segunda-feira, novembro 12

E para os que ficam...

Obrigada a todos pelas palavras de apoio.

Estamos ainda bem abalados, mas melhores. Por enquanto o segredo é evitar as fotos, a saudade bate mais forte quando vemos o rostinho rabugentinho, ou as preguicites dele. Ele nos faz muita falta. E também ao Plato. Plato me segue 100% do tempo, e ele era um gato bem independente. Ele ainda procura bastante pelo Taai e quando não o encontra, mia. Mia as 6 da manhã, mia a 1 da manhã, ele mia, minha gente, mia muito. Plato sempre foi o serelepinho que amava ficar no jardim, já caçou passarinhos, rato, até um sapo! Sempre foi uma dificuldade colocá-lo para dentro, quantas vezes tivemos que eu e o Bart persegui-lo pelo quintal, um espanta daqui o outro cata dali… e agora ele só sai se eu ou o Bart estivermos juntos, e no minuto que a gente entra, ele começa a arranhar a porta pra entrar.

Por isso decidimos que adotaremos outro gatinho, de preferência uma menina dessa vez, dois machos brincando de lutinha em casa é o ó ( pêlo pra todos os lados ). Eu pensei em comprar um British short hair ( pra quem mora na Europa, é o gato da marca de comida felina Sheba ), principalmente porque uma das características da raça é que eles são “indoor” – são caseiros, queremos continuar  a criar os gatos em casa e no jardim, sem ir pra rua, mas o marido quer simplesmente adotar um do abrigo de animais. Eu não me importo, vou amar e adorar qualquer gatinho, então – abrigo it is.

Estou muito impressionada com os holandeses no quesito animais. Tem sim muita gente que larga os animais pra ir viajar, que tem filho e manda os animais pro asilo, mas isso acho que tem em qualquer lugar. Mas o que me supreende é que quando eles querem um animalzinho, dão prioridade pro abrigo de animais da cidade. Para gatos, eles tem vários que moram no abrigo, mas a quantidade é surpreendentemente baixa, Eindhoven é a quinta maior cidade da Holanda e eles devem ter uns 30 gatos adultos esperando adoção. Os filhotes, na sua maioria ficam na casa de “famílias de criação”, normalmente são doados ou encontrados pequetitos  e essas famílias criam o gato entre outros animais, com crianças, pra aumentar as chances do gatinho ser adotado. Ando de olho no asilo desde o dia em que o Taai morreu ( quarta-feira ), a maioria dos gatinhos que estavam no site já foram adotados, morro de felicidade quando vejo a fotinho com o símbolo “eu tenho dono”!

Não podemos pegar o gatinho agora, em 3 semanas vamos pra Tailândia. Por outro lado, vai ser dificílimo pro Plato dessa vez, ele sempre dividiu a “suíte” dele com o Taai, aliás, ainda preciso ligar pro hotelzinho pra avisar que o Taai não está mais entre nós, estou sem coragem.

Essa história toda me deu um respeito enorme pelos pais que perdem um filho e conseguem conviver com o fato, mesmo que depois de anos de sofrimento. Sim, é para os nossos gatos que direcionamos o afeto que daríamos ao filho que não temos, mas não sou uma louca, é um gato, imagino quantas vezes maior é a dor de perder um filho.

A literatura Kardecista é incrivelmente pobre no assunto do que acontece com os animais depois da morte física. Uma vez numa palestra ouvi que como não tem nada a resgatar, os animaizinhos reencarnam imediatamente. Espero que sim. A doutora Alice mandou uma meditação para a perda de animais de estimação, e a explicação dizia que o espírito do animalzinho ainda permanece por alguns dias. Eu não sei qual é o correto, só sei que mentalizei muito para que ele esteja bem, para que não fique preso a nós, que venha em alguma outra família que queira muito um gatinho rabugentinho como ele.

Tenho também a dizer que numa hora dessas entendo menos ainda o ateísmo. Acho tão absurdamente ilógica a noção de que a gente nasce, vive e morre, tudo tão sem propósito, tão ilógico mesmo mesmo mesmo. Marido é ateu, mas até ele resmungo que o Taai “está num lugar melhor, sem dor”. E sei lá, pode ser que o ilógico é crer numa vida após a morte que não se vê, não se prova, mas… se a gente vai morrer mesmo e todo mundo voltar a ser cinza, qual o mal em eu me “iludir” que meu gatinho está em um outro plano?

Bom, to be or not to be à parte, vamos sobreviver. E isso já é o bastante por hora.

8 comentários:

Leonardo Mendes de Araújo disse...

Eu li uma vez num blog espirita que os animais vão reencarnando. Até virarem um outro tipos de seres que poderão entender e compreender o mundo como os humanos. Isso daqui séculos quando agente já estiver num outro universo. E eles evoluirão até ficarem perto de Deus.
Como nos um dia fomos seres que não falavam, só viviamos para sobreviver e não para evoluir e hoje somos seres inteligentes. Eles também vão ser um dia seres inteligentes. Não humanos... mas outros seres...
Isso eu li num blog espirita. E me ajudou muito quando perdi minha cachorrinha.

Holandesa disse...

Dri, em vários livros espíritas, inclusive na série "Violetas na janelas" fala-se também do 'paraíso' animal. Há casos em que o animal vai para o plano e volta a se reencontrar com o dono quando este desencarna. Esse foi o caso da menina da "Violetas da Janela"- ela se reencontra com a cachorra dela e vão morar juntos numa casa...

Eu fico imaginando que o dia que eu desencarnar e me reunir com todos os meus bichos de estimação queridos, eu terei encontrado o paraíso....

Marcita disse...

Dri, isso mesmo que a Holandesa falou! E eu vi no tal filme Amor Além da Vida. Acho que reencontramos os animais.
Holandesa, se você reencontrar todos os seus bichos não vai caber todo mundo junto!
Eu AMO o British Short Hair. Se não me engano, é o que inspirou a criação do gato da Alice . Mas acho que adoptar é uma boa. Eu adoptei os meus 3 e quando partirem, adoptarei mais.
Beijos

Marcia disse...

Eu prefiro crer apenas que seu gatinho lindo parou de sofrer. E isso já está de bom tamanho. A Ivy, minha gatinha, é vira-lata mas tenho certeza de que tem British Shorthair nela. É uma raça muito dócil, ela nunca me arranhou, mordeu ou rosnou para ninguém, e dicililmente ela mia. Será uma boa escolha. Evite siameses, eles são difíceis de se misturar com outros gatos, por term temperamento forte. De resto, espero que as férias te tragam um pouco de distração de tudo isso.

pacamanca disse...

Já eu não entendo essa história de tudo ter que ter um propósito. Não vejo o MENORRRR problema em saber que um dia vou morrer e virar adubo. Não tem nada de vazio nisso, nada de triste - simplesmente significa que a gente tem que aproveitar ao máximo a nossa vida enquanto estiver aqui, porque depois não há mais nada. E temos que nos comportar bem também, pra dar um bom exemplo e pra deixar um mundo melhor pros nossos filhos - ou sobrinhos, ou filhos de amigos, o que você quiser. O que tem de triste ou estranho nisso?

Marcia disse...

Que bom que você vai adotar e não comprar um gato. Mesmo não havendo tantos gatos precisando de um lar na Holanda como há no Brasil, é muito melhor adotar do que comprar.

Kate Le Fay disse...

Adriana, meus sentimentos. Fiquei com lágrimas nos olhos ao saber do Taai. Já perdi uma golden retriever e escrevi sobre ela no meu blog: www.katelefay.blogspot.com A dor na hora da perda é insuportável mas com o tempo diminui. Acredito incondicionalmente que os animais tem alma e que iremos reencontrá-los pois estamos ligados pelo laço mais forte que existe, o laço do amor.

Kate Le Fay disse...
Este comentário foi removido pelo autor.