quarta-feira, fevereiro 13

Xitiplé ( onomatopéia de chicotada )

Eu sofro de depressão de inverno. Eu entretanto não acredito em depressão. Sempre que ouço as pessoas atribuindo tragédias pessoais à depressão, penso – nhé nhé nhé mi mi mi. O que eu chamo de depressão de inverno é na verdade uma extra sensibilidade às perrengas no dia-a-dia,e  coisas que eu tiraria de letra quando o sol brilha e tudo parece mais legal, arrasam comigo nesses meses frios e cinzas.  

 

Não vou, e repito, NÃO VOU, sentar e ficar “mimimizando” as mazelas da minha existência, me dou 10 dias pra sacodir a poeira e dar a volta por cima; ou vou pra médica pedir um anti-depressivo. Simples assim.

 

Em março tenho minha revisão de plano de carreira, tenho que preparar uma documentação de mais de 40 páginas. Comecei a fazer isso na semana passada e nesse “estado de espírito” só faltei chamar meu diretor e a empresa de fubangos xexelentos malemolentos dos infernos. É o exagero da tal depressão. Mas vejam meu ponto de vista:

 

-          Sou formada em Comércio Exterior, meu cargo exige que além das funções gerenciais eu seja gerente de conta de um fornecedor, e adivinha? O meu é um dos 3 fornecedores HOLANDESES do grupo;

-          Fui promovida a gerente há 3 anos, e ainda não fiz o curso de formação de gerentes da empresa em Seattle – a desculpa é que por causa do projeto meu tempo é mais bem aproveitado aqui do que uma semana no tal curso, mas enquanto isso sou em pastando pra gerenciar o Old Fart sem saber como

-          A empresa anda caçando no Mercado profissionais com experiência internacional; eu venho da Mecca automobilística em globalização, já apresentei 2 projetos de desenvolvimento na China, e nas duas vezes a resposta é a mesma que a do curso em Seattle: a essa altura do projeto, seu tempo é mais valioso aqui do que na China

Isso tudo está me deixando cada vez mais frustrada com o dia-a-dia do meu trabalho, é sempre a mesma coisa, e nos últimos 2 anos, 80% é coisa que eu não gosto de fazer, ou digamos, que eu faço mas não é meu forte.

 

Ontem eu estava macambúzea de ter que voltar ao trabalho depois de 4 dias de bem-bom. E somado à isso, marido e eu ainda não concordamos com nada pra casa e vivemos empacados, a casa feia por acabar. Eu de saco muito cheio, novamente amplificado pela depressão, esbarro no novo programa da Oprah, dessa vez visitando a India. E ela mostrava a casa dessa família, um casal com 3 filhas morando num cômodo de 3 X 3. Chorei cântaros, a menininha falando que é sim feliz, que a vida dela não era difícil, tinham comida, lugar para dormir, ela ía à escola… E eu ali, de chororô por causa dos lustres da sala… No fim a Oprah acaba a matéria perguntando: quanto a gente realmente necessita pra “viver”?

 

Adriana, o que você precisa pra viver? Cortininhas Luxaflex? Uma barra de Lindt? Me senti pequena, povo, muito pequena…

 

Hoje vou ao salão de bronzeamento, ver se os raios UVA/UVB da maquininha me ajudam, se na semana que vem não tiver dado resultado, remédio goela abaixo, porque ficar empacando minha vida, ou pior, tomar decisões erradas por causa de depressãozinha de inverno não é comigo. Depressão, mimimi, a gente trata assim, na chicotada.

 

3 comentários:

Paula Ravazzi Schiffer disse...

Cade o botaozinho "like it" ???

Marcia disse...

Sim, mas os comprimidos não vão combater o mal pela raiz. Já percebo há tempos que este emprego consome todas as suas energias. Dá a impressão de que você vive batendo numa parede lá. Pois bem, aproveite a revisão do plano de carreira e faça você algumas exigências, como colocar a viagem para Seattle como prioridade. E como eu já disse antes, não custa dar uma olhada sem compromisso por aí para ver o que tem para você em outras empresas. Se eles acham que você não pode se afastar alguns dias para seu desenvolvimento profissional, tem alguma coisa muito errada aí. Até eu, que tenho um cargo de bem menos responsabilidade, serei enviada a Amsterdam por 4 dias em março para conhecer como todos os departamentos da empresa funcionam. Não basta apenas te jogar na fogueira e não te dar as armas para isso. My 2 cents.

pacamanca disse...

Não entendo nada do mundo corporativo, mas concordo plenamente com a Marcia.