menos 3 anos. Queria dizer que concordo 100% com o que vc disse: Cada vez que abrimos a boca para dizer qualquer coisa sobre o país que moramos, sempre aparece um "gente boa" para dizer, volta para o Brasil, como se ao voltar para lá, aí sim tivéssemos o direito de não gostar de alguma coisa da sociedade. Como vc mesma disse, pagamos impostos, somos cidadãos do país onde moramos e assim como os nativos, temos todo o direito de não gostar de uma coisa ou outra. Apoiada e parabéns pelo excelente blog.

Chica disse...

As vezes eu passo aqui pra ler o seu blog e, preciso dizer, os seus dois últimos posts estão aumentando a minha depressão de estar na Holanda. Me encaixo na categoria das mães. Me sinto imensamente frustrada em casa, sem conseguir arrumar um emprego que seja suficientemente bom pra pagar a creche do meu filho. Mando dezenas de currículos todas as semanas, no mesmo nível de escolaridade que tenho, escuto que não tenho experiência, quando mando pra cargos mais simples, sou overqualificada.
É frustrante.
Enquanto isso marido paga duas hipotecas, porque quem diz que a gente consegue vender o apartamento antigo? Já baixamos 30 mil euros no valor do apartamento...e nada! E mesmo assim, religiosamente, lá se vão 52% pro governo, pra ajudar gente que precisa, sim, mas também muito malandrão preguiçoso que nunca teve vontade de trabalhar e vê nos incentivos do governo a mamata que sempre quiseram. E se precisa ter direito pra falar sobre essa pouca vergonha, eu acho que tenho, meu marido é diabético tipo 1 e perdeu a visão de um olho há muitos anos por complicações da doença. Podia estar com a bunda em casa usando e abusando dos incentivos sociais, mas no entanto, dá um duro danado pra sustentar essa corja.
Nas aulas de holandês que somos obrigados a ir, os únicos textos que nos passam é sobre o imigrante que trabalha na construção civil, que limpa casas e que cuida de velhinhos. Acho que qualquer emprego digno é digno, mas eu sinto, sim, um preconceito, como se quisessem nos ensinar que imigrante por aqui só serve pra isso.
Enfim, desabafei. Obrigada pelo espaço e acho que só posso te desejar é força...haha!

Helena disse...

Falou e disso. Moro na Inglaterra e eh exatamente a msm situacao. Nao vale a pena ter filho e pagar £1000 de creche, mais o trem p/ o trabalho,almoco, roupas p/ trabalhar , nao sobra nada. E nao temos direito a beneficio. Ontem uma jornalista da BBC, falou uma coisa certa. O conceito de pobreza precisa ser reavaliado. Pobre na Europa, tem flat screen TV, xbox, fuma 3 macos de cigarro por dia e enche a cara nos fds.

maria disse...


Concordo c vcs,embora more no Br.mas fico admirada c essas e outras informações de quem mora fora. Aqui tb os problemas são gravissimos mas aí deveria ter menos.

maria disse...


Concordo c vcs,embora more no Br.mas fico admirada c essas e outras informações de quem mora fora. Aqui tb os problemas são gravissimos mas aí deveria ter menos.

Holandesa disse...

Dri,

Leia o meu comentário de novo. Eu não disse que vc não podia criticar e também afirmei que acho merd@ o que o governo está fazendo, mas eu não vejo toda essa 'grama verde' que você no Brasil. Como disse no comentário anterior: não existe lugar perfeito. É isso!

Holandesa disse...

Ah! E com relação ao comentário de 'voltar'.
Cada um é responsável pela sua própria felicidade. Se vc não é feliz aqui, só depende de vc procurar o lugar onde vc será...

Holandesa disse...

BTW, já recebi comentário como se o meu comentário aqui fosse para causar briga ou que eu estivesse me ofendido e alterada. Não foi. Quando fiz o comentário a voltar é uma forma geral de mudar.
Quando a gente não está feliz no emprego, o que o ser humano faz? - Procura outro.
Quando a casa fica pequena ou finalmente pode comprar a casa dos sonhos, o que o ser humano faz, compra outra!
e assim vai com o carro e tudo mais. Por que não de país?
Verdade é que eu acho que o lugar que vc seria realmente feliz é Orlando. É ou não é?!;-)~
Enfim fui!

lilian moreira disse...

Não é simplesmente voltar pro Brasil, voltar é fácil. O fato é que a Dri, tem um marido holandes, casa, gato, enfim uma vida toda na Holanda, pra simplesmente ir embora "procurar a filicidade" em outras bandas...

Holandesa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Holandesa disse...

@Lilian,
A Dri tinha mega-emprego, apto, familia, uma gata, carro, amigos entre outras coisas em Sampa antes de vir procurar a 'filicidade' na Holanda sem conhecer ninguém e nem ter família por perto, não falava a língua, não conhecia cultura, costumes nem nada. Tudo pelo simples fato de tentar a vida ao lado de um Holandês. Entenda-se: "filicidade" na minha lógica.

Ninguém disse que voltar era fácil, mas 'ir' também não é. Então por que fazer se não for por uma questão da procura da felicidade?

Detalhe: com a experiência internacional dela, o conhecimento de línguas no currículo, voltar para o Brasil nesse sentido seria fácil. Sem falar que lá ela não precisa aprender o idioma e cultura. Ela já conhece. Entendo obviamente o lado do marido que não seria fácil. Mas em termos de dificuldade acho que foi mais difícil pra ela vir do que seria voltar.

Enfim, cada um tem o direito de ter sua opinião. Dei a minha. Ninguém precisa concordar. Não sou candidata política pedindo apoio de idéias para ser eleita.

Enquanto isso, eu vou à procura da minha 'filicidade' por que ninguém vai fazer isso por mim!

lilian moreira disse...

A mulher não pode mais comentar, deixe-a viver onde quiser e ficar revoltada com sistema! ela paga imposto!

Pronto falei.

Ingrid disse...

Problemas é que nao faltam no planeta terra. Brasileiro tem fé e talvez por isso sempre está com um sorriso no rosto. Os desesperados sao mesmo os pobres de espírito que nao tem esperanca e nem acreditam em nada. Os holandeses em sua grande maioria vivem em completa solidao, sem amigos, familia, fechados no quarto do egoismo, da mesquinharia, pensando apenas nas financas e cultivando a filosofia calvinista e reclamando de tudo o tempo inteiro. Pensam que possuem o controle de tudo,basta anotar tudo numa agenda , fazer um bom planejamento e pronto. Mas a vida é mais do que isso. Temos que agir, ter sonhos, batalhar mas ter conciencia de que nao somos deuses e amanha tudo pode mudar sem o nosso consentimento. É por isso que quando perdem o emprego e precisam enfrentar crises a única solucao é acabar com a vida vazia pulando na frente de um trem. É dificil viver em terras áridas, o dinheiro é necessario e nao se morre de fome aqui. Nao quero generalizar mas misericordia, amor e humildade sao artigos de luxo e quase raridade abaixo do nivel do mar. Esses infelizmente nao podemos comprar, mas podemos sim oferecer e assim ser mais feliz.Temos que ter muito cuidado para nao sermos contaminados por esse pessimismo. E falo principalmente de mim mesma. Saudacoes

Ingrid